Você está na página 1de 7

INICIAL

 PROPUESTA

 EQUIPO

 CATEGORÍAS
o
o
o
o
o
o

 PARA PUBLICAR

 EDICIONES ANTERIORES

 CONTACTO

número 12 , testing

Poema concreto Ladrillo a Ladrillo: una lectura


de Huelga, de Augusto de Campos

Federico Spada Silva


Datos de la edición:

En el caso de las mujeres. 12, 2010. ISSNe: 1806-2555.

¿Cómo citar este texto?

Y en el caso de las mujeres. Poema concreto Ladrillo a Ladrillo: una lectura de Huelga, de Augusto de
Campos. Mafua , Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 12, 2010.

Sobre los autores (es):

Universidad Federal de Juiz de Fora


Juiz de Fora, Minas Gerais
fredspada@gmail.com

RESUMEN: En este artículo se presenta una lectura crítica del poema "Strike" de Augusto
de Campos, analizando el carácter "verbivocovisual" de su construcción.

PALABRAS CLAVE:Augusto de Campos.Poesía concreta.Poesía brasileña.

RESUMEN: El presente artículo ofrece una lectura crítica del poema "Strike" de Augusto
de Campos, el análisis de las características "verbivocovisual" de su construcción.

PALABRAS CLAVE:Augusto de Campos.Concrete poetry.Brasil poetry.


"Huelga", de Augusto de Campos (1962).

Das reuniões de desempregados e de operários franceses insatisfeitos com as condições de


trabalho em torno da Place de Grève, em Paris, nasceu em português o termo que, no poema
acima, ecoa ininterruptamente como o grito de protesto de uma massa operária que só
tardiamente veria a unificação de uma legislação trabalhista no Brasil, com a criação, em
1943, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), na ditadura do presidente Getúlio Vargas
(1930-45), e que, uma vez mais, teria cerceados muitos de seus direitos no período pouco
posterior ao da escrita do referido poema, entre 1964 e 1985 (ditadura militar).

Escrito em 1962 e publicado no mesmo ano no segundo número da revista Invenção, durante
o governo de João Goulart (1961-64), período de grande conturbação político-ideológica
devida às tendências esquerdistas que se lhe atribuíam, o poema demonstra grande força
como mensagem ideológica e, de certa forma, como que pressagia a luta sindical que se
travaria poucos anos depois contra o governo militar, da qual emergiriam, aliás, diversas
figuras hoje representativas dos movimentos sindical e político brasileiros.

Fruto daquela que Alexei Bueno caracteriza como “a vanguarda mais prestigiosa no Brasil”
(2007: p. 382) e por vezes considerada mais “um ramo das artes visuais, não da literatura”
(ibidem), “Greve” encaixa-se dentro daquilo que, em 1961, Décio Pignatari, um dos
fundadores do Concretismo brasileiro, ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos,
chamou de “salto participante” da poesia concreta, inaugurando dentro do movimento
concretista “um compromisso de colaborar no processo de transformação da realidade
brasileira” (SIMON & DANTAS, 1982: p. 48), compromisso esse que atualizava o
movimento e que também podia ser percebido, no post-scriptum do “Plano-piloto para poesia
concreta” (1961), na citação do poeta russo Maiakovski: “sem forma revolucionária, não há
arte revolucionária” (CAMPOS, A.; PIGNATARI & CAMPOS, H., 1987: p. 158). Assim,
embora sem abrir mão de determinados preceitos estéticos, a poesia concreta ganhava maior
comunicabilidade, com o intuito de se tornar mais acessível ao público leitor que o
movimento visava a aglutinar (as massas populares, à época vistas como alienadas
pela intelligentsiaesquerdista brasileira).

De acordo com o “Plano-piloto para poesia concreta”, tal poesia seria o “produto de uma
evolução crítica de formas” (idem, p. 156), em que a unidade rítmico-formal constituída pelo
verso daria lugar a outra unidade, baseada no “conhecimento do espaço gráfico como agente
estrutural” (ibidem), inaugurando-se aí um “espaço qualificado”, muito próximo ao da idéia
de ideograma, com sua sintaxe espacial ou visual, justaposta, e a grande força lexical e
semântica que lhe é característica.

Ora, já num primeiro olhar podemos perceber as características acima descritas presentes no
poema “Greve”. Em sua publicação original, o poeta utiliza duas páginas, uma sobreposta à
outra, sendo a primeira translúcida, o que tanto permite a visualização parcial e simultânea
da página seguinte como atrapalha a leitura da primeira. Restritas, portanto, à pequena área
quadrangular da página, aí se espremem palavras unidas por uma sintaxe mínima,
graficamente não pontuada, mas que conservam sua força expressiva na unidade
plurissemântica das palavras justapostas, na prosódia atribuída à sua leitura e na sobreposição
da palavra ‘greve’, inúmeras vezes repetida sobre as demais do poema, mas ainda ligada a
ele rítmica e sintaticamente.

De sua aproximação com a escrita ideogramática chinesa, a poesia concreta põe em prática
um “apelo à comunicação não-verbal” (ibidem), transformando o poema em uma estrutura-
conteúdo que vai de encontro às estruturas temporal-linear e analítico-discursiva e que
valoriza a leitura espacial (texto e imagem coincidem: “estrutura espácio-temporal”) e a
síntese (vista no privilégio de substantivos e verbos [“o mínimo múltiplo comum da
linguagem”], em detrimento de adjetivo e conjunções).

Por conta disso, em “Greve”, contamos apenas três adjetivos (“longa”, “breve” e “única”),
dois advérbios (“não”, que aparece duas vezes, e “só”, adjetivo adverbializado) e um artigo
(“uma”), enquanto que verbos e substantivos são bem mais numerosos: aqueles totalizam
seis (“escreve” [duas vezes], “descreve”, “grita”, “grifa”, “grafa” e “grava”), e estes totalizam
cinco (“arte”, “vida”, “escravo”, “palavra” e “greve” [com inúmeras repetições]). Dessa
forma, e considerando-se a disposição do poema quando de sua publicação em Invenção e
sua leitura em voz alta conforme áudio disponível no sítio “Poesia Concreta” (v. bibliografia),
percebemos que “Greve” se inscreve perfeitamente naquilo que os concretos chamaram de
(área lingüística) verbivocovisual, ou seja, a palavra, o poema, tornam-se uma entidade de
significação que congrega, simultaneamente, escrita (verbi), voz/som (voco) e imagem
(visual), cada qual com sua funcionalidade (arte como techné, como atividade produtora, de
acordo com o que nos aponta Alfredo Bosi [2003, p. 476]).

Embora, como dissemos acima, a poesia concreta rejeite a versificação como


expressão/veículo do poema e explore muito mais “as camadas materiais do significante (o
som, a letra impressa, a linha, a superfície da página…)” (ibidem), vemos em “Greve” uma
retomada do verso, claramente perceptível pela metrificação em redondilha maior (sete
sílabas métricas) de cada ‘linha’ do poema em ambas as páginas, o que é facilmente
observável pela sua escansão (mesmo a repetição “greve greve greve greve” é uma
redondilha), e o que, ademais, garante a força rítmica que tanto impacto empresta ao poema
– numa demonstração, talvez, do viés universalizante a que visava o ‘salto participante’ da
poesia concreta. É interessante, ainda, notar que, mesmo se conservando a métrica, o número
de palavras de que se constitui cada verso (quatro) só se altera no último verso da página-
frente (três), voltando a quatro palavras na página-fundo.

Se somamos a esse ritmo obtido pela métrica a sobreposição gráfica com que se expõe o
poema, podemos perceber, como bem aponta Audrei Carvalho (2007, p. 41), que “Greve” é
um poema que, ao se libertar de uma sintaxe linear próxima à da oralidade, se funda sobre o
ruído, causado mesmo por tal sobreposição, numa tentativa bem sucedida de mimese daquilo
que vemos quotidianamente nas greves realizadas pelos movimentos trabalhistas em todo o
mundo: a sobreposição de inúmeras vozes evocando ora discursos proclamados através de
megafones, ora palavras de ordem através do ‘grito’ das massas que sabem que a “vida breve”
e autônoma, contrária à escravidão, só se afirma pela ‘escrita’ (metafórica, como a do poema,
ou real, palpável, como a dos acordos entre patrões e empregados) que “grifa”, “grafa” e
“grava” – e a “greve”, assim, se institui e se confirma como espaço legítimo do protesto e da
reivindicação.

“Greve”, desse modo, encontra-se plenamente de acordo com as palavras finais do “Plano-
piloto para poesia concreta”:

poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem. realismo total. contra uma poesia de expressão,
subjetiva e hedonística. criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível. uma arte geral da
palavra. o poema-produto: objeto útil. (CAMPOS, A.; PIGNATARI & CAMPOS, H., 1987: p. 158)

O poema faz-se objeto útil ao realizar-se como ferramenta ideológica; problematiza a


realidade; trabalha, portanto, a linguagem de modo responsável, sem abandonar, todavia, o
apelo estético que lhe confere o estatuto de arte – arte concreta e participante, evocativa e
imagética, enfim.

Referências

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 41ª Ed. São Paulo: Cultrix, 2003.

CAMPOS, Augusto de. “Greve”. In: Augusto de Campos – Site oficial. Disponível
em: http://www2.uol.com.br/augustodecampos/03_01.htm. Acesso em: 4 de junho de 2009,
13h55.

______. “Greve” (áudio). In: Poesia concreta: o projeto verbivocovisual. Disponível


em: http://www.poesiaconcreta.com.br/audio.php?page=5&ordem=asc.Acesso em: 4 de
junho de 2009, 14h22.

CAMPOS, Augusto de; PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Haroldo de. Teoria da poesia
concreta: textos críticos e manifestos 1950-1960. São Paulo: Brasiliense, 1987.

CARVALHO, Audrei Aparecida Franco de. Poesia concreta e mídia digital: o caso
Augusto de Campos. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Semiótica. São Paulo:
Pontifícia Universidade Católica, 2007. Disponível em:
http://barrocomestico.incubadora.fapesp.br/portal/Members/audreicarvalho/dissertacao_aud
rei.pdf. Acesso em: 4 de junho de 2009, 15h00.

PELEGRINI, Sandra de Cássia Araújo. Manifestações culturais nos anos 60: um destaque
à problematização da palavra na poesia concreta. In: Revista de História Regional. Ponta
Grossa: V. 06, p. 39-60, verão 2001.

SIMON, Iumna Maria; DANTAS, Vinicius (Orgs.). Literatura comentada: poesia


concreta. São Paulo: Abril Educação, 1982.

Artigo submetido em 22/07/2009 e aprovado em 08/09/09.


Outras publicações:

 Subhro

 Las vueltas del tornillo: una lectura de Angustia, de Graciliano Ramos



 NUPILL

Mafua © 2016 Digital Media en Literatura revista, ISSN 1806-2555