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INTRODUÇÃO

O emprego do bagaço de cana na alimentação animal apresenta algumas


dificuldades, devido ao alto teor de material lignocelulósico presente no bagaço. O
bagaço in natura, resultante da moagem da cana-de-açúcar, é um alimento rico em
constituintes da parede celular, de baixo conteúdo celular, baixa digestibilidade, baixa
densidade e pobre em proteínas e minerais. Costumeiramente torna-se viável com o
desenvolvimento de métodos de tratamento ou enriquecimento que promovam o
rompimento da estrutura de sua fração fibrosa, para torná-lo mais digestível (6).

Avaliando o bagaço de cana como alimento volumoso para bovinos, concluiu


que a inclusão deste em dietas de bovinos é viável até níveis próximos a 40% na matéria
seca, uma vez que níveis superiores a este resultarão em baixo consumo da dieta e baixo
desempenho animal (2).
O bagaço da cana-de-açúcar como biomassa fonte de energia na nutrição para
bovinos tem a seguinte composição apresentada na tabela 1.

Fonte: (1).
COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Observa-se uma variação na composição química bromatológica do bagaço de


cana-de-açúcar avaliados, que pode ter origem nas diferenças das variedades de cana
utilizadas, nas condições ambientais como, o tipo de solo, técnicas de colheita e
manuseio empregado durante crescimento, maturação das canas e na eficiência de
extração do caldo. Esta biomassa constitui importante fonte energética, uma vez que
contém pelo menos 70% de carboidratos, mas que são pouco aproveitados devido ao
alto teor de lignina (1).
Vale apena observar a composição de minerais necessários presentes na dieta
estipulada para os animais.

DiGESTIBILIDADE
O consumo voluntário de alimento é responsável por 70% da variação no
potencial de produção animal; os 30% restantes ficam por conta da digestibilidade e
eficiência de utilização dos alimentos (1).
Seguem na tabela 2 valores para a digestibilidade do bagaço de cana in natura
para as diferentes fontes pesquisadas.
Tabela 2: Digestibilidade do bagaço de cana in natura.
Tipo Fonte DIVMS (%)
Bagaço sem tratamento, com 1,2% 1 32,97
de soja
Bagaço da cana in natura 2 33,02
Bagaço da cana in natura 3 25-35
Bagaço da cana in natura 4 25-35
Bagaço da cana in natura 5 25-30
Fonte: Autor.
Segue abaixo a comparação entre o bagaço in natura e o bagaço hidrolisado, que
sempre apresenta melhores resultados por tornar mais exposta à ação dos
microorganismos do rumem na digestão da mistura de celulose, hemicelulose e lignina
(5).

A Tabela 6 mostra a resposta de animais aos quais foi fornecida uma dieta básica
de cana + uréia + sulfato de amônio, acrescida de diferentes suplementos (5).
DEFINISSÕES FINAIS
Baixo teor de proteína inferior a 2% (base seca) e o alto índice de lignina,
resultam em baixa digestibilidade de apenas 25 a 35%, associados a outros fatores não
menos importantes como densidade baixa e teores baixos de minerais o que leva a
redução de consumo e conseqüente baixo desempenho dos ruminantes, quando
alimentados com esse volumoso (2).
O valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar pode ser melhorado com a
utilização de produtos químicos, ureia, amônia, hidróxido de sódio, sulfeto de sódio ou
óxido de cálcio (1), há controvérsias.
Digestibilidades baixas (25% a 30%), tornando-o um alimento, in natura, de
valor nutricional desprezível (4).
O uso acima de 20% de bagaço em rações requer um tratamento, e o físico é o
que tem maior possibilidade de êxito. Isto limita o seu uso ao local de sua produção ou
em propriedades bem próximas ao mesmo (4).
REFERENCIAS
[1] PIRES A.J.V; SOARES M.S; Silva L.G. ARTIGO 287 UTILIZAÇÃO DO
BAGAÇO DE CANA-DE-AÇUCAR NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES.
Revista eletrônica NUTRITIME.
[2] REDVET. Revista electrónica de Veterinaria 1695-7504. 2007 Volumen VIII
Número 6. Acesso em: <http://www.veterinaria.org/revistas/redvet/n060607.html>.
[3] MARI L. J; NUSSIO L. G. Acessado em: <https://www.beefpoint.com.br/opcoes-
para-hidrolise-de-cana-de-acucar-18991/>.
[4] LOPES L.R; VIEIRA J.M. Acessado em:
<http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/cot/COT73.html>.
[5] PUBVET, Publicações em Medicina Veterinária e Zootecnia. Disponível em:
<http://www.pubvet.com.br/material/Santos88wf.pdf>.
[6] FERREIRA F.N.A. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DO BAGAÇO
DE CANA-DE AÇÚCAR ENRIQUECIDO COM VINHAÇA EM DIETAS PARA
COELHOS EM CRESCIMENTO. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo
Horizonte 2014.