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4.

Metodologia (Análise de Discurso)

O discurso está presente no dia a dia das pessoas, em frases que corriqueiramente falam no
contidiano, estando, inclusive cientes, que se trata de um discurso. Dizer: “Que discurso
emocionante”, é um exemplo disto. Mas a palavra discurso tem diferentes significados. Esse
significado acima, no sentido comum, é considerado somente como fala, e “exposição oral”. Para
que se possa conhecer o significado do discurso além da simples fala, é necessário estudar seu
enfoque a partir da ciência da linguagem, ou seja o que os estudos dizem sobre a análise do
discurso. Conforme Brandão (online):
Ao produzirem linguagem, os falantes produzem discursos. Mas o que é discurso? Podemos
definir discurso como toda atividade comunicativa entre interlocutores; atividade produtora
de sentidos que se dá na interação entre falantes. O falante/ouvinte, escritor/leitor são seres
situados num tempo histórico, num espaço geográfico; pertencem a uma comunidade, a um
grupo e por isso carregam crenças, valores culturais, enfim a ideologia do grupo, da
comunidade de que fazem parte.

Análise de discurso é um rótulo comum a várias teorias que discutem as principais questões ligadas
ao uso da linguagem e que se utilizam dela como objeto de sua prática analítica. Os estudos nesta
área começaram a se ampliar na década de 1960 com o aparecimento de novas propostas de estudo
dos componentes pragmáticos e da dimensão social da língua, que deixou de ser estudada apenas no
âmbito da manifestação individual. É nesta época que surge a indagação sobre o significado do ato
de ler (ORLANDI, 2006).

Conforme Brandão (2006, p. 13) foram os formalistas russos que deram espaço para os estudos
linguísticos, ou para o que mais tarde se chamaria de “discurso”. Fizeram isso superando a
abordagem filosófica ou impressionista que dominava os estudos da língua, trabalhando com o
texto e buscando nele uma lógica de encadeamentos “transfrásticos”.
A autora explica que esta abertura, não chega, porém, as últimas consequências, pois “seus
seguidores, os estruturalistas, propõem-se como objetivo estudar a estrutura do texto 'nele mesmo e
por ele mesmo' e restringem-se a uma abordagem imanente do texto , excluindo qualquer reflexão
sobre sua exterioridade”.
A autora cita (2006, p.14) Benveniste, por afirmar que “o locutor se apropria do aparelho formal da
língua e enuncia sua posição de locutor por índices específicos”, dando relevo ao papel do sujeito
falante no processo de enunciação. Benveniste procura também mostrar como acontece a inscrição
desse sujeito nos enunciados que ele emite.
A autora explica que ao falar em “posição” do locutor, ele levanta a questão da relação que se
estabelece entre o locutor, seu enunciado e o mundo; relação que estará no centro das reflexões da
análise do discurso em que o enfoque da posição sócio histórica dos enunciadores ocupa um lugar
primordial.”
Orlandi (1986), que diz que essas duas direções vão marcar duas maneiras diferentes de pensar a
teoria do discurso: uma que a entende como uma extensão da linguística (perspectiva americana) e
outra que considera o enveredar para a vertente do discurso o sintoma de uma crise interna da
linguística, principalmente na área da semântica (perspectiva européia).
A escola francesa nasceu tendo como base a interdisciplinaridade, pois ela era preocupação não só
de linguistas como de historiadores e de alguns psicólogos. (BRANDÃO, 2006, p. 16)
“Inscrevendo-se em um quadro que articula o linguístico com o social, a AD vê se campo estender-
se para outras áreas do conhecimento e assiste-se a uma verdadeira proliferação dos usos da
expressão “análise do discurso”.
Definida inicialmente como “o estudo linguístico das condições de produção de um enunciado”, a
AD tem como base os conceitos e métodos da linguística (“A AD pressupõe a Linguística e é
pressupondo a linguística que ganha especificidade em relação às metodologias e tratamento da
linguagem nas ciências humanas”) Se por um lado esse pressuposto teórico e metodológico da
linguística distingue a AD ds outras áreas das ciências humanas com as quais confina (história,
sociologia, psicologia etc), por outro, entretanto, não será suficiente para, por si só, marcar a sua
especificidade no interior dos estudos da linguagem, sob o risco de permanecer numa linguística
imanente. (BRANDÃO, 2006, p. 17)
(…) a linguagem passa a ser um fenômeno que deve ser estudado não só em relação ao seu sistema
interno, enquanto formação linguística a exigir de seus usuários uma competência específica, mas
também enquanto formação ideológica, que se manifesta através de uma competência
socioideológica: “Uma prática discursiva não pode se explicar senão em função de uma dupla
competência: 1. uma competência específica, sistema interiorizado de regras especificamente
linguísticas e que asseguram a produção e a compreensão de frases sempre novas – o indivíduo eu
utilizando essas regras de maneira específica (performance); 2. uma competência ideológica ou
geral que torna implicitamente possível a totalidade das ações e significações novas. (Slakta, 1971,
p. 110, Apud Brandão)
Na AD, dois conceitos tornam-se nucleares: o de ideologia e o de discurso. As duas grandes
vertentes que vão influenciar a corrente francesa de AD são, do lado da ideologia, os conceitos de
Althusser e, do lado do discurso, as ideias de Foucault.

O conceito de ideologia

Segundo Chaui (1981) o termo “ideologia”, criado pelo filósofo Destutt de Tracy em 1810 na obra
Elemetns de idéologie, nasceu como sinônimo da atividade científica que procurava analisar a
faculdade de pensar, tratando as ideias “como fenônemos naturais que exprimem a relação do corpo
humano, enquanto organismo vivo, com o meio ambiente (p.23). O termo passou a ter um sentido
perjorativo pela primeira vez quando Napoleão qualificou os ideólogos franceses de “abstratos,
nebulosos, idelistas e periogos (para o poder) por causa do seu desconhecimento dos problemas
concretos. Com isso, a ideologia passou a ser vista como uma doutrina irrealista e sectária, sem
fundamento objetivo, e perigosa para a ordem estabelecida. (BRANDÃO, 2006, p. 19)
Para a autora em Marx e Engels também se encontra o termo “ideologia” impregnado de uma carga
semântica negativa. A semelhança de Napoleão, que criticava os filósofos franceses, Marx e Engels
condenam a “maneira de ver abstrata e ideológica” dos filósofos que, perdidos na sua fraseologia,
não buscam a “ligação entre a filosofia alemã e a realidade alemã, o laço entre sua crítica e seu
próprio meio material” (1965, p. 14). (BRANDÃO, 2006, p. 19)
Marx e Engels identificam a “ideologia como a separação que se faz entre a produção das ideias e
as condições sociais e históricas em que são produzidas. Por isso é que eles tomam como base para
suas formulações apenas dados possíveis de uma verificação puramente empírica os dados da
realidade que são os indivíduos reais, sua ação, e suas condições materiais de existência, aquelas
que já encontram a sua espera e aquelas que surgem coma sua própria ação.
Conforme a autora, para criar na consciência dos homens essa visão ilusória da realidade como se
fosse realidade, a ideologia organiza-se “como um sistema lógico e coerente de representações
(ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da
sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar, o que devem sentir, o
que devem fazer e como devem fazer”. (Chaui, 1980, p. 113) (BRANDÃO, 2006, p. 22)
Ela se apresenta ao mesmo tempo, como explicação teórica e prática. Enquanto a explicação ela não
se explicita e, aliás, não pode explicitar tudo sob o risco de se perder, de se destruir ao expor, por
exemplo as diferenças, as contradições sociais. Essa manobra camufladora vai fazer com o que o
discurso, e de modo especial o marcadamento ideológico, se caracterize pela preseça de “lacunas”,
“silêncios”, “brancos” que preservem a coerência do seu sistema. (BRANDÃO, 2006, p. 22)
Para Marx, dessa forma, o termo “ideologia” parece estar reduzido a uma simples categoria
filosófica de ilusão ou mascaramento da realidade social, isso decorre do fato de se tomar, como
ponto de partida para a elaboração de sua teoria, a crítica ao sistema capitalista e o respectivo
desnudamento da ideologia burguesa. A ideologia a que ele se refere é, portando, especificametne a
ideologia da classe dominante. (BRANDÃO, 2006, p. 22)
A autora cita ainda Althusser (1970) que afirma que, para manter sua dominação, a classe
dominante gera mecanismos de perpetuação ou de reprodução das condições materiais, ideológicas
e políticas de exploração.
É aí então que entra o papel do Estado que, através de seus Aparelhos Repressores (ARE) –
governo, a adminstração, o Exército, a polícia, os tribunais, as prisões etc. E os Aparelhos
Ideológicos (AIE) – instituições como religião, a escola, a família, o direito, a política, o sindicato, a
cultura, a informação – intervem ou pela repressão ou pela ideologia, tentando forçar a classe
dominada a submeter-se às relações e condições de exploração. (BRANDÃO, 2006, p. 23)
Dentre as diferenças que Althusser estabelece entre os ARE e os AIE estaria sua forma de
funcionamento: enquanto que os primeiros “funcionam de uma maneira massivamente prevalente
pela repressão (inclusive física), embora funcione secundariamente pela ideologia; inversamente os
segundos funcionam de modo massivamente prevalente pela ideologia, embora funcionando
secundariamente pela repressão, mesmo que no limite, mas apenas no limite esta seja bastante
atenuada, dissimulada ou até simbólica”. ( Althusser, 1970, p. 47 Apud BRANDÃO, 2006, p. 23)

A autora apresenta ainda como Althusser explica a ideologia (para isso ele formula três hipóteses):
a) a ideologia representa a relação imaginária de indivíduos com suas reais condições de existência.
(explicação é todo o parágrafo abaixo).
b) a ideologia tem uma existência porque existe sempre num aparelho e na sua prática ou suas
práticas. (o autor parte da colocação feita por uma corrente idealista que reduz a ideologia a ideias
dotadas por definição de existência espiritual; ou outras palavras, o comportamento material de um
sujeito dotado de uma consciência em que forma livremente, ou reconhece livremente as ideias que
crê, docorre naturalmente dessas ideias que constituem a sua crença).
c) a ideologia interpela indivíduos como sujeitos (que diz que toda ideologia tem por função
constituir indivíduos concretos em sujeitos. Isso acontece através do reconhecimento, que é quando
o sujeito se insere (a si mesmo) em suas ações, em práticas reguladas pelos aparelhos ideológicos).
ci)
A hipótes a Atlhusser explica se opondo à concepção simplista de ideologia como representação
mecânica (ou mimérica) da realidade. “Para ele o problema da ideologia se coloca de outra forma:
ideologia é a maneira pela qual os homens vivem sua relação com as condições reais de existência,
e essa relação é necessariamente imaginária. Acentua o caráter imaginário, o aspecto, por assim
dizer, “produtivo” da ideologia, pois o homem produz, cria formas simbólicas de representação da
sua relação com a realidade concreta. O imaginário é o modo como o homem atua, relaciona-se com
as condições reais de vida. Sendo essas relações imaginárias, isto é representadas simbolicamente,
abstratamente, supõe um distanciamento da realidade. E esse distanciamento pode ser “a causa para
a transposição e para a deformação imaginária das condições de existência reais do homem, numa
palavra, para alienação no imaginário da representação das condições de existência dos homens”
BRANDÃO, 2006, p. 25
Metodologia

Apartir dos anos 1970, apresentam-se duas propostas que procuram reconhecer o papel da
linguagem na estruturação das relações de poder na sociedade: a primeira é uma Análise do
Discurso de Linha Francesa, cujo principal autor é Michel Pêcheux, com a obra de referência
Análise Automática do Discurso (1969). A segunda é a Análise do Discurso Crítica (ADC), que
segue a linha da lingüística crítica no mundo anglo-saxão (MURILO, 2004).

Paralelamente à análise do discurso, há o estudo da retórica que preocupa os homens desde os


tempos antigos, como se observa nas obras de Platão e Aristóteles. A retomada moderna da retórica
como estudo de estratégia de discurso persuasivo deveu-se ao estudo de Perelman e Olbrechts-
Tyteca, que, em sua obra Tratado de argumentação publicada na Bélgica, em 1958, propõe uma
“nova retórica” e enfatiza o uso da argumentação visando o consentimento e a importância da
audiência. Esta preocupação é responsável pela evolução dos estudos sobre influência da
argumentação nas relações políticas mesmo que nem sempre receba o nome de análise retórica.

Neste capítulo apresentaremos as propostas de análise do discurso feitas por Norman Fairclough e
Patrick Charaudeau e de análise retórica feita por Tereza Halliday. A proposta de Fairclough é de
ordem prática, pois procura levantar todos os pontos necessários à análise, enquadrando-os em três
dimensões (prática discursiva, análise do texto e análise da prática social). Passaremos, depois, a
mostrar, mais especificamente, os elementos encontrados em pronunciamentos políticos, e para isso
nos serviremos do trabalho de Patrick Charaudeau, que compara a prática política a um jogo de
máscaras e procura desmascarar as técnicas usadas pelos políticos na tentativa de persuadir e
seduzir a platéia. Por último, aproveitaremos a contribuição da obra de Tereza Lúcia Halliday para a
abordagem situacional da retórica, ou seja, levantaremos quais foram os problemas retóricos que
tiveram que ser superados pelo retor na sua tentativa de convencer a audiência conseguindo superar
um conjunto de limitações e restrições.

1.1 Os caminhos práticos da análise do discurso

Norman Fairclough é conferencista no Departamento de Lingüística e Língua Inglesa Moderna da


Universidade de Lancaster. Neomarxista, filiado às leituras das obras de Marx pela Escola de
Frankfurt. Ele é um dos principais autores da Análise do Discurso Crítica (ADC), a qual poderia ser
definida como um método que pode envolver várias disciplinas para analisar a utilização que se faz
da linguagem de forma crítica e que podem passar
despercebidas pelo “auditório”. Na sua teoria social do discurso, considera “o uso da
linguagem como forma de prática social e não como atividade puramente individual ou
reflexo de variáveis situacionais”. Para ele, o discurso é “um modo de ação, uma forma em
que as pessoas podem agir sobre o mundo e especialmente sobre os outros” (FAIRCLOUGH,
2001, p. 91).
Esse é um aspecto que nos interessa abordar já que entendemos que o pronunciamento
parlamentar tem por objetivo, mais que qualquer outro gênero do discurso, agir sobre o
mundo e sobre os outros. É isso que acontece quando um deputado se pronuncia em plenário.
Ali, por meio de sua fala, ele tenta convencer os outros parlamentares a mudarem o curso das
votações e da própria História.
Em Discurso e mudança social (2001), Fairclough defende que as funções da
linguagem na prática social são contribuir: primeiro, para a construção de ‘identidades
sociais’ e ‘posições de sujeito’; depois, para a construção de relações sociais entre as pessoas;
e, por último, “o discurso contribui para a construção de sistemas de conhecimento e crença”.
(FAIRCLOUGH, 2001, p. 91).
O seu propósito é mostrar que o estudo do discurso passa por três dimensões, as quais
na prática estão superpostas e compõem um “quadro tridimensional”, cujos elementos seriam:
“(1) análise das práticas discursivas, focalizando a intertextualidade e a interdiscursividade
das amostras do discurso; (2) análise dos textos (microanálise da prática discursiva); e (3)
análise da prática social da qual o discurso é uma parte” (FAIRCLOUGH, 2001, p. 282).
Por análise das práticas discursivas entende-se o exame dos “processos de produção,
distribuição e consumo textual” (FAIRCLOUGH, 2001, p. 106). Ele dá como exemplo um
texto jornalístico, cuja produção envolve a tomada de várias decisões, tais como: quem 13

redigirá, para que tipo de leitor, onde será publicado, etc. O autor não deixa de ressaltar que o
consumo, dependendo do contexto social, também será diverso. O texto poderá ser lido
individual ou coletivamente; poderá ser transitório ou preservado e relido. Também poderá
ser incorporado a outros textos, como ele mesmo exemplifica citando os discursos políticos e
os livros-textos. Cumpre destacar que para o autor, os textos não se restringem ao mundo
lingüístico, pois podem apresentar “resultados variáveis de natureza extradiscursiva” e acabar
modificando “as atitudes, as crenças ou as práticas das pessoas” (FAIRCLOUGH, 2001, p.
108).
Como já foi dito, os aspectos relacionados à análise textual estão sobrepostos aos
outros acima citados. Mas alguns deles são ressaltados pelo autor como o caráter
multidisciplinar desta atividade, pois a análise de um texto envolve questões de forma e
conteúdo. Envolve não só os saberes lingüísticos, como também os das ciências sociais, entre
outros.
A terceira dimensão citada por Fairclough, o discurso como prática social, relaciona-se
à ideologia e ao poder. O autor faz uma análise das circunstâncias institucionais e
organizacionais do evento comunicativo, pois esse está seguramente arraigado em estruturas
socioculturais concretas (materiais) e contribui para a produção, a reprodução ou a
transformação das relações de dominação presentes nestas instâncias. Em outras palavras,
uma forma de analisar a prática social à qual pertence o discurso é procurar estabelecer se as
relações de poder existentes naquela entidade coletiva são reproduzidas, reestruturadas ou
desafiadas.
Como já dissemos, o objetivo de Fairclough é propor um método prático de análise do
discurso, por isso ele começa alertando para os três itens principais de seu método: os dados, a
análise e os resultados.
Como a ênfase do seu método é o estudo do discurso como prática social, ele
recomenda que o pesquisador delimite o corpus do seu estudo, procurando as amostras típicas
ou representativas da relação daquela prática com a situação social.
É bom relembrar que a própria transcrição das amostras implica uma interpretação.
Desse modo, a análise de um pronunciamento parlamentar pode se apoiar na gravação de
vídeo ou nas notas taquigráficas. Independentemente do material selecionado, entretanto, o
pesquisador deve estar ciente de que a sua escolha tem um significado que deve ser
explicitado. Além disso, no caso de uso das notas taquigráficas, deve-se levar em
consideração que podem ter ocorrido algumas correções da linguagem oral na transcrição.
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Após a indicação precisa dos dados, deve-se passar para a fase de análise, a qual
envolve a indicação das características, dos padrões e das estruturas típicas do tipo de
discurso escolhido.
Antes de recomendar a indicação por parte do analista das características ou
especificidades do texto, Fairclough faz interessante distinção entre intertextualidade e
interdiscursividade. Por intertextualidade manifesta ele entende a incorporação de partes de
outros textos em um texto específico. Já interdiscursividade seria dar nova configuração a um
tipo de discurso, ou, ainda, alternar vários tipos de discurso num mesmo texto. Ele cita como
exemplo textos que aparentemente visam a dar informações, mas que no fundo estão fazendo
é publicidade (falar-e-vender).
Também faz parte da análise do texto a indicação de alguns aspectos gramaticais
como: de que modo as orações e os períodos estão relacionados; quais os tipos de marcadores
de coesão que aparecem no texto; se foram criados novos termos e de que forma ocorreu;
como foram empregados os verbos e advérbios, etc.
Outro aspecto indispensável a esta análise é o levantamento das metáforas utilizadas,
apontando seus efeitos estilísticos e esclarecendo os fatores (culturais ou ideológicos) que
podem ter levado o autor a escolhê-las.
Resultado é o nome dado por Fairclough ao último item de sua análise do discurso.
Para ele, o resultado talvez seja o mais importante passo de todo o processo, pois visa à
conscientização, pelos envolvidos nas práticas discursivas, do seu papel como produtor e
consumidor de textos. Ele chama a isto de Consciência Lingüística Crítica (CLC). E seria
através dessa prática que as pessoas poderiam reconhecer as relações de poder e as ideologias
presentes na sociedade em que vivem; saberiam como reagir aos interesses escondidos nestas
relações.
Para os propósitos deste trabalho, interessam-nos particularmente as considerações de
Fairclough sobre intertextualidade, pois procuraremos mostrar, no pronunciamento sob
análise, a presença de outros textos com os quais se relaciona e as situações sociais que
acabaram influenciando a sua produção, distribuição e interpretação (consumo). Dele serão
utilizadas também as indicações dos passos a serem seguidos para se proceder a uma
microanálise, ou seja, à análise da estrutura interna do discurso.