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SOCIOLOGIA

AULA 03
AS PRINCIPAIS CORRENTES
TEÓRICAS E AS
POSSIBILIDADES DE
ANÁLISE CIENTÍFICA DOS
PROBLEMAS SOCIAIS –
PARTE II

Prof. João Saraiva


AULA 03 – AS PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS – PARTE II

MAX WEBER
Alemanha (1864-1920)

• O Sociólogo alemão Emil Maximillian Weber, nasceu em


21/04/1864 em Erfurt e morreu em 14/06/1920, em
Munique, vítima de pneumonia aguda;

• Período histórico em que viveu: Unificação alemã com


Bismarck (1871), I Guerra Mundial (1914-1918).

• De Família alemã; burgueses liberais e protestantes.

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• A Alemanha se unifica e se organiza como Estado nacional mais tardiamente que


o conjunto das nações europeias, o que atrasou seu ingresso na corrida industrial
e imperialista da segunda metade do século XIX.
• A expansão econômica alemã se dá numa época de capitalismo concorrencial, no
qual os países disputam os mercados mundiais.
• Esse descompasso em relação às grandes potências vizinhas fez elevar no país o
interesse pela história como ciência da integração, da memória e do
nacionalismo.
• Devemos distinguir a preocupação com o estudo da diferença, característica
de sua formação política e de seu desenvolvimento econômico. Acresce a
isso a herança puritana com seu apego à interpretação das escrituras e livros
sagrados.
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• Uma das diferenças existentes entre o positivismo/evolucionismo


(FRANCÊS e INGLÊS) e o idealismo (ALEMÃO) é a importância que o
segundo dá à história. Weber é defensor do IDEALISMO.
• Para Weber a pesquisa histórica é essencial para a compreensão das
sociedades.
• O conhecimento vem da experiência (vivência histórica).
• O papel do sociólogo não é entender, ou estabelecer uma relação de
causa e efeito como nas exatas, e sim compreender.

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• Devemos ter uma perspectiva histórica das sociedades a serem analisadas


(cada sociedade é particular).
• Devemos compreender o que é valioso aos integrantes da sociedade
(Cultura).
• A objetividade é impossível nas ciências sociais.
• Objeto de estudo; é a conduta humana, pública ou não; o homem dá
sentido à sua ação social: estabelece conexão entre o motivo da ação, a
ação e os seus efeitos.
• O sociólogo deve compreender o sentido que um sujeito atribui à sua ação e
seu significado social. MOTIVO → AÇÃO.
• Segundo Weber, cada indivíduo age levado por quatro motivos que resultam
da influência da tradição dos interesses racionais e da emotividade:
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1. AÇÃO RACIONAL COM RELAÇÃO A FINS:


É um cálculo que busca resultados. Age para obter um fim, objetivo
previamente definido (foco), se estabelece a partir de um acordo.

Exemplos:
• Estudar para passar de ano;
• Ser comportado para ganhar prêmio;
• Parecer ser honesto para se eleger;
• Aplicar na bolsa de valores ou jogar na loteria para
ganhar dinheiro.

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2. AÇÃO RACIONAL ORIENTADA POR VALORES:


As ações são orientadas por valores ou convicções determinadas. Neste tipo,
o sentido da ação está inscrito na própria conduta, nos valores que a
motivaram e não na busca de algum resultado previa e racionalmente
proposto.
Exemplos:
• Ser contra o aborto;
• Não comer carne na Semana Santa;
• Não mentir;
• Não aceitar suborno;
• Cumprir sua palavra.
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3. AÇÃO AFETIVA OU EMOCIONAL:


É um ação orientada, basicamente, por emoções e motivada por sentimentos
(momentânea), pelo afeto a algo ou alguém. Ação bem irracional.

Exemplos:
• Ter ciúmes do amigo da namorada;
• Vingar-se de uma ofensa recebida;
• Ser fã incondicional ou Idolatrar
pessoas, times ou artistas famosos;
• Respeitar as pessoas mais velhas.

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4. AÇÃO TRADICIONAL:
É a ação menos consciente, tem base no costume e nos hábitos. Totalmente
irracional.

Exemplos:
• Adoração dos ingleses pela monarquia;
• Votar sempre nos mesmos políticos;
• Não comer carne na Semana Santa;
• Fazer o Sinal da Cruz diante de igrejas.

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A ética protestante e o espírito do


capitalismo é o trabalho mais conhecido de
Weber.
Relaciona o papel do protestantismo na
formação do comportamento típico do capitalismo
ocidental moderno.

Outras Obras: Economia e sociedade; inúmeros


ensaios publicados em coletâneas sobre o autor.

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KARL MARX
Alemanha (1818-1883)
Karl Heinrich Marx nasceu numa família de classe
média. Seus pais eram judeus que tiveram que se converter
ao cristianismo em função das restrições impostas à presença
de membros de etnia judaica no serviço público.
Principais obras:
Manuscritos econômico-filosóficos (Ökonomisch-
philosophische Manuskripte), 1844; A Guerra Civil na
França; Crítica da Filosofia do Direito de Hegel; A
Sagrada Família (Die heilige Familie), 1845; A Ideologia
Alemã (Die deutsche Ideologie), 1845-46; O Capital, Miséria
da Filosofia (Das Elend der Philosophie), 1847; Manifesto
do Partido Comunista, 1848, entre vários outros...
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➢crítica ao socialismo utópico francês, representado principalmente por:

● Saint-Simon (1760-1825);
● Fourier (1772-1837);

● Pierre Proudhon (1809-1865);

● Robert Owen (1771-1858), que é inglês.


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➢Crítica a economia política clássica inglesa,


representado principalmente por:
● Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823).

Atenção! Karl Marx retira...


● do filósofo Ludwig Feuerbach (1804-1872), os conceitos de materialismo e alienação.
● do filósofo Friedrich Hegel (1770-1831), o conceito de história como dialética.
Desta “composição” nasce a filosofia marxista, conhecida como
MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO
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• Crítica radical ao capitalismo: antagonismo, contradição e transitoriedade.


• Explicação da realidade na totalidade – macrosociologia
• Conhecimento = instrumento político para a transformação.
• Foco de pensamento: contradições do capitalismo
a) luta de classes X harmonia
b) divisão do trabalho gera exploração, antagonismo e alienação
c) Burguesia X proletariado
- dominação econômica (meios de produção)
- dominação política (Estado)
- dominação cultural (ideologia, valores)
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• De acordo com Marx, o motor da história é a eterna luta de classes, entre


aqueles que detêm os modos de produção e aqueles que possuem apenas a
força de trabalho para vender.
• Ainda segundo Marx, com o Capitalismo há o desvirtuamento do trabalho
humano com a consequente servilização do proletário.

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A revolução proletária levaria a um regime intermediário e de caráter


provisório, a ser conhecido como “ditadura do proletariado”.
Nesse momento, passando de despossuídos a detentores do poder, o
proletariado trataria de arrancar pouco a pouco o capital das mãos dos
burgueses, centralizando os instrumentos de produção nas mãos do Estado
para, enfim, chegar ao comunismo completo, em que os meios de produção
serão repassadas a associações.

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Em Marx existem duas realidades, são elas:


➢ A realidade material chamada de infraestrutura ou estrutura econômica: que se
refere as relações do ser humano com a natureza no esforço de produzir a própria
existência [forças produtivas] e as relações dos indivíduos entre si, ou seja, as
relações entre proprietários e não proprietários, e entre não proprietários e os meios
e objetos de trabalho [relações sociais de produção]. É, que é responsável por
garantir a existência coletiva.
➢ A realidade imaterial: que se refere ao nível político-ideológico, comumente
chamado de Superestrutura. É constituído:
● pela estrutura jurídico-política representada pelo Estado e pelo direito.
● pela estrutura ideológica referente às formas de pensamento, sentimento e
consciência social, tais como: Filosofia; Literatura; Estética; Ciência; Religião;
Moral; Arte; Educação; Música.
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• Permanece a classe como modo de exploração humana;


• Permanece a propriedade privada, devido a produção excedente;
• Ocorre a consolidação do Estado moderno ou burguês (Estado-nação),
como aparelho coercitivo;
• Cria-se a alienação na produção, que é o estranhamento [o produtor deixa
de se reconhecer no que produz] do trabalhador diante da mercadoria que
ele produziu – a esse processo Marx chama fetichismo da mercadoria;
• Intensifica-se a mais-valia.

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• A obra e a atividade do indivíduo, através de suas relações e de seu trabalho


modificam a sociedade;
• Constituída de classes sociais antagônicas e em constante conflito e
contradição, leva a sociedade a transformar-se;
• Tudo que existe, devido às suas contradições, tende a extinguir-se,
ratificando assim a condição de transitoriedade do modo de produção
capitalista.

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FIM