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Tópicos em Toxicologia Ocupacional

Prof. Dra. Andrea Franco Amoras Magalhães, Msc Medicina do Trabalho e Toxicologia Ocupacional

em Toxicologia Ocupacional Prof. Dra. Andrea Franco Amoras Magalhães, Msc Medicina do Trabalho e Toxicologia Ocupacional
Foto: Dra. Andrea Amoras

Foto: Dra. Andrea Amoras

Intoxicações
Intoxicações

As intoxicações agudas são responsáveis por parte significativa dos atendimentos de emergência e internações tanto em países desenvolvidos como nos em desenvolvimento. (BRENT, 2005). Brasil, ~ 30% das intoxicações reportadas ao CIAT’S são medicamentos e as intoxicações envolvendo agrotóxicos são as mais letais (SINITOX, 2014); Estados Unidos (2012): medicamentos (50,2%); cosméticos/produtos (7,9%) e produtos domissanitários (7,2 %) Africa do Sul: produtos químicos (52,7%), principalmente pesticidas, medicamentos (35,2%) e toxinas biológicas (12,6%)

VEALE et al., 2013; JAMES et al., 2013; DAVID e STEVEN, 2010

Conceitos Básicos em Toxicologia Agente tóxico ou toxicante Substância química capaz de causar dano a
Conceitos Básicos em Toxicologia
Agente tóxico ou toxicante
Substância química capaz de causar dano a um sistema
biológico, alterando uma função ou levando-o à morte, sob
certas condições de exposição.

Xenobiótico

Termo usado para designar substâncias químicas estranhas ao organismo. Não possuem papel fisiológico conhecido.

Toxina

Refere-se à substância tóxica produzida por um sistema biológico (plantas, animais, fungos e bactérias).

Conceitos Básicos em Toxicologia Veneno
Conceitos Básicos em Toxicologia
Veneno

Termo de uso popular utilizado para designar a substância química, ou mistura de substâncias químicas, que provoca a intoxicação ou a morte com baixas doses.

Segundo alguns autores, é um termo utilizado especificamente para designar substâncias provenientes de animais, onde teriam importantes funções de autodefesa ou de predação.

Ex. veneno de cobra e de abelha.

Conceitos Básicos em Toxicologia Dose
Conceitos Básicos em Toxicologia
Dose

A

quantidade

total

de

substância

à

qual

um

organismo é exposto. Usualmente a dose corresponde à quantidade total de material que penetra em um organismo por uma via específica de exposição.

“Qualquer efeito tóxico é proporcional à dose”

Conceitos Básicos em Toxicologia TOXICIDADE
Conceitos Básicos em Toxicologia
TOXICIDADE

CLASSIFICAÇÃO

Extremamente tóxica: DL50 < ou = 1 mg/kg

Altamente tóxica: DL50 > 1 a 50 mg/kg

Moderadamente tóxica: DL50 > 50 a 500 mg/kg

Levemente tóxica: DL50 > 0,5 a 5 g/kg

Pouco tóxica: DL50 acima de 5 g/kg

Conceitos Básicos em Toxicologia Ação tóxica Maneira pela qual um agente tóxico exerce sua atividade
Conceitos Básicos em Toxicologia
Ação tóxica
Maneira
pela
qual
um
agente
tóxico
exerce
sua
atividade sobre as estruturas teciduais.
exerce sua atividade sobre as estruturas teciduais. Alteração anormal, indesejável ou nociva, decorrente da

Alteração anormal, indesejável ou nociva, decorrente da

exposição a substâncias potencialmente tóxicas.

Conceitos Básicos em Toxicologia Antídoto e Antagonista Agente capaz de neutralizar ou reduzir os efeitos
Conceitos Básicos em Toxicologia
Antídoto e Antagonista
Agente capaz de neutralizar ou reduzir os
efeitos
de
uma
substância
potencialmente
tóxica.
os efeitos de uma substância potencialmente tóxica. • Antídoto é a sustância que se opõe ao

Antídoto é a sustância que se opõe ao efeito tóxico, atuando sobre o próprio toxicante

Antagonista é a substância que exerce uma ação oposta à do agente tóxico (agonista)

Intoxicação
Intoxicação

Processo patológico causado por substâncias químicas e caracterizado por desequilíbrio fisiológico secundários a modificações bioquímicas no organismo.

Processo evidenciado por sinais e sintomas ou mediante exames laboratoriais

CLASSIFICAÇÃO DA INTOXICAÇÃO Quanto à duração da exposição INTOXICAÇÃO AGUDA (a curto prazo): consiste no
CLASSIFICAÇÃO DA INTOXICAÇÃO
Quanto à duração da exposição
INTOXICAÇÃO AGUDA (a curto prazo): consiste no
aparecimento de um quadro clínico patológico
decorrente de exposição única ou múltipla, num
período não superior a 24 h

INTOXICAÇÃO SUB-AGUDA: exposições freqüentes ou repetidas, num período de vários dias ou semanas, antes do aparecimento dos sintomas

INTOXICAÇÃO CRÔNICA (a longo prazo): exposições freqüentes ou repetidas (geralmente baixas doses), durante um longo período de tempo.

Manifestações clínicas: acúmulo do tóxico ou adição de efeitos

Indicador Biológico de Exposição (IBE)
Indicador Biológico de Exposição (IBE)

Compreende toda substância cuja determinação nos fluidos biológicos (sangue, urina), tecidos ou ar exalado, avalie a intensidade da exposição e o risco à saúde.

Estabelecidos a partir de estudos de dose-efeito.

Não visa fixação de limites entre o que se considera são e doente.

Não são utilizáveis para quantificação de efeitos nocivos ou para o diagnóstico.

Indicador Biológico de Exposição (IBE)
Indicador Biológico de Exposição (IBE)

Existem 3 categorias de IBE

Indicadores biológicos de dose interna

Indicadores biológicos de efeito

Indicadores biológicos de susceptibilidade

Indicadores Biológicos de Dose Interna
Indicadores Biológicos de Dose Interna

Substância exógena e/ou seus produtos de biotransformação presentes em um compartimento do organismo: fluidos (sangue), excreções (urina, fezes), tecidos, outros (ar exalado, cabelo).

Corresponde à dose real da substância ou seu metabólito no sítio de ação.

Ex.: Chumbo no Sangue; Mercúrio na Urina;

Benzeno no Ar exalado; Ác. Fórmico na urina; Chumbo em cabelo; Organoclorados em leite materno;

Indicadores Biológicos de Efeito
Indicadores Biológicos de Efeito

Quantificação das alterações biológicas (Bioquímicas, fisiológicas, comportamentais, morfológicas) produzidas pela interação do agente químico com o organismo.

Ex.:Atividade da Acetilcolinesterase eritrocitária, Níveis de ácido delta-aminolevulínico na urina.

Indicadores Biológicos de Susceptibilidade
Indicadores Biológicos de Susceptibilidade

Indicador de capacidade herdada ou adquirida de um organismo em responder à exposição a uma substância xenobiótica específica.

Diferenças (variabilidade) biológicas que confere a diferentes populações habilidades distintas de responder a exposições a agentes tóxicos. Ex.:Expressão de diferentes subtipos da enzima paraoxonase, Polimorfismos genéticos Enzimas de biotransformação polimórficas

Enzima

organofosforados

paraoxonase

intoxicação

por

inseticidas

Enzima

Glutationa-S-Transferase (GST) – intoxicação por

metais

IBMP
IBMP

Índice Biológico Máximo Permitido

É o valor máximo do indicador biológico para o qual se supõe que a maioria das pessoas ocupacionalmente expostas não corre risco de dano à saúde.

A ultrapassagem deste valor significa exposição excessiva;

O Valor de Referência da Normalidade é o valor possível de ser encontrado em populações não expostas ocupacionalmente.

NORMAS
NORMAS

REGULAMENTADORAS

QUADRO II PARÂMETROS PARA MONITORIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A ALGUNS RISCOS À SAÚDE (redação dada pela Portaria nº 19 de 09 de Abril de 1998) (Alterado pela Portaria nº 19, de 09 de abril de 1998)

(Alterado pela Portaria nº 19, de 09 de abril de 1998) Risco Exame Periodicidade Dos Exames
Risco Exame Periodicidade Dos Exames Método de Critério de Interpretação Observações Complementar
Risco
Exame
Periodicidade
Dos Exames
Método de
Critério de
Interpretação
Observações
Complementar
Execução
Aerodispersóides
Telerradiografia
do Tórax
Admissional e
anual
FIBROGÊNICOS
Espirometria
Classificação
internacional da
OIT para
radiografias

Admissional e bienal

Radiografia em posição póstero- anterior (PA) Técnica preconizada pela OIT, 1980 Técnica preconizada pela American

Thoracic Society,

1987

Aerodispersóide

NÃO-

FIBROGÊNICOS

Telerradiografia do Tórax

Espirometria

Admissional e trienal, se exposição < 15 anos

Bienal, se exposição > 15 anos

Admissional e bienal

Radiografia em posição póstero- anterior (PA) Técnica preconizada pela OIT, 1980 Técnica preconizada pela American

Thoracic Society,

1987

Classificação internacional da OIT para radiografias

QUADRO II PARÂMETROS PARA MONITORIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A ALGUNS RISCOS À SAÚDE (redação dada
QUADRO II
PARÂMETROS PARA MONITORIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL
A ALGUNS RISCOS À SAÚDE
(redação dada pela Portaria nº 19 de 09 de Abril de 1998)
(Alterado pela Portaria nº 19, de 09 de abril de 1998)
Risco
Exame
Periodicidade
Dos Exames
Método de
Critério de
Interpretação
Observações
Complementar
Execução
Condições
hiperbáricas
Radiografias de
articulações
coxo-femorais e
Admissional e
anual
Ver anexo "B“
do Anexo n° 6
da NR 15

escápulo-

 

umerais

Radiações

Hemograma

Admissional e

ionizantes

completo e

semestral

contagem de

plaquetas

Hormônios

Apenas em

Admissional e

sexuais

homens;

semestral

femininos

Testosterona total ou plasmática livre LH e FSH

Benzeno

Hemograma

Admissional e

completo e

semestral

plaquetas

AGROTÓXICOS

DEFINIÇÃO

Qualquer substância ou mistura de substâncias naturais ou sintéticas destinadas a prevenir, destruir, controlar ou inibir qualquer praga, seja insetos, roedores, fungos, ervas ou plantas indesejáveis.

a prevenir, destruir, controlar ou inibir qualquer praga, seja insetos, roedores, fungos, ervas ou plantas indesejáveis.
USOS ∗ ∗
USOS

Agrícola Domiciliar

Veterinário

Saúde pública

USOS ∗ ∗ Agrícola Domiciliar ∗ Veterinário ∗ Saúde pública
AGRÍCOLA ∗ Inseticidas ∗ Herbicidas ∗ Acaricidas ∗ Dessecantes
AGRÍCOLA
∗ Inseticidas
∗ Herbicidas
∗ Acaricidas
∗ Dessecantes
∗ Fungicidas ∗ Fumigantes
∗ Fungicidas
∗ Fumigantes

Desfolhantes

Formicidas

DOMÉSTICOS ∗ Desinfetantes ∗ Saneantes
DOMÉSTICOS
∗ Desinfetantes
∗ Saneantes
∗ Baraticidas ∗ Piolhos/ Carrapatos ∗ Raticidas ∗ Repelentes de insetos
∗ Baraticidas
∗ Piolhos/
Carrapatos
∗ Raticidas
∗ Repelentes de
insetos

Grama e jardim

Piscinas: alvejantes algicidas

∗ SAÚDE PÚBLICA ∗ eliminação de vetores. ∗ OUTROS USOS ∗ Controle de endemias
∗ SAÚDE PÚBLICA
∗ eliminação de vetores.
∗ OUTROS USOS
∗ Controle de endemias
de vetores. ∗ OUTROS USOS ∗ Controle de endemias ∗ tratamento de madeira. ∗ armazenamento de

tratamento de madeira.

armazenamento de grãos.

Produção de flores.

VETERINÁRIO
VETERINÁRIO

Carrapatos

Piolhos

Sarnas

Miíase

Mosca-dos-chifres

Ambientes avícolas

VETERINÁRIO ∗ Carrapatos ∗ Piolhos ∗ Sarnas ∗ Miíase ∗ Mosca-dos-chifres ∗ Ambientes avícolas
Favorecem as intoxicações
Favorecem as intoxicações

Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos atualmente. Necessidade de aumentar a produtividade.

Modelo de agronegócio.

Utilização de produtos mais tóxicos.

Longas jornadas de trabalho.

Desconhecimento sobre o uso e os riscos do agrotóxico.

produtos mais tóxicos. ∗ Longas jornadas de trabalho. ∗ Desconhecimento sobre o uso e os riscos
∗ Falta, uso incorreto, inadequação e desconforto dos EPIs. ∗ Não observação de medidas higiênicas.

Falta, uso incorreto, inadequação e desconforto dos EPIs.

Não observação de medidas higiênicas.

Falta de informações e incentivo sobre métodos alternativos no controle de pragas.

Dificuldades na fiscalização sobre a venda sem receituário agronômico.

alternativos no controle de pragas. ∗ Dificuldades na fiscalização sobre a venda sem receituário agronômico.
DUPLA EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR
DUPLA EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR
DUPLA EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR
DUPLA EXPOSIÇÃO DO TRABALHADOR
O QUE NÃO FAZER DURANTE A PREPARAÇÃO DA CALDA
O QUE NÃO FAZER DURANTE A
PREPARAÇÃO DA CALDA
O QUE NÃO FAZER DURANTE A APLICAÇÃO
O QUE NÃO FAZER DURANTE A
APLICAÇÃO
Classe toxicológica, grau de toxicidade e cor da faixa CLASSE GRAU COR Classe I Extremamente
Classe toxicológica, grau de toxicidade e cor da
faixa
CLASSE
GRAU
COR
Classe I
Extremamente
Vermelha
tóxico
Classe II
Altamente
Amarelo
tóxico
Classe III
Medianamente
Azul
tóxico
Classe IV
Pouco tóxico
Verde

DIAGNÓSTICO E

TRATAMENTO

DIAGNÓSTICO ∗ História. ∗ História ocupacional.
DIAGNÓSTICO
∗ História.
∗ História
ocupacional.

Circunstância.

Antecedentes.

Exame físico.

Análises laboratoriais rápidas.

ocupacional. ∗ Circunstância. ∗ Antecedentes. ∗ Exame físico. ∗ Análises laboratoriais rápidas.
TRATAMENTO ∗ Dependendo da gravidade :
TRATAMENTO
∗ Dependendo da
gravidade :

- Domiciliar

- Ambulatorial

- Hospitalar

TRATAMENTO ∗ Dependendo da gravidade : - Domiciliar - Ambulatorial - Hospitalar
ETAPAS DO TRATAMENTO ∗ ∗
ETAPAS DO TRATAMENTO

Diminuir a exposição ao tóxico. Aumentar a excreção do tóxico absorvido. Antídotos e antagonistas.

Medidas sintomáticas e de manutenção.

Prevenir sequelas.

absorvido. Antídotos e antagonistas. ∗ ∗ Medidas sintomáticas e de manutenção. ∗ Prevenir sequelas.
TRATAMENTO GERAL E MEDIDAS SINTOMÁTICAS
TRATAMENTO GERAL E
MEDIDAS SINTOMÁTICAS

Descontaminação: cutânea, respiratória, gástrica e ocular.

Desobstrução de vias áereas.

Ventilação, oxigenação.

Sintomáticos: hipertermia, convulsões, crise alérgica

ORGANOFOSFORADOS

E

CARBAMATOS

ORGANOFOSFORADOS E CARBAMATOS

Os organofosforados (OF) e os carbamatos (CARB) pertencem ao grupo dos inseticidas anticolinesterásicos

Inibem a atividade da colinesterase

ORGANOFOSFORADO
ORGANOFOSFORADO

Desenvolvidos durante a II Guerra, como inseticidas e agentes de guerra.

Odor característico de alho.

Comercialização: formulações em concentrações variáveis, maioria líquida em solventes (hidrocarbonetos).

Inibição irreversível: complexo estável.

CARBAMATOS
CARBAMATOS

São mais recentes.

Derivados sintéticos de ác.carbâmico.

Inibição reversível : complexo menos estável.

USOS : OF e CARB
USOS : OF e CARB

Agropecuária ( controle de pragas ).

Veterinária ( infestações em animais).

Domicílio (pragas e infestações ).

Saúde pública ( controle de vetores ).

FARMACODINÂMICA

OF

e

CARB

Distúrbios

Muscarínicos

Atividade da colinesterase

ACETILCOLINA

Distúrbios

nicotínicos

Distúrbios

SNC

FARMACOCINÉTICA
FARMACOCINÉTICA

MEIA VIDA :

-varia conforme os compostos:maioria curta -maioria lipossolúveis(atuam por mais tempo)

ABSORÇÃO:

-bem absorvidos:digestiva, respiratório, pele e mucosas. -aumenta a absorção : solventes, temperatura elevada, dermatites

∗ METABOLISMO : -biotransformados – oxidases. Hidralases e transferases, principalmente hepáticas. ∗

METABOLISMO :

-biotransformados – oxidases. Hidralases e transferases, principalmente hepáticas.

ELIMINAÇÃO :

-principalmente urinária. -também pelas fezes e ar expirado.

INTERAÇÕES
INTERAÇÕES

Depressores do SNC – aumento a depressão respiratória.

Teofilina, aminofilina – arritmias.

Succinilcolina, fenotiazinas, anéstesicos, cocaína – aumentam a duração dos efeitos.

MANIFESTAÇÕES MUSCARÍNICAS
MANIFESTAÇÕES MUSCARÍNICAS

Sistema respiratório :

-hipersecreção brônquica, rinorréia, broncoespasmo, dispnéia, cianose. Sistema gastrointestinal :

-náuseas, vômitos, diarréia, tenesmo, dor, cólica abdominal, incontinência fecal.

Glândulas exócrinas :

-sialorréia, sudorese, lacrimejamento.

Sistema cardio-vascular :

-bradicardia, hipotensão.

Olhos :

-miose,visão turva, hiperemia conjuntival.

MANIFESTAÇÕES NICOTÍNICAS
MANIFESTAÇÕES NICOTÍNICAS

Muscúlo esquelético :

-fasciculações e fraqueza muscular, cãibras, paralisia e tremores.

Sistema cardio-vascular :

-taquicardia, hipertensão, palidez.

MANIFESTAÇÕES DO SNC
MANIFESTAÇÕES DO SNC

Sonolência

Letargia

Dispnéia

Coma

Cefaléia

Tremores

Ataxia

Fadiga

EFEITOS RESIDUAIS
EFEITOS RESIDUAIS

Neurocomportamentais :

-ansiedade, irritabilidade, confusão mental.

Cognitivos :

-dificuldade de concentração e julgamento, déficit de memória, depressão, insônia, pesadelos, cefaléia, anorexia.

Funcionais neuromusculares :

-fraqueza, fadiga, parestesias, distúrbios visuais e EEG.

MANIFESTAÇÕES TARDIAS
MANIFESTAÇÕES TARDIAS

SÍNDROME INTERMEDIÁRIA : Surge em 1 a 4 dias após fase colinérgica aguda. Caracterizada por fraqueza muscular, especialmente flexores do pescoço, respiratórios e musculatura proximal de membros superiores. Paralisia de nervos craniais, parada respiratória súbita (risco de óbito). Diminuição ou ausência de reflexos em tornozelos e joelhos. Diarréia, podendo causar desequilíbrio de eletrólitos.

Hipóteses etiologia da SI: existência da síndrome; prolongamento da toxicidade devido terapêutica insuficiente no quadro agudo, especialmente pralidoxima;

NEUROPATIA TARDIA
NEUROPATIA TARDIA

Surge em 1 - 3 semanas após a exposição, com manifestação clínicas progressivas e irreversíveis:

debilidade, ataxia, paralisias e parestesias, inicialmente distal, em pernas, progredindo para extremidades superiores. Em alguns casos ocorre paralisia flácida bilateral e simétrica. Sintomas persistentes são caracterizados por espasticidade, resultantes de lesão medular espinhal.

A neuropatia NÃO está associada com inibição da colinesterase e sim com inibição da ESTERASE NEUROTÓXICA (NTE) - especifica do sistema nervoso: cérebro, medula espinhal e nervos periféricos. Determinação da NTE é feita em linfócitos e plaquetas (não realizada no Brasil).

PRIMEIROS SOCORROS
PRIMEIROS SOCORROS

Manter ventilação adequada: aspirar secreções, oxigenação, intubação.

INGESTA :

-Lavagem gástrica até 4 hs + CA (intubação prévia em caso de solvente ). -Não provocar vômito. -Não usar substâncias oleosas

DÉRMICA : retirar as roupas contaminadas seguida de lavagem corporal com água corrente e sabão por 15 min. Atentar para pregas de pele e região de pêlos.

OCULAR : lavagem ocular com jato suave de água corrente por 10-15 min, pálpebras abertas.

TRATAMENTO
TRATAMENTO

Controle hidroeletrolítico.

Avaliar a função renal e hepática.

Medidas sintomáticas e de manutenção.

Assintomático com história de exposição – observação por 24 horas ( OF ) e 6-8 hs CARB ).

Monitorização respiratória e cardíaca. Correção dos distúrbios colinérgicos. Diazepam a partir de moderada gravidade.

(

GRAVIDADE QUADRO CLÍNICO 20-50 % Afastar da exposição. Medidas LEVE Náuseas, fadiga, mal- estar,fraqueza
GRAVIDADE
QUADRO CLÍNICO
20-50 %
Afastar da exposição. Medidas
LEVE
Náuseas, fadiga, mal-
estar,fraqueza muscular
mínima, cólica sem diarréia
sintomáticas
Salivação, lacrimejamento,
broncorréia,
broncoconstrição; vômito,
desconforto gastro-
intestinal, incontinência
urinária e fecal.
Tremores, fraqueza,
fasciculação, confusão,
letargia, ansiedade
10-20 %
Usar ATROPINA,
PRALIDOXIMA, medidas gerais
e
sintomáticas
MODERADA
Agravamento do quadro
anterior; insuficiência
respiratória, coma,
paralisias, convulsões,
disfunção autonômica
10% ou menos
Usar ATROPINA,
PRALIDOXIMA, medidas gerais
e
sintomáticas
SEVERA

ANTÍDOTO - ATROPINA O sulfato de atropina inibe a ação da acetilcolina sobre o orgão efetor por um mecanismo de competição, pois ambos os compostos apresentam uma configuração química semelhante. Esta competição ocorre nos receptores muscarínicos e sua intensidade não é igual em todos os orgãos.

semelhante. Esta competição ocorre nos receptores muscarínicos e sua intensidade não é igual em todos os
ANTÍDOTO - ATROPINA
ANTÍDOTO - ATROPINA

Ação: bloqueia os efeitos muscarínicos. Repetir até atropinização eficaz. Parâmetros: permeabilidade traqueo-brônquica, ressecamento de secreções e mucosas, rubor facial.

Ajustar dose de manutenção (24 hs ou mais).

Retirar gradualmente.

Retornar se efeitos colinérgicos.

Taquicardia não contra indica ( 120/ min).

OF : doses mais elevadas/maior tempo.

DOSE ATROPINA
DOSE ATROPINA

ADULTO : 2 – 4 mg/dose ( OF ). 0,5 - 2 mg/dose ( CARB ).

Via de administração : preferencialmente EV.

CRIANÇA : 0,05 mg/Kg/dose ( OF ). 0,01 – 0,05 mg/dose ( CARB ).

Repetir – 5 – 10 min até atropinização.

PRALIDOXIMA
PRALIDOXIMA

Ação: reativação enzimática da AChE, proteção da enzima não inibida, potencialização dos efeitos da atropina.

Início: precoce ( primeiras 24 hs ).

CARB : não é indicada.

OF + CARB : indicado o uso.

Não substitui a atropina.

DOSE
DOSE

Via de administração: EV preferencialmente. Pode ser IM ou oral.

ADULTO:

200mg/min).

1 – 2 gr (não exceder

CRIANÇA:

20 – 40 mg/ Kg ( não exceder

4mg/Kg/min ).

Pico plasmático e efeitos : 5 – 15 min.

Meia vida :

Excreção renal

1 – 3 hs

DETERMINAÇÃO DA ATIVIDADE DA COLINESTERASE
DETERMINAÇÃO DA ATIVIDADE
DA COLINESTERASE

ERITROCITÁRIA: é mais precisa por representa Colinesterase encontrada exclusivamente em neurônios, sinapses ganglionares da estrutura neuromuscular e nos eritrócitos.

PLASMÁTICA: "pseudocolinesterase", presente em quase todos os tecidos, principalmente hepático, e no plasma, porém tem concentração pequena no SNC e periférico. Frequentemente usada e de fácil realização.

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL CHUMBO

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL CHUMBO
solo, ar, água e ingestão sob várias formas
solo, ar, água e ingestão sob várias formas

Quais as fontes de Chumbo?

e ingestão sob várias formas Quais as fontes de Chumbo? petróleo, processos industriais, tintas, canos de

petróleo, processos industriais, tintas, canos de água, ar (80% do chumbo da atm provem da gasolina), poeira, sujeira das ruas e vias, água e alimentos, revestimento de metais e outras fontes expostas e corrosão, esmaltes, cerâmicas vitrificadas com cozimento a baixas temperaturas, soldaduras de embalagens de alimentos, solo contaminado por indústrias emissoras de chumbo, remédios folclóricos (particularmente provenientes de países orientais), cosméticos.

Exposição ao Chumbo nas Crianças ∗ A exposição às crianças é um problema sério de

Exposição ao Chumbo nas Crianças

A exposição às crianças é um problema sério de saúde pública, que está relacionado com o nível cultural dos pais e a situação sócio- econômica

Em 1943, um estudo nos EUA, com crianças expostas, levou a resultados comprovadores de alterações neuropsicológicas na exposição crônica a doses leves e após exposição aguda a doses altas.

Consumo por quilo de peso é maior do que nos adultos;

Crianças colocam objetos na boca com freqüência, que levam sujeiras do solo;

∗ ∗ ∗ a absorção de chumbo pelo organismo das crianças é maior do que

a absorção de chumbo pelo organismo das crianças é maior do que pelo adulto; crianças pequenas estão em desenvolvimento rápido e constante assim são mais vulneráveis aos efeitos do chumbo. As crianças mais pobres estão bem mais sujeitas à intoxicação, devido ao local de residência ser perto de indústrias ou de vias de alto tráfego e devido à desnutrição como fator agravante.

Baixas doses de chumbo contínuo leva a crianças pequenas – diminuição importante do desenvolvimento intelectual – efeitos esses geralmente irreversíveis.

Intoxicação por Chumbo ∗ Em altas concentrações = O contato humano com esse metal pode

Intoxicação por Chumbo

Em altas concentrações = O contato humano com esse metal pode levar a distúrbios de praticamente todas as partes do organismo - sistema nervoso central, sangue e rins – culminando com a morte.

Em baixas doses= Há alteração na produção de hemoglobina (molécula presente nas células vermelhas do sangue,

responsável pela ligação dessas células ao oxigênio) e processos bioquímicos cerebrais. Isso leva a alterações psicológicas e comportamentais sendo a diminuição da inteligência um dos

efeitos

.

Sintomas mais frequentes associadas a intoxicação ∗ Leve : mialgia, irritabilidade, parestesias, fadiga leve, dor

Sintomas mais frequentes associadas a intoxicação

Leve: mialgia, irritabilidade, parestesias, fadiga leve, dor abdominal intermitente e letargia;

Moderada: cefaléia, vomitos, nauseas, fadiga severa, dor abdominal difusa e frequente, perda de peso, reducao da libido, constipacao intestinal, tremores, mialgias, parestesias e artralgias, dificuldades de concentracao

Grave: encefalopatia, neuropatia motora, convulsoes, coma, colica abdominal aguda, linha gengival de Burton e nefropatia.

Doenças causalmente relacionadas a exposição ∗ Anemias; ∗ Hipotireoidismo ∗ Polineuropatias ∗

Doenças causalmente relacionadas a exposição

Anemias;

Hipotireoidismo

Polineuropatias

Encefalopatias

Hipertensao arterial

Arritmias cardíacas

Insuficiencia renal cronicas, entre outras

Indicadores de exposicao: dosagem de chumbo no sangue e na urina Indicadores de efeitos biológicos:
Indicadores de exposicao: dosagem de chumbo no
sangue e na urina
Indicadores de efeitos biológicos: revelam alteraçoes
organicas
a) Dosagem da zinco-protoporfirina
b) Determinacao do acido delta aminolevulínico na
urina.

Diagnóstico laboratorial

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

DIAGNÓSTICO CLÍNICO 25 a 60 µg/dL 60 a 80 µg/dL > 80 µg/dL > 100 μ

25 a 60 µg/dL

60 a 80 µg/dL

> 80 µg/dL

> 100 μg/dL

Relação dose-efeito

cefaléia, irritabilidade

dificuldade de concentração tempo de reação diminuído anemia redução na velocidade de condução nervosa

manifestações gastrintestinais

manifestações renais

manifestações hematopoiéticas

manifestações cardiovasculares piora dos efeitos gastrintestinais e renais

encefalopatia

Linha de Burton
Linha de Burton
INDICADOR BIOLÓGICO DE EXPOSIÇÃO
INDICADOR BIOLÓGICO DE EXPOSIÇÃO

Indicador Biológico de Exposição: chumbo sangüíneo (Plumbemia / Pb-S)

Coleta: uma amostra de sangue heparinizado (10 mL) O momento da coleta não é crítico

Conservação: geladeira a 4ºC, por até 5 dias

V.R.: até 40 µg/dL

I.B.M.P.: 60 µg/dL

Método analítico: espectrofotometria de absorção atômica (EAA)

INDICADOR BIOLÓGICO DE EXPOSIÇÃO Indicador Biológico de Exposição: Ácido deltaminolevulínico urinário (Ala-U)
INDICADOR BIOLÓGICO DE EXPOSIÇÃO
INDICADOR BIOLÓGICO DE EXPOSIÇÃO

Indicador Biológico de Exposição: Ácido deltaminolevulínico urinário (Ala-U)

Coleta: uma amostra de urina (20 mL). O momento da coleta não é crítico Conservação: geladeira a 4ºC, por até 5 dias, protegendo a amostra da luz direta

V.R.: até 4,5 mg/g de creatinina I.B.M.P.: 10 mg/g de creatinina Método analítico: Espectrofotometria visível

Observações:

1. O Ala-U encontra-se aumentado em pacientes com certas porfirias - raros defeitos congênitos do metabolismo do heme

2. A exposição prolongada da amostra à luz intensa leva à degradação deste metabólito

Principais atividades profissionais e fonte ambiental ao chumbo metálico ∗ Exposições ocupacionais a poeiras e

Principais atividades profissionais e fonte ambiental ao chumbo metálico

Exposições ocupacionais a poeiras e fumos de chumbo;

Extracao, concentração e refino de minerios contendo chumbo;

Fundição de chumbo

Producao, reforma e reciclagem de acumuladores elétricos

Fabricaçao e têmpera de aço de chumbo

Reparo de radiadores de carro

Instrucao e prática de tiro

Produção de ceramicas

Producao de Cristais

Demolição, queima, corte ao maçarico de materiais revestidos de tintas contendo chumbo* entre outros

∗ Uso de medicamentos que contem chumbo;
∗ Uso de medicamentos que contem chumbo;

Exposições não-ocupacionas ao chumbo metálico

Utilização de vasilhames que contem chumbo;

Presença de projéteis de arma de fogo no organismo;

Contato com solo contaminado com pesticidas contendo chumbo;

Ingestao acidental

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL GASES TÓXICOS

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL GASES TÓXICOS
GASES permanecem no estado gasoso (condições normais de temperatura e pressão) VAPORES formas gasosas de

GASES permanecem no estado gasoso (condições normais de temperatura e pressão) VAPORES formas gasosas de substâncias normalmente sólidas ou líquidas: volatilização de solventes / mercúrio / água FUMOS condensação de metais com oxidação no nível atmosférico: PbO Fe 2 O 3 POEIRAS particulado sólido por ação mecânica NÉVOAS subdivisão de matéria líquida: óleo de corte/ pintura spray NEBLINAS condensação de líquidos FUMAÇAS mistura de gases + vapores + particulado + névoas + neblinas

FATORES DE GRAVIDADE
FATORES DE GRAVIDADE

– Tempo de contato

– Habilidade da substância em penetrar nos tecidos

– pH da substância

– Volume (quantidade)

– Concentração do agente (indústrias, p. ex.)

– Tamanho da partícula

– Hidrossolubilidade

Presença de alimento no estômago (nas exposições ocupacionais a via de absorção digestiva é menos importante que as vias inalatória e dérmica)

TIPOS DE EFEITOS SIMPLES ASFIXIANTES
TIPOS DE EFEITOS
SIMPLES
ASFIXIANTES

QUÍMICO

S

IRRITANTES

ASFIXIANTES SIMPLES - ocupam o lugar do oxigênio na árvore respiratória - dióxido de carbono

ASFIXIANTES SIMPLES

- ocupam o lugar do oxigênio na árvore respiratória

- dióxido de carbono

- hidrogênio e nitrogênio

- metano, etano, propano e butano (GLP)

- neônio, argônio, xenônio

- são considerados sem ação fisiológica (?)

ASFIXIANTES QUÍMICOS ❖ interferem no transporte do oxigênio pela hemoglobina - monóxido de carbono -

ASFIXIANTES QUÍMICOS

interferem no transporte do oxigênio pela hemoglobina - monóxido de carbono

- agentes metemoglobinizantes

atuam nos processos de respiração celular - cianeto

- sulfeto de hidrogênio

IRRITANTES - podem atuar em processos de oxidação-redução, alquilação de macromoléculas e equilíbrio ácido-base

IRRITANTES

- podem atuar em processos de oxidação-redução, alquilação de macromoléculas e equilíbrio ácido-base

- efeitos imediatos (broncoespasmo, alveolite alérgica)

- efeitos intermediários (edema pulmonar, bronquiolite obliterante, infecção secundária)

- efeitos tardios (fibrose)

- ácido sulfídrico e fluorídrico

- amoníaco e cloro

- cloreto e brometo de metila

- gás lacrimogêneo* e gás pimenta*

- arsina

- fosgênio

- fosfina

* são aerossóis

e brometo de metila - gás lacrimogêneo* e gás pimenta* - arsina - fosgênio - fosfina
MONÓXIDO DE CARBONO Fontes de exposição - Combustão de qualquer material orgânico (carbônico): - gasolina

MONÓXIDO DE CARBONO

Fontes de exposição

- Combustão de qualquer material orgânico (carbônico):

- gasolina

- madeira

- gás (principalmente na queima incompleta, p. ex. aquecedores ou motores desregulados)

- Ambientes mal-ventilados com presença de fornos de lenha, lareiras, estufas, calefadores, veículos (garagens e túneis)

- Aquecimento improvisado (ex. queima de álcool etílico)

- Fumaça de incêndio

- Mineração

MONÓXIDO DE CARBONO Mecanismo de ação - hipóxia celular (por sua afinidade até 250 vezes

MONÓXIDO DE CARBONO

Mecanismo de ação

- hipóxia celular (por sua afinidade até 250 vezes maior que o oxigênio pela hemoglobina), pela ligação com outros sítios ativos que contenham ferro ou cobre (mioglobina, citocromo P450)

- peroxidação lipídica

- lesão por reperfusão, atingindo com maior intensidade os tecidos com maior necessidade metabólica (SNC, musculatura cardíaca)

MONÓXIDO DE CARBONO Manifestações clínicas: • cefaléia, vertigem • fraqueza muscular
MONÓXIDO DE CARBONO
Manifestações clínicas:
cefaléia, vertigem
fraqueza muscular

• alterações visuais

• confusão mental, dificuldade de concentração

• taquicardia, arritmias cardíacas

• dispnéia, taquipnéia, opressão torácica

• rebaixamento do nível de consciência até síncope

• pele cor de vermelho cereja

• dor abdominal, náuseas e vômitos

• mioclonias, crises epiléticas

• acidose metabólica, coma, óbito.

Seqüelas incluem necrose de globo pálido, putâmen e outros gânglios da base, levando a parkinsonismo e distúrbios neuropsiquiátricos diversos

MONÓXIDO DE CARBONO Tratamento - Afastamento da exposição   - Suporte (ABC): oxigênio a 100%;

MONÓXIDO DE CARBONO

Tratamento

-

Afastamento da exposição

 

-

Suporte

(ABC): oxigênio

a 100%;

e,

caso seja necessário,

intubação orotraqueal e ventilação mecânica

- Oxigênio hiperbárico (até 3 ATA) se houver coma ou alteração da consciência em qualquer momento da intoxicação, níveis de carboxihemoglobina > 40% ou em gestantes com COHb > 15%, sintomas que não melhoram após 4 a 6 horas com oxigênio normobárico ou que recorrem após recuperação da intoxicação aguda.

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL BENZENO

TOXICOLOGIA OCUPACIONAL BENZENO
BENZENISMO Conjunto de sinais, sintomas e complicações, decorrentes da exposição aguda ou crônica ao hidrocarboneto

BENZENISMO

Conjunto de sinais, sintomas e complicações, decorrentes da exposição aguda ou crônica ao hidrocarboneto aromático, benzeno. As complicações podem ser agudas , quando de exposição a altas concentrações com presença de sinais e sintomas neurológicos, ou crônicas, com sinais e sintomas clínicos diversos, podendo ocorrer complicações a médio ou a longo prazo localizadas principalmente no sistema hematopoiético.

TOXICINÉTICA DO BENZENO
TOXICINÉTICA DO BENZENO

ABSORÇÃO Ocorre rapidamente por:

-inalação (PRINCIPAL) -Ingestão -via dérmica

Ocorre rapidamente por: -inalação (PRINCIPAL) -Ingestão -via dérmica Por via oral, 100% do Benzeno é absorvid

Por via oral, 100% do Benzeno é absorvido

METABOLISMO
METABOLISMO

Metabolizado no fígado, pelo sistema citocrômico P450, sendo conjugado e excretado na urina

Metabólitos: 51% a 87% como fenol, 6% como catecol, 2% como hidroquinona.

Outros: Ácido fenilmercaptúrico, Dehidrodial, Ácido Trans, trans mucônico e Hidroquinona. Todos eliminados pela urina.

Excreção do Benzeno
Excreção do Benzeno

Os metabólitos solúveis em água são excretados pela urina.

O Benzeno exibe uma cinética não linear para doses superiores a 50 mg/kg nos animais.

Em humanos 12% da dose é excretada através dos pulmões e 0,1% na urina.

Dose-excreção é semelhante aos outros solventes, há correlação de exposição e a excreção urinária.

TOXICODINÂMICA DO BENZENO
TOXICODINÂMICA DO BENZENO
Quadro Clínico
Quadro Clínico

Intoxicação Aguda

Sinais e sintomas:

Oculares – conjuntivite irritativa, sensação de queimação

Respiratórios – irritação brônquica e laríngea, tosse, apnéia e edema pulmonar

Sistema Nervoso Central – narcose e excitação

seguida de sonolência, vertigem, cefaléia, náuseas,

taquicardia, dificuldade respiratória, tremores, convulsões, perda de consciência e morte.

Intoxicação Crônica • Sinais e sintomas: • Alterações Hematológicas: Lesão do tecido da medula óssea

Intoxicação Crônica

Sinais e sintomas:

Alterações Hematológicas: Lesão do tecido da medula óssea

• Sinais e sintomas: • Alterações Hematológicas: Lesão do tecido da medula óssea Hipoplasia Displasia Aplasia

Hipoplasia

Displasia

Aplasia

da medula óssea Hipoplasia Displasia Aplasia Leucemigênica: Leucemia mielóide aguda. Oncológica:

Leucemigênica:

Leucemia mielóide aguda. Oncológica:

Linfoma não-Hodgkin, mieloma múltiplo e mielofibrose.

Citopenia (leucopenia + neutropenia, - plaquetopenia)

Pancitopenia:

(leucopenia, plaquetopenia e anemia)

• Alterações Neuro-Psicológicas e Neurológicas
• Alterações Neuro-Psicológicas e Neurológicas

•Disfunções cognitivas: atenção, percepção, memória, habilidade motora, viso espacial, viso construtiva, função executiva, raciocínio lógico, linguagem, aprendizagem e humor.

• Astenia, cefaléia, depressão, insônia, agitação e alterações do comportamento

• Polineuropatias periféricas e mielites transversas

Alterações Periféricas e Centrais do Sistema Auditivo

•Perdas auditivas neurosensoriais, zumbidos, vertigens e dificuldades no processamento auditivo.

Alterações dermatológicas

- eritema e dermatite irritativa de contato

Outras alterações

• Cardiovascular arritmias cardíacas

• Gastrintestinal sensação de queimação das mucosas oral, esofágica e estomacal, náusea, vômitos e dor abdominal.

• Hepática intoxicação

• Geniturinária hemoglobinúria

• Endócrino diabetes mellitus

• Reprodutivo teratogenicidade, irregularidade menstrual e aborto.

• Carcinogenecidade

• Mutagenecidade

Protocolo de investigação de dano em expostos ao benzeno
Protocolo de investigação de dano
em expostos ao benzeno

História clínica atual e pregressa, interrogatório dos diversos aparelhos, antecedentes pessoais e familiares, exame físico completo

História ocupacional atual

Levantamento de dados hematológicos

Exames complementares

Exames complementares
Exames complementares

Hemograma

TGO/TGP, gama GT

VHS, Proteína C reativa e FAN.

Marcadores de Hepatite B e C

Anti- HIV

Estudo da medula óssea

Outras investigações

e FAN. ∗ Marcadores de Hepatite B e C ∗ Anti- HIV ∗ Estudo da medula

Principais causas de leucopenia

Diagnóstico diferencial

Infecciosas

Gripe, Mononucleose, Hepatites,CMV, HIV, Febre Amarela, Tb, Febre Tifóide, etc.

Imunológicas

LES, AR, Anemia hemolitica, choque anafilatico, etc.

Esplenomegalias

Hepatopatias crs,Calazar, Esquitosomose,etc.

Agentes leuco penizantes

Analgésicos, antibióticos, diuréticos, anti- histaminicos, sulfonamidas, outros medicamentos.

Alterações da Medula Óssea

Linfoma, Metásteses, Deficiências de vitaminas B , Ác. Fólico,Leucemias, Anemia Aplástica, Sindrome Mielodisplásica, etc.

Caso Suspeito
Caso Suspeito

Considera caso suspeito de toxidade crônica por benzeno a presença de alteração hematológica relevante e sustentada. Três hemogramas com intervalos de 15 dias com hematológico sustentado.

Recomendação: investigação das alterações hematológicas (macrocitose, pontilhado basófilo, hiperpigmentação de neutrófilos, eosinofilia, linfocitopenia, macroplaquetas)

Caso Confirmado
Caso Confirmado

Realizado a avaliação clinico laboratorial do caso suspeito e confirmado a ausência de outra patologia concomitante que possam acarretar tais alterações além da exposição ao benzeno, fica estabelecido o diagnóstico de Benzenismo.

EXEMPLO PRÁTICO DO CROMO Intoxicação aguda: ∙ rinite, asma e pneumonia, ∙ ulceração e perfuração
EXEMPLO PRÁTICO DO CROMO
Intoxicação aguda:
∙ rinite, asma e pneumonia,
∙ ulceração e perfuração do septo nasal
∙ reações cutâneas irritativas e alérgicas

Intoxicação crônica:

distúrbios pulmonares, hepáticos, renais, gastrintestinais e circulatórios

carcinoma bronco-pulmonar

potencial mutagênico

câncer de brônquios

reações cutâneas irritativas e alérgicas

asma ocupacional

possibilidade de ulceração nasal e perfuração do septo

câncer após longas exposições

USO DO CROMO Mineração (Cr 0 ) Ind. cimento (Cr 6+ ) Extração, fragmentação, secagem,
USO DO CROMO Mineração (Cr 0 ) Ind. cimento (Cr 6+ ) Extração, fragmentação, secagem,
USO DO CROMO
Mineração (Cr 0 )
Ind. cimento (Cr 6+ )
Extração, fragmentação, secagem, calibragem,
separação.
Transporte, condicionamento do mineral
Refinação de ferro-cromo
Produção de cimento Portland
Ind. química (cromatos e dicromatos de Na
e K)

Ind. de madeiras (Cr 6+ ) Manufatura de sapatos (sulfatos de

Cr)

Indústria de vidro (Cromato de Pb)

Ind. têxtil (cromato de Pb)

Metalurgia (Cr 3+ )

Produção, uso e armazenamento de compostos cromados, oxidação de picolinato de cromo Preservação de madeira

Beneficiamento de couro Coloração de vidros e espelhos Tintura de tecidos Solda com arco voltaico (aço inoxidável), cromagem de metais, eletrodeposição de cromo, uso de inibidores de corrosão

Manufatura de explosivos

(dicromatos de Na)

Tipografia (dicromatos de Na)

Oxidação de TNT Aplicação de soluções fotossensíveis

EXEMPLO PRÁTICO DO ARSÊNIO ∗ Intoxicação aguda ➢ ∗ conjuntivite ∗ bronquite e dispnéia ∗
EXEMPLO PRÁTICO DO ARSÊNIO ∗ Intoxicação aguda ➢ ∗ conjuntivite ∗ bronquite e dispnéia ∗
EXEMPLO PRÁTICO DO ARSÊNIO
∗ Intoxicação aguda
∗ conjuntivite
∗ bronquite e dispnéia
∗ distúrbios gastrintestinais e vômitos
∗ choque e morte
Em caso de ingestão:

vômitos intensos e diarréia

edema facial

cãibras

distúrbios cardíacos

Se sobrevivência:

perfuração do septo nasal em algumas semanas

seqüelas neurológicas periféricas

Intoxicação crônica

– Perfuração do septo nasal

– Irritação da árvore respiratória

– Eczema, pústula, dermatites das áreas

expostas, hiperqueratose, melanoma,

estrias ungueais e câncer de pele

– Neuropatia sensorial unilateral, distúrbios

motores e parestesias

– Anemia e leucopenia

– Câncer de pele

– Câncer pulmonar

USO DO ARSÊNIO

Manufatura de munições Produção de grades de baterias de Pb ácido Arsênio metálico Fundidores Arsênio
Manufatura de munições
Produção de grades de
baterias de Pb ácido
Arsênio metálico
Fundidores
Arsênio
Desfolhante para algodão
orgânico:
Agricultores
Herbicidas
DSMA, MSMA

Trióxido de arsênio ou arsênio branco

Arsenito de sódio (As 3+ )

Acido arsênico Pentóxido de arsênio

Triclorato de arsênio

Indústria de couro Indústria têxteis Madeireiras Indústria de vidros Extração de Au, Co, Cu, Pb

Tratamento de couro Mordente para tecidos, descorantes Preservante e inseticida Agentes de afinamento de vidro Fundidores

Indústria têxtil Curtumes Indústria pirotécnica

Secagem de tecidos Depiladores de couro Produção de fogos de artifício

Indústria de vidro

Tratamento para a coloração de vidros

Indústria da cerâmica

Impressão colorida

RISCOS TÓXICOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Cimento CROMO Chumbo Anemia, anomalias do comportamento, distúrbios
RISCOS TÓXICOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Cimento
CROMO
Chumbo
Anemia, anomalias do comportamento, distúrbios neurológicos,
neuropatia periférica, insuficiência renal.

Pintura

Solventes

Rinite, asma, ulceração e perfuração do septo nasal, dermatite, câncer brônquico e pulmonar

Hexano: efeitos neurológicos com alteração sensitiva e motora Benzeno: anemia aplastica, trobocitopenia, leucemia mielogenica, toxicidade fetal. Tetracloroetano: depressão do SNC, lipotímia, anomalias hepáticas e renais, câncer e morte. Aguarrás (pineno, C 10 H 16 e outros terpenos): irritação ocular, dermatite, lipotímia, pneumonite química, arritmia, anomalias neurológicas, renais, pulmonares e reprodutivas. Éter de petróleo (pentano, hexano e outros): irritação respiratória e ocular, dermatite, cefaléia, tontura, fatiga, alterações da memória e da concentração, irritabilidade ou apatia, ansiedade, anemia e leucopenia, encefalopatia tóxica, disfunção renal, câncer pulmonar e da bexiga.

Pavimentação Impermeabilização Atividades de proximidade

Asfalto

• Irritação ocular e dérmica por exposição, queimaduras, dermatite, lesões acneiformes, queratose crônica, fotosensibilização, melanose, câncer.

• Anomalias do desenvolvimento de sujeitos jovens e da reprodução devidos à produção de benzopirenos por combustão incompleta do asfalto.

RISCOS TÓXICOS NA AGRICULTURA

Agrotóxicos Organofosforados, carbamatos – neurotoxicidade; piretróides –alergias; bipiridilos – fibrose
Agrotóxicos
Organofosforados, carbamatos – neurotoxicidade; piretróides –alergias;
bipiridilos – fibrose pulmonar evolutiva; derivados fenoxiacéticos -
atrofia testicular, endometriose e câncer provável, ARSENICAIS, etc
Solventes
•Xileno – maioria dos produtos comerciais - hepatotoxicidade
•Nafta (mistura de cíclicos) - cloracne
Adjuvantes
Animais
peçonhentos
•POEA (tensioativo do glifosato ) - ulceração ocular, dermatites
•Formaldeído - câncer e provável disrupção endócrina
Serpentes, aranhas, lagartas, abelhas, peixes, etc – envenenamentos e
lesões cutâneo-mucosas
Agrotóxicos

Agrotóxicos

Antibióticos

Antiparasitários Derivados animais

Hormônios

Cimento

Pintura

Pavimentação

Impermeabilização

Manutenção

Fosfeto de alumínio – asfixiante; brometo de metila - atrofia do nervo ótico; raticidas - anticoagulantes

Carrapaticidas e outros inseticidas

•Cortisona + novobiocina + polimixina B + streptomicina + penicilina G - resistência aos antibióticos •Ivermectina - estimulador do efeito do GABA

Amônia (urina de gado e fezes de aves)

• Progesteronas – indutores do cio; • Prostaglandinas – abortivos ou luteolíticos • Dietil etilbestrol – estimuladores da produção de óvulos • Nandrolona (ilegal) – insuficiência renal e hepática aguda, morte

CROMO

Solventes - alterações do SNC, câncer

Asfalto – lesões dérmicas graves e câncer de pele

Óleos, graxas, combustíveis – cloracne e alteração do SNC

Cultivo

Silos e

armazéns

Pecuária

Construção:

alpendres,

armazéns,

canais,

estábulos

Maquinaria