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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Composição do Pleno
Conselheiro Presidente: Domingos Gomes de Aguiar Filho
Conselheiro Vice-Presidente: Manoel Beserra Veras
Conselheiro Corregedor: Pedro Ângelo Sales Figueiredo
Conselheiro José Marcelo Feitosa
Conselheiro Ernesto Saboia de Figueiredo Junior
Conselheiro Francisco de Paula Rocha Aguiar
Conselheiro Hélio Parente de Vasconcelos Filho

Auditores
David Santos Matos
Fernando Antonio Costa Lima Uchôa Júnior
Manassés Pedrosa Cavalcante

Composição da Procuradoria
Procuradora Geral de Contas Leilyanne Brandão Feitosa
Procurador de Contas Júlio César Rôla Saraiva
Procuradora de Contas Cláudia Patrícia Rodrigues Alves Cristino

Diretor Geral
Juraci Muniz Junior

Assessoria de Imprensa
Silvia Goes

Assessoria Jurídica
Bruno Caminha Scarano

Controladoria
Zivaldo Rodrigues Loureiro Junior

Ouvidoria
Virgílio Freire do Nascimento Filho

Secretaria
Luiz Mario Vieira

Diretoria de Administração e Finanças


Roberto Wagner Fernandes Rufino

Diretoria de Fiscalização
Telma Maria Escóssio Melo

Diretoria de Tecnologia e Informação


Adalberto Ribeiro da Silva Júnior

Diretoria de Assistência Técnica e Planejamento


Mariana Torres Lima Vieira

Diretora Executiva do Ieswa


Sandra Valéria de Morais Santos

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE


CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Fortaleza - CE

2017

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Copyright © 2017 by Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará.


Instituto Escola Superior de Contas e Gestão Pública Waldemar Alcântara - Ieswa

Diretor-Presidente
Conselheiro Francisco de Paula Rocha Aguiar

Diretora Executiva
Sandra Valéria de Morais Santos

Coordenadora Operacional
Júlia Maria Pinheiro Pessoa

Coordenadora Técnica e Pedagógica


Patrícia Nogueira Azevedo

Expediente

Direção Geral: Conselheiro Manoel Beserra Veras

Elaboração: Samuel Leite Castelo

Supervisão: Ieswa

Revisão Técnica
Diretoria de Fiscalização Diretoria de Assistência Técnica e Planejamento
Marcelle Holanda Raimunda Edna Xavier da Silva
Telma Maria Escóssio Melo Viviane Moura de Farias

Revisão Ortográfica: Márcia de Oliveira Nunes

Capa: Yuri Lamboglia Barbosa

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica para Web: Yuri Lamboglia Barbosa

Bibliotecária: Maria Teresa Pinheiro da Frota

C387m Ceará. Tribunal de Contas dos Municípios do Estado.


Manual básico de sistema de controle interno municipal / Tribunal de Contas
dos Municípios do Estado Ceará -Fortaleza : TCM/CE, 2017.

64p. : il.
Elaboração: Samuel Leite Castelo.
inclui tabelas.

1.Controle da Gestão Municipal. 2. Controle Interno. 3. Instrução Normativa


nº 01/2017. I. Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. II. Título.

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará


Av. Gal. Afonso Albuquerque Lima,130 Cambeba,
Cep: 60.822-32 Fortaleza – Ceará
Tel. (85) 3218-1305
www.tcm.ce.gov.br

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Lista de Siglas
Atricon - Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil.
CFC - Conselho Federal de Contabilidade.
CF - Constituição Federal.
Coso - Committee of Sponsoring Organizations of The TreadwayCommission (Comitê das
Organizações Patrocinadoras da ComissãoTradway).
CGU - Controladoria-Geral da União.
EFS - Entidade de Fiscalização Superior.
IIA - The Institute of Internal Auditors (Instituto dos Auditores Internos).
IntosaiI - International Organization of Supreme Audit Institutions(Organização Internacional das
Entidades de Fiscalização Superior).
ISSAI - International Standards of Supreme Audit Institutions (NormasInternacionais de
Auditoria das Entidades de Fiscalização Superior).
NAT - Normas de Auditoria do Tribunal de Contas da União.
NBC TA – Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica de Auditoria.
SAI - Supreme Audit Institution (Entidade de Fiscalização Superior).
SECEX - Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União.
SCI – Sistema de Controle Interno.
SFC - Secretaria Federal de Controle da Controladoria-Geral da União.
TCU - Tribunal de Contas da União.
UCI - Unidades de Controle Interno.
UE - Unidades Executoras.

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Sumário

1. Aspectos Conceituais........................................................................................................... 8
1.1. Introdução .................................................................................................................... 8
1.2. Definições de Controle Interno .................................................................................. 8
1.3. Diferenciação entre Controle Interno e Auditoria Interna ..................................... 11
1.4. Papéis e Responsabilidades ...................................................................................... 13
1.5 Quadro Pessoal:.................................................................................................................... 14
2. Atividades de Controle Interno nas Entidades ................................................................ 16
2.1. Planejamento.............................................................................................................. 17
2.1.1. Levantamento Prévio ......................................................................................... 17
2.1.2. Definição ou revisão da estrutura de controle ................................................. 18
2.1.3. Desenvolvimento dos instrumentos de avaliação............................................ 19
2.2. Execução .................................................................................................................... 19
2.2.1 Teste de controle e avaliação dos resultados dos testes de controle ......................... 19
2.3. Comunicação de Resultados ..................................................................................... 20
2.4. Monitoramento (Follow-up) ..................................................................................... 21
3. Atividades de Controle Interno em Nível Operacional ................................................... 21
3.1. Planejamento.............................................................................................................. 22
3.1.1 Levantamento e documentação do processo ....................................................... 22
3.1.2 Validação do processo ........................................................................................... 23
3.1.3 Identificação de objetivos, riscos e controles ...................................................... 24
3.1.4 Planejamento dos testes de controle .................................................................... 24
3.2. Execução ................................................................................................................ 24
3.3. Comunicação de Resultados ..................................................................................... 25
3.4. Monitoramento (Follow-up) ..................................................................................... 26
4. Entendimentos sobre Controle Internos do TCM .......................................................... 26
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 28
ANEXOS .................................................................................................................................... 30

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1. Aspectos Conceituais
1.1. Introdução

O Manual desenvolvido tem como finalidade orientar os Jurisdicionados quanto ao


aspecto de criar, implantar, manter e coordenar o Sistema de Controle Interno nos Poderes
Executivo e Legislativo Municipais disciplinada pela Instrução Normativa n° 01/2017.

Assim, começaremos estudando os conceitos de controle, bem como as definições


de controle Interno emitidas pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de
Contas da União (TCU), pelo Comitê das Organizações Patrocinadoras (Coso) e pela
Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Intosai).

Em seguida, faremos a diferenciação entre controle interno e auditoria interna, bem


como entre as responsabilidades e os papéis de gestores e auditores em relação ao controle
interno.

1.2. Definições de Controle Interno

O conceito de controle interno depende da perspectiva ou do referencial que se


toma, desde um controle individual como, por exemplo, um simples registro ou por uma
visão sistêmica ou de conjunto de todos os controles de uma organização (sistema ou
estrutura de controle interno).

A Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da Instrução Normativa Secretaria


Federal de Controle (SFC) n°01/01, definiu diretrizes, princípios, conceitos e aprovou
normas técnicas para a atuação do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo
Federal, definindo Controle Interno como: “conjunto de atividades, planos, rotinas,
métodos e procedimentos interligados, estabelecidos com vistas a assegurar que os
objetivos das unidades e entidades da administração pública sejam alcançados, de forma
confiável e concreta, evidenciando eventuais desvios ao longo da gestão, até a consecução
dos objetivos fixados pelo Poder Público.”

Observe que tal conceituação evidencia o aspecto de controle interno administrativo,


mas no mesmo documento expedido pela CGU (p.67), ela declara que: “um dos objetivos
fundamentais do Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal é a avaliação
dos controles internos administrativos das unidades ou entidades sob exame. Diante do
objetivo mencionado, destaca-se o papel mais abrangente, mais avaliativo do Órgão
responsável pela coordenação, orientação e acompanhamento dos Controles Internos
(Órgão Central do Sistema de Controle Interno - OCSCI)”.

A Intosai (2004, p.6) publicou em 2004 uma revisão das Diretrizes para as Normas
de Controle Interno do Setor Público, baseando-se no Coso, e adotou a seguinte definição:
“Controle interno é um processo integrado efetuado pela direção e corpo de funcionários,
estruturado para enfrentar os riscos e fornecer razoável segurança de que na consecução da
missão da entidade os seguintes objetivos gerais serão alcançados: a)execução ordenada,
ética, econômica, eficiente e eficaz das operações; b) cumprimento das obrigações de
accountability; c) cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis; d) salvaguarda dos recursos
para evitar perdas, mau uso e dano”.

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O TCU, alinhando-se às Diretrizes para as Normas de Controle Interno do Setor


Público emitidas pela Intosai e seguindo a tendência internacional, introduziu nas NAT1 e
no Glossário de Termos do Controle Externo, a seguinte definição:

“Processo efetuado pela administração e por todo o corpo funcional, integrado


ao processo de gestão em todas as áreas e todos os níveis de órgãos e entidades
públicos, estruturado para enfrentar riscos e fornecer razoável segurança de
que, na consecução da missão, dos objetivos e das metas institucionais, os
princípios constitucionais da administração pública serão obedecidos e os
seguintes objetivos gerais de controle serão atendidos:
I. eficiência, eficácia e efetividade operacional, mediante execução ordenada,
ética e econômica das operações;
II. integridade e confiabilidade da informação produzida e sua disponibilidade
para a tomada de decisões e para o cumprimento de obrigações de accountability;
III.conformidade com leis e regulamentos aplicáveis, incluindo normas,
políticas, programas, planos e procedimentos de governo e da própria
instituição;
IV. adequada salvaguarda e proteção de bens, ativos e recursos públicos contra
desperdício, perda, mau uso, dano, utilização não autorizada ou apropriação
indevida”.

Constatamos que ambas as definições apontam para um conjunto de políticas e


procedimentos, adotados por uma organização, com o objetivo de promover a vigilância, a
fiscalização, a correção ou a determinação e a verificação que permitem prever, observar,
dirigir ou governar os eventos que possam impactar o alcance de seus objetivos, esse
conjunto denominado Sistema de Controle Interno (SCI)” da própria organização.

A definição estabelecida na IN n° 01/2017 do TCM, segue reforçando com essa


definição sobre SCI, bem como a Resolução n° 04/2014 da Associação dos Membros dos
Tribunais de Contas do Brasil - Atricon (2014, p.7), que destaca como:

“Conjunto de unidades técnicas articuladas a partir de um órgão central de


coordenação, orientadas para o desempenho das atribuições de controle interno,
cujo processo é conduzido pela estrutura de governança, executado pela
administração e pelo corpo funcional da entidade e integrado ao processo de gestão
em todos os níveis da organização. Sistema estruturado para mitigar riscos e
proporcionar maior segurança, na consecução de objetivos e metas institucionais,
atendendo os princípios constitucionais da administração pública e buscando
auferir:
a) eficiência, eficácia e efetividade operacional, mediante execução ordenada, ética
e econômica das operações;
b) integridade, confiabilidade e disponibilidade das informações produzidas para a
tomada de decisão e para a prestação de contas;
c) conformidade com leis, regulamentos, normas, políticas, programas, planos e
procedimentos de governo e da instituição;
d) adequada salvaguarda e proteção de bens, ativos e recursos públicos contra
desperdício, perda, mau uso, dano, utilização não autorizada ou apropriação
indevida”.

Normas de Auditoria do Tribunal de Contas da União - NAT.


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Importante ressaltar, desde logo, que as expressões controle interno e sistema de


controle interno também são utilizadas para se referir, respectivamente, às unidades e ao
conjunto de unidades que compõem a auditoria interna governamental de Poderes e
órgãos.

Entretanto, não se devem confundir essas unidades ou o conjunto delas com o


controle interno ou sistema de controle interno da própria organização. Para deixar nítida
essa diferenciação é que a CGU utiliza a expressão controle interno administrativo.

Esclarece, portanto, que as Unidades de Controle Interno (UCI) de órgãos públicos e


de auditoria interna de entidades da administração indireta, não são o próprio controle
interno (sistema de controle interno) das organizações em que estão inseridas, embora dele
sejam parte.

A finalidade do controle interno para a CGU (BRASIL, 2001, P.68) é: “evitar a


ocorrência de impropriedades e irregularidades, por meio dos princípios e instrumentos
próprios, destacando-se entre os objetivos específicos, a serem atingidos, os seguintes:

I. observar as normas legais, instruções normativas, estatutos e regimentos;


II. assegurar, nas informações contábeis, financeiras, administrativas e
operacionais, sua exatidão, confiabilidade, integridade e oportunidade;
III.evitar o cometimento de erros, desperdícios, abusos, práticas
antieconômicas e fraudes;
IV.propiciar informações oportunas e confiáveis, inclusive de caráter
administrativo/operacional, sobre os resultados e efeitos atingidos;
V. salvaguardar os ativos financeiros e físicos quanto à boa e regular utilização
e assegurar a legitimidade do passivo;
VI. permitir a implementação de programas, projetos, atividades, sistemas e
operações, visando à eficácia, à eficiência e à economicidade na utilização de
recursos; e
VII. assegurar a aderência das atividades às diretrizes, planos e normas e
procedimentos da unidade/entidade”.

Notemos, portanto, que em termos materiais, tanto o objetivo geral quanto os


objetivos específicos apresentados pela CGU estão contidos nos objetivos gerais definidos
pelos demais organismos (Coso, Intosai e TCU).

No que se refere ao Sistema de Controle Interno, como previsto no artigo 74 da


Constituição Federal - CF/88, o Decreto n° 3.591/2000, institui no Poder Executivo
Federal a vertente avaliativa e não administrativa do controle, destacando o papel auditorial:
“O Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal compreende o conjunto das
atividades relacionadas à avaliação do cumprimento das metas previstas no Plano
Plurianual, da execução dos programas de governo e dos orçamentos da União e à
avaliação da gestão dos administradores públicos federais, bem como o controle das
operações de crédito, avais, garantias, direitos e haveres da União”.

Portanto, o conjunto de atividades avaliativas e de órgãos de controle interligados,


que formam o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal (ver modelo de
norma criando e implantando o SCI), não se confunde com o controle interno ou com o
sistema de controle interno de cada órgão ou entidade que a CGU chama de controle
interno administrativo).

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O próprio Decreto n° 3.591/2000 deixa isso claro no artigo 17, a seguir (grifos
nossos): “Art. 17. A sistematização do controle interno, na forma estabelecida neste
Decreto, não elimina ou prejudica os controles próprios dos sistemas e subsistemas
criados no âmbito da Administração Pública Federal, nem o controle administrativo
inerente a cada chefia, que deve ser exercido em todos os níveis e órgãos,
compreendendo: [...]”

Surge então as perspectivas de Unidades Executoras (UE) e Unidade de Controle


Interno (UCI). A primeira se refere a todas as unidades integrantes da estrutura
organizacional responsáveis pela execução dos processos de trabalho da entidade, pela
identificação e avaliação dos riscos inerentes a esses processos e pela normatização e
execução das rotinas de trabalho e dos procedimentos de controle destinados à mitigação
dos riscos.
Segundo a IN n° 01/2017 a UCI refere-se à estrutura organizacional pertencente ao
Sistema de Controle Interno, independente da gerência, reportando-se diretamente à
autoridade máxima da organização, responsável pela coordenação, orientação e avaliação
do Sistema de Controle Interno da entidade.

1.3. Diferenciação entre Controle Interno e Auditoria Interna

É comum, na administração pública, haver certa confusão a respeito do significado


de ‘controle interno’ e de auditoria interna. Os órgãos de controle interno e/ou unidades
executoras desempenham o papel de auditoria interna governamental, assim como o papel
de auditoria externa cabe aos órgãos de controle externo.

A Constituição Federal utiliza essa terminologia, em seus artigos 70 e 74, causando


confusão aos gestores e aos próprios servidores, levando a uma interpretação errônea de
que os responsáveis pelo sistema de controle da gestão organizacional, ou seja, pelos
controles internos administrativos, são os órgãos de controle interno ou até mesmo
externo:

• Art. 70: A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e


patrimonial, [...] será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle
externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
• Art. 74: Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma
integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:...
• Art. 74, § 1º: Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem
conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao
Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.

Devemos destacar que órgãos ou unidades de controle interno e de auditoria interna


não são e não devem ser responsáveis pelos controles administrativos. Suas
responsabilidades restringem-se a avaliar a adequação e a eficácia do controle interno
estabelecido, implantado e mantido pela administração organizacional, bem como a realizar
auditorias sobre a sua gestão.

As unidades com função de auditoria interna (UCI) são encontradas nas estruturas de
órgãos e entidades públicos com diversas denominações (Secretaria de Controle Interno,
Serviço de Controle Interno, Diretoria de Auditoria, Coordenadoria de Controle Interno,
Diretoria de Contas), especialmente nos órgãos dos poderes legislativo e judiciário.

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A auditoria interna é uma unidade administrativa de assessoramento da própria


organização, vinculada à cúpula da alta administração que tem sob sua responsabilidade a
avaliação das operações contábeis, financeiras, operacionais e de outras naturezas,
incluindo-se, dentre suas atribuições, a de medir e avaliar a eficiência e eficácia de outros
controles da organização.

A Intosai (2004) esclarece que a Auditoria Interna é o meio funcional que permite
aos administradores de uma entidade receber, de fontes internas, a segurança de que os
processos pelos quais são responsáveis funcionam de modo tal que fiquem reduzidas ao
mínimo as probabilidades de que se produzam fraudes, erros ou práticas ineficientes e
antieconômicas.

Quanto a percepção do Conselho Federal de Contabilidade -CFC (in NBC TA


610), auditoria interna seria uma atividade de avaliação estabelecida ou fornecida como um
serviço para a entidade. Suas funções incluem, entre outras: exame, avaliação e
monitoramento da adequação e efetividade do controle interno.

Já para a CGU (in IN-SFC 01/2001), a auditoria interna constitui-se em um conjunto


de procedimentos, tecnicamente normatizados, que funciona por meio de
acompanhamento indireto de processos, avaliação de resultados e proposição de ações
corretivas para os desvios gerenciais da entidade à qual está vinculada.

Os trabalhos de auditoria interna são executados por auditores internos,


especialmente, designado para a função, e tem como característica principal assessoramento
à alta administração da entidade, buscando agregar valor à gestão.

É importante ressaltar o conceito de fiscalização, pois tal termo tem semelhanças


com controle interno e auditoria interna.

O termo fiscalização consiste na aplicação de um conjunto de procedimentos


pontuais que permitem o exame dos atos da administração pública, visando avaliar a
execução de políticas públicas, atuando sobre os resultados efetivos dos programas
governamentais, sendo uma técnica de controle que visa comprovar se:

 Os objetos dos programas de governo existem;


 Correspondem às especificações estabelecidas;
 Atendem às necessidades para as quais foram definidas;
 Guardam coerência com as condições e características pretendidas;
 Os mecanismos de controle da administração pública são eficientes.

Em síntese, a distinção basilar entre controle interno e auditoria interna, é que: o


primeiro é inerente às atividades administrativas, a segunda é caracterizada por ser uma
função composta de atividades avaliativas realizadas sobre os próprios controles internos e
as atividades administrativas em que eles estão inseridos.

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1.4. Papéis e Responsabilidades

Os auditores internos desempenham um papel importante na avaliação do sistema de


controle internos e contribuem para a sua contínua eficácia. Devido à posição
organizacional e às atribuições, a função de auditoria interna, muitas vezes, desempenha um
papel significativo de monitoramento (Coso, 1992, p.7).

A auditoria interna deve manter um papel ativo em monitorar, examinar, avaliar,


reportar e recomendar melhorias na adequação e eficácia do processo de gestão. Ora, se o
controle interno administrativo é um dos principais instrumentos da gestão, implica
reconhecer que não cabe à auditoria interna a responsabilidade por estabelecer e manter
controles internos, cabendo-lhe ao Gestor de órgão ou da unidade administrativa.

Assim, os auditores internos desempenham um papel importante, no entanto, não


têm a responsabilidade gerencial primeira sobre o planejamento, implementação,
manutenção e documentação do controle interno.

Diante disso, são os gestores os responsáveis diretos por todas as atividades de uma
organização, incluindo o planejamento, a implementação, a supervisão do funcionamento
adequado, a manutenção e a documentação do controle interno administrativo. Suas
responsabilidades variam de acordo com a sua função na organização e as características da
organização.

Destacamos que a Controladoria Interna, ao tomar conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela dará ciência ao Tribunal de Contas dos Municípios do
Estado do Ceará (TCM), sob pena de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 74
da Constituição Federal, e do §1º do artigo 80 da Constituição Estadual.

Quando da comunicação ao TCM/CE, a IN n° 01/2017 elenca as seguintes


providências que o OCSCI deverá informar e realizar:

I - corrigir a ilegalidade ou irregularidade detectada;


II - determinar o ressarcimento de eventual dano causado ao erário;
III - evitar ocorrências semelhantes.

A IN n° 01/2017 em seu artigo 13°, §3° aponta que na situação prevista acima,
quando do conhecimento de irregularidade ou ilegalidade através da atividade de auditoria
interna, mesmo que não tenha sido detectado dano ao erário, deve OCSCI anexar o
relatório dessa auditoria à Prestação de Contas de Governo do Poder Municipal e à
respectiva Prestação de Contas de Gestão da unidade auditada.

Conforme o artigo 9°, incisos I a V da IN n° 01/2017, outro papel relevante da


auditoria interna é dar apoio ao Controle Externo, devendo exercer as seguintes atividades:

I - realizar a estratégia global anual de auditoria sob o enfoque da materialidade,


avaliando os controles internos, por meio da execução do plano anual de
auditoria, culminando no relatório de atividades de auditoria e /ou relatórios
especiais, com os respectivos pareceres e certificados de auditoria;

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

II – organizar e executar, por iniciativa própria, programação trimestral de


auditoria contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial nas
unidades administrativas sob seu controle e enviar ao TCM/CE os respectivos
relatórios, na forma estabelecida no Regimento Interno; no caso de
determinação do TCM/CE, os respectivos relatórios deverão ser remetidos no
prazo de trinta dias, contados a partir da referida determinação;

III - realizar auditorias anuais nas contas dos responsáveis sob seu controle,
emitindo relatório de auditoria conforme estabelecido pelo art. 10 da Lei
Orgânica do TCM/CE;

IV - alertar formalmente a autoridade administrativa competente, para que


instaure Tomadas de Contas Especial, sempre que tiver conhecimento de
quaisquer das ocorrências referidas no art. 9° da Lei Orgânica do TCM/CE;

V – acompanhar os prazos para apresentação das prestações de contas dos


gestores municipais aos órgãos de controle externo.

A estratégia anual, plano anual de auditoria interna, pareceres, certificados e


atividades com seus respectivos cronogramas (ver sugestão de modelos em anexo) deverão
ser enviados ao TCM, anexados na Prestação de Contas de Gestão do Órgão Central do
SCI.

Na ocasião da elaboração das Prestações de Contas de Governo, firmar e anexar os


demonstrativos anuais e relatórios circunstanciados, atestando que a documentação a ser
encaminhada sofreu a devida análise por parte da auditoria interna, destacando e
registrando quaisquer irregularidades nelas ocorridas, tenham ou não sido elas sanadas.

A ausência dos relatórios supracitados nas prestações de contas encaminhadas ao


Tribunal de Contas dos Municípios, poderá ensejar a aplicação das sanções cabíveis, em
conformidade com a legislação.

1.5 Quadro Pessoal:

A profissão de auditor é considerada como técnica. Assim, não existe definição clara
em nossa legislação de suas responsabilidades legais. Encontramos em nossa legislação
civil, penal, comercial e profissional, apenas referências esparsas sobre o assunto.

Assim, podemos concluir que a melhor proteção para o auditor é a execução


cuidadosa de seu trabalho, juntamente com a aplicação das normas profissionais
geralmente aceitas, pois se o parecer foi elaborado de acordo com as normas contábeis, não
poderá ser responsabilizado.

O OCSCI deverá ser exercido por servidores municipais de carreira, ocupantes


de cargos públicos efetivos, sendo vedada a delegação e/ou terceirização, por se
tratar de atividade própria da Administração Pública. Observa-se também a vedação da
delegação e / ou terceirização, conforme é previsto no artigo 3° da IN n° 01/2017, que:

Art. 3º. As atividades inerentes ao Órgão Central do Sistema de Controle


Interno deverão ser exercidas por servidores municipais de carreira,

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

ocupantes de cargos públicos efetivos, sendo vedada a delegação e/ou


terceirização, por se tratar de atividade própria da Administração Pública.

§1°. A atribuição da gestão do Órgão Central do Sistema de Controle


Interno poderá ser exercida por servidor ocupante de cargo
exclusivamente em comissão.

§2°. Todas as unidades municipais deverão dar acesso às informações ao


Órgão Central do SCI pertinentes ao objeto de sua ação.

Os Auditores Internos devem atender as normas e condutas de ética para guiar seu
trabalho cotidiano. A conduta deles deve ser irretocável em todos os momentos e em todas
as circunstâncias. Qualquer deficiência na conduta profissional ou qualquer
comportamento inadequado na vida pessoal é prejudicial à imagem e integridade dos
Auditores.

Segundo a NBC TA 200 os princípios fundamentais de ética profissional relevantes


para o auditor quando da condução de auditoria de demonstrações contábeis estão
implícitos no Código de Ética Profissional do Contabilista e na NBC PA 01, que trata do
controle de qualidade. Esses princípios estão em linha com os princípios do Código de
Ética do IFAC, cujo cumprimento é exigido dos auditores. Esses princípios são:

Figura 01 Código de ética do IFAC

A integridade constitui o valor central da ética do auditor, obrigado a cumprir


normas elevadas de conduta de honestidade e imparcialidade durante seu trabalho e em
suas relações com o pessoal das entidades auditadas. A percepção da integridade dos
auditores é que faz com que a confiança da sociedade seja preservada.

Pode ser medida em função do que é correto e justo, e exige que os auditores se
ajustem tanto à forma quanto ao espírito das normas de auditoria e de ética.

Exige também que os auditores se ajustem aos princípios de objetividade (ou


imparcialidade) e independência, mantenham normas acertadas de conduta profissional,
tomem decisões de acordo com o Interesse Público, e apliquem um critério de honestidade
absoluta na realização de seu trabalho.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

O auditor interno deve manter sigilo das informações divulgadas. Deve também
manter sigilo das informações dentro da Entidade ou organização vinculada. O Auditor
deve tomar as providências adequadas para assegurar que o pessoal da sua equipe de
trabalho, assim como as pessoas das assessorias e assistências que forneceram as
informações, respeitem o dever de sigilo do auditor.

É imprescindível que os auditores que atuam no âmbito da Auditoria Interna tenham


à disposição normas de conduta que tratem de valores e preceitos éticos necessários para o
exercício do controle interno.

Os valores institucionais da Administração Municipal devem refletir também os


valores a serem seguidos pelos Auditores Internos que atuam no exercício de suas
atividades.

É imprescindível que os auditores internos devem conhecer e aplicar de forma


adequada o ordenamento jurídico vigente, métodos, técnicas e procedimentos de auditoria
não devendo realizar trabalhos para os quais não possuam a competência profissional
necessária.

Os auditores têm a obrigação de atualizar e aperfeiçoar, continuamente, as


capacidades necessárias para o desempenho de suas atividades profissionais.

Daí a necessidade da OCSCI, instituir a política de pessoal que disciplinará a política


de cargos, sua carreira e contemple a periódica e regular capacitação profissional dos
servidores dos SCI, conforme explicita o parágrafo único do artigo 4º da IN n° 01/2017:

Parágrafo único. A administração pública municipal instituirá política de


pessoal que disciplinará a sua política de cargos, sua carreira e que
contemple a periódica e regular capacitação profissional dos servidores
dos Sistemas de Controle Interno.

2. Atividades de Controle Interno nas Entidades

No momento anterior, observamos a necessidade de se procurar conhecer e avaliar a


eficácia dos controles internos de uma entidade, principalmente quanto à sua capacidade
para evitar ou reduzir o impacto ou a possibilidade da ocorrência de eventos de risco na
execução de seus processos e atividades que possam impedir ou dificultar o alcance de
objetivos estabelecidos.

A avaliação de controle interno em atividades à nível de entidade, visa diagnosticar a


presença e o funcionamento de todos os componentes e elementos da estrutura de
controle interno utilizada como referência. Atividades voltadas para a avaliação global do
sistema de controle interno da organização ou de partes dela (unidades de negócio,
secretarias, superintendências, departamentos, áreas etc.) com o propósito de verificar se
está adequadamente concebido e se funciona de maneira eficaz.

Assim, exigi-se uma necessidade de ter uma visão geral do processo de avaliação.
Conforme a figura seguinte, detalha-se as etapas do processo de avaliação: levantamento
prévio; definição ou revisão da estrutura de controle; desenvolvimento dos instrumentos de

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

avaliação; testes de controle; avaliação dos resultados dos testes de controle; comunicação
de resultados; e monitoramento ou follow-up.

Figura 2 Visão Geral do processo de Avaliação

Importante ressaltar que as 03 (três) primeiras etapas fazem parte da atividade de


planejamento. Seguindo, os testes e as suas avaliações, fazem parte da fase de execução.
Todo trabalho culmina no relatório, que se evidencia na comunicação dos resultados.
Finaliza-se com a última atividade que se chama follow-up ou monitoramento.

As avaliações separadas de controle interno em nível de entidade são trabalhos de


auditoria e, portanto, desenvolvem-se nestas três fases– planejamento, execução e relatório
– normalmente seguidas de um ou de vários trabalhos de acompanhamento de
implementação de planos de ação de melhorias.

2.1. Planejamento

A fase de planejamento é crucial nos trabalhos de avaliação do controle interno. O


produto final desta fase deve consistir em um plano de trabalho, contendo um cronograma
de todas as atividades, modelos em anexo, que serão desenvolvidas nas fases subsequentes
(execução e relatório). É nesta fase que se desenvolve o conhecimento necessário a respeito
da entidade, que permitirá o adequado dimensionamento dos trabalhos, bem como a
elaboração dos instrumentos de avaliação e o planejamento de sua aplicação.

2.1.1. Levantamento Prévio

Essa etapa do planejamento visa a obtenção de conhecimento e compreensão da


entidade para subsidiar o planejamento dos trabalhos. Consiste em obter informações

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sobre as características gerais da organização: missão, negócio, contexto no qual desenvolve


suas operações, objetivos-chave e processos que os suportam.

Em alguns casos, pode-se dispor de conhecimentos razoáveis para elaboração do


planejamento, especialmente nos casos de avaliações conduzidas pela auditoria interna, ou,
se já houver levantamentos anteriores e atualizados sobre a entidade. Caso não disponha
das informações, a equipe deverá obtê-las na fase de planejamento, na proporção requerida
pelo escopo da avaliação.

O conhecimento necessário a ser obtido pela equipe de auditores envolve os


seguintes aspectos:

 Contexto operacional: ramo de atividade; natureza das operações; referenciais


estratégicos da organização: missão, visão, negócio, valores; dados
orçamentários; quadro de pessoal (efetivos, não efetivos); e índices
qualitativos (reclamações, pleitos e índices de satisfação);
 Estrutura organizacional e de governança: organograma e/ou; manual da
organização; estrutura de governança da entidade (conselhos, comitês);
auditoria interna.
 Marco Legal e regulatório: previsão constitucional; lei orgânica; lei de
estrutura administrativa; lei de criação; regimento interno ou estatuto social;
leis; decretos e outras regulamentações externas incidentes sobre a
organização e suas atividades, políticas; procedimentos e manuais internos
relevantes; código de ética ou de conduta e seus instrumentos de
operacionalização; planos estratégicos; deliberações anteriores do controle
externo e recomendações do controle interno; pareceres.

2.1.2. Definição ou revisão da estrutura de controle

Essa etapa do planejamento tem por objetivo definir critérios para diagnóstico e
avaliação da estrutura de controle interno da organização, caso ela ainda não tenha sido
definida pela administração, ou revisar a estrutura de controle interno por ela definida, caso
já o tenha feito.

Para a equipe customizar uma estrutura de controle, considerada pertinente a uma


entidade particular, deverá levar em consideração as suas características peculiares, obtidas
no levantamento prévio, e utilizar, como fontes de critérios, as estruturas conceituais do
Coso, da Intosai, do Cobit e de outros modelos.

A eficácia de um sistema de controle interno está relacionada à presença e ao


funcionamento de todos os componentes da estrutura, trabalhando conjuntamente. Ao
considerara inclusão de critérios na estrutura que direcionará os trabalhos de avaliação, a
equipe deve refletir sobre o que ela poderá propor, caso a entidade não preencha as
condições neles estabelecidas, questionando se é cabível e viável a implementação, por
parte da entidade, das propostas de encaminhamento a serem formuladas em função das
possíveis constatações decorrentes.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

A estrutura de controle interno servirá de base para a determinação inicial das fontes
de informação, das técnicas de auditoria e para o desenvolvimento dos instrumentos que
serão utilizados para realizar a avaliação do controle interno em nível de entidade. A
determinação desses fatores depende, além do escopo da avaliação, da natureza das
informações requeridas e dos testes necessários para confirmar a aderência da realidade
organizacional (a situação encontrada) aos critérios incluídos na estrutura.

2.1.3. Desenvolvimento dos instrumentos de avaliação

Uma vez definida a estrutura de controle interno que servirá de base para o
direcionamento dos trabalhos, a equipe, orientando-se pelos critérios nela estabelecidos,
determinará as fontes de informação e as técnicas de auditoria que serão necessárias para
obtê-las e tratá-las.

Assim, será possível desenvolver os instrumentos de avaliação adequados (ou adaptar


os que tenham sido utilizados em trabalhos anteriores) de acordo com o escopo definido
para a avaliação.

Os instrumentos de avaliação podem assumir diversas formas e serem aplicados de


maneiras diferentes, dependendo da natureza da informação que se pretende obter e das
características de suas fontes, da técnica que será utilizada para a sua obtenção e tratamento
e da necessidade de documentação das evidências para sustentação das deficiências
constatadas.

As técnicas mais utilizadas em avaliações de controles internos são entrevista,


pesquisa, observação direta e exame documental. Por conseguinte, os instrumentos para
aplicá-las configurar-se-ão como: roteiros de entrevistas, questionários de pesquisa, roteiros
de observação direta e procedimentos para exames documentais.

As formas de aplicação variam desde entrevistas presenciais, por telefone, individuais


ou em grupo; pesquisas por contato pessoal, por telefone, postal ou eletrônica (e-mail,
intranet, internet); até workshops, etc.

A documentação ou registro mais utilizadas são, além dos próprios instrumentos de


aplicação (Questionário de Avaliação de Controle Interno -QACI, roteiros, questionários,
etc.), extratos de entrevista, fluxogramas, matrizes, mapas de processo ou diagramas, bem
como memorandos descritivos para acrescentar detalhamentos importantes à compreensão
das informações obtidas ou documentadas pelas demais formas anteriores.

2.2. Execução

2.2.1 Teste de controle e avaliação dos resultados dos testes de controle

Nesta fase, a equipe aplicará os testes de controle planejados nos instrumentos de


avaliação desenvolvidos na fase de planejamento, coletará evidências, desenvolverá as
constatações da avaliação, a partir dos resultados dos testes de controle, e documentará o
trabalho realizado, observando todas as normas, métodos e padrões de trabalho
estabelecidos.

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O sucesso desta fase depende fundamentalmente de quão bem tenha sido


desenvolvida a fase anterior. Por isso, é importante que todo o trabalho de planejamento
tenha sido adequadamente revisado e supervisionado por pessoas com perfil e competência
profissional adequados e tenha recebido a importância devida, pois, nesse tipo de trabalho,
a qualidade do planejamento é condição fundamental para o alcance dos objetivos.

Assim, para iniciar a fase de execução do processo de avaliação a equipe deve ter
concluído a elaboração de todos os instrumentos de avaliação.

Os trabalhos devem ser iniciados com uma reunião, previamente agendada e com um
roteiro pré-estabelecido, apresentando aos gestores, responsáveis e demais agentes da
governança o escopo da auditoria, os objetivos do trabalho e do cronograma do trabalho.

Durante a execução dos trabalhos, os auditores devem abster-se de fazer comentários


ou crítica de qualquer espécie em relação aos objetos de avaliação, nem mesmo em relação
àqueles que apresentem oportunidades de melhoria, deixando para se pronunciar apenas no
relatório.

A equipe deve demonstrar que o objetivo maior do trabalho é contribuir para a


melhoria da gestão e dos controles internos estabelecidos para o alcance dos objetivos da
organização, obtendo, assim, uma atitude de parceria.

Embora a avaliação de controles internos possa identificar possíveis casos de fraudes


ou desvios, a equipe deve ter em mente que o seu objetivo, nesse tipo de trabalho, não é
concluir sobre a extensão ou implicação desses fatos. Isto significa dizer que o escopo da
avaliação deve ser preservado, pois essa é também uma condição fundamental para o
alcance dos objetivos pretendidos.

Caso se perceba a existência de má-fé nos atos praticados e a gravidade da situação


exija tratamento imediato, a equipe deve comunicar os fatos identificados ao titular da
Controladoria,que avaliará a conveniência e a oportunidade de propor outra ação de
controle específica para tratar esta questão.

2.3. Comunicação de Resultados

A comunicação de resultados consiste na elaboração de relatórios preliminares e no


seu envio para comentários de gestores, se for o caso,na conclusão do relatório final e sua
distribuição aos órgãos ou às pessoas que devam tomar alguma providência em relação ao
seu conteúdo e às propostas de encaminhamento formuladas.

O relatório deve ser escrito em linguagem impessoal, seu conteúdo deve ser objetivo,
convincente, construtivo, útil e de fácil compreensão, sem ambiguidades ou imprecisões,
incluindo apenas informações relevantes para os objetivos da auditoria devidamente
apoiadas por evidências pertinentes e adequadas.

Em regra, os auditores internos devem reportar às pessoas com poder e


responsabilidades para determinar as ações corretivas.

No que diz respeito à comunicação a partes externas, a entidade deve observar as


disposições contidas em regulamentações de órgãos de controle e supervisão ou de
legislações específicas. Em anexo segue exemplo de estrutura de um relatório de avaliação.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

2.4. Monitoramento (Follow-up)

A efetividade das auditorias de avaliação de controle interno dependem do


monitoramento (follow-up) da implementação das ações de melhoria propostas.

Esse monitoramento consiste na verificação do cumprimento de determinações e


recomendações expedidas pela equipe de auditoria interna ou pela inspeção do controle
externo e dos resultados delas advindos.

As UCI devem manter controle de suas próprias recomendações, bem como das
determinações e recomendações expedidas pelos órgãos de controle externo, incluindo-as
nos planos de auditoria futuras, até que tenham sido completamente implementadas, de
maneira eficaz.

Uma maneira efetiva de se verificar a implementação das ações necessárias é por meio
de planos de ação, que devem ser elaborados pelos próprios gestores do órgão, da entidade
ou da área avaliada, explicitando as medidas que serão tomadas para solucionar os
problemas apontados.

Embora os planos de ação devam ser elaborados pelos gestores, a seu critério, as
entidades ou as unidades técnicas de auditoria e controle governamental podem sugerir
modelos que melhor se apliquem para a verificação do cumprimento das implementações
das ações necessárias, levando em conta que um bom plano de ação deve conter pelo
menos os elementos resumidos no acrônimo 5W1H:

 What – o que será feito: descrever claramente a ação que será realizada.
 Why – porque será feito: indicar o objetivo da ação e justificar a necessidade de
sua realização.
 Who – quem fará: nominar e individualizar responsabilidades para cada ação
do plano.
 When – quando fará: precisar as datas previstas de início e fim da execução de
cada ação.
 Where – onde fará: local, unidade, atividade, processo, sistema, programa, ação
etc.
 How – como fará: maneira, método ou solução adotada.

Em algumas situações é recomendável, ainda, que o plano de ação contemple alguns


elementos de medida, como indicadores e metas.

3. Atividades de Controle Interno em Nível Operacional

Em auditorias internas, as avaliações em nível operacional acontecem normalmente


durante a elaboração do planejamento anual de atividades. Essa decisão pode ocorrer em
função de levantamentos anteriores ou de outros eventos que venham ao conhecimento do
Órgão de Controladoria ou UCI por meio de outras ações de auditoria interna.

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A avaliação de controles internos também é utilizada para determinar a extensão e o


alcance de auditorias, podendo ser realizada antes ou na fase de planejamento do trabalho
de auditoria.

3.1. Planejamento

A fase de planejamento de uma avaliação de controles internos em nível de atividades


envolve a identificação dos objetivos dos processos e das atividades neles contidas, dos
riscos relevantes relacionados e dos respectivos controles que a gestão adota para gerenciar
os riscos.

A partir desse conhecimento preliminar, a equipe decidirá quais controles serão


avaliados, a extensão dos exames, e planejará os procedimentos que serão aplicados na
realização dos testes de desenho e de efetividade operacional, que consiste em verificar se
os controles estão adequadamente concebidos na proporção requerida pelos riscos, sendo
aplicados e se funcionam de maneira contínua e coerente, alinhados com as respostas a
riscos definidas pela administração.A seguir, o detalhamento e as orientações para cada
uma dessas etapas.

a) Levantamento e documentação do processo


b) Validação do processo
c) Identificação de objetivos, riscos e controles
d) Planejamento dos testes de controle

Vislumbram-se as seguintes etapas de atividades na fase de planejamento:

Figura 3 Atividades na fase de Planejamento

A seguir, o detalhamento e as orientações para cada uma dessas etapas.

3.1.1 Levantamento e documentação do processo

Consiste na obtenção e registro de informações sobre o processo cujos controles serão


avaliados, com o objetivo de desenvolver um adequado conhecimento para solidificação da
base de avaliação.

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Nessa etapa deve-se entender as atividades nele contidas e a sequência em que são
executadas, o volume de trabalho, a duração do ciclo de execução e a frequência de
problemas.

Nesta fase, geralmente são empregadas as seguintes técnicas de coleta de informações:

• exame documental - leitura de manuais de procedimentos internos;


• entrevistas com funcionários e gestores;
• workshops e ,
• observação direta de operações.

Para entender a sequência, os eventos e as atividades de um processo, devem-se


entrevistar tanto os gestores mais graduados como os responsáveis diretos pelo processo e,
ainda, os próprios funcionários que executam as atividades rotineiramente e operam os
controles respectivos, detentores de informações fidedignas de como o processo se
desenvolve na prática.

Salientamos que não será em uma única entrevista que o auditor conseguirá mapear
todo o processo e seus respectivos controles. Ao final da entrevista, portanto, deve-se
prevenir o entrevistado sobre a possibilidade de haver necessidade de esclarecimentos
adicionais, pois é comum aparecerem dúvidas sobre determinados pontos quando da
documentação do processo e o auditor não deve eximir-se de entrar em contato com o
entrevistado para saná-las, pois esta fase é de extrema importância para o resultado final do
trabalho. Se o auditor não detiver o conhecimento completo do processo, a qualidade do
trabalho será prejudicada.

É possível que a entidade auditada possua fluxogramas, mapas de processos ou


procedimentos documentados. Nesses casos, o auditor terá seu trabalho minimizado, já
que deixará de executar, na íntegra, a etapa de levantamento e documentação, passando
direto para a etapa de validação do processo.

As informações obtidas durante o levantamento do processo podem ser


documentadas mediante uma ou mais de uma das três formas a seguir:

 fluxogramas ou mapas de processo;


 questionários de avaliação de controles internos em conjunto com a
forma anterior;
 memorandos descritivos para acrescentar detalhamentos
importantes à compreensão das informações documentadas pelas duas formas
anteriores.

3.1.2 Validação do processo

Uma vez levantado e documentado o processo, deve-se proceder a sua validação, que
é o procedimento de confirmação pelo qual o auditor assegura que o processo, tal como foi
registrado, é o que está sendo efetivamente praticado. Não é incomum o processo ser
descrito pela entidade de uma forma ideal e, na prática, ser executado de maneira diferente.

Na validação, o auditor deve promover as alterações necessárias para que a realidade


seja refletida.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

3.1.3 Identificação de objetivos, riscos e controles

Na etapa de levantamento e documentação foram identificados e compreendidos os


objetivos do processo, os riscos relevantes a eles relacionados e os controles internos
existentes ao processo.

3.1.4 Planejamento dos testes de controle

Os trabalhos desta etapa são iniciados pela determinação das atividades de controle,
que serão testadas no nível das transações. Essa decisão é guiada prioritariamente pelo nível
de risco avaliado, contudo o julgamento profissional da equipe também deve ser
considerado na escolha.

Executar testes no nível de transações significa que o auditor deve determinar uma
população ou amostra de produtos, registros ou documentos resultantes do processo, de
forma a verificar se as atividades de controle identificadas estão adequadamente concebidas
e sendo efetivamente seguidas e aplicadas de maneira uniforme para todas as operações ao
longo do tempo, e se estão surtindo os resultados esperados.

Existem casos em que a população total pode ser avaliada. Caso não seja possível
testar a população total, uma amostra, determinada por critérios estatísticos ou por
julgamento profissional, deve ser selecionada. Quando o escopo do trabalho exigir a
generalização dos resultados, deve ser examinada toda a população ou uma amostra
representativa dela.

Assim, nesta etapa da fase de planejamento, o trabalho da equipe consiste em


determinar as atividades de controle que serão testadas, a população ou a amostra de
operações que serão submetidas a testes, bem como em desenvolver os procedimentos de
auditoria que conduzirão a equipe na aplicação dos testes.

Os procedimentos de auditoria desenvolvidos para testar as atividades de controle


devem contemplar esses dois aspectos, que significa verificar: se os controles internos
(atividades de controle) estão adequadamente concebidos e sendo efetivamente seguidos e
aplicados de maneira uniforme para todas as operações ao longo do tempo, e se estão
surtindo os resultados esperados.

3.2. Execução

Nesta fase, a equipe aplicará os testes de controle planejados nos instrumentos de


avaliação desenvolvidos na fase de planejamento, coletará evidências, desenvolverá as
constatações da avaliação, a partir dos resultados dos testes de controle, e documentará o
trabalho realizado, observando todas as normas, métodos e padrões de trabalho
estabelecidos.

Observamos mais uma vez que o sucesso desta fase depende fundamentalmente de
quão bem tenha sido desenvolvida a fase anterior. Por isso, é importante que todo o
trabalho de planejamento tenha sido adequadamente revisado e supervisionado por pessoas
com perfil e competência profissional adequados e tenha recebido a importância devida,

24
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

pois, nesse tipo de trabalho, a qualidade do planejamento é condição fundamental para o


alcance dos objetivos.

Assim, para iniciar a fase de execução do processo de avaliação a equipe deve ter
concluído a elaboração de todos os instrumentos de avaliação.

Os trabalhos devem ser iniciados com uma reunião, previamente agendada e com um
roteiro pré-estabelecido, apresentando ao gestores, responsáveis e demais agentes da
governança o escopo da auditoria, os objetivos do trabalho e do cronograma do trabalho.

Durante a execução dos trabalhos, os auditores devem abster-se de fazer comentários


ou crítica de qualquer espécie em relação aos objetos de avaliação, nem mesmo em relação
àqueles que apresentem oportunidades de melhoria, deixando para se pronunciar apenas no
relatório.

A equipe deve demonstrar que o objetivo maior do trabalho é contribuir para a


melhoria da gestão e dos controles internos estabelecidos para o alcance dos objetivos da
organização, obtendo, assim, uma atitude de parceria.

Outro aspecto que merece um tratamento cuidadoso é a eventual constatação de


desvios ou fraudes. Embora a avaliação de controles internos possa identificar possíveis
casos dessa natureza, a equipe deve ter em mente que o seu objetivo, nesse tipo de
trabalho, não é concluir sobre a extensão ou implicação desses fatos. Isto significa dizer
que o escopo da avaliação deve ser preservado, pois essa é também uma condição
fundamental para o alcance dos objetivos pretendidos.

Caso se perceba a existência de má-fé nos atos praticados e a gravidade da situação


exija tratamento imediato, a equipe deve comunicar os fatos identificados ao titular da
Controladoria, que avaliará a conveniência e a oportunidade de propor outra ação de
controle específica para tratar esta questão.

3.3. Comunicação de Resultados

A comunicação de resultados consiste na elaboração de relatórios preliminares e no


seu envio para comentários de gestores, se for o caso, na conclusão do relatório final e sua
distribuição aos órgãos ou às pessoas que devam tomar alguma providência em relação ao
seu conteúdo e às propostas de encaminhamento formuladas.

O relatório deve ser escrito em linguagem impessoal, seu conteúdo deve ser objetivo,
convincente, construtivo, útil e de fácil compreensão, sem ambiguidades ou imprecisões,
incluindo apenas informações relevantes para os objetivos da auditoria devidamente
apoiadas por evidências pertinentes e adequadas.

Em regra, os auditores internos devem reportar às pessoas com poder e


responsabilidades para determinar as ações corretivas.

No que diz respeito à comunicação a partes externas, a entidade deve observar as


disposições contidas em regulamentações de órgãos de controle e supervisão ou de
legislações específicas. Em anexo segue exemplo de estrutura de um relatório de avaliação.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

3.4. Monitoramento (Follow-up)

A efetividade das auditorias de avaliação de controle interno dependem do


monitoramento (follow-up) da implementação das ações de melhoria propostas.

O monitoramento consiste na verificação do cumprimento de determinações e


recomendações expedidas pela equipe de auditoria interna ou pela inspeção do Controle
Externo e dos resultados delas advindos.

As entidades ou as unidades técnicas de auditoria e controle governamental devem


manter controle de suas próprias recomendações, bem como das determinações e
recomendações expedidas pelos órgãos de controle externo, incluindo-as nos planos de
auditoria futuras, até que tenham sido completamente implementadas, de maneira eficaz.

Uma maneira efetiva de se verificar a implementação das ações necessárias é por meio
de planos de ação, que devem ser elaborados pelos próprios gestores do órgão, da entidade
ou da área avaliada, explicitando as medidas que serão tomadas para solucionar os
problemas apontados.

Embora os planos de ação devam ser elaborados pelos gestores, a seu critério, as
entidades ou as unidades técnicas de auditoria e controle governamental podem sugerir
modelos que melhor se apliquem para a verificação do cumprimento das implementações
das ações necessárias, levando em conta que um bom plano de ação deve conter pelo
menos os elementos resumidos no acrônimo 5W1H:

 What – o que será feito: descrever claramente a ação que será realizada.
 Why – porque será feito: indicar o objetivo da ação e justificar a necessidade de
sua realização.
 Who – quem fará: nominar e individualizar responsabilidades para cada ação
do plano.
 When – quando fará: precisar as datas previstas de início e fim da execução de
cada ação.
 Where – onde fará: local, unidade, atividade, processo, sistema, programa, ação
etc.
 How – como fará: maneira, método ou solução adotada.

Em algumas situações é recomendável, ainda, que o plano de ação contemple alguns


elementos de medida, como indicadores e metas.

4. Entendimentos sobre Controles Internos do TCM

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou consulta ao TCM (Diretoria de Assistência


Técnica e Planejamento), que resultou no processo n° 21.545/03, sobre a contratação de
serviços técnicos de controles internos para Órgãos da Administração Direta, Autarquias,
Empresas Públicas, Fundações e Sociedade de Economia Mista.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

O pensamento desta Corte baseia-se no texto constitucional (art. 74), dispondo que o
ente federativo deverá manter um sistema de controle interno sobre os seus atos.Cabe ao
sistema de controle interno, no âmbito de cada Poder, exercer principalmente a avaliação, o
acompanhamento, o monitoramento, controle e supervisão dos atos de gestão
orçamentária, patrimonial e financeiro.

Ressaltamos que essas atribuições devem ser limitadas ao que a lei indicar, não
suprimindo a autonomia administrativa e financeira dos órgãos vinculados à administração
central.

Como o controle interno se constitui como uma atividade fim e permanente da


administração pública, não há possibilidade de ser terceirizada. Entretanto, cria-se a
possibilidade de contratação de serviços de consultoria e/ou assessoria. Este serviço não
poderá executar o controle interno administrativo, cabe tais funções ao gestor do órgão ou
do programa/ação/atividade/projeto de governo.

No que se refere à orientação n° 01/2011, os contratos de serviços de controle interno


podem não ser prorrogados, baseados na fundamentação do artigo 57 da Lei n° 8.666/93:

A orientação desta Coordenadoria em harmonia com a decisão


plenária desta Corte é, em síntese, pela impossibilidade de
terceirização de Assessoria de Controle Interno, por conseqüência
não há que se falar em contrato e nem em prorrogação deste tipo
de contrato.(Processo Normativo Consultivo, formulado pela
Câmara Municipal de Fortaleza, protocolado sob o nº 21.545/03,
cujo Parecer nº 63/03 do Relator Cons. Manoel Veras, abaixo
transcrito no que interessa, acolheu na íntegra a Informação
Técnica nº 149/03).

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO


31000: gestão de riscos: princípios e diretrizes. 1.ed. 30.11.2009. Geneva: IEC Central
Office; Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2009.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO


9000:2000 – Sistemas de gestão da qualidade : fundamentos e vocabulário. São Paulo, 2005.

AUSTRÁLIA; NOVA ZELÂNDIA. Standards. Committee OB-007. AS/NZS 4360:1999,


Risk management. 2. ed. Sidney; Wellington, 1999.

BOYNTON, William; JOHNSON, Raymond; KELL, Walter. Auditoria. São Paulo: Atlas,
2002.

BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria Federal de Controle Interno (SFC). Manual do


Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal. Anexo à Instrução Normativa nº 01, de 6
de abril de 2001.

BRASIL. Tribunal de Contas da União. Critérios gerais de controle interno na


Administração Pública: um estudo dos modelos e das normas disciplinadoras em
diversos países. Brasília, 2009.

COMMITTE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE TREADWAY


COMMISSION (COSO), (Org.). Internal Control: integrated framework. United States of
America: COSO, 1992. (Executive Summary).

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). ResoluçãoCFC Nº. 1.135/2008.


Aprova a NBC T 16.8 – Controle Interno.

COSO – Committe Of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (Org.). Internal


Control – Integrated Framework. Executive Summary. United States of America: COSO,
1992.

FERNANDES, Aguinaldo Aragon; ABREU, Vladimir Ferraz de. Implantando a


governança de TI: da estratégia à gestão dos processos e serviços. 2. ed. - Rio de Janeiro:
Brasport, 2008.

Institute of Internal Auditors (IIA). Normas internacionais para a prática profissional da auditoria
interna, Rev. out. 2010. Tradução IIA Brasil.

INTOSAI. Normas Internacionais de Auditoria das Entidades de Fiscalização


Superior (ISSAI).

INTOSAI. GOV 9100 Guidelines for Internal Controls Standards for the Public
Sector. 2004.

28
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Manual do sistema de controle interno do poder executivo federal. Anexo à instrução


normativa nº 01, de 6 de abril de 2001

MARTINS, N. C.; SANTOS, L. R.; DIAS FILHO, J. M. Governança empresarial, riscos e


controles internos: a emergência de um novo modelo de controladoria. Revista
Contabilidade & Finanças, São Paulo, n. 34, p. 7-22, jan./abr. 2004.

U. S. GOVERNMENT ACCOUNTABILITY OFFICE (GAO). GAO - 01-1008G


Ferramenta de Gestão e Avaliação de controle Interno. Government Accountability Office. 2001.

______. ______. Critérios gerais de controle interno na Administração Pública: um estudo dos
modelos e das normas disciplinadoras em diversos países. Brasília, 2009b.

________. Gerenciamento de Riscos Corporativos: estrutura integrada:técnicas de


aplicação. PriceWatherhouseCoopers, COSO, Audibra. Nov.2006.

________. GOV 9100 Guidelines for Internal Controls Standards for thePublic Sector. 2004.

______.______. Glossário de termos do controle externo. Brasília:TCU, 2010f.

______.______. Instrução Normativa – TCU nº 63, de 1º de setembro de2010. Estabelece


normas de organização e de apresentação dos relatórios de gestão e das peças
complementares que constituirão os processos de contas da administração pública federal,
para julgamento do Tribunal de Contas da União, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.443, de
1992. Brasília,2010b.

______. ______. Normas de Auditoria do Tribunal de Contas da União.Revisão Junho 2011.


Anexo à Portaria-TCU nº 280, de 8 de dezembro de2010, alterada pela Portaria-TCU 168,
de 30 de junho de 2011. Brasília,2010a.

______. Resolução CFC Nº. 986/2003. Aprova a NBC TI 01 – Auditoria Interna.

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

ANEXOS

MODELOS

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 01 - PLANO ANUAL DE AUDITORIA INTERNA – PAAI

(EXERCÍCIO)

1. INTRODUÇÃO

O presente Plano Anual de Auditoria Interna - PAAI, para (_____) , tem por escopo a
realização de auditorias pró-ativas e reativas em setores predefinidos, que englobam as
áreas de finanças, de materiais, de recursos humanos, de patrimônio, operacionais e de
compras.

A auditoria pró-ativa ou preventiva será realizada em tempo real aos acontecimentos,


visando mitigar os riscos levantados em cada fase do processo, assim como verificando se
os controles existentes estão sendo utilizados, de forma sistemática, com vistas a eliminar
os focos de riscos.

2. QUADRO TÉCNICO

Os trabalhos serão realizados pelos servidores lotados na Controladoria, a saber:

1. SERVIDOR 01 (NOME, MATRÍCULA, CARGO);


2. SERVIDOR 01 (NOME, MATRÍCULA, CARGO);
3. ....

3. FATORES CONSIDERADOS NA ELABORAÇÃO DO PAAI

O presente Plano Anual de Auditoria Interna - PAAI, para o exercício de (ANO ou MÊS),
foi elaborado em consonância com a legislação federal, estadual, municipal, normas
internas de procedimentos e diretrizes adotadas pela administração pública, especialmente
na normativa nº XXXX, deste Órgão.

A planificação dos trabalhos de auditoria pautou-se, ainda, nos seguintes fatores:

a) Reavaliação dos controles internos realizada ao longo do exercício de (...);


b) Matriz de riscos e controles elaborada pela Controladoria para cada setor a ser
auditado;
c)Impacto dos registros na Prestação de Contas Anual do OCSCI e nos Relatórios
de Gestão Fiscal.

Com base no exposto e, considerando a relevância dos riscos de cada área, foram
selecionadas as seguintes áreas para serem alvo de auditoria em ( ... ):

A Controladoria exercerá também o acompanhamento rotineiro dos atos e fatos da gestão


do (...)

Ressalte-se ainda que os trabalhos a serem realizados são pautados na legislação vigente
pertinente a cada matéria.

31
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Adicionalmente, saliente-se que o Plano Anual de Auditoria Interna - PAAI não é fixo,
podendo ser alterado, suprimido em parte, estendido ou ainda amplificado, em função de
fatores externos ou internos, tais como: trabalhos especiais, treinamentos (cursos e
congressos), e outros fatos não previstos.

4. PRIORIDADES DO PAAI PARA O EXERCÍCIO DE (... )

Os trabalhos de Auditoria, a serem realizados no exercício de (ano ou mês), terão como


prioridades:

a) a correta aplicação dos recursos públicos;

b) a proteção sistemática do patrimônio do Município;

c) a constatação de que a legislação atinente ao setor público está sendo observada


pelos diversos setores do Órgão, bem como as normas internas;

d) apresentação de sugestões de melhoria após a execução dos trabalhos de auditoria,


visando a racionalização dos procedimentos e aprimoramento dos controles
existentes e, em não havendo, implantá-los.

5.AÇÕES A SEREM DESENVOLVIDAS EM CADA SETOR

5.1. PLANEJAMENTO

5.1.1. Levantamentos preliminares

Levantamentos preliminares são a coleta e a guarda de informações de caráter geral


destinadas a subsidiar a elaboração das demais atividades de planejamento e a realização de
auditoria. O desenvolvimento das diversas etapas do planejamento requer o conhecimento
e a compreensão adequada do setor que se pretende auditar, incluindo os aspectos legais,
operacionais e administrativos, em especial:

a) as atividades ou funções relacionadas, direta ou indiretamente, com o objetivo geral


da auditoria;
b) os objetivos, políticas e normas, inclusive a compatibilidade com a legislação
pertinente;
c) os procedimentos gerenciais, operacionais, administrativos e contábeis,
relacionados ao objetivo geral da auditoria.

Os levantamentos são realizados, na sua maior parte, no setor auditado, sendo


complementados por meio de pesquisas na Internet, nos sistemas do OCSCI, e em outros
meios disponíveis, conforme necessário.

Os documentos e informações obtidos nesta atividade devem ser arquivados, durante a


auditoria, em pasta corrente. Cópias adicionais de atos normativos obtidos nesta atividade
ou no transcurso da execução da auditoria deverão, sempre que necessário, ser arquivadas

32
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

em pasta permanente, de modo a mantê-la atualizada e em condições de subsidiar, a


qualquer tempo, intervenções do Tribunal.

Os papéis de trabalho necessários à realização dos levantamentos deverão estar disponíveis


ao ser iniciada esta atividade.

O levantamento preliminar pode ser dividido em 4 etapas, assim compreendidas:


conhecimento do auditado; identificação das áreas/pontos potencialmente significantes;
avaliação dos sistemas de controle interno; exame das informações obtidas nas etapas
anteriores.

5.1.2. Definição do tipo e dos objetivos gerais da auditoria

O objetivo geral da auditoria deve ser explicitado pelo requerente, oportunidade em que
deve justificar as razões de ordem técnica que motivaram a necessidade do trabalho. A
explicitação dos motivos para a realização da auditoria permite que a equipe obtenha maior
entendimento acerca do que o requerente quer ver respondido, no caso, representado pelo
objetivo geral.

O estabelecimento do objetivo geral da auditoria deve considerar os seguintes aspectos: a


significância do trabalho; a relevância da entidade ou programa; a possibilidade de melhoria
nas relações de accountability ou na gestão; as mudanças de condições nas entidades ou
programas; os destinatários do relatório (auditado, Legislativo, mídia, grupos de interesse
ou cidadãos), podendo essa destinação considerar um ou mais dos potenciais usuários,
vistos de forma conjunta ou isoladamente.

O objetivo geral da auditoria deve nortear os trabalhos necessários ao levantamento


preliminar que, por sua vez, viabiliza a explicitação de um conjunto de objetivos específicos
a serem alcançados pela auditoria.

5.1.3. Definição do escopo dos trabalhos

A partir do objetivo geral e com base no risco de auditoria deve ser definida a extensão dos
trabalhos a serem realizados. Deve, assim, explicitar quais as áreas, controles, sistemas,
atividades e práticas a serem auditados, e a extensão e profundidade dessa verificação.

Entende-se por extensão o período de abrangência dos testes, ou seja, as operações


realizadas em dado espaço de tempo e, por profundidade, a maior ou menor extensão dos
testes substantivos.

Para determinar a profundidade da auditoria, a equipe deve, inicialmente, verificar o nível


de exposição a risco do objeto da auditoria e avaliar o grau de confiabilidade dos controles
internos.

5.1.4. Matriz de Planejamento

A Matriz de Planejamento é uma esquematização das informações relevantes do


planejamento e dos procedimentos de uma auditoria, com o propósito de orientar a equipe
na fase de execução. É uma ferramenta de auditoria que torna o planejamento mais

33
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

sistemático e dirigido, facilitando a comunicação de decisões sobre metodologia entre a


equipe e os superiores hierárquicos e auxiliando na condução dos trabalhos de campo.

Na sua elaboração, deve ser considerada a abordagem a ser utilizada, o escopo e a extensão
dos trabalhos, os riscos de auditoria e os componentes a serem verificados. Ela ainda
deverá conter a explicitação formal dos procedimentos de auditoria a serem aplicados com
intuito de obter evidências suficientes e adequadas que possibilitem formar opinião acerca
da questão de auditoria.

A Matriz de Planejamento é um instrumento flexível e o seu conteúdo pode ser atualizado


ou modificado pela equipe, à medida que o trabalho de auditoria progride. Por exemplo, a
não confirmação, ao longo dos testes substantivos, das impressões iniciais quanto ao risco
de auditoria poderá ensejar a revisão da Matriz de Planejamento.

A elaboração da Matriz de Planejamento é o momento oportuno para se promover: a


definição de subobjetivos específicos, ou seja, desdobramentos dos objetivos específicos; a
revisão dos critérios de auditoria antes definidos e, também, a definição de critérios de
auditoria de caráter mais analítico; a especificação da natureza das evidências a serem
coligidas; a especificação dos procedimentos para coleta e análise de evidências.

A Matriz de Planejamento deverá conter os seguintes campos:

a) objetivo do trabalho (geral);


b) questões de auditoria, identificadas pelo código QA 01 (Questão de Auditoria 01)
seguido da numeração correspondente e acompanhadas de sua descrição (são os
objetivos específicos);
c) itens de verificação (os possíveis achados);
d) critérios a serem utilizados;
e) informações requeridas e a respectiva fonte;
f) procedimentos de auditoria, acompanhados, se for o caso, da base de seleção e
tamanho da amostra;
g) técnicas utilizadas para obtenção e tratamento das informações;
h) limitações.

Os campos a seguir também compõem a Matriz e poderão ser preenchidos durante a


execução dos trabalhos de campo: encarregado pelos procedimentos; período de realização
do procedimento; referência ao papel de trabalho em que a realização do procedimento
possa ser comprovada.

Na elaboração da Matriz de Planejamento, o primeiro passo, portanto, é a formulação das


questões de auditoria. De posse dessas questões, formulam-se os possíveis achados (desvio
entre o critério e a situação existente), para que, assim, possam ser obtidas as evidências
que confirmem a sua ocorrência ou não. Na Matriz, esses possíveis achados serão
denominados ―itens de verificação.

Quando corretamente preenchida, a Matriz permite fixar a importância relativa de cada


trabalho e sua divisão racional entre os membros da equipe, antecipar a descoberta de
problemas e, ainda, permitir o acompanhamento e a revisão dos trabalhos de auditoria, por
parte do supervisor.

34
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Deve ser ressaltado, todavia, que o aproveitamento e a aplicação de forma mecânica dos
programas de auditoria contidos na Matriz de Planejamento podem resultar numa limitação
de criação e na possibilidade de determinado procedimento não ser aplicado, por não estar
previsto. Portanto, cabe à equipe de auditoria manter constante atenção em relação à matriz
elaborada, de forma a identificar, prontamente, eventuais omissões ou falhas, oportunidade
em que deverá ser revisada.

5.1.5. Definição do cronograma dos trabalhos

O cronograma dos trabalhos corresponde à sequência em que os trabalhos serão realizados


e terá por base a Matriz de Planejamento. Explícita, ainda, a quantidade de recursos
humanos (homens/dia ou hora) relacionados com as atividades a serem desempenhadas.
Quando não decorrer automaticamente da Matriz de Planejamento, deve contemplar, no
mínimo, as seguintes etapas:

a) trabalho de campo: coleta de evidências;


b) tabulação, consolidação e análise das informações;
c) elaboração das Matrizes (achados e responsabilização);
d) elaboração do relatório.

5.1.6. Elaboração do Plano de Auditoria

O Plano de Auditoria é o produto final da etapa de planejamento da auditoria. Deverá ser


apresentado por escrito, mediante relatório analítico não demasiadamente extenso,
contemplando as informações geradas em cada uma das etapas descritas anteriormente.

O Plano de Auditoria contém, portanto, as seguintes informações:


a) dados sobre a entidade/programa auditado, em especial os aspectos importantes de
seu campo de atuação, missão e objetivos atuais;
b) legislação e normas aplicáveis;
c) principais sistemas de controle interno, seus pontos fortes e fracos (explicitando,
em relação a estes, as causas, consequências, amplitude, impactos e propostas de
melhorias pertinentes), seus pontos críticos (aqueles que merecem atenção especial
quando da elaboração do programa de auditoria) e, ainda, o grau de confiança a ser
depositado; objetivo geral da auditoria e seu tipo; delimitação do escopo de
auditoria, abordando os riscos envolvidos;
d) perfil necessário para os membros da equipe;
e) estimativa de recursos para a realização da auditoria;
f) Matriz de Planejamento, destacando-se, no texto do Plano, as Questões de
Auditoria, ou seja, os objetivos específicos do trabalho;
g) cronograma das atividades; e
h) destinatários do relatório de auditoria.

5.2. EXECUÇÃO

5.2.1. Obtenção de evidências

A evidência vem a ser a prova, ou conjunto de provas coletadas que permite formar
convicção acerca do setor auditado e, assim, subsidiar a emissão de opinião. Como tal, não

35
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

deve haver nenhuma dúvida quanto à afirmação feita de que o objeto auditado mostra-se
regular ou irregular, adequado ou inadequado, verdadeiro ou falso, eficiente ou ineficiente,
eficaz ou ineficaz etc., conforme o caso e a opinião manifestada.

5.2.2. Requisição de documentos e informações

A requisição de documentos e informações pode ser feita verbalmente ou, quando se julgar
necessário, por escrito, mediante nota de auditoria, ao responsável direto pelo setor.

No caso de não atendimento da solicitação verbal, deverá ser encaminhada nota de


auditoria ao superior hierárquico daquele a quem foi requerida a informação, oportunidade
em que a negativa deverá ser noticiada.

5.2.3. Guarda de documentos

A guarda dos documentos e informações das auditorias deve ser feita em dois tipos de
pasta, em meio físico ou eletrônico: pastas correntes e pastas permanentes.

5.2.4. Matriz de Achados

A Matriz de Achados é uma forma de organização das informações correspondentes aos


achados de auditoria. O desenvolvimento dos achados de auditoria consiste em levantar
evidências suficientes para a emissão de juízo sobre o objeto da auditoria, por meio da
comparação entre a situação observada e os critérios fixados. Associam-se aos achados suas
causas e seus efeitos, culminando com a indicação das determinações ou recomendações
necessárias para sanar os desvios encontrados e prevenir ocorrências indesejáveis.

5.2.5. Discussão da Matriz de Achados

Na verificação da pertinência dos achados, necessário se faz oferecer ao setor auditado a


oportunidade de fazer comentários ou de dar explicações sobre os achados, de modo a
esclarecer circunstâncias e fatores que contribuíram para sua ocorrência.

A discussão da Matriz de Achados consiste em processo de revisão da auditoria, onde serão


colhidos esclarecimentos prévios que poderão, ou não, alterar o posicionamento final da
equipe de auditoria.

5.2.6. Registro das Boas Práticas

São consideradas boas práticas aquelas identificadas no âmbito do objeto da avaliação ou


fora dele, que possam ser aplicadas integralmente ou com adaptações para melhorar o
desempenho do sistema de controle interno, do programa, da atividade ou do setor sob
avaliação.

Não se trata de casos que simplesmente atendam o padrão esperado, previsível, normal,
mas de abordagens que possam agregar valor. Que, comparativamente com o objeto da
avaliação, tenham apresentado melhor desempenho e que possam servir de padrão para
melhorá-lo, considerando sempre os aspectos da legalidade e os critérios aceitáveis de
desempenho.

36
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

5.2.7. Matriz de Responsabilização

O objetivo da Matriz de Responsabilização é evidenciar a responsabilização daquele que


deu causa à irregularidade identificada na auditoria e seus efeitos, bem como fundamentar a
proposta de sanção ou sua não aplicação.

A Matriz de Responsabilização deve ser preenchida sempre que houver achados que se
constituam em irregularidades. Deverão constar na Matriz apenas os nomes daqueles cuja
conduta tenha nexo de causalidade com o fato, independentemente da culpabilidade.

5.2.8. Relatório de Auditoria

5.2.8.1 Conceito

Exposição detalhada de fatos e circunstâncias observados em auditoria. Deve conter,


necessariamente, introdução, resultados da auditoria, conclusão e proposições.

A sua elaboração terá por base o conteúdo da Matriz de Achados e, quando houver, da
Matriz de Responsabilização.

5.2.8.2 Estrutura do relatório

APRESENTAÇÃO
Área auditada, Período da auditoria, Critérios da auditoria, Responsáveis pela área
auditada e Equipe da Controladoria
1. INTRODUÇÃO
2. AVALIAÇÃO GERAL E BOAS PRÁTICAS
3. DESCRIÇÃO DAS NÃO-CONFORMIDADES
4. CONCLUSÃO
OUTROS TÓPICOS
ANEXOS

6. CONSIDERAÇÕES GERAIS

O PAAI é um plano de ação elaborado com base nos riscos aferidos de acordo com o
sistema utilizado por este órgão.

É imperativo registrar que, ao longo do exercício (ANO OU MÊS), a Controladoria deverá


desenvolver atividades de caráter extraordinário e específico, como:

a) Elaboração de proposta de criação do tipo de processo “Relatório de Auditoria Interna”.

b) Revisão dos procedimentos aplicáveis na elaboração dos Relatórios de Auditoria, com a


sugestão da fixação de prazos para adequação, pelas unidades auditadas, das
impropriedades e adoção das recomendações identificadas nas análises.

37
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

c) Acompanhamento da conclusão das Ordens de serviço do Processo Eletrônico e revisão


dos fluxogramas dos processos.

d) Implantação do Manual de Auditoria Interna do (...), a fim de padronizar os métodos,


técnicas e procedimentos utilizados na realização dos trabalhos de auditoria.

Ressalte-se ainda que, assim como o PAAI, o cronograma de execução dos trabalhos não é
um instrumento de trabalho fixo, podendo ser alterado, suprimido em parte, estendido ou
ainda amplificado, em função de fatores externos ou internos, tais como: trabalhos
especiais, treinamentos (cursos e congressos) e demais fatos não previstos.

7. CRONOGRAMA

A seguir, apresenta-se o cronograma do período dos trabalhos programados para o 1º e 2º


semestres de ...

AÇÕES JAN FEV MAR ABR MAI JUN

AÇÕES JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Fortaleza, ... de ... de ...

________________________________________
Auditor Interno

___________________________________
Controlador

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

CRONOGRAMA DOS TRABALHOS

PERÍODO DE
CRONOGRAMA
Nº AÇÃO LOCAL EXECUÇÃO
INÍCIO FIM DIAS ÚTEIS

Planejamento
1.1. Levantamentos preliminares
1.2. Definição do tipo e dos objetivos gerais
da auditoria
1 1.3. Delimitação do escopo dos trabalhos

1.4. Elaboração da Matriz de Planejamento


1.5. Definição do Cronograma dos trabalhos
1.6. Elaboração do Plano de Auditoria

Execução
2.1. Obtenção de evidências
2.2. Requisição de documentos e informações
2.3. Guarda de documentos

2.4. Elaboração da Matriz de Achados


2 2.5. Discussão da Matriz de Achados

2.6. Registro de Boas Práticas


2.7. Elaboração da Matriz de
Responsabilização
2.8. Elaboração do Relatório de Auditoria

Data da Elaboração: Elaborado por: Supervisão:

39
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 02 - RELATÓRIO DAS ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS


PELA CONTROLADORIA

No primeiro semestre de 2013, em atendimento à solicitação feita pelo Comitê


Gestor, a Controladoria concluiu o levantamento que fora iniciado no final do exercício de
2012, fez o mapeamento e redesenho das atividades, e elaborou os fluxogramas dos
processos fins do Órgão XXX, ....
A Controladoria planejou e selecionou algumas atividades executadas pela
administração desta Entidade examinou e analisou documentos relacionados as atividades
relativas à gestão administrativa e financeira, que serviram de base para a elaboração do
Relatório de Auditoria Interna que compõe à Prestação de Contas do Órgão de 20XX.
Elaborou também o Relatório das atividades executadas pela Controladoria durante o
exercício de 20XX.
Dando continuidade às suas atividades, planejou e elaborou o Plano Anual de
Auditoria Interna - PAAI e o Cronograma de Ações para o 1º semestre/ANO, que teve
como escopo a realização de Auditorias Pró-Ativas e Reativas em setores predefinidos,
quais sejam: Divisão de Manutenção e Conservação, Divisão de Material e Patrimônio,
Divisão de Orçamento e Contabilidade e Divisão de Pagamento.
Obedecendo o cronograma dos trabalhos realizados em cada setor, a equipe da
Controladoria elaborou ações de planejamento, através de levantamentos preliminares,
definindo tipo e objetivos gerais da auditoria, escopo dos trabalhos, matriz de planejamento
e um plano de auditoria interna para cada setor.
Para a execução das atividades dentro do que fora planejado, evidências foram
constatadas, documentos foram requisitados, informações obtidas, assim como a guarda de
documentos julgados necessários, o que resultou na elaboração da matriz de achados,
registro das boas práticas encontradas, elaboração da matriz de responsabilização, relatório
de auditoria e informação aos gestores das áreas auditadas através de email.
O Registro das boas práticas detectadas evidenciou as atividades relevantes e
benéficas para os setores utilizadas pelo gestor, o qual foi orientado a dar continuidade,
sugestão de aperfeiçoamento visando o bom andamento das atividades. Na matriz de
responsabilização apontou-se a responsabilidade por possíveis irregularidades detectadas, a
causa, os excludentes de culpabilidade, assim como propostas de encaminhamento de
solução ou correção do fato ocorrido.
A Controladoria, de posse de todo o trabalho acima descrito, elaborou o Relatório
de Auditoria Interna, no qual consta uma avaliação geral das atividades desenvolvidas, com
menção das boas práticas, assim como as não-conformidades detectadas dos setores
selecionados.
A Controladoria, concluiu também os trabalhos na Divisão de Manutenção e
Conservação iniciados em 20XX, com a elaboração da Matriz de Achados, Registro das
Boas Práticas executadas, elaboração da Matriz de Responsabilização e com o Relatório de
Auditoria Interna da Divisão.

Em cumprimento ao Plano Anual de Auditoria Interna-PAAI do 1º


semestre/ANO, foi feito o planejamento e execução de auditorias nos seguintes setores:

40
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Divisão de Material e Patrimônio, Divisão de Orçamento e Contabilidade e Divisão de


Pagamento, relativas ao exercício de 20XX.
As atividades foram iniciadas nos mencionados setores com o planejamento dos
trabalhos, que resultou na elaboração da Matriz de Planejamento, no Cronograma de Ações
e no Plano de Auditoria Interna – PAI de cada setor, os quais serviram de base para
execução dos trabalhos, através de obtenção das evidências, verificação in loco, requisição
de documentos e informações obtidas com os responsáveis. Mencionadas atividades
resultaram na elaboração da Matriz de Achados, no Registro das Boas Práticas executadas e
na elaboração da Matriz de Responsabilização, o que resultou na elaboração do Relatório
de Auditoria Interna de cada setor, cumprindo na íntegra o cronograma das atividades
planejadas para o 1º semestre.
Dando continuidade às suas atividades, a Controladoria planejou e elaborou o
Plano Anual de Auditoria Interna - PAAI e o Cronograma de Ações para o 2º
semestre/20XX, tendo como escopo a realização de auditorias em setores predefinidos,
quais sejam: Diretoria de Gestão de Pessoas, Diretoria de Processamento de Dados,
Comissão Permanente de Licitação - CPL, Divisão de Material e Patrimônio e Divisão de
Manutenção e Conservação, relativas ao exercício de 2013. Em atendimento a solicitação
feita pelo Prefeito necessário se fez um ajuste no PAAI incluindo o exame nos Postos de
saúde.
Em cumprimento ao Plano Anual de Auditoria Interna - PAAI do 2º
semestre/20XX, a Controladoria após planejamento, executou até o mês de novembro de
20XX as auditorias nos seguintes setores: Diretoria de Gestão de Pessoas, Diretoria de
processamento de Dados e Comissão Permanente de Licitação - CPL , cumprindo assim
até a presente data o cronograma das atividades planejadas para o 2º semestre.

Fortaleza, de de 2....

41
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 03 - RELATÓRIO DO LEVANTAMENTO PRELIMINAR DE


AUDITORIA

1. Apresentação

Este Relatório refere-se à auditoria de recursos externos, prevista no item


IX, alínea “e” do Manual Operativo do Programa de Modernização da Gestão Pública do
DF – Programa Gestão GDF, documento integrante do Acordo de Empréstimo nº 7675-
BR celebrado entre o Banco Mundial e o Distrito Federal.

Esta auditoria, apesar de não constar do PGA, foi motivada pelo acordo
entre o Banco financiador, Banco Mundial, o Mutuário, Distrito Federal e este Tribunal,
com a finalidade de designar o TCDF como Auditor Independente do citado Acordo de
Empréstimo.

A habilitação desta Corte para atuar como auditor independente ocorreu


após visita de Comissão do Banco Mundial para avaliação da capacidade dos quadros
técnicos desta Corte e da adequação das práticas de auditoria e normas de auditoria aos
padrões internacionais, visando atender solicitação feita pela SEPLAN ao TCDF, por meio
do Ofício nº 265/2011- GAB/SEPLAN, efetivada mediante manifestação no Ofício nº
109/2011 – GP p/ 5ª ICE.

A auditoria exigida pelo Banco Mundial abrange aspectos contábeis e


financeiros, de regularidade e de avaliação do controle interno.

2. Descrição do Objeto da Auditoria e Jurisdicionados

O objeto desta auditoria é a aplicação dos recursos no Programa de


Modernização da Gestão Pública do DF – Programa Gestão GDF, incluindo aqueles
financiados pelo Banco Mundial e os de contrapartida do Distrito Federal, relativos ao
exercício de 2010.

O Mutuário responsável pela aplicação dos recursos do Contrato de


Empréstimo perante o Banco Mundial é o Distrito Federal, representado pela Secretaria de
Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal, a qual conta com a
Coordenação-Geral do Programa – CGP Gestão GDF, criada para esse fim, pelo Decreto
Distrital nº 30.006, de 29/01/09.

Essa Coordenação é responsável por supervisionar, monitorar e avaliar a


execução das ações pertinentes ao Programa, coordenar os esforços de todos os agentes
envolvidos e monitorar a execução do Programa.

42
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

O Contrato também define outros coexecutores do Acordo de


Empréstimo: Secretaria de Estado de Educação, Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria
de Estado de Transportes, Transporte Urbano do Distrito Federal – DFTrans e Escola de
Governo do DF. Outros órgãos e entidades do DF também poderão atuar como
colaboradores em alguma parte da execução do Programa, tais como: Agência de
Comunicação Social, responsável pela divulgação do Programa e pela comunicação com a
população abrangida, Secretaria de Fazenda, Secretaria de Ordem Pública e Social e
Corregedoria-Geral do DF, atual Secretaria de Transparência e Controle, Secretaria de
Obras, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil - NOVACAP e a Central de
Compras, entre outras.

A estrutura de gestão do programa é prevista no item IV - Arranjo


Institucional do Programa - do Manual Operativo do Programa, que contempla a
Coordenação Geral do Programa – CGP, os órgãos coexecutores do Programa, antes
mencionados, e o Comitê Executivo do Programa.

“A. COORDENAÇÃO GERAL DO PROGRAMA:

A Coordenação Geral do Programa será realizada pela Secretaria


de Estado de Planejamento e Gestão – SEPLAN, instância
superior de articulação institucional e de relacionamento com o
Banco Mundial, por delegação do Governo do Distrito Federal. É
de responsabilidade da Secretaria promover a coordenação
político-estratégica do Programa e a articulação entre os seus
atores e agentes, em consonância com as macro-diretrizes do
Governo do DF. A Secretaria de Estado de Planejamento e
Gestão – Seplag exercerá suas funções de coordenação geral e
supervisão do Programa, por intermédio de uma Coordenação
Geral do Programa – CGP Gestão GDF, criada para esse fim pelo
Decreto nº 30.006 de 29 de janeiro de 2009. (Anexo XXII).
A Coordenação Geral do Programa – CGP – Gestão GDF será
responsável por supervisionar, monitorar e avaliar a execução das
ações pertinentes ao Programa, coordenando os esforços de todos
os agentes envolvidos. A CGP- Gestão GDF será responsável pelo
monitoramento do Programa. Terá como objetivos monitorar os
indicadores da operação, bem como responder pela prestação de
contas da execução dos Programas de Despesas Elegíveis.
A CGP - Gestão GDF será constituída por um Coordenador e os
seguintes Núcleos de Trabalho: Núcleo de Acompanhamento
Orçamentário e Financeiro, Núcleo de Acompanhamento Técnico
e Núcleo de Acompanhamento das Ações de Desenvolvimento
Institucional. Os dois primeiros núcleos acompanharão os
trabalhos realizados no Componente 1 do Programa e o último
acompanhará o Componente 2.

43
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

(...)
C. Comitê Executivo do Programa:
O Comitê Executivo será formado por representantes das
unidades coexecutoras e atuará como fórum de articulação, de
convergência de propostas e ações do Programa, sendo presidido
pelo Coordenador da CGP – Gestão GDF.
(...)”

3. Programa de Modernização da Gestão Pública do DF – Programa Gestão


GDF

a) Objetivos

(a) aumentar o acesso, a qualidade e a eficiência dos serviços de educação, mediante a


modernização do sistema de ensino; modernização, descentralização e integração dos
serviços de saúde pública; fortalecimento e capacitação institucional e operacional do
setor de transporte público;
(b) melhorar a gestão e a prestação de contas do setor público por meio da expansão de
práticas gerenciais centradas em resultados e na melhoria da gestão fiduciária.

b) Objetivos complementares do Programa:

 auxiliar o Governo do Distrito Federal na execução financeira de seu orçamento e


no atingimento das metas dos Programas estabelecidos no Plano de Governo 2007-
2010.
 possibilitar ao Governo do Distrito Federal, via Secretaria de Estado de
Planejamento e Gestão, o delineamento e a construção de um sistema integrado e
articulado de monitoramento e avaliação de políticas públicas de inclusão social no
DF.
 possibilitar ao Governo Distrital, por intermédio da Secretaria de Estado da
Fazenda, Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, o delineamento e a
construção de um sistema integrado de gestão fiscal e financeira, de maneira a
garantir a sustentabilidade de médio e longo prazos de suas contas públicas.
 contribuir para o alcance das metas de inclusão social pretendidas pelo GDF,
mediante apoio financeiro aos principais Programas dos setores de Educação,
Saúde e Transporte.
 contribuir para que o Governo do Distrito Federal implante o Modelo de Gestão
por Resultados como uma nova cultura para a sua Administração Pública.
 contribuir para que os Órgãos do Governo do Distrito Federal, com destaque para
a Educação, Saúde, Gestão e Transportes, estabeleçam capacidades e mecanismos
institucionais condizentes com o novo modelo de gestão proposto.

c) Objetivos específicos do Setor Educação:

44
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modernizar o sistema educacional, visando à melhoria da qualidade do ensino


com eficiência e equidade na educação básica. Estas reformas serão alcançadas com a
adoção do modelo de Gestão Compartilhada, que inclui a avaliação de desempenho dos
professores com base em resultados, incentivos financeiros às escolas e apoio à
educação infantil, ao ensino fundamental e ao ensino médio. O Programa terá como
alvo as escolas com baixos indicadores educacionais e aquelas localizadas em áreas de
baixa renda do DF. Assim, pode-se explicitar os seguinte objetivos:

 implantar a Gestão Compartilhada para melhorar a gestão escolar. Aperfeiçoar os


mecanismos de gestão administrativa e financeira da Secretaria de Educação.
 promover a ampliação e a equidade na oferta da educação infantil e do ensino
fundamental, com regularização do fluxo escolar, de sorte a minimizar a evasão
escolar.
 promover a melhoria da qualidade do ensino ofertado com a implantação da
Educação Integral, principalmente nas Regiões Administrativas (RAs) de mais baixa
renda.

d) Objetivos específicos do Setor Saúde:

Para o setor, citam-se os seguintes objetivos: promover a modernização, a


descentralização e a integração dos vários níveis operacionais de saúde pública;
aumentar o acesso, a qualidade e a eficiência desses serviços por meio da gestão
baseada em resultados, desenvolver o sistema de informações gerenciais e clínicas via
Cartão de Saúde; estender o Programa de Atenção Primária à Saúde (com 294 equipes
de Saúde da Família nas Regiões Administrativas do DF); e adotar, experimentalmente,
o modelo de Organização Social (OS) para a gestão do Hospital de Santa Maria.
Destaca-se ainda:

 melhorar a gestão do setor, com a modernização do sistema de informações em


saúde e o aumento da cobertura do Cartão Saúde.
 assegurar a atenção primária em saúde a toda a população do DF.
 aumentar a resolutividade da atenção primária, conferindo maior efetividade ao
Programa Saúde da Família - PSF.

e) Objetivos específicos do Setor Transporte:

Os objetivos específicos do Setor Transporte são: fortalecer a capacidade de


planejamento, regulação, gestão e controle da Secretaria de Estado de Transporte e da
DFTRANS; revisar e modernizar as rotinas e os procedimentos, implementar sistemas
de controle da modernização tecnológica; treinar servidores; elaborar o Plano Diretor e
Transportes Urbanos; e criar o Centro de Controle Operacional do Transporte Público
do Distrito Federal.

f) Recursos envolvidos

O orçamento total do Programa equivale a aproximadamente US$ 400 milhões


(quatrocentos milhões de dólares dos Estados Unidos da América), a serem investidos

45
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

no prazo de 3 (três) anos. Desse orçamento total, US$ 130 milhões, que correspondem
a 32,5% (trinta e dois vírgula cinco por cento) do valor do Programa, provirão de fonte
externa; o montante restante, equivalente a aproximadamente US$ 270 milhões,
corresponde à contrapartida local, expressa por dotações orçamentárias de programas
de trabalho já existentes e em execução continuada, que representa 67,5% (sessenta e
sete vírgula cinco por cento) do Programa, conforme tabela abaixo.

(US$ mil)
TABELA 1 - FONTES DE FINANCIAMENTO
DISCRIMINAÇÃO VALOR (US$ m il) %
Banco Mundial - BIRD(*) 130.000,00 32,5
Distrito Federal (**) 270.000,00 67,5
TOTAL 400.000,00 100,0
(*) Reembolso de despesas realizadas nos Programas de Despesas Elegíveis,
com recursos orçamentários próprios do GDF.
(**) Contrapartida estimada.
Taxa de Câmbio: US$1,00 = R$ 2,32, 31/12/2008.
O valor financiado atenderá aos dois Componentes do Programa Gestão
GDF, sendo que o Componente 1 receberá US$ 120 milhões, distribuídos aos setores
Educação, Saúde e Transporte na respectiva proporção, 40%, 40% e 20%; e US$ 10
milhões para o Componente 2 a ser utilizado em melhorias na gestão pública. O GDF,
como tomador do empréstimo paga uma taxa inicial ao BIRD, chamada de “Front-end
Fee”, no valor de um quarto de um por cento (0,25%) do valor do Empréstimo, o que
equivale a US$ 325.000 (trezentos e vinte e cinco mil dólares). Este valor é descontado
do repasse ao Componente 2, que efetivamente receberá US$ 9.675 milhões conforme
é indicado na Tabela 2.(US$ mil)
TABELA 2 - COMPONENTES E CUSTOS ASSOCIADOS

DISCRIMINAÇÃO FONTE EXTERNA FONTE INTERNA TOTAL % SUBTOTAL % TOTAL


Componente 1 - Melhoria da Prestação de Serviços
Públicos de Saúde, Educação e Transporte.

Educação 48.000,00 108.000,00 156.000,00 40,0


Saúde 48.000,00 108.000,00 156.000,00 40,0
Transporte 24.000,00 54.000,00 78.000,00 20,0
Subtotal - 1 120.000,00 270.000,00 390.000,00 100,0 97,5

Componente 2 - Modernização da Gestão Pública -


9.675,00 9.675,00 96,8 2,4
Assistência Técnica

Taxa inicial 325,00 - 325,00 3,25 0,1


Subtotal - 2 10.000,00 - 10.000,00 100,0
TOTAL 130.000,00 270.000,00 400.000,00 100,0

Obs.: valores ajustados para US$ 400 milhões.

g) Legislação e normas aplicáveis

O Acordo de Empréstimo nº 7675-BR celebrado entre o Banco Mundial e o


Distrito Federal define normas a serem cumpridas pelo executor/mutuário relacionadas a
seguir:

46
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

1) Acordo de Empréstimo e seus Anexos,

2) Carta de Desembolso;

3) Plano de Aquisições;

4) Manual Operativo;

5) Diretrizes do BIRD para Preparação de Relatórios Financeiros Anuais;

6) Diretrizes do BIRD para Aquisições no Âmbito de Empréstimos e Créditos


da AID;

7) Diretrizes do BIRD para Seleção e Contratação de Consultores - Diretrizes


para auditoria de aquisições.;

O Banco Mundial é um Organismo Internacional com personalidade de pessoa


jurídica de direito internacional público, criado em 1944 e sediado em Washington, DC.
Conta com mais de 10.000 funcionários em mais de 100 escritórios no mundo todo.

Segundo consta do sítio do Banco, o BIRD é uma fonte vital de assistência


financeira e técnica aos países em desenvolvimento ao redor do mundo, tendo como
missão combater a pobreza com paixão e profissionalismo para resultados duradouros e
ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas e seu ambiente, fornecendo recursos, partilha de
conhecimentos, capacitação e formação de parcerias nos setores público e privado.

O Banco Mundial é constituído de duas instituições de desenvolvimento: o


Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), com 185 países
membros (início das operações em 1946) e a Associação Internacional de Desenvolvimento
(IDA), com 167 membros, fundada em 1960.

O trabalho do Banco Mundial é complementado pela Corporação Financeira


Internacional – IFC, pela Agência Multilateral de Garantia de Investimentos – AMGI e
pelo Centro Internacional para Acerto de Disputas de Investimentos – CIADI, que fazem
parte do Grupo Banco Mundial.

O Banco Mundial oferece empréstimos, créditos e doações aos países em


desenvolvimento para uma ampla gama de propósitos, que incluem investimentos em
educação, saúde, administração pública, infraestrutura, desenvolvimento do setor financeiro
e privado, da agricultura e gestão de recursos ambientais e naturais.

No âmbito do Distrito Federal, a Lei nº 4.166, de 30.06.08, autorizou o Poder


Executivo a contratar operação de crédito externo com o Banco Mundial, para financiar a
implantação do Programa de Modernização da Gestão Pública do Distrito Federal –
Gestão GDF.

De acordo com o § 1º do art. 1º da Lei nº 4.166, alterado pela Lei nº 4.600, de


14.07.11, a operação de crédito será contratada na modalidade de Programa com Enfoque

47
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Setorial Amplo (SWAP), com aferição de resultados em programas e ações nas áreas de
educação, de saúde, de transporte e de gestão pública, e a receita dela advinda deverá ser
aplicada em ações de investimentos em educação, saúde, transporte, e em investimentos e
serviços para o fortalecimento institucional e a capacitação de servidores públicos, na área
de gestão pública.

O Decreto nº 30.006, de 29.01.09, criou, no âmbito da então Secretaria de


Estado de Planejamento e Gestão do Distrito Federal, a Coordenação Geral do Programa
de Modernização da Gestão Pública do Distrito Federal, denominada CGP-SWAP, visando
o gerenciamento e acompanhamento das ações desenvolvidas pelas Secretarias de Estado, e
entidades envolvidas, na execução do Programa.

A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do DF instituiu a Portaria nº


73, de 27.03.09, para nomear os membros que constituem a Coordenação Geral do
Programa de Modernização da Gestão Pública do DF – CGP/SWAp-DF.

A Secretaria de Saúde, por meio da Portaria nº 101, de 22.05.09, criou a


Unidade de Gerenciamento Local desta Secretaria – UGL/SES, bem como elencou as
competências da UGL mencionadas no Decreto nº 30.006 e os nomes dos servidores
designados para compor esta unidade. Este normativo foi alterado pela Portaria nº 34, de
29.03.11, que modificou a composição dos nomes dos servidores antes designados.

Também, a Secretaria de Transportes, mediante a Portaria n° 14, de 11.02.09,


instituiu a Unidade de Gerenciamento Local do Programa de Modernização da Gestão
Pública do Distrito Federal nesta Secretaria, bem assim designou servidores para
comporem esta unidade e o Comitê Executivo da Coordenação Geral – CGP-SWAp.

O DFTRANS, por meio da Instrução nº 09, de 02.03.09, resolveu instituir a


Unidade de Gerenciamento Local do Programa de Modernização da Gestão Pública do
Distrito Federal nesta Autarquia, bem como designou servidores para comporem essa
unidade e o Comitê Executivo da Coordenação Geral – CGP-SWAp. Esta composição foi
alterada pela Instrução nº 77, de 07.05.10.

A Secretaria de Estado de Educação do DF editou a Portaria nº 155, de


30.04.09, designando servidores para representar o órgão no Comitê Executivo da
Coordenação Geral – CGP-SWAp e para constituírem a Unidade de Gerenciamento Local.
Esta composição foi alterada pela Portaria nº 36, de 02.05.11.

De acordo com o Manual Operativo do Programa (item VI - Aquisições,


contratações e recursos de contrapartida do DF), as normas de aquisições para o Programa
proposto serão realizadas de acordo com as Diretrizes de Aquisição no âmbito dos
Empréstimos do BIRD e dos Créditos da AID e das Diretrizes para Seleção e Contratação
de Consultores pelos Mutuários do Banco Mundial (Anexo XXV do citado Manual), ambas
datadas de maio de 2004 e revistas em outubro de 2006, com a Lei 8.666/93 e com as
cláusulas especificadas no Acordo de Empréstimo.

48
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

As aquisições realizadas por meio de licitação pública nacional (LPN) serão


baseadas na Lei nº 8.666/93, utilizando os seguintes métodos: carta convite, tomada de
preços, pregão eletrônico e concorrência. As licitações nacionais deverão ser realizadas com
recursos oriundos das fontes próprias do Tesouro do DF.

As licitações que ocorrem com as regras do Banco Mundial são as apresentadas


no Plano de Aquisições.

Este Plano de Aquisições, elaborado para a implantação do Programa de


Modernização da Gestão Pública do DF, representa a porção financiada pelo empréstimo,
num valor mínimo de US$ 120 milhões de dólares, para o Componente 1 do Programa, no
qual o GDF utilizará as regras de licitação do Banco Mundial.

Para cada contratação prevista, foram definidos diferentes métodos licitatórios


ou de contratação de consultores, a necessidade de pré-qualificação (em casos específicos),
os custos estimados, os requisitos de análise prévia, cronogramas e os termos de referência,
em conformidade com as exigências do Banco.

O requerimento de revisão prévia do Banco deverá ser solicitado antes do


início do processo licitatório. Para processos de obras e bens deverão ser encaminhados:
minuta dos Editais, incluindo especificações técnicas, ata de avaliação das propostas e o
contrato negociado. Para processos de serviços de consultoria deverão ser encaminhados: o
termo de referência, a solicitação de propostas, a avaliação das expressões de interesse, a
lista curta, a ata de avaliação técnica, a ata de avaliação combinada técnico/financeira e o
contrato negociado.

O Plano de Aquisição será atualizado anualmente ou, pelo menos, conforme


exigido para atender as reais necessidades de execução dos Programas e de melhoria na
capacidade institucional.

As aquisições e os contratos em cada um dos Programas de Despesas Elegíveis


serão realizados principalmente por meio de Licitação Pública Nacional - LPN. Os diversos
itens nas diferentes categorias de despesas estão descritos de modo geral na letra B do item
VI do Manual Operativo do Programa.

3. Identificação das Áreas/Pontos Potencialmente Significantes

Nesse tipo de auditoria, as principais áreas e pontos potencialmente


significantes são definidos expressamente nos normas expedidas pelo Banco Mundial, que
trata dos termos de referência para a revisão ex-post dos processos de aquisições; da

49
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

documentação comprobatória das solicitações de reembolsos e desembolsos, bem como


nas cláusulas do Contrato de Empréstimo nº 7675-BR – Programa de Gestão GDF.

Em síntese as áreas e pontos definidos como importantes na auditoria serão os


sistemas de controles internos, as transações financeiras e contábeis, as cláusulas
contratuais, a documentação comprobatória dos processos de aquisições e serviços de
consultoria, e os bens adquiridos com os recursos do projeto.

O TCDF será responsável, como Auditor Independente, exclusivamente pela


auditoria financeira do Acordo de Empréstimo, de acordo com a minuta do Termo de
Referência e a Memória da Reunião realizada em 10/8/2011. A avaliação do resultado e do
impacto das ações do Programa será realizada por outro Auditor Independente,
responsável pela Auditoria Técnica do Programa.

Diante desse contexto, foi elaborado o Plano de Auditoria apresentado a


seguir, com vistas a orientar a execução da auditoria de recursos externos do Contrato de
Empréstimo nº 7675-BR.

50
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 04 - PLANO DE AUDITORIA

1. Destinatários do Relatório de Auditoria

O destinatário principal deste trabalho é o (XXXXXXXX) , em atendimento as


Disposições do Contrato de Empréstimo nºXXXXX, celebrado entre o MUNICIPIO e o
DESTINATÁRIO, bem como em atendimento à minuta do Termo de Referência e à
Memória da Reunião realizada em 10/8/2011.

O relatório também se destina ao Plenário desta Corte como fonte de


informação para atuação do controle externo e aos Gestores do citado Contrato e do
Programa de XXXXXXXXXX.

2. Objetivo Geral da Auditoria

O objetivo geral da auditoria será emitir parecer profissional de auditores


independentes sobre as informações financeiras e operacionais exigidas pelo XXXXXXX,
os registros contábeis, a documentação de apoio relacionada a gastos, o exame dos
processos de aquisições de bens, a avaliação do sistema de controle interno e a utilização
dos recursos do projeto, em conformidade com os termos e condições do Contrato de
Empréstimo nº XXXXX.

A avaliação dos resultados e do impacto do Programa não estão incluídos no


objetivo geral desta Auditoria, tendo em conta a previsão de realização de Auditoria
Técnica, sob a responsabilidade de outro Auditor Independente.

3. Definição dos Objetivos Específicos da Auditoria (Questões de


Auditoria)

A auditoria terá como objetivos específicos responder as seguintes questões de


auditoria:

Primeira Questão: As demonstrações financeiras e as informações


complementares refletem, razoavelmente, a situação financeira do projeto e foram
elaboradas conforme a clausula B.3, Seção II do Anexo 2 ao Acordo de Empréstimo, com
as Normas Internacionais de Contabilidade emitidas pela Comissão de Normas
Internacionais de Contabilidade, com o respectivo Manual Operativo e com os requisitos
de auditoria externa do Banco Mundial definidos no Termo de Referência da Auditoria do
Programa?

Segunda Questão: O executor/mutuário cumpriu as normas definidas no


Acordo de Empréstimo nº XXXXXXX e demais documentos que o integram?

51
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Terceira Questão: Quanto ao componente II do Programa, o


executor/mutuário cumpriu as normas e procedimentos de aquisições e desembolsos
relativos à seleção, à adjudicação, à contratação, recebimentos e pagamentos de aquisição
de bens e à contratação de obras e serviços de consultoria financiados com recursos do
empréstimo e da contrapartida local, bem como cumpriu as normas de validade da
documentação comprobatória e da qualificação das despesas apresentadas nas solicitações
de desembolso do no Contrato nº XXXXXX?

Quarta Questão: Qual o grau de aderência do sistema de controle interno do


organismo do executor e/ou coexecutores do Contrato nº XXXXX a cada um dos cinco
componentes do modelo COSO (Committee of Sponsoring Organizations)?

Quinta Questão: Os procedimentos para registro, controle e manutenção dos


bens adquiridos com recursos do Programa estão em consonância com as normas do
Contrato de Empréstimo nº XXXXXXX?

4. Escopo
O período a ser examinado pela auditoria será de julho a dezembro de XXXX,
nos recursos relativos ao Componente 1, conforme Contrato de Empréstimo nº XXXXX.
Dentre essas áreas e exames a serem realizados, conforme exigência do
DESTINATÁRIO, ressaltam-se as seguintes:

a) avaliação do sistema de controle interno referente ao projeto, a qual


compreende a concepção e o funcionamento do referido sistema conforme critérios
definidos pelo “Committee on Sponsoring Organizations (COSO)” 2, incluindo: o ambiente de
controle; a avaliação de riscos; os sistemas de contabilidade e de informações; as atividades
de controle; e as atividades de monitoramento. Essa avaliação deve incluir, entre outros, a
capacidade institucional instalada do organismo executor e/ou dos coexecutores referente
aos recursos humanos e materiais, ao sistema de informações e ao sistema contábil
utilizado pelo executor e/ou pelos coexecutores para o registro das transações financeiras,
inclusive os procedimentos para a consolidação das informações financeiras em projetos de
execução descentralizada;
b) exame das transações financeiras e dos registros contábeis para opinar se as
informações financeiras (demonstrativos financeiros) do projeto e/ou da entidade são
apresentadas de forma razoável e se foram elaborados de acordo com as NICs, com os
requisitos do Banco, e com os termos de referência;
c) exame do cumprimento de cláusulas contratuais de caráter contábil-
financeiro, regulamento operacional, de crédito e/ou convênios interinstitucionais;
d) exame, por amostragem, da documentação comprobatória referente aos
processos de aquisição de bens e serviços de consultoria de forma integrada com as

2
C.O.S.O.: Committee on Sponsoring Organizations of the Treadway Commission. Relatório preparado
pela comissão Treadway sobre o novo enfoque para o controle interno, datado de setembro de 1992.

52
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

respectivas solicitações de desembolso/reembolso apresentadas. Deve-se comprovar se a


documentação comprobatória está suportada por comprovantes fidedignos e mantidos nos
arquivos do executor/coexecutores/ou mutuário; bem como se foi devidamente
autorizada; e se correspondem às despesas qualificadas, de acordo com os termos do
contrato de empréstimo, verificando, ainda, se foi contabilizada corretamente;
e) visitas de inspeção, por amostragem, na aplicação dos recursos do projeto,
para verificar se estão sendo executados de acordo com a finalidade do acordo de
empréstimo e respectivo plano de aquisição.
f) exame dos procedimentos de registro, controle e manutenção de bens
adquiridos com os recursos do projeto; e,
g) exame da situação da conta designada e operativa, incluindo a conciliação de
contas bancárias.

5. Avaliação do Controle Interno

Quanto a esta avaliação, o Banco Mundial informou não possuir nível de


detalhamento do processo de avaliação de controle interno, razão pela qual o Auditor
Independente pode utilizar sua própria metodologia de avaliação. No caso do
XXXXXXXXX, poderá ser utilizada a metodologia aplicada na auditoria de outros
empréstimos com recursos externos.

A avaliação de controles internos será feita em conformidade com o modelo


COSO, estruturando-se com os seguintes grupos de informações:

a) objetivos (código e nome);


b) riscos (fatores/processos/atividade, código, evento, probabilidade de ocorrência,
impacto no objetivo);
c) controles (código, descrição e risco afetado);
d) procedimentos de auditoria (a serem aplicados – critério, informação requerida e
código do papel de trabalho);
e) avaliação da Auditoria (resultado dos procedimentos aplicados – condição
encontrada, nível de implementação, classificação do risco, causa e efeito, comentários do
gestor e recomendação);
f) classificação de acordo com o COSO em Dimensões (Estratégico, Operacional,
Comunicação e Conformidade) e em Componentes (Ambiente Interno, Avaliação de
Riscos, Atividades de controle, Informações e Comunicações e Monitoramento.
O detalhamento de campos e informações contidas em cada grupo está em
consonância com o padrão de avaliação de controles internos aplicado pelo XXXXX em
auditorias de empréstimos com recursos externos, e com as orientações específicas do
XXXXXXXX.

53
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Como esta será a primeira auditoria nesse Acordo de Empréstimo XXXXXX,


é de se esperar que haja ajustes do modelo de avaliação ao longo de toda a auditoria.

6. Estabelecimento do Risco de Auditoria

O risco de auditoria será o padrão para auditorias de recursos externos do


XXXXXX, haja vista a utilização dos critérios de amostragem definidos nos normativos e
no termo de referência.

A determinação da amostra será feita como “Auditoria Normal”, podendo ser


alterada para o nível de “Auditoria Rigorosa” de acordo com a eventual necessidade de
maior aprofundamento e extensão dos testes, com o fim de se obter razoável certeza da
opinião a ser emitida.

Espera-se ao final um risco menor que 5%, com 95% de confiança em relação
às conclusões emitidas.

Além da observância dos procedimentos de cautela recomendados em


processos de auditoria, para redução do risco da auditoria, foram adotados os seguintes
mecanismos:

a) elaboração de vários roteiros de verificação e de autocontrole da qualidade


do processo de auditoria (anexos a este Plano de Auditoria), a serem utilizados pela equipe
de auditoria, pelo Diretor e Gabinete da Inspetoria (como supervisores do processo);

b) comunicação e pesquisa em outros órgãos responsáveis pela realização de


auditorias de recursos externos, obtendo informações e modelos de procedimentos
específicos para realização de exames;
c) realização de reuniões com o xxxxxx e com a Coordenação Geral do
Programa xxxxxxxxxxxx para identificar com melhor precisão os objetivos específicos que
esses clientes esperam;
Como mecanismo adicional de redução dos riscos da auditoria, sugere-se ainda
submeter o presente planejamento ao Especialista do xxxxxxx, para, se for o caso, sejam
apresentadas sugestões de correção e/ou inclusões de procedimentos neste Plano de
Auditoria. Esta foi também uma solicitação do Representante do XXXXXX, conforme
registro na Memória de Reunião realizada em 10/8/2011.

7. Definição do Perfil da Equipe Necessária Para a Fase de Execução

A equipe será composta por três Auditores de Controle Externo designados


para a realização da auditoria, a princípio suficientes para a realização das atividades de
auditoria das demonstrações financeiras.

Em função de prazo estipulado, da extensão dos testes a serem realizados e da


especificidade dos trabalhos a serem realizados, as atividades abaixo deverão ser
desenvolvidas com a participação de todos os membros da equipe de auditoria em tempo

54
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

integral, para que o prazo de envio das demonstrações financeiras do Contrato de


Empréstimo nºXXXXXXX, fixado em 30 de outubro de 2011, devidamente auditadas, seja
cumprido pelo XXXXXXX.

8. Estimativa de Recursos

Os recursos a serem utilizados pela auditoria serão aqueles ordinariamente a


disposição da Divisão de Auditoria de Programas e de Recursos Externos, como material
de expediente, computadores, máquinas fotográficas, transporte, etc.

9. Elaboração dos roteiros de procedimentos de auditoria

Os roteiros de procedimentos de auditoria estão anexados a este plano de auditoria,


exceto aqueles relativos à:

a) análise do cumprimento de cláusulas contratuais;


b) análise das demonstrações financeiras;
c) análise das aquisições;
d) análise dos desembolsos

Esses roteiros estão em elaboração, mas sua conclusão depende do recebimento do


termo de referência da auditoria a ser elaborado pelo Banco Mundial e a Coordenação
Geral do Programa XXXXXXXX do MUNICIPIO, e encaminhado a este XXXXXXX,
devido a necessidade da definição clara de todos os objetivos específicos da auditoria e dos
critérios de amostragem exigidos pelo XXXXXX.

Contudo, haja vista o prazo acordado para entrega do Relatório de Auditoria até 30
de outubro de 2011, os trabalhos de auditoria serão iniciados e concluídos utilizando-se os
critérios definidos na reunião realizada em 10 de agosto corrente, entre a 5ª ICE, o
XXXXXXX e a Coordenação Geral do Programa XXXXXXX, conforme Memória da
Reunião anexa a este Relatório de Levantamento Preliminar, caso o termo de referência
definitivo não chegue tempestivamente à este XXXXXXX, para que o MUNICIPIO não
venha a sofrer sanções por descumprimento de prazo contratual.

10. Anexos do Plano de Auditoria:

 Cronograma de Atividades
 Matriz de Planejamento
 Roteiro de Controle de qualidade do Comitê de Controle de Qualidade das
Auditorias do ....
 Roteiro de Avaliação do Sistema de Controle Interno do Programa
 Roteiro de Avaliação das Licitações realizadas exclusivamente com recursos do
Município
 Roteiro de avaliação dos registros, dos controles e da manutenção dos bens
adquiridos com recursos do Acordo de Empréstimo

55
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Observação: É importante ressaltar que todos os roteiros de verificação estarão em


constante revisão e atualização durante a execução da auditoria, haja vista ser a primeira
auditoria nesse contrato de empréstimo.

À superior consideração.

56
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 05 - Questionário de Avaliação do Ambiente de Controle:

Com colunas para avaliações da natureza do risco –operacional/informação/conformidade


e/ou por critérios de materialidade/relevância/desempenho/criticidade, bem como do
impacto daquela atividade (baixo/médio/alto) nos resultados da organização (modelo
conhecido também como matriz de risco).

Atividade Sim Não Natureza do Impacto


Risco*

1)As pessoas se sentem (*)Ver item a seguir.


controladas?

2) As delegações de
autoridade estão
acompanhadas de claras
definições de
responsabilidade?

3)Existem procedimentos
e/ou instruções de trabalho
padronizados?

4) Há planejamento para o
treinamento?

5) Se positivos, esses planos


atendem às expectativas e
necessidades do trabalho e
dos servidores de cada
Unidade?

6) Existe código formalizado


de ética/conduta?

7) Se o funcionário agir em
desrespeito ao código de
conduta, são tomadas
medidas disciplinares e/ou
punitivas?

8) Há mecanismos de
participação dos servidores
na elaboração das regras de
conduta?

9)Existe adequada segregação


de funções nas Unidades da

57
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

organização?

10) Existe um ambiente de


comunicação adequado e
eficiente?

58
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 06 - MATRIZ DE PLANEJAMENTO


SETOR:

Objetivo do Trabalho: Verificar os ...

Questão de Auditoria: As atividades realizadas pela ...

Ref Itens de Informações Dias


Critério Fonte Procedimentos Técnica Limitações Encarregado Referência
. Verificação Requeridas úteis

Data de Elaboração: Elaborado por: Supervisão:

59
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 07 - MATRIZ DE ACHADOS

SETOR:

Objetivo do Trabalho: Verificar os ...

Questão de Auditoria: As atividades realizadas pela ... estão de acordo com as exigências
da legislação pertinente?

Ref. Achados de Auditoria Critério Análises e Causas Efeitos Proposições Benefícios Referência
Evidências Esperados
1

Data de Elaboração: Elaborado por: Supervisão:

60
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 08 - Questionário de Avaliação e Gerenciamento dos Riscos:

Atividade Sim Não Natureza do Impacto


Risco

1) Os objetivos e metas da
organização se encontram
formalizados?

2) Foram identificados os
processos mais críticos?

3) Foram levantados e
diagnosticados os pontos de
falha dos processos?

4) Foram estimadas as
probabilidades de ocorrência
e/ou impactos dos riscos?

5) Existem ativos com risco


potencial?

6) Existem históricos de
perdas/fraudes internas?

7) Em caso positivo, houve


instauração de sindicância
e/ou ressarcimento?

8) Há controles adequados
em áreas críticas como
estoques/
compras/numerário?

9) São feitas contagens


físicas de estoques?

10) As atividades de guarda,


estoque e inventário são
regulamentadas ou
normatizadas na Unidade?

11) Existem riscos de


incêndio, desgaste,

61
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

obsolescência, perdas
previstos e monitorados?

12) Existem processos que


podem ser melhorados e/ou
priorizados?

Atividades de Controle

São aquelas atividades que, quando executadas dentro do seu tempo e de maneira
adequada, permitem a minimização e gestão dos riscos. Constituem-se em atividades de
prevenção ou de detecção. Citam-se as seguintes como principais:

1) Alçadas (prevenção):estabelecimento de valor máximo para um funcionário


aprovar valores ou assumir posições em nome da entidade - limites de alçadas
operacionais/estabelecimento de tetos de valores para tomada de decisões gerenciais;

2) Autorizações (prevenção):aprovação de uma atividade ou operação por uma


supervisão/chefia/gerência para que seja efetivada. A aprovação pode ser mecânica ou
eletrônica. Implica validação da transação e assegura que ela está em conformidade com as
políticas, procedimentos e legislação. O uso de senhas/autorização de acesso
físico/criptografia/certificação digital/assinatura digital/autenticação e outros mecanismos
de segurança lógica é imprescindível.

A confirmação da veracidade dos atos e fatos inseridos em sistemas


informatizados à vista dos devidos suportes documentais realiza-se por meio dos
mecanismos de certificação/validação de “conformidade” ou “consistência documental”.

3) Conciliação (detecção): é a confrontação da mesma informação com dados vindos


de bases diferentes, adotando-se as medidas corretivas, quando necessário;

4) Revisões de desempenho (detecção): acompanhamento de uma


atividade/processo para avaliação de sua adequação e/ou desempenho, em relação às
metas/objetivos pré-estabelecidos e aos benchmarks (referência/padrões/custo-padrão/custo meta
etc.), de forma a antecipar mudanças que possam afetar negativamente a Entidade.

5) Segurança física (prevenção e detecção): incluem-se nela controle sobre os


processos de inventário/proteção de ativos/controle de acessos/controles de entrada e
saída de funcionários/senhas para acesso aos sistemas informatizados/recursos de
criptografia etc;
6) Segregação de funções (prevenção): essencial para a efetividade dos controles
internos e, via de regra, a atividade de maior risco numa organização. Separar
adequadamente entre os funcionários as atividades de: contabilidade e conciliação,
informação e autorização, custódia e inventário, contratação e pagamento, administração de
recursos próprios e de terceiros, normalização e fiscalização;

62
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

7) Sistemas Informatizados (prevenção e detecção): organização e manutenção de


arquivos de segurança – back ups, arquivos de log do sistema, plano de contingência para
falhas ou quebra de segurança – invasão de hackers, sistema de validação de informações
com registros armazenados em banco de dados etc.;

8) Normatização interna (prevenção): definição das regras


internas/funcionamento/fluxos operacionais/funções/ responsabilidades e níveis de
autoridade e alçadas/manuais de treinamento/instruções técnicas e procedimentos de
trabalho.

63
MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

Modelo 09 - Questionário de Avaliação das Atividades de Controle:

Atividade Sim Não Natureza do Impacto


Risco

1) Existem normas internas de


procedimentos/processos de trabalho
explicitamente definidos?

2) Essas normas são de conhecimento


dos servidores?

3) As funções/atividades estão
adequadamente segregadas nas
Unidades?

4) As compras de mercadorias são


centralizadas?

5) Existe uma cultura de planejamento


junto às áreas requisitantes de forma a
otimizar a programação das
aquisições?

6) As delegações de autoridade estão


acompanhadas de claras definições de
responsabilidade?

7) O sistema de processamento de
informações é seguro e confiável?

8) Existem normas/orientações
escritas para realização de
contratações, subordinadas aos
ditames legais?

9) Existe revisão independente nos


processos de pagamento/autorizações
de despesa/emissão de empenhos?

10) Foram identificados casos de


desvio/fraude/suborno/corrupção?

11) Em caso positivo, foram tomadas


atitudes punitivas e/ou instauração de
sindicância e/ou medidas disciplinares?

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MANUAL BÁSICO DE SISTEMA DE CONTROLE INTERNO MUNICIPAL

12) São estabelecidos critérios técnicos


(lei de Licitações) para aquisição de
equipamentos e bens de capital?

13) A Entidade apresenta


planejamento gerencial com
estabelecimento de metas e/ou
diretrizes?

14) A administração propôs o


estabelecimento de padrões de
desempenho/atuação/aferição da
qualidade dos serviços prestados?

15) A Unidade têm Auditoria Interna


(ou órgão específico)?

16) Existem procedimentos de


segurança para acesso de informações
e utilização de aplicativos de
conformidade?

17) Existe um centro de custos e/ou


responsabilidade para levantamento de
dados/avaliação de custos e dos
resultados dos programas/serviços
e/ou bens oferecidos pela
administração?

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