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CONSTRUÇÃO EM SUPERADOBE: Uma análise de como reduzir o custo

CONSTRUCTION IN SUPERADOBE : An analysis of how to reduce costs

FEIERTAG, Lucas Moser Bortolini 1


GALDINO, Marcos 2

RESUMO
A construção civil está utilizando, atualmente, uma grande quantidade de
recursos naturais, sendo em grande parte de fontes não renováveis. Em decorrência da
crise do petróleo na década de 70, percebeu-se a carência dos recursos energéticos
envolvidos nos processos produtivos, surgindo discussões sobre construções que
tivessem menos impacto ambiental e energia envolvida nos processos construtivos.
Com isso passaram a ser criados e estudados vários métodos construtivos que
atendessem às exigências ambientais. O presente trabalho, por meio de ampla revisão
bibliográfica sobre o tema, analisa uma forma de bioconstrução denominada de
SuperAdobe, apresentando as características, materiais e métodos utilizados
atualmente, para em seguida analisar o que pode ser feito para se reduzir os custos
neste tipo de construção, como, a utilização de fundações alternativas de pedra ou
terra ensacada estabilizada, substituições do material dos sacos, bem como redução
da espessura do reboco, utilização de rebocos de terra, além do uso de paredes
compartilhadas para conjuntos habitacionais.

Palavras-chave: SuperAdobe; Bioconstrução; Earthbag; Terra ensacada.

ABSTRACT
Nowadays civil construction uses high amonts of natural resources, most of these from non-
renewable sources. Because of the oil crisis in the 70’s, it was notices the lack of the energetic resources
involved in the productive process, starting discussions about buildings with less ambiental impact and
less energy involved in the construction process. The present article by extensive bibliografic review,
analyze one type of bioconstruction named SuperAdobe, presentings its characteristics, materials and
construction methods actually in use, to next, analyze what could be done to reduce the costs of this
construction, like the use of foundations with alternative materials such compacted stones or stabylized
earth bags, substitution of the bag’s fabric, reduction of the plaster tickness, the use of earth base
plasters and the use of share walls in housing estates.

Key-words: SuperAdobe; Bioconstruction; Earthbag; Bagged earth.

1
Graduando do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário Dinâmica das Cataratas - PR,
lucasmoser96@gmail.com;
2
Professor orientador : Mestre em Sociedade, Cultura e Fronteiras, Centro Universitário Dinâmica das
Cataratas - PR, mgmarcosgaldino@gmail.com.
INTRODUÇÃO

O presente artigo trata sobre o método construtivo denominado Superadobe,


inicialmente apresentando o tema e abordando sobre os métodos construtivos e os
materiais utilizados, buscando em seguida analisar com base em estudos realizados
por outros autores, o que poderia ser substituído ou executado de outra forma para
garantir uma maior econômia na sua construção, mantendo e melhorando os aspectos
sustentáveis deste método construtivo, com objetivo de contribuir com a divulgação e
quebra do preconceito com as construções em terra, bem como para guiar futuras
pesquisas sobre o tema quanto as variações da técnica e formas de reduzir os custos e
o impacto ambiental.
Aproximadamente 15% do PIB brasileiro provém da construção civil, gerando
milhões de empregos, porém à custa do consumo de 50% de todos os recurso naturais
extraídos e 40% da geração mundial de resíduos, além de demais impactos gerados no
entorno dos locais de construção (GARRIDO; BRANDÃO; CASTRO; 2016).
A terra é um dos materiais mais abundantes da superfície terrestre, estima-se
que 75% dela possa ser utilizada para fins construtivos, dessa forma, a construção em
terra crua é um dos métodos construtivos mais antigos utilizado pela humanidade,
acredita-se que as técnicas construtivas tenham passado de geração em geração de
forma oral (SILVA, 2000).
Porém, no Brasil, esse método construtivo foi trazido através dos colonizadores
europeus, pois os índios utilizavam basicamente fibras vegetais e madeira para criar
seus abrigos, possuindo também uma concepção de espaço de moradia e propriedade
diferente dos europeus, muitas dessas técnicas sofreram mesclagem com os materiais
utilizados pelos índios (SILVA, 2000).
A questão da sustentabilidade e economia energética nas edificações, no
âmbito construtivo e funcional, passaram a ser discutidas após a primeira crise do
petróleo na década de 70, momente em que se percebeua existencia de uma carência
de recursos energéticos e esses devem ser utilizados de forma eficiente. O tema
ganhou força após a Rio’92, surgindo a ideia de construção sustentável.
(KRZYZANOWSKI, 2005).
De acordo com Pinheiro et al. (2016), no Brasil, as novas tecnologias da
construção civil e políticas de combate à doença de chagas foram responsáveis pelo
abandono das construções em terra crua, além do preconceito que a população passou
a ter com as construções em terra, tema abordado por Silva (2000). Porém ocorreu
uma retomada dessas técnicas construtivas por arquitetos a partir da década de 30,
além do surgimento de instituições de pesquisa em terra crua nos anos 90 e a
distribuição de cartilhas sobre construção em terra crua, produzida pelo governo federal
a partir do ano 2000. (PINHEIRO et al. 2016).
Atualmente, existem na Europa dois grandes centros de pesquisa sobre
construções em terra, porém são Austrália e Estados Unidos que possuem mais
empresas voltadas a esse tipo de construção. Peru e El Salvador possuem as
construções em terra crua devidamente normatizadas. (PINHEIRO et al. 2016).
De acordo com Brasil (2008), o superadobe é uma técnica desenvolvida pelo
arquiteto Nader Khalili que utiliza sacos com terra comprimida para se construir
paredes e coberturas. Foi apresentado pela primeira vez durante um simpósio da
NASA que buscava alternativas para a construção de bases lunares. (VIEIRA 2015,
apud BRANDÃO, 2009).
De acordo com o “California Institute of Earth Archteture (CalEarth)” 3, o
superadobe pode ser utilizado na construção de arcos estruturais, domos, abóbadas e
estruturas retangulares, além de possibilitar a criação de silos, barragens, pontes,
cisternas, estabilização de encostas em rios e litorais, entre outros. Nesse método
construtivo, o peso da terra confere estabilidade vertical através da compressão e
resistência ao calor e ao fogo, o arame farpado utilizado entre as fiadas promove
resistência lateral.
Com o passar dos anos a técnica de Kalili vem sendo estudada e aprimorada,
surgindo variações do método com novas sacarias, novas concepções estruturais e o
desenvolvimento de equipamentos e técnicas para facilitar a execução. Mesmo
carecendo de normatização, existem algumas pesquisas e guias construtivos sobre o
tema, porém a maioria em lingualíngua estrangeira.

3
Instituto de Arquitetura de Terra da California, em uma tradução literal, fundado pelo desenvolvedor do
superadobe, Nader Khalili.
A metodologia utilizado foi um estudo da bibliografia existente, obtendo-se
pontos de vista de diversos autores, de modo a se conhecer o método construtivo mais
adotado para o superadobe, bem como, suas aplicações, limitações e variações, sendo
posteriormente analisando um orçamento realizado por Dias (2015) para a construção
de uma residência unifamiliar, analisando os itens que representaram mais custo e o
que poderia ser feito diferente ou substituido para reduzir ainda mais os custos da
utilização do SuperAdobe.

CONHECENDO O SUPERADOBE

De acordo com Hunter e Kiffmeyer (2004) e Martín (2014), a primeira etapa


antes da construção consiste em avaliar o solo do local para saber se este poderá ser
utilizado na construção, ou se será necessário importar solo de outro local, sendo que
importar solo gera custos adicionais. As amostras devem ser retiradas a um mínimo de
30 cm de profundidade para Hunter e Kiffmeyer (2004) e a 50 cm de profundidade para
Debaieh (2014), mas o importante é que seja evitada a camada orgânica do solo.
Hunter e Kiffmeyer (2004, p. 13) descrevem alguns ensaios simples que podem
ser realizados com o solo a fim de se conhecer as porcentagens de argila e areia, bem
como a umidade necessária para a compactação, Peace Corps (1981) também cita
alguns ensaios de campo para se determinar aproximadamente o tipo de solo, sendo
todos ensaios simples que podem ser realizados no local da obra por qualquer pessoa.
Uma informação importante citada pelos autores é a execução de alguns sacos de
teste, que são curados por uma semana em local seco e protegido da chuva e
posteriormente testados para comprovar sua resistência.
Para Hunter e Kiffmeyer (2004) qualquer solo com uma taxa de argila de 5% a
30% sem a presença de materias orgânicos é adequado para as construções em terra,
North (2008) afirma que podem ser utilizados solos com até 50% de argila e Peace
Corps (1981) diz que os melhores solos para construções em terra são os argilo
arenosos e areno argilosos. Caso o solo do local não seja adequado, todos os autores
citam a possibilidade de misturas com outros solos ou uso de estabilizantes como
cimento portland para se obter os resultados desejados, também não é interessante a
presença de materiais com diâmetro superior a da areia, como pedras e pedregulhos,
pois estes materiais prejudicam a compactação dos sacos, sendo necessário remove-
los por peneiramento.
Observa-se que o SuperAdobe, como a maioria das construções em terra,
carece de normatização e ensaios de caráter científico, sendo, em sua maioria,
utilizados conceitos que foram desenvolvidos através de tentativa e erro, evoluindo com
o tempo e variando conforme a região. Vadgama (2010) estudou a resistência de sacos
de solo compactado e concluiu que é improvável que este tipo de estrutura colapse por
compressão. Quando fez o uso de 4% de cimento como estabilizante, as estruturas em
arco suportaram 76% mais carga. Porém os testes eram para construir casas na
Namíbia, assim, o autor utilizou areia de construção para preencher os sacos, pois era
o que mais se aproximava do solo disponível no local de construção.
Para poder abordar sobre o que pode ser feito para se reduzir o custo na
utilização do superadobe para casas populares primeiramente será apresentado de
forma breve o método construtivo. Quanto à fundação o seu tipo, material e método de
execução varia muito conforme o autor e conforme a região que a obra se encontra,
porém por apresentar uma carga baixa e bem distribuída não necessita de fundações
muito complexas.
A norma Peruana E.80 (2017) cita a utilização de uma fundação com no
mínimo 60 cm de largura e 60 cm de profundidade, que pode ser de pedras
compactadas, e uma camada mínima com altura de 30 cm na espessura das paredes
de um material resistente a umidade para evitar a subida de água por capilaridade,
porém a norma peruana trata de construções em terra no geral, não especificamente o
SuperAdobe e no Peru ocorrem terremotos, algo que não acontece no Brasil,
possibilitando a utilização de fundações menos robustas, tendo Dias (2015) utilizado
radier como fundação para a construção de seu protótipo de estudo.
Hunter e Kiffmeyer (2004) apresentam alguns tipos de fundação que podem ser
utilizadas, sendo interessante para uso no Brasil as de brita compactada com uma
camada superior em concreto, e as fundações de solo estabilizado com cimento, que
são os mesmos sacos utilizados para construção, porém com adição de 6% a 15% de
cimento como estabilizante, conferindo assim resistência a umidade para estes sacos,
podendo ser utilizados inclusive para impermeabilziar as primeiras fiadas.
Podem-se utilizar também fundações inteiras em concreto, porém parece ser
interessante pelo fato do SuperAdobe ser uma construção que visa reduzir os impactos
ao ambiente, a utilização de materiais alternativos para as fundações como a pedra
compactada ou o solo estabilizado, reduzindo os custos e o impacto da obra (HUNTER;
KIFFMEYER, 2004).
Sobre a fundação são levantadas as paredes, que são feitas de terra ensacada
compactada, os sacos utilizados são de polipropileno com espessura de
aproximadamente 40 cm. Pode-se utilizar sacos individuais formando blocos, ou sacos
em rolo, que foram desenvolvidos especialmente para o SuperAdobe, permitindo-se
fazer cada camada de forma contínua. Entre as camadas é disposto arame farpado
para aumentar a resistência a esforços laterais pois os sacos de polipropileno não
apresentam boa aderência entre as camadas e nem na interface saco/reboco, sendo
necessário a utilização de uma malha de alo fixada as fiadas para melhor fixação do
reboco (HUNTER;KIFFMEYER, 2004; MARTIN, 2014).
Os sacos são compactados no local assim que preenchidos com o solo,
devendo também ser feita a compactação lateral após algumas camadas, tendo a
função de deixar a parede mais nivelada facilitando assim a aplicação do revestimento.
Existem algumas técnicas mais específicas para o enchimento, emendas, esquadrias e
finalizações de camadas que podem ser consultadas no livro Earth Building: The Tools,
Tricks and Techniques, de Kaki Hunter e Donald Kiffmeyer.
Como este método construtivo exige compactação e movimento de solo para o
topo das fiadas, é natural que seja necessário um grande esforço físico dos
trabalhadores para sua execução, sendo necessário um bom planejamento e
treinamento da equipe de trabalho para não ter trabalhadores sobrecarregados, sendo
5 trabalhadores um número ideal para uma frente de trabalho (SANTOS, 2015).
REDUZINDO OS CUSTOS

Dias (2015) fez uma análise da viabilidade técnica e econômica do uso do


SuperAdobe para a construção de casas populares, no qual comparou os custos do
uso da terra com o uso de blocos estruturais de concreto para a construção de uma
residência de 43 m², obtendo uma redução de custos de 13% e 18% com o uso de
terra do local da obra e terra comprada, respectivamente.
Santos (2015) obteve uma redução de 12,3% em relação a uma habitação de
padrão normal e acréscimo de 7,5% para habitação de padrão popular, utilizando como
referência o CUB da região. Sendo que Santos (2015) obteve um custo de 1120,97
reais/m² e Dias (2015) de 810,25 reais/m² com solo importado e 761,43 reais/m² com
solo comprado no local. A grande variação pode ter ocorrido por diferenças de área
construída, métodos e considerações de projeto e mão de obra na hora da
orçamentação, dificultando a comparação entre o orçamento dos dois autores.
Porém os custos estudados por Dias poderiam ser menores, se este fizesse
algumas mudanças na construção análisada. Como visto anteriormente não há
necessidade da fundação da estrutura do SuperAdobe ser em radier, podendo adotar-
se métodos mais econômicos com materiais mais baratos ou disponíveis no local,
sendo que o radier representou um custo de 16% em relação ao total da obra com solo
retirado do local.
A cobertura foi outro item que apresentou grande contribuição no orçamento de
Dias, sendo responsável por uma parcela de quase 47% da obra com solo retirado do
local, visto que o superdobe permite a construção de coberturas em domos, utilizando-
se o mesmo material das paredes, gerando uma grande economia neste item. Porém
somente ambientes com formatos circulares podem receber este tipo de cobertura,
sendo necessário alterar a arquitetura da residência.
Quanto à economia nas paredes, pode ser contatado as empresas que
fabricam sacarias para verificar se há sacos com erros de impressão, gerando
economia na aquisição dos mesmos (HUNTER; KIFFMEYER; 2004), ou utilizar-se de
sacos do tipo Raschel, sendo este uma modificação da técnica pelo engenheiro
Fernando Pacheco denominada de Hiperadobe, sendo que os sacos Raschel
apresentam uma malha mais aberta e espaçada dispensando a utilização de arame
farpado e malha para aderência do reboco (SANTOS, 2015). Em análise do atrito
lateral, Vadgama (2010) observou os coeficientes de atrito para sacos de polipropileno
com e sem arame farpado e sacos de fibra vegetal similares aos sacos Rachel, sendo
este último o que obteve o maior coeficiente de atrito, porém parte deste atrito pode ter
ocorrido pelo contato entre o solo arenoso que transpunha a malha.
No revestimento, o reboco tradicional de cimento, pode ser substituído por
reboco de terra ou reboco de terra estabilizado com cimento, sendo que para Santos
(2015) os rebocos de terra apresentaram um resultado satisfatório, inclusive ao
proprietário da obra, não soltando partículas e sendo resistentes a abrasão. Por conta
da curvatura entre as fiadas de sacos, Dias (2015) obteve uma espessura média de 5
cm no reboco, sendo responsável por 15% do custo da obra com solo retirado do local.
Santos (2015) cita fazer o revestimento acompanhar as curvas dos sacos, reduzindo
assim a quantidade de reboco além de melhorar a acústica do ambiente.
O reboco em terra se mostra mais interessante que o de cimento pelo fato das
construções em terra possuirem uma rigidez e deformações diferentes dos elementos
de concreto, propiciando o surgimento de patologias em rebocos de cimento sobre
construções em terra (SANTOS, 2015 apud MINKE, 2013b), porém há muita
divergência ente os autores da área quanto ao uso de rebocos cimentíceos.
Visando melhorar o acesso a moradia para pessoas pobres, em 2011, a
JOVOTO lançou um desafio para obter ideias de construções de residência com custo
máximo de 300 dólares e que pudessem ser construídas pelos próprios moradores, é
interessante o fato de que os 3 primeiros colocados, de 297 participantes, foram
construções utilizando terra. Em um desses projetos Almeida e Thron (2011) utilizaram
o conceito de paredes compartilhadas, como em casas geminadas, para se reduzir os
custos da construção, onde a mesma parede seria usada para mais de uma residência,
isso se mostra muito vantajoso para a aplicação em conjuntos habitacionais, podendo
gerar uma grande economia de tempo e dinheiro.
CONCLUSÕES

Apesar de as construções de terra serem utilizadas a milênios pela


humanidade, percebeu-se que ainda existem muitas dúvidas e conceitos negativos
quanto a sua utilização, por conta da falta de conhecimento da população em geral
sobre suas características e vantagens, bem como pela população associar a terra com
precariedade e pobreza. Porém esse cenário vem mudando com as novas tendências
de sustentabilidade e de redução de impacto na construção civil que a sociedade está
se encaminhando.
Mesmo com estas novas tendências, ainda são poucos os países que possuem
normatização para construções em terra, abrangendo apenas alguns métodos
construtivos, sendo importante a fomentação de pesquisas na área e divulgações das
diferentes técnicas existentes para aumentar sua utilização e normatização. Durante a
pesquisa bibliográfica observou-se que os estudos sobre construções em terra, mais
especificamente sobre o SuperAdobe existem em sua maioria em língua estrangeira e
são escassos. Sendo que grande parte dos livros disponíveis foram desenvolvidos ao
longo dos anos de experiência dos autores trabalhando com este tipo de estrutura,
carecendo de análises científicas e variando conforme região e autor.
O SuperAdobe foi desenvolvido para ser uma construção economicamente
viável, com técnicas de fácil assimilação e poder ser construído por pessoas sem
experiência prévia com a técnica. Tendo em vista que o Brasil, hoje, sofre com um
déficit habitacional e as alternativas para a obtenção de casa própria existentes deixam
as pessoas presas a um financiamento de vários anos, o SuperAdobe se mostra como
uma alternativa viável para os brasileiros terem acesso a moradias dignas.
Como mostrado nos capítulos anteriores, o custo de uma residência popular
em SuperAdobe pode ser bem reduzido quando comparado a residências populares
em concreto armado. Sendo possível, ainda, através de mudanças simples como a
utilização de formatos circulares e cobertura em domo, reduzir os custos provenientes
da cobertura, que foram de quase 50% do valor total da obra, deixando ainda a
residência com um formato diferenciado das demais.
Outro custo que se mostrou bastante expressivo foram as partes que envolvem
materiais cimentíceos, como as fundações e os revestimentos argamassados.
Contudo, mostrou-se viável sua substituição por materiais alternativos e mais
sustentáveis, restando somente uma maior divulgação e aceitação destes pelo público
em geral, que muitas vezes desconhece outros materiais além do concreto.
Dessa forma, ainda há um enorme campo de estudo para as construções em
terra no geral e principalmente o SuperAdobe, tendo muitos aspectos que podem ser
melhorados e melhor adaptados para a realidade Brasileira, principalmente na área
científica, existindo possibilidade de se realizar estudos de resistência e desempenho
com os solos encontrados no Brasil, bem como testes com a nova sacaria utilizada por
Fernando Pacheco, garantindo assim um melhor entendimento do sistema e futura
normatização da técnica.
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