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TAREFA 1

1. Considere a sentença a seguir e discorra a respeito (opine e justifique).


Segundo o Código Penal cita o Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e
iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da
saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em
estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.
O EST, invariavelmente, é o profissional responsável pela gestão dos riscos no ambiente de
trabalho. Suas decisões e ações são de suma importância para o bom andamento das tarefas e
da garantia na preservação da vida e saúde do trabalhador. Uma decisão-chave na gestão de
risco é com respeito ao risco aceitável. Geralmente, essa decisão é tomada no campo da política
empresarial que define tais Limites de Exposição Ocupacional (LEO), todavia nunca excedendo
aos definidos em leis, regulamentos e padrões sanitários.

2. Epidemiologia e causalidade: apresente a conceituação e discorra respeito.


A epidemiologia, como ciência preocupada com a frequência, a distribuição e os
‘determinantes’ das doenças que acometem a população, tem desenvolvido procedimentos
metodológicos baseados em modelos estatísticos que buscam identificar a etiologia das doenças.
Esses modelos são, entretanto, dependentes de pressupostos que muitas vezes não podem ser
checados com base em dados observados. O conceito de validade tem, portanto, um papel-chave
na avaliação dos efeitos causais. Por sua vez, a validade sobre a existência de uma relação de
causa e efeito entre uma doença e um fator de risco é dependente das características de cada
desenho de estudo que a epidemiologia utiliza. Segundo Rothman & Greenland (1998), uma
causa pode ser entendida como qualquer evento, condição ou característica que desempenhe
uma função essencial na ocorrência da doença. Observa-se, ainda, que causalidade é um
conceito relativo, devendo ser compreendido em relação a alternativas concebíveis. Isto é, o efeito
de uma causa é sempre relativo a uma outra causa. A expressão ‘A causa B’ significa que A é a
causa de B relativa a alguma outra causa que, frequentemente, se refere à condição ‘não A’
(Holland, 1986). Por exemplo, ao se falar que história de tabagismo inveterado é uma causa para
câncer de pulmão, é necessário especificar a causa alternativa, que pode ser, por exemplo,
tabagismo recente ou não tabagismo.

3. Identifique e explique os limites de tolerância:


No caso de exposições atmosféricas, há três tipos de TLV®:

I. TLV®-TWA: tempo de exposição média ponderada para um período de oito horas. Escopo:
proteger contra os efeitos crônicos na saúde.

II. TLV®-STEL: limite de exposição média a curto prazo durante quinze minutos. Escopo: proteger
contra efeitos agudos de saúde.

III. TLV®-C: máxima instantânea. Escopo: proteção contra substâncias químicas que causam
asfixia ou irritação imediatamente.
TLV® – TWA (Time Weight Average) – É a concentração média ponderada pelo tempo de
exposição para a jornada de 8h/dia, 40h/semana, à qual praticamente todos os trabalhadores
podem se expor, repetidamente, sem apresentar efeitos nocivos.

TLV® – STEL (Short Time Exposure Limit) – É a concentração na qual os trabalhadores podem
se expor, por um curto período, sem apresentar efeitos adversos. O tempo máximo de exposição
aos valores do TLV – STEL é de 15 minutos, podendo ocorrer, no máximo, 4 vezes durante a
jornada, sendo o intervalo de tempo entre cada ocorrência de pelo menos 60 minutos. O TLV –
TWA não pode ser ultrapassado ao fim da jornada. Os valores de TLV – STEL devem ser vistos
como complementos dos valores de TLV – TWA. Na verdade servem para controlar flutuações das
concentrações das substâncias acima dos valores de TWA estabelecidos. Os valores de TLV –
STEL são determinados para substâncias que apresentam efeitos nocivos agudos,
prioritariamente aos efeitos crônicos.

TLV® – C (TLVc – Ceiling) – É a concentração máxima permitida que não pode ser ultrapassada
em momento algum durante a jornada de trabalho. Normalmente, indica-se para substâncias de
alta toxicidade e baixo limite de exposição. Contudo, devido à grande variação na suscetibilidade
individual, uma porcentagem de trabalhadores pode sentir desconforto diante de certas
substâncias em concentrações permissíveis ou mesmo abaixo delas.

4. Assista aos vídeos disponíveis nos links a seguir e responda:

https://www.youtube.com/watch?v=sii8OgnE4o4&index=2&list=PLaRPWQshCUc0pMnzRkTwt
1ShRn3EGbLXd

https://www.youtube.com/playlist?list=PLaRPWQshCUc0pMnzRkTwt1ShRn3EGbLXd

https://www.youtube.com/watch?v=eAhZ6t-
x10o&list=PLaRPWQshCUc0pMnzRkTwt1ShRn3EGbLXd&index=4

a. Explique em que consistem as vigilâncias: médica, ambiental e biológica.


A vigilância médica é usada para detectar a presença ou a ausência de efeitos
nocivos da saúde em um indivíduo como um resultado da exposição aos
contaminantes, mediante explorações médicas e provas biológicas.
A vigilância ambiental é utilizada para documentar a potencial exposição aos
contaminantes a partir de um grupo de trabalhadores, por meio da medição da
concentração de poluentes no ar, em amostras de materiais a granel nas
superfícies.
A vigilância biológica é utilizada para documentar a absorção de poluentes por
parte do organismo e correlacioná-la com níveis de contaminantes de origem
ambiental, medindo a concentração de substâncias perigosas ou os seus
metabólitos no sangue, urina ou respiração dos trabalhadores.
b. Explique o Acordo de Reconhecimento Mútuo Inmetro; Chemical Abstracts
Service (CAS) e FISPQ.
Os acordos de reconhecimento mútuo entre organismos de acreditação são uma
das formas mais efetivas de facilitar a eliminação de reavaliações nos países
importadores, problema identificado pela Organização Mundial do Comércio
(OMC) como umas das maiores barreiras técnicas ao comércio.
O Inmetro, juntamente com organismos de acreditação congêneres de outros
países, vem buscando estabelecer, por meio de cooperações regionais e
internacionais, acordos que possam promover a confiança daqueles que se
utilizam dos resultados dos processos de avaliação da conformidade.
Os acordos de reconhecimento mútuo entre organismos de acreditação, serão,
cada vez mais, ferramentas facilitadoras do comércio e uma base técnica para os
acordos de comércio exterior entre governos.
Chemical Abstracts Service é uma divisão da Sociedade Americana de Química
que produz os Chemical Abstracts, um indexo da literatura científica sobre a
química e os ramos coligados. Os Chemical Abstracts são publicados desde 1907.
A FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico) de um
determinado composto químico ou mistura contém dados sobre suas
propriedades, riscos de uso e medidas de proteção e segurança à saúde e ao
meio ambiente. Em alguns países, esse documento é chamado de MSDS
(Material Safety Data Sheet).

c. Apresente, explicando os respectivos mecanismos, as vias de exposição a


agentes químicos.
No caso de agentes químicos, os trabalhadores podem ser expostos por inalação,
contato com a pele, ingestão e injeção. As vias mais comuns de absorção no
ambiente de trabalho são trato respiratório e pele.
Para avaliar a inalação, o EST-higienista industrial deve observar a possibilidade
de que as substâncias químicas são suspensas no ar como gases, vapores,
poeira, fumaça ou neblina. Absorção de substâncias químicas por meio da pele é
importante, especialmente quando há contato direto por pulverizador, respingo,
umedecimento ou imersão com hidrocarbonetos lipossolúveis e outros solventes
orgânicos.
A imersão inclui o contato: do corpo com a roupa contaminada; das mãos com
luvas contaminadas; e, mão e braço com granéis líquidos. No caso de algumas
substâncias, tais como aminas e fenóis, de absorção por meio da pele, pode ser
tão rápido como a absorção por meio dos pulmões.
Para alguns poluentes, como pesticidas e corantes derivados a partir de
benzidina, a absorção através da pele é a principal via de entrada para organismo,
enquanto que a inalação é uma rota secundária.
Essas substâncias químicas podem facilmente penetrar no organismo através da
pele, acumular-se e causar danos sistêmicos. Quando reações alérgicas ou
sucessivas lava-seca racham a pele, aumenta drasticamente o número e o tipo de
substâncias químicas que podem ser absorvidos pelo corpo por essa via.
A ingestão, uma forma incomum de absorção de gases e vapores, pode ser
importante para partículas como chumbo.
A ingestão pode ocorrer ao comer alimentos contaminados, comer ou fumar com
as mãos contaminadas e tossir, em seguida, engolir partículas exaladas.
A injeção de materiais diretamente no fluxo de sangue ocorre, por exemplo,
quando os trabalhadores da saúde acidentalmente puncionam a pele com agulhas
hipodérmicas ou quando as fontes de alta pressão libertam projéteis de alta
velocidade contra a pele. Pistolas de pintura e bomba hidráulica têm pressão alta
o suficiente para perfurar a pele e introduzir substâncias diretamente no
organismo.

5. Leia o conteúdo da disciplina e responda:


a. Existe diferença entre amostragem e amostra, por quê?
Sim, Amostragem é o processo de determinação de uma amostra a ser
pesquisada. A amostra é uma parte de elementos selecionada de uma população
estatística. É o estudo de uma amostra, com maiores detalhes. Quando não há a
possibilidade de realizar um estudo sobre todos os elementos da população,
utiliza-se a amostragem, garantindo maior precisão, o que demanda maior gasto
de tempo de maior custo.
Amostra é um subconjunto da população, uma parcela representativa, não
garante tanta precisão, o custo é menor, e gasta – se menos tempo. Nem sempre
as amostras refletem a estrutura da população de onde foram retiradas ou são
representativas dessas populações, podendo levar nesses casos a inferências
erradas dos resultados. As amostras podem ser aleatórias ou não aleatórias.

b. O que é GHE e quais os critérios para sua definição?


O GHE (Grupo Homogêneo de Exposição) corresponde a um grupo de
trabalhadores que ficam expostos de modo semelhante, de forma que o resultado
da avaliação da exposição de qualquer trabalhador, ou do grupo, seja
representativo da exposição do restante dos trabalhadores do mesmo grupo.
O Grupo Homogêneo de Exposição ou Grupos Homogêneos de Exposição (se
mais de um) é obtido na elaboração do PPRA na etapa de caracterização básica
da unidade. Serve para facilitar o mapeamento dos riscos da empresa.
Critérios para sua definição: A escolha dos Grupos Homogêneos de Exposição
(GHE) ocorre durante a fase de estudo e levantamento de dados (caracterização
básica da unidade), quando se processam as etapas de reconhecimento e
estabelecimento de metas e prioridades de avaliação. As variáveis que influem
nessa escolha são:
– Tipo do processo/operação: identificar o local de trabalho e atividades
realizadas.
– Atividades/tarefas dos trabalhadores: verifique pela função, verifique se é fato
que as atividades sejam verdadeiramente iguais, e sendo assim, a exposição
estar associada.
– Possíveis desvios de função: a atenção do avaliador deve estar na tarefa (ou
tarefas) que o trabalhador executa no seu horário de trabalho. Uma boa conversa
com o trabalhador ou o líder dele já pode apontar o que ele faz, ou seja, suas
atividades diárias.
– Cuidado com as variações: o GHE por definição se refere a trabalhadores que
tenham a mesma exposição, cuidado com trabalhadores que executem atividade
diferenciada. Pode ser mais interessante criar um grupo somente com eles.

c. Existe diferença entre amostragem ativa e passiva, por quê?


Sim, a diferença entre elas é o método pelo qual é feita a coleta. Na amostragem
ativa, o ar é levado para dentro do dispositivo de amostragem com o auxílio de
uma bomba a vácuo, sendo necessária a utilização de medidores de fluxo de ar
para a determinação do volume de ar ou da taxa de amostragem. Embora o uso
de bombas represente uma dificuldade logística, principalmente em áreas
remotas, exigindo baterias ou uma linha de energia elétrica, os métodos de
amostragem ativa têm sido mais comumente aplicados que aqueles de
amostragem passiva no monitoramento de constituintes traços atmosféricos.
Na amostragem passiva é feito o uso de dispositivos capazes de fixar gases ou
vapores da atmosfera a uma taxa controlada por processos físicos, tais como
difusão ou permeação, não envolvendo o movimento ativo do ar através do
amostrador. Estes amostradores foram inicialmente desenvolvidos para aplicação
no monitoramento da exposição pessoal em ambientes de trabalho, onde as
concentrações dos poluentes são bastante altas. A partir da década de 80,
começaram a ser utilizados no monitoramento ambiental externo, onde as
concentrações dos poluentes são muito menores e sofrem influências de
condições meteorológicas.

d. O que são meios de amostragem? Explique como se processam.


Os meios de amostragem são: gases e vapores, material particulado e material
biológico.
- Gases e vapores: são coletados utilizando tubos adsorventes sólidos porosos,
borbulhador detectores passivos;
- Material Paticulado: A amostragem do local de trabalho para detectar partículas
(aerossóis) está em franca evolução. Há tendência de substituir os métodos
tradicionais de amostragem pela seletiva granulométrica. Primeiramente, os
métodos tradicionais. Em seguida, os métodos de amostragem de granulométrica;
- Materiais Biológicos: Existem alguns métodos padronizados para amostragem de
materiais biológicos ou bioaerossóis. Embora os métodos de amostragem sejam
semelhantes àqueles usados para outras partículas suspensas no ar, deve-se, no
entanto, preservar a viabilidade da maioria dos bioaerossóis, pois precisam ser
cultivados em laboratório. Portanto, é mais difícil de coletar, armazenar e analisar
as amostras.

6. No Brasil, anterior à Constituição da República (1988), com jornada (h) de 48


semanais, qual seria o TLV® de poeira de cimento? Dados: TLV-ACGIH =10 mg/m3.
Fator de correção do TLV para o Brasil:

Fator de Redução – FR do limite de jornada (h) para ajuste dos limites de


tolerância da ACGIH.

FR = (40÷h) X (168-h)÷128

No caso do Brasil, com h=48 semanais, o LT seria 7,8 mg/m3, pois FR =


(40÷48) X (168-48)÷128 = 0,78, considerando 10 mg/m 3 poeira de cimento
que o LT recomendado pela ACGIH.

7. Discuta e julgue os valores de tolerância do Anexo 11 da NR-15, a respeito do fator


de correção do TLV, considerando a jornada de 40h, 44h e 48h para a referência
ACGIH 40h.
Para adequação do TLV da ACGIH acima de 40h/semana há a necessidade de se utilizar
um fator de correção: FR = (40÷h) X (168-h)÷128
Utilizando-se o agente químico do modelo anterior, considerando 10 mg/m 3, poeira de
cimento.
- Para 40h: FR = (40÷h) X (168-h)÷128 → FR = (40÷40) X (168-40)÷128 → FR = 1
LT=10,0 mg/m3
- Para 44h: FR = (40÷h) X (168-h)÷128 → FR = (40÷44) X (168-44)÷128 → FR = 0,88
LT=8,8 mg/m3
- Para 48h: FR = (40÷h) X (168-h)÷128 → FR = (40÷48) X (168-48)÷128 → FR = 0,78
LT=7,8 mg/m3