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Análise Econômica

do Sistema Geral de Preferências


Norte-Americano para o Brasil
Ano base 2008
Estudo realizado pelo Departamento de Negociações Internacionais da Secretaria de Comércio Exterior
sobre a utilização do Sistema Geral de Preferências concedido pelo Estados Unidos ao Brasil para o ano
de 2008.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR


SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR
DEPARTAMENTO DE NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS
COORDENAÇÃO-GERAL DE REGIMES DE ORIGEM
Miguel Jorge
Ministro

Welber Barral
Secretário de Comércio Exterior

Eliane de Souza Fontes


Diretora do Departamento de Negociações Internacionais

Maruska F. Aguiar
Coordenadora-Geral de Regimes de Origem

Autor

Luis Gustavo Ferreira


Analista de Comércio Exterior

Revisão

Maruska F. Aguiar

Suelaine Teodoro da Silva

Brasília, outubro de 2009


ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

ÍNDICE

1. APRESENTAÇÃO................................................................................................................. 1
2. INTRODUÇÃO...................................................................................................................... 1
3. IMPORTAÇÕES NORTE-AMERICANAS NO ÂMBITO DO SGP ................................... 1
4. LIMITES DE COMPETITIVIDADE E WAIVERS ............................................................... 4
5. ALCANCE ECONÔMICO DO SGP NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL EM 2008
.................................................................................................................................................... 6
5.1. Análise por número de códigos tarifários (8 dígitos HTSUS) ......................................... 7
5.2. Análise dos valores importados pelos Estados Unidos do Brasil .................................... 8
5.3. Graus de Participação e Utilização do SGP Norte-Americano ...................................... 11
5.4. Produtos que não receberam o tratamento preferencial ................................................. 13
5.5. Nível de proteção tarifária norte-americana aos produtos elegíveis ao SGP ................. 15
5.6. Produtos brasileiros que podem sofrer maior impacto, caso o SGP não seja renovado
após 2009 .............................................................................................................................. 17
5.7. Avaliação da redução das importações norte-americanas no âmbito do SGP entre os
anos de 2007 e de 2008 ......................................................................................................... 19
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 21
6.1. Questões internas e políticas nos Estados Unidos.......................................................... 21
6.2. Questões comerciais para o Brasil e para os Estados Unidos ........................................ 22
6.3. Redução das importações norte-americanas no âmbito do SGP entre os anos de 2007 23
6.4. Consideração sobre a metodologia utilizada.................................................................. 23
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

1. APRESENTAÇÃO

Com a presente publicação, o Departamento de Negociações Internacionais (DEINT) desta


SECEX divulga os resultados da Análise Econômica Anual do SGP Norte-Americano
referente ao ano de 2008.

Com a série iniciada em 2004, o DEINT disponibiliza, anualmente, informações sobre os


produtos exportados pela indústria brasileira aos Estados Unidos no âmbito do SGP.

Na análise levamos em consideração tanto as exportações brasileiras discriminadas pela


Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) quanto as importações norte-americanas pelo
Harmonized Tariff Schedule of the United States (HTSUS).

Com estes dados, novas perspectivas podem ser abertas, tanto para análises da composição da
exportação brasileira como para estudos de mercado futuro, onde é fundamental o vínculo
com as estatísticas.

Diante do exposto, a presente Nota tem por objetivo avaliar o alcance econômico do SGP
norte-americano para o Brasil, por meio do cálculo dos índices denominados Grau de
Participação e Grau de Utilização desse sistema no ano de 2008, em continuidade à análise
realizada por este Departamento em relação aos anos de 2004 a 2007 1 .

2. INTRODUÇÃO

O SGP norte-americano é o programa que tem por objetivo promover o crescimento


econômico dos países em desenvolvimento.

Por meio do SGP, os Estados Unidos outorgam tratamento tarifário preferencial com tarifa
zero para mais de 4.929 produtos (linhas tarifárias) de 143 países e territórios denominados
beneficiários 2 .

Esse programa foi instituído nos Estados Unidos em 01/01/1976, e autorizado no âmbito do
Trade Act of 1974 por um período de 10 anos. Essa autorização vem sendo renovada
periodicamente desde então, sendo a mais recente datada de 2008, quando a Casa de
Representantes dos Estados Unidos aprovou projeto de lei que, entre outras iniciativas,
estendeu a vigência do programa ate 31/12/2009 3 .

3. IMPORTAÇÕES NORTE-AMERICANAS NO ÂMBITO DO SGP

De acordo com os dados da United States International Trade Commission (USITC), em


termos comerciais, no ano de 2008, 1,51% das importações totais norte-americanas ocorreram
com a utilização do SGP, o que em valores representa US$ 31,6 bilhões do total de US$ 2,09
trilhões (importação para consumo em valores aduaneiros).
1
Nota Técnica nº 119/DEINT/2005, de 22/09/2005, Nota Técnica nº 66/DEINT/2006, de 24/08/2006, Nota
Técnica nº 59/DEINT/2007, de 19/07/2007 e Nota Técnica nº 47/DEINT/2008, de 27/03/2008, as quais
apresentaram as análises referentes aos anos de 2004 a 2007, respectivamente.
2
Conforme dados extraídos da United States International Trade Commission (USITC) (http://www.usitc.gov -
acesso em 21/07/2009).
3
http://www.govtrack.us/congress/bill.xpd?bill=h110-6560.

1
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Em relação ao ranking de maiores exportadores no âmbito do programa, o Brasil foi o quinto


país beneficiário que mais exportou nesse sistema no ano de 2008, ficando atrás de Angola,
Índia, Tailândia e Guiné Equatorial, conforme demonstram a Tabela 1 e o Gráfico 1, a seguir.

Cabe observar que as importações norte-americanas em 2008 provenientes de Angola no


âmbito do SGP foram em grande parte referentes a produtos do capítulo 27 do Sistema
Harmonizado (SH), ou seja, combustíveis minerais.

Tabela 1
Importações norte-americanas em 2008
10 principais países beneficiários do SGP
  (1) SGP  (2) IMPORT. TOTAIS  (1)/(2) 
País  US$  %  US$  %  % 
Angola  7.528.947.672 23,78% 18.763.433.798 2,68%  40,13%
Índia  3.965.423.815 12,52% 25.865.693.201 3,70%  15,33%
Tailândia  3.533.069.112 11,16% 23.487.724.361 3,36%  15,04%
Guiné Equatorial  2.805.026.330 8,86% 3.442.852.220 0,49%  81,47%
Brasil  2.753.752.311 8,70% 30.060.662.408 4,30%  9,16%
Indonésia  2.160.550.434 6,82% 15.659.583.315 2,24%  13,80%
África do Sul  1.456.822.276 4,60% 9.958.669.885 1,42%  14,63%
Argentina  1.399.990.337 4,42% 5.680.348.225 0,81%  24,65%
Turquia  916.731.956 2,90% 4.641.129.556 0,66%  19,75%
Filipinas  913.344.221 2,88% 8.700.312.047 1,24%  10,50%
Subtotal  27.433.658.464 86,64% 146.260.409.016 20,91%  18,76%
Outros  4.229.095.301 13,36% 553.285.547.163 79,09%  0,76%
TOTAL  31.662.753.765 100,00% 699.545.956.179 100,00%  4,53%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Gráfico 1

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

O Gráfico 2, a seguir, destaca o valor das importações norte-americanas totais e no âmbito do


SGP procedentes do Brasil em valores nos anos 1989 a 2008.

Gráfico 2

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Segundo a USITC, as importações totais norte-americanas procedentes do Brasil


apresentaram aumento de 138,82% entre os anos 1989 a 2008, o que nos dá uma taxa de
crescimento anual média igual a 6,94%.

Já em relação às importações norte-americanas procedentes do Brasil no âmbito do SGP,


pode-se verificar um aumento de 102,24%, o que representa uma taxa de crescimento anual
média de 5,11%.

Dessa forma, verifica-se que a taxa de crescimento anual média das importações norte-
americanas do Brasil no âmbito do SGP ficaram abaixo da taxa das importações totais do
Brasil no mesmo período, conforme pode ser observado no Gráfico 3, o qual apresenta os
percentuais das importações norte-americanas no âmbito do SGP procedentes do Brasil em
relação ao total importado pelos Estados Unidos do Brasil entre 1989 a 2008.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Gráfico 3

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Em 2008, os valores das importações norte-americanas totais e sob o programa procedentes


do Brasil alcançaram, respectivamente, o valor de US$ 30,06 bilhões e de US$ 2,75 bilhões.
Isso significa que ocorreu um aumento de 20,16% (de US$ 25,10 bilhões para US$ 30,06
bilhões) nas importações totais e uma queda 19,64% (de US$ 3,42 bilhões para US$ 2,75
bilhões) nas importações ao amparo do SGP em relação a 2007.

Vale destacar que os dados do Aliceweb 4 referente às exportações brasileiras destinadas aos
Estados Unidos, em 2008, apontaram um crescimento de 9,41% (de US$ 25,06 bilhões para
US$ 27,42 bilhões) em relação a 2007.

4. LIMITES DE COMPETITIVIDADE E WAIVERS

No SGP norte-americano estão estabelecidos limites de competitividades anuais para exclusão


automática do benefício, denominados competitive need limitations (CNLs), referente a um
produto (linha tarifária) de um país beneficiário.

Os mencionados CNLs são atingidos quando as importações norte-americanas de um item


tarifário, procedente de determinado país beneficiário, alcançam um dos dois limites para
2008 a seguir:

ƒ CNL de valor: US$ 135 milhões 5 ; ou

4
Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet, da SECEX/MDIC, o qual tem por base
os dados obtidos a partir do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX).
5
A legislação que autorizou a continuidade do SGP em 1996 determinou um limite de US$ 75 milhões para
1996, com aumento anual de US$ 5 milhões nos anos subseqüentes. Assim, o limite para o ano de 2008 é de
US$ 135 milhões.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

ƒ CNL percentual: 50% do total das importações norte-americanas de um item


beneficiado.

Por outro lado, é possível obter no âmbito das Revisões Anuais 6 uma remissão, os chamados
waivers, mediante a qual o beneficio é mantido.

Os waivers são os seguintes:

ƒ O de minimis waiver - concedido ao produto importado de um país que, apesar de ter


atingido 50% das importações norte-americanas do total daquele produto (o CNL
percentual), não excedeu o valor de US$ 19 milhões 7 (valor para a Revisão Anual
2008). Para a concessão desse tipo de waiver não é necessária a apresentação de
petição, já que pode ser concedido automaticamente, mas depende da decisão
discricionária do Presidente dos Estados Unidos.

ƒ O waiver de CNLs - pode ser concedido mediante análise de petição entregue no


âmbito das Revisões Anuais, sempre que o produto do país beneficiário esteja próximo
ou já tenha ultrapassado pelo menos um CNL.
Esse waiver não pode ser concedido se:
a) o total das importações norte-americanas que contaram com o waiver de
CNL, procedentes de todos os beneficiários do SGP no respectivo ano, for
igual ou maior a 30% do valor das importações totais no âmbito do SGP no
ano de referência, ou seja: (Importações EUA com waiver) / (Importações
EUA SGP) ≥ 30%, ou
b) as importações norte-americanas sob o SGP do produto para o qual o waiver
supostamente seria concedido corresponda a 15% ou mais do total das
importações norte-americanas sob o SGP, se o país que se beneficiaria do
waiver tiver uma renda per capita superior a US$ 5 mil ou se as importações
procedentes do país sob o SGP responderem por 10% ou mais do total das
importações norte-americanas no âmbito do programa.

Uma vez concedido, o waiver de CNL permanece válido até que o presidente norte-americano
determine seu fim, o que ocorre quando:
a) há uma mudança de circunstâncias que descaracterize o motivo da concessão
desse waiver, ou
b) o waiver estiver vigente há 5 anos ou mais e o valor importado do produto
do país beneficiário a que se refere ultrapassar 150% do CNL aplicado no
ano de referência ou 75% das importações procedentes de todos os países.

6
O SGP dos EUA passa por revisões anuais, por meio dos quais podem ser:
ƒ Incluídos ou excluídos benefícios para determinados produtos;
ƒ Excluídos benefícios para produtos de determinados países, que tenham atingido, individualmente, os
limites de competitividade estabelecidos pelo governo norte-americano para tal;
ƒ Revogados os waivers em vigor durante pelo menos cinco anos, caso o produto atingir ou ultrapassar
um dos seguintes valores: (i) 150 % do CNL em valor, isto é US$ 195 milhões estipulado para a
Revisão Anual 2007, ou (ii) 75 % de toda importação norte-americana deste produto; e
ƒ Reincluídos benefícios para produtos de certos países, relativamente aos quais o benefício tenha sido
retirado em revisões anteriores (redesignation).
7
Em 1996, o limite foi estabelecido em US$ 13 milhões, com incremento anual de US$ 500 mil dólares. Assim
sendo, no âmbito da Revisão Anual 2009, o valor é de US$ 19 milhões.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

ƒ O waiver por inexistência de produção nos Estados Unidos (ou “504(d)” waiver) - é
concedido mediante solicitação da parte interessada para o produto que tenha atingido o
CNL percentual, mas que em 1º de janeiro de 1995 não era produzida nos Estados Unidos
(a lista com os códigos tarifários dessas mercadorias consta na HTSUS 8 e foi elaborada
pela USITC).

5. ALCANCE ECONÔMICO DO SGP NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL EM


2008

A fim de avaliarmos o alcance econômico do SGP norte-americano para o Brasil, separamos


os produtos e respectivos valores de importação em relação aos quais já é aplicada tarifa
alfandegária igual a zero, bem como os dos Capítulos 98 e 99 do HTSUS (casos especiais).

Tabela 2
Códigos da HTSUS com tarifas alfandegárias zero, dos Capítulos 98 e 99, e os demais, e
respectivas importações norte-americanas procedentes do Brasil em 2008
  Nº de Códigos  US$ 
Descrição  Total  %  Total  % 
Códigos dos Cap. 01 a 97 com tarifa zero    3.738 27,44% 14.149.689.304  47,07%
Códigos dos Cap. 98 e 99 (todos)  3.174 23,30% 113.164.205  0,38%
Subtotal  6.912 50,74% 14.262.853.509  47,45%
Demais (Universo de Análise)  6.711 49,26% 15.797.808.899  52,55%
TOTAL  13.623 100,00% 30.060.662.408  100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Gráfico 4

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

8
Harmonized Tariff Schedule of the United States.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Gráfico 5

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Vale destacar que 47,07% das importações norte-americanas em valor procedentes do Brasil
são referentes aos códigos tarifários para os quais já é aplicada tarifa NMF igual a zero, que
correspondem a 27,44% dos códigos tarifários da HTSUS.

A seguir nossa avaliação utilizará apenas os dados do universo de análise estabelecido, ou


seja, os produtos tarifáveis e passíveis de receber tratamento preferencial, os quais
correspondem a 49,26% das linhas tarifárias da HTSUS e 52,55% do valor total das
importações norte-americanas procedentes do Brasil.

5.1. Análise por número de códigos tarifários (8 dígitos HTSUS)

Em relação ao ano de 2008, os Estados Unidos concederam preferência tarifária no âmbito do


SGP para o Brasil a 3.408 códigos tarifários dos Capítulos 01 a 97. Desses 3.408 códigos,
1.325 foram efetivamente importados com o benefício do SGP.

Sobre as importações norte-americanas procedentes do Brasil em 2008, estas ocorreram da


seguinte forma quando analisamos a quantidade de códigos importados em relação às
importações totais (Tabela 3) e importações de produtos elegíveis ao tratamento preferencial
do SGP (Tabela 4).

Tabela 3
Importações totais norte-americanas do Brasil (Códigos)
Importações  2008 
Descrição  Códigos  % 
No âmbito do SGP  1.325   33,26%
Sem programa de importação e outros programas, exceto SGP  2.659   66,74%
TOTAL 3.984   100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 4
Importações norte-americanas do Brasil de produtos elegíveis (Códigos)
Importações  2008 
Descrição  Tarifa  Códigos  % 
Que utilizaram o SGP  "Not Free" 1.325   65,59%
Que não utilizaram o SGP        "Not Free" 695   34,41%
TOTAL 2.020   100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Podemos observar que os Estados Unidos importaram do Brasil, em 2008, 3.984 itens
tarifários, com e sem a utilização do SGP (Tabela 3).

Verificamos também que foram importados 2.020 itens referentes a produtos elegíveis ao
programa. Contudo, com o tratamento preferencial, foram importados 1.325 códigos. Isso
significa que, em relação a 695 produtos, toda a importação ocorreu sem o benefício do SGP,
apesar de serem elegíveis ao tratamento preferencial.

Dessa forma, constatamos que não houve importações norte-americanas procedentes do Brasil
de produtos classificados em 2.083 códigos tarifários (3.408 códigos elegíveis - 1.325 códigos
elegíveis e importados) dentre os elegíveis ao tratamento preferencial do SGP norte-
americano.

5.2. Análise dos valores importados pelos Estados Unidos do Brasil

A Tabela 5, abaixo, reflete os valores das importações totais norte-americanas procedentes do


Brasil em 2008, e a Tabela 6, os valores das importações norte-americanas de produtos
elegíveis ao tratamento preferencial do SGP procedentes do Brasil em 2008.

Tabela 5
Importações totais norte-americanas do Brasil (Valores)
Importações  2008 
Descrição  US$  % 
No âmbito do SGP  2.753.752.311   9,16%
Sem programa de importação e outros programas, exceto SGP  27.306.910.097   90,84%
TOTAL 30.060.662.408   100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 6
Importações norte-americanas do Brasil de produtos elegíveis (Valores)
Importações  2008 
Descrição  Tarifa  US$  % 
Que utilizaram o SGP  "Not Free" 2.753.752.311   84,20%
Que não utilizaram o SGP        "Not Free" 516.830.240   15,80%
TOTAL 3.270.582.551   100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Em termos de valores, podemos observar que, do total de produtos elegíveis ao tratamento


preferencial (US$ 3,27 bilhões), 84,20% (US$ 2,75 bilhões) foram importados no âmbito do
SGP. Isso demonstra que os 15,80% (US$ 516,8 milhões) restantes dos valores importados
poderiam usufruir da redução tarifária concedida pelo SGP e não o fizeram.

Em relação à natureza dos produtos importados pelos Estados Unidos do Brasil no âmbito do
SGP em 2008, apenas 8,18% eram produtos agrícolas (classificados nos Capítulos 01 a 24 do
SH), e 91,82% eram produtos industriais (Capítulos 25 a 97 do SH), conforme demonstram os
dados da Tabela 7, a seguir.

Tabela 7
Importações norte-americanas procedentes do Brasil no âmbito do SGP em 2008
Produto  Valor  Códigos 
Descrição  US$  %  Quantidade  % 
Produtos agrícolas (Cap. 01 a 24 do SH)  225.304.699 8,18%  137   10,34%
Produtos industriais (Cap. 25 a 97 do SH)  2.528.447.612  91,82%  1.188   89,66%
TOTAL 2.753.752.311  100,00%  1.325   100,00%
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

A Tabela 8 apresenta as importações norte-americanas procedentes do Brasil no âmbito do


SGP, discriminadas pelos 20 principais Capítulos do SH para o ano de 2008.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 8
Importações norte-americanas procedentes do Brasil no âmbito do SGP
20 principais Capítulos do SH em 2008
SH  Importação 
Capítulo  US$  %  Acumulado  Quant.  %  Acumulado 
85          403.209.757   14,64% 14,64% 134  10,11%  10,11%
84          330.610.806   12,01% 26,65% 141  10,64%  20,75%
87          215.750.084   7,83% 34,48% 29  2,19%  22,94%
39          185.839.819   6,75% 41,23% 117  8,83%  31,77%
44          170.793.919   6,20% 47,43% 25  1,89%  33,66%
72          134.887.085   4,90% 52,33% 5  0,38%  34,04%
29          132.346.463   4,81% 57,14% 79  5,96%  40,00%
73          110.381.524   4,01% 61,15% 34  2,57%  42,57%
68          100.311.211   3,64% 64,79% 21  1,58%  44,15%
76            96.543.232   3,51% 68,29% 33  2,49%  46,64%
86            81.404.228   2,96% 71,25% 8  0,60%  47,25%
41            73.028.293   2,65% 73,90% 45  3,40%  50,64%
28            56.652.773   2,06% 75,96% 29  2,19%  52,83%
40            53.553.493   1,94% 77,91% 37  2,79%  55,62%
71            48.487.938   1,76% 79,67% 33  2,49%  58,11%
20            42.666.631   1,55% 81,22% 29  2,19%  60,30%
82            41.954.151   1,52% 82,74% 45  3,40%  63,70%
17            40.372.582   1,47% 84,20% 6  0,45%  64,15%
21            36.250.664   1,32% 85,52% 12  0,91%  65,06%
63            35.252.905   1,28% 86,80% 2  0,15%  65,21%
Outros          363.454.753   13,20% 100,00% 461  34,79%  100,00%
TOTAL  2.753.752.311  100,00% 1.325 100,00% 
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Conforme demonstrado na Tabela 8, os principais setores produtivos brasileiros que se


beneficiam do tratamento tarifário preferencial do SGP norte-americano são: máquinas e
equipamentos (Cap. 84 e 85), automotivo (Cap. 87), plásticos (Cap. 39), madeira e suas obras
(Cap. 44), ferro e aço (Cap. 72 e 73) e papel (Cap. 68).
O Gráfico 6, a seguir, ilustra as importações dos Estados Unidos procedentes do Brasil dos 20
Capítulos do SH mais importantes no âmbito do SGP.

10
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Gráfico 6

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

5.3. Graus de Participação e Utilização do SGP Norte-Americano

Vamos agora mensurar os índices brasileiros referentes ao Grau de Participação e ao Grau de


Utilização em relação ao SGP norte-americano que evidenciam a importância e a efetividade
das preferências no âmbito desse sistema.

O cálculo e o significado dos índices em questão estão discriminados na Tabela 9, a seguir.

Tabela 9
Cálculo dos Índices referentes ao Grau de Participação e de Utilização
Índice   
Descrição  Cálculo  Significado 
Percentual do valor 
(Valor das importações ao amparo do SGP) x 100  importado com o SGP em 
Grau de Participação 
(Valor das importações totais)  relação às importações 
totais.  

Percentual do valor 
(Valor das importações ao amparo do SGP) x 100  importado com o SGP em 
Grau de Utilização 
(Valor das importações de produtos elegíveis ao SGP) relação ao disponível para 
importação no SGP.  

 
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

11
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

O primeiro índice, denominado de Grau de Participação, mensura a participação percentual do


valor das importações norte-americanas do Brasil realizadas com o beneficio tarifário
concedido pelo SGP em relação ao valor total das importações norte-americanas do Brasil.

Esse índice em 2008 foi de 9,16% ([US$ 2.753.752.311 ÷ US$ 30.060.662.408] × 100)
resultado da razão entre o valor das importações de produtos importados com o benefício do
SGP e o valor total das importações norte-americanas provenientes do Brasil.

O outro indicador é o correspondente ao Grau de Utilização, isto é, a razão entre o valor das
importações norte-americanas procedentes do Brasil com efetiva utilização da preferência do
SGP e o valor das importações de produtos elegíveis ao programa. Referido índice atingiu, em
2008, o percentual de 84,20% ([US$ 2.753.752.311 ÷ US$ 3.270.582.551] × 100) no caso
brasileiro.

A Tabela 10 a seguir detalha esses índices, referentes aos anos de 2004 a 2008.

Tabela 10
Índices referentes ao SGP Norte-Americano
Referentes aos Valores Importados
Índice  Ano 
Descrição  2004  2005  2006  2007  2008 
Grau de Participação  15,01%  14,90%  14,28%  13,70%  9,16% 
Grau de Utilização  87,60%  90,80%  90,40%  88,89%  84,20% 
                
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Como podemos observar no Gráfico 7, a seguir, o índice brasileiro de participação (Grau de


Participação) no SGP norte-americano atingiu o máximo de 24,71% em 1995 e desde então
apontam uma tendência de queda.

Gráfico 7

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

12
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

No período de 2004 a 2008, o Grau de Utilização das importações de produtos que receberam
efetivamente o benefício ao SGP corresponderam, em média, a 88,38% das importações de
produtos elegíveis ao programa.

5.4. Produtos que não receberam o tratamento preferencial

Os produtos brasileiros (1.325 itens) importados pelos Estados Unidos com o benefício do
SGP deixaram de pagar, em 2008, aproximadamente, US$ 102,3 milhões em direitos
alfandegários.

Por outro lado, as importações norte-americanas procedentes do Brasil de produtos elegíveis


ao SGP e que não se beneficiaram desse programa alcançaram em 2008 o valor de US$ 481,6
milhões (695 itens), as quais foram gravadas com tarifa NMF, que corresponderam ao
pagamento de aproximadamente US$ 18,5 milhões em direitos alfandegários aos Estados
Unidos.

Tal fato pode ser explicado pelo não cumprimento das regras estabelecidas pelos Estados
Unidos para a concessão do benefício, como as Regras de Origem, ou mesmo por
desconhecimento desse mecanismo pelo importador e pelo exportador, apesar de todas as
divulgações realizadas pelo DEINT.

A Tabela 11, a seguir, destaca os indicadores das importações de produtos elegíveis sem a
utilização do SGP, com a utilização do SGP e das importações totais, por capítulo do SH.

13
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 11
Importações norte-americanas provenientes do Brasil em 2008
SH  Elegível sem SGP  Elegível com SGP  Total 
Capítulo  Códigos US$  Códigos  US$  Códigos  US$ 
85  96 49.248.098 134 403.209.757 295  809.162.756
84  90 144.159.525 141 330.610.806 459  2.676.246.755
39  76 18.060.863 117 185.839.819 141  236.032.088
90  42 25.357.804 59 13.523.326 143  105.317.731
29  27 33.220.617 79 132.346.463 133  736.512.250
40  27 5.039.117 37 53.553.493 94  483.519.711
82  26 8.903.844 45 41.954.151 86  82.544.222
41  25 937.072 45 73.028.293 78  93.547.734
87  24 42.915.821 29 215.750.084 97  712.787.520
73  22 31.633.720 34 110.381.524 132  330.072.610
71  19 1.809.130 33 48.487.938 63  218.074.503
44  17 12.553.825 25 170.793.919 103  818.172.468
76  16 3.520.532 33 96.543.232 43  329.525.014
70  16 2.353.781 30 21.938.591 61  25.798.558
83  15 3.938.934 25 24.324.475 38  30.893.816
68  12 2.765.668 21 100.311.211 44  596.430.228
28  8 1.641.967 29 56.652.773 56  498.410.219
94  8 235.770 17 2.134.069 65  200.765.717
96  8 162.590 27 35.188.608 39  41.455.908
42  7 376.008 13 2.527.293 47  6.019.571
74  6 907.696 25 31.707.606 35  33.829.231
38  6 288.611 15 7.975.372 46  35.740.390
32  6 197.711 19 5.373.370 38  13.842.227
75  5 11.948.713 11 6.040.394 16  23.884.634
86  4 949.666 8 81.404.228 16  98.021.869
20  4 711.162 29 42.666.631 56  331.268.210
17  4 362.206 6 40.372.582 19  139.562.488
35  4 204.958 6 29.130.356 8  32.570.653
06  4 143.562 6 6.331.039 9  6.865.855
33  4 95.043 9 1.353.776 34  63.435.411
34  3 1.318.623 8 2.226.232 20  7.872.785
21  3 1.227.733 12 36.250.664 23  129.489.841
62  3 398.399 4 1.102.669 142  13.711.917
18  3 352.360 8 33.259.985 13  116.980.036
56  3 217.475 5 2.811.244 27  87.083.117
22  3 118.637 8 10.147.475 22  501.153.909
57  3 20.678 4 182.434 17  2.075.225
95  3 18.886 5 95.147 21  9.282.507
72  2 105.209.845 5 134.887.085 121  3.228.762.157
37  2 204.673 6 12.980.796 14  13.326.685
81  2 126.030 8 5.594.485 13  55.218.986

14
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

SH  Elegível sem SGP  Elegível com SGP  Total 


Capítulo  Códigos US$  Códigos  US$  Códigos  US$ 
15  2 124.787 6 3.643.414 22  30.832.815
64  2 76.921 3 130.440 73  517.553.523
43  2 75.176 5 3.188.199 9  5.853.305
12  2 66.490 5 2.003.335 15  5.573.723
92  2 52.738 12 1.647.544 21  2.492.196
36  2 40.730 3 1.732.455 4  6.206.617
08  2 30.109 10 29.908.994 27  199.728.488
69  2 24.992 15 10.635.356 38  120.795.440
89  2 24.614 3 752.205 6  815.563
19  2 17.218 8 3.322.210 20  15.391.118
13  1 922.085 1 416.195 5  15.472.673
26  1 560.189 1 2.754.570 8  375.822.006
63  1 506.061 2 35.252.905 47  191.389.100
25  1 194.119 4 1.644.217 31  118.894.614
16  1 92.228 6 4.555.089 13  292.461.964
88  1 67.613 1 7.341 10  2.277.791.980
27  1 32.456 1 58.261 28  8.411.298.884
05  1 27.526 1 3.704.955 7  75.082.833
09  1 17.280 5 1.298.262 18  781.753.512
04  1 7.604 2 178.732 15  37.241.536
10  1 4.005 2 557.251 6  10.087.939
53  1 2.636 1 1.190 11  2.716.739
07  1 2.037 10 4.097.258 14  4.137.234
59  1 1.644 4 542.165 24  16.748.009
61  1 1.067 1 282 114  17.959.828
91  1 306 3 60.605 13  220.498
65  1 256 2 32.823 16  770.651
Subtotal  695 516.830.240 1.297 2.723.119.648 3.542  27.510.360.300
Outros  ‐ ‐ 28 30.632.663 442  2.550.302.108
TOTAL  695 516.830.240 1.325 2.753.752.311 3.984  30.060.662.408
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

5.5. Nível de proteção tarifária norte-americana aos produtos elegíveis ao SGP

Para avaliar quais os níveis de proteção tarifária norte-americana que os produtos importados
do Brasil pelos Estados Unidos no âmbito do SGP enfrentariam fora desse programa,
dividimos tais importações por faixas de tarifas 9 aplicadas pelos EUA, conforme Tabela 12, a
seguir.

9
Todas as tarifas estão apresentadas em percentuais, ou seja, as tarifas mistas e as tarifas específicas foram
transformadas para ad valorem.

15
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 12
Códigos Tarifários e Valores das Importações Norte-Americanas no âmbito do SGP
procedentes do Brasil por Intervalos de tarifas alfandegárias (NMF) efetivas
2008 
Tarifa  Quant  %  %Acum. Valor US$  %  %Acum.  Média US$ 
0< Tarifa efetiva <=2,5%  292  22,04% 22,04% 523.985.785 19,03%  19,03%  1.794.472
2,5%< Tarifa efetiva <=5%  668  50,42% 72,45% 1.589.898.083 57,74%  76,76%  2.380.087
5%< Tarifa efetiva <=7,5%  295  22,26% 94,72% 586.347.292 21,29%  98,06%  1.987.618
7,5%<Tarifa efetiva<=10%  43  3,25% 97,96% 30.062.593 1,09%  99,15%  699.130
10%< Tarifa efetiva <=15%  22  1,66% 99,62% 20.477.412 0,74%  99,89%  930.791
Tarifa efetiva >15%  5  0,38% 100,00% 2.981.146 0,11%  100,00%  596.229
Total  1.325  100,00% 2.753.752.311 100,00%    2.078.304
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

O Gráfico 8, abaixo, apresenta a representação gráfica dos dados contidos na Tabela 12


referentes aos intervalos das tarifas alfandegárias aplicadas às importações norte-americanas
do Brasil no âmbito do SGP.

Gráfico 8

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

16
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Gráfico 9

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Como é possível observar, é no intervalo de tarifas de 2,5% a 5% que se enquadra a maior


quantidade de produtos brasileiros importados pelos EUA no âmbito do SGP (50,42% o que
corresponde a 668 códigos).

5.6. Produtos brasileiros que podem sofrer maior impacto, caso o SGP não seja
renovado após 2009

Para identificar os produtos importados pelos EUA procedentes do Brasil que seriam mais
afetados pela perda do tratamento tarifário preferencial do SGP norte-americano, utilizamos
as seguintes premissas:
1º. Produtos cujo Grau de Utilização seja elevado (≥84,20%, valor de 2008);
2º. Produtos cuja tarifa alfandegária efetiva seja igual ou superior a 5% 10 ; e
3º. Produtos cujo valor de importação, no âmbito do SGP, seja maior ou igual a US$ 1
milhão 11 .

Seguindo esses critérios, foram identificados 75 produtos (códigos tarifários HTSUS),


classificados em 29 Capítulos do SH (Gráfico 10), e cujo valor aduaneiro importado do Brasil
pelos EUA em 2008 para consumo, no âmbito do SGP, correspondeu a US$ 464,99 milhões
(Gráfico 11), ou seja, 16,89% do total das importações no âmbito do programa.

10
Taxa de referência utilizada nos estudos do USITC referentes ao SGP, denominado “Probable Economic
Effect of the Reduction of US Tariffs: Update of Advice for Certain Items (Inv. nº 332-472)”
11
Volume de importação significativo, considerado pela Receita Federal do Brasil para definir porte do sujeito
passivo (Portaria COANA nº 2/05).

17
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Gráfico 10

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

Gráfico 11

Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC

18
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Em termos de quantidade, os mais afetados seriam os capítulos 39 (plásticos e suas obras), 29


(produtos químicos orgânicos) e o 71 (pedras preciosas). Já em termos de valor, os mais
afetados seriam os capítulos 68 (obras de pedras), 39 (plásticos e suas obras) e 71 (pedras
preciosas).

5.7. Avaliação da redução das importações norte-americanas no âmbito do SGP entre os


anos de 2007 e de 2008

Para avaliar a redução das importações norte-americanas de produtos beneficiados pelo SGP
provenientes do Brasil utilizamos a Classificação por Grandes Categorias Econômicas
(CGCE) elaborada pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) 12 ,
que nos dá um panorama da estrutura da produção, origem e uso dos bens classificados no
Sistema Harmonizado.

De acordo com a tabela CGCE, temos as seguintes classificações para as importações norte-
americanas do Brasil no âmbito do SGP (Tabela 13) e para as importações totais norte-
americanas do Brasil (Tabela 14), em 2007 e em 2008.

Tabela 13
Importações norte-americanas do Brasil no âmbito do SGP
classificadas por grandes categorias econômicas
SGP 
   2007  2008 
Industrial supplies not elsewhere specified Processed  1.833.612.722 53,51%  1.263.205.254 45,87%
Transport equipment and parts and accessories thereof  499.590.764 14,58%  390.135.136 14,17%
Parts and accessories 
Capital goods (except transport equipment), and parts and  331.962.968 9,69%  363.404.353 13,20%
accessories thereof Capital goods (except transport 
equipment) 
Capital goods (except transport equipment), and parts and  305.986.917 8,93%  304.780.589 11,07%
accessories thereof Parts and accessories 
Não identificado  150.513.908 4,39%  171.087.829 6,21%
Consumer goods not elsewhere specified Semi‐durable  135.884.933 3,97%  107.146.276 3,89%
Consumer goods not elsewhere specified Durable  72.079.683 2,10%  67.090.806 2,44%
Consumer goods not elsewhere specified Non‐durable  37.334.611 1,09%  32.005.565 1,16%
Food and beverages Processed  31.794.811 0,93%  35.299.113 1,28%
Industrial supplies not elsewhere specified Primary  19.557.504 0,57%  16.087.171 0,58%
Transport equipment and parts and accessories thereof‐  7.666.880 0,22%  752.205 0,03%
Non‐industrial 
Transport equipment and parts and accessories thereof‐  772.086 0,02%  1.320.977 0,05%
Industrial 
Food and beverages Primary  57.688 0,00%  1.378.776 0,05%
Total geral 3.426.837.891    2.753.752.311  
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC/CEPAL

12
A estrutura detalhada da Classificação por Grandes Categorias Econômicas está disponível no site da CEPAL:
http://unstats.un.org/unsd/cr/registry/regcst.asp?Cl=10&amp;Lg=3, acesso em 08/10/2009.

19
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Tabela 14
Importações totais norte-americanas do Brasil
classificadas por grandes categorias econômicas
TOTAL 
   2007  2008 
Industrial supplies not elsewhere specified Processed  9.461.732.283 37,82%  9.925.290.553 33,02%
Fuels and lubricants Primary  2.792.014.994 11,16%  6.711.247.005 22,33%
Não identificado  1.909.644.374 7,63%  2.070.480.525 6,89%
Transport equipment and parts and accessories thereof  1.810.573.552 7,24%  1.779.771.601 5,92%
Parts and accessories 
Transport equipment and parts and accessories thereof‐  1.775.952.142 7,10%  2.286.145.579 7,61%
Industrial 
Capital goods (except transport equipment), and parts and  1.561.765.253 6,24%  1.472.049.762 4,90%
accessories thereof Capital goods (except transport 
equipment) 
Capital goods (except transport equipment), and parts and  1.373.257.470 5,49%  1.476.188.904 4,91%
accessories thereof Parts and accessories 
Consumer goods not elsewhere specified Semi‐durable  1.158.716.876 4,63%  847.622.342 2,82%
Industrial supplies not elsewhere specified Primary  813.260.027 3,25%  952.547.253 3,17%
Fuels and lubricants Processed  771.368.121 3,08%  1.047.604.004 3,48%
Food and beverages Primary  615.230.260 2,46%  727.125.957 2,42%
Food and beverages Processed  392.878.097 1,57%  350.053.895 1,16%
Consumer goods not elsewhere specified Durable  348.163.402 1,39%  253.023.874 0,84%
Consumer goods not elsewhere specified Non‐durable  138.954.286 0,56%  130.484.712 0,43%
Transport equipment and parts and accessories thereof‐  57.130.243 0,23%  29.823.145 0,10%
Non‐industrial 
Transport equipment and parts and accessories thereof  37.071.260 0,15%  1.203.297 0,00%
Passenger motor cars 
Total geral 25.017.712.640   30.060.662.408  
Elaboração: CGRO/DEINT/SECEX
Fonte: USITC/CEPAL

Deste modo, verificamos que a importação de “insumos industriais processados” em 2007 no


SGP representou 53% (US$ 1,83 bilhão) de todas as importações realizadas nesse sistema
(US$ 3,43 bilhões).

Em 2008, essa participação caiu para 46% (US$ 1,26 bilhão do total de US$ 2,75 bilhões
importados no SGP).

Assim, de 2007 para 2008 houve uma redução de 31% nos valores de importação dos
“insumos industriais processados” no âmbito do SGP, ou seja, US$ 570 milhões (de US$ 1,83
bilhão para US$ 1,26 bilhão). Isso quer dizer que, proporcionalmente, os “insumos industriais
processados” passaram a ter em 2008 um peso menor nas importações norte-americanas do
Brasil no SGP.

O mesmo aconteceu nas importações totais norte-americanas desses produtos.

Em 2007, as importações totais dos “insumos industriais processados” representaram 38%


(US$ 9,46 bilhões) das importações totais norte-americanas do Brasil (US$ 25 bilhões).

20
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Em 2008, essas importações representaram 33% (US$ 9,93 bilhões) das importações totais
norte-americanas do Brasil (US$ 30 bilhões).

Cabe ressaltar que apesar de as importações dos “insumos industriais processados”, em


valores absolutos, terem aumentado de 2007 para 2008 em US$ 463 milhões (de US$ 9,46
bilhões para US$ 9,93 bilhões), em termos relativos houve uma diminuição de sua
participação em relação ao total importado pelos Estados Unidos do Brasil (de 38% para
33%).

Dessa forma, verifica-se que a redução de US$ 673 milhões (de US$ 3,43 bilhões para US$
2,75 bilhões) nas importações no âmbito do SGP de 2007 para 2008 foi causada,
principalmente, pela queda na importação desses “insumos industriais processados” (US$ 570
milhões).

SGP (importação de insumos industriais processados)


2007 2008
US$ 1,83 bilhão US$ 1,26 bilhão (variação de -20%)
53% 46% (participação no SGP)

TOTAL (importação de insumos industriais processados)


2007 2008
US$ 9,46 bilhões US$ 9,93 bilhões (variação de +5%)
38% 33% (participação no TOTAL)

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

6.1. Questões internas e políticas nos Estados Unidos

Há uma divisão clara nos Estados Unidos, tanto no governo quanto no setor privado, em
relação à manutenção do SGP.

Um grupo é contra a concessão de tratamento tarifário preferencial a países com certo nível de
desenvolvimento, bem como àqueles que esse grupo considera como responsáveis por
entraves nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), por ter uma posição
contrária aos interesses norte-americanos. Nesse grupo estão os congressistas republicanos
Charles Grassley (Iowa), e Bill Thomas (Califórnia), assim como a International Intellectual
Property Rights Alliance 13 (IIPA), órgão de representação empresarial norte-americano.

De outro lado, há um grupo favorável à renovação do programa sem modificações profundas,


mantendo-se as medidas de ajuste, como a graduação de produtos de determinados países que,
seguindo metodologia geral, já não precisam do benefício para acessar o mercado norte-
americano.

13
A International Intellectual Property Alliance (IIPA) é um consórcio privado formado em 1984 por
associações comerciais que representam os direitos autorais das indústrias norte-americanas. Esta coalizão tem
por objetivo melhorar a proteção internacional e a aplicação de materiais protegidos nos fóruns bilaterais e
multilaterais trabalhando para e abrir os mercados externos fechados por pirataria, assim como por outras
barreiras ao acesso de mercado. Fazem parte desse consórcio as seguintes entidades: the Association of
American Publishers (AAP), the Business Software Alliance (BSA), the Entertainment Software Association
(ESA), the Independent Film & Television Alliance (IFTA), the Motion Picture Association of America
(MPAA), the National Music Publishers’ Association (NMPA) and the Recording Industry Association of
America (RIAA).

21
ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

Esse último grupo defende que o programa beneficia não só os países em desenvolvimento,
mas também a própria indústria nacional, criando empregos e gerando competitividade aos
produtos norte-americanos. Nesse grupo estão o congressista democrata Charles Rangel
(Nova York) e a organização denominada "Coalizão para o SGP".

6.2. Questões comerciais para o Brasil e para os Estados Unidos

O valor importado do Brasil pelos Estados Unidos com a utilização do benefício tarifário do
SGP foi de aproximadamente US$ 2,75 bilhões. Esse valor correspondeu a 9,16% da
importação total dos EUA (US$ 30 bilhões) procedentes do Brasil em 2008.

Sendo o comércio internacional extremamente competitivo, diferenças de qualidade, prazo e,


principalmente, preço, são decisivas para a disputa no mercado norte-americano. Dessa forma,
a vantagem obtida pelos exportadores brasileiros por meio da redução tarifária concedida por
esse sistema parece ser de grande relevância para a competitividade de seus produtos.

Cabe lembrar que os produtos brasileiros (1.325 itens) importados pelos Estados Unidos com
o benefício do SGP deixaram de pagar, em 2008, aproximadamente, US$ 102,3 milhões em
direitos alfandegários.

Do lado do mercado norte-americano, os importadores, produtores e consumidores poderão


sentir impacto negativo, por conseqüência das alterações na produção e nos preços dos
produtos finais. Segundo Laura Baughman 14 , da organização norte-americana denominada
“Coalizão para o SGP” (Coalition for GSP), o fim do benefício teria um impacto negativo
tanto nas empresas (grandes e, principalmente pequenas) quanto nos empregos dos Estados
Unidos 15 , já que 75% dos produtos beneficiados pelo SGP são matérias-primas para a
indústria norte-americana.

Outro ponto importante em relação ao SGP norte-americano é a questão de geração de


empregos. No Brasil, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as
empresas que exportam para os Estados Unidos com a utilização do benefício tarifário
concedido pelo SGP empregam 356 mil trabalhadores, e o fim desse benefício provocaria o
fechamento de parte desses postos de trabalhos.

Segundo estudos preliminares dessa Secretaria, a estimativa de fechamento de postos de


trabalhos por conta da exclusão do Brasil do SGP norte-americano seria algo entorno de 48
mil empregos, utilizando-se a metodologia de ponderação da participação das empresas
exportadoras no âmbito do sistema multiplicada pela quantidade de empregados gerados pelas
mesmas.

Aprimorando-se essa metodologia, por meio da multiplicação do resultado obtido no


procedimento descrito anteriormente pela participação no Produto Interno Bruto do Brasil
(PIB) das exportações para os Estados Unidos com a utilização do SGP dessas empresas,
temos uma estimativa de aproximadamente de 6,5 mil empregos fechados com a perda do
benefício.
14
Laura Baughman é Diretora-Executiva da “Coalizão para o SGP” e preside a empresa de pesquisas
econômicas Trade Partnership, em Washington.
15
De acordo com o estudo denominado “Estimated Impacts of the U.S. Generalized System of Preferences to
U.S. Industry and Consumers” (U.S. Chamber of Commerce – 01/11/2006), mais de 81 mil postos de trabalho
norte-americanos estão associados ao SGP. Ver: http://www.tradepartnership.com/ pdf_files/2006NOV
_GSP_Impacts.pdf – acesso em 28/02/2008.

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ANÁLISE ECONÔMICA DO SISTEMA GERAL DE PREFERÊNCIAS NORTE-AMERICANO PARA O BRASIL

6.3. Redução das importações norte-americanas no âmbito do SGP entre os anos de 2007
e de 2008

Enquanto as importações totais norte-americanas originárias do Brasil aumentaram em 20%


entre 2007 e 2008 (US$ 25 bilhões para US$ 30 bilhões), as importações no âmbito do SGP
sofreram redução de 20% (US$ 3,43 bilhões para US$ 2,75 bilhões).

Contudo, analisando a participação das importações norte-americanas do Brasil dos produtos


classificados como “insumos industriais processados”, segundo qualificação dada pela
CEPAL, verificamos que houve queda nessa participação tanto nas importações totais (de
38% para 33% do total) como nas importações realizadas ao amparo do SGP (de 53% para
46% do total), entre os anos de 2007 e de 2008.

Tal situação nos leva a inferir que, possivelmente, esse resultado está relacionado à queda da
atividade industrial nos EUA causada pela crise financeira mundial, o que, provavelmente,
afetou de forma negativa as importações de insumos industriais utilizados na fabricação de
bens finais naquele país.

6.4. Consideração sobre a metodologia utilizada

Informações mais detalhadas sobre os procedimentos metodológicos utilizados na presente


Nota podem ser obtidas na Coordenação-Geral de Regimes de Origem (CGRO) do
Departamento de Negociações Internacionais (DEINT) dessa Secretaria, pelo endereço
Esplanada dos Ministérios, Bl. J, 7º andar, sala 718, telefone (55 61) 2027-7776.

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