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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO LESTE DE MINAS GERAIS

LABORATÓRIO DE MECÂNICA DOS FLUIDOS

PRÁTICA 04 – MEDIÇÃO DE VAZÃO

OBJETIVOS:
 Reconhecer e compreender métodos primários de medição de vazão, aplicando
conhecimentos básicos da cinemática dos fluidos.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1. INTRODUÇÃO

Vazão é uma das grandezas mais utilizadas na indústria. As aplicações são inúmeras, indo
desde a medição de vazão de água em estações de tratamento e residências, até medição de
gases industriais e combustíveis, passando por medições mais complexas como a vazão de
sangue no sistema circulatório.
Para se ter uma idéia da importância comercial da medição de vazão, tomemos o exemplo
do gasoduto Bolívia-Brasil que transporta gás natural da Bolívia até São Paulo. Este gasoduto
está projetado para transportar até 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural.
Estimando-se um custo de venda de U$ 0,50 por metro cúbico, vê-se que um erro sistemático de
apenas 1% em um medidor de vazão está associado a uma quantia de cerca de U$ 150.000 por
dia.
A escolha correta de um determinado instrumento para medição de vazão depende de
vários fatores, dentre estes, pode-se destacar:

 Exatidão desejada para a medição;


 Tipo de fluido: se líquido ou gás, limpo ou sujo, número de fases, condutividade elétrica,
transparência, etc;
 Condições termodinâmicas: níveis de pressão e temperatura nos quais o medidor deve
atuar (entre outras propriedades);
 Espaço físico disponível;
 Custo, etc.

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Tanques graduados e cronômetro podem medir com boa precisão vazões de líquido em
um escoamento permanente desde que o intervalo de medida adotado seja suficientemente
longo.
Esta modalidade de medida é empregada com freqüência para aferição e calibração de
outros medidores de vazão por apresentar boa precisão, baixo custo e facilidade de operação.
Entre as formas existentes para gerar medidas de vazão nenhuma é mais importante e freqüente,
em problemas reais de engenharia, do que as que exploram os efeitos de variação de velocidade
provocada por redução de seção de escoamento. Os medidores de vazão que usam a redução
de seção baseiam-se na aceleração imposta ao fluxo que passa por um bocal, como o
esquematizado pela Fig. 1.

Figura 1 – Escoamento interno através de um bocal generalizado.

A separação do escoamento na borda viva da garganta do bocal provoca a formação de


uma zona de recirculação que pode ser suprimida se a parede do duto for desenhada de forma a
evitar o descolamento de camada limite. Quando existe uma garganta o medidor é denominado
placa de orifício. Os aparelhos de medir vazão nos quais a variação de diâmetro é suave a ponto
de evitar o descolamento de camada limite são de dois tipos:

 Bocais
 Tubos de Venturi (Fig. 2)

O presente experimento tem como principal objetivo o cálculo do coeficiente de descarga


do tubo de Venturi e de uma placa de orifício, bem como o valor das respectivas vazões.

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Figura 2 – Tubo de Venturi

2. CALIBRAÇÃO DA PLACA DE ORIFÍCIO

A vazão teórica medida com uma placa de orifício pode ser relacionada com o diferencial
de pressão entre as seções 1 e 2, mostrada na Fig. 3, por meio das equações da continuidade
(1) e de Bernoulli (2), para um escoamento real permanente, incompressível onde as perdas
por atrito sejam pequenas,

Q  V1 A1  V2 A2 (1)

p1 V12 p 2 V22
   (2)
 2  2

Figura 3 – Desenho esquemático de um escoamento através de uma placa de orifício.

Nas equações (1) e (2) V representa velocidade, A a área da seção reta, p é a pressão e ρ
é a massa específica do fluido. Combinando de forma conveniente estas equações obtém-se a
relação (3) que permite o cálculo da vazão volumétrica teórica:

2( p1  p 2 )
Q placa  A placa (3)

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Como a placa de orifício não é ideal, ou seja, as perdas estão presentes, para obter-se o
valor da vazão real é necessário uma correção que se manifesta sob a forma de um coeficiente
de descarga Cd e modo que:
placa

2( p1  p 2 )
Q placa  Cd placa Aplaca (4)

Sendo que, para o presente experimento, a relação da área do orifício da placa e do tubo é
igual a:

A placa  0,45 Atubo (5)

Com o diâmetro do tubo igual a 38 mm.

Este coeficiente é determinado pela norma DIN ou ASME através de catálogos, onde, para
sua determinação, utiliza-se um reservatório graduado da bancada e um cronômetro como
medidor capaz de indicar a vazão volumétrica real que passa pela placa de orifício, sendo assim
possível a determinação do coeficiente de descarga da placa Cd , por meio de um gráfico que
placa

compare o valor da vazão teórica dado pela equação (3) com o valor da vazão real fornecida pela
medida resultante do uso do reservatório graduado e do cronômetro. A inclinação da curva
resultante é o coeficiente de descarga da placa Cd , que para este caso segundo a norma DIN
placa

é, Cd = 0,676, com
placa

3. CALIBRAÇÃO DO TUBO DE VENTURI

Seguindo um procedimento semelhante ao da placa de orifício, a vazão teórica medida por


meio de um tubo Venturi pode ser relacionada com o diferencial de pressão entre as seções 2 e
3, mostrada na Fig. 4.

Figura 4 - Desenho esquemático de um escoamento interno através de um tubo de Venturi.

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Partindo das equações (1) e (2) obtém-se a vazão volumétrica ideal em tubo de Venturi por
meio da equação (5):

2( p1  p 2 )
Qventuri  A2 (6)

Para a determinação da vazão volumétrica real, é empregada a mesma metodologia


adotada na placa de orifício com o uso de um coeficiente de descarga para o tubo Venturi, de
modo que:

2( p1  p 2 )
Qventuri  Cd venturi A2 (7)

Sendo que, também para o presente experimento, a relação da área da garganta (A2) e do
tubo (A1) é igual a:

A2  0,45 A1 (8)

A determinação experimental do coeficiente de descarga do tubo de Venturi Cd é feita


venturi

da mesma forma que a usada na determinação do coeficiente de descarga da placa de orifício,


sendo, portanto, segundo a norma DIN, Cd = 1,067.
venturi

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

4.1. 1ª Parte: Placa de orifício

Objetivo:

 Determinação da vazão através da utilização da placa de orifício e comparar com a


vazão obtida com o tubo de Prandtl e Pitot.

Procedimento:

 Realizar a montagem para a prática descrita;


 Ligar o módulo experimental, abrir a válvula de entrada e o tubo rugoso de 38 mm de
diâmetro, fechando os demais;

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 Medir na tubulação de 76 mm de diâmetro a velocidade em três pontos e determinar a
velocidade média com o tubo de Prandtl, usando o manômetro diferencial de mercúrio e
determinar a vazão em l/s.
 Medir a vazão em l/s na tubulação de 38 mm, interligando as extremidades da placa de
orifício a um manômetro diferencial de mercúrio;
 Medir a velocidade média no fundo da canaleta com o auxílio do tubo de Pitot
interligando-o a um piezômetro.

4.2. 2ª Parte: Tubo de Venturi

Objetivo:

 Determinação da vazão através da utilização do tubo de Venturi e comparar com a


vazão obtida com o tubo de Prandtl e Pitot.

Procedimento:

 Realizar a montagem para a prática descrita;


 Ligar o módulo experimental, abrir a válvula de entrada e o tubo rugoso de 38 mm de
diâmetro, fechando os demais;
 Medir na tubulação de 76 mm de diâmetro a velocidade em três pontos e determinar a
velocidade média com o tubo de Prandtl, usando o manômetro diferencial de mercúrio e
determinar a vazão em l/s.
 Medir a vazão em l/s na tubulação de 38 mm, interligando as extremidades do tubo de
Venturi a um manômetro diferencial de mercúrio;
 Medir a velocidade média no fundo da canaleta com o auxílio do tubo de Pitot
interligando-o a um piezômetro.

5. RESULTADOS

5.1. Dados da prática com a placa de orifício

Preencher a tabela 1 de dados coletados para o ensaio com a placa de orifício, tubo de
Pitot e tubo de Prandtl utilizado neste ensaio, e logo após, calcular e preencher o restante dos
dados solicitados na tabela 1.

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TABELA 1 – Dados coletados e calculados para prática com a placa de orifício.

DADOS COLETADOS E CALCULADOS COM w 


DADOS
1a Vazão ( Q1 ) 2a Vazão ( Q2 ) 3a Vazão ( Q3 )
h placa
ht para Pitot
he para Pitot
Nível na canaleta
h1 para Prandtl
h2 para Prandtl
h2 para Prandtl

5.2. Dados da prática com a placa de orifício

Preencher a tabela 2 de dados coletados para o ensaio com o tubo de Venturi, tubo de
Pitot e tubo de Prandtl utilizado neste ensaio, e logo após, calcular e preencher o restante dos
dados solicitados na tabela 2.

TABELA 2 – Dados coletados e calculados para prática com o tubo de Venturi.

DADOS COLETADOS E CALCULADOS COM w 


DADOS
1a Vazão ( Q1 ) 2a Vazão ( Q2 ) 3a Vazão ( Q3 )
hventuri
ht para Pitot
he para Pitot
Nível na canaleta
h1 para Prandtl
h2 para Prandtl
h2 para Prandtl

Outros Dados:  H 2O 4C   1000 kg m 3


 H 2O 4C   9810 N m 3
 Hg  133100 N m 3

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EXERCÍCIOS

1. Determinar as vazões em l/s, kg/s com a utilização da placa de orifício, tubo de Pitot e Prandtl.
2. Determinar as vazões em l/s, kg/s com a utilização do tubo de Venturi, tubo de Pitot e Prandtl.
3. Calcular e preencher os valores solicitados para as tabelas 1 e 2, respectivamente.

Observações:
 Os exercícios deverão ser feitos pela equipe para discussão dos resultados junto à
equipe (todos os alunos deverão efetuar os cálculos);
 Logo após efetuar os cálculos, cada grupo deverá entregar apenas um portfólio com o
roteiro da prática grampeada na capa padrão, juntamente com a memória de cálculo
(entregar na próxima prática daqui a 15 dias);
 Todos devem assinar o portfólio concordando com o que foi realizado e obtido pelo
grupo.

6. BIBLIOGRAFIA

BASTOS, Francisco de Assis A. Problemas de Mecânica dos Fluidos. Rio de Janeiro: Guanabara
Dois, 1983. 483p.

FOX, R.W; MC DONALD, A.T. Introdução à Mecânica dos Fluidos. Tradução: R.N.N.Koury, G.A.
Campolina França. 5. ed. Editora Livros Técnicos e Científicos-LTC: Rio de Janeiro, 2001.

VENNARD, J.K. Elementos de Mecânica dos Fluidos. Cap. 8. Editora Guanabara Dois, Rio de
Janeiro/RJ, 1978.

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