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6. Condições específicas.

A) Direito Líquido e certo, comprovado por prova pré-constituída.


B) Ato coator.
C) Tempestividade

A) A expressão “direito líquido e certo” na realidade está ligada aos fatos nos quais se ampara a pretensão, e não
ao direito invocado. Quer dizer que o pedido deve estar amparado em fatos demonstrados de plano, através de
prova pré-constituída (EM REGRA, DOCUMENTAL).

É requisito específico de cabimento, porque o rito do MS não comporta dilação probatória, não existe fase de pro-
vas no MS. Controvérsia sobre fato em MS implica na extinção do feito sem julgamento do mérito.

Lei 12.016/09
Art. 6o A petição inicial, que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual, será apresentada
em 2 (duas) vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará, além da auto-
ridade coatora, a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições.

§ 1o No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou estabelecimento


público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo por certidão ou de terceiro, o juiz ordenará, prelimi-
narmente, por ofício, a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará, para o cumpri-
mento da ordem, o prazo de 10 (dez) dias. O escrivão extrairá cópias do documento para juntá-las à segunda via
da petição.

Súmula 625 STF - Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança.

B) Ato coator. É ato ou omissão de autoridade pública (ato praticado ou omitido por pessoa investida de parcela
de poder público), eivado de ilegalidade ou abuso de poder.
As expressões “ilegalidade ou abuso de poder” estão previstas na CRFB, no art. 5º, inciso LXIX, mas é certo que
ilegalidade é gênero, e abuso de poder é espécie.

Isso porque os elementos do ato administrativo (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) devem todos ser
respeitados, sob pena de ilegalidade, e abuso de poder pode ser vício de competência (excesso de poder) ou
finalidade (desvio de finalidade).

Súmula 266 - NÃO CABE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA LEI EM TESE.

Se o ato coator for praticado por PJ ou PF no exercício de atribuições do poder público, é essa PF ou PJ que será
a autoridade coatora, e não o ente da federação que delegou os poderes.

Súmula 510 STF - “PRATICADO O ATO POR AUTORIDADE, NO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA DELEGADA,
CONTRA ELA CABE O MANDADO DE SEGURANÇA OU A MEDIDA JUDICIAL.”

Os atos de pessoas de direito privado ticamente administrativos também podem ser questionados por MS. Ex: ato
de licitação praticado por SEM ou EP. Quando a Petrobrás ou Caixa fazem licitação, por imposição constitucional,
os atos da licitação podem ser impugnados por meio de MS. É o que prevê a súmula 333 do STJ:

Súmula 333 - Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de eco-
nomia mista ou empresa pública.

A súmula pode ser aplicada, por analogia, aos concursos públicos. Assim, a inabilitação de candidatos em con-
curso para ingresso nos quadros de SEM e EP também poderia ensejar a interposição de MS.

Também é comum MS em face de dirigentes de estabelecimento de ensino (Reitor, Diretor etc.), desde que a
matéria questionada tenha relação direta com a atribuição delegada (no caso, a atividade de ensino. Ex: negativa
de certificado de conclusão, negativa de matrícula, etc.). Atos de gestão das PJ de direito privado não são passí-
veis de MS, tais como: fixação de calendário do ano letivo, questão referente a mensalidades, etc.

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Art. 1º §2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores
de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.

C) TEMPESTIVIDADE
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados
da ciência, pelo interessado, do ato impugnado.

Súmula 632 STF - É CONSTITUCIONAL LEI QUE FIXA O PRAZO DE DECADÊNCIA PARA A IMPETRAÇÃO DE
MANDADO DE SEGURANÇA.
Com essa súmula também se posicionou o STF quanto à natureza do prazo, que entende ser decadencial. Mas
cuidado, porque se trata de decadência sui generis. É uma decadência que não atinge o direito material.

O termo inicial é a date em que o prejudicado tomou ciência do ato.


No caso de omissão, não há que se falar em prazo decadencial, porque a omissão se perpetua no tempo. Haverá
lesão enquanto mantida a omissão.

7. Hipóteses de cabimento. Ms no curso do processo legislativo.

8. Polo Passivo

9. Tutela de Urgência. Art. 7°, III, da Lei 12.016/09. Art 300 e 301, do CPC.

Art. 7o Ao despachar a inicial, o juiz ordenará:


III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado
puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução,
fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.

§ 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de
mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a conces-
são de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza.

10. Hipóteses de não cabimento

 Art. 1°§ 2º. Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administra-
dores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.

 Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:


I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.

11. Competência

Fixada de acordo com a autoridade coatora

Lei 9507/97

Art. 20. O julgamento do habeas data compete:


I - originariamente:
a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e
do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo
Tribunal Federal;
b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou do próprio Tribunal;
c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal;
d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;
f) a juiz estadual, nos demais casos;

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12. SÚMULAS DO STF

 Súmula nº 267 - Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.
 Súmula nº 268 - Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.
 Súmula nº 269 - O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança.
 Súmula nº 429 - A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado
de segurança contra omissão da autoridade.

 Súmula nº 512 - Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de segurança.

13. CASO CONCRETO

ELABORAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DA PEÇA

PROVA 2010.2
Mévio de Tal, com quarenta e dois anos de idade, pretende candidatar-se a cargo vago, mediante concurso públi-
co, organizado pelo Estado X, tendo, inclusive, se matriculado em escola preparatória. Com a publicação do edi-
tal, é surpreendido com a limitação, para inscrição, dos candidatos com idade de, no máximo, vinte e cinco anos.
Inconformado, apresenta requerimento ao responsável pelo concurso, que aduz o interesse público, tendo em
vista que, quando mais jovem, maior tempo permanecerá no serviço público o aprovado no certame, o que permi-
tirá um menor déficit nas prestações previdenciárias, um dos problemas centrais do orçamento do Estado na con-
temporaneidade.
O responsável pelo concurso é o Governador do Estado X. Não há previsão legal para o estabelecimento de idade
mínima, sendo norma constante do edital do concurso. Não há necessidade de produção de provas e o prazo
entre a publicação do edital e da impetração da ação foi menor que 120 (cento e vinte) dias.

Na qualidade de advogado contratado por Mévio, redigir a peça cabível ao tema, observando: a) competência do
Juízo; b) legitimidade ativa e passiva; c) fundamentos de mérito constitucionais e legais vinculados; d) os requisi-
tos formais da peça inaugural; e) necessidade de tutela de urgência.

5 PASSOS
PASSO 1 – RESUMO DO CASO
PASSO 2 – LEGITIMIDADE ATIVA
PASSO 3 – LEGITIMIDADE PASSIVA
PASSO 4 – ESCOLHA DA AÇÃO
PASSO 5 – ÓRGÃO COMPETENTE

EXMO. SR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO X


(5 linhas)
Mévio de Tal, nacionalidade..., estado civil..., (ou existência de união estável) profissão..., portador do RG n°... e
do CPF n°..., endereço eletrônico ..., residente e domiciliado..., nesta cidade, por seu advogado infra-assinado,
conforme procuração anexa ..., com escritório ..., endereço que indica para os fins do art. 77, V, do CPC, com
fundamento nos termos do art. 5º, LXIX da CRFB/88 e da Lei nº 12.016/09, vem impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA em face do Governador do Estado X, que pode ser encontrado na sede funcional...
e do Estado X.

I- DA TEMPESTIVIDADE
A presente ação é tempestiva, tendo em vista que o prazo entre a publicação do edital e da impetração da ação
foi inferior a 120 (cento e vinte) dias, satisfazendo assim o requisito exigido pelo art. 23 da Lei 12.016/09.

II- DA PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA


Não há necessidade de produção futura de provas, estando comprovado o requisito da prova documental exigido
pelo art. 6º, caput, da Lei 12.016/09.

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III- SÍNTESE DOS FATOS
O impetrante, com quarenta e dois anos de idade, pretende candidatar-se a cargo vago, mediante concurso públi-
co, organizado pelo Estado X, entretanto, com a publicação do edital, foi surpreendido com a limitação, para ins-
crição, dos candidatos com idade de, no máximo, vinte e cinco anos.

Inconformado, apresentou requerimento ao responsável pelo concurso, que aduziu o interesse público, tendo em
vista que, quando mais jovem, maior tempo permanecerá no serviço público o aprovado no certame, o que permi-
tirá um menor déficit nas prestações previdenciárias, um dos problemas centrais do orçamento do Estado na con-
temporaneidade.

Não há previsão legal para o estabelecimento de idade mínima, sendo norma constante do edital do concurso, o
qual viola claramente o princípio da legalidade, ensejando a propositura do presente mandado de segurança.

IV- TUTELA DE URGÊNCIA


A previsão para concessão da tutela de urgência no mandado de segurança está presente no art. 7º, III da Lei
12.016/09 e tem natureza de medida cautelar/liminar.
A probabilidade do direito reside nos argumentos de fato e de direito apresentados na presente e comprovados
mediante a documentação anexa.

Já o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo também se encontra demonstrado tendo em vista que
o prazo de inscrição do concurso se esgotará em breve.

V – FUNDAMENTOS JURÍDICOS
Na forma do art. 5º, LXIX, da CRFB/88, o mandado de segurança será concedido para proteger direito líquido e
certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

O mandado de segurança também está regulamentado pela Lei 12.016/09, que no art. 1º reforça a natureza resi-
dual do instituto.

O acesso a cargos públicos tem assento constitucional, consoante pode-se aferir do exame da norma do art. 37,
II, da CRFB/88, que impõe a acessibilidade aos cargos públicos mediante concurso público.

A jurisprudência não tem acolhido que normas editalícias, sem previsão legal e com manifesta afronta às normas
constitucionais, restrinjam o limite de idade, admitindo a restrição quando houver previsão legal, desde que ade-
quado ao cargo postulado.

O ato do Governador do Estado X violou nitidamente o Princípio da Igualdade e da legalidade, presentes nos arts.
5º, I e II e 37, caput, todos da CRFB/88.

Além disso, o referido ato contraria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, extraídos implicitamente
do art. 5º, LIV da CRFB/88.

Segundo a Súmula 683, do STF, o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do
art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchi-
do, o que não ocorre na situação narrada.

VI- DOS PEDIDOS


Ante todo o exposto, requer-se:
a) a concessão da cautelar para suspender o ato coator e permitir a realização da inscrição do Impetrante no con-
curso, na forma do art. 7º, III, da Lei 12.016/09.
b) a notificação da autoridade coatora, o Governador do Estado X, para que preste as informações que entender
pertinentes do caso, segundo o art. 7º, I, da Lei 12.016/09;
c) que se dê ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, de acordo com o
art. 7º, II, da Lei 12.016/09;
d) a intimação do Representante do Ministério Público, conforme o art. 12, da Lei 12.016/09;
e) a condenação do Impetrado em custas processuais;
f) a juntada dos documentos, na forma do art. 320, do CPC;

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g) que ao final seja julgado procedente o pedido para garantir a inscrição definitiva do Impetrante no referido con-
curso.

Valor da causa de acordo com o art. 291 do CPC/15.


Ou:
Valor da causa de acordo com o art. 319 do CPC/15.

Termos em que,
pede deferimento
Local... e data...
Advogado...
OAB n.º ...

PEÇA PROCESSUAL XXIII EXAME

Edson, idoso aposentado por invalidez pelo regime geral de previdência social, recebe um salário mínimo por
mês.
Durante mais de três décadas, esteve exposto a agentes nocivos à saúde, foi acometido por doença que exige o
uso contínuo de medicamento controlado, cuja ministração fora da forma exigida pode colocar em risco a sua
vida.
Em razão de sua situação pessoal, todo dia 5 comparece ao posto de saúde existente na localidade em que resi-
de, retirando a quantidade necessária do medicamento para os próximos trinta dias. No último dia 5, foi informado,
pelo Diretor do referido posto, que a central de distribuição não entregara o medicamento, já que o Município, em
razão da crise financeira, não pagava os fornecedores havia cerca de seis meses.
Inconformado com a informação recebida, Edson formulou, logo no dia seguinte, requerimento endereçado ao
Secretário Municipal de Saúde, autoridade responsável pela administração das dotações orçamentárias destina-
das à área de saúde e pela aquisição dos medicamentos encaminhados à central de distribuição, órgão por ele
dirigido. Na ocasião, esclareceu que a ausência do medicamento poderia colocar em risco sua própria vida.
Em resposta escrita, o Secretário reconheceu que Edson tinha necessidade do medicamento, o que fora docu-
mentado pelos médicos do posto de saúde, e informou que estavam sendo adotadas as providências necessárias
à solução da questão, mas que tal somente ocorreria dali a 160 (cento e sessenta) dias, quando o governador do
Estado prometera repassar receitas a serem aplicadas à saúde municipal. Nesse meio-tempo, sugeriu que Edson
procurasse o serviço de emergência sempre que o seu estado de saúde apresentasse alguma piora.
Edson, de posse de toda a prova documental que por si só basta para demonstrar os fatos narrados, em especial
a resposta do Secretário Municipal de Saúde, procura você, uma semana depois, para contratar seus serviços
como advogado(a), solicitando o ajuizamento da medida judicial que ofereça resultados mais céleres, sem neces-
sidade de longa instrução probatória, para que consiga obter o medicamento de que necessita.

Levando em consideração as informações expostas, ciente da desnecessidade da dilação probatória, elabore a


medida judicial adequada, com todos os fundamentos jurídicos que conferem sustentação ao direito de Edson.

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