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Direito Constitucional

STF, Plenário, Info 927: Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI
estadual julgada primeiro.

Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal


de justiça local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual – somente
prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas:

1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência da ação e

2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da Constituição do


Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle de
constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a jurisdição
do STF para o controle abstrato de constitucionalidade.

STF, Plenário, Info 927: Viola a igualdade a exigência de que o cargo público seja
ocupado por indivíduo com curso de administração pública mantido por instituição
pública credenciada no respectivo Estado

É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de administrador público, exige que
ele seja ocupado por profissional graduado em Curso de Administração Pública mantido
por Instituição Pública de Ensino Superior, credenciada no respectivo Estado.

Essa previsão da lei estadual ofende o princípio constitucional da igualdade no acesso a


cargos públicos. Além disso, essa regra também viola o art. 19, III, da Constituição Federal,
que proíbe a criação de distinções ilegítimas entre brasileiros.

STF, Plenário, Info 927: É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de
autarquia (no caso, era Técnico Superior do DETRAN) será responsável por:

• representar a entidade “em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse da
autarquia”.

• praticar “todos os demais atos de natureza judicial ou contenciosa, devendo, para tanto,
exercer as suas funções profissionais e de responsabilidade técnica regidas pela Ordem
dos Advogados do Brasil OAB”.

Tais previsões violam o “princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do


Distrito Federal”, insculpido no art. 132 da CF/88.
A legislação impugnada, apesar de não ter criado uma procuradoria paralela, atribuiu ao
cargo de Técnico Superior do Detran/ES, com formação em Direito, diversas funções
privativas de advogado.

Ao assim agir, conferiu algumas atribuições de representação jurídica do DETRAN a


pessoas estranhas aos quadros da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. 132,
caput, da CF/88.

ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores façam a atuação jurídica no
âmbito interno da autarquia, sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e
formular medidas e soluções de otimização, fiscalização e auditoria (exs: interpretar textos
e instrumentos legais, elaborar pareceres sobre questões jurídicas que envolvam as
atividades da entidade, elaborar editais, contratos, convênios etc.). Essas atribuições
podem sim ser exercidas pelos Técnicos Superiores do DETRAN, sem que isso ofenda o
princípio da unicidade da representação judicial.

O STF entendeu que não se pode deslocar qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia
para a PGE, porque esta não conseguirá fazer frente a essa gama de trabalho, sob pena de
ter suas atividades inviabilizadas.

STF, 1ª Turma, Info 926: Sociedade de economia mista realizou concurso público para
advogado da empresa.

Mesmo havendo aprovados no certame, que ainda estava dentro do prazo de vigência, a
empresa decidiu contratar um escritório de advocacia para realizar os serviços jurídicos.
Diante disso, uma das Turmas do TRT reconheceu que houve preterição dos aprovados e
determinou a nomeação.

Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se aplicava, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei
nº 8.987/95. Essa decisão da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV
10. Isso porque o enfoque do acórdão do TRT não era a terceirização dos serviços, mas sim
a preterição arbitrária praticada pela Administração Pública.

STF, Plenário, Info 926: É inconstitucional lei estadual que impõe às montadoras,
concessionárias e importadoras de veículos a obrigação de fornecer veículo reserva a
clientes cujo automóvel fique inabilitado por mais de quinze dias por falta de peças
originais ou por impossibilidade de realização do serviço, durante o período de garantia
contratual.
STF, Plenário, Info 926: É constitucional lei estadual ou municipal que imponha sanções
às agências bancárias que não instalarem divisórias individuais nos caixas de atendimento.

Trata-se de matéria relativa a relação de consumo, o que garante ao Estado competência


concorrente para legislar sobre o tema (art. 24, V, da CF/88).

STF, Plenário, Info 926: É INCONSTITUCIONAL lei estadual que obriga as empresas
concessionárias de serviços de telecomunicações a manterem escritórios regionais e
representantes legais para atendimento presencial de consumidores em cidades com
população superior a 100 mil habitantes, bem como a divulgarem os correspondentes
endereços físicos no site, no contrato de prestação de serviços e nas faturas enviadas aos
usuários.

Trata-se de matéria relativa a “serviços públicos de telecomunicações”, cuja competência


é privativa da União (art. 21, XI e art. 22, IV, da CF/88).

STF, Plenário, Info 926: É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga e
transforme órgãos internos da Polícia Civil do Distrito Federal.

Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a competência da União para manter e
organizar a Polícia Civil do Distrito Federal. Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88
trata tanto de competência administrativa quanto legislativa, sendo a matéria, portanto,
atribuída, prioritariamente, à União.

As leis distritais impugnadas, ao criarem cargos em comissão e novos órgãos, também


instituíram novas obrigações pecuniárias a serem suportadas pela União. Ocorre que é
vedado ao Distrito Federal valer-se de leis distritais para instituir encargos financeiros a
serem arcados pela União. Como as leis distritais declaradas inconstitucionais eram muito
antigas (2001, 2002 e 2005), o STF decidiu modular os efeitos da decisão.

STF, 1ª Turma, Info 926: O estrangeiro que estava no Brasil e foi extraditado para outro
país somente pode ser julgado ou cumprir pena no estrangeiro pelo crime contido no
pedido de extradição.

Se o extraditando havia cometido outro crime antes do pedido de extradição, não poderá,
em regra, responder por tais delitos se não constou expressamente no pedido de
extradição. A isso se dá o nome de “princípio da especialidade”.

Ex.: a Alemanha pediu ao Brasil a extradição do alemão mencionando o crime 1; logo, em


regra, o réu somente poderá responder por este delito; se havia um crime 2, praticado
antes do pedido de extradição, o governo brasileiro deveria ter mencionado
expressamente não apenas o crime 1, como também o 2.
Para que o réu responda pelo crime 2, o governo alemão deverá formular ao Estado
estrangeiro um pedido de extensão da autorização da extradição. Isso é chamado de
“extradição supletiva”. No caso concreto, o STF autorizou o pedido de extensão. É possível
o pedido de extensão ou de ampliação nas hipóteses em que já deferida a extradição,
desde que observadas as formalidades em respeito ao direito do súdito estrangeiro (dupla
tipicidade, inexistência de prescrição e demais requisitos).

STF, 1ª Turma, Info 923: O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com um número
elevado de partes interessadas não significa, necessariamente, violação ao devido processo
legal. O prejuízo à defesa deve ser analisado concretamente, à luz das especificidades do
caso. No caso concreto, tendo em vista que todos os interessados foram intimados para se
manifestarem no processo e o que CNJ enfrentou de maneira detida as teses jurídicas por
eles apresentadas, não há que se falar em anulação do ato impugnado.

STF, Plenário, Info 922 (ADPF): São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos
que determinem ou promovam:

• o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas;

• o recolhimento de documentos (ex: panfletos);

• a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários;

• a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de


depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do
pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de
universidades públicas e privadas.

STF, Plenário, Info 921: Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição
obrigatória dos alunos matriculados nos Colégios Militares do Exército Brasileiro. Os
Colégios Militares apresentam peculiaridades que fazem com que eles sejam instituições
diferentes dos estabelecimentos oficiais de ensino, por razões éticas, fiscais, legais e
institucionais.

Podem, assim, ser qualificados como instituições educacionais sui generis. A quota mensal
escolar exigida nos Colégios Militares não representa ofensa à regra constitucional de
gratuidade do ensino público, uma vez que não há violação ao núcleo de intangibilidade
do direito fundamental à educação. Por fim, deve-se esclarecer que esse valor cobrado dos
alunos para o custeio das atividades do Sistema Colégio Militar do Brasil não possui
natureza tributária (não é tributo). Logo, é válida a sua instituição por meio de atos
infralegais.

Portanto, são válidos os arts. 82 e 83, da Portaria 42/2008 do Comandante do Exército, que
disciplinam essa cobrança.

STF, Plenário, Info 921 (RG): São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou
similares à prestação de serviços de acondicionamento ou embalagem das compras, por
violação ao princípio da livre iniciativa (art. 1º, IV e art. 170 da CF/88).

STF, Plenário, Info 921: A CE/AP trouxe regra dizendo que se o Prefeito ou o Vice-Prefeito
for viajar ao exterior, “por qualquer tempo”, ele deverá pedir uma licença prévia da
Câmara Municipal para a viagem. O STF considerou inconstitucional a expressão “por
qualquer tempo”.

Essa regra de “por qualquer tempo” está em desacordo com o princípio da simetria. Isso
porque a CF/88 somente exige autorização do Congresso Nacional se a ausência do
Presidente da República for superior a 15 dias (art. 49, III).

De igual modo, a Constituição do Estado do Amapá também só exige autorização da


Assembleia Legislativa se a ausência do Governador (ou do Vice) for superior a 15 dias
(art. 118, § 1º).

Logo, a exigência de autorização da Câmara Municipal para que o Prefeito possa se


ausentar por períodos menores que 15 dias quebra a simetria existente em relação ao
Governador.

STF, Plenário, Info 921: É constitucional norma de Constituição Estadual que preveja que
“o Estado e os Municípios reservarão vagas em seus respectivos quadros de pessoal para
serem preenchidas por pessoas portadoras de deficiência.”

Apesar de, em tese, a Constituição Estadual não poder dispor sobre servidores municipais,
sob pena de afronta à autonomia municipal, neste caso não há inconstitucionalidade,
considerando que se trata de mera repetição de norma da CF/88:

Art. 37 (...) VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas
portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;

STF, Plenário, Info 921: A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é


compatível com a Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo
único, no art. 14, II e III e no art. 49, VI, da CF/88. Embora a Constituição Federal não
autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para
normas infraconstitucionais, não há impedimento para que as Constituições Estaduais
prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta Federal.

STF, Plenário, Info 921: O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a
CF/88 determina que o Estado deverá repassar 25% da receita do ICMS aos Municípios.
Esse repasse será realizado após cálculos que são feitos para definir o valor da cota-parte
que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo art. 158, parágrafo único, da
CF/88 e pela lei estadual.

A Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os


cálculos das cotas do ICMS devidas aos Municípios. Este dispositivo é inconstitucional.

Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à homologação do TCE representa ofensa ao


princípio da separação e da independência dos Poderes.

STF, Plenário, Info 921 (RG): O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil
pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao
patrimônio público.

STF, Plenário, Info 921: A atuação da Procuradoria da Assembleia Legislativa deve ficar
limitada à defesa das prerrogativas inerentes ao Poder Legislativo.

Em outras palavras, é possível a existência de Procuradoria da Assembleia Legislativa,


mas este órgão ficará responsável apenas pela defesa das prerrogativas do Poder
Legislativo.

A representação estadual como um todo, independentemente do Poder, compete à


Procuradoria-Geral do Estado (PGE), tendo em conta o princípio da unicidade
institucional da representação judicial e da consultoria jurídica para Estados e Distrito
Federal. No entanto, às vezes, há conflito entre os Poderes. Ex: o Poder Legislativo cobra
do Poder Executivo o repasse de um valor que ele entende devido e que não foi feito.
Nestes casos, é possível, em tese, a propositura de ação judicial pela Assembleia
Legislativa e quem irá representar judicialmente o órgão será a Procuradoria da ALE.

STF, Plenário, Info 921: É inconstitucional norma de Constituição Estadual que preveja que
compete ao Governador nomear e exonerar o “Procurador da Fazenda Estadual”.
Isso porque o art. 132 da CF/88 determina que a representação judicial e a consultoria
jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pelos
“Procuradores dos Estados e do Distrito Federal”. Essa previsão do art. 132 da CF/88 é
chamada de princípio da unicidade da representação judicial e da consultoria jurídica dos
Estados e do Distrito Federal. Em outras palavras, só um órgão pode desempenhar esta
função e se trata da Procuradoria-Geral do Estado, que detém essa competência funcional
exclusiva. O modelo constitucional da atividade de representação judicial e consultoria
jurídica dos Estados exige a unicidade orgânica da advocacia pública estadual,
incompatível com a criação de órgãos jurídicos paralelos para o desempenho das mesmas
atribuições no âmbito da Administração Pública Direta ou Indireta.

STF, 2ª Turma, Info 921: Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em
tiroteio ocorrido em via pública.

Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais ontra o jornal
alegando que houve violação aos direitos de imagem.

O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma
de censura, o que afronta a liberdade de informação jornalística.

STF, Plenário, Info 920: É inconstitucional lei municipal que cria concurso de
prognósticos de múltiplas chances (loteria) em âmbito local. A competência para tratar
sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme determina o art.
22, XX, da CF/88. Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é inconstitucional a lei ou ato
normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios,
inclusive bingos e loterias.

STF, Plenário, Info 920: É constitucional lei estadual que:

• assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal, a livre


organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos
Estudantes.

• estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos
critérios, dos estatutos e demais questões referentes à organização dos Centros
Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.
• determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas
dependências, para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios
Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis.

Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições federais e
particulares de ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de
competência da União.

Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa
para as entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima
listadas.

STF, Plenário, Info 920: É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como
amicus curiae. Assim, tanto a decisão do Relator que ADMITE como a que INADMITE o
ingresso do amicus curiae é irrecorrível.

STF, Plenário, Info 919 (RG): A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) somente exige a anterioridade da
gravidez à dispensa sem justa causa. O único requisito exigido é de natureza biológica.
Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez tenha ocorrido antes da dispensa
arbitrária, não sendo necessários quaisquer outros requisitos, como o prévio conhecimento
do empregador ou da própria gestante.

Assim, é possível assegurar a estabilidade à gestante mesmo que no momento em que ela
tenha sido demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.

STF, Plenário, Info 919 (RG): É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar
o art. 94, II, da Lei nº 9.472/97, sem observar a cláusula de reserva de plenário (art. 97, da
CF/88), observado o art. 949 do CPC/2015.

STF, Plenário, Info 919: A competência para editar lei fixando o piso salarial das
categorias profissionais (art. 7º, V, da CF/88) é privativa da União por se tratar de direito
do trabalho (art. 22, I). A União editou a LC federal 103/2000 autorizando que os Estados-
membros e o DF editem leis fixando o piso salarial dos profissionais de acordo com suas
realidades regionais.
Ocorre que a União exigiu, dentre outros requisitos, que essa lei seja de iniciativa do chefe
do Poder Executivo estadual (Governador). Se uma lei estadual/distrital de iniciativa
parlamentar fixa o piso salarial, essa lei ultrapassa os limites impostos pela LC federal
103/2000 e, em última análise, viola diretamente o art. 22, I e parágrafo único, da CF/88,
sendo considerada inconstitucional. Assim, a extrapolação dos limites da competência
legislativa delegada pela União aos Estados e ao Distrito Federal representa a usurpação
de competência legislativa da União para legislar sobre direito do trabalho (art. 22, I e
parágrafo único) e, consequentemente, a inconstitucionalidade formal da lei delegada.

STF, Plenário, Info 919: É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos
poderes, lei estadual que exige autorização prévia do Poder Legislativo estadual
(Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos de cooperação pelos
órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA.

Também é inconstitucional lei estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do
meio ambiente só poderá transferir responsabilidades ou atribuições para outros órgãos
componentes do SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia Legislativa.

STF, Plenário, Info 918: Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a
lei ou ato normativo inconstitucional, ele poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos
dessa decisão.

STF, Plenário, Info 917: Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de
Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho recomendando aos juízes que considerem
como sendo da Justiça do Trabalho a competência para autorizar o trabalho de crianças e
adolescentes em eventos de natureza artística.

Esta recomendação deve ser considerada como ato de caráter primário, autônomo e
cogente, inovando no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por
meio de ADI.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) possui legitimidade


para propor ADI contra ato normativo que previa que a competência para autorizar o
pedido de trabalho de crianças e adolescentes em espetáculos artísticos seria da Justiça do
Trabalho.

A ABERT enquadra-se no conceito de entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX,
da CF/88) e possui pertinência temática para questionar ato normativo que versa sobre
esse tema, considerando a participação de crianças e adolescentes nos programas de suas
associadas.
MÉRITO: Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e juventude) apreciar os
pedidos de alvará visando a participação de crianças e adolescentes em representações
artísticas.

Não se trata de competência da Justiça do Trabalho.

O art. 114, I e IX, da CF/88 não abrange os casos de pedido de autorização para
participação de crianças e adolescentes em eventos artísticos, considerando que não há, no
caso, conflito atinente a relação de trabalho. Trata-se de pedido de conteúdo nitidamente
civil.

STF, 2ª Turma, Info 917: É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de
mercadorias realizada na saída de estabelecimentos comerciais localizados na cidade. A
Lei prevê que, após o cliente efetuar o pagamento nas caixas registradoras da empresa
instaladas, não é possível nova conferência na saída.

Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, I,
da CF/88), ainda que, de modo reflexo, tratem de direito comercial ou do consumidor.

STF, Plenário, Info 847, RG: 1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de
cumprimento de requisição ou determinação de providências por parte da União, por
intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12, parágrafo 4º, e 18,
caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e violação de direito
líquido e certo. 2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das
indenizações devidas aos anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de
disponibilidade de caixa, a União há de promover o pagamento do valor ao anistiado no
prazo de 60 dias. 3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade orçamentária no
exercício em curso, cumpre à União promover sua previsão no projeto de lei orçamentária
imediatamente seguinte.

STF, Plenário, Info 916: É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese
de transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição pública, se inexistir
instituição congênere à de origem.

STF, Plenário, Info 915 (RG): Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar
(homeschooling) como meio lícito de cumprimento, pela família, do dever de prover
educação.

Não há, na CF/88, uma vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88, apesar de não o
prever expressamente, não proíbe o ensino domiciliar.
No entanto, o ensino domiciliar não pode ser atualmente exercido porque não há
legislação que regulamente os preceitos e as regras aplicáveis a essa modalidade de ensino.

Assim, o ensino domiciliar somente pode ser implementado no Brasil após uma
regulamentação por meio de lei na qual sejam previstos mecanismos de avaliação e
fiscalização, devendo essa lei respeitar os mandamentos constitucionais que tratam sobre
educação.

STF, 2ª Turma, Info 915: O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de
lei ou ato normativo de forma a substituir a competência do STF.

Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora
respaldado por legislação estadual, se distancie do entendimento do STF.

Assim, o CNJ pode afirmar que determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se
esse entendimento já estiver pacificado no STF. Isso porque, neste caso, o CNJ estará
apenas aplicando uma jurisprudência, um entendimento já pacífico.

As leis estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a
1/3 são inconstitucionais. Isso porque essa majoração do percentual de férias não encontra
respaldo na LOMAN, que prevê, de forma taxativa, as vantagens conferidas aos
magistrados, sendo essa a Lei que deve tratar do regime jurídico da magistratura, por
força do art. 93 da CF/88.

Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que pagam
adicional de férias superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias
Legislativas reduzindo esse percentual.

STF, Plenário, Info 914: A competência para legislar sobre as atividades que
envolvam organismos geneticamente modificados (OGM) é concorrente (art. 24, V, VIII e
XII, da CF/88).

No âmbito das competências concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos
Estados-membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§ 1º e 2º).

Determinado Estado-membro editou lei estabelecendo que toda e qualquer atividade


relacionada com os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à legislação
federal específica”.

O STF entendeu que essa lei estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira
“renúncia” ao exercício da competência legislativa concorrente prevista no art. 24, V, VIII e
XII, da CF/88. Em outras palavras, o Estado abriu mão de sua competência suplementar
prevista no art. 24, § 2º da CF/88.
Essa norma estadual remissiva fragiliza a estrutura federativa descentralizada, e consagra
o monopólio da União, sem atentar para nuances locais.

Assim, é inconstitucional lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e


das atividades com organismos geneticamente modificados à regência da legislação
federal.

STF, Plenário, Info 909: São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro
e seis anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil e no ensino fundamental,
bem como a fixação da data limite de 31 de março para que referidas idades estejam
completas.

STF, Plenário, Info 908: São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos
da Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que extinguiram a obrigatoriedade da
contribuição sindical e condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa autorização
dos filiados.

No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais
de direito tributário (art. 146, III, “a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei
complementar para tratar sobre matéria relativa a contribuições.

Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da
CF/88, pois a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele
mencionados, quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de
crédito presumido, anistia ou remissão.

Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação
profissional ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado
a sindicato (art. 8º, V, da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante
tanto ao trabalhador quanto ao empregador a liberdade de se associar a uma organização
sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa representação.

Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição


sindical é compulsória.

Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de


associação, sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha
uma contribuição compulsória a todos os integrantes das categorias econômicas e
profissionais.

Direito Civil

STF, Plenário, Info 911 (RG): O transgênero tem direito fundamental subjetivo à
alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro civil, não se
exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa.

Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão
do termo “transgênero”.

Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada
a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou
por determinação judicial.

Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício


ou a requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração
dos demais registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão
preservar o sigilo sobre a origem dos atos.

Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de


transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes,
possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no registro civil.

Direito Processual Civil

STF, Plenário, Info 921: Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF
vigente à época e, posteriormente, esse entendimento foi alterado, não se pode dizer que
essa decisão impugnada tenha violado literal disposição de lei para fins da ação rescisória
prevista no art. 485, V, do CPC/1973.

Desse modo, não cabe ação rescisória em face de acórdão que, à época de sua prolação,
estava em conformidade com a jurisprudência predominante do STF.
STF, Plenário, Info 921 (RG): O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil
pública que vise anular ato administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao
patrimônio público.

STF, Plenário, Info 916: A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes
é impugnável por meio de ação anulatória (art. 966, § 4º, do CPC/2015; art. 486 do
CPC/1973). Não cabe ação rescisória neste caso.

Se a parte propôs ação rescisória, não é possível que o Tribunal receba esta demanda como
ação anulatória aplicando o princípio da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio
da fungibilidade para recursos (e ação anulatória e a ação rescisória não são recursos).

STF, Plenário, Info 916: São constitucionais o parágrafo único do art. 741 e o § 1º do
art. 475-L do CPC/1973, bem como os correspondentes dispositivos do CPC/2015 (art. 525,
§ 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º).

São dispositivos que, buscando harmonizar a garantia da coisa julgada com o primado da
Constituição, vieram agregar ao sistema processual brasileiro um mecanismo com eficácia
rescisória de sentenças revestidas de vício de inconstitucionalidade qualificado, assim
caracterizado nas hipóteses em que:

a) a sentença exequenda (“sentença que está sendo executada”) esteja fundada em uma
norma reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma inconstitucional, seja
por aplicar norma em situação ou com um sentido inconstitucionais; ou

b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente constitucional;


e

c) desde que, em qualquer dos casos, o reconhecimento dessa constitucionalidade ou a


inconstitucionalidade tenha decorrido de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)
realizado em data anterior ao trânsito em julgado da sentença exequenda.

STF, 2ª Turma, Info 912: Em regra, é indispensável a intimação do Ministério


Público para opinar nos processos de mandado de segurança, conforme previsto no art. 12
da Lei nº 12.016/2009.

No entanto, a oitiva do Ministério Público é desnecessária quando se tratar de controvérsia


acerca da qual o tribunal já tenha firmado jurisprudência.
Assim, não há qualquer vício na ausência de remessa dos autos ao Parquet que enseje
nulidade processual se já houver posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é
legítima a apreciação de pronto pelo relator.

STF, 1ª Turma, Info 911: Em regra, não produzem fato consumado a posse e o
exercício em cargo público decorrentes de decisão judicial tomada à base de cognição não-
exauriente.

Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que
assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista.
Trata-se do entendimento firmado no RE 608482/RN (Tema 476).

A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer vários anos no cargo,


conseguiu a concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado grau de
estabilidade da situação jurídica, o princípio da proteção da confiança legítima incide com
maior intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a distinção
(distinguish) quanto ao leading case do RE 608482/RN (Tema 476).

Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se
aposentou, antes do julgamento final do mandado de segurança, por tempo de
contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição ao sistema, a denegação
posterior da segurança que inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não
pode ocasionar a cassação da aposentadoria.

STF, Plenário, Info 911: O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de
ação civil pública que vise o fornecimento de remédios a portadores de certa doença.

Direito Administrativo
STF, Plenário, Info 924 (RG): Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos
testes físicos em concursos públicos?

REGRA: NÃO.

Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos
testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter
fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no edital permitindo essa
possibilidade.

EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem.

É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à


época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso
público.
STF, 1ª Turma, Info 923: Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de
boa-fé por servidor público, percebidos a título precário no período em que liminar
produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores recebidos por liminar revogada,
em razão de mudança de jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores
recebidos indevidamente, circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé.

STF, 2ª Turma, Info 923: Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos
interinos de serventias extrajudiciais.

STF, Plenário, Info 920: É inconstitucional determinação judicial que decreta a


constrição de bens de sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos em
regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos trabalhistas.

Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita
ao regime de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer
constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade
orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art.
60, § 4º, III).

STF, Plenário, Info 919 (RG): A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)
tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados.

STF, Plenário, Info 919 (RG): Não incide contribuição previdenciária sobre verba
não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de
férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade.

STF, 2ª Turma, Info 914: A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de


Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não
caracteriza ato de improbidade administrativa.

Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de natureza política,


como, por exemplo, Secretário Municipal.

Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido


a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento
de que tal prática não configura nepotismo.
Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político
caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta
ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado.

STF, Plenário, Info 910 (RG): São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário
fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa.

STF, 1ª Turma, Info 910: Não se submetem ao regime de precatório as empresas


públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e
autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com
finalidade de lucro.

Direito Eleitoral

STF, 2ª Turma, Info 921: Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do


art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do poder constituinte foi a de
proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o
mesmo cargo no Poder Executivo.

Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três
mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente.

A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo


familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo
colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão.

Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio.
Seis meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de
Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o
mandato de Prefeito. Em 2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de
Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo familiar.
STF, Plenário, Info 917: É válido o cancelamento do título do eleitor que,
convocado por edital, não comparecer ao processo de revisão eleitoral, em virtude do que
dispõe o art. 14, caput, e § 1º da CF/88.

São válidos o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.444/85 e as Resoluções do TSE que preveem o
cancelamento do título dos eleitores que não comparecerem à revisão eleitoral.

Direito Penal
STF, Plenário, Info 927: O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança
de multa decorrente de sentença penal condenatória transitada em julgado, com a
possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda Pública. Quem executa a pena de
multa?

• Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP.

• Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a
Fazenda Pública irá executar, na vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80.

Resta superada a Súmula 521 do STJ.

STF, Plenário, Info 920: para configurar o delito de calúnia é necessária a comprovação da
lesividade da conduta. Como o suposto atingido afirma não ter se ofendido com as
declarações, não há prova da materialidade da conduta delituosa.

STF, 1ª Turma, Info 920: Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937
QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais que estavam tramitando no Supremo
envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou com a função desempenhada pela
autoridade, foram remetidos para serem julgados em 1ª instância. Isso porque o STF
definiu, como 1ª tese, que “o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes
cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”.

O entendimento acima não se aplica caso a instrução já tenha se encerrado. Em outras


palavras, se a instrução processual já havia terminado, mantém-se a competência do STF
para o julgamento de detentores de foro por prerrogativa de função, ainda que o processo
apure um crime que não está relacionado com o cargo ou com a função desempenhada.
Isso porque o STF definiu, como 2ª tese, que “após o final da instrução processual, com a
publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência
para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público
vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.”

STF, Plenário, Info 920: Em regra, cabem embargos infringentes para o Plenário do STF
contra decisão condenatória proferida pelas Turmas do STF, desde que 2 Ministros tenham
votado pela absolvição. Neste caso, o placar terá sido 3 x 2, ou seja, 3 Ministros votaram
para condenar e 2 votaram para absolver.

Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto, será


possível aceitar o cabimento dos embargos infringentes mesmo que tenha havido apenas 1
voto absolutório. Isso porque o réu não pode ser prejudicado pela ausência do quórum
completo.

STF, 1ª Turma, Info 919: A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor
de mensagem que insinua que o seu marido tem uma relação extraconjugal com outro
homem.

Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação homossexual extraconjugal


com outro homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-crime
por injúria, alegando que também é ofendida.

STF, 1ª Turma, Info 915: O diretor de organização social pode ser considerado
funcionário público por equiparação para fins penais (art. 327, § 1º do CP). Isso porque as
organizações sociais que celebram contratos de gestão com o Poder Público devem ser
consideradas “entidades paraestatais”, nos termos do art. 327, § 1º do CP.

STF, 2ª Turma, Info 915: Não configura crime a importação de pequena quantidade
de sementes de maconha.

STF, 1ª Turma, Info 913: Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância


gera a absolvição do réu pela atipicidade material. Em outras palavras, o agente não
responde por nada.

Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como


o réu era reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para
conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, afastando
o óbice do art. 44, II, do CP
STF, 2ª Turma, Info 911: Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o
réu já responder a outra ação penal pelo mesmo delito) é um parâmetro (critério) que
afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando de bem de reduzido valor.

Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o


afastamento dessa regra e a aplicação do princípio, com base na ideia da
proporcionalidade.

STF, 2ª Turma, Info 911: Em caso de crimes contra a ordem tributária, o prazo da
prescrição da pretensão punitiva fica suspenso durante o parcelamento do débito
tributário (art. 9º, §1º, da Lei 10.684/2003).

STF, 1ª Turma, Info

Direito Processual Penal


STF, Plenário, Info 927: Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo
Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso significa que deverá ser realizado um novo
júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta neste segundo julgamento não
poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro júri.

Em outras palavras, se apenas o réu recorreu contra a sentença que o condenou e o


Tribunal decidiu anular a sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova
sentença, se também for condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada
na primeira. Isso é chamado de princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem
aplicação também no Tribunal do Júri.

A soberania do veredicto dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) autoriza a
reformatio in pejus indireta.

STF, Plenário, Info 927 (RG): É válida a cobrança da contribuição para o PASEP das
empresas estatais, ao passo que as empresas privadas recolhem para o PIS, tributo
patrimonialmente menos gravoso. Não ofende o art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal a
escolha legislativa de reputar não equivalente a situação das empresas privadas com
relação às sociedades de economia mista, às empresas públicas e suas respectivas
subsidiárias exploradoras de atividade econômica, para fins de submissão ao regime
tributário das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa
de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), à luz dos princípios da
igualdade tributária e da seletividade no financiamento da Seguridade Social.

STF, 2ª Turma, Info 923: É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia


e Tratamento Psiquiátrico – estabelecimento penal – de pessoa com diagnóstico de doença
psíquica que teve extinta a punibilidade. Essa situação configura uma privação de
liberdade sem pena.

STF, 2ª Turma, Info 922: É possível o compartilhamento, para outros órgãos e


autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de colaboração premiada, desde que
sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação ao colaborador.

Assim, por exemplo, se um indivíduo celebra acordo de colaboração premiada com o MP


aceitando fornecer provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as
sanções que foram ajustadas no acordo.

OBS.: Ainda que remetido a outros órgãos do Poder Judiciário para apuração dos fatos
delatados, o juízo que homologou o acordo de colaboração premiada continua sendo
competente para analisar os pedidos de compartilhamento dos termos de depoimentos
prestados no âmbito da colaboração.

STF, 1ª Turma, Info 922: Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a
execução provisória da pena mesmo antes de o Tribunal julgar a apelação interposta pela
defesa? Há divergência no STF.

No Info 922, a 1ª Turma decidiu que é possível a execução da condenação pelo Juiz
Presidente do Tribunal do Júri, independentemente do julgamento da apelação ou de
qualquer outro recurso, em face do princípio da soberania dos veredictos. Assim, nas
condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar julgamento de recurso em
segundo grau de jurisdição para a execução da pena.

STF, 1ª Turma, Info 922: Sustentação oral do MP pode discordar do parecer


oferecido por outro membro do Parquet. A sustentação oral do representante do
Ministério Público que diverge do parecer juntado ao processo, com posterior ratificação,
não viola a ampla defesa.

STF, 1ª Turma, Info 922: Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal
de justiça que, ao julgar recurso de apelação exclusivo da defesa, mantém a reprimenda
aplicada pelo magistrado de primeiro grau, porém com fundamentos diversos daqueles
adotados na sentença. Não viola o princípio da proibição da reformatio in pejus a
reavaliação das circunstâncias judiciais em recurso de apelação penal, no âmbito do efeito
devolutivo, desde que essa não incorra em aumento de pena. Não há falar em reformatio
in pejus se os motivos expendidos pelo julgador em sede de apelação exclusiva da defesa
não representaram advento de situação mais gravosa para o réu.

STF, 1ª Turma, Info 921: Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário
preso preventivamente sob a imputação de tráfico de drogas por ter sido encontrado com
887,89 gramas de maconha e R$ 1.730,00. O STF considerou genéricas as razões da
segregação cautelar do réu.

Além disso, reconheceu como de pouca nocividade a substância entorpecente apreendida


(maconha).

Reputou que a prisão de jovens pelo tráfico de pequena quantidade de maconha é mais
gravosa do que a eventual permanência em liberdade, pois serão fatalmente cooptados ou
contaminados por uma criminalidade mais grave ao ingressarem no ambiente carcerário.

STF, 1ª Turma, Info 921: Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado
constituído nos autos e a intimação para a sessão de julgamento ocorre em nome de
apenas um dos causídicos que, no entanto, já havia falecido, mas cuja morte não tinha sido
comunicada ao Tribunal. Vale ressaltar que, neste caso, não havia pedido da defesa para
que todos os advogados fossem intimados ou para que constasse o nome de um causídico
em específico nas publicações.

Assim, estando o réu representado por mais de um advogado, basta, em regra, que a
intimação seja realizada em nome de um deles para a validade dos atos processuais, salvo
quando houver requerimento expresso para que as publicações sejam feitas de forma
diversa.

STF, 2ª Turma, Info 919: Nada impede que o magistrado das execuções criminais,
facultativamente, requisite o exame criminológico e o utilize como fundamento da decisão
que julga o pedido de progressão.

STF, 1ª Turma, Info 918: Nos processos criminais que tramitam perante o STF e o
STJ, cujo procedimento é regido pela Lei nº 8.038/90, o interrogatório também é o último
ato de instrução.
Apesar de não ter havido uma alteração específica do art. 7º da Lei 8.038/90, com base no
CPP, entende-se que o interrogatório é um ato de defesa, mais bem exercido depois de
toda a instrução, porque há possibilidade do contraditório mais amplo.

Assim, primeiro devem ser ouvidas todas as testemunhas arroladas pela acusação e pela
defesa para, só então, ser realizado o interrogatório.

STF, 1ª Turma, Info 917: A decisão que, na audiência de custódia, determina o


relaxamento da prisão em flagrante sob o argumento de que a conduta praticada é atípica
não faz coisa julgada.

Assim, esta decisão não vincula o titular da ação penal, que poderá oferecer acusação
contra o indivíduo narrando os mesmos fatos e o juiz poderá receber essa denúncia.

STF, 2ª Turma, Info 914: Não se admite agravo regimental contra decisão do Ministro
Relator que, motivadamente, defere ou indefere liminar em habeas corpus.

STF, 2ª Turma, Info 913: É possível o compartilhamento, para outros órgãos e


autoridades públicas, das provas obtidas no acordo de leniência, desde que sejam
respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes.

Assim, por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o MPF aceitando
fornecer provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que
foram ajustadas no acordo.

No entanto, nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os
órgãos de apuração para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas
envolvidas nos ilícitos e que não fizeram parte do acordo.

Direito Tributário
STF, Plenário, Info 914: As Caixas de Assistência de Advogados encontram-se tuteladas
pela imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal.

A Caixa de Assistência dos Advogados é um “órgão” integrante da estrutura da OAB, mas


que possui personalidade jurídica própria. Sua finalidade principal é prestar assistência
aos inscritos no respectivo no Conselho Seccional (art. 62 da Lei nº 8.906/94).

As Caixas de Assistências prestam serviço público delegado e possuem status jurídico de


ente público. Vale ressaltar ainda que elas não exploram atividades econômicas em sentido
estrito com intuito lucrativo. Diante disso, devem gozar da imunidade recíproca, tendo em
vista a impossibilidade de se conceder tratamento tributário diferenciado a órgãos
integrantes da estrutura da OAB.

Direito Processual do Trabalho

STF, Plenário, Info 927: É constitucional a fixação de depósito prévio como condição de
procedibilidade de ação rescisória. Esse depósito prévio, correspondente a 20% do valor
da causa, é previsto no art. 836 da CLT, com redação dada pela Lei nº 11.495/2007. O
depósito prévio para ajuizamento da ação rescisória é razoável e visa desestimular ações
temerárias.

Direito Ambiental
STF, Plenário, Info 919: Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de
veículos, sejam eles motorizados ou não, transportando cargas vivas nas áreas urbanas e
de expansão urbana do Município.

Essa lei municipal invade a competência da União.

O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão


urbana de seu território, transgrediu a competência da União, que já estabeleceu, à
exaustão, diretrizes para a política agropecuária, o que inclui o transporte de animais
vivos e sua fiscalização.

Além disso, sob a justificativa de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o
legislador municipal impôs restrição desproporcional.

Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação federal já


prevê uma série de instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos
destinados ao consumo pela população e, de outro, a existência digna e a ausência de
sofrimento dos animais, tanto no transporte quanto no seu abate.

STF, Plenário, Info 919: É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos
poderes, lei estadual que exige autorização prévia do Poder Legislativo estadual
(Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos de cooperação pelos
órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA.
Também é inconstitucional lei estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do
meio ambiente só poderá transferir responsabilidades ou atribuições para outros órgãos
componentes do SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia Legislativa.

STF, Plenário, Info 916: É inconstitucional lei estadual prevendo que é possível a
supressão de vegetal em Área de Preservação Permanente (APP) para a realização de
“pequenas construções com área máxima de 190 metros quadrados, utilizadas
exclusivamente para lazer”.

Essa lei possui vícios de inconstitucionalidade formal e material.

Há inconstitucionalidade formal porque o Código Florestal (lei federal que prevê as


normas gerais sobre o tema, nos termos do art. 24, § 1º, da CF/88) não permite a instalação
em APP de qualquer tipo de edificação com finalidade meramente recreativa.

Existe também inconstitucionalidade material porque houve um excesso e abuso da


lei estadual ao relativizar a proteção constitucional ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, cujo titular é a coletividade, em face do direito de lazer individual.