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Motivação

O futuro do trabalho é incerto, quer em termos daquilo que a revolução tecnológica parece vir
a mudar nas dinâmicas entre empregador e empregado quer nos métodos de produção de inúmeras
áreas tecnologicamente estáveis há grandes períodos de tempo. A democratização da escolaridade
e o aumento impressionante dos níveis de formação de cada cidadão criaram uma geração mais
habilitada que qualquer outra antes dela, sendo, no entanto, uma geração que depara com níveis
de insegurança quanto ao seu futuro profissional mais gritantes do que o admissível.
O desemprego é um flagelo da sociedade que todo e qualquer executivo procura diminuir. A
taxa de desemprego estabilizou, em Junho, no valor mais baixo dos últimos 16 anos, o que é
bastante positivo. No entanto a taxa de desemprego jovem situa-se ainda nos 20,3%, um valor
altíssimo que nos diz que um em cada cinco jovens que já não se encontram a estudar não entrou
ainda no mercado de trabalho. Entre 2008 e 2017 a Europa perdeu 17% da sua população jovem
ativa, ou seja, a sua população entre os dezoito e os trinta anos disponível para trabalhar. Segundo
o Fundo Monetário Internacional é aqui, e não nas dinâmicas de criação de emprego, que
encontramos a justificação para a diminuição do desemprego jovem.
Podemos, portanto, observar que apesar das medidas gerais direcionadas a combater o
desemprego, o desemprego jovem em particular não parece ter sido afetado e de facto tem vindo
a aumentar à medida que cada vez mais jovens apostam numa formação longa e custosa para
depois descobrirem um mercado de trabalho onde as oportunidades rareiam e a experiência
procurada para posições de entrada é desproporcionada ao salário. É demasiadas vezes exigida
experiência a quem, por razões óbvias, não a possui, estando à procura de um primeiro emprego.
O paradoxo alarga-se quando se mantêm políticas de baixos salários de entrada. Tal, contribui
para aumentar a disparidade entre o expectável e a realidade, nomeadamente, quando os mais
jovens, que gastam verdadeiras fortunas para se formarem aos mais altos níveis, saindo do sistema
de ensino portadores de elevadíssimas qualificações, não encontram reflexo nos rendimentos que
auferem face ao seu conhecimento.
Outro dos problemas é o aumento dos postos de trabalho em tempo parcial e a proliferação de
estágios exploratórios não pagos. Um relatório do FMI relembra que “a percentagem de empregos
temporários na Zona Euro é elevada quando comparada outras economias e continuou a aumentar
após a crise”. As vagas em tempo parcial aumentaram 10% entre 2013 e 2017, não se tendo
verificado qualquer aumento das vagas em tempo completo no mesmo período. Não é possível a
um jovem trabalhador assegurar a sua segurança financeira se aquilo que muitos empregadores
oferecem são postos de trabalho que como não são a tempo inteiro têm remunerações muito mais
baixas. A quantidade de estágios não remunerados ou remunerados parcamente também
aumentou, sendo que muitos destes não passam de meios de empregar um jovem trabalhador
cheio de vontade de fazer valer o seu esforço sem qualquer custo para o empregador, não sendo
estes estágios sequer particularmente valorizados no que toca a currículo para vagas futuras.
A emigração continua a ser, muitas vezes, o único caminho para um jovem que investiu muito
na sua formação e vê depois que o seu esforço é desconsiderado, que as oportunidades escasseiam,
que o mercado da habitação é hostil e que os salários que pode obter são baixos, apesar do seu
alto nível de formação. É essencial tomar ação decisiva no encorajamento ao trabalho jovem, não
sobre a forma de estágios não remunerados que apenas soam bem nas estatísticas, mas fornecendo
oportunidades para os jovens portugueses entrarem no mercado de trabalho de forma digna, de se
expressarem na sua área profissional escolhida e de verem os seus anos de estudo a serem
valorizados, tal como lhes foi prometido.
Proposta

É segundo esta linha de raciocínio e tendo em conta as necessidades dos jovens trabalhadores
que entram agora num mercado de trabalho hostil que venho propor que a Juventude Socialista
se manifeste pela isenção completa de contribuições de empregadores de qualquer setor para a
segurança social quando contratassem jovens sem termo no primeiro ano, diminuindo a
percentagem de isenção em dez por cento por cada ano seguinte até um mínimo de cinquenta por
cento. Esta isenção teria como período máximo cinco anos, tal como já estabelecido em medidas
anteriores. Esta medida teria impacto fiscal superior às medidas já existentes de isenção fiscal
parcial que, no entanto, seria compensado pela criação de mais vagas e postos de trabalho
direcionados para jovens trabalhadores que integrariam o mercado de trabalho sem estarem
sujeitos a contratos a prazo ou outros tipos de contratos de trabalho negociados a má-fé e
aproveitando-se do desespero dos jovens de finalmente começarem a ter independência
financeira. É muito mais aliciante para empregadores a contribuição fiscal nula com progressivo
aumento do que um ponto de partida de contribuição parcial. O combate ao desemprego jovem
não pode ser feito através de subsídios aos jovens que não têm emprego mas no encorajamento
na contratação e na criação de postos de trabalho. Apesar de a medida não ir, por si só, contrariar
a falta de vagas e os baixos valores dos salários, irá sem dúvida fornecer mais oportunidades de
longa duração e portanto mais seguras a jovens que não as teriam de outro modo. Todos os passos
no caminho do encorajamento da criação de emprego jovem que possam ser tomados devem sê-
lo.
O setor público deve também procurar assegurar uma maior presença de trabalhadores jovens,
devendo a Juventude Socialista pugnar pela renovação de quadros, assegurando a capacidade do
setor de se adaptar às exigências de um futuro incerto. O Estado deve dar o exemplo ao setor
privado através da contratação de jovens e da criação de vagas especificamente direcionadas para
os mesmos. A função pública necessita de uma representação jovem forte de modo a combater a
estagnação muitas vezes percetível no setor, sendo também essencial apostar nos jovens que
desejam trabalhar em instituições estatais mas se vêm incapazes de o fazer. Coadunado com
outros incentivos fiscais será possível finalmente ter uma estratégia de combate a um flagelo
civilizacional ao qual mesmo agora não é dada a suficiente relevância.
Apenas através da existência de espaços de trabalho e realização pessoal é que os jovens que
desejam utilizar o que estudaram e afirmar-se enquanto profissionais poderão criar o seu projeto
de vida e afirmar a sua independência, e apenas facultando estes espaços podemos proteger o
futuro da nossa nação. Deste modo peço a esta assembleia que aprove esta moção, pelo futuro do
trabalho dos jovens portugueses.
Subscritores

Nº de Militante Nome
128149 André Teixeira
93911 Eduardo Coturela
132555 Carlos Campos
124503 Nuno Pereira
129816 Tiago Abelheira
124463 João Pinheiro
123630 Bruno Gonçalves
135634 Cláudia Ribeiro
125315 Pedro Pinto
124421 Eulália Antunes
130923 Nuno Coto