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Espinoza

Deus e o mundo
a busca do prazer e das honras traz mais males do que bem e todos os
males da humanidade derivavam da busca destes bens
não se propõe a provar a existência de Deus.

Substância

Para Spinoza, a substância não possui causa fora de si, ela é causa de si
mesma, ou seja, umacausa sui. Ela é singular a ponto de não poder ser
concebida por outra coisa que não ela mesma. Por ser causa de si, a
substância é totalmente independente, livre de qualquer outra coisa, pois sua
existência basta-se em si mesma. Ou seja, a substância, para que o
entendimento possa formar seu conceito, não precisa do conceito de outra
coisa. A substância é absolutamente infinita, pois se não o fosse, precisaria ser
limitada por outra substância da mesma naturez

sendo da natureza da substância absolutamente infinita existir e não podendo


ser dividida, ela é única, ou seja, só há uma única substância absolutamente
infinita ou Deus.

Apesar de ser denominado Deus, a substância de Espinoza é radicalmente


diferente do Deus judaico-cristão, pois não tem vontade ou finalidade já que a
substância não pode ser sem existir (se pudesse ser sem existir, haveria uma
divisão e a substância seria limitada por outra, o que, para Espinoza, é
absurdo, como foi explicado no parágrafo anterior). Consequentemente, o Deus
de Espinoza não é alvo de preces e menos ainda exigiria uma nova religião.

Deus é necessidade absoluta e dele procedem os infinitos atributos (o


que se afirma ou se nega do sujeito) e infinitos modos (formas de ser) de que
é formado
cada ente individualmente é um modo da substância e parte dela
O mundo é a “conseqüência” necessária de Deus
nós somos formas de Deus e que todo o universo é forma de Deus.
Isto, por outro lado, não quer dizer que Deus se limite ao universo “material”
que conhecemos, já que Espinoza fala em infinitos modos. Desta forma,
podem existir modos que nós desconhecemos, já que o res extensa e o res
cogitans, através dos quais percebemos o mundo, são apenas dois dos
infinitos atributos da substância, segundo o pensador
influência de Giordano Bruno, no conceito de mundos infinitos
(influência esta ressaltada pelo pensador alemão do século XIX e XX Wilhelm
Dilthey, mas negada por outros pensadores).
Por identificar Deus (ou a substância) à matéria, Espinoza foi
classificado como filósofo ateu; no mínimo monista
O conhecimento
Espinoza distingue três formas de conhecimento:

 a) O empírico, ligado às percepções sensoriais;


 b) O conhecimento segundo a ratio (razão), representado pelas
ciências;
 c) O conhecimento da ciência intuitiva, que é a visão das coisas na
visão do próprio Deus.

As coisas, diz Espinoza, não são como no-las apresenta a imaginação,


baseada no conhecimento empírico; mas como são apresentadas pela razão.
o mundo é manifestação da substância eterna e infinita e, portanto,
necessário
se o mundo e tudo que existe é necessário, não há lugar para uma
vontade livre, uma vontade não condicionada. Qualquer vontade é
determinada por fatores conhecidos ou desconhecidos, que por sua vez, são
determinados por outros fatores, até que em determinado ponto da seqüência
a vontade (ou a mente) não tenha mais controle sobre estes fatores
a vontade não é livre
Espinoza deduz que agimos necessariamente pela vontade de Deus (ou
pela vontade/impulsos da matéria)
tudo que ocorre, acontece de maneira predeterminada.
As paixões
As paixões, diz Espinoza, não são o resultado da fraqueza humana, da
fraqueza da vontade (mesmo porque esta não é livre), mas resultado da
potência da natureza. Por isso, diz o filósofo, as paixões não devem ser
condenadas, mas explicadas e compreendidas
As paixões, diz o filósofo, são uma tendência a permanecer no próprio
ser, como se fosse um instinto de conservação, chamado por Espinoza como
conatus. Quando se referem à mente chama-se vontade, quando ao corpo,
chama-se apetite. Aquilo que favorece positivamente o conatus, Espinoza
chama de alegria. O que atua negativamente em relação ao conatus, o filósofo
chama de dor. Comparando as paixões às forças da natureza, Espinoza
constata que não temos controle sobre elas e uma (paixão) leva à outra

Virtude sem finalismo


Para Espinoza o mundo não tem finalidade alguma (pelo menos que nós
saibamos). A maneira de analisarmos os acontecimentos, a história, a
natureza, sempre de acordo com alguma finalidade, é próprio dos homens,
quando estes enxergam tudo sob a forma empírica do conhecimento. Sob a
perspectiva sub specie aeternitats não há teleologia alguma por trás das coisas;
elas apenas são. Conseqüentemente também não existe o perfeito e o
imperfeito, o bem e o mal. Tais conceitos são apenas comparações que o
homem faz entre o objeto que produz e outros na natureza (quando na
verdade é tudo parte da natureza). Da mesma forma, bem e mal não são
coisas em si, mas modos de pensar; o bem sendo o que é útil e o mal o que
não é.
O homem que entende todas as coisas, acontecimentos e situações
como procedentes de Deus (como seus modos e atributos), sabe que elas são
Deus e ele mesmo é Deus (ou está em Deus
Política e Estado
Os homens, sujeitos às paixões e iras, são inimigos uns dos outros por
sua própria natureza. Todavia, a exemplo daquilo que já havia sido afirmado
por Hobbes, Espinoza diz que através de um pacto os homens constroem um
Estado. Desta forma, os homens podem viver mais facilmente ao abrigo das
intempéries e em relativa paz uns com os outros. Nesta forma de organização,
o regime ideal é a democracia, onde todos têm o mesmo direito e nenhum
poderá oprimir o outro, já que a organização política tem como fim assegurar
a liberdade de todos os membros. Joseph Moreau escreve que “o Estado,
assegurando a paz pública, não somente permite os homens cooperar tendo
em vista o bem-estar material e as comodidades da vida, senão que é ainda e
unicamente na cidade que o homem pode alcançar a perfeição de sua
natureza, realizar o ideal da vida racional.” (Moreau, 1982).