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2. ESPÉCIES:

Decisão liminar negativa:

A decisão liminar negativa é, a princípio, uma sentença que pode ser terminativa (CPC, 485) ou de mérito (CPC, 487).

Pode ser negativa em dois casos:

1° - vícios processuais: vício insanável ou vício sanável que não foi oportunamente sanado (é uma segunda decisão, visto que antes o juiz proferiu uma sentença ordinatória para o autor corrigir o vício, mas ele não o fez). O juiz profere uma sentença terminativa. O Código denomina essas situações de indeferimento da petição inicial. Ele previu esses casos no CPC, 330. Observação: no caso do CPC, 330, §1°, III, temos uma sentença de mérito.

2° - mérito: somente sentença de mérito de improcedência do pedido. Por que? Porque o réu se quer foi citado. Isso violaria o contraditório e a ampla defesa. Esses casos estão previstos no CPC, 332, que são o de improcedência liminar do pedido.

Indeferimento da petição inicial:

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: I for inepta; II a parte for manifestamente ilegítima;

III o autor carecer de interesse processual; IV não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. § 1o

Considera-se inepta a petição inicial quando: I

Considera-se inepta a petição inicial quando: I –
Considera-se inepta a petição inicial quando: I –
Considera-se inepta a petição inicial quando: I –
lhe faltar pedido ou causa de pedir

lhe faltar pedido ou causa de pedir

; II – o

; II o

pedido for

indeterminado

indeterminado

, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III

, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III –
, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III –
. §2°
. §2°

da narração dos

fatos não decorrer logicamente a conclusão

fatos não decorrer logicamente a conclusão

; IV

; IV –

contiver pedidos incompatíveis entre si

 

Nas ações

que

tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação

de

bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais,

de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as

aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito

aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito

. §3° Na hipótese

do §2°, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo contratados.”

Prevê quatro hipóteses de indeferimento da petição inicial.

I: inepta é o mesmo que inapto, que não tem aptidão. Petição inicial que não se revela apta para permitir que o juiz compreenda qual a pretensão do autor. A lei prevê quando não será inepta: §1° e §2°. Em quase todos os casos, ele não prefere uma sentença terminativa de imediato, proferindo antes uma sentença ordinatória e se ele não for corrigido, profere-se uma sentença terminativa.

II: ilegitimidade é uma condição da ação, podendo ser ela ativa (mesmo raciocínio do interesse de agir sentença terminativa imediata) ou passiva (Gláucio entende que

há possibilidade de correção do vício CPC, 338: “Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu.”).

III: interesse processual é uma condição da ação. Aplica-se a chamada teoria da

. Se o juiz perceber que está ausente o interesse processual

ele profere uma sentença terminativa. Gláucio entende que o juiz pode proferir a sentença terminativa de plano, visto que o autor pode apelar e o juiz pode se retratar (contraditório diferido - art.331, caput; 485, VII).

IV: relacionado a emenda da petição inicial.

VII). • IV: relacionado a emenda da petição inicial. asserção. Voltar na TGP Comentado [FB1]: Não

asserção. Voltar na TGP

a emenda da petição inicial. asserção. Voltar na TGP Comentado [FB1]: Não dá o indeferimento de

Comentado [FB1]: Não dá o indeferimento de imediato. O juiz chama o autor a corrigir. Se ele não corrigir, ai sim poderá proferir a sentença terminativa. Essa primeira situação não representa um vício insanável, ele é

perfeitamente sanável.

Comentado [FB2]: Também é um vício sanável. Desse modo, o juiz não pode proferir de plano uma sentença terminativa. Se ele não corrigir, ai sim ele poderá proferir a sentença terminativa.

Comentado [FB3]: Eventual sentença proferida, será uma sentença de mérito. Exemplo: Paulo, rico advogado, aliena um imóvel a seu irmão. Depois Paulo se arrependeu do negócio, ajuizando uma ação dizendo que vendeu um imóvel ao irmão por um preço baixo, mas não tão baixo. Ele diz que foi coagido, porque seus pais pediram muito para ele. Por isso, ele quer a invalidação do negócio. Diz ele que é coação, mas sabemos que isso é temor reverencial, que não constitui coação. Desse modo, esse pedido não é concludente. Assim, ele profere uma sentença de mérito dizendo que ele não tem esse direito, porque temor reverencial não é causa de invalidação.

Comentado [FB4]: Também é sanável.

Comentado [FB5]: Vício sanável

Improcedência liminar do pedido:

, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará

liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III entendimento firmado em

“Art. 332. Nas causas que

dispensem a fase instrutória

dispensem a fase instrutória

dispensem a fase instrutória

incidente de resolução de demandas repetitivas ou de

de tribunal de justiça sobre direito local. § 1o O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. § 2o Não interposta a apelação,

assunção de competência ; IV enunciado de súmula

o

réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241. § 3o Interposta a apelação,

o

juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. § 4o Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento

Comentado [FB6]: Deve ser indiferente a instrução. Deve ser indiferente a instrução.

Comentado [FB6]: Deve ser indiferente a instrução. Comentado [FB7]: 947: uma das técnicas de formação de
Comentado [FB6]: Deve ser indiferente a instrução. Comentado [FB7]: 947: uma das técnicas de formação de

Comentado [FB7]: 947: uma das técnicas de formação de precedentes 976 a 987: resolução de demandas repetitivas 947: uma das técnicas de formação de precedentes 976 a 987: resolução de demandas repetitivas

do processo, com a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar

contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias.”

Podem ser agrupados em duas categorias:

I,

II, III, IV: relacionados a uma opção do novo código pela valorização das súmulas

e

precedentes. Se a pretensão do autor contraria esse precedente vinculante ou a

súmula, o juiz pode indeferir o próprio pedido formulado pelo autor. Temos aqui além das súmulas, o recurso extraordinário (STF) e recurso especial (STJ): 1036 e 1041. Dentro desses tipos de recursos temos um procedimento especial e um comum. O procedimento especial (II) se dá dentro do julgamento de recursos repetitivos em que temos um procedimento por amostragem, em que se percebe uma grande quantidade de recursos naquele mesmo sentido. Nesses casos, a sentença é

de

plano. O autor na apelação pode se utilizar do distinguishing.

§1°: percepção que há prescrição ou decadência. Obs.: CPC/73 previa isso no indeferimento da petição inicial. Obs. 2: aqui deve as partes serem intimadas para se manifestarem.

Decisão liminar parcialmente negativa:

Se ela é parcialmente negativa, ela não é uma sentença, mas sim uma decisão interlocutória.

Nesse caso, estou diante de uma decisão interlocutória que ou indefere parcialmente

a

petição inicial ou a improcedência parcial do pedido.

Exemplo: UFV, FUNARBE e Viçosa no polo passivo da ação (redução subjetiva).

O

juiz entende que a UFV não está legitimada a figurar no polo passivo. Então retira

a UFV dessa sua competência. Prescrição de um dos pedidos (redução objetiva).

É uma decisão interlocutória que parece uma sentença, mas não é porque não põe

fim a nada.

O

que acontece aqui é uma redução da relação jurídica processual que pode ser

objetiva ou subjetiva.

B.3. CITAÇÃO:

1. SENTIDO:

Definição:

Citação é o ato processual que, comunicando ao demandado, ou ao interessado, a existência do processo, integra-o, independente de sua vontade, à relação

jurídica processual, permitindo-lhe participar da construção do procedimento em contraditório.

Definição legal: CPC, 238 – “Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual.

Características da citação:

 

Ato processual: é um ato processual assim como a demanda (partes) e a decisão liminar (juiz). Se a decisão liminar for positiva, o juiz ordenará a citação. Será praticado pelos auxiliares do juízo que varia dependendo da modalidade (pelo escrivão, ou pelo oficial de justiça ou pelos correios).

Ato de informação: ato de comunicação que informa ao demandado ou ao interessado a existência do processo. Principal ato de informação em um processo. O vício na citação é tão grave, que é um vício transrecisório. Ato que inaugura o contraditório para o réu. Não se limita a informar, abrindo a oportunidade do demandado reagir contra a pretensão deduzido pelo autor. Correlacionar informação e contraditório: citação é informação, mas possibilidade de reação.

Ato de formação da relação jurídica processual: a relação jurídica processual começa a se formar com o ajuizamento da demanda, mas tem uma formação linear, visto que só temos autor e juiz. A citação vai trazer o demandado a relação, mesmo contra sua vontade, estando sujeito aos resultados do processo. Possui a forma de vincular o réu ao processo e seus respectivos efeitos.

A quem se dirige a citação: demandado (réu do processo cognitivo ou executado do processo de execução) ou interessado (sujeito que é chamado a participar de um processo de jurisdição voluntária, CPC, 730; terceiro interveniente provocado a intervir, como o litisdenunciado; litisconsorte necessário na hipótese de litisconsórcio necessário ativo, aquele que ainda não é autor mas vai se tornar autor com a citação).

Citação x Intimação:

 

“Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo” (CPC, 269).

Semelhança

entre

intimação

e

citação:

ambas

são

atos

de

informação/comunicação.

 

1ª distinção finalidade: a finalidade da citação é de integrar o demandado ao processo, sendo um ato de formação da relação jurídica processual, onde há a integração do destinatário da citação (citando) à relação jurídica processual; já a intimação não é ato de formação da relação jurídica processual, sendo sua finalidade a de informar a alguém que um ato foi praticado no processo, para que esse alguém possa fazer ou deixar de fazer algo (ex.: juiz dá uma sentença e intima as partes, nascendo para as partes o ônus de recorrer; juiz intima uma testemunha para participar da audiência de instrução e julgamento, nascendo para ela o dever de depor; juiz intima o MP para que ele se manifeste como custos legis, nascendo para ele o dever-poder de intervir).

2ª distinção campo de aplicação: no CPC, temos dois atos de comunicação:

intimação e citação. O campo de aplicação é residual, visto que se aplica a intimação quando não é caso de citação.

Obs.: algumas leis (leis extravagantes) utilizam outro termo que é a notificação. Na verdade, esse ato de comunicação se enquadra em algumas dessas categorias:

citação ou intimação.

3ª distinção destinatário: o destinatário da citação é o demandado ou interessado; o da intimação é alguém, que pode ser as partes (são intimadas na pessoa do advogado), MP como custos legis, advogado (quando ele leva os autos físicos para o escritório e não devolve no prazo), terceiro desinteressado (testemunhas), auxiliar do juízo (perito), etc.

2. PRESSUPOSTO PROCESSUAL OBJETIVO INTRÍNSECO:

Moacyr Amaral Santos diz que a existência de citação válida é pressuposto processual objetivo intrínseco. É requisito para que o processo se desenvolva regularmente.

Ausência desse pressuposto: quando ocorre?

Inexistência de citação: mais comum quando houver diversos réus.

Citação viciada, sendo o vício apto a invalidar o processo. Ex.: citação por edital em caso que não se enquadra no CPC, 256.

Ausência desse pressuposto: consequências

Nulidade do processo. CPC, 239, “caput”: “Art. 239. Para a validade do processo é

indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido”.

Por que nulidade do processo e não apenas do ato de citação? Em virtude do

princípio da causalidade (CPC, 281: “Art. 281. Anulado o ato, consideram-se de nenhum efeito todos os subsequentes que dele dependam, todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras

que dela sejam independentes.”) que parte da premissa que os atos que integram o procedimento estão correlacionados, de modo que um ato é fundamento de validade dos atos subsequentes. Desse modo, se a citação não existe, não existirá o fundamento de validade dos atos subsequentes.

Trata-se de nulidade absoluta. Não é o mesmo que nulidade insanável. Quando diz que a nulidade é absoluta significa dizer que ela está sujeita a um regime jurídico mais severo: possibilidade de reconhecimento de ofício da nulidade, desde que pendente de o processo.

Vício transrecisório: querela nullitatis.

No entanto, admite-se a convalidação do processo:

Comparecimento espontâneo: apesar da inexistência da citação, o demandado comparece a tempo de se manifestar. CPC, art. 239, §1° (“O comparecimento espontâneo

do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução: densificação do princípio da

instrumentalidade das formas e do princípio do prejuízo (CPC, 282, §1°: “1o O

ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a parte.”)

Até mesmo sem o comparecimento: princípio da primazia do mérito (CPC,

282, §2° - “§ 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a

decretação da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.”)

Repetição do ato: quando percebendo-se a ausência de citação em qualquer momento do processo, repetem-se os atos do processo.

3. Efeitos:

Aperfeiçoamento da relação jurídica processual:

 

A consequência da citação é a triangularização da relação jurídica processual.

Art. 238, CPC.

Estabilização objetiva da relação jurídica processual:

Estabilização do objeto da relação jurídica processual, do mérito. CPC, 329: “Art.

329. O autor poderá: I até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu”.

Depois da citação não pode mais alterar livremente o pedido ou a causa de pedir.

Indução de litispendência:

Obs. Inicial: art. 240 x art. 312

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002.

Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.

O art. 240 dá a ideia que a indução da litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor são efeitos da citação.

No entanto, segundo Gláucio, o art. 340 nos dá a ideia que isso é efeito da propositura da ação, sendo a citação uma condição suspensiva para que esses efeitos sejam produzidos.

Litispendência:

É a pendência da lide (do processo).

De quando a quando ela existe? Rigorosamente, há litispendência desde o ajuizamento da ação para o autor e desde a citação válida para o réu e vai até o trânsito em julgado.

A finalidade desse instituto é promover o princípio da segurança jurídica (mesma finalidade da coisa julgada), ou seja, de evitar que a mesma lide seja submetida sucessivas vezes ao Poder Judiciário.

O que ocorre se forem ajuizadas duas ações debatendo a mesma lide? Irá ocorrer a extinção sem resolução do mérito de uma das ações (sentença terminativa em um dos processos, CPC, 485, V). A ação que será extinta é aquela em que a citação houver ocorrido por último. Dai a relevância de estudarmos esse efeito.

Ex.: ação “A” ajuizada em 18/02/2017 e citação dia 18/06/2017 e ação “B” ajuizada em 26/02/2017 e citação dia 20/04/2018. Qual será extinta? Ação “A”, visto que foi citada posteriormente.

Caracterização da litispendência:

A princípio, mostrando que as duas ações são idênticas, ou seja, que elas possuem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (elementos identificadores da ação). Utilização da teoria da tríplice identidade (CPC, 337, §1° a §3°): não resolve todos problemas.

Como a teoria anterior não resolve todos problemas, deve-se utilizar a teoria da identidade da relação jurídica: permite a alegação de litispendência ou coisa julgada como defesa ainda que a segunda ação não seja idêntica a primeira. Há uma ampliação em relação a primeira. É possível alegar litispendência ou coisa julgada desde que a relação jurídica debatida no segundo processo seja a mesma debatida no primeiro processo e desde que haja o risco de decisões incompatíveis.

Coisa disputada se torna litigiosa:

Observação inicial: a mesma do efeito “indução de litispendência”.

CPC, 312 e 240, “caput”.

Significa que a alienação do bem depois da citação é ineficaz perante o processo.

Esta alienação é praticada em fraude à execução.

Alienação aqui abrange tanto para título oneroso quanto para título gratuito.

CPC, 109, §3°, 790, I a IV, 792. Lei 6.015/73, 167, I, item 21.

Constituição do devedor em mora:

Observação inicial: a mesma do efeito “indução de litispendência”.

Previsto no CPC, 312, e 240, caput.

Ressalva da parte final do CPC, 240, caput: significa que a citação válida constitui

devedor em mora se, e somente se, ele não houver sido constituído em mora anteriormente.

o

A

importância, a título exemplificativo, do momento da constituição do devedor

em mora é que os juros de mora começam a serem contados a partir do dia

dessa constituição.

Como se constitui o devedor em mora?

o

Se eu estou diante de uma obrigação decorrente de um ato ilícito está constituído em mora desde o ato ilícito (art. 398 do CC).

o

Se eu estou diante de uma obrigação decorrente de ato lícito há duas possibilidades para se considerar, as quais são regidas pelo CC, 397:

1) Obrigação sujeita a termo certo: a constituição em mora é automática, decorrendo do advento do termo (CC, 397, “caput”). Exemplo: atraso no pagamento do aluguel.

2) Obrigação não sujeita a termo certo: é necessário que o credor interpele o

devedor e, com essa interpelação, se constitui o devedor em mora. Interpelação

é manifestação de vontade formal do credor (de receber o dinheiro) da qual

resulta a constituição em mora. CC, 397, p. único. A interpelação pode ser extrajudicial ou

resulta a constituição em mora. CC, 397, p. único. A interpelação pode ser extrajudicial ou judicial. Em relação à interpelação extrajudicial, a forma é livre (carta enviada pelos Correios; posso entregar a carta em mãos e colher uma assinatura; ou posso mandar a carta por meio do Cartório de Títulos e Documentos, com aviso de recebimento de ação e conteúdo). Já no caso da interpelação judicial, tenho dois caminhos: a ação de interpelação (regulada pelo CPC, 727 a 729 processo de jurisdição voluntária) e o caminho do ajuizamento da ação de satisfação do direito, em que se realiza uma citação, a qual terá o efeito de constituição em mora, sendo a interpelação.

Interrupção da prescrição:

Quando o juiz profere uma decisão liminar positiva temos a causa para interromper a prescrição, pelo despacho que ordena a citação. Somente vai interromper quando for decisão liminar positiva. Art. 340, §1º.

CC, 202, I. De acordo com o CC02 a citação é uma condição suspensiva para que a decisão liminar positiva produza seu efeito.

De lege lata:

Demanda

DL+

Citação

|--------------------|--------------------|------------------

Momento

Dispositivos:

Causa Condição suspensiva
Causa
Condição suspensiva

Momento: CPC, 240, §§1º e 2º. Necessário destacar que a lei estabelece a retroatividade deste efeito, para que seja produzido desde a propositura da ação. O prazo prescricional considerar-se-á interrompido desde a demanda. A justificativa se dá pelo fato de a prescrição ser uma sanção destinada a punir a inércia do credor. Deixa de haver inércia no momento em que o credor protocoliza a petição inicial. Requisito para retroatividade: CPC, 240, §2°. Viabilização da citação pelo autor no prazo de 10 dias. A interpretação do parágrafo é restritiva. Não obedecer ao prazo afasta apenas a retroatividade, sendo que a prescrição será interrompida na próxima decisão positiva do juiz, após o prazo. A retroatividade da interrupção só vai ocorrer se o autor viabilizar a citação dentro do prazo de 10 dias. O que é viabilizar a citação? A lei nova utiliza “viabilizar”, ao invés do verbo “promover”. Significa fazer o autor tudo o que a ele cabe para que a citação possa realizar-se. Nisso insere-se adiantar o pagamento das despesas, indicar o endereço do réu, entre outros. Isso significa que o autor terá que realizar a citação dentro de 10 dias? Não. Significa que ele terá que informar os dados que cabem à ele, dentro de 10 dias. E se o autor somente adotar as providências após o prazo de 10 dias? Haverá interrupção da prescrição? Sim. Haverá retroatividade da interrupção? Não, porque o art. 240, §2º estabelece um requisito para que haja a retroatividade e

se ele não é cumprido, não haverá retroatividade. Observação: esse prazo normalmente não correrá se o autor, na petição inicial, já informar os dados do réu (indicação do endereço do réu, pagamento das despesas processuais para que haja a citação, qualificação do réu).

Causa: CC, 202, I + CPC, 340, §1º. Causa da interrupção do prazo prescricional não é a citação, mas o “despacho” (decisão liminar positiva) que ordena a citação. NCPC regula a matéria no Art. 240, §1º, confirmando que a causa de interrupção da prescrição é o “despacho” que ordena a citação.

Condição suspensiva: CC, 202, I.

De lege ferenda:

Demanda

DL+

Citação

|--------------------|--------------------|------------------

 Momento e causa Condição suspensiva  Interrupção dos

Momento e causa

Condição suspensiva

Interrupção dos demais prazos extensivos:

As regras se aplicam tanto à prescrição, quanto à decadência, quanto aos demais prazos extintivos.

CPC, 240, §4º. Ler também o CC, 207.

4. Modalidades:

Elenco e critério classificatório:

Elenco (CPC, 246):

Citação postal (citação pelo Correio)

Citação por oficial de Justiça (Citação por mandado)

Citação pelo escrivão

Citação por edital

Citação por meio eletrônico

Critério classificatório: é a forma pelo meio da qual se realiza a citação.

a) Citação postal (citação pelo correio):

Sentido:

É a que se realiza por intermédio de correspondência com aviso de recebimento, remetida pelo escrivão, destinada ao citando, e encaminhada pelo correio.

É uma espécie de citação pessoal: citação pessoal é a que se realiza diretamente na pessoa do citando.

Isso porque o carteiro deve entregar a carta de citação nas mãos do citando, este que obrigatoriamente deve assinar o aviso de recebimento.

Citação postal como regra:

Por quê?

Foi uma opção do CPC, observada no conjunto de dispositivos que regula a citação (especialmente o CPC, 247).

O legislador fez essa opção pelo princípio da eficiência, pois se vale da grande capilaridade da empresa brasileira de correios e telégrafos, o que representa uma simplificação do processo e maximização de sua eficiência.

Isso surgiu com a Lei 8710/93, a qual alterou o CPC/73, em que a citação por oficial de justiça era a regra.

Exceções:

Elenco: CPC, 247, I a V; CPC, 246, III e V.

1ª exceção - Casos que envolvem direitos objetiva ou subjetivamente indisponíveis (CPC, 247, I a III):

o

Ações de estado (inciso I):

Sentido: uma ação de estado é aquela, por intermédio da qual, se pretende modificar o estado de uma ou de ambas as partes.

Exemplos: ação de interdição (CPC, 747 e seguintes); ação de divórcio litigioso (CPC, 693 e seguintes).

Nesses casos, não se admite a citação pelo correio, sendo a citação por oficial de justiça, tendo em vista que esta confere maior segurança ao citando do que a citação pelo correio.

o

Citando incapaz (inciso II):

Em relação à amplitude da nomenclatura incapaz, O vocábulo “incapaz” não é apenas o juridicamente incapaz, mas qualquer pessoa que não tenha condições de compreender a seriedade do documento escrito que lhe está sendo entregue. Nesse caso, inclui o civilmente incapaz, o cego, o analfabeto, isto é, aqueles que terão dificuldades de se interpretar o que está ocorrendo.

A citação se dá por meio de oficial de justiça, por garantir maior segurança ao citando.

 

o

Citando for a Fazenda Pública (inciso III):

Fazenda Pública é expressão que abrange as pessoas jurídicas de direito público.

A citação se dará por meio eletrônico se o processo possuir autos eletrônicos. No caso de processo com autos físicos, a citação deverá ser feita por oficial de justiça.

exceção - quando houver impossibilidade fática:

CPC, 247, IV. Nessas hipóteses, realiza-se a citação por oficial de justiça. Ou, não sendo possível e se for o caso, a citação por edital.

exceção - requerimento fundamentado do autor:

CPC, 247, V. O próprio autor pleiteia e apresenta os motivos para os quais quer que a citação seja feita de outro modo. Normalmente, o autor pedirá a citação por mandado (por oficial de justiça) ou a citação por edital. Nada obsta, entretanto, que peça outra modalidade de citação. Ex.: citação por escrivão.

exceção - citação por escrivão:

CPC, 246, III. Se o citando for a secretaria do tribunal, o escrivão pode e deve citá-lo, mesmo que não haja pedido do autor.

exceção - citação por meio eletrônico:

CPC, 246, V e §§1º e 2º.

Só é válida em processo eletrônico, isto é, de autos eletrônicos.

Cada tribunal desenvolveu um sistema de processo eletrônico, infelizmente não há um sistema único e cada um deles não costumam conversar entre si. PJE processo judicial eletrônico. Algumas entidades são obrigadas a fazerem um cadastro no sistema de processo eletrônico para fins de obter futuras citações. Essa citação é disponibilizada no sistema, e a entidade tem

o

dever de ir lá no sistema verificar se ocorreu citação. Ao verificar a citação

ela estará citada. Ela tem 10 dias para verificar se foi citada ou não. Passados os 10 dias ela será considerada citada, já que era seu dever verificar o sistema

diariamente. Porém, o sistema de processo eletrônico ainda é muito precário.

Quais as pessoas jurídicas obrigadas a terem cadastro para receberem a citação eletrônica? Todas as PJ da administração pública, seja da direta ou da indireta. Além disso, as empresas privadas, com exceção das microempresas

e

das empresas de pequeno porte.

Para receber intimação são obrigados o MP, defensoria pública e advocacia pública.

As pessoas naturais podem se cadastrar passa esse fim, mas não são obrigadas.

Modo de realização:

Para se compreender o modo de realização da citação pelo correio, deve-se voltar os olhos para os arts. 248 e 250 do NCPC.

A

citação pelo correio se dá quando o escrivão ou alguém sobre ordem do

escrivão ordena a confecção da carta de citação, a qual é enviada pelo correio.

A

carta será registrada e postada com aviso de recebimento (só pode ser

assinado pelo citando).

Se o citando for uma pessoa natural, a carta deve ser entregue em mãos

do

próprio citando, isto é, o aviso de recebimento só pode ser assinado pelo

citando (CPC, art. 248, §1º).

STJ, 429: A citação postal, quando autorizada por lei, exige o aviso de recebimento. (REsp 712.609/SP).

Há, contudo, uma exceção no CPC, 248, §4º: Nos condomínios edilícios ou nos loteamentos com controle de acesso, será válida a entrega do mandado a funcionário da portaria responsável pelo recebimento de correspondência, que, entretanto, poderá recusar o recebimento, se declarar, por escrito, sob as penas da lei, que o destinatário da correspondência está ausente. Esse dispositivo cria uma quebra da lógica, tendo em vista que o poder oferecido ao carteiro nesse caso não foi dado nem mesmo ao oficial de justiça, o qual é um serventuário permanente da Justiça e dotado de fé-pública. O Prof. Gláucio considera essa exceção perigosa, pois pelo NCPC essa modalidade de citação é uma citação real (regime perigoso para o réu, pois pode produzir os efeitos da revelia). Além disso, quebra e contraria a jurisprudência do STJ.

O

FONAJE aprovou o Enunciado nº 5, pelo qual é válida a citação pelo

correio mesmo que o AR (aviso de recebimento) não seja assinado pelo citando, sendo assinado por quem esteja na casa. ENUNCIADO 5 A correspondência ou contra-fé recebida no endereço da parte é eficaz para efeito de citação, desde que identificado o seu recebedor.

Se o citando for pessoa jurídica, o AR deve ser assinado pela gerência geral, pelo administrador ou pelo funcionário encarregado da recepção de correspondências (CPC, 248, §2º).

O

STJ, em relação à pessoa jurídica, adotou a Teoria da Aparência. De acordo

com essa teoria, se a citação for entregue a um funcionário qualquer da pessoa jurídica, ainda que não tivesse o poder de receber correspondências, e, se este

assinar o AR sem fazer qualquer ressalva, será válida a citação. Apenas não será válida a citação se o funcionário fizer constar no AR que não tinha poderes de receber a citação. (REsp 1.654.585/SP).

b) Citação por oficial de justiça (citação por mandado):

Sentido:

Definição:

É a citação que se realiza por intermédio do oficial de justiça em cumprimento de um mandado.

Citação por oficial de justiça (também conhecida como citação por mandado)

é aquela que se realiza por intermédio de uma diligência cumprida pelo oficial de justiça, atuando na execução de um mandado judicial.

Oficial de justiça:

Oficial de justiça é um auxiliar permanente do juízo. As atribuições do oficial de justiça estão previstas no CPC, 154 (no caso do estudo da citação, especial atenção aos incisos I, III e VI, bem como ao p. único).

Mandado:

Possui dois sentidos:

(1) Mandado é o mesmo que ordem (ordem dada pelo juiz para que proceda a citação do demandado ou do interessado).

(2) Mandado é um documento que é lavrado por um escrivão, e que contém uma ordem a ser cumprida pelo oficial de justiça. Esse documento é levado em duas vias (uma é entregada ao réu contrafé , e a outra ficará com o oficial, sendo necessária a assinatura do réu nesta última, declarando que recebeu e foi citado). Após a diligência, o oficial redige a certidão, junta ao mandado e integra aos autos do processo.

Admissibilidade:

A citação por oficial de justiça é cabível em três casos:

Quando a lei expressamente exigir. Exemplo: art. 829 do CPC (regra especial em relação à regra geral do art. 247, caput).

Quando frustrar-se a citação pelo correio. Quando isso acontece? Se o carteiro não localiza o citando ou se o citando se recusa a assinar o AR.

Quando vedada a citação pelo correio. Exemplo: réu incapaz; nas ações de estado.

O dispositivo CPC, 249 prevê a admissibilidade da citação por oficial de justiça.

Obstáculos à realização da citação:

Há dois grupos de obstáculos:

CPC, 244: prevê obstáculos provisórios à citação. No momento em que não existirem mais esses obstáculos, a citação será realizada pessoalmente. Exemplo 1: Não poderá realizar-se a citação ao cônjuge no dia do casamento

e

nos três dias subsequentes. Exemplo 2: Não poderá realizar-se a citação do

cônjuge, ascendente, descendente, irmão e irmã no dia da morte de ente querido, e nos sete dias subsequentes.

CPC, 245: é a norma geral, em que o obstáculo pode ser permanente ou provisório (mas, pelo menos, duradouro). Uma vez constatada a duração indefinida do obstáculo, a citação poderá ser feita a um curador especial designado e autorizado pelo juiz. Exemplo de obstáculo provisório, mas duradouro: quando a pessoa está internada em clínica de dependência clínica.

Quem será o curador especial? Será curador aquela pessoa que for indicada, respeitada a preferência do CC. Devemos olhar a ordem de preferência existente no art. 1775 e 1775-A do CC; CPC, 775, §1º. Vale dizer que essa ordem legal pode ser flexibilizada pelo juiz, desde que de forma fundamentada, com a finalidade de proteger o incapaz.

A citação por oficial de justiça pode ser de duas espécies: citação por oficial de justiça ordinária (citação ordinária) ou citação por oficial de justiça com hora certa (citação com hora certa)

Classificação:

I. Citação por oficial de justiça ordinária (citação ordinária):

Citação por mandado ordinária é a citação real realizada por oficial de justiça, normalmente, lotado no próprio foro onde corre o processo.

O que ocorre se o citando estiver em foro diverso daquele onde corre o processo?

Neste caso, em regra, um oficial de justiça do foro onde corre o processo não pode realizar a citação. Por que não? Em virtude do princípio da aderência ao território {vide caderno de TGP}. Assim, deve-se solicitar a cooperação de juízo de foro diverso, normalmente, mediante carta, a qual pode ser rogatória, de ordem ou precatória.

Excepcionalmente, o oficial de justiça poderá cumprir o mandado de citação em foro diverso. Quando? Nos casos previstos no CPC, 255 (comarcas vizinhas 1 ). Trata-se de uma exceção ao princípio da aderência ao território.

Diligência da citação:

Onde é realizada a diligencia da citação?

• Onde é realizada a diligencia da citação? Comentado [FB8]: Art. 243. A citação poderá ser

Comentado [FB8]: Art. 243. A citação poderá ser feita

em qualquer lugar em que se encontre o réu, o

executado ou o interessado.

Comentado [FB9]: Art. 212. Os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 (seis)
Comentado [FB9]: Art. 212. Os atos processuais
serão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20
(vinte) horas.
§ 1 o Serão concluídos após as 20 (vinte) horas os atos
iniciados antes, quando o adiamento prejudicar a
diligência ou causar grave dano.
§ 2 o Independentemente de autorização judicial, as
citações, intimações e penhoras poderão realizar-se no
período de férias forenses, onde as houver, e nos
feriados ou dias úteis fora do horário estabelecido neste
artigo, observado o disposto no art. 5 o , inciso XI, da
Constituição Federal.
Comentado [FB10]: Art. 214. Durante as férias forenses e nos feriados, não se praticarão atos
Comentado [FB10]: Art. 214. Durante as férias
forenses e nos feriados, não se praticarão atos
processuais, excetuando-se:
I - os atos previstos no art. 212, § 2 o ;

Comentado [FB11]: Art. 251. Incumbe ao oficial de

justiça procurar o citando e, onde o encontrar, citá-lo:

I - lendo-lhe o mandado e entregando-lhe a contrafé;

II - portando por fé se recebeu ou recusou a contrafé;

III - obtendo a nota de ciente ou certificando que o

citando não a apôs no mandado.

 
 
 

CPC, 243, “caput

CPC, 243, “caput

” e 251, “caput”

oficial de justiça possui o poder-dever de procurar o citando caso haja a informação de que ele não se encontra em sua residência.

Como?

Quando?

CPC, 212 , §2º; 214, I , e 216.
CPC, 212 , §2º; 214, I , e 216.
CPC, 212 , §2º; 214, I , e 216.
CPC, 212

CPC, 212

CPC, 212

, §2º;

, §2º;
, §2º;
214, I

214, I

214, I
214, I

, e 216.

CPC, 251, I, II e III.

CPC, 251, I, II e III.
CPC, 251, I, II e III.
 

II. Citação com hora certa:

Noção:

O oficial de justiça vai até a residência do citando 2 vezes e em nenhuma dessas vezes ele localiza o citando (CPC/73 falava em 3 visitas). Ambas as visitas foram infrutíferas.

Houve a suspeita no oficial de justiça da ausência do citando (a ausência é para criar um obstáculo a citação).

Desse modo, ele intima um parente, vizinho ou porteiro, designando dia e hora para o retorno (avisa que voltará em dia x e em hora x para que o citando esteja lá no dia e hora determinados).

1 Comarcas contíguas de fácil acesso e comarcas pertencentes à mesma região metropolitana.

Assim, o oficial de justiça retorna no dia combinado.

Se o citando estiver presente, ele realizará a citação ordinária (citação pessoal e real). Se o citando não estiver presente, o oficial de justiça verá por que razão ele não está.

Se não houver motivo plausível, realiza-se a citação com hora certa (citação ficta).

O oficial de justiça dará como havendo sido realizada a citação.

A lei estabelece que uma vez recebido a certidão em mão, o escrivão mandará uma carta, telegrama ou correspondência eletrônica avisando ao citando que ele foi citado. É importante destacar que a citação com hora certa não se aperfeiçoa com a carta, com o telegrama ou com a correspondência eletrônica. Não transforma a citação ficta em real. A prova disso está tanto no CPC, 72, II; 231, II, §4°. Visa apenas maximizar o conhecimento da citação pelo citando.

CPC 252, 253 e 254.

Requisitos da citação com hora certa:

Objetivo: pelo menos duas visitas do oficial de justiça. O art. 831, §1° ao regular uma situação similar no processo de execução, exigindo que essas visitas sejam em dias distintos. Segundo a doutrina, esse art. é aplicado por analogia do processo de conhecimento, para maximizar as chances de encontrar o citando.

Subjetivo: suspeita de ocultação maliciosa. Ele envolve um raciocínio do oficial de justiça. Essa suspeita deve decorrer de circunstâncias objetivas das quais possam inferir racionalmente a suspeita.

Citação ficta:

Trata-se de uma citação ficta.

Se houver revelia: 1ª - não se produz o efeito material da revelia (CPC, 344 presunção da veracidade das alegações de fato formuladas pelo autor na petição inicial); 2ª curador especial (CPC, 72, II).

c)

Citação por escrivão:

Positivação de possibilidade já existente.

Deu-se por meio do CPC, 246, III.

Exige o comparecimento do citando na sede do juízo (fórum).

d)

Citação e carta:

O que fazer se o citando estiver em foro diverso daquele onde corre o processo; e se os foros não forem vizinhos; e se não for o caso de citação pelo correio?

Nesse caso, o órgão jurisdicional deve requerer o pedido de cooperação, ou seja, deve pleitear a cooperação do órgão jurisdicional do foro diverso em que se encontra o citando. Essa cooperação é pleiteada por meio de uma

carta

Essa cooperação é pleiteada por meio de uma carta (CPC, 236, §1° e §2°) . Comentado
Essa cooperação é pleiteada por meio de uma carta (CPC, 236, §1° e §2°) . Comentado

(CPC, 236, §1° e §2°)

é pleiteada por meio de uma carta (CPC, 236, §1° e §2°) . Comentado [FB12]: §

.

pleiteada por meio de uma carta (CPC, 236, §1° e §2°) . Comentado [FB12]: § 1
Comentado [FB12]: § 1 o Será expedida carta para a prática de atos fora dos
Comentado [FB12]: § 1 o Será expedida carta para a
prática de atos fora dos limites territoriais do tribunal, da
comarca, da seção ou da subseção judiciárias,
ressalvadas as hipóteses previstas em lei.
§ 2 o O tribunal poderá expedir carta para juízo a ele
vinculado, se o ato houver de se realizar fora dos
limites territoriais do local de sua sede.

Modalidades:

Carta de ordem (CPC, 237, I): tribunal poderá expedir carta para juízo a ele vinculado, se o ato houver de se realizar fora dos limites territoriais do local de sua sede. É uma carta expedida por um órgão jurisdicional a um órgão que lhe é inferior.

Carta rogatória (CPC, 237, II): para que órgão jurisdicional estrangeiro pratique ato de cooperação jurídica internacional, relativo a processo em curso perante órgão jurisdicional brasileiro. A carta rogatória é expedida por uma autoridade jurisdicional que não pode realizar a citação fora do país sem ofender a soberania do Estado brasileiro, realizando uma comunicação entre Estados diversos.

Carta precatória (CPC, 237, III): para que órgão jurisdicional brasileiro pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato relativo a pedido de cooperação judiciária formulado por órgão jurisdicional de competência territorial diversa. A carta precatória é realizada por exclusão, sendo que não é caso de carta de ordem ou carta rogatória.

Carta arbitral (CPC, 237, IV): para que órgão do Poder Judiciário pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato objeto de pedido de cooperação judiciária formulado por juízo arbitral, inclusive os que importem efetivação de tutela provisória. A carta arbitral ocorre quando um juízo arbitral solicita ao poder judiciário a adoção de determinada medida.

Realização da citação pelo juízo destinatário:

Recebendo a carta o juízo destinatário realizará a citação.

Haverá citação pelo escrivão ou citação pelo oficial de justiça.

Se a citação for por oficial de justiça teremos ou uma citação ordinária ou uma citação por hora certa.

Obs.: cartas utilização ampla:

Cabem para qualquer pedido de cooperação.

Exemplo: oitiva de testemunha.

e)

Citação por edital:

Sentido:

Citação que se faz pela simples publicação de editais.

Editais são avisos destinados ao público.

Onde é publicado o edital? Ele é publicado, nos termos do CPC, 257, II e p. único, na página eletrônica do tribunal e na plataforma de editais do CNJ

(corresponde ao diário da justiça eletrônico nacional: mencionado no inciso III e instituído pela resolução 234/2016/CNJ CNJ expediu em cumprimento do art. 196, CPC. Salvo melhor juízo, não está funcionando como deveria). A critério do juiz e atendidas as peculiaridades do foro, é possível ampliar a publicidade utilizando-se de jornal de ampla circulação local e outros meios.

Admissibilidade:

Sua admissibilidade é excepcionalíssima, porque ele é uma citação ficta.

Hipóteses: CPC, 256.

Citando: se o citando for incerto ou desconhecido. Ex.: ação de reintegração de posse em que há uma coletividade de invasores (CPC, 554 a 566 incerto); ação de demarcação de terras em que o réu já morreu e eu não sei quem são os herdeiros.

Local que se encontra o citando: a incerteza ou determinação diz respeito ao local em que ele se encontra. Eu sei quem é o citando, mas eu não sei onde ele se encontra ou eu não consigo ter acesso a ele. Citando que esteja em local ignorada, incerto ou inacessível.

Local ignorado: é o mesmo que local desconhecido, não sabendo onde ele se encontra. Local incerto: é o local que eu não consigo precisar com o grau de detalhamento imprescindível a realização da citação pessoal (Ex.: o réu está em São Paulo. Mas onde? Não sei). Nesses dois casos, é necessário que haja o esgotamento prévio das pesquisas. A citação por edital só poderá acontecer depois que se esgotarem a

possibilidade de pesquisar para a localização do citando

o

(CPC, 256, §3°) .
(CPC, 256, §3°)
.
Comentado [FB13]: § 3 o O réu será considerado em local ignorado ou incerto se
Comentado [FB13]: § 3 o O réu será considerado em
local ignorado ou incerto se infrutíferas as tentativas de
sua localização, inclusive mediante requisição pelo
juízo de informações sobre seu endereço nos cadastros
de órgãos públicos ou de concessionárias de serviços
públicos.

Antes de ordenar a citação por edital, o juiz vai expedir ofício ao cartório eleitoral, as concessionárias de serviços públicos, etc., que possam ter informações sobre o local. Por que isso? Em virtude do caráter excepcionalíssimo da citação por edital.

Local inacessível: possui duas modalidades: inacessibilidade física e inacessibilidade jurídica. A inacessibilidade física é por exemplo o caso em que o citando está na mata, está em local que tem guerra, está em um local dominado pelo crime (Alexandre Freitas Câmara diz que é uma inacessibilidade social), está em local que tem uma epidemia. A inacessibilidade jurídica acontece quando o citando está em um país que se recusa a cumprir cartas rogatórias. Em ambos os casos, a lei determina que além do edital, utiliza-se o rádio para ampliar o alcance da citação.

Lei: se dá nos casos em que a lei julgue conveniente impor a citação por

o

Comentado [FB14]: Art. 259. Serão publicados editais:

I - na ação de usucapião de imóvel;

II - na ação de recuperação ou substituição de título ao

portador;

III - em qualquer ação em que seja necessária, por

determinação legal, a provocação, para participação no

processo, de interessados incertos ou desconhecidos.

Comentado [FB15]: Juiz não determina de ofício a citação

por edital. É provocado pelo autor ou pelo oficial de justiça.

Se o autor dolosamente informar que esteja presente os

elementos para citação por edital e essa se realizar tem que pagar 5% do valor da causa (258). No casso de mentira correndo o processo à revelia do réu, o processo será invalidado.

edital.

 
 
 

CPC 259, I, II e III

CPC 259, I, II e III
CPC 259, I, II e III

; 554, §1° a 3°.

Requisitos:

CPC, 257.

Art. 257. São requisitos da citação por edital:

I – a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das

I a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das

I – a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das
I – a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das

circunstâncias autorizadoras

circunstâncias autorizadoras

;

II a publicação do edital na rede mundial de computadores, no sítio do respectivo tribunal e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, que deve ser certificada nos autos;

III

–

–

a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre 20 (vinte) e 60

(sessenta) dias, fluindo da data da publicação única ou, havendo mais de uma,

(sessenta) dias, fluindo da data da publicação única ou, havendo mais de uma,

da primeira

;

IV a advertência de que será nomeado curador especial em caso de revelia.

Parágrafo único. O juiz poderá determinar que a publicação do edital seja

feita também em jornal local de ampla circulação ou por outros meios, considerando as peculiaridades da comarca, da seção ou da subseção judiciárias.

da comarca, da seção ou da subseção judiciárias. Comentado [FB16]: Prazo de dilação, prazo de validade

Comentado [FB16]: Prazo de dilação, prazo de validade e prazo de divulgação que visa maximizar as chances de o réu tomar conhecimento do edital e defender-se tempestivamente. É um prazo de amortecimento. Art. 257 e art. 231, IV. Exemplo: quando eu tenho uma contestação o prazo é de 15 dias, eu conto depois desse prazo de dilação.

Citação ficta, revelia e citação por edital:

 

Olhar na parte que fala de citação com hora certa.

f)

Citação por meio eletrônico

Sentido: citação que, seguindo o sistema da autocomunicação, realiza-se, nos processos de autos eletrônicos, por meio de acesso, pelo citando previamente cadastrado, a portal próprio na rede mundial de computadores.

Sistema de autocomunicação

Dinâmica da citação por meio eletrônico:

1. Há a disponibilização da citação no portal do judiciário.

2. Acesso, pelo citando, ao portal neste momento, ele é citado e o próprio

sistema computacional realiza uma certidão constando os dados da citação.

realiza uma certidão constando os dados da citação. Comentado [FB17]: § 1 o Com exceção das
Comentado [FB17]: § 1 o Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte,
Comentado [FB17]: § 1 o Com exceção das
microempresas e das empresas de pequeno porte, as
empresas públicas e privadas são obrigadas a manter
cadastro nos sistemas de processo em autos
eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e
intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente
por esse meio.
§ 2 o O disposto no § 1 o aplica-se à União, aos Estados,
ao Distrito Federal, aos Municípios e às entidades da
administração indireta.
Comentado [FB18]: Art. 1.050. A União, os Estados, o
Distrito Federal, os Municípios, suas respectivas
entidades da administração indireta, o Ministério
Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública, no
prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da entrada
em vigor deste Código, deverão se cadastrar perante a
administração do tribunal no qual atuem para
cumprimento do disposto nos arts. 246, § 2 o , e 270,
parágrafo único.
Art. 1.051. As empresas públicas e privadas devem
cumprir o disposto no art. 246, § 1 o , no prazo de 30
(trinta) dias, a contar da data de inscrição do ato
constitutivo da pessoa jurídica, perante o juízo onde
tenham sede ou filial.

Cabe apenas em autos eletrônicos.

O citando deve possuir um cadastro prévio.

Dispositivos relevantes:

§§1º e 2º
§§1º e 2º

- CPC, 246, V,

obrigado a possuir cadastro.

-

- CPC, 196 (estabelece que o CNJ ditará um diploma normativo para tratar dessa questão) e Resolução 234/2016 CNJ (o referido diploma normativo).

- Lei 11.419/2006, arts. 6º, 5º e 9º.

. Prevê a modalidade de citação por edital e quem é

 
 
 

CPC, 1050 e 1051

CPC, 1050 e 1051
CPC, 1050 e 1051

. Definição dos prazos

Procedimento:

1º) Disponibilização da citação no portal (ato praticado pelos auxiliares do juiz).

2º) Início do prazo para acesso ao portal

As pessoas cadastradas assumem o ônus de entrar diariamente o portal. Assim, após 10 dias da disponibilização, entende-se, mesmo que o citando não tenha acessado a citação, que o mesmo foi citado.

Essa contagem será em dias úteis ou corridos? A norma geral do CPC, 219, “caput” sobre prazos processuais contados em dias úteis NÃO se aplica à citação por meio eletrônico. Nesses casos, o prazo é contado em dias corridos, segundo a Lei 11.419/2006, 5º, §§3º + Resolução 234, 11, §3º.

Se o citando acessar o portal dentro do prazo:

Considera-se aperfeiçoada a citação e o sistema gerará uma certidão que comprova a realização da citação.

Se o acesso se deu em dia não útil, considera-se aperfeiçoada a citação no primeiro dia útil subsequente.

Inexistência de acesso dentro do prazo: no décimo dia, considera-se realizada a citação.

CPC, 231, V; Lei 11.419/2006, 5º, §3º; Resolução 234/2016/CNJ, 11, §3º.

3º) E-mail

É possível ao citando, manifestar interesse de receber e-mail comunicando a disponibilização e a abertura automática do prazo. O objetivo desse e-mail é apenas maximizar a comunicação. Por previsão legal, o e-mail possui caráter meramente informativo.

Quem é o citando?

São obrigados a se cadastrarem:

Os entes da administração pública direta: União, Estados, DF e Municípios.

Os entes da administração pública indireta: autarquias, fundações governamentais, sociedades de economia mista e empresas públicas.

O Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública.

Sobre o cadastramento do setor público: CPC, 246, §§1º e 2º, 242, §3º, 1050 e

1051.

As empresas privadas que não sejam microempresas, nem de pequeno porte (CPC, 246, §1º; 1051; Resolução 234/2016/CNJ, art. 8º, §2º).

Cadastro facultativo:

Demais pessoas jurídicas de direito privado.

Pessoas naturais.

B.4. AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO:

1. RELAÇÃO ENTRE A AC/M E OS ATOS QUE A PRECEDEM:

Decisão liminar positiva (CPC, 334, “caput”):

Se o juiz verificar que não é o caso de (a) indeferimento da petição inicial, (b) nem de improcedência liminar do pedido, (c) nem de decisão liminar ordinatória:

ele irá designar audiência de conciliação ou mediação e ordenar a citação do réu para o comparecimento na audiência.

D

DL+

AC/M

|------------|------------|------------------------------

Citação

Durante a vigência do CPC/73, o réu era citado para contestar citação para a contestação, abrindo-se o prazo para contestar.

Atualmente, com o CPC/2015, o réu passa a ser citado para comparecer à audiência de conciliação/mediação. O prazo para contestar não é aberto pela citação, sendo iniciado, talvez, após a audiência de conciliação/mediação (talvez, porque há a possibilidade de se chegar a um acordo na AC/M).

Embora seja essa a regra, excepcionalmente, o réu será citado para contestar (CPC, 334, §4º, II). Essa exceção se dá naquelas ações em que a controvérsia gira em torno de um direito que não admite autocomposição, não será realizada a AC/M 2 .

Exemplos da exceção (o réu é citado para contestar): ação de anulação de casamento (sem filhos e sem bens); Lei 8.429/92, 17, §1º (Lei de improbidade administrativa).

CPC/15 Conciliação desarmada. Essa tentativa de solução consensual prevista no Novo Código de Processo Civil foi denominada de conciliação desarmada, pelo simples fato de ela anteceder o momento de oferta da contestação. O legislador partiu da pressuposição de que, neste momento, há mais chances de se atingir uma solução consensual.

CPC, 695, §1º: Determina que o réu será citado para a audiência de conciliação/mediação, porém no mandado não seguirá cópia da petição inicial 3 .

Questionamento: não seria mais interessante para o réu que a citação fosse acompanhada pela PI? Afinal, ele deve saber previamente o que o autor deseja para que possa pensar em um possível acordo se a citação para a AC/M.

2 Examinar Unidade B, Admissibilidade da solução consensual caderno de TGP. 3 Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o disposto no art. 694. § 1º O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo.

Intimação do autor:

A intimação do autor para a audiência de conciliação ou mediação será feita segundo o CPC, 334, §3º, o qual prevê que a intimação será feita na pessoa do advogado.

Isso ocorre de acordo com o princípio da eficiência, buscando maior celeridade no processo. Entretanto, tal previsão está em descompasso com a tradição, pois, tradicionalmente, têm-se duas regras: (1) se a lei determina a intimação da parte, pura e simplesmente, então a parte é intimada na pessoa de seu advogado; e (2) se da intimação decorre para a parte um ônus ou um dever, então a intimação deve ser pessoal.

Como o legislador, então, se afastou da tradição (pois, tradicionalmente, seria uma intimação pessoal devido à presença de um dever: uma multa no caso de não comparecimento), foi necessário colocar expressamente que a intimação é feita na pessoa do advogado no caso de AC/M.

2. AC/M E SUJEITOS DO PROCESSO:

Participação do conciliador ou mediador:

Cabe ao conciliador ou mediador a presidência da AC/M. Se ele é o Estado presente, incide o princípio da imparcialidade (o mediador não pode ser cônjuge de uma das partes, por exemplo). CPC, 166, “caput”; Lei 13.140/2015, 2º.

A presidência da audiência pode ser feita pelo juiz? A princípio, o juiz não deve atuar na AC/M por força de dois princípios: (1) princípio da eficiência, art. 80 (se há no foro um auxiliar do juízo incumbido e treinado para a realização desse trabalho, enquanto o juiz pode realizar outras atividades, não parece eficiente que o juiz presida a AC/M) e (2) princípio da confidencialidade 4 (“o que foi dito na AC/M fica na AC/M”).

Mas o juiz pode presidir a AC/M? Ele não deve, mas, excepcionalmente, pode

(CPC, 334, §1º;

En. 9 do TJMG).
En. 9 do TJMG).

En. 9 do TJMG).

En. 9 do TJMG).
Comentado [FB19]: As audiências de conciliação poderão ser realizadas pelos conciliadores existentes na comarca ou
Comentado [FB19]: As audiências de conciliação
poderão ser realizadas pelos conciliadores existentes
na comarca ou pelo próprio juiz, até que o Tribunal
forme o quadro respectivo.

Disciplina normativa que orienta o conciliador e o mediador: CPC, 334. CPC, 165 a 175. Lei de Organização Judiciária. Lei 13.140/2015.

Advogado ou defensor público:

As partes devem estar acompanhadas dos respectivos representantes técnicos, seja advogado ou defensor público, por imposição legal (CPC, 334, §9º, e Lei 13.140/2015, 26). A presença deles é indispensável.

Em caso de descumprimento dessa imposição legal, há um vício. Acarretaria esse vício a invalidade da AC/M? Depende, devendo-se analisar caso a caso se houve prejuízo para a parte desacompanhada ou não.

Partes:

4 CPC, 166, “caput” e §§1º e 2º; Lei 13.140/2015, 2º, 30 e 31.

Art. 334, §4°: § 4 o A audiência não será realizada: I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II - quando não se admitir a autocomposição.

3.

ALGUNS ASPECTOS PROCEDIMENTAIS:

Desmembramento em diversas sessões:

CPC, 334, §2°: tanto a mediação quanto a conciliação podem ser desmembradas/desdobradas em diversas sessões.

Embora o dispositivo se refira as duas figuras o uso mais provável do desdobramento se dará na hipótese de mediação. É da natureza da mediação a dilação do diálogo, visto que se deseja que haja mais diálogo na mediação.

Limite temporal: 2 meses, prazo dentro do qual deve estar contida todas sessões. Gláucio diz que não utilidade nesse prazo, as partes podem estipular em sentido diverso para aumentar esse prazo. As partes podem celebrar negócio jurídico

processual para estipular prazo superior a esse (CPC, 190 ; 166, §4°). Comentado [FB20]: Art.
processual para estipular prazo superior a esse (CPC, 190
;
166, §4°).
Comentado [FB20]: Art. 190. Versando o processo
• É possível que por manifestação unilateral o abandono antes desse prazo das
tentativas de conciliação/mediação (Lei de mediação 13140/15, art.2°, §2°).
Nenhuma das partes é obrigada a permanecer na mediação/conciliação. A lei
obriga apenas o comparecimento a audiência, mas ela não é obrigada a permanecer
nas diversas sessões.
sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às
partes plenamente capazes estipular mudanças no
procedimento para ajustá-lo às especificidades da
causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes,
faculdades e deveres processuais, antes ou durante o
processo.
 Mediação e conciliação por meio eletrônico:
Comentado [FB21]: § 4 o A mediação e a conciliação
serão regidas conforme a livre autonomia dos
interessados, inclusive no que diz respeito à definição
das regras procedimentais.
• CPC, 334, §° permite a utilização de meios eletrônicos para realizar a audiência
de conciliação e mediação.

Parece que o meio mais adequado seria o sistema de videoconferência.

Possibilidade de eliminação de obstáculos geográficos de acesso à justiça.

Se não houver videoconferência há outros meios, como Skype, whatsapp, etc.

Confidencialidade:

É um princípio que rege a AC/M, mesmo em processos que não corra em segredo de justiça. Isso implica em sigilo e restrições ao acesso à sala de audiências.

Mesmo que o processo seja público, a AC/M deverá ter essa ilha de confidencialidade, visto que não pode ter acesso a sala de audiência de conciliação e mediação e não pode divulgar o que foi dito na audiência.

4. POSSÍVEIS RESULTADO NA AC/M

1ª possibilidade: solução total da controvérsia

O acordo é reduzido a termo pelo próprio conciliador e mediador e o juiz homologará. O acordo deve ser bem redigido, claro.

O

ato do juiz que homologa o acordo é uma sentença (CPC, 334, §11), pois

põe fim aquela etapa cognitiva do processo. Além disso, é uma sentença de

mérito (CPC,487, III). É um título executivo judicial (CPC, 515, II).

O

juiz pode se recusar a homologar o acordo, mas esse deve fundamentar essa

decisão. Hipótese de um vício no negócio jurídico realizado entre as partes, sendo esse um vício que acarrete nulidade absoluta.

possibilidade: solução parcial da controvérsia

Há a redução a termo e juiz homologa o acordo por decisão interlocutória (CPC, 334, §11 c/c 203, §2).

Essa decisão interlocutória é um título executivo judicial (CPC, 515, II).

O

procedimento segue sua marcha natural, para que seja solucionada o restante

da

controvérsia.

Se

houver descumprimento da obrigação prevista pelo título executivo judicial?

O

procedimento cognitivo segue a diante, mas se aquela obrigação que já foi

objeto do acordo vier a ser inadimplida, o credor poderá no mesmo processo

pedir a execução do cumprimento daquela obrigação. Houverá assim dois braços

no

processo, um procedimento cognitivo e outro executivo.

Exemplo: ação de divórcio em audiência da conciliação em que os cônjuges concordam sobre o divórcio, mas divergem quanto a partilha dos bens e a guarda dos filhos.

possibilidade: inexistência de acordo

Prosseguimento da marcha natural do procedimento.

5. DISPENSA DA CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO:

Ocorre em duas hipóteses, ambas previstas pelo CPC, 334, §4°:

A primeira hipótese segue a regra da dupla recusa CPC, 334, I, §4°: não haverá audiência de conciliação e mediação se houver a recusa expressa do autor e do réu. O silêncio não se interpreta como recusa. A recusa do autor deve vir na petição inicial. A recusa do réu deve ser apresentada com a antecedência de no mínimo 10 dias de audiência, podendo ser por meio de uma petição simples (CPC, 334, §5°). Se houver litisconsórcio a solução está no CPC, 334, §6°, que diz que só não haverá audiência se todos os sujeitos parciais do processo não quererem participar dela.

A segunda hipótese é quando a lide se relacionar a direito que não admita a autocomposição. A princípio qualquer direito admite solução consensual. Mas há situações excepcionais que não é cabível a audiência de conciliação e mediação.

A diferença procedimental entre elas diz respeito ao fato que na primeira é designada, visto que só tem acesso a recusa do autor e na segunda, não há a designação de audiência de conciliação e mediação.

B.5. CONTESTAÇÃO:

1. Generalidades:

Representação gráfica:

Demanda Decisão liminar Citação Intimação do autor AC/M Contestação

Análise da representação gráfica:

Retrata o que constitui a regra. Em regra, a contestação é apresentada após a audiência de conciliação e mediação, se não houver uma solução do conflito.

Entretanto, existe a possibilidade não haver audiência de conciliação e mediação, hipótese em que a contestação será antecipada.

Existe a possibilidade de apresentação prematura da contestação (CPC, 218, §4°): o réu apresenta a contestação antes do prazo, ou seja, antes da conciliação e mediação.

Possíveis atitudes do réu diante da abertura do prazo para resposta:

Reconhecimento do pedido:

Corresponde ao reconhecimento da procedência da pretensão do autor. Submissão do réu à pretensão do autor. Ele diz que assiste razão ao autor.

Nesse caso, a princípio vincula o juiz. O juiz vai homologar (ser for total por sentença, se parcial por decisão interlocutória) o reconhecimento do pedido (CPC, 487, III, a).

Há possibilidade do juiz recusar a homologação quando a manifestação de vontade for viciada e o vício provocar a nulidade absoluta.

Forma de solução consensual do conflito.

Inércia:

O réu cruza os braços, deixando transcorrer in albis o prazo que tinha para responder.

Ocorre preclusão temporal. Preclusão: perda da oportunidade de se praticar um ato no processo.

Ocorre o fenômeno da revelia. A revelia é a não apresentação tempestiva da contestação. Nesse caso, presumem-se verdadeiras as alegações do autor, mas essa presunção é relativa. E o que acontece? O ônus da prova passa a ser do réu e não do autor.

Apresentação de resposta:

Duas espécies: defesa e contra-ataque.

O contra-ataque se dá por meio da denominada reconvenção. A reconvenção é uma ação proposta pelo réu reconvinte contra o autor no mesmo processo. Deduz uma pretensão nova contra o autor.

A principal espécie de defesa é a contestação. Existem outras, como por exemplo, a petição simples que se alega o impedimento ou suspeição do juiz.

2.

Sentido:

Definição:

“Contestação é a peça fundamental da defesa do réu, em que se concentram todas as razões de resistência à demanda inicial do autor, que não sejam necessariamente canalizadas as outras respostas”.

Paralelo entre contestação e petição inicial:

Petição inicial

Contestação

Peça pela qual pretensão.

o

autor revela sua

Peça pela qual o réu revela sua resistência a pretensão do autor.

Mais importante peça produzida pelo autor.

Mais importante peça produzida pelo réu.

Inicia o exercício ao direito de ação

Inicia o exercício de direito de defesa.

Concentração das defesas na contestação:

Todas as defesas devem ser veiculadas por meio da sua contestação. Há algumas situações excepcionais, mas isso é regra. Em regra, pensou em defesa pensou em contestação. Tanto as defesas processuais quanto as defesas materiais.

Art. 337.

3. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE:

Denominação:

Princípio da eventualidade ou princípio da concentração.

Sentido:

É uma definição inicial.

Norma jurídica da qual se extrai o ônus imposto ao réu de alegar todas as suas defesas cumulativamente na contestação.

Na contestação deve se concentrar todas defesas do réu.

exceções: certas defesas que podem ser apresentadas por outra via. Ex.:

suspeição do juiz. Mas não é objeto de análise agora.

Réu deve apresentar suas defesas em cumulação eventual.

Previsão legal:

Art. 336, CPC: “Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria

de

defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido

do

autor e especificando as provas que pretende produzir”.

Defesas incompatíveis:

Mesmo que incompatíveis as defesas devem todas elas ser veiculadas na contestação. Não haverá nova oportunidade para a apresentação das defesas.

O

que são as defesas incompatíveis? Defesas incompatíveis são aquelas que

não podem ser acolhidas simultaneamente, pois o acolhimento de uma impede

exame das demais. Obs.: noção de incompatibilidade é a mesma da incompatibilidade do pedido.

o

Exemplo: ação de cobrança em que o réu alega ilegitimidade ativa, invalidade

do

negócio jurídico material, prescrição e compensação. É incompatível, mas

é permitido.

Limites à alegação de defesas incompatíveis:

Eu posso alegar defesas compatíveis desde que ela não viole a boa-fé.

Do princípio da boa-fé decorrem o dever de lealdade processual, por isso, você pode ter defesas incompatíveis, desde que não tenha essa deslealdade.

Exemplo de defesas incompatíveis que violam a boa-fé: ação de cobrança que o réu em ação de contestação alega “1. não me deste dinheiro algum, 2. havia dito que era presente, 3. já o devolvi há um ano, 4. houve prescrição”. Revela uma contradição no plano dos fatos, levando uma contradição entre a contestação e a verdade.

Princípio da eventualidade e preclusão:

Sentido:

Preclusão é a perda da oportunidade de se praticar um ato no processo.

Correlação entre preclusão e princípio da eventualidade:

O

desrespeito ao princípio da eventualidade implica preclusão. A defesa que

não for alegada na contestação não poderá ser alegada posteriormente. Quando

réu deixa de apresentar o princípio da eventualidade, ele perde a oportunidade de apresentar essa defesa.

o

Espécies de preclusão:

Há três espécies de preclusão: temporal, lógica e consumativa.

Temporal: perda da oportunidade de praticar o ato, porque o ato não foi praticado dentro do prazo. Não apresentou tempestivamente à contestação.

Lógica: não vai falar hoje.

Consumativa: perda da oportunidade de se praticar um ato porque ele já foi praticado. O direito de praticar aquele ato já se consumou, já se exauriu. Esse direito não se renovou. Se eu apresentei a contestação eu devo apresentar todas essas defesas nessa contestação. É então uma “sanção” (consequência jurídica) imposta ao desrespeito ao princípio da eventualidade.

Amplitude do princípio da eventualidade:

Normalmente, é estudada dentro da contestação.

No entanto, ele tem uma incidência mais ampla, não se aplicando somente a contestação, mas a outras peças processuais e além disso, não se aplica só ao réu, mas pode também se aplicar ao autor.

De acordo com essa concepção mais ampla, não decorre apenas para o réu, mas para ambas as partes em determinadas etapas do procedimento oportunidades únicas para que elas deduzam de uma só vez todas as alegações que possuam. Ex.: alegações no recurso.

4. DEFESAS PROCESSUAIS:

Sentido:

Definição:

Defesa processual é aquela que o réu oferece contra o processo ou contra a ação, ou seja, contra a admissibilidade do exame do mérito.

Visa evitar o exame do mérito.

Desta definição, nós extraímos que o réu alega a inobservância de um pressuposto processual ou a ausência de uma condição da ação.

Observação: com o novo código, alguns doutrinadores entendem que não há mais condição da ação. Mas Gláucio entende que continua havendo utilidade dessa categoria jurídica.

Finalidade:

Evitar o exame de mérito do processo.

Quando o réu veicula uma defesa processual, ele visa impedir ou pelo menos adiar o exame do mérito.

Ele visa impedir quando ele alega um vício insanável e adiar quando ele alega um vício sanável.

Exemplos: ilegitimidade ativa (impedir - CPC, 485, IV); ilegitimidade passiva (dá a oportunidade de correção, adiar CPC, 338 e 339), ilegitimidade ad processum (visa a adiar CPC, 76; CPC, 485, IV).

Questão preliminar:

A apresentação de uma defesa processual faz surgir no processo uma questão preliminar.

O que é uma questão preliminar?

Ponto:

Ponto é um fundamento relevante para julgar.

É uma matéria que o juiz deve apreciar em sua decisão.

Questão:

Questão é um ponto controvertido.

A controvérsia surge quando uma parte rebate as alegações feitas pela outra a cerca de um determinado ponto

É importante a estar atento aos pontos de fato, porque se eu não rebatê-los, o juiz vai partir do ponto que aquele fato é verdade.

Questão prévia:

Aquela que tem precedência lógica diante de outra questão que, em relação a ela, é tida como principal.

Há uma confrontação dela com outra que eu considero principal.

As questões prévias devem ser analisadas antes da questão principal. Quando o juiz for decidir antes de analisar as questões de mérito (principais), ele deve analisar as questões prévias.

Existem dois tipos de questão prévia: a questão preliminar e a questão prejudicial.

Questão preliminar:

É a questão prévia de cuja decisão depende a admissibilidade da apreciação da questão principal.

Questão de fato e de direito:

Questão de fato: ponto controvertido de fato

Questão de direito: ponto controvertido de direito.

As defesas processuais, via de regra, estão ligadas a questões de direito.

Defesa peremptória e defesa dilatória:

Peremptória: liga-se ao verbo impedir. Ligada ao vício insanável: sentença terminativa.

Dilatória: liga-se ao verbo adiar. Ligada ao vício sanável.

Obs.: existem defesas peremptórias e dilatórias nas defesas substanciais.

Análise do art. 337, CPC:

“Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar”: trata-se de defesas processuais as quais podem dar ensejo a questões preliminares.