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DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS DA

CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

1) Sistema homogêneo de proteção dos direitos humanos de


crianças e adolescentes

• Documentos internacionais que podem proteger direitos de todos


os seres humanos de forma indistinta. Ex: DUDH (1948).

2) Sistema heterogêneo de proteção dos direitos humanos de


crianças e adolescentes

• Tem por foco um grupo merecedor, diante de várias circunstancias


– como a exclusão histórica – de atenção especial, como ocorre
com as crianças, as mulheres, as pessoas com deficiência entre
outros. O que justifica a heterogeneidade na aplicação de normas é
uma situação de hipossuficiência, que gera a necessidade de
proteção especial.

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Histórico da proteção à Criança e ao Adolescente em âmbito
nacional e internacional

Séc XIX 1830


Mary Ellen Código Criminal
Ambroise Tardieu 1889 1912
1º Tribunal de Projeto n.94
Menores 1923 Infância abandonada
1924 EUA Tribunal de Menores e criminosa
Decl. de Genebra sobre 1927
Direito da Criança Código de Menores
1948 (Mello Matos)
1970
Declaração
Universal dos Doutrina Jurídica da
Direitos Humanos Situação Irregular
1959 1979
Declaração Universal Código de Menores
dos Direitos da Criança
1989 1988
Constituição Federal
Convenção sobre
Doutrina da Proteção
1990
direitos da criança
das Nações Unidas Integral
ECA - Estatuto da
Criança e do
Adolescente
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EVOLUÇÃO DO TRATAMENTO JURÍDICO CONFERIDO À
CRIANÇA E AO ADOLESCENTE NO BRASIL

FASES LEGISLAÇÃO
CORRESPONDENTE
Fase da absoluta indiferença Não havia

Fase da mera imputação Código Criminal 1830, Projeto nº


criminal 94/1912, Código Penal 1890

Fase tutelar Código Mello Matos (1927) e


Código de Menores (1979)

Fase da proteção integral CF/88; ECA (1990)

(ROSSATO; LÉPORE; SANCHES, 2014)

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DECLARAÇÃO DE GENEBRA (1924):

• Primeiro documento internacional de caráter amplo e genérico com relação à criança.


De caráter amplo e genérico porque não se limita a apenas um enfoque da defesa dos
direitos humanos da criança, mas a proteção à infância em todos os seus aspectos;
• Não possuía coercibilidade. À época, tratava-se de mera recomendação aos governos;
• Não tratava as crianças como sujeitos de direitos, mas como objeto de proteção,
passivos.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA (ONU, 1959):

• Documento interpretativo e complementar da DUDH, apresentando o problema dos


direitos da criança com especificidade;
• Alteração de paradigma: a criança deixa de ser objeto de proteção e passa a ser sujeito
de direito. Paralelamente, a infância passa a ser considerada um sujeito coletivo de
direitos;
• Elenca dez princípios de proteção à criança, como direito ao desenvolvimento pleno da
criança, dever de cuidado da família e da sociedade em geral.

CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA (ONU, 1989):

• Proclamou a prioridade absoluta e imediata da infância, acolhendo a concepção do


desenvolvimento integral da criança e garantindo-lhe mais de 40 direitos específicos,
como: acesso a serviços de saúde; proteção de seus interesses no caso de adoção;
nível adequado de vida e segurança social; educação; proteção contra a exploração
econômica; etc. (DC1) Uso Interno na PwC - Confidencial
DEFINIÇÃO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE

Art. 2º ECA: “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa


até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e
dezoito anos de idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se


excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um
anos de idade”.

Conforme o ECA, adota-se um critério cronológico absoluto


para a fixação de quem é criança, adolescente ou adulto, sem
qualquer menção à condição psíquica ou biológica. A idade é o
fator determinante.

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DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL E O SISTEMA DE
PROTEÇÃO AOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Art. 1º ECA: “Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao


adolescente”.

 A doutrina da proteção integral contrapõe-se à doutrina da situação


irregular, vigente no Código de Menores (1979);

 Não implica em “proteção a todo custo”, mas sim na consideração de


serem a criança e o adolescente sujeitos de direito, devendo as políticas
públicas contemplar essa situação em busca de um reequilíbrio
necessário pelo status de pessoa em desenvolvimento que possuem;

 Trata-se de um princípio que orienta a prescrição de direitos às pessoas


em desenvolvimento e impõe deveres à sociedade, consubstanciando
um status jurídicos especial às crianças e adolescentes;

 Crianças e adolescentes são, portanto, titulares de interesses


subordinantes frente à família, à sociedade e ao Estado.

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“A doutrina da proteção integral encontra-se impregnada aos
dispositivos da Constituição Federal, compondo um sistema
constitucional de proteção à infância e juventude que encontra sua
realização completa e objetiva nas normas do ECA, formando, ao
lado das normas internacionais de proteção dos direitos humanos e
também das inúmeras prescrições administrativas, um verdadeiro
sistema de tutela dos direitos da criança e do adolescente”
(ROSSATO; LÉPORE; SANCHES, 2010, p. 78).

CF/88 ECA
Art. 6º (direitos sociais) Arts. 7º a 14 (direito à vida e à
saúde)
Art. 203 (assistência social) + Arts. 9º, 11, 12 (proteção à
família, maternidade
Art. 227 + Arts. 3º a 6º; Art. 20

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Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o
trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados,
na forma desta Constituição.

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à
velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
(...)

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à


criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e
à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de
toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.
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Conjunto de mecanismos
PROTEÇÃO jurídicos voltados à tutela da
INTEGRAL criança e do adolescente

**Princípio do Melhor Interesse**

• Primazia de receber socorro;


• Precedência de atendimento nos serviços
públicos ou de relevância pública;
ABSOLUTA • Preferência na formulação e execução de
PRIORIDADE políticas públicas;
• Destinação privilegiada de recursos públicos

Constituição
Federal
+
Absoluta Prioridade + Proteção Integral
Estatuto da
Criança e do
Adolescente
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POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA
LEI Nº 13.257 DE 08 DE MARÇO DE 2016

 Altera legislações importantes como o Estatuto da Criança e do


Adolescente, o Código de Processo Penal e a Consolidação das Leis
do Trabalho;

 Estabelece princípios e diretrizes para a formulação e implementação de


políticas públicas para a primeira infância, em atenção à especificidade e à
relevância dos primeiros anos de vida no desenvolvimento infantil e no
desenvolvimento do ser humano, em consonância com os princípios e diretrizes
do ECA;

 Primeira Infância: 0 a 6 anos de idade completos ou 72 meses de vida;

 O estabelecimento de políticas públicas, planos, programas e serviços para a


primeira infância, que atendam às especificidades dessa faixa etária, visando
garantir o seu desenvolvimento integral, é dever do Estado em
decorrência a prioridade absoluta conferida às crianças e adolescentes pelo
art. 227 da CF/88.
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 A lei fixou as regras através das quais as políticas públicas voltadas ao
atendimento dos direitos da criança na primeira infância devam ser elaboradas e
executadas visando:

I – atender ao interesse superior da criança e à sua condição de sujeito de


direitos e de cidadã;

II – incluir a participação da criança na definição das ações que lhe digam


respeito, em conformidade com suas características etárias e de
desenvolvimento;

III – respeitar a individualidade e os ritmos de desenvolvimento das


crianças e valorizar a diversidade da infância brasileira, assim como as
diferenças entre as crianças em seus contextos sociais e culturais;

IV – reduzir as desigualdades no acesso aos bens e serviços que atendam


aos direitos da criança na primeira infância, priorizando o investimento
público na promoção da justiça social, da equidade e da inclusão sem
discriminação da criança;

V – articular as dimensões ética, humanista e política da criança cidadã


com as evidências científicas e a prática profissional no atendimento da
primeira infância;
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VI – adotar abordagem participativa, envolvendo a sociedade, por meio
de suas organizações representativas, os profissionais, os pais e as
crianças, no aprimoramento da qualidade das ações e na garantia da
oferta dos serviços;

VII – articular as ações setoriais com vistas ao atendimento integral e


integrado;

VIII – descentralizar as ações entre os entes da Federação;

IX – promover a formação da cultura de proteção e promoção da criança,


com apoio dos meios de comunicação social.

Licença Paternidade: 20 dias


Licença Maternidade: 180 dias
(incentivos fiscais para as empresas que aderirem)

Substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar: gestantes,


nutrizes, com filhos até 12 anos de idade incompletos.

* Válido para homem que seja o único responsável pelos cuidados do filho
de até 12 anos de idade incompletos.
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