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Tópico 1

COMUNICAÇÃO

1. Distinga comunicação verbal de comunicação não-verbal. Ilustre com


exemplos.

A comunicação verbal utiliza as línguas naturais para comunicar, como por exemplo, as
palavras da língua portuguesa, alemã, inglesa, etc. Esta pode ser oral ou escrita, o que
nos remete para a utilização dos signos linguísticos. Portanto, podemos afirmar que a
comunicação verbal utiliza os signos linguísticos para existir.
Trata-se da forma mais importante de comunicação das sociedades humanas devido a
ser a mais utilizada e devido à grande variedade e riqueza de recursos que utiliza para
comunicar.
A comunicação não-verbal utiliza todos os sinais que não são verbais, isto é, sinais não-
linguísticos. Podemos citar como exemplos os sinais do código de estrada, linguagem
gestual dos surdos-mudos, código morse, expressão facial, gestos ou sinais, postura do
corpo, etc. Um simples piscar de olhos pode, deste modo, transmitir uma mensagem
(um sinal de concordância com um tema que esteja a ser debatido, por exemplo).

2. Defina os conceitos de símbolo e de signo. Ilustre com exemplos.

O signo é um sinal artificial que não mantém uma relação de semelhança com aquilo
que refere.
A palavra mesa é um signo linguístico porque remete para uma base com quatro pernas
que pode ser feita de material diverso e que serve para fazermos as refeições, não
existindo, no entanto, nenhuma relação entre o signo utilizado e o que ele representa
(em alemão o mesmo objeto é representado pelo signo linguístico Tisch). A maioria das
palavras das línguas constituem signos, uma vez que não existe uma relação de
semelhança ou de analogia entre elas e aquilo que referem.
Outro exemplo de signo (neste caso, não-linguístico) é a maçã, que remete para o
pecado, não existindo, no entanto, qualquer relação de semelhança entre ambos.
O símbolo é um sinal artificial utilizado para comunicar e que mantém uma relação de
semelhança ou de analogia com o seu referente. Como exemplo podemos citar a Cruz
de Cristo: a cruz cristã é o símbolo supremo da fé e da Santidade, isto porque
Cristo morreu na cruz para salvar os homens.

3. Segundo o modelo da comunicação de Jakobson, explicite em que consistem


as funções apelativa e fática da linguagem. Exemplifique com enunciados em
que predomine cada uma destas funções da linguagem.

A proposta de Jakobson se aplica, em primeiro lugar, à comunicação verbal e, segundo


ele, são necessários 6 elementos, para que a comunicação se efetive: Emissor, Recetor,
Mensagem, Código, Contexto e Contacto. O Emissor envia a mensagem para o recetor
(destinatário da mensagem). A mensagem é um conjunto de sinais que obedecem às
normas de um determinado código, que deve ser do conhecimento de todos os
envolvidos na mensagem. A mensagem refere-se a um contexto e circula por um
contato (canal de comunicação).
Assim sendo, quando a linguagem incide principalmente no elemento recetor, estamos
em presença da função apelativa da linguagem. Exemplo: quando se pretende
influenciar ou persuadir o destinatário (um discurso político).
Quando a linguagem incide principalmente no contacto, estamos em presença da
função fática. Exemplo: quando se pretende confirmar se a comunicação está a
funcionar bem (quando num diálogo perguntamos ao recetor se está a entender o que
estamos a dizer).

4. Imagine que está rodeada(o) de pessoas na sala de espera de um consultório


médico ou aguardando ser atendida(o) num banco. Com base na teorização de
Watzlawick e no que estudou sobre comunicação nãoverbal, e recorrendo a
exemplos concretos demonstre que, mesmo sem que falem entre si, as pessoas
presentes comunicam.

Segundo Watzlavick é impossível não comunicar, isto é, todo o ser humano está
constantemente a comunicar, mesmo que por atitudes e comportamentos.
Portanto, todo o tipo de comportamento pode significar um sinal com significado.
Deste modo, várias pessoas num consultório médico podem comunicar através do
modo de olhar, que transmite curiosidade sobre as pessoas que nos rodeiam, assim
como os gestos impacientes e/ou o bater do pé transmitem impaciência ou cansaço pelo
tempo de espera.

5. Atente no seguinte texto:


A – Logo vou ao cinema, à sessão da meia-noite. Queres vir?
B – Amanhã de manhã tenho de acordar cedo.
A – Fica para outra vez.
Recorrendo ao conceito de inferência e à teorização de Sperber e Wilson, explique
como é que o sujeito falante A compreendeu que a resposta do sujeito falante B
consistia numa recusa ao seu convite.

Sperber e Wilson referem que os raciocínios atingem determinadas conclusões a partir


de algumas situações pré-definidas/fundamentos (raciocínio inferencial). Na
comunicação verbal existe frequentemente um vazio entre o que é dito e o que é
intencionalmente comunicado e, quando isto acontece, é o raciocínio inferencial que
permite que a comunicação seja eficaz. No diálogo apresentado, A percebeu logo que,
uma vez que B tem de levantar cedo no dia seguinte, isto quer dizer que não pode ir ao
cinema e deitar-se tarde. Assim, conclui automaticamente que B está a recusar o seu
convite.