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A tabela periódica

Mendeleev e a periodicidade dos elementos

Dmitri Mendeleev foi professor universitário na Rússia e fez uma importante descoberta na
história da Ciência enquanto estava escrevendo um livro de química.

Ele registrou as propriedades de cada um dos elementos químicos conhecidos (na época eram 63;
hoje são mais de 100) em fichas de papel, cada ficha para um elemento.

Manipulando as fichas, na tentativa de encadear as idéias antes de escrever uma certa parte da
obra, Mendeleev percebeu algo extraordinário.

Na época, havia evidências científicas de que os átomos de cada elemento têm massas diferentes.
Mendeleev organizou as fichas de acordo com a ordem crescente da massa dos átomos de cada
elemento. Ele notou que nessa seqüência apareciam, a intervalos regulares, elementos com
propriedades semelhantes. Havia uma periodicidade, uma repetição, nas propriedades dos
elementos.

Entre os muito exemplos de elementos com propriedades semelhantes podemos citar:

 sódio (Na), potássio (K) e rubídio (Rb) – reagem explosivamente com a água; combinam-
se com o cloro e o oxigênio formando, respectivamente, compostos de fórmulas ECl e E2O
(E representa o elemento);
 magnésio (Mg), cálcio (Ca) e estrôncio (Sr) – reagem com água, mas não tão
violentamente; combinam-se com o cloro e o oxigênio formando, respectivamente,
compostos de fórmulas ECl2 e EO.

A tabela periódica de Mendeleev

Com base em sua descoberta, Mendeleev pôde organizar os elementos em uma tabela,
na qual aqueles com propriedades semelhantes apareciam numa mesma coluna.

Elaborando melhor a sua descoberta, ele percebeu que pareciam estar faltando alguns elementos
para que ela fosse completa. Mendeleev resolveu, então, deixar alguns locais em branco nessa
tabela, julgando que algum dia alguém descobriria novos elementos químicos que pudessem ser
encaixados nesses locais, com base em suas propriedades. Ele chegou, até, a prever algumas das
propriedades que esses elementos teriam.

Mendeleev também percebeu que em alguns locais da tabela seria melhor fazer pequenas
inversões na ordem dos elementos. Em 1871, ele publicou uma versão melhorada de seu trabalho.

Antes de Mendeleev alguns cientistas já haviam percebido que alguns grupos de elementos tinham
propriedades semelhantes, mas o mérito do químico russo foi o de organizar os elementos com
base em suas propriedades, realizar pequenos ajustes necessários e deixar locais para elementos
que podiam existir, mas que ainda não haviam sido descobertos.

Os elementos cuja existência foi prevista por Mendeleev de fato existem na natureza e foram
descobertos alguns anos mais tarde. E as propriedades desses elementos são iguais ou bastante
próximas daquelas previstas por ele.

A tabela periódica atual


Em 1913 e 1914, o inglês Henry Moseley fez importantes descobertas trabalhando com uma
técnica envolvendo raios X. Ele descobriu uma característica dos átomos que ficou conhecida como
número atômico.

Nesse momento, basta dizer que cada elemento químico possui um número que lhe é
característico, o número atômico. Quando os elementos químicos são organizados em ordem
crescente de número atômico, ocorre uma periodicidade nas suas propriedades, ou seja, repetem-
se regularmente elementos com propriedades semelhantes.

Essa regularidade da natureza é conhecida como lei periódica dos elementos.

Outros cientistas aprimoraram as descobertas de Mendeleev e de Moseley. Esses aprimoramentos


conduziram à moderna tabela periódica dos elementos, que aparecem na tabela abaixo.

Nela, as linhas horizontais são chamadas de períodos e as colunas (verticais) são denominadas
grupos, ou famílias.

A tabela é constituída de períodos e famílias

A simples localização de um elemento químico na tabela periódica já pode indicar diversas


características específicas desse elemento.

Os períodos
Os elementos são distribuídos na tabela em ordem crescente da esquerda para a direita em linhas
horizontais, de acordo com o número atômico (Z) de cada elemento, que fica acima de seu
símbolo.

Observe a tabela acima. Na tabela há sete linhas horizontais, que são denominadas períodos.

Os períodos indicam o número de camadas ou níveis eletrônicos que o átomo possui. Por exemplo,
o potássio (K) está localizado no quarto período, e o césio (Cs), no sexto. Isso significa que na
distribuição eletrônica o potássio possui quatro camadas ou níveis eletrônicos e o césio possui
seis.

O paládio (Pd) é uma exceção: apesar de estar na quinta linha horizontal, só possui quatro
camadas ou níveis eletrônicos.

Os elementos de um mesmo período possuem o mesmo número de camadas eletrônicas, que por
sua vez é coincidente com o número do período. Por exemplo:

Nº de
Período Camadas
camadas
1 1 K
2 2 K L
3 3 K L M
4 4 K L M N
5 5 K L M N O
6 6 K L M N O P
7 7 K L M N O P Q

As famílias
Observe que na tabela periódica existem 18 linhas verticais ou colunas. Elas representam as
famílias ou os grupos de elementos químicos.

Acima das colunas existem números (1, 2, 3 etc.).

Cada coluna representa uma família; por exemplo:

 1 é a família dos metais alcalinos;


 2 é a família doa alcalinos terrosos;
 18 é a família dos gases nobres.

Cada família química agrupa seus elementos de acordo com a semelhança nas propriedades. Por
exemplo, a família 11 é composta pelos elementos químicos cobre (Cu), prata (Ag) e ouro (Au).
Eles fazem parte do grupo dos metais e apresentam características comuns: brilho metálico,
maleabilidade, ductibilidade, são bons condutores de calor e de eletricidade.

Assim com esses outros elementos, de uma mesma família possuem semelhanças em suas
propriedades.

O número de algumas famílias indica quantos elétrons o elemento químico possui na


última camada de sua elétrosfera. Acompanhe a seguir, alguns exemplos.

 O sódio (Na) está na família 1, isto é, possui um elétron na última camada de sua
eletrosfera.
 O magnésio (MG) está na família 2, isto é, possui um elétron na última camada de sua
elétrosfera.
 O alumínio (Al) encontra-se na família 3, pois esse elemento possui três elétrons na
última camada de sua elétrosfera.

Nº de elétrons na Os elementos químicos situados nas famílias 1 e 2


Família possuem o número de elétrons na última camada igual ao
última camada
número da família a qual pertencem.
1 1
Para os das famílias 13 até 18, obtêm-se o número de
2 2
elétrons na última camada, subtraindo-se 10 do número
13 3 da família. Nas demais famílias essa regra não pode ser
aplicada.
14 4
15 5 O hélio, apesar de estar na família 18, apresenta apenas
dois elétrons na última camada, pois esse elemento possui
16 6 apenas dois elétrons.
17 7
18 8

Metais, não-metais e semimetais

Na tabela periódica da pagina anterior, os elementos destacados


em amarelo formam substâncias simples com algumas propriedades razoavelmente
semelhantes. Essas substancias, de modo geral, conduzem bem a corrente elétrica e o calor, são
facilmente transformadas em lâminas e em fios e são sólidas nas condições ambientes (isto é,
25ºC de temperatura e pressão equivalente ao valor médio da pressão atmosférica ao nível do
mar), exceção feita àquela substância formada pelo mercúrio (Hg), que é líquida. Esses
elementos são denominados metais.

Os elementos destacados em rosa e em azul formam substâncias simples que, ao contrário, não
conduzem bem o calor nem a corrente elétrica (exceto o carbono na forma da substância simples
o grafite), não são facilmente transformadas em lâminas ou em fios. Tais elementos são
denominados não-metais (alguns os chamam de ametais). Dos não-metais, onze foram
substâncias simples gasosas nas condições ambientes (hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, flúor,
cloro e gases nobres) uma forma substância líquida (bromo) e os demais formam substâncias
simples sólidas.

Os elementos dos quadrinhos amarelos são os semimetais, assim denominados porque


apresentam propriedades “intermediárias” entre a dos metais e a dos não-metais. Eles formam
substâncias simples sólidas nas condições ambientes. Dois semimetais de muita importância
prática são o silício e o germânio, empregados em componentes eletrônicos.

Gases nobres: modelo de estabilidade

Todas as substâncias químicas são formadas por átomos de elementos químicos. Os cientistas
observaram que a imensa maioria das substâncias conhecidas é formada por átomos combinados,
unidos. Ás vezes são átomos de um mesmo elemento, às vezes de elementos diferentes.

Dos milhões de substâncias conhecidas, sabe-se de apenas seis nas quais existem átomos não
combinados. Essas substâncias são o hélio, o neônio, o xenônio, o argônio, o criptônio e o radônio,
gases presentes em pequena quantidade na atmosfera terrestre. Esses gases são formados por
átomos não combinados dos elementos do grupo 18 da tabela periódica (He, NE, Ar, Kr, Xe,
RN), chamado grupo dos gases nobres.

Além disso, até hoje não foi descoberta sequer uma substância natural na qual átomos de gases
nobres estejam combinados entre si ou com átomos de outros elementos.

Essas observações forneceram pistas aos cientistas, no final do século XIX e no início do século
XX, para começarem a esclarecer como os átomos se combinam. Já que a eletrosfera é a parte
mais externa dos átomos e o núcleo é muito pequeno, parece razoável ser a eletrosfera que atua
na combinação dos átomos. E já que os gases nobres não tendem a se combinar, tudo indica que
possuir uma eletrosfera semelhante à de gás nobre permite a um átomo estabilizar-se.

Ligações Químicas

Ligação iônica
Uma substância muito usada pelo ser humano é o cloreto de sódio (principal componente do sal
de cozinha), substância composta pelos elementos sódio e cloro.

Consultando a tabela periódica, temos:

Elemento nº de prótons nº de elétrons Carga elétrica total


Sódio (Na) 11 11 0
Cloro (Cl) 17 17 0

Agora compare a eletrosfera desses elementos com a dos gases nobres:

Elemento nº de prótons nº de elétrons Carga elétrica total


Hélio (He) 2 2 0
Neônio (Ne) 10 10 0
Argônio (Ar) 18 18 0
Criptônio (Kr) 36 36 0
Xenônio (Xe) 54 54 0
Radônio (Rn) 86 86 0

Você notou que a eletrosfera do sódio está mais próxima, em número de elétrons, da eletrosfera
do neônio? E que a do cloro está mais próxima da do argônio?

Se o sódio perder um elétron, sua eletrosfera passará a ter o mesmo número de elétrons no
neônio. E se o cloro receber um elétron ficará com o mesmo número de elétrons do argônio.

Os cientistas concluíram que, no cloreto de sódio, os átomos de sódio têm 10 elétrons e os de


cloro têm 18. Como conseqüência esses átomos não são eletricamente neutros.

Elemento nº de prótons nº de elétrons Carga elétrica total


Sódio (Na) 11 10 +1
Cloro (Cl) 17 18 -1

Quando átomos perdem ou recebem elétrons eles deixam de ser


eletricamente nêutrons e passam a ser íons.

O íon de sódio representado pó Na+, o que indica a sua carga positiva. O íon de cloro é
representado por Cl-, o que indica a sua carga negativa.

Como os íons Na+ e Cl- possuem cargas de sinais


opostos, atraem-se mutuamente e mantêm-se unidos.
Essa união entre íons é chamada de ligação iônica, e
origina uma estrutura altamente organizada, o retículo
cristalino iônico, esquematizado no desenho ao lado.

Ligação covalente

A ligação iônica permite explicar como se unem átomos de um elemento que perde elétrons para
se assemelhar a um gás nobre e de outro elemento, que recebe elétrons para se assemelhar a um
gás nobre.
Mas como explicar a união entre átomos de um ou mais elementos químicos que precisam receber
elétrons?

Vamos examinar os casos das substâncias H2, O2, N2, Cl2 e H2O. Procurando esses elementos na
tabela periódica temos:

Elemento nº de prótons nº de elementos Carga elétrica total


Hidrogênio (H) 1 1 0
Nitrogênio (N) 7 7 0
Oxigênio (O) 8 8 0
Cloro (Cl) 17 17 0

Compare o número de elétrons desses átomos com o dos gases nobres mostrados na tabela da
pagina anterior.

Para se assemelhar ao hélio, o hidrogênio precisa de mais 1 elétron. Para se assemelhar ao


neônio, o nitrogênio necessita de 3 elétrons e o oxigênio, de 2. E o cloro precisa de 1 elétron para
ficar com o mesmo número de elétrons do gás nobre argônio.

Os químicos propuseram que, em substâncias como H2, O2, N2, Cl2 e H2O, os átomos se mantêm
unidos porque suas elétrosferas compartilham alguns elétrons – a quantidade suficiente para que
eles passem a ter eletrosfera semelhante à de gás nobre. Nas representações seguintes, as
bolinhas pretas representam os elétrons compartilhados pelos átomos ao formar essas
substâncias.

Nenhum dos átomos envolvidos transformou-se em íon, ou seja, nenhum deles perdeu ou recebeu
elétrons.

Devido ao compartilhamento, todos passaram a ter, em suas eletrosferas, a quantidade de


elétrons que os faz se assemelharem a gases nobres.

Quando átomos se unem por compartilhamento de elétrons, dizemos que entre eles se estabelece
uma ligação covalente. Os grupos de átomos unidos por ligação covalente são chamados
moléculas.

Ligação metálica

Tomamos contato diário com muitas substâncias formadas apenas por átomos de metais,
chamadas substâncias metálicas. Entre os exemplos mais conhecidos estão o ferro, o alumínio, o
chumbo, o cobre e a prata.

Como os átomos se unem para formar essas substâncias?

Vamos olhar para o modelo do átomo abaixo. Os elétrons, dotados de carga negativa, são atraídos
pelo núcleo, no qual, além dos nêutrons, estão os prótons, que apresentam carga positiva. A
atração que o núcleo, carregado positivamente, exerce sobre os elétrons é responsável pelo fato
de esses elétrons permanecerem no átomo, em vez de o abandonarem.

Uma idéia semelhante a essa pode ser usada para imaginar a ligação entre átomos de metais,
denominada ligação metálica.
Consideremos uma amostra da substância simples prata. Ela é formada por um aglomerado de
muitos átomos de elemento químico prata. Nesse aglomerado, cada átomo está rodeado por
outros átomos iguais a ele. O núcleo de cada átomo exerce atração sobre os elétrons de sua
eletrosfera e também sobre os elétrons dos átomos vizinhos, mantendo toda a estrutura unida.

Os elétrons, por sua vez, não estão totalmente presos a um átomo apenas, podendo “transitar”
por toda a estrutura. Alguns cientistas usam a expressão “mar de elétrons” para designar essa
situação.

As substâncias metálicas (ou, simplesmente, metais) são úteis ao ser humano devido às suas
propriedades, que, de modo bem genérico, são as listadas a seguir.

 Brilho característico. Quando polidos, os metais refletem muito bem a luz. Essa
propriedade é fácil de ver em bandejas e espelho de prata.
 Alta condutividade térmica e elétrica. São propriedades que se devem aos elétrons
livres. O movimento ordenado dos elétrons constitui a corrente elétrica e sua agitação
permite a rápida programação do calor através das substâncias metálicas.
 Altos pontos de fusão e ebulição. Em geral são características dos metais (embora,
haja exceções, como mercúrio, PF = -39ºC; gálio, PF = 30ºC, e potássio, PF = 63ºC).
Devido a essa propriedade e também à boa condutividade térmica, alguns metais são
usados em panelas e em radiadores de automóveis.
 Maleabilidade. Metais são muito maleáveis, ou seja, fáceis de serem transformados em
lâminas. O metal mais maleável é o ouro, que permite a obtenção das lâminas mais finas.
 Ductibilidade. Metais também são muito dúcteis, isto é, fáceis de serem transformados
em fios. O ouro é também o mais dúctil dos metais, permitindo que dele se obtenham fios
finíssimos.

A matéria e suas propriedades

A Química é a ciência que estuda a constituição da matéria, sua estrutura interna, as relações
entre os diversos tipos de materiais encontrados na natureza, além de determinar suas
propriedades, sejam elas físicas – como, por exemplo, cor, ponto de fusão, densidade, etc. – ou
químicas, que são as transformações de uma substância em outra.

Matéria, Corpo e Objeto

Chamamos matéria a tudo que tem massa, ocupa lugar no espaço e pode, portanto, de alguma
forma, ser medido. Por exemplo: madeira, alumínio, ferro, ar, etc.

Corpo é uma porção limitada da matéria e objeto é um corpo fabricado para um determinado
fim.
O bloco de parafina é um corpo A vela é um objeto

Resumindo, podemos dizer que o ferro é matéria, uma barra de ferro é um corpo e um portão de
ferro é um objeto.

Propriedades da Matéria

A matéria apresenta várias propriedades que são classificadas em gerais, funcionais e


específicas.

Propriedades Gerais da Matéria

São comuns a toda e qualquer espécie de matéria, independentemente da substância de que


ela é feita. As principais são: massa, extensão, impenetrabilidade, divisibilidade, compressibilidade
e elasticidade.

Massa

A massa é uma propriedade dos corpos relacionada à quantidade de matéria que o corpo possui.

Ela é uma grandeza que pode ser medida. A medida padrão utilizada para medir a massa é
o quilograma (kg), segundo o sistema internacional de Unidades (SI). O grama (g) é uma
unidade de massa derivada do quilograma, e é empregado na medida de pequenas quantidades
de massa.

A balança é o instrumento utilizado para medir a massa.


Balança
de pratos Balança eletrônica

Volume

O volume é uma grandeza que indica o espaço ocupado por uma determinada quantidade de
matéria.

No sistema internacional (SI), a unidade que mede o volume é o metro cúbico (m3).
Também é comum a utilização do litro ou do mililitro (mL) na medida de volume. O leite, o
refrigerante e muitos outros líquidos podem ser medidos usando-se o litro como unidade de
medida.

O decímetro cúbico e o litro

O decímetro cúbico (dm3) é o volume de um cubo cuja aresta meça 1 dm (um decímetro), ou seja,
10 cm. Essa unidade é equivalente ao litro (L)

1 dm3 = 1L

O centímetro cúbico e o mililitro

O centímetro cúbico (cm3) é o volume de um cubo cuja aresta meça 1 cm. Agora acompanhe o
raciocínio: Um decímetro cúbico corresponde a mil centímetros cúbicos (1 dm3) = (1000 cm3). O
mililitro (mL) é a milésima parte do litro e, assim, um litro corresponde a mil mililitros (1L = 1000
mL).

Como um décimo cúbico equivale a um litro, podemos, então afirmar que:

1 dm3 = 1L = 1.000 cm3 = 1000 ml

Assim, decorre que: 1cm3 = 1 ml

Extensão: Propriedade que a matéria tem de ocupar um lugar no espaço. O volume mede a
extensão de um corpo.
Para medir o volume do peixe pode-se colocar água num copo graduado e, em seguida, mergulhar
o peixe lá dentro, como se vê na figura. A diferença de volume visto pela graduação do copo é o
volume ocupado pelo peixe. Pode-se fazer isso com qualquer objeto que deseja-se conhecer o
volume.

Inércia

Propriedade que a matéria tem em permanecer na situação em que se encontra, seja em


movimento, seja em repouso. Quanto maior for a massa de um corpo, mais difícil alterar seu
movimento, e maior a inércia. A massa mede a inércia de um corpo.

Impenetrabilidade

Dois corpos não podem ocupar, simultaneamente o mesmo lugar no espaço.

O ar é uma matéria que ocupa espaço e que não deixa a água entrar molhando o papel.
Compressibilidade

Propriedade da matéria que consiste em ter volume reduzido quando submetida a determinada
pressão.

Ao puxar o êmbolo, o interior da seringa é preenchido pelo ar. Quando o êmbolo é empurrado, o ar
em seu interior é comprimido, pois sua saida da seringa foi obstruida pelo dedo.

Elasticidade

Propriedade que a matéria tem de retornar seu volume


inicial - após cessada a força que causa a compressão.

O êmbolo está sendo empurrado para a saída de ar


da seringa, mas essa saída é obstruida pelo dedo.
O êmbolo, ao ser liberado da força a que era
submetido, retorna à posição inicial na seringa, e
isso mostra a elasticidade do ar.

Divisibilidade

Propriedade que a matéria tem se reduzir-se em partículas extremamente pequenas.


Indestrutibilidade

A matéria não pode ser criada nem destruída, apenas transformada.

Propriedades Específicas da Matéria

Existem propriedades que são características de algumas matérias. Por exemplo, o ouro apresenta
propriedades que o ferro não possui. Ele e o ferro apresentam propriedades que a água não tem.
Já a água apresenta propriedades não encontradas no oxigênio, e assim por diante. Isso ocorre
porque as substâncias ouro, ferro, água, oxigênio etc. são diferentes entre si.

As propriedades específicas nos permite distinguir uma substância de outra. Dentre as


propriedades específicas, podemos citar:

 Propriedades físicas: ponto de fusão, ponto de ebulição, densidade.


 Propriedades organolépticas: São as propriedades percebidas pelos sentidos. São elas:
odor, sabor, cor, brilho, etc.
 Propriedades químicas: reações químicas.

Cor

Diferentes materiais apresentam diferentes cores.


Barra de ouro Moedas de prata

Dureza
É definida pela resistência que a superfície oferece quando riscada por outro material. A
substância mais dura que se conhece é o diamante, usado para cortar e riscar materiais como o
vidro.

O quadro é mais duro que o giz, pois ele risca o giz que é desgastado.

Brilho
É a propriedade que faz com que os corpos reflitam a luz de modo diferente.

Maleabilidade
Propriedade que permite à matéria ser moldada. Existem materiais maleáveis e não-maleáveis.

Ductilidade

Propriedade que permite transformar materiais em fios. Um exemplo é o cobre, usado em forma
de fios em instalações elétricas e o ferro na fabricação de arames.

Magnetismo

Algumas substâncias têm a propriedade de serem atraídas por ímãs, são as substâncias
magnéticas.

Densidade

É também chamada de massa específica de uma substância, é a razão (d) entre a massa
dessa substância e o volume por ela ocupado.

Com uma balança podemos determinar a massa de pedaços de cortiça de volume conhecido.
Assim, por exemplo, determina-se experimentalmente que (para a variedade de cortiça utilizada):

 1 cm3 de cortiça tem massa 0,32 g;


 2 cm3 de cortiça têm massa 0,64 g;
 100 cm3 de cortiça têm massa 32 g;
 1.000 cm3 de cortiça têm massa 320 g.

Analogamente, pode-se determinar a massa de pedaços de chumbo de volume conhecido. Chega-


se, por exemplo, a que:

 1 cm3 de chumbo tem massa 11,3 g;


 2 cm3de chumbo têm massa 22,6 g;
 100 cm3 de chumbo têm massa 1.130 g;
 1.000 cm3 de chumbo têm massa 11.300 g.

Percebeu alguma regularidade?

A massa e o volume da cortiça são diretamente proporcionais. Quando o volume aumenta, a


massa aumenta na mesma proporção. Matematicamente, podemos dizer que a razão (divisão)
entre a massa e o volume de um pedaço de cortiça fornece resultado constante. O mesmo se pode
afirmar para o chumbo.

O conceito da densidade

A razão entre a massa e o volume para a cortiça é:

O resultado obtido (0,32g/cm3) é a densidade da cortiça, grandeza que nos informa o quanto de
massa existe em um certo volume. Um volume de 1cm3 de cortiça tem massa 0,32 g, um volume
de 2 cm3 tem massa de 0,64g e assim por diante.

Para o chumbo, temos:

A densidade do chumbo (11,3 g/cm3) é, portanto, diferente da densidade da cortiça. Um


centímetro cúbico de chumbo tem maior massa que um centímetro cúbico de cortiça.

Vamos definir de modo mais geral.

Em palavras: A densidade de um objeto ou de uma amostra de certo material ou substância é o


resultado da divisão da sua massa pelo seu volume.

Em equação:

A unidade da densidade é composta por uma unidade de massa dividida por uma
unidade de volume. Assim, podemos expressá-la, por exemplo, em g/cm3, g/L, kg/L etc.

Comparando densidades
O que tem a densidade a ver com a a flutuação?

Para tentar responder a essa pergunta, vamos calcular a densidade da água. Antes disso,
precisamos determinar experimentalmente o volume e a massa de uma ou mais amostras desse
líquido.

Exemplos de resultados dessas determinações são:

 1 cm3 de água tem massa 1 g;


 2 cm3 de água têm massa 2 g;
 100 cm3 de água têm massa 100 g;
 1.000 cm3 de água têm massa 1.000 g.

Com esses dados chegamos a:

Assim, comparando os valores de densidades:

dágua = 1 g/cm3 , dcortiça = 0,32g/cm3 , dchumbo = 11,3 g/cm3

Concluímos que: dcortiça < dágua< dchumbo

Densidade e flutuação

O resultado a que chegamos (dcortiça < dágua < dchumbo) sugere que a cortiça flutua na água, pois
é menos densa que esta; e que o chumbo afunda. pois é mais denso que esse líquido. De fato,
muitas evidências experimentais permitiram aos cientistas concluírem que essa afirmação é
verdadeira.

A combinação entre as densidades permite prever se um corpo irá afundar ou flutuar em


certo líquido. Imagine por exemplo, que uma bolinha de gude (d = 2,7 g /cm3) e um pedaço de
isopor (d = 0,03 g/cm3) sejam colocados num frasco com azeite de oliva (d= 0,92g/cm3). O que
podemos prever?

O pedaço de isopor, menos denso que o azeite, irá flutuar nele. E a bolinha de gude, mais densa
que ele, irá afundar.

Alguns fatores que afetam a densidade

A densidade depende, em primeiro lugar, do material em questão e, em segundo lugar, da


temperatura deste material. Um aquecimento, por exemplo, provoca a dilatação do material
(aumento de volume), o que interfere no valor da densidade.

No caso dos gases, cujo volume é muito sensível à variação de pressão, a densidade, além de
depender da temperatura, depende também da pressão. Portanto, se houver mudanças de estado
físico de uma subtância, ocorrerão também mudanças na densidade desta substância. O fato de a
água líquida, por exemplo, possuir uma densidade de 1 g/cm3, e a água sólida (gelo), de 0,92
g/cm3, permite-nos entender por que o gelo flutua na água.
Estados Físicos da Matéria

Observando a natureza do nosso planeta, podemos perceber que a matéria se apresenta, à


temperatura ambiente, em três estados físicos. As rochas da crosta terrestre estão no estado
sólido. Nos mares, rios e lagos, a água se apresenta no estado líquido. E nossa atmosfera esta no
estado gasoso.

A matéria é formada pela reunião de partículas que se atraem mutuamente. É a intensidade


dessas forças de atração que determina em que estado de apresentará a matéria: sólido, líquido
ou gasoso.

Estado Sólido
As substâncias apresentam formas definidas e seu volume não varia de forma considerável
com variações de temperatura e pressão.

As partículas que constituem o sólido encontram-se ligadas uma às outras por uma força de tração
muito grande de modo que não podem movimentar-se livremente, vibrando apenas em posições
fixas.

Estado Líquido
As partículas que constituem o estado líquido não estão unidas fortemente, visto que deslizam
uma sobre as outras, adaptando-se à forma do recipiente que as contém, mas estas forças
de atração entre as partículas são suficientemente fortes para que não ocorra variação no volume
e as partículas dificilmente podem ser comprimidas.

Estado Gasoso
As substâncias apresentam densidade menor que a dos sólidos e líquidos, ocupam todo o
volume do recipiente que as contém, podem expandir-se indefinidamente e são comprimidas
com grande facilidade. Este comportamento pode ser explicado pelas forças de atração entre as
partículas muito fracas as quais possuem, portanto, alta mobilidade.

Mudanças de Estado

 Fusão: passagem do estado sólido para o


líquido.
 Solidificação: passagem do estado líquido
para o sólido.
 Vaporização: é a passagem do estado
líquido para o estado gasoso. A vaporização
pode ocorrer de três formas: evaporação,
calefação e ebulição.
 Condensação: é a passagem do estado
gasoso para o estado líquido. A condensação
de um gás para o estado líquido é
denominada de liquefação.
 Sublimação: é passagem do estado sólido
diretamente para o estado gasoso.

Ponto de Fusão: é a temperatura constante na qual um sólido se transforma num líquido. Os


pontos de fusão e solidificação ocorrem numa mesma temperatura.

Ponto de Ebulição: é a temperatura constante na qual um líquido passa para o estado gasoso.
Substâncias químicas

Como você vê, o conceito de substância química – ou simplesmente substância, como iremos
chamar de agora em diante – está intimamente relacionada ao estudo da química.

Os químicos consideram que uma substância é uma porção de matéria que tem
propriedades bem definidas e que lhe são características. Da mesma maneira como você
consegue reconhecer um amigo por um conjunto de suas características (a cor da pele, o timbre
de voz, a forma do nariz, o modo de andar, o jeito de falar, a cor e a textura dos cabelos, o porte
físico etc.), os químicos identificam as substâncias pelo conjunto de suas propriedades.

Entre essas propriedades estão o ponto de fusão, o ponto de


ebulição, a densidade, o fato de ser inflamável ou não,
a cor, o odor etc.

Duas substâncias diferentes podem, eventualmente, possuir uma


ou duas propriedades iguais, mas nunca todas elas. Caso
aconteça de todas as propriedades de duas substâncias serem
iguais, então elas são, na verdade, a mesma substância.

Uma amostra de água, qualquer que seja a sua origem (chuva,


rio, mar, lago, geleira, produzida em laboratório etc.), tem
sempre as mesmas propriedades.

Assim, qualquer líquido incolor com PF = 0ºC, PE = 100ºC e d


= 1,0 g/cm3 é classificado como água. E assim por diante.

Quando uma substância é produzida em laboratório ou extraída de alguma fonte natural, e


desconfiam-se que seja uma nova substância, os químicos primeiramente determinam as suas
propriedades.

Se elas coincidirem totalmente com as de alguma substância já conhecida, então não se tratará de
uma nova substância. Se, por outro lado, não houver substância conhecida com essas
propriedades, então realmente terá sido descoberta uma nova substância.

Substâncias simples e substâncias compostas

A molécula de água é formada por dois átomos de


hidrogênio e um de oxigênio. Já o gás nitrogênio, que
existe na atmosfera, é formado pela união de dois
átomos de nitrogênio. O mesmo vale para o gás oxigênio.
Dizemos então que o oxigênio é uma substância
simples, já que é formado pela união de átomos
quimicamente iguais. A água é uma substância
composta, pois é formada pela união de átomos
diferentes.

Compreenda melhor analisando a imagem a seguir:

Algumas substâncias compostas são formadas por íons


diferentes, como é o caso do cloreto de sódio, que tem
íons de sódio e de cloro.

Portanto, uma substância pura pode ser simples, quando


é formada por apenas um tipo de átomo, ou composta,
quando em sua fórmula há mais de um tipo de átomo ou
de íon.

Resumindo:

Substâncias Simples são aquelas formadas por um único tipo de elemento químico.
Exemplos: H2, O2, O3, Cl2, P4 .

Substâncias compostas são aquelas formadas por mais de um tipo de elemento químico.

Exemplos: NaCl, H2O, Ca2SO4, HCl, H3PO4.

Solução e solubilidade

As misturas homogêneas são também chamadas soluções. Os componentes (substâncias


presentes) de uma solução podem estar nos estados: sólido, líquido ou gasoso. Podemos dizer que
a solução é um tipo de matéria formada por um solvente e um soluto.

Soluto é a substância que se encontra dissolvida no


solvente. Solvente é a substância que dissolve o soluto.
Por exemplo, a salmoura é um tipo de matéria
composta por uma solução formada por sal e água. O
sal é o soluto, pois está dissolvido na água, e a água é
o solvente, já que dissolve o sal.

Existem também as misturas de gases, chamadas


misturas gasosas. Independentemente da proporção de
cada um de seus componentes, a mistura gasosa á
uma solução, ou seja, uma mistura homogênea. Isso
explica, por exemplo, por que não podemos ver o
vapor de água misturados aos demais gases da
atmosfera.

Outras misturas homogêneas ou soluções são o ar atmosférico, a gasolina etc.

De acordo com a quantidade de soluto em relação à de solvente, a solução pode ser:

 diluída – pequena quantidade de soluto


 concentrada – grande quantidade de soluto
 saturada – soluto em quantidade máxima que o solvente pode dissolver.

O coeficiente de solubilidade de uma substância indica a quantidade máxima de um soluto que


pode ser dissolvido em um determinado solvente. Esse valor varia com a temperatura.

Há várias maneiras de indicar a quantidade de soluto presente numa solução. Uma das mais
utilizadas é a concentração comum, calculada utilizando-se a equação:

em que: C é a concentração;

m é a massa do soluto expressa em gramas;

V é o volume da solução expresso em litro.

A concentração de sal na água do mar é, em média, de 30 g/L, isto é, em cada litro de água do
mar há 30 gramas de sal. Nas regiões salineiras a concentração é superior a essa média.
Separação dos componentes de uma mistura

Como os materiais encontrados na natureza, na sua maioria, são constituídos de misturas de


substâncias puras, para obtê-las, a partir das substâncias compostas é necessário separá-las por
um método adequado.

Existem muitos processos para separação de misturas, mas o método a ser empregado depende
das condições materiais para utilizá-lo e do tipo de mistura a ser separado.

Você já pensou em como separar algumas misturas que são encontradas no seu cotidiano?

Para isso é necessário, em primeiro lugar, observar se a mistura em questão é homogênea ou


heterogênea, para em seguida escolher o processo mais adequado para separá-la.

Os processos mais utilizados para separação de misturas

1) Catação, Ventilação, Levigação, Peneiração, Separação Magnética e Flotação, usados


na separação de misturas heterogêneas constituídas de dois componentes sólidos.

Catação: É um processo simples de separar sólidos numa mistura heterogênea. Os grãos ou


fragmentos de um dos componentes são catados com as mãos ou com uma pinça.

Ventilação: A ventilação é usada para separa sólidos menos densos, passando-se pela mistura
uma corrente de ar que arrasta o mais leve.

Levigação: passa-se pela mistura uma corrente de água e esta arrasta o mais leve.

Separação magnética: passa-se pela mistura um imã, se um dos componentes possuírem


propriedades magnéticas, será atraído pelo imã.
Peneiração: usada quando os grãos que formam os componentes tem tamanhos diferentes.

Sifonação: É um processo usado para separar as fases da mistura heterogênea sólido/líquido e


líquido/líquido.
Flotação: é um processo de separação onde estão envolvidos os três estados da matéria - sólido,
líquido e gasoso. As partículas sólidas desejadas acumulam-se nas bolhas gasosas introduzidas no
líquido. As bolhas têm densidade menor que a da fase líquida e migram para superfície arrastando
as partículas seletivamente aderidas. O produto não desejável é retirado pela parte inferior do
recipiente.

Decantação: usado para separar os componentes de misturas heterogêneas, constituídas de um


componente sólido e outro líquido ou de dois componentes líquidos, estes líquidos devem ser
imiscíveis. Esse método consiste em deixar a mistura em repouso e o componente mais denso,
sob a ação da força da gravidade, formará a fase inferior e o menos denso ocupará a fase
superior.

Quando a mistura a ser separada é constituída de dois líquidos imiscíveis, pode se utilizar um funil
de vidro, conhecido como Funil de Decantação ou Funil de Bromo. A decantação é usada nas
estações de tratamento de água, para precipitar os componentes sólidos que estão misturados
com a água.
Centrifugação: é usado para acelerar a decantação da fase mais densa de uma mistura
heterogênea constituída de um componente sólido e outro líquido. Esse método consiste em
submeter a mistura a um movimento de rotação intenso de tal forma que o componente mais
denso se deposite no fundo do recipiente.

A manteiga é separada do leite por centrifugação. Como o leite é mais denso que a manteiga,
formará a fase inferior.

Nos laboratórios de análise clínica o sangue, que é uma mistura heterogênea, é submetido a
centrifugação para separação dos seus componentes.

A centrifugação é utilizada na máquina de lavar roupa, na separação da água e do tecido que


constitui a roupa.

Filtração: é usada para separação de misturas heterogêneas, constituídas de um componente sólido e


outro líquido ou de um componente sólido e outro gasoso. A mistura deve passar através de um filtro, que
é constituído de um material poroso, e as partículas de maior diâmetro ficam retidas no filtro. Para um
material poder ser utilizado como filtro seus poros devem ter um diâmetro muitíssimo pequeno.
A filtração é o processo de separação utilizado no aspirador de pó. O ar e a poeira são aspirados, passam
pelo filtro, que é chamado saco de poeira, as partículas sólidas da poeira ficam retidas no filtro e o ar sai.

Evaporação: é usado para separação de misturas homogêneas constituída de um componente sólido e o


outro líquido. A evaporação é usada para separar misturas, quando apenas a fase sólida é de interesse.

O sal de cozinha é extraído da água do mar por evaporação. A água do mar é represada em grandes
tanques, de pequena profundidade, construídos na areia, chamados de salinas. Sob a ação do sol e dos
ventos a água do mar represada nas salinas sofre evaporação e o sal de cozinha e outros componentes
sólidos vão se depositando no fundo dos tanques.

O sal de cozinha é extraído da água do mar por


evaporação. A água do mar é represada em grandes
tanques, de pequena profundidade, construídos na
areia, chamados de salinas. Sob a ação do sol e dos
ventos a água do mar represada nas salinas sofre
evaporação e o sal de cozinha e outros
componentes sólidos vão se depositando no fundo
dos tanques.

O sal grosso obtido nas salinas, além do uso


doméstico, também é utilizado em países de
inverno muito rigoroso, para derreter a neve, visto
que o gelo cobre as ruas, estradas, pastagens. Isso
ocorre porque ao dissolvermos uma substância em
um líquido esta diminui o ponto de congelação do
líquido.

Destilação simples: é usada para separar misturas homogêneas quando um dos componentes é sólido e o
outro líquido. A destilação simples é utilizada quando há interesse nas duas fases. Este processo consiste
em aquecer a mistura em uma aparelhagem apropriada, como a esquematizada abaixo, até que o líquido
entre em ebulição. Como o vapor do líquido é menos denso, sairá pela parte superior do balão de
destilação chegando ao condensador, que é refrigerado com água, entra em contato com as paredes frias,
se condensa, voltando novamente ao estado líquido. Em seguida, é recolhido em um recipiente adequado,
e o sólido permanece no balão de destilação.
Destilação Fracionada: é usada na separação de misturas homogêneas quando os componentes
da mistura são líquidos. A destilação fracionada é baseada nos diferentes pontos de ebulição dos
componentes da mistura. A técnica e a aparelhagem utilizada na destilação fracionada é a mesma
utilizada na destilação simples, apenas deve ser colocado um termômetro no balão de destilação,
para que se possa saber o término da destilação do líquido de menor ponto de ebulição. O término
da destilação do líquido de menor ponto de ebulição, ocorrerá quando a temperatura voltar a se
elevar rapidamente.

A destilação fracionada é utilizada na separação dos componentes do petróleo. O petróleo é uma


substância oleosa, menos densa que a água, formado por uma mistura de substâncias. O petróleo
bruto é extraído do subsolo da crosta terrestre e pode estar misturado com água salgada, areia e
argila. Por decantação separa-se a água salgada, por filtração a areia e a argila. Após este
tratamento, o petróleo, é submetido a um fracionamento para separação de seus componentes,
por destilação fracionada. As principais frações obtidas na destilação do petróleo são: fração
gasosa, na qual se encontra o gás de cozinha; fração da gasolina e da benzina; fração do óleo
diesel e óleos lubrificantes, e resíduos como a vaselina, asfalto e pixe.
A destilação fracionada também é utilizada na separação dos componentes de uma mistura
gasosa. Primeiro, a mistura gasosa deve ser liqüefeita através da diminuição da temperatura e
aumento da pressão. Após a liquefação, submete-se a mistura a uma destilação fracionada: o gás
de menor ponto de ebulição volta para o estado gasoso. Esse processo é utilizado para separação
do oxigênio do ar atmosférico, que é constituído de aproximadamente 79% de nitrogênio e 20%
de oxigênio e 1% de outros gases. No caso desta mistura o gás de menor ponto de ebulição é o
nitrogênio.

Quadro resumo dos métodos de separação de misturas

Misturas Homogêneas
MÉTODO PROCESSO

Por aquecimento, só o líquido entra em


Destilação Simples (Sólido + Líquido) ebulição, vaporiza-se e a seguir condensa-
se, separando-se do sólido

Por aquecimento, os líquidos vaporizam-se e


Destilação Fracionada (Líquido + Líquido) a seguir condensam-se, à medida que vão
sendo atingidos seus pontos de ebulição

Por resfriamento da mistura, os gases se


liqüefazem separadamente, à medida que
Líquefação Fracionada (Gás + Gás)
vão sendo atingidos os seus pontos de
ebulição.

Por aquecimento abaixo do ponto de


Aquecimento Simples (Gás + Líquido) ebulição do líquido, ó gás dissolvido é
expulso.
Misturas Heterogêneas
MÉTODO PROCESSO

Os fragmentos são catados com a mão ou


Catação (Sólido + Sólido)
pinça

Separação do componente mais leva por


Ventilação (Sólido + Sólido)
corrente de ar.

Separação do componente mais leva por


Levigação (Sólido + Sólido)
corrente de água.

Separação por meio de um líquido que


Dissolução Fracionada (Sólido + Sólido)
dissolve apenas um componente.

Separação Magnética (Sólido + Sólido) Apenas um componente é atraído pelo ímã.

Separação por aquecimento da mistura até a


Fusão Fracionada (Sólido + Sólido) fusão do componente de menor ponto de
fusão.

Adiciona-se um líquido que dissolva todos os


sólidos. Por evaporação da solução obtida, os
Cristalização Fracionada (Sólido + Líquido)
componentes cristalizam-se
separaddamente.

Os componentes estão reduzidos a grãos de


Peneiração ou Tamisação (Sólido + Sólido)
diferentes tamanhos.

Separação de duas ou mais camadas devido


Sedimentação
a diferentes densidades.

Após a sedimentação a fase líquida é


Decantação (Sólido + Líquido)
escoada.

Separa a fase líquida ou gasosa da sólida por


Filtração (Sólido + Líquido)
meio de uma superfície porosa.

Centrifugação (Sólido + Líquido) Decantação acelerada por uma centrífuga.

Ligas metálicas
Para produção de objetos, ornamentos, utensílios domésticos muitas vezes é necessário separar
os componentes de um mistura para obtenção das substâncias puras, mas outras vezes é
necessário fazermos misturas de substâncias para obtermos alguns materiais. Quando nessas
misturas um dos componentes é um metal forma-se um liga metálica.

As ligas metálicas apresentam características diferentes dos metais puros e por isso podem ser
utilizadas com maior vantagem em relação ao metal puro. As ligas de cobre e cromo são usadas
em resistências elétricas como a de chuveiro porque ocorre a diminuição da condutividade elétrica,
em outras ligas ocorre o aumento da resistência mecânica, a resistência a corrosão, a
ductibilidade etc.

Liga metálica Componentes Característica Uso

Latão Cobre e Zinco resistente à corrosão navios, tubos

Bronze Cobre e Estanho resistente à corrosão moedas, sinos

Aço Ferro e carbono resistente à corrosão navios, utensílios


domésticos

Aço inoxidável Aço e Cromo resistente à corrosão talheres, utensílios


domésticos

Aço -Níquel Aço e Níquel resistência mecânica canhões, material de


blindagem
Aço-Tungstênio Aço e Tungstênio alta dureza brocas, pontas de
caneta

Alnico Aço, alumínio, níquel e propriedades magnéticas fabricação de imãs


cobalto

Amálgama Mercúrio, prata e restauração de dentes


estanho

Ouro 18 quilates Ouro e cobre alta ductibilidade e jóias


maleabilidade

Prata de lei Prata e cobre aumento da dureza utensílios domésticos,


ornamentos

Electron Liga de Mg, alumínio, resistência mecânica e peças muito leves


magnésio manganês, zinco térmica

Funções químicas

O limão é um fruta que possui sabor muito azedo. Ele, assim como outras frutas cítricas, é ácido,
pois contém ácido ascórbico e ácido cítrico.

Muitos ácidos são usados em indústrias. Já houve época em que a produção e a utilização de
determinados ácidos eram consideradas indicativas de desenvolvimento industrial de um país.

Na natureza existe uma grande quantidade de substâncias com diferentes sabores, cores,
consistências e propriedades.

É possível organizar todas essas substâncias reunindo-


as em grupos com propriedades semelhantes. Poderá
haver, por exemplo, um grupo formado por substâncias
que têm em comum o sabor azedo, como algumas
substâncias encontradas no vinagre, no suco de limão
e na laranja.

Outro grupo poderia reunir substâncias que ajudam na


remoção da sujeira ou da gordura de superfícies e
tecidos. Essas substâncias são encontradas em
produtos de limpeza, na forma de líquidos e pastas.
Podemos até mesmo reunir, as substâncias que
apresentam sabor salgado, como o sal de cozinha e o
bicarbonato de sódio, utilizado como antiácido.

Normalmente, substâncias que apresentam propriedades semelhantes possuem em comum um


átomo, ou grupo de átomos, que confere a essas substâncias determinadas características
peculiares.

Cada átomo ou grupo de átomos responsável por manter propriedades semelhantes nos
compostos vai caracterizá-los como uma determinada função química.

O significado da função química

Função química é a característica particular de um determinado grupo de substâncias que


apresentam entre si propriedades semelhantes devido a presença de um ou mais átomos comuns
em sua fórmula.

Para entender o comportamento das substâncias e como essas substâncias transformam-se em


outras, precisamos conhecer as funções químicas.

O estudo das funções químicas, de suas características e de suas propriedades torna possível a
utilização de muitos materiais em nosso dia-a-dia e a fabricação de outros. Vamos ver em mais
detalhes as seguintes funções químicas:

 ácidos;
 bases;
 sais;
 óxidos.

Função ácido

Uma das características da função ácido é a presença, nas substâncias classificadas nessa função,
do elemento químico hidrogênio ligado a ametais. Um exemplo de ácido é o ácido clorídrico
(HCl), que está presente em nosso estômago, auxiliando na digestão.

Existem ácidos que possuem mais de dois elementos químicos em sua composição e destacam-se
pela presença do elemento oxigênio. São exemplos o ácido nítrico (HNO3) e o ácido sulfúrico
(H2SO4).

Os elementos químicos que participam da composição dos ácidos tendem a ganhar elétrons, por
isso eles são compostos formados por ligações covalentes, ou seja, não são substâncias iônicas,
mas, sim, moleculares.

No entanto, nem todas as substâncias que possuem hidrogênio em sua composição podem ser
classificadas como ácidas. Somente as substâncias que sofrem ionização liberando o cátion H+ são
consideradas ácidos. A ionização consiste na formação de íons por quebra de uma ligação
covalente.

Observe a seguir esse comportamento nos ácidos.


Ionização dos ácidos

A ionização é uma característica comum a todos os ácidos. Quando estes são dissolvidos em água,
quebra-se a ligação do elemento ligado ao hidrogênio, liberando-o na forma de cátion H+.

Veja, nas equações representadas abaixo, como isso ocorre.

Equação química é a representação, de uma reação química por meio dos símbolos das espécies
participantes (átomos, moléculas, íons etc.).

Ao ser dissolvido na água, o ácido clorídrico se ioniza, produzindo íons livres H+ e Cl-. Quando
ocorre a quebra de ligação H – Cl, o elétron do hidrogênio fica com o cloro. Por esse motivo, o
hidrogênio assume a carga +1, e o cloro assume a carga -1.

Na ionização de ácidos com mais de um átomo de hidrogênio, para cada ligação quebrada, o ânion
originado assume uma carga negativa a mais. Observe o exemplo:

Ao ser dissolvido em água, o ácido sulfúrico ioniza-se, produzindo íons livres H+ e (SO4)2-. O
ânion originado assume a carga -2, pois são liberados dois íons H+ na ionização do ácido.

Os ácidos são compostos moleculares que se ionizam em presença de água, liberando cátion
H+ na solução.

Classificação dos ácidos quanto a presença ou não de oxigênio em sua molécula

Dependendo de sua composição, podemos classificar os ácidos em:


Oxiácidos

Existem ácidos que possuem o elemento oxigênio em sua


composição, como por exemplo, o ácido nítrico (HNO3) e o
ácido sulfúrico (H2SO4), substâncias muito utilizadas na
indústria química. Esses ácidos são chamados de oxiácidos.

Hidrácidos

São ácidos que não possuem o elemento oxigênio em sua


composição. Podemos citar o ácido clorídrico (HCl), presente
em nosso estômago, e o gás sulfídrico (H2S), um gás tóxico
produzido em determinadas reações químicas.

Os ácidos em nosso dia-a-dia

Em nosso cotidiano, estamos em contato com várias substâncias ácidas: o ácido cítrico,
componente de várias frutas de sabor azedo, como o limão; o ácido acético, presente no vinagre,
o ácido carbônico, presente nos refrigerantes e nas águas minerais gasosas, o ácido fosfórico,
presente em refrigerantes à base de cola e em alguns medicamentos que possuem ácido
acetilsalicílico (AAS) em sua formulação.

Função base (ou hidróxido)

A função base é caracterizada por substâncias que apresentam o grupo hidroxila (OH)-
1
ligado a metais. Devido a presença desse grupo, essas substâncias são também chamadas de
hidróxidos. Um exemplo dessa função é a cal hidratada, utilizada em pinturas de paredes, cuja
fórmula é Ca(OH)2.

As bases são formadas pela ligação iônica do ânion hidroxila (OH) - com um metal; são, portanto,
compostos iônicos.

Existe, no entanto, um exceção, que é o hidróxido de amônio (NH4OH), uma base que não possui
um metal em sua fórmula, apesar de ser um composto iônico.

Nas bases, o ânion hidroxila apresenta um átomo de hidrogênio ligado a um átomo de oxigênio
por compartilhamento de elétrons (ligação covalente); esse ânion hidroxila tem carga -1, portanto
forma uma ligação iônica com um cátion.
Por isso, quando isolado esse ânion apresenta carga -1. Observe:

Dissociação das bases


Da mesma forma que, em presença de água, os ácidos produzem por ionização o cátion H+, para
que uma substância pertença à função base é necessário que, ao ser adicionada à água, produza
como ânion exclusivamente a hidroxila (-OH).

Veja as equações a seguir:

Ao ser dissolvido em água, o hidróxido de sódio (NaOH) se dissocia, originando íons


livres Na+ e OH-.

Diferença de ionização e dissociação


Ionização é a formação de íons por quebra de uma ligação covalente. Ou seja, a substância de
origem não é formada por íons e, após a quebra da ligação covalente, eles são produzidos.
Dissociação é o termo aplicado a compostos iônicos, isto é, consiste na separação dos íons que
já existem nessas substâncias por algum processo.

A dissociação pode ocorrer também entre bases com mais de uma hidroxila.

Nesse exemplo, além do cátion Ca2+, são liberadas duas hidroxilas na dissociação do hidróxido de
cálcio.

As bases são compostos iônicos que se dissociam em presença de água, liberando ânion (OH)-
em solução.

As bases no nosso dia-a-dia

Algumas bases são encontradas nas substâncias usadas em nosso cotidiano:

 hidróxido de magnésio (Mg(OH)2), presente no leite de magnésia utilizado para


combater a acidez estomacal;
 cal hidratada (Ca(OH)2), usada como argamassa na construção civil;
 hidróxido de sódio (NaOH), utilizado para a limpeza de materiais, no desentupimento de
canos e largamente empregado na indústria;
 hidróxido de amônio (NH4OH), componente de vários produtos de limpeza vendidos no
comércio.

Os indicadores ácido-base e o pH

Algumas substâncias apresentam


comportamento distintos na presença de
ácidos ou de bases. Entre elas, há um grupo
de substâncias que assume diferentes
colorações em função de o meio em que se
encontram ser ácido ou básico. As
substâncias pertencentes a esse grupo são
chamadas indicadores ácido-base.

Há uma escala numérica denominada pH,


com valores entre 0 e 14, que indica se o
meio á ácido, básico ou neutro.

Os valores de pH são calculados


matematicamente considerando as
concentrações de H- e (OH) presentes em
uma solução. O pH significa potencial
hidrogeniônico. Quanto menor o valor do
pH maior a acidez. Em contrapartida,
quando maior o valor do pH, maior a
basicidade. É comum, em substituição ao
termo basicidade, ser utilizado o
termo alcalinidade.

A escala de pH serve para medir o nível de ácido-base. Se o nível for entre 0 e 6 é


ácido. Se for 7 é neutro. E se for entre 8 e 14, a solução é básica, ou alcalina

Os indicadores são substâncias que mudam de cor em função do


valor do pH, podendo, assim, servir como parâmetro para indicar
em que a faixa de pH uma determinada amostra se encontra. Por
exemplo, a fenoftaleína é um indicador que, em meio ácido ou
neutro, apresenta-se incolor; quando em meio básico, torna-se
avermelhada.

Os indicadores não informam o valor exato do pH de uma


solução, apenas fornecem dados para avaliar se o meio encontra-
se ácido, básico ou neutro. Para saber o valor exato do pH,
utiliza-se um equipamento especial, o pHmetro (peagâmetro).

É possível misturar ácidos com bases até conseguir um pH


neutro. Esse processo chama-se neutralização e consistem em um
tipo de reação química.

Função sal
A função sal é caracterizada por compostos iônicos que apresentam, ao menos, um
cátion diferente de H+ e, no mínimo, um ânion diferente de (OH)-. Exemplos: o sal de
cozinha (NaCl), o mármore (CaCO3), o gesso (CaSO4), entre outras substâncias.

Uma característica importante dos sais é que eles podem ser obtidos da reunião entre ácidos e
bases.

Os sais compostos encontrados na natureza no estado sólido geralmente sob a forma de minerais,
ou dissolvidos, como no caso do cloreto de sódio ou sal de cozinha (NaCl) presente na água do
mar.

Muitos sais apresentam sabor salgado, alguns apresentam alta solubilidade em água, e outros
apresentam valores de solubilidade tão pequenos que não considerados insolúveis, como é o caso
do carbonato de cálcio (CaCO3), um constituinte do mármore.

Quando um sal se dissolve em água, ele sofre uma dissociação semelhante à que ocorre com as
bases, visto que também é um composto iônico e, nessas dissociação, são liberados íons.

O NaCl, ao ser dissolvido em água, sofre dissociação, originando os íons livres Na+ e Cl-.
Normalmente, sais que contêm um metal em sua composição, apresentam-no ligado ao restante
da estrutura por ligação iônica. Nessa ligação ocorre a quebra e a conseqüente separação dos
íons.

O Na2SO4, ao ser dissolvido em água, dá origem a dois íons Na+ e a um íon (SO4)2-.

Sais são compostos iônicos que possuem pelo menos um cátion diferente de H+ e, no mínimo, um
ânion diferente de (OH)-.

Os sais são importantes no funcionamento do nosso organismo. Atuam, por exemplo, regulando a
quantidade de água nas células e como constituintes de ossos e dentes.

Função óxido

Os óxidos são compostos formados por apenas dois elementos químicos (compostos
binários), em que obrigatoriamente um deles precisa ser o oxigênio.

Os dois exemplos mais característicos de óxidos são a água (H2O), presente em quase tudo em
nosso planeta, e o gás carbônico (CO2), utilizado, por exemplo, pelos seres produtores das cadeias
alimentares, no processo da fotossíntese.
Compostos binários formados por oxigênio e flúor não são considerados óxidos, pois suas
propriedades se diferenciam dos óxidos em geral.

Os óxidos podem ser formados pela combinação do oxigênio com quase todos os elementos da
tabela periódica, metais e ametais. São encontrados sob a forma de inúmeros minerais,
destacando-se o minério de ferro (Fe2O3), chamado hematita, e o minério de alumínio (Al2O3),
chamado bauxita. Esses minérios são utilizados na obtenção de ferro e de alumínio metálicos.

Óxidos são compostos binários formados por oxigênio e por outro elemento químico diferente do
flúor.

Principais Óxidos e suas utilizações:

Peróxidos: na indústria são usados como clarificadores (alvejantes) de tecidos, poupa de


celulose, etc. Para essas utilizações sua concentração é superior a 30% de peróxido de
hidrogênio. A solução aquosa com concentração de 3% de peróxido de hidrogênio,
popularmente conhecida como água oxigenada, é usada como anti-séptico e algumas pessoas
a utilizam para a descoloração de pêlos e cabelos.

Dióxido de silício: é o óxido mais abundante da crosta terrestre, ele é um dos componentes
dos cristais, das rochas e da areia.

Óxido de Cálcio (CaO): Obtido a partir da decomposição do calcário, é usado na agricultura


para diminuir a acidez do solo e também na preparação de argamassa na construção civil.

Óxido Nitroso (N2O): Conhecido como gás hilariante, esse óxido inalado em pequena
quantidade provoca euforia, mas pode causar sérios problemas de saúde; é utilizado como
anestésico.

Dióxido de Enxofre (SO2): É usado para a obtenção de ácido sulfúrico e no branqueamento


de óleos alimentícios, entre outras aplicações. É um dos principais poluentes atmosféricos; em
dias úmidos, combina-se com o vapor de água da atmosfera e origina a chamada chuva ácida.

Monóxido de Carbono (CO): Usado para obter certos produtos químicos e na metalurgia do
aço. É normalmente o principal poluente da atmosfera das zonas urbanas; inalado combina
com a hemoglobina das hemácias do sangue, neutralizando-as para o transporte de gás
oxigênio no organismo.

Reação química

Combustão, um exemplo de reação química


Depois que o ser humano pré-histórico aprendeu a
dominar o fogo, percebeu-se que este modificava alguns
materiais a sua volta. Foi possível, por exemplo, perceber
que alguns materiais queimam e outros não. Descobriu-
se também que certos alimentos, se assados, adquiriam
gosto mais agradável.

Objetos de argila molhada, quando secavam ao fogo,


tornavam-se rígidos e impermeáveis, ao contrário do que
ocorria quando secavam simplesmente ao Sol; portanto
eram mais úteis. Estava descoberta a técnica para
produzir objetos cerâmicos, ainda hoje empregada na
produção de tijolos, telhas, vasos, potes etc.

Ao aquecer determinados minerais, povos antigos descobriram que era possível obter o metal de
cobre a partir do minério de cobre e, séculos depois, ferro a partir do minério de ferro.

Sistema

Para perceber que uma transformação ocorreu, os


cientistas escolhem um certo sistema e observam-no no
transcorrer do tempo. Sistema é uma porção de
matéria que foi escolhida para ser estudada,
observada. Um sistema pode ser constituído por uma
substância pura ou por uma mistura de substâncias. Pode
ser pequeno como uma gotícula de líquido examinada a o
microscópio ou grande como a atmosfera do planeta.

Para verificar a ocorrência de transformação num sistema,


é necessário descrevê-lo em instantes diferentes. Quando
consideramos apenas duas observações de um sistema
feitas em instantes diferentes, dizemos que a primeira se
refere ao estado inicial do sistema e a segunda, ao estado
final do sistema.

O conceito de reação (transformação) química

De uma ou mais substâncias, presentes no estado inicial de um sistema, transformam-se em uma


ou mais substâncias diferentes, que estarão presentes no estado final, a transformação é
uma reação química, ou transformação química.

Em outras palavras, reação química é um processo em que novas substancias são


formadas a partir de outras.

Você deve estar se perguntando: como os químicos têm certeza de que novas substâncias foram
formadas?

Uma substância química é caracterizada pelas suas propriedades, tais como densidade, ponto de
fusão, ponto de ebulição, cor, odor etc. Então, para saber se houve uma reação química,
precisamos comparar as propriedades das substâncias presentes no sistema, nos
estados inicial e final.

Imagine que o sistema escolhido para estudo seja um cano de ferro e que ele seja observado
antes e depois de ser serrado ao meio. A substância inicialmente presente, o ferro, possui
exatamente as mesmas propriedades da substância presente no final, que também é o ferro.
Serrar um cano de ferro não é, portanto, uma transformação química, já que nenhuma nova
substância foi formada.

Quando um objeto cai, uma folha de papel é rasgada, uma porção de areia é misturada à água,
um giz é esmagado até virar pó e um prego é fincado na madeira, estamos diante de exemplos de
transformações que não são reações químicas.
Exemplo de reação química: combustão do etanol

Estudando a queima do etanol (álcool comum), os químicos puderam identificar as substâncias


presentes nos estados inicial e final do sistema.

Para haver a combustão do etanol, é necessária a presença de gás oxigênio (por exemplo, do ar).
Ambas as substâncias transformam-se, durante a combustão, em duas novas substâncias: água e
gás carbônico (também chamado dióxido de carbono: é o gás que forma as bolhas nos
refrigerantes).

Em equação:

Nessa representação da combustão do etanol, os sinais de mais (+) podem ser lidos como “e”. A
seta ( ) pode ser lida como “reagem para formar”.

Em palavras: O etanol e o gás oxigênio reagem para formar gás carbônico e água.

Os químicos identificam essas substâncias por meio de duas propriedades. São elas que
confirmam que, de fato, as substâncias existem no estado final são diferentes das prtesentes no
estado inicial.

Veja algumas dessas propriedades:

etanol + gás oxigênio gás carbônico + água


78ºC -183ºC -78ºC 100ºC Ponto de ebulição
Estado físico a
líquido gasoso gasoso líquido 20ºC

0,79 g/cm3 0,0013 g/cm3 0,0018 g/cm3 1,0 g/cm3 Densidade a 20ºC
incolor incolor incolor incolor Cor

Alguns exemplos cotidianos de reação química

Existem muitos exemplos de reações químicas no cotidiano. Entre eles estão a formação da
ferrugem num pedaço de palha de aço, o apodrecimento dos alimentos, a produção de húmus no
solo, a queima de gás num fogão e de gasolina, álcool ou óleo diesel no motor de um veículo.

A ocorrência de uma reação química nem sempre é fácil de perceber. Algumas só podem ser
percebidas em laboratórios suficientemente equipados para separar componentes das misturas
obtidas e determinar as suas propriedades. Há, contudo, algumas evidências que, estão, de modo
geral, associadas à ocorrência de reações químicas e que são, portanto, pistas que podem indicar
sua ocorrência. Entre essas evidências estão:

 liberação de calor – por exemplo, nas combustões;


 mudança de cor – por exemplo, quando um alvejante é derrubado, por descuido, num
roupa colorida;
 mudança de odor – por exemplo, quando frutas, carnes e outros alimentos se estragam;
 liberação de gás – por exemplo, ao jogar um comprimido efervescente em água.

Reagente e produtos
As substâncias inicialmente presentes num sistema e que se transformam em outras devido à
ocorrência de uma reação química são denominadas reagentes. E as novas substâncias
produzidas são chamadas de produtos.

Assim, por exemplo:

Em equação:

Em palavras: Os reagentes etanol e gás oxigênio reagem para formar os produtos gás carbônico e
água.

Em equação:

Em palavras: Os reagentes enxofre e ferro reagem para formar o produto sulfeto ferroso.

Lei da conservação da Massa, de Lavoisier

Esta lei foi elaborada, em 1774, pelo químico francês Antoine Laurent Lavoisier. Os estudos
experimentais realizados por Lavoisier levaram-no a concluir que numa reação química, que se
processa num sistema fechado, a soma das massas dos reagentes é igual à soma das massas dos
produtos:

m (reagentes) = m (produtos)

Assim, por exemplo, quando 2 gramas de hidrogênio reagem com 16 gramas de oxigênio verifica-
se a formação de 18 gramas de água; quando 12 gramas de carbono reagem com 32 gramas de
oxigênio ocorre a formação de 44 gramas de gás carbônico.

Essa lei, inclusive, incorporou-se aos "saberes populares", sendo frequentemente enunciada como:

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

Lei das proporções constantes (lei de Proust)

Esta lei foi elaborada, em 1797, pelo químico Joseph Louis Proust. Ele verificou que as massas dos
reagentes e as massas dos produtos que participam de uma reação química obedecem sempre a
uma proporção constante. Esta proporção é característica de cada reação e independente da
quantidade das substâncias que são colocadas para reagir. Assim, para a reação entre hidrogênio
e oxigênio formando água, os seguintes valores experimentais podem ser obtidos:

Experimento hidrogênio (g) oxigênio (g) água (g)

I 10 80 90

II 2 16 18

III 1 8 9

IV 0,4 3,2 3,6

Observe que:
 para cada reação, a massa do produto é igual à massa dos reagentes, o que concorda
com a lei de Lavoisier;
 as massas dos reagentes e do produto que participam das reações são diferentes, mas as
relações massa de oxigênio/massa de hidrogênio, massa de água/massa de hidrogênio e
massa de água/massa de oxigênio são sempre constantes.

m oxigênio/m m água/m
Experimento m água/oxigênio
hidrogênio hidrogênio

I 8/10 = 8 90/10 = 9 90/80 = 1,125

II 16/2 = 8 18/2 = 8 18/16 = 1,125

III 8/1 = 8 9/1 = 9 9/8 = 1,125

IV 3,2/0,4 = 8 3,6/0,4 = 9 3,6/3,2 = 1,125

No caso das reações de síntese, isto é, aquelas que originam uma substância, a partir de seus
elementos constituintes, o enunciado da lei de Proust pode ser o seguinte:

Resumindo:

A proporção, em massa, dos elementos que participam da composição de uma substância é


sempre constante e independe do processo químico pelo qual a substância é obtida.

Equações químicas

Os químicos utilizam expressões, chamadas equações químicas, para representar as reações


químicas.

Para se escrever uma equação química é necessário:

 saber quais substâncias são consumidas (reagentes) e quais são formadas


(produtos);
 conhecer as fórmulas dos reagentes e dos produtos;
 escrever a equação sempre da seguinte forma: reagentes => produtos
 quando mais de um reagente, ou mais de um produto, participarem da reação, as
fórmulas das substâncias serão separadas pelo sinal "+ ";
 se for preciso, colocar números, chamados coeficientes estequiométricos, antes das
fórmulas das substâncias de forma que a equação indique a conservação dos
átomos. Esse procedimento é chamado balanceamento ou acerto de coeficientes de
uma equação.

Utilizando as regras acima para representar a formação da água temos:

 reagentes: hidrogênio e oxigênio;


 produto: água.
 fórmulas das substâncias: hidrogênio: H2; oxigênio: 02; água: H20.
 equação: H2 + 02 H2O.

Acerto dos coeficientes: a expressão acima indica que uma molécula de hidrogênio (formada por
dois átomos) reage com uma molécula de oxigênio (formada por dois átomos) para formar uma
molécula de água (formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio). Vemos, portanto,
que a expressão contraria a lei da conservação dos átomos (lei da conservação das massas), pois
antes da reação existiam dois átomos de oxigênio e, terminada a reação, existe apenas um. No
entanto, se ocorresse o desaparecimento de algum tipo de átomo a massa dos reagentes deveria
ser diferente da massa dos produtos, o que não é verificado experimentalmente.

Como dois átomos de oxigênio (na forma de molécula 02) interagem, é lógico supor que duas
moléculas de água sejam formadas. Mas como duas moléculas de água são formadas por quatro
átomos de hidrogênio, serão necessárias duas moléculas de hidrogênio para fornecer essa
quantidade de átomos. Assim sendo, o menor número de moléculas de cada substância que deve
participar da reação é: hidrogênio, duas moléculas; oxigênio, uma molécula; água, duas
moléculas.

A equação química que representa a reação é: 2H2 + 102 => 2 H20

Que é lida da seguinte maneira: duas moléculas de hidrogênio reagem com uma molécula
de oxigênio para formar duas moléculas de água.

Classificação das reações químicas

As reações químicas podem ser classificadas de várias maneiras. A mais comum é aquela que
utiliza como parâmetro os tipos de substâncias reagentes e resultantes.

Síntese ou adição
Nesta reação, dois ou mais reagentes (A e B) se combinam, formando apenas um produto (AB).

Alguns exemplos:


Análise ou decomposição

É a reação em que apenas um reagente (AB) produz dois ou mais produtos (A e B).

Alguns exemplos:


Simples troca ou deslocamento

É a reação em que uma substância simples se combina com uma substância composta, formando
outra substância simples e outra composta.

ou

Alguns exemplos:

Dupla troca ou permutação


Neste tipo de reação ocorre uma troca entre duas substâncias compostas que se combinam,
formando duas outras substâncias compostas.

Alguns exemplos:


Condição para que uma reação química ocorra

Para que duas ou mais substâncias reajam quimicamente, são necessárias as seguintes condições:

 suas moléculas devem estar dispostas de modo a conseguir o maior contato possível.
Geralmente substâncias no estado gasoso reagem mais fácil e rapidamente do que
substâncias no estado sólido;
 os reagentes devem ter afinidade química, isto é, uma certa “tendência a reagir”
reciprocamente.

A energia das reações químicas

Nenhum átomo “surge do nada” ou “desaparece” durante uma reação química.

Se reações químicas são apenas um rearranjo de átomos, então, de onde vem a energia
envolvida, por exemplo, numa queima?

Quando uma folha de papel queima, podemos observar que sua matéria se transforma, pois
ocorre uma reação química. Percebemos, também, que nessa reação há liberação de luz e calor,
que são formas de energia.

 De onde veio essa energia que foi liberada?


 Por que ela foi liberada?
 Pode haver uma reação que, ao invés de liberar, absorva calor?

A energia química
As substância possuem certa quantidade de energia armazenada, denominada energia química.
Essa energia é proveniente de suas ligações químicas e das forças de atração e de repulsão entre
os átomos que a compõem.

Como cada substância possui armazenada uma quantidade de energia química específica, há uma
diferença entre os conteúdos energéticos de seus reagentes e de seus produtos.
Em função da energia química de reagentes e produtos, a reação pode ocorrer segundo duas
formas distintas:

A energia dos reagentes é menor que a dos produtos.

Neste caso os reagentes terão que ganhar energia para se transformar em produtos.

A energia dos reagentes é maior que a dos produtos.

Neste caso os reagentes terão de liberar energia para se transformar em produtos.

A absorção e a liberação de energia normalmente ocorrem acompanhadas de absorção ou


liberação de calor.

Os reagentes ganham energia para se transformar em produtos com maior energia ou podem
perder energia para se transformar em produtos com menor energia.

Reações químicas que absorvem energia são chamadas endotérmicas e as que liberam energia
são chamadas exotérmicas.

Quando os produtos possuem mais energia que os reagentes, sabemos que essas reações
absorveram energia, isto é, elas normalmente ganham calor para ocorrerem. Um exemplo é a
queima do açúcar para fazer a calda do pudim. Ao receber calor o açúcar se transforma em calda,
e sua aparência e seu sabor mudam. Para que essa reação ocorra é necessário ceder energia ao
sistema.

Já nas reações exotérmicas, a energia dos reagentes é maior que a dos produtos.
Normalmente, os reagentes perdem calor para que a reação ocorra, o que acontece, por exemplo,
na queima do papel. É fácil verificar que o sistema está liberando energia na forma de calor e luz.

É importante ressaltar que nem sempre a energia liberada e absorvida ocorre na forma de calor,
um exemplo é a fotossíntese, em que a absorção de energia ocorre pela presença de luz (energia
luminosa).

A velocidade das reações químicas

Como você já deve ter observado, algumas reações ocorrem mais rapidamente e outras mais
lentamente. Portanto, as reações podem ser rápidas ou lentas e sua velocidade pode ser medida
pela formação de produtos ou consumo de reagentes por unidade de tempo.

Suponha que na reação do sejam formados 365 g de HCl, em 10


minutos.

A velocidade dessa reação pode ser calculada dividindo-se a massa da substância pelo
tempo:

Essa velocidade pode ser calculada, ainda, em função dos reagentes; por exemplo, se
foram consumidos 20 g de H2 nos mesmos 10 minutos, temos:
As unidades utilizadas nos exemplos podem ser outras. Gramas e minuto podem ser substituídos
por litro e segundo. O importante é que sejam definidas e representadas de forma compreensível.

Fatores que interferem na velocidade da reação química

A velocidade de uma reação química depende de vários fatores: da superfície de contato entre
os reagentes, da temperatura, da concentração das substâncias reagentes e da presença
do catalisador.

É importante conhecer os fatores que influenciam na velocidade das reações químicas, para que
possam ser controladas. Um exemplo bastante elucidativo é a forma como são conservados os
alimentos, pois sua deterioração ocorre através de reações químicas.

Superfície de contato

Quanto maior a superfície de contato entre os reagentes, maior a


velocidade de reação. Exemplo: os antiácidos efervescentes quando
triturados se dissolvem mais rápido em água do que em forma de
comprimido inteiro, isto porque a superfície de contato fica maior para
reagir com a água

Concentração de reagentes

Quanto maior a concentração dos reagentes, mais rápida será a reação química. Essa propriedade
está relacionada com o número de colisões entre as partículas. Exemplo: uma amostra de palha
de aço reage mais rápido com ácido clorídrico concentrado do que com ácido clorídrico diluído.

Temperatura

De um modo geral, quanto maior a temperatura, mais rapidamente se processa a reação.


Podemos acelerar uma reação lenta, submetendo os reagentes a uma temperatura mais elevada.
Exemplo: se cozinharmos um alimento em panela de pressão ele cozinhará bem mais rápido,
devido à elevação de temperatura em relação às panelas comuns.

Adição de catalisador

Catalisadores são substâncias com capacidade de acelerar determinadas reações químicas. Os


catalisadores interagem com os reagentes, fazendo com que a reação entre estes seja mais fácil
de ocorrer, ocasionando um aumento na formação de produtos por unidade de tempo.

Devido a essas características, os catalisadores são muito utilizados em indústrias químicas, pois
quanto maior a velocidade de reação, mais eficiente é o processo e menor o tempo gasto para a
obtenção de determinada substância.

Se deixarmos o peróxido de hidrogênio (H2O2) em um recipiente aberto, aos poucos vai ocorrer
uma reação de decomposição em água e oxigênio:

Porém, se introduzirmos no recipiente uma placa de platina, a reação ocorre muito mais
rapidamente.