Você está na página 1de 59

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO

PAULO

RODRIGO SOARES DA RESSURREIÇÃO

TECNOLOGIAS PARA RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS DE


CONCRETO ARMADO

São Paulo
2015
RODRIGO SOARES DA RESSURREIÇÃO

TECNOLOGIAS PARA RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS DE


CONCRETO ARMADO

Trabalho de Conclusão de Curso de


Engenharia Civil do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia de
São Paulo, como requisito parcial
para obtenção do diploma de
graduação.

Orientador:
Prof. Dr. José Carlos Gasparim

São Paulo
2015
RODRIGO SOARES DA RESSURREIÇÃO

TECNOLOGIAS PARA RECUPERAÇÃO DE ESTRUTURAS DE


CONCRETO ARMADO

Trabalho de Conclusão de Curso de


Engenharia Civil do Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia de
São Paulo, como requisito parcial
para obtenção do diploma de
graduação.

São Paulo
2015
RESSURREIÇÃO, Rodrigo S.

Tecnologias para recuperação de concreto armado/ Rodrigo Soares da


Ressurreição. São Paulo, SP, 2015.

Orientador: Dr. José Carlos Gasparim

Trabalho de Conclusão de Curso do Curso de Engenharia Civil do Instituto


Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.

São Paulo, 2° Semestre de 2015.


AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a minha família que sempre esteve presente nos


momentos em que mais necessitei durante minha vida e durante a difícil jornada que
foi o curso de Engenharia Civil.

Agradeço a meu orientador Prof. Dr. José Carlos Gasparim, orientador deste
trabalho, pela orientação e apoio para o desenvolvimento do mesmo.

Aos amigos de faculdade, em especial à Ariane Afonso, Fernanda Daccorone,


Jhonatta Bortoletto e Renato Bianchini por não só ajudarem, mas por estarem
comigo durante todo o caminho percorrido.
RESUMO

Estabelecido como principal sistema construtivo no Brasil desde 1940, o concreto


armado alia a resistência do aço com a durabilidade do concreto. Devido ao seu uso
amplo e indiscriminado na construção civil, atualmente nota-se o aumento no
número de manifestações patológicas, estas tanto causadas na fase de execução
como na fase de projeto. Com isso a durabilidade da estrutura é comprometida,
iniciando-se o processo de envelhecimento precoce da mesma.
A fim de se evitar o surgimento das manifestações patológicas do concreto armado é
necessária a investigação minuciosa para conseguir identificar o tipo de problema
patológico, a medida de recuperação adequada e o método de prevenção a fim de
se evitar as novas ocorrências.
O presente estudo aborda as principais manifestações patológicas encontradas em
estruturas de concreto armado aparentes: corrosão, fissuração, destacamento e
eflorescência. Por meio de estudo de caso é identificado a causa destes fenômenos,
a inter-relação destes, bem como são indicado os possíveis métodos de
recuperação e de prevenção. Ao final é apresentada uma matriz de diagnóstico, na
qual são identificadas as manifestações patológicas encontradas, as opções de
recuperação possíveis e os meios para evitar o ressurgimento das mesmas.

Palavras chave: recuperação, concreto, patologia


ABSTRACT

Established as the main construction system in Brazil since 1940, reinforced


concrete combines the resistance of steel with the durability of concrete. Due your
wide and indiscriminate use in construction, currently it’s possible to note the
increase in the number of pathological manifestations, caused both in the
implementation phase as in the design phase. Herewith, the structure durability is
compromised, initiating premature aging of the same.
In order to avoid the appearance of pathological manifestations in reinforced
concrete thorough investigation is needed to be able to identify the type of
pathological problem, the appropriate recovery and method of prevention in order to
prevent recurrence.
The purpose of this study is to approach to the major pathological manifestations
found in apparent concrete structures: corrosion, cracking, detachment and
efflorescence. Through the case study is identified the cause of these phenomena,
the interrelationship of these, and the indication of possible methods of recovery and
prevention. At the end presents a diagnostic in which are identified pathological
manifestations, possible options, and recovery ways to prevent the resurgence of the
same.

Keywords: recovery, concrete, pathology


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Proporção de problemas patológicos (HELENE,1992) ............................. 12


Figura 2 - Variação do desempenho de uma estrutura de concreto armado ao longo
do tempo. .................................................................................................................. 15
Figura 3 - Fluxograma para diagnóstico das manifestações patológicas. ................. 19
Figura 4 - Reação Íons cloreto e aço ........................................................................ 22
Figura 5 - Corrosão devido à carbonatação do concreto (direita) e devido ao ataque
de íons cloreto (esquerda) ........................................................................................ 22
Figura 6 - Tipos de Corrosão..................................................................................... 23
Figura 7 - Apicoamento da base de concreto ............................................................ 28
Figura 8 -Utilização de formas para restauração do concreto ................................... 30
Figura 9 - Princípio de realcalinização do concreto ................................................... 32
Figura 10 - Planta pavimento 1 – Edifício Vilanova Artigas (sem escala) ................. 37
Figura 11 - Planta pavimento 8 – Edifício Vilanova Artigas (sem escala) ................. 38
Figura 12 - Corte Transversal - Edifício Vilanova Artigas (sem escala) .................... 39
Figura 13 - Corte Longitudinal - Edifício Vilanova Artigas (sem escala) .................... 40
Figura 14 - Imagem aérea do Edifício Vilanova Artigas ............................................ 42
Figura 15 - Esquema das distribuição das cargas da cobertura - Edifício Vilanova
Artigas ....................................................................................................................... 42
Figura 16 - Detalhe cobertura – corte longitudinal - Edifício Vilanova Artigas ........... 43
Figura 17 - Ocorrência de eflorescências nas faces das vigas de cobertura ............ 44
Figura 18 - Ocorrência de carbonatação e corrosão das armaduras nas vigas
invertidas da cobertura .............................................................................................. 45
Figura 19 - Fissuração e Destacamento do concreto no topo das vigas da cobertura
.................................................................................................................................. 45
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Principais mecanismos de deterioração das estruturas de concreto


armado ...................................................................................................................... 16
Tabela 2 - Principais fatores que determinam a velocidade da penetração da frente
de carbonatação........................................................................................................ 21
Tabela 3 - Limites de fissuração................................................................................ 24
Tabela 4 - Deslocamentos limites no do concreto armado ........................................ 25
Tabela 5 - Principais mecanismos de fissuração do concreto ................................... 26
Tabela 6 - Cobrimento nominal correspondente a classe de agressividade nominal 33
Tabela 7 - Classes de agressividade ambiental ........................................................ 34
Tabela 8 - Matriz de diagnóstico ............................................................................... 48
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7
1.1. Justificativa .......................................................................................................... 9
1.2. Objetivo Geral ...................................................................................................... 9
1.3. Objetivos Específicos .......................................................................................... 9
1.4. Metodologia de Pesquisa .................................................................................. 10
2 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ...................................................................... 11
2.1. Durabilidade e Vida Útil do Concreto Armado ................................................. 14
2.2. Causas das Manifestações Patológicas em Concreto Armado ...................... 16
2.3. Inspeção e Diagnóstico dos Elementos de Concreto Armado ........................ 17
2.4. Principais Manifestações Patológicas em Concreto Armado .......................... 20
2.4.1 Corrosão de armaduras ............................................................................... 20
2.4.2 Fissuração.................................................................................................... 23
2.4.3 Eflorescências .............................................................................................. 27
2.4.4 Destacamento de concreto .......................................................................... 27
2.5. Preparação das Superfícies de Concreto ........................................................ 27
2.6. Corte e Remoção do Concreto ......................................................................... 28
2.7. Recuperação dos Elementos de Concreto....................................................... 29
2.8 Prevenção das Manifestações Patológicas ........................................................ 32
3 ESTUDO DE CASO ........................................................................................... 36
3.1 Caracterização do Objeto de Estudo ............................................................... 36
3.2 Precedentes para a ocorrência das manifestações patológicas..................... 43
3.3 Manifestações patológicas observadas ........................................................... 44
4 RESULTADOS ................................................................................................... 46
5 CONCLUSÃO .................................................................................................... 49
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 51
7

1 INTRODUÇÃO

Segundo Bastos (2006) para um material ser considerado ideal para construções
deve apresentar ao mesmo tempo qualidades de resistência e durabilidade. A pedra,
material utilizado nas construções mais antigas por ser mais fácil de ser encontrado
na natureza, apresenta resistência aos esforços de compressão e possui grande
durabilidade, porém tem baixa resistência à tração. Já o ferro e o aço possuem
resistência elevada, tanto aos esforços de tração quanto aos de compressão,
entretanto a durabilidade é limitada em consequência da corrosão que podem sofrer.

Para o autor, o concreto armado surgiu da necessidade de aliar a durabilidade da


pedra com a resistência do aço, com as vantagens do material composto poder
assumir qualquer forma, e com a proteção do aço que é envolvido pelo concreto,
evitando a sua corrosão.

De acordo com Benevolo (1976), o concreto armado fora idealizado na Europa em


meados do século XIX, inicialmente utilizado em tubulações hidráulicas, passou a
ser adotado também nas edificações. Ainda segundo o autor, o concreto armado
constitui, juntamente com o vidro, os materiais da arquitetura moderna.

Segundo Vasconcelos (1985) a primeira utilização de armadura no concreto foi no


ano de 1845 por Joseph-Louis Lambot (1814-1887) em um barco. Após a exposição
do mesmo em Paris, no ano de 1855, Joseph Monier (1823-1906) adotou a técnica
para a criação de vasos de plantas, evoluindo suas experiências até executar
painéis para fachadas, vigas e pequenas pontes.

Introduzido no Brasil no início do século XIX, o concreto armado era um sistema


construtivo patenteado, sendo que todos os projetos dos edifícios eram elaborados
pelas normas europeias. Segundo Vasconcelos (1985) o primeiro prédio construído
em concreto armado em São Paulo, entre em 1907 e 1908, localizava-se na Rua
São Bento, esquina da Praça do Patriarca. Sua utilização se deve a Lambert
Riedlinger, engenheiro alemãoque trouxe a tecnologia da Europa.

Já em 1940, o concreto armado se torna uma tecnologia estabelecida em território


nacional e sua normalização passa a ser regida pela normalização da Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. A primeira norma vigente para este sistema
8

construtivo fora a NB1 - Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento


(SANTOS; OLIVEIRA, 2008).

Com o decorrer do tempo, os materiais que compõem este sistema construtivo foram
evoluindo. O concreto que, nos anos 40, tinha resistência de 12 MPa, já é
encontrado no mercado atual alcançando a marca de 125 MPa. Essa melhoria na
qualidade dos materiais teve que ser acompanhada da revisão dos critérios nas
normas regulamentadoras. Um dos exemplos disso está na quantidade de cimento
utilizado (REVISTA TECNHE, 2008).

No meio do século XX, para se obter a resistência satisfatória do concreto era


necessário um consumo alto de cimento. Atualmente, devido à melhora na
resistência deste produto, já se utiliza uma quantidade menor, o que torna os
elementos de concreto armado mais porosos. Para tanto nas revisões das normas
regulamentadoras inseriu-se itens que abordam unicamente a questão das
durabilidades das construções (REVISTA TECNHE, 2008).

A última norma para projeto estrutural foi revisada em 2014, a partir da revisão da
existente desde 1978, a NBR-6118/2014: “Projeto de Estruturas de concreto –
Procedimento” (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2014). Esta norma que
regulamenta os projetos de estruturas de concreto armado foi idealizada com a
preocupação principal de garantir a mais apropriada resistência mecânica e
durabilidade para as peças estruturais.

Todavia percebe-se que edifícios projetados e construídos com critérios mais


antigos podem apresentar um desempenho insatisfatório, ao mesmo tempo em que
edifícios mais recentes são construídos com a adoção de práticas informais,
desconsiderando as exigências das normas. A combinação dessas situações
acelera o fenômeno de deterioração estrutural, ou seja, o envelhecimento precoce
das construções.

Em vista destes fatores surge a Patologia das Construções, o novo campo da


Engenharia das Construções, que tem por função estudar as origens, formas de
manifestação, consequências e mecanismos de ocorrências de falhas e dos
sistemas de degradação das estruturas.
9

1.1. Justificativa

Este estudo sobre as técnicas de recuperação das estruturas de concreto armado


tem como justificativa duas questões.

Uma destas está inserida no crescente aumento do número de edificações de


concreto armado que estão próximas ou já ultrapassaram a metade de sua vida útil,
e com isso vem apresentando manifestações patológicas inerentes ao tempo de uso
e/ou à falta de manutenção adequada.

A outra questão, previamente abordada, está fixada na premissa das patologias das
construções. As manifestações patológicas, causadas tanto pelo projeto mal
concebido ou mal executado, também exigem a adoção das técnicas de
recuperação adequadas.

1.2. Objetivo Geral

O principal objetivo do presente estudo é a elaboração de uma matriz de diagnóstico


das principais manifestações patológicas, seus respectivos métodos de tratamento e
prevenção, em elementos de concreto armado aparentes, nos casos de estruturas
de concreto armado moldadas in loco.

1.3. Objetivos Específicos

Os objetivos específicos do presente estudo são:

 abordar as principais causas para origem de manifestações patológicas em


concreto armado;

 identificar os principais métodos de tratamento de concreto armado e sua


execução;

 compreender as consequências que o projeto estrutural acarreta no que


tange às patologias das construções;
10

 identificar os métodos de prevenção para a ocorrência das manifestações


patológicas;

1.4. Metodologia de Pesquisa

A primeira etapa deste trabalho consiste no levantamento de informações do objeto


de estudo de caso, o edifício Vilanova Artigas FAU-USP, localizado na Rua do Lago
876, Cidade Universitária, São Paulo – Brasil. Este reconhecimento prévio foi
realizado por meio de:
 Levantamento e caracterização do edifício: cadastramento de informações
pertinentes ao edifício, tais como sistema construtivo adotado, histórico da
construção, tempo de vida útil, concepção estrutural do projeto. Este
levantamento foi realizado por meio de consultas a relatórios técnicos
realizados na última década e a bibliografias que contemplam o histórico do
edifício;
 Definição e indicação das principais manifestações patológicas do edifício,
realizado por meio de consultas a relatórios técnicos realizados na última
década.
Simultaneamente a esta etapa realizou-se a etapa da revisão bibliográfica que
consiste na consulta a livros, publicações periódicas, dissertações de mestrado e
teses de doutorado, e textos científicos. A execução desta segunda etapa terá
enfoque nas manifestações patológicas observadas no objeto de estudo de caso.
Por fim, em posse das informações do objeto de estudo de caso e do
reconhecimento técnico assimilado, constitui-se uma matriz de diagnóstico que
aponta as manifestações patológicas em concreto armado encontradas, suas
respectivas opções de recuperação e de prevenção.
11

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O concreto é um material de construção constituído pela mistura em proporções pré-


estabelecidas de aglomerante (cimento), agregado miúdo (areia ou pó de pedra),
agregado graúdo (pedra britada ou cascalho) e água. É um material com boa
trabalhabilidade enquanto se encontra em sua fase fluida e após sua cura, resulta
num material com grande capacidade de resistência a compressão. Entretanto
possui baixa resistência aos esforços de tração, fazendo-se necessário a inserção
de materiais com capacidade de resistir a estes esforços, como é o caso do aço.
(ALMEIDA, 2002).

Da combinação entre estes dois elementos obtém-se o concreto armado: sistema


construtivo no qual o aço, inserido no concreto, fica responsável em resistir às
solicitações de tração e o concreto em resistir aos esforços de compressão e
garantir proteção ao aço contra os elementos nocivos do meio (ALMEIDA, 2002).

Observa-se que nos últimos anos tem aumentado o número de estruturas de


concreto armado com manifestações patológicas, como resultado do
envelhecimento precoce das construções existentes. Essas constatações
demonstram que as exigências e recomendações existentes nas principais normas
de projeto e execução de estruturas de concreto vigentes, até o final do século
passado, eram insuficientes (HELENE, 2001)

Para Souza e Ripper (1998) a deterioração estrutural pode estar tanto atrelada ao
envelhecimento natural da edificação como também atrelada às negligências
construtivas. Percebe-se que, mesmo as normas sendo revisadas, muitas vezes são
desconsideradas, principalmente em construções de pequeno porte e caráter
informal.

Para Pelli (1989), o uso tão amplo, diverso e por vezes indiscriminado do concreto
armado em nossas cidades parece resultar daquilo que se denomina “tecnologia
formal adaptada”, isto é, uma tecnologia que importa materiais, procedimentos,
normas e tipologias dos países centrais, porém aplica-os de modo apenas parcial e
incompleto.
12

Essa incoerência com as normas pode estar associada tanto pela adoção de mão de
obra pouco qualificada ou até mesmo aos prazos cada vez mais curtos, o que
acarreta em um descuido maior na execução da edificação.

Surgem a partir dessas deficiências executivas, as manifestações patológicas das


construções de concreto armado. Ressalta-se também que as anomalias
construtivas podem estar associadas também aos erros tomados na fase da
concepção estrutural, ou seja, na fase do projeto.

Helene (1992) aponta, em estudos realizados na Espanha e no Brasil, a proporção


dos problemas patológicos durante todo o processo construtivo:

Figura 1 - Proporção de problemas patológicos (HELENE,1992)

Fonte: Helene (1992)

Segundo Silva (2011), as falhas relacionadas à etapa de projeto que podem


ocasionar problemas patológicos são:

 má definição das ações atuantes ou combinação mais desfavorável para a


estrutura;
 interpretação errônea das resistências do solo, podendo originar recalques
nos primeiros anos de vida da edificação;
 adoção de peças com espessura de cobrimento e relação água/cimento
incompatíveis com tempo e as condições de exposição da estrutura;
13

 mau dimensionamento das peças estruturais, o que leva a grandes


deslocamentos da estrutura e consequente surgimento excessivo de fissura;
 utilização de juntas estruturais sujeitas à infiltração de água, próximas aos
elementos estruturais.

Para se evitar os problemas patológicos oriundos dos materiais, a NBR 12654


(ABNT, 1992) estabelece as características necessárias dos materiais constituintes
do concreto armado: cimentos, agregados, água e aço.

Souza e Ripper (1998) indicam que os problemas patológicos ligados á utilização da


estrutura estão relacionados à falta de manutenção e tem sua origem no
desconhecimento técnico, na incompetência, no desleixo e na falta de destinação de
verbas para a manutenção dos elementos de concreto. Para Cánovas (1988) a
manutenção deve começar simultaneamente com o início da construção.

Para Cánovas (1988), os defeitos ocasionados durante a fase de execução


representa a maior porcentagem dos danos evitáveis. Segundo o autor, estes erros
quando percebidos durante o processo de execução da obra podem ser facilmente
corrigidos.

Para tanto, a NBR 12655 Concreto de cimento Portland - Preparo, controle e


recebimento - estabelece os procedimentos padrões para a execução de estruturas
em concreto armado (ABNT, 2006)

Para Souza e Ripper (1998), a Patologia das Estruturas é o campo da Engenharia


das Construções que está direcionada à análise das origens, métodos de
manifestação, consequências e mecanismos de surgimento das falhas e dos
sistemas de degradação das estruturas.

O estudo aprofundado das patologias das construções é o início para os serviços de


reparos das edificações. Segundo Piancastelli (1997), no Brasil, os custos estimados
para serviços de reparos das edificações pela revista Construção São Paulo, em
1991, são da ordem de 100 bilhões de dólares.

Mesmo com a necessidade crescente do reparo das construções, as técnicas de


recuperação ainda se baseiam em métodos empíricos, visto que os processos de
14

recuperação e reforço possuem caráter artesanal, estando adaptáveis as situações


singulares exigidas em cada obra.

Mesmo que esse ramo da Engenharia esteja em perceptível expansão, ainda não
existe regularidade no que tange o desempenho destas peças, somente as
conclusões experimentadas de cada construção.

Para tanto, é fundamental regularizar os métodos existentes e avaliar sua eficácia


individual. Deste modo poderemos chegar o mais próximo de um modelo de
situação-problema e resolução mais indicada.

Esta regularização se dará pela caracterização da situação e indicação dos


materiais, técnicas, procedimentos e normas mais adequados para a recuperação
estrutural.

Para Reis (1998), o tratamento dos problemas patológicos das edificações deve ser
realizado através dos seguintes procedimentos:

 caracterização dos defeitos;

 identificação das causas das patologias e os agentes patológicos;

 análise da situação-problema, levando-se em consideração o modelo


estrutural e a durabilidade da peça;

 definição da técnica a ser empregada;

 avaliação do resultado alcançado.

2.1. Durabilidade e Vida Útil do Concreto Armado

A NBR 6118 (ABNT, 2003) define como durabilidade da estrutura a capacidade da


mesma em resistir às influências ambientais previstas e definidas em projeto
estrutural. Já o conceito de vida útil é definido pela mesma norma como o período de
tempo durante o qual se mantêm as características das estruturas de concreto.

Brandão (1998), aponta que a vida útil de uma construção como um todo depende
igualmente do desempenho dos elementos estruturais de concreto armado e dos
15

demais componentes incorporados à estrutura, que não possuem função estrutural,


tais como juntas, instalações, drenos, entre outros.

O gráfico abaixo relaciona o desempenho de uma estrutura em relação ao tempo


decorrido, o qual relaciona diretamente o termo durabilidade com a vida útil da
estrutura:

Figura 2 - Variação do desempenho de uma estrutura de concreto armado ao longo do tempo.

Fonte: Medeiros, Andrade & Helene (2011)

O desempenho indicado no gráfico é medido por meio da quantidade e gravidade


das manifestações patológicas que ocorrem na estrutura. A interpretação do gráfico
acima evidencia que a durabilidade da estrutura diminui com decorrer do tempo,
necessitando de intervenções para tentar alcançar os níveis de desempenho
estrutural originais.

Entretanto, chega-se a um ponto em que essas intervenções já não bastam para


garantir a durabilidade da estrutura. Silva (2011) considera que um material chegou
ao fim de sua vida útil quando suas propriedades se deterioram a tal ponto que a
continuação do uso desse material é considerada insegura ou antieconômica.

Para Medeiros; Andrade; Helene (2011), os principais mecanismos que


comprometem a durabilidade do concreto armado estão descritas no quadro abaixo:
16

Tabela 1 - Principais mecanismos de deterioração das estruturas de concreto armado

Agressividade do ambiente Consequências sobre a estrutura


Alterações iniciais na
Natureza do processo Condições particulares Efeitos a longo prazo
superrfície do concreto
redução do pH
Carbonatação UR* 60% a 85% imperceptível corrosão das armaduras
fissuração superficial
redução do pH
eflorescências, manchas
Lixiviação atmosfera ácida, águas puras corrosão das armaduras
brancas
desagregação superficial
umedecimento e secagem fissuração
Retração ausência de cura fissuras
corrosão das armaduras
UR* baixa (<50%)
partículas em suspensão na redução do pH
Fuligem manchas escuras
atmosfera urbana e industrial corrosão das armaduras
redução do pH
temperaturas altas (>20°C e manchas escuras e
Fungos e mofo desagregação superficial
<50°C) com UR*>75% esverdeadas
corrosão das armaduras
despassivação
Concentração salina, CL- atmosfera marinha e industrial imperceptível
corrosão das armaduras
expansão; fissuras
Sulfatos esgotos e águas servidas fissuras desagregação do concreto
corrosão das armaduras
fissuras expansão; fissuras
composição do concreto,
Álcali-agregado gel ao redor do agregado desagregação do concreto
umidade, UR*>95%
graúdo corrosão das armaduras
*UR: umidade relativa

Fonte: Medeiros, Andrade & Helene (2011)

2.2. Causas das Manifestações Patológicas em Concreto Armado

Para Souza e Ripper (1998), podem-se dividir as causas das manifestações


patológicas em duas categorias: causas intrínsecas e causas extrínsecas.

Ainda segundo o autor, as causas intrínsecas, ou endógenas, estão relacionadas


aos processos de deterioração das estruturas de concreto que são da própria
natureza do concreto tendo origem na fase de execução ou utilização, ou seja, as
manifestações patológicas se originam de dentro para fora do elemento. Dentre
estas causas destacam-se as ocasionadas por:

 falhas humanas na execução: deficiência na concretagem; escoramentos e


fôrmas inadequados; imperfeições das armaduras; adoção incorreta dos
materiais de construção e inexistência de controle de qualidade na execução.
17

 causas naturais: devido as características porosas do concreto, devido a


agentes químicos (reações álcali-agregado; corrosão das armaduras; ataque
de sulfatos, etc.); agentes físicos (variação da temperatura, vento, água,
insolação) e agentes biológicos.

As causas extrínsecas ou exógenas estão associadas aos fatores que atacam as


estruturas de “fora para dentro” que podem ser ocasionadas durante a fase de
projeto estrutural ou durante a utilização da edificação (SOUZA; RIPPER, 1998).
Estas causas também podem ser divididas em:

 falhas humanas: incoerência do modelo estrutural, má avaliação das cargas


atuantes, má interpretação dos agentes do projeto, tal como entendimento da
arquitetura e resistência do solo;

 ações mecânicas: choque de veículos, recalques de fundações, ações


imprevisíveis (ex: incêndios);

 ações físicas: variação de temperatura, vento e atuação da água;

 ações químicas: estão diretamente ligadas à compacidade do concreto e o


cobrimento utilizado em projeto;

 ações biológicas.

Devido a estas causas apontadas, o concreto pode apresentar deformidades como a


fissuração, desagregação dos elementos de concreto da armadura, carbonatação do
concreto, perda de aderência, desgaste do concreto e da armadura, entre outros.
Estas manifestações patológicas devem ser diagnosticadas para adoção das
medidas corretivas mais adequadas.

2.3. Inspeção e Diagnóstico dos Elementos de Concreto Armado

Segundo Tutikian e Pacheco (2013), a etapa de inspeção deve subsidiar


informações para análise e o estudo de um processo patológico, permitindo ao
investigador a determinação precisa da origem, do mecanismo e dos danos
subsequentes. Para Cánovas (1988), a inspeção da estrutura deve abordar:

 levantamento de toda a informação relativa às condições do edifício, tais


como reparos ou reforços utilizados, comportamento durante a obra;
18

 dados sobre a data de construção, projeto, controle de qualidade executado;


 comprovação em plantas e levantamentos de todos os danos surgidos;
 localização dos erros devidos às falhas de projeto, de execução e de
deficiência na conservação.

Com a análise de dados obtidos nas informações coletadas na inspeção, segue-se


com a realização do diagnóstico dos problemas patológicos. Tutikian e Pacheco
(2013) define o diagnóstico como todo o processo de entendimento e explicação
científica dos fenômenos ocorridos e seus respectivos desenvolvimentos de uma
construção onde ocorrem manifestações patológicas.

A eficiência do diagnóstico é de grande importância para as etapas de correções,


uma vez que um diagnóstico errôneo pode levar a adoção de métodos de
recuperação ineficientes.
19

Souza e Ripper (1998) propõe o seguinte fluxograma para alcançar o diagnóstico


dos problemas patológicos:

Figura 3 - Fluxograma para diagnóstico das manifestações patológicas.

Fonte: Souza e Ripper (1998)


20

2.4. Principais Manifestações Patológicas em Concreto Armado


A seguir serão apresentadas as manifestações patológicas dos elementos de
concreto armado. Serão explanados suas definições, seus processos de origem e o
impacto dela no elemento de concreto armado.

2.4.1 Corrosão de armaduras

O aço do concreto armado é envolvido por uma camada protetora, uma zona
passiva a qual possui baixa condutividade iônica, baixa solubilidade e grande
aderência. Entretanto, com a despassivação dessa camada protetora e diminuição
do pH, inicia-se o processo de corrosão das armaduras (AMORIM, 2010).

A corrosão do aço transforma o ferro em Fe(OH)² (hidróxido ferroso) e Fe(OH)³


(hidróxido férrico). Este material que se origina é pulverulento ou escamoso, de fraca
resistência, que não possui aderência e que pode aumentar o volume original do
material original em até 8 vezes, o que favorece a ocorrência de trincas e fissuras
(MELO, 2011).

Segundo Haddad e Donadio (2008), o processo de despassivação pode ser


desencadeado através de dois processos: o de carbonatação e o de ataques de íons
cloretos.

A carbonatação está relacionada a um dos elementos mais nocivos às estruturas de


concreto armado, o CO2 (dióxido de carbono). Este elemento entra em reação com
os compostos hidratados do concreto, o Ca(OH)2 (hidróxido de cálcio) e forma-se o
CaCO3 (carbonato de cálcio) (SILVA, 2011).

O concreto, que, naturalmente, possui pH alcalino (entre 12 e 13), com a reação de


carbonatação fica mais neutro, fazendo com que a camada passivadora que protege
o aço fique vulnerável e consequentemente favoreça a corrosão das armaduras
(AMORIM, 2010).

Sendo um mecanismo que atua da superfície para o interior das peças, terá
velocidade aumentada conforme a existência de fissuras excessivas da peça de
concreto (CARMO, 2009).

Os fatores relacionados ao meio ambiente que interferem na velocidade da


carbonatação são descritos no quadro abaixo:
21

Tabela 2 - Principais fatores que determinam a velocidade da penetração da frente de


carbonatação

Fatores Condicionantes Características Infulenciadas.


mecanismo físico químico
Concentração de CO 2
velocidade da carbonatação
Condições de
grau de saturação dos poros
Exposição Umidade relativa do ambiente
velocidade da carbonatação
Temperatura velocidade da carbonatação
Composição química do
concreto: porosidade da casta carbonatada
características do clínquer reserva alcalina
teor de adições
Características do
Concreto Traço porosidade
Qualidade da execução
porosidade
defeitos
grau de hidratação
cuidados com a cura

Fonte: Araújo (2009)

O outro processo de corrosão, o de ataques por íons de cloreto (Cl -), ocorrem devido
a alta concentração destes nos elementos de concreto. A alta concentração destes
íons pode ser proveniente dos componentes do concreto (aditivos, águas e
agregados) ou ser proveniente de transporte do meio externo (FORTES; ANDRADE,
2001).

Para Cascudo (1997) os íons de cloreto podem ser transportados aos poros do
concreto pelos mecanismos de absorção capilar, difusão, permeabilidade e
migração.

Esta forma de corrosão, diferentemente da carbonatação, pode ocorrer até mesmo


em meios alcalinos, uma vez que os íons de cloretos não são consumidos durante o
processo de corrosão, permanecendo livres para iniciar novas reações (CRAUSS,
2010).

As reações que ocorrem pelo ataque dos íons cloretos são:


22

Figura 4 - Reação Íons cloreto e aço

Fonte: Crauss (2010)

Como observado na reação acima, nota-se que o aço é transformado em hidróxido


férrico, material pulverulento típico do fenômeno de corrosão.

Segue abaixo os esquemos para cada tipo de corrosão:

Figura 5 - Corrosão devido à carbonatação do concreto (direita) e devido ao ataque de íons


cloreto (esquerda)

Fonte: Haddad e Donadio (2008)

Segundo Figueiredo e Meira (2013), a corrosão pode ser classificada como


generalizada e local. A corrosão generalizada se expressa em grande superfície do
metal, em que se observam inúmeras regiões de ânodo/cátodo, ocorrendo o
surgimento de micropilhas que se alternam o tempo todo.

Já a corrosão localizada se processa em superfícies limitadas do metal, por


diferenças de cargas pontuais, e que pode se aprofundar mais rapidamente na peça
de concreto, comparada à corrosão generalizada.
23

Figura 6 - Tipos de Corrosão

Fonte: Souza e Ripper (1998)

2.4.2 Fissuração

Trincas e fissuras são micro fraturas lineares na superfície do concreto, podendo ou


não ocorrer ao longo de toda a peça. O surgimento de trincas e fissuras no concreto
armado e inevitável, isto devido sua baixa resistência aos esforços de tração. Para
Thomaz (2004) são os principais responsáveis pelo surgimento das trincas e fissuras
os seguintes fenômenos:

 Movimentações provocadas por variações térmicas e de umidade;


 Atuação de sobrecargas ou concentração de tensões;
 Deformabilidade excessiva das estruturas;
 Recalques diferenciados das fundações;
 Retração de produtos à base de ligantes hidráulicos;
 Alterações químicas de materiais de construção.

A fissuração devido a movimentação provocada por variação térmica está


relacionado á retração das peças de concreto armado. Devido às variações
térmicas, tanto no estado fresco do concreto quanto em seu estado rígido, as peças
sofrem constates deslocamentos. Devido a características de restrições a
movimentação da própria estrutura, ocorre a retração. (FILHO; CARMONA, 2013).
24

As fissuras geradas devido à aplicação de sobrecarga estão relacionadas com as


tensões de tração no concreto.

Os esforços mais comuns e que ocasionam a fissuração são: flexão, cisalhamento,


punção, torção (FILHO; CARMONA, 2013). A fissuração para estes casos deverá
estar em conformidade com as tolerâncias indicadas na tabela abaixo:

Tabela 3 - Limites de fissuração

Fonte: NBR 6118; ABNT (2014)

Outro fator relacionado ao surgimento de fissuras no concreto armado são as


flechas, ou deslocamentos, originadas pela aplicação de cargas na estrutura. Estes
deslocamentos ocorrem no mesmo momento de aplicação das cargas, chamado
flecha imediata, e também conforme o passar do tempo, chamado flecha diferida.
Afim de se evitar a manifestação das fissuras é necessária a consideração destes
dois tipos de deslocamentos, sendo que o total não ultrapasse os valores
recomendados pela (ABNT, 2014):
25

Tabela 4 - Deslocamentos limites no do concreto armado

Deslocamento a Deslocamento
Tipo de efeito Razão da limitação Exemplo
considerar limite
Deslocamento visíveis em
Visual Total L/250
Aceitabilidade elementos estruturais
sensorial Devido a cargas
Outro Vibrações sentidas no piso L/350
acidentais
Superfícies que devem drenar
Coberturas e varandas Total L/250
água
Total L/350 + contraflecha
Efeitos estruturais em Pavimentos que devem Ginásios e pistas de
permanecer planos boliche Ocorridos após a
serviço L/600
construção do piso
Ocorridos após o De acordo com o
Elementos que suportam
Laboratórios nivelamento do fabricante do
equipamentos sensíveis
equipamento equipamento
Alvenaria, caixilhos e Após a construção da L/500 ou 10mm ou
revestimentos parede L=0,0017rad
Divisórias leves e caixilhos Ocorrido após a
L/250 ou 25mm
telescópicos instalação da divisória
Paredes Provocado pela ação do
Movimento lateral de H/1700 ou Hi=850
vento para combinação
edifícios entre pavimentos
frequente
Movimentos térmicos Provocado por diferença
L/400 ou 15mm
verticais de temperatura
Movimentos térmicos Provocado por diferença
Hi/500
horizontais de temperatura
Ocorrido após construção
Forros Revestimentos colados L/350
do forro
Revestimentos pendurados Deslocamento ocorrido
L/175
ou com juntas após construção do forro
Deslocamentos
Ponte rolante Desalinhamento de trilhos provocados pelas ações H/400
decorrentes de frenação
Se os deslocamentos forem relevantes para o elemento considerado, seus
Efeitos em elementos Afastamento em relações às
efeitos sobre as tensões ou sobre a estabilidade da estrutura devem ser
estruturais hipóteses de cálculo adotadas
considerados, incorporando-as ao modelo estrutural adotado
Legenda:
L: vão livre entre apoios
H: altura total do edifício
Hi: desnível entre dois pavimentos vizinhos

Fonte: NBR 6118; ABNT (2014)

Ressalta-se a importância da verificação dos deslocamentos limites ainda na fase de


projeto, uma vez que a abertura de fissuras e trincas excessivas é condicionante
direto para a ocorrência de outras manifestações patológicas no concreto armado.

A fissuração proveniente dos recalques ocorre devido a diferenças nas camadas


resistentes do solo, às sobreposições nos bulbos de pressão e também pela
expansão do solo. Estes mecanismos geram esforços não previstos em projetos, o
que podem acarretar em deslocamentos e fissuração excessiva (THOMAZ, 2004).

A fissuração decorrente da retração hidráulica do concreto se origina pela redução


dos elementos estruturais que se convertem em tensões de tração. Esta redução é
26

um processo natural do ciclo da cura do concreto. Estas fissuras podem aparecer a


qualquer momento durante a vida útil da estrutura, sendo que em elementos poucos
armados apareçam em espessuras e espaçamentos maiores (CÁNOVAS, 1988).

As alterações químicas que podem ocasionar fissuração no concreto são geradas


principalmente pela hidratação retardada dos cales que compõem o concreto, do
ataque de sulfatos e da corrosão de armaduras. Estes mecanismos levam a reações
que causam expansão dos interstícios do concreto, originando as fissuras
(THOMAZ, 2004).

Dados os principais fenômenos envolvidos no processo de fissuração, pode-se


classificá-los da seguinte maneira:

Tabela 5 - Principais mecanismos de fissuração do concreto

Estado do Causas Período de


Mecanismo Causas Principais Exemplos
Conreto Secundárias Aparecimento

Secagem/ Sobre a armaduras em lajes e vigas


Assentamento plástico Excesso de exsudação dessecamento 10 min. a 3 horas
rápido Em arco no topo de pilares

Fresco Sobre a armaduras em lajes


Secagem /dessecamento
Retração plástica Exsudação 30 min. a 6 horas
rápido
Em placas de piso
Lançamento
Movimento de fôrmas Escoramento insuficiente Imediato Em laterais de vigas e paredes
inadequado
Fenômeno Retração por Semanas ou Em vigas de grande altura
Cura inadequada Cura inadequada
físico secagem meses Em lajes
Variação sazonal de Falta de juntas de Falta de juntas de 1 dia ou
Vericais em muros
Fenômeno temperatura movimentação movimentação semanas
térmico Calor de Excesso de compostos Lançamento Acima de 3
Em grandes volumes de comcreto
hidratação com reações exotérmicas inadequado meses
Concreto poroso,
Corrosão de Concreto poroso, Acima de 3
ambiente muito Paralelas às armaduras principais
armaduras ambiente muito agressivo meses
agressivo

Endurecido Fenômeno Retração Excesso de álcalis Acima de 5


Agregados reativos Tipo “mapa”
químico álcali-agregado no cimento meses

Formação de etringita/ Excesso de sulfatos no Porosidade do


Acima de 1 ano Tipo “mapa”
taumasita cimento ou no ambiente concreto

Cargas de Inclinadas de cisalhamento


Projeto inadequado Ações excepcionais Após carregadas
projeto Verticais de torção
Estrutural
Deformação Concreto de baixa Cargas acima das Acima de 6
Verticais em balanço
lenta resistência previstas meses

Fonte: Filho e Carmona (2013)


27

2.4.3 Eflorescências

Formados a partir da migração de sais provenientes dos materiais de construção


devido ação da água, as eflorescências se constituem pelo depósito destes,
formando um composto esbranquiçado com a solidificação em contato com o ar
(SANTOS, 2008).

Sendo uma manifestação patológica associada a condições frequentes de umidade,


as eflorescências no concreto armado ocorrem principalmente pelo acúmulo do
carbonato de cálcio (CaCO3), um sal formado naturalmente pelo processo de
carbonatação do concreto.

Estas manifestações não corroem o concreto, entretanto depreciam a estrutura pela


estética indesejada, além de poder deslocar revestimentos e pinturas (MELO, 2011).

2.4.4 Destacamento de concreto

Ocorridas como um agravamento das manifestações de fissuras, os destacamentos


são caracterizados pela ruptura do concreto nas regiões em que os esforços de
tração superam a resistência de ruptura do material.

Localizados nas regiões de cruzamento de fissuras, estas manifestações patológicas


estão associadas diretamente à corrosão de armaduras, devido à expansão do aço
e aumento das tensões de tração geradas no concreto (CÁNOVAS, 1988).

2.5. Preparação das Superfícies de Concreto

Antes dos serviços de restauração das estruturas de concreto armado, é necessária


a preparação das superfícies que receberão interferência estrutural, para garantir a
melhor aderência entre os elementos de recuperação com as peças existentes.

Para Reis (2001), os métodos de preparo das superfícies a serem tratadas deverão
estar em coerência com o quadro de patologia que a peça apresenta, ressaltando
questões como a facilidade de aplicação do tratamento e conservação da
capacidade de resistência da peça.
28

Lapa (2008) aponta três métodos básicos para o processo de preparação das
superfícies:

 Métodos abrasivos: também denominado polimento. Consiste na aplicação de


forças de abrasão na superfície do concreto, visando devolver à peça sua
textura original, lisa e sem partículas soltas;

 Apicoamento: consiste basicamente em talhar a superfície da peça com


equipamentos pontiagudos com a finalidade de retirar a camada mais
superficial (conseguindo-se passar os dedos por detrás das armaduras)
tornando a peça mais áspera e propícia para receber o tratamento indicado;

Figura 7 - Apicoamento da base de concreto

Fonte: Souza e Ripper (1998)

 Jateamentos ou lavagem: servem para expulsar poeiras e resíduos da peça a


ser tratada. Os métodos mais comuns são realizados com jatos de água fria
ou quente, soluções ácidas ou alcalinas, ou também por jatos alternados de
água e areia.

2.6. Corte e Remoção do Concreto

Comumente opta-se por separar este item da preparação da peça, pois o corte do
concreto não está associado à apenas um tratamento superficial, mas sim uma
remoção profunda de concreto degradado (SOUZA; RIPPER, 1998). Estima-se que
a profundidade desse corte ultrapasse em dois centímetros a posição das
armaduras danificadas.
29

Para este processo conta-se com o uso de equipamentos como martelos


demolidores, explosivos, agentes demolidores expansivos e também a técnica de
hidrodemolição (jatos de alta pressão de água).

2.7. Recuperação dos Elementos de Concreto

Após os trabalhos de recuperação da superfície da peça de concreto e/ou corte,


podem-se iniciar os serviços de recuperação do concreto. Separar-se-á a
metodologia de recuperação conforme a tipologia de manifestação patológica
observada.

2.7.1 Recuperação do concreto destacado

Pode ser realizada por meio de:

 Argamassa: salienta-se que esta técnica seja utilizada apenas para


tratamentos de pequenas profundidades, não ultrapassando 5 cm (SOUZA e
RIPPER, 1998). Dentre as argamassas utilizadas destacam-se: argamassas
convencionais de areia e cimento; argamassa farofa (traço água/cimento
reduzido); argamassas com resinas poliméricas, argamassas com resinas
epoxídicas; e argamassas projetadas (com aditivos aceleradores);

 Concreto: para utilizar esta técnica, Reis (2001) recomenda que devem ser
consideradas as diferenças de retração para a dosagem do concreto novo.
São utilizados concretos com agregados pré-colocados, concretos
convencionais, concretos com aditivos plastificantes e concretos projetados.

 Graute: consiste numa pasta de argamassa, com base mineral ou epoxídica,


tendo como principais características grande fluidez, alta resistência mecânica
e não apresenta retração (SOUZA; RIPPER,1998). Para Silva (2006) é uma
técnica de recuperação indicada para usos subaquáticos; para exigentes
solicitações mecânicas e químicas e de alta resistência inicial.

Souza e Ripper (1998) recomenda que para a utilização das técnicas de


recuperação supracitadas sejam adotadas a montagem de formas, principalmente
para cavidades de grandes dimensões.
30

Figura 8 -Utilização de formas para restauração do concreto

Fonte: Souza e Ripper (1998)

Reis (2001) indica para recuperação entre peças estruturais já existentes a utilização
de adesivos e “primers”, servindo como ponte de aderência entre os substratos além
de servir como proteção para os elementos estruturais.

2.7.2 Recuperação de Trincas e Fissuras.

Para Lapa (2008), o correto tratamento das trincas e fissuras depende, previamente,
da classificação destas em trincas ativas ou passivas e do conhecimento de suas
origens.

Souza e Ripper (1998) apresenta os seguintes métodos para tratamento dessas


manifestações patológicas:

 injeção de fissuras: é técnica que garante o completo preenchimento entre as


bordas da micro fratura, servindo tanto para o reestabelecimento do estado
monolítico em casos de trincas passivas, como para a vedação em trincas
ativas. É uma técnica realizada sobre baixa pressão (geralmente menores
que 0,1Mpa) sendo utilizada na maioria dos casos resinas epoxídicas;

 selagem de fissuras: consiste na técnica da vedação das bordas das fissuras


ativas. Os materiais utilizados para este tratamento necessitam de
características satisfatórias quanto à aderência, resistência mecânica e
química e flexibilidade, para se adaptar às deformações da fissura.
Dependendo das dimensões da fissura, pode-se utilizar graute, poliestireno,
neoprene e mastiques.
31

2.7.3 Recuperação da corrosão das armaduras:

Conforme visto, a ocorrência da corrosão das armaduras está associada com a


despassivação do ambiente em que ela se encontra. Por tanto, para impedir a
progressão deste processo é exigido devolver ao material as condições de
alcalinidade necessárias. Para isso, Tinoco e Figueiredo (2002) propõem os
seguintes métodos de recuperação:

 aplicação de microconcreto fluido: material a base de cimento, industrializado


e que só necessita de água no momento de sua aplicação. Composto por
cimento Portland, agregados graduados e aditivos que objetivam controlar a
expansão no estado plástico;
 aplicação de argamassas com inibidores: material industrializado, bastante
fluido com a adição de água, constituído por cimento Portland agregados
selecionados, aditivos redutores de água e anticorrosivos, os quais podem
conferir proteção catódica galvânica ao aço. Segundo Haddad e Donadio
(2008), os principais inibidores utilizados são os inibidores passivadores,
inibidores de depósito, inibidores de película eletrolítica e inibidores de
adsorção;
 aplicação de adesivos a base epóxi: material utilizado como ponte de
aderência entre o concreto existente e o concreto novo. Tem alta resistência
mecânica e devido a sua baixa permeabilidade serve como barreira contra
agentes agressivos.

Polito (2006) indica para a recuperação do concreto atacado por íons de cloreto o
processo de extração dos mesmos. Por meio de um eletrodo externo os íons
negativos de Cl são retirados, à medida que íons de cátions são transportados para
as armaduras, e hidroxilas são produzidas na superfície da mesma pela reação
catódica.

Para recuperação do concreto carbonatado uma das alternativas existentes é a


realcanilização do mesmo. Esse processo consiste na aplicação de um campo
elétrico entre a armadura do concreto e uma malha de aço inserida em solução
alcalina (solução de carbonato de cálcio). Este processo restabelece os níveis de
alcalinidade originais do concreto, impedindo assim fenômenos patológicos como o
da corrosão (POLITO,2006).
32

Figura 9 - Princípio de realcalinização do concreto

Fonte: Polito (2006)

2.7.4 Recuperação de eflorescências no concreto

Para a remoção das áreas impregnadas por este tipo de manifestação patológica,
basta somente um processo de simples lavagem da peça, o que já dissolve os sais
depositados.

Este processo realizado com certa frequência diminui a ocorrência desta


manifestação, uma vez que os sais são expelidos no processo da lavagem.

2.8 Prevenção das Manifestações Patológicas

Os serviços de recuperação podem devolver aos elementos de concreto as


condições ideais para seu desempenho estrutural, entretanto, se os problemas que
originaram estas manifestações não forem corrigidos, de nada adiantarão os
serviços de recuperação. Para isso é necessário a adoção de métodos para a
prevenção das manifestações patológicas.

2.8.1 Prevenção de trincas e fissuras

Para prevenção da fissuração ocorrida pelos recalques diferenciais nas fundações, é


necessário que, ainda na fase de projeto, o solo seja devidamente examinado,
através de um programa de sondagens eficiente. Em posse das informações
coletadas, a escolha das fundações e seu dimensionamento estarão coerentes com
as exigências da estrutura, o que reduzirá as chances de recalques.
33

Para se evitar a fissurações provenientes da movimentação térmica devem ser


adotadas juntas de dilatação. Segundo Thomaz (2004), são necessárias não
somente juntas na direção do comprimento da estrutura, mas também na direção da
altura.

Já fissuração ocasionada pela atuação das cargas e pelo deslocamento natural das
peças de concreto deverá ser prevista em projeto e seus limites não poderão
ultrapassar os valores estabelecidos pela NBR 6118 – Projeto de Estruturas de
Concreto – procedimento (ABNT, 2014).

2.8.2 Prevenção da corrosão das armaduras

Segundo Figueiredo e Meira (2013), para prevenir a ocorrência de corrosão das


armaduras é necessário controlar o acesso de umidade e oxigênio ao interior dos
elementos de concreto. Para tanto, deve-se obedecer aos limites de recobrimentos
mínimos para as condições ambientes, conforme recomendações da NBR 6118–
Projeto de Estruturas de Concreto – procedimento (ABNT, 2014).

Tabela 6 - Cobrimento nominal correspondente a classe de agressividade nominal

Fonte: NBR 6118; ABNT (2014)

Ressalta-se também a possibilidade de aplicação de inibidores de corrosão


anódicos, catódicos ou mistos, como, por exemplo, os nitritos de cálcio ou sódio e as
aminas (FIGUEIREDO; MEIRA, 2013).
34

Para evitar-se o fenômeno de carbonatação, o projeto da estrutura de concreto deve


considerar a classe de agressividade ambiental conforme NB6 6118; 2014 – Projeto
de Estruturas de Concreto – procedimento (ABNT, 2014) com a finalidade de se
evitar manifestações patológicas deste tipo:

Tabela 7 - Classes de agressividade ambiental

Fonte: NBR 6118; ABNT (2014)

Para prevenção da carbonatação, Kazmierczak e Helene (1995) indicam a proteção


superficial do concreto. Essa proteção poderá se realizada com a aplicação de
revestimentos hidrófugos (que evitam a umidade) ou revestimentos
impermeabilizantes. Os revestimentos hidrófugos alteram a característica dos poros
do concreto tornando-os hidrorrepelentes, e os impermeabilizantes formam película
de proteção superficial que diminui ou impede a permeabilidade de fluidos. A
aplicação destes revestimentos assegura a proteção da estrutura contra a
penetração de agentes agressivos, como por exemplo, o CO2 (dióxido de carbono).

Para se evitar a corrosão proveniente dos ataques de íons cloreto pode-se tanto
impedir o transporte do meio externo como respeitar os limites de cloreto dos
materiais constituintes. A NBR 7211 Agregados para Concreto – Especificação
(ABNT, 2009) prescreve teores limites de cloretos em agregados para concreto
armado menores que 0,1% da massa do agregado.
35

Segundo Crauss (2010) para proteção superficial das peças de concreto do


transporte de íons cloreto é recomendado a utilização de formadores de película
(tintas e vernizes), hidrófobos, bloqueadores de poros ou argamassas poliméricas.

2.8.3 Prevenção das eflorescências

Para evitar a ocorrência pode-se controlar o contato com umidade, o que é um fator
desencadeador para a ocorrência de eflorescência.

Também nota-se que a utilização de cimentos Portland com baixo teor de álcalis é
eficaz para prevenção desta manifestação (SANTOS, 2008).

2.8.4 Prevenção do destacamento de concreto

Por ser uma manifestação patológica decorrente do agravamento das demais


citadas, para sua prevenção é necessário recuperar o concreto danificado e impedir
o ressurgimento dessas manifestações.
36

3 ESTUDO DE CASO

Nesta seção será descrito o estudo de caso deste trabalho, com sua caracterização
física, o apontamento dos precedentes para ocorrência das manifestações
patológicas e a indicação das mesmas.

3.1 Caracterização do Objeto de Estudo

Inaugurado em 1969, na Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira, o Edifício


Vilanova Artigas abriga atualmente a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo. Localizado na rua do Lago, 876, CUASO / USP –
Butantã SP – Brasil, o edifício possui aproximadamente 18.600m² de construção
distribuído em 8 pavimentos. O projeto arquitetônico é composto por um bloco
retangular de aproximadamente 110m x 66m, com seus pavimentos interligados por
rampas, escadas e elevador (OLIVEIRA, 2007).
37

Figura 10 - Planta pavimento 1 – Edifício Vilanova Artigas (sem escala)

Fonte: Zein (2014)


38

Figura 11 - Planta pavimento 8 – Edifício Vilanova Artigas (sem escala)

Fonte: Zein (2014)


39

Figura 12 - Corte Transversal - Edifício Vilanova Artigas (sem escala)

Fonte: Ivantes (2014)


40

Figura 13 - Corte Longitudinal - Edifício Vilanova Artigas (sem escala)

Fonte: Zein (2014)


41

O sistema estrutural adotado foi o de massa ativa, o qual a estrutura é projetada


para resistir aos esforços de tração, compressão e flexão. Este sistema ainda fora
projetado com o intuito de vencer grandes vãos, associado a um singular sistema de
balanços. Os vãos no sentido transversal chegam a 22m e no sentido longitudinal
são de 11m (OLIVEIRA, 2007).

A estrutura do edifício foi realizada em concreto armado moldado in loco, com


fundações profundas realizados com tubulões à céu aberto e estacas pré-moldadas
de concreto. O concreto utilizado em obra possuía f CK 150 kgf/cm² ou 15Mpa
(SIMÕES, 2004).

Foco deste estudo, a cobertura do edifício é composta por grelha estrutural de


concreto armado, constituída por vigas “V“ de 45 cm de altura, formando troncos de
pirâmide de 2,75 x 2,75 m em sua base. O topo do seu coroamento é vazado, para
permitir a iluminação zenital por meio dos domos de fiber-glass. A inclinação
adotada na cobertura, para escoamento das águas pluviais, foi de 0,5% (SIMÕES,
2004).

A trama da cobertura é composta por três faixas longitudinais, com 22m de largura
entre cada viga invertida, com 20 módulos transversais de 5,5m de largura entre
cada viga invertida (OLIVEIRA, 2007).
42

Figura 14 - Imagem aérea do Edifício Vilanova Artigas

Fontes: Zein (2014)

A figura abaixo mostra o esquema de distribuição de cargas atuantes na cobertura


do edifício.

Figura 15 - Esquema das distribuição das cargas da cobertura - Edifício Vilanova Artigas

Fontes: Ivantes (2014)

Abaixo podemos observar o detalhe das vigas inclinadas e dos domos de iluminação
existentes:
43

Figura 16 - Detalhe cobertura – corte longitudinal - Edifício Vilanova Artigas

Fonte: Ivantes (2014)

3.2 Precedentes para a ocorrência das manifestações patológicas

Por meio dos relatórios técnicos consultados notou-se que um dos principais fatores
contribuintes para a ocorrência de manifestações patológicas do concreto armado da
cobertura fora a não previsão dos deslocamentos na fase do projeto estrutural. A
execução das vigas de cobertura foi realizada sem a adoção de contra-flechas,
sendo que com o decorrer do tempo, os deslocamentos naturais da estrutura
influenciaram na declividade de escoamento das águas pluviais.

A declividade, que anteriormente era de 0,5%, diminuída, aliada a um ineficiente


sistema de captação de águas pluviais acarretou num acúmulo frequente de água
nas coberturas. Para solucionar este problema as intervenções que foram realizadas
consistiam na tentativa de readquirir a declividade original à cobertura, através da
aplicação de camadas de argamassa na cobertura. Entretanto, com as aplicações
sucessivas destas camadas, a sobrecarga na estrutura aumentou, o que aumentou
ainda mais os deslocamentos na cobertura (OLIVEIRA, 2007).

Estes deslocamentos imprevistos poderiam ser evitados caso houvesse na fase de


projeto estrutural a consideração das flechas de longo prazo. Ressalta-se também a
influência da resistência do concreto utilizado, sendo que caso fosse utilizado um
concreto mais resistente, de resistência igual ou maior a 25 MPa, estes
deslocamentos seriam menores (SIMÕES, 2004).

Outro fator que acarretou na degradação da estrutura atual foi a adoção de


cobrimentos inadequados as condições de agressividade ambiental nas vigas
44

invertidas da cobertura. O ambiente em que o edifício situa-se, no caso a cidade de


São Paulo, possui grande concentração de agentes agressivos, tais como SO2
(dióxido de enxofre), CO (monóxido de carbono) e CO2 (dióxido de carbono). Estes
agentes são potenciais causadores de manifestações patológicas tais como
carbonatação do concreto e corrosão das armaduras (SIMÕES, 2004).

3.3 Manifestações patológicas observadas

Por meio dos relatórios técnicos consultados, constataram-se as seguintes


manifestações patológicas:

 Eflorescência:

Devido ao frequente acúmulo de água na cobertura, um dos fatores associados a


ocorrência desta manifestação, foram constatadas as manchas brancas nas vigas
em “V” da cobertura

Figura 17 - Ocorrência de eflorescências nas faces das vigas de cobertura

Fonte: Oliveira (2007)

 Destacamentos, Fissuração e Carbonatação do Concreto Armado / Corrosão


das Armaduras:

Devido às condições já citadas de recobrimento inadequado, pode-se observar a


ocorrência destas quatro manifestações associadas. A camada pouco espessa de
concreto sobre a armadura das vigas invertidas permitiu que a carbonatação (do
concreto alcançasse o aço, permitindo a corrosão do mesmo. À medida que este
processo ocorria, houve fissuração excessiva devido à expansão volumétrica do aço
45

(processo de ferrugem), o que, posteriormente desencadeou o processo de


destacamento.

Figura 18 - Ocorrência de carbonatação e corrosão das armaduras nas vigas invertidas da


cobertura

Fonte: Simões (2004).

Figura 19 - Fissuração e Destacamento do concreto no topo das vigas da cobertura

Fontes: Simões (2004)


46

4 RESULTADOS

Por meio da análise do estudo de caso pode-se relacionar as seguintes


manifestações patológicas:

 Eflorescências:

Provenientes do acúmulo de carbonato de cálcio ao longo dos anos, estas


manifestações podem ser recuperadas simplesmente com a lavagem dos elementos
de concreto afetados, no caso, as vigas de seção V localizada nos módulos da
cobertura, entre as vigas principais.

Ressalta-se que para se evitar a reocorrência destas manifestações é necessário


primeiramente solucionar os problemas de impermeabilização da cobertura, uma vez
que a presença da água é o que inicia a manifestação. Para isso dever-se-á adotar
soluções de impermeabilização mais leves, o que diminuirá as flechas nas cobertura
e consequentemente o acúmulo de água.

Indica- se também, durante a rcuperação dos elementos de concreto afetados, a


utilização de cimento Portland com baixo teor de álcalis, o que ajudaria na
prevenção da manifestação.

 Destacamento:

Esta manifestação fora observada nas vigas invertidas da cobertura e para sua
recuperação é indicada a aplicação de argamassa ou concreto fluido. Salienta-se
que estas regiões deverão ser previamente preparadas antes de passarem pelo
processo de recuperação. Esta preparação poderá ser realizada através do
apicoamento ou de jateamento, isto sendo definido pela gravidade em que a
manifestação patológica se encontra.

Afim de se evitar o ressurgimento do destacamento de concreto é necessário


impedir a ocorrência das manifestações que o precedem, tais como a corrosão e a
fissuração.

 Fissuração

Esta manifestação fora observada nas vigas de seção “V”, nas vigas invertidas e na
laje de cobertura devido aos erros de projeto, tais como a não consideração do
47

efeito das flechas e o cobrimento das vigas inferior ao necessário. Para solucionar
estes problemas indica-se a selagem das fissuras com aplicação de resina
epoxídica.

Para prevenir a ocorrência acima dos limites estabelecidos pela NBR 6118, é
necessário agir em duas frentes:

- controlar a corrosão das armaduras, manifestação que desencadeia a fissuração


do concreto;

- aliviar as cargas aplicadas na cobertura, o que irá diminuir a fissuração nas vigas e
laje da cobertura.

 Corrosão:

Esta manifestação patológica ocorre nas armaduras das vigas invertidas, localizadas
na cobertura do edifício, sendo consequência da carbonatação destes mesmos
elementos estruturais. Para recuperação sugere-se a aplicação de argamassas com
inibidores para recomposição das porções afetadas. Sugere-se também a
preparação destes antes do serviço de recuperação, pelos processos de
apicoamente e/ou jateamento.

Afim de se evitar a ocorrência desta manifestação novamente sugere-se a correção


na espessura do cobrimento das vigas, atingindo valores aceitáveis de acordo com a
NBR-6118.

Abaixo segue matriz de diagnóstico das manifestações patológicas encontradas


versus metodologia de recuperação indicada:
48

Tabela 8 - Matriz de diagnóstico

Métodos de prevenção de
Manifestação observada Região afetada Opções de recuperação
ressurgimento

Solucionar a impermeabilização
da laje de cobertura, evitar o
Vigas de concreto armado, acúmulo de água sobre a
seção "V", 45cm de altura - Lavagem da superfíce afetada mesma.
Eflorescência
localizadas nos módulos da pelo depósito dos sais
cobertura, entre vigas principais Implantar soluções de baixa
sobrecarga, evitando assim as
flechas excessivas da estrutura.

Evitar a occrrência das


Aplicação de argamassa ou de
Topo das vigas invertidas da manifestações que as
Destacamento concreto, dependendo da
cobertura precedem : corrosão e
porção que sofreu ruptura.
fissuração
Vigas de concreto armado,
Evitar a ocorrência da
seção "V", 45cm de altura -
manifestação que a precede:
localizadas nos módulos da
corrosão
cobertura, entre vigas principais
Selagem das fissuras com
Fissuração Vigas invertidas localizadas na aplicação de resina epoxidíca
cobertura do edifício Diminuição das sobrecargas
sobre a laje de cobertura,
evitando a fissuração por cargas
Laje de cobertura excessivas.

Garantir o cobrimento adequado


Aplicação de argamassa com das seções da viga.
Aço das vigas invertidas da inibidores (preparar a superfície
Corrosão das armaduras
cobertura do concreto para recebimento Aplicação de resinas na
da técnica) superfície do concreto, evitanda
a entrada de agentes nocivos

Fonte: Autoria própria (2015)

 Situação observada:

Na situação real no edifício foram observados as seguintes metodologias de


recuperação:

-Destacamentos: fora adotada a reconstituição por concreto fluido e argamassa após


o tratamento superficial para eliminar as porções degradadas.

-Corrosão: após a reconstituição das zonas com destacamento e fissuração


excessiva, fora aplicados mantas de poliureia no concreto aparente, afim de se
evitar a permeabilidade de agentes nocivos à armadura.

- Eflorescências: para reccuperação destas manifestações fora utilizado a lavagem


da superfície.
49

5 CONCLUSÃO

Por meio dos resultados obtidos ficou evidente o impacto que a fase de projeto
exerce na durabilidade das estruturas de concreto armado. Observa-se que, no
período de execução do edifício de estudo de caso, não houve preucupação com
itens essenciais para o projeto estrutural, tais como a verificação de deslocamentos,
o que se revelou de grande importância para o desenvolvimento de manifestações
patológicas.

A análise dos dados coletados mostra que grande parte das manifestações
patológicas estão interligadas, sendo que uma acarreta no surgimento e/ou
agravamento da outra, o que indica que os serviços de recuperação dos elementos
de concreto armado devem ser realizados de um modo global, pois intervenções
pontuais podem não solucionar os problemas encontrados. No objeto do estudo de
caso, por exemplo, nota-se que enquanto o problema de impermeabilização não
possuir uma solução adequada e mais leve, o ciclo de manifestações patológicas
não cessará.

Notou-se que existem uma variedade considerável de opções para recuperação do


concreto armado, entretanto, antes da adoção desta, a manifestação patológica
deve ser adequadamente investigada para assim se empregar a técnica de
recuperação de maior eficácia.

Percebe-se que as propostas de recuperação indicadas pela matriz de diagnóstico


estavam coerentes com as adotadas no edifício. Ao utilizar a manta de poliureia, o
sistema de impermeabilização se tornou mais leve e mais eficiente que o sistema
anterior. Com a diminuição de peso na cobertura o ciclo de surgimento das
manifestações é interrompido.

A aplicação da manta poliureia é um sistema de imperrmeabilização novo no Brasil,


não possuindo normas específicas que regulamentam sua execução, e, por ser tão
recente, não há comprovações de sua eficácia a longo prazo. Devido a isto é
sugerido a aplicação de sistemas de impermeabilização com mais garantia de
eficácia, como a resina acrílica.
50

Por fim, ressalta-se a relevância da renovação e adequação nas normas normas


técnicas vigentes, pois com a atualização períodica pode-se prever fenômenos que
desencadeariam manifestações patológicas no edifício, colaborando para um
aumento significativo de vida útil das construções.
51

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, L. C. de. Fundamentos do concreto armado. Campinas: Faculdade de


Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas, 2002. 13f. Notas de aula.

AMORIM, A. A. de. Durabilidade das Estruturas de Concreto Armado Aparentes.


74 p. Monografia - Universidade Federal de Minas Gerais, 2010. Disponível em: <
http://www.cecc.eng.ufmg.br/trabalhos/pg1/Monografia%20Anderson%20Anacleto%
20de%20Amorim.pdf.>. Acesso em: abril de 2014

ARAÚJO, F. W. C. de. Estudo da Repassivação da Armadura em Concretos


Carbonatados através da Técnica de Realcalinização Química. 2009. 237 p.
Tese (Doutorado) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2009.
Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-1812200 9-
154958/pt-br.php>. Acesso em: abril de 2014

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 12654:1992 –


Controle Tecnológico de Materiais Componentes do Concreto. Rio de Janeiro:
ABNT, mar. 2010

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 12655:2006 –


Concreto de Cimento Portland – Preparo, Controle e Recebimento -
Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, set. 2006

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6118:2014 –


Projeto de Estruturas de Concreto (Projeto de Revisão). Rio de Janeiro: ABNT,
mar. 2003

BASTOS, P. S. dos S.. Histórico e principais elementos estruturais de concreto


armado. Bauru: Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista, 2006.
16f. Notas de aula.

BENEVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. São Paulo, Perspectiva,


1976.
52

BRANDÃO, A. M. da S.; PINHEIRO, L. M. Qualidade e durabilidade das


estruturas de concreto armado: aspectos relativos ao projeto. Cadernos de
Engenharia de Estrutura - Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de
São Paulo. 1999. 26p. Disponível em: <http://www.set.eesc.usp.br/cadernos/pdf/cee
8.pdf>. Acesso em: abril de 2014.
CÁNOVAS, M. F. (1988). Patologia e terapia do concreto armado. 1.ed. São
Paulo: Pini.

CARMO, M. A. do. Estudo da Deterioração de Marquises de Concreto Armado


nas Cidades de Uberlândia e Bambuí. 139 p. Dissertação de Mestrado -
Universidade Federal de Uberlândia, 2009. Disponível em: < http://www.ppgec.fe
civ.ufu.br/sites/ppgec.feciv.ufu.br/files/Anexos/Bookpage/Anexo_Marco_Antonio_do_
Carmo.pdf.>. Acesso em: abril de 2014

CASCUDO, O. O controle da corrosão de armaduras em concreto: Inspeção e


Técnicas Eletroquímicas. São Paulo: Ed. Pini, 1997.

CRAUSS, C. Penetração de cloretos em concretos com diferentes tipos de


cimento submetidos a tratamento superficial. 100 p. Dissertação – Universidade
Federal de Santa Maria , 2010.

FORTES, L.R.; ANDRADE, J.C. Corrosão na armadura do concreto armado:


influência dos agentes cloretos e da carbonatação, 2001.

FIGUEIREDO, E. J. P.; MEIRA, G. R. Boletim Técnico nº6: Corrosão das


armaduras de concreto. Asociación Latinoamericana de Control de Calidad,
Patología y Recuperación de la Construcción (ALCONPAT Internacional). Março de
2013. 17p. Disponível em: <http://www.concretophd.com.br/publica
cao.asp?codigo=19>. Acesso em: 20 de abril de 2014.

FILHO, A. C.; CARMONA, T. G. Boletim Técnico nº3: Fissuração nas estruturas


de concreto. Asociación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y
Recuperación de la Construcción (ALCONPAT Internacional). Março de 2013. 17p.
53

Disponível em: <http://www.concretophd.com.br/public acao.asp?codigo=19>.


Acesso em: abril de 2014.

HADDAD, M.; DONADIO, M. Proteção das armaduras com inibidores químicos


de corrosão. Revista Concreto & Construções. São Paulo. n 49. p 34-41. mar. 2008.

HELENE, P. R. L. (1992). Manual para reparo, reforço e proteção de estrutura de


concreto. 2.ed. São Paulo: PINI, 1992. 203p.

IVANTES, C. R. C. et al. Massa ativa – FAU USP –Vilanova Artigas. 2013.


Disponível em: <http://pt.slideshare.net/rafaelkerst/grupo4-a-fauusp>. Acesso em:
abril de 2014.

KAZMIERCZAK, C. S.; HELENE, P. Boletim Técnico PCC/150: Determinação da


Eficiência de Películas Usadas como Proteção contra Carbonatação. Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo 1995. 22p. Disponível em:
<http://www.pcc.usp.br/files/text/publicatio ns/BT_00150.pdf >. Acesso em: abril de
2014.

LAPA, J. S. Patologia, recuperação e reparo das estruturas de concreto. 2008.


56 p. Dissertação – Universidade Federal de Minas Gerais, 2008.

MEDEIROS, M. H. F. de; ANDRADE, J. J. de O.; HELENE, P. Durabilidade e Vida


Útil das Estruturas de Concreto. In: Concreto: Ciência e Tecnologia. 1 ed. Geraldo
Cechella Isaia. 2011. Cap 22.

MELO, A. C. de A. Estudo das Manifestações Patológicas nas Marquises de


Concreto Armado do Recife. 2001. 215 p. Monografia - Universidade de
Pernambuco, 2011. Disponível em: < http://www.pec.poli.br/conteudo/teses/D
isserta%E7%E3o%20Vers%E3o%20Final%20Ant%F4nio%20Carlos%202011.pdf> .
Acesso em: abril de 2014.

OLIVEIRA, C. T. de A. et al. O restauro do moderno: o caso do edifício Vilanova


Artigas da FAUUSP. 7°Seminário DOCOMOMO Brasil, Porto Alegre, 2007. 12p.
54

Disponível em: < http://www.fau.usp.br/cursos/pos/areas/area_tecnologia/aut5828/


docomomo_brasil_2007_oliveira_et_al.pdf>. Acesso em: abril de 2014.

PELLI, V. S. Notas para uma Tecnologia Apropriada à Construção na América


Latina. In: MASCARÓ, Lucia. Tecnologia e Arquitetura. São Paulo, Nobel, 1989.
PIANCASTELLI, E. M. Patologia, Recuperação e Reforço de Estruturas de
Concreto Armado. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 1998.
160p. Notas de Aula.

POLITO, G. Corrosão em Estruturas de Concreto Armado: Causas,


Mecanismos, Prevenção e Recuperação. 191 p. Monografia - Universidade
Federal de Minas Gerais, 2006. Disponível em: <http://www.cecc.eng.ufmg.br
/trabalhos/pg1/Monografia%20Giulliano%20Polito.pdf.>. Acesso em: abril de 2014.

REIS, L. S. N. Sobre a recuperação e reforço das estruturas de concreto


armado. 2001. 114 p. Dissertação - Universidade Federal de Minas Gerais, 2001.
SANTOS, P. H. C. Eflorescência: Causas e Consequências. 2008. 17 p. Artigo
Científico - Universidade Católica do Salvador, Salvador, 2008. Disponível em:
<http://info.ucsal.br/banmon/Arquivos/ART_130109.pdf>. Acesso em: de 2014

SANTOS, R. E. dos; OLIVEIRA, B. J. de. A armação do concreto no brasil:


história da difusão da tecnologia do concreto armado. Cadernos de Arquitetura e
Urbanismo, v.15, n.16, 1º sem. 2008.

SILVA, E. A. da, Técnicas para Recuperação e Reforço de Estruturas de


Concreto Armado. 2006. 84 p. Dissertação - Tecnologias para Restauração e
Reforço de Estruturas de Concreto Armado, 2006.

SILVA, L. K. da. Levantamento de Manifestações Patológicas em Estruturas de


Concreto Armado no Estado do Ceará. 61 p. Monografia - Universidade Federal
do Ceará, 2011. Disponível em: < http://www.deecc.ufc.br/Download/Projeto_de_
Graduacao/2011/Luiza_Kilvia_Levantamento%20de%20Manifestacoes%20Patologic
as%20em%20Estruturas%20de%20Concreto%20Armado%20no%20Estado%20do
%20Ceara.pdf.>. Acesso em: abril de 2014
55

SINÔNIMO de construção. Revista Téchne, São Paulo, SP, n. 137, p 42-44, agosto
2008.

SIMÕES, J. R. L. Avaliação do Desempenho Técnico-Construtivo: Edifício Vilanova


Artigas – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S. Paulo –
CUASO – SP. In: Patologias – Origens e Reflexos no Desempenho Técnico-
Construtivo de Edifícios. Tese de livre-docência. 2004. cap 3. Disponível em <http://
www.fau.usp.br/cursos/pos/areas/areatecnologia/aut5828/teseld_jrls_cap_fauusp.pdf
>. Acesso em: abril de 2014

SOUZA, V. C., RIPPER, T. Patologia, Recuperação e Reforço de Estruturas de


Concreto. 1 ed. São Paulo: Ed. Pini, 1998. 255 p.

THOMAZ, E. Trincas em Edifícios: Causas, Prevenção e Recuperação. 1 ed. São


Paulo: Ed. Pini, 2002. 194 p.

TINOCO, H. F. da F.; FIGUEIREDO, E. J. P. Avaliação do Desempenho de


Sistemas de Reparo e Recuperação para Estruturas de Concreto com Corrosão
das Armaduras. II Workshop sobre Durabilidade das Construções, São José dos
Campos, 2002. 12p. Disponível em: < http://www.infohab.org.br/acervos/abstract
/codigoAutor/12406/codigo_biblio/33694/cod/1>. Acesso em: abril de 2014.
TUTIKIAN, B.; PACHECO, M. Boletim Técnico nº1: Inspeção, diagnóstico e
prognóstico na construção civil. Asociación Latinoamericana de Control de
Calidad, Patología y Recuperación de la Construcción (ALCONPAT Internacional).
Março de 2013. 17p. Disponível em: < http://www.concretophd.com.br/publicacao.
asp?codigo=19 >. Acesso em: de 2014.

VASCONCELOS, A. C. O concreto no Brasil: recordes, realizações e história.


São Paulo: Copiare, 1985.

ZEIN, R. V. Ficha técnica: Fau-Usp Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da


USP. Disponível em: <http://www.arquiteturabrutalista.com.br/fichas-tecnicas/DW%
201961-57/1961-57-fichatecnica.htm>. Acesso em: abril de 2014.

Interesses relacionados