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AULA 6 - HISTÓRIA DO BRASIL

PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO DO BRASIL


A primeira maneira que as ideias iluministas chegaram ao Brasil foi por meio de Pombal.
Esse iluminismo era o despotismo ilustrado que legitimava a monarquia. O iluminismo
revolucionário foi estudado nos seminários.
Os estudantes brasileiros que estudaram em Coimbra foram os founding fathers do
Brasil - uma ilha de letrados em um oceano de analfabetos.
As insurreições não previam a independência do país como um todo, mas algumas
historiografias consideram de forma diferente. Alguns livros chamam-nos de movimentos
nativistas, a maior parte desses movimentos tinha características anti-fiscalistas.

Movimentos Nativistas
a)Aclamação de Amador Bueno (1640)
Bueno foi aclamado rei de São Paulo. Lá havia duas facções (espanhóis e portugueses)
durante a União Europeia.
Bueno era membro da facção espanhola e mandava prender jesuítas ou quem quer que
falasse sobre sebastianismo. Com o fim da União Ibérica, os espanhóis não quiseram tornar-se
portugueses e aclamaram o líder da facção como rei. Ele recusou-se a assumir o cargo.

b)Revolta de Beckman (1680)


Aconteceu no Maranhão devido às companhias de comércio.
Os holandeses tinham conquistado também Angola e tinham estabelecido o fluxo de
escravos para o Brasil. Os colonos do Maranhão queriam um fluxo de escravos maior. Se não
houvesse escravos, queriam pelo menos poder escravizar os índios. O primeiro ato foi expulsar
os jesuítas. Os irmãos Beckman foram presos e mortos.

c)Guerra dos Emboabas (1708-9)


Falamos sobre ela na Aula 5.

d)Revolta de Vila Rica ou de Felipe dos Santos (1720)


Foi uma revolta contra as casas de fundição. Ela foi duramente reprimida e seu líder,
Felipe dos Santos, foi esquartejado. Foi uma revolta antifiscalista com características populares.

e)Guerra dos Mascates (1721)


Latifundiários de Olinda contra comerciantes de Recife.
Esses comerciantes conseguiram uma autorização para que Recife se tornasse uma vila
e, consequentemente, passasse a ter suas próprias leis. Vários proprietários de Olinda estavam
endividados com os comerciantes de Recife. As câmaras municipais podiam perdoar ou cobrar
as dívidas.
Foi um conflito de classes. Os olindenses invadiram Recife, derrubaram o pelourinho e
assumiram o poder. Esse movimento foi conhecido como a Fronda dos Mazombos. Mascaste é
um nome pejorativo para os comerciantes. Fronda foi um movimento da aristocracia contra Luís
XIV na França. Fronda dos Mazombos é uma historiografia que se coloca ao lado de Recife.

f)Inconfidência Mineira (1789)


Foi um movimento de elite, fortemente influenciado pelo iluminismo. Foi um
movimento emancipatório influenciado pela Revolução Americana.
g)Conjuração Baiana (1798)
Movimento popular influenciado pela Revolução Francesa e do Haiti1. O movimento
buscava a abolição da escravidão e tinha um ideal separatista.

Síntese geral do processo de emancipação


Começou a haver núcleos de urbanização com algum grau de ascensão social. A mão de
obra africana tornou-se generalizada. Surgiu uma camada média formada por profissionais
liberais, artesãos e funcionários públicos - a Coroa necessitou aumentar sua presença ampliando
a quantidade de funcionários. Com isso nascia um mercado interno na Colônia.
O eixo econômico mudou para o centro-sul e a capital foi transferida para o Rio de
Janeiro (1763).
O barroco mineiro tornou-se a forma estética por excelência do século XVIII e só foi
possível devido ao certo grau de urbanização das sociedades.
O processo de transmigração da Corte já tinha sido pensado por Pombal e no início do
século XVIII, pois o centro da riqueza do Império português estava no Brasil.
A transmigração da Corte foi extremamente benéfica para o Rio de Janeiro.
Decretou-se a abertura dos portos as nações amigas inaugurando o comércio
internacional brasileiro. O porto de Santa Catarina era uma espécie de centro logístico - não
estava aberto. Era uma política externa portuguesa feita no Brasil
Portugal estava ocupado por franceses e a resistência era feita pela Inglaterra. José da
Silva Lisboa abriu os portos com a mesma tarifa, mas a Inglaterra não se agradou. Ela queria que
os portos fossem abertos somente para ela. Após pressões, ela conseguiu a cláusula da nação
mais favorecida. Dom João assinou os Tratados Desiguais de 1810: a Inglaterra passou a pagar
menos impostos que os súditos portugueses.
Nos Tratados de Aliança e Amizade, a Inglaterra garantiu proteção e segurança à dinastia
dos Bragança.
A partir de 1808, os ingleses puderam entrar no Brasil, houve o fim da inquisição,
implementou-se a tolerância religiosa e foi concedido aos ingleses o direito à
extraterritorialidade jurídica. Dom João comprometeu-se a acabar com o tráfico de escravos. Os
ingleses poderiam revistar qualquer navio brasileiro e abastecer em qualquer lugar do nosso
território. A única coisa proibida era o comércio de pimenta, pau-brasil, diamante e com a África.
O Alvará de 1875 foi revogado. Criaram-se a casa da moeda, a fábrica de pólvora, a
imprensa régia, o real horto (jardim botânico), o banco do Brasil, a biblioteca real, a escola de
medicina da Bahia, a academia naval, a academia militar, várias estradas no sudeste.
Estimulou-se a pesquisa e a prospecção mineralógica (Von Eschwegel), a vinda de
imigrantes (que ganharam terras).
Foi declarada guerra aos índios botocudos (Guerra Justa), que atacavam os homens
brancos. Invadiu-se a Guiana Francesa – ocupando Caiena de 1809 a 1811.
De 1811 a 1813, houve a invasão da Banda Oriental que não se perpetuou devido à
intervenção inglesa. Em 1817, a região foi invadida novamente até ser anexada em 1821 com o
nome de Cisplatina.
O Tratado de Badajós foi o acordo de paz que encerrou a Guerra da Laranjas entre
Portugal e Espanha no período napoleônico. Ele não estabeleceu status quo ante belo: a Espanha
ficou com Olivença e os gaúchos com os Sete Povos.
A interiorização da metrópole foi a mistura da elite portuguesa com a elite brasileira. A
Corte veio para o Rio e formou uma elite luso-brasileira presente no sudeste. Esse foi o período
no qual mais entrou escravos no Brasil. O Rio tornou-se o maior porto escravista do planeta.

1 O levante do Haiti começou durante o período jacobino da Revolução Francesa.


Leituras Obrigatórias:
DIAS, Maria Odila Leite. “A interiorização da metrópole”. In: ___. A interiorização da metrópole
e outros estudos. São Pau- lo: Alameda, 2005.
RICUPERO, Rubens. “O Brasil no mundo”. In: SCHWARCZ, Li- lia (org.). História do Brasil nação:
1808-2010. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011. v. 1.

Leituras Complementares:
LIMA, Manuel de Oliveira. Dom João VI no Brasil. 3a. ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.
MOTA, Carlos Guilherme (org.). 1822: Dimensões. São Paulo: Perspectiva, 1972.
RODRIGUES, José Honório. Independência: revolução e contra-revolução. Rio de Janeiro: Livraria
Francisco Alves, 1975.
CALDEIRA, Jorge. “O processo econômico”. In: COSTA E SIL- VA, Alberto da (org.). História do
Brasil nação: 1808-2010. Vol. I: Crise colonial e independência. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011,
pp. 161-203.