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REIA- Revista de Estudos e Investigações Antropológicas, ano 3, volume 3(2):129-161, 2016

O caminho teórico-metodológico das teorias do Self, dos Processos Intersubjetivos


e da Cultura Emotiva: Crise e Reinvenção nas Ciências Sociais a partir da
categoria analítica emoções

Mauro Guilherme Pinheiro Koury1

Resumo: Este ensaio aborda o caminho teórico-metodológico das teorias do Self, dos
Processos Intersubjetivos e da Cultura Emotiva, passando pelos Clássicos das Ciências
Sociais e enfatizando a virada epistemológica conhecida na Academia mundial como
segundo deslocamento da Antropologia. A partir dos anos de 1970 verifica-se uma crise
dos modelos funcionalistas, estruturalistas e estrutural-funcionalistas para a explicação
do indivíduo, da cultura e da sociedade, - tidos como universalistas, essencialistas e,
consequentemente, imperialistas e etnocêntricos. Estes modelos de apreensão da
alteridade são radicalmente combatidos e substituídos por modelos subjetivistas,
compreensivos, interacionistas e simbólico-interacionistas de análise do jogo social e de
seus processos, agora pensados como indeterminados, tensionais e criativos. Neste
contexto, despontam conceitos de análise como prática, práxis, self, processo, ação,
interação, subjetividade, cotidiano, experiência e outros, cuja síntese e aprofundamento
teórico-metodológico caminharam para o desenvolvimento da categoria analítica
emoções como momento central de estabelecimento de uma Antropologia e uma
Sociologia das Emoções. Palavras-chaves: Crise e reinvenção nas Ciências Sociais,
ruptura epistemológica dos anos 1970, Emoções, Emoções nos Clássicos das Ciências
Sociais, Antropologia e Sociologia das Emoções

Abstract: This essay approaches the theoretical-methodological path of theories of Self,


Intersubjective Processes and Emotive Culture, passing through the Classics of Social
Sciences and emphasizing the epistemological turn known in the World Academy as the
Second Displacement of Anthropology. From the 1970s onwards there was a crisis of
functionalist, structuralist and structural-functionalist models for explaining the
individual, the culture and the society – these models were classified as universalist,
essentialist and, consequently, imperialist and ethnocentric. These models of
apprehension of the Alterity were radically countered and replaced by subjectivist,
comprehensive, interactionist, and symbolic-interactionist models of social game
analysis and its processes, now thought as being indeterminate, tense, and creative. In
this context, concepts of analysis such as practice, praxis, self, process, action,
interaction, subjectivity, daily life, experience and others emerged, whose synthesis and
theoretical-methodological deepening lead towards the development of the analytical
category emotions as a central moment of establishment of an Anthropology and a
Sociology of Emotions. Keywords: Crisis and reinvention in the Social Sciences,
epistemological rupture of the 1970s, Emotions, Emotions in the Classics of Social
Sciences, Anthropology and Sociology of Emotions

Este ensaio apresenta uma época de crise epistemológica nas ciências sociais que
balizou novos quadros interpretativos e surgimento de novas áreas. Uma delas a
1
É antropólogo, professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade
Federal da Paraíba, Brasil. Coordenador do GREM – Grupo de Pesquisa em Antropologia e Sociologia
das Emoções da mesma universidade. Editor da RBSE – Revista Brasileira de Sociologia da Emoção,
http://www.cchla.ufpb.br/rbse. maurokoury@gmail.com.
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antropologia e a sociologia das emoções, em que o conceito de emoções foi eleito como
uma categoria de entendimento capaz de apreender a noção de humano e de sociedade
como um todo, e com consequências metodológicas para a pesquisa nas interrelações
sempre tensas entre indivíduo, cultura e sociedade.
A antropologia e sociologia das emoções emergem e iniciam o seu processo de
consolidação como campos disciplinares específicos a partir da década de 1970.
Durante os finais dos anos de 1950 e os anos de 1960 foram sendo elaboradas críticas à
lógica linear das análises sociais de cunho mais estrutural que relegavam para o segundo
plano a ação social individual: os atores sociais e sua vida emocional (Milton & Svasek,
2006).
Estas críticas estabeleceram novas formas de olhar para o objeto. Revigoraram
também as perspectivas teóricas e metodológicas que enfatizam o processo analítico da
subjetividade como fonte e forma de expressão e construção social (Ortner, 2011).
Os processos analíticos novos, oriundos deste movimento de crítica, partem do
pressuposto da necessidade de uma atenção maior para as categorias do self com relação
à formação, consolidação e movimento das estruturas sociais (Koury & Barbosa, 2016).
Enfatizam o estabelecimento de canais entre as dimensões micro e macros sociais
(Olesen, 2006), e a necessidade de entender os fenômenos emocionais como centrais às
análises antropológicas e sociológicas no seio das ciências sociais.
Um novo campo analítico no interior das ciências sociais, nas áreas disciplinares
da sociologia e da antropologia é aberto. Este novo campo, deste então, amplia o debate
no interior das ciências sociais como um todo, e agenda contatos com Outros campos
analíticos no seu interior.
Até que ponto a cultura e a sociedade modulam a expressão e a experiência
emocional? Será que as emoções são inteiramente um constructo sociocultural? São
questões que perpassam o debate teórico-metodológico na procura de delimitar um
campo próprio no interior das ciências sociais e, aqui, particularmente, das disciplinas
antropologia e sociologia, para se pensar a antropologia e sociologia das emoções.
A preocupação teórico-metodológica que norteia os debates é conflitual, e
referencia os fatores sociais que influenciam a esfera emocional, e até onde vai esta
influência. Para alguns autores, as emoções são afirmadas como processos
eminentemente sociais, não cabendo sequer a questão teórica de que as emoções não
sejam socialmente construídas.
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Afirmam que as emoções não podem ser entendidas como um estado interno do
sujeito, nem tampouco que seja puramente um produto das suas próprias ações
individuais. Aduzem que faz parte da análise antropológica e da análise sociológica
considerar a definição da situação por parte do ator social imerso em uma cultura
emocional particular.
É na relação com os Outros que um ator constrói as suas narrativas, com o tom
de uma interpretação completamente pessoal. O conflito emocional não nasce de
estados interiores de ambivalência, mas, de contextos sociais, eles próprios,
ambivalentes e conflituais.
A compreensão de um processo cultural e social mais vasto permite demonstrar
os caminhos de formação de uma curva de vida particular e permite, também,
compreender os impasses e as conquistas vividas e sentidas como individual: como
fazendo parte do privado, particular e único. Um indivíduo, assim, pode pensar as
emoções de uma maneira própria, e essa maneira única ter sido construída e constituída
cultural e socialmente. O que a torna possuidora de significados no contexto cultural e
social em que foi por ela experimentada.
É em uma cultura emocional, em um tempo e de um espaço determinado, que os
indivíduos se provêem com conceitos simbólicos, linguísticos e comportamentais
(Koury, 2009; 2004). Conceitos estes com os quais dão sentido às próprias emoções. As
situações emocionais são inscritas dentro de modelos relativamente contínuos e
duradouros de relações sociais.
Para a antropologia e a sociologia das emoções, as emoções são sentimentos
dirigidos diretamente aos Outros e causados pela interação com os Outros, em um
contexto e situação social e cultural dados.
As relações entre pessoas, instituições, grupos e sociedades e os sentimentos
associados são, ao mesmo tempo, produtos e produtores dos processos de interação.
Processos compostos por um complexo de gestos, sinais, movimentos corporais e
simbólicos, integrantes de uma mesma ação comunicativa; Junto e concomitante a
relações, experiências e sentimentos culturais e sociais mais amplos, compartilhados.
A experiência emocional é constituída, deste modo, pelas redes de
compartilhamento e pela interligação às diversas interconexões de um mesmo ato
corporal e social sentidos como único e, ao mesmo tempo, cumulativo.

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A antropologia e sociologia das emoções partem do princípio de que as


experiências emocionais singulares, sentidas e vividas por um ator social específico, são
processos relacionais entre os indivíduos, a cultura e sociedade. Estas experiências
traduzem as alianças produzidas, levando em conta as normas sociais, os costumes, às
tradições e as crenças ou convicções em torno das próprias emoções.
Os conteúdos simbólicos e as práticas culturais de contextos sociais específicos
promovem determinadas emoções, ao mesmo tempo em que negam, restringem ou
impõem interditos a outras, a partir das interações contínuas e constantes entre os
sujeitos relacionais nas trocas sociais.
A antropologia e sociologia das emoções procuram ir além do que um ator social
sente em certas circunstâncias, ou com relação às histórias de vida estritamente pessoal.
Elas partem do subjetivo que movimenta o ator social à ação, mas, não se restringem ao
estritamente subjetivo, e sim, às formas relacionais que assumem as ações sociais
quando direcionadas objetivamente para Outro. Outro que as recebe e as reorganiza em
forma de uma nova ação e das alianças possíveis, como resultados da troca ou de
diferentes situações dispostas no movimento interacional.
Os atores da relação atuam, assim, no interior de processos subjetivos, e
projetam interesses, desejos e valores na interação. Tais interesses e valores são
emocionalmente avaliados pelas partes em troca, partes estas que já detêm, direta ou
indiretamente, dados sociais e culturais das projeções lançadas por cada um dos
parceiros da relação, como uma espécie de etiqueta ou moldura informacional de
códigos emocionais, cultural e socialmente satisfeitos.
O que influencia os projetos e vivências emocionais dos sujeitos sociais em
relação, através de um imaginário social fluido, de um dado contexto socio-histórico.
Imaginário que perpassa o conjunto do social e indica uma experiência social
acumulada, e vivenciada como experiência emocional única por cada um dos diversos
atores em interação.
As experiências emocionais envolvidas no jogo interacional, portanto, trazem
em si um padrão sociocomunicacional, como um tipo de escritura cultural e socialmente
correlacionada. As análises antropológicas e sociológicas das emoções se propõem a
compreender, de um lado:
1. Até que ponto sentir certas emoções e expressá-las de certo modo e não de
Outro estaria ligado às formas instituídas e instituintes de um social dado?
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E, de outro lado, e de forma concomitante:


2. Até que ponto e como as experiências emocionais de um sujeito singular
ampliam a rede imaginária e instituinte de uma realidade sociocultural qualquer,
impelindo o sujeito e a realidade sociocultural a uma revisão e recriação constante e
sempre singular do seu conteúdo e de suas formas?
O conflito entre as formas instituintes e instituídas culturalmente, que baseiam a
memória social das emoções, e as formas subjetivas e singulares da vivência e da
memória emocional dos parceiros em troca, em um contexto cultural e social dado,
produziriam juntas a problemática e o objeto da análise antropológica e sociológica das
emoções.
Os estudos das emoções fundamentam um campo de reflexão que procura
revigorar as análises antropológicas e sociológicas a partir da problemática da
intersubjetividade. Desde sua criação moderna a antropologia e a sociologia, têm se
voltado para as bases subjetivas da ação cultural e social.
Embora recentes, enquanto subáreas específicas, a sociologia e a antropologia
das emoções possuem uma longa história analítica e um diálogo profundo com as
tradições teórico-metodológicas do campo disciplinar mais amplo, de onde erigiram.
A antropologia e a sociologia das emoções por fim, estão em um diálogo
permanente entre si, e com outras disciplinas afins, como forma de aprimoramento
conceitual e melhor alcance analítico.
No próximo bloco se montará um breve cenário da crise paradigmática nas
ciências sociais nos Estados Unidos de onde emergiu, entre outras temáticas, a
antropologia e a sociologia das emoções, e, após, se fará um balanço dos autores
clássicos da análise das ciências sociais, em busca das emoções ou de sua sublimação
ou ausência em suas análises. Neste balanço se procurará compreender como estes
autores sentiram e trabalharam a questão das emoções em suas análises, ou porque não
o fizeram. Balanço necessário no processo de consolidação de uma antropologia e de
uma sociologia das emoções como área disciplinar no seio das ciências sociais
contemporâneas.

Cenário da crise nas Ciências Sociais dos anos de 1970


Como vimos anteriormente, a Antropologia e a sua congênere Sociologia das
Emoções se constituíram como subáreas de conhecimento das disciplinas antropologia e

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sociologia, no seio das ciências sociais, resultado de um longo processo iniciado na


academia (e nas ruas) dos Estados Unidos, nos anos de 1970 (Koury, 2014).
Processo que se convencionou chamar de Crise e Ruptura Epistemológica nas
ciências sociais, especificamente, na antropologia e na sociologia, de então. Processo
rico e de consequências para o bem e para o mal na edificação dos projetos e projeções
das duas áreas científicas nos Estados Unidos e no mundo.
As bases da crise e os cenários construídos e os seus resultados se constituíram
com base na discussão tensa sobre o enfoque da subjetividade versus da objetividade
nas ciências sociais, conforme pode ser visualizado no quadro abaixo:

Subjetividade > O Outro como diferença >


Subjetividade
Indivíduo/Sociedade/Cultura
Ciências Sociais
Objetividade > O Outro como universal > Indivíduo/
Objetividade
Sociedade

Subjetividade
O Outro como diferença constitui a possibilidade do social e da cultura. É pelo e
através do Outro que se constitui a possibilidade de um social. Os sentidos e os
significados são constituídos e construídos no interior das relações entre indivíduos
diferentes.
As conformações societárias e culturais se formam através dos compromissos
que os indivíduos em relação tecem e moldam entre si, estabelecendo modos de vida,
sentidos, projetos.
A indeterminação social é o elemento chave para se pensar uma organização
social e cultural em processo. A compreensão, para a análise simmeliana e weberiana é
o modelo de apreensão do real. Real sempre visto como construção, e como
aproximação do objeto estudado.

Objetividade
O Outro como universal responde aos princípios de racionalidade societária
sobre os indivíduos. A sociedade e a cultura moldam os Indivíduos Sociais a partir de
uma racionalidade específica, sui-generis, como resposta às necessidades humanas.
Existem formas diferentes de estruturação do social a partir das respostas sociais
e sua adaptação ao meio, tais como: o Funcionalismo, o Estruturalismo, o Funcional-
Estruturalismo, o Marxismo, entre outras, mas todas trazem em si os significados
precisos de sua formação (especificidade) e do conjunto das sociedades em processo

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evolutivo e em determinadas etapas desta evolução. Nelas a determinação social é a


chave analítica, e a explicação o seu modelo de análise do real, real como verdade.

Indeterminação
A verdade científica é sempre relativa, produto de questões relevantes como
aproximação do real constituído e estudado. Nos Estados Unidos esta forma de
apreensão do real esta presente nas primeiras conformações científicas, entre os anos de
1880 a 1930, seja na Antropologia Cultural americana; seja nas análises da Escola de
Chicago (Interacionismo/Interacionismo Simbólico), seja, ainda, na
Alemanha/Inglaterra na síntese eliasiana dos anos de 1930, da sociedade como redes
instáveis e em constante conformação e reconfiguração (Elias, 1990, 1993 e 1994)2.

Determinação
A verdade científica encontra-se possível de ser estabelecida através das
instâncias da organização societária: costumes, rituais, valores, formas de classificação,
etc.
A Síntese Parsoniana comandou a análise das ciências sociais americanas na
Antropologia e na Sociologia, e mundial, dos anos de 1940 a 1970. Em sua busca de um
modelo integral para se pensar o social e a relação entre indivíduo e sociedade, a síntese
parsoniana buscou unir diversas disciplinas científicas, sob o comando da sociologia.
Essa união ou integração permitiria uma análise interdisciplinar, e integrada
entre a sociologia (a organização e a estrutura do social), a antropologia (processos
culturais), a psicologia (estrutura mental e psíquica dos indivíduos em sociedade), a
economia (as formas de consumo e disciplinamento das necessidades humanas), e a
política (as formas de organização política e do estabelecimento das relações entre
Estado e sociedade).
Esta integração permitiria a superação da dicotomia indivíduo e sociedade. A
síntese teórica parsoniana unia as análises de Durkheim, Weber e Pareto, fundando uma
forma de explicação denominada de estrutural-funcionalismo.

0s anos de 1970 nos estados unidos


Clifford Geertz, de formação parsoniana, parte da definição de cultura como
ethos e como expressão de modos de vida e das formas de organização do social. Sua

2
Lembrar que Norbert Elias foi um autor esquecido do grande público e da academia mundial. O autor
(Norbert Elias) e a sua obra começaram a sair desse anonimato involuntário e foram, por assim dizer,
‘redescobertos’ a partir do final dos anos de 1970.
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convivência e aceitação da teoria parsoniana para a antropologia foi muito longa,


perdurando dos anos de 1950 até idos dos anos de 1970 (Geertz, 2012).
Em 1970, rompe com Parsons, e critica a teoria parsoniana. Faz opção pela linha
interpretativa. Cultura como bem simbólico e possível de compreensão pelos
significados expressos nos rituais e tramas erigidos pelas sociedades e culturas (valor
signo) (Kuper, 1978, 2002).
Critica a objetividade parsoniana e a razão social inerente à teoria parsoniana
de papéis sociais. Promove uma releitura de Weber e adota a análise compreensiva pela
interpretação. E se torna um dos gurus do movimento de ruptura epistemológica em
ação na academia americana dos anos de 1970 (Ortner, 2011).

Os Anos de 1970 a 1990


São anos de crítica severa ao objetivismo da análise funcional e estruturalista
predominante nas ciências sociais. Processo em que se denuncia o colonialismo das
ciências sociais, e, especificamente, o colonialismo antropológico (Ortner, 2011).
Junto a critica ao objetivismo e colonialismo das ciências sociais, se desenvolve
também a crítica à sociedade capitalista e ao capitalismo. E a crítica ao sistema
individualista gerado pelo capitalismo. E no interior desse ceticismo a denúncia ao
sistema de exclusão e inclusão social da sociedade capitalista.
Nesses anos, a idéia do Outro como manipulado pelas ciências sociais e,
sobretudo, pela antropologia, feita pelos antropólogos e demais cientistas sociais, é
radicalizada. O Outro é descoberto próximo do próprio analista, isto é, o Outro está ao
seu lado. Esse processo faz com que o olhar do pesquisador se volte para a própria
sociedade.
Essa descoberta faz aflorar um apoio aos Outros invisíveis na sociedade em que
se vive, bem como, um esforço de participação e apoio às diversas manifestações
sociais pela cidadania e direitos: como os movimentos étnicos; feministas,
homossexuais, ao movimento anticolonialista (dentro e fora da sociedade americana –
denúncia à exclusão social dos imigrantes e das bases de sujeição social das culturas não
capitalistas (Olesen, 2006; Ortner, 2011, Koury & Barbosa, 2016).
Vários caminhos teórico-metodológicos e críticos foram revistos e criticados ou
aceitos. Entre os novos caminhos revistos ou descobertos se encontravam, a análise
crítica do marxismo e uma busca pela recuperação da idéia de prática e de práxis
(Ortner, 2011), a Teoria da deconstrução de Derrida e Deleuze, (Clifford e Marcus,
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1984), a Teoria dos micropoderes, e uma leitura aprofundada de Foucault (Ortner, 2011;
Olesen, 2006), a redescoberta dos Interacionistas, principalmente George Mead, e das
análises de Georg Simmel e Gabriel Tarde. Abordagens que foram aplicadas,
principalmente, nos: estudos de gênero (movimento feminista; movimento
homossexual); nos estudos de etnicidade; e nos estudos anticoloniais. Mas, também, nos
estudos sobre emoções e sociabilidade.
Neste período de grande revolução epistemológica das ciências sociais e da
antropologia, houve uma ampliação do sentido da experiência e do sentido e valor
individual e coletivo da experiência como fundamento analítico, através da relação entre
pesquisador e pesquisado; da Pesquisa como troca de informação entre analista e
analisado; da análise da fragmentação do social e do cultural na modernidade das
sociedades ocidentais (Fabian, 2013); e nas discussões sobre os sentidos e significados
da análise antropológica na pós-modernidade.

A análise deconstrutivista
Cabe aqui um destaque para o movimento antiacadêmico na academia americana
conhecido pela nominação writing culture (Clifford & Marcus, 1984). Nesse
movimento se realiza uma crítica aguda à possibilidade de interpretação e da
possibilidade de entendimento dos sentidos do Outro cultural.
A discussão sobre a impossibilidade de apreensão e compreensão reflexiva da
alteridade radical foi bastante importante para o movimento Writing Culture, nos anos
1980, nos EUA. Este movimento, que contou com autores e intelectuais como Vicent
Capranzano, George Marcus, James Clifford, Renato Rosaldo, Michel Fisher, Paul
Rabinow e outros, entendia a antropologia como exercício autoral sobre o outro e sobre
as experiências de campo, de modo que seus experimentos conduziram o modo
processualista de fazer etnográfico ao extremo da criatividade e da literaridade. Neste
sentido, ver a discussão de Fabian (1983) sobre a crise epistemológica e hermenêutica
que marca o segundo deslocamento da Antropologia nos EUA.
Nele também se radicaliza de forma extremada a idéia de conhecimento do
Outro. O Outro é sentido e diagnosticado como impossível de ser identificado e
compreendido. O Outro é criticado, em sua visão capitalista, e na visão imperialista das
ciências sociais como um ser a-social.

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O writing culture, em seus ensaios de ruptura com a tradição antropológica e das


ciências sociais de então diagnostica o fim da antropologia enquanto ciência, e enquanto
ciência imperialista. Para este movimento o autor deverá passar a ser um ficcionista.
A análise antropológica nada mais é, assim, do que uma obra de ficção, onde
cada autor é único e fala sobre si mesmo e suas experiências.
Os diversos caminhos para o Outro nos movimentos da crise dos anos de 1970:
O Outro como experiência radical torna-se impossível de ser compreendido. Cada
indivíduo, nesta forma de compreensão, é uma mônada, em última instância. Cada
cultura, portanto, elabora um sentido compartilhado de homem, possível de ser
compreendido apenas pelos seus participantes; mesmo assim, via coações (onde o
desvio mostra a impossibilidade de atingir o Outro em sua plenitude).
Apenas se pode inferir sobre o Outro quando se experimenta um processo
semelhante ou a ele se assemelha. Por exemplo, a teoria e o método dos estudos
feministas radicais, afirmam que os estudos sobre o sexo feminino só pode ser feito por
mulheres, por quem vive/viveu a opressão e as condições de vida de uma mulher em
uma sociedade dada (Groux, 2010; Fine, 2006). Por fim, o Outro visto como diferença a
partir da interrelação entre cultura objetiva e cultura subjetiva (Simmel), formando
campos e redes de significados e construindo sociabilidades sempre tênues e tensas.
Campo teórico-metodológico assumido, entre outros, pela antropologia e pela
sociologia das emoções, e pela vertente interacionista da antropologia urbana.

A análise micropolítica e a análise interacional


Estas análises foram, principalmente, adotadas em uma das vertentes do
movimento que gerou a antropologia e a sociologia das emoções (Lutz & White, 1986;
Abu-Lughod & Lutz, 1990; Rezende & Coelho, 2010). Bem como por uma das
vertentes que se dedicou ao estudo das sociedades complexas e a antropologia urbana
(Ortner, 2011; Velho, 1981).

Revisão dos Clássicos


Após esse preâmbulo, onde se buscou situar o clima dos anos de 1970 e
seguintes nas Ciências Sociais e, sobretudo, na Antropologia dos Estados Unidos
passaremos a uma discussão sobre o momento seguinte da crise, o momento de retorno
as bases da tradição e uma releitura da tradição das ciências sociais – antropologia e

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sociologia, especificamente, - como busca de consolidação de novas áreas temáticas e


novos campos de saber situados.
Neste ensaio, a partir de agora, me situarei nos espaços da antropologia e da
sociologia das emoções. Retomarei os clássicos das ciências sociais, repassados pela
antropologia e sociologia das emoções, tentando discutir neles os impasses da relação
entre emoções, indivíduo e sociedade e estabelecer uma ponte para a categorização do
campo das ciências sociais das emoções e das emoções como categoria central de
análise. Por fim, se tentará verificar a expansão da antropologia e a sociologia das
emoções e a sua busca de consolidação
Neste item farei um balanço de alguns autores clássicos às ciências sociais. Entre
Outros serão referenciados autores como Malinowski (1927, 1924), Durkheim (1996,
1996a, 1970, 1967), Marcel Mauss (1980, 1974, 1974a, 1974b, 1974c), Marx (1982,
1986, 2004), Halbwachs (2009), Simmel (1959, 1959a) e Weber (2001, 1981, 1974,
1972), para verificar como eles lidaram com as emoções e os processos emotivos em
sua obra. Tem-se como questão a de que, apesar de uma visão objetivista e racionalista
que assumia as disciplinas antropologia e sociologia como ciências, mesmo que de um
modo de tangencial, estes autores nunca deixaram de conceder importância à esfera
emocional.
Este ponto, ou descoberta posterior a crise epistemológica dos anos de 1970, foi
o caminho encontrado para a costura das rupturas à tradição feita pelas novas gerações
que se rebelaram com as bases em que estavam assentadas as ciências sociais e,
principalmente, no interior das disciplinas cientificas antropologia e sociologia. Foi uma
forma de re-adentrar na tradição das ciências sociais e consolidar os novos caminhos
teóricos e metodológicos abertos na tradição das ciências sociais, aqui, particularmente,
da antropologia e da sociologia das emoções.
Para os clássicos, a categoria emoções sempre foi vista como uma espécie de
fundamento implícito da instituição societária e esteve sempre presente como pano de
fundo para a discussão sobre as relações entre os indivíduos, suas paixões e
sentimentos, e a sociedade. As emoções foram sentidas como o palco por onde se
expressariam os processos relacionais de uma sociabilidade específica, e de onde se
referenciavam os anseios, os projetos, as configurações, o arremedo simbólico, a rede de
intercâmbios, as formas de controle e as mudanças sociais.

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Durkheim, por exemplo, desde as Regras do Método Sociológico já informa que


um indivíduo em ação, seguindo regras, manejará de modo específico essas regras no
cumprimento de sua ação: nesse momento assegura a especificidade da conduta
individual na ação fundamentada nas regras sociais.
A perspectiva geral dos clássicos corresponde a um ambiente social influenciado
pelos efeitos das transformações ocorridas na modernidade ocidental do final do século
XIX, e das primeiras décadas do século XX, com a emergência do individualismo e do
indivíduo moderno, a consolidação e expansão do capitalismo e a chamada revolução
científica.
Satisfaz a uma concepção que considera a racionalidade e a emocionalidade não
apenas diferentes, mas, como formas opostas de se relacionar com o mundo na ordem
individual, e na esfera global e histórica. O encontrar as condições de produção da
identidade moderna em formação, foi o ponto de partida comum que norteou as
reflexões dos clássicos, apesar de diferenças de enfoques e perspectivas teóricas e
metodológicas.
Malinowski (1924, 1927) apesar do interesse pela noção de Complexo de Édipo
em Freud, e adotando a ideia de ambivalência emocional freudiana, descartou a imagem
de um universalismo psicológico e instaurou em seu lugar a ideia de um universalismo
da cultura, com respostas diferenciadas as necessidades locais. Transformou, assim, a
noção de cultura no conceito chave da análise antropológica.
A cultura funda os indivíduos, que são inconscientes de suas regras, embora que
ajam e se coloquem em interação de acordo com elas. Cabe ao analista descobrir os
fundamentos culturais que regem as práticas dos indivíduos dela participantes, e revelá-
los como verdade científica, torná-las conscientes em seu todo.
Durkheim (1970), por seu lado, partiu do pressuposto da fundação de uma
ciência sociológica, e estava interessado em diferenciar os campos científicos da
fisiologia, da psicologia e da sociologia, e criar e objetivar um campo analítico próprio
para esta última. O seu empenho para a construção de um modelo analítico para o social
partiu da consideração de que a identidade moderna constituiu-se pelo esgarçar-se dos
laços sociais. Laços que garantiam uma coletividade através da coerção dos indivíduos
ao social.
Na elaboração deste modelo, tomou por base a separação entre a natureza e a
sociedade, através de uma diferenciação dos estados fisiológicos e psicológicos do
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estado societal. Os dois primeiros estados ocupariam o campo disciplinar das ciências
fisiologia e psicologia e teria o indivíduo biológico e psíquico como objeto de análise,
na sua realidade interna de estímulos mentais ou fisiológicos. O último estado, por sua
vez, se ocuparia dos aspectos exteriores aos indivíduos e formadores dos indivíduos
sociais, e seria o objeto da sociologia.
A ciência sociológica se ocuparia, portanto, por esta realidade sui-generis, a
sociedade. O seu trabalho sobre As Representações Individuais e Representações
Coletivas (Durkheim, 1970), neste sentido, é clássico. Tanto quanto as discussões
preliminares constantes de As Regras do Método Sociológico (Durkheim, 1996a). Texto
em que institui os fatos sociais como exteriores e fundadores de sociabilidades, e de
onde discute o elemento sui-generis da sociabilidade e da criação pelo social dos
indivíduos.
Durkheim coloca as emoções como um produto da sociedade, submetida, mas
negociada por processos mentais e fisiológicos no processo de vivência de cada sujeito
particular socialmente formado. A sociabilidade neste autor não é produto da
experiência individual, porém, da experiência social. O agir e o refletir social se
realizam através da coerção que a sociedade suscita em seus membros, possibilitando
um sentido de força e unidade acumulativa que torna os sentidos possíveis.
Os procedimentos de classificação individual são sugeridos pelas classificações
sociais, as quais podem tomar formas muito variadas de uma sociedade para outra, mas
que caracterizam toda sociedade.
A tipologia solidariedade mecânica e solidariedade orgânica elaborada no livro
A Divisão do Trabalho Social (Durkheim, 1967) procura, por sua vez, refletir o impasse
vivido pela sua época, com a quebra dos laços comunitários e a emergência do
individualismo. A solidariedade orgânica implica, entre Outros significados, a perda da
importância dos laços comunitários na passagem de uma sociabilidade simples para a
complexa. O que provoca uma quebra da homogeneidade da população, e afeta o
mundo emocional do dos indivíduos nela relacionados
O agir e o refletir social se realizam através da coerção que a sociedade suscita
em seus membros, possibilitando um sentido de força e unidade acumulativa que torna
os sentidos possíveis. Os procedimentos de classificação individual são sugeridos pelas
classificações sociais, os quais podem tomar formas muito variadas de uma sociedade
para outra, mas que caracterizam toda sociedade.
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A tipologia solidariedade mecânica e solidariedade orgânica elaborada no livro


A Divisão do Trabalho Social (Durkheim, 1967) procura, por sua vez, refletir o impasse
vivido pela sua época, com a quebra dos laços comunitários e a emergência do
individualismo. A solidariedade orgânica implica, entre Outros significados, a perda da
importância dos laços comunitários na passagem de uma sociabilidade simples para a
complexa. O que provoca uma quebra da homogeneidade da população, e afeta o
mundo emocional do dos indivíduos nela relacionados
Marx trabalha com preocupações semelhantes sobre os processos identitários
que estavam a se constituir na sociedade moderna ocidental. Para ele, a unidade de
análise do social estaria centrada nas classes sociais. Seria através das ações de classe
que poderia haver uma ação compreensiva dos indivíduos e suas emoções, nela imersos.
Como uma parte no interior de um todo mais geral, as classes sociais possibilitariam a
explicação das emoções individuais através das relações de produção de um modo de
produção especifico, e suas formas de apropriação e dominação.
Na análise marxista, as classes sociais fundam e caracterizam o indivíduo e suas
emoções (1982, 1986). A emergência dos indivíduos e da individualidade psicológica
em Marx teria sua explicação através dos estágios da técnica em uma sociabilidade
específica, ou seja, através das relações de produção, do trabalho enquanto categoria
abstrata e genérica, e enquanto trabalho produtivo e criador (Marx, 1982, 1986, 2004).
Marx e Durkheim, tanto quanto Malinowski, embora partindo de pressupostos
analíticos diferenciados, possuem uma visão de exterioridade na fundação do indivíduo
social. Os indivíduos criam a partir de um pressuposto criador anterior. Quer dizer, o
indivíduo social só pode ser pensado enquanto coletivo, ou seja, a partir de uma
totalidade.
Não existe o Eu, o indivíduo, e sim, o Nós, a coletividade. O Eu individual se
define, apenas, através do Nós, do social.
Em Marx (1982) o indivíduo coletivo expresso no conceito de classe social é o
fundamento da ação social. Em Durkheim (1996a), discutindo a questão da moral como
fundamento da organização social, os homens são construídos por uma formação sui-
generis, a eles exterior. Em Durkheim, a moral social ou a sociedade são vistas como
instâncias fundadoras das relações.
Os fatos sociais sendo exteriores aos indivíduos, e, estes últimos, formados pelos
processos sociais de uma sociabilidade determinada. Em Marx (1982, 1986), os
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indivíduos, também, são formados por instâncias da troca societal, através das relações
de produção. São as bases econômicas, em última instância, que conformariam o estado
evolutivo de uma sociabilidade e o perfil dos indivíduos nela inserido.
O ponto de vista teórico da análise durkheimiana, exposto no livro As Formas
Elementares da Vida Religiosa (Durkheim, 1996), é sentido como um avanço ao modelo
teórico anterior. Nele, a categoria emoções aparece como um elemento fundamental do
constructo social: produzida socialmente e encarnada nas ações sociais gerais e
particulares.
As emoções são pensadas, enquanto categoria analítica, a partir de As Formas,
como um subproduto do social e de uma sociabilidade determinada. O que permite a
antropologia e a sociologia das emoções tomarem a análise de As Formas como uma
referência inicial analítica, para a realização de uma crítica aproximativa da obra
Durkheimiana, tendo a categoria emoções como pressuposto básico.
Em As Formas, Durkheim indica um novo movimento na sua construção teórica:
a descoberta do simbólico. O que o afasta do positivismo intrínseco das suas obras
anteriores e com possibilidades de um profícuo trabalho de constituição do social,
através da ação social dos homens que vivem uma sociabilidade específica.
Mesmo considerando na obra durkheimiana o aspecto central da descoberta do
simbólico, em uma análise mais acurada, Durkheim parece construir o seu objeto, a
sociedade, através da produção social de si própria e no interior de um universalismo
generalizante.
Encontra nos sentimentos religiosos uma força moral que oferece refúgio e
garantia aos sentimentos comunitários presentes em um social dado, reforçando a
constituição do social sobre os indivíduos. O que o parece impedir de seguir adiante
com as reflexões sobre o processo de constituição social do simbólico.
Alguns autores, como Louis Dumont (1978a) e Claude Lévi-Strauss (1974)
imputam o caminho para o simbólico assumido ainda com timidez em Durkheim de As
Formas como proveniente das discussões com o seu sobrinho Marcel Mauss. E ambos
indicam Marcel Mauss como o divisor de águas na pesquisa em ciências sociais
francesa.
Para Lévi-Strauss (1974) e Dumont (1978a) existiria uma ciência social na
França antes e depois de Mauss. Estes pesquisadores imputam a Marcel Mauss a

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constituição das modernas sociologia e antropologia francesa e enfatizam a importância


da noção de fato social total maussiana na análise social e cultural.
Esta ênfase se encontraria na articulação dos aspectos fisiológicos, psicológicos
e sociais no processo constitutivo e na ação do simbólico, da cultura e da sociedade. As
discussões categoriais sobre os objetos de investigação do social a partir da descoberta
do simbólico encontrariam amparo na definição e nos usos socialmente estabelecidos de
uma cultura, em um espaço e em um tempo específicos.
Lévi-Strauss aponta a noção de fato social total como uma das maiores
contribuições de Mauss às ciências sociais. Neste conceito se insere a inquietação de
analisar o humano de forma integral (fisio-psico-social) com a preocupação de
encontrar o lugar atribuído ao social, na ação e experiência individual.
A análise da experiência individual concreta apreenderia, enquanto campo de
possibilidades, o fato social total, já que este se realiza e necessita para se concretizar da
ação dos indivíduos através do tríplice ponto de vista: o do homem total. A análise do
homem total em Mauss caminha para uma aproximação entre a etnologia e a
psicanálise.
Em seu artigo As técnicas corporais (Mauss, 1974a), uma das questões
prementes na análise das ciências sociais se encontra no estudo da maneira como a
sociedade assegura ao indivíduo uma forma específica do uso do seu corpo. A procura
de projeção social sobre o individual se dá por intermédio da educação das atividades
corporais. É através delas que a sociedade imprime a sua marca.
O conceito de emoções varia segundo as expressões socialmente aceitas em um
tempo e em um lugar de uma sociabilidade dada. Faz parte de um conteúdo cultural
determinado e presente nos indivíduos sociais que compartilham uma mesma rede de
relações.
As suas fronteiras sendo distintas para cada cultura: os limites de resistência, a
dor intolerável, o prazer inaudito, o esforço irrealizável, as fantasias possíveis e
impossíveis, a ação desejável e a indesejável, são sempre modelos e disciplinas
corporais.
Disciplinas e modelos que moldam os indivíduos através das sanções de
aprovação e reprovação social. Mauss é enfático ao afirmar em As técnicas corporais
que, o ato impõe-se de fora, do alto, ainda que seja um ato exclusivamente biológico e
concernente ao corpo.
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É a noção de prestígio da pessoa o que torna o ato ordenado, autorizado,


aprovado, em relação ao indivíduo imitador, (nela) se encontra todo o elemento social.
No ato imitador que segue, encontram-se todo o elemento psicológico e o elemento
biológico. Mas o todo, o conjunto, é condicionado pelos três elementos
indissoluvelmente misturados.
Mauss estabelece um novo marco na pesquisa em ciências sociais ao aprofundar
a categoria do simbólico enquanto elemento de configuração do social. O que permite
ao pesquisador sair de conteúdos generalizantes de afirmação do social como
estruturador de si mesmo, e dentro de um mesmo padrão universal, para inserir o seu
olhar nos processos de constituição do social como resultado de sociabilidades que
erigem para si conteúdos explicativos, e que conformam uma razão e uma verdade
socialmente expressas.
As emoções, assim, fariam parte do emaranhado de configurações produzidas e
vividas por uma sociabilidade específica. A emergência do Outro se torna possível,
enquanto diferencial societário, e permite ao pesquisador diferenciá-lo, enquanto
entidade autônoma do Eu, e, ao mesmo tempo compará-lo a outras sociabilidades.
Outras sociabilidades estas organizadas simbólica e estruturalmente, e como um
tipo de revelação delas próprias, enquanto entidades de significação singulares e como
formas de expressão social de uma mesma categoria analítica. Marcel Mauss aprofunda
este caminho ao admitir para o social, além de uma consciência coletiva, uma instância
ainda enigmática chamada de inconsciente coletivo. Conceito mais tarde aprofundado
por Lévi-Strauss.
Em trabalhos como: A Expressão Obrigatória dos Sentimentos (1980), Efeito
Físico no Indivíduo da Idéia de Morte Sugerida pela Coletividade (1974) e As Técnicas
Corporais (1974a), Mauss dá primazia, de um lado, à sociedade: na configuração das
práticas sociais que conformam o indivíduo social, ao mesmo tempo em que supõe o
indivíduo social como uma realidade autônoma.
A roupagem social conflita na experiência individual, dando uma marca
específica a cada indivíduo. Essas marcas se manifestam, nas interrelações possíveis da
experiência social e individual, como tradição e como manutenção de uma prática
coletiva e societária. E, ao mesmo tempo, como composição nova e como movimento
das relações do indivíduo e da sociedade, e do indivíduo com a sociedade.

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REIA- Revista de Estudos e Investigações Antropológicas, ano 3, volume 3(2):129-161, 2016

Os indivíduos em relação entre si e com o social mais amplo mantêm sempre a


tradição, erigidos e conformados ao status de indivíduo social em seus diversos papéis.
Impregnados ao mesmo tempo pelo social, e o realimentando nas trocas possíveis e
constituintes de si próprios, enquanto indivíduos sociais, e dos Outros em relação, isto é,
vivenciando o mesmo inconsciente coletivo que os levam a compreender as práticas uns
dos Outros, os indivíduos agem não necessariamente conscientes desse uso e sentido.
Mas agem, sempre, como uma espécie de composição nova do mesmo sujeito.
As marcas da configuração de um indivíduo social específico refazem sempre um novo
indivíduo no indivíduo geral social, o que baliza o movimento societário e a constante
renovação da tradição social, através das práticas relacionais entre indivíduos que
compõem esse social.
O que supõe as categorias de tempo e de lugar, como o tempo e o lugar de
interrelações societárias entre indivíduos de uma mesma vivência, mas, ao mesmo
tempo, no interior de uma experiência social única.
A tradição sendo atemporal e universal para um povo, o tempo e o espaço
passam a ser distinguidos pelo tempo e pelo espaço das interrelações de uma
contemporaneidade sempre específica, mas, sempre, no interior de uma generalidade e
universalidade que a constituí e a explica.
Os modos de pensar em comum, tanto quanto modos de agir em comum são
montagens do social sobre os indivíduos, que nelas se colocam como entidades
interrelacionais. A categoria das emoções pode ser pensada assim como uma
representação coletiva que se impõe à consciência individual.
Os indivíduos sociais apreendem os significados culturais das emoções antes
mesmo de vivenciarem toda e qualquer emoção, de forma implícita e inconsciente em
um tempo e em um espaço específicos. Ao experimentar qualquer forma e conteúdo
emocional, o indivíduo social impregna o conceito com um significado novo sobre o
significado coletivo já expresso, o que permite ao mesmo atualizar o significado contido
no conceito cultural inconsciente das emoções em geral, sem deixar, contudo, de
imprimi-lo e dar a ele continuidade e presença.
Processos fundamentais para a comunicação e para a interioridade necessária à
experiência individual. O indivíduo social e a coletividade, nesse sentido, se
complementam: seja como impregnação de um olhar social comum e, ao mesmo tempo,
como sua renovação e continuidade; seja enquanto permanência revista e sempre
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atualizada para a categoria do conhecimento, significada na experiência individualizada


e sempre única, sem deixar de ser a mesma.
Os movimentos e os momentos de expressão organizativa, constitutiva, e ao
mesmo tempo experiencial das emoções, passam a representar e a indicar fronteiras.
Fronteiras tensas e densas da individuação, enquanto significado socialmente impresso,
revivificado e reatualizado na contiguidade individualizada e interiorizada do
sentimento. Limites possíveis de compreensão aos que vivenciam a cultura em uma
expressão temporal e localmente construída, enquanto bens comuns simbólicos.
Os indivíduos e a coletividade envolvidos e submetidos à catarse das emoções
expõem a si mesmos: 1. A um conjunto de práticas reintegrativas e reorganizativas pelos
rituais integradores, purificadores e de expurgação das ações que causaram o sofrimento
ou o excesso de prazer; 2. E são expostos aos limites de um embate.
A um limite agonístico, é verdade, encoberto nas experiências repetitivas do
cotidiano, onde a pessoa se coloca acima e além da coletividade, vendo nela e através
dela a configuração do seu próprio viver.
Indivíduo e coletividade, deste modo, enfrentam lugares comuns de expressão de
emoções, no sentido tanto de uma reintegração quanto de uma desintegração potencial.
E, através da valoração do sofrimento ou do prazer, coletivamente estruturados, em seu
aspecto de dom, e de troca simbólica, como afirma em seu Ensaio sobre a Dádiva
(Mauss, 1974b).
A subjetividade no modo como são expressas as ações e as funções do dom
correspondem a um pano de fundo comum que orientam as ações dos sujeitos, criando
uma espécie de cultura emotiva. No interior desta cultura emotiva, ou através dela, os
atores apreendem significados precisos sobre as noções de uma dada sociabilidade
vivenciada e podem senti-las ou expressá-las independentemente de tê-las ou não vivido
pessoalmente. Assim, por exemplo, uma pessoa pode sentir a dor ou o prazer de outra
sem ter vivenciado pessoalmente essa dor e prazer, mas pelo conhecimento implícito na
comunicabilidade expressa pela cultura emotiva comum da sociedade ou grupo a que
pertencem.
O mesmo caminho interpretativo de Marcel Mauss seguiu Maurice Halbwachs,
Outro aluno e seguidor da teoria durkheimiana. No texto intitulado A expressão das
emoções e a sociedade (2009), busca a compreensão genética da relação entre as
emoções e a sociedade. E reafirma a obrigação social do sentir, e a influência dos
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grupos sociais na expressão individual dos sentimentos. Para ele, o processo de


transmissão das emoções na sociedade acontece como um ato intergeracional, onde a
memória coletiva socialmente expressa é repassada pelo aprendizado formal e informal
de gerações.
Repassada de forma consciente e inconsciente, em uma temporalidade e em um
espaço simbólico que afeta a constituição e os destinos dos indivíduos sociais, e da
própria coletividade. A análise de Halbwachs insiste, por fim, na questão da formalidade
e da eficácia das práticas rituais para a compreensão da expressão das emoções, e indica
caminhos para a superação das oposições clássicas entre expressão e representação, e
entre ritos e emoções.
Junto com Marcel Mauss, Maurice Halbwachs é um digno sucessor da obra
durkheimiana. E, ousando ir um pouco além, também um leitor atinado e sutil do
filósofo social, como gostava de ser chamado, Georg Simmel. Um Simmel, como nós
veremos a seguir, sempre atento à problemática da subjetividade nas relações sociais.
Georg Simmel e um pouco depois Max Weber, foram influenciados por este
mesmo ambiente social do final do séc. XIX e início do XX. De forma dessemelhante,
porém, e seguindo caminhos metodológicos diferenciados ambos colocaram as emoções
como lugar central no quadro teórico e metodológico por eles elaborado.
Simmel foi o pioneiro de um modelo de análise do social conhecido como
formal. O conceito de forma pode ser considerado como o seu instrumento
metodológico fundamental.
A distinção entre forma e conteúdo é uma qualidade da obra simmeliana. No
texto O problema da Sociologia (Simmel, 1959), afirma que as formas podem ser
isoladas dos conteúdos da vida social, funcionando como uma espécie de gramática, que
isola as formas puras da linguagem de seus conteúdos, através dos quais essas formas
ganham vida.
O conteúdo se refere, por sua vez, a tudo o que se apresenta nos indivíduos –
impulsos, inclinações, interesses, propósitos, estados físicos, movimento, - tudo o que se
apresenta neles de modo a engendrar ou mediar efeitos sobre os Outros, ou receber tais
efeitos. O conteúdo tem base psicológica e biológica, não sociais em si, e a sociação
encontraria suas origens nos estados mentais e disposições corpóreas individuais no
encontro com o Outro, na intersubjetividade.

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A sociologia trataria, assim, das formas de sociação, isto é, a análise sociológica


residiria na abstração dos fatores de sociação.
A noção simmeliana de sociação parte do princípio de que a da sociedade
sobrevém essencialmente de indivíduos unidos através dos processos de interação. Em
trabalhos como O problema da sociologia (Simmel, 1959) e Como a sociedade torna-se
possível? (Simmel, 1959a), Simmel afirma que é através da abstração das formas de
sociação, que pode se desenvolver uma ciência social que parta do indivíduo como fonte
principal da ação social. O que gera uma teoria da ação que, embora fundamentada em
pressupostos psicológicos, propõe que o social é um atributo insurgente das atividades
dos indivíduos.
No texto Como a sociedade torna-se possível? (Simmel, 1959a) enfatiza o
processo social e a sociedade como uma consequência da interação entre os indivíduos,
a sociedade consiste dos atos de sociação. Os alicerces societários, deste modo, só
podem ser definidos nas e pelas existências individuais e disposições cognitivas dos
sujeitos de ação.
Os estados mentais e disposições corporais que impulsionam um indivíduo em
relação ao Outro, pelo Outro e contra o Outro abalizam a sociação e orientam os
princípios estruturantes, isto é, as formas, que dão o tom e o caráter especial aos rumos
e influências recíprocas nela e por ela conjeturadas.
Para Simmel, qualquer processo ou fenômeno social é composto por dois
elementos inseparáveis: 1º. Um interesse, um propósito, um motivo, e, 2º. Um modo de
interação ou uma forma em cujo contorno um conteúdo obtém realidade social.
Os conteúdos da sociação são realizados através das formas. As formas não
possuem existência destacada dos conteúdos.
As formas de sociação têm um caráter dual: ao mesmo tempo superior aos
indivíduos em interação, e sujeito a eles. Na análise simmeliana, assim, forma e vida são
noções opostas. A vida sempre supera a forma e nunca é completamente apreendida por
esta.
Para Simmel, as constelações de formas de sociação podem se cristalizar em
formações ou estruturas institucionalizadas (Estado, Igreja, sindicatos, organizações,
classes, castas, casamentos, e outras). Tais formações em sua institucionalização
parecem ganhar vida própria.

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As formas de sociação, porém, alimentam de modo contínuo estas formações


sociais, e assim qualquer estrutura objetiva tem sempre um caráter provisório e está
presa aos indivíduos em interação, isto é, nos significados dados às orientações e
influências recíprocas no processo interativo.
No conjunto de sua obra Simmel reconhece a importância dos processos e
estruturas sociais duradouras, e explora as consequências pessoais e sociais presentes no
ingresso das trocas monetárias na cultura e na organização social ocidental.
Em sua análise, oferece um mapa dos processos de racionalização que antecipa
vários dos temas centrais da discussão weberiana. Na análise simmeliana a ação social
tem origem nos indivíduos que, por sua vez, só podem realizar seus próprios interesses e
motivações submetendo-se às formas sociais. Formas que são sujeitas a modificações
pelos motivos e interesses dos indivíduos em interação.
Simmel fala, assim, da tensão e do conflito entre as demandas das estruturas
presentes na forma dual em que as formas sociais se apresentam: de um lado, estruturas
superiores ao fluxo da ação de um indivíduo ou grupo de indivíduos e que sobre eles
exercem pressão e, por outro lado, produtos e sujeitas a modificações através dos
processos interativos entre indivíduos ou grupos.
Em Weber e em Simmel a oposição conflitual e sempre tensa entre a
racionalidade e a subjetividade é o aspecto principal de seus enfoques. As sociedades
parecem viver processos de grande liberdade e desenvolvimento individual
concomitante a um sentimento de perda da importância do sentido afetivo, na
contemporaneidade por eles estudada, em torno do qual se articulava a ordem
convencional característica das sociedades tradicionais.
Em Weber, este processo ambivalente será denominado de desencantamento do
mundo, e de onde elaborará um conceito importante para o entendimento da sociedade
capitalista e o modo de vida nela produzido que é o de burocracia. A Objetividade do
Conhecimento nas Ciências e nas Políticas Sociais (Weber, 1974) é um dos textos mais
importantes de Weber, e onde são bem percebidas as influências de Simmel em sua
construção teórico-metodológica.
Neste artigo se encontra a sua teoria da ação social. Para Weber, as ações sociais
implicam um aspecto subjetivo de valor dos indivíduos em relação, possibilitando na
troca a criação social.

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A teoria da ação weberiana, baseada na análise de Simmel da intersubjetividade,


é uma das formas reflexivas importantes para a análise da antropologia e sociologia das
emoções. O indivíduo relacional é a unidade de análise desta construção teórica e a base
para se entender Weber metodologicamente.
Em Weber, como em Simmel, a unidade de análise é a ação dos indivíduos em
interação. Ambos constroem suas teorias nas relações entre indivíduos considerados
como únicos em cada processo relacional.
As relações por eles produzidas são as que fundam um social, com um caráter de
singularidade e unicidade. São as relações subjetivas entre sujeitos sociais, movidas por
valores, sentimentos e interesses que direcionam o olhar destes dois autores para o
entendimento das configurações de um social e seus processos de institucionalização,
sempre tensos e conflituais.
Simmel e Weber abordam o caráter social dos sentimentos, através da ênfase de
que as formações sociais surgem das interações entre os indivíduos. Os conteúdos
afetivos criam, configuram e sustentam as formas de sociabilidade emergentes das
interações individuais, através da troca entre as partes em relação. O que permite uma
espécie de jogo que ordena, provoca e, ao mesmo tempo, redireciona a unificação
proposta por um social, nas tensões entre a ambivalência dos estados afetivos internos e
a estabilidade das formas institucionalizadas em que se move uma relação.
A reciprocidade, deste modo, base da sociabilidade humana é sempre tensa e
cheia de conflitos. A tensão nos processos relacionais permite, portanto, as expressões
de emoções entre os sujeitos em interação, sempre no interior de bases conflitantes.
Os processos relacionais são vistos como ambivalentes nos seus propósitos, quer
no sentido da generosidade e positividade da troca, quer como um recurso de negação e
poder inerentes ao processo de reciprocidade. Estes processos foram estudados por
Simmel, nos textos Fidelidade (2003) e Gratidão (2010), e por Weber, no A ética
protestante e o espírito do capitalismo (2001).
Em Simmel, como em Weber, a relação homem versus homem é o fundamento
da sociabilidade. As ações de troca, presentes em um processo relacional, são criadoras
de um social qualquer.
Uma antropologia e sociologia das emoções que tenha por modelo estes autores
partem do princípio compreensivo de que as trocas entre os indivíduos são trocas
racionais, porque objetificadas em projetos e projeções para o Outro. A idéia de projeto,
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cara a estes dois autores, é estimulante para a análise de uma ciência social das
emoções, já que, em ambos os autores, a racionalidade apresentada pelos projetos
configurados através das ações sociais são sentimentos projetados do subjetivo para
uma objetividade encontrada na relação com o Outro da troca. Os homens, assim, ao
interrelacionarem subjetividades em um processo de troca, fundam cristalizações
racionais.
Para Simmel e Weber, em suas ações os homens constroem ou fundam
racionalidades. Na análise weberiana e na análise simmeliana (de forma mais ensaística
e menos metódica do que no tratado formal weberiano), toda a ação do indivíduo é uma
ação provida de sentido, e o sentido demonstra um elemento racional no ato do sujeito,
produzindo possibilidades emotivas e sendo produto das próprias emoções.
Ação e reação presentes em um processo de troca são movidas pelo aspecto
subjetivo e emocional de sujeitos em relação. São movimentadas, também, por todos os
dispositivos cristalizados de trocas sociais anteriores, que fundamentam uma tradição e
uma racionalidade social abstrata.
A tradição e a racionalidade abstrata de uma sociabilidade qualquer, para os dois
autores, deste modo, são construções. A tradição e a racionalidade abstrata são produtos
das relações entre os indivíduos e são constituídas através das remodelagens simbólicas
entre as diversas instâncias institucionais em jogo, em um social mais amplo.
São instâncias que influenciam a prática interacional entre as partes
individualizadas da relação, e possibilitam, assim, não só a institucionalização da rede
que configura uma tradição ou uma racionalidade singular, mas, compõem um pano de
fundo organizacional onde as identidades coletivas são efetivadas e tecidas no cotidiano
das relações.
As ações e as reações da relação são assim portadoras de sentido, e se encontram
sujeitas a um tipo de racionalidade social e a um movimento subjetivo dos sujeitos em
troca. O indivíduo se manifesta socialmente através de suas ações, mesmo quando se
pensa em uma possível recusa à ação.
A recusa, ou a negação, são sentidas como ações sociais. Mesmo a recusa de agir
é provida de sentido. Um ator ao se negar a agir, muda todo processo relacional
possível. E abre ou provoca possibilidades à emergência de Outros processos sociais
através desta negação.

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O gesto recusado se torna uma possibilidade não realizada, onde os atores


podem se ressentir ou jamais saber o que aconteceria se, por acaso, tivesse se defrontado
de maneira positiva. A ação negada é, também, uma forma de ação social. Representa
uma possibilidade social, através da recusa, por um motivo subjetivo qualquer, entre os
atores em relação. A recusa de um ator, que não se dispôs a agir, frustra uma construção
relacional possível.
Os atores em jogo se recolhem naquela negação de agir, e esta negativa passa a
ter uma significação profunda para as relações sociais novas constituídas pelos atores
em disputa. Este fato metodológico acontece não apenas nos atores que optaram pela
recusa à ação, mas, também, em relação às pessoas que estavam envolvidas com eles na
relação, como, também, para todos os segmentos sociais e lugares significados por seus
gestos de recusa à ação. Na análise compreensiva, as causas e as consequências da ação
permitirão um julgamento do conjunto individual e societário.
Para entender este conjunto, contudo, o pesquisador tem que compreender as
redes de ações que foram estimuladas ou frustradas, entre os diversos atores em jogo. É
neste intercruzamento possível que se compreenderá o sentido de cada ação social, no
jogo societário de um social dado.
A criação social parte dos homens enquanto indivíduos sociais. Não está sujeita
a um futuro determinado, nem a uma proposta evolutiva onde se une passado, presente e
futuro.
O processo de criação social é resultante das ações dos homens em relação,
tornando-se possibilidades que se fundam através dos jogos interativos entre indivíduos
ou grupos. Jogos onde as emoções permitem escolhas possíveis para a sua realização, e
para a estruturação de lógicas discursivas que fundamentam as relações de troca, que
nada mais são do que estratégias de poder entre relacionais.
A construção da história se permite acontecer, assim, a partir do arrolamento das
diversas possibilidades do que aconteceria no jogo relacional entre indivíduos sociais.
Na realidade, a questão que Simmel e Weber, colocam é a de que, quando atores se
movimentam, as possibilidades de ação são possíveis ou impossíveis de serem
realizadas.
As ações deste modo são dependentes das diversas escolhas dos atores em
relação, e das diversas e possíveis confrontações com Outros relacionais e com novas
ações emergentes, em consolidação ou frustradas ou, ainda, com as não ações.
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O que estabelece possibilidades presumíveis de vingar, ou não; ou de darem


continuidade, ou não, a um processo social qualquer. Se alguém se retira do jogo e a
conquista almejada não acontece, este alguém poderá ficar com um passado reflexivo
sobre a ação não realizada, que poderá, possivelmente, interferir em sua vida, por todo o
processo social de uma curva de individual.
O que afetará as trocas afetivas, profissionais, institucionais, ou o conjunto das
relações subsequentes deste sujeito. O mesmo acontecendo para os Outros relacionais
atingidos pela não ação.
As ações sociais constituem, assim, possibilidades de criação de uma história
individual e grupal; e de uma vida institucional, social, política e cultural mais geral.
Uma sociabilidade, portanto, nasce e se reformula, continuamente, a partir dos atos dos
indivíduos que se configuram e vão se modificando através do processo relacional.
Cabe às ciências sociais apreender as interpelações, o quem é quem na história
social, em seus diversos recortes e em um processo contínuo de elaboração, a partir das
singularidades individuais até as constituições sociais mais amplas. Compete ao
cientista social, que se dedica a relação entre emoções e sociabilidade, desta forma,
compreender os sentidos que atravessam a constituição de uma história social ou
individual específicas e as formas diferenciadas sobre o que poderia acontecer se as
opções ou os desejos satisfeitos tivessem ido por caminhos diferentes do que os
realizados.
Para Simmel e Weber, a história é compreendida sempre como um processo, ou
através de um conjunto de possibilidades, realizadas ou não. A análise social, portanto,
se realiza através dos projetos humanos (sociais ou individuais), com leituras e
configurações várias.
A análise social, portanto, se realiza através dos projetos humanos (sociais ou
individuais), com leituras e configurações várias. A interrelação entre os indivíduos e a
sociedade se dá em um autoajuste constante, onde planos subjetivos e objetivos se auto-
remetem a todo tempo e propõem formas sociais e jogos de possibilidades, constituindo
um societário específico. E configuram novas possibilidades emotivas e estados mentais
individuais nos sujeitos da troca.
Não existe então uma determinação do e no social. Existe uma história que se
faz a partir dos próprios indivíduos em ação: nela a subjetividade é o elemento que
movimenta a criação social.
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Cada presente, temporal e espacialmente disposto, assim, embora corresponda a


um passado, não se encontra umbilicalmente ligado a um passado em geral, abstrato. O
passado é uma consequência lógica da fundação, formação e consolidação dos atores
que o viveram e o constituíram. O presente, também, não prediz o futuro, apenas
demonstra as possibilidades de um momento determinado de projetos ou projeções
desenhados nas trocas entre os homens.
A história, assim, é prenhe das intenções dos atores envolvidos nas relações
entre subjetividades e projeções objetificadas, ou não, nas e pelas ações. Como um jogo
permanente de poder nas quais as alianças entre os sujeitos em relação vão constituindo
e armazenando possibilidades constitutivas do fazer social, sempre em um tempo e em
um espaço específico.
É a questão de sentido como o fundamento da criação social que Simmel e
Weber afirmam e conferem à categoria racionalidade. A consciência, então, não se
fabrica ou evolui, ela é estabelecida nas relações, e criam sentidos e racionalidades a
partir dos processos interativos, existe nas vontades dos sujeitos da ação durante o
processo relacional.
Esta constatação leva, teórica e metodologicamente, uma questão importante
para a antropologia e sociologia das emoções, e modifica profundamente a compreensão
da história.
As análises de Simmel e Weber colocam as relações entre os homens como
relações de sentido. Ao compreenderem o sentido subjetivo que orienta as ações, as
vêem como proposições, como processos que vão se delineando e sendo desenhados
objetivamente como projetos, isto é, como ações humanas que se expressam em
projetos.
Projetos estes que orientam, ordenam ou encaminham ações. Os dois autores
discutem a idéia de projeto no seu processo de configuração, e esta configuração é
analisada como uma possibilidade entre outras da ação de um sujeito em troca.
Os atores em interação formam projetos prenhes de significados (afetivos,
profissionais, de dominação, de conquista ou de recusa) para quem os move ou os adota.
Os projetos armados, por sua vez, funcionam como os porta-vozes por onde um sujeito
(individual ou em grupo) irá desenvolver ações para o e no Outro, no sentido da sua
realização.

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O sujeito ao detalhar para si, ou junto com Outros, um plano de ação, organiza
toda uma agenda para a sua execução. Agenda esta que dependerá não só das
artimanhas organizativas, ou da pauta nela organizada por um indivíduo ou grupo, mas,
também, dos projetos dos Outros, com quem irão buscar se relacionar para realizar os
projetos agendados.
Para Simmel e Weber as possibilidades de realização desta agenda são várias
nas e entre as relações humanas, e dependem das configurações das ações dos sujeitos, e
de como esses indivíduos se colocam nas diversas possibilidades causais da própria
ação.
Uma comparação entre as ações passadas e presentes, experimentadas
individualmente, ou parte da mentalidade de uma época, permite aos sujeitos da ação
uma previsibilidade das possibilidades de configurações positivas ou negativas de cada
ato em jogo, sem garantir, contudo, uma consequência específica e final para o seu agir.
O imponderável e a incerteza se estabelecem entre os sujeitos em cena, e
configuram as práticas cotidianas de cada um, ou o jogo social e estrutural mais amplo,
ou, mesmo, as perspectivas projetivas das novas possibilidades de caminhar, coletivo ou
individual. As ações, as possibilidades criativas, deste modo, na análise simmeliana e
weberiana, são livres.
Livres, não quer dizer, que elas sejam independentes per si: elas estão
submetidas aos processos formadores dos agentes da ação. As diversas possibilidades se
satisfazem nesse panorama de liberdade das ações sociais, em um processo formador
onde a individualidade e a sociedade se encontram, se interpenetram e se
intercondicionam.
A história, para Simmel e para Weber, então, é esse processo. Ela não tem um
sentido de origem e de destino. Um passado é feito de múltiplas posições e
possibilidades de interação, não só da troca econômica, mas, e, sobretudo, das trocas
políticas, ideológicas, simbólicas e culturais, e suas interseções.
Trocas múltiplas que conformam presentes e passados e, que, - na continuidade
relacional dos processos subjetivos e objetivos que movimentam uma ação social
qualquer, - irão armar o palco para cada cena, propiciando planos de ação e perspectivas
de novos jogos para a construção prospectiva de um futuro.
Nas proposições simmelianas e weberianas, assim, - recapitulando um pouco
este filão analítico para as ciências sociais e, principalmente, para a antropologia e a
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sociologia das emoções, - são os projetos movidos subjetivamente pelos interesses dos
sujeitos relacionados, que possibilitam as relações sociais e lhes dão objetividade.
Simmel chama esse processo de cristalização dos produtos subjetivamente expressos,
resultados de alianças no decorrer de uma troca social entre indivíduos, grupos,
instituições ou sociedades.
A ação entre homens significa então relações sociais entre projetos em jogo.
Uma ação portadora de sentido é uma ação criadora. Está envolvida por vontades que se
projetam e ganham objetividade e expressão no e através do Outro, vai depender sempre
do significado de um projeto, de sua aceitação e confiabilidade no e pelo Outro. Do
encantamento deste Outro, da negação deste Outro ou das possibilidades de alianças
com Outros. Sobre as possibilidades que se erigirão das relações com Outros.
O um e o Outro serão, neste caso, nas análises simmeliana e weberiana, sempre
um conjunto de possibilidades de criações de um social. A ação do homem é, portanto,
munida de valor. O valor é uma estima subjetiva do sujeito individualizado ou coletivo,
e sempre responde a um preceito moral, dado pela tradição ou pelo suporte mental de
uma sociabilidade, em um tempo e em um espaço específico.
A ação responde sempre a uma escolha subjetiva que envolve sentimentos,
emoções e vontades, isto é, remete continuamente para as escolhas de indivíduos, de
grupos, de instituições ou de sociedades.
O subjetivo que move um sujeito social à ação é o motivo que faz com que o
olhar deste sujeito se coloque como uma interrogação frente a critérios e classificações.
Critérios e classificações estes através dos quais entende o mundo. Ou, não o
entendendo, tenta apreendê-lo e garantir um espaço social objetivo para a sua ação se
desenvolver, se estabelecer e se institucionalizar.
A experiência de um indivíduo ou de um grupo faz com que estes se tornem, ou
se sintam seres específicos, únicos, no interior de um espaço e de uma temporalidade
dados. A busca de objetivação dos interesses ou dos valores subjetivos, através dos
projetos que movimentam a ação, cria ou estabelece novos critérios, ou releituras dos
anteriores, formalizando um lugar comum e específico entre os relacionais, dentre
vários Outros projetos em jogo.
A procura de objetivação estabelece alianças que permitem uma relação dada se
desenvolver, em um processo de tensão permanente entre os parceiros da troca. Este

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processo é estabelecido pela possibilidade de alianças entre os projetos, que procurará


objetivar as relações de troca a partir de então.
A partir do critério estabelecido pela hegemonia do novo projeto, - surgido
através da aliança entre parceiros, - se pode entender, ou procurar interpretar as demais
relações novas e especificas desse pacto. As subjetividades e os projetos envolvidos são
submetidos, assim, a nova ideação (afiançada em alianças com as práticas hegemônicas
fornecidas pela objetificação racional nela organizada, e em busca de consolidação),
como tradição e organização do presente e futuro, ao mesmo tempo em que funda e
fundamenta novos processos instituintes e conflituais com os já consolidados.
A forma hegemônica estabelecida pela aliança objetificada na troca estabelece,
assim, uma espécie de verdade social (Ideologia). Os parceiros agora unidos buscam
usar essa verdade a titulo de dar um significado universalizante a ela em relação ao
social mais geral.
Criam uma unidade de interesses e, através dela busca submeter o social em
geral, e os indivíduos neles presentes, aos critérios desta verdade afiançada em alianças
possíveis, os procurando configurar como produtos em processo desta verdade. O que
amplia o caráter conflitual das partes em relação e os processos sempre ambivalentes de
uma dominação que precisa sempre está reforçando o seu aparato de dominação, ou
mesmo abrindo espaços para inclusão de novas perspectivas ou projetos que se alinhem
à sua prática hegemônica, ou combatendo os projetos dissonantes em busca de
objetivação e ruptura à verdade estabelecida.

Notas finais
Este ensaio procurou situar os caminhos teórico-metodológicos organizados
através da crise epistemológica dos anos de 1970 nos Estados Unidos que deu origem a
antropologia e a sociologia das emoções e colocou as emoções como uma categoria
central nas análises do social. Tentou levantar pontos importantes da releitura da
tradição das ciências sociais, - e, aqui, especificamente, da antropologia e da sociologia,
- feita pelos críticos das antigas bases epistêmicas que organizaram as ciências sociais,
para, através dela, situar novas formas de pensar o social e a cultura e as relações entre
pesquisador e pesquisado que organizou os novos campos surgidos pela e através da
crise, e aqui, especificamente a antropologia e a sociologia das emoções como novas
áreas disciplinares.

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Este ensaio procurou, ainda, situar as emoções como inerentes à análise do


social e do cultural e a instauração da categoria emoções como a categoria central de
análise das ciências sociais. O que configurou a delimitação de um lugar de fala dos
estudiosos da relação emoções, cultura e sociedade no interior da tradição disciplinar
das ciências sociais.
Hoje, por fim, estes novos campos das ciências sociais: antropologia e a
sociologia das emoções conformam uma área e ocupam um espaço consolidado nas
ciências sociais mundiais e brasileiras.

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