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A contabilidade como instrumento de

gestão ambiental
Maria Elisabeth Pereira Kraemer

 Contabilidad
 Medio Ambiente
 22.10.2004
 30 minutos de lectura

contabilidad ambientalgestión ambiental y desarrollo sostenible

A contabilidade como instrumento de gestão ambiental

RESUMO

O mercado está, a cada dia, mais aberto e competitivo, fazendo com que as empresas
tenham que se preocupar com o controle dos impactos ambientais. Os Sistemas de
Gestão Ambiental (SGA) vêm se tornando um grande aliado das organizações que
buscam manter seus processos, aspectos e impactos ambientais sob controle. Entende-se
que a Contabilidade tem por objetivo não só a mensuração dos fatos que evidenciam a
situação patrimonial e sua evolução, mas, acima de tudo, também demonstrar, de forma
clara, a todos os usuários e interessados em seus relatórios, de que forma a organização
está interagindo com o ambiente em que se situa, informando os investimentos
realizados, as despesas e as obrigações assumidas em benefício do meio ambiente, seja
no sentido de evitar sua degradação, seja nos gastos efetuados para recuperar agressões
praticadas contra a natureza e o meio ambiente. Portanto, verifica-se que a
Contabilidade Ambiental possui potencial para auxiliar os gestores no Sistema de
Gestão Ambiental, porque pode ser usada para demonstrar a responsabilidade ambiental
da empresa, através de relatórios contábeis onde deverão ser evidenciados, de forma
transparente e fidedigna, os gastos com o controle ambiental.

A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO


AMBIENTAL

1 – INTRODUÇÃO

Cada vez mais, as organizações nacionais se conscientizam de que a implementação do


Sistema de Gestão Ambiental – SGA pode aliar melhorias nos processos industriais
com a preservação do meio ambiente.

Uma forma de estruturar as atividades voltadas para o meio ambiente foi desenvolvida
pela Internacional Organization for Standardization (ISO). A ISO 14.001 é uma norma
de adesão voluntária, que contém os requisitos para a implantação do SGA, podendo ser
aplicada a qualquer tipo ou porte de organização.

Os SGAs buscam prover às organizações formas de gerenciar todos os seus aspectos e


impactos ambientais mais significativos. Partem, inicialmente, da identificação e
priorização destes aspectos e impactos, desenhando, em seguida, um sistema que busca
a melhoria contínua, baseado no controle destes impactos.

Como diz Negra (2001) as Ciências Contábeis, como uma ciência social e, portanto da
relação entre o homem e sua riqueza, deve criar mecanismos de registro, análise e
interpretação dos fenômenos resultantes das ações contra o meio ambiente. Isto se
mostra verdadeiramente, pois muitos autores e pesquisadores já a segmentaram em
Contabilidade Ambiental. A Contabilidade Ambiental pode e vai oferecer, ainda, muitos
mecanismos, técnicas e tecnologias no tratamento das relações econômicas e de riqueza
ligada ao meio ambiente.

Portanto, a Contabilidade não pode mais ignorar os problemas ambientais, porque ela
forma um elo de ligação entre as empresas e a comunidade. A contabilidade vai
despertar o interesse para as questões ambientais, ajudando a classe empresarial a
implementar, em sua gestão empresarial, a variável ambiental, não apenas para constar
na legislação, mas por uma verdadeira conscientização ecológica.

2 – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO EM RELAÇÃO AO MEIO


AMBIENTE – O DESPERTAR DE UMA CONSCIÊNCIA
ECOLÓGICA

Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos, políticos e


legais, principais atributos para a construção da estrutura de uma política de meio
ambiente, são inegáveis e inquestionáveis. De acordo com Leão (2002), nos últimos
anos, saltos quantitativos foram dados, em especial no que se refere à consolidação de
práticas e formulação de diretrizes que tratam a questão ambiental de forma sistêmica e
integrada.

Segundo Campanhola (1995), o paradigma atual de desenvolvimento, baseado nos


modelos dos países desenvolvidos, dos países industrializados do Norte, é um modelo
meramente capitalista, que visa o lucro máximo. Portanto, o crescimento econômico em
si gera bem-estar à sociedade, e o meio ambiente é apenas um bem privado, no que se
refere à produção e descarte dos seus resíduos. Dentro desse processo, ao longo dos
últimos 30 anos, pode-se afirmar que os recursos naturais são tratados apenas como
matéria-prima para o processo produtivo, principalmente no processo produtivo
industrial. O que aconteceu é que este modelo, da maneira como foi idealizado, não é
sustentável ao longo do tempo. Ficou claro que os recursos naturais eram esgotáveis, e,
portanto finitos, se mal utilizado.

Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de


equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação dos países em
desenvolvimento, e o programa será atendido como fruto de maior riqueza, maior
benefício social eqüitativo e equilíbrio ecológico. Meyer (2000) enfoca que, para esta
ótica, o conceito de desenvolvimento sustentável apresenta pontos básicos que devem
considerar, de maneira harmônica, o crescimento econômico, maior percepção com os
resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico na utilização dos recursos naturais.

As campanhas de valorização para a existência de uma vida melhor a todos os seres,


principalmente, o homem, como diz Raupp (2001), pode parecer utopia. No entanto,
caso não sejam levadas a sério, a vida no planeta estará seriamente ameaçada. Em
decorrência, não podemos mais considerar o crescimento sem benefícios sociais e sua
distribuição eqüitativa para todas as parcelas da população.

Assume-se que as reservas naturais são finitas, e que as soluções ocorrem através de
tecnologias mais adequadas ao meio ambiente. Deve-se atender às necessidades básicas
usando o princípio da reciclagem. Parte-se do pressuposto de que haverá uma maior
descentralização, que a pequena escala será prioritária, que haverá uma maior
participação dos segmentos sociais envolvidos, e que haverá prevalescência de
estruturas democráticas. A forma de viabilizar com equilíbrio todas essas características
é o grande desafio a enfrentar nestes tempos.

Este novo fazer foi construído em grande parte, a partir dos resultados da Rio-92, onde a
noção de Desenvolvimento Sustentável se alastrou e estruturou-se. Porém, o que a
noção e os conceitos de sustentabilidade trazem como novo desafio são os caminhos
para a Gestão Ambiental.

Essa conscientização nos conduzirá ao desenvolvimento sustentável, definida no


Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), elaborado pela Comissão Mundial do
Meio Ambiente e Desenvolvimento, como “aquele que atende as necessidades do
presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas
próprias necessidades”.

Alguns setores já assumiram tais compromissos com o novo modelo de


desenvolvimento, ao incorporarem nos modelos de gestão a dimensão ambiental. A
gestão de qualidade empresarial passa pela obrigatoriedade de que sejam implantados
sistemas organizacionais e de produção que valorizem os bens naturais, as fontes de
matérias-prima, as potencialidades do quadro humano criativo, as comunidades locais e
devem iniciar o novo ciclo, onde a cultura do descartável e do desperdício sejam coisas
do passado. Atividades de reciclagem, incentivo à diminuição do consumo, controle de
resíduo, capacitação permanentes dos quadros profissionais, em diferentes níveis e
escalas de conhecimento, fomento ao trabalho em equipe e às ações criativas são
desafios-chave neste novo cenário.

Neste sentido, Donaire (1999) diz que o retorno do investimento, antes, entendido
simplesmente como lucro e enriquecimento de seus acionistas, ora em diante, passa,
fundamentalmente, pela contribuição e criação de um mundo sustentável.

Estes processos de produção de conhecimento têm oportunizado o desabrochar de


práticas positivas e pró-ativas, que sinalizam o desabrochar de métodos e de
experiências que comprovam, mesmo que em um nível ainda pouco disseminado, a
possibilidade de fazer acontecer e tornar real o novo, necessário e irreversível, caminho
de mudanças.

Isto é corroborado por Souza (1993), ao dizer que as estratégias de marketing ecológico,
adotadas pela maioria das empresas, visam a melhoria de imagem tanto da empresa
quanto de seus produtos, através da criação de novos produtos verdes e de ações
voltadas pela proteção ambiental.

Desse modo, o gerenciamento ambiental passa a ser um fator estratégico que a alta
administração das organizações deve analisar.
A Gestão Ambiental inclui uma série de atividades que devem ser administradas, tais
como: formular estratégias de administração do meio ambiente, assegurar que a empresa
esteja em conformidade com as leis ambientais, implementar programa de prevenção à
poluição, gerir instrumentos de correção de danos ao meio ambiente, adequar os
produtos às especificações ecológicas, além de monitorar o programa ambiental da
empresa.

Além dessa ferramenta, a problemática ambiental envolve também o gerenciamento dos


assuntos pertinentes ao meio ambiente, por meio de sistemas de gestão ambiental, da
busca pelo desenvolvimento sustentável, da análise do ciclo de vida dos produtos e da
questão dos passivos ambientais.

3 – GESTÃO AMBIENTAL – O NOVO PARADIGMA

Gestão ambiental é o sistema que inclui a estrutura organizacional, atividades de


planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para
desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental. É
a forma pela qual a organização se mobiliza, interna e externamente para a conquista da
qualidade ambiental desejada. Ela consiste em um conjunto de medidas que visam ter
controle sobre o impacto ambiental de uma atividade.

A gestão ambiental começa a ser encarada como um assunto estratégico dentro das
organizações e isso tem se tornado um fator importante de competitividade.

Diversas organizações empresariais estão cada vez mais preocupadas em atingir e


demonstrar um desempenho mais satisfatório em relação ao meio ambiente. Neste
sentido, a gestão ambiental tem se configurado como uma das mais importantes
atividades relacionadas com qualquer empreendimento.

Para Meyer (2000), a gestão ambiental é apresentada da seguinte forma: 1) objeto de


manter o meio ambiente saudável (à medida do possível), para atender as necessidades
humanas atuais, sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras.
2) Meio de atuar sobre as modificações causadas no meio ambiente pelo uso e/ou
descarte dos bens e detritos gerados pelas atividades humanas, a partir de um plano de
ação viáveis técnica e economicamente, com prioridades perfeitamente definidas. 3)
Instrumentos de monitoramentos, controles, taxações, imposições, subsídios,
divulgação, obras e ações mitigadoras, além de treinamento e conscientização. 4) Base
de atuação de diagnósticos (cenários) ambientais da área de atuação, a partir de estudos
e pesquisas dirigidos em busca de soluções para os problemas que forem detectados.

O objeto da gestão ambiental é a otimização dos processos da transformação de um


sistema ecológico, primitivo ou não. Macedo (1999) diz que a gestão ambiental é o
processo necessário e suficiente para garantir que a introdução de um sistema humano
organizado em um sistema ecológico primitivo tenha como resultado um novo sistema
humano organizado.

Os sistemas de gerenciamento ambiental acontecem por interferência de normas


internacionais e de normas de grande conglomerados organizacionais ou por exigências
de clientes e outras partes interessadas. Porém, as normas da série ISO 14000 são as
mais utilizadas e praticadas no Brasil e no mundo.
De acordo com Alves (2001), quando uma organização opta pela Implantação da Norma
ISO 14001, abre novos caminhos no mercado internacional, proporciona vantagem
competitiva e introduz sensível redução de custos na operação, além de incrementar a
receita com subprodutos do processo, como, por exemplo, venda de papelão e EPS
(Poliestireno expandido), dentre outros.

4 – BENEFÍCIOS DA GESTÃO AMBIENTAL

O sistema de gestão ambiental facilita o processo de gerenciamento, proporcionando


vários benefícios às organizações. North apud Cagnin (2000) enumera os benefícios da
gestão ambiental, que estão discriminados abaixo:

Quadro 1: Benefícios da gestão ambiental

BENEFÍCIOS ECONÔMICOS

Economia de Custos

 Redução do consumo de água, energia e outros insumos.


 Reciclagem, venda e aproveitamento e resíduos, e diminuição de efluentes.
 Redução de multas e penalidades por poluição.

Incremento de Receita

 Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes”, que podem ser


vendidos a preços mais altos.
 Aumento da participação no mercado, devido à inovação dos produtos e à menor
concorrência.
 Linhas de novos produtos para novos mercados.
 Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da
poluição.

BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS

 Melhoria da imagem institucional.


 Renovação da carteira de produtos.
 Aumento da produtividade.
 Alto comprometimento do pessoal.
 Melhoria nas relações de trabalho.
 Melhoria da criatividade para novos desafios.
 Melhoria das relações com os órgãos governamentais, comunidade e grupos
ambientalistas.
 Acesso assegurado ao mercado externo.
 Melhor adequação aos padrões ambientais.

Fonte: Adaptado de North, K. Environmental business management. Genebra: ILO,


1992. In: Cagnin, 1999.

Os principais benefícios da norma ambiental ISO 14001, segundo Neto e Tocalino


(1999), são:
 Demonstração para clientes, acionistas, empregados, seguradoras, meios de
comunicação, autoridades, legisladores e ONGs do compromisso ambiental da
empresa, levando à melhoria de sua imagem;
 Existência de mecanismos estruturados para gerenciar aspectos ambientais e
para promover melhoria contínua do sistema;
 Acesso à legislação ambiental e suas aplicações;
 Controle mais eficiente das matérias-primas;
 Redução do consumo de energia e recursos naturais;
 Aproveitamento e minimização de resíduos;
 Melhoria das relações, proporcionando, inclusive, abertura de novos mercados,
em especial os estrangeiros;
 Evidência, por entidade independente, da competência ambiental da empresa;
 Eliminação de erros que favorecem a crescente evolução da empresa, por meio
das auditorias ambientais.

Os benefícios com a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental estão


intimamente ligados à mudança comportamental, aprendizado e inovação
organizacional.

Convém salientar que a existência de um plano ambiental formal, embora importante,


não é suficiente, pois a transformação da questão ambiental em valor da organização vai
depender das ações da alta administração e de suas gerencias.

5 – PRINCÍPIOS DE GESTÃO AMBIENTAL

No relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ONU,


1987), denominado “Nosso Futuro Comum”, ficou muito clara a importância da
preservação ambiental para que consigamos o Desenvolvimento Sustentado.

Nesse sentido, a Câmara de Comércio Internacional, reconhecendo que a proteção


ambiental se inclui entre as principais prioridades a serem buscadas por qualquer tipo de
negócio definiu, em 27 de novembro de 1990, uma série de princípios de gestão
ambiental. Assim, para ajudar as empresas ao redor do mundo a melhorar seu
desempenho ambiental, a Câmara do Comércio Internacional estabeleceu o denominado
Business Charter for Sustainable Development, que inclui uma série de princípios que
deverão ser buscados pelas organizações. Eles compreendem 16 princípios para a
Gestão Ambiental que, sob a ótica das organizações, são essenciais para atingir o
Desenvolvimento Sustentável:

1 – Prioridade Organizacional – estabelecer políticas, programas e práticas no


desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. Reconhecer que ela é
a questão-chave e prioridade da empresa.

2 – Gestão Integrada – integrar as políticas, programas e práticas ambientais em todos


os negócios como elementos indispensáveis de administração em todas suas funções.

3 – Processos de Melhoria – continuar melhorando as políticas corporativas, os


programas e performance ambiental, tanto no mercado interno quanto externo, levando
em conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades
dos consumidores e os anseios da comunidade, como ponto de partida das
regulamentações ambientais.

4 – Educação do Pessoal – educar, treinar e motivar o pessoal no sentido de que possam


desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação ao ambiente.

5 – Prioridade de Enfoque – considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova


atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de
abandonar alguma unidade produtiva.

6 – Produtos e Serviços – desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam


agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam
eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados,
reutilizados e armazenados de forma segura.

7 – Orientação ao Consumidor – orientar e, se necessário, educar consumidores,


distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte,
armazenagem e descarte dos produtos produzidos.

8 – Equipamentos e Operacionalização – desenvolver, desenhar e operar máquinas e


equipamentos levando em conta o eficiente uso da água, energia e matérias –primas, o
uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização dos impactos negativos ao
ambiente e a geração de poluição e o uso responsável e seguro dos resíduos existentes.

9 – Pesquisa – conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos


ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e resíduos associados ao
processo produtivo da empresa, visando à minimização de seus efeitos.

10 – Enfoque Preventivo – modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e


mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os mais modernos
conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis
degradações do meio ambiente.

11 – Fornecedores e Subcontratados – promover a adoção dos princípios ambientais da


empresa junto aos subcontratados e fornecedores encorajando e assegurando, sempre
que possível, melhoramentos em suas atividades, de modo que elas sejam uma extensão
das normas utilizadas pela empresa.

12 – Planos de Emergência – desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos


de emergência idealizados em conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os
órgãos governamentais e a comunidade local, reconhecendo a repercussão de eventuais
acidentes.

13 – Transferência de Tecnologia – contribuir na disseminação e transferência das


tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente junto aos
setores privado e público.

14 – Contribuição ao Esforço Comum – contribuir no desenvolvimento de políticas


públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem
à preservação do meio ambiente.
15 – Transparência de Atitude – propiciar transparência e diálogo com a comunidade
interna e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos
potenciais e impacto das operações, produtos e resíduos.

16 – Atendimento e Divulgação – medir a performance ambiental. Conduzir auditorias


ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores
estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta
administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral.

Com base nos princípios da Carta Empresarial da Câmara de Comércio Internacional e


da necessidade do meio empresarial se adaptar às novas exigências em relação às
questões ambientais, o Britisch Standards Institute (BSI) – apoiando-se em sua
experiência no que se refere aos Sistemas de Gestão da Qualidade – lançou, em 1992, a
norma BS 7750. Esta norma, de caráter voluntário, propõe um Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) que procura não só ordenar e integrar os procedimentos existentes na
empresa, mas também permitir que esta seja passível de certificação. Esta norma está
diretamente relacionada à norma BS 5750, que trata dos Sistemas de Gestão da
Qualidade. (ABNT, 1995).

Em 1992, o Strategic Advisory Group on Environment (SAGE) deu sinal verde para o
Conselho Técnico da ISO, que então encarregou um novo Comitê Técnico, o TC 207,
do desenvolvimento de normas internacionais para gestão ambiental.

De acordo com Campos (1996), pode-se dizer que a série ISO 14000 trata-se, na
realidade, de uma conseqüência formal de todo este movimento institucional (encontros,
fóruns, surgimento de ONGs), descrito até então, e que vem pressionando empresas de
todos os tipos a se preocuparem com a questão ambiental e o desenvolvimento.

O TC 207 começou estabelecendo normas para os sistemas de gestão, com a finalidade


de certificação das boas práticas de gerenciamento ambiental.

O termo Gestão Ambiental é definido pela ISO 14001 como parte integrante da função
global da gestão da organização que desenvolve, implementa, alcança, revisa e mantém
a política ambiental.

6 – SGA – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL

Tomando-se por base o modelo normativo NBR 14001, o Sistema de Gestão Ambiental
é definido como a parte do sistema de gestão da organização que inclui estrutura
organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos,
processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e
manter a sua Política Ambiental.

O Sistema de Gestão Ambiental permite que a organização atinja o nível de


desempenho ambiental por ela determinado e promova sua melhoria contínua ao longo
do tempo. Consiste, essencialmente, no planejamento de suas atividades, visando a
eliminação ou minimização dos impactos ao meio ambiente, por meio de ações
preventivas ou medidas mitigadoras.
Os SGA não são obrigatórios, ou seja, não há legislação de qualquer nível, em qualquer
lugar do mundo, que obrigue a uma organização produtiva a realizar o desenvolvimento
e a implantação de se SGA. Contudo, o comércio internacional, cada vez mais, vem
estabelecendo como condição de comercialização de produtos e serviços, a certificação
formal dos fornecedores em termos de gestão ambiental.

A empresa que não buscar adequar suas atividades ao conceito de desenvolvimento


sustentável está fadada a perder competitividade em curto ou médio prazo. Investir
numa empresa que polui é temerário para qualquer acionista com um mínimo de visão
estratégica.Quanto mais poluidora a atividade, maior são os desperdícios, os passivos
ambientais, os riscos de multas, ações judiciais e reivindicações da comunidade.
Tecnologias mais modernas levam em conta, invariavelmente, a redução dos níveis de
poluição.

Isto implica mudança de cultura e até mesmo mudança estrutural. A questão deixa de
ser assunto exclusivo de um departamento e se torna parte integrante da atividade de
cada membro da empresa, desde a Alta Administração até o chão de fábrica.

Para que toda essa revolução cultural aconteça, a implantação de um Sistema de Gestão
Ambiental é imprescindível e os resultados já relatados por diversas empresas, como os
exemplos abaixo, podem ser responsáveis pelo crescente interesse do empresariado.
(www.fdg.org.br)

 Prevenção de riscos e prejuízos (acidentes ambientais, passivos ambientais,


multas e outras penalidades, ações judiciais, etc);
 Redução de custos de seguro;
 Observância dos requisitos legais pertinentes;
 Redução de desperdícios, através da otimização do uso de recursos (matérias-
primas, insumos, energia, água) e aproveitamento dos rejeitos;
 Melhor relacionamento com a comunidade;
 Maior agilidade nos processos de licenciamento;
 Maior competitividade com mercados que valorizam a preservação ambiental
(Ecomarketing);
 Acesso a financiamentos com taxas reduzidas;
 Melhoria da imagem institucional (conceito de empresa cidadã).

A empresa moderna está atenta a essas questões e considera a gestão ambiental parte
integrante do seu negócio. A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental deve ser
uma das prioridades estratégicas de qualquer organização que queira garantir sua
competitividade e sobrevivência no mundo globalizado.

Para a institucionalização da função Gestão Ambiental na organização, é preciso


ressaltar algumas condições ou princípios em que ela deverá se basear. São as etapas de
um SGA, apresentadas sob a forma de princípios:

 Política Ambiental – uma organização devera definir sua política ambiental e


garantir compromissos para o seu sistema de gestão ambiental;
 Planejamento – uma organização deverá formular um plano que satisfaça e
realize a sua política ambiental;
 Implementação e Operação – uma organização deverá desenvolver
conscientização, envolvimentos, capacidades e mecanismos de suporte
necessários para o atingimento de sua política, objetivos e metas ambientais;
 Análise, Avaliação e Ações – uma organização deverá monitar, mensurar e
avaliar o seu desempenho ambiental, bem como propor e implementar medidas
destinadas a sua otimização;
 Inspeção e Aperfeiçoamento – uma organização deverá inspecionar e
aperfeiçoar continuamente o seu sistema de gestão ambiental, com o objetivo de
otimizar o seu desempenho ambiental global.

Com isto em mente, o sistema de gestão ambiental, para Lucila (1996), é mais bem
visto como uma estrutura organizacional que deve ser continuamente monitorada e
revisada, no sentido de fornecer orientações efetivas às atividades ambientais da
organização, em resposta às mudanças dos fatores externos e internos. Neste sistema,
cada indivíduo na organização deve assumir responsabilidades individuais pela
melhoria ambiental.

Para realizar, de forma adequada, o conjunto dos princípios dos SGA, com base nos
requerimentos das normas nacionais e internacionais que lhes são afetadas, há uma série
de atividades típicas, envolvendo basicamente: (i) análises ambientais, (ii) avaliações
ambientais, (iii) análises documentais de métodos, processos e procedimentos, (iv)
análises de conformidade, (v) formulação de métodos, processos e procedimentos, (vi)
planificação de ações corretivas e preventivas, (vii) monitoração e avaliações de
resultados e (viii) replanificações.

Os SGA demandam equipes multidisciplinares. Todavia, requerem mais três


ingredientes importantes, a saber:

 Envolvimento da alta administração da organização com relação as suas


necessidades e aos princípios e compromissos;
 Envolvimento direto dos funcionários da empresa, sobretudo aqueles que serão
investidos da responsabilidade de multiplicar conceitos, processos, princípios e
compromissos;
 Todos os analistas envolvidos, internos e externos, precisam ter domínio de
técnicas e práticas de gestão empresarial.

Os Sistemas de Gestão Ambiental, embora possam ser inicialmente desenvolvidos sob a


liderança de um ou mais especialistas externos, seguramente só será mantido e
aprimorado com o engajamento da própria organização.

Os instrumentos de gestão ambiental objetivam melhorar a qualidade ambiental e o


processo decisório. São aplicados a todas as fases dos empreendimentos e poder ser:
preventivos, corretivos, de remediação e pró-ativos, dependendo da fase em que são
implementados. De acordo com Fernandes (2000) os principais instrumentos de gestão
ambiental, destacamos:

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA)

Avaliação do Impacto Ambiental (AIA)


Auditoria Ambiental

O Capital Natural

Para o Brasil, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, oferece as


seguintes normas brasileiras relativas ao tema “Sistemas de gestão Ambiental”.

 NBR 14.001 – Especificações e Diretrizes para o Uso – Esta norma fornece as


diretrizes para as organizações com vistas à determinação das políticas
ambientais a serem adotadas, levando em conta os requisitos legais e os
impactos ambientais significativos. Contém os requisitos a serem auditados para
fins de certificação/registro e/ou autodeclaração. Todos os requisitos dessa
norma aplicam-se a qualquer sistema de gestão ambiental; no entanto, a sua
implantação não oferece garantia satisfatória a todos que a utilizarem.
 NBR 14.004 – Diretrizes Gerais sobre Princípios, Sistemas e Técnicas de Apoio
– Fornece às organizações as diretrizes para iniciar, manter e aprimorar um
SGA, fortalecendo sua relação com a gestão global da organização e estabelece
princípios que servirão de orientação aos responsáveis na execução do
gerenciamento.
 NBR 14.010 – Princípios Gerais – Esta norma estabelece os princípios a serem
aplicados nas auditorias ambientais. Recomenda uma auditoria baseada em
objetivos definidos, com base na qual o auditor-líder, mediante consulta prévia
ao cliente, determina o escopo, a extensão e os limites dos trabalhos.
 NBR 14.011 – Procedimentos de Auditoria – Auditoria de Sistemas de Gestão
Ambiental – Nessa norma, os procedimentos que conduzirão os trabalhos
servirão de base para auditorias em todos os tipos de organizações.
 NBR 14.012 – Critérios de Qualificação para Auditores Ambientais – Estabelece
os requisitos da qualificação do auditor e a sua experiência profissional.

7 – A CONTABILIDADE COMO SISTEMA DE GESTÃO


AMBIENTAL

A contabilidade, uma das ciências mais antigas do mundo, originou-se com o intuito de
quantificar a riqueza humana, ou seja, o patrimônio.

A Contabilidade, nos últimos anos do século que terminou, foi diretamente atingida por
modificações de base. O consagrado objeto desta ciência, ou seja, a riqueza das células
sociais, passou, instintivamente, por uma ampliação indagativa. Rompeu-se a barreira
do ambiente interno das empresas e instituições e passou-se a buscar conexões com
fatos de maior amplitude. Tal rompimento, todavia, exigiu mudanças de métodos
científicos e de óticas de observação para que pudesse, inclusive, utilizar racionalmente
os progressos e atender com maior adequação às novas necessidades das empresas e
instituições.(SÁ, 2002, p. 48).

A Contabilidade, como ciência que estuda a situação patrimonial e o desempenho


econômico-financeiro das entidades, possui instrumentos necessários para colaborar na
identificação do nível de Responsabilidade Social dos agentes econômicos.

O comportamento funcional da riqueza precisa atender ao indivíduo, mas, igualmente,


ao ambiente onde este se insere. Tal verdade, é que nos leva a raciocinar, na atualidade,
sobre o que a empresa, por exemplo, “agrega” ou “acrescenta” à sociedade e não apenas
a si mesma (evidenciável no Balanço Social) além do que ela oferece de lealdade e
sinceridade aos que dela participam e aos que nela acreditam. (SÁ, 2001, p. 24).

[…] uma célula social que só tem por objetivo o seu lucro, sem oferecer uma
contribuição compatível a terceiros, é nociva, ou, pelo menos, indesejável ao todo onde
se insere. Isto, porque uma célula é parte de um todo, vive para o todo, embora também
exista para si mesma, mas, em forma de integração permanente, o que, não ocorrendo,
resulta em algo anormal. (SÁ, 2001, p. 24).

A partir deste contexto, podemos definir contabilidade ambiental como o estudo do


patrimônio ambiental (bens, direitos e obrigações ambientais) das entidades. A
Contabilidade Ambiental surgiu em 1970, quando as empresas passaram a dar um
pouco mais de atenção aos problemas do meio ambiente. É um conjunto de ações
planejadas para desenvolver um projeto, levando em conta a preocupação com o meio
ambiente.

A Contabilidade Financeira Ambiental passou a ter status de um novo ramo da ciência


contábil em fevereiro de 1998, com a finalização do “relatório financeiro e contábil
sobre passivo e custos ambientais”pelo Grupo de Trabalho Intergovernamental das
Nações Unidas de Especialistas em Padrões Internacionais de Contabilidade e
Relatórios (ISAR) – United Nations Intergovernamental Working Group of Experts on
International Standards of Accounting and Reporting).

Tem o objetivo de registrar as transações da empresa que impactam o meio ambiente e


os seus efeitos na posição econômica e financeira que reporta tais transações, devendo
assegurar, conforme Junior (2000), que: a) os custos, ativos e passivos ambientais
estejam contabilizados de acordo com os princípios fundamentais da contabilidade, e b)
o desempenho ambiental tenha ampla transparência de que os usuários da informação
contábil necessitam.

O mesmo autor ainda refere que as inovações trazidas pela Contabilidade Ambiental
estão associadas, pelo menos, três temas: a) a definição do custo ambiental; b) a forma
de mensuração do passivo ambiental, com destaque para o decorrente de ativos de vida
longa; e c) a utilização intensiva de notas explicativas abrangentes e o uso de
indicadores de desempenho ambiental, padronizados no processo de fornecimento de
informações ao público.

A Contabilidade Ambiental constitui-se numa especialidade da ciência contábil com


base na materialidade dos valores envolvidos. De acordo com Bergamin Jr (2000), para
o usuário externo da informação contábil tornar-se material, toda informação que, não
sendo evidenciada, ou sendo mal evidenciada, pode levá-lo a sério erro sobre a
avaliação do empreendimento e de suas tendências, o que se aplica de forma plena às
informações sobre o desempenho ambiental das empresas.

Vários são os fatores que dificultam o processo de implementação da contabilidade


ambiental. Bergamin Jr (1999) enumera os seguintes: ausência de definição clara de
custos ambientais; dificuldade em calcular um passivo ambiental efetivo; problema em
determinar a existência de uma obrigação no futuro por conta de custos passados; falta
de clareza no tratamento a ser dado aos “ativos de vida longa”, como por exemplo, no
caso de uma usina nuclear; reduzida transparência com relação aos danos provocados
pela empresa em seus ativos próprios, dentre outros.

A avaliação da utilidade da Contabilidade Ambiental, segundo o mesmo autor, deve ser


realizada tendo em vista o atendimento das finalidades que pretende atingir, que são: a)
expor o progresso da empresa no gerenciamento das questões ambientais de forma
comparada com empresas-pares e durante o decorrer do tempo; b) apresentar o nível de
sua exposição ao risco ambiental para a comunidade de negócios (instituições
financeiras, fundos de pensão, seguradoras e potenciais parceiros de negócios) e para a
sociedade em geral; e c) demonstrar à capacitação gerencial da empresa na
administração de questões ambientais, e apresentar a forma como a mesma integra essas
questões a sua estratégia geral de longo prazo.

Portanto, a Contabilidade, entendida como meio de fornecer informações deveria buscar


responder a este novo desafio, atendendo aos usuários interessados na atuação das
empresas sobre o meio ambiente, subsidiando o processo de tomada de decisão, além
das obrigações com a sociedade no que tange a responsabilidade social e a questão
ambiental.

Verifica-se, portanto, que por meio da identificação, mensuração divulgação das


referidas informações, a Contabilidade, conforme Kraemer (2002), pode contribuir
muito com a sociedade e com o Governo, buscando soluções para os problemas sociais,
pois a Contabilidade, como meio de fornecer informações, deve buscar responder a este
novo desafio, satisfazendo os usuários interessados na atuação das empresas sobre o
meio ambiente, devendo, ainda, contribuir para o sistema de gestão ambiental.

8 – O BALANÇO PATRIMONIAL COM ÊNFASE AO MEIO


AMBIENTE

A Contabilidade Ambiental passou a ter status de um novo ramo da ciência contábil em


fevereiro de 1998, com a finalização do “relatório financeiro e contábil sobre o passivo
e custos ambientais” pelo Grupo de Trabalho Intergovernamental das Nações Unidas de
especialistas em padrões Internacionais de Contabilidade e Relatórios (ISAR – United
Nations Intergovernanmental Working Group of Experts on International Standards of
Accounting and Reporting).

Bergamin Jr (2000), diz que paralelo a este trabalho, o ISAR vem coordenando esforços
com o Comitê de práticas de Auditoria Internacional (IAPC – International Audititing
Practices Committee), no sentido de formalizar um conjunto de padrões de auditoria
voltado para a verificação do desempenho ambiental relatado nas demonstrações
contábeis.

A Contabilidade Ambiental tem o objetivo de registrar as transações da empresa que


impactam o meio ambiente e os seus efeitos na posição econômica e financeira da
empresa que reporta tais transações, devendo assegurar, conforme o autor acima, que: a)
os custos, ativos e passivos ambientais estejam contabilizados de acordo com os
princípios fundamentais da contabilidade, e b) o desempenho ambiental tenha ampla
transparência de que os usuários da informação contábil necessitam.
O Balanço Ambiental tem por principal objetivo tornar pública, para fins de avaliação
de desempenho, toda e qualquer atitude das entidades, com ou sem finalidade lucrativa,
mensurável em moeda, que, a qualquer tempo, possa influenciar ou vir a influenciar o
meio ambiente, assegurando que custos, ativos e passivos ambientais sejam
reconhecidos a partir do momento de sua identificação, em consonância com os
Princípios Fundamentais de Contabilidade – Resolução 750-93 do CFC.

Toda e qualquer atividade, desenvolvida ou em desenvolvimento, ocorrida ou a incorrer,


não importando se em maior ou menor relevância, desde que, mensurável em moeda,
que cause ou possa vir a causar qualquer tipo de dano ao meio ambiente, bem como,
toda e qualquer ação destinada a amenizar e/ou extinguir tais danos, devendo ser
registrada contabilmente em contas contábeis específicas, na data de sua ocorrência, em
consonância com o disposto nos Princípios Fundamentais de Contabilidade – Resolução
750-93 do CFC, mediante adoção dos seguintes procedimentos:

a) Os custos ambientais representam aplicação direta ou indireta no sistema de


gerenciamento ambiental do processo produtivo e em atividades ecológicas da empresa.

b) Os ativos ambientais são todos os bens e direitos destinados ou provenientes da


atividade de gerenciamento ambiental, podendo estar em forma de capital circulante ou
capital fixo.

c) Os passivos ambientais, todos relacionados a financiamentos específicos,


contingências vinculadas ao meio ambiente, desde que claramente definidas deverão se
classificados no passivo circulante ou realizável de longo prazo, em contas contábeis
específicas.

Notas Explicativas Ambientais – deverão ser destacadas das demais notas e conter as
informações sobre critérios adotados com relação a: a) avaliação dos estoques
ambientais; b) formas de avaliação e depreciação, inclusive taxas utilizadas no
exercício; c) avaliação do ativo diferido, destacando as bases utilizadas pela empresa
para ativar os gastos ambientais; d) dívidas relacionadas ao meio ambiente, informando,
inclusive, o critério contábil de apropriação; e) valor do lucro do exercício destinado a
sua utilização no meio ambiente.

De acordo com as Normas e Procedimentos de Auditoria NPA 11 Balanço e Ecologia


do IBRACON e na importância que representa a Ciência Contábil e, conseqüentemente,
as Demonstrações Contábeis, não somente para os capitalistas da sociedade, mas
também para toda uma comunidade, estamos propondo que o Balanço patrimonial,
inclusive as Notas Explicativas das empresas, independentemente de serem elas
públicas ou privadas, devem ser publicados, doravante, com destaque para as questões
ambientais, cujo modelo proposto, transcrevemos abaixo.

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVOCIRCULANTE PASSIVOCIRCULANTE

Circulante Financeiro Circulante Financeiro


Caixa e Bancos Fornecedores

Clientes Títulos a Pagar

Estoques Circulante Ambiental

Circulante Ambiental Fornecedores

estoques Financiamentos

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

Longo Prazo Financeiro Longo Prazo Financeiro

Títulos a Receber Financiamentos

Longo prazo Ambiental Longo Prazo Ambiental

Estoques Financiamentos

PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Permanente Financeiro Patrimônio Líquido Financeiro

Investimentos Financeiros Capital Social

Ações de outras Cias Reservas de Capital

Imobilizado Financeiro Reservas de Lucros

Máquinas e Equipamentos Lucros (Prejuízos) Acumulados

Veículos e Acessórios Patrimônio Líquido Ambiental

(-) Depreciação Acumulada Reservas p/ Preservação do Meio Ambiente

Diferido Financeiro

Despesas de Exercícios Seguintes

Permanente Ambiental

Imobilizado Ambiental

Máquinas e Equipamentos

Instalações

(-) Depreciação Acumulada


Diferido Ambiental

Despesas de Exercícios Seguintes

9 – CONCLUSÃO

A incorporação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) no planejamento estratégico


das organizações visa à melhoria do desempenho ambientalista das empresas,
garantindo-lhes a sobrevivência nos dias atuais. O mercado não mais aceita o descaso
no tratamento dos recursos naturais; os consumidores estão interessados em produtos
limpos; a legislação torna-se mais rígida, impondo sanções aos infratores, obrigando as
empresas a encarar com seriedade e responsabilidade a variável ambiental em sua
estratégia operacional.

A competitividade da empresa aumenta após a adequação à ISO 14001 pela adoção de


medidas visando melhores taxas de conversão de matérias-primas, menores gastos com
energias e com uma força de trabalho consciente, capacitada e motivada.

Para a conquista e manutenção do certificado ISO 14001 são necessários investimentos


consideráveis em equipamentos, mão-de-obra especializada, consultorias, dentre outros,
que devem ser alvo de intenso controle financeiro, com o objetivo de otimizar a
utilização dos recursos empregados.

Uma das formas encontradas para atender a este propósito é o uso da contabilidade no
Sistema de Gestão Ambiental. A Contabilidade Ambiental possui potencial para auxiliar
os gestores nesta tarefa. Ela pode ser usada para demonstrar a responsabilidade
ambiental da empresa, através da utilização dos relatórios contábeis onde deverão ser
evidenciados, de forma transparente e fidedigna, os gastos com o controle ambiental.

A Contabilidade, importante ramo do conhecimento humano, ainda não tem dado o


destaque necessário e cabível ao tema meio ambiente, como já ocorre em outras áreas.
Porém, cabe destacar, que apesar de pequeno, em relação aos demais assuntos tratados
na área Contábil, há autores e pesquisadores que vêm examinando as repercussões de
impactos ambientais nas organizações e de que forma elas estão geridas e controladas.

No Brasil, as organizações, principalmente as indústrias, por imposições de normas


legais vigentes, estão adotando cada vez mais processos de controle e de gestão
ambiental em suas atividades produtivas. O artigo 225 da Constituição Federal de 1988,
as leis 6.803/80, 6.938/81 e 9.605/98 são exemplos marcantes de textos legais que
determinam as empresas a adotarem procedimentos voltados ao controle ambiental.

10 – REFERÊNCIAS:

 ALVES, I. C. Metodologia para apuração e controle de custos da qualidade


ambiental. Florianópolis. 2001. Dissertação (Mestrado em Engenharia da
Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
 BERGAMIN, JR. S. Contabilidade e riscos ambientais. Revista do BNDES –
Banco Nacional de desenvolvimento Econômico e Social. Rio de Janeiro,RJ:
n.11, 1999.
 BERGAMIN, JR. S. Custos emergentes na contabilidade ambiental. Revista
Pensar Contábil do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro,RJ: ano 3, n.9, p.03-11,ago/out.2000.
 CAGNIN, C. H. Fatores relevantes na implementação de um sistema de gestão
ambiental com base na Norma ISO 14001. Florianópolis. Dissertação (Mestrado
em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis.
 CAMPANHOLA, C. Gestão ambiental e crescimento econômico. In: I
SIMPÓSIO AMBIENTALISTA BRASILEIRO NO CERRADO. Contribuições
para um novo modelo de desenvolvimento. Anais do I Simpósio Ambientalista
Brasileiro no Cerrado. Goiânia: GO, 1995.
 CAMPOS, L. M. S. Um estudo para definição e identificação dos custos da
qualidade ambiental. 1996. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção)
– Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis.
 COMISSÃO Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento Nosso Futuro
Comum. Rio de Janeiro: FGV, p.44-50, 1988.
 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº 750 de 29
dezembro de 1993. Dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade
(PFC). Atualização substantiva e adjetiva dos Princípios Fundamentais de
Contabilidade a que se refere a Resolução CFC 530/81. Diário Oficial da União,
DF, 07 fev. 1994.
 DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. São Paulo: Atlas, 1999.
 FERNANDES, J. W. N. A gestão ambiental e o desenvolvimento sustentável
sob a ótica da contabilidade ambiental. In. CONGRESSO BRASILEIRO DE
CONTABILIDADE, 16., 2000, Goiânia. Anais do XVI Congresso Brasileiro de
Contabilidade. Goiana: GO, 2000.
 INSTITUTO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE. Normas e procedimentos
de Auditoria. São Paulo: Atlas, 1988.
 KRAEMER, M. E. P. Contabilidade ambiental como sistema de informações.
Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, DF: ano 31, n.133, p.69-83,
jan/fev.2002.
 KRAEMER, M. E. P. Contabilidade ambiental – o passaporte para a
competitividade. CRCSC & Você. A Revista do Contabilista Catarinense.
Florianópolis,SC: v.1, n.1, p.25-40, dez/2001/mar/2002.
 LEÃO, A. L. C. Gestão ambiental – compromissos para a sustentabilidade.
 <http://www.cprh.pe.gov.br/novosite/sec-educamb/ctudo-
edamb_art_compromissos.html> Acesso em: 03 jun.2002.
 MACEDO, R. K. Gestão ambiental: os instrumentos básicos para a gestão
ambiental de territórios e de unidades produtivas. <http://www.ksnet.com.br/>.
Acesso em: 05 jun.2002.
 MEYER M. M. Gestão ambiental no setor mineral: um estudo de caso. 2000.
Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) – Universidade Federal de
Santa Catarina, Florianópolis.
 NEGRA, C. A S. Perícia contábil ambiental. In CONVENÇÃO DE
CONTABILIDADE DE MINAS GERAIS, 7., 2001, Belo Horizonte. Anais da
VII Convenção de Contabilidade de Minas Gerais. Belo Horizonte: 2001. CD-
ROM.
 NETO, J. T.,TOCALINO, C. E. As primeiras 100 empresas certificadas em
conformidade com a ISO 14001. São Paulo: Tocalino. Ano 4, n. 18.
mai/jun.1999.
 RAUPP, E. H. Desenvolvimento sustentável: a contabilidade num contexto de
responsabilidade social de cidadania e de meio ambiente. In CONVENÇÃO DE
CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL, 8., 2001, Gramado. Anais da
VIII Convenção de Contabilidade do Rio Grande do Sul. Gramado: RS, 2001.
v.1, p.133-153.
 SÁ, A. L. A função social do contabilista. Revista Mineira de Contabilidade.
Belo Horizonte, MG: n. 3, p. 24-27, abr/mai/jun.2001.
 SÁ, A. L. A nova realidade contábil e a concepção científica do
neopatrimonialismo como ação intelectual além da inteligência artificial. Revista
Brasileira de Contabilidade. Brasília, DF: ano 31, n. 133, p.47-55, jan/fev.2002.
 SOUZA, M. T. S. Rumo à prática empresarial sustentável. Revista de
Administração de Empresas. São Paulo, SP: v.4, n.33, p. 40-52, jul/ago/1993.
 <http://www.fdg.org.br/iso14000> Acesso em: 03 jun.2002.

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     Escrito por:
M Maria Elisabeth Pereira Kraemer

Contadora, Professora e Integrante da equipe de Ensino e Avaliação na Pró-Reitoria


de Ensino da UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Relações
Econômicas Sociais e Internacionais pela Universidade do Minho-Portugal.
Doutoranda em Ciências Empresariais pela Universidade do Museu Social da
Argentina. Integrante da Corrente Científica Brasileira do Neopatrimonialismo e da
ACIN - Associação Científica Internacional Neopatrimonialista.

Cita esta página

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 ICONTEC

Pereira Kraemer Maria Elisabeth. (2004, octubre 22). A contabilidade como instrumento
de gestão ambiental. Recuperado de https://www.gestiopolis.com/a-contabilidade-
como-instrumento-de-gestao-ambiental/
Imagen del encabezado cortesía de cityofalbuquerque en Flickr





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A Contabilidade como ferramenta
indispensável à Gestão Empresarial

Seguir + Juliano do Amaral Leite , 20 de junho de 2012




 Problema no artigo?

RESUMO

A contabilidade, por ser alimentada diariamente pelas transações realizadas na empresa,


pode ser considerada um sistema de informação indispensável à gestão. Nem sempre a
contabilidade é vista como uma ferramenta gerencial, mas como uma obrigatoriedade
exigida por lei. Por isso, cabe ao contador demonstrar ao administrador que a
contabilidade financeira pode se transformar em uma ferramenta gerencial, cuja
principal finalidade é auxiliar os gestores no processo decisório. Buscando um
diferencial competitivo é crescente o número de empresas que vêm investindo em meios
que ofereçam informações estratégicas a fim de possibilitar aos gestores tomadas de
decisões mais seguras e de forma proativa. O desenvolvimento deste trabalho visa
demonstrar a importância dos dados contábeis para gestão empresarial. Não houve
intenção em esgotar o tema que é bastante polêmico e fruto de diversos assuntos
acadêmicos e profissionais. O artigo foi baseado em bibliografias sobre o assunto,
pesquisas na internet e conteúdos apresentados em aula.

Palavras chave: Finanças, Contabilidade, Gestão Empresarial, Administração.

INTRODUÇÃO

Atualmente a Compensação Tributária constitui um dos principais instrumentos legais


utilizados pelas empresas, tanto na razão da não-cumulatividade de tributos como "Pis",
"Cofins" e "Ipi", bem como em decorrência de créditos fiscais existentes em virtude de
ações de repetições de indébitos.

A nossa Constituição Federal, pelo próprio sistema adotado pelo legislador constituinte,
é bastante abrangente, indo desde normas programáticas, que efetivamente devem estar
contidos no seu texto, até minúcias que, em verdade, desmereciam guarida no que se
convenciona chamar de Lei Maior de uma nação.
A Constituição Federal (CF) consagrou o princípio do federalismo delimitando e
dividindo entre os entes políticos (União, Estados-Membros, Distrito Federal e
município) o poder de tributar.

O estabelecimento do sistema tributário nacional é muito importante, por trazer os


princípios gerais em matéria tributária, dispor a respeito da competência, limitações à
imposição tributária, discriminação das rendas, imunidades, isenções e outras questões
de suma importância.

Em seu título VI – Da Tributação e do Orçamento, os artigos 145 a 159, determinam em


seu conteúdo os princípios de tributação e os elementos delimitadores da atividade de
tributar, funcionando como elemento disciplinador no poder de tributar.

A CF não cria efetivamente tributos, ela apenas outorga competência tributária para as
pessoas políticas, sou seja, confere aos entes políticos a aptidão para criar, modificar, e
extinguir, por meio de leis, tributos.

Em verdade, alguns doutrinadores afirmam que o sistema tributário nacional é um


verdadeiro subsistema, que trata dos aspectos da imposição tributária pelo estado, dos
poderes exercidos por este na esfera tributária e das garantias dos contribuintes perante
estes poderes.

O Sistema Tributário Nacional compõe-se de tributos, que, de acordo com a


Constituição, compreendem os impostos, as taxas e a contribuição de melhoria (145).

Na área tributária, existem vários princípios constitucionais, a reger a forma de


imposição tributária, são eles: legalidade (art.150, I); isonomia (art.150, II);
irretroatividade (art.150, III, "a"); anterioridade (art.150, III, "b"); proibição de confisco
(art. 150, IV); liberdade de tráfego (art. 150 V); imunidades (art. 150, VI); outras
limitações ( arts.151 e 152); capacidade produtiva (art.145 ,inc.1).

O problema central sobre o qual repousa o presente trabalho é a questão da relevância


dos dados contábeis para o gestor na tomada de decisões.

Demonstrará a importância da Contabilidade financeira e gerencial na administração


das empresas, e o papel do contador como principal facilitador dessa tarefa.

Serão apresentados os usuários mais freqüentes da Contabilidade, as demonstrações


contábeis exigidas pela Legislação e a preeminência de saber analisá-las, bem como a
importância da utilização de indicadores financeiros e não financeiros.

O fluxo de caixa também será citado neste capítulo, pois permite ao administrador
planejar e controlar melhor as entradas e os gastos de sua empresa.

Por fim, serão abordados de forma resumida os tipos de custeio mais utilizados pelas
empresas e a necessidade de se conhecerem os custos dos produtos e serviços para
melhor administrá-los.

A fim de conseguir melhores resultados esse estudo terá caráter dedutivo descritivo
fundamentado em revisão bibliográfica correlata.
CONTABILIDADE FINANCEIRA E GERENCIAL

A Contabilidade pode ser definida como um sistema de registros e apuração ou medição


da riqueza (LEITE, 1988). Gonçalves e Batista (1996) definem Contabilidade como
"ciência que tem por objeto o estudo do Patrimônio a partir da utilização de métodos
especialmente desenvolvidos para coletar, registrar, acumular, resumir, e analisar todos
os fatos que afetam a situação patrimonial de uma pessoa."

A Contabilidade por ter o patrimônio como objeto principal e por estar presente nas
rotinas empresariais deverá obedecer a algumas exigências perante a Legislação, como
os Princípios e as Convenções contábeis. Conforme o Artigo 3º da Resolução do
Conselho Federal de Contabilidade (CFC) N.º 750/93, os Princípios Fundamentais de
Contabilidade são: ENTIDADE, CONTINUIDADE, OPORTUNIDADE, REGISTRO
PELO VALOR ORIGINAL, ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA, COMPETÊNCIA,
PRUDÊNCIA.

As Convenções contábeis representam um complemento dos Princípios, delimitando


conceitos, atribuições e direções no trato de problemas contábeis. São elas: a
Objetividade, a Materialidade, o Conservadorismo e a Consistência (OLIVEIRA, 1991).

A Contabilidade financeira está intimamente ligada às rotinas contábeis da empresa


exigidas pela Legislação e muitas vezes não consegue atender às necessidades que os
administradores têm por informações gerenciais.

Horngren (1986, p. 23) acredita que a contabilidade não pode apenas atender às
necessidades legais servindo basicamente às financeiras, pois assim sua utilidade para a
administração praticamente desapareceria.

Além do dever de cumprir todas as exigências impostas pela Legislação, uma das
principais tarefas do contador é facilitar a compreensão das informações contábeis aos
administradores, demonstrando a importância da Contabilidade no processo decisório.

Saber como melhor interpretar os resultados da empresa é um dos objetivos primordiais


da Contabilidade gerencial. Segundo Anthony (1974), a Contabilidade deverá
preocupar-se em gerar informações úteis à administração, atendendo às necessidades
dos gestores.

A contabilidade gerencial utiliza instrumentos para auxiliar a interpretação dos


resultados levantados através da contabilidade financeira, como a análise e a
interpretação das demonstrações contábeis, os indicadores financeiros e não financeiros,
as ferramentas como Benchmarketing, planejamento estratégico, Balanced Scorecard,
entre outros.

Oliveira (apud SANTOS, 1993, p.18) afirma que o trabalho gerencial é um processo
administrativo que envolve planejamento, organização, direção e controle voltados para
resultados.

Sendo a empresa uma organização de recursos físicos e humanos, cabe aos


administradores saber gerenciar tais recursos da melhor forma possível.
Padoveze (1996, p. 26) comenta a importância de uma entidade ter o apoio da
Contabilidade gerencial na administração de seus negócios, pois, segundo ele, se houver
dentro dessa entidade pessoas que consigam traduzir conceitos contábeis em ações
práticas, a Contabilidade estará sendo um instrumento para a administração.

Já Lomgenecker (apud LONGENECKER; MOORE; PETRY, 1997, P. 516) afirma que


"todo empresário deve ter conhecimentos suficientes sobre o processo contábil,
inclusive sobre demonstrativos financeiros, para poder reconhecer quais métodos
contábeis poderão funcionar de forma mais vantajosa em sua empresa"

Enquanto a Contabilidade financeira está voltada às exigências fiscais, a Contabilidade


gerencial está voltada à gestão da empresa, e ambas têm a sua utilidade e apresentam
características diferenciadas devido ao seu público-alvo.

A Contabilidade gerencial confecciona relatórios conforme as necessidades dos


administradores, muitas vezes utilizando como fonte de informações os dados contidos
nos relatórios gerados pela Contabilidade financeira, em que esses dados são
transformados em uma linguagem mais concisa e clara para o administrador.

O importante é saber analisar e interpretar as demonstrações contábeis para atender às


necessidades de respostas dos gestores.

Segundo Iudícibus (1988, p. 127), "a análise de balanços mais aponta problemas a
serem investigados do que soluções".

Horngren (1986, p. 516) comenta o papel do contador no processo de tomada de


decisões citando que "muitos gerentes querem que o contador ofereça sugestões sobre
uma decisão, mesmo que a decisão final sempre pertença ao executivo operacional".

Sendo um dos propósitos deste trabalho o de melhorar as relações entre contador e


administrador para que ambos participem do processo decisório, é essencial que o
contador demonstre seu principal papel perante a empresa, que é a geração de
informações úteis ao gestor a fim de facilitar as tomadas de decisão.

A Resolução CFC nr. 774/94, cita que "os objetivos da Contabilidade, quando aplicada
a uma entidade particularizada, são identificados com a geração de informações, a
serem utilizadas por determinados usuários em decisões que buscam a realização de
interesses e objetivos próprios"

Cada usuário está interessado em algum aspecto particular da empresa, e os mais


comuns em empresas prestadoras de serviço, por exemplo, são os especificados a seguir
(OLIVEIRA, 1993).

. Fornecedores: estão interessados na capacidade de pagamento de seus clientes, ou seja,


sua liquidez.

. Clientes: preocupa-se em saber se os fornecedores terão capacidade para atendê-los


conforme suas exigências, tanto no produto como nos prazos de pagamentos.

. Concorrentes: fornecem padrões para a empresa auto-avaliar-se.


. Instituições financeiras: analisam a rentabilidade em relação aos prazos, às condições
de pagamento e à liquidez da empresa.

. Dirigentes: interessam-se pelas análises como uma ferramenta nas tomadas de decisão.

. Governo: utiliza-se da análise de balanços para obter informações de cunho financeiro


e evolutivo das empresas.

A Contabilidade e a administração de empresas caminham lado a lado, pois a


Contabilidade se alimenta de informações, e estas são necessárias tanto para o
planejamento como para as tomadas de decisão.

Atualmente, os relatórios financeiros deixaram de ser apenas informativos numéricos.

A necessidade crescente por informações úteis à administração e que gerem resultados


fez com que o contador percebesse a importância de transformar números em relatórios
gerenciais, seja através de simples gráficos desenvolvidos em planilhas auxiliares ou até
mesmo em softwares especializados em gestão, tornando a Contabilidade gerencial cada
vez mais usual no cotidiano das empresas.

Horngren (1986, p. 516) comenta o papel do contador no processo de tomada de


decisões citando que "muitos gerentes querem que o contador ofereça sugestões sobre
uma decisão, mesmo que a decisão final sempre pertença ao executivo operacional".

Sendo um dos propósitos deste trabalho o de melhorar as relações entre contador e


administrador para que ambos participem do processo decisório, é essencial que o
contador demonstre seu principal papel perante a empresa, que é a geração de
informações úteis ao gestor a fim de facilitar as tomadas de decisão.

A Lei nº 6.404/76, conhecida como a Lei das Sociedades Anônimas, estabelece em seu
Artigo 176 as demonstrações financeiras que deverão exprimir com clareza a situação
do patrimônio da sociedade e as mutações ocorridas no exercício.

1. Balanço Patrimonial.

2. Demonstração do Resultado do Exercício.

3. Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

4. Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.

5. Notas Explicativas.

Segundo Franco (1991), "a estática patrimonial é demonstrada no Balanço

Patrimonial, que é a representação dos bens, direitos e obrigações do patrimônio, pondo


em evidência a igualdade entre os valores ativos e passivos".

A segunda demonstração exigida pela Lei das S.A. é considerada mais dinâmica por
parte dos administradores.
A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados deverá conter alguns dados. A
demonstração das origens e aplicações de recursos indicará as modificações na posição
financeira da sociedade.

As notas explicativas são necessárias para esclarecer o resultado do exercício e a


situação patrimonial da empresa.

Conforme Iudícibus (1988, p. 22), "a análise e interpretação das demonstrações


contábeis faz sentido quando, além de sua função de informar o posicionamento relativo
e a evolução de vários grupos contábeis, também serve como um painel geral de
controle para administração".

Segundo Padoveze (1996, p. 117), basicamente o ferramental de análise de balanço é


composto da análise vertical e horizontal, dos indicadores de desempenho e da
avaliação final.

Essas duas ferramentas serão brevemente descritas a seguir.

ANÁLISE VERTICAL E HORIZONTAL

Pode-se definir a análise horizontal como sendo uma comparação que se faz entre
valores de uma mesma conta ou grupo de contas, em diferentes exercícios sociais.

Matarazzo (1997 p. 251) afirma que a análise horizontal baseia-se na evolução de cada
conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior,
geralmente a mais antiga da série.

Já a análise vertical é definida, segundo Franco (1991), como "a determinação da


porcentagem de cada elemento patrimonial em relação ao conjunto indicando o
coeficiente dos diversos grupos patrimoniais, dando-nos assim idéia precisa de
distribuição dos valores no conjunto patrimonial".

A participação expressiva de uma conta ou grupo de contas do total da demonstração


analisada deverá ter uma atenção especial, pois uma alteração brusca nos valores poderá
comprometer a situação econômico-financeira da empresa.

Matarazzo (1997, p. 255) recomenda que as análises vertical e horizontal sejam usadas
conjuntamente, pois uma complementa a outra.

Segundo Gomes (1997, p. 76), os indicadores de desempenho deverão ser selecionados


para controlar a evolução da capacidade competitiva da organização.

A criação dos indicadores e sua permanência de uso são particularidades de cada


empresa, estando intimamente ligadas ao seu ramo de atividade.

Ao longo do tempo, pode-se identificar as carências de determinados indicadores,


havendo a necessidade de nova implementação ou até mesmo de substituição.

Kaplan (1998) acredita que os indicadores de desempenho deverão conter informações


que satisfaçam tanto os gerentes como os funcionários.
O aperfeiçoamento dos indicadores tende a ser contínuo, à medida que a empresa
conseguir identificá-los e colocá-los em prática tornar-se-á um poderoso instrumento de
medida do desempenho da empresa.

Os indicadores econômico-financeiros estão relacionados ao contexto quantitativo,


tendo nas demonstrações contábeis sua principal fonte de informações.

A análise através de indicadores econômico-financeiros ou de quocientes, como


também é conhecida, é muito valorizada por profissionais da área financeira, pois a
relevância de se compararem contas e grupos gerará maior conhecimento do que a
análise isolada de cada componente das demonstrações contábeis.

Iudícibus (1988, p. 145) afirma que "o uso de quocientes tem como finalidade principal
permitir ao analista extrair tendências e comparar os quocientes com padrões pré-
estabelecidos".

É recomendado não utilizar uma quantidade excessiva de quocientes, pois esse


procedimento tende a facilitar a perda do foco inicial, que é a compreensão dos valores
expostos em determinada demonstração contábil.

Os grupos de quocientes mais utilizados pelos usuários são:

a) quocientes de liquidez;

b) quocientes de endividamento;

c) quocientes de atividade (rotação);

d) quocientes de rentabilidade.

A harmonia entre os indicadores financeiros e não financeiros auxiliará o administrador


na identificação dos pontos fortes e fracos da empresa.

Os indicadores não financeiros envolvem o contexto social e qualitativo da empresa, os


quais são definidos de acordo com as particularidades de cada uma delas.

Como exemplos podem ser citados o valor intelectual, a criatividade e a rotatividade dos
empregados, as promoções, o número de dias sem acidentes de trabalho, o sucesso no
recrutamento de empregados, a qualidade dos produtos, o nível de satisfação dos
clientes e a evolução participativa no mercado.

Cada vez mais, o capital humano tem se tornado um diferencial competitivo nas
empresas, principalmente nas que prestam serviços.

Investir em treinamento e desenvolvimento dos funcionários deixou de ser um


investimento de difícil retorno, pois a tecnologia e a informação passaram a fazer parte
do cotidiano empresarial.

De acordo com Padoveze (1996), os gastos com treinamentos e desenvolvimento dos


funcionários ainda são tratados como despesas na Contabilidade.
GESTÃO DE FLUXO DE CAIXA

Matarazzo (1997, p. 370) descreve os principais objetivos do fluxo de caixa, os quais


são listados a seguir:

Avaliar as alternativas de investimentos.Avaliar e controlar ao longo do tempo as


decisões importantes que são tomadas na empresa, com reflexos monetários.Avaliar as
situações presentes e futuras do caixa na empresa, posicionado-a para que não chegue à
situação de iliquidez.Certificar que os excessos momentâneos de caixa estão sendo
devidamente aplicados.

A elaboração desse demonstrativo financeiro é indispensável na administração de


qualquer negócio, devido ao valor das informações financeiras prestadas ao
administrador.

O fluxo de caixa reflete o passado, o presente e auxilia no planejamento empresarial,


pois o administrador tomará decisões baseado em informações que extraiu, muitas
vezes, desse fluxo.

Basicamente existem dois modelos de fluxo de caixa mais utilizados: o fluxo de caixa
pelo método direto e o fluxo de caixa pelo método indireto.

Por apresentar dados financeiros e econômicos na sua estruturação, o método indireto


confunde muito os usuários leigos em Contabilidade (PADOVEZE, 1996).

Zdanowicz (1998, p. 40) define fluxo de caixa como sendo "o instrumento de
programação financeira, que compreende as estimativas de entradas e saídas de caixa
em certo período de tempo projetado".

Segundo Martins (1991), a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e o Balanço


são tão importantes para a gestão da empresa quanto o Fluxo de Caixa.

As duas primeiras demonstrações são utilizadas para analisar a evolução do patrimônio


e para conhecer a sua efetiva rentabilidade; já a análise financeira de curto prazo o
Fluxo de Caixa é mais útil, pois dá condições ao administrador de acompanhar a
liquidez da empresa.

CUSTO DO PRODUTO

A preocupação em se conhecer o custo dos produtos é uma questão muito discutida nos
encontros entre administradores e contadores. Desses encontros deverão surgir idéias de
como melhorar a gestão de custos na empresa a fim de reduzÍ-los sem prejudicar a
qualidade dos produtos.

O contador poderá contribuir nesse processo demonstrando ao administrador os custos


dos seus produtos e sugerindo soluções de como reduzÍ-los; e o administrador terá a
tarefa de transmitir a importância para toda a empresa de se conhecerem os custos e a de
administrar da melhor forma possível os centros de custos.
Segundo Padoveze (1996), cada vez mais se torna imprescindível que os
administradores conheçam os custos das atividades de suas empresas. Para tanto, deverá
ser identificado o método de custeio mais adequado à realidade da organização.

Figueiredo (apud BEULKE; BERTÓ, 1996) afirma que o primeiro objetivo na


formulação do preço de um produto é cobrir todos os custos variáveis incorridos em sua
fabricação e venda. O segundo objetivo é obter a maior margem possível a fim de que
possam ser cobertos os custos fixos e seja obtido um lucro.

A importância de se encontrar o custo real dos produtos está intimamente ligada à


precificação. Beulke ( apud BEULKE; BERTÓ, 1996, p. 33) relaciona custo (a ser
administrado e minimizado), preço (ajustado ao mercado para ser competitivo) e
margem de contribuição (suficiente para remunerar o custo fixo e propiciar um retorno
adequado).

As metodologias de apuração de custos mais utilizadas na Contabilidade são o


custeamento variável e o custeamento por absorção, por serem mais práticas e de fácil
visualização do custo dos produtos.

A Legislação influencia muito na atitude das empresas em demonstrar seus verdadeiros


custos, pois as formas de se calcularem os custos dos produtos estão intimamente
ligadas ao resultado da empresa, que, por sua vez, será oferecido à tributação
(MARTINS, 1996).

Devido a essa preocupação em atender à Legislação, a necessidade de se gerenciarem


custos pode deixar de existir dentro das empresas. Seguindo essa linha de pensamento,
surgiu um novo método de custeamento denominado Activity Based

Costing (ABC) ou Custeio Baseado em Atividades, que procura aprimorar o


custeamento dos produtos, sempre voltado para a gestão estratégica de custos.

Independente do método de custeio adotado pela empresa, este oferecerá vantagens e


desvantagens a serem consideradas (CHING, 1997). O método de custeio variável
(direto) trabalha com a margem de contribuição dos produtos, concentra-se nos custos
diretos dos produtos e por isso não é aceito pela Legislação.

O método de custeio por absorção, apesar de ser aceito pela Legislação, aloca todos os
custos e despesas ao produto, sejam eles diretos, indiretos, variáveis ou fixos.

A forma de alocar os custos indiretos é feita utilizando-se o método de rateio, sendo


muito criticado pelos adeptos do ABC (MARTINS, 1996; IUDÍCIBUS, 1998).

O ABC não é um novo método de custeio a fim de atender à Legislação; é tido como
uma ferramenta gerencial que está voltada às atividades da empresa. Dessa forma, não
utilizam rateios na alocação dos custos, despesas indiretas e fixas.

Para facilitar o processo segue uma sistemática compostas de cinco passos, cada qual
compreendendo um conjunto de tarefas bem definidas, de forma a facilitar a condução
por parte do contador e a assimilação e o engajamento por parte do gestor.
Os passos para implantação dessa sistemática são introduzidos abaixo de forma
resumida.

Passo Um - Analisar a empresa: nesta fase o contador irá conhecer a organização na sua
totalidade, buscará informação junto à contabilidade da empresa, analisará documentos
que descrevam os processos de rotinas da empresa, enfim estudará cada detalhe que
julgar importante e necessário para melhor conhecer estudará cada detalhe que julgar
importante e necessário para melhor conhecer os objetivos estratégicos da empresa ora
analisada.Passo Dois - Entender o processo decisório da empresa: verificar junto aos
gestores como são tomadas as decisões atualmente, qual é a fontes das informações que
servem de base a essas decisões, quais são os instrumentos utilizados no processo
decisório e quais são os atores envolvidos. Neste passo são identificadas oportunidades
para melhorar processo decisório. Passo Três - Analisar os dados disponíveis nos
sistemas contábeis: o contador deverá analisar o sistema contábil adotado pela empresa,
além de outros repositórios de dados, a fim de identificar fontes de dados que possam
ser transformadas em informações uteis á administração da empresa. Passo Quatro –
Elaborar relatórios: nesta fase serão transformados os dados identificados no passo
anterior em informação uteis ao processo decisórios, cujos resultados será a elaboração
de relatórios capazes de evidenciar as operações da empresa de maneira a facilitar as
tomadas de decisão. Os relatórios desenvolvidos nesta etapa deverão estar de acordo
com as necessidades e características particulares de cada empresa, isto é, serão
personalizados. Esses relatórios não serão necessariamente aqueles mais conhecidos e
utilizados pelos gestores de uma forma geral, mas sim, relatórios que contenham
informações julgadas úteis aos gestores de determinada organização.Passo Cinco –
Adaptação do processo decisório: o contador apresentara aos gestores as diferentes
formas de elaboração de relatórios desenvolvidas na fase anterior e explicará como
essas informações poderão ser utilizadas para melhorar o processo decisório da
empresa. Nesta fase serão analisados os fatores que foram abordados na elaboração de
relatórios afetos ao planejamento estratégico e as novas possibilidades de interpretação
da situação da empresa, a fim de demonstrar a viabilidade da incorporação de
instrumentos apoiados sobre a contabilidade da participação ativa do gestor em todo o
processo.

A sistemática apresentada um processo interativo, pois envolve a participação do gestor


ativamente ao longo dos passos, e incremental, porque as mudanças no processo
decisório vão ocorrendo gradualmente e de forma continuam, ou seja, com o termino de
um ciclo completo (desenvolvimento das cinco fases), existirão novos insumos para se
reiniciar todo o processo novamente, e assim sucessivamente.

CONCLUSÃO

A contabilidade pode ser considerada uma fonte de informação valiosa para uma
empresa, pois é alimentada com dados gerados por todos os centros de lucro que a
compõem.

São na contabilidade que os fatos ocorridos na empresa se transformam em lançamentos


contábeis, que, por sua vez, geram dados que poderão ser transformados em
informações gerenciais capazes de dar suporte às mais diversas decisões tomadas pelos
administradores, seja a empresa do ramo industrial, comercial ou prestadora de serviços.
As informações contábeis deverão propiciar ao usuário uma melhor compreensão dos
fatos ocorridos na empresa em determinado momento. Entretanto, na maioria das vezes,
os relatórios gerados pela contabilidade têm apenas o objetivo de atender à legislação
vigente do ramo de atividade ao qual a empresa pertence.

Devido a essa particularidade, nem sempre os gestores conseguem visualizar o resultado


de suas ações através de tais relatórios, pois a nomenclatura utilizada não pertence ao
dia-a-dia do empresário. Cabe então ao profissional da contabilidade estudar formas de
evidenciar as informações contidas nos relatórios contábeis a fim de apoiar o processo
decisório.

O desenvolvimento deste trabalho visou enriquecer e melhorar o processo decisório,


gerando com isso uma vantagem competitiva para as empresas, tomando como base a
contabilidade.

A fim de dar suporte ao processo de gestão empresarial, o estudo apresentado sugeriu a


elaboração de uma sistemática que consiga inserir, de forma gradativa, a contabilidade
gerencial, com o objetivo de gerar conhecimento aos gestores facilitando o processo de
tomada de decisão.

Essa sistemática visa inserir o gestor na elaboração dos relatórios gerenciais, de modo
que possam ser desenvolvidos instrumentos de apoio à gestão mais próxima das reais
necessidades dos administradores.

A participação do gestor na elaboração e validação dos relatórios gerenciais é


determinante para o sucesso dos relatórios, os quais constituem parte integrante do
processo decisório da empresa. Com relação à inserção desse processo de forma
incremental, é sabido que, quando as mudanças são graduais, tornam-se mais fáceis de
serem absorvidas e, conseqüentemente, apresentam resultados de forma mais rápida.

Uma das vantagens desse sistema integrado de informação seria a minimização ou até
mesmo a extinção dos retrabalhos realizados pelos departamentos financeiro e contábil,
uma vez que estes desenvolvem os relatórios gerenciais utilizados no processo de
tomada de decisões.

Naturalmente o tema discutido não se esgota com esta pesquisa, sendo fundamental que
o estudo tenha continuidade para aprimorar os relatórios gerenciais, que visam,
sobretudo, informar ao gestor o resultado de sua administração.

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do
Administradores.com.br.
mpresarial

Auditoria Contábil como Instrumento de Gestão para as Pequenas e


Médias Empresas

O presente trabalho teve como objetivo demonstrar a relevância da auditoria contábil


como instrumento de gestão para as pequenas e médias empresas (PME'S), efetuando
uma análise dos resultados através das informações obtidas.

16/05/2018 08:30

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O presente trabalho teve como objetivo demonstrar a relevância da auditoria contábil


como instrumento de gestão para as pequenas e médias empresas (PME’S), efetuando
uma análise dos resultados através das informações obtidas. Conforme a metodologia
utilizada, desenvolveu-se uma pesquisa na forma descritiva, com abordagem qualitativa,
exploratória e analítica sobre o tema, empregando a pesquisa bibliográfica pautada em
livros, por meio de interpretações de autores e especialistas no assunto, revistas, sites,
sendo realizado o levantamento de dados e informações acerca das gestões dos
empreendimentos. Em decorrência da crescente expansão das PME’S no cenário
nacional, devido ao agravamento da crise econômica a partir do ano de 2015, onde os
vários trabalhadores perderam seus empregos formais e não conseguiram se recolocar
no mercado de trabalho, encontrando no empreendedorismo uma alternativa para
superar as dificuldades impostas pelo desemprego. Entretanto, constatam-se um alto
índice de mortalidade destas empresas nos primeiros anos de vida devido à falta de
planejamento, administração, estrutura, capacitação, recursos, falha na gestão,
inexperiência e outros fatores que levam a ocorrência de erro e fraude dentro da
organização, problemas determinantes que culminam no encerramento das operações.
Diante do exposto, verificou-se que a auditoria tanto a interna quanto a independente,
unidas à área contábil, utilizando-se em conjunto um sistema de controle interno, são
importantes ferramentas de apoio e auxilio aos empreendedores. A auditoria, por ser
uma atividade de assessoramento e consultoria, proporciona um bom planejamento que
é imprescindível para as PME’S, atua como uma finalidade preventiva, detectando
problemas, propondo alternativas e possíveis soluções, contribuindo na reestruturação
das empresas. O controle interno também é de fundamental relevância nas organizações,
pois atua para um desempenho operacional eficaz, traçando metas, servindo de suporte
aos empreendedores no gerenciamento dos negócios e na tomada de decisões,
capacitando sua equipe para um desempenho efetivo quanto à realização e execução das
tarefas, contribuindo para a prevenção de erros e irregularidades. Observa-se que estas
ferramentas são essenciais para o sucesso, crescimento saudável e longevidade do
empreendimento.

INTRODUÇÃO

Na atual conjuntura sócio-econômica, o crescimento das pequenas e médias empresas


(PME’s), pode ter fator de desempenho de um papel de suma importância para o
desenvolvimento econômico do País. Porém, por estarem inseridas num cenário
altamente competitivo, pesquisas tais como o SEBRAE (2017), apresentam altas taxas
de mortalidade, fato este atribuído há diversas causas, tais como, falta de estrutura,
planejamento, falha na gestão e outros fatores que levam a ocorrência de erro e fraude
dentro da organização, problemas determinantes que culminam em seu fechamento.
Diante dessa situação, a auditoria contábil apresenta-se como uma ferramenta de
verificação, análise e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações e a
prática das demonstrações contábeis das PME’s, que pode auxiliar na preservação de
adversidades que podem ocorrer e levar a empresa ao encerramento de suas atividades.

Assim, surge o interesse em desenvolver um estudo buscando evidenciar a importância


da auditoria na gestão das pequenas e médias empresas e o quanto podem colaborar para
seu desenvolvimento.

Desta forma, será apresentado o controle administrativo, buscando identificar sua


relevância na identificação de erros e fraudes, bem como apresentar a função de
assessoria, apresentando como apoio para as tomadas de decisões. Deste modo, busca-se
identificar se com estas atitudes poderá ocorrer a continuidade das operações.

Considerando-se o descrito, as perguntas norteadoras deste estudo são as seguintes: O


trabalho de auditoria pode contribuir no processo de gestão das pequenas e médias
empresas (PME’s) reduzindo a taxa de mortalidade? E quais os benefícios que o
trabalho do auditor pode proporcionar a essas empresas?

No sentido de encontrar as respostas a estas indagações, o objetivo geral do referido


trabalho reportará sobre os trabalhos da auditoria contábil, interna ou independente, sua
relevância para as pequenas e médias empresas, e se com a utilização destes recursos,
pode-se reduzir o risco de falências.

Os objetivos específicos consistirão em apresentar indicadores de taxa de mortalidade


das PME’s no País, identificando pesquisas sobre as principais causas das mortalidades,
evidenciando as funções e os benefícios da auditoria para a gestão das empresas e
destacando como o trabalho da auditoria contábil interna ou independente pode
contribuir para resultados positivos no futuro.

A pesquisa terá um caráter qualitativo, exploratório, descritivo e analítico sobre o tema,


fazendo uso da pesquisa bibliográfica pautada em livros, por meio de interpretações de
autores e especialistas no assunto, revistas especializadas, sites periódicos, coletando
dados e informações acerca das gestões das pequenas e médias empresas, com o
propósito de resolver as questões que foram dispostas neste estudo e alcançar os
objetivos propostos.

1 CENÁRIO ECONÔMICO DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PME’S)

As pequenas e médias empresas (PME’s) apresentam grande relevância na economia


brasileira no que se refere à geração de emprego e renda. Conforme a Lei Geral da
Micro e Pequena Empresa, que foi promulgada em dezembro de 2006 e atualizada pela
Lei Complementar nº 147/2014, considera-se empresa de pequeno porte (EPP), a
sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade
limitada e o empresário, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou
no Registro Civil de Pessoas.

Em decorrência das alterações no Simples Nacional que foi atualizado pela Lei
Complementar 155/2016 e Resolução 135/2017 do Comitê Gestor do Simples Nacional
(CGSN), que entrou em vigor a partir de 01 de Janeiro de 2018, houve mudanças
relevantes para empresas optantes deste regime detributação, tendo o ingresso de novas
atividades, novos limites de faturamento e redutor da receita, além de alterações nas
alíquotas. Referentes aos limites anuais de faturamento para a opção e permanência no
Simples Nacional, destacam que no caso da empresa de pequeno porte, poderão ser
auferidas em cada ano-calendário receitas entre R$ 360 mil até o limite de R$ 4,8
milhões.

Entretanto, os limites para recolhimento do ICMS e do ISS no regime do Simples


Nacional permaneceram em R$ 3,6 milhões. Deste modo, uma empresa com receita
entre R$ 3,6 milhões e R$ 4,8 milhões poderá fazer opção pelo Simples Nacional,
porém simultaneamente, deverá cumprir suas obrigações referentes ao ICMS e ao ISS
no devido Estado, Distrito Federal ou Município.

Segundo a LC 155/2016 e Resolução 135/2017, foram determinadas regras de transição


para as empresas que em 2017 obter faturamentos acima de R$ 3.6 milhões até R$ 4,8
milhões as quais poderão permanecer integrando o Simples Nacional em 2018, sob
alguns requisitos, porém impossibilitadas de efetuar o recolhimento do ICMS e ISS.

Conforme análises dos últimos relatórios e pesquisas desenvolvidas pelo Serviço


Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), 2016 e a Global
Entrepreneurship Monitor (GEM), 2016 em parceria com o Instituto Brasileiro da
Qualidade e Produtividade (IBQP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve uma
expansão de novas empresas no Brasil. Fato este ocorrido principalmente devido a
intensificação da crise econômica a partir do ano de 2015, onde vários trabalhadores
perderam seus empregos formais, não conseguindo uma recolocação no mercado de
trabalho. Desta forma, encontraram no empreendedorismo uma alternativa para
contornar as dificuldades impostas pelo desemprego.

De acordo com Chaves Júnior (2003, p.08):

(...) por causa das transformações no mercado de trabalho, o seguimento das micro e
pequenas empresas no Brasil vêm despertando interesse cada vez maior, observando,
notadamente, através da atuação dos legisladores e dos governos municipal, estadual e
federal.

O crescente ingresso dessas novas empresas na economia nacional faz com que estas
colaborem positivamente com a diminuição do nível de desemprego, gerando um
significativo aumento da renda da população e a elevação na arrecadação de impostos.
Entretanto, um fato negativo tem chamado atenção com relação a este fenômeno, o alto
índice de mortalidade destas empresas nos seus primeiros anos de vida, em média dois
anos.

Entretanto é importante frisar, segundo Drucker (1984), que o sucesso pode não ser
permanente, pois as empresas são criações humanas desprovidas de permanência real,
devendo estas sobreviver além do período de vida de seu fundador, prestando a
contribuição que deve a economia e a sociedade.

De acordo com levantamento de dados no SEBRAE (2017), os principais fatores que


contribuem para o encerramento prematuro das atividades destas PME’s, inseridas num
atual cenário bastante competitivo, estão relacionados à falta de administração,
estrutura, planejamento, capacitação, recursos, falha na gestão, inexperiência, motivos
econômico-financeiros, despesas excessivas e outros fatores que levam a ocorrência de
erro e fraude dentro da organização, problemas condicionantes que culminam em seu
fechamento.

Mediante as considerações expostas, a auditoria surge como uma importante ferramenta


de apoio e auxilio à gestão das pequenas e médias empresas, pois efetua a verificação,
análise e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações e a prática das
demonstrações contábeis, resguardando o acontecimento de algumas situações que
possam ocorrer e levar a empresa ao seu eventual declínio.

2 AUDITORIA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO

A auditoria aliada à área contábil assume um papel de suma importância para a


permanência das empresas no mercado, por ser um instrumento de gestão, pode ser fator
de auxilio na detecção de falhas e riscos que levam ao comprometimento das atividades,
analisando permanentemente quais os pontos de melhoria para o negócio, emitindo
opiniões e sugestões, solicitando possíveis correções, visando manter a empresa sempre
atualizada, agindo proativamente para o crescimento e o sucesso do empreendimento.

De acordo com Sá (2002, p. 21):


Auditoria contábil é uma técnica que se utiliza da revisão da pesquisa para fins de
opinião e orientação sobre orientações patrimoniais sobre uma entidade, verificando, a
veracidade dos relatórios apresentados, bem como certifica-se de que foram feitos
baseados nas regras e conceitos contábeis.

Entretanto, a auditoria possui um papel de extrema relevância, por ser uma atividade de
assessoramento e consultoria, possui uma finalidade preventiva, contribuindo para a
melhoria da eficácia dos processos de gestão e controles, auxiliando os gestores nas
tomadas de decisões, sendo primordial para que as organizações alcancem seus
objetivos.

Conforme evidencia Crepaldi (2002), a auditoria estuda o exame dos documentos, livros
e registros contábeis, inspeção e obtenção de informações, internas e externas, ligadas
ao controle do patrimônio, focando constatar a perfeição desses registros e suas
demonstrações contábeis.

Diante do que foi mencionado, pode-se observar que a auditoria não é voltada apenas
para as grandes organizações, mas também está sendo amplamente difundida nas
pequenas e médias empresas.

Segundo Hoog(2007, p. 65), define auditoria da seguinte forma:

É o procedimento científico relativo à certificação dos elementos da riqueza aziendal,


normalmente contabilizados nas fundações, associações, sociedades empresária e
simples. Assegurando a credibilidade das informações das peças contábeis e a
integridade do conjunto de bens e obrigações e da situação líquida, visa a minimização
ou eliminação dos riscos fiscais, societários, ambientais, trabalhistas, previdenciários,
sistêmicos ou não da ambiência.

Desta forma, observa-se a importância da auditoria como instrumento de gestão para as


empresas, independente do tamanho ou segmento de atividade, pois quando bem
executada, permite que eventuais problemas e irregularidades sejam detectados com
primazia, atuando como um facilitador na tomada de decisões, trabalhando na constante
busca de melhorias e assim contribuindo para um funcionamento eficiente e eficaz da
organização, fazendo com que os objetivos almejados sejam alcançados.

3 AUDITORIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA REDUZIR A TAXA DE


MORTALIDADE DAS PME’S

Existem várias modalidades de auditorias que são utilizadas em benefício das empresas
acerca de todos os segmentos de atuações. A auditoria em geral possui um conteúdo
bastante extenso, então o presente estudo enfatizará a auditoria contábil, financeira,
operacional e de gestão, como ferramentas de suporte e auxilio para os
empreendimentos.

Esses tipos de auditorias mencionadas podem ser denominados de auditoria interna e


externa ou independente. Suas utilizações pelos gestores são valiosas para a redução da
taxa de mortalidade das pequenas e médias empresas, sendo um relevante instrumento
para o sucesso na tomada de decisões, contribuindo para o crescimento das
organizações.
De acordo com Castro (2010, p. 382), a auditoria assumiu um expressivo papel de
assessoramento e consultoria “com finalidade de garantir que os controles fossem
adequados, corretamente executados e que as informações geradas fossem fidedignas,
espelhando a realidade financeira e econômica da entidade”.

Segundo a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n/° 560/83, que trata
das prerrogativas da profissão contábil, estabelecidas pelo Art. 25 do Decreto-lei
9.295/46, a execução de trabalhos de auditoria interna ou independente, são atribuições
privativas de contador devidamente habilitado junto ao Conselho Regional de
Contabilidade a que estiverem sujeitos.

Embora ambas as auditorias tenham o mesmo objetivo, onde suas atuações servem de
suporte e auxílio para a gestão empresarial, assessoram a administração na tomada de
decisões e previnem a ocorrência de certos problemas cruciais que acarretam na falência
das PME’S. São importantes recursos a serem utilizados pelos os empreendedores e
possuem finalidades semelhantes. Porém existem algumas peculiaridades que as
distinguem, as quais serão expostas nos próximos tópicos, onde serão abordadas suas
características e funções.

3.1 AUDITORIA INTERNA

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profissionais, (NBC


TI 01) e (NBC PI 01), onde versam sobre as Atividades e os Procedimentos de
Auditoria Interna e sobre as Normas Profissionais do Auditor Interno respectivamente,
considera-se que a auditoria interna é realizada por um profissional que possui relação
de dependência com responsabilidade trabalhista com a empresa, sua execução é
facultativa e de interesse da própria empresa, verifica se as normas internas estão sendo
seguidas e se há necessidade de novas normas internas, executa auditoria contábil e
operacional.

Conforme Almeida (2003, p. 29):

O auditor interno é um empregado da empresa, e dentro de uma organização ele não


deve estar subordinado aqueles cujo trabalho examina. Além disso, o auditor interno
não deve desenvolver atividades que ele possa vir um dia a examinar (como, por
exemplo, elaborar 30 lançamentos contábeis), para que não interfira em sua
independência.

A auditoria interna tem como objetivo assessorar a administração quanto ao


desempenho das atribuições definidas para determinadas áreas da empresa, aferindo os
controles internos da organização e a qualidade dos registros, avaliando a eficiência e
eficácia de outros controles, observando, indagando, questionando, checando e
propondo alterações e procedimentos, trabalhando na detecção e prevenção de fraudes e
erros.

Segundo as considerações de Attie (1986), auditoria interna é uma atividade


independente, tendo como intuito fazer a averiguação e avaliação dos serviços internos
da instituição, ajudando os gestores a desobrigarem de suas responsabilidades,
fornecendo a eles suporte, assessoria e as divulgações das atividades examinadas.
Conforme expõe Castro (2010, p. 385), a auditoria interna:

Compreendem os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações,


metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia,
eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles
internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à
administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.

Portanto, percebe-se que a auditoria interna é uma exímia ferramenta de gestão para as
pequenas e médias empresas, onde obtém, analisam, interpretam e documentam as
informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais para dar suporte aos
resultados de seu trabalho, devendo informar à organização sobre quaisquer indícios ou
confirmações de eventos que ocasionam adversidades para que sejam devidamente
sanadas, tendo como produto final emitir um relatório de recomendações e sugestões à
administração, permitindo que as empresas possam atingir os seus objetivos e
vislumbrar boas perspectivas para o futuro.

3.2 AUDITORIA EXTERNA OU INDEPENDENTE

Em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profissionais,


(NBC TA 200) e (NBC PA 01), que tratam dos Objetivos Gerais do Auditor
Independente e sobre as Normas Profissionais do Auditor Independente, evidenciam
que auditoria externa é realizada através de um profissional de forma independente da
empresa auditada, com responsabilidade civil e a sua contratação é feita por período
pré-determinado, em determinadas empresas a auditoria externa é obrigatória e a sua
execução é de interesse das próprias empresas, órgãos governamentais, credores e
investidores em geral.

Conforme ponderações de Franco (1982, p. 174), a auditoria externa “é aquela realizada


por profissional liberal, auditor independente, sem vinculo de empregado com a
entidade auditada, e que poderá ser contratado para auditoria permanente ou eventual”.

Deste modo, observa-se que a auditoria externa possui um maior grau de independência,
não possui vínculo empregatício com as organizações, executa auditoria contábil e seu
objetivo é opinar sobre as demonstrações financeiras com base nos Princípios de
Contabilidade, tendo como produto final, emitir um parecer sobre as mesmas.

Segundo Almeida (2003, p. 29), considera que:

O auditor externo, além de sua opinião ou parecer sobre as demonstraçõescontábeis,


passou a emitir um relatório comentário, no qual apresentava sugestões para solucionar
os problemas da empresa, que chegaram a seu conhecimento no curso de seu trabalho
de auditoria. Nisso, o auditor externo passava pouco tempo na empresa, e o foco era a
auditoria das demonstrações contábeis.

Contudo, verifica-se que a execução do trabalho de auditoria independente é essencial


para gestão das PME’S, não é realizada para a detecção de erros e fraudes, ou interferir
na administração da empresa, não cabe ao auditor a incumbência para a precaução
dessas possíveis distorções, não podendo ser atribuída responsabilidade ao mesmo.
Entretanto, seu trabalho deve ser executado estimando o risco desses acontecimentos,
para que haja a possibilidade de detecção daqueles que influenciam diretamente as
demonstrações contábeis.

Portanto, ao detectar algumas dessas situações, o auditor externo tem o dever de


comunicá-las à administração das organizações, sugerindo procedimentos e medidas
para a devida correção, informando sobre os possíveis efeitos na emissão do
seu parecer, caso elas não venham a ser implementadas. Desta forma, evidencia-se a
importância da auditoria independente como uma ferramenta de auxilio para uma gestão
eficiente e eficaz. A existência da auditoria externa e interna são extremamente
necessárias para as pequenas e médias empresas, pode-se haver um trabalho em
conjunto de ambas, visto que uma complementa a outra.

4 BENEFÍCIOS E CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO DE AUDITORIA NO


PROCESSO DEGESTÃO DAS PME’S

Mediante análises anteriormente realizadas, de acordo com pesquisas do SEBRAE


(2017), percebe-se que a realidade empresarial no cenário contemporâneo do País é
composta por PME’S, que atualmente são as grandes responsáveis pela a movimentação
da economia brasileira. Devido à expansão do empreendedorismo, surge a preocupação
com a permanência destas empresas no mercado, visto que há um alto índice de
mortalidade nos primeiros anos de vida, geralmente dois anos.

Vários aspectos desencadeiam o fechamento prematuro de um negócio, como a falta de


estrutura, gestão, planejamento, crise econômica para um determinado setor de
atividade e outros elementos decisivos que culminam em falências das organizações.
Segundo Palermo (2002), afirma que o crescimento e a sobrevivência de uma empresa
dependem dentre outros fatores do desenvolvimento de uma gestão eficaz e proativa.

De acordo com o que foi evidenciado, o trabalho de auditoria interna ou independente,


surge como um recurso que tem muito a contribuir no processo de gestão das PME’s. A
auditoria é uma atividade profissional executada nas empresas, onde englobam a
apuração de informações, verificando a produção, os rendimentos, os custos
operacionais, analisando o desenvolvimento estrutural e patrimonial da empresa,
abrangendo a situação econômico-financeira para a expansão dos empreendimentos.

Segundo considerações de Franco e Marra (2001, p.31), a auditoria:

É o conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrado, os quais


compreendem registros contábeis, papeis, documentos, fichas, arquivos e anotações que
comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração, bem
como sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais. A auditoria pode ter por
objetivo inclusive, fatos não registrados documentalmente, mas relatados por aqueles
que exercem atividades relacionadas com o patrimônio administrado, cuja informação
mereça confiança, desde que tais informações possam ser admitidas com seguras pela
evidência ou por indícios convincentes.

Contudo, percebe-se que são diversos os benefícios proporcionados pelo o uso da


auditoria e que possui um papel de suma importância no contexto organizacional. A
prática dos recursos da auditoria nas pequenas e médias empresas tem como objetivo
auxiliar a administração na execução efetiva de suas funções e responsabilidades,
identificar falhas e irregularidades no sistema operacional, realizar procedimentos
elaborando fluxogramas e organogramas para que facilite a visualização da distribuição
de funções e circularização de documentos que possam prejudicar o controle da
organização, elaborar diagnósticos que possibilitam visualizar e avaliar a situação da
empresa de acordo com o desempenho relativo ao funcionamento e ampliação dos
negócios.

Boynton, Jhonson e Kell (2002, p. 30,31), definem auditoria como:

Um processo sistemático de obtenção e avaliação objetivas de evidências sobre as


afirmações a respeito de ações e eventos econômicos para aquilatação do grau de
correspondência entre afirmações e critérios estabelecidos, e de comunicação dos
resultados a usuários interessados.

Deste modo, a auditoria analisa a proporção que os recursos colocados ao dispor dos
empreendedores estão sendo executados de forma eficiente e eficaz, realiza atividades
colaborando nas reuniões de diretoria, comitês operacionais e financeiros, grupos
comprometidos com projetos de qualidade, controles internos, reorganização de
funções, emite opiniões acerca do cumprimento das funções dos gestores, a
lucratividade da empresa e conclui se os resultados obtidos por eles foram ou não
satisfatórios.

De acordo com Sá (1998, p. 25), a auditoria é:

Uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e


de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando a apresentar
opiniões, conclusões críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais
da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos, quer por ocorrer ou
prospectados e diagnosticados.

Conforme a Resolução Nº 1.203/2009, item 3 que aprova a NBC TA 200:

O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por


parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor
sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes,
em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável. No caso da
maioria das estruturas conceituais para fins gerais, essa opinião expressa se as
demonstrações contábeis estão apresentadas adequadamente, em todos os aspectos
relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro. A auditoria
conduzida em conformidade com as normas de auditoria e exigências éticas relevantes
capacita o auditor a formar essa opinião.

Diante do exposto, a auditoria possui uma vasta gama de meios que contribui para a
gestão das PME’S. Segundo considerações de Costa (2014), tem como função a
verificação e apuração dos registros e lançamentos contábeis, a fixação de políticas e
objetivos, estabelecimento de planos, normas e procedimentos para que alcancem suas
pretensões, atua na organização e no controle da empresa a fim de que possam de fato
operar, verificando a forma como os referidos planos, normas e procedimentos estão
alcançando seus objetivos, formando uma opinião acerca de todas as informações
obtidas, que servirá como suporte para conduzir os melhores caminhos a serem seguidos
pelos seus gestores.

Segundo afirma Gil (2000, p. 82), para que se obtenha sucesso:

É fundamental que o auditor, antecipadamente, tenha em mente o tipo de fraqueza que a


técnica de auditoria irá demonstrar via determinação de prova documental em termo de:
fraudes de processos e produtos/resultados dos negócios organizacionais; não
conformidade de processos e produtos/resultados dos negócios organizacionais;
necessidades de otimização e processos e produtos/resultados dos negócios
organizacionais.

Portanto, a auditoria é uma grande aliada na gestão das pequenas e médias empresas,
sendo uma ferramenta de suma importância utilizada pelo o auditor para o
assessoramento e suporte das organizações, contribuindo para o desempenho das
atividades, auxiliando as pessoas responsáveis dentro da empresa auditada, verificando
as formas como desempenham suas funções, o grau de comprometimento das mesmas,
os controles praticados, tanto em níveis operacionais quanto na gestão dos negócios,
pois são fatores cruciais para a emissão de um parecer correto, preservando eventuais
problemas, sendo fundamental para obtenção do sucesso empresarial.

5 CONTROLE INTERNO NAS PME´S

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas de Auditoria


Independente (NBC TA 315.4 C), controle interno é o processo planejado,
implementado e mantido pelos responsáveis da governança, administração e outros
funcionários para fornecer segurança razoável quanto à realização dos objetivos da
entidade no que se refere à confiabilidade dos relatórios financeiros, efetividade e
eficiência das operações e conformidade com leis e regulamentos aplicáveis. O termo
“controles” refere-se a quaisquer aspectos de um ou mais dos componentes do controle
interno.

Segundo Almeida (2009, p. 42):

Controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos


ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e
ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa.

Franco e Marra (2001, p. 267), consideram controle interno como:

Todos os instrumentos da organização, destinados a vigilância, fiscalização e


verificação administrativa, que permitem prever, observar, dirigir ou governar os
acontecimentos que se verificam dentro da empresa e que produzem reflexos em seu
patrimônio.

As atividades de controle dentro das organizações são ferramentas de fundamental


importância, pois atuam no planejamento, traçando metas, auxiliando os
empreendedores no gerenciamento dos negócios e na tomada de decisões, capacitando
sua equipe para um desempenho eficaz quanto à realização dos trabalhos,
desenvolvendo procedimentos de execução das tarefas, contribuindo para a prevenção
de erros e irregularidades nas empresas.

Conforme menciona Attie (2000, p. 114):

Um sistema de controle interno bem desenvolvido pode incluir o controle orçamentário,


custos-padrão, relatórios operacionais periódicos, análises estatísticas, programas de
treinamento de pessoal e, inclusive, auditoria interna. Pode também, por conveniência,
abranger atividades em outros campos, como, por exemplo, estudo de tempos e
movimentos, e controle de qualidade.

Entretanto, observa-se que a utilização de um sistema de controle interno é um


instrumento de fundamental relevância para a gestão das pequenas e médias empresas e
para uma administração bem-sucedida, colaborando para a obtenção de resultados
satisfatórios, proporcionando um maior desempenho operacional e sua sobrevivência no
mercado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O material evidenciou a importância dos trabalhos de auditoria contábil interna e


externa, agregadas a um sistema de controle interno, vem se destacando nas
organizações, independente do porte, ou ramo de atividade dos empreendimentos e o
quanto podem colaborar para seus desenvolvimentos.

No atual cenário econômico altamente competitivo, onde estão inseridas as pequenas e


médias empresas, faz-se necessário a adoção de ferramentas a fim de prolongar suas
permanências no mercado, projetando resultados positivos para os negócios.

As perguntas norteadoras deste estudo foram se o trabalho de auditoria pode contribuir


no processo de gestão das pequenas e médias empresas (PME’s) reduzindo a taxa de
mortalidade? E quais os benefícios que o trabalho do auditor pode proporcionar a essas
empresas?

Deste modo, observou-se que as aplicações destes recursos de auditoria e controle nas
organizações são importantes instrumentos de gestão, visto que atuam diretamente no
planejamento, prevenindo e detectando problemas, propondo soluções, colaborando
efetivamente para a reestruturação, reduzindo significativamente as taxas de
encerramentos prematuros das operações.

Portanto, verificou-se que a auditoria interna ou independente, unidas a um sistema de


controle interno, quando desempenhadas de forma eficiente, são exímias atividades de
gestão, assessoramento e auxilio, abrangendo mecanismos de suporte para os
empreendedores, proporcionando diversos benefícios para a redução de riscos e a
continuidade dos negócios.

Conclui-se que as utilizações destas ferramentas são de suma relevância para as PME’S,
pois analisam o desenvolvimento estrutural e patrimonial das organizações, atuam na
apuração de dados, verificação e prevenção de falhas e irregularidades que levam a
ocorrência de adversidades, como erros e fraudes e fornecem informações preciosas aos
administradores para tomada de decisões, assegurando que as metas sejam alcançadas
com eficácia, contribuindo para o crescimento, sucesso e longevidade, almejando
perspectivas satisfatórias para o futuro dos empreendimentos.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Marcelo Cavalcante. Auditoria. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

Auditoria: um curso moderno e completo. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

ATTIE, William. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

Auditoria: conceitos e aplicações. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

BOYNTON, William C.; JOHNSON, Raymond N.; KELL, Walter G.; tradução José
Evaristo dos Santos. Auditoria. São Paulo: Atlas, 2002.

BRASIL. Receita Federal do Brasil. Simples nacional.

Resolução CGSN Nº 135, de 22 de Agosto de 2017.

CASTRO, Domingos Poubel de. Auditoria, Contabilidade e Controle Interno no


Setor Público. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2010.

CHAVES JUNIOR, Antônio Everton. As Micro e Pequenas Empresas em Foco. 2.


ed. Rio de Janeiro: Confederação Nacional do Comercio, 2003.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIADE. Legislação da profissão contábil.

Normas Brasileiras De Contabilidade NBC TA– De Auditoria Independente.

Normas Brasileiras De Contabilidade NBC PA- Do Auditor Independente. 2017.

Normas Brasileiras De Contabilidade NBC TI 01, NBC PI 01 – Auditoria Interna.

COSTA, Carlos Alberto Baptista da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 10. ed.
Lisboa: Rei dos Livros, 2014.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria contábil: Teoria e Pratica. 2. ed. São Paulo:
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DRUCKER, Peter Ferdinandi. Introdução à administração, São Paulo: Pioneira,


1984.

FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Auditoria contábil. 2. ed. São Paulo: Atlas,
1982.

Auditoria contábil: normas de auditoria, procedimentos e papeis de trabalho,


programas de auditoria, relatórios de auditoria. São Paulo: Atlas, 2001.
GIL, Antonio de Loureiro. Auditoria Operacional e de Gestão. 5. ed. São Paulo:
Atlas, 2000.

HOOG, Wilson Alberto Zappa. Filosofia aplicada à contabilidade. 1. ed. Paraná:


Editoria Juruá, 2007.

LUNELLI, Reinaldo Luiz. Auditoria – Responsabilidade legal e ética.

PALERMO, Fernanda Kellner de Oliveira. As micro e pequenas empresas


como propulsoras do desenvolvimento econômico e social. Jus Navigandi nº 55,
março de 2002.

SÁ, Antônio Lopes de. Curso de Auditoria. 8. ed. rev. , ampl. e atual. São Paulo: Atlas,
1998.

Curso de Auditoria. 8.ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Atlas, 2002.

SCHNIDGER, Cristian. Os benefícios da auditoria externa.

SEBRAE- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.


Globalentrepreneurship monitor, 2017. Empreendedorismo no brasil-2016.

Sobrevivência das empresas no brasil.

TEIXEIRA, Paulo Henrique. Manual auditoria interna.


Escrito por
Aline Braga

Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Católica Dom Bosco (2012).


Especialista em Docência Superior pela AVM Faculdade Integrada (2013). Especialista
em Auditoria e Perícia Contábil pela Universidade Católica Dom Bosco (2018).
Extensão em Reforma Trabalhista 2017, Auditoria Digital, Educação a Distância
ELearning, Didática do Ensino Superior, Oratória e Apresentação em Público, Imposto
de Renda Pessoa Física, Orçamento Público, Simples Nacional, Microempreendedor
Individual, Nota Fiscal Eletrônica, Certificação Digital e SPED Contábil e Fiscal.
Atualmente Proprietária de Escritório de Contabilidade e Professora de Cursos
Preparatórios para Concursos Públicos com Ênfase nas Áreas de Contabilidade Geral,
Teoria da Contabilidade, Empreendedorismo, Fundamentos de Contabilidade Pública,
Análise das Demonstrações Contábeis, Contabilidade de Custos, Controladoria,
Fundamentos de Auditoria e Perícia Contábil, Administração Financeira e
Orçamentária.

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