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Som e luz

1

Ondas, energia, informação

e

música!

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Propagação do som

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3

O som é uma onda, uma vibração que se propaga…

22

4

Propriedades do som

28

5

Engenharia do som: alguns exemplos

34

6

O que é a luz? Como se propaga?

38

7

Propriedades da luz e o espectro electromagnético

42

8

Reflexão da luz e espelhos

48

9

Refracção da luz e lentes

56

10

A visão humana, deficiências e correcção

62

11

Decomposição da luz branca. Cores e mistura de cores

66

12

Engenharia da luz: alguns exemplos

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Síntese das ideias principais

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Teste 1

80

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1

Ondas, energia, informação e música!

É através de ondas que recebemos informação dos astros mais

distantes no Universo e é também através de ondas que vemos

o que nos rodeia e comunicamos uns com os outros. Uma onda

é, no essencial, a variação, no espaço e no tempo, de uma propriedade física, provocada por um emissor (por exemplo, as cordas vocais ou a antena de um telemóvel).

exemplo, as cordas vocais ou a antena de um telemóvel). A banda entrou em palco. As

A banda entrou em palco. As luzes apagaram-se. O baixista tocou a primeira nota, um mi, a mais grave do seu instrumento. Repetiu várias vezes a mesma nota duma forma cadenciada, sendo ao mesmo tempo acompanhado por dois holofotes que emitiam luz branca intermitente. Pouco depois, o baterista iniciou um ritmo com bombo, pratos de choque e tarola em contratempo. O guitarrista solou num registo agudo, e, finalmente, a vocalista emprestou a voz à melodia.

No primeiro andar de um prédio junto ao estádio onde o concerto estava a decorrer, uma senhora de idade revirava-se na cama sem conseguir dormir devido ao barulho. Pôs algodão nos ouvidos e algum tempo depois já ressonava intensamente… No 2.º andar, o Filipe estava à janela com as mãos em concha tentando ouvir a música que vinha do estádio, pois aquela era a sua banda preferida.

Algumas semanas mais tarde, o Filipe poderia assistir ao concerto inteiro em DVD-Vídeo já que
Algumas semanas mais tarde, o Filipe poderia assistir ao concerto
inteiro em DVD-Vídeo já que estava a ser gravado por uma equipa
de técnicos de som e de imagem. Os físicos descobriram, no século
XIX, que o som e a luz são propagados por ondas. Uma onda é a
propagação de uma vibração (vibração mecânica no caso do
som e vibração de propriedades físicas eléctricas e magnéticas
do espaço, no caso das ondas de luz). A vibração pode ser mais
rápida ou mais lenta. Um som é mais agudo (iiiiiiii
vibração é mais rápida e é mais grave (uuuuuuuu
)
quando a
)
quando a
vibração é mais lenta. A luz é mais violeta quando a vibração do
campo electromagnético é mais rápida e é mais vermelha quando
essa vibração é mais lenta.
Apesar de invisíveis, o Filipe sabia que as ondas sonoras e
luminosas têm energia. A absorção e emissão de energia luminosa
provocava os efeitos fluorescentes no palco e as mãos do Filipe
estavam em concha para concentrar as ondas no ouvido e nele
receber assim mais energia.
A senhora idosa conseguiu dormir porque o algodão absorveu as
ondas sonoras e as persianas do quarto absorveram as ondas
luminosas. As ondas sonoras não conseguiam chegar aos seus
ouvidos e as ondas de luz não lhe incomodavam os olhos…
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LUZ

O som e sua produção

O som tem uma importância inegável para todos nós. Tenta pensar, por exemplo, na quantidade de informação que consegues obter diariamente através do som. Pela voz, pela televisão, pela rádio, pela música, etc.

O que é o som? Como é que ele é emitido? Como se propaga de um lado para o outro? Propagar-se-á com a mesma velocidade em todos os meios? E como é possível detectá-lo? Serão todos os sons audíveis? Podemos “ver” o som?

Experimenta
Experimenta

O que provoca os sons?

Podemos “ver” o som? Experimenta O que provoca os sons? Segura, com firmeza, a extremidade de

Segura, com firmeza, a extremidade de uma régua contra a extremidade de uma mesa. Dobra a outra extremidade da régua e solta-a. Que observas?

Sopra perto da boca de um tubo de um frasco (ou de um tubo de ensaio) com água pela metade. Que observas?

Se possível, coloca um diapasão a vibrar e encosta uma das suas hastes a uma pequena bola (por exemplo, de “papel de prata”). Que observas?

bola (por exemplo, de “papel de prata”). Que observas? Estica um elástico, fixo numa extremidade. Estica
bola (por exemplo, de “papel de prata”). Que observas? Estica um elástico, fixo numa extremidade. Estica

Estica um elástico, fixo numa extremidade. Estica também o elástico a meio e larga-o, mantendo as extremidades fixas. Que observas?

e larga-o, mantendo as extremidades fixas. Que observas? Em cada uma das extremidades de um tubo

Em cada uma das extremidades de um tubo de cartão duro, coloca um balão esticado e preso com um elástico, como mostra a figura. Faz no centro da borracha, numa das extremidades, um buraco com cerca de 5 a 8 mm de diâmetro. Acende uma vela e coloca o tubo como se mostra na figura, de modo que a face do balão com o furo fique virada para a vela. Bate na borracha do lado oposto e ao mesmo tempo olha para a vela. Que observas?

com o furo fique virada para a vela. Bate na borracha do lado oposto e ao

Que podes concluir das experiências anteriores?

Se pensares um pouco, facilmente concluis que o som é produzido pela vibração dos corpos (quando vibram, os corpos deformam- se ligeiramente mas, depois de vibrarem, regressam mais ou menos à mesma forma).

Os corpos que originam os sons são fontes sonoras. A propagação do som no ar corresponde à vibração do ar (a experiência da vela e do tubo de cartão é bem elucidativa disso!).

garganta

cordas vocais traqueia
cordas vocais
traqueia

O som que emitimos é provocado pela vibração das cordas vocais, dois pequenos músculos, situadas na boca, junto à garganta.

Questões
Questões

1 Identifica as fontes sonoras das experiências que realizaste.

2 O que provoca o som emitido pela corda de uma guitarra? E como pode ser ele interrompido?

corda de uma guitarra ? E como pode ser ele interrompido? 3 Qual é a origem

3 Qual é a origem do som emitido por uma flauta?

4 Identifica as diversas origens dos sons provocados por um baterista.

5 É possível obter notas musicais diferentes com a mesma corda de guitarra acústica. De que depende o tipo de som emitido por uma corda de guitarra?

6 Um mesmo som não é ouvido por duas pessoas exactamente do mesmo modo. Porque será?

7 Uma abelha pode emitir sons.

modo. Porque será? 7 Uma abelha pode emitir sons. 7.1 Em que condições é que ela

7.1 Em que condições é que ela emite sons?

7.2 Será que pode emitir sons diferentes? Fundamenta a resposta.

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Transmissão de informação e audição

Quando os índios encostavam o ouvido ao chão (sabiam que o som se propaga melhor na terra do que no ar!) para escutarem os sons dos cascos dos cavalos dos seus inimigos ou o som de uma manada de bisontes, procuravam obter informação: número de bisontes ou o número

de cavalos (e portanto de atacantes), distância

a que eles se encontravam, etc. Os sons são, pois, portadores de informação acerca do que se passa à nossa volta.

Porquê? Porque os sons não são todos iguais

(felizmente

que lhe dá origem. Quer dizer, um som transporta informação acerca da natureza da fonte sonora e da vibração que nela provocou o

som. Se os cavalos dos inimigos forem devagar,

o solo vibra mais lentamente e o som é

diferente de quando o solo vibra mais rapidamente, quando os cavalos vão a galope.

!).

Um som depende da vibração

É interessante notar que o cérebro tem um

papel fundamental na audição: é o cérebro que trata toda a informação recebida pelos ouvidos e procede à análise dessa informação. Por exemplo, é no cérebro que se combina a informação que nos chega aos dois ouvidos e que nos permite concluir se uma fonte sonora está à nossa esquerda ou à nossa direita.

O que sucede ao ouvido se ele for sistematicamente «bombardeado» por sons muito fortes ou muito altos?

É claro que o ouvido se torna cada vez

menos sensível, diminuindo a capacidade de audição, ou seja, a capacidade de distinguir sons. Pode até originar a surdez se certas células sensoriais do ouvido interno ficarem danificadas. A vibração excessiva também pode tornar os ossos do ouvido médio pouco eficientes na detecção de sons.

Se os sons não atingirem o cérebro, não se ouvem. Se chegarem em más condições ao cérebro, então o sinal não é compreendido

correctamente e ouve-se um som diferente do

original!

Protege sempre os teus ouvidos quando te aproximares de fontes de som muito ruidosas!

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E LUZ
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LUZ

Som: um veículo de informação…

nervo

auditivo

pavilhão

martelo auditivo (orelha)
martelo
auditivo
(orelha)
nervo auditivo pavilhão martelo auditivo (orelha) canal auditivo tímpano O ouvido humano é o nosso detector

canal

auditivo

tímpano

O ouvido humano é o nosso detector de som. O

pavilhão auditivo ajuda a “concentrar” os sons. A membrana do tímpano vibra com as ondas sonoras que recebe, através do ar, no canal auditivo. Esta vibração é transmitida por uma cadeia de ossos (martelo, bigorna e estribo) para o nervo auditivo e

daí, como sinal eléctrico, via sistema nervoso, para

o nosso cérebro. Aqui, o sinal eléctrico é finalmente

decifrado, quer dizer, convertido em sensação auditiva — é o cérebro que lê “o som”.

Questões
Questões

1 No ouvido, para que serve:

1.1 a membrana do tímpano?

1.2 o nervo acústico auditivo?

2 O pavilhão auditivo (orelha) e os cones de som dos altifalantes das aparelhagens de som têm uma forma semelhante (forma cónica, aberta).

2.1 Que vantagem há em ter essa forma?

2.2 A função do cone de um altifalante é semelhante à função do cone do pavilhão auditivo? Fundamenta a resposta.

3 Tapa muito bem os teus ouvidos com os dedos. Fala baixinho

3.1 Consegues ouvir a tua voz?

3.2 Será que o som que escutamos da nossa própria voz chega ao ouvido apenas através do ar exterior? Fundamenta a resposta.

apenas através do ar exterior ? Fundamenta a resposta. Cone de som de um altifalante. 4

Cone de som de um altifalante.

4 Se gravares a tua voz e, em seguida, a escutares, ela parece-te muito diferente (experimenta, se tens dúvidas…). Porquê?

diferente (experimenta, se tens dúvidas…). Porquê ? Leitura… Ruídos mais incomodativos Motociclos 69,5%
diferente (experimenta, se tens dúvidas…). Porquê ? Leitura… Ruídos mais incomodativos Motociclos 69,5%

Leitura…

Ruídos mais incomodativos

Motociclos

69,5%

Tráfego automóvel

49,2%

Buzinas de automóveis 12,8%

TV/Rádios/Música alta

12,5%

Fábrica

10,5%

Falar alto

9,7%

Aviões

9,6%

Obras

8,8%

Sirenes

6,2%

Barulho da vizinhança

6,2%

Comboios

4,7%

Bares/Discotecas

3,5%

Oficinas

3,3%

Festas/Feiras

 

2,8%

Alarmes

 

2,3%

Outros

2,2%

  2,8% Alarmes   2,3% Outros 2,2% Esta é a listagem dos ruídos considerados mais

Esta é a listagem dos ruídos considerados mais incomodativos pelos portugueses, de acordo com um estudo do Ministério do Ambiente.

de acordo com um estudo do Ministério do Ambiente. Segundo um estudo internacional da responsabilidade da

Segundo um estudo internacional da responsabilidade da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), cerca de 300 milhões de pessoas habitam em zonas com ambiente sonoro excessivo, e mais de 130 milhões estão sujeitas a níveis de ruído inaceitáveis!

em zonas com ambiente sonoro excessivo, e mais de 130 milhões estão sujeitas a níveis de
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LUZ PLIM
LUZ
PLIM

Como se distingue a música dos outros sons?

A música é tão antiga como a civilização humana. A

música é arte mas também é ciência. Pitágoras, um dos

maiores sábios (matemático e filósofo) da antiga Grécia,

e os seus seguidores, estudaram os sons emitidos por

cordas tensas, como as das harpas e guitarras. Descobriram que a harmonia dos sons estava relacionada

com números! Esta descoberta conduziu-os à crença de que no Universo em que vivemos «tudo é número» (hoje diríamos que o Universo se rege por regras ou leis matemáticas…).

Os sons musicais são melódicos, provocam sensações agradáveis. Pelo contrário, os ruídos são desagradáveis e podem mesmo perturbar o nosso sistema nervoso. Mas é difícil distinguir, sem margem para dúvidas, os sons musicais dos ruídos. O que é ruído para uns poderá ser música para outros

O que é ruído para uns poderá ser música para outros Os instrumentos musicais repartem-se, essencialmente,

Os instrumentos musicais repartem-se, essencialmente, por três categorias:

instrumentos de sopro (flauta, por exemplo);

instrumentos de cordas (é caso da viola);

instrumentos de percussão (tambor, por exemplo).

Um instrumento de sopro consta de um ou mais tubos de ar. É este ar, e não o tubo que o contém, que ao vibrar emite o som. O papel do tubo e dos botões do instrumento é apenas o de definir a forma e dimensões da coluna de ar que vibra. Os tubos poderão ser fechados, como no clarinete, ou abertos, como na flauta.

Um instrumento de cordas possui uma ou mais cordas tensas que ao vibrarem emitem os sons. As características do som emitido por cada corda vibrante dependem da espessura da corda, da força de tensão a que ela é submetida (é tanto maior quanto mais esticada estiver a corda) e do comprimento da corda que vibra. O comprimento da corda varia conforme o ponto em que é pressionada.

Clarinete e saxofone, dois
Clarinete e
saxofone, dois

instrumentos de

sopro.

Clarinete e saxofone, dois instrumentos de sopro. Um instrumento de percussão tem sempre algo que é

Um instrumento de percussão tem sempre algo que é percutido, isto é, batido. Por exemplo, com os dedos, bate-se num tambor para este vibrar e emitir um som. Há instrumentos de percussão em que é uma membrana que vibra (é o caso do tambor e do bombo). Noutros é uma peça metálica, como nos pratos de uma bateria ou no caso do xilofone.

A viola é um instrumento de cordas.

pratos de uma bateria ou no caso do xilofone. A viola é um instrumento de cordas.

Xilofone: instrumento de percussão.

Actualmente, muita da música que se ouve, quer em CD quer ao vivo, é obtida

Actualmente, muita da música que se ouve, quer em CD quer ao vivo, é obtida por meios electrónicos. Os primeiros instrumentos de música electrónicos apareceram há quase 100 anos. Hoje já se constroem sintetizadores capazes de imitar praticamente todos os sons existentes e de criar sons que de outro modo não podem ser obtidos. Podes encontrar um sintetizador gratuito que imita mais de 100 instrumentos no endereço http://www.aldostools.com .

Questões
Questões

1 Qual é a origem do som emitido por:

1.1 um instrumento de sopro?

1.2 um instrumento de cordas?

1.3 um instrumento de percussão?

2 A origem do som emitido por um piano está na percussão das teclas ou na vibração de cordas? Que tipo de instrumento é o piano?

3 Num instrumento electrónico, há vibrações de correntes eléctricas. Mas será que ouvimos directamente essas vibrações?

4 Ao carregar em diferentes botões do saxofone, obtêm-se diferentes sons. Porquê?

do saxofone, obtêm-se diferentes sons . Porquê ? Alguns botões e a câmpanula de um saxofone.

Alguns botões e a câmpanula de um saxofone.

. Porquê ? Alguns botões e a câmpanula de um saxofone. Projectos Instrumentos musicais Que instrumentos
. Porquê ? Alguns botões e a câmpanula de um saxofone. Projectos Instrumentos musicais Que instrumentos

Projectos

Instrumentos musicais

Que instrumentos musicais são utilizados tradicionalmente na zona em que vives ou pelos músicos de que gostas? Como é produzido e controlado o som emitido por esses instrumentos? Faz um poster sobre o ou os instrumentos que escolheres.

Consulta uma biblioteca ou a Internet (por exemplo, http://alfarrabio.um.geira.pt/cancioneiro/etnografia).

O grupo Stomp é extremamente criativo no tipo de instrumentos que utiliza… Podes saber mais sobre este grupo em http://www.stomponline.com.

criativo no tipo de instrumentos que utiliza… Podes saber mais sobre este grupo em http://www.stomponline.com. 15
criativo no tipo de instrumentos que utiliza… Podes saber mais sobre este grupo em http://www.stomponline.com. 15
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2 Propagação do som

Um som é produzido sempre que um objecto vibra. Com que velocidade se propaga? O mesmo som é igualmente audível em todos os meios? Como se propaga? Será que há sons no espaço? E na Lua?

Podes facilmente observar que os sons se propagam nos corpos sólidos e nos líquidos (e, claro, nos gases—caso contrário não serviria de nada falarmos…). E sabias que, em geral, o som se propaga mais rapidamente nos sólidos do que no ar?

o som se propaga mais rapidamente nos sólidos do que no ar? Experimenta Propagação do som

Experimenta

Propagação do som no ar e num sólido: onde é maior a velocidade do som?

1 Emite um som fraco batendo com o dedo num ponto de uma mesa de madeira (ou pede a um colega que emita o som).

2 Tenta ouvir o som a uma certa distância com o ouvido muito próximo da mesa mas não encostado a ela. Se necessário torna o som ainda mais fraco para não o ouvires.

3 Encosta agora o ouvido à mesa. Continuas a não ouvir o som? Que concluis?

ouvido à mesa. Continuas a não ouvir o som? Que concluis? Com dois copos de plástico
ouvido à mesa. Continuas a não ouvir o som? Que concluis? Com dois copos de plástico

Com dois copos de plástico e um cordel engordurado (a gordura dá consistência ao cordel) prepara um telefone de cordel com um comprimento de cerca de 4 m. De uma sala para outra ou para o corredor fala com um colega através desse telefone em voz baixa. Será que ele te escuta se não falares através do telefone de cordel? Onde é que o som se propaga melhor: através do ar ou através do cordel?

não falares através do telefone de cordel? Onde é que o som se propaga melhor: através

A velocidade do som

A velocidade de propagação do som depende do meio onde se propaga: por exemplo, o som propaga-se melhor na tábua de uma mesa do que no ar!

No ar, a velocidade do som é cerca de 340 metros por segundo. Sem atenuação, demora cerca de 3 s a percorrer 1 km! A velocidade do som no ar depende da temperatura do ar. À medida que a temperatura do ar aumenta, aumenta também a velocidade do som. Noutros materiais, o som propaga-se a diferentes velocidades, que podem atingir milhares de metros por segundo!

Quanto mais afastado se está de uma fonte sonora, em geral mais difícil é ouvir o som que ela produz. Diz-se que o som se atenua, isto é o som fica mais fraco ou menos intenso quanto maior for a distância do receptor à fonte sonora.

Velocidade do som em diversos meios

à fonte sonora. Velocidade do som em diversos meios Os golfinhos emitem sons para comunicarem uns

Os golfinhos emitem sons para comunicarem uns com outros. Esses podem ser escutados por eles a milhares de quilómetros!

ar a 0°C

m/s331

331

ar a 20°C

m/s343

343

ar a 30°C

m/s350

350

água

493 m/s1

1

água do mar

533 m/s1

1

borracha

1 600 m/sborracha

madeira (carvalho)

 

4 100 m/s

 

betão

 

5000 m/s

 

ferro

 

5 130 m/s

vidro pyrex

 

5 640 m/s

diamante

 

12 000 m/s

pyrex   5 640 m/s diamante   12 000 m/s Para se escutar um eco, o

Para se escutar um eco, o obstáculo tem que estar a uma distância suficientemente grande… Porquê?

Eco: a reflexão do som

Quando o som atinge um obstáculo (uma parede, por ex.) volta para trás, tal como uma bola ao bater numa parede. Diz-se que o som foi reflectido na parede.

O eco é um som reflectido. Mas, felizmente, não estamos sempre a ouvir ecos! Porquê? Porque para que se possa ouvir o eco, é necessário que a distância que separa o obstáculo da fonte sonora seja relativamente grande (pelo menos 17 metros, como vamos ver a seguir)! Caso contrário, não se distingue o som emitido pela fonte do seu eco. Em geral, o ouvido humano só consegue distinguir dois sons seguidos, se o intervalo de tempo entre eles for igual ou superior a 0,1 s.

humano só consegue distinguir dois sons seguidos , se o intervalo de tempo entre eles for
humano só consegue distinguir dois sons seguidos , se o intervalo de tempo entre eles for

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LUZ

Os sons não se propagam no vazio!

Se colocarmos uma campainha eléctrica dentro de uma campânula da qual se vai extraindo o ar por meio de uma bomba pneumática, deixamos de ouvir a campainha a partir do momento em que o ar foi quase totalmente extraído…

O som necessita de um suporte material (sólido, líquido ou gás) para se propagar. No vazio, o som não se propaga porque não há nada no vazio que possa vibrar para permitir a propagação do som.

que possa vibrar para permitir a propagação do som. Experimenta Qual é a velocidade do som?
Experimenta
Experimenta

Qual é a velocidade do som?

do som. Experimenta Qual é a velocidade do som? Se não houver ar dentro da campânula,

Se não houver ar dentro da campânula, não se ouve a campainha do relógio. O som não se propaga no vazio.

Como proceder

1

Num local onde se ouça um bom eco (dentro ou fora da escola…), meçam, com uma fita métrica de desporto, a distância desse local ao obstáculo que produz o eco.

2

Um dos experimentadores bate palmas e ouve o eco. Pode repetir quantas vezes for necessário até se aperceber do tempo aproximado que demora a ouvir o eco.

2

Em seguida, procura bater palmas sucessivas de tal modo que o faça quando ouve o eco das palmas imediatamente anteriores. Deve treinar-se este procedimento até se ter interiorizado o ritmo adequado… O outro aluno está a postos com um cronómetro para medir um intervalo de tempo. Pode “interiorizar” o ritmo das palmas dizendo de cada vez a palavra “zero”.

3

Quando as palmas estiverem a ser batidas no ritmo adequado, o cronometrista começa a medir o intervalo de tempo correspondente a 10 palmas, contando-as a partir do zero.

4

Regista esse intervalo de tempo.

5

Calcula quanto tempo demora o som a ir e vir uma única vez.

6

Calcula a velocidade do som.

Esta experiência tem que ser feita por dois alunos…

A experiência pode ser repetida por diferentes grupos de alunos em várias paredes. Podem, posteriormente, comparar os resultados obtidos…

Faz um relatório

1 Organiza os dados que obtiveste nesta experiência.

2 Escreve um pequeno relatório (aproximadamente uma ou duas páginas) que contenha o seguinte: a) um título adequado ao trabalho; b) o objectivo do trabalho; c) uma introdução em que expliques as ideias em que te baseaste para fazer o trabalho; d) uma descrição (se possível, devidamente ilustrada) do modo como procedeste: e) uma conclusão adequada; f) uma análise crítica dos resultados obtidos e do procedimento utilizado (tem em conta o valor tabelado para a velocidade do som no ar).

Em alternativa ao relatório “tradicional”, podes organizar um “Vê” com a informação adequada, como mostra a página seguinte…

Questão-foco:

Qual é a velocidade do som no ar? aspectos teóricos aspectos práticos Teorias/Ideias básicas Juízos
Qual é a velocidade
do som no ar?
aspectos teóricos
aspectos práticos
Teorias/Ideias básicas
Juízos
Princípios
Transformação
dos dados
Conceitos
Registos de dados
Procedimento:
Como proceder para investigar
a questão-foco?
(Ex.: som,
Que medidas
velocidade)
registaste?
Organiza esses registos
ou num gráfico.
numa tabela
Que se faz para responder à questão-foco?
Qual é a resposta à questão-foco? A resposta
merece alguma confiança?
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Leitura…
Leitura…

http://www.ajc.pt/cienciaj

Mach1

6 S OM E LUZ Leitura… http://www.ajc.pt/cienciaj Mach1 Texto de João Alves, publicado na revista da

Texto de João Alves, publicado na revista da Associção Juvenil de Ciência em 1998. Esta revista contém textos de ciência e tecnologia muito interessantes, escritos por jovens, para jovens.

Ernest Mach: nome do cientista e filósofo Austríaco cujos trabalhos sobre balística tiveram uma grande contribuição para o desenvolvimento da teoria de voo. Mach foi por isso o nome escolhido para atribuir a uma

velocidade muito especial

velocidade do som. (

a

)

Na realidade aquilo a que chamamos “ar” não é sempre a mesma coisa, o ar é uma mistura de vários gases e vapor de água. Além da variação de densidade e temperatura, a constituição da própria mistura altera-se bastante para grandes variações de altitude, no que resulta uma variação da velocidade do som. Por exemplo: a 0 metros de altitude

a velocidade do som é de 343 m/s, e a 16500 m de altitude a velocidade é de 297 m/s.

Independentemente do seu valor numérico, para medir a velocidade com que um corpo se desloca num fluido, utiliza-se frequentemente como unidade (adimensional) a relação entre a sua velocidade e a velocidade das ondas mecânicas no meio. A esta velocidade dá-se o nome de Mach. No caso da velocidade de voo, quando um aparelho se desloca à velocidade das ondas do som, diz-se que se desloca a Mach 1.

Qual a utilidade de medir a velocidade de voo através de um padrão que não é constante? É essa precisamente

a vantagem! O ar tem comportamentos bastante

díspares para velocidades sub e supersónicas, o que obriga a grandes diferenças na geometria dos aparelhos. Sendo assim, existe toda a vantagem em caracterizar a velocidade dum aparelho em relação à velocidade com que se deslocam as ondas mecânicas que ele provoca ao interferir com o ar. (…)

O primeiro veículo a bater a barreira do som foi o avião-foguete X-1, em 1947, e o projecto de investigação que lhe deu origem tem vindo a desenvolver até hoje tecnologia com o objectivo de aperfeiçoar a dinâmica de voo. O Dryen Flight Research Center, onde o projecto funciona agora, é responsável por muitos outros projectos desde o carismático X-15 até ao actual X-32. (…)

desde o carismático X-15 até ao actual X-32. (…) Um avião supersónico no momento em que

Um avião supersónico no momento em que ultrapassa a “barreira do som”, isto é, ultrapassa a velocidade do som. A nuvem atrás do avião resultou da condensação do vapor de água do ar.

isto é, ultrapassa a velocidade do som. A nuvem atrás do avião resultou da condensação do
Questões
Questões

1

Os astronautas na Lua comunicam entre si via rádio. Porque não podem comunicar falando directamente uns com os outros?

2

A

velocidade do som na água é 1 500 m/s. Quanto

tempo demora um som emitido por um golfinho a atravessar o estuário do Sado (aproximadamente 3 km)?

3

A

luz propaga-se quase instantaneamente. Observas um

relâmpago e 8 segundos depois ouves um trovão. A que distância do local em que te encontras deve estar a trovoada? (A velocidade do som no ar é aproximadamente 340 m/s.)

4 Só distinguimos um som reflectido (eco) se este chegar ao ouvido pelo menos 0,1 s depois do som emitido.

Verifica que só se ouve um eco no ar se o obstáculo que reflecte o som estiver a uma distância mínima de 17 m (tem em conta que a velocidade do som no ar

é 340 m/s).

5 Qual é a velocidade mínima (em m/s e em km/h) a que deve andar um avião para poder ser considerado supersónico?

6

O João e a Joana utilizaram uma mangueira com 70 m

de comprimento, meio enrolada, tapada numa extremidade com uma embocadura em forma de funil e na outra com um tubo cilíndrico estreitado na ponta, para medir a velocidade do som no ar.

6.1 Explica resumidamente como poderão ter procedido (tem em atenção o sugerido na experiência anterior para medir a velocidade do som…).

6.2 Sabendo que determinaram o tempo de 2 décimos de segundo para o trajecto do som ao longo da mangueira, que valor obtiveram para a velocidade do som?

7 Um polícia procura provas para incriminar um sabotador de condutas de gás. Arranjou duas testemunhas: uma, que estava perto do sabotador, que afirma tê-lo visto dar uma pancada na conduta; outra testemunha, que estava

a 1,7 km de distância do sabotador, junto à conduta,

declarou que não viu ninguém bater nesta, mas garantiu ter ouvido distintamente 2 pancadas. O polícia, que já se

tinha esquecido do que aprendera em Física, ficou perplexo e recorreu ao filho. Como é que o filho esclareceu o pai?

e recorreu ao filho. Como é que o filho esclareceu o pai? Porque não se ouve

Porque não se ouve o som através do espaço na Lua?

o pai? Porque não se ouve o som através do espaço na Lua? O som é

O som é cerca de 6 vezes mais rápido do que um carro de corrida a 200 km/h. Porém, é mais lento que um avião supersónico, como o da figura. Quando um avião supersónico vai à velocidade do som, diz-se que a sua velocidade é 1 Mach. Se for à velocidade dupla da do som, a sua velocidade é 2 Mach. Etc.

do som, diz-se que a sua velocidade é 1 Mach. Se for à velocidade dupla da
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O som é uma onda, uma vibração que se propaga…

As mais diversas partículas existentes na Natureza vibram permanentemente. Isto é, repetem contínua e periodicamente movimentos de vai-vém entre duas posições extremas. Quando estas vibrações se propagam no espaço, de umas partículas a outras, surgem ondas. Estas são o mais importante processo de transporte de energia e informação a distância pois, sem envolver transporte de matéria, podem ocorrer a velocidades muito elevadas.

O que é uma onda?

Todos sabemos que no mar a água forma ondas, umas vezes mais altas e outras vezes mais baixas. A sensação que temos ao observar as ondas numa praia é que a água se move do mar alto para a praia. Mas tal não é verdade! O que viaja à distância são as ondas, não a água. A água limita-se praticamente a oscilar para cima e para baixo. Isso pode ser facilmente verificado: basta colocar uma rolha de cortiça numa tina com água e provocar uma onda num extremo com a mão (agitando a mão de um lado para o outro). A rolha praticamente não sai do mesmo sítio, oscilando para cima e para baixo.

não sai do mesmo sítio, oscilando para cima e para baixo. Será que as ondas na

Será que as ondas na água arrastam consigo a água?

As ondas na água, como as ondas sonoras e as ondas de luz, são vibrações que se propagam. Uma onda pode propagar-se num certo meio (a água, no caso das ondas no mar), mas não é o meio que se propaga… E, no caso da ondas de luz, nem sequer é necessário um meio para as ondas se propagarem, pois elas até se propagam no vácuo ou vazio!

propagarem, pois elas até se propagam no vácuo ou vazio! O “pato” desce… …e sobe… …enquanto

O “pato” desce…

…e sobe…

…enquanto a onda se propaga na água.

A propagação da onda NÃO é a propagação de água mas sim a

propagação da oscilação na água. A energia propaga-se com o

movimento da onda, mas a água não é arrastada com as ondas!

Ondas transversais e longitudinais

As molas são um bom meio para observar ondas. Há dois modos de produzir ondas numa mola:

1 Uma onda na mola pode ser obtida pondo a oscilar uma extremidade da mola numa direcção perpendicular à direcção da própria mola. A onda assim obtida diz-se onda transversal.

direcção e sentido de propagação da oscilação (horizontal)

oscilação vertical
oscilação
vertical
extremidade fixa
extremidade fixa

direcção e sentido de propagação da oscilação (horizontal)

extremidade fixa

2 Também se pode produzir uma onda na mola provocando uma oscilação numa extremidade da mola (apertarndo umas três ou cinco espiras da mola e largando-as). As

oscilações produzidas caminham ao longo da

mola, na mesma direcção da mola. Porém, agora as oscilações ocorrem na mesma direcção em que se propagam. A onda assim obtida diz-se onda longitudinal.

oscilação

horizontal

extremidade fixa

Compressão, descompressão, compressão…

As vibrações da fonte sonora (por exemplo, um diapasão no ar), comprimem e descomprimem sucessiva e periodicamente o ar em volta da fonte sonora. Formam-se

e periodicamente o ar em volta da fonte sonora. Formam-se • zonas de compressão (zonas com

zonas de compressão (zonas com mais ar, portanto com maior pressão),

mais ar menos ar mais ar menos ar mais ar menos ar
mais
ar
menos
ar
mais
ar
menos
ar
mais
ar
menos
ar

e

zonas de rarefacção (zonas com menos ar, ou seja com menor pressão)

que se vão ambas propagando no espaço.

Em cada instante, as compressões e rarefacções sucedem-se ao longo do espaço. E, num dado ponto do espaço, as compressões e rarefacções sucedem-se, alternadamente, ao longo do tempo.

Quer dizer: temos em cada momento e ao longo do trajecto da onda, uma compressão, a seguir uma rarefacção, logo depois uma compressão, etc. E, em cada local, as compressões estão a passar a rarefacções e as rarefacções a passar a compressões, alternadamente. É assim que se propaga o som!

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Visualização das ondas

Uma onda longitudinal e uma onda transversal (vibrações a propagarem-se) progridem da esquerda para a direita…

Onda

longitudinal…

Onda

transversal…

para a direita… Onda longitudinal… Onda transversal… Uma partícula (a vermelho) é alcançada pela onda, num
para a direita… Onda longitudinal… Onda transversal… Uma partícula (a vermelho) é alcançada pela onda, num

Uma partícula (a vermelho) é alcançada pela onda, num certo instante, e começa a vibrar.

Passou um certo intervalo de tempo… a partícula ainda não atingiu uma posição extrema.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula atingiu uma posição extrema. Está na crista da onda.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula continuou a vibração, aproximando-se da posição de equilíbrio inicial.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula passou na posição de equilíbrio inicial. A crista da onda já passou pela partícula…

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula continuou a vibração, aproximando- se da nova posição extrema.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula atingiu essa posição extrema. Está no vale da onda.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula continuou a vibração, aproximando-se novamente da posição de equilíbrio inicial.

Passou mais um certo intervalo de tempo… a partícula passou na posição de equilíbrio inicial. A crista e o vale da onda já passaram pela partícula…

Entre estas duas posições, diz-se que decorreu um período de vibração, que é igual ao período da onda.

Período e frequência de uma onda

A partícula vermelha está na crista da onda… Meio período depois… Um período depois está

A partícula vermelha está na crista da onda…

A partícula vermelha está na crista da onda… Meio período depois… Um período depois está novamente

Meio período depois…

vermelha está na crista da onda… Meio período depois… Um período depois está novamente na crista

Um período depois está novamente na crista da onda.

Comprimento de onda

Período de uma onda

O período de uma onda é o tempo que demora

uma vibração completa de qualquer das partículas alcançadas pela onda.

O período representa-se pelo símbolo T e a sua unidade, no SI, é o segundo. Por exemplo numa onda com um período de T = 4 s, cada partícula demora 4 segundos a vibrar.

Frequência de uma onda

A frequência de uma onda é o número de

vibrações que as partículas (atingidas pela

onda) executam em cada segundo.

Por exemplo, se as partículas executarem 50 vibrações por segundo, diz-se que a frequência da onda é de 50 ciclos por segundo. O ciclo por segundo—ou hertz—é a unidade de frequência no SI (símbolo: Hz). A frequência representa-se por f.

Comprimento de onda

É a distância percorrida pela onda num

período. É igual à distância de uma crista (ou de um vale) à crista seguinte (ou ao vale seguinte).

sentido da propagação da onda

(ou ao vale seguinte). sentido da propagação da onda Num certo instante… P compressão máxima no

Num certo instante…

P

sentido da propagação da onda Num certo instante… P compressão máxima no ponto P … meio

compressão

máxima no

ponto P

meio período depois…

P

máxima no ponto P … meio período depois… P rarefacção máxima no ponto P … um
máxima no ponto P … meio período depois… P rarefacção máxima no ponto P … um

rarefacção

máxima no

ponto P

um período depois…

P

máxima no ponto P … um período depois… P compressão máxima seguinte no ponto P pressão

compressão

máxima

seguinte no

ponto P

pressão mínima

pressão mínima

neste ponto

neste ponto

mínima pressão mínima neste ponto neste ponto comprimento da onda sonora O período de uma onda

comprimento da onda sonora

O período de uma onda sonora é o

tempo que decorre entre a passagem, num certo ponto, de dois máximos consecutivos da pressão do ar (compressão máxima) ou de dois mínimos consecutivos da pressão do ar (rarefacção máxima).

A frequência de uma onda sonora é o

número de vezes que passa uma compressão de ar (ou uma rarefacção) em cada segundo, num certo ponto.

O comprimento de onda da onda sonora é a distância entre dois pontos sucessivos em que a pressão do ar é mínima (ou entre dois pontos em que a pressão é máxima).

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Equação fundamental das ondas

Comprimento de onda Que relação há entre a frequência de uma onda e o seu
Comprimento de onda Que relação há entre a frequência de uma onda e o seu

Comprimento de onda

Que relação há entre a frequência de uma onda e o seu período?

Se a frequência de uma onda for 2 vibrações por segundo (ou seja, 2 hertz), cada partícula faz uma vibração completa em 0,5 s. Portanto, o período ou tempo de vibração completa de cada partícula é 0,5 s. Repara que 0,5 é o inverso de 2:

O comprimento de onda é a distância que a

onde progride por período. A velocidade da onda é, pois, de 1 comprimento de onda por 1 período:

, 0 5

,

0 5

=

1

2

comprimento de onda por 1 período: , 0 5 = 1 2 velocidade da onda =

velocidade da onda = comprimento de onda período

O período da onda é o inverso da frequência.

Assim, podemos escrever:

onda é o inverso da frequência. Assim, podemos escrever: velocidade da onda = c o m

velocidade da onda = comprimento de onda

1

frequência

Temos, portanto, de um modo geral:

o n d a 1 frequência Temos, portanto, de um modo geral: 1 p e r
1 p e r í o d o = frequência T = 1 f

1

período = frequência

T =

1

f

1 p e r í o d o = frequência T = 1 f
p e r í o d o = frequência T = 1 f Simplificando, obtemos a

Simplificando, obtemos a seguinte equação (equação fundamental das ondas):

velocidade da onda = comprimento de onda ¥ frequência

velocidade da onda = comprimento de onda ¥ frequência

velocidade da onda = comprimento de onda ¥ frequência

Exemplificando:

O comprimento de onda representa-se pela letra grega lambda, ll

v = l

¥ f

Um diapasão emite um som de 256 Hz. Sabendo que a velocidade do som no ar é 340 m/s, qual é o comprimento da onda sonora emitida por esse diapasão? Que significa esse valor?

Como v = l ¥ f, podemos escrever:

esse valor? Como v = l ¥ f , podemos escrever: v f 340 m/s 256

v

f

340 m/s

256 Hz

Como v = l ¥ f , podemos escrever: v f 340 m/s 256 Hz Portanto,

Portanto, na onda sonora do diapasão de 256 Hz, a distância entre dois pontos sucessivos em que a pressão do ar é mínima (ou entre dois pontos em que a pressão é máxima) é 1,33 m.

entre dois pontos em que a pressão é máxima) é 1,33 m. Um diapasão de 256
entre dois pontos em que a pressão é máxima) é 1,33 m. Um diapasão de 256

Um diapasão de 256 Hz, e respectivo martelo. A indicação 256 Hz significa que as hastes do diapasão vibram com uma frequência de 256 vezes por segundo (256 movimentos de vai-vém). Escuta o som emitido pelo diapasão…

l

=

=

=

1,33 m

Visualização de uma onda sonora

Visualização de uma onda sonora Um osciloscópio tem algumas semelhanças com uma televisão. Tal como numa
Visualização de uma onda sonora Um osciloscópio tem algumas semelhanças com uma televisão. Tal como numa

Um osciloscópio tem algumas semelhanças com uma televisão. Tal como numa televisão, também no osciloscópio, um filamento emite um feixe de electrões no interior de um tubo sem ar. Este feixe é orientado por placas verticais e horizontais contra um ecrã.

Filamento

Feixe de electrões Placas verticais Placas horizontais Ecrã fluorescente
Feixe de electrões
Placas verticais
Placas
horizontais
Ecrã
fluorescente

O som ouve-se mas não se vê. Para “visualizar” o som pode ligar-se um microfone a um osciloscópio ou a um computador com software adequado. O microfone transforma as

vibrações do ar em sinais eléctricos. Estes sinais são aplicados nas placas horizontais do osciloscópio e fazem com que

o feixe de electrões se mova para cima e para baixo. Se se fizer mover também o feixe da esquerda para a direita (aplicando um sinal adequado nas placas verticais), consegue-se ver uma “onda” no osciloscópio, que é uma espécie de “cópia eléctrica" das ondas sonoras.

P pressão máxima neste ponto … meio período depois… P 4 divisões
P
pressão máxima
neste ponto
… meio período depois…
P
4 divisões

pressão mínima

neste ponto

1 ms por cada divisão

(ms = milisegundo)

O período desta onda sonora é:

4 ¥¥ 1 ms = 4 ms = 0,004 s

Verifica que a frequência da onda é 250 Hz…

= 0,004 s Verifica que a frequência da onda é 250 Hz… Questões 1 O produto
Questões
Questões

1 O produto comprimento de onda ¥¥ frequência de uma onda sonora depende ou não do meio de propagação do som? Fundamenta a resposta.

2 Uma baleia pode emitir sons de 16 Hz. Que período têm essas ondas sonoras? E qual é o seu comprimento de onda na água (velocidade do som na água é 1500 m/s)?

3 Observa a figura ao lado (análise de um assobio num osciloscópio).

3.1 Qual é o período e a frequência do assobio?

3.2 Qual é o comprimento da onda sonora do assobio?

e a frequência do assobio? 3.2 Qual é o comprimento da onda sonora do assobio? 0,2

0,2 ms por cada divisão

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4 Propriedades do som

Consegue-se identificar uma pessoa apenas pelo som da sua voz. Como se podem descrever as características das diferentes vozes? Que diferença haverá entre o som de uma viola-baixo e o som de uma viola-solo? Altos, baixos, fortes, fracos, bem timbrados e mal timbrados são adjectivos vulgares que se aplicam ao som. Que significam?

A altura de um som

Um som pode ser mais alto (também se diz mais agudo) ou mais baixo (também se diz mais grave). Não confundas som alto com som mais forte ou mais intenso.

A altura de um som está relacionada com a frequência das vibrações que provocam o som. Por exemplo, um assobio é, em geral, um som agudo ou alto (corresponde a muitas vibrações do ar por segundo). Já um som de uma pancada da mão numa mesa é um som baixo ou grave (experimenta ouvir o teu assobio e compara-o com o som de uma pancada…).

Quanto mais alto (mais agudo) for um som, maior é a sua frequência. Um assobio muito agudo pode corresponder a 4 000 vibrações do ar por segundo. Um som grave ou

baixo, como um som das notas do lado esquerdo do teclado de um piano, corresponde essencialmente a sons provocados por menos de 100 vibrações por segundo.

44 perperíodosodos dada ondaonda 7,57,5 divisdivisõeses 0,0040 s – 0,0020 s = 0,0020 s =
44 perperíodosodos dada ondaonda
7,57,5 divisdivisõeses
0,0040 s – 0,0020 s = 0,0020 s = 2,0 ms
1,0 ms = 1,0 milisegundos
cada divisão vale 0,5 ms= 0,5 milisegundos
7,57,5 divisdivisõeses × 0,50,5 msms == 3,753,75 msms (4(4 perperíodos)odos)
3,75 ms
1 período =
≈ 0,94 ms = 0,00094 s
4

Análise de um assobio num computador. O período do assobio é 0,00094 s. Logo, a sua frequência é 1/0,00094 = 1064 Hz.

2 2 2 2 2 2 2 32,7 Hz 65,4 Hz 130,8 Hz 261,6 Hz
2 2
2 2
2 2
2
32,7 Hz
65,4 Hz
130,8 Hz
261,6 Hz
523,2 Hz
1046,4 Hz
2092,8 Hz
4185,6 Hz
mais
mais
grave
agudo
A
frequência

deste DÓ

é dupla

da frequência do DÓ anterior

O som de instrumentos musicais

está baseado numa escala de oitavas.

Se a frequência de uma nota musical é dupla de outra, o intervalo musical entre essas

notas é uma oitava.

Por exemplo, no teclado de um "piano de 7 oitavas", como o que está representado, a frequência dos sucessivos DÓs é dupla de oitava em oitava.

O DÓ de 4185,6 Hz é o mais

agudo e o DÓ de 32,7 Hz é o mais grave.

Questões
Questões

Os gráficos ao lado referem-se a dois assobios analisados num computador com software adequado. A escala horizontal (tempo) é igual nos dois gráficos.

1 Quanto vale em milisegundos, a menor divisão da escala horizontal?

2 Qual dos dois assobios tem maior período? E qual tem maior frequência?

3 Qual dos dois assobios é mais agudo? Porquê?

4 Qual é o período de cada um dos assobios?

5 Qual é a frequência de cada um dos assobios?

agudo ? Porquê? 4 Qual é o período de cada um dos assobios? 5 Qual é
agudo ? Porquê? 4 Qual é o período de cada um dos assobios? 5 Qual é
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A intensidade ou volume de um som

O som emitido pela explosão do vulcão Krakatoa em 1884 (na

Indonésia) foi dos mais intensos ou fortes que alguma vez se

produziram na Natureza. Foi tão forte que chegou a ser ouvido

a mais de 4000 km de distância!

A intensidade de um som é a característica que permite

classificá-lo em forte ou fraco. Quanto mais intenso ou forte for um som, mais longe ele poderá ser detectado, em iguais condições de propagação.

A intensidade de um som

depende da energia que lhe está associada. Esta designa-se muitas vezes por energia sonora, não porque se trata de uma “forma” especial de energia (é energia cinética, ou energia do movimento, como outras “formas” de energia).

amplitude
amplitude
movimento, como outras “formas” de energia). amplitude O vulcão da ilha de Krakatoa, que explodiu em

O vulcão da ilha de Krakatoa, que explodiu em 1884:

produziu o som mais intenso de sempre na Terra!

em 1884: produziu o som mais intenso de sempre na Terra! A intensidade de um som

A intensidade de um som

depende da amplitude das respectivas ondas. A amplitude de uma onda sonora no ar é metade da diferença entre as pressões máxima e mínima num certo ponto por onde passa a onda (ver esquema ao lado).

Esquemas de dois sons registados num osciloscópio (as escalas horizontal e vertical são iguais). O som da esquerda é mais intenso (tem maior amplitude).

O som da esquerda é mais intenso (tem maior amplitude). Questões Observa o gráfico acima. O
Questões
Questões

Observa o gráfico acima.

O gráfico refere-se a um assobio analisado num computador. A intensidade do assobio aumentou… mas o seu período e a sua frequência mantiveram-se constantes.

1 Verifica que a frequência do assobio se manteve constante ao longo de todo o assobio.

2 Que propriedade do som variou durante o assobio?

O nível de intensidade sonora: escala de decibéis

Os sons pouco intensos não são distinguidos pelo ouvido. Os sons muito intensos (por exemplo, aqueles que se produzem num walkman quando o “volume” de som está muito elevado) podem prejudicar a audição, porque afectam os diferentes órgãos do ouvido, quer temporária quer mesmo definitivamente.

O nível de intensidade sonora de um som é calculado comparando a intensidade desse som com a intensidade do som mais fraco que se toma para referência e que pode ser ouvido pelo ser humano.

Um nível de intensidade sonora de 1 decibel (1 dB) mal se ouve, porque a sua intensidade pouco ultrapassa a intensidade mínima audível. Um murmúrio, ouvido a 1 m de distância, corresponde a um nível de intensidade de 20 dB, aproximadamente. Uma conversa em tom normal, a 1 m de distância, corresponde a cerca de 60 dB.

Um nível de intensidade sonora superior a 140 dB (por exemplo, o dos motores dos aviões a jacto, ouvidos a 50 m, ou o de potentes instalações sonoras, situadas a 1 m de distância) provocam sensações de dor e podem originar estragos permanentes nos orgãos do ouvido.

Acima de 110 dB, as sensações no ouvido tornam-se dolorosas, porque os tímpanos (membranas vibrantes que temos nos ouvidos) vibram com grande amplitude. Mesmo os sons com níveis de intensidade inferior, escutados durante longos períodos de tempo, podem provocar surdez total ou parcial, porque diminuem a elasticidade dos tímpanos.

ou parcial, porque diminuem a elasticidade dos tímpanos. Níveis aproximados de intensidade sonora (em decibéis)

Níveis aproximados de intensidade sonora (em decibéis)

 
  ruptura do tímpano 160

ruptura do tímpano

160

concerto rock (máximo tolerável) 120

concerto rock (máximo tolerável)

120

 
  nível mínimo  

nível mínimo

 

para provocar

110

dor

tráfego intenso 80

tráfego intenso

80

barulho de  

barulho de

 

aspirador

70

conversa  

conversa

 

vulgar

60

ruído numa  

ruído numa

 

biblioteca

40

conversa  

conversa

 

muita baixa

20

 
  sussurro de  

sussurro de

 

folhas

20

agitadas

baixa 20   sussurro de   folhas 20 agitadas   limiar   da audição 0 (nível
 
  limiar  
  limiar  

limiar

 

da audição

0

(nível zero)

Foto de um sonómetro, aparelho que mede o nível de intensidade sonora, em decibéis.

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O timbre de um som

É vulgar, no início dos concertos, os músicos

verificarem a afinação dos instrumentos. Um instrumentista emite uma nota e todos os outros instrumentistas repetem a mesma nota. Se os sons emitidos correspondem à mesma nota, têm a mesma altura. E poderão ter ou não a mesma intensidade, isto é, serem igualmente fortes ou

fracos.

Mas, ainda que tenham a mesma altura e a mesma intensidade, distinguimos nitidamente esses sons entre si. Por exemplo, o LÁ normal

emitido por uma flauta distingue-se claramente do LÁ normal emitido por um violino! Porque conseguimos distinguir sons da mesma intensidade

e altura produzidos por instrumentos diferentes?

A propriedade que permite distinguir sons musicais com a mesma altura e com a mesma intensidade é o timbre do som. O timbre é uma característica muito importante dos instrumentos musicais e da voz humana. O que distingue um cantor altamente apreciado é o timbre da sua voz.

Um som musical emitido por um cantor ou por um instrumento é uma mistura de sons harmónicos, isto é, uma mistura de sons em que um tem uma certa frequência e os outros têm frequências múltiplas desta. O timbre está relacionado com a composição dessa mistura de frequências.

Os sons de diferentes instrumentos (ou de diferentes vozes), mesmo quando emitem a mesma nota, diferem sempre na sua composição—ou seja, diferem no seu timbre.

E LUZ
E
LUZ
sua composição—ou seja, diferem no seu timbre. E LUZ Som fundamental: harmónico de ordem 0 Som
sua composição—ou seja, diferem no seu timbre. E LUZ Som fundamental: harmónico de ordem 0 Som
sua composição—ou seja, diferem no seu timbre. E LUZ Som fundamental: harmónico de ordem 0 Som

Som fundamental:

harmónico de

ordem 0

Som de frequência dupla: harmónico de ordem 1

Som de frequência tripla: harmónico de ordem 2

Som composto pelos harmónicos de ordem 0, 1 e 2

Quase todos os sons são sons compostos. A frequência de um som composto é a frequência do seu som fundamental (que é a frequência mais baixa dos sons componentes). O timbre de um som composto depende do número de sons componentes (harmónicos), bem como das frequências e intensidades respectivas.

bem como das frequências e intensidades respectivas. flauta violino clarinete Estas ondas correspondem à mesma

flauta

violino

clarinete

Estas ondas correspondem à mesma nota musical em três instrumentos diferentes. A frequência fundamental do som é a mesma (trata-se da mesma nota musical), mas a mistura de harmónicos é diferente de instrumento para instrumento. Os três instrumentos têm, pois, timbres diferentes.

Questões
Questões

1 Já observaste certamente as “ondas” que os espectadores fazem num estádio. Numa zona do estádio, os espectadores levantam-se e põem os braços no ar. Logo a seguir, os espectadores ao lado fazem o mesmo. E assim sucessivamente. Uma onda destas pode demorar cerca de uma dezena de segundos a dar a volta ao estádio.

1.1 Que semelhanças há entre as ondas de espectadores e as ondas sonoras no ar?

1.2 E que diferenças?

2 A figura junto esquematiza as ondas sonoras emitidas por dois diapasões.

2.1 Qual é que emite som com menor comprimento de onda? Fundamenta a resposta.

2.2 Qual é que emite som com menor frequência? Fundamenta a resposta.

2.3 Qual é que emite som mais agudo? Fundamenta a resposta.

3 Os telefones de teclas produzem sons característicos, que resultam da sobreposição de dois sons quase puros. Por exemplo, a tecla 1 de um telefone produz som composto de dois sons com frequências 697 Hz e 1209 Hz. Estes dois sons são sons harmónicos? Fundamenta a resposta.

4 As figuras mostram a análise de duas notas LÁ de uma guitarra Fender em computador.

4.1 Qual é o LÁ mais agudo?

4.2 Trata-se de sons puros ou sons com timbre?

4.3 Sobrepondo estas duas notas, obtém-se um LÁ com o mesmo timbre? Fundamenta a resposta.

4.4 Faz uma estimativa de quantas vezes é que a frequência do segundo LÁ é maior que a frequência do primeiro.

4.5 Verifica que a frequência do primeiro LÁ é 220 Hz e a do segundo é 440 Hz.

frequência do primeiro. 4.5 Verifica que a frequência do primeiro LÁ é 220 Hz e a
A
A
frequência do primeiro. 4.5 Verifica que a frequência do primeiro LÁ é 220 Hz e a

B

A

B

frequência do primeiro. 4.5 Verifica que a frequência do primeiro LÁ é 220 Hz e a
frequência do primeiro. 4.5 Verifica que a frequência do primeiro LÁ é 220 Hz e a
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Engenharia do som: alguns exemplos

O conhecimento das características e propriedades do som tem sido usado nas mais diversas áreas para melhorar a qualidade de vida e para produzir espectáculos de maior qualidade.

Espectro sonoro

O espectro sonoro é o conjunto de todos os sons, audíveis e não audíveis pelo ser humano. A zona dos sons audíveis, para os seres humanos, situa-se entre os 20 Hz e os 20000 Hz. Os sons de frequências de 0 a 20 Hz (não audíveis) constituem a zona dos infra-sons. Sons de frequência inferior a 20 Hz (infra-sons) provocam náuseas e perturbações intestinais. Os sons com frequências muito elevadas, superiores a 20 000 Hz, que o ouvido humano também não consegue ouvir, chamam-se ultra-sons.

Os cães conseguem ouvir sons cujas frequências estão entre os 15 Hz e os 50000 Hz. Podem, por isso, detectar ruídos que deixam indiferentes os seres humanos, como, por exemplo, os apitos especiais para cães. Os morcegos e os cágados conseguem emitir e ouvir sons de frequências superiores a 100000 Hz.

Piano

Aparelhagem de alta fidelidade

Homem

Cão

Gato

Morcego

Sapo

Cágado

30 4100 15 30 000 85 1 100 20 20 000 452 1 800 15
30
4100
15
30
000
85
1 100
20
20
000
452
1 800
15
50 000
760
1 500
60
65 000
10
000
120
000
1 000
120
000
50
8 000
50
10
000
7
000
120
000
150
150
000
50
100
1000
10 000
100 000
frequência (em hertz)
Frequências produzidas
Frequências ouvidas

Gama de frequências dos sons que podem ser produzidos por alguns instrumentos musicais, pelo homem e por diversos animais. O gráfico mostra também as frequências dos sons que podem ser ouvidos por diferentes animais.

nível mínimo de intensidade sonora (dB)

nível mínimo de intensidade sonora (dB)

nível mínimo de intensidade sonora (dB)

nível mínimo de intensidade sonora (dB)

Discute
Discute

Audiogramas e capacidade auditiva

Existem alguns defeitos do aparelho auditivo que dificultam a audição. Se o defeito for muito grande, é-se mesmo surdo. Os médicos dos ouvidos dispõem de audiómetros, aparelhos que permitem registar em gráficos (audiogramas) a capacidade auditiva, verificando assim se os ouvidos estão a funcionar bem. A figura ao lado esquematiza os audiogramas A, B, C e D de diferentes pessoas.

1 Qual é o nível mínimo de intensidade sonora que a pessoa A consegue ouvir?

2 A pessoa A consegue ouvir sons de 4000 Hz que tenham apenas 40 dB?

3 Compara o audiograma da pessoa A com o da pessoa B. Qual tem melhor capacidade auditiva? Porquê?

4 Qual das pessoas ouve melhor sons mais agudos (8000 Hz)?

5 Qual das pessoas ouve melhor sons mais graves (250 Hz)?

6 Qual das pessoas é praticamente incapaz de ouvir sons com a frequência de 3000 Hz?

7 Qual dos audiogramas é provável que corresponda a um jovem que não tem o hábito de ouvir música muito “alta”?

8 Os morcegos emitem ultra-sons de 30 000 Hz (ou mais) na escuridão de uma cave ou de uma caverna para voarem afastados da parede. Este seu sistema de sonar natural é extremamente eficaz. Será que podemos ouvir estes sons emitidos pelos morcegos?

Será que podemos ouvir estes sons emitidos pelos morcegos? A 100 80 60 40 20 0
A
A

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frequência do som (Hz)

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C
C

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250 500 1000 2000 4000 8000
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do som (Hz) 250 500 1000 2000 4000 8000 D 100 80 60 40 20 0
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Sonares

Alguns barcos utilizam o fenómeno do eco para determinar a profundidade da água por baixo deles ou a presença de cardumes. O aparelho que faz esta determinação chama-se sonar. Os sonares utilizam sons que o ouvido humano não ouve — os chamados ultra-sons.

O sonar possui um emissor de som especial, que faz propagar o som na água, e tem associado um microfone, que recolhe o som reflectido.

Assim, por exemplo, se o som demorar 0,1 segundos a voltar, a que distância está o barco do fundo do mar?

Como o som tem que ir e voltar e a velocidade das ondas sonoras no mar é de 1500 m/s, a profundidade é de

E LUZ Sonar: o eco dos ultra-sons permite determinar a posição de cardumes e do
E
LUZ
Sonar: o eco dos ultra-sons permite determinar
a posição de cardumes e do fundo do mar.
determinar a posição de cardumes e do fundo do mar. 1500 m / s ¥ 0,1

1500 m /

s

¥ 0,1 s

= 75 m

2

cardumes e do fundo do mar. 1500 m / s ¥ 0,1 s = 75 m
cardumes e do fundo do mar. 1500 m / s ¥ 0,1 s = 75 m

Ecografia de um bébé na barriga da mãe: os ultra-sons reflectem-se de modo diferente nos tecidos e nos ossos, permitindo a um computador construir uma imagem do bébé.

Ecografia

Uma ecografia é feita com ultra-sons, isto é, sons de frequência de 20000 Hz, que é superior às frequências que o ouvido humano consegue ouvir. Estes sons são emitidos por cristais vibrantes, colocados perto do corpo. O eco é recebido por sensores e analisado por computadores, de modo a se obter uma imagem.

As ecografias são hoje uma prática médica corrente, que permite “ver” os bébes antes de nascerem (na foto ao lado, um bébé ecografado no ventre da mãe). Os ultra-sons são também utilizados por médicos para examinar o interior do corpo humano, desde o coração aos ossos ou ainda para certos tratamentos, como a destruição de pedras nos rins.

Isolamento sonoro das casas

O conhecimento do comportamento dos materiais no que se refere à transmissão do som é importante, por exemplo, para criar isolamento sonoro nas casas.

Em certos casos, utilizam-se materiais isolantes nas paredes e colocam-se vidros duplos nas janelas das casas, nomeadamente nas que estão voltadas para ruas movimentadas.

nomeadamente nas que estão voltadas para ruas movimentadas. O isolamento sonoro pode impedir a recepção de

O isolamento sonoro pode impedir a recepção de sons no interior de uma habitação.

Leitura…
Leitura…

Arquitectura de salas de concerto

Até ao século XX, os teatros e as salas de concerto eram concebidos com base em regras tradicionais, obtidas à custa de tentativa e erro. Por isso, nem sempre era boa a qualidade acústica das salas.

Uma sala de concerto tem uma boa acústica quando se consegue uma boa recepção dos sons em qualquer ponto da sala. Há três aspectos importantes no que respeita à acústica das salas, a saber: o ruído de fundo, a difusão e a reverberação.

a saber: o ruído de fundo, a difusão e a reverberação. • O ruído de fundo

• O ruído de fundo pode mascarar, desfigurar os sons. As fontes deste ruído tanto podem ser internas (o próprio público, ou o sistema de ar condicionado, por exemplo), como externas (tráfego, obras, manifestações públicas, etc.).

• A difusão dos sons deverá ser o mais homogénea possível, isto é, deverá evitar-se a concentração dos sons em determinados pontos. Nesta difusão cabe papel importante à reflexão do som nos tectos e nas paredes. Por isso, a geometria das paredes reflectoras deve ser estudada e as superfícies devem ser cobertas de materiais absorventes dos sons ou serem irregulares, de modo a difundirem em todas as direcções as ondas sonoras.

As paredes de uma sala de concerto não são lisas. Se o fossem, os espectadores ouviriam concertos em más condições acústicas, com sobreposição de sons directos e reflectidos.

• A reverberação é a persistência do som depois de ter terminado a sua emissão. É importante o tempo de reverberação, isto é, o intervalo de tempo necessário para o som se tornar inaudível após a sua emissão. Os tempos de reverberação adequados para os diversos fins, de acordo com o volume da sala, estão representados no gráfico junto.

3,5 sala de concertos para orquestra 3,0 sala para música ligeira 2,5 estúdio de concerto
3,5
sala de concertos para orquestra
3,0
sala para música ligeira
2,5
estúdio de concerto
ópera
2,0
sala de baile
1,5
teatro dramático
estúdio de
rádio
1,0
sala de conferências
estúdio de televisão
0,5
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5000 10 000
50 000
tempo de reverberação (em s)

volume da sala (em m 3 )

Tempo de reverberação ideal em função do volume da sala, para vários tipos de salas. Em que tipo de sala é que deve ser maior o tempo de reverberação? E menor?

É óbvio que a acústica de uma sala deve ser boa não só para os espectadores mas também para os intérpretes. Estes

deverão ouvir-se mutuamente e com o mínimo atraso possível. Isto consegue-se com placas reflectoras do som por cima e por trás dos executantes. Para conseguir uma boa audição mútua, os executantes das modernas orquestras sinfónicas dispõem-se em semi- círculo.

Em geral, os concertos ao ar livre não têm qualidade acústica, porque, além do ruído de fundo ser geralmente elevado, falta-lhe a reverberação adequada para uma boa audição.

porque, além do ruído de fundo ser geralmente elevado, falta-lhe a reverberação adequada para uma boa
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LUZ

O que é a luz? Como se propaga?

Os nossos ouvidos são detectores naturais de ondas sonoras. E os nossos olhos são detectores naturais de ondas electromagnéticas! As ondas electromagnéticas consistem na variação, no espaço e no tempo, de certas propriedades físicas. Essas propriedades físicas do espaço são bem reais!

Som e luz: que diferenças e que semelhanças?

Vimos que o som, ao progagar informação através de uma onda, permite a audição. Com a luz sucede algo de muito semelhante. A propagação da luz permite a visão. A diferença entre estes dois fenómenos está no tipo de ondas. As ondas luminosas são de uma natureza totalmente diferente da que possuem as ondas sonoras, como vamos ver!

No caso do som, a propagação dá-se num dado meio material (sólido, líquido ou gás, como o ar). É no material que ocorrem vibrações e se propaga a onda sonora. No vácuo (onde não há nada para vibrar…), as ondas sonoras não se propagam.

A luz, pelo contrário, propaga-se no ar e nos outros meios transparentes, como o vidro, mas também se propaga no vácuo. As ondas de luz não necessitam, pois, de qualquer meio material para se propagarem. As ondas de luz, também designadas por ondas electromagnéticas, correspondem à variação, no espaço e no tempo, de certas propriedades físicas (os chamados campos eléctricos e magnéticos). Essas propriedades físicas do espaço são bem reais! Estás permanentemente a utilizá-las nos telemóveis, na rádio, na televisão, nos lasers, etc., e, claro, na visão!

na televisão, nos lasers, etc., e, claro, na visão! Na Lua, onde não há ar nem

Na Lua, onde não há ar nem qualquer outro tipo de atmosfera, os astronautas podem ver mas não ouvem nada através do espaço! Por exemplo, não podem ouvir o som do jeep lunar! Só podem comunicar uns com os outros por rádio… e por gestos, claro!

uns com os outros por rádio… e por gestos, claro! No filme Armageddon (e em muitos

No filme Armageddon (e em muitos outros filmes, com cenas “no espaço”) ouvem-se todo o tipo de sons, onde nunca seria possível haver som porque não há ar para as ondas sonoras se propagarem!

Luz: ondas ou partículas?

Desde o século XVII que a ciência discute se a luz é constituída por ondas ou por partículas. No século XIX, a teoria de que a luz é constituída por partículas foi praticamente abandonada. Mas, no princípio do século XX, descobriram-se vários fenómenos físicos (por exemplo, o efeito fotoeléctrico usado para abrir automaticamente portas) que levaram a concluir que há partículas de luz. Einstein, que explicou o efeito fotoeléctrico, chamou fotões às partículas de luz. Hoje em dia, a teoria da luz é, no essencial, uma teoria matemática que admite que a luz tem um comportamento como partícula e como onda, consoante os fenómenos em que intervém.

e como onda , consoante os fenómenos em que intervém. Um feixe de luz incide num

Um feixe de luz incide num metal…

em que intervém. Um feixe de luz incide num metal… Os fotões (partículas de luz) arrancam

Os fotões (partículas de luz) arrancam electrões do metal.

fotões (partículas de luz) arrancam electrões do metal. Este efeito fotoeléctrico ( foto = luz) é

Este efeito fotoeléctrico (foto = luz) é comprovado pelo electroscópio. Este fica carregado electricamente, e as respectivas folhas afastam-se ligeiramente.

campo eléctrico variável campo magnético variável
campo eléctrico variável
campo
magnético variável
direcção do campo eléctrico direcção do campo magnético
direcção do campo
eléctrico
direcção do campo
magnético

direcção da onda

Uma representação muito simplificada da propagação de uma onda electromagnética. Na realidade, o que os cientistas conhecem bem sobre as ondas são as equações matemáticas que as descrevem, e não “os desenhos” ou “fotografias” do que elas são na realidade!

Fontes e receptores de luz

O Sol, tal como outros astros, emite luz para o espaço. É uma fonte de luz. A Terra não emite luz (mas reflecte parte da que recebe do Sol). É, pois, um receptor de luz. Também numa sala temos fontes de luz (lâmpadas, por exemplo) e receptores de luz (móveis, paredes, etc.)

O filamento de uma lâmpada, para emitir luz, tem de ser percorrido por uma corrente eléctrica. A corrente eléctrica transfere energia para os átomos do filamento da lâmpada, isto é, fá-los passar de um estado de menor energia para um estado de maior energia. E, imediatamente após receber energia da corrente, os átomos voltam para o estado de energia inicial, emitindo energia na forma de radiação luminosa. E o processo repete-se… até deixar de passar corrente no filamento (quando se desliga o interruptor ou a lâmpada se funde!).

(quando se desliga o interruptor ou a lâmpada se funde!). Uma lâmpada acesa é uma fonte

Uma lâmpada acesa é uma fonte de luz. A emissão de luz é um processo que se dá a nível dos átomos do filamento da lâmpada, que recebem energia da corrente eléctrica.

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LUZ

Propagação da luz

Quando se acende a luz numa sala às escuras, verifica-se que há objectos iluminados nos mais variados pontos da sala. Deste facto podemos concluir que a luz se propaga em todas as direcções a partir da fonte que a emite.

Feixes e raios luminosos

Se, em frente de uma fonte de luz, por exemplo uma fonte de raios laser, colocarmos poeiras (de pó de giz, por exemplo) ou fumos (de cigarro, por exemplo) visualizaremos o que poderemos chamar um feixe luminoso. Um feixe suficientemente estreito considera- se como sendo um raio luminoso. No entanto, por mais estreito que seja um feixe de luz, este é sempre formado por uma infinidade de raios luminosos.

Os feixes luminosos podem ser:

convergentes, quando os raios luminosos se vão aproximando;

divergentes, quando os raios luminosos se vão afastando;

paralelos, quando os raios luminosos se mantêm paralelos uns aos outros.

os raios luminosos se mantêm paralelos uns aos outros. A propagação da luz em linha recta

A propagação da luz em linha recta pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol.

pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol. Procura observar um objecto através de uma mangueira.
pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol. Procura observar um objecto através de uma mangueira.
pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol. Procura observar um objecto através de uma mangueira.
pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol. Procura observar um objecto através de uma mangueira.
pode observar-se facilmente ao nascer e ao pôr-do-sol. Procura observar um objecto através de uma mangueira.

Procura observar um objecto através de uma mangueira. Estando a mangueira curvada, observas o objecto? E com a mangueira direita? Porquê?

Nesta zona, o feixe de luz é um feixe convergente. Zona onde o feixe de
Nesta zona, o
feixe de luz é um
feixe
convergente.
Zona onde o
feixe de luz
converge.
Nesta zona o
feixe de luz é
um feixe
divergente.

Um feixe produzido por uma fonte de luz laser atravessando diversas lentes.

o feixe de luz é um feixe divergente. Um feixe produzido por uma fonte de luz

Corpos transparentes, translúcidos e opacos

Os óculos de lentes escuras diminuem a intensidade da

luz que incide nos olhos. Portanto, a intensidade luminosa

é afectada pelo meio em que a luz se propaga. É que a energia luminosa pode ser mais (ou menos) absorvida consoante o meio em que se propaga.

O vidro normal é transparente porque a luz visível o

atravessa facilmente, permitindo uma visão muito nítida dos objectos através dele.

Uma folha de papel é translúcida porque a luz visível

o atravessa parcialmente, de tal modo que não permite uma visão nítida dos objectos através dela.

Uma chapa de metal é opaca à luz visível porque ela não a atravessa. Logo, não permite a visão dos objectos através dela.

O facto de um dado corpo ser mais ou menos

através dela. O facto de um dado corpo ser mais ou menos Observa uma lâmpada luminosa

Observa uma lâmpada luminosa através de um vidro normal, de uma folha de papel e de uma chapa de metal. Qual dos corpos é transparente? E qual é translúcido? E qual é opaco?

Coloca uma mancha de gordura (azeite ou óleo, por exemplo) numa folha de papel branca. Ilumina a folha. A zona gordurosa é mais ou menos translúcida que a folha seca?

transparente depende da sua espessura e da luz que nele incide. Por exemplo, um corpo pode ser transparente à luz vermelha e não o ser à luz azul.

velocidade da luz (km/s)

A velocidade da luz

Quando acendemos uma lâmpada, temos a sensação de que a luz se propaga instantaneamente. Mas não é assim: a luz pode até levar muitos anos a ir de um local a outro. Por exemplo, a luz do Sol demora quase 9 minutos a chegar à Terra!

Em distâncias pequenas, o tempo de viagem da luz é pequeníssimo: à nossa escala, propagação é quase instantânea. A velocidade da luz no vácuo é aproximadamente trezentos mil quilómetros por segundo (300 000 km/s). É uma velocidade cerca de 900

000 vezes maior do que a do som. Num segundo,

o som percorre cerca de 340 metros. Num

segundo, a luz percorre 300 000 000 metros (trezentos milhões de metros), quase a distância da Terra à Lua. A velocidade da luz no vácuo pouco difere do valor da velocidade da luz no ar.

A velocidade da luz no vácuo é um valor com

um significado muito especial. De facto, os físicos têm muito boas razões para acreditar que nada pode viajar mais depressa do que a luz!

Nos outros meios transparentes (vidro, água, plástico, etc.), a velocidade da luz é menor do que no vácuo.

diamante 124 000 vidro de cristal 180 000 vidro vulgar 200 000 água 225 000
diamante
124 000
vidro de cristal
180 000
vidro vulgar
200 000
água
225 000
vácuo
300
000
ar
300
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0
50 000
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000
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000
000
100 000 150 200 000 000 250 000 300 350 000 000 Questões 1 Tendo em

Questões

1 Tendo em conta a tabela acima, verifica que a luz atravessa uma sala de aula de 6 m de largura em 0,000 000 02 s = 2 ¥ 10 8 s.

2 Os astronautas deixaram uma câmara de televisão na Lua. Quanto tempo demoram as ondas emitidas por essa câmara de TV a chegar à Terra, que está a 400 000 km da Lua?

na Lua. Quanto tempo demoram as ondas emitidas por essa câmara de TV a chegar à
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LUZ

Propriedades da luz e o espectro electromagnético

A luz, propagando-se por ondas, tal como o som, é descrita por grandezas físicas semelhantes, como sejam a frequência, o período e o comprimento de onda. Cada tipo de luz, visível ou não visível, tem valores diferentes destas grandezas.

Frequência e comprimento de onda da luz

As ondas luminosas, tal como as ondas sonoras, têm um certo período (tempo que demora uma vibração do campo electromagnético) e uma frequência (quantas vibrações ocorrem por segundo). Movem-se a 300 000 km/s no ar e no vácuo, com um determinado comprimento de onda (distância entre a crista ou vale de uma onda e a crista ou vale seguinte) e uma certa amplitude.

comprimento de onda

ou vale seguinte) e uma certa amplitude. comprimento de onda Período : intervalo de tempo que

Período: intervalo de tempo que demora uma vibração do campo electromagmético. Mede-se em segundos.

Frequência: número de vibrações do campo electromagmético por segundo. Mede-se em hertz (Hz). Um hertz é uma vibração por segundo.

Comprimento de onda: distância entre a crista ou o vale de uma onda e a crista ou o vale seguinte.

amplitude do

campo eléctrico

amplitude do

campo magnético

amplitude do campo eléctrico amplitude do campo magnético direcção da onda Amplitudes : valores máximo das

direcção da onda

Amplitudes: valores máximo das intensidades dos campos eléctrico e magnético.

A intensidade de luz está relacionada com estas amplitudes. Quanto mais intensa for uma onda de luz, mais energia transporta.

período = frequência = 1 frequência 1 período

período =

frequência =

1

frequência

1

período

período = frequência = 1 frequência 1 período

O período de uma onda é o inverso da frequência dessa onda. Por exemplo, se a frequência da onda é 10 Hz (10 vibrações por segundo), o período é 1/10 = 0,1 segundos. Uma vibração completa, nessa

onda, demora, pois, 1 décimo de

segundo.

velocidade da onda = comprimento de onda período

velocidade da onda = comprimento de onda

1 frequência
1
frequência
p r i m e n t o d e o n d a 1 frequência

porque a distância correspondente a 1 comprimento de onda demora 1 período a ser percorrida pela onda…

porque

onda demora 1 período a ser percorrida pela onda… porque período = 1 frequência simplificando… velocidade

período =

1

frequência

simplificando…

velocidade da onda = comprimento de onda ¥ frequência

velocidade da onda = comprimento de onda ¥ frequência

A

velocidade de uma onda electromagnética é a velocidade da luz (símbolo c).

O

comprimento de onda representa-se pela letra grega lambda (l) e a

frequência por f.

c = l ¥ f

Esta é a equação fundamental das ondas aplicada às ondas electromagnéticas (já atrás estudaste-a para as ondas sonoras…)

Exemplificando
Exemplificando

Um telemóvel emite na frequência de 900 megahertz (900 MHz). Qual é o período e o comprimento das ondas emitidas e recebidas pelo telemóvel?

Resposta:

Como 1 megahertz é 1 milhão de hertzs, temos:

900 MHz = 900 000 000 Hz = 9 ¥ 10 8 Hz

O

período das ondas é, portanto:

Hz = 9 ¥ 10 8 Hz O período das ondas é, portanto: E, período =

E,

= 9 ¥ 10 8 Hz O período das ondas é, portanto: E, período = 1

período =

1

=

1

1

frequência

9

¥

10

8

Hz

=

9

¥

10

8

como a velocidade da luz é

s =1,1

300 000 km/s = 300 000 000 m/s = 3 ¥ 10 8 m/s

podemos escrever:

Donde:

c = l ¥ f 8 3 ¥ 10 m / s= l ¥¥ 9
c
=
l
¥
f
8
3
¥ 10
m / s=
l
¥¥
9
10
8 Hz
3
¥ 10
8 m/s
3
l =
=
m = 0,33 m
8
9
9
¥ 10
Hz

Portanto, o período das ondas de 900 MHz é 1,1 ¥¥ 10 -9 segundos (0,000 000 001 1 s) e o comprimento de onda é 0,33 metros.

¥

10

-9

s

= 0,0000000011

s

de onda é 0,33 metros. ¥ 10 -9 s = 0,0000000011 s Nota: um telemóvel permite

Nota: um telemóvel permite ouvir

sons à distância

transformado nos microfones do telemóvel em sinais eléctricos. Esses sinais são novamente transformados e emitidos pelo emissor do telemóvel na forma

de ondas electromagnéticas (ondas de luz). Essas ondas são captadas pelas antenas das empresas de telecomunicações que, em seguida, as fazem chegar ao telemóvel receptor. Portanto, ouvem-se ondas sonoras num telemóvel, mas os telemóveis comunicam entre si por ondas electromagnéticas!

O som é

ouvem-se ondas sonoras num telemóvel, mas os telemóveis comunicam entre si por ondas electromagnéticas! O som
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LUZ

O espectro electromagnético

Há uma grande diversidade de ondas de luz ou ondas electromagnéticas. As ondas de rádio, os raios X (que permitem “ver” o interior do corpo humano, os raios infravermelhos (que nos permitem controlar os aparelhos de TV sentados no sofá!), etc., são ondas electromagnéticas. Quer dizer, a natureza dessas radiações é a mesma natureza da luz visível. O conjunto de todos os tipos de ondas de luz, visíveis e não visíveis, designa-se por espectro electromagnético.

não visíveis, designa-se por espectro electromagnético . O olho humano apenas detecta a luz visível ,

O olho humano apenas detecta a luz visível, isto é, as ondas electromagnéticas que têm comprimentos de onda compreendidos entre 0,000 004 metros (cor violeta) e 0,000 007 metros (cor vermelha).

Raios ultravioletas A luz ultravioleta
Raios
ultravioletas
A luz ultravioleta

Raios gama

Os raios gama são as ondas electromagnéticas de maior frequência. O seu poder penetrante é extraordinário, podendo mesmo atravessar a Terra de um lado ao outro! Utilizam-se em medicina para matar células de tumores cancerígenos (na figura está um desenho de um sistema desse tipo). Claro que a sua utilização é muito cuidadosa, pois são perigosos para as células saudáveis.

Frequência, comprimento de onda e período típicos:

frequência = 10 22 Hz

comp. de onda = 3 ¥¥ 10 -14 m

período = 10 -22 s

= 3 ¥ ¥ 10 - 1 4 m período = 10 - 2 2 s

Raios X

Os raios X são ondas electromagnéticas com frequências superiores às dos raios ultravioletas. Têm um grande poder de penetração em objectos opacos a outros tipos de luz. Utilizam-se, por isso, em radiografias para observar, por exemplo, ossos e dentes, para examinar bagagens em aeoroportos, etc.

Frequência, comprimento de onda e período típicos:

frequência = 10 18 Hz

comp. de onda = 3 ¥¥ 10 -10 m

período = 10 -18 s

corresponde às ondas electromagnéticas cujas frequências são imediatamente superiores às da luz visível.

A luz visível, quer provenha do Sol ou de

uma lâmpada, é acompanhada por algumas

radiações ultravioletas. São estas radiações que mais escurecem a pele humana exposta ao sol. Quando em excesso, são perigosas.

A camada de ozono que existe na alta

atmosfera da Terra absorve grande parte dessas radiações provenientes do Sol. Essa camada de ozono tem vindo a diminuir nas últimas dezenas de anos, devido ao uso de um grupo de produtos químicos chamados CFCs (clorofluorcarbonetos, actualmente proibidos) em “sprays”, frigoríficos, etc.

Os protectores solares protegem a pele porque filtram a luz, diminuindo a quantidade de radiação ultravioleta que a atingem.

Frequência, comprimento de onda e período típicos:

frequência = 10 16 Hz

comp. de onda = 3 ¥¥ 10 -8 m

período = 10 -16 s

Ondas de rádio

As ondas de rádio e TV são de todas as ondas elecromagnéticas as que têm as menores frequências e maiores comprimento de onda. Os comprimentos de onda vão desde algumas dezenas de centímetros até muitos quilómetros. As ondas de rádio costumam classificar-se em ondas longas, ondas médias e ondas curtas. As ondas curtas podem atingir grandes distâncias devido à reflexão na atmosfera (reflexão essa que não ocorre com os outros tipos de ondas de rádio).

que não ocorre com os outros tipos de ondas de rádio). Frequência, comprimento de onda e
Frequência, comprimento de onda e período típicos: frequência = 10 8 Hz (100 MHz) comp.
Frequência, comprimento de onda e período típicos:
frequência = 10 8 Hz (100 MHz)
comp. de onda = 3 m
período = 10 -8 s
Microondas
MHz) comp. de onda = 3 m período = 10 -8 s Microondas As microondas têm

As microondas têm comprimentos de onda entre 1 mm e 30 cm. As frequências das microondas são superiores às das ondas de rádio, logo o seu comprimento de onda é inferior. O uso de microondas vulgarizou-se nos últimos tempos em fornos de cozinha. Estas ondas electromagnéticas, reflectidas pelas paredes interiores do forno, distribuem-se por todo o forno e, quando penetram nos alimentos, cedem-lhes energia. Esta energia aumenta a agitação das moléculas de água nos alimentos, que assim aquecem rapidamente. Quanto mais água tiver um alimento, mais rapidamente ele aquece. As microondas são também utilizadas nos radares e nas telecomunicações (rádio e TV).

Frequência, comprimento de onda e período típicos:

frequência = 10 10 Hz

comp. de onda = 0,03 m

período = 10 -10 s

Raios infravermelhos

Os chamados raios infravermelhos (ou ondas infravermelhas) são as ondas electromagnéticas de frequências compreendidas entre as das microondas e as da luz visível. Usam-se, por exemplo, nos telecomandos de TV. Os raios infravermelhos, se suficientemente intensos, têm grande poder de aquecimento. Por exemplo, em alguns restaurantes usam-se lâmpadas de infravermelhos para manter quentes os alimentos. Com óculos especiais ou máquinas de fotografar especiais, pode-se ver no escuro. De facto, esses óculos e essas máquinas são sensíveis às ondas infravermelhas que todos os objectos emitem (mas que não conseguimos ver à vista desarmada). Há também satélites que tiram fotografias de infravermelhos da superfície terrestre, que são auxiliares preciosos nas previsões meteorológicas. Alguns animais, como por exemplo os mosquitos, conseguem detectar as radiações infravermelhas emitidas por outros animais, o que lhes permite perseguir de noite as suas presas.

Frequência, comprimento de onda e período típicos:

frequência = 10 11 Hz

comp. de onda = 0,003 m

período = 10 -11 s

1 Hz comp. de onda = 0,003 m período = 10 - 1 1 s Imagem

Imagem da Europa, em luz infravermelha, obtida por um satélite. As zonas mais quentes são as zonas mais escuras (terra e mar)

Europa, em luz infravermelha, obtida por um satélite. As zonas mais quentes são as zonas mais
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LUZ

Deixem-se de conversas

Um estudo sobre os efeitos das radiações dos telemóveis lança hipóteses alarmantes. As células cerebrais podem estar em risco

Texto de Ricardo Nabais, Foto de António Pedro Ferreira (Expresso, 1 de Março de

2003)

Marcar um número e ligar a um amigo, enviar mensagens por SMS, tirar fotos e enviá-las são gestos triviais do quotidiano. Mas a banalidade destas acções pode ser posta em causa com a recente pesquisa de uma equipa de cientistas suecos liderada pelo neurocirurgião Leif Salford.

Este médico, que se tem dedicado a um estudo profundo dos telemóveis e dos seus efeitos no sistema nervoso, chegou a uma conclusão alarmante. As radiações electromagnéticas produzidas por estes aparelhos — que não são propriamente novidade, ao contrário das possíveis consequências da sua incidência sobre o cérebro — podem matar os neurónios. O estudo será publicado em Abril nos EUA, no jornal do National Institute of Environmental Health Sciences e promete dar brado.

A provar-se tal hipótese, muitos afirmam que os

processos judiciais em torno dos telemóveis serão, num futuro próximo, tão abundantes quanto as acções movidas devido ao consumo, activo ou passivo, de tabaco.

A experiência de Salford — que estuda esta questão

desde 1992 — foi desenvolvida em ratos e centrou-se na chamada barreira hemato-encefálica, situada no cérebro, cuja função consiste em seleccionar e separar moléculas, proteínas e outros elementos daquele órgão. Esta barreira funciona como filtro e a acção das radiações dos telemóveis sobre ela pode, segundo Salford, ser nefasta, na medida em que a rompe, permitindo a entrada de substâncias nocivas ao cérebro. Substâncias, como a albumina, a partir do momento em que ultrapassem esta barreira, podem danificar os neurónios.

Para José Maria Bravo Marques, director do serviço de Neurologia do Instituto Português de Oncologia, poderemos estar perante novos dados na pesquisa das radiações dos telemóveis, pois até agora “não há nenhum estudo documentado que prove a relação das radiações electromagnéticas”, com problemas oncológicos. Será necessário constituir novos grupos de

oncológicos. Será necessário constituir novos grupos de trabalho para reproduzir e tentar confirmar a pesquisa de

trabalho para reproduzir e tentar confirmar a pesquisa de Leif Salford.

Os operadores, por seu lado, mantêm-se atentos a toda a legislação nova sobre a matéria e remetem para os níveis mínimos sugeridos pelos padrões europeus. A norma actual estipula um limite de exposição a campos electromagnéticos em 300 GHz e foi determinada na sequência das polémicas sobre os espaços mais adequados para a instalação de antenas de telemóveis.

Mas os problemas não acabam aqui. As recomendações da praxe — não estar muito tempo em contacto com o aparelho, afastá-lo dos órgãos vitais como o coração e o cérebro, entre outras — também não parecem dar certezas absolutas de segurança. No entanto, segundo Isabel Ramos, presidente da Sociedade Portuguesa de Radiologia, a questão está em “medir a relação entre os benefícios e os malefícios das radiações”. Os especialistas é que devem determinar esse nível, tendo em conta que vale a pena utilizá-las quando as vantagens superam os constrangimentos. Neste caso, o que se ganhou com os avanços nas telecomunicações faz esquecer qualquer mal que daí advenha.

Contudo, devemos ter em conta um princípio: o uso dos telemóveis deve ser moderado, principalmente entre os mais jovens, cujas células têm menos defesas contra as radiações. São eles, acima de tudo, quem se deve deixar de conversa fiada.

Que efeitos podem ter as radiações emitidas pelos telemóveis?

Esses efeitos estão já comprovados, sem margem para dúvidas?

Há limitações ou recomendações para o uso de telemóveis? Quais?

já comprovados, sem margem para dúvidas? Há limitações ou recomendações para o uso de telemóveis? Quais?
Questões 1 O João pretende determinar a distância a que se encontra a Joana. Para

Questões

Questões 1 O João pretende determinar a distância a que se encontra a Joana. Para tal,

1 O João pretende determinar a distância a que se encontra a Joana. Para tal, toma nota do instante em que ela emite um som, levantando um braço.

1.1 Que medida foi necessário efectuar?

1.2 Usando o valor dessa medição, como é que ele pode determinar a distância a que está a Joana?

1.3 O João necessita de ter em conta a velocidade da luz para determinar a distância? Fundamenta a resposta.

2

A estação de rádio RDP emite para Timor na frequência de 17 740 kHz e comprimento de onda de 16,9 m.

2.1 Determina a velocidade destas ondas de rádio.

2.2 Que relação há entre esta velocidade e a da luz visível? Fundamenta a resposta.

3 Considera o espectro electromagnético apresentado nas páginas anteriores.

3.1

Descreve-o resumidamente.

3.2

Indica algumas aplicações:

a)

Das micro-ondas.

b)

Das radiações infravermelhas.

c)

Das radiações ultravioletas.

d)

Dos raios X.

3.3

Há radiações que são utilizadas para detectar fracturas e sobreposições em pinturas. De que tipo de radiação se trata?

A

Raios ultravioletas.

B

Raios infravermelhos.

C

Raios X.

D

Raios gama.

3.4

O nosso corpo está permanentemente a emitir determinado tipo de radiações. Que tipo?

A

Raios ultravioletas.

B

Raios infravermelhos.

C

Raios X.

D

Raios gama.

3.5

Como actuam as micro-ondas para aquecer os alimentos?

3.6

Em que diferem as ondas emitidas por diferentes estações de TV?

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8 Reflexão da luz e espelhos

Já todos observámos uma imagem na superfície límpida e tranquila de um lago. Essa imagem deve-se à reflexão da luz na superfície da água, que funciona como espelho. A luz reflectida incide nos nossos olhos: o que vemos no espelho é uma imagem do objecto. Vê-se a imagem atrás do espelho, como se a luz viesse desse local…

Reflexão da luz

Quando um feixe de luz incide na superfície de um corpo, parte da luz é absorvida pelo corpo e parte é reflectida. A luz reflectida pode dispersar-se ou difundir-se em várias direcções, como a luz que incide numa folha de papel, ou seguir numa única direcção, como a luz que incide num espelho.

única direcção , como a luz que incide num espelho . Reflexão da luz na água

Reflexão da luz na água tranquila de um lago. Se o lago estiver agitado, será que não há reflexão da luz?

espelho
espelho

Numa superfície espelhada, um feixe de luz reflecte-se numa única direcção.

folha de cartolina
folha de cartolina
feixe feixe incidente incidente espelho folha de cartolina ampliação
feixe
feixe
incidente
incidente
espelho
folha de cartolina
ampliação

Numa superfície não espelhada, como uma folha de cartolina, a luz reflecte-se em todas as direcções (diz-se que a luz se difunde ou se dispersa). Uma superfície espelhada é perfeitamente regular e uma folha de papel é muito irregular, a nível microscópico. A luz é dispersada devido a essas irregularidades, como mostra o esquema ao lado.

Leis da reflexão da luz

Observando cuidadosamente a reflexão de um raio luminoso e medindo os ângulos de reflexão e de incidência, conclui-se que:

o ângulo de reflexão é sempre igual ao ângulo de incidência (ver figura);

o raio incidente, o raio reflectido e a normal no ponto de incidência estão no mesmo plano.

Raio Ângulo de reflexão reflectido Ângulo (ângulo formado pelo raio reflectido e pela normal) de
Raio
Ângulo de reflexão
reflectido
Ângulo
(ângulo formado pelo
raio reflectido e pela
normal)
de
incidência
(ângulo
formado pelo
raio incidente e
pela normal)
Raio
incidente
Recta
perpendicular
(ou normal) à
superfície no ponto
de incidência.
espelho

O raio incidente, o raio reflectido e a normal coincidem quando a luz incide perpendicularmente ao espelho.

coincidem quando a luz incide perpendicularmente ao espelho. Se a luz incidir perpendicularmente a um espelho,

Se a luz incidir perpendicularmente a um espelho, “volta para trás”. Neste caso, o ângulo de reflexão é nulo, tal como o ângulo de incidência.

de reflexão é nulo, tal como o ângulo de incidência. Tipos de espelhos Todos os dias

Tipos de espelhos

Todos os dias observas imagens em espelhos. Um espelho é um corpo onde se observam imagens devido à reflexão da luz. Há espelhos planos, esféricos, cilíndricos, etc. Nas duas actividades seguintes vais ver como se obtêm e quais as características das imagens formadas por uns e por outros.

Equipamento utilizado para investigar a reflexão da luz num espelho. O feixe proveniente da lâmpada incide num pequeno espelho plano, colocado sobre um transferidor, em que se podem medir os ângulos de incidência e de reflexão.

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Espelhos planos: a “chama da outra vela” queima ou não queima?

Com um pedaço de vidro, bem limpo e apoiado verticalmente num suporte de plasticina (ver foto) podes realizar uma experiência muito simples numa sala às escuras:

1 Prepara duas velas exactamente iguais e coloca-as em posições simétricas em relação à lâmina de vidro vertical (ou seja: exactamente uma em frente da outra e a igual distância da lâmina; o uso de uma base de papel quadriculado facilita esta operação).

2 Acende uma das velas e olha através da lâmina para a vela apagada (exactamente como mostra a foto ao lado). Que observas?

3 Passa um dedo no pavio da vela atrás do espelho. Queimas o dedo? Por que motivo esta vela apagada é vista como se estivesse acesa?

motivo esta vela apagada é vista como se estivesse acesa? A “chama da outra vela”, atrás

A “chama da outra vela”, atrás do espelho, queima ou não queima?

4 Coloca uma folha de cartão a servir de alvo ou ecrã no local da vela atrás do espelho. Observa esse alvo através do vidro e, a seguir, de lado, portanto espreitando sem ser através do vidro. Vês alguma imagem no alvo do mesmo modo que vês imagens nos ecrãs dos cinemas?

Nesta experiência, o vidro funciona como um espelho plano. A chama que se observa na vela atrás do espelho é a imagem da chama da vela da frente. Mas é uma imagem diferente das que observamos nos cinemas: não se projecta em alvos…

observador Os raios reflectidos que atingem o olho parecem provir de P’… espelho P P'
observador
Os raios reflectidos que atingem
o olho parecem provir de P’…
espelho
P
P'
raio 2
raio 1
imagem do
ponto P dada
pelo espelho

Como construir geometricamente as imagens vistas nos espelhos planos?

Observa agora a figura ao lado que esquematiza o percurso de dois raios luminosos vindos de um objecto pontual P. O ponto P representa, por exemplo, um ponto luminoso da chama da vela acesa e a figura mostra o olho a observar a imagem desse ponto luminoso no espelho.

5

De onde parece vir a luz reflectida proveniente da luz incidente que partiu de P?

6

Essa luz tem origem no ponto P’?

7 Onde convergem os prolongamentos dos raios luminosos depois da reflexão?

Quando uma imagem se obtém na junção dos prolongamentos para trás do espelho dos raios luminosos reflectidos, a imagem não pode projectar-se num alvo, ainda que este seja colocado no sítio onde se forma a imagem.

Como estas imagens não se podem projectar em alvos, como sucede nos ecrãs de cinema, é necessário utilizar outro processo para o podermos fazer… Daqui a pouco já vais ver como projectar imagens…

Constrói a imagem de um objecto dada por um espelho plano

A figura junto representa uma seta AB e a sua imagem A´B’ dada por um espelho plano.

1 Mostra geometricamente que a imagem de A se forma onde está representado A’ (procede como esquematizado na página anterior para obter a imagem do ponto P).

2 A imagem A’B’ do segmento AB é simétrica do objecto em relação ao espelho. Que significa esta frase?

3 Caracteriza a imagem quanto ao seu tamanho, quando comparado com o tamanho do objecto.

4 Resume duas características das imagens obtidas nos espelhos planos.

B

características das imagens obtidas nos espelhos planos. B A objecto AB espelho A' B' imagem do

A