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QUESTÕES

1. (ENADE, 2006*) Ações voltadas para a promoção de saúde têm sido


fundamentadas em estratégias que enfatizam a transformação das condições de vida
e de trabalho subjacentes aos problemas de saúde. São consideradas essenciais,
portanto, ações e políticas intersetoriais que envolvam educação, habitação,
saneamento, transporte, lazer, etc. Nesse contexto de implementação de políticas
públicas de saúde, a psicologia vê-se diante de exigências como:

R.:

As exigências por serviços de saúde, principalmente no que tange à Psicologia,


especificamente, tem encontrado grande repercussão no meio social. Assim, temos
que é o setor produtivo um dos setores que mais demanda os serviços especializados
dos psicólogos para atender aos seus problemas específicos.

O SUS é acionado com frequência pata atender estas demandas. Por isso,
grandes indagações surgem no contexto da afirmação do papel do profissional de
psicologia dentro deste quadro amplo, levando a formular muitos questionamentos.

Do meu ponto de vista, o curso de psicologia nem sempre prepara o


profissional para. essas demandas, já que o próprio SUS, na lei n. 8080/90, que
regulamenta o Sistema Único de Saúde, ali, no artigo 3º, estabelece que a saúde tem
como fatores condicionantes e determinantes, entre muitos outros, as condições de
moradia, a alimentação, meio ambiente, saneamento básico, lazer, o trabalho e a
renda, educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.

O acesso a essas condições está assegurado pela Constituição de 1988,


embora nem sempre sejam respeitados e implantados pelas empresas públicas,
privadas ou organismos de administração pública.

Portanto, os cursos de psicologia devem voltar atenção para implantar


disciplinas voltadas com maior ênfase na aplicação destas medidas, preparando
profissionais que possam atender às exigências previstas em lei e as demandas das
coletividades.

Com especial atenção, devem estar no centro dos objetivos, as faixas de


população mais pobres, através dos chamados projeto de psicologia social ou
comunitária. Este pensamento tem respaldo em Bock (2001), para quem a Psicologia
´de um ramo de atividade ou ciência que sempre esteve a serviço das classes
dominantes e das elites do país. Esse autor entende que a formação dos psicólogos
ainda tem por um caráter de ação prescritiva e até mesmo domesticadora das
subjetividades.

Esta reformulação de alguns aspectos do curso de formação em Psicologia


deve ter em conta ainda que os saberes do profissional de psicologia deve estar a
serviço da promoção integral da saúde.
Quanto à esta possível reformulação curricular, para Trevisi et al ( 2004, p. 30)
cabe ainda “acrescentar que é sumamente necessário ao trabalho do psicólogo a
relativização dos seus saberes, a indagação (principalmente na clínica) quanto às
perigosas generalizações e prescrições que frequentemente encontramos, sobretudo
na psicologia do desenvolvimento.”

Ainda os mesmos autores, ao tratarem do papel da psicologia no processo de


cura do tecido social, assim se posicionam:
“Se pensar as políticas públicas nos coloca, indefectivelmente a tarefa
de repensarmos os coletivos e ações da saúde que formam a tessitura
do corpo social em que vivemos, que este exercício seja feito rápida e
eticamente, em busca de um trabalho sério e comprometido com o bem-
estar social, como os princípios do SUS trazem tão bem em sua
regulamentação.” (TREVISI et al, 2004, p. 31)

Por fim, para ALVES et al (2017)1,


“O problema da inadequação das práticas do psicólogo no campo de
saúde pública ainda é visível e precisa ser superado. Sem embargo,
para definir o campo da psicologia da saúde será necessário acessar
outros argumentos baseados nas práticas, experiências e
desenvolvimentos teóricos de investigadores de várias partes do
mundo, que vêm investindo desde décadas em estudos científicos
sobre a delimitação teórico-prática da psicologia da saúde.”

1
ALVES, Railda, SANTOS, Gabriella, FERREIRA, Patrick, COSTA, Angelica. In Psicologia, Saúde &
Doenças vol.18 no.2. Lisboa, ago. 2017
2. A situação epidemiológica nos países em desenvolvimento, como o Brasil, é
caracterizada pela “(...) persistência concomitante das doenças infecciosas e
carenciais e das doenças crônicas; (...) movimentos de ressurgimento de doenças que
se acreditavam superadas, as doenças reemergentes como a dengue e febre amarela;
(...) polarização epidemiológica, representada pela agudização das desigualdades
sociais em matéria de saúde; e o surgimento das novas doenças ou enfermidades
emergentes.” MENDES, 1999; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2003, citados por
MENDES, Eugênio Vilaça. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-
Americana da Saúde, 2011, p. 44.

R.:

Ao pesquisar-se as questões de epidemiologia no contexto da saúde púbica no


Brasil, temos como principal referência os trabalhos de Spink (Spink 1992; Spink,
2003; Spink, Menegon, Gamba & Lisboa, 2007), nos quais se vincula a ideia de
psicologia da saúde com os modelos da psicologia social e comunitária.

De fato, Spink (2003, apud ALVES et al, 2017) afirma que a “Psicologia da
saúde é mesmo considerada um novo campo de saber que se reestrutura a partir da
inserção de psicólogos na Rede de atenção à saúde pública e a abertura de novos
campos de atuação do psicólogo.”

Entre os anos 1990 e 2000, o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil


passava por um amplo processo de re-estruturação das ações prioritárias de saúde
em âmbito de políticas públicas e marcou a entrada dos psicólogos nos serviços de
APS. Esse momento, segundo Spink (2003), “desvelou a fragilidade da formação de
psicólogos em termos de seu preparo para atuar na saúde pública em nível de
atenção primária” pois entende que “a falta de preparo dos psicólogos para intervir em
saúde pública [...] mostra que a formação desse profissional, assim como sua prática
tradicional, foram fundados na psicologia clínica individual, com ênfase na clínica
privada e no modelo médico/psiquiátrico”.

Esta relação entre epidemiologia e psicologia, para ser compreendida, precisa


ser analisada a partir da própria definição de saúde. Paim e Almeida Filho (1998)
assinalam a necessidade de um novo marco teórico conceitual capaz que possa dar
conta de reconfigurar o campo social da saúde. Deveria ser atualizado por causa das
evidências de esgotamento da visão científica que sustenta suas práticas atuais.
Esses autores propõem, segundo SARRIERA et al (2003, p. 92)2

“um movimento ideológico que possa articular-se a novos


paradigmas científicos capazes de abordar o objeto complexo
saúde-doença-cuidado, respeitando sua historicidade e
integralidade. No âmbito das práticas em saúde, percebe-se que
estas contradições também marcam presença através da
dicotomia saúde versus doença. Um exemplo disso é a
recorrência na literatura da idéia de que a saúde é concebida
apenas como a ausência de ENFERMIDADE (PAIM & ALMEIDA
FILHO, 1998; SAFORCADA, 1992).”

Mas a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948 compartilhava


esta ideia de saúde vista como um conceito integral. Seria o resultado da interação
entre aspectos físicos, psicológicos e sociais, o que foi reafirmado pela OMS em 1987,
definindo saúde ideal como um estado normal de bem-estar físico, psicológico e
social.

No mesmo artigo de SARRIERA, encontramos que um de seus entrevistados


para aquele trabalho, destaca com clareza qual deve ser o verdadeiro papel da
psicologia no contexto desta nova visão de saúde, pois “os conceitos e as teorias da
psicologia, em diversas das suas áreas, podem ajudar a promover a saúde, a prevenir
problemas que possam envolver a saúde de forma geral e mesmo buscar auxílio a
cura.” (p. 92)

2
SARRIERA, Jorge Castellá, MOEIRA, Mariana Calesso, ROCHA, Kátia Bones, BONATO, Taís Nicoletti,
DUSO, Rafaela, PRIKLADNICKI, Sabrina. In Paradigmas em psicologia: compreensões acerca da saúde e
dos estudos epidemiológicos. Psicologia & Sociedade; 15 (2): 88-100; jul./dez.2003.
3. (ENADE 2012*) Os teóricos da personalidade divergem sobre as questões básicas
da natureza humana: livre arbítrio versus determinismo, natureza versus criação,
importância do passado versus presente, peculiaridade versus universalidade,
equilíbrio versus crescimento e otimismo versus pessimismo. SCHULTZ, D. P. &
SCHULTZ, S. E. Teorias da personalidade. São Paulo: Pioneira Thompson, 2002, p. 36.
Considerando as diferentes questões implícitas nas teorias da personalidade, avalie as
afirmações abaixo.

I. Diferenças culturais afetam o desenvolvimento da personalidade e, portanto, a


natureza humana.

II. As teorias da personalidade diferenciam-se porque partem de diferentes


concepções da natureza humana.

III. Personalidade, conceito que envolve as características pessoais, mais


permanentes e estáveis, pode variar de acordo com as circunstâncias de seu
desenvolvimento.

4. (ENADE, 2012*) Em O preço da perfeição, Ellen (Crystal Bernard), corredora de


longas distâncias, descobre uma ótima maneira de comer à vontade e não engordar
nada: vomitar. Ótima, obviamente, se não considerarmos sua saúde física e mental.
Quando seu treinador sugere que ela perca quatro quilos para melhorar seu
desempenho, ela intensifica a prática de provocar o vômito após as refeições, o que já
fazia desde a infância. LANDEIRA-FERNANDEZ, J.; CHENIAUX, E. Cinema e loucura:
conhecendo os transtornos mentais através dos filmes. Porto Alegre: Artmed, 2010.

A respeito do quadro descrito acima, avalie as afirmações a seguir.

II. É considerado um transtorno, e não uma doença, pois sua etiopatogenia ainda é
desconhecida.

III. Após um episódio de hiperfagia, seria esperado que Ellen fosse acometida por
sentimentos de vergonha e culpa.

IV. Para o DSM-5, a manutenção do peso normal representa um dos aspectos básicos
da diferenciação entre os diagnósticos de anorexia nervosa e bulimia nervosa.

É correto apenas o que se afirma em


a) I e II

b) I e IV

c) II e III

d) I, III e IV

e) II, III e IV

5. As teorias em Psicologia se constituíram por diversas raízes filosóficas e


epistemológicas, que deram origem a sistemas complexos de conceitos, histórica e
culturalmente determinados. Tais sistemas conceituais, por sua vez, possibilitaram a
emergência de abordagens, escolas, teorias e práticas diferenciadas de psicologia e
que por sua vez, desenvolveram paralelamente a estes conceitos, suas técnicas de
intervenções psicoterapêuticas.

I. Considerando a diversidade das escolas psicológicas e o seu arcabouço de técnicas


de intervenção, avalie as afirmações abaixo:

II. O comportamento do futuro terapeuta, pode ser facilmente treinado, quer seja por
role-playing ou por modelagem, que juntamente com a fiel observância de todas as
regras ensinadas pelos seus professores, garantirá que não haverá sobre ele, impacto
das questões trazidas pelos seus clientes.

III. Segundo os pressupostos teóricos da Terapia Cognitiva Comportamental, negação,


leitura mental e preenchimento, são exemplos de distorções cognitivas.

IV. “Em Gestalt, o sintoma corporal é deliberadamente utilizado como ‘porta de


entrada’ que permite um contato direto com o cliente, respeitando a via que ele mesmo
‘escolheu’, embora, com frequência, involuntariamente.

V. A lei da parcimônia é uma das mais importantes ferramentas existentes para ajudar
os pacientes a determinar a validade de suas crenças. A lei diz basicamente, que a
explicação mais simples é sempre a melhor.

VI. A projeção da sombra, refere-se a alienação do sujeito em relação aos próprios


conteúdos psíquicos negativos, considerados penosos e incompatíveis, e incorporação
dos mesmos no “outro”.

VII. Os aspectos específicos e definidores da terapia breve são um conjunto de fatores


técnicos que incluem a limitação de objetivos, a manutenção do foco e o uso
terapêutico do tempo, por isto mesmo, a intervenção não deve ser superior a 12
sessões.

É incorreto apenas o que se afirma em:

a) III, IV e V
b) II, IV e VI

c) I, II e VI

d) III, IV e VI

e) I, III e VI

6. Uma senhora de 35 anos procurou atendimento no Serviço Escola de Psicologia


para seu filho mais velho, um menino de 11 anos de idade. A mãe relatou que está
separada atualmente do marido inclusive por causa do filho. O ex-marido discordava
dela na educação do garoto, especialmente por esse demonstrar interesse por
brinquedos femininos e relatar que gostaria de ser uma menina, e que quer mudar de
sexo. Ela aceita que essa seja uma escolha do filho, mas o pai não. O menino na
primeira entrevista relatou que entende que os pais brigavam muito por sua causa. Ele
é bastante calmo e gosta de desenhar, assistir vídeos do youtube, de unicórnios e de
“desenhos fofos”, com ursinhos e unicórnios. A mãe tem a guarda do filho e ele
quinzenalmente passa o final de semana com o pai. Esse tem uma namorada e o filho
não gosta dela, não aceita que digam que é sua madrasta. Em relação aos amigos e
colegas relata dar-se bem com todos, tendo duas melhores amigas das quais sempre
conversa e anda no recreio, mas no geral é amigo de todos na sala. Disse que é muito
preocupado com a escola e mesmo cumprindo com os deveres escolares, tem medo
de reprovar e de tirar notas abaixo da média. A orientadora da escola e a professora
relataram que o rendimento do menino nas tarefas escolares é muito bom. A partir de
escala de autoconceito infanto-juvenil (EAC-IJ) aplicada com o menino, observou-se
que o mesmo apresenta preocupações e medos no autoconceito pessoal e avalia-se
como muito inteligente, mas bobo, esquisito e com tendências a isolar-se quando
fracassa em alguma coisa, no autoconceito social. Nesses dois conceitos ele obteve
um score abaixo da média. A partir de avaliação realizada com dois testes projetivos, o
HTP e o TAT, compreende-se que o garoto possui identificação com figura feminina.
Entretanto, vivencia conflitos quanto a essa questão e dissociações do curso do
pensamento.

A partir das informações apresentadas, faça o que se pede nos itens a seguir:

a) Que hipóteses diagnósticas podem ser levantadas?

b) Descreva uma intervenção psicoterapêutica a ser adotada para esse caso,


fundamentando-a em uma abordagem Psicológica.

c) Cite dois cuidados éticos na condução do caso.


*Provas do ENADE 2006 e 2012 disponíveis em http://portal.inep.gov.br/provas-e-
gabaritos3 Acesso em: 14 de maio de 2018.