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UNIMINAS – UNIÃO EDUCACIONAL MINAS GERAIS - UBERLÂNDIA MG

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA BIOENERGÉTICA COM ÊNFASE


EM BIOCOMBUSTÍVEIS

SÉRGIO VALADÃO MARQUES

PROCESSO DE OBTENÇÃO DO BIOGÁS


UTILIZAÇÃO DE GLICERINA EM BIODIGESTORES RURAIS

UBERLÂNDIA
JANEIRO DE 2010
SÉRGIO VALADÃO MARQUES

PROCESSO DE OBTENÇÃO DO BIOGÁS


UTILIZAÇÃO DE GLICERINA EM BIODIGESTORES RURAIS

Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do


título de Especialista em Engenharia
Bioenergética com Ênfase em Biocombustíveis,
junto a UNIMINAS - UNIÃO EDUCACIONAL
MINAS GERAIS - UBERLÂNDIA MG
Orientador: Professor Dr. José Roberto Delalibera
Finzer

UBERLÂNDIA
JANEIRO DE 2010

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SÉRGIO VALADÃO MARQUES

PROCESSO DE OBTENÇÃO DO BIOGÁS


UTILIZAÇÃO DE GLICERINA EM BIODIGESTORES RURAIS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de Especialista em


Engenharia Bioenergética com Ênfase em Biocombustíveis

UBERLÂNDIA
JANEIRO DE 2010

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AGRADECIMENTOS

Expresso sinceros agradecimentos às pessoas e entidades que gentilmente me


disponibilizaram materiais e tempo para me atenderem no que necessitava para o
desenvolvimento deste trabalho.

Meus agradecimentos a:

Minha Esposa e Filhos,

O meu orientador Dr. José Roberto Delalibera Finzer pela sua sabedoria e paciência.

A Professora Jane de Fátima Silva Rodrigues,

Sr. Abdias Eduardo Pontes diretor da empresa Abdiesel Ltda,

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RESUMO

O Brasil utiliza fontes renováveis de energia e a energia hidroelétrica é a responsável por mais
de 80% da eletricidade consumida no país, seguida pelo etanol, biodiesel e biomassa. Na
região do Triangulo Mineiro e alto Paranaíba em Minas Gerais a produção gerada pelas
agroindústrias, principalmente os dejetos das granjas de suínos, estão sendo utilizados para a
geração de energia elétrica, através do biogás fornecido pelos biodigestores rurais, ajudando a
evitar problemas ambientais e reduzindo os custos de produção. Este trabalho tem por objetivo
apresentar resultados experimentais (estudo de caso) em que a adição de 5% de glicerina em
um biodigestor rural, aumenta a produção de biogás em cinco vezes. O excesso de glicerol,
subproduto do biodiesel no mercado brasileiro, em conseqüência da lei que obriga a Petrobrás
a adicionar 5% “B5” de biodiesel no diesel fóssil, justifica este trabalho. Planeja-se que o
biodigestor rural seja alimentado à base de estrume de suíno, operando-se a uma temperatura
interna de 37°C e com sistema de agitação, e será adicionado 5% desta glicerina ao substrato
para comprovar o desempenho do biodigestor e verificar se a capacidade útil será otimizada.
Palavras-chave: Biogás, Glicerina, Biodigestores.

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SUMÁRIO

Introdução 7

Poluição Atmosférica 8

Energias Renováveis 9

Biomassa 12

Biodiesel 15

Glicerina – sub-produto do biodiesel 20

Biogás 22

Capacidade de produção de biogás 24

Materiais e métodos 24

Conclusão 27

Referências 27

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INTRODUÇÃO

Independente da escala, um dos maiores problemas das usinas e de ambientalistas é a


glicerina, que representa 10% de tudo que for produzido de biodiesel. Alvo de inúmeras
pesquisas, esse foi o destaque de edição do periódico: Biodiesel de fevereiro/março de 2008,
que mostra como esse co-produto pode em breve sair de um passivo ambiental para se tornar
uma fonte extra de renda para a indústria (VEDANA, 2008).

Com a entrada do B2 no Brasil (adição de 2% de biodiesel ao diesel fóssil) cerca de 76 mil


toneladas de glicerina eram geradas a partir da produção de biodiesel. Para muitos fabricantes,
isso consiste em um problema no caráter ambientalmente correto de seus negócios. Mas, para
os pesquisadores, é o momento de encarar a glicerina como uma bela oportunidade e para a
indústria buscar lucros extras. As indicações a seguir são provenientes de artigo da edição
número 3 Biodiesel (COSTA, 2008), para situar, na atualidade, a disponibilidade, usos e
possibilidades para a glicerina no Brasil.

Para entender a dimensão do problema basta fazer uma conta simples. A produção do Brasil
em 2008 cerca de 760 milhões de litros de biodiesel (“ver Tabela 1 ANP, o valor indicado por
Costa (2008), está subestimado, provavelmente não se tinha estatística de produção anual ao
divulgar o artigo”) por gerar por volta de 10% desse total em glicerina, tem-se que destinar
76 mil toneladas de glicerol a aplicações especificas. Com a implantação do B4 em 2009 essa
quantidade de glicerol vai ultrapassar 150 mil toneladas. Não se pode perder de vista que no
mundo existe excedente de 700 mil toneladas de glicerol por ano.

Grande parte da glicerina, tanto do Brasil quanto no exterior, é vendida para indústrias que a
utilizam como matéria-prima para fabricar solventes, adoçantes, conservantes alimentícios,
anestésicos e plastificantes de cápsulas no setor farmacêutico, não sendo possível absorver
todo o excedente. Já em 2006, a perspectiva de excesso de oferta fez com que o preço da
tonelada de glicerol caísse 65%. Como conseqüência, indústrias produtoras de glicerina, como
é o caso da Fontana S!A, resolveram mudar os rumos do próprio negócio. Na sede da
empresa, na cidade de Encantado (RS), eram fabricadas seis mil toneladas do produto por ano.

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O material é usado na fabricação de sabonetes da marca Turma da Mônica, além de artigos de
limpeza como saponáceos, lava-louças, sabão e amaciantes. Com a oscilação dos preços, a
decisão foi diminuir a fabricação própria a partir da nafta e do sebo animal para comprar e
destilar a glicerina das usinas de biodiesel — que é muito mais barata. Atualmente, a Fontana
usa a glicerina de biodiesel como parte de sua matéria-prima.

Mas nem todos os compradores de glicerina aceitam bem esse co-produto do biodiesel. A
Razzo Ltda. empresa, instalada em São Paulo (SP), vende sebo, sabão e glicerina. Muitos
clientes do setor alimentício e farmacêutico não aceitam o produto obtido nas usinas de
biodiesel. A crítica é de que essa glicerina seria de baixa qualidade, já que carrega uma
mistura de sais, etanol e outras substâncias. “Sem tratamento adequado, ela não pode ser
utilizada”.Alguns clientes pedem até certificados que atestem que não usam esse tipo de
glicerol“. A unidade Biobrotas Oleoquímica Ltda –Brotas(SP) foi construída para purificar
glicerina e atender ao nicho do mercado que exige produto purificado.

A usina Granol, até março de 2007 transformou o glicerol em fonte de energia por meio da
queima em caldeiras. Em 2008, o excedente da produção estava sendo comercializado para
uma indústria farmacêutica. A empresa produzia em 2008, 900 t/ano na unidade de Anápolis-
GO, e com a inclusão da produção de Cachoeira do Sul a glicerina está destinando o co-
produto à exportação, após realizar um processo inicial de purificação.

Entre possibilidades de uso uma delas é produzir propileno glicol (usando glicerina), para
substituir o etileno glicol, um anticongelante usado, entre outras aplicações possíveis, para
lavar aeronaves.

Pesquisa do Grupo Bioenergia e Meio Ambiente da UESC, levou a produção de biogás à


partir da degradação da glicerina. Nessa linha de aplicação que se insere a monografia atual.

O objetivo desta monografia é avaliar em um biodigestor rural qualitativa e quantitativamente


a utilização de glicerina residual como co-substrato no processo da biodigestão, junto com
estrume de suíno, e verificar o seu potencial para produção de biogás. Será usado um estudo
de caso divulgado na literatura para dar embasamento ao uso futuro do biodigestor rural.

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POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

O equilíbrio dos sistemas climáticos gradativamente tem sido comprometido e ocasionado


pelo agravamento do efeito estufa, conseqüência do aumento da concentração de certos gases
na atmosfera terrestre, como o gás carbônico (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

A principal fonte desses gases é a queima de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural
e carvão mineral, utilizados para geração de energia de forma acentuada nas últimas décadas.
As atividades agrícolas, o desmatamento, as queimadas e a fermentação dos dejetos de
rebanhos bovinos, suínos e outros, também são fontes importantes de geração destes gases.

Em sistemas com reatores para estabilização da matéria orgânica ocorre geração de metano o
qual pode ser queimado para geração de energia elétrica. O excesso ou fugas do gás pode ser
oxidado, como mostrado no queimador na Figura 1. No caso, a fazenda (Granja Becher- Patos
de Minas- MG) onde está inserido o biodigestor, gera 5000 m³ de gás e a fazenda só consome
1000 m³, sendo o excesso queimado.

Figura 1. Queimador de gás metano não consumido na granja.

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Desde 1º de janeiro de 2010, o óleo diesel comercializado em todo o Brasil contém 5% de
biodiesel. Esta regra foi estabelecida pela Resolução nº 6/2009 do Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE), publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 26 de outubro
de 2009, que aumentou de 4% para 5% o percentual obrigatório de mistura de biodiesel ao
óleo diesel. A contínua elevação do percentual de adição de biodiesel ao diesel demonstra o
sucesso do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel e da experiência acumulada
pelo Brasil na produção e no uso em larga escala de biocombustíveis. (ANP, 2010).

O benefício para a sociedade, resultante da ampliação do uso do biodiesel, é o efeito positivo


sobre o meio ambiente, acarretando a diminuição das principais emissões veiculares em
comparação ao diesel derivado do petróleo, devido a esse último ser proveniente de
combustíveis fósseis.

Na Tabela 1 indica-se a produção acumulada de biodiesel (m3) desde 2005 no Brasil, (B100,
que significa 100% de biodiesel ou seja não contém mistura). Apenas em 2009, a produção de
biodiesel (B100) aumentou em 71% no intervalo de janeiro à agosto. Esses dados são
importantes para quantificar o aumento da produção de glicerina (subproduto) na produção de
biodiesel.

A Figura 2 mostra o conjunto da produção brasileira de biodiesel de 2005 a 2009 (ANP,


2009). Pode-se observar a ampliação de produção depois de 2005.

ENERGIAS RENOVÁVEIS

O Brasil apresenta situação privilegiada em termos de utilização de fontes renováveis de


energia, sendo que 43,6% da Oferta Interna de Energia (OIE) é renovável.
Com relação à biomassa, estima-se a existência de 2 trilhões de toneladas de biomassa no
globo terrestre.
A biomassa pode ser utilizada diretamente em fornos ou caldeiras, porém sua utilização em
sistemas de cogeração de eletricidade vem sendo bastante difundida.

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Tabela 1. Produção de biodiesel B100 (m3) no Brasil de 2005 a 2009 (ANP,. 2009).

VARIAÇÃO DO
ANO ACUMULADO
NO ANO 2009 / 2008
Dados 2005 2006 2007 2008 2009 (%)

Janeiro - 1.075 17.109 76.784 90.209 17,5

Fevereiro - 1.043 16.933 77.085 80.326 10,8

Março 8 1.725 22.637 63.680 134.783 40,3

Abril 13 1.786 18.773 64.350 105.410 45,7

Maio 26 2.578 26.005 75.999 103.646 43,7

Junho 23 6.490 27.158 102.767 141.605 42,4

Julho 7 3.331 26.718 107.786 154.646 42,6

Agosto 57 5.102 43.959 109.534 154.626 42,4

Setembro 2 6.735 46.013 132.258

Outubro 34 8.581 53.609 126.817

Novembro 281 16.025 56.401 118.014

Dezembro 285 14.531 49.016 112.053

Total do Ano 736 69.002 404.329 1.167.128 965.252

2005 2006 2007 2008 2009

180.000
160.000
140.000
120.000
100.000
3
m

80.000
60.000
40.000
20.000
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Figura 2.
Produção de biodiesel no Brasil de 2005 a 2009 (ANP, 2009)

11
De acordo com o Balanço Energético Nacional (edição 2003), a participação da biomassa na
matriz energética brasileira é de 27%, incluindo a utilização de lenha e carvão vegetal
(11,9%), bagaço de cana-de-açúcar (12,6%) e outros (2,5%).

“O potencial autorizado para empreendimentos de geração de energia elétrica, de acordo com


a ANEEL, é de 1.376,5 MW, quando se consideram apenas centrais geradoras que utilizam
bagaço de cana-de-açúcar (1.198,2 MW).”
Fontes: ANEEL e MME.
http://www.mme.gov.br/programas/proinfa/menu/programa/tecnologias_contempladas.html

BIOMASSA

De maneira geral pode-se descrever a biomassa como a massa total de matéria orgânica que se
acumula em um espaço vital.

Desta forma as biomassas são todas as plantas e todos os animais, inclusive seus resíduos; as
matérias orgânicas transformadas, provenientes de indústrias alimentícias e das indústrias
transformadoras de madeira (Souza et al., 2004).

Os principais causadores de problemas ambientais no agronegócio, os dejetos gerados da


criação de animais, têm sido aproveitados para a geração de gás combustível e fertilizante,
onde esta matéria orgânica é utilizada como substrato para bactérias formadoras de gás
metano, responsáveis pela produção de biogás. A Figura 2 mostra um biodigestor (Patos de
Minas MG) usado para estabilizar matéria orgânica, Confeccionado com manta de PVC, com
dimensões variadas em função da capacidade projetada. A Figura 3 mostra informações do
fabricante.
Segundo Florentino (2003), os biodigestores tem sido grande destaque tendo em vista a crise
de energia e a consequente busca por fontes alternativas. Os biodigestores são importantes no
intenso processo de modernização da agropecuária, que demanda energia e gera resíduos
animais e de culturas que podem ocasionar problemas de ordem sanitária.

12
(A Figura 4 mostra detalhes de Estação de Tratamento de Esgotos, na empresa Granja Becher
em Patos de Minas - MG), na descarga de substrato digerido do biodigestor lançado no ETE
para posterior aproveitamento como fertilizante.

Biodigestor Sansuy – vista de vinibiodigestor (Sansuy, Patos de Minas - MG).

13
Figura 3. Fabricante do biodigestor (www.sansuy.com.br)

Figura 4. Estação de tratamento de esgoto (Granja Becker, Patos de Minas MG).

14
BIODIESEL

Para a produção de biodiesel, o triglicerideo (óleo) pode ser extraído de vários tipos de
oleaginosas e ao ser misturado com álcool (etanol ou metanol) em processo catalítico ocorre
reação química entre o óleo e o álcool, obtendo-se ésteres (biodiesel) e gerando glicerina
como subproduto da reação. Na sequência o óleo é separado da glicerina e filtrado (KNOTHE
et al, 2007) .

“A produção e o uso do biodiesel no Brasil propiciam o desenvolvimento de uma fonte


energética sustentável sob os aspectos ambiental, econômico e social e também trazem a
perspectiva da redução das importações de óleo diesel. Em 2008, o uso do biodiesel evitou a
importação de 1,1 bilhões de litros de diesel de petróleo resultando numa economia de cerca
de US$ 976 milhões, gerando divisas para o País”.

“A mistura entre o biodiesel e o diesel mineral é conhecida pela letra B, seguido do número
que corresponde a quantidade de biodiesel na mistura. Por exemplo, se uma mistura tem 5%
de biodiesel, é chamada B5, se tem 20% de biodiesel, é B20. Hoje nos postos em todo o
Brasil é comercializado o biodiesel B4”.

Fonte: http://www.anp.gov.br/biocombustiveis/biodiesel.asp

A espécie vegetal utilizada neste estudo para a produção do biodiesel e obtenção da glicerina
é a soja.

Definição:

Biodiesel, trata de um combustível natural usado em motores diesel, produzido através de


fontes renováveis, que atende as especificações da ANP.

Biodiesel não contém petróleo, mas pode ser adicionado a ele formando uma mistura. Pode
ser usada em um motor de ignição a compressão (diesel) sem necessidade de modificação. O
Biodiesel é simples de ser usado, biodegradável, não tóxico e essencialmente livre de
compostos sulfurados e aromáticos.

15
O Biodiesel, produzido, relatado neste trabalho é fabricado através de um processo químico
no qual ocorre uma reação denominada por transesterificação onde a glicerina é obtida como
subproduto. O processo gera dois materiais: ésteres e glicerina.

O biodiesel de qualidade deve ser produzido seguindo especificações da ANP. (Agencia


Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis) e pode ser usado puro ou em mistura
com o óleo diesel em qualquer proporção.

Por ser biodegradável, nao-tóxico e praticamente livre de enxofre e aromáticos, é considerado


um combustível ecológico.

O biodiesel se trata de uma energia limpa, não poluente, e o seu uso num motor diesel
convencional resulta, quando comparado com a queima do diesel mineral, numa redução
substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados.

A Figura 5 mostra uma extrusora utilizada para extração de óleo de sementes de soja
(Abdiesel Ltda: Araguari-MG).

Figura 5. Extrusora de grãos para obtenção de óleo para ser utilizado como matéria prima na
obtenção do biodiesel (Abdiesel Ltda: Araguari-MG).

16
Resumo da fabricação de biodiesel e o subproduto glicerina na planta de estudo.

A tecnologia utilizada na planta de biodiesel é a da catálise básica homogênea. O biodiesel é


obtido a partir da reação dos óleos vegetais com etanol (álcool) anidro, ocorrendo duas
reações (Abdiesel Ltda: Araguari-MG).

As etapas do processo ocorrem da seguinte forma (ver na Figura 6, parte dos equipamentos do
processo).

Etapa 1

 A matéria-prima óleo vegetal é extrusado, prensado, o óleo é decantado,


filtrado e armazenado em tanque de 15.000 litros.

 A reação de transesterificação inicia-se com a mistura de álcool anidro e


catalisador (NaOH) em um tanque construído em aço inox com agitação.
Permanecendo neste tanque até a completa mistura por cerca de 40 minutos.

 Paralelamente, em outro tanque é adicionado o óleo vegetal em quantidade


selecionada para a realização da batelada.

 Concluído o processo de mistura de álcool anidro e catalisador (soda caustica:


NaOH), o conteúdo dos dois tanques é transferido para o reator.

• Etapa 2:

 No reator construído em aço inox, com aquecimento automático e agitação


ocorre a reação de transesterificação. O produto permanece no reator por um
período que varia entre 30 e 60 minutos, dependendo do tipo de óleo utilizado.
Depois de finalizada a reação transesterificação o produto é bombeado para o
tanque de destilação. O tanque de destilação possui sistema de aquecimento
automático. No tanque de destilação recupera-se o excesso de álcool utilizado
no processo. O álcool recuperado consiste em álcool hidratado.

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• Etapa 3:

 Efetuada a recuperação do álcool, o produto é transferido para dois tanques


idênticos, onde é efetuada a decantação da glicerina e separação do biodiesel.

 Separado o biodiesel, este é transferido para o segundo reator, onde é efetuada


a segunda etapa de reação idêntica a anterior. Depois de concluída a segunda
etapa de reação os procedimentos são os mesmos descritos anteriormente e
efetua-se nova destilação.

• Etapa 4:

A separação da glicerina da segunda etapa é efetuada pelo mesmo


procedimento da primeira. Realizada a reação de transesterificação, o biodiesel
é bombeado para os tanques de lavagem, onde recebe água quente acidificada
distribuída sob pressão em micro partículas em sua superfície, seguindo-se uma
decantação onde se separa parte da fase aquosa.

 A água de lavagem é preparada em um tanque em aço inox dimensionado de


acordo com a especificação, dotado de aquecimento automático e agitação.

• Etapa 5:

 Finalizada a etapa de lavagem o biodiesel é transferido para os tanques de


secagem, construídos em aço carbono com aquecimento automático sendo
retirada por evaporação toda água que tenha permanecido no biodisel. A
produção de biodiesel está completa, sendo bombeado para o armazenamento
do produto acabado.

• Etapa 6:

 A glicerina retirada no processo será bombeada para os equipamentos de


concentração de glicerina para se obter no mínimo 80% de pureza.

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 Cerca de 10% da glicerina produzida poderá ser fonte de calor para o
aquecimento do óleo térmico do aquecimento no processo e utilizado como
substrato em biodigestor rural.

• Etapa 7:

 O sistema de fornecimento de calor é feito através do óleo térmico.

 A água saponificada é formada por sucessivas lavagens do biodiesel com água


a temperatura de 80° C para a retirada do sabão e depois é bombeada para um
tanque de decantação/estocagem construído de acordo com as normas ABNT e
Ambientais, a onde a mesma é repassada para terceiros para a fabricação de
detergentes.

 As bombas usadas para transporte do fluidos são blindadas de acordo com as


normas de segurança.

 Esta rota é feita em duas etapas de circuito fechado.

 A captação de 500 litros dia de água, é feita na fornecedora de água local no


distrito industrial.

19
Figura 6. Tanques do processo obtenção de biodiesel por transesterificação (Abdiesel
Ltda: Araguari-MG). Da esquerda para a direita: Reator em aço inox com aquecimento
para a mistura de álcool anidro com agitador mecânico, Destilador em aço inox com
aquecimento para a retirada do álcool hidratado, Reservatório de álcool hidratado,
Secadores em aço inox com aquecimento.

Glicerina - subproduto do biodiesel

O Glicerol é produzido por via química ou fermentativa, possui uma centena de aplicações,
principalmente na indústria química. Os processos de produção é de baixa complexidade
tecnológica. A Figura 7 mostra a etapa de separação de glicerina do biodiesel. A Figura 8
mostra parte de laboratório para análise de biodisel com prateleira para disposição de amostras
e produtos.

20
Figura 7. Separação do biodisel, fase superior, da glicerina, fase inferior (Abdiesel Ltda: Araguari-
MG).

Figura 8. Amostras de vários tipos de biodiesel, glicerinas, óleos, sementes de algodão e


pinhão manso, farelo de soja, detergente fabricado com utilização da glicerina (Abdiesel Ltda:
Araguari-MG).

21
Processo de obtenção da glicerina

A Figura 9 mostra, esquematicamente, o as etapas na obtenção do biodiesel. sendo o


subproduto separado do produto principal a ao qual se deve dar destino correto e com
lucratividade, sendo o biogás uma opção.

Figura 9. Etapas na obtenção do biodiesel.

Biogás

É um gás natural resultante da fermentação anaeróbica de dejetos animal, de resíduos vegetais,

lixo industrial ou residencial, gerado em condições especificas.

O biogás é composto por uma mistura de gases que tem sua concentração determinada pelas

características do resíduo e as condições de operação do digestor. É constituído

principalmente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), geralmente apresenta em torno

de 65% de metano, o restante é composto na maior parte por dióxido de carbono e outros

gases como nitrogênio, hidrogênio, monóxido de carbono.

22
A utilização do biogás como recurso energético se deve principalmente ao metano (CH4).

O biogás proporciona uma redução de recursos econômicos em muitos processamentos.

O uso do biogás por gerar renda e economia, desperta um crescente interesse por aplicação da
tecnologia no tratamento de rejeitos (Santos 2000). A Figura 10 mostra um display onde se
quantifica a quantidade de biogás produzido (Granja Becher, Patos de Minas - MG).
A Figura 11 mostra a instalação de controle e quantificação da produção de biogás com
o gerador de energia elétrica.

Figura 10. Quantificação de biogás produzido em biodigestor (Granja Becher-


Patos de Minas MG) .

23
Figura 11 Sistema para controlar e quantificar a vazão do biogás

Figura 11. Grupo gerador de energia elétrica utilizando como combustível o biogás
(Granja Becher- Patos de Minas MG) .

Capacidade de produção de biogás

Desde que as condições sejam adequadas ao desenvolvimento das bactérias anaeróbicas a


digestão se realizará a partir dos dejetos dos suínos e com a fermentação provocada pelas
bactérias obtêm-se o biogás.
Para cumprimento do objetivo do trabalho será descrito o desempenho de biodigestor rural
qualitativa e quantitativamente na utilização de glicerina residual como co-substrato no
processo da biodigestão, junto com estrume de suíno, e verificar o seu potencial para produção
de biogás.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para comparar e avaliar o uso da glicerina residual na produção de biogás foi analisado os
resultados do estudo da geração do biogás em fase laboratorial de dois biodigestores, para
depois se aplicar em biodigestor rural, com bactérias anaeróbicas. Um biodigestor foi
denominado “controle” para efetuar as comparações. Esses biodigestores de laboratório são
construídos em material plástico transparente, mas podem ser construídos com lonas especiais

24
da marca SANSUY, não transparente com o processo operando em temperatura ambiente
interna de 37°C e em sistema de agitação semi-continua. A Figura 12 mostra o biodigestor em
escala de laboratório.

Diariamente, os biodigestores foram agitados levemente de forma manual e mecânica para


que, assim, se evite a formação de camadas flutuantes.
Nesta figura os autores mostraram como feito a experiência colocando um inoculo obtido de
um biodigestor rural à base de estrume de gado. Esse estrume foi analisado quanto ao teor de
matéria seca (MS) em estufa a 105°C até massa constante. A glicerina residual foi obtida da
produção de biodiesel de mamona da planta piloto da UESC. (Universidade Estadual de Santa
Catarina). Os autores utilizam concentrações de matérias voláteis obtidos na literatura.
Contudo fica estranho a matéria volátil elevada na glicerina, o que não é compatível com a sua
pureza obtida na produção de biodiesel.

Figura 12. Biodigestor em escala de laboratório (ROBRA et al, 2007)

O biodigestor (controle) recebeu estrume de gado sem adição de glicerina (Tabela 2).

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Após, aproximadamente, três semanas de incorporação da carga nos biodigestores, fez-se a
comparação da produção do biogás nos dois regimes de alimentação o que aumentou a
produção do biogás em cinco vezes.

A Figura 14 mostra a produção de biogás, em mL/h, em biodigestores experimentais com e


sem adição de glicerina ao substrato. O biodigestor controle produziu em média 50,4 mL.h de
biogás. A adição de 5 % de glicerina residual produziu em média 233,9 mL/h de biogás.

Figura 14. Produção de biogás em sistemas alimentados com 5% de glicerina () e do


controle (X).

26
Discussão quanto ao biodigestor rural

A quantidade do biogás produzida será medida diariamente por válvula controladora de vazão

O teor de metano será quantificado duas vezes por semana por cromatografia gasosa.

A estabilidade do processo será monitorada com base no pH e na concentração de ácidos


graxos.

Conclusão

Os resultados indicam que a glicerina residual pode ser usada como suplemento na produção
de biogás, quando adicionada na biodigestão de resíduos orgânicos ricos em nitrogênio, como,
o pesquisado no estudo de caso, o estrume de gado. Pretende-se usar dejetos de suínos e
comparar os resultados com os do estudo de caso.

Resultados deverão ser obtidos para responder questões como:


A adição de 5 % de glicerina residual melhorará o desempenho do biodigestor rural como
melhorou o laboratorial?

A adição de 5% de glicerina aumentará em mais de cinco vezes a produção de biogás?


O desempenho do biodigestor rural será semelhante ao do laboratorial?

Referências Bibliográficas

[1] COSTA, R. A bela ou a fera. Biodiesel. vol.1, n.3. fev/mar 2008: 16-20.

[2] FLORENTINO, H. O., Mathematical tool to size rural digesters. Cienc. Agricola, vol.60,
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[3] KNOTHE, G., GERPEN, J. V., KRAHL, J. Manual de biodiesel. São Paulo: Edgar
Blücher. 2007.

[3] ROBRA, Sabine* (PG); SANTOS, João Victor da Silva (IC); OLIVEIRA,
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proveniente da produção de biodiesel: Parte 2 - Geração de biogás. Anais do I Congresso da
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[4] SANTOS, P. Guia Técnico de Biogás. CCE – Centro para a Conservação de Energia,
Portugal, 2000.

[5] SOUZA, S. N. M., PEREIRA, W. C., NOGUEIRA, C. E. C., PAVAN, A. A., SORDI, A.
Custo da eletricidade gerada em conjunto motor gerador utilizando biogás da suinocultura.
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[6] VEDANA, J. C. S. Editorial Biodiesel. Biodiesel. 1 (3) 2008.

[7] http://www.anp.gov.br/biocombustiveis/biodiesel.asp. Consulta em 28 Janeiro 2010.

[8] ttp://www.mme.gov.br/programas/proinfa/menu/programa/tecnologias_contempladas.html

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