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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011

sob o ponto de vista criminal.


Jogo  de  planilha  nas  obras  públicas:  
uma  metodologia  sob  o  ponto  de  vista  criminal  
Pedro de Sousa Oliveira Júnior
pedro.psoj@dpf.gov.br - Pós-graduação em Avaliações e Perícias de Engenharia

Resumo
A ocorrência de “jogo de planilha” nos contratos administrativos relativos a obras públicas tem se
tornado rotina, embora nem sempre seja imputável ou significativa. O tema “jogo de planilha” tem
sido muito pouco explorado em trabalhos publicados em nosso país, além de possuir diversos
pontos polêmicos que necessitam de maiores esclarecimentos. Discutem-se conceitos e procura-se
embasar a metodologia proposta através de legislação pertinente. É apresentada uma metodologia,
elaborada para utilização na esfera criminal, inclusive com formulação matemática e parâmetros
objetivos iniciais, para cálculo do valor a ser imputado como superfaturamento devido
exclusivamente ao “jogo de planilha”. Apresentam-se ainda, de modo a viabilizar um melhor
entendimento do fenômeno, exemplos práticos relativos à obra e situações hipotéticas.
Palavras-chave: Obras Públicas; Orçamento; Superfaturamento; Jogo de Planilha.

1. Introdução
As obras públicas no Brasil exigem a aplicação de um grande volume de recursos financeiros.
Segundo a Agência Câmara, o investimento previsto para o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), integrante do Orçamento Geral da União (OGU) para o ano de 2010, é de
R$ 29,9 bilhões, equivalente a 4,6% (quatro vírgula seis por cento) do PIB projetado de R$ 3,32
trilhões.
Levantamentos realizados pelo Serviço de Perícias de Engenharia Legal e Meio Ambiente
(SEPEMA), ligado à Divisão de Perícias (DPER) do Instituto Nacional de Criminalística (INC), por
sua vez pertencente à Diretoria Técnico-Científica (DITEC) do Departamento de Polícia Federal
(DPF), com base nos trabalhos periciais da área de engenharia civil desenvolvidos nos últimos anos,
aponta o superfaturamento, donde temos o “jogo de planilha” como uma de suas parcelas, fato
recorrente nas obras objeto de investigações policiais, cujo percentual médio seria da ordem de 30%
(trinta por cento). Esse valor significativo vem demonstrar a grande importância do fenômeno e a
necessidade de maior controle e acompanhamento das obras públicas em nosso país.
Os agentes públicos responsáveis pela defesa dos interesses da Administração, na imensa maioria
das vezes, não têm conhecimento do tema “jogo de planilha”, bem como seus diversos aspectos
polêmicos, desconhecendo, por consequência, a correta forma para celebração dos termos aditivos
contratuais, tão comuns nos contratos administrativos.
Além disso, são ainda muito raros os trabalhos publicados especificamente sobre “jogo de
planilha”, motivo pelo qual o autor visa dar sua contribuição, haja vista participar de equipe que já
se debruçou exaustivamente sobre o tema nos últimos três anos, tendo sido inclusive produzida
normatização interna que atualmente encontra-se em vigência no âmbito do Departamento de
Polícia Federal (DPF), regulamentando os trabalhos periciais lá desenvolvidos.
Este trabalho iniciou-se com uma pesquisa bibliográfica sobre temas correlatos ao tema principal,
como contrato administrativo, orçamento, projeto básico, equilíbrio econômico-financeiro, CLAIM

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e superfaturamento, todos de forma a fundamentar o raciocínio do autor, bem como o próprio “jogo
de planilha”, especialmente no âmbito das obras públicas. Essa revisão bibliográfica foi realizada
consultando-se literaturas especializadas sobre os temas, artigos de revistas, congressos e outras
publicações, informações publicadas pelo governo, decisões do Tribunal de Contas da União
(TCU), além de normas técnicas pertinentes.
Em complementação à revisão bibliográfica já descrita, foram também pesquisadas legislações
aplicáveis à área de licitações e contratos públicos e literatura específica da área do direito aplicada
à administração pública.
Por fim, de modo a propiciar um melhor entendimento do fenômeno “jogo de planilha”, foi
utilizada uma obra real periciada pelo autor, cujos detalhes não são apresentados por questão de
sigilo, e adotadas hipóteses que exemplificassem as alterações contratuais mais comuns, sendo
calculados os valores de superfaturamento a título de “jogo de planilha”.

2. Fundamentação Teórica e Legal


A fundamentação elaborada iniciou-se com a conceituação de contratos administrativos na esfera
pública, abordando suas peculiaridades. Após isso, houve a contextualização dos orçamentos, tendo
em vista serem essenciais à ocorrência do tema central do presente trabalho, e também do projeto
básico, do qual é parte integrante. Em seguida, temos alguns aspectos sobre o equilíbrio econômico-
financeiro dos contratos administrativos e possibilidades de sua quebra.
O assunto principal deste trabalho diz respeito diretamente ao equilíbrio econômico financeiro do
contrato administrativo e, por este motivo, entendemos necessária sua perfeita definição e discussão
de alguns aspectos relativos a ele, de modo a justificar as hipóteses adotadas posteriormente.

2.1. Contrato Administrativo


Segundo Meirelles (2007, p. 203) os contratos administrativos firmados com órgãos públicos
possuem “certas peculiaridades que os contratos comuns, sujeitos às normas do Direito Privado, não
ostentam. Tais peculiaridades constituem, genericamente, as chamadas cláusulas exorbitantes,
explícitas ou implícitas em todo contrato administrativo.”
Com isso, vemos que os contratos administrativos são diferentes daqueles da esfera privada, isto é,
aquelas empresas que decidirem labutar nessa seara deverão conhecer perfeitamente as regras que a
regulamentam sob pena de não serem bem sucedidas em seu mister. Existem leis específicas que
regulamentam o setor e devem ser obedecidas no interesse maior da coletividade em detrimento dos
interesses particulares de determinada empresa. Vejamos:
Surgida uma necessidade, o contrato pode ser estendido, a fim de adequar-se o projeto à
realidade. Essa extensão tem por limite o “interesse coletivo primário”. Vale dizer: somente
são admissíveis modificações do projeto que visem ao melhor atendimento do interesse da
parcela da sociedade afetada pela obra a ser construída (AMARAL, 1995, p.128).

O contrato administrativo representa um acordo de vontades que gera direitos e obrigações


recíprocas para as partes envolvidas. Ele apresenta basicamente dois tipos de cláusulas: as de
serviço ou regulamentares e as econômico-financeiras ou, simplesmente, financeiras. As primeiras
dizem respeito à forma de execução, quantidades e condições dos serviços, podendo ser alteradas
unilateralmente pela Administração Pública. Já as cláusulas financeiras, que dispõem sobre o preço,

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as condições e critérios de pagamento, data-base e periodicidade de reajustamento, são inalteráveis,
salvo por acordo entre as partes.
As cláusulas de serviço ou regulamentares representam basicamente o objeto contratual pactuado,
ou seja, as obrigações assumidas pelo contratante no momento do ajuste, cujas compensações
econômicas encontram-se então definidas pelas cláusulas financeiras do contrato. Portanto, tal
como uma balança equilibrada, a relação de igualdade entre as cláusulas de serviços e as financeiras
(serviços x preços), originária de um regular processo licitatório, representa o equilíbrio econômico-
financeiro do contrato, o qual deve ser resguardado até o final da execução contratual.

2.2. Orçamento e Projeto Básico


Inicialmente podemos ter um conceito intuitivo de orçamento no âmbito das obras de engenharia.
Nessa ciência, de um modo bastante simplista, podemos afirmar que orçamento é o levantamento
dos custos para executar uma obra ou um empreendimento.
Assumpção (1999, p. 41), na apostila do curso “Planejamento Global da Obra e Orçamento”, define
orçamento como “a expectativa do quanto custará o empreendimento”, que “geralmente é
executado em bases presentes, como se o empreendimento ou a obra fosse executado em um único
momento”. Há que se recordar que essa é uma limitação do processo, haja vista que não se pode
prever o custo no futuro ou, da mesma forma, conhecer as alterações que certamente irão ocorrer
durante a execução da obra.
Já o Professor Giamusso (1991, p. 13), define orçamento como “a determinação do custo de um
empreendimento antes de sua realização”. Como se pode perceber, existe grande uniformidade no
conceito, o que não ocorre em muitos casos na área da engenharia.
O custo de uma obra normalmente é feito com os insumos (materiais) necessários, a mão de obra e
os equipamentos utilizados para a execução dos serviços definidos. Essa forma tradicional de orçar
define a forma como deve ser controlada a execução da obra e tem impacto direto sobre os termos
aditivos ao contrato, que por sua vez, influenciam diretamente na ocorrência de jogo de planilha.
Há diversos níveis de orçamento e quanto mais detalhado ou discriminado ele for, mais tenderá a se
aproximar do custo real da obra. Isso é muito importante para a realização de uma perícia em obra
de engenharia, considerando que irá definir o grau de certeza que o Perito disporá para conclusão do
trabalho.
Resta lembrar somente que a definição de projeto básico da Lei 8.666/93, que rege as licitações em
nosso país, conforme inciso “f” do artigo 6o, contém “orçamento detalhado do custo global da obra,
fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados”. Ora, o texto
legal nos parece bem claro, restando evidente que existe um grande desvirtuamento, por parte de
inúmeros órgãos públicos, dessa definição em função da denominação “básico” na nomenclatura.
Fica aqui a sugestão, quando efetiva alteração da Lei 8.666/93, ora em andamento, que se altere o
nome de projeto básico para projeto técnico ou projeto de engenharia.
Atualmente parece-nos bastante evidente que grande parte dos problemas de superfaturamento,
especialmente aqueles relativos ao “jogo de planilha”, tem sua origem em projetos básicos
deficientes. Cabe lembrar também grande iniciativa do Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras
Públicas (IBRAOP), o qual publicou sua Orientação Técnica no 01/2006, que bem define projeto
básico e também aborda a questão do orçamento, uma vez que este integra aquele. Gostaríamos de
reforçar que o orçamento é parte integrante do projeto, até mesmo do dito básico.

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A questão do orçamento nos remete imediatamente à questão da economicidade, princípio
constitucional. Segundo Freire e Nunes (2002, p. 4), “O controle da economicidade, portanto, deve
ser inspirado nas idéias de adequação dos meios utilizados aos fins pretendidos, da necessidade da
medida adotada e, em especial, da proporcionalidade entre o custo e o benefício obtido por meio do
ato examinado”.
Esse autor também defende essa tese, no sentido de que o custo e o benefício devem guardar estreita
relação, mantendo uma proporção razoável, quando das análises realizadas na perícia. Outro
aspecto importante é que não prospere a subjetividade, tendo em vista que a legislação prevê a
necessidade de justificativas técnicas para a promoção de alterações nos contratos administrativos.

2.3. Equilíbrio econômico-financeiro


Meirelles (2007, p. 206/207) define o equilíbrio econômico ou equilíbrio financeiro como “a
relação que as partes estabelecem inicialmente, no ajuste, entre os encargos do contratado e a
retribuição da Administração para a justa remuneração da obra, do serviço ou do fornecimento”.
Essa relação entre o objeto e a remuneração fixada originalmente deve ser mantida até o final do
contrato, seja em números absolutos ou em escala móvel, conforme veremos adiante.
A proteção a esse equilíbrio tem a intenção de proteger ambos os lados, isto é, a Administração ao
garantir o melhor preço obtido quando da realização do certame licitatório e a empresa executora da
obra ao preservar o lucro almejado por ela quando da proposta apresentada que veio a ser a
vencedora da citada licitação.
A defesa desses interesses cabe, obviamente, aos representantes de cada uma das partes. Assim
temos que os fiscais de obras são os defensores dos interesses da Administração e os engenheiros
responsáveis técnicos o fazem pelas empresas executoras. Cabe, portanto, a cada um deles
acompanhar, rigorosamente, a execução da obra tomando as atitudes que cada situação, com suas
peculiaridades, possa requerer visando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do
contrato.
Quanto às diversas situações que podem ocorrer, abordaremos algumas delas mais detalhadamente,
demonstrando a ocorrência do chamado “jogo de planilha”, tão prejudicial ao erário público. Já pelo
lado da empresa, da mesma forma, podem ocorrer algumas situações que igualmente lhe causem
prejuízo. Alguns consultores em atividade no país utilizam o termo CLAIM para representar a
defesa dos interesses das empresas.

2.4. CLAIM
CLAIM é uma palavra em inglês cujo significado enquanto substantivo é “reivindicação, solicitação,
reclamação, direito, afirmação, alegação”, segundo o dicionário português-inglês / inglês-português
OXFORD Escolar (2007, p. 358).
No trabalho intitulado “Prevenção, Identificação e Registro de CLAIMs”, esse termo é definido
como “um pedido legítimo de ressarcimento de custos adicionais (um pagamento adicional), em
virtude de uma alteração em relação aos termos iniciais do contrato” (Almeida Junior, 2006, p. 1).
Bernardes (2007, p. 21), em sua obra específica sobre a matéria, propõe um “instrumento técnico e
jurídico, de comprovada eficácia, para encaminhamento das questões relativas ao reequilíbrio
econômico-financeiro dos contratos de empreitada de obras públicas”, denominado por ele como
revisão pericial de custos de obras públicas.

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O mesmo autor defende a perícia como meio de prova, com o que concordo integralmente.
Entretanto, entendo ser ideal a firme atuação dos representantes legais das partes, a qual deve ser
tempestiva e tecnicamente correta, o que evitaria a necessidade da realização da perícia.
A empresa HORMIGON Engenharia e Consultoria, em trabalho intitulado “Engenharia de
Administração de Contratos”, apresenta algumas das principais “patologias dos contratos de
empreitada”: projetos e especificações incorretos, defeituosos ou alterados; mudanças na
metodologia construtiva; mudanças nas condições dos locais das obras; atrasos e suspensões;
serviços adicionais; condições climáticas e mudanças na legislação/normas do contratante. Essas
são situações que podem desequilibrar o contrato em desfavor da empresa executora, embora
algumas delas também possam justificar o desequilíbrio em desfavor da Administração.
O conhecimento dos custos de uma determinada obra é extremamente importante para um bom
desempenho das empresas de engenharia, uma vez que permite a ela controlar seus gastos e aferir
seu lucro, de modo a realizar os ajustes necessários com vistas a um melhor desempenho ou mesmo
à própria sobrevivência da empresa. Pode-se afirmar que isso seria o mínimo exigível para uma
empresa que tenha pretensão ou atue na área de obras públicas, tendo em vista as peculiaridades em
favor da Administração nesse tipo de contrato.
Com base em nossa experiência pessoal, ao longo dos últimos anos atuando na área de perícias em
obras públicas, é possível afirmar que alguns dos problemas detectados na esfera criminal advêm do
fato de que as empresas desconhecem os custos reais das obras públicas para as quais ofereceram
proposta vencedora em licitação, o que ocorre em inúmeras obras de pequeno porte no interior do
país, ou os manipulam de modo a lhes favorecer em detrimento do erário público.

2.4. Superfaturamento
Existem poucos trabalhos técnicos específicos sobre o tema de superfaturamento, e menos ainda
sobre a parcela de “jogo de planilha”. No VI SINAOP – Seminário Nacional de Auditoria de Obras
Públicas, realizado em Florianópolis/SC no ano de 2001, temos um dos artigos pioneiros sobre
superfaturamento, onde é apresentado seu conceito como a emissão de uma nota discriminada de
um produto ou serviço, cujo preço é superior ao praticado no mercado (Rocha, 2001, p. 3). Naquela
oportunidade, foi apresentada proposta de metodologia para a construção de intervalos de
confiança, baseados em modelo probabilístico, para definição das tolerâncias nas análises de
auditorias para caracterização de superfaturamento com base científica. A proposta era lastreada em
inferência estatística aplicável aos materiais de construção com o cálculo do valor pericial
utilizando o limite superior.
Apesar de ser uma proposta fundamentada, entendo que a mesma não prosperou, especialmente na
área de perícias, pela grande dificuldade da aplicação dos critérios estatísticos que demandam
pesquisa com significativa quantidade de dados amostrais, tendo em vista tratarem-se de obras
pretéritas. Ainda que fossem obtidos os dados necessários, o longo tempo de resposta tornaria a
relação custo/benefício inviável economicamente na grande maioria dos casos. Além disso, temos
que a utilização do limite superior vai de encontro à legislação atualmente em vigor, considerando
também que o objeivo da Adminsitração é obter o menor preço exequível.
O mesmo autor elaborou posteriormente outro artigo, onde mantinha a mesma definição para
superfaturamento e se atinha à questão dos preços, embora considerasse os pagamentos indevidos
como englobando também as quantidades e especificações que apresentassem incompatibilidades

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ou incoerências entre o que foi efetivamente executado e o que foi orçado e pago (ROCHA, 2002).
Foi uma evolução, porém essas parcelas não eram consideradas superfaturamento.
Vejamos outra abordagem sobre superfaturamento, citada por Campiteli (2006, p. 2 apud
MARQUES NETO, 1993):
[...] o superfaturamento de um contrato administrativo consiste em procedimento doloso no
sentido de lesar o erário público, por meio do expediente da prática de preços acima dos
padrões de mercado, com desrespeito aos princípios da economicidade e razoabilidade que
devem nortear a avença administrativa. Dito de outra maneira, superfaturamento implica na
emissão de fatura em valor superior ao valor efetivo do bem, visando – no mais das vezes –
a um locupletamento de alguma das partes por meio da apropriação dessa diferença.

Segundo se pode depreender dos trabalhos localizados sobre superfaturamento, existe clara
vinculação aos preços acima dos padrões de mercado, o que coaduna com a definição clássica
constante inclusive dos dicionários. Segundo o dicionário MICHAELIS
(michaelis.uol.com.br/moderno/português), superfaturamento, sinônimo de sobrefaturamento, é
“Fraude contra o fisco, caracterizada pela diferença a mais entre o preço da fatura e o preço de
mercado”.
O autor do presente artigo pretende, em conjunto com os demais peritos criminais engenheiros do
Departamento de Polícia Federal (DPF), quando da elaboração do “Manual de Cálculo do
Superfaturamento e outros Danos ao Erário”, desenvolvido para uso interno no âmbito da esfera
criminal, ampliar esse conceito visando aplicação na área da engenharia.
Assim, foi elaborado um conceito de superfaturamento composto de diversas parcelas, bem como
uma metodologia de cálculo que permitisse a análise individual de cada uma delas de forma
independente das demais, permitindo conclusões parciais e o cálculo do valor global mediante
simples soma aritmética. Isso proporciona um maior entendimento por parte dos destinatários dos
laudos periciais, os quais geralmente são leigos posto que, em sua maioria, bacharéis em direito.
Segue transcrição do conceito proposto para superfaturamento, naquele documento considerado
também sinônimo de dano ao erário:
Dano ao erário ou superfaturamento em obras de engenharia – prejuízo aos cofres públicos
caracterizado por:
a) medição de quantidades superiores às efetivamente executadas;
b) pagamento de obras, bens e serviços por preços manifestamente superiores à tendência
central (mediana ou média) praticada pelo mercado ou incompatíveis com os fixados pelos
órgãos oficiais competentes, bem como pela prática de preços unitários acima dessa
tendência central (mediana ou média) de mercado;
c) deficiência na execução de obras e serviços de engenharia que resulte em diminuição da
qualidade, vida útil ou segurança;
d) quebra do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em desfavor da
Administração por meio da alteração de quantitativos e/ou preços (jogo de planilha) durante
a execução da obra;
e) alteração de cláusulas financeiras gerando recebimentos contratuais antecipados,
distorção do cronograma físico-financeiro, prorrogação injustificada do prazo contratual ou
reajustamentos irregulares; e
f) superdimensionamento ou subdimensionamento de quantidades e/ou qualidades de
materiais ou serviços, além ou aquém das necessárias segundo práticas e normas de
engenharia vigentes à época do projeto.

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Pode-se perceber que o foco do presente estudo, o “jogo de planilha”, é o item “d” da definição
acima, a qual se refere necessariamente à quebra do equilíbrio econômico-financeiro inicial do
contrato e também à sua ocorrência durante a execução da obra, uma vez que requer a alteração da
planilha orçamentária proposta na licitação.

2.5. “Jogo de Planilha”


Em se tratando especificamente de “jogo de planilha” temos que ele tem sua origem vinculada
sempre aos termos aditivos contratuais. Mais que isso, para sua ocorrência, como o próprio nome
nos leva a intuir, faz-se necessário que haja alterações diretamente na planilha orçamentária, seja
nos quantitativos ou nos preços, tanto na inclusão como na supressão de serviços.
Ressalte-se que é extremamente comum a ocorrência de alterações durante a execução de obras de
engenharia, especialmente as obras públicas, tendo em vista que um dos grandes problemas
visualizados por aqueles que militam nessa área é a enorme deficiência dos projetos que servem de
suporte para as licitações.

Fortes (1988, p. 139) afirma que:


[...] antes de executarem quaisquer obras e/ou serviços não discriminados na licitação ou
em contrato, sejam os mesmos comunicados oficialmente ao contratante, com cópia para o
setor de planejamento do contratado, a fim de serem incluídos em medição e,
conseqüentemente, no respectivo faturamento.

O autor entende que na esfera pública a situação é ainda mais exigente, havendo que ser
devidamente firmado e publicado o termo aditivo contratual, com todas as informações necessárias
ao perfeito entendimento das alterações promovidas, o que infelizmente nem sempre ocorre de fato.
Ainda que haja o termo aditivo, o § 1o da alínea “d”, inciso II, artigo 65 da Lei 8.666/93, determina
que as alterações do contrato administrativo, para as situações lá previstas, devem manter as
mesmas condições iniciais:
§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos
ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por
cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou
de equipamento, até o limite de 50% (cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.

Portanto, entendo que o desconto original, caso exista, deve ser mantido para os termos aditivos,
ressalvadas as situações excepcionais previstas legalmente.
Um dos melhores trabalhos sobre “jogo de planilha” localizados pelo autor, o qual possui alto grau
de profundidade, foi a tese de mestrado defendida em 2006 por Marcos Vinicius Campiteli, servidor
do TCU, intitulada “Medidas para Evitar o Superfaturamento Decorrente dos Jogos de Planilha em
Obras Públicas”. Essa tese pode ser considerada um marco sobre o assunto, o qual ainda é muito
pouco explorado em trabalhos publicados, bem como possui diversos aspectos polêmicos.
Campiteli (2006, p. 37/38) define “jogo deplanilha”como:
O “jogo de planilha”, também conhecido por “jogo de preços”, é um artifício utilizado por
licitantes que a partir de projetos básicos deficitários e/ou por informações privilegiadas,
conseguem saber antecipadamente quais os serviços que terão o quantitativo aumentado,

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diminuído ou suprimido ao longo da execução da obra a ser licitada e manipulam os custos
unitários de suas propostas, atribuindo custos unitários elevados para os itens que terão o
seu quantitativo aumentado e custos unitários diminutos nos serviços cujo quantitativo será
diminuído ou suprimido. Com isso, vencem a licitação por conseguirem um valor global
abaixo dos concorrentes, graças aos custos unitários diminutos que não serão executados.
Assim, após as alterações contratuais já previstas pelo vencedor do certame no momento da
elaboração da proposta, o valor global do objeto contratual passa a encarecer em relação ao
seu valor de mercado, podendo tornar-se a proposta mais desvantajosa para a
Administração entre as demais da licitação.

Há outra definição para jogo de planilha, classificada como o tipo clássico, conforme Kresch (2008,
p.1):
[...] um grande aumento nos quantitativos exatamente daqueles itens cujos preços unitários
estavam acima dos de mercado, e uma redução dos quantitativos dos itens cujos preços
estavam abaixo dos de mercado, gerando um desequilíbrio econômico-financeiro em
desfavor do órgão contratante.

Esse mesmo autor descreve alguns casos de “jogo de planilha” como acréscimo de itens com
sobrepreço unitário, redução ou eliminação de quantitativos de itens com subpreço e acréscimo de
serviços novos, inclusive com apresentação dos métodos da limitação dos preços dos quantitativos
excedentes, do balanço, do desconto, do desconto localizado e ainda do método da segunda
colocada na licitação.
No manual desenvolvido pelo DPF, como já citado, temos diversas definições, sendo todas muito
importantes em função da necessária padronização de conceitos, inclusive a seguinte que é o objeto
principal desse trabalho:
Jogo de planilha – ocorrência de alterações quantitativas na planilha contratual, através de
acréscimos, decréscimos, supressões ou inclusões de serviços e materiais, bem como de
variações de preços nas medições, que modifiquem o ponto de equilíbrio econômico-
financeiro, sem justificativa adequada, causando dano ao erário. Também pode ocorrer
entre contratos de uma mesma obra.

Assim, pelo próprio conceito de “jogo de planilha” elaborado, temos as possibilidades de ocorrência
desse fenômeno devido à:
− Acréscimo de quantidades de itens originais com sobrepreços;
− Decréscimo ou supressão de quantidades de itens originais com subpreços;
− Alteração de preços originais em termos aditivos;
− Inclusão de itens novos com sobrepreços.

Essas diversas possibilidades foram exploradas mediante exemplos constantes do anexo, através da
utilização de planilhas orçamentárias e de modo a garantir o perfeito entendimento do fenômeno.
De maneira didática, exponho a ocorrência de cada possibilidade individualmente, ressaltando que
na prática é grande a possibilidade de ocorrem em conjunto e de forma aleatória, isto é, podem
ocorrer diversas combinações delas em cada caso concreto, como o exemplo final que é uma
mistura dos casos individuais apresentados inicialmente.
O “Jogo de Planilha” pode ocorrer principalmente nos seguintes casos:
− Celebração de termos aditivos de acréscimos, supressões ou inclusões de serviços e materiais;

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− Alteração de preços contratados nas medições que resultem em aumento de valor;


− Paralisação da obra;
− Abandono da obra por parte da Contratada.

Gostaria de explicar que os casos de paralisação ou abandono da obra podem causar “jogo de
planilha” quando os preços dos serviços iniciais estiverem altos e os preços dos serviços finais
estiverem baixos. Após a execução de determinado percentual da obra, a empresa já teria auferido
lucro maior que o pretendido inicialmente, o que a leva a abandoná-la, ficando o contrato
desequilibrado até aquele momento. Em caso de rescisão contratual, o agente público tem o dever
de analisar a execução físico-financeira do contrato visando promover seu reequilíbrio, sendo o caso
de retenção das garantias contratuais ou até mesmo devolução de parte dos pagamentos já recebidos
pela empresa executora da obra.
O superfaturamento por desequilíbrio econômico-financeiro ou “jogo de planilha” ocorre quando há
o rompimento desse equilíbrio inicial do contrato em desfavor da Administração por meio da
alteração das cláusulas de serviço (mudanças de quantitativos, trocas de serviços, etc.) e/ou das
cláusulas financeiras (mudanças de preços dos serviços, prazos de pagamento, reajustamentos, etc.)
durante a execução da obra.
O artigo 92 da Lei 8.666/93 tipifica como crime, aplicável ao agente público, conduta que
consideramos como “jogo de planilha”:
Art. 92. Admitir, possibilitar ou dar causa a qualquer modificação ou vantagem, inclusive
prorrogação contratual, em favor do adjudicatário, durante a execução dos contratos
celebrados com o Poder Público, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação
ou nos respectivos instrumentos contratuais, ou, ainda, pagar fatura com preterição da
ordem cronológica de sua exigibilidade, observado o disposto no art. 121 desta Lei:
Pena - detenção, de dois a quatro anos, e multa. (grifo nosso)

Já o artigo 96 da Lei 8.666/93 tipifica como crime, aplicável tanto ao agente público como ao
contratado, conduta considerada “jogo de planilha”:
Art. 96. Fraudar, em prejuízo da Fazenda Pública, licitação instaurada para aquisição ou
venda de bens ou mercadorias, ou contrato dela decorrente:
I - elevando arbitrariamente os preços;
II - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;
III - entregando uma mercadoria por outra;
IV - alterando substância, qualidade ou quantidade da mercadoria fornecida;
V - tornando, por qualquer modo, injustamente, mais onerosa a proposta ou a execução
do contrato:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. (grifo nosso)

A Lei nº 12.017 de 12/08/2009, mais conhecida como Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2010,
em seu artigo 112, mais especificamente nos §§ 5º e 6º, prevê:
§ 5º Deverá constar do projeto básico a que se refere o art. 6º, inciso IX, da Lei nº 8.666, de
1993, inclusive de suas eventuais alterações, a anotação de responsabilidade técnica e
declaração expressa do autor das planilhas orçamentárias, quanto à compatibilidade dos
quantitativos e dos custos constantes de referidas planilhas com os quantitativos do projeto
de engenharia e os custos do SINAPI, nos termos deste artigo.

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§ 6º A diferença percentual entre o valor global do contrato e o obtido a partir dos custos
unitários do SINAPI ou do SICRO não poderá ser reduzida, em favor do contratado, em
decorrência de aditamentos que modifiquem a planilha orçamentária.

Ora, tais previsões legais caracterizam redundância em relação às outras previsões legais já
existentes, como as Leis 6.496/77 e 8.666/93. No caso do citado § 5º, a exigência do registro de
Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é a mesma prevista na Lei Federal nº 6.496, de
07/12/1977, sendo obrigatório para serviços técnicos de engenharia, caso em que se enquadram os
orçamentos.
A novidade fica por conta da exigência de declaração expressa do orçamentista quanto à
compatibilidade dos quantitativos e dos custos constantes das planilhas dos órgáos licitantes, a qual
contém os quantitativos de serviços dos projetos de engenharia e os custos advindos do Sistema
Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI), mantido pela Caixa
Econômica Federal (CEF) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
A parcela relativa aos quantitativos é intuitiva, uma vez que é o próprio objeto do trabalho
desenvolvido, e os custos do SINAPI são exigidos pela própria LDO, desde 2003, para as obras
públicas.
Quanto ao § 6º acima, aborda a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, normalmente
quebrado em desfavor da Administração via “jogo de planilha”, causado pelos aditamentos que
modifiquem a planilha orçamentária.
O artigo 65 da Lei 8.666/93, em seu inciso II, alínea “d”, já prevê exatamente esse mesmo
instrumento, o que corrobora meu entendimento pessoal de que, desde a publicação da citada lei em
1993, existe a possibilidade de se punir a ocorrência de superfaturamento, especialmente o “jogo de
planilha”.
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos:
...
II - por acordo das partes:
...
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do
contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou
fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do
contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou,
ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea
econômica extraordinária e extracontratual. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994).

Com isso, percebe-se que, à exceção das situações previstas acima, as demais alterações deverão
configurar “jogo de planilha” caso sejam em desfavor da Administração. Nesse ponto, cabe
ressaltar que podem ocorrer variações normais de obra, que, dependendo de sua relevância, não
deverão ser considerados como “jogo de planilha”, embora eventualmente possam não atender aos
requisitos ora tratados.
Importante chamarmos a atenção para o fato de que o “jogo de planilha” pode ocorrer mesmo
quando o valor global final do contrato fica abaixo do valor médio de mercado. Caso a condição de
equilíbrio econômico-financeiro seja alterada, durante a execução do contrato, de forma a causar

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prejuízo à Administração, ou seja, havendo redução do subpreço original, restará configurada a
ocorrência de “jogo de planilha”.
Durante a execução do contrato, eliminam-se itens com maiores descontos e acrescem-se aqueles
com menor desconto ou com valor superior ao de mercado, diminuindo-se assim o desconto
original do valor global, que pode ser significativo a ponto de se eliminar a vantagem obtida pela
Administração por ocasião da licitação, podendo ocorrer até mesmo a inversão do ambiente,
passando de subpreço para sobrepreço.
Esse fenômeno, até alguns anos atrás muito raro devido às licitações onde se contratavam serviços e
materiais com sobrepreço, vem ocorrendo com maior frequência. Desta forma, a regra atual é que
sempre se contrate empresas e fornecedores com subpreço através da aplicação de desconto
original, desde que verificada a ocorrência de preço inexeqüível conforme previsto na Lei 8.666/93
e suas alterações.
Esse tipo de fraude permite que a licitante "mergulhe" no preço global para vencer o certame e, por
meio de alterações contratuais, diminua o desconto proposto originalmente no valor global para
garantir uma remuneração mais elevada, com a qual possivelmente ela sequer teria vencido o
certame licitatório. Nesse caso, impõe-se à Administração o dever de reequilibrar o contrato de
forma a garantir, ao final de sua execução, a manutenção da condição original.
Outra forma de caracterizar jogo de planilha é a manipulação de preços. Durante a obra, ao longo
das medições, alteram-se os preços contratados aumentando-se alguns e abaixando-se outros, em
função dos quantitativos de cada serviço, de forma que o valor final fique superior ao previsto com
os valores originais. Cabe ressaltar nesse ponto que a participação do agente público é
imprescindível posto que atesta as medições autorizando seu pagamento e deveria, de ofício,
conferir se os preços cobrados estão compatíveis com aqueles contratados. Esse autor também
entende que as medições devem manter os preços históricos, leia-se preços contratuais, devendo
haver medições separadas para os reajustamentos ou outras alterações contratuais com impacto nos
valores pagos.
Cabe destacar que, a princípio, qualquer percentual detectado como jogo de planilha deve ser
caracterizado como superfaturamento. Todavia, se faz necessário estabelecer algumas ressalvas de
forma a não atribuir superfaturamento por situações tecnicamente aceitáveis ou legalmente
justificadas. Lançando mão, mais uma vez, da Lei 8.666/93:
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação
técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei.

A Administração Pública, portanto, pode unilateralmente modificar o projeto e, conseqüentemente,


os serviços previstos na planilha original. Nesses casos, desde que existam justificativas técnicas e
que as mesmas sejam consideradas pertinentes, pode não se mostrar justo que a contratada
mantenha o desconto original nos serviços novos, caso existam. Deverá, então, ser estabelecido o
valor limite como o preço médio de mercado respeitando-se a LDO, caso não se demonstre, por
outros meios, que essa mudança foi fruto de um conluio entre as partes para burlar o desconto
original ou ainda que as mudanças não tragam real melhoria às condições técnicas da obra.

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Na hipótese de aumento ou decréscimo de quantitativos em termos do objeto contratado, já existem
preços contratados estabelecidos e devemos proceder da seguinte forma:
− se o serviço ou material a ser acrescido tiver preço superior ao médio de mercado, deverá ser
aditado pelo preço médio de mercado ou inferior (LDO e acórdãos do TCU);
− se o serviço ou material a ser acrescido tiver preço inferior ao médio de mercado, deverá ser
pago pelo preço de contrato (§ 1o do inciso II, Art. 65 da Lei nº 8.666/93);
− em caso de decréscimo ou supressão de serviço ou material, seja com preço superior ou inferior
ao médio de mercado, deve-se apenas atentar para os limites do § 1o do inciso II, Art. 65 da Lei
nº 8.666/93.

Em qualquer das hipóteses acima, cabe lembrar que a conclusão deverá ser em termos globais e os
cálculos são realizados em termos unitários de serviços. Com isto, podemos ter a necessidade de
adequações em alguns serviços objeto de aditamento de modo a assegurar a manutenção do
equilíbrio econômico–financeiro do contrato após as alterações promovidas. As adequações
necessárias estarão em desacordo com as orientações acima e deverão atingir o menor número
possível de itens aditados.
Em casos de sobrepreço final, recorda-se que caso haja supressão de itens com subpreço em
quantidades significativas para alterar o equilíbrio econômico-financeiro a ponto de elevar uma
situação inicialmente inferior a 10% (dez por cento) para um patamar superior a 10% (dez por
cento), deve-se imputar essa parcela integralmente, restando esclarecimentos e justificativas por
parte do contratado na esfera judicial.
Assim, promovendo-se as alterações de contrato na forma da lei e sem elevação do sobrepreço final
a patamares superiores a 10% (dez por cento), a parcela de superfaturamento por jogo de planilha
deve ser desconsiderada.
Em casos de subpreço final, pode-se diminuir sobremaneira o desconto original, a princípio gerando
uma parcela de superfaturamento devido ao “jogo de planilha” que deveria ser calculada e somada
com as demais. Todavia, se esses acréscimos, decréscimos, inclusões e supressões forem cobertos
pela condicionante da alínea "a", do inciso I do Artigo nº 65 da Lei nº 8.666/93 citada, seus efeitos
no cálculo do superfaturamento por “jogo de planilha” devem ser desconsiderados.
Além dessas exceções, existe outra no caso em que parte ou todo o percentual calculado como
“jogo de planilha” for considerado oriundo de ajustes corriqueiros nas quantidades finais da obra.
Não se deve considerar essa parcela no superfaturamento desde que sua ocorrência não altere
significativamente o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Preocupado em estabelecer um critério de tolerância, o Tribunal de Contas do DF estabeleceu como
limite o percentual de 10% (dez por cento) para variação nas quantidades (Lei nº 1.371, de 13 de
janeiro de 1997). Acima deste valor, existe a obrigatoriedade da apresentação de justificativa por
parte do responsável técnico pelo projeto básico.
Mais tolerante foi o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), em sua
Resolução nº 361/91, que considerou aceitável o percentual de tolerância de 15% (quinze por
cento), conforme explícito no artigo 30:

Art. 30 - As principais características de um Projeto Básico são:


... f) definir as quantidades e os custos de serviços e fornecimentos com precisão
compatível com o tipo e porte da obra, de tal forma a ensejar a determinação do custo
global da obra com precisão de mais ou menos 15% (quinze por cento).

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Devemos atentar para o fato de que essa orientação se refere ao custo global da obra, o que nos
remete não apenas aos quantitativos como também às variações de custos, haja vista que os custos
de serviços advêm da multiplicação de ambos. Assim, o percentual de 15% (quinze por cento) deve
contemplar esses dois aspectos.
Podemos ir mais além, pois caso se tenha levado acabo o procedimento licitatório com base no
projeto executivo, teríamos então um menor percentual de tolerância posto que, com melhor
detalhamento do projeto, aumenta a precisão dos custos.
Assim, como orientação, recomenda-se desconsiderar a parcela de jogo de planilha causada por
acréscimos e supressões de quantidades de até 10% (dez por cento), considerados aqui o tipo de
serviço e o levantamento de campo realizado. Gostaríamos de lembrar que as análises são realizadas
para cada serviço individualmente e existem alguns deles que não admitem tolerância, como por
exemplo, janelas ou portas, cuja imprecisão pode ser considerada nula.
O Perito poderá, a seu critério, estabelecer outros limites de acordo com a natureza dos vários tipos
de serviços envolvidos. Ressalta-se que é fundamental não proceder a uma análise puramente
matemática, sendo necessário contextualizá-la nos aspectos construtivos e de relevância envolvidos.

3. Metodologia de Cálculo do “Jogo de Planilha”


A metodologia ora apresentada foi desenvolvida pelos Peritos Criminais Federais, da área de
Engenharia Civil, dentre os quais o autor, todos vinculados, direta ou indiretamente, ao Serviço de
Perícias de Engenharia Legal e Meio Ambiente (SEPEMA/DPER/INC/DITEC/DPF).
Para a análise da ocorrência do “jogo de planilha” existem duas possibilidades em função das
análises de preço: ambiente de sobrepreço ou de subpreço. Ambas podem ser calculadas
individualmente por item de planilha, para tanto bastando aplicarmos a devida formulação
matemática em cada situação. Esse procedimento, que pode ser facilmente automatizado em
planilha eletrônica, facilita a compreensão de quais serviços estão causando superfaturamento por
jogo de planilha. Em ambos os casos, é fundamental determinar o ponto de equilíbrio econômico-
financeiro do contrato.
Esse autor defende a utilização de apenas dois métodos para cálculo da parcela de superfaturamento
devida exclusivamente ao “jogo de planilha”, sendo cada um adequado a uma das situações acima
descritas. Em ambiente de sobrepreço utilizamos o “método do balanço” e em caso de subpreço
usamos o “método do desconto”. A justificativa seria que os métodos refletem melhor a realidade
de cada situação, isto é, irão melhor definir o que deve ser tutelado pela Administração na defesa de
seus interesses.
No caso de sobrepreço original, temos duas hipóteses: sobrepreço abaixo do limite de tolerância,
que não seria considerado como superfaturamento e sobrepreço acima desse limite. Na primeira
hipótese a situação é simples: devemos atentar para que os termos aditivos obedeçam aos limites
dos valores de mercado de modo a não aumentar o sobrepreço. Já na segunda hipótese, teríamos que
renegociar o termo aditivo de modo a que o sobrepreço diminua mantendo-se, pelo menos, dentro
do limite de tolerância adotado. Nessa situação, o mais adequado é o “método do balanço”, feito em
termos monetários, pois que o que deve ser garantido é que o valor do sobrepreço não aumente.
Na hipótese de subpreço, o mais adequado é o “método do desconto”, feito em termos percentuais,
pois o que deve ser garantido é que a proporção do desconto dado, que entendemos reflita melhor a
“relação” prevista na alínea “d” do artigo 65 da Lei 8.666/93, seja mantida até ao final da obra, isto

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é, a vantagem auferida pela Administração com o evento licitatório não se perca durante a execução
do contrato. Deve ser em termos percentuais pois é a forma mais simples de realizar tais análises,
tendo em vista a grande quantidade de serviços existentes nas planilhas orçamentárias, cada um
com suas peculiaridades e seus quantitativos.
O autor gostaria de abordar o chamado fator “K”, utilizado em algumas licitações em nosso país,
que consiste basicamente na aplicação de um único fator, que pode ser maior ou menor que a
unidade caso se queira dar desconto ou estar acima do preço de referência do órgão licitante, como
uma solução para alguns casos de “jogo de planilha”. Ora, se todos os itens planilhados receberam o
mesmo desconto percentual, não há que se falar em manipulação de quantitativos ou em preços
altos e baixos em relação ao mercado. Entretanto, ainda poderiam ocorrer, por exemplo, alteração
de preços durante a execução da obra ou inclusão de serviços novos, porém ambos seriam de mais
fácil identificação e controle.

3.1. Ponto de Equilíbrio Econômico-Financeiro


O ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato é obtido através da identificação da
situação original de cada item contratual em comparação com preços referenciais. Esses preços
deverão ser medianos ou médios de mercado à época do contrato firmado, geralmente a data-base
da proposta. Após isso, obteremos o valor global da obra calculado pela perícia, através do qual
poderemos concluir se ocorreu sobrepreço ou subpreço original.
Caso a divergência devido ao preço global inicial (Dpi) seja positiva, poderá ser considerada a
ocorrência de sobrepreço global inicial, também denominado de sobrepreço original. Caso
contrário, consideramos a ocorrência de subpreço global inicial, também denominado desconto
original, ambos expressos em moeda corrente.
Devemos atentar para a análise da significância da parcela de divergência devida ao preço global
inicial, posto não existir consenso nesse ponto. Um aspecto importante é a definição de uma
margem de segurança global, a qual entendemos existir em função das imprecisões intrínsecas aos
métodos de levantamento de quantitativos e orçamentação, podendo-se adotar inicialmente o
percentual de 10% (dez por cento) ou outro arbitrado pelo perito.
A margem de segurança global adotada é aplicável apenas em casos de sobrepreço, quando
devemos compará-la ao percentual de sobrepreço global inicial (PE). Caso seja maior, devemos
considerá-la significativa, imputando como débito todo o valor calculado.
Caso o percentual de sobrepreço global inicial (PE) seja menor que a margem de segurança global
adotada, devemos realizar análises mais detalhadas, identificando os serviços cujos preços unitários
apresentem divergência percentual relevante, positiva ou negativa em relação ao preço de
referência, superior à margem de segurança por serviço, podendo ser adotado inicialmente o
percentual de 30% (trinta por cento), somando-as ao final. Cabe ressaltar que o citado percentual foi
adotado em função de análises de alguns projetos padrões do SINAPI, mediante comparação dos
valores da mediana com aqueles do 3º quartil para os serviços mais relevantes.
Por fim, não posso me furtar em citar a LDO 2010, que em seu § 1o do artigo 112 contém
expressamente o percentual de 20% (vinte por cento) para essa mesma finalidade, embora com
algumas restrições:
§ 1o Em obras cujo valor total contratado não supere o limite para Tomada de Preços, será
admitida variação máxima de 20% (vinte por cento) sobre os custos unitários de que trata o

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caput deste artigo, por item, desde que o custo global orçado fique abaixo do custo global
calculado pela mediana do SINAPI.

O valor monetário calculado nas análises mais detalhadas, caso positivo e menor que a divergência
de preços global inicial, poderá ser, em função da relevância dos itens e demais aspectos porventura
observados, considerado como divergência significativa devida aos preços iniciais. Caso esse valor
seja maior que a divergência de preços global inicial, esta última é que deverá ser considerada como
divergência significativa devida aos preços iniciais.
O ponto de equilíbrio econômico-financeiro (PE) é o percentual obtido, seja positivo ou negativo,
da razão entre a divergência devido ao preço global inicial (Dpi) e o valor de referência do contrato
inicial (VRc), calculado pela seguinte fórmula:

PE = Dpi / VRc

A idéia de se determinar esse ponto de equilíbrio é verificar posteriormente se, considerando as


quantidades e preços realmente executados ao final do contrato e os preços médios de mercado, é
preservado o ponto de equilíbrio original do contrato. Em caso negativo, a análise apontará se o
novo ponto obtido é favorável ou desfavorável à Administração Pública.

3.2. Ambiente de Sobrepreço


Nesse caso será aplicado o método do balanço (referência Acórdão 583/2003 – Plenário – TCU)
para os cálculos, onde as conseqüências financeiras serão medidas em função de um confronto entre
os preços da contratada com os valores de mercado.
Na metodologia desenvolvida pelo DPF, a parcela do “jogo de planilha” é calculada juntamente
com o sobrepreço global final, não estando explicitada neste momento. Se a diferença entre o
sobrepreço final e o inicial for relevante, a critério do perito e em função das peculiaridades de cada
obra sob exames, a parcela de jogo de planilha poderá ser calculada, então, de duas maneiras.
A primeira delas é feita de maneira simplificada, caso não seja necessário destacar os principais
serviços que deram causa ao jogo de planilha, pela simples diferença entre o sobrepreço final (Dpf)
e o inicial (Dpi), que nesse caso será monetária.
A outra maneira é o cálculo através do método do balanço, cuja definição segue abaixo:
Método do balanço – Análise dos efeitos financeiros causados pelas variações entre as
quantidades e preços unitários questionados e as quantidades e preços unitários de
referência do Perito Criminal Federal, utilizando valores monetários;

A formulação matemática do método do balanço é expressa por:

Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)]

onde:
Djp – Divergência devida ao jogo de planilha
Qpe – Quantidade de serviços considerados pelos peritos como executados
Qc – Quantidades previstas no contrato inicial
Pm – Preço unitário do serviço medido ou pago

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Pr – Preço unitário de referência
Pc – Preço unitário previsto no contrato inicial

Cabe ressaltar que não devem ser computadas no cálculo da divergência devida ao jogo de planilha
(Djp) aquelas decorrentes de alterações tecnicamente aceitáveis e legalmente justificadas, a
exemplo do disposto na alínea "a", do inciso I do Art. nº 65 da Lei 8.666/93, salvo o caso em que
tais alterações aumentem o sobrepreço original.
Se a divergência devida ao “jogo de planilha” for positiva e relevante, deve constar no Laudo que
foi caracterizada a ocorrência de “jogo de planilha”, devendo ser apresentadas as parcelas
decorrentes da divergência devida ao sobrepreço global inicial e da divergência devida ao “jogo de
planilha” separadamente.
Caso a divergência devida ao “jogo de planilha” for negativa ou irrelevante, deve constar no Laudo
que não foi caracterizada a ocorrência de “jogo de planilha”. Entretanto, seu valor monetário deve
ser computado no cálculo da divergência devida ao preço global final, havendo redução do
potencial dano ao erário causado pelo sobrepreço global inicial.

3.3. Ambiente de Subpreço


Em caso de subpreço, que pode representar a vantagem auferida pela Administração Pública com o
procedimento licitatório, será aplicado o método do desconto (referência Acórdão 1755/2004 –
Plenário – TCU), onde as conseqüências financeiras serão medidas em função de uma análise do
desconto original e o equilíbrio final medido pelos Peritos.
A divergência devida ao preço global final (Dpf) é igual à divergência devida ao “jogo de planilha”
(Djp), a qual é calculada pelo método do desconto, cuja definição é:
Método do desconto – Análise dos efeitos financeiros causados pelas variações entre as
quantidades e preços unitários questionados e as quantidades e preços unitários de
referência do Perito Criminal Federal, considerando o desconto original em termos
percentuais.

A formulação matemática do método do desconto é expressa por:

Djp = Σ [Qpe x (Pm – Pr x (1 + PE)) - Qc x (Pc – Pr x (1 + PE))]

onde:
Djp – Divergência devida ao jogo de planilha
Qpe – Quantidade de serviços considerados pelos peritos como executados
Qc – Quantidades previstas no contrato inicial
Pm – Preço unitário do serviço medido ou pago
Pr – Preço unitário de referência
Pc – Preço unitário previsto no contrato inicial
PE – Ponto de equilíbrio econômico-financeiro do contrato

Nesse cálculo são considerados os serviços extracontratuais, adotando-se os preços medidos ou


pagos iguais ao preço de referência da perícia e as quantidades contratuais iniciais iguais a zero.
Entende-se por serviço extracontratual aquele constatado na vistoria, não integrante do contrato

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original e/ou de seus termos aditivos, que não tenha sido medido ou pago durante a execução da
obra, ou seja, não formalizado.
Da mesma forma, devem ser considerados todos os serviços medidos ou pagos, independentemente
da sua quantidade na planilha orçamentária da proposta original e da existência de termo aditivo
contratual, tendo em vista que, na esfera criminal, se busca a verdade real, a qual deverá estar
lastreada na vistoria de campo obrigatoriamente realizada.
De forma similar ao ambiente de sobrepreço, cabe ressaltar que não devem ser computadas no
cálculo da divergência devida ao jogo de planilha (Djp) aquelas decorrentes de alterações
tecnicamente aceitáveis e legalmente justificadas, a exemplo do disposto na alínea "a", do inciso I
do Art. nº 65 da Lei 8.666/93, salvo o caso em que tais alterações causem sobrepreço e a
conseqüente perda do desconto original.
Se a divergência devida ao jogo de planilha for positiva e relevante, deve constar no Laudo que foi
caracterizada a ocorrência de jogo de planilha, devendo ser apresentada essa parcela separadamente.
Caso a divergência devida ao jogo de planilha for negativa ou irrelevante, deve constar no Laudo
que não foi caracterizada a ocorrência de jogo de planilha, inexistindo neste caso divergência
devida ao preço final (Dpf = 0).

4. Conclusão
A principal contribuição desse trabalho é a apresentação de metodologia para cálculo do
superfaturamento devido exclusivamente ao “jogo de planilha”, desenvolvida para utilização na
esfera criminal pelo grupo de peritos de Engenharia Civil do DPF, com base em alguns critérios
objetivos iniciais. Esse autor acredita que os valores iniciais propostos tiveram apresentadas suas
origens de modo a justificar sua adoção, porém encontrando-se abertos para posteriores discussões
enquanto assunto controverso, sobre o qual ainda não existe consenso.
Foram apresentados diversos conceitos, os quais foram discutidos mediante apresentação de autores
conhecidos no meio técnico e fundamentação na legislação vigente, com vistas à estruturação da
metodologia apresentada. Os métodos adotados nos casos de sobrepreço ou subpreço originais, a
saber, do balanço e do desconto respectivamente, são considerados mais adequados a cada um deles
do ponto de vista teórico, conforme já apresentado.
Como resultado das análises realizadas nos exemplos do anexo e fruto de anos de experiência na
área de perícias criminais, pode-se afirmar que a ocorrência de “jogo de planilha” independe do
valor absoluto ou mesmo do percentual relativo, havendo que se ater à intenção de causar o dano
através dos termos aditivos firmados ou da simples alteração durante a execução da obra sem a
devida formalização. Nesse ponto é essencial a experiência e o conhecimento técnico do perito, haja
vista que ele realizou todas as análises e cálculos, conhece todas as informações do caso, dentre elas
as justificativas técnicas caso existam, e, com base em sua autonomia, pode melhor decidir acerca
da efetiva ocorrência do “jogo de planilha”.
Pode-se perceber que existem diversas formas de ocorrência de “jogo de planilha”, como acréscimo
de quantidades de itens originais com preços altos, decréscimo de quantidades de itens originais
com preços baixos, supressão de itens originais com preços baixos, alteração de preços originais
para preços mais altos e inclusão de itens novos com preços altos. Essas hipóteses costumam
ocorrer também em conjunto, existindo diversas combinações possíveis.
A obra selecionada para apresentação dos exemplos foi um caso real de perícia realizada pelo autor,
em determinada época e região com considerável lapso temporal decorrido, que se tratava da

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construção de pequena barragem de concreto, cuja análise original apontou sobrepreço. Ela possui
estrutura de itens bastante simples, pouca quantidade de serviços e é bastante adequada para a
finalidade didática, permitindo fácil entendimento.
O resumo dos exemplos constantes do anexo encontra-se na tabela 1, a qual apresenta a descrição
de cada um com os valores absolutos em reais e relativos em percentual. Ressalta-se que considero
a ocorrência de “jogo de planilha” em todas as situações analisadas, embora exista percentual muito
pequeno como no exemplo 3.

EXEMPLO DESCRIÇÃO PREÇO OBRA JOGO DE JOGO DE


PERÍCIA (R$) PLANILHA (R$) PLANILHA (%)
1 Acréscimo de itens com preço alto 78.650,73 20.421,57 2,57
2 Decréscimo de itens com preço 75.250,93 19.414,27 2,38
baixo
3 Inclusão de item com preço alto 78.086,88 18.413,12 0,16
4 Supressão de item com preço baixo 76.210,83 18.869,17 1,34
5 Mudança para preço mais alto que o 77.780,63 24.888,37 8,57
contratado
6 Caso geral englobando exemplos 75.641,13 28.805,37 14,66
anteriores exceto o 4
Tabela 1 – Resumo dos exemplos de “Jogos de Planilha”

Outra conclusão é que pode ocorrer “jogo de planilha” mesmo em ambiente de subpreço, através da
perda do desconto original. Não há que se argumentar preço global abaixo do preço médio de
mercado, pois ainda deveria estar mais, de modo a garantir a vantagem auferida pela Administração
Pública com o evento licitatório e manter o equilíbrio econômico-financeiro original do contrato,
conforme exigido pela legislação vigente.

Referências
ALMEIDA JUNIOR, João Antônio de. Prevenção, Identificação e Registro de CLAIMs. Disponível em
<http://www.claim.com.br/portal/modules/download_gallery/dlc.php?file=http://www.claim.com.br/portal/media/down
load_gallery/003_prevencao_identificacao_registro_claim_sinduscon.doc>. Acesso em 21 jun 2010.

AMARAL, Antônio Carlos Cintra do. Atos Administrativos, Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo,
Malheiros, 1995.

ASSUMPÇÃO, José Francisco P. Racionalização da Construção: Planejamento Global da Obra e Orçamento.


Brasília, Apostila de Curso do Sistema de Cursos CREA/DF, 1999.

BERNARDES, Edson Garcia. CLAIM – Perícias em Custos de Obras Públicas. Belo Horizonte, Label, 2007.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituiçao.htm>. Acesso em 18 jun 2010.

BRASIL. Lei 6.496, de 7 de dezembro de 1977. Institui a " Anotação de Responsabilidade Técnica " na prestação de
serviços de engenharia, de arquitetura e agronomia; autoriza a criação, pelo Conselho Federal de Engenharia,
Arquitetura e Agronomia - CONFEA, de uma Mútua de Assistência Profissional; e dá outras providências. Disponível
em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6496.htm>. Acesso em 18 jun 2010.

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sob o ponto de vista criminal.
BRASIL. Lei de Diretrizes Orçamentárias, Lei 12.017, de 12 de agosto de 2009. Dispõe sobre as diretrizes para a
elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2010 e dá outras providências. Disponível em
<http://www9.senado.gov.br/portal/page/portal/orcamento_senado/arquivo/Outros/PrincipaisNormasOrcamentarias/300
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CAMPITELI, Marcos Vinicius. Medidas para Evitar o Superfaturamento Decorrente dos “Jogos de Planilha” em
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jun 2010.

Especialize On Line – Segunda Edição - 19 -


Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Anexo A – Exemplos de “Jogo de Planilha” em Obra de Engenharia
Obra adotada: Construção de pequena barragem de concreto
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. CONT. CONT. CONT. PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS 3.823,05 4.810,35
PRELIMINARES
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 0,21 283,50 0,46 621,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
força
01.05 Barracão de obra m² 20,00 46,00 920,00 78,49 1.569,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 46.003,00 27.697,36
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 22,00 17.380,00 6,65 5.253,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 1,85 1.461,50 0,50 395,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 4,08 3.223,20 0,76 600,40
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 46.173,95 45.272,92
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 4,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3
vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1,30 1.497,60 2,55 2.937,60
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
a 10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 165,00 16.929,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL CONTRATADO 96.000,00 T. PER. 77.780,63
DIFERENÇA DE PREÇOS 18.219,37
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 23,42%
Tabela A1 – Análise de preço original – ambiente de sobrepreço

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 1 – Acréscimo de itens (2.6, 2.7 e 2.8) com preços altos
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS 3.823,05 4.810,35
PRELIMINARES
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 0,21 283,50 0,46 621,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
força
01.05 Barracão de obra m² 20,00 46,00 920,00 78,49 1.569,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 49.075,30 28.567,46
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 900,00 22,00 19.800,00 6,65 5.985,00
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 900,00 1,85 1.665,00 0,50 450,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 900,00 4,08 3.672,00 0,76 684,00
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 46.173,95 45.272,92
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3
vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1,30 1.497,60 2,55 2.937,60
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
a 10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 165,00 16.929,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 99.072,30 T. PER. 78.650,73
DIFERENÇA DE PREÇOS 20.421,57
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 25,96%
Tabela A2 – Exemplo 1 – Análise de preço para obra executada com acréscimo de itens com preços altos

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 1 – Acréscimo de itens (2.6, 2.7 e 2.8) com preços altos

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONT. PERÍCIA MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 0,00
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 1.350,00 0,21 0,46 0,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
01.05 Barracão de obra m² 20,00 20,00 46,00 78,49 0,00
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 2.202,20
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 900,00 22,00 6,65 1.688,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 900,00 1,85 0,50 148,50
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 900,00 4,08 0,76 365,20
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 0,00
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1.152,00 1,30 2,55 0,00
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 102,60 165,00 162,90 0,00
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
concreto em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 2.202,20
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 2,54%
Tabela A3 – Exemplo 1 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de acréscimo de itens com preços altos
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 2 – Decréscimo de itens (1.2, 1.5 e 3.2) com preços baixos
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 3.237,05 3.749,45
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 750,00 0,21 157,50 0,46 345,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
01.05 Barracão de obra m² 10,00 46,00 460,00 78,49 784,90
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 46.003,00 27.697,36
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 22,00 17.380,00 6,65 5.253,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 1,85 1.461,50 0,50 395,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 4,08 3.223,20 0,76 600,40
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 45.425,15 43.804,12
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 576,00 1,30 748,80 2,55 1.468,80
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 165,00 16.929,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 94.665,20 T. PER. 75.250,93
DIFERENÇA DE PREÇOS 19.414,27
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 25,80%
Tabela A4 – Exemplo 2 – Análise de preço para obra executada com decréscimo de itens com preços baixos

Especialize On Line – Segunda Edição - 23 -


Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 2 – Decréscimo de itens (1.2, 1.5 e 3.2) com preços baixos

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONT. PERÍCIA MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 474,90
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 750,00 0,21 0,46 150,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
01.05 Barracão de obra m² 20,00 10,00 46,00 78,49 324,90
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 0,00
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo contínuo m² 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 790,00 22,00 6,65 0,00
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 790,00 1,85 0,50 0,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 790,00 4,08 0,76 0,00
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 720,00
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 576,00 1,30 2,55 720,00
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 102,60 165,00 162,90 0,00
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
concreto em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 1.194,90
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 2,38%
Tabela A5 – Exemplo 2 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de decréscimo de itens com preços baixos
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

Especialize On Line – Segunda Edição - 24 -


Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 3 – Inclusão de item novo (2.9) com preço alto
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 3.823,05 4.810,35
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 0,21 283,50 0,46 621,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
01.05 Barracão de obra m² 20,00 46,00 920,00 78,49 1.569,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 46.503,00 28.003,61
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo contínuo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 22,00 17.380,00 6,65 5.253,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 1,85 1.461,50 0,50 395,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 4,08 3.223,20 0,76 600,40
escarificação
02.09 Compactação de aterros a 95% PN m³ 500,00 1,00 500,00 0,61 306,25
03.00 SUPERESTRUTURA 46.173,95 45.272,92
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1,30 1.497,60 2,55 2.937,60
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 165,00 16.929,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 96.500,00 T. PER. 78.086,88
DIFERENÇA DE PREÇOS 18.413,12
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 23,58%
Tabela A6 – Exemplo 3 – Análise de preço para obra executada com inclusão de item novo com preço alto

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 3 – Inclusão de item novo (2.9) com preço alto

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONT. PERÍCIA MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 0,00
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 1.350,00 0,21 0,46 0,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
01.05 Barracão de obra m² 20,00 20,00 46,00 78,49 0,00
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 195,00
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo contínuo m² 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 790,00 22,00 6,65 0,00
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 790,00 1,85 0,50 0,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 790,00 4,08 0,76 0,00
escarificação
02.09 Compactação de aterros a 95% PN m³ 0,00 500,00 1,00 0,61 195,00
03.00 SUPERESTRUTURA 0,00
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1.152,00 1,30 2,55 0,00
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 102,60 165,00 162,90 0,00
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
concreto em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 195,00
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 0,16%
Tabela A7 – Exemplo 3 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de inclusão de item novo com preço alto
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 4 – Supressão de item (1.5) com preço baixo
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 2.903,05 3.240,55
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 0,21 283,50 0,46 621,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
01.05 Barracão de obra m² 0,00 46,00 0,00 78,49 0,00
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 46.003,00 27.697,36
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 22,00 17.380,00 6,65 5.253,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 1,85 1.461,50 0,50 395,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 4,08 3.223,20 0,76 600,40
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 46.173,95 45.272,92
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1,30 1.497,60 2,55 2.937,60
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 165,00 16.929,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 95.080,00 T. PER. 76.210,83
DIFERENÇA DE PREÇOS 18.869,17
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 24,76%
Tabela A8 – Exemplo 4 – Análise de preço para obra executada com supressão de item com preço baixo

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 4 – Supressão de item (1.5) com preço baixo

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONT. PERÍCIA MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 649,80
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 1.350,00 0,21 0,46 0,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
01.05 Barracão de obra m² 20,00 0,00 46,00 78,49 649,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 0,00
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 790,00 22,00 6,65 0,00
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 790,00 1,85 0,50 0,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 790,00 4,08 0,76 0,00
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 0,00
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1.152,00 1,30 2,55 0,00
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 102,60 165,00 162,90 0,00
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
concreto em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 649,80
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 1,34%
Tabela A9 – Exemplo 4 – Cálculo do “Jogo de Planilha” no caso de supressão de item com preço baixo
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 5 – Mudança de item contratual (3.4) para preço mais alto
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 3.823,05 4.810,35
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 0,21 283,50 0,46 621,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
01.05 Barracão de obra m² 20,00 46,00 920,00 78,49 1.569,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 46.003,00 27.697,36
02.01 Escavação manual de valas em terra m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo contínuo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 22,00 17.380,00 6,65 5.253,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 1,85 1.461,50 0,50 395,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 4,08 3.223,20 0,76 600,40
escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 52.842,95 45.272,92
03.01 Forma c/chapa compensado resinado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1,30 1.497,60 2,55 2.937,60
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a 10 kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 230,00 23.598,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de concreto m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 102.669,00 T. PER. 77.780,63
DIFERENÇA DE PREÇOS 24.888,37
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 32,00%
Tabela A10 – Exemplo 5 – Análise de preço com mudança de item contratual para preço mais alto

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 5 – Mudança de item contratual (3.4) para preço mais alto

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONTR. PERÍCIA CONTR. MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS 0,00
PRELIMINARES
01.01 Placa da obra (6,00 x un. 1,00 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
4,00) m²
01.02 Limpeza do terreno m² 1350,00 1.350,00 1.350,00 0,21 0,46 0,00
(corte de capoeira fina
a foice)
01.03 Ligação provisória de un. 1,00 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
água e sanitário
01.04 Ligação provisória de un. 1,00 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
luz e força
01.05 Barracão de obra m² 20,00 20,00 20,00 46,00 78,49 0,00
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE 0,00
TERRA
02.01 Escavação manual de m³ 790,00 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
valas em terra até 2,00
metros
02.02 Escoramento de valas m² 306,00 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
tipo contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 m³ 85,00 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
aplicadas manualmente
02.04 Lastro de concreto, m³ 26,30 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
inclusive lançamento
02.05 Ensecadeira, parede m² 135,00 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
simples
02.06 Transporte, m³ 790,00 790,00 790,00 22,00 6,65 0,00
espalhamento e
compactação de
material para reaterro
02.07 Carga mecanizada de m³ 790,00 790,00 790,00 1,85 0,50 0,00
terra em caminhão
basculante
02.08 Regularização de m³ 790,00 790,00 790,00 4,08 0,76 0,00
subleito e escarificação
03.00 SUPERESTRUTURA 6.669,00
03.01 Forma c/chapa m² 576,00 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
compensado resinado
12 mm com reut. 3
vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 1.152,00 1.152,00 1,30 2,55 0,00
03.03 Armadura CA-50, kg 7733,00 7.733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
diâmetro 6,3 a 10 mm
(1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ m³ 102,60 102,60 165,00 230,00 162,90 6.669,00
betoneira controle tipo
B Fck 18.0 Mpa

Especialize On Line – Segunda Edição - 30 -


Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
03.05 Lançamento e m³ 102,60 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
aplicação de concreto
em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 6.669,00
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 8,57%
Tabela A11 – Exemplo 5 – Cálculo do “Jogo de Planilha” com mudança de item contratual para preço mais alto
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 6 – Caso geral dos exemplos anteriores exceto o 4
QUANT. P. UNIT. P. TOT. P. UNIT. P. TOT.
ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. PERÍCIA MEDIDO MEDIÇÃO PERÍCIA PERÍCIA
A B C=AxB D E=AxD
01.00 SERVIÇOS PRELIMINARES 2.777,05 2.964,55
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 566,00 566,00 566,00 566,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 750,00 0,21 157,50 0,46 345,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 551,20 551,20 551,20 551,20
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e força un. 1,00 314,35 314,35 314,35 314,35
01.05 Barracão de obra m² 0,00 46,00 0,00 78,49 0,00
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 13,20 1.188,00 13,20 1.188,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 49.575,30 28.872,46
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 9,00 7.110,00 5,76 4.550,40
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 16,00 4.896,00 11,21 3.430,26
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 46,40 3.944,00 57,11 4.854,35
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 121,00 3.182,30 144,77 3.807,45
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 35,60 4.806,00 35,60 4.806,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 900,00 22,00 19.800,00 6,65 5.985,00
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 900,00 1,85 1.665,00 0,50 450,00
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 900,00 4,08 3.672,00 0,76 684,00
escarificação
02.09 Compactação de aterros a 95% PN m³ 500,00 1,00 500,00 0,61 305,00
03.00 SUPERESTRUTURA 52.094,15 43.804,12
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 18,80 10.828,80 14,55 8.380,80
resinado 12 mm com reut. 3 vezes
03.02 Desforma m² 576,00 1,30 748,80 2,55 1.468,80
03.03 Armadura CA-50, diâmetro 6,3 a kg 7733,00 1,75 13.532,75 1,73 13.378,09
10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ betoneira m³ 102,60 230,00 23.598,00 162,90 16.713,54
controle tipo B Fck 18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 33,00 3.385,80 37,65 3.862,89
concreto em estrutura
TOTAL MEDIÇÃO 104.446,50 T. PER. 75.641,13
DIFERENÇA DE PREÇOS 28.805,37
PERCENTUAL DE DIFERENÇA DE PREÇOS 38,08%
Tabela A12 – Exemplo 6 – Análise de preço com caso geral de exemplos anteriores exceto o 4

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Jogo de planilha nas obras públicas: uma metodologia Outubro de 2011
sob o ponto de vista criminal.
Exemplo 6 – Caso geral dos exemplos anteriores exceto o 4

ITEM DISCRIMINAÇÃO UN. QUANT. QUANT. P. UNIT. P. UNIT. P. UNIT. JOGO DE


CONTR. PERÍCIA CONTR. MEDIDO PERÍCIA PLANILHA
01.00 SERVIÇOS 799,80
PRELIMINARES
01.01 Placa da obra (6,00 x 4,00) m² un. 1,00 1,00 1,00 566,00 566,00 0,00
01.02 Limpeza do terreno (corte de m² 1350,00 750,00 1.350,00 0,21 0,46 150,00
capoeira fina a foice)
01.03 Ligação provisória de água e un. 1,00 1,00 1,00 551,20 551,20 0,00
sanitário
01.04 Ligação provisória de luz e un. 1,00 1,00 1,00 314,35 314,35 0,00
força
01.05 Barracão de obra m² 20,00 0,00 20,00 46,00 78,49 649,80
01.06 Serviços topográficos un. 90,00 90,00 90,00 13,20 13,20 0,00
02.00 MOVIMENTO DE TERRA 2.202,20
02.01 Escavação manual de valas em m³ 790,00 790,00 790,00 9,00 5,76 0,00
terra até 2,00 metros
02.02 Escoramento de valas tipo m² 306,00 306,00 306,00 16,00 11,21 0,00
contínuo
02.03 Lastro de brita 3 e 4 aplicadas m³ 85,00 85,00 85,00 46,40 57,11 0,00
manualmente
02.04 Lastro de concreto, inclusive m³ 26,30 26,30 26,30 121,00 144,77 0,00
lançamento
02.05 Ensecadeira, parede simples m² 135,00 135,00 135,00 35,60 35,60 0,00
02.06 Transporte, espalhamento e m³ 790,00 900,00 790,00 22,00 6,65 1.688,50
compactação de material para
reaterro
02.07 Carga mecanizada de terra em m³ 790,00 900,00 790,00 1,85 0,50 148,50
caminhão basculante
02.08 Regularização de subleito e m³ 790,00 900,00 790,00 4,08 0,76 365,20
escarificação
02.09 Compactação de aterros a 95% m³ 0,00 500,00 0,00 1,00 0,61 195,00
PN
03.00 SUPERESTRUTURA 7.389,00
03.01 Forma c/chapa compensado m² 576,00 576,00 576,00 18,80 14,55 0,00
resinado 12 mm com reut. 3
vezes
03.02 Desforma m² 1152,00 576,00 1.152,00 1,30 2,55 720,00
03.03 Armadura CA-50, diâmetro kg 7733,00 7.733,00 7.733,00 1,75 1,73 0,00
6,3 a 10 mm (1/4 a 3/8")
03.04 Concreto estrutural c/ m³ 102,60 102,60 165,00 230,00 162,90 6.669,00
betoneira controle tipo B Fck
18.0 Mpa
03.05 Lançamento e aplicação de m³ 102,60 102,60 102,60 33,00 37,65 0,00
concreto em estrutura
TOTAL DO JOGO DE PLANILHA 10.391,00
PERCENTUAL DO JOGO DE PLANILHA 14,66%
Tabela A13 – Exemplo 6 – Cálculo do “Jogo de Planilha” com caso geral de exemplos anteriores exceto o 4
Obs.: Fórmula utilizada: Djp = Σ[Qpe x (Pm – Pr) - Qc x (Pc – Pr)] – ambiente de sobrepreço

Especialize On Line – Segunda Edição - 33 -