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INSTITUTO SUPERIOR DE SERVIÇO SOCIAL

LICENCIATURA EM SERVIÇO SOCIAL

ANTROPOLOGIA

MINORIAS ÉTNICAS EM ANGOLA

Nome: Miguel Gonçalves Domingos da Gama

Nº: 36

Sala: 02

Turno: Diurno

Grupos étnicos e seus subgrupos.


Antes de enumerarmos os grupos e subgrupos étnicos existentes em Angola, é
mister procurarmos esclarecer o que entendemos por subgrupo étnico.

Victor Kajibanga (2004: 93) reporta-se a José Redinha, para falar da existência de
três áreas socioculturais e onze grupos etnolinguísticos distribuídos em 112 comunidades.
São essas comunidades, em que se encontram subdividido os grupos étnicos, que nos
designamos por subgrupos étnicos.

Para José Quipungo (1987:54-67), os factores diferenciadores dos subgrupos


étnicos em Angola são o factor linguístico e os hábitos e costumes. Ele fala em sbtis
diferenças linguísticas ou ligeiras diferenças idiomáticas e de grandes diferenças de
hábitos e costumes tradicionais, mas qu nunca impediram o seu entendimento dentro de
uma mesma região (entenda-se, de um mesmo grupo étnico).

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Passemos então a enumerar os grupos e subgrupos étnicos existentes no nosso
país. José Quipungo (1987: 54-65) apresenta a seguinte distribuição de grupos étnicos em
subgrupos e sua localização por províncias do território nacional que adoptamos:

Bakongo: bayombe, bavili, basundi, balwango, balinji, bakongo, bawoyo,


basolongo, bachikongo, bazombo, bakano, basoso, bayaka e basuku. Esses grupos
localizam-se maioritariamente nas provinciais de Cabinda, Zaire e Uíge, encontrando-se
grupos menos numerosos no Bengo e Kuanza-Norte.

Ambundu: jindembu, mahungu, tulandulaç jinjinga, jingola, maholo, mbondo,


imbangala, isama, malubolo, masongo, mahako, ibala e isend. As suas grandes áreas de
concentrançao são as províncias do Bengo, Luanda, Kuanza-Norte, Malange, parte norte
do Kuanza-Sul e no oeste da Lunda-Norte e da Lunda-Sul.

Lunda e Cokwe: tulunda, tutchokwe, tukongo, tumatapa, tuxinji e tuminungo.


Encontram-se nas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul, nordeste do Moxico, noroeste
do Bié e uma faixa no sentido norte-sul do Kuando-Kubango.

Ovimbundu: vambui, vapinda, vasele, ovisanji, vambalundu, vandombe,


vatchyaka, vauambo, vavyie, vaanya, vakakonda, vangalanzi, vasambo, e vanganda.
Localizam-se principalmente nas províncias do Huambo, Benguela, Bié, parte sul do
kuanza-Sul, parte da Huíla e norte do Namibe.

Tchingangela: valuimbi, vangongelo, Vanessa, vangangela, vambwela, tulwena,


(baluvale), balutchazi, balunda, vakangala, vamachi (akwakwando), vayauma e valunyo.
Localizam-se nas provicias do moxico, norte do kuando-kubango, parte ocidental do bié
e uma parte da província da huíla.

Olunyanyeka: ovamwila, ovangambwe, ovankhumbi, ovandongwena, ovahinga,


onkwankwa, ovahanda, vamupwa, vanchipungu, ovatchipungu, ovatchilenge humbi e
ovatchilenge muso. Os seus principais centros habitacionais são as procincias da Huíla e
uma parte do Cunene.

Tchikwanyama: ovavale, ovakafima, ovakwanyama, ovakwamatwi e


ovandombondola. Localizam-se na província do Cunene fazendo fronteira com Namíbia.

Tchielelo: ovandimba, ovahimba, ovatchyvikwa, ovakwanyoka, ovakuvala e


ovangendelengo. Habitam o Namibe e o sudueste da huíla.

Xindonga: vakwangale, vandundo, vakuso, vanyengo e ovandiliku. Habitam na


parte sul do kuando-kubango.

Tchiluba: mena mai, mena lulua e baluba. A sua localização é no leste de Angola,
nas mediações fronteiriças entre as províncias de Muxico e Lunda-Sul.

Todos os povos acabados de mencionar são povos bantu.

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Os grupos não bantu em Angola.
Os grupos não bantu são: Os ovakwisi, os ovakwepe e nkung (bosquemane), que
habitam na região pouco fértil do sul de Angola, isso respeitando a já referida Carta Étnica
de Angola de 1970.

Étnicidade.

Poutignat e streff-Fenart (1997:22), reportando-se às primeiras utilizações do termo


etnicidade nas ciências sociais, na década de 1940. Em grande parte dos casos, o termo
era utilizado em referência a qualquer grupo que não fosse anglo-americano, sendo a
etnicidade uma categoria descritiva para tratar problemas como a integração nacional,
assimilação dos imigrados e racismo.

Os estudos das relações étnicas (ou da etnicidade) concentram-se nas relações sociais
entre pessoas da mesma etnia e pessoas de etnias diferentes (Rex 1987: 11-12). O termo
etnicidade deriva de etnia, pelo que se impõe definir primeiro a expressão-mãe. Etnia (ou
grupo étnico) pode ser definida como (Smith 2001:26; Barth 1997:189-190; Rex 1987:34-
43):

 Uma comunidade humana com nome.


 Que se perpetua biologicamente de modo amplo.
 Ligada a uma prática.
 Com mitos e passado comuns.
 Que partilha memorias, valores culturais e um certo grau de solidariedade.
 E constitui um campo de comunicação e de interacção.

Etnia é um agrupamento de pessoa que se identificam umas com as outras (ou são
assim identificadas por terceiros), com base em semelhanças culturais ou biológica, reais
ou presumidas (Carvalho 2008a: 64). Quanto mais elementos são partilhados pelo grupo,
mas este se aproxima do tipo ideal de etnia e de uma comunidade de cultura histórica,
com um sentido de identidade comum (Smith 2001: 26). O sentimento de entrelaçamento
entre várias famílias biológica a partir de antepassados comuns, o território e a
proximidade cultural são elementos que determinam fortemente a identidade étnica
(Carvalho 2008ª: 64).

Os grupos étnicos são comunidades humanas culturalmente diferentes. Essas


diferenças, salvo raras excepções, consubstanciam-se na língua, na religião, na lealdade
política, ou podem dar-se características secundárias tais como hábitos alimentares,
vestuário. Costumes e dialectos locais ``(Kajibanga 2002).

Já a etnicidade é um termo que se usa desde os anos 1970, de conteúdo muito vasto,
incluindo tudo o que tem a ver com etnia, identidade étnica, as relações inter-étnicas e o
papel dos factos inter-étnico na vida política (Ismaguilova 2003: 134).

A etnicidade é uma forma de organização social uma base étnica, que propicia uma
alternativa colectiva que permite que se desenvolvam estratégias de sucesso económico.

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A etnia sempre foi uma fonte fundamental de significado e de reconhecimento social,
como também de discriminação, constituindo-se em muitos casos como base de luta por
justiça social (castells 2007: 86), os critérios que conformam a existência de etnicidade
são os seguintes:

 Pertença de grupo.
 Identidade étnica.
 Consciência da pertença u das diferenças de grupo.
 Ligações afectivas ou vínculos baseados num passado comum e putativo e nos
objectivos ou interesses étnicos reconhecidos.
 Vínculos laborados ou simbolicamente diferenciados por ´´marcadorea´´ (uma
tradição, emblemas, crenças culturais, territoriais ou biológicas).

Entendo, assim, que a etnicidade se refere a um tipo de relação social baseado na


identidade étnica. A terminar, deve-se chamar à atenção que os termos ´´etnia´´ e
´´etnicidade´´ são erradamente utilizados para referir minorias, quando se trata de
minorias étnicas, em oposição a grupos étnicos maioritários (Carvalho 2008a:65).

Identidade
A identidade, enquanto factor de analise do domínio da antropologia social e
cultural e da sociologia, é um conceito com correlação estrita com o de etnicidade. Isto
explica-se no facto de que só tem sentido falar-se em relações intra ou inter-etnicas,
quando estão em contacto traços culturais específicos a indivíduos de um mesmo grupo,
gerando afinidades nada negligenciáveis do ponto de vista da consciência de espécie, ou
traços culturais de indivíduos de grupos diferentes.

No fundo, estamos aqui a falar de identidades, particularmente de identidades


étnicas: ´´não existe sujeito individual ou colectivo, seja pessoa, classe social, povo ou
nação que não tenha identidade própria, que lhe é necessária para conduzir a sua
actividade quotidiana (Dieterich 2002:127). Entende-se por identidade a fonte de
significado e experiencia de um povo, ou no que diz respeitos aos actores sociais.

Nas palavras de Dieterich (2002: 143-144), a identidade é uma propriedade de um


sistema, que se caracteriza por duas qualidades:

 A capacidade analítica de diferenciar entre o sistémico (próprio) e o seu


oposto.
 b) A capacidade de planificar e executar estratégias de sobrevivência em
relação as mudanças de ambos.

Concordamos com Carlos Serra (2003:67-71), quando nos assegura que cada uma
das nossas identidades só tem sentido quando simultaneamente confrontada com a
autoridade, e que estamos diante de exemplos de etnicidade, se esta for vista pelo ângulo
da relação nos-eles. Para além disso, ninguém se elmerza porque se quer etnierzar, mas a
etnicidade, enquanto momento identitário relacional que inclui e exclui, responde a
necessidades sociais concretas.

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Para Manuel Castells (2007:9), quer para um indivíduo, quer para um actor
colectivo, pode haver identidades múltiplas. Assim, por exemplo, pode fala-se de
identidade nacional, quando se trata de importantes áreas da cultura e da sociedade em
relação a uma nação (Smith 2001:21-22), de identidade cultural, gerada pela cultura num
dado espaço social, referindo processos úteis para a identificação de pessoas e grupos
sociais (Gonçalves 2003: 18); de identidade pessoal, que é o conjunto das representações
e dos sentimentos que uma pessoa desenvolve a propósito de si mesma (Silva 2008: 81).

O poder da identidade (concretamente da identidade cultural) é tal, que ela tem


grande significado para a maior parte das pessoas e para as sociedades que possuem
afinidades culturais e cooperam mutuamente (Huntington 2006: 20,21). Por exemplo, os
atenienses reafirmaram aos espartanos que não os trairiam a favor dos persas, porque em
primeiro lugar, os persas haviam destruído a imagens e as habitações de seus Deuses-
actos que mereciam vingança em vez de acordo com quem os praticou. Em segundo
lugart, porque a ´´raça´´ grega era do mesmo sangue, flava a mesma língua, partilhava os
mesmos templos, fazia os mesmos sacrifícios e os seus costumes eram semelhantes
(Huntington 2006: 46). Resta dizer que a identidade pode ser fonte de inclusão (ou
exclusão) social, especialmente quando exacerbada.

Exclusão social.
Uma das inferências que se pode fazer, ao operacionalizar-se o conceito de
etnicidade, é que ele nos remete, amiúde, para situações de exclusão social. Podem ser
apontada varias razoes para que a etnia seja um factor importante a ter em conta nas
sociedade contemporâneas. Uma dessas razões é o facto de ela constituir fonte de
discriminação e estigma (Castells 2007: 82).

Entende-se por exclusão social, a fase extrema do processo de marginalização,


que é um percurso descendente, ao longo do qual se verificam sucessivas rupturas na
relação do indivíduo com a sociedade: ruptura em relação ao mercado de trabalho (que
se traduz em desemprego) e rupturas familiares, afectivas e de amizade (Costa 2007: 10).

Paulo de Carvalho (2008b: 36) adianta que vivemos numa sociedade em que há
processos sócias que lançam para a exclusão várias camadas da população, uma vez que
a sociedade cria uma sede de barreiras que não são transpostas por essas camadas. Quem
não transpõe essas barreiras e quem não se enquadra na situação considerada normal,
passa à situação de excluído. O excluído é não apenas aquele que não consegue superar
as barreiras impostas pelo sistema de ensino ou pelo mercado de trabalho, mas também
aquele que não partilha os nossos pontos de vista, que não venera o mesmo Deus, que não
pratica os mesmos ritos, pertence a outro grupo étnico ou tem cor de pele diferente da
modal.

É nesta senda que Bruto da Costa (2007) distingue cinco dimensões de exclusão
social, tendo Paulo de Carvalho (2008b: 38) nolescentado uma dimensão política,
totalizando as seis dimensões de exclusão que se enumeram a seguir:

 Exclusão de tipo económico, que é caracterizada por uma situação de privação


múltipla (pobreza).
 Exclusão do tipo social, caracterizada pelo afastamento ou ausência de laço
sociais.

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 Exclusão de tipo cultural, que tem a ver com dificuldades de integração, em
consequência de fenómenos como a xenofobia.
 Exclusão de ordem patológica, designadamente de natureza psicológica ou
mental.
 Exclusão por comportamentos auto-destrutivos, tais como o alcoolismos a
toxicodependência e a prostituição.
 Exclusão de natureza politica, que tem a ver com o não exercício de direitos
políticos, incluindo o direito de cidadania.

Martine Xiberras (1993: 18-19) aponta a existência de excluídos fisicamente


(racismo), geograficamente (gueto), materialmente (pobreza) cimento e estão ausentes ou
banidos do universo simbólico. Esses actores, segundo Castells (2007: 4-5), tendem a
construir uma identidade de resistência, criada por actores que se encontram em posições
ou condições desvalorizadas ou estigmatizadas pela lógica da dominação, construindo
assim trincheiras de resistência.

Deste modo, para uma sã convivência em sociedades multi-étnicas, todo o


indivíduo deve ter igualdade de oportunidades, independentemente da sua raça ou etnia
por exemplo (Rex 1987: 186). É isso que se entende por inclusão ou integração social,
que é o posto da exclusão social. Sendo o opsto da exclusão social, a integração social é
o processo que caracteriza a passagem das pessoas, famílias ou grupos, das situações de
exclusão para as de participação social e de cidadania (Capucho 1998: 213).

Mesmo considerando haver desigualdades sociais que gerem


complementaridades, potenciam as aspirações e promovem a competição e a mobilidade
social, chama-se à atenção para o facto de a exclusão social se inserir no grupo de
desigualdades que não obtém aceitação, tanto do ponto de vista moral, quanto do ponto
de vista do bem-estar social (Carvalho 2008b: 36).

Nomadismo
O nomadismo é a prática de povos que não tem local de residência fixo e que, por
isso, mudam permanentemente de lugar. Os povos com este modo de vida designam-se
por nómadas. São povos cujas actividades produtivas principais são a caça, a recolecção
ou a pastorícia.

Na economia recolectora, o nomadismo é motivado pela deslocação das


populações que, na procura de alimentos, acompanham as movimentações dos animais
que pretendem caçar, procuram os locais onde existam frutos ou plantas a recolher, ou
ainda quando necessitam de se defender das condições climáticas adversas ou da ameaça
de animais ferozes.

O oposto do modo de vida nómada e o modo de vida sedentário significando que


neste caso os povos tem um local de residência fixo, não mudando facilmente de lugar.
Reza a historia que o sedentarismo ganhou terreno com o incremento do cultivo de
campos agrícolas.

Carlos de Andrade (2003: 18) diz que a territorialidade nómada se opõe à


territorialidade sedentária, cujos princípios de fixação, concentração espacial,
confinamento e esquadrinhamento promovem a urbanização do território. Outros

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exemplos de povos nómadas são os beduínos, que à semelhança dos tuareg são
igualmente da África sahariana e os pigmeus que actualmente podem ser encontrados nas
florestas dos Camarões, no Gabão, em algumas regiões da república Centro Africana, no
Congo Democrático e no oriente (Olderogge 1982: 245).

A diferencia dos khoi-khoi e os San

Segundo Dmitre Olderogge (1982: 297), os san e os khoi-khoi tem muito poucas
características em comum, destacando-se a cor da pele e a presença de consoantes cliques
em ambas línguas, ao passo que são notadas as seguintes diferenças fundamentais:

Característica física: os khoi-khoi são nitidamente mas alto que os san,


distinguindo-se também pela características cranianas, disposição dos cabelos e
esteatopigia, frequente entre as mulheres em quanto a presença do repicando e especifica
dos san.

Línguas: diferem tanto pela estrutura gramáticas, como pelo vocabulário.

Culturas: diferem em todos os aspectos. Os khoi-khoi vivem em kraals,


trabalhavam o metal e criavam gado enquanto os san eram nómadas e vivendo da caça e
da recolecção.

Racismo.

Racismo é a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes


raças humanas e que uma é superior às outras. Esta noção tem base em diferentes
motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento
humano.

Consiste em uma atitude depreciativa e discriminatória não baseada em critérios


científicos em relação a algum grupo social ou étnico. O preconceito racial está
relacionado com conceitos como homofobia, xenofobia, bullying racista, entre outros
muito debatidos na actualidade.

O dia 21 de Março foi estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas)
como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi
escolhida em memória aos mais de 60 mortos do massacre ocorrido na África do Sul
nesse mesmo dia no ano de 1960.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem foi criada com o objectivo de


proteger os direitos fundamentais dos seres humanos condenando todo o tipo de
discriminação pela cor, género, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra
condição.

Racismo Reverso

O racismo reverso, ou racismo inverso, debate a existência de um racismo contra


brancos, ou seja, que negros exerceriam discriminação contra pessoas brancas. O conceito
não foi determinado cientificamente pois a ideia por si só é contraditória. A existência de

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racismo pressupõe uma discriminação social que só é possível mediante o
estabelecimento de relações de poder e diferenças hierárquicas. E em termos históricos
e sociais, os grupos negros não apresentam poderio superior aos brancos, o que portanto
não poderia gerar uma situação de opressão, que é o que pressupõe a partir de uma atitude
racista.

Tipos de racismo

Existem vários tipos de racismo, entre eles o racismo individual, institucional,


cultural, primário, comunitarista ou diferencialista e racismo ecológico ou ambiental.

Raça

A raça (do italiano razza) é um conceito que obedece a diversos parâmetros para
classificar diferentes populações de uma mesma espécie biológica de acordo com suas
características genéticas ou feno típicas. É comum falar-se das raças de cães ou de outros
animais.

Os antropólogos, durante a época colonial do século XVI (após os europeus terem


notado a existência de seres humanos bem diferentes dos europeus, como índios ou
bosquímanos, nos novos continentes recém-descobertos e terem começado a estudar essas
criaturas) até o final do século XX, acreditavam que existiam raças humanas diferentes,
mas, desde que o Projecto Genoma Humano analisou a genética de diferentes raças, os
resultados apontaram que as diferenças genéticas entre as raças eram muito pequenas, e
que o determinismo ambiental e o neodarwinismo, como justificativas das diferenças
genéticas entre os seres humanos do Velho Continente, do Novo Continente e do
Novíssimo Continente, revelaram-se irrelevantes e mostraram que as diferenças genéticas
entre uma pessoa negra e um caucasiano não existem. O próprio conceito biológico de
raças humanas se tornou bastante desacreditado e condenado entre os biólogos e entre os
antropólogos.

Discriminação Racial.

Agir com respeito ao princípio da igualdade significa não exercer qualquer


discriminação, direta ou indireta, contra uma pessoa ou grupo de pessoas. A
discriminação, portanto, estará configurada quando existir uma ação ou omissão que
dispense um tratamento diferenciado (inferiorizado) a uma pessoa ou grupo de pessoas,
em razão da sua pertença a uma determinada raça, cor, sexo, nacionalidade, origem étnica,
orientação sexual, identidade de género, ou outro fator.

A discriminação pode ser direta ou indireta:

 Direta – sempre que, em razão da origem racial, étnica, nacional ou outra uma
pessoa seja objecto de tratamento menos favorável do que aquele que é, tenha sido
ou possa vir a ser dado a outra pessoa em situação comparável. Por exemplo, o

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proprietário de um imóvel que se recusa a arrendar para cidadãos estrangeiros
realiza uma discriminação directa;
 Indirecta – sempre que disposição, critério ou prática, aparentemente neutro,
coloque pessoas de uma dada origem racial, étnica, nacional ou outra numa
situação de desvantagem comparativamente com outras pessoas. Por exemplo,
uma empresa que tenha como condição para a promoção dos funcionários o facto
de falar a língua portuguesa sem sotaque, pode parecer um critério neutro, mas
acaba por excluir todos os funcionários que não tenham o português como língua
nativa (a não ser que a função a ser exercida justifique que o candidato apresente
uma determinada dicção, como no caso dos tradutores).

Aculturação.

Aculturação é o conjunto das mudanças resultantes do contato, de dois ou


maisgrupos de indivíduos, representante de culturas diferentes, quando postos em
contato direto e contínuo.

A aculturação é o resultado dos contatos, de natureza constante, que


implicam geralmente na transmissão de certos elementos da cultura de uma
sociedade para a outra. A transmissão de elementos de uma cultura vai sempre
precedida por uma relação, que implica na aceitação de alguns e na rejeição de
outros elementos culturais.

A aculturação leva muitas vezes à desintegração de uma ou de várias


culturas, sob a influência dos contatos que se estabelecem entre os seus
integrantes. É frequente a desintegração de uma ou várias culturas, sob a
influência dos contatos que se estabelecem entre os grupos. Muito comum
também é a mudança dos elementos adquiridos, ocorrendo uma desorganização
social, o que pode envolver o desaparecimento, total ou parcial das configurações
anteriores, como também a fusão de certos elementos numa nova configuração.

O termo assimilação é o que define todo o processo que diz respeito às


mudanças na personalidade das pessoas envolvidas no processo de aculturação.

Transculturação
TransculturaçãoÉ o processo que ocorre quando um indivíduo adopta uma cultura
diferente da sua, a transculturação está ligada á transformação de padrões culturais locais,
a partir da adopção de novos padrões vindos através das fronteiras culturais, em encontros
envolvendo sempre diferentes etnias e elementos culturais.

Quando uma pessoa Angolana chega á China, onde ela for morar ela irá passar alguns
elementos de sua cultura, seus hábitos e maneira de viver, e aprenderá elementos da
cultura chinesa, isso é transculturação.

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Afrodescendente

Afrodescendente é aquele que descende de africano. A palavra afrodescendente é


formada por dois adjectivos: afro, que faz referência ao africano, mais descendente que é
aquele que descende de, que provém por geração, portanto, afrodescendente significa
“descendente de africano”.

Estima-se que 200 milhões de pessoas que se identificam como sendo


afrodescendentes vivem nas Américas. O Brasil tem o maior número de pessoas de
ascendência africana fora de seu continente.

Políticas para os afrodescendentes

As pessoas de ascendência africana são reconhecidas na Declaração e no


Programa de Acção de Durban como um grupo de vítimas específicas que continuam
sofrendo discriminação, como legado histórico do comércio transatlântico de escravos.
Mesmo afrodescendentes que não são descendentes direitos dos escravos enfrentam o
racismo e a discriminação que ainda hoje persistem.

Em Dezembro de 2013 a Assembleia Geral da ONU adoptou, por consenso, uma


resolução que cria a Década Internacional de afrodescendentes, denominada “Pessoas
Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. A década será celebrada
de 1º de Janeiro de 2015 a 31 de Dezembro de 2024, com o objectivo de reforçar o
combate ao preconceito, intolerância, a xenofobia e ao racismo.

Cultura para Antropologia.

Cultura: Para Boas a cultura era o elemento explicativo da diversidade humana.


cultura se torna um conceito mais abrangente do que o conceito de sociedade. A cultura
no caso seria tudo que os seres humanos criaram inclusive a sociedade. É importante
frisarmos que Boas usa o termo culturas devido a sua teoria do relativismo cultural, pois
segundo ele cada povo possuiria uma singularidade cultural. Diferentemente vemos o
termo cultura (aqui no singular), usado pelos evolucionistas, pois segundos estes teóricos,
a cultura humana seria única devido ao seu desenvolvimento unilinear. De maneira
resumida, Boas entendia a cultura como a lente pela qual cada um de nós enxerga a
sociedade e pela qual estaríamos presos à ela através dos grilhões da tradição.

Áreas de interesse da Antropologia cultural.


A contribuição das duas grandes áreas da Antropologia para a amplificação da
compreensão do fenómeno humano, desenvolveu ao longo da história da antropologia
muitas temáticas de pesquisa, que originaram uma compartimentalização do
conhecimento de cada esfera antropológica, permitindo especialidades de discussão.

Esta classificação, no entanto, não é homogênea em todo mundo. Nos Estados


Unidos a antropologia abarca quatro esferas de investigação: a antropologia física, a
antropologia cultural, a linguística e a arqueologia.

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Antropologia física

Surge vinculada aos estudos fisco-biológicos do século XVIII e XIX, visando


compreender o processo de evolução pelo qual se originaram os humanos modernos, com
ênfase nos aspectos biológicos e físicos referentes a este processo. Sua metodologia se
centraliza na comparação fóssil-residual além do estudo comparativo de diferentes "tipos
humanos".

Antropologia cultural

A antropologia cultural tem raízes que remontam a Antiguidade Clássica, quando


os primeiros relatos escritos acerca de outros povos iniciaram as discussões acerca da
cultura dos mesmos. Estas origens se desenvolveram após o período das grandes
navegações, cujos registros, discutiam os povos "descobertos" como exóticos e
"estranhos" ao mundo europeu.

Também conhecida como antropologia social, esta vertente surge da necessidade


de compreender a alteridade sócio-cultural, ou seja, a apreensão da visão de mundo
expressa pelos comportamentos, mitos, rituais, técnicas, saberes e práticas de sociedades
de tradição não-europeia. Nas primeiras décadas de sua formação enquanto disciplina a
antropologia esteve ligada aos interesses de Estado

Antropologia Biológica

Leva em consideracão as influencias dos valores culturais nos individuos


buscando identificar o que é inato ou adquirido através da genética das populacões;

Antropologia Pré-Histórica

Busca recontruir as sociedades antepassadas: A antropologia pré-histórica é o


estudo do homem através de vestígios materiais enterrados no solo(ossada,mas também
quaisquer marcas da atividade humana.

Antropologia Linguística

Remonta as formas de comunicacão humana.A linguagem é,com toda


evidência,parte do patrimônio cultura de uma sociedade.È através dela que os indivíduos
que compõe uma sociedade se expressam e expressam seus valores,suas
preocupacões,seus pensamentos.

Antropologia Psicológica

Consiste no estudo dos processos e do funcionamento do psiquismo humano.Aos


três primeiros pólos de pesquisa que foram mencionados,e que são habitualmente os
únicos considerados como constitutivos(com a antropologia social e a cultural)do campo
global da antropologia,fazemos questão pessoalmente de acrescentar um quinto pólo: o

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da antropologia psicológica,que consiste no estudo dos processos e do funcionamento do
psiquico humano.

Antropologia Social

Estuda a sociedade em tudo que a constitui: A Antrpologia Social e cultural (ou


etnologia) nos deterá por muito tempo. Apenas nessa área, temos alguma competência.
Assim sendo,toda vez que utilizarmos a partir de agora o termo antropologia social ou
cultural( ou etnologia),mas procuraremos nunca esquecer que ela é apenas um dos
aspectos da antropologia.

Principais argumentos de Franz Boas sobre a antropologia cultural.


Evolucionismo/Novo método: Apesar de não ser um conceito criado por Boas,
entender o que é evolucionismo é fundamental na compreensão de uma parte de sua obra.
Em seu texto “As limitações do método comparativo da Antropologia”, Boas critica o
método até então usada pelos evolucionistas.

O Evolucionismo, que foi impulsionado pela teoria de Darwin, buscava descobrir


as leis uniformes da evolução humana. Segundo os evolucionistas, a mente humana
possuiria um funcionamento uniforme, desta forma todas as sociedades humanas teriam
que passar obrigatoriamente pelos mesmos estágios obrigatórios e sucessivos. Através da
comparação entre os diferentes costumes dos povos, buscavam esclarecer este caminho
percorrido pela evolução humana. A crítica de Boas residia na metodologia usada pelos
evolucionistas. Para Boas não era possível apresentar provas de que o mesmo fenómeno
cultural necessariamente se desenvolveria em todos os lugares da mesma forma. Era uma
pretensão muito grande tentar analisar a evolução em todas as sociedades humanas.

Difusionismo: Também não é um conceito criado por Boas, mas semelhante ao


conceito de evolucionismo, faz-se necessário entendê-lo, pois é outra teoria que dialoga
com os estudos boasianos. A teoria difusionista é semelhante a teoria evolucionista,
contudo seu peso explicativo reside na ideia de difusão cultural.

Diferente dos evolucionistas que acreditavam que os fenómenos culturais


semelhantes haviam se desenvolvido em regiões geográficas distantes devido ao único
caminho evolutivo da raça humana, os difusionistas acreditavam na existência de uma
difusão de elementos culturais entre esses mesmos lugares seja através do comércio,
guerras ou viagens. Certos autores difusionistas acreditavam que o Egito antigo foi o
grande centro de difusão cultural, que a partir dele a civilização humana teria se irradiado
por todo o globo.

Particularismo Histórico: Esta era a teoria dada por Boas como alternativa para
o evolucionismo. Seu fundamento estava na ideia de que para se obter uma compreensão

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mais geral das culturas era necessário iniciar o estudo pelo particular. Vemos então que
este método pode ser descrito como sendo empirista e diacrônico.

Para Boas, a história da civilização humana não poderia ser entendida


exclusivamente através de uma necessidade psicológica que levaria a uma evolução única
da mente humana. Era necessário entender primeiramente a história cultural de cada
grupo, perceber suas influências internas e externas pela qual passaram para então
entendê-los. Seria impossível entender a história de um povo somente se baseando em
um único sistema evolucionário.

Cultura: Para Boas a cultura era o elemento explicativo da diversidade humana.


No sentido norte americano, cultura se torna um conceito mais abrangente do que o
conceito de sociedade. A cultura no caso seria tudo que os seres humanos criaram
inclusive a sociedade. É importante frisarmos que Boas usa o termo culturas devido a sua
teoria do relativismo cultural, pois segundo ele cada povo possuiria uma singularidade
cultural. Diferentemente vemos o termo cultura (aqui no singular), usado pelos
evolucionistas, pois segundos estes teóricos, a cultura humana seria única devido ao seu
desenvolvimento unilinear. De maneira resumida, Boas entendia a cultura como a lente
pela qual cada um de nós enxerga a sociedade e pela qual estaríamos presos à ela através
dos grilhões da tradição.

Raça: Para Boas, o conceito de raça na verdade seria uma classificação não
científica dos traços físicos superficiais que possuímos. Vemos em seus textos que Boas
não faz uso do termo raça, mas do termo formas corporais. A ideia de raça na verdade era
uma construção de tipos ideais locais baseados em características físicas semelhantes,
sendo estes retirados de localidades comuns. Porém Boas ressalta que por mais
fisicamente semelhantes um grupo de pessoas seja, haverá inúmeros indivíduos na qual
esta descrição não poderia caber.

O homem é o resultado do meio em que foi socializado


Ele e herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e
a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação
adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações. Estas não são, pois,
o produto da ação isolada de um gênio, mas o resultado de toda uma comunidade.

Socialização é um processo pelo qual, ao longo de nossa vida, aprendemos e


interiorizamos os elementos que são trazidos pela herança cultural, tradicional e histórica.

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Esses elementos integram-se em nossa personalidade a partir de nossas experiências e,
com àquilo que delas pensamos ter significados. Ainda, resta-nos o processo de adaptação
cultural que extrapola a dimensão do indivíduo, focando o ambiente social em que o
mesmo vive.

Em decorrência de vivermos em um país com diferenças culturais aguçadas, a


socialização acaba por determinar diversos tipos de indivíduos. Assim, poderíamos dizer
que, a

Como a antropologia entende a origem da cultura.

Claude Lévi-Strauss identifica o surgimento da cultura com o aparecimento da


primeira regra, que seria a proibição do incesto, comportamento comum a todas as
sociedades humanas

O outro antropólogo é Leslei White, ele por sua vez, considera que a origem da cultura
ocorreu quando o homem foi capaz de gerar e compreender os símbolos.
Estas explicações de natureza física e social admitem que a cultura de repente e implicam
também a aceitação de um ponto critico (expressão de Alfred Kraeber), que foi a causa
da transformação do primata em um ser capaz de cultura. Esta explicação concorda com
a posição de alguns pensadores católicos que defendem a entronização da cultura no
momento em que o homem recebeu do seu Criador uma alma imortal estando o corpo
suficientemente evoluído para tornas-se digno de uma alma.

Hoje em dia, este ponto critico é considerado uma impossibilidade cientifica, pois a
natureza não age por saltos, mas em um processo contínuo, gradativo e incrivelmente
lento. Clifford Geertz, pela paleontologia, demonstrou que o corpo humano formou-se
aos poucos e que já se podiam perceber traços de cultura antes mesmo de o cortes cerebral
evoluir até a condição do cortes humano.

Por fim, contata-se (no ponto de vista do autor) que o homem não é somente produtor de
cultura, mas também produto da cultura que "desenvolveu-se simultaneamente com o
próprio equipamento biológico e é, por isso mesmo, compreendida como uma das
características da espécie, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral."
(LARAIA, 2003, P.58).

Os indivíduos participam diferentemente de sua Cultura.


Notei que a participação do indivíduo dentro da sua própria cultura é, e sempre
será limitada, devido a algumas limitações impostas por seus próprios participantes.

Marion Levy Jr. apud Laraia, afirmou:

“Nenhum sistema de socialização é idealmente perfeito, em nenhuma sociedade


são todos os indivíduos igualmente bem socializados, e ninguém é perfeitamente
socializado. Um indivíduo não pode ser igualmente familiarizado com todos os aspectos

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de sua sociedade; pelo contrário, ele pode permanecer completamente ignorante a respeito
de alguns aspectos.”(LARAIA, 1999, pág. 84)

As diferenças relacionadas a idade.

É verdade que, quando observamos os parâmetros relacionados à idade como


fonte de divisória dentro de uma determinada sociedade ou cultura, os efeitos são mais
desastrosos, a idade tem se tornado um agente impulsionador para reger diferentes
participações de indivíduos dentro de sua própria cultura, baseado neste contexto
escreveu Marion Levy Jr. “nenhum sistema de socialização é idealmente perfeito”.

O individuo de qualquer sociedade ou grupo, não existe a possibilidade de um


individuo dominar todos os aspectos de sua cultura, porém deve existir um mínimo de
participação na pauta de conhecimento da cultura a fim de permitir a sua articulação com
os demais membros da sociedade.

Etnocentrismo.

Etnocentrismo é um conceito da Antropologia definido como a visão demonstrada


por alguém que considera o seu grupo étnico ou cultura o centro de tudo, portanto, num plano
mais importante que as outras culturas e sociedades.

O termo é formado pela justaposição da palavra de origem grega "ethnos" que


significa "nação, tribo ou pessoas que vivem juntas" e centrismo que indica o centro.

Um indivíduo etnocêntrico considera as normas e valores da sua própria cultura


melhores do que as das outras culturas. Isso pode representar um problema, porque
frequentemente dá origem a preconceitos e ideias infundamentadas. Uma visão
etnocêntrica demonstra, por vezes, desconhecimento dos diferentes hábitos culturais,
levando ao desrespeito, depreciação e intolerância por quem é diferente, originando em
seus casos mais extremos, atitudes preconceituosas, radicais e xenófobas.

Este fenômeno universal pode atingir proporções drásticas, quando culturas


tecnicamente mais frágeis entram em contato com culturas mais dominantes e avançadas.

Alguns exemplos de etnocentrismo estão relacionados ao vestuário. Um deles é o


hábito indígena de vestir pouca ou nenhuma roupa; outro caso é o uso do kilt (uma típica
saia) pelos escoceses. São duas situações que podem ser tratadas com alguma hostilidade
ou estranheza por quem não pertence àquelas culturas

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Anexos.

Povos bantu.

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