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2019­1­24 Contrarrazões | Como elaborar uma boa peça de contrarrazões de recurso

Advocacia Criminal Artigos

Como elaborar uma boa peça de contrarrazões de


recurso
Bruno de Mello  • 24 de janeiro de 2019  5 minutos de leitura

Como elaborar uma


boa peça de
contrarrazões de
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recurso
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Cobrada no último
Cinema Em Casa exame da Ordem, de
número XXVII, as
contrarrazões de

ABRIR Apelação, por


exemplo, devem ser
elaboradas com muita
cautela, pois o advogado deve atacar tese por tese que foi apresentada
pela parte contrária, no caso o Ministério Público.

Para tanto, deve o advogado manter-se sempre muito bem atualizado,


tanto doutrinariamente como jurisprudencialmente, para ter êxito em seus
pedidos e, com isso, não prejudicar a situação de seu cliente.

Na última prova da Ordem, foi trazida uma situação hipotética muito


interessante que foi o caso de dois indivíduos que se conheceram dois
dias antes de suas prisões em ퟢ�agrante e, na ocasião da prisão,
confessaram que a droga apreendida era sim para comercialização, ou
seja, tinham o 韛�to de mercancia.

Foram condenados e a defesa se resignou com a decisão, mas o


representante do parquet não e, então, apresentou recurso de Apelação
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tempestivamente.

Contrarrazões de Apelação
Portanto, a peça a ser apresentada é a de Contrarrazões de Apelação ou
Razão do Apelado, no prazo de 8 dias, devendo a mesma ser endereçada
ao juízo a quo, prolator da sentença, magistrado de piso (com muitos hoje
têm simpatia na pronúncia), porém  requerendo o encaminhamento para o
Tribunal de Justiça (juízo ad quem), para apreciação das razões.

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No caso apresentado na recente prova da Ordem, o representante do


Ministério Público Estadual apresentou as seguintes teses:


a) nulidade da instrução, porque o
interrogatório não foi o primeiro ato, como
prevê a Lei nº 11.343/06;

b) condenação do réu pelo crime de


associação para o trá韛�co, já que ele estaria
agindo em comunhão de ações e desígnios
com o adolescente no momento da prisão, e o
Art. 35 da Lei nº 11.343/06 fala em
“reiteradamente ou não”;

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c) aumento da pena-base em relação ao crime


de trá韛�co diante das consequências graves que
vem causando para a saúde pública e a
sociedade brasileira;

d) afastamento da atenuante da con韛�ssão, já


que ela teria sido parcial;

e) afastamento da causa de diminuição do Art.


33, § 4º, da Lei nº 11.343/06,
independentemente da condenação pelo crime
do Art. 35 da Lei nº 11.343/06, considerando
que o réu seria portador de maus antecedentes,
já que responde a ação penal em que se imputa
a prática do crime de furto;

f) aplicação do regime inicial fechado, diante da


natureza hedionda do delito de trá韛�co;

g) afastamento da substituição da pena


privativa de liberdade por restritiva de direitos,
diante da vedação legal do Art. 33, § 4º, da Lei
nº 11.343/06.

Posto isto, como dito, o advogado deve atacar tese a tese, ponto a ponto,
item a item, do que foi alegado pelo MP, para que a situação de seu cliente
não venha a ser agravada.

Então, vamos lá…


1) Ab inito, não há que se falar em nulidade da instrução, pois, ainda que
haja  Procedimento Próprio, previsto na Lei 11.343/06, em seu art. 57,
prevendo que o interrogatório seja  o primeiro ato, não há qualquer
nulidade quando o interrogatório é realizado ao 韛�nal, como último ato;
senão vejamos:

A um, pelo fato do próprio Código de Processo Penal ter sido alterado em
2008, passando o interrogatório a ser realizado como último ato, sendo
que anteriormente era previsto como primeiro;

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A dois, tanto a doutrina como jurisprudência, de forma ampla e


majoritária, entendem que deve ser sim o último ato, para a máxima do
Contraditório e Ampla Defesa. Na prática, na grande maioria das vezes é
assim que é feito.

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Na esteira, para alegação de nulidade, deve-se demonstrar efetivo prejuízo,


no primeiro momento em que tiver oportunidade de se manifestar, ou seja,
deveria o promotor exteriorizar tal alegação em sede de alegações 韛�nais e
não apelação;

2) Quanto ao pedido de condenação por Associação ao Trá韛�co, tal


sustentação é totalmente descabida, pois o entendimento vastamente
paci韛�cado, tanto doutrinariamente quanto jurisprudencialmente, é que:
para caracterização da Associação é imprescindível que 韛�que
demonstrada a vontade de permanecer associado, ainda no que pese a
conduta descrita ser “reiteradamente ou não”, é o que se chama de
societas sceleris, devendo o advogado requerer a rati韛�cação da
absolvição por este delito.

Na situação hipotética apresentada pelo prova, tanto Joao quanto


Marcelo a韛�rmam que se conheceram um dia antes da prisão em ퟢ�agrante,
o que garante e assevera que não havia intenção de estabilidade e
permanência.

3) Com relação ao aumento da pena-base no que tange ao delito de


trá韛�co, esta não deve prosperar, pois absurdamente alega o MP, sendo
uma completa incoerência, ou quem sabe uma alegação aberrante,
juridicamente falando, que o crime de trá韛�co atinge a saúde pública;

Ora, trata-se do próprio bem jurídico tutelado, bem jurídico protegido, é


exatamente o que atinge, afeta, alcança, o crime de trá韛�co de drogas,
tratando-se de claro e evidente bis in idem, caso o magistrado
aumentasse a pena base por esta alegação;

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4) Na quarta tese apresentada, o representante do parquet manifesta-se


pela não redução da pena pela con韛�ssão, pois esta foi parcial. Pois bem…
Tratemos, então. da con韛�ssão…

A con韛�ssão é tida como atenuante genérica, prevista no art. 65, Inciso III,
alínea “d” do Diploma Legal. A con韛�ssão, ainda que parcial ou a chamada
“con韛�ssão quali韛�cada”, quando o agente confessa ser o autor, porém
estaria acobertado por alguma justi韛�cante (ter agido sob o manto de
alguma excludente de ilicitude, aquelas previstas no art. 23 do CP), deverá
ser reconhecida pelo juiz, tanto é assim que o STJ entendimento
sumulado, de nº 545, prevendo que toda vez que a con韛�ssão for valorada
pelo magistrado na sentença, deverá ser reconhecida a atenuante em
comento.

Na situação apresentada pela banca, 韛�cou claro que o juiz valorou ou


valorizou o fato do réu a韛�rmar que o material seria destinado à mercancia;

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5) Por 韛�m, em suas 5ª, 6ª e 7a teses de razões, alega o representante do


MP que deveria ser afastada a diminuição de pena, aquela prevista no §
4º, do art. 33, da Lei respectiva lei de drogas, em razão do réu ser portador
de maus antecedentes.

Todavia, é possível extrair das informações apresentadas que o réu


apenas responderia por ação penal de furto, mas sem qualquer
condenação; posto isto, não há que se falar em maus antecedentes, sob
pena de violação da Súmula 444 do Superior Tribunal de Justiça, ainda
que por aplicação analógica, pois o referido entendimento se traduz em
não poder ser considerado como maus antecedentes o simples fato de se
responder a inquéritos policiais ou ações penais ainda em curso, sem
qualquer condenação transitada em julgado, impossibilitando assim o
aumento da pena-base.

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Com efeito, em consequência, deveria ser mantido o regime inicial aberto,


não somente em decorrência do entendimento do STF que o Trá韛�co-
Privilegiado não é delito etiquetado como hediondo e, sendo assim,
possível a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos; mas, ainda que fosse assim considerado (crime hediondo), não
haveria qualquer óbice em ser decretado o regime inicial aberto, sob pena
de completa inconstitucionalidade por afronta e ofensa ao princípio da
individualização da pena.

Ex positis, deverá ao 韛�nal de suas contrarrazões, requerer a mantença da


sentença em seu inteiro teor, devendo o candidato na prova datar sua
peça do dia 13 de novembro de 2018, pois como já trazido logo no inicio
desses comentários, o prazo fatal é de 8 dias, e como de praxe, o
examinando deve sempre datar no último dia do prazo, que se inicia no
dia seguinte após a intimação, que ocorreu no dia 05 de novembro de
2018, numa segunda-feira.

Tanto na prova da Ordem, quanto na prática, o candidato deve sempre se


manter atentos aos prazos, pois tal erro crasso é inadmissível a um
pro韛�ssional da área.

Estudem, não percam tempo!

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