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Reta Final Analista do Judiciário do TRT – Área Judiciária

Direito Administrativo
Barney Bichara
Data: 12/11/2013
Aulas 15 e 16

RESUMO

SUMÁRIO

1. LICITAÇÕES
1.1. Conceito
1.2. Finalidade
1.3. Competência legislativa
1.4. Normas gerais
1.5. Sujeitos obrigados a licitar
1.6. Revogação e anulação do procedimento licitatório
1.7. Princípios
1.8. Observações

1. LICITAÇÕES

1.1.Conceito

É procedimento administrativo pelo qual a Administração Pública convoca os possíveis interessados em com
ela contratar para que apresentem as suas propostas, dentre as quais escolherá uma que possivelmente se
tornará o contrato administrativo.

A licitação é um procedimento, ou seja, é uma sucessão de atos administrativos preparatórios que visa a uma
decisão final, mas o parágrafo único do art. 4º da Lei 8.666/93 prevê que a licitação é um ato administrativo
formal:
Art. 4º, parágrafo único. O procedimento licitatório previsto nesta
lei caracteriza ato administrativo formal, seja ele praticado em
qualquer esfera da Administração Pública.

1.2.Finalidade

Lei 8.666, art. 3º - A licitação destina-se a garantir a observância


do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta
mais vantajosa para a administração e a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável e será processada e
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da
publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao
instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes
são correlatos.

As finalidades da licitação são:

Reta Final Analista do Judiciário do TRT - Área Judiciária


Anotador(a): Juliana Pereira
Complexo Educacional Damásio de Jesus
a) Garantir a isonomia, pois todos tem o direito de contratar com o Estado. A licitação é um
procedimento que visa garantir uma concorrência igualitária e justa entre os interessados.
b) Escolher a proposta mais vantajosa para a administração;
c) Promover o desenvolvimento nacional sustentável.

1.3.Competência legislativa

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


(...)
XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas
e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e
sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°,
III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

O art. 22, XVII, CF estabelece quem tem competência para legislar sobre licitação:

• União (que legisla normas gerais e obrigatórias para todos os entes da Federação).
• União, Estados, DF e Municípios (legislarão normas específicas, observadas as normas gerais);

1.4.Normas gerais

São normas elaboradas pela União, obrigatórias para todos os entes, mas que não excluem a competência
suplementar dos demais entes para legislar normas específicas de seu interesse.

São normas gerais:


• Lei 8.666/93 (Lei de Licitações)
• Lei 10.520/2002 (Lei do Pregão)

1.5.Sujeitos obrigados a licitar

Parágrafo único do art. 1º da Lei 8.666/93:

Art. 1º, parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei,


além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as
autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as
sociedades de economia mista e demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e
Municípios.

São, portanto, obrigados a licitar:

a) Os órgãos da Administração Pública Direta (União, Estados, DF e Municípios);


b) As pessoas jurídicas da administração pública indireta da União, Estados, DF e Municípios = autarquias,
fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista.

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c) Os fundos especiais (dotações orçamentárias destinadas a um fim específico definido em lei). Ex.:
Fundo Nacional de Saúde;
d) Demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, DF e Municípios.

1.6.Revogação e anulação do procedimento licitatório

Lei 8.666, art. 49. A autoridade competente para a aprovação do


procedimento somente poderá revogar a licitação por razões de
interesse público decorrente de fato superveniente devidamente
comprovado, pertinente e suficiente para justificar tal conduta,
devendo anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por provocação de
terceiros, mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.
§ 1º - A anulação do procedimento licitatório por motivo de
ilegalidade não gera obrigação de indenizar, ressalvado o disposto
no parágrafo único do art. 59 desta Lei.
§ 2o - A nulidade do procedimento licitatório induz à do contrato,
ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 59 desta Lei.
§ 3o - No caso de desfazimento do processo licitatório, fica
assegurado o contraditório e a ampla defesa.
§ 4º - O disposto neste artigo e seus parágrafos aplica-se aos atos
do procedimento de dispensa e de inexigibilidade de licitação.

A anulação de uma licitação se dá em razão de vício de ilegalidade.


Anulação ex officio é aquela que se dá por ato próprio da Administração, que reconhece a ilegalidade, mas
também pode se dar por provocação de terceiros.

Já a revogação pressupõe mérito, oportunidade e conveniência. O procedimento, nesse caso, observa a lei,
mas não mais existe interesse em contratar.

1.7.Princípios

Os princípios aplicáveis à licitação estão no art. 3º da Lei 8.666:

Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio


constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa
para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional
sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade
com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.

a) L.I.M.P.E. – art. 37, caput, da CF. O princípio da eficiência foi adicionado ao art. 37 da CF apenas em
1998, por meio da Emenda 19. Apesar de o princípio da eficiência não estar expresso na Lei 8.666 (por
razões cronológicas), ele é plenamente aplicável à licitação.
b) Princípio da igualdade: todos devem ser tratados igualmente.

c) Princípio da probidade administrativa: é sinônimo de moralidade. Significa dever de ética, decoro e


moral no curso da licitação.

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d) Princípio da vinculação ao instrumento convocatório: instrumento convocatório é um ato
administrativo pelo qual a Administração convoca os possíveis interessados em com ela contratar,
dando publicidade ao procedimento. O instrumento convocatório é o edital ou a carta-convite. O art.
41 da Lei 8.666 traz o conceito de vinculação ao instrumento convocatório:

Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e


condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada.

e) Princípio do julgamento objetivo: a Administração deve julgar a proposta, e não o licitante. Quando a
Administração julgar a proposta, tem que fazer isso com estrita observância aos critérios previstos no
edital (art. 45, Lei 8.666):

Art. 45. O julgamento das propostas será objetivo, devendo a


Comissão de licitação ou o responsável pelo convite realizá-lo em
conformidade com os tipos de licitação, os critérios previamente
estabelecidos no ato convocatório e de acordo com os fatores
exclusivamente nele referidos, de maneira a possibilitar sua
aferição pelos licitantes e pelos órgãos de controle.

f) Outros princípios correlatos: a Lei 8.666 deixa uma cláusula aberta, prevendo que outros princípios
correlatos ao procedimento também são aplicáveis. Ex.: Princípio da eficiência.

1.8.Observações

Obs. 1: O art. 67 da Lei 9.478/97 previu um procedimento licitatório simplificado para a Petrobrás na aquisição
de bens e contratação serviços:

Art. 67. Os contratos celebrados pela PETROBRÁS, para aquisição


de bens e serviços, serão precedidos de procedimento licitatório
simplificado, a ser definido em decreto do Presidente da
República.

O STF já confirmou liminarmente a legalidade dessa simplificação. No entanto, para a realização de obras de
engenharia, a Petrobrás terá que observar a Lei 8.666.

Obs. 2: O parágrafo único do art. 54 da Lei 9.472/97 previu a consulta como modalidade licitatória exclusiva
das agências reguladoras:

Art. 54. A contratação de obras e serviços de engenharia civil está


sujeita ao procedimento das licitações previsto em lei geral para a
Administração Pública.
Parágrafo único. Para os casos não previstos no caput, a
Agência poderá utilizar procedimentos próprios de contratação,
nas modalidades de consulta e pregão.

A consulta poderá ser utilizada apenas para a contratação de serviços e compras. Se a agência reguladora tiver
que realizar obra de engenharia, terá que utilizar a Lei 8.666/93.

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Obs. 3: Em qualquer caso, as obras de engenharia se sujeitam à Lei 8.666.

Obs. 4: O Decreto 6.170/2007 (que dispõe sobre as normas relativas às transferências de recursos da União
mediante convênios e contratos de repasse) só se aplica à União (é federal). Esse Decreto estabeleceu que as
pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos (associações, fundações, ONGs) que recebam recursos
federais em razão de transferência voluntária de receita, não estão obrigadas a licitar. É suficiente a realização
de uma pesquisa de preços (cotação) e a observância dos princípios da moralidade, da impessoalidade e da
economicidade.

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