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CÁLCULOS DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS

Júlio César Zanluca

Para o cálculo dos custos da mão de obra é necessário se determinar quais as incidências sociais
(INSS, FGTS normal e FGTS/Rescisão) e trabalhistas (Provisões de Férias, 13º salário e
Descanso Semanal Remunerado - DSR) sobre os valores das remunerações pagas.

Neste artigo, procuro apresentar, resumidamente, quatro cálculos diferentes, que não
compreendem todas as situações possíveis, pois cada empresa ou atividade tem suas próprias
características de composição de custos.

Observe-se que as empresas que estão sujeitas à desoneração da folha (CPRB) têm encargos
mais reduzidos, pois a contribuição previdenciária não incide sobre a folha, e sim sobre o
faturamento. Mas os cálculos adiante poderão servir de norteador/indicador para estas empresas.

Assim sendo, nos cálculos apresentados estão apenas os quesitos básicos relativos às férias, 13º
salário, DSR e encargos sociais - FGTS e INSS.

Para obter o valor real, acrescente-se o Vale Transporte e as médias de incidência de aviso
prévio, auxílio afastamento por doença ou acidente e indenização de aviso prévio.

A metodologia do cálculo do DSR é o padrão anualizado para jornada de trabalho de 44 horas


semanais (1 dia por semana, equivalente a 1/6 da remuneração para 52 semanas no ano,
divididos por 12 meses).

ESTATÍSTICAS POR EMPRESA

O aviso prévio (indenizado) não está incluso nas planilhas de cálculo apresentadas,
porque para se calcular o valor exato (ou estimado) é necessário saber qual o "índice de
rotatividade" da empresa.

Por exemplo: se em média os empregados permanecem por 20 meses, então o índice de


rotatividade/ano é 12/20 = 60%. Então a "previsão de indenização" mensal seria de 60%
dividido por 12 = 5% + encargos sociais e trabalhistas.

Quanto ao auxílio-doença, é a mesma sistemática, ou seja, é necessário que cada


empresa saiba quantos dias/ano/empregado foram pagos, para calcular, estatisticamente,
qual a sua previsão mensal.

Exemplo

No ano a empresa pagou um total de 400 dias de atestados/auxílio doença/afastamentos,


resultando num total desembolsado de R$ 14.800,00, a este título.
A empresa teve 200 empregados que trabalharam no mesmo ano (tanto admitidos quanto
demitidos e aqueles que permaneceram na empresa). O total da folha de pagamento no ano foi
de R$ 1.530.000,00.

Então o "índice" de atestados foi de R$ 14.800,00 dividido por R$ 1.530.000,00 igual a


0,96732% sobre a folha. Acrescer a este índice os respectivos encargos sociais e trabalhistas.

1ª SITUAÇÃO - EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES


(COMÉRCIO/INDÚSTRIA) - CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO DE
MENSALISTA

Encargos Sociais e Trabalhistas (%) (%)

Encargos Trabalhistas

13º Salário 8,33 %

Férias 11,11 %

Encargos Sociais

INSS 0,00 %

SAT/RAT 0,00 %

Salário Educação 0,00 %

INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 0,00 %

FGTS 8,00 %

FGTS/Provisão de Multa para Rescisão 4,00 %

Total Previdenciário 12,00 %

Previdenciário s/13º e Férias 2,33 %

SOMA BÁSICO 33,77 %

Conclusão: sobre um salário de mensalista de R$ 1.800,00, uma empresa optante


pelo Simples Nacional terá um custo mínimo de encargos de R$ 607,86, totalizando o custo de
mão de obra para este salário de R$ 2.407,86 (R$ 1.800,00 + 33,77%).
2ª SITUAÇÃO - EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
(COMÉRCIO/INDÚSTRIA) - CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO/HORA

Nesta situação, o custo percentual deve ser acrescido do Descanso Semanal


Remunerado (DSR), e é composto por:

Encargos Sociais e Trabalhistas (%) (%)

Encargos Trabalhistas

13º Salário 9,75 %

Férias 13,00 %

DSR - Descanso Semanal Remunerado 16,99 %

Encargos Sociais

INSS 0,00 %

SAT/RAT 0,00 %

Salário Educação 0,00 %

INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 0,00 %

FGTS 8,00 %

FGTS/Provisão de Multa para Rescisão 4,00 %

Total Previdenciário 12,00 %

Previdenciário s/ 13º/Férias/DSR 4,77 %

SOMA BÁSICO 56,51 %


Conclusão: sobre um salário/hora de R$ 5,00, uma empresa com atividade comércio ou
indústria, optante pelo Simples Nacional terá um custo mínimo de encargos de R$ 2,825/hora,
totalizando o custo total de mão de obra para esta hora de R$ 7,825.

3ª SITUAÇÃO - EMPRESA NÃO OPTANTE PELO SIMPLES - CÁLCULO


SOBRE UM SALÁRIO DE MENSALISTA

Encargos Sociais e Trabalhistas (%) (%)

Encargos Trabalhistas

13º Salário 8,33 %

Férias 11,11 %

Encargos Sociais

INSS 20,00 %

SAT/RAT até 3,00 %

Salário Educação 2,50 %

INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 3,30 %

FGTS 8,00 %

FGTS/Provisão de Multa para Rescisão 4,00 %

Total Previdenciário 40,80 %

Previdenciário s/13º e Férias 7,93 %

SOMA BÁSICO 68,17 %

Conclusão: sobre um salário de mensalista de R$ 1.000,00, uma empresa não optante pelo
Simples terá um custo mínimo de encargos de R$ 681,80, totalizando o custo total de mão de
obra para este salário de R$ 1.681,80.
4ª SITUAÇÃO - EMPRESA NÃO OPTANTE PELO SIMPLES - CÁLCULO
SOBRE UM SALÁRIO/HORA

Nesta situação, o custo percentual deve ser acrescido do Descanso Semanal Remunerado
(DSR), e pode ser calculado como segue:

Encargos Sociais e Trabalhistas (%) (%)

Encargos Trabalhistas

13º Salário 9,75 %

Férias 13,00 %

DSR - Descanso Semanal Remunerado 16,99 %

Encargos Sociais

INSS 20,00 %

SAT/RAT até 3,00 %

Salário Educação 2,50 %

INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 3,30 %

FGTS 8,00 %

FGTS/Provisão de Multa para Rescisão 4,00 %

Total Previdenciário 40,80 %

Previdenciário s/ 13º/Férias/DSR 16,21 %

SOMA BÁSICO 96,75 %


Conclusão: sobre um salário/hora de R$ 5,00, uma empresa não optante pelo Simples terá um
custo mínimo de encargos de R$ 4,8373/hora, totalizando o custo total de mão de obra para esta
hora de R$ 9,8373.

Obs.: As empresas que optarem pela Desoneração da Folha e que não sejam optantes pelo
Simples Nacional deverão recolher a título de previdência sobre a folha de salários, além do
valor descontado dos funcionários, 2 ou 3% de SAT e 5,8% de terceiros (SESI/SENAT/SEBRAE)