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Unidade I

METODOLOGIA DE ENSINO APLICADA


ÀS CIÊNCIAS SOCIAIS

Profa. Josefa Alexandrina


Objetivos da disciplina

 Habilitar profissionais para o exercício da docência


nas Ciências Sociais, que sejam capazes de analisar e
compreender a realidade social em seus múltiplos aspectos.
 Preparar profissionais éticos e competentes, com sólida
formação teórica e metodológica nas áreas que compõem
o campo científico das Ciências Sociais – Antropologia,
Sociologia e Ciência Política.
Objetivos específicos

 Refletir sobre o significado do “olhar sociológico” para a


compreensão da realidade.
 Refletir sobre as possibilidades de desenvolvimento do “olhar
sociológico” com os jovens estudantes da escola básica.
 Explorar as possibilidades de desenvolver o “estranhamento”
e a “desnaturalização”.
 Analisar os recortes teóricos necessários para trabalhar teorias,
temas e conceitos.
Esclarecimentos iniciais

 Os conteúdos desta disciplina são voltados para a formação


do licenciado em Ciências Sociais que busca subsídios para a
atuação na Educação Básica.
 Não são contempladas as particularidades do ensino em
comunidades indígenas, quilombolas, educação do campo
e educação de jovens e adultos.
Questão central

 Como criar situações de aprendizagem que possibilitem


ao ensino de Sociologia ser instigante e desafiador para
os jovens?
Questão inicial

O que entendemos por metodologia de ensino?


 Metodologia significa um conjunto de procedimentos a serem
utilizados para a obtenção do conhecimento.
 A metodologia de ensino diz respeito aos métodos ou caminhos
traçados pelos pesquisadores para orientar os caminhos do
ensino de uma disciplina.
 A metodologia requer junção entre teoria e método, pois implica
em concepções de educação, ciência e visões de mundo.
Metodologia de ensino

 Não é possível conceber um modelo único de ensino das


Ciências Sociais para o Brasil. É preciso levar em conta a
diversidade do país em termos culturais, econômicos e sociais.
 Se o sentido do ensino é partir da realidade do aluno, cabe
aos professores atuarem também como pesquisadores sociais
desta realidade.
O processo de construção do conhecimento

 O conhecimento é construído intersubjetivamente na interação


entre professor e aluno, que deve ser pautada pelo diálogo.
 O educando deve ser sujeito de seu processo de aprendizado,
deste modo, o professor deve ter clareza de que ensinar não
é transferir conhecimento, mas criar as condições para que
o educando construa o seu próprio conhecimento.
O processo de construção do conhecimento

 O aguçamento da curiosidade do educando é considerado


como essencial para a construção do conhecimento
sociológico. A curiosidade ingênua, quando estimulada
a compreender o mundo de forma mais ampla, pode
se transformar na curiosidade epistemológica e crítica.
A dimensão ética

 “O preparo científico do professor ou da professora deve


coincidir com sua retidão ética. É uma lástima qualquer
descompasso entre aquela e esta. Formação científica,
correção ética, respeito aos outros, coerência, capacidade de
aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar
pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam
acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento
devemos humilde mas perseverantemente nos dedicar.”
(FREIRE, 1997, p. 08).
 Sob a perspectiva freireana, o ato de ensinar não se reduz
ao tratamento dado ao objeto ou ao conteúdo, mas à criação
de condições para que o educando desenvolva e apreenda
o conteúdo de maneira crítica.
A dimensão ética

 A ação do professor deve ser pautada em forte senso ético.


Requer que o docente, ao aceitar ou não as concepções
pedagógicas de um autor, deva ser franco com os educandos
e deva indicar as razões da crítica. A ética é concebida como
formação de valores e não como internalização de regras.
O que não se admite é a mentira.
Educação humanista

 Que se apropria das formas humanas de comunicação e


utiliza os instrumentos culturais necessários para as práticas
mais comuns da vida cotidiana. É a educação que se apropria
do conhecimento historicamente constituído.
Carta dirigida aos professores, encontrada em um
campo de concentração

“Prezado Professor,

Sou sobrevivente de um campo de concentração.


Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver.
Câmaras de gás construídas por engenheiros formados.
Crianças envenenadas por médicos diplomados.
Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas.
Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados
de colégios e universidades.
Carta dirigida aos professores, encontrada em um
campo de concentração

Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação.


Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos.
Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados
ou psicopatas hábeis.
Ler, escrever e aritmética só são importantes
Para fazer nossas crianças mais humanas.”

Disponível em http://www.cafecomsociologia.com/2014/01/carta-dirigida-
professores-encontrada.html. Acesso em 20/09/2014.
Educação humanista

 Para Severino, coloca-se a necessidade do sistema educacional


questionar o próprio processo civilizatório do país.
 Discutir sobre o significado da dignidade humana, sobre a
liberdade, a igualdade, sobre a vida comunitária e sobre as
perspectivas dos nossos destinos comuns.
O professor como pesquisador

 A prática docente deve ser fundada numa postura investigativa,


voltada para a produção de conhecimento, para a reflexão
sobre a sua prática pedagógica, que possa construir sua
própria metodologia e que contribua para que seus alunos
avancem na busca do conhecimento e da autonomia.
Interatividade

A ética no exercício pedagógico é concebida por


Paulo Freire como:
a) distanciamento da reflexão política;
b) respeito às regras sociais estabelecidas;
c) defesa da moral e dos costumes;
d) respeito aos princípios liberais da sociedade moderna;
e) defesa da integridade dos seres humanos.
O olhar sociológico

 O sentido do ensino da Sociologia não é formar cidadãos que


tenham domínio teórico e metodológico das Ciências Sociais.
O que se coloca é a necessidade de desenvolver uma nova
forma de olhar a realidade. É uma forma de olhar a realidade
que se diferencia do olhar do historiador, do geógrafo ou
do filósofo.
 Na obra “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim
analisa como o olhar humano sobre a realidade é constituído
inicialmente por prenoções, que significam impressões
e juízos de valor.
O olhar sociológico

 No lugar de observar as coisas, descrevê-las, compará-las,


é usual que os homens e mulheres tomem as noções mais
próximas como expressão da verdade. As prenoções que
desenvolvemos sobre as coisas são vistas como produtos
da experiência vulgar que visa “harmonizar nossas ações
com o mundo que nos cerca.” (DURKHEIM, p. 14).
 Se as nossas prenoções não representam a realidade,
elas acabam por constituir um véu que separa as coisas
observadas da realidade objetiva. Assim, as prenoções
desfiguram as próprias coisas.
O olhar sociológico

 Para melhor entendimento do papel das prenoções na nossa


compreensão da realidade, vamos exemplificar tendo como
referência a primeira pesquisa de campo de Durkheim, a
análise do suicídio. Aparentemente, o suicídio é um problema
individual, pois a regra social básica é que devemos lutar pela
vida. Os suicidas são considerados como exceções à regra.
O olhar sociológico

 Durkheim analisou os prontuários policiais de suicidas


e encontrou certa regularidade na ocorrência de suicídios.
Após análise, concluiu que os índices de suicídio aumentam
nos contextos de crise social, portanto, não se trata de uma
ação individual extrema, desconectada do social. A prática
do suicídio expressa uma forma de relação dos indivíduos
com a sociedade. Portanto, se a prenoção indica que trata
de um fato isolado e particular, a análise detalhada indica
que se trata de um fenômeno social.
O olhar sociológico

 O olhar sociológico requer um forma de olhar a realidade livre


das prenoções. Pois o nosso olhar não é neutro, ele carrega
as prenoções que construímos sobre a realidade.
 Para a pesquisa sociológica, Durkheim afirma ser necessário
tratar os fenômenos estudados como coisas. Para ele,
é coisa “tudo que é dado, tudo que se oferece ou antes
se impõe à observação” .
 Portanto, a formação do olhar sociológico requer afastamento
das prenoções sobre a realidade.
O olhar sociológico

 O desenvolvimento do olhar sociológico com alunos implica


em levá-los a observar a realidade com espírito questionador,
se despojando das prenoções.
 A observação e a descrição são os primeiros passos,
tanto para a formação do olhar sociológico, como para
a iniciação à pesquisa.
 Distanciamento do senso comum, por ser uma forma de
conhecer a realidade simplista, que não se submete a uma
reflexão mais cuidadosa. É um conhecimento marcado pela
superficialidade, pois fica circunscrito ao aparente, sem
submetê-lo à análise mais rigorosa.
O olhar sociológico

 É preciso considerar que não existe uma única forma de olhar


a realidade. Nosso olhar é dado pelo lugar que ocupamos na
estrutura social.
 Existem inúmeras possibilidade de se observar a realidade.
Tudo depende do ângulo adotado. Não estamos aqui querendo
reproduzir o relativismo do senso comum, que não vislumbra
a possibilidade do conhecimento objetivo, pois tudo seria
relativo ao ponto de vista de quem analisa. O desenvolvimento
do olhar sociológico requer uma análise da realidade
o mais isenta possível, por isto requer que os eventos
sejam analisados sob o maior número de ângulos possíveis.
Pensar sob a perspectiva sociológica

 “Aprender a pensar de maneira sociológica – olhar, em outras


palavras, o quadro mais amplo – significa cultivar a nossa
imaginação. Estudar sociologia não é apenas um processo
rotineiro de adquirir conhecimento. Um sociólogo é alguém que
consegue se libertar da imediatez das circunstâncias pessoais
e colocar as coisas em um contexto mais amplo. O trabalho
sociológico depende daquilo que o autor americano C. Wright
Mills, em uma expressão famosa, chamou de imaginação
sociológica”. (MILLS, 1970 apud GIDDENS, 2012).
Pensar sob a perspectiva sociológica

 É necessário enfatizar que o sentido do ensino da Sociologia


no Nível Médio não é formar sociólogos, mas possibilitar ao
cidadão comum pensar sociologicamente. Pois, como afirma
Souto (1987), “pensar sociologicamente é pensar não só de
modo racionalmente rigoroso, como também de maneira
comprovável pela observação controlada dos fatos sociais”.
Desnaturalização e estranhamento

 O olhar de senso comum sobre a realidade conduz ao


processo de naturalização de fenômenos, que para a reflexão
sociológica requer o lançar um olhar de dúvida, marcado aqui
pela desnaturalização.
 Mas o que significa o processo de desnaturalização dos
fenômenos sociais? Desnaturalizar significa “perder a
naturalidade” do modo de enxergar a realidade.
Desnaturalização

 As OCN’s exemplificam a desnaturalização pela análise da


economia, particularmente pela ideia de mercado, que tende
a ser visto como algo que se coloca acima dos homens e
mulheres, que possui vontade própria à qual os cidadãos
devem obedecer. O mercado financeiro não é regido por
leis naturais da economia, mas pelos interesses de
grupos sociais.

 O ensino de Sociologia no Nível Médio deve ser capaz de


suscitar no jovem a capacidade de questionar verdades
que são vistas como naturais, mas que não passam de
construção social.
Estranhamento

 O estranhamento pode ser compreendido como a capacidade


de “admiração, espanto diante de algo que não se conhece”.
 É o recurso metodológico que permite problematizar
e interrogar a realidade.
 “[...] espantar-se é não achar normal, não se conformar,
ter uma sensação de insatisfação perante fatos novos
ou do desconhecimento de situações e de explicações
que não se conhecia”. (MORAES, 2010, p. 48).
Desnaturalização

 Observe a recorrência de frases como a que segue: “Pobres


sempre haverá: bem aventurados os pobres”. Este tipo de
expressão, recorrente no senso comum, possui o caráter
de naturalizar a pobreza e consequentemente escamoteia a
percepção de que a pobreza é expressão das relações sociais
que os indivíduos estabelecem em sociedade e torna natural
o que é criação social.
Desnaturalização e estranhamento

 Concluímos que o desenvolvimento de um olhar de


desnaturalização e estranhamento da realidade podem
ser conduzidos em sala de aula a partir do despertar da
curiosidade, que nos tira da aceitação pacífica da realidade
e nos conduz à reflexão e quiçá à pesquisa.
Interatividade

Pensar sociologicamente significa:


a) afastar-se do cotidiano e ver as coisas de maneira mais ampla;
b) tomar o senso comum como parâmetro para a análise social;
c) considerar a experiência cotidiana como fonte exclusiva
de saber sobre o social;
d) estabelecer juízos de valor sobre os eventos cotidianos;
e) afastar-se do convívio social para estabelecer análise crítica.
O currículo escolar e o ensino de Sociologia

 A seleção de conteúdos está ancorada no debate essencial


da educação, que gira em torno de qual projeto cultural
queremos. A questão que deve nortear a seleção de conteúdos
é: em quais concepções de sociedade, educação, ciência
e ensino deve se apoiar o currículo de Sociologia?
O currículo escolar e o ensino de Sociologia

 A escola é a instituição social responsável pela transmissão de


cultura. Apenas alguns elementos de determinada cultura são
selecionados para compor o currículo de uma escola ou
sistema de ensino. Quem seleciona estes elementos?
 Gimeno Sacristán (1999) analisa os conteúdos de escolarização
na contemporaneidade e afirma que estes se voltam para as
urgências sociais e concebe que os conteúdos devem ir além
da seleção de disciplinas e conteúdos.
O currículo escolar e o ensino de Sociologia

 “Não se sabe mais o que deve e o que merece ser ensinado,


pois a função de transmissão cultural da escola não é
identificada. Soma-se a isso o fato de terem emergido, nos
anos de 1990, discursos pedagógicos de caráter instrumental,
cujo objetivo consistia em formar espíritos ágeis, flexíveis,
adaptáveis e preparados para as eventualidades. Como lembra
Pablo Gentili (1995), a escola também sofreu com o assédio
neoliberal e os discursos da qualidade total e a mercantilização
da educação”. (BRIDI, 2009, p. 77).
O currículo escolar e o ensino de Sociologia

 É preciso considerar que o ensino das Ciências Sociais


no Ensino Médio não significa a transposição imediata
dos conteúdos científicos da área desenvolvidos no
meio acadêmico.
 Tendo como referência a análise dos campos desenvolvida
por Bourdieu, compreende-se que as Ciências Sociais,
como campo científico com assento reconhecido no meio
acadêmico, não é o mesmo que a disciplina Sociologia,
presente no Ensino Médio.
Critérios de seleção de conteúdos

O conhecimento sofre recortes e adaptações para ter sentido no


contexto escolar. Esta questão está descrita nas OCN’s, como:
 “[...] os limites da ciência Sociologia não coincidem com os
da disciplina Sociologia, por isso falamos em tradução
e recortes. Deve haver uma adequação em termos de
linguagem, objetos, temas e reconstrução da história das
Ciências Sociais para a fase de aprendizagem dos jovens –
como de resto se sabe que qualquer discurso deve levar
em consideração o público-alvo”. (OCN’s, p. 107).
Critérios de seleção de conteúdos

 Observa-se que se faz necessário que o professor de


Sociologia estabeleça os recortes a partir da realidade social
em que está inserido e estabeleça a mediação pedagógica.
 A capacidade de mediação pedagógica constituiu elemento
primordial para o trabalho do professor que atua em meio a
um sistema de ensino de massas. A ascensão das camadas
populares à escola requer que o professor crie os seus
próprios caminhos para estimular a aprendizagem e a reflexão.
Critérios de seleção de conteúdos

 O Brasil não possui hoje um currículo nacional que norteie


o ensino de Sociologia no Nível Médio. As Orientações
Curriculares Nacionais não propõem um conjunto de
conteúdos, por considerar que não existe atualmente um
conjunto de conteúdos que sejam consensuais para o país.
 A ausência de um currículo nacional permite uma ampla
liberdade para os Estados elaborarem os seus próprios
currículos estaduais de acordo com suas realidades regionais.
Critérios de seleção de conteúdos

Segundo os dados levantados pelas pesquisadoras Eras e


Ribeiro, os principais temas desenvolvidos por professores
da Educação Básica são:
 identidades étnico culturais; religiosas; sexuais e políticas
(processos de afirmação e reconhecimento das diferenças);
 meio ambiente e sociedade;
 movimentos, mobilizações e participação;
 mass media e vida social;
 violência.
Critérios de seleção de conteúdos

 Para o sociólogo Octávio Ianni, um tema fundamental é a


questão do trabalho, concebido como atividade central
do ser humano.
 Propunha um currículo baseado na sociologia brasileira,
que abordasse a relação cidade x campo, urbanização,
industrialização, classes sociais, raças e etnias, movimentos
sociais, partidos, sociedade civil, formas de Estado.
Interatividade

Como é a organização do currículo de Sociologia na Educação


Básica no Brasil?
a) Os professores possuem liberdade de organização dos seus
currículos de acordo com a realidade local.
b) A maioria dos Estados do país possui os seus
próprios currículos.
c) O currículo nacional é estabelecido pelas OCN’s.
d) O currículo nacional vigente é o mesmo de 1942.
e) O currículo é estabelecido pelos órgão representativos
dos professores de Sociologia em cada Estado.
O trabalho com conceitos

 Segundo Severino (2007), o conhecimento humano inicia-se


com a formação de conceitos. O conceito é concebido como
uma imagem mental que procurar representar um objeto. Em
outras palavras, o conceito é a representação intelectual da
essência de um objeto.

 Veja, por exemplo, o conceito de fato social e consciência


coletiva desenvolvido por Durkheim ou os conceitos de mais
valia e ideologia elaborados por Karl Marx. O trabalho com
esses conceitos em sala de aula requer uma tradução,
contextualização e ligação entre a teoria e o tema da aula.
O trabalho com conceitos

 Para as OCN’s a opção pelo trabalho com conceitos não deve


excluir suas ligações com princípios teóricos e temas.
 As ciências sociais não possuem consensos sobre muitos
conceitos, como o conceito de ideologia ou de classe social.
Nestes casos é importante deixar claro para os alunos que não
existe uma única visão sobre o conceito em questão.
O trabalho com conceitos

 Bridi (2009) defende que a apreensão dos conceitos não


ocorra descolada da realidade, pois os conceitos podem ser
ressignificados constantemente. Deste modo, afirma que os
conceitos são desenvolvidos em contextos sociais específicos
e se apoiam nos valores da sociedade da época.
O trabalho com teorias

 Entende-se por teoria “série de proposições abstratas inter-


relacionadas sobre as questões humanas e o mundo social,
que explica a regularidade e relacionamentos.” Portanto, as
teorias organizam e demonstram as observações empíricas.
(BELL, 2008).
 Uma estrutura teórica consiste em “um dispositivo explanatório
que explica graficamente ou de forma narrativa as principais
coisas a serem estudadas – os fatores, os constructos ou
as variáveis-chave – e as supostas relações entre eles”.
(BELL, 2008 ).
O trabalho com teorias

 “Uma teoria sobre a industrialização, por exemplo, deveria


se preocupar em identificar as principais características que
os processos de desenvolvimento industrial têm em comum
e tentaria mostrar quais deles são importantes para explicar
esse desenvolvimento. É claro, a pesquisa factual e as teorias
jamais podem ser totalmente separadas. Somente podemos
desenvolver explicações teóricas válidas se formos capazes
de testá-las por meio de pesquisas factuais”.
(GIDDENS, 2012 p. 23).
O trabalho com teorias

 Pela análise do conteúdo de provas como Enem e vestibulares,


observa-se que no momento há ênfase no ensino das teorias
sociológicas, particularmente as teorias produzidas pelos
autores clássicos, Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber.
 O estudo das teorias clássicas coloca a necessidade de
compreender o momento histórico em que foram elaboradas
e o contexto social da Europa. Como clássicos, suas reflexões
guardam desdobramentos que servem para a explicação da
realidade contemporânea, portanto, não foram superados.
O trabalho com teorias

 A existência de diferentes matrizes teóricas do campo das


ciências sociais conduz o ensino desta área a ser mais
reflexivo, pois coloca o estudante diante da complexidade
analítica do mundo social.
 As questões contemporâneas, como aspectos sociais
da globalização, as questões de gênero, multiculturalismo,
a questão ambiental, colocam a necessidade de novas
elaborações teóricas, pois não constituem problemas
sociais da época em que os clássicos desenvolveram
suas reflexões.
O trabalho com teorias

 No século XX, novas perspectivas sociológicas


são desenvolvidas procurando superar as limitações
dos clássicos: o interacionismo, o feminismo,
o pós-modernismo e o pós-estrutralismo.
 Na análise da possibilidade de teorias sociológicas no âmbito
escolar, as OCN’s relembram que os clássicos produziram
suas reflexões em um contexto social específico e procuram
dialogar com os problemas de seu tempo. Deste modo, novos
autores surgiram no campo das Ciências Sociais com teorias
que podem ser considerados atualmente como fundamentais
para a compreensão da realidade contemporânea.
A seleção de temas

 A opção de trabalhar a partir de temas permite aproximar


o ensino da Sociologia da realidade escolar. A questão que
se coloca é: trabalhar com temas pode empobrecer
o desenvolvimento do olhar sociológico?
 No caso do ensino de Sociologia, a opção pelo trabalho com
temas não elimina a utilização de conceitos e teorias. Como
nos lembra as OCN’s, “um tema não pode ser tratado sem
o recurso a conceitos e a teorias sociológicas senão se
banaliza, vira senso comum, conversa de botequim”.
(OCN’s, p. 117).
A seleção de temas

 As OCN’s nos chamam a atenção para que a opção pelo


trabalho com temas não deve conduzir a uma análise ligeira
e imediatista dos problemas sociais. Ao selecionar temas
próximos da realidade do aluno ou temas emergentes
na sociedade, é importante ir além do senso comum.
 O trabalho com temas aproxima o ensino das questões
presentes no cotidiano, mas deve permitir ir além dos
dados imediatos desta realidade, com a apresentação
de dados e reflexões teóricas.
Interatividade

Ao optar pelo trabalho com temas próximos da realidade do


aluno, como garantir que não haja reprodução do senso comum?
a) Articular os temas com conceitos e teorias.
b) Recorrer à análise de dados estatísticos para aprofundar
compreensão do tema.
c) Pesquisar a presença do tema nas mídias para que o aluno
vislumbre sua relevância social.
d) Dramatizar o tema pela organização de uma peça de teatro.
e) Estimular que os alunos escrevam livremente o que pensam
do tema, para desenvolver a reflexão.
ATÉ A PRÓXIMA!