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Psicologia I

Unidade Acadêmica de Educação


a Distância e Tecnologia - UFRPE

Volume 1
Psicologia I

Anna Paula de Avelar Brito Lima

Volume 1

Recife, 2010
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade


Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos

Produção Gráfica e Editorial


Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira e Italo Amorim
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Diego Almeida, Pablo Martins e Moisés de Souza
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

Apresentação.........................................................................................4

Conhecendo o Volume 1.......................................................................5

Capítulo 1 – Introdução ao estudo da Psicologia...............................7

As Apropriações da Psicologia no dia a dia....................................... 11

Capítulo 2 – Da Psicologia Filosófica à Psicologia Científica.........21

Psicologia Filosófica versus Psicologia Científica.............................21

O Behaviorismo: A Psicologia como a Ciência do Comportamento..27

A Gestalt: A Psicologia da Forma......................................................30

O Humanismo: O Ser Humano em Busca de Autorrealização..........32

A Psicanálise e o Estudo do Inconsciente.........................................35

Capítulo 3 – A Psicologia como Profissão........................................41

Campos de Atuação do Profissional de Psicologia...........................44

Considerações Finais..........................................................................50

Conheça a Autora................................................................................52
Apresentação

Caro(a) Cursista,

Esse é o primeiro Módulo da nossa disciplina. É o Módulo que marca a sua entrada
na disciplina de Psicologia e que lhe trará as condições necessárias para que você tenha
uma trajetória satisfatória no decorrer dos seus estudos sobre a Psicologia.

Ao longo do Curso, você terá duas disciplinas de Psicologia: a primeira – Psicologia


I – tratará das questões relativas a como a Psicologia se transformou em uma Ciência,
de qual a sua relação com a Filosofia e com outros campos do conhecimento, científicos
ou não.

Em seguida, ainda em Psicologia I, discutiremos os principais processos psicológicos


que estão relacionados à aprendizagem humana e a constituição do ser humano como
um ser bio-psico-social. Assim, enfocaremos os processos de Percepção, Motivação,
Emoção e Inteligência; além de discutirmos a questão da Identidade e Personalidade e
o Desenvolvimento humano, particularmente, a adolescência. Com certeza essa é uma
disciplina densa, com conteúdos que abrem espaço para reflexões das mais importantes
para o profissional de Educação, mas com certeza teremos uma trajetória construtiva e
prazerosa no curso dessa disciplina. Vamos trabalhar para isso!

Talvez esse seja seu primeiro contato com a Psicologia. É bem possível que você
nunca tenha estudado esses conteúdos antes e que sequer tenha se preocupado com as
questões que ela propõe. No entanto você perceberá o quanto será interessante estudar
essas questões e o quanto esse estudo lhe trará informações e conhecimentos que lhes
auxiliarão nas interações interpessoais nas quais você se envolverá, no contexto da
sala de aula. Nesse sentido, sugerimos que você disponibilize horas de estudo para
cada um dos capítulos aqui tratados, que vão desde a ideia do que é conhecimento
científico e conhecimento do senso comum, passando pela trajetória da Psicologia,
desde sua relação estreita com a filosofia até se tornar uma Ciência, e culminando com
uma reflexão sobre a Psicologia como profissão.

É importante que você vá se familiarizando com o vocabulário específico dessa


disciplina, com os textos, enfim, que você acompanhe a forma como a Psicologia
constrói seus argumentos teóricos.

Bom estudo!

Anna Paula Brito

Professora Autora
Psicologia I

Conhecendo o Volume 1

Neste primeiro volume, você irá encontrar as discussões referentes


ao Módulo 1 da disciplina Psicologia I. Para facilitar seus estudos,
veja a organização deste primeiro módulo.

Módulo 1 – A Psicologia como Ciência

Carga horária: 15 horas

Objetivo do Módulo: Discutir a trajetória da Psicologia, até se


tornar uma Ciência, enfocando, particularmente, a relação entre a
Psicologia Filosófica e a Psicologia Científica.

Conteúdos:

» O que é Psicologia?

» Breve discussão sobre Ciência e Senso Comum.

» Trajetória da Psicologia filosófica à Psicologia científica.

Cada um dos conteúdos propostos será apresentado em um


capítulo, sempre procurando articular as reflexões/discussões entre
todos os capítulos. Além da leitura dos conteúdos tratados nesse
volume, você deverá acompanhar o debate realizado no ambiente
virtual: chats, fóruns, pois eles serão fundamentais para que a
compreensão do que aqui é proposto seja ampliada e compartilhada
entre os alunos do curso.

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Psicologia I

Capítulo 1

Introdução ao Estudo da Psicologia

O que vamos estudar neste capítulo?

Nesse capítulo começaremos a adentrar no campo da Psicologia.


A questão central que será tratada é o que é a Psicologia, como
ela é reconhecida no contexto cotidiano e como ela é estudada
cientificamente.

Vamos discutir a noção de mente e como a psicologia se insere


no estudo dessa mente humana. Refletiremos um pouco sobre
as concepções que as pessoas têm acerca desse campo, e quais
os limites que diferenciam a ciência psicológica da profissão de
psicólogo.

Esse será um capítulo um pouco mais curto, cujo objetivo será


fazer com que você pense um pouco sobre essa Ciência, bem como
construir uma base para a discussão dos próximos capítulos, que
tratarão, de forma mais aprofundada, a evolução da ciência psicológica
e da Psicologia como profissão.

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Psicologia I

Capítulo 1 – Introdução ao
estudo da Psicologia

Vamos conversar sobre o assunto?

A psicologia é uma área que desperta o interesse de boa parte


das pessoas e em muitas profissões é um campo que precisa ser
considerado como um dos mais importantes. Nas empresas, o setor
de Recursos Humanos se apoia fortemente no campo da psicologia,
para poder dar conta do recrutamento, seleção, treinamento,
acompanhamento, análise de desempenho, além de outras questões
ligadas aos funcionários da empresa. Nos hospitais, clínicas,
indústrias, escolas, enfim, onde há pessoas trabalhando e vivendo em
interação, a Psicologia, de alguma forma, precisa se fazer presente.

Nas licenciaturas, por exemplo, é imprescindível que sejam


tratadas questões psicológicas, afinal de contas, desejamos que o
nosso aluno aprenda. E nesse processo de aprendizagem estão
envolvidos processos psicológicos, como a percepção, a memória, o
raciocínio, a inteligência, as emoções.

Por outro lado, o professor precisa organizar situações de ensino


que façam sentido para os alunos, tornando a aprendizagem algo
significativo e prazeroso. Nessa direção, podemos refletir: trabalhar
com crianças ou com adolescentes é a mesma coisa? Será que
nessas duas fases distintas de desenvolvimento a aprendizagem
também não se processa de forma diferente? Os papéis que o
professor assume são os mesmos, tanto com alunos crianças, como
com alunos adolescentes ou adultos? As estratégias de ensino devem
ser as mesmas?

São muitas as questões que podem ser propostas quando


pensamos na Psicologia e em suas implicações para a Educação.
Vamos pensar um pouco sobre tudo isso!

A palavra Psicologia é bastante utilizada no nosso dia-a-dia. As


pessoas em geral falam que é preciso “usar a psicologia” para lidar
com os filhos. Na escola, ouvimos dizer que o professor deve “usar
a psicologia” com os seus alunos mais difíceis. Dizem, também, que
“todo mundo tem um pouco de psicólogo”.

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Psicologia I

O que você pensa dessas afirmações? Será que a Psicologia é


algo que se usa, que se aplica diretamente? Será que todos nós temos
mesmo um pouco de psicólogos? Será que a Psicologia se aprende
na vida cotidiana, no dia-a-dia?

Levantamento de Conhecimentos Prévios

Para começarmos, então, nossas reflexões, queríamos que


você respondesse o questionário proposto a seguir. O importante é
que nesse primeiro momento você não leia nada em especial, não
pesquise, não consulte outros textos. Queremos apenas saber o que
você pensa a esse respeito, a partir de suas experiências prévias, do
que você já ouviu falar ou leu até hoje sobre a Psicologia.

- O que é Psicologia?

- Por que as pessoas, no dia-a-dia, utilizam – à sua maneira – alguns conceitos


da Psicologia?

- Por que podemos dizer que a Psicologia é compreendida como Ciência e


como Profissão?

- O que faz um psicólogo?

- O que distingue, por exemplo, o psicólogo do psiquiatra?

- Que outras Ciências dão suporte à Psicologia para que ela se constitua como
tal?

- Por outro lado, como a Psicologia pode servir de referência para outras
Ciências?

Antes de continuar a leitura, pare um pouco e responda a essas


questões, da melhor maneira que você encontrar. Não esqueça de
anotar suas respostas, para depois poder confrontá-las.

Atividades e Orientações de Estudo

O que é Psicologia?

Refletiu sobre as questões propostas? Sentiu dificuldade na


elaboração das suas respostas? Então, agora você deve validá-las e/
ou reformulá-las. Para isso, é preciso que você pesquise nas fontes de
que dispõe: discussão proposta nesse volume, texto complementares,

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Psicologia I

livros e revistas especializadas, pesquisas na internet, etc.

Um primeiro aspecto que convém destacar é que a Psicologia é


um campo de conhecimento vasto e complexo. Tal complexidade se
dá, principalmente, porque a psicologia se interessa pelos fenômenos
relacionados ao ‘humano’. Esses fenômenos, pela sua natureza,
exigem que essa Ciência se estruture em áreas, e é por isso que os
autores defendem que devemos falar não em Psicologia, mas em
Psicologias.

A Psicologia, então, se estrutura em campos de pesquisa


(Psicologia como Ciência) e em campos de atuação (Psicologia como
profissão). Cada campo definirá o tipo de pesquisa, de intervenção/
atuação desse cientista e/ou profissional.

O que diferencia o psicólogo como pesquisador


e o psicólogo como profissional liberal?

No que tange à dimensão Ciência, podemos pensar que a


Psicologia é a Ciência que estuda o fenômeno humano, tanto do
ser humano em seus processos internos, quanto o humano nas
relações com o outro, na sua constituição social. Não pretendemos
aqui dizer que essa é a melhor definição de Psicologia, porque talvez
até nem haja uma definição única e precisa. O que queremos é de
alguma forma, ajudá-lo(a) a começar a pensar sobre esse campo de
conhecimentos tão vastos e tão articulados com outros campos.

A Psicologia, para se constituir como tal, precisa se ancorar


em outros campos científicos, como a Fisiologia, a Neurologia,
a Sociologia, a Antropologia, a História, só para citar alguns. Por
outro lado, além de um campo de investigação científica, ela é uma
profissão, e esse profissional pode atuar em vários setores, como já
dissemos. Mas para isso, ele precisa de uma formação específica,
que dê conta da compreensão dos processos vividos pelos seres
humanos nas instituições, no contexto social.

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Psicologia I

Vamos discutir um pouco mais, a partir das perguntas propostas no


início do capítulo. O símbolo da Psicologia é a letra grega PSI, que é
a vigésima terceira letra do alfabeto grego. Ela é assim representada:

Você sabe de onde surgiu o nome Psicologia? Se pensarmos na


etimologia da palavra, Psi tem a ver com Psyché, que, em grego,
está relaciondo a mente ou alma. E logia vem de logos, que tem a
ver com estudo, com lógica.

Assim, se pudéssemos traduzir textualmente o significado da


palavra Psicologia, poderíamos dizer que ela é o estudo da mente, o
estudo da alma, a lógica da mente ou alma. Se divagarmos ainda
um pouco mais, quando falamos em mente ou alma, historicamente e
filosoficamente, a mente/alma era entendida como algo da dimensão
humana. Não poderíamos falar nessa dimensão em outros animais,
por mais evoluídos que fossem. Mas o que é a mente humana?

Se pensarmos na palavra mente ou se procurarmos na internet


imagens associadas a essa palavra, encontraremos diferentes
representações. Muitas vezes sua representação se confunde até
com a representação de cérebro.

Antes de prosseguir, sugerimos que você olhe atentamente para


cada uma dessas imagens e reflita sobre qual a ideia de mente que

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Psicologia I

ela passa. Do seu ponto de vista, qual seria a imagem que melhor
traduz a mente humana?

Podemos observar, como já dissemos, que em algumas das


imagens, a representação da mente parece estar bem associada
ao cérebro. Por outro lado, há outras representações que parecem
propor que a mente é algo que transcende o cérebro. O que você
pensa sobre isso?

No que tange à filosofia, desde os primórdios já se falava que o


ser humano seria o único ser dotado de ‘razão’, de ‘racionalidade’,
‘pensamento lógico’. E mesmo para os que aceitavam que o ser
humano era um animal, como propôs o filósofo grego Aristórteles,
ainda se falava que ele seria, então, o único ‘animal racional’. E como
explicar que a Psicologia se interessa pelo estudo do comportamento
animal (dos animais não-humanos) e ainda, na Psicologia Comparada,
compara os comportamentos de outras espécies animais com o
comportamento humano?

Esse questionamento, por si só, seria o suficiente para uma longa


discussão, mas pretendemos aqui nos deter no que é essencial para
a nossa reflexão acerca dos fenômenos psicológicos e do ser humano
como um ser psicológico. Pensemos mais sobre essa questão...

As Apropriações da Psicologia no dia a dia

Hoje em dia, pouco mais de 100 depois da Psicologia a ser aceita


como Ciência, não há um consenso sobre que Ciência é essa. Por
isso, como dissemos anteriormente, hoje falamos muito mais em
Psicologias do que em Psicologia.

O que também torna interessante o estudo da Psicologia é que


esse campo, embora tão complexo e de tão difícil delimitação, de
alguma forma provoca a curiosidade das pessoas. É comum ouvirmos
frases como: “João é neurótico”; “Ana é histérica”, “Maria é uma pessoa
complexada”, “Isso tem a ver com as coisas do nosso subconsciente”,
“Pedro tem um grande Complexo de Édipo”.

Nas artes, de uma maneira geral, a Psicologia trouxe fortes


influências. No campo do cinema as questões de ordem psicológica
sempre apareceram em filmes instigantes, como no clássico Psicose,
de Alfred Hitchcock (1960), ou no mais recente Uma mente brilhante
(2001), que trata da esquizofrenia de um professor de matemática,

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Psicologia I

em meio à sua genialidade.

Nos cartuns, também encontramos referência à Psicologia:

Poderíamos elencar aqui inúmeras frases que revelam como a


Psicologia faz parte do nosso discurso, das ‘análises’ que fazemos
das pessoas com quem nos relacionamos, com quem trabalhamos,
de uma forma muito mais intensa do que sequer nos damos conta.
Entretanto, se a entendemos como uma Ciência, precisamos refletir
que o uso que se faz dela no senso comum é muitas vezes inadequado
e equivocado.

É por isso que nesse curso refletiremos de uma maneira científica


sobre a Psicologia e como ela pode ajudar o professor a desenvolver
sua ação pedagógica na sala de aula. Vamos instigar um pouco mais
essa discussão, propomos questões sobre as quais refletiremos, em
seguida:

(a)
O que um professor precisa saber sobre Psicologia no
desenvolvimento da sua ação docente?

(b) Ele precisa saber se o aluno é neurótico, psicótico?

(c) Ele vai diagnosticar distúrbios de personalidade?

(d) Será que ele vai fazer algum tipo de terapia ou aconselhamento
psicológico dos alunos?

(e) Será que vai tratar de problemas de aprendizagem?

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Psicologia I

Talvez você mesmo já tenha chegado à conclusão de que o papel


do professor é bem diferente do papel do psicólogo e que, por isso
mesmo, o professor não tem que estabelecer diagnósticos ou propor
tratamentos para os seus alunos. O professor também não vai tratar
dos possíveis problemas de aprendizagem do seu aluno. Mas, então,
para que mesmo precisamos ter a psicologia como uma disciplina nas
licenciaturas?

Não há uma resposta única e precisa, mas podemos elencar


alguns motivos que fazem com que seja importante essa disciplina na
formação inicial do professor. Em primeiro lugar, a Psicologia estuda
os processos relacionados ao ato de aprender. A partir de alguns
enfoques teóricos, como os que trabalharemos em Psicologia 2,
podemos saber como essa ciência acredita que uma pessoa – esteja
ela em contexto escolar, ou não – aprende. Além das teorias que
explicam como se dá a aprendizagem, a psicologia também trata dos
processos cognitivos, ou seja, processos psicológicos estreitamente
ligados ao aprender, como a percepção, a motivação, a memória, a
inteligência.

Não bastasse essa gama de conteúdos que essa disciplina pode


tratar, a psicologia nos possibilita refletir sobre a relação professor-
aluno, a organização das situações de ensino numa sala de aula,
dentre tantas outras coisas.

Por tudo isso, entendemos que essa é uma das principais


disciplinas relacionadas à formação do professor, e indispensável a
todo aquele que quer conhecer um pouco mais do seu aluno, como
ele se desenvolve, como ele aprende, que situações de ensino podem
ser significativas para ele.

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Psicologia I

Atividades e Orientações de Estudo

Ciência e Senso Comum

Para refletirmos sobre a Psicologia como Ciência, é preciso discutir


que tipos de conhecimentos existem. Nem todo conhecimento que
existe na sociedade em que vivemos pode ser considerado científico.
Existem conhecimentos que são passados de geração a geração,
pelos membros da cultura, de forma assistemática, sem a formalidade
da escola.

Um pescador pode ensinar seu filho a confeccionar uma rede de


pesca e a consertá-la, estabelecendo a largura da trama da rede para
poder pescar determinado tipo de peixe. Pode ensiná-lo em que época
do ano pode-se realizar a pesca de um determinado peixe e qual a
época em que ele não deve ser pescado, por conta da fase de desova,
garantindo a sua reprodução. Pode ensiná-lo a conhecer as marés,
lua, navegação, etc. Esses conhecimentos são válidos e necessários
à sobrevivência daquela comunidade, mas não são conhecimentos
aprendidos em contextos científicos.

O cientista pode, inclusive, fundamentar cientificamente os saberes


que um pescador desenvolve na sua prática profissional, mas essa
prática, na grande maioria das vezes, foi desenvolvida sem uma
relação direta com a Ciência.

Conhecimentos relativos aos chás, às ervas, aos remédios


chamados ‘caseiros’, foram desenvolvidos nas comunidades
(indígenas, muitas vezes) e, ao contrário, a Ciência foi quem se
beneficiou desses conhecimentos populares:

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Psicologia I

» O chá de boldo é bom para o fígado;

» O juá é excelente para os dentes;

» A aroeira é um antiinflamatório e cicatrizante natural;

» O manjericão e outras ervas aromáticas são excelentes para o


preparo de peixes, massas e outros alimentos;

» Jamais passe a folha de urtiga em sua pele!

Boldo-do-Chile Urtiga Aroeira

Pense sobre que outros conhecimentos do senso comum você


dispõe. Se pensarmos que num curso de Educação à Distância,
temos estudantes das mais diversas localidades, podemos imaginar a
diversidade de conhecimentos nessas diferentes culturas!

O conhecimento científico, por sua vez, é sistematizado, ou seja,


ele é fruto de pesquisa e surge a partir das necessidades sociais,
tanto aquelas mais diretamente ligadas à sobrevivência da espécie
humana, como as pesquisas relacionadas ao mapeamento genético
para poder detectar quem poderá ter um câncer dali a 20 anos; até
as pesquisas relacionadas à melhoria da qualidade de vida, como
aquelas relacionadas ao desenvolvimento dos meios de comunicação,
telefonia móvel, etc.

Pesquisas com células-tronco

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Psicologia I

A transmissão do saber científico se dá em instituições que têm


o papel de fazê-lo, como a escola. É importante refletirmos que nem
todo conhecimento produzido cientificamente precisa ser ensinado
num contexto escolar. A proposição de um currículo passa justamente
a definição de quais os saberes científicos que necessitam de ser
conhecidos por um determinado grupo de alunos, numa determinada
série de estudo. Mas o currículo escolar não trata apenas de saberes
científicos. Os conhecimentos ligados à cultura – inclusive aqueles
do senso comum – muitas vezes aparecem no currículo escolar,
porque a escola entende que é da relação dialética entre ciência e
senso comum, que uma sociedade se constitui e perpetua seus
conhecimentos produzidos.

Essa discussão nos leva a crer que existe uma relação mais
estreita entre a Ciência e o Senso comum do que podemos imaginar.
Mas será que podemos dizer que o conhecimento do senso comum é
suficiente para possibilitar a vida com qualidade dentro das sociedades
contemporâneas?

Essa questão não é de fácil resposta, porque ao respondê-la nós


admitimos certa visão de mundo. Há aqueles que defenderão a vida
da forma mais próxima possível do ‘natural’, da ‘natureza’, e rejeitem
a tecnologia, a Ciência, os medicamentos alopáticos. Por outro lado,
haverá os que defendem que sem o desenvolvimento científico e
tecnológico jamais teríamos a qualidade de vida que temos hoje.

Talvez seja mais produtivo pensarmos em termos de convergências


do que em olhares dicotômicos em relação ao mundo ‘natural’ e o
mundo ‘científico’. O que sabemos é que a Ciência busca hoje
descobrir o caminho para a longevidade, para a vida com qualidade, a
velhice como sinônimo de vitalidade, de produção, de vida e, não, de
morte. Então, descobre-se a importância da atividade física; descobre-

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Psicologia I

se o poder do ômega 3, que encontramos em alimentos mais naturais,


como o peixe; o perigo dos conservantes e dos agrotóxicos; as
verduras e legumes tratados de forma orgânica, ao invés de química;
o perigo dos hormônios administrados nas carnes, frangos; etc.

Alimentos ricos em ômega 3 O uso de agrotóxicos tem sido cada


vez mais condenado

E o que tudo isso interessa ao nosso debate sobre a Psicologia?


Nas questões que você respondeu, uma das perguntas propostas era
sobre o porquê da Psicologia poder ser considerada uma Ciência.

É importante observar que a Psicologia muitas vezes tem sido


tratada como um conhecimento do senso comum. E é por isso que é
comum imaginar que ‘todos podem ser um pouco psicólogos’. Que tal
desmistificarmos essa compreensão inadequada? É disso que vamos
tratar no capítulo a seguir.

Cinema em Ação

Psicologia na 7ª Arte!

Que tal se você dedicar agora um tempo para pesquisar um pouco


sobre como a Psicologia aparece nos nossos contextos cotidianos.
Procure na internet ou em locadoras de dvd alguns filmes que tratem
de conteúdos psicológicos e anote seus nomes.

Você pode escolher pelo menos um deles e assistir, procurando


perceber em que medida os conteúdos de Psicologia são tratados na
obra.

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Psicologia I

Depois de fazer uma lista de filmes que você identificou que trazem
essa abordagem, apresente um breve resumo do filme (você pode
pegar informações na sinopse) e poste no ambiente virtual. Caso
tenha assitido a algum deles, você pode dar sua opinião.

Como já havíamos mencionado dois filmes, eis a nossa


contribuição:

Dica de Filme

Psicose

Sinopse: O diretor Alfred Hitchcock conta a história de uma


secretária em fuga que se hospeda num hotel de beira de
estrada, onde é atendida por seu estranho dono. Com Anthony
Perkins e Janet Leigh. Recebeu 4 indicações ao Oscar. Ano de
lançamento: 1960.

Opinião pessoal: considero esse um clássico do cinema, que


deveria ser assistido por todos aqueles que se interessam por
essa arte. A abordagem psicológica que o filme faz é muito
interessante é bem fundamentada. A cena do banheiro é uma
das mais marcantes do cinema mundial. Recomendamos!

Dica de Filme

Uma Mente Brilhante

Sinopse: O diretor Ron Howard leva às telas a história de John


Nash, homem considerado esquizofrênico pelos médicos, mas
que chegou a ganhar um Prêmio Nobel graças à sua genialidade.
Com Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly e Christopher
Plummer. Vencedor de 4 Oscars. Ano de lançamento: 2001.

Opinião pessoal: excelente filme, que prende o expectador do


início ao fim. Também recomendamos!

Informações obtidas no site: http://www.adorocinema.com

Vamos Revisar?

Depois de introduzirmos a discussão sobre Psicologia e de

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Psicologia I

discutirmos um pouco sobre Ciência e Senso Comum, aprofundaremos,


no próximo capítulo, as questões referentes à Psicologia científica e a
sua trajetória desde sua filiação filosófica, até poder ser considerada,
de fato, uma Ciência.

Mas antes de prosseguirmos, que tal fazermos uma revisão das


ideias tratadas até aqui?

Resumo

Neste capítulo, você estudou que a Psicologia pode ser entendida como Ciência
e Profissão. Estudou também que, para adquirir o status de Ciência, a Psicologia
precisou se apoiar em outros campos que lhe dessem suporte para estudar o
fenômeno humano.

Um dos campos mais importantes para a Ciência psicológica foi a fisiologia,


particularmente, os conhecimentos relativos ao cérebro humano. Tais
conhecimentos possibilitaram um avanço considerável nos estudos relativos à
mente humana, como uma entidade psicológica.

Discutimos também a relação entre conhecimento científico e conhecimento do


senso comum, analisando o que caracteriza cada uma dessas modalidades de
conhecimento e qual a sua importância no contexto social. Estudamos que o
conhecimento do senso comum é passado de maneira mais assistemática, de
geração a geração, enquanto que o conhecimento científico é mais sistematizado.
A escola é responsável pela transmissão de boa parte desses saberes científicos
e mesmo aqueles do senso comum.

Em suma, refletimos que o conhecimento é algo fundamental para o


desenvolvimento de uma sociedade e muito mais do que tentar valorizar um tipo
de conhecimento em detrimento do outro, é preciso pensar no quanto podemos
evoluir e melhorar as condições de nossa existência a partir dos conhecimentos
produzidos na Ciência e na Cultura.

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Psicologia I

Capítulo 2

Da Psicologia Filosófica à Psicologia Científica

O que vamos estudar neste capítulo?

Nesse capítulo estudaremos a Psicologia como Ciência.


Enfocaremos, inicialmente, a trajetória cumprida pela Psicologia,
desde sua filiação à Filosofia, até a sua inserção no cenário científico
do Século XIX.

Ao longo do capítulo discutiremos o que é o conhecimento filosófico


e o que é o Conhecimento Científico, procurando mostrar como a
Psicologia Filosófica se transforma em Psicologia Científica, sem,
contudo, abandonar suas raízes filosóficas. Refletiremos, também,
em que medida podemos falar na Filosofia das Ciências, ou seja,
entender que toda Ciência tema sua base filosófica e que, no caso da
Psicologia, sua natureza filosófica é fortemente evidenciada.

Em seguida, apresentaremos as principais Escolas da Psicologia,


a partir do Século XX: o Behaviorismo, a Gestalt, o Humanismo
e a Psicanálise, destacando brevemente os principais estudiosos
relacionados a cada uma desses escolas e os principais pressupostos
teóricos nelas defendidos.

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Psicologia I

Capítulo 2 – Da Psicologia
Filosófica à Psicologia
Científica

Para iniciarmos a nossa discussão nesse capítulo, é preciso


refletir que a Ciência também é uma ‘construção’. Algumas pessoas
acreditam que a Ciência foi produzida tal qual vemos hoje. Mas
sabemos que isso não é verdade. A Ciência evoluiu, e para que se
possa compreender o ponto em que ela está nos dias atuais, é preciso
conhecer a sua trajetória.

Psicologia Filosófica versus Psicologia


Científica

A Psicologia, como Ciência, também teve uma trajetória. Uma


longa trajetória que só se consolidou no ano de 1879, com a fundação
do primeiro Laboratório de Psicologia Experimental, na Alemanha,
quando ela passou a ser reconhecida como campo científico. Assim,
embora considerando que a reflexão filosófica sobre a mente ou a
alma humana (que eram tidas como questões psicológicas) remonta a
Grécia Antiga, a Psicologia é uma Ciência bastante jovem, com pouco
mais de 100 anos.

Um dos aspectos que mais esteve relacionado à longa trajetória


da Psicologia até que ela atingisse o status de Ciência, foi o fato
de que ela nasceu da Filosofia, e a esta ficou vinculada durante
séculos. Nesse sentido, os autores que tratam da evolução da
Ciência Psicológica situam dois momentos distintos na constituição
desse campo: A Psicologia Filosófica e a Psicologia Científica. É essa
discussão que enfocaremos agora, mas antes mesmo de passarmos
para ela, sugerimos que você reflita um pouco.

Filosofia pode ser considerada Ciência?

O que diferencia Ciência e Filosofia?

Para ajudar em sua reflexão, que tal você pesquisar alguns textos
na internet que tratem dos contrapontos entre Ciência e Filosofia?

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Psicologia I

Levantamento de Conhecimentos Prévios

Agora que você já refletiu um pouco, sugerimos que você responda


a essas perguntas, anotando-as da maneira que mais lhe convier.

1. O que diferenciaria Ciência e Filosofia?

2. Por outro lado, o que caracteriza o conhecimento científico e o conhecimento


do senso comum?

2. Ainda na mesma direção de pensamento, reflita sobre o que aproxima e o que


diferencia a Psicologia, a Sociologia, a Matemática, a Biologia; se entendemos
que todas são Ciências.

3. Finalmente, você acha que podemos falar em um único modelo de Ciência ou


em ‘modelos de Ciência’?

Vamos conversar sobre o assunto?

A partir das questões que você refletiu e respondeu, sobre o


que é Ciência e se há ‘modelos de Ciência’ a serem considerados,
podemos, para iniciar a discussão, considerar que uma das ideias
mais importantes no cenário da Ciência é que para que esta seja
definida como tal, alguns critérios são necessários:

1. A definição de um objeto de estudo;

2. A utilização de métodos de investigação do seu objeto;

3. A produção de teorias/modelos teóricos e modelos empíricos;

4. A possibilidade de generalização dos seus achados empíricos


e modelos teóricos;

5. A possibilidade de superação de antigos conhecimentos e


proposição de novos.

A Ciência define seu(s) objeto(s) de estudo e os cientistas buscam


métodos para investigá-los. Esses métodos, muitas vezes , precisam
ser desenvolvidos em laboratórios, com a utilização de ferramentas,
de um instrumental adequado para aquela investigação.

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Psicologia I

A partir dessas investigações, são produzidos modelos teóricos


(ou empíricos), que são generalizáveis e aceitos na comunidade
científica.

A Ciência também entende que antigos modelos podem ser


substituidos por novos modelos. Ou seja, a Ciência está em contínuo
processo de construção e reconstrução de conhecimentos. Foi
assim com a ideia de Modelo Geocêntrico e Modelo Heliocêntrico.
Com o modelo heliocêntrico, proposto inicialmente por Copérnico e
defendido por Galileu, a Terra não era o centro do Universo e o Sol e
demais planetas não giravam ao seu redor. Ao contrário, o Sol estava
no centro do Sistema Solar, que era apenas mais um Sistema a ser
considerado no Universo.

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Psicologia I

Essa é apenas uma das possibilidades de análise do que


caracteriza uma Ciência. É possível propor critérios diferentes dos
que aqui defendemos.
Dica
Essas possibilidades de análise do que é a Ciência, têm relação
Procure no com o que podemos chamar de Paradigmas da Ciência.
dicionário o
significado
da palavra Hoje, muito mais do que Ciência, podemos falar em Ciências
paradigma e
(no plural). Os objetos de estudo dessas Ciências e os métodos de
tente situá-lo no
contexto de nossa investigação das mesmas caracterizarão a que campo científico
discussão.
uma determinada Ciência pertence. Fala-se em Ciências Exatas (a
Matemática, por exemplo), Ciências da Natureza (Física, Química,
Biologia, etc.), Ciências Humanas (a Psicologia e a Antropologia
frequentemente são situada aqui), Ciências Sociais (Sociologia, por
exemplo). Tais Ciências, entretanto, têm sub-áreas que fazem muitas
vezes uma interface com outros campos científicos. Por exemplo, a
Psicologia Social, como campo de investigação, talvez esteja mais
ancorada nas Ciências Sociais do que nas Humanas.

Os ‘Paradigmas de Ciência’ de que falamos, são definidos,


também, em função da Filosofia da Ciência. Chegamos, então, a um
aspecto essencial: o que diferencia Ciência e Filosofia?

Para auxiliá-lo nas reflexões propostas até agora, leia o texto


complementar que se encontra no moodle, na biblioteca virtual
da nossa disciplina (Sílvio Seno Chibeni - Observações sobre as
Relações entre a Ciência e a Filosofia) ou acesse-o diretamente na
internet, pelo site: http://www.unicamp.br/~chibeni/texdid/cienfilo.doc

Refletindo a Partir do Que Você Leu

Na leitura do texto complementar, você deve ter observado que


embora Filosofia e Ciência sejam campos diferentes, ambos estão
intimamente relacionados. Um primeiro aspecto que podemos falar
é que toda Ciência tem uma (ou mais) concepção(ões) filosófica(s)
subjacente(s) a ela. A Matemática, por exemplo - sobretudo aquela
ligada aos Axiomas, à Lógica - pode ser relacionada à perspectiva
da Filosofia Racionalista. O próprio René Descartes (do Plano
Cartesiano, lembra?), além de matemático, era filósofo. O mesmo
podemos dizer do filósofo Pitágoras. Lembra do seu Teorema?

24
Psicologia I

René Descartes (1596-1650) Pitágoras (570 a.C-496 a.C.)

Por outro lado, Ciências como a Biologia, a Física – as chamadas


Ciências da Natureza – têm uma forte influência do Empirismo, de
John Locke, que propõe que todo conhecimento se dá a partir da
experiência. Vem dessa influência a importância da experimentação
nesses campos científicos.

Podemos, também, considerar a existência da Filosofia da Ciência,


como a parte da filosofia que estuda a natureza de um determinado
conhecimento científico.

A Filosofia da Ciência também vai ser chamada, como vocês viram


no texto complementar, de EPISTEMOLOGIA. Episteme quer dizer
‘conhecimento’. Logo, a Epistemologia pode ser entendida, de uma
forma bem sintética, como o Estudo do Conhecimento.

Embora a Filosofia seja talvez a forma mais antiga de interesse e


reflexão sobre o conhecimento, não há uma preocupação com o rigor
científico e metodológico, com a generalização, com a elaboração de
modelos teóricos, com a pesquisa. Isso também marca uma distinção
entre ela e a Ciência.

Por tudo isso a Psicologia precisou cumprir a trajetória desde sua


vinculação à Filosofia – ainda na época dos Gregos – até se vincular
à Ciência, no Século XIX.

Por fim, ainda nessa discussão sobre Ciência versus Filosofia,


a Ciência do Século XXI se aproxima cada vez mais da Filosofia.
Um exemplo diz respeito aos estudos da Física Quântica, que
revolucionaram a concepção vigente de Ciência.

25
Psicologia I

Será que a
Filosofia e a
Ciência vivem
em desacordo?

O filósofo Platão O físico Albert Einstein

Você Sabia?

Embora seja inegável a valorização do conhecimento científico


e a compreensão de que a Ciência tem um papel fundamental
para o desenvolvimento de uma sociedade, os saberes culturais
também passaram a ser mais valorizados. A Psicologia Social
trouxe uma grande contribuição para as pesquisas no campo
das Representações Sociais. É como se pudéssemos dizer que
o conhecimento do senso comum passa a ser tratado como um
conhecimento relevante, que nos revela elementos ligados tanto
ao indivíduo, como um Ser da Cultura, e às representações
psicológicas que ele constroi em sua inserção cultural, quanto
aos grupos sociais (formados por esses indivíduos). A pesquisa
no campo das representações sociais pode ser compreendida,
então, como uma pesquisa que se ancora tanto na psicologia,
quanto na sociologia, e que destoa fortemente do paradigma
mais positivista que se tinha de ciência.

Atividades e Orientações de Estudo

As Escolas da Psicologia Científica

Ainda no que se refere à Psicologia Científica, e pela complexidade


que envolve o seu estudo (como já mencionamos), ao longo da sua
evolução foram desenvolvidas Escolas.

Essas Escolas da Psicologia, na verdade, constituem um conjunto


de teorias e de abordagens metodológicas para a investigação
ser humano, dos processos psicológicos e das funções que o
constituem.

26
Psicologia I

As Escolas mais importantes na consolidação da Psicologia são


o Behaviorismo, a Gestalt, o Humanismo e a Psicanálise. Muitas
das proposições desses modelos teóricos são tão distintas, que é
até surpreendente pensar que todas dizem respeito a uma mesma
Ciência.

O nosso objetivo não é o de aprofundar cada uma das Escolas,


mas queremos que você conheçam os seus principais representantes
e as ideias fundamentais discutidas em cada uma delas.

O Behaviorismo: A Psicologia como a Ciência


do Comportamento

Fundado por John Watson, nos Estados Unidos, o behaviorismo


foi uma das Escolas que mais contribuiu para a consolidação da
Psicologia como Ciência e uma das que mais se adaptou a um modelo
experimental de Psicologia. Seu nome vem da palavra behavior,
que quer dizer comportamento. Em função disso, o behaviorismo
também foi chamado de comportamentalismo. Na disciplina Psicologia
2, vamos aprofundar a discussão acerca do Behaviorismo, mas
queremos trazer aqui uma breve ideia do que essa escola propôs.

Um primeiro aspecto que convém destacar é que o behaviorismo


acreditava que a ciência psicológica devia estudar o comportamento
observável, e esse seria, então, o objeto de estudo dessa ciência.
Por outro lado, para estudar tal comportamento, seria necessário criar
situações experimentais, de preferência em laboratórios, para poder
conseguir o maior controle possível das variáveis que pudessem
interferir no experimento.

O behaviorismo também se interessou por estudos com animais,


tanto por se interessar genuinamente como o comportamento animal

27
Psicologia I

se desenvolvia, bem como para propor estudos comparativos com o


comportamento de seres humanos.

Para o behaviorismo, a relação estímulo-resposta (E-R ou S-R)


explicava o comportamento humano e de outras espécies animais,
definindo o comportamento como a resposta esperada frente a um
determinado estímulo do ambiente. O clássico experimento do
fisiologista russo Ivan Pavlov, no qual ele mostrava como condicionar
a salivação de um cão, a partir de um estímulo - o toque de uma
campainha - teve um papel fundamental para o desenvolvimento
dos estudos no campo do condicionamento de comportamentos, que
muito interessou ao behaviorismo.

Experimento de Pavlov que provocava a salivação do cão, na


presença do estímulo da campainha:

O Neobehaviorismo de Skinner

B. F. Skinner ampliou a teorização proposta por Watson, e propôs


que o comportamento é fruto de um processo de ‘modelagem’.
Modelar o comportamento é fazer com que ele apareça na presença
de um determinado estímulo, ou que seja extinto, caso isso seja
desejado. Isso já havia sido proposto no experimento de Pavlov, mas
o que diferenciava sua proposta do modelo pavloviano, era o fato
de que tal modelagem se daria em função do que ele chamou de
‘contingências de reforço’. Ou seja, o reforço (ou castigo) ministrado
após a apresentação de determinado comportamento teria o papel de
fazer com que esse comportamento se mantivesse ou se extinguisse.
Dito de maneira sintética, o reforço faria com que o comportamento
fosse perpetuado e o castigo (ou punição) teria o objetivo de extinguir
o comportamento.

28
Psicologia I

Esquema de condicionamento, segundo a perspectiva Skinneriana:

Exemplo de Modelagem do Comportamento, a partir da ideia de


reforçamento: A Caixa de Skinner.

O behaviorismo trouxe uma grande contribuição para a análise


dos processos educativos, mas foi uma escola bastante criticada,
particularmente no que tange à sua abordagem acerca da educação.
Os seus maiores críticos discutem que não se pode pensar sobre a
aprendizagem humana como um mero processo de condicionamento.
Criticam também o fato de que a teoria behaviorista deconsidera,
em larga medida, as questões de ordem mais subjetivas, como a
motivação, as emoções, que é algo tão presente no ser humano e
tão importante em seus processos de aprendizagem. Por isso que
ela será objeto de estudo na disciplina Psicologia 2, que enfocará as
teorias de aprendizagem.

29
Psicologia I

Para rir um pouco...

O que será que o cão do experimento de Pavlov ‘pensava’ enquanto


o cientista russo fazia sua experiência? Uma charge sugere que esse
seria o pensamento do cão:

A Gestalt: A Psicologia da Forma

Uma das mais importantes imagens associadas à Gestalt.


O que você vê nessa imagem?

Escola psicológica alemã, fundada a partir dos trabalhos de M.


Wertheimer, W. Köhler e K. Kofka. Foi uma das escolas cujos postulados
teóricos mais se distinguiram do behaviorismo, particularmente por
atribuir aos princípios de organização neurofisiológica do indivíduo um
papel fundamental no seu processo de aprendizagem e de percepção
do mundo.

Para a Gestalt, o todo é sempre mais (ou maior) que a soma


das partes. Com isso, a Gestalt contrariava a visão de aprendizagem
por associações, partindo sempre da unidade aos conjuntos, conforme
proposto pelo behaviorismo. Na visão da Gestalt, uma melodia é muito
mais do que notas musicais associadas.

30
Psicologia I

Essa Escola interessou-se fundamentalmente pelo processo


de percepção, o que lhe valeu ser chamada também de Psicologia
da Forma. No volume 2, estudaremos de forma mais aprofundada
o processo de percepção, e faremos referência à gestalt, como a
principal Escola da Psicologia que contribuiu para a compreensão
desse processo.

O princípio fundamental da Gestalt é que todo processo


psicológico é fruto de uma ação integradora que envolve os processos
psicofisiológicos e conduz à percepção da totalidade. Dito de forma
sintética, o mundo não é percebido em estímulos parciais, mas como
um todo integrado e articulado, regido pelo princípio da boa forma.

Assim como o behaviorismo, a Gestalt também realizou estudos


com animais e também utilizou o método experimental como base para
as suas pesquisas. Vários estudos foram realizados com primatas,
particularmente chimpanzés, procurando compreender como esses
processos de organização perceptual se davam naquela espécie
e, a partir dessa compreensão, poder traçar comparações com a
percepção na espécie humana.

A Gestalt também postulou que a aprendizagem se dá por insight.


Esse processo seria semelhante ao que chamamos, nas descobertas
científicas, de eureka, a aprendizagem súbita, fruto da reorganização
dos estímulos, num todo perceptualmente coerente. Muitas das
descobertas científicas foram atribuidas a essa organização súbita.

A aprendizagem, ainda segundo a Gestalt, também estaria


relacionada à resolução de problemas. Existe um estudo clássico
que mostra como um chimpanzé consegue resolver um dado
problema, a partir de um insight. Ele desejava pegar um cacho de
bananas pendurado no teto, mas apenas com seu corpo, mesmo que
esticando ao máximo o braço, ele não conseguia. Ao seu lado havia
caixotes de madeira espalhados. Após algumas tentativas utilizando
seu próprio corpo, o chimpanzé pega um dos caixotes, sobre nele,
mas novamente não consegue. Pega, então, outro caixote, sem
sucesso. Por fim, depois de várias tentativas, tem um insight: empilha
os caixotes e consegue, enfim, agarrar o cacho de bananas, como
mostra o desenho a seguir.

31
Psicologia I

Além da Gestalt, outra importante Escola da Psicologia foi o


Humanismo. Que tal conhecermos um pouco do que a psicologia
humanista propõe?

O Humanismo: O Ser Humano em Busca de


Autorrealização

Carl Rogers: 1902-1987

Fundado nos Estados Unidos, o humanismo foi uma Escola da


Psicologia fundada por Carl Rogers e propunha uma abordagem
bastante diferenciada do que estava sendo discutido na Psicologia
do início do Século XX, tanto em relação ao Behaviorismo, quanto à
Gestalt e à própria Psicanálise. O enfoque humanista teve importantes
implicações na clínica e nas escolas.

Diferentemente das duas outras abordagens, Rogers não fez


pesquisas com animais, porque acreditava que a essência humana era
própria da sua natureza de ser humano, e não poderia ser entendida
por comparação com outros animais. Também não se interessou por
laboratórios e método experimental (utilizados pelo Behaviorismo e
Gestalt) pois entendia que tais ambientes artificializavam o ambiente
natural do ser humano e que, por isso, não permitiam conhece-lo em
sua essência. Seu grande ‘laboratório de investigação do humano’ foi

32
Psicologia I

a clínica, a partir dos processo psicoterapêutico vivido pelo indivíduo.

Do ponto de vista clínico, Rogers é o Pai da conhecida Abordagem


Centrada na Pessoa (ACP), que pretendia o desenvolvimento de
uma psicologia clínica que colocasse a pessoa no centro do processo
e suas vivências do aqui e agora como o foco principal de atuação
naquele ambiente.

Esse estudioso entendia que por toda exigência de atender aos


modelos de Ciência vigentes, a Psicologia havia se distanciado do
que era realmente essencial: o homem, suas necessidades, sua
natureza subjetiva. Por isso, foi buscar nas filosofias humanistas e
existencialistas as bases para a compreensão da natureza humana.
Ao invés de falar de neuroses (como acontecia na Psicanálise), Rogers
postulou que o ser humano tendia sempre à saúde, à autorrealização.
Essa busca incessante fazia com que emergissem conflitos, quando o
indivíduo se percebia distante desse caminho de autorrealização.

Assim, a psicoterapia tinha o objetivo de ajudar a pessoa a


retomar a sua tendência de se autorrealizar, de ir em busca da sua
saúde mental. Rogers escreveu importantes obras a esse respeito,
como o livro Tornar-se Pessoa (1961), onde aborda todos os seus
princípios teóricos e a compreensão que tem do homem na busca do
desenvolvimento de suas potencialidades.

Essa tendência à auto-atualização foi sistematizada por Abraham


Maslow, em sua pirâmide da hierarquia das necessidades, desde as
necessidades básicas – de ordem fisiológica – até as mais subjetivas,
conforme a figura a seguir:

No campo da educação a proposta de Rogers era a de pensar


uma educação diferente, onde a base estivesse no desejo genuíno do
aluno de aprender. A aprendizagem deveria ser significativa, ou seja,
deveria ser proposto um ensino cujos conteúdos fizessem sentido

33
Psicologia I

para os alunos. A escola idealizada por Rogers seria uma escola


onde não houvesse um currículo ‘amarrado’ e predefinido, mas onde
o aluno tivessem liberdade para fazerem suas escolhas, aprendendo
aquilo que lhes despertasse a motivação.

Uma das obras mais importantes desse autor, a esse respeito, foi o
livro Liberdade para Aprender (1969), onde postula os princípios que
acredita como fundamentais à educação. Alguns desses princípios
podem ser resumidos no quadro a seguir.

Implicações no domínio da Educação

1. Necessidade de a aprendizagem ser significativa, o que acontece mais


facilmente quando as situações são percebidas como problemáticas,
portanto pode-se dizer que só se aprende aquilo que é necessário, não se
pode ensinar diretamente a nenhuma pessoa;

2. Autenticidade do professor, isto é, a aprendizagem pode ser facilitada se


ele for congruente. Isso implica que o professor tenha uma consciência plena
das atitudes que assume, sentindo-se receptivo perante seus sentimentos
reais, tornando-se uma pessoa real na relação com seus alunos;

3. Aceitação e compreensão: a aprendizagem significativa é possível se o


professor for capaz de aceitar o aluno tal como ele é, compreendendo os
sentimentos que este manifesta, pois a aprendizagem autêntica é baseada
na aceitação incondicional do outro;

4. Tendência dos alunos para se afirmarem, isto é , os estudantes que estão


em contato real com os problemas da vida, procuram aprender, desejam
crescer e descobrir, querem criar, o que, pressupõe uma confiança básica
na pessoa, no seu próprio crescimento.

5. A função do professor consistiria no desenvolvimento de uma relação


pessoal com seus alunos e de o estabelecimento de um clima nas aulas que
possibilitasse a realização natural dessas tendências; portanto o professor
é um facilitador da aprendizagem significativa, fazendo parte do grupo e
não estando colocado acima dele; este também é um dos pressupostos
básicos da teoria de Rogers, ou seja, o aspecto interacional da situação de
aprendizagem, visando às relações interpessoais e intergrupais;

6. O professor e o aluno são co-responsáveis pela aprendizagem, não


havendo avaliação externa, a auto-avaliação deve ser incentivada; implica
em uma filosofia democrática;

7. Organização pedagógica flexível;

8. É por meio de atos que se adquire aprendizagens mais significativas;

9. A aprendizagem mais socialmente útil, no mundo moderno, é a do


próprio processo de aprendizagem, uma contínua abertura à experiência e
à incorporação, dentro de si mesmo, do processo de mudança.

Fonte: http://www.pedrassoli.psc.br/psicologia/rogers.aspx

34
Psicologia I

O humanismo de Rogers propôs importantes reflexões para


a Psicologia, e até hoje sua proposta terapeutica ainda é bastante
adotada. Talvez seu mais clássico opositor, em termos abordagem
psicoterápica seja Sigmund Freud, com a sua Psicanálise. Vamos
conhecer um pouco dessa Escola?

A Psicanálise e o Estudo do Inconsciente

Quem é esse homem, que revolucionou a psiquiatria e a psicologia


da primeira metade do Século XX? Que pressupostos tão perturbadores
Freud postulou, numa sociedade europeia conservadora, em meio a
uma medicina tão tradicional e uma psiquiatria fundamentada numa
visão organicista?

A última importante Escola que marcou a Psicologia, e que


queremos aqui falar brevemente é a Psicanálise. Essa abordagem
teórica talvez seja a que mais é referendada no senso comum. Quem
nunca ouviu a expressão “Freud explica!”?

A Psicanálise foi fundada pelo médico vienense Sigmund Freud,


e tornou-se talvez a Escola mais conhecida e controversa da
Psicologia. Por sua teoria acerca do desenvolvimento psicossexual
humano, Freud cunhou conceitos importantes e fez uma abordagem
completamente original do desenvolvimento do psiquismo humano.
Na nossa discussão sobre Personalidade, ainda nessa disciplina,
vamos nos aprofundar um pouco mais em seus estudos.

Embora haja reflexões relacionando psicanálise e educação,


particularmente num campo chamado Psicopedagogia, que, dito de
maneira sintética, procura investigar a natureza psicodinâmica dos
problemas de aprendizagem, a obra de Freud teve uma forte influência
no campo das investigações acerca da estruturação da personalidade
humana e na área clínica, instituíndo a psicanálise como método

35
Psicologia I

terapêutico.

Freud postulou duas teorias sobre o que ele chamos de aparelho


psíquico. Na primeira teoria do aparelho psíquico ele discute os
níveis de consciência. Segundo Freud, são três níveis de consciência:
o consciente, o preconsciente e o inconsciente. De forma bastante
resumida, podemos dizer que no consciente estão todas as memórias
e informações que precisamos dispor no momento exato em que nos
encontramos.

Para Freud, poucos conteúdos ficam no plano consciente. O


preconsciente, por sua vez, diz respeito àquilo que pode facilmente
ser evocado à consciência, como se fosse algo que está em uma
gaveta ao nosso alcance e que podemos buscar no momento em
que desejamos. O nível inconsciente, como você já deve estar
imaginando, diz respeito aos conteúdos inacessíveis à consciência
que, na perspectiva freudiana, são a grande maioria.

Nossas memórias e desejos mais primitivos, da mais tenra


infância, encontram-se nesse nível, particularmente conteúdos
ligados à agressividade, à sexualidade. Esses conteúdos só chegam
à consciência de forma disfarçada, simbólica, como, por exemplo, a
partir dos sonhos e do que ele chamou de lapsos e atos falhos. Tais
instâncias psíquicas podem ser representadas como se fossem um
iceberg: a parte que aparece do iceberg seria a consciência. Aquela
parte que ora está submersa e ora aparece, seria o preconsciente
e, por fim, a maior parte do iceberg, que a submersa, seria o
inconsciente. A figura a seguir ilustra essa metáfora que acabamos
de propor.

A segunda teoria do aparelho psíquico fala sobre as instâncias

36
Psicologia I

psíquicas: o id, o ego e o superego. Dito também de forma bastante


resumida, o id diz respeito à parte mais primitiva do psiquismo humano
e é regido pelo que Freud chamou de princípio do prazer. Como não
existe uma relação com a realidade, o id busca o prazer e a satisfação
dos desejos mais primitivos do ser. Está relacionado às pulsões,
a algo não apenas de natureza psíquica, mas também orgânica,
visceral. O ego, por sua vez, é regido pelo princípio da realidade e
está ‘espremido’ entre os desejos do id, o mundo real e a censura do
superego. Essa última instância (o superego), portanto, representa a
internalização da censura, da moral, da proibição dos desejos. Por
fim, id, ego e superego não convivem de forma harmônica e essa,
basicamente, é a razão dos conflitos e neuroses humanas.

Falar da psicanálise não é tarefa fácil, pois se tratarmos de forma


superficial corremos o risco de fazer uma interpretação inadequada
da teoria. Por outro lado, para tratá-la de forma mais adequada,
precisamos de um aprofundamento teórico de anos de estudo. Por
isso, para se tornar um psicanalista, é preciso que se faça uma
formação à parte. Não existe curso superior de psicanálise, mas para
ser um psicanalista é necessário que se tenha algum curso superior
que, de alguma forma, contribua para a sua formação, como por
exemplo, psicologia, medicina, filosofia.

Discutiremos um pouco mais de Freud quando tratarmos a questão


da Identidade e Personalidade, no volume 4 dessa coleção.

Cinema em Ação

Psicologia na 7ª Arte!

Você conhece algum filme que possa ser interpretado a partir


dessas Escolas da Psicologia? Selecionamos aqui alguns filmes que
consideramos interessantes e que trazem abordagens que tem a ver

37
Psicologia I

com o que propõem algumas das Escolas. Vale a pena conferir!

Dica de Filme

O filme Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971), do


diretor Stanley Kubrick é um dos filmes mais importantes
da década de 70 e talvez o mais perfeito filme para discutir
o Behaviorismo. Trata de um jovem e um grupo de amigos
delinquentes, que promovem todo tipo de atrocidade em sua
cidade (drogas, estupros, roubos, agressão). Ao ser preso,
Alex decide participar como cobaia de um experimento que se
propõe a regenerar a pessoa com personalidade delinquente,
tornando-a um ser indefeso. Como ele aceita, começam
sessões de condicionamento para torná-lo um ser ‘normal’.
Quer saber mais? Que tal assistir o filme?

Dica de Filme

Freud Além da Alma (Freud: The secret passion, 1962) é


um filme em preto e branco, que traz a trajetória de Freud
no desenvolvimento da Psicanálise. É um filme de conteúdo
denso, que trata com muita seriedade o nascimento da
psicanálise. Merece destaque a cena em que Freud apresenta
suas proposições teóricas acerca da sexualidade infantil para
a comunidade científica, e a maioria dos presentes se retira,
deixando-o quase que falando sozinho, muitos cuspindo em
seus pés, em sinal de repúdio à sua teoria. Nos cursos de
formação em Psicologia é quase um filme obrigatório.

Dica de Filme

O clássico Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets


Society, 1989) talvez seja um bom filme para uma reflexão
mais voltada ao humanismo, ao existencialismo. O professor
de literatura, brilhantemente interpretado por Robin Williams,
se rebela contra o sistema tradicional da escola em que leciona
e decide fazer com que seus alunos pensem, expressem suas
emoções, tornem-se mais humanos. É uma excelente dica
para os que gostam de filmes que emocionam. A cena final é
marcante e leva alguns expectadores às lágrimas.

38
Psicologia I

Vamos Revisar?

O capítulo que acabamos de estudar trouxe questões muito


importantes para você refletir acerca da Psicologia científica. Que tal
retomarmos os principais pontos tratados?

Resumo

Neste capítulo, estudamos que a psicologia cumpriu uma longa trajetória, até se
transformar em Ciência. Nesse sentido, ela precisou desvincular-se da filosofia
(de influência grega) para poder se constituir como tal.

Assim, em 1789 nasceu a Psicologia Científica, tendo como marco a fundação de


um Laboratório de Psicologia Experimental na Alemanha.

Para poder adquirir o status de Ciência, a Psicologia precisou atender ao que


se esperava de Ciência naquela época (e que ainda hoje também se espera):
definir um objeto de estudo; definir métodos de investigação desse objeto; propor
análises teóricas fundamentadas em pesquisas; ter a possibilidade de generalizar
seus postulados teóricos.

Mas a discussão sobre Ciência está ancorada no Paradigma de Ciência existente.


Vimos que, na atualidade, não se pode falar apenas em um único modelo de
Ciência, mas nas Ciências, como as Exatas, da Natureza, Humanas, Sociais.
Essa abertura na possibilidade de pensar a Ciência foi importante para uma
Ciência que, como a Psicologia, estuda o fenômeno humano, a pessoa e os
processos que envolvem sua constituição psíquica.

Começaram, então, a surgir movimentos científicos, no campo da Psicologia,


que passaram a ser chamadas de Escolas. As quatro Escolas mais importantes
da Psicologia do Século XX são o Behaviorismo americano; a Gestalt, na Europa
(mais precisamente, Alemanha); o Humanismo, também nos Estados unidos e,
finalmente, a Psicanálise, que deriva da Medicina e tem no austríaco Sigmund
Freud seu representante. Para cada uma dessas Escolas, o objeto de estudo da
Psicologia, os métodos de investigação e as proposições teóricas eram (e ainda
o são) bem distintas, em muitos aspectos completamente antagônicas.

É dessa pluralidade e complexidade que vive a Psicologia Científica. Mas, além


de Ciência, a Psicologia é, também, profissão. E esse será o aspecto estudado
no capítulo que se segue.

39
Psicologia I

Capítulo 3

A Psicologia como Profissão

O que vamos estudar neste capítulo?

Até agora estudamos a relação entre Ciência e Senso Comum,


como também a trajetória da Psicologia filosófica até a científica,
enfocando as principais Escolas da Psicologia do Século XX.
Entretanto, discutimos que a Psicologia é Ciência, mas é também
profissão.

O capítulo que se segue, o último desse volume, tratará exatamente


da profissão de psicológo. O que o psicológo faz, quais os limites e as
possibilidades de atuação profissional.

Esperamos que você se interesse por esse debate!

40
Psicologia I

Capítulo 3 – A Psicologia como


Profissão

Vamos conversar sobre o assunto?

Nos capítulos anteriores, você estudou que toda Ciência é uma


construção. A Psicologia, como Ciência, foi sendo construída ao longo
de vários séculos, desde quando – ainda ligada à Filosofia – entendia-
se esse campo como o estudo da alma (Psyché – leia psiquê).

Hoje, entende-se que a Psicologia possui não apenas um único


objeto de estudo, nem uma única maneira de investigá-lo. A Psicologia
científica reúne diversas correntes teóricas, diversos modelos de
explicação dos fenômenos ligados ao humano.

Algo que também nos interessa bastante, é entender que além


de Ciência, a Psicologia também se constitui como uma Profissão.
Assim como sua vertente científica, a vertente profissional também
apresenta uma diversidade de possibilidades. Os psicólogos atuam
nos campos dos mais diversos, desempenhando papéis igualmente
diferentes.

Vamos pensar um pouco sobre esses campos de atuação? Quando


falamos em Psicologia muitas pessoas pensam logo em um profisional
atendendo alguém ‘cheio de problemas’ em um consultório.

Mas será que podemos pensar em outros campos de atuação


do psicólogo, além da Psicologia Clínica? Onde podemos
encontrar psicólogos? Que tal você pesquisar um pouco antes de
começarmos?

41
Psicologia I

Levantamento de Conhecimentos Prévios

1. Você conhece algum profissional de Psicologia?

2. Em que áreas os psicólogos podem atuar?

3. Como a Psicologia pode auxiliar outras profissões?

4. Existem profissionais de psicologia atuando na sua cidade? Em que áreas eles


atuam?

5. O que diferencia o psicólogo e o psiquiatra?

6. Agora dê sua opinião pessoal: você acha que a psicologia é um campo


profissional importante em nossa sociedade? Por quê?

Que tal você postar as suas respostas no moodle e dicutir com


os seus colegas o que cada um respondeu?

Atividades e Orientações de Estudo

Para ser psicólogo é necessário fazer graduação em Psicologia.


Em alguns cursos o aluno pode fazer três opções: formação de
psicólogo, bacharelado em psicologia, licenciatura em psicologia.
Começando do último para o primeiro: o licenciado em psicologia
pode ensinar disciplinas ligadas à psicologia no ensino básico (como
nos antigos cursos de Magistério, hoje, Normal Médio). Para isso,
deve realizar estágio de docência. Entretanto, esse profissional não
pode atuar como psicólogo em instituições.

Para atuar como psicólogo, ele deve fazer a formação de


psicólogo, que também compreende um estágio profissional no
campo que ele escolher: clínica, escola, hospital, empresa, em geral,
de 500 horas. Ao concluir o curso ele recebe o diploma de psicólogo e
deve se inscrever no Conselho de Psicologia para poder atuar como
profissional.

E o bacharel em psicologia? O curso de bacharelado forma o


‘pesquisador’. O psicólogo com bacharelado pode realizar pesquisas
no campo da psicologia (para isso deve apresentar uma monografia
na conclusão do curso), mas também não pode atuar como psicólogo,
uma vez que não cumpriu as horas de estágio supervisionado exigidas
para a formação de psicólogo. Por isso, das três modalidades, a

42
Psicologia I

formação culmina por ser a mais longa, e tem a duração média de


cinco anos.

Como qualquer profissão, o psicólogo precisa cumprir seu Código


de Ética. Você sabe o que é o Código de Ética de uma profissão?
O Código de Ética legisla sobre as obrigações de uma profissão,
em termos éticos, que não podem ser feridas. Toda profissão tem
seu Código de Ética. Por exemplo, na Medicina, um médico não
pode negar socorro a uma pessoa que precise, nem pode exercer
ilegalmente a profissão. O descumprimento do Codigo pode gerar
sanções do Conselho da profissão, ou até, em casos mais graves,
ocasionar a perda do registro profissional.

No caso da Psicologia, seu Código de Ética é bastante criterioso,


uma vez que esse profissional lida diretamente com o ser humano.

Saiba quais são os princípios fundamentais do código de ética do


psicólogo:

I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade,


da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos
valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de


vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de
quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.

III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e


historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.

IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo


aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da
Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática.

V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da


população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos
serviços e aos padrões éticos da profissão.

VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com
dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada.

VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que


atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais,
posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios
deste Código.

Fonte: http://www.psicologo.inf.br/codigo_de_etica_psicologo.asp

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Psicologia I

Que tal você procurar conhecer o Código de Ética de outras


profissões? Para ter um Código de Ética, a profissão precisa ter um
Conselho Federal. Esse Conselho regulamenta a profissão e dispõe
sobre os campos e formas de atuação desse profissional. Falando em
campos de atuação, que tal sabermos onde o psicólogo pode atuar?

Campos de Atuação do Profissional de


Psicologia

Você tem ideia das áreas em que o psicólogo pode atuar? Veja se
as áreas que falamos aqui são aquelas que você também propôs ao
responder as questões de levantamento de conhecimentos prévios.

O psicólogo é um profissional da área de saúde, e ele deve atuar


tanto no âmbito terapêutico, quanto no âmbito preventivo. Ele pode
atuar em instituições das mais diversas, ou de forma autônoma, pois
é considerado um profissional liberal. São vários os campos onde o
psicólogo pode atuar, como já mencionamos. Algumas áreas são mais
clássicas e já há muito tempo se consolidaram: como o psicólogo
clínico, que é aquele que faz acompanhamento psicoterápico em
consultórios.

Esse profissional toma como referencial uma das linhas teóricas


da psicologia, para guiar sua intervenção clínica. Por exemplo, ele
pode realizar uma intervenção de base analítica. Note aqui que,
de propósito, falamos em base analítica e não em psicanálise, pois
o psicanalista precisa realizar uma formação específica, após a
graduação.

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Psicologia I

Outra área bastante conhecida é a psicologia educacional. Nessa


área o profissional deve atuar de forma fundamentalmente preventiva,
acompanhando o desenvolvimento do aluno, seus processos de
aprendizagem, os conflitos que de alguma forma podem comprometer
o ‘aprender’. Trabalha também na orientação profissional de alunos
que estão em fase de conclusão do Ensino Médio e em busca de uma
carreira profissional.

Dá apoio à comunidade escolar, faz encaminhamento para outros


profissionais, em função da demanda percebida, mas não pode realizar
trabalho terapêutico, que deve ser feito por um psicólogo clínico. O
psicólogo educacional também apoia e orienta o professor em sua
ação pedagógica. Mas além do trabalho preventivo, o psicólogo
educacional deve estar atento às questões problemáticas do contexto
escolar.

Atualmente tem sido bastante discutida a questão da violência


na escola, nas suas diversas formas, desde a violência verbal, até a
violência armada. Hoje em dia a mídia tem-nos trazido notícias sobre
alunos que vão para a escola armados de revólveres, facas, estiletes.
Temos também um outro tipo de violência escolar bastante tratado na
atualidade, que é o bullying, que é uma palavra de origem inglesa e
que está associada a todo tipo de violência física e psicológica sofrida
por um aluno, vinda de outro aluno ou de grupos de alunos. Apelidos,
agressões físicas, ameaças, dentre outros comportamentos, são
considerados como bullying e, frequentemente, o aluno atingido por
esse tipo de violência, apresenta comportamentos aversivos à escola,
muitas vezes não desejando mais frequentá-la ou até apresentando
doenças de origem psicossomáticas, ou seja, aquelas que relacionam
‘corpo’ e ‘psiquismo’.

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Psicologia I

A psicologia organizacional também é outro importante campo


de atuação desse profissional. Nas empresas, o psicólogo tem o papel
de, com a ajuda de outros profissionais (gerentes, diretores) definir
o perfil profissiográfico do profissional que deverá ser selecionado,
realizar o recrutamento, seleção, treinamento e acompanhamento
dos profissionais selecionados para a empresa, realizando avaliações
de desempenho e atuando preferencialmente de forma preventiva.
Ele está vinculado à gestão de recursos humanos na empresa. Nesse
contexto, o psicólogo é considerado um executivo e profissional
liberal.

A psicologia hospitalar é um campo mais recente do que os outros


campos mencionados, mas podemos dizer que há cerca de 30 anos
essa área se expande no Brasil. O psicólogo hospitalar pode atuar em
várias áreas: UTI, cardiologia, oncologia, só para citar algumas. Esse
profissional acompanha os pacientes, num trabalho mais ‘focal’, ou
seja, trabalha mais em função do seu momento atual e do significado

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Psicologia I

da sua condição de saúde em sua vida. Podem trabalhar também com


grupos de pacientes, como em setores de oncologia ou de diagnóstico
de HIV. Trabalham de forma integrada com os outros profissionais do
hospital, como médicos e equipe de enfermagem. Pacientes terminais
também recebem apoio do psicólogo, que busca dar suporte à pessoa
que se percebe na iminência da morte. Uma área frequentemente
estudada por psicólogos que atuam nesse campo é a tanatologia, que
é o estudo da morte e suas representações para o indivíduo que está
em estado terminal.

Podemos falar ainda da psicologia forense, onde o psicólogo


pode atuar como perito; da psicologia do esporte, da psicologia
comunitária, dentre outros campos. Mas, embora podendo ter
certo conhecimento de farmacologia, o psicólogo não pode receitar
medicamentos. Ele não é um profissional autorizado a realizar esse
tipo de prática. No caso de situações mais críticas, onde o psicólogo
perceba que a pessoa precisa tomar algum tipo de medicação (um
antidepressivo, por exemplo), ele faz o encaminhamento para um
psiquiatra, que é um profissional da área de medicina e que pode
emitir receitas.

Assim, a Psicologia atua na busca da saúde psíquica do indivíduo,


do seu ajustamento social, do seu equilíbrio em todos os sentidos,
inclusive do corpo, pois, como se diz em latim: mens sana in corpore
sano.

Conheça Mais

1. Se você quiser saber um pouco mais como cada campo


desenvolve sua atuação profissional, você pode pesquisar na
Internet, sugerimos dois sites, mas você pode encontrar outros

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Psicologia I

que também lhe ajudem a pesquisar:

http://www.psicologo.inf.br/areas_de_atuacao_do_psicologo.asp

http://www.ip.usp.br/graduac/ensino_obj.htm

2. Pesquise também o que significa a expressão mens sana in


corpore sano e o que isso tem a ver com Psicologia.

Vamos Revisar?

Nesse primeiro volume referente à disciplina Psicologia I, você


conheceu a Psicologia como campo científico e como profissão.
Mas antes de tratar da Psicologia científica procuramos travar uma
discussão acerca do que é Ciência e Senso Comum.

De maneira simplificada, o conhecimento científico pode ser


entendido como aquele produzido em contextos de pesquisa –
laboratórios, instituições, centros de pesquisa – que tem um objeto
de estudo definido, que propõe métodos para investigar seu objeto,
que se apóia em uma ou mais teorias que fundamentem o estudo,
dentre outras características. Por outro lado, o conhecimento do
senso comum é construído no seio de uma determinada cultura, com
o objetivo de dar conta das demandas daquele grupo cultural. Assim,
ele é mais ligado ao cotidiano, às questões locais e não tem pretensão
de divulgar para outras comunidades aquele conhecimento.

Desde o início da discussão procuramos deixar claro para você


que não pretendemos dizer que um tipo de conhecimento é superior
ao outro: apenas sugerimos que cada conhecimento tem o seu valor
dentro da cultura e tem um propósito compartilhado pelas pessoas
que fazem parte daquele contexto. Assim como não podemos pensar
em uma sociedade que evolua sem a existência da Ciência (como
também da tecnologia), tampouco podemos pensar em uma sociedade
que não tenha conhecimentos próprios daquela cultura, que deem
conta das demandas do cotidiano e favoreça a interação social entre
os membros daquela cultura.

Outro aspecto em que travamos um contraponto, diz respeito


à Ciência e à Filosofia. Entendemos que o campo filosófico é
fundamental para poder pensar a natureza da ciência. Daí, a Filosofia
ou Epistemologia da Matemática, da Química, da própria Psicologia.

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Psicologia I

Mas também discutimos que para se tornar Ciência, a Psicologia


precisou romper com sua tradição essencialmente filosófica e propor
claramente um objeto e métodos de investigação, elaborar teorias,
etc.

Por outro lado, a Psicologia não é somente uma Ciência, ela é


também um campo de atuação profissional, de uma intervenção
fundamentalmente preventiva e com vistas à saúde psíquica do
indivíduo (e, por conseguinte, do seu corpo). Podemos encontrar
psicólogos na escola, nas organizações públicas e privadas, em ONGs,
em times de futebol, em penitenciárias. Enfim, existe um campo vasto
de atuação do psicólogo, sempre em parceria com outros profissionais,
porque a atuação em psicologia implica, necessariamente, em um
trabalho multidisciplinar e multiprofissional.

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Psicologia I

Considerações Finais

Olá, cursista!

Esperamos que você tenha aproveitado este primeiro módulo da


disciplina Psicologia I.

No próximo módulo, estudaremos o cérebro e a sua relação com


as funções psicológicas, e começaremos a estudar os processos
psicológicos. Os primeiros processos que estudaremos serão:
Percepção, Motivação e Emoção, todos no Módulo II.

Assim, esse Módulo introduziu você no campo da psicologia


científica, e muitos dos assuntos aqui mencionados serão tratados
mais a fundo nos Módulos subsequentes.

Aguardamos sua participação no próximo módulo.

Até lá e bons estudos!

Anna Paula Brito

Professora Autora

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Psicologia I

Referências

ALENCAR,E.M.L.S. Psicologia: introdução aos princípios


básicos do comportamento. Petrópolis, Vozes,1980.

BOCK, A.M. e FURTADO, O. & TEIXEIRA, M.L. Psicologias:


uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo, SP:
Saraiva, 1993.

DAVIDOFF, L.L. Introdução à Psicologia. São Paulo, SP:


McGraw-Hill do Brasil Ltda., 1983.

FREIRE, I.R. Raízes da Psicologia. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes,


1998.

HENNEMAN,R.H. O que é Psicologia. Rio de Janeiro, José


Olympio, 1981.

HEIDBREDER, E. Psicologias do século XX. São Paulo,


Mestre Jul, 1981

PISANI, E. et. all. Psicologia Geral. Caxias do Sul,


EDUCS,1980.

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Psicologia I

Conheça a Autora

Anna Paula de Avelar Brito Lima é psicóloga, formada pela


UFPE em 1990. Trabalhou como psicóloga escolar, mas dedica-se
ao ensino superior desde 1992, atuando em cursos de psicologia,
ciências contábeis e, atualmente, em cursos de licenciatura da
UFRPE, de onde é professora efetiva desde 1997. Cursou Mestrado
em Psicologia e Doutorado em Educação na UFPE, desenvolvendo
pesquisas na área de aprendizagem de conceitos matemáticos e
análise da relação didática em salas de aula de matemática.

É também professora do Mestrado no Ensino de Ciências


e Matemática, orientando alunos que desenvolvam pesquisas
relacionadas à sala de aula de matemática.

Para saber mais, acesse o currículo da professora em:

http://lattes.cnpq.br/0430616110506423

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