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Sumário

1 Introdução 2

2 Problemas Propostos 2
2.1 Questão 01 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.1.1 Resolução: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.2 Questão 02 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2.2.1 Resolução: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.3 Questão 03 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.3.1 Resolução: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.4 Questão 04 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.4.1 Resolução: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

3 Resultados e discussões 7

4 Referências 8
1 Introdução
Este trabalho tem como finalidade enfatizar e fixar os conceitos aprendidos em sala de aula
da disciplina de Cálculo 3 para o curso de Engenharia. A composição deste é feita pela
resolução de quatro exercı́cios pré-estabelecidos, os quais envolvem integrais múltiplas.
As integrais múltiplas são aplicadas em funções de mais de uma variável como, por
exemplo, uma função f (x, y) ou f (x, y, z). O conceito principal não se abstem do conceito
já estudado anteriormente de integral de funções de apenas uma variável cujo valor é definido
pelo limite das somas de Riemann [1] [2].
Quando deseja-se saber o volume que uma superfı́cie forma sobre uma determinada
região, uma forma eficaz de chegar ao resultado é integrando em duas ou mais dimensões. A
soma de Riemann, neste caso, será composta de infinitas áreas retangulares infiniteziamais.
Assim, a soma de todas as áreas com seus limites tendendo a zero, dá a o valor da integral
sobre a região.

2 Problemas Propostos
A seguir, quatro problemas serão resolvidos. Problemas estes que envolvem integrais múltiplas,
seus limites de integração, formas polares de funções e aplicações temáticas.

2.1 Questão 01
Mudando a ordem de integração, mostre que a integral seguinte dupla pode ser reduzida a
uma integral simples:
Z xZ u Z x
m(x−t)
e · f (t) · dtdu = (x − t) · em(x−t) · f (t) · dt
0 0 0

2.1.1 Resolução:
A ideia-chave para resolver este problema, é demonstrar analiticamente que quando uma
função não depende de uma das variáveis (neste caso, de u), basta aplicar os intervalos
de integração à varável não-dependente, tornando-a em uma integral simples. Contudo,
neste caso, é necessário a troca da ordem de integração para que a função seja integrada
primeramente em termos de u.
Observando os limites de integração, nota-se que t varia de 0 até u e que u varia de 0
até x. Pode-se inferir, então, que a integral será feita sobre a região limitada pelo eixo x, a
reta u = x, onde x é uma constante qualquer, e a reta t = u. De uma maneira mais clara,
t entra em 0 e sai na reta t = u enquanto u varia de 0 até x. A Figura 1 mostra o gráfico
ilustrativo da área de integração.
Toda a função em(x−t) · f (t) será chamada de F (t). Assim, ao se inverter o intervalo de
integração, tem-se: Z Zx x
F (t) · dudt
0 t

Cálculo 3 2
Integrais Múltiplas
Figura 1: Gráfico da região de integração.

Integrando a primeira vez em relação a u, a equação torna-se


Z x u=x

F (t) · u · dt
0 u=t

Como a função F(t) não depende de u, esta função é vista como uma constante. Então, os
limites de integração são aplicados em u de acordo com o Teorema Fundamental do Cálculo,
deixando a equação na forma final
Z x Z x
(x − t) · F (t) · dt = (x − t) · em(x−t) · f (t) · dt
0 0

que é uma integral simples da área dada.


É interessante notar que neste caso, em especial, é possivel calcular um volume gerado
sobre a região com apenas uma integral simples, já que a superfı́cie dada não depende de u.

2.2 Questão 02
Às vezes uma integral múltipla com limites de integração variáveis pode ser transformada
em outra com limites de integração constantes. Mudando a ordem de integração, mostre
que
Z 1 Z x  Z 1 Z 1 
f (x) g(x − y) · f (y) · dy dx = f (y) g(x − y) · f (x) · dx dy
0 0 0 y

Z 1 Z 1
1
= g(|x − y|) · f (x) · f (y) · dxdy
2 0 0

Cálculo 3 3
Integrais Múltiplas
2.2.1 Resolução:
No estudo de integrais múltiplas, a análise do gráfico da região de integração e a correta
determinação dos limites são pontos relevantes para se chegar à solução correta. Neste
problema, isto se torna visı́vel.
Observando os intervalos de integração, vê-se que, em y, a função varia de 0 até a reta
y = x e em x a função varia de 0 até 1. Em outras palavras, y entra em 0 e sai na reta y = x
enquanto x varia de 0 até 1. Assim, quando x = 1, y = 1. Deste modo, é formada a região
quadrada mostrada na Figura 2 delimitada pelos eixos x e y e as retas y = 1 e x = 1.

Figura 2: Gráfico da região de integração.

Quando o intervalo de integração desta função é invertido, a integral múltipla passa a


ter os seguintes limites de integração:
Z 1 Z 1 
f (y) g(x − y) · f (x) · dx · dy
0 y

Tanto para uma forma de integração como para outra, a área limitada é um triângulo
retângulo com sua hipotenusa formada pela reta y = x. Neste caso, a área correspondente
a este limite é a metade da área da região retangular (mais especificamente um quadrado)
formada pelas retas citadas anteriormente. Chegando a esta conclusão, a integral pode ser
reescrita com limites constantes:
1 1 1
Z Z
g(|x − y|) · f (x) · f (y) · dxdy
2 0 0
Esta integral nada mais é que o cálculo da metade da área do quadrado com vértices em
(0, 0), (0, 1), (1, 0) e (1, 1). Sendo que o módulo demonstra que é considerada a parte positiva
do desenho. Não existe área negativa.
É de suma importância uma completa análise do gráfico da região de integração para
que possa se chegar a esta conclusão, já que deve-se notar a simetria e o complemento entre
as duas regiões formadas nas duas possibilidades de limites da integral.

Cálculo 3 4
Integrais Múltiplas
2.3 Questão 03
A distribuição de carga elétrica em uma placa circular de raio R [m] é dada por σ(r, θ) =
kr(1 − sinθ) coulomb
m2
(em que k é uma constante). Integrando sobre a placa encontre a carga
total Q sobre a placa.

2.3.1 Resolução:
Este problema expõe uma situação temática e objetiva, onde se tem uma placa circular
carregada com cargas estáticas. Sabe-se que a unidade de carga no S.I. é o Coulomb e
que a unidade de área é o m2 . Integrando a função dada na região da placa circular, será
encontrada a carga total existente nesta região. Por ser uma região circular, torna-se muito
mais fácil a integração usando coordenadas polares:
ZZ
Q= σ(r, θ) · r · drdθ
R

Logo, os limites de integração serão os seguintes:


Z 2π Z R
kr2 (1 − senθ) · drdθ
0 0

É notório que o raio varie de 0 até seu valor máximo e o ângulo de direção varie de 0 a
2π.
Integrando em r, k(1 − sen(θ) é visto como uma constante e obtém-se:
Z 2π Z R  Z 2π 3
2 kr
k(1 − senθ) r · dr dθ = (1 − senθ) · dθ
0 0 0 3

Agora, integrando em função de θ, todo o conjunto kr3 /3 é visto como uma constante e
a integral pode ser escrita da seguinte forma:
Z 2π 3 Z 2π 3
kr kr
· dθ − senθ · dθ
0 3 0 3

Levando em consideração que cos(2π) = 0, o resultado será:


 2π
2πkr3 kr3 2πkr3


− − cosθ =
3 3 0 3

onde k é uma constante qualquer e r o raio da região circular.

2.4 Questão 04
2
Usando coordenadas polares √ integre f (x, y) = 1/ (1 + x2 + y 2 ) sobre o triângulo de vértices
nos pontos (0, 0), (1, 0) e (1, 3).

Cálculo 3 5
Integrais Múltiplas
Figura 3: Gráfico da região de integração.

2.4.1 Resolução:
Este problema apresenta uma situação parecida com a anterior, porém, tendo como região-
limite um triângulo. Também será feito o uso de coordenadas polares, assim como exige o
enunciado. A ilustração da região de integração está na Figura 3.
Para achar os intervalos de integração, observa-se que o maior ângulo a se obter dentro
cat.op.
deste triângulo é 60o . Isto porque tanθ = cat.adj. , sendo que o maior valor do cateto oposto

vale 3 e o cateto adjacente sempre será 1. Já para o raio, deve-se achar uma relação com
θ. Esta relação pode ser dada pelo cosθ = cat.adj. hip
, onde a hipotenusa será sempre o raio.
1
Assim sendo, R = cosθ = secθ.
Com os intervalos determinados, monta-se a integral:
Z π/3 Z secθ
1
· r · drdθ
0 0 (1 + r2 )2
Por substituição, u = 1 + r2 , du = 2r · dr e dr = du/2r:
Z π/3 Z secθ Z π/3  Z secθ 
du 1 −2
· drdθ = u · dr dθ
0 0 2u2 0 2 0
A primeira integral será:
Z π/3 r=secθ Z π/3 r=secθ Z π/3
1 π/3
Z
1 1 1 dθ
− dθ = − 2
dθ = dθ −
0 2u r=0 0 2(1 + r ) r=0

0 2 2 0 (1 + sec2 θ)
Integrando em relação a θ e manipulando a equação:
!
π/3 π/3 π/3
cos2 θ
Z Z Z
π 1 π 1 dθ
− 2
dθ = − dθ dθ
6 2 0 cos θ + 1 6 2 0 0 1 + cos2 θ

Cálculo 3 6
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A segunda integral não possui uma primitiva elementar, sendo necessário um método
computacional (software) para calculá-la. Assim, o valor final será:
"√ √ !# √ √ !
π π 1 2 −1 2 θ=π/3 2 −1 6
− + · tg · tgθ = · tg
6 6 2 2 2
θ=0 4 2

3 Resultados e discussões
De forma geral, este trabalho abordou os principais tópicos sobre integrais duplas. Assuntos
como centro de massa e momento de inércia não foram discutidos, mas se assemelham na
forma de resolução, mudando apenas o conceito teórico.
Conclui-se que no estudo de Cálculo 3, a familiarização com funções de duas ou mais
variáveis, com superfı́cies e com coordenadas polares é essencial. Isto se deve ao fato que
muitas das vezes, problemas que aparentam ter um grau de dificuldade muito grande, são
minimizados apenas trocando a ordem de integração ou utilizando-se de ferramentas como
as citadas anteriormete. Por isto, o estudante deve estar acostumado com o conteúdo e ter
boa visão a respeito do que se passa no problema.
Deste modo, fica consolidado o estudo destes tópicos que servirão como base para a
introdução do conteúdo de integrais triplas cujo conceito é similar.

Cálculo 3 7
Integrais Múltiplas
4 Referências

[1] Cálculo Vol. 2 – THOMAS, George B. 11a edição. São Paulo: Pearson, 2008.

[2] O Cálculo com Geometria Analı́tica Vol. 2 – LEITHOLD, Louis. 3a edição. São Paulo:
Harbra, 1994.

Cálculo 3 8
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