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Instituições criminosas

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 29 de outubro de 2015

Já comentei aqui, brevemente, a pesquisa da CNT sobre a queda da confiança popular nas várias
instituições e a do Datafolha que mostra o abismo de diferenças entre a opinião popular e a dos políticos.
(Veja meu artigo descrédito_geral e as fontes: http://imguol.com/blogs/52/files/2015/07/pesquisa-cntmda-
128-relatorio-sintese.pdf e politicos-brasileiros são mais liberais do que o eleitorado diz pesquisa.)
O confronto dos resultados leva a uma conclusão inexorável: no sistema representativo brasileiro, os
representantes não representam a vontade dos representados. Tampouco a representam o poder
executivo, os juízes, os comandantes militares e outras excelências cujas opiniões majoritárias seguem
as dos políticos, não as do povo, o qual por isso mesmo, como se vê na pesquisa da CNT, não confia em
nenhuma dessas criaturas nem vê nelas os porta-vozes dos seus interesses.
Pura e simplesmente, não há um sistema representativo no Brasil. Há um sistema de coleta de votos para
candidatos pré-selecionados segundo os interesses do grupo dominante e uma máquina de drenagem de
impostos para sustentar nos seus cargos os antagonistas diretos e cínicos do povo brasileiro. Por isso
mesmo, todo discurso anticorrupção que se baseie na defesa das “nossas instituições” é uma fraude que
tem de ser denunciada tanto quanto a corrupção mesma.
Essas instituições, cujo conjunto forma a “Nova República”, foram concebidas justamente para isolar e
proteger a elite governante, tornando-a inacessível ao clamor popular.
Quem, senão as belas “instituições”, deu ao executivo os meios de aparelhar o Estado inteiro e fazer dele
o instrumento dócil dos interesses partidários mais sórdidos e criminosos? Quem, senão as “instituições”,
permitiu que se elegesse uma presidente numa eleição secreta e opaca, blindada antecipadamente
contra qualquer possibilidade de auditagem? Quem, senão as “instituições”, permitiu que o Estado se
transformasse no protetor de toda conduta marginal e criminosa, fazendo do Brasil o maior consumidor de
drogas do continente, o maior promotor de violência contra os professores nas escolas e um dos
recordistas mundiais de assassinatos? Quem, senão as maravilhosas “instituições”, permitiu que um povo
majoritariamente conservador e apegado a valores cristãos fosse representado na Câmara e no Senado
por esquerdistas empenhados em fazer tudo ao contrário do que esse povo quer? Quem, senão as
sacrossantas “instituições”, permitiu que as escolas infanto-juvenis se transformassem em academias de
sexo grupal, quando não em matadouros de professores, reduzindo as nossas crianças à condição de
imbecis violentos, prepotentes e hiper-erotizados que anualmente tiram os últimos lugares nos testes
internacionais mas tirariam os primeiros se fosse concurso para ator pornô ou cafajeste-modelo? Quem,
senão as “instituições”, desarmou a população brasileira ao mesmo tempo que, paparicando as Farc tão
queridinhas do PT, permitia que os bandos de criminosos se equipassem de armas melhores e mais
potentes que as da polícia? Quem, senão as “instituições”, deu aos criminosos que nos governam o poder
de burlar o quanto queiram o processo legislativo, legislando através de decretos administrativos,
portarias ministeriais e até regulamentos departamentais?Quem, senão as “instituições”, permitiu que
ONGs de quadrilheiros armados fossem não só financiadas com gordas verbas federais mas se
beneficiassem de toda sorte de privilégios ao ponto de tornar-se integrantes extra-oficiais do aparelho de
Estado? Quem, senão as “instituições”, permitiu que o Parlamento se superlotasse de pseudo-
representantes eleitos sem votos, pela mágica dos acordos interpartidários – um artifício que, por si, já
basta para fazer do sistema representativo inteiro uma palhaçada?
Releiam a Constituição de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a legislação eleitoral, etc. etc. e
digam se o descalabro dos governos petistas já não estava todo lá em germe, apenas aguardando a
oportunidade macabra de saltar do papel para a realidade.
Sob qualquer aspecto que se examine, as instituições que pesam sobre nós são indefensáveis. Fazer de
conta que a roubalheira comunopetista atenta contra elas, ou constitui um risco para elas, é inverter a
realidade das coisas. A roubalheira tudo deve a essas instituições. Elas são as mães e protetoras do
crime institucionalizado.
Por isso é que todo movimento soi-disant de oposição que se concentre exclusivamente num pedido de
impeachment da Sra Dilma Rousseff, em vez de exigir a imediata destituição de todos os astros e estrelas
do sistema, é um erro na melhor das hipóteses; na pior, um engodo proposital.
Depois de quarenta anos de monopólio esquerdista da mídia, das universidades, dos movimentos de rua,
das verbas oficiais, dos cargos públicos e de tudo quanto existe; depois de políticas insanas que levaram o
Brasil a tornar-se o país mais assassino e o maior consumidor de drogas do continente; depois da completa
destruição da alta cultura e do sistema educacional no país; depois dos maiores episódios de corrupção da
história universal; depois do desmantelamento da agricultura nacional por grupos de invasores financiados
pelo Estado; depois da expulsão de milhares de brasileiros das suas terras, para dá-las a ONGs
indigenistas, depois de tudo isso o “resgate da nacionalidade” há de constituir-se da simples remoção da
sra. Dilma Rousseff da presidência da República? Será que os oposicionistas se uniram ao PT no empenho
de gozar da nossa cara?