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EDITORIAL

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Autores:
Prof. Francisco Assis dos Santos
Dr. Alcino Lopes de Toledo
Prof. Mauricio Ferreira Brito

Faculdade Teológica de Ciências Humanas e Socais Logos -


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2
SUMÁRIO

HEBRAICO BÍBLICO INSTRUMENTAL ........................................................... 7


Introdução e Preliminares ........................................................................................... 7
O Alfabeto Hebraico ................................................................................................... 8
A pronúncia............................................................................................................... 10
As Vogais - Parte I .................................................................................................... 14
As vogais - Parte II ................................................................................................... 19
Outros acentos e sinais .............................................................................................. 22
O Vav Conjuntivo ..................................................................................................... 26
O Artigo .................................................................................................................... 28
Preposições Inseparáveis .......................................................................................... 31
Gênero e número dos substantivos ........................................................................... 36
O Adjetivo................................................................................................................. 39
Pronomes pessoais .................................................................................................... 41
FILOSOFIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA ............................................ 51
Introdução ................................................................................................................. 51
Características do Pensamento Moderno .................................................................. 53
Racionalismo ..................................................................................................... 53
O Empirismo ..................................................................................................... 55
O Iluminismo .................................................................................................... 56
O Idealismo ....................................................................................................... 58
Materialismo ..................................................................................................... 58
O Existencialismo ............................................................................................. 59
Pensamento De Outros Filósofos.............................................................................. 60
Soren Keirkegaard ............................................................................................. 60
Teilhard de Chardin .......................................................................................... 60
Características do Pensamento Contemporâneo ....................................................... 63
Sucessivas Guerras ................................................................................................... 64
Principais Tendências Contemporâneas ................................................................... 68
História da Filosofia no Brasil .................................................................................. 71
Origens: ..................................................................................................................... 72
Período Colonial – 1500 - 1815 ................................................................................ 75
Período Imperial – 1822 - 1888 ................................................................................ 80
Período Republicano – 1889 - 1930 ......................................................................... 84
Ensino de Filosofia no Brasil .................................................................................... 93
Dados Biográficos..................................................................................................... 96
PSICOLOGIA GERAL .......................................................................................... 99
Introdução ................................................................................................................. 99
Propósitos e Definições ............................................................................................ 99
A Psicologia e outras Ciências ............................................................................... 101

3
Filosofia .......................................................................................................... 101
As Ciências ..................................................................................................... 102
Medicina ......................................................................................................... 103
Behaviorismo .................................................................................................. 104
Escola Gestalt ................................................................................................. 105
Psicanálise ....................................................................................................... 106
Campos da Psicologia............................................................................................. 107
Psicologia Clínica ........................................................................................... 107
Psicologia Consultiva ou do Aconselhamento ............................................... 108
Psicologia Experimental ................................................................................. 109
Psicologia Fisiológica e Comparada ............................................................... 109
Psicologia Educacional e Escolar ................................................................... 110
Psicologia Social ............................................................................................. 111
Psicologia do Desenvolvimento ..................................................................... 111
Psicologia Geral e Experimental ............................................................................ 114
Consciente e o Inconsciente ............................................................................ 114
Áreas de Estudo Comportamental .......................................................................... 117
Personalidade e Caráter .......................................................................................... 124
A Psicologia estudando o Corpo e a Mente............................................................ 128
Questionário dos diversos tipos de Psicologia ....................................................... 132
Dados Biográficos .................................................................................................. 140

4
5
6
HEBRAICO BÍBLICO INSTRUMENTAL

1ª PARTE
Introdução e Preliminares

arb tyfarb
As palavras acima são lidas: Bereshit Bara e significa "No
princípio criou". Como você deve estar imaginando, são as duas
primeiras palavras da Bíblia, em Gênesis 1:1.
O hebraico escreve-se da direita para a esquerda, como o árabe
e outras línguas semitas, ao contrário de como fazemos. Então,
sempre começamos "ao contrário", da direita para a esquerda. Se
você pegar um Torah e estranhar que não tem nada escrito na capa,
vire-a, e verá que lá sim começa o livro.
Em hebraico não há letras maiúsculas e minúsculas, só há uma
forma (exceto as que têm forma final, que você verá mais tarde).
O alfabeto hebraico (como se verá mais tarde) é constituído de
22 CONSTOANTES. As vogais e sinais não fazem parte do
alfabeto. Para estudarmos, vamos utilizar os sinais massoréticos,
inventados pelos massoretas, e que funcionam como vogais. Mas nas
publicações em Israel, por exemplo, não se utiliza estes sinais. Como
exemplo, utilizemos a palavra "terra":

SEM VOGAIS #ra


COM VOGAIS #r, a'
7
Em hebraico não podemos escrever parte de uma palavra numa
linha e parte na linha seguinte utilizando-se o hífen. No caso de não
haver espaço, escreve-se a palavra toda na linha seguinte.

EXERCÍCIOS

Para responder:
1. Por que o livro de Gênesis, na Bíblia Hebraica, está no lugar do
último livro do Antigo Testamento nas Bíblias em Português?

2. O alfabeto hebraico possui _____ consoantes.


3. Os sinais vocálicos representam as __________________ e foram
inventados pelos _______________.
4. Se você fosse escrever, em hebraico, as palavras Adão, casa, Deus
e homem, em quais usaria letras maiúsculas?

O Alfabeto Hebraico

Como você já sabe, o alfabeto hebraico é composto por 22


consoantes. Observe atentamente esta tabela com os dados de cada
letra. No quadro "transliteração ou representação" está o som da
palavra. Há alguns casos especiais, que você verá logo abaixo, como
o grupo marcado no quadro "aspirada", onde se trata do grupo de
letras Begadkefat.

8
Forma Nome Transliteração
Final Básica Aspirada
a Aleph `

b Beth B Bh (=V)

g Gilmel G Gh

d Daleth D Dh

h Hê H

w Vav V

z Zayin Z

x Het H

j Têth T

y Yôdh Y

$ k Kaph K Kh

l Lâmedh L

~ m Mem M

! n Num N

s Samekh S

[ Ayin ´

9
@ p Pê ou Phê P F

# c Çadê Ç

q Qôph Q

r Resh R

fv Sin, Shin S, Sh

t Tau ou Tav T Th

As transliterações são as letras do nosso idioma que usamos


para representar uma letra de outro idioma, como é o caso. Existem
diversas transliterações, e as transliterações feitas aqui são
"misturas" das transliterações encontradas em alguns livros. Decore
bem a transliteração de cada letra, pois será usada frequentemente
para mostrar o som das palavras.

A pronúncia

Guturais
a
O Aleph ( ) não tem correspondente para nossa língua, e
representa-se pelo sinal de aspiração branda do grego (`). Para nós,
latinos, ela não tem som. Não confunda esta letra com nosso A, pois
é uma consoante.
[
O Ayin ( ) também não tem correspondente para nosso idioma,

e representa-se pelo sinal de aspiração forte do grego (´). Essas duas


consoantes são guturais, e soam como um H no inglês house, mas o
som é tão fraco que é quase inaudível. Nós, ouvindo alguma palavra

10
com essas letras quase não as notaríamos, embora o Ayin seja bem
mais forte que o Aleph.

h
O He ( ) é mais forte que as últimas, soando como o h no inglês
x
house. O Het ( ) é bem mais duro, soando como o J no espanhol
(ex. hijo), raspando-se a garganta.

Beghadhkephath
As seis letras tpkdgb são naturalmente aspiradas, isto é,
soam de um modo adoçado e se representam, nesse caso, com um h
minúsculo após a letra, assim: Bh, Gh, Dh, Kh, Ph, Th. Esse grupo
chama-se beghadhkephath.
O som aspirado (como é mostrado acima) destas letras é: o b
soa como V; essa pronúncia não é universal entre os judeus, mas
todos os compêndios modernos a recomendam. O p soa como ph,
isto é, F. O t soa como o  grego, ou o th inglês em think, thirst,
etc. O g soa como se fosse seguido de um h aspirado muito rápido e
do mesmo modo o k eo d.
Essas mesmas letras, porém, quando recebem um ponto interior
que se chama Daghesh lene, perdem sua aspiração natural. Neste
caso, se representam pelas letras latinas que lhes correspondem e
soam de maneira dura, assim: TPKDGB. Aqui o b soa como
nosso B. O G
sempre soa como o nosso G em ga, go, gu; nunca
como o g em gi ou ge.
Portanto, cada letra, tem um som duplo - um aspirado (natural);
e outro duro, com Daghesh. Há quem diga que os judeus não
conhecem mais a diferença de pronúncia entre G e Gh e entre D e
Dh.

11
Outros

 O w se pronuncia como se representa (V), e o z como Z.


 O J (T) é mais forte que o h. É um T enfático. Os hebreus
não confundem os dois sons, mas para nós é difícil enunciar
a distinção.
 O y consonantal tem o som de Y ou i.
 Os l, m, n e s soam como se representam (L, M, N, S).
O M é bem labial, como em inglês am, him, etc. O finaln
não soa como ã, como na nossa língua, mas sim como o N na
palavra ano, etc. O s é representado pelo S e só tem este
traço para distinguir do fv, visto que suas diferenças se
perdeu com o tempo.
 O c
é mais forte que o S, e há quem represente-o por TS ou
TZ.
 O q é mais forte que o Kh. O r
é pronunciado como R,
não em português, mas, por exemplo, em espanhol, rato
(rrrrrrrrato).
 fv representam-se, respectivamente, por S e SH (que soa
como nosso CH)

Formas finais
Cinco letras têm uma forma especial quando no final da palavra:
cpnmk, que se tornam: #@!~$. Destas, todas menos ~
prolongam-se abaixo da linha. Das letras normais, somente o q
passa abaixo da linha e somente o l começa acima da linha.

12
Classificação:

Guturais: xh[a
Palatais: qkgy
Linguais: Jtdgl
Dentais ou Sibilantes: cfvsz
Labiais: pbmn
O r participa ao mesmo tempo da natureza de uma gutural e de
uma lingual.

Exercícios

Imprima esses exercícios para responder...

1. Escreva o nome das primeiras consoantes das seguintes palavras:

1.1 !B:?}><]/,.{;:)( (______________ ), 1.2 dwD (______________ )


1.3 ~wy (______________ ) 1.4 bqj (______________ )
1.5 hfm (_____________ ) 1.6 !tn (______________ )
1.7 ry[ (______________ ) 1.8 lyq (______________ )
2. Coloque adiante de cada letra as consoantes hebraicas
correspondentes.

2.1 G ( ______ ) 2.2 V ( ______ )


2.3 Z ( ______ ) 2.4 K ( ______ )

3. Coloque adiante de cada consoante a letra correspondente em


português.

13
3.1 s ( ______ ) 3.2 r ( ______ )
3.3 c ( ______ ) 3.4 v ( ______ )

4. Translitere as seguintes letras hebraicas.


4.1 a ( ______ ) 4.2 h ( ______ )
4.3 f ( ______ ) 4.4 j ( ______ )

5. Escreva a forma final das seguintes consoantes:

5.1 k ( ______ ) 5.2 n ( ______ )


5.3 p ( ______ ) 5.4 c ( ______ )

As Vogais – Parte I

Agora vamos estudar as vogais, sinais que os massoretas


inventaram (por isso também chamadas de sinais massoréticos). Eles
não fazem parte do texto original e se colocal em baixo ou em cima
das consoantes.
As vogais estão divididas em LONGAS e BREVES. Nesta
lição estudaremos as vogais longas.
As vogais longas
Qâmets Gadhôl

ba"
Note que abaixo da primeira letra da palavra encontra-se um sinal. É
a vogal qâmets gadhôl, correspondente à vogal A, em português.

14
As vogais longas ainda dividem-se em LONGAS POR
NATUREZA e LONGAS POR POSIÇÃO. A vogal qâmets gadhôl,
na palavra ba' é longa por posição e deve ser transliterada por a

(sublinhado). Assim: ` aBh.


Veja também:

hr'A' t (tôrâh, lei)


Aqui a vogal qâmets gadhôl é longa por natureza e deve ser
transliterada com â (circunflexo).

Tserê /
!Be
Nesta palavra, sob sua primeira consoante está a vogal tserê,
correspondente à vogal E, em português. Quando longa por natureza
ela deve ser transliterada como ê (com circunflexo), e quando longa
por posição deve ser sublinhada: e. Na palavra !Be e(ben, filho), a
vogal é longa por posição.

Hireq Gadhôl
ayhi

Este é o pronome feminino da terceira pessoa do singular em


hebraico (ela), lê-se hî`. Começa com uma consoante que tem um
y
ponto embaixo, e, ao lado, a consoante YOD ( ). No caso, os dois (o
ponto e a consoante yod) representam a vogal Hireq Gadhôl ( y i).

15
Esta vogal corresponde ao nosso I. Na transliteração usaremos î
(com circunflexo).

Vamos recordar:
A primeira vogal chama-se qâmets gadhol.
A segunda vogal chama-se tserê.
A terceira vogal chama-se hireq gadhol.

Hôlem

bAj
Esta palavra possui duas consoantes, a primeira e a última letras, e
uma consoante entre elas. Esta vogal chama-se hôlem e deve ser
transliterada por ô, assim: TôBh. Este hôlem, escrito com o vav,
representa uma vogal longa por natureza.
A vogal hôlem pode também aparecer sem o vav (somente com o
ponto). Por exemplo: lhea.o
Shûreq

aWh
Esta palavra também possui duas consoantes. O sinal que aparece
entre elas (o vav com o ponto no meio) é a vogal shûreq ( ), W
correpondente ao U em nosso alfabeto. Na transliteração usaremos
û.

Resumo: nesta tabela utilizaremos a vogal Aleph para auxiliar na


representação das vogais.

16
VOGAIS LONGAS TRANSLITERAÇÃO
Longa por posição Longa por natureza
a' a â

ae e ê

yai î

A ô

W û

Na próxima lição: as vogais breves.

Exercícios

Responda:

1. As vogais estão divididas em _________________________ e


_________________________.

2. Escreva as vogais longas ao lado de seus nomes.

Qâmets Gadhol __________________


Tserê __________________
Hireq Gadhol __________________
Shureq __________________

3. Na transliteração usam-se as seguintes formas para as vogais


longas por posição:
a' ' __________________

ae __________________

A __________________

17
4. Enumere a coluna da direita de acordo com a esquerda.
1. Tserê ( ___ ) aWa'
2. Hôlem ( ___ ) Ryai
3. Shûreq ( ___ ) ~ae
4. Hireq Gadhol ( ___ ) rAa

Atividade Prática I
Responda os exercícios

Exercício de transliteração

1. Translitere as seguintes palavras para nosso alfabeto, e aproveite


para aprendê-las.
'ba' __________________

!Bee __________________
lAq __________________

'vyai __________________

~ve __________________

!heKo __________________

2. Agora translitere essas palavras para o alfabeto hebraico.

Hi` __________________

Hu` __________________

18
´iR __________________
TôBh __________________
`ôR __________________
YôM __________________

As vogais - Parte II

As vogais não fazem parte do alfabeto hebraico, e não são


utilizadas no cotidiano de Israel. Foram inventadas pelos massoretas,
e se colocam abaixo ou acima das consoantes. Nesta lição você
aprenderá sobre as vogais breves.

Na lição passada você aprendeu que as vogais, no hebraico,


são sinais inventadas pelos massoretas, e são divididas em longas e
breves. Você já aprendeu as vogais longas. Agora você aprenderá as
vogais breves. Ao contrário do que acontece nas vogais longas, que
se dividem ainda em longas por posição e longas por natureza
(divisão que influencia na sua transliteração), as vogais breves não
se subdividem. Então, você vai aprendê-las bem mais rapidamente.

As vogais breves

Patah

rh; ;
Esta palavra é HAR e significa Monte. Você já deve ter notado a
vogal abaixo da primeira consoante. Esta é a vogal breve patah,
correspondente à vogal A no nosso idioma. Translitera-se como A.

Seghôl /

19
V,
A vogal abaixo da consoante Shin, é a vogal breve seghôl,
correspondente ao nosso E. Formam aqui a palavra She (quem). A
transliteração é E.

Hîreq qatôn

wmi
Há um ponto abaixo desta palavra (MIV = de). É a vogal Hîreq
qatôn, correspondente ao nosso I. Também translitera-se somente
com o I.

Qamets qatôn

lK'
Na lição passada estudamos a vogal Qâmets gadhol ( K'
), lembra-se?
A vogal apresentada acima, na palavra Côl, é a vogal Qâmets qatôn.
Ela corresponde à nossa vogal O, e é idêntica à qâmets gadhol.
Como se vê, a forma é a mesma, e só pode-se distinguir as duas
conhecendo-se a etimologia da palavra.

Qibbuts

au
Aqui encontra-se, abaixo da consoante Áleph, a vogal qibbuts,
correspondente ao nosso U. Translitera-se como U.

20
Resumo: nesta tabela utilizaremos a vogal Aleph para auxiliar na
representação das vogais.

Vogais breves Transliteração

a'.; A

a, e E

ai i I

a' O

au U

Exercícios

Responda os exercícios

1. Nesta unidade estudamos as vogais _____________________ .

2. Escreva as vogais breves ao lado de seus nomes.


Pathah __________________
Seghôl __________________
Hireq qatôn __________________
Qibbuts __________________

3. O qâmets qatôn tem forma semelhante ao qâmets _____________


e, na transliteração, corresponde à vogal _____________, em
português.

21
4. Enumere a coluna da direita de acordo com a esquerda,
observando a vogal inicial das palavras.
1. Pathah ( ___ ) #r,, a,
2. Seghôl ( ___ ) lV; mu
3. Hireq qatôn ( ___ ) [r;
4. Qibbuts ( ___ ) ~ai

Outros acentos e sinais

Ainda falta a você aprender o Sheva, uma semi-vogal do hebraico,


um sinal muito usado no idioma. No módulo V, além de estudarmos
esse sinal, iremos aprender outros sinais usados na escrita do idioma.

O Sheva

Observe a palavra:

rb; D.
Abaixo da consoante inicial temos um sinal ainda não estudado. Ele
(a.) chama-se Sheva (semivogal) e foi também inventado pelos massoretas,
com a finalidade de representar uma vogal esvaída. Há dois tipos de Sheva:

 Vocálico ou sonoro: quando estiver ligando uma consoante a


outra na mesma sílaba, como no caso acima. Translitera-se
assim: e, com um e acima da linha. Por exemplo: rb; D.
((DeVAR)

22
 Mudo ou secante: quando ele estiver no fim de uma sílaba, ele
é mudo, não sendo pronunciado nem transliterado. Assim:
ljoq. yi (Yiqtol)

Quando o sheva estiver sob uma consoante gutural (veja a


classificação das consoantes na Lição II) eole deve ser representado
junto a uma vogal breve: pathah (a; ), seghôl (a, ) ou qâmets qatôn
(a' ), tornando-se um sinal composto. Os shevas copostos também
são chamadops de hatefs.

 Sheva composto de pathah: a]


 Sheva composto de seghôl: a/

 Sheva composto de qâmets a| :

Os hatefs são pronunciados levemente, e na transliteração levam a


vogal acima da linha: a e â.

Dagesh

B
É um ponto dentro da letra e serve para:

 Reduplicar essa letra (Dagedh forte);


 Para indicar um som duro na pronúncia das letras do grupo
Begadkefat (Dagesh Lene). Reveja as letras do Begadkefat na
lição II!

23
Outros pontos do hebraico:

 Maqqef (hífen): serve como nosso hífen. Ex: rAah" -ta,


no lugar de rAah" ta,
 Sof-pasuq ( `) indica o fim do verso ou do período.
:

 Silluq ( a( ): aparece na última palavra do verso e sempre sob


a sílaba tônica.
 Atnah ( a+ ): está no meio do verso e divide-o em duas partes
iguais.

Exercícios

Responda os exercícios:

1. Enumere a coluna da direita de acordo com a esquerda,


observando o sheva palavras.

1. Sheva composto de pathah. ( ___ ) hk" -r" B.


2. Sheva simples mudo ( ___ ) ~yhiloa/
3. Sheva simples vocálico ( ___ ) rve a]
4. Sheva composto de qâmets. ( ___ ) yxe-t. Pi
5. Sheva composto de seghôl. ( ___ ) hY' nia|
2. Identifique os pontos:

a+ __________________________ .

24
a( __________________________ .

` __________________________ .

G __________________________ .

Atividade Prática II

Respondas os seguintes exercícios

Exercício de transliteração

1. Translitere para o nosso alfabeto as palavras:

yria] lj,.; q" @peA[ hm" Wq ~yGiT; ybeAj ~ybiAj bAj


ymi yme !yiy; yli Al WkyliAh lAka' rm; a" rmoa/ rAmx]
WnyseWs ~ysiWs %r; B' tyiz; lKo lAq ~x, l, ~h, l" alo hm"
~yhiloa/ ww" dywiD' lAdG' ylix| ts; Ws h" s" Ws
2. Agora translitere para o alfabeto hebraico (note que a e â = a'; o =
ao ;e= ) ae
Qatal, Qatelâ, Qôtel, Qatelû, Kathabh, Yiqtol, Dabhar, Debharîm, Lô,
Zayith, Gadhôl, Barûkh, Qôl, ´ayin, Yayin, Davîdh, `adham,
`adhamâ.

25
2ª PARTE

Você já estudou toda a 1ª parte, já está começando a ler as


palavras em hebraico e com um pouco de prática você estará lendo o
idioma muito bem. Se tiver uma Torá, tente ler, identificar o que
você já aprendeu, isso o ajudará muito a praticar.

Na 2ª parte (preliminares práticos), você, a cada nova lição, irá


aprender um novo vocabulário de palavras, que serão utilizadas nos
exercícios. As atividades serão de tradução, sobre o que você
aprendeu naquele módulo, fazendo assim com que você pratique
bem o conteúdo aprendido, memorizando as palavras e decorando as
regras. Você já vai começar a montar suas primeiras frases e ler
alguns textos selecionados especialmente para seu entendimento.
Esperamos que tire o máximo proveito do nosso curso.

O Vav Conjuntivo

O Vav conjuntivo serve como nosso e em, por exemplo, casa e


homem. É formado pela consoante Vav + um sheva, e se liga à
palavra que o segue. Mas em determinados casos o sheva pode
mudar para outra vogal.
A partir deste módulo, a cada nova lição você terá um novo
vocabulário. Estude e memorize-o, pois ele será utilizado nos
exercícios!

w
A conjunção e, em hebraico se expressa por um vav ( ) que se liga
como um prefixo à palavra que o segue. A pontuação comum para o
vav nesse caso é um sheva, assim:

sWsw. (e cavalo)

26
O Vav conjuntivo serve para unir palavras e orações. Devido a
w
alterações determinadas pela fonética, o pode ser pontuado dos
seguintes modos:

w> É a pontuação comum. Ex.: sWsw. e cavalo.

w" Antes da sílaba tônica. Ex.: @skw"


Antes de hatefs (shevás compostos), o vav toma
w; w, w" a vogal correspondente ao hatef. Ex.: ynia] w; e
eu
Antes de labiais ( k m w b) e antes de
W palavras iniciadas por sheva vocálico: !bW e
filho.
Se a palavra começar por y com sheva vocálico,
wi y
o silencia e o w toma ai . Ex.: hd""Whywi e
Judá.

Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras.

ba" Pai ~h'r'b.a; Abraão yria] leão


~ae mãe rz,[,ylia/ Eliézer bDo urso
xa" irmão @seAy José lm'G' camelo
tAxa"" irmã hd'Why. Judá rAmx] jumento
27
!Be filho bqo[]y; Jacó bl,K, cão
tB: filha laer'f.yi Israel sWs cavalo
vyai homem sx'n.yPi Finéas dymil.T; aluno
hV'ai mulher hmolvo . Salomão hr,Am professor
!yiy; vinho ~x,l, pão hv,m Moisés

O Artigo

É essencial aprender o Artigo do hebraico. Nossos O, A, Os,


As, no hebraico, se traduzem na consoante He + a vogal qâmets
gadhol, unida à palavra que precede. É facil! Mas há um porém: em
diversos casos, a vogal qâmets gadhôl pode mudar para outra vogal
dependendo da letra que inicia a palavra seguinte.

A partir deste módulo, a cada nova lição você terá um novo


vocabulário. Estude e memorize-o, pois ele será utilizado nos
exercícios!

Estudaremos nesta lição o artigo hebraico. Em português, o


artigo é O, A, OS, AS. Em hebraico, se resume em um prefixo que
se coloca na palavra a tomar o artigo. Observe a palavra camelo:

lm'g''
Agora colocaremos o artigo na palavra:

lm'G'h;

28
O artigo é este prefixo adicionado à palavra, formado pela
consoante Hê, a vogal pathah e o dagesh forte (ponto) na letra inicial
da palavra. Ele nunca aparece isolado. No hebraico, quando não há
artigo numa palavra, significa que é uma palavra indefinida. Por
exemplo, a palavra camelo (Gamal) acima, sem o artigo, significaria
no texto um camelo.

Assim como acontece no Vav conjuntivo, o artigo pode mudar sua


vogal para outra, de acordo com a consoante seguinte. Assim:

É a pontuação comum. Levando sempre o dagesh


h; (ponto) à consoante seguinte. Nas consoantes hex
não se coloca o dagesh.
Antes de a e r, e geralmente de [ E antes de h' e
h' ['(com a vogal qâmets e tônicos).
.

Antes de h' e ['(com qâmets, mas átonos). E antes de


h, x,e x].

Memorize esses pontos para podermos prosseguir nosso curso.


Agora, vá para o vocabulário, e depois, para os exercícios.

Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras.

#r,a, terra ~yim;v' céu br,x, espada


#r,a'h' a terra rh; montanha ry[i cidade

29
~yim; água ~yrih' montanhas ~Ay dia
[;yqir' firmamento ylix| doença ~k'x' sábio
rh'h' a montanha lm'[' mal, tristeza, sofrimento
Agora que você já memorizou as palavras, faça os exercícios!

Exercícios

1. Traduza para o português, de acordo com o vocabulário (deste


módulo e do módulo passado):

- bl,K,h;w. lm'G'h; - #r,a'h'w. ~yim;V'h; - !yiY;h;w. ~yiM;h;


- bDoh;w. yria]h' - ~aeh'w. ba'h- lm'['h,w. ylih|h,'
- rh'h'w. ry[ih '- vyaih'w. br,x,h '- vyaih'w. br,x,h;,
~AYh; - ~k'x'h,w. vyaih' - ~yim;V'h;w. [;yqir'h' - ~yiM;h;w. ~yrih'h

2. Traduza para o hebraico.

O pai e o filho. O irmão e a irmã. As montanhas e a cidade. O


sábio e a doença. A espada e o dia. A montanha e o céu. O leão e o
burro. A água e a terra. O firmamento. O cavalo e o camelo.

30
Preposições Inseparáveis

Assim como no português, no hebraico são várias as


preposições. Algumas são chamadas inseparáveis porque aparecem
unidas às palavras que precedem. Neste módulo estudaremos as
preposições inseparáveis.

A cada nova lição você terá um novo vocabulário. Estude e


memorize-o, pois ele será utilizado nos exercícios!

Assim como no português, no hebraico são várias as


preposições. Algumas são chamadas inseparáveis porque aparecem
unidas às palavras que precedem. Neste módulo estudaremos as
preposições inseparáveis. Aprenderemos as preposições em, como e
para. Observe as palavras sem e com as preposições:

~Alv' (paz) ~Alv'B.


rb'D' (palavra) .rb'd'K.
lAq (voz) .lAql.
Como você deve ter notado, foram adicionadas às palavras
essas três preposições, que são as principais.

B. em, por, com


K. como, conforme
l. a, para
Traduzindo nosso primeiro exemplo...

~AlvB.' em paz

31
rb'DK.' conforme uma palavra

lAql. para uma voz

O sheva é o ponto original abaixo das consoantes nas


preposições. Mas, assim como no vav conjuntivo e no artigo, há
alterações nas vogais.

B. É a pontuação comum, com o sheva abaixo da consoante.

Bi Antes de uma consoante pontuada com sheva, coloca-se a


vogal hireq abaixo da consoante.

B;
Antes das guturais com shevas compostos (hatefs), a
B, consoante toma a vogal respectiva ao hatef, como no vav
conjuntivo.

B'
B' Antes da sílaba tônica.

Antes do artigo, o h some e a preposição fica no seu


h;+B lugar, tomando a sua vogal. Ex.: %l,M,l; (para o rei);

Já aprendemos essas preposições, agora vamos ver mais uma:

-!mi
Esta preposição (Mîn) significa de, indicando origem ou
procedência, como o from no inglês. Também tem uma pontuação
específica a cada caso:

32
É a pontuação comum. Ela aparece unida à palavra
mi seguinte, levando dagesh forte (ponto) à consoante.
Ex.: ~yiM;mi (da água)

me Antes das guturais. Ex.: #[eme (de uma árvore)


Quando aparece antes do artigo, a preposição
-!mi aparece ligada à palavra pelo maqqef (traço). Ex.:
#[eh-' !mi
Simples essa lição, não? O segredo é memorizar bem as
pontuações e treinar bastante com os exercícios. Neste módulo, o
vocabulário ainda tem explicações práticas sobre algumas
expressões utilizando-se as preposições.

Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras. Neste
módulo, leia as explicações práticas sobre algumas expressões:

ymi Quem? (interrogativo)


De quem?
ymil. Como você pode ver, a expressão de quem é formada pela
preposição para + quem. Para, no caso, indica possessão.
Eu tenho ou Para mim. Como no caso acima, a preposição

yli para também pode indicar posse. Assim, yli !B.


é
traduzido por eu tenho um filho, enquanto literalmente
significa filho para mim.

vye Há (advérbio). Podemos utilizar com os casos acima para

33
indica posse, assim:

yl. !B. vye: eu tenho um filho (literalmente, há um filho


pra mim).

Exemplos práticos:

sWSh; ymil. De quem é o cavalo? (para quem é o cavalo)


sWSh; yli' O cavalo é meu. (o cavalo é para mim)
~ael' xa' vye; A mãe tem um irmão. (há um irmão para a mãe)
ymi-!B, De quem é filho?
Vocabulário:

~yBir;, Muitos ~ydiymil.T;' Alunos tAdym.liT;, Alunas

rAv' Boi ~ysiWs cavalos ~Ay dia

Agora que você já memorizou as palavras, faça os exercícios!

Exercícios

1. Traduza para o português, de acordo com o vocabulário (deste


módulo e dos outros módulos): ,

- tAxa'w. xa' hmolov.li vye - lm'g'w. rAmx] ,sWs ,rAv


~h'r'b.a;l. vy
- tAdymil.t;w. ~ydiymil.T; hr,AMl; vye - tb;W !Be ba'l' vye

34
- ~yrih' - @seAy ymi-!B, - yli bl,K,h; - bl,K,h; ymil. -
#r,a'B' vye ~yBir
;bqo[]y;-!B, @seAye
2. Traduza para o hebraico.

Eu tenho (há para mim) pai, mãe, irmão, irmã, filho e filha. De quem
é o livro? O livro é meu (para mim). O professor tem muitos alunos
(Há muitos alunos para o professor). O pai tem muitos cavalos.
Quem é o professor? De quem é o boi? O boi é do (para o) aluno.
Tenho um irmão e uma irmã. Há vinho na terra. Há água na cidade.

3. Traduza para o hebraico as frases:

Do dia
Na terra (começa com
sílaba tônica)
Como um sábio
Em uma montanha
Para o filho
Para o pai e para a mãe
Como o céu
Em paz
De Israel

35
Gênero e número dos substantivos

No módulo IX estudaremos os gêneros do hebraico (masculino


e feminino) e o número (singular, plural e dual).

A cada nova lição você terá um novo vocabulário. Estude e


memorize-o, pois ele será utilizado nos exercícios!

Gêneros

O hebraico é composto de dois gêneros: masculino e feminino.


Em alguns casos, tem uma forma para indicar seres do sexo
masculino e outra para indicar os do sexo feminino. Exemplos:

pai ba' – mãe ~ae


jumento rAmh] – jumenta !Ata'
Mas em outros casos, o feminino é formado por um sufixo
acrescentado à palavra. Esse sufixo é ha'. Exemplos:
cavalo sAs- égua hs'As
bom bAj- boa hb'Aj
Há outra forma também usada para o feminino, o sufixo t
.

Números

Os substantivos hebraicos podem estar no singular, no plural


ou no dual.

36
Plural

Para formar-se o plural das palavras no masculino, acrescenta-


se à palavra a desinência ~yai. Exemplos:
cavalo sWs - cavalos ~ysiWs
O plural das palavras no feminino forma-se pela desinência tA .

Exemplos:

égua hs'As - éguas tAsWs


dual

Para as coisas que aparecem aos pares na natureza, como


mãos, pés, olhos, etc., o hebraico tem a forma dual, formado pela
desinência ~yia;. Exemplos:
mão dy' - mãos ~yid;y'
Exceções

Há, claro, palavras que fogem às regras, a observar:

 Há palavras masculinas que recebem a desinência do plural


feminino: ba' (pai) - tAba
(pais) '
 Há palavras femininas que recebem a desinência do plural
masculino: hn'Ay(pomba) - ~yniAy(pombas)
 Há palavras que podem receber tanto o plural masculino como
o plural feminino:~yriAD (gerações) - tArAD (gerações)
 Há palavras que só aparecem no plural: ~yim;v (céus)'

37
Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras. Neste
módulo, leia as explicações práticas sobre algumas expressões:

rP';, Touro, boi gD;'; Peixe ~ydil'y.;, Crianças


~yin;z.a' Ouvidos ~yit;p'f. Lábios
Agora que você já memorizou as palavras, faça os exercícios!

Exercícios
1. Exercícios de revisão - indique a desinência correta para cada
caso:
Feminino ________________
Plural masculino ________________
Plural feminino ________________
Dual ________________

2. Traduza para o português, de acordo com o vocabulário (deste


módulo e dos outros módulos):

tAsWsw. ~ysiWs
hs'Wsw. hr'P'
~yim;v'w. #r,a,
38
~yin;z.a'h'w. ~yit;p'F.h;
#r,a,b' ~yrih; vye
~ydiymil.Tl; tArP'W ~yriP' ,tAsWs ,~ysiWs
vye
hr,AMh; tAdym.l.T; vyee
3. Traduza para o hebraico.
Bois e vacas.
Lábios e ouvidos.
Pai e pais.
O pai tem cavalos e éguas (há cavalos e éguas para o pai).
Os homens têm mulheres.
As águas e os céus.
O professor tem alunos e alunas.

O Adjetivo

Vamos aprender no Módulo X o adjetivo no hebraico, e as


funções atributiva e predicativa.

A cada nova lição você terá um novo vocabulário. Estude e


memorize-o, pois ele será utilizado nos exercícios!

O adjetivo, no hebraico, pode ter as funções atributiva e predicativa.

39
Função atributiva

Atribui a um substantivo uma qualidade. Vejamos as palavras:

ba' - pai
bAj - bom
A primeira palavra é um substantivo (pai) e a segunda é um adjetivo
(bom). Para se escrever "um bom pai" deve-se colocar o substantivo
(pai), e depois o adjetivo (bom). Assim:

bAj ba'
Então, na função atributiva (que atribui uma qualidade a um
substantivo), o adjetivo vem normalmente depois do substantivo.

Quando o substantivo receber o artigo, o adjetivo também recebe:

bAJh; ba'h' (o bom pai)


Função predicativa

Observe:

ba'h' bAj (o pai é bom)


Na função predicativa, o adjetivo bem antes do substantivo, ao
contrário do que acontece na função atributiva. Note que nesta
função só o substantivo leva o artigo. O adjetivo não o leva.

Gêneros e números

É muito importante notar que o adjetivo concorda em gênero e


número com o substantivo. Assim, por exemplo, se o substantivo

40
estivesse no feminino, o adjetivo também deverá ser modificado
com o sufixo (como foi aprendido no módulo IX). Exemplos:

bAJh; vyaih' (o homem bom)


hb'AJh; hV'ahi ' (a mulher boa)
lAdG'h; rh;h; (o grande monte)
~yliAdG'h; ~yrih;h; (os grandes montes)'
Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras.

~[' povo ~r' alto bAj..;, bom

forte, hwh Jeová


lAdG'' grande ~Wc['. numeroso y (Senhor)

Pronomes pessoais

Estudaremos neste módulo os pronomes do hebraico: eu, tu


(m.), tu (f.), ele, ela, nós, vós (m.), vós (f.), eles e elas, e as partes
significativas destes pronomes (ou sufixos pronominais), que serão
usados mais tarde como pronomes possessivos.

A cada nova lição você terá um novo vocabulário. Estude e


memorize-o, pois ele será utilizado nos exercícios!

41
Estudaremos neste módulo os pronomes do hebraico: eu, tu
(m.), tu (f.), ele, ela, nós, vós (m.), vós (f.), eles e elas, e as partes
significativas destes pronomes (ou sufixos pronominais), que serão
usados mais tarde como pronomes possessivos.

Singular

A primeira pessoa do singular (eu), tem uma só forma tanto para o


masculino quanto para o feminino:

ynia] (´ânî - eu)


Esta é a forma abreviada deste pronome, e a mais usada. A outra
forma é:

ykinoa' (´ânôkhî - eu)


Exemplos do uso:

ba' ynia] (eu sou um pai)


'~ae ynia] (eu sou uma mãe)
bAj ykinoa' (eu sou bom ou eu estou bem)

A segunda pessoa do singular (tu) tem duas formas: uma para o


masculino e outra para o feminino.

Forma masculina:

hT'a;(´ata - tu - para homens)


42
Forma feminina:

T.a; (´at - tu - para mulheres)


Exemplos do uso:

vyai hT'a;(tu és um homem)


hV'ai T.a;(tu és uma mulher)

Como era de se esperar, a terceira pessoa do singular (ele - ela), tem


duas formas também, uma para o masculino e outra para o feminino.

Forma masculina:

aWh(hû - ele)
Forma feminina:

ayhi(hî - ela)
Exemplos do uso:

vyai aWh (ele é um homem)


hV'ai ayhi(ela é uma mulher)
Plural:

Passaremos agora os pronomes para o plural:

A primeira pessoa do plural (nós) se escreve:

Wnx.n;a](´ nahnû - nós)


a

43
Exemplos do uso:

~ydiymil.T; Wnx.n;a (nós somos alunos)


A segunda pessoa do plural (vós), assim como no singular tem uma
forma para o masculino e outra para o feminino:

Forma do masculino:

~T,a; (´atem - vós - para homens)


!T,a; (´aten - vós - para mulheres)
Exemplos do uso:

~ydiymil.T; ~T,a; (vós sois alunos)


tAdymil.T; !T,a; (vós sois alunas)
Para terminar, verifiquemos a terceira pessoa do plural (eles - elas):

Forma masculina:
hM'he (hêmmâ - eles)
hN'he (hênnâ - elas)
Exemplos do uso:

~ydiymil.T; hM'he (eles são alunos)

tAdymil.T; hN'he (elas são alunas)

44
Cada pronome tem ainda sua parte significativa, que utilizaremos
em futuras lições como sufixos pronominais (pronomes possessivos)
e na conjugação dos verbos.

Singular
Pronome Parte significativa
ynia] (eu) yai - yni
hT'a ;(tu - m.) T'
T.a; (tu - f.) T.
aWh (ele) A - Ah
ayhi(ela) y - h'
Plural
Pronome Parte significativa
Wnx.n;a](nós) Wn
~T,a; (vós - m.) ~T,
!T,a; (vós - f.) !T,
hM'he (eles) ~
hN'he (elas) !

Vocabulário

Aprenda essas palavras e memorize-as! Elas serão utilizadas


nos exercícios, e serão de grande proveito para enriquecer seu
vocabulário hebraico. Como exercício, leia as palavras.

45
rb'D' palavra hD'l.y; menina
fiilho de
~yrib'D. palavras ymi !Be quem?
hZ|,h; bl,K,h; De quem é este
rABGio herói
ymil. cão?

dl,y,e menino .

Agora que você já memorizou as palavras, faça os exercícios!

Exercícios

1. Traduza para o português, de acordo com o vocabulário (deste


módulo e dos outros módulos):

hZ,h' rAVh' ymil.


yli hZ,h' rAVh;
rd'D'h; hz,
hZ,h; rb'D'h;
~yrib'D.h; hL,ae
hL,aeh' ~yrib'D.h'
bAJh; sWSh; hz,
hZ,h; bAJh; sWSh;
hZ,h; sWsh; bAj
tB;h; tazo

46
hb'AJh; tB;h; tazo
taZoh; tB;h; hb'Aj
hL,aeh' ~ybiAJh; ~yrib'D.h;
hL,aeh' ~yrib'D.h; ~ybiAj
~ybiJh; ~yrib'D.h; hL,ae;
hL,aeh' ~ydiymil.T;h; ymil.
3. Traduza para o hebraico.
Este cão.
Este é o cão.
Este bom cão.
Este cão é bom.
Este é o bom cão.
Esta espada é boa.
Esta boa espada.
Esta é a boa espada.
De quem é esta espada?
De quem é esta boa espada?
Esta boa espada é do (para o) herói.
De quem são estes bons alunos?
Estes bons alunos são do (para o) sábio professor.
Este bom menino é filho de José.

47
Dados Bibliograficos

 Autor: Prof. Francisco Assis dos Santos

 Formação:
- Bacharel em Teologia
- Pós-graduado em Docência do Ensino Superior
- Especialista em Grego e Hebraico.

48
49
50
FILOSOFIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

Introdução

A filosofia, como todos os


outros estudos, visa em primeiro
lugar ao conhecimento. O
conhecimento a que ela aspira é o
tipo de conhecimento que dá unidade
e sistematiza o corpo das ciências, e
que resulta de um exame crítico dos
fundamentos de nossas convicções,
preconceitos e crenças.
Enquanto as ciências estabelecem um corpo sólido de
conhecimentos e verdades a partir do qual passam a se desenvolver,
a filosofia não alcança os mesmos resultados. Ela não dá respostas
definitivas a nenhuma questão.
A Filosofia Moderna é marcada pelo período do Renascimento
(séculos XV e XVI), quando o mundo assistiu a profundas
transformações no campo da política, da economia, das artes e das
ciências.
O Renascimento retomou valores da cultura clássica,
representada pelos autores gregos e latinos, como a autonomia de
pensamento e o uso individual da razão, em oposição aos valores
medievais, como o domínio da fé e a autoridade da Igreja.
No campo político, o principal autor do Renascimento foi
Maquiavel, autor de O Príncipe. Maquiavel elaborou uma teoria
política fundamentada na prática e na experiência concreta. Durante
o período medieval, o poder político era concebido como presente
51
divino e os teólogos elaboraram suas teorias políticas baseados nas
escrituras sagradas e no direito romano.
Outra obra representativa desse momento filosófico é o Elogio
da Loucura, de Erasmo de Roterdã. Ao elaborar uma obra ao mesmo
tempo literária e filosófica, Erasmo usa a palavra para afirmar
valores humanos e denunciar a hipocrisia, ridicularizando papas,
filósofos ou príncipes. As mudanças dessa época de crise
prepararam o caminho para o despontar do racionalismo clássico.
Estamos mergulhados num mundo que não cessa de colocar
novas questões para a filosofia. Por isso mesmo, não é fácil
reconhecer o que é a filosofia contemporânea. Estamos perto
demais. Percebemos a filosofia do passado com mais clareza e mais
coesão do que percebemos a filosofia que se faz hoje. O mundo em
que vivemos das telecomunicações, da internet, dos programas
espaciais, da física quântica, ou da medicina de alta tecnologia
parece não ter lugar para a filosofia.
Mas vamos lá! Chamamos de filosofia contemporânea aquela
que teve início no século 19, atravessou o século 20 e chegou até os
dias de hoje. E assim a filosofia passou a colocar em cheque o
alcance desses conhecimentos.
Essas ciências podem não conseguir abranger a totalidade dos
fenômenos que estudam. E também muitas vezes não conseguem
fundamentar e validar suas próprias descobertas.
A filosofia contemporânea fundamenta-se em alguns conceitos
que foram elaborados no século XIX. Um desses conceitos é o
conceito de história, que foi formulado pelo filósofo G.W.F. Hegel.
A filosofia de Hegel relaciona-se com as ideias de totalidade e de
processo. Passamos a entender o homem como um ser histórico,
assim como a sociedade.

52
Características do Pensamento Moderno

Racionalismo
No século XVII, a preocupação dos filósofos se volta para o
problema gnosiológico. Os filósofos começam a esquecer o ser e as
causas últimas das coisas, o que conta agora é o homem e a sua
capacidade de conhecer o mundo e transformá-lo.

RENATO DESCARTES REVIÉ


Nasceu na França em 1596 e morreu na
Grécia em 1650 (Du Arena). Considerado, Pai
do racionalismo estudou com os Jesuítas
(Tomistas), viajou por quase toda Europa.
Combateu como soldado de Duque de Nassau
(Holandês) e o Duque da Baviera. Morou na
Holanda durante 20 anos, onde compôs suas
obras, um ano antes de sua morte, transferiu-se para a Suécia.
Seu método cartesiano, racionalista, dedutivo e matemático,
pretendeu reduzir a Filosofia à Matemática. Acostumado a
raciocinar no campo das exatas, Descartes leva tal limpidez e
precisão para o campo filosófico. Ele foi o que mais exerceu
influência nos filósofos, através da Metafísica, crítica e
nacionalismo. Proclamou a independência do espírito humano,
libertando-o do servilismo e da autoridade. Reduz a vida animal a
simples fenômenos mecânicos explicáveis pela matéria e pelo
movimento, o que conduz ao materialismo, pois o homem é uma
matéria, animada por um motor, que é a alma.

53
REGRAS DO NOVO MÉTODO (CARTESIANO)
1º Fase: negar tudo que era verdade e
nunca aceitar como verdadeira coisa
alguma que não se conhece como
evidente, evitando, pois, o pré-julgamento
claro e distinto ao juízo para não entrar em
dúvida.
2º Fase: dividir as dificuldades em tantas
partes necessárias para entendê-las.
3º Fase: conduzir ordenadamente os pensamentos, começando pelos
mais fáceis até chegar aos mais complicados.
4º Fase: fazer enumerações, sempre tão complexas e revisões tão
gerais, que nada se omita.

ONTOLOGISMO – Prova a existência de Deus, através de duas


maneiras: a priori e a posteriori. Concebe Deus de forma cristã
tradicional e põe em relevo sua bondade e veracidade.
ANTROPOLOGIA – O homem é alma e corpo. Não é parte de
Deus, é simples criação. Ele é livre, pode dizer sim ou não ‘as
ordens de Deus. O livre arbítrio faz o homem.
GNOSIOLOGIA– O eu, a alma humana é a primeira coisa certa,
evidente, porque se eu duvido, eu penso daí: Penso, logo existo,
deve ser colocada como base de toda construção filosófica. Dando
este conceito, Descartes conhece a primazia do pensamento, isto
é, do conhecimento intelectual.
PSICOLOGIA – O pensamento é a essência da alma. É
responsável por tudo quanto está sob o poder da consciência
(fenômenos sensitivos, afetivos, intelectuais e evolutivos). Cerca
de 300 anos antes de Paulo, Descartes anuncia a Teoria do reflexo
condicionado, base moderna da Psicologia experimental: Penso
que chicoteamos um, 5 ou 6 vezes, aos sons de um violino, assim
que ele ouvir outra vez essa música, ele começa a gritar e se
enfurecer.
54
COSMOLOGIA – A natureza nada tem de divino, é um desejo criado,
situado no mesmo plano da inteligência humana, e, por conseguinte
inteiramente entregue a sua exploração.
MORAL–Descartes admite uma moral provisória (para ser utilizada, o
homem está revendo todo o seu saber) e uma moral definitiva, que é a
consequência do sistema filosófico.

O Empirismo
É uma das correntes da filosofia
que tem sua base relacionada
diretamente com as experiências
humanas. Ela tem origem no século
XV com a publicação do livro Ensaio
a Cerca do Entendimento Humano do
filósofo inglês John Locke e, devido
à sua nacionalidade, ficou conhecida
como empirismo britânico. Locke
defendia em sua introdução que
apenas as experiências que tínhamos
preenchiam nosso espírito com ideias e critica o pensamento que
afirma que já nascemos com elas, as então ideias natas, e diz que
elas vêm de acordo com as experiências que acumulamos no
decorrer de nossa trajetória.
De forma geral o empirismo defende que todos nós nascemos
como uma página em branco, completamente vazia, e com o tempo
vamos adquirindo experiências e são através destas que formamos
nossos ideais e principalmente nossa personalidade. Então neste caso
o ser humano seria fruto do meio em que vive, já que a sociedade
tem efeito direto em sua formação de pensamento. Para Locke estas
experiências são adquiridas através de nossos cinco sentidos, que

55
nos ajudam a descobrir novos objetos, paisagens, aromas e texturas
diferentes e passam a preencher nosso subconsciente com estas
novas informações.
A teoria empírica descarta como válido qualquer tipo de
conhecimento que esteja relacionado apenas a suposições ou crenças
como, por exemplo, a fé, intuição, mitos e senso comum, para o
empirismo o único conhecimento considerado válido é o
conhecimento científico, pois, este tem como ser provado e é o
verdadeiro responsável pela formação de nossas ideias.

O Iluminismo
Mais que uma escola, um sistemas foi um movimento espiritual
do século XVIII. Foi um movimento caracterizado por uma ilimitada
confiança na razão humana, considerada capaz de dissipar as névoas
que obscurecem. O espírito humano é de tornar os homens melhores
e felizes, iluminando-as.

Causas do iluminismo. Na renascença, lutou pela autonomia


dos homens contra o princípio de autoridade. Na Reforma,
estendedora ao campo religioso a luta contra a autoridade. Na
Revolução Inglesa, estendera ao campo político a luta contra a
autoridade. No racionalismo, os métodos. No empirismo, deu
impulso à ciência.
Característica. Tem veneração pela ciência: espera resolver
os problemas; no Empirismo: confiança na experiência; no
Racionalismo: confiança cega na razão; Antitradicionalismo:
crítica da Tradição; Otimismo utopístico: o homem supera
tudo; Naturalismo: o homem da natureza.

56
Alguns filósofos do iluminismo. Iluminismo Inglês. A terra de
origem foi a Inglaterra. Os maiores vultos: Newton, Mateus
Lindal, João Toland, Antonio Collins, Thomas Reid, Samuel
Clarice, Shaftenbury, Tentham.

Iluminismo Francês. Pedro Balé (1647-1706), precursor do


Iluminismo na França, propagou a incredulidade por toda a
Europa, sustentando a irracionalidade da Revelação. É
considerado o Pai do Racionalismo Crítico.

Voltaire (1964-1778). Traz o iluminismo para a


França. Para ele Empirismo e Racionalismo não
podem estar separados. Suas teorias não são
originais e sim copiadas de outros,
principalmente de Locke. Foi deísta, defendendo
sempre a teologia natural: sempre ficarei convicto
que o relógio comprova o relojoeiro e o universo comprova Deus.

Rousseau (1712-1778). Foi protestante, católico e


depois deísta. Na política Contrato Social,
desenvolve uma teoria sobre a origem e a
constituição do estado.

Fundamenta-se em Hobles e Locke. Na educação Emílio, a


sociedade corrompe o homem, portanto a juventude deve ser
educada fora da mesma, integrando-se nela somente quando estiver
imunizada dos seus males. Na religião, afasta a Teologia Racional e
Natural de um lado e a Religião de outro. Tem um conceito muito
otimista de natureza humana, não levando a sério nem Cristo e nem
a revelação cristã.

57
Lessing (1729-1781). Iluminismo Alemão. A
religião é o Deísmo e seu fundador foi o alemão
Cristiano Wolff.

O Idealismo
O idealismo é um sistema ser não ser. O sistema hegeliano,
acabado. É a filosofia do espírito, onde temos:
Espírito Subjetivo, onde a consciência é uma negação e ao
mesmo tempo objeto do espírito absoluto, subdivide-se em alma (é
individualidade unidade a um corpo), Consciência (certeza sensível,
percepção, intelecto) e Espírito (liberdade, saber, querer).
Espírito Objetivo, no qual o espírito individual com vontade de
liberdade se liberta das formas da sua subjetividade, que se
manifesta nas instituições históricas, nas quais realiza a unidade de
querer de Deus e na vontade racional expressa pela autoridade. Ideia
inovada, não ideia nova para Hegel.

Materialismo
O fundador foi Karl Marx. Proletariado revolucionário, para ele
todo produto tem uma quantidade de trabalho cristalizado. O sistema
é um conjunto de estruturas que mantém relação entre si. Tais como:
a escola, os países capitalistas, financistas, etc. o materialismo é
distribuído em:
Materialismo Dialético (movimento) sociedade atual (Capitalismo)
será destruído no novo mundo. Vai além de Feuerbach: o homem
age sobre a matéria; pode transformar as condições de sua
existência. O homem é causa/efeito. A filosofia é uma ação, uma
práxis (não adianta interpretar o mundo é preciso mudá-lo).

58
Materialismo Histórico. O fator fundamental da existência
humana é o fator econômico. A superestrutura é condicionada
pela infraestrutura. O operário é desumanizado, dando mais ao
patrão do que lhe custou. Seu trabalho é a mercadoria. No
alimento e na roupa é o óleo para uma máquina. Faltam
consumidores e pagar pouco, gera desempregados. A
concorrência obriga um aperfeiçoamento das máquinas. O
pequeno patrão se incumbe e se torna operário. No final, fica
um pequeno número de capitalistas, explorando uma massa de
proletariados. Em tempo futuro levará uma revolução e o
comunismo será implantado. O sistema capitalista induz a
hora extra igual a mais valia elevada ao extremo. Joelmir
Beting previu que até o fim do século terá 14 empresas
dominando toda a economia ocidental, em outras palavras
monopolizando a economia.

O Existencialismo
O Existencialismo é um movimento filosófico que ressalta ser a
existência anterior à essência; o concreto e o individual estão acima
do abstrato e do universal.
Elementos comuns. Subjetivismo. O homem é desprovido de
significado (angústia) e tem medo da mente. O Universo não tem
significado. O homem tem liberdade, mas é subjugado pelo sistema
e está alienado. O filósofo deve combater este aspecto. É um
movimento irracional, uma opção pela irracionalidade.
São contra os meios de comunicação de massa que aliena o
indivíduo. O Existencialismo é uma análise do indivíduo. Há
dificuldades para entender o existencialismo.

59
Pensamento De Outros Filósofos

Soren Keirkegaard
Interioridade: eu perante Deus. Sua filosofia é
a sua própria vida, pois a maneira em que foi
criado reflete sua filosofia, condicionado pelos
pais para expiar seu pecado. Foi uma acentuada
vida de medo da morte, vivia em desespero,
angústia, devido ao pecado do pai. Colocava-se
em lugar de mártir: Veio para sofrer. Colocou sua
filosofia 100 anos antes do movimento existencialista. Faz uma
abordagem neste aspecto da angústia, que vem influenciar toda a sua
filosofia.
Sua filosofia procurava libertar do sistema, o qual é efêmero, eu,
diante de tudo. E sua filosofia, existe três estágios: estético, ético e
religioso, que traz algumas consequências. É contra as convenções,
contra a lei e a Igreja.
Ele é a personificação da rebeldia. Junto com a fé traz
sofrimento, liberdade-sofrimento, onde retrata um aspecto de sua
vida. A verdade não é algo objetivo, mas sim subjetivo.

Teilhard de Chardin
O homem sentido da evolução estuda e
analisa o universo, sua formação histórica,
estrutural, legal, etc. não de um ponto de vista
filosófico, mas de um ponto de vista puramente
científico e fenomenológico. Sua preocupação
básica é harmonizar dois extremos que parecem

60
opor-se: Deus e o Universo. O problema científico, existencial e
espiritual (que inspira toda sua obra).
Deus e a Terra estava estruturado nele, para educação, pela
formação profissional e que estavam inseparáveis em sua alma.
Três fenômenos de observação científica, revelado aos homens
atualmente:
a) A imensidão do espaço e do tempo;
b) O organicismo do Cosmo e;
c) Finalmente como sequência lógica, e evolução.

COSMOGÊNESE:
Universo que está se formando, tomada de consciência da
evolução nos dois últimos séculos. O fato da evolução é hoje
comumente admitido pelos cientistas, que em uma grande maioria o
consideram como certo. Os argumentos em que se apóiam todos
com a mesma força probatória. Derivam-se de uma parte da Biologia
e outra da Paleontologia.

O mecanicismo da Teoria da Evolução:

a) João de Lamark (1744-1829) - Considerada como teoria


sintética da adaptação. Para explicar a evolução recorreu a duas
causas: adaptação ao ambiente e certa tendência intrínseca à
natureza para evoluir.
b) Charles Darwin (1809-1882) - Considerada a teoria sintética
da seleção. Explicou de maneira mais extrínseca: a seleção
natural e a luta pela existência.

61
Teve adeptos marxistas que viam uma confirmação científica de
sua dialética da natureza e outros. Tinha alguns adversários:
Calude Bernar, Pasteur, Quatrefages.

c) Ugo de Vries (1848-1935) e T.H. Morgan (1866-1945) -


Considerada a teoria sintética das mutações.
Apareceram com uma nova explicação do mecanismo da
evolução, que pareceu mais convincente e sólida que as precedentes.
O mutacionismo, obtendo da drosophila e da Ornopthera
surpreendentes variações hereditárias. Escreveram que estas
mutações poderiam dar razão à evolução.

Sentido da evolução, através de três respostas:

 A evolução não tem nenhum sentido. Ele é feito do puro acaso.


 J. Mond. Prêmio Nobel, sustenta vigorosamente e
categoricamente que o acaso dirige a formação das primeiras
substâncias viventes e, através das mutações acidentais
selecionadas pela hereditariedade, sua sucessiva evolução.

 F. Jacob, Co-prêmio Nobel de Monod, se mostra mais


reservado e com ele muitos outros, acham a teoria sintética
válida sim, para explicar a microevolução, isto é, a formação
de espécies sistemáticas e talvez de novos gêneros, mas
insuficiente para dar razão e determinam os tipos de proteínas
que uma célula produz. Uma teoria completa da origem da vida
terá de explicar essa relação, que é a característica da vida que
conhecemos.

62
Características do Pensamento Contemporâneo

A história do século XX, tal como a de toda modernidade, do


século XVI em diante, pode ser contada através de suas sucessivas
guerras. Esses conflitos representam o somatório final dos debates
de ideias que foram levadas às suas últimas consequências, desde
que foram lançadas pelo Renascimento.

Rivalidades entre casas dinásticas transnacionais, colonialismo,


nacionalismo, socialismo, vontade de poder, corridas tecnológicas
(armamentista e espacial), expansão do mercado e a luta pelo direito
são os ingredientes filosóficos que radicalizaram os gostos
extremados no chamado período contemporâneo.
O primeiro ano dos novecentos começa com uma reviravolta na
Guerra dos Bôeres (1899-1902), entre a Inglaterra e suas colônias na
África do Sul, que depois de assinado um cessar fogo, entra em uma
fase de guerrilha que dura por mais 12 meses.

63
Sucessivas Guerras

Em 1903, os Estados Unidos proclamação da independência


apóiam a independência da daquele país. 1907 é o ano da
província colombiana do revolta de camponeses na
Panamá, com o envio de uma Romênia, incentivada por
frota que garantiu a construção comunistas e anarquistas russos.
do canal por empresas Na Turquia, ocorre em 1908, a
estadunidenses. Revolução dos Jovens Turcos
Em 1904, o domínio russo que impuseram eleições livres e
sobre a Manchúria, nordeste da um parlamento, mas não
China, e o japonês sobre a contiveram o desfecho do
Coréia, no extremo oriente, Império Otomano, um dos mais
levam a deflagração da Guerra longos da história - fundado por
Russo-Japonesa (1904-1905). Otman I (1258-1326) em 1300 e
A vitória do Japão, depois de reduzido às fronteiras turcas em
uma manobra naval 1923.
surpreendente, alçou este país Aproveitando-se da fragilidade
ao cenário das grandes potências otomana, Áustria-Hungria
bélicas do início do século. A anexa, em 1908, a região da
derrota para o Japão foi um dos Bósnia e Herzegóvina. Áustria-
motivos principais a provocar a Hungria já estava envolvida
primeira Revolução Russa, em nessa época com uma estranha
1905, que foi sufocada pelo czar Guerra dos Porcos (1906-1911)
Nicolau II (1868-1918). contra a Sérvia, o que provocou
Em 1906, ocorre em Cuba uma atritos diplomáticos com a
revolta esmagada pelas tropas Rússia.
estadunidenses que ainda se De 1910 a 1920, explode no
mantinham na ilha, mesmo México a Revolução que
depois de quatro anos da derruba a ditadura de Porfirio

64
Díaz (1830-1915) e implanta Rússia viu detonar sua segunda
pela primeira vez os ideais Revolução em 1917, que se
socialistas no solo americano seguiu a uma Guerra Civil que
através de Emiliano Zapata durou até 1929, quando Stalin
(1879-1919), líder dos peões tomou o poder e implantou o
camponeses e indígenas do sul. comunismo de uma só nação.
Na Ásia, a Revolução Chinesa Em consequência da Grande
começa em 1911 com o Depressão econômica de 1929,
nacionalista Sun Yat Sen (1866- o liberalismo do laissez-faire
1825) e termina em 1949, com o (deixe fazer) sofre baixas
comunista Mao Tse Tung sucessivas em vários países que
(1893-1976). lutavam contra o colonialismo e
Na Europa, a Guerra dos Balcãs nas nações que fazem
(1912 e 1913) reuniu revoluções pela via militar,
Montenegro, Bulgária, Sérvia e como o Brasil de 1930.
Grécia contra a Turquia, no Em 1922, os camisas pretas de
primeiro momento, mas depois Benito Mussolini (1883-1945)
houve uma disputa entre antigos já haviam dado o golpe fascista
aliados - Bulgária, Grécia, em Roma. Com o rearmamento
Sérvia - e Áustria pela posse da da Alemanha, 1933, foi a vez de
Macedônia. Adolf Hitler (1889-1945) tomar
Esses conflitos regionais, o poder junto dos camisas
sobretudo os que envolveram castanhas.
países da Europa, serviram de Entre 1936 e 1939, a Guerra
preparação para a I Grande Civil Espanhola pôs frente a
Guerra (1914-1918) a obrigar a frente anarquistas, socialistas,
participação de todas as liberais e fascista em uma prévia
potências mundiais em um da II Guerra Mundial, que
mesmo combate. Ato contínuo, começa em 1939 e termina em
por causa de suas perdas aí, a 1945. Os soviéticos são os

65
primeiros a chegar a Berlim Nesse ínterim, diversas outras
(maio de 1945), mas a guerra no guerras regionais esquentaram
Pacífico só teve fim depois da as relações entre a União
detonação de duas bombas Soviética e os Estados Unidos,
atômicas estadunidenses sobre como a Guerra da Indochina
Hiroshima (6 de agosto de (1946-1954), a Guerra da Coréia
1945) e Nagasaki (9 de agosto (1950-1953), a Revolução
de 1945). Cubana de 59, a Guerra do
Vietnã (1961-1975) e as
O fim da II Guerra Mundial
intermitentes guerras árabe-
dividiu o globo terrestre em dois
israelenses (1948-1973), além
grande blocos políticos que
da derradeira Guerra do
sustentaram uma Guerra Fria até
Afeganistão (1979-1989).
1989.

66
A sucessão ininterrupta de conflitos e o número de baixas não
deixam dúvidas. Cerca de 120 milhões de pessoas - civis e militares
- perderam suas vidas de forma violenta. A II Guerra Mundial ceifou
a maior parte dessas vítimas, 50 milhões de mortos.
Mas foi a I Grande Guerra que iniciou a era dos massacres,
eliminando aproximadamente 10 milhões de soldados. A Revolução
de 1917 e a Guerra Civil Russa mataram mais seis milhões de
pessoas. Na Coréia, 5 milhões e 300 mil morreram em combates
diretos, de fome, epidemias ou bombardeios.
As transformações das estratégias de guerras e o extermínio em
massa de grandes populações estiveram estritamente ligados às
mudanças de valores filosóficos decorrentes das ideias românticas
do século XIX.
Por outro lado, o desenvolvimento científico permitiu o
incremento dos bens de consumo que permitiram a sustentação de
uma população cada vez maior. A tecnologia de armamento e

67
comunicações cresceram ao lado das pesquisas que ampliaram o
conhecimento biológico e de produção de remédios que salvaram
uma quantidade ainda maior de pessoas.
Ideologicamente, a primeira metade do século XX foi uma
prestação de contas ao nacionalismo, ao socialismo e ao liberalismo
econômico defendidos pelas gerações anteriores. Pouco a pouco, a fé
na razão e no progresso da história foram sendo desmistificados.
Chegou-se mesmo a falar de uma filosofia pós-moderna, na segunda
metade da era contemporânea.
Aqueles que defendiam uma postura racional frente aos céticos
e relativistas tiveram de admitir um falibilismo que uma revisão das
ideias iluministas, sob novas exigências de justificação, nem
dogmáticas, nem metafísicas.

Principais Tendências Contemporâneas

Entre as correntes de pensamento mais importantes desse


período, o Pragmatismo antecipou-se à crítica pós-moderna na
concepção de uma razão que pode falhar na sustentação da verdade.
Essa vertente filosófica colocou os pensadores estadunidenses na
vanguarda do debate contemporâneo que fizeram dos Estados
Unidos a principal área de concentração dos centros de excelência
em pesquisa acadêmica, no final do século.
Remanescentes de um dogmatismo metafísico concentraram-se
na filosofia analítica da linguagem que sucedeu ao Círculo de Viena,
na mesma época em que duas vertentes existencialistas disputavam a
melhor interpretação da essência humana: seja a partir de uma
fenomenologia fundada por Edmund Gustav Albert Husserl (1859-
1938), que teve em Martin Heidegger (1889-1976) seu principal

68
expoente; seja do mal estar detectado por Jean-Paul Sartre (1905-
1980), em sua obra sobre a condição humana.
Do ponto de vista político, a Escola de Frankfurt procurou fazer
uma crítica da sociedade desde uma perspectiva marxista, sem, no
entanto, comprometer-se com uma utópica realização de um projeto
revolucionário. A partir dos anos 70, uma nova concepção teórica da
justiça propôs uma interpretação da sociedade ocidental livre de um
sentido metafísico nos textos de John Rawls (1921-2002). Porém,
coube a Hannah Arendt (1906-1975) fazer um exame preciso do
conceito de violência, característico de sua época.
A violência, que marcou a passagem do século XX, é o
instrumento que os seres humanos possuem para realizarem um fim
e que se justifica e orienta por este. Sua aplicação eficaz depende do
poder que a sustenta, isto é, da obediência aos comandos da
autoridade que representa a unidade de um grupo político
constituído. Assim, o uso da violência sem uma sustentação legítima
reduz o seu alcance apenas aos efeitos sobre uma situação
momentânea que para serem prolongados precisam de um rápido
restabelecimento do apoio indispensável de um grupo social.
(...) O poder e a violência se opõem: onde um
domina de forma absoluta, o outro está ausente.
A violência aparece onde o poder está em
perigo, mas se deixar que percorra o seu curso
natural, o resultado será o desaparecimento do
poder. Tal coisa significa que não é correto
pensar na não-violência como oposto da
violência; falar de poder não-violento é
realmente uma redundância. A violência pode
destruir o poder, mas é incapaz de criá-lo
(ARENDT, H. Da Violência, cap. II, pp. 30 e 31).

69
A disseminação da violência na era contemporânea resultou não
apenas da produção de instrumentos de morte em massa, mas,
sobretudo da crescente perda da autoridade dos governos
constituídos.
Com a perda do poder legítimo, os Estados perderam também o
monopólio do uso da força por meios violentos. Por conseguinte, o
avanço tecnológico dos armamentos foi apenas um item secundário
na democratização da violência, permitindo o acesso de indivíduos
às armas de fogo mais destrutivas.
Isso tudo aconteceu por diversos fatores, entre os quais o fato da
autoridade constituída não ter mais o consentimento daqueles que
estavam à margem da lei - no banditismo, na guerrilha política, ou
na crescente multidão de excluídos - e por não poder ampliar o
acesso aos bens gerados e mal distribuídos pela sociedade.
Nesse sentido, a vitória do Vietnã sobre os Estados Unidos
simboliza a superioridade da organização de quem tem poucos
recursos diante da mais avançada máquina de guerra atual.
(...) Mesmo a dominação mais despótica de que temos
conhecimento, o domínio do senhor sobre os escravos, que sempre
o excederam em número, não repousa em instrumentos de coerção
superiores como tais, mas em uma organização do poder mais
aperfeiçoada - isto é, na solidariedade organizada dos senhores.
Homens isolados sem outros que os apoiem nunca têm poder
suficiente para fazer uso da violência de maneira bem-sucedida.
Assim, nas questões internas, a violência funciona como último
recurso do poder contra os criminosos ou rebeldes - isto é, contra
indivíduos isolados que, pode-se dizer, recusam-se a ser dominados
pelo consenso da maioria. E quanto aos combates propriamente
ditos, vimos no Vietnã como pode uma imensa superioridade no
que diz respeito aos instrumentos da violência tornar-se impotente
se confrontada por um inimigo mal equipado, mas bem organizado
e muito mais poderoso (...) (ARENDT, H. Op. cit., cap. II, p. 27).
70
O mais violento dos séculos foi, portanto o século de uma crise
de poder das instituições públicas modernas que foram
gradativamente se desorganizando com o desenvolvimento de
organizações privadas que afrontavam o poder do Estado - cartéis,
multinacionais e crime internacional organizado. Nesse e em vários
outros pontos defendidos pela tradição da modernidade, foi o século
XX o tempo da confrontação das ideias e de uma recusa dos dogmas
desprovidos de uma sustentação real nos interesses vitais de cada
um.

História da Filosofia no Brasil

Refere-se à tradição do pensamento filosófico realizada por


brasileiros dentro ou fora do Brasil. As atividades de reflexão
filosófica foram trazidas pelos padres jesuítas na segunda metade do
século XVI com as atividades do descobrimento das Américas, e se
estende até os dias atuais com o processo de profissionalização
universitária.

71
Origens:
Sílvio Romero, um dos
pioneiros em utilizar a expressão
filosofia no Brasil em sua obra
historiográfica: A filosofia no Brasil
1878. É possível separar em três grandes
momentos o desenvolvimento da história
da filosofia no Brasil.

A primeira metodologia de estudo de filosofia no Brasil foi


marcada pela utilização do método da Ratio Studiorum
introduzido pelos jesuítas no século XVI.

O século XIX, foi marcado pela predominância do método


ensaístico, com uma filosofia sem referência à tradição, pois era
formada por eruditos provenientes de diversas áreas do
conhecimento.

Por fim, o último modo moderno de se estudar filosofia teve seu


princípio no século XX, marcado pela profissionalização e
especialização dos estudos universitários.

Este terceiro marco foi na década de 1940 com a missão


francesa na USP, introduzido por Martial Gueroult e Victor
Goldschmidt. Contudo, o estudo da história da filosofia baseado
apenas em comentários ocasionou a pouca produtividade filosófica
no país como é atestada por Roberto Gomes no livro: A Crítica da
Razão Tupiniquim, 1977.

72
Um dos primeiros compiladores contemporâneos da Filosofia
no Brasil foi João Cruz Costa 1904-1978, autor de: Contribuição à
História das Ideias no Brasil, 1949, que é citado por Leopoldo Zea
Aguilar, 1912-2004, em seu: Pensamiento Latinoamericano, 1965,
segunda edição de: Dos etapas del pensamiento en hispanoamérica,
de 1949, utiliza o método historiográfico citado acima, o qual se
baseia na perspectiva do papel das ideias na condução da história
política e econômica, em disputa com uma perspectiva dialética que
identifica a conjuntura socioeconômica como o berço no qual são
acalentadas as ideias, críticas ou ideologias.
Em muitos casos a História da Filosofia no Brasil tem sido um
registro ou coleção de temas e conteúdos elaborados por pensadores
que atuaram neste espaço geográfico. Há certa hegemonia do
primeiro grupo, nos estudos do pensamento brasileiro, o que pode
ser notado por meio de visita ao Blog: Textos de Filosofia Brasileira,
alimentado pelo Prof. Dr. Luiz Alberto Cerqueira IFCS/UFRJ.
Diferentemente, a concepção de Cruz Costa é de o Brasil ser um país
de contrastes, que precisa ser compreendido em meio a esses
dilemas, assim, também, a produção de ideias, até mesmo as ideias
filosóficas.
Muitos autores compreendem por pensamento filosófico no
Brasil um duplo projeto: a construção de linhas de interpretação do
pensamento filosófico à luz das circunstâncias da realidade brasileira
e a construção de linhas de pensamento filosófico oriundas da
brasilidade ou pertinentes à brasilidade ou correspondentes à
nacionalidade brasileira dos autores. É correlata a noção de história
de filosofia no Brasil às de história de filosofias nacionais ou
circunscritas a tradições culturais geograficamente determinadas.
João Cruz Costa já anunciara que a investigação filosófica do tema
nacional era algo nebuloso.

73
Por um lado, a produção de conhecimento filosófico se dá em
diálogo com a produção do conhecimento científico e a vida
econômica, política, social e cultural de cada sociedade, em seu
espaço e tempo determinados. Por outro lado, Cruz Costa aponta que
o enfrentamento cultural que foi a chegada dos europeus às
Américas implicou em um elemento novo no processo de
modernização pelo qual passava a Europa, e gerou simultaneamente
uma relação mimética com a cultura européia.
Antônio Paim um dos principais pesquisadores do pensamento
brasileiro classifica nossos pensadores segundo a estrutura
apresentada a seguir:

PERÍODO COLONIAL PERÍODO IMPERIAL


PERÍODO REPUBLICANO

Como se nota, essa periodização respeita a clássica divisão


historiográfica da história nacional, procura-se, por meio dela,
agrupar pensadores por meio dos períodos históricos, sem
necessariamente relacioná-los à conjuntura social, econômica,
política e cultural nas quais produzem suas obras.
Por exemplo, não há, na obra de Paim, discussões sobre o papel
do aristotelismo no pensamento colonial e suas conexões, ou
inexistência delas, com a economia escravagista. Parece, por
conseguinte, necessário avançar por uma perspectiva historiográfica
que faça tais conexões.

74
Período Colonial – 1500 - 1815

O processo do descobrimento
das Américas causou profundas
mudanças nas perspectivas
filosóficas na Europa, que vivia
seu momento final do
renascimento. O fulcro da
questão era sobre os povos
nativos do continente, os índios,
que se encontravam numa
organização sociocultural completamente diferente dos povos
europeus. O grande centro cultural e filosófico estava na Espanha
com os padres da escolástica tardia da conhecida escola de
Salamanca. Em Portugal o importante centro formador será a em
Coimbra.
Um enorme debate aconteceu nos países ibéricos, conhecido
como o debate de Valladolid, ocorrido no Colégio de São Gregório
em 1550 e 1551. O debate foi entre Juan Ginés de Sepúlveda e
Bartolomé de las Casas.
O continente americano
encontrava-se varrido pelos conflitos
gerado pelos conquistadores
hispânicos, com os avanços de Hernán
Cortés sob o Império Asteca gerou
diversas atrocidades, saques e
escravização dos nativos americanos.
A discussão girou em torno do
conceito de guerra justa, cuja raiz
Pórtico do Colégio de São
encontra-se em São Tomás de Gregório

75
Aquino, seria empreendida contra os nativos americanos.
Juan Ginés de Sepúlveda defendia a conquista dos espanhóis e a
escravização dos povos indígenas. Sepúlveda seguia uma
perspectiva aristotélica, tendo por subsídio o livro I da Política onde
se advoga que certos povos nasceram para ser dominados e
escravizados. A fim de erradicar os crimes que ofendem a natureza
os índios deveriam ser punidos e, portanto, reduzindo-os à
escravidão ou servidão estava de acordo com a teologia católica e a
lei natural.
Em contraponto, Bartolomé de las Casas advogava que os povos
latinos americanos tinham alma, eram homens livres na ordem
natural e merecia o mesmo tratamento que outros, de acordo com a
teologia católica. Essa defesa valeu para Casas o título de protetor
dos índios. Dessa forma, foi consolidado o sistema de encomenda
organizado pelas Leis Novas em 1542.
Tal sistema que visava evitar a escravização indígena e levar a
fé católica e os princípios da civilização ocidental. A bula papal
Sublimus Dei do Papa Paulo III escrita em 1537, teve influência
sobre esse debate, pois demonstrava a posição contraria da Igreja em
relação à escravização indígena.
Nos Ensaios de Michel de Montaigne, escrito em 1580, o autor
se coloca em contraponto à colonização e à guerra justa
empreendida contra os povos nativos. Refletindo que essa conquista
da América mostrava um lado bárbaro e selvagem por parte da
civilização ocidental e cristã. O processo de colonização das
Américas repercutiu na literatura da filosofia humanística em outros
países. Forneceu base para os escritos de Erasmo de Roterdã sobre o
Elogio da Loucura de 1511, Utopia, escrito em 1516 de Tomás
Morus.

76
Muitos desse debate serão importantes para a formulação do
direito internacional tendo os principais expoentes o escolástico de
Salamanca Francisco de Vitória e o holandês Hugo Grócio:
Evangelho nas Selvas com Padre Anchieta. Os jesuítas terão a
mesma finalidade de levar a salvação das almas dos nativos
americanos. Eles chegaram à frota de Tomé de Sousa em 1549
fundando o Colégio de Salvador. Liderados pelo padre Manuel da
Nóbrega entre outros importantes: Leonardo Nunes, Vicente Pires e
João de Azpilcueta Navarro.
Posteriormente, em 1553 chegou o padre José de Anchieta.
Através deles que surgem os principais escritos sobre o Brasil que
marca a literatura do quinhentismo.
A filosofia passa a ser lecionada com suporte para formação do
clero, que passou a seguir o plano de estudos do Ratio Studiorum
escrito em 1599. Esse livro que ditava os métodos de estudos,
inspirado na escolástica tardia que foi adotado pelos padres jesuítas.
Os padres também farão preciosos relatos sobre os eventos
históricos da vida da colônia, sendo um dos percussores da
historiografia brasileira Frei Vicente do Salvador com o livro
Historia do Brasil. Os jesuítas condenavam as práticas da vida dos
nativos como a antropofagia e a poligamia, tendo por finalidade
adaptar a moral da civilização cristã aos índios.
Para esse processo de assimilação cultural uma das maiores
contribuições intelectuais foi sistematizarem a língua tupi. Todos
esses elementos demonstravam a finalidade dos jesuítas de fazer dos
tupis uma nova elite das nações cristãs.

77
Essa iniciativa era
uma importante
estratégia organizada no
Concílio de Trento para
conter os avanços
realizados na Europa
pela Reforma
Protestante. Até o
século XVIII os jesuítas
irão somar um número
de 670 espalhados ao
longo do país, em conventos, missões, aldeias. Haverá um conflito
em relação ao método de evangelização dos nativos.
Por um lado, alguns adotaram o modelo da fundação de
Colégios e outros nas missões. O primeiro é baseado no
discernimento, semelhante à encomenda onde os índios já
evangelizados prestavam serviços aos colonos, ganhando alguma
remuneração pelos serviços. O segundo, o das missões eram
aldeamentos isolados, onde os índios evangelizados continuavam
com seus modos de vida. Construíam uma cidade, às vezes murada,
com Igrejas, escolas, e tudo isso eram organizado pelos padres. O
clero advogava mais a última forma de evangelizar, pois, garantia
que os índios não virariam escravos. Muitos conflitos ocorreram
principalmente com os bandeirantes que buscavam mão de obra para
produção agrícola da cana.
Os colégios educadores se espalham pelo Brasil. Sendo o
primeiro na cidade de Salvador, fundado em 1549 pelo padre
Manuel da Nóbrega, tendo como mestre o Irmão Vicente Rodrigues,
contando apenas 21 anos. Irmão Vicente tornou-se o primeiro
professor nos moldes europeus e durante mais de 50 anos dedicou-

78
se ao ensino e a propagação da fé religiosa. Em 1554 o padre José de
Anchieta funda o Colégio de São Paulo.
Com a expulsão dos franceses é
fundado em 1567 o Colégio do Rio
de Janeiro. E um ano depois o
Colégio de Olinda. Em 1570 o
Brasil conta com cinco escolas
elementares: Porto Seguro, Ilhéus,
São Vicente, Espírito Santo e São
Paulo de Piratininga e três colégios:
Rio de Janeiro, Pernambuco e
Bahia.
Em 1638, a filosofia passou a
ser ensinada em nível superior no
Pórtico do Colégio de São Gregório
Colégio do Rio de Janeiro. Essas
correntes filosóficas européias
tiveram suas correspondências no país. Os representantes foram:
Diogo Gomes Carneiro, Nuno Marques Pereira. Esta filosofia é
conhecida como saber de salvação. Sobressai-se também o padre
Vieira com a sua moral da ação. Muitos resultados pode-se observar
nos ensinos dos jesuítas, apesar até esse momento não terem se
destacado nenhum surgimento de um filósofo entre os brasileiros,
surgem diversos nativos que se destacam entre eles Filipe Camarão.
No campo do direito o santista Alexandre Gusmão vai ser um
importante diplomata, defensor do direito de posse, vai ser o mentor
do Tratado de Madrid que deu ao Brasil a extensão muito próxima a
atual.

79
O Marquês de Pombal
Até a segunda metade do século
XVIII, a escolástica foi o pensamento
predominante no Brasil, tendo como marca
no Brasil o filósofo Matias Aires. Ele
abordava o problema da ética tomando uma
perspectiva teológica. No seu livro
Reflexões sobre a Vaidade dos Homens,
escrito em 1752, o autor relaciona o cânone
evangélico do trecho bíblico extraído do
Eclesiastes:
Vanitas vanitatum et omnia vanitas, Vaidade das vaidades, tudo
é vaidade, ao pensamento das virtudes em Aristóteles. Outros
tiveram importância como: Feliciano Joaquim de Souza Nunes,
Francisco Luis Leal ou Santos Leal.

Período Imperial – 1822 - 1888

O desenvolvimento da filosofia no
Império do Brasil poderia ser dividia em
três momentos: o primeiro reinado, o
período regencial e o segundo reinado.
Durante o primeiro reinado é notável a
hegemonia do liberalismo iluminista do
século XVIII. Com a experiência da
administração liberal do período regencial,
ocasionará o surgimento de correntes antagônicas ao iluminista.
Muitos irão aderir às correntes espiritualistas e metafísicas
tradicional geradas pela influência do romantismo.

80
No início do século XIX o Brasil estava emergindo como país
autônomo, sob o reinado de D. Pedro I; muitos se entrelaçaram às
reflexões filosóficas e aos sentimentos patrióticos. Muita influência
francesa é possível observar até na Constituição de 1824 inspirada
no pensamento do poder moderador do pensador franco-suíço
Benjamin Constant.
Muitas contribuições políticas por parte de conservadores como
Visconde do Uruguai, Marquês de São Vicente, Zacarias de Góis e
Vasconcelos, Visconde de Cairu e Bernardo Pereira de Vasconcelos;
o liberalismo moderado José Bonifácio e Hipólito José da Costa; e o
liberalismo radical de Frei Caneca e Diogo Antônio Feijó. Durante o
período regencial, diante ao caos social gerado durante a
hegemônica administração liberal, ajudou para que surgisse os
primeiros elementos antagônicos contra ao iluminismo brasileiro.
É importante observar que, com o fim do ensino dos jesuítas a
forma da filosofia passa a ser de um método de escrita puramente
ensaístico, gerando contribuições de pessoas de diversas áreas do
conhecimento. O maior pólo formador da erudição filosófica será as
faculdades de direito como Faculdade do Largo de São Francisco em
São Paulo e a Faculdade de Direito de Olinda.
Muitas contribuições para a filosofia será através de juristas,
romancistas, poetas e políticos. Em 1838 foi criado o elemento de
transformação para as ciências sociais foi a criação do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro, gerando o início para o estudo da
historiografia do Brasil. Com o objetivo de compreender os
elementos da integridade nacional será o foco da reflexão de
Francisco Adolfo de Varnhagen.
Em reação ao iluminismo surge o ecletismo como uma fusão do
espiritualismo metafísico, fruto do racionalismo francês de René
Descartes, e do empirismo inglês de John Locke sendo o maior

81
expoente o educador francês Victor Cousin. O ecletismo vai ter
grande adesão na primeira metade do século XIX, por diversos
setores da sociedade brasileira, como o poeta Gonçalves de
Magalhães, pintor Pedro Américo e o médico Eduardo Ferreira
França e Antonio Pedro de Figueiredo. Será característico a
influência do indianismo como forma de buscar os valores de
identidade da nação brasileira.
Em 1845 é fundado um grupo secreto de escritores chamado de
Sociedade Epicuréia. Fundado por Álvares de Azevedo, Aureliano
Lessa e Bernardo Guimarães será composto por Boémia gerando
discussões e sarais sobre a temática sombria da vida, refletindo
elementos sobre a morte e satanismo. Terá muita influência do
romantismo de Lord Byron e Charles Baudelaire. Foram também
participantes: Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, Castro Alves,
Fagundes Varela, João Cardoso de Meneses e Sousa (Barão de
Paranapiacaba) e Múcio Teixeira, entre outros.
Na mesma época vai existir forte influência no direito no Brasil
através do pensamento panteísta de Karl Christian Friedrich Krause,
que tinha também influenciado fortemente a Espanha por Julián
Sanz del Rio e Francisco Giner de los Rios que foi um dos
fundadores da Institución Libre de Enseñanza sobre pedagogia com
influência no krausismo.
No Brasil terá mais repercussão no direito por: João Teodoro
Xavier de Matos e Carlos Mariano Galvão Bueno. Na Faculdade de
Direito de Recife o tomismo surge com o pensamento do paraibano
José Soriano de Souza e tem respaldo em outros pensadores como:
João Mendes de Almeida Júnior, Leonel Franca Frei Firmino de
Centelhas, José Maria Correia de Sá e Benevides, José Maria
Correia de Sá e Benevides (Padre Júlio Maria).

82
Contudo, na segunda metade do século XIX, houve uma enorme
mudança a partir do segundo reinado. Inicialmente com a introdução
dos pensamentos de influência da filosofia alemã. A partir desta
corrente veio um período chamado por Sílvio Romero de surto de
novas ideias

ATUAL

ANTIGA

A Faculdade de Direito de Recife, vai ser o pólo florescedor do


positivismo entre os intelectuais do Brasil, conhecido como Escola
do Recife. Terão destaques desses grupos Tobias Barreto que vai
tentar trazer influência da filosofia alemã herdeira do kantismo.
Teórico do monismo evolucionista, Barreto sofreu profundas
influências do naturalista Ernst Haeckel.
Essa Escola do Recife será uma forma do positivismo
heterodoxo, advogado por Émile Littré isso repercutirá em diversos
pensadores como: Silvio Romero, Clóvis Beviláqua, o historiador
Capistrano de Abreu, o médico Luís Pereira Barreto, Ivan Monteiro
de Barros Lins e por Alberto Sales entre diversos outros bacharéis.
Isso fará com que o positivismo repercuta nas diversas camadas da
sociedade imperial.

83
Uma das grandes contribuições dos estudiosos do positivismo
da Escola do Recife foi as primeiras tentativas de organizar a
história da filosofia no Brasil, sendo esse o título das primeiras obras
de Silvio Romero em 1878.
Na região sul e sudeste do Brasil, o positivismo terá uma
influência na sua forma ortodoxa como é defendido por Pierre
Laffitte, com a criação da Igreja Positivista. Sendo os maiores
expoentes no Brasil: Miguel Lemos, Raimundo Teixeira Mendes e
Benjamin Constant Botelho de Magalhães que fundaram em 1876 a
Sociedade Positivista do Brasil e a Igreja Positivista do Brasil em
1881.
Todos advogaram o Estado laico, o ingresso das mulheres na
política, e muito dessa filosofia irá servir de suporte ao movimento
abolicionista liderado pelo liberal Joaquim Nabuco e Ruy Barbosa, e
ao movimento republicano que culminou com a Proclamação da
República.

Período Republicano – 1889 - 1930

A República do Brasil
também conhecida como a
República dos Bacharéis
demonstra a forte produção
de juristas brasileiros. A
primeira década do século
XX vai ser marcada pelo
positivismo. No direito vai
respaldo por Pontes de
Miranda; Pedro Lessa que compunha a Liga da Defesa Nacional que
advogava o serviço militar obrigatório.
84
Os princípios positivistas repercutiam em quase todas as
camadas políticas do Brasil, principalmente durante esse período.
Em contraponto, surgiram autores que foram contra essa corrente
positivista, que era uma herança do kantismo.
Um dos mais importantes foi a metafísica de Raimundo de
Farias Brito e Jackson de Figueiredo. Figueiredo que foi o
responsável pela fundação do Centro Dom Vital que era uma
organização católica, responsável pela exposição do pensamento
filosófico conservador ultramontano anti-liberal e anti-maçom.
Depois da morte de Figueiredo, o Centro Dom Vital passou a ser
administrado por Alceu Amoroso Lima.
Outros autores importantes surgiram como: Leonel Franca,
Heráclito Fontoura Sobral Pinto e Manuel Bonfim. Este último que
travou um forte confronto contra Silvio Romero sobre a questão da
importância da miscigenação para formação da identidade do povo
brasileiro.
Muitos positivistas, influenciados pela doutrina de Arthur de
Gobineau, que tinha passado pelo Brasil, adotavam muitas posições
racistas, e que o Brasil necessitaria passar por um processo de
embranquecimento racial. Manuel Bonfim foi uma das principais
vozes em antagonismo contra essas correntes advogando a
miscigenação como um importante elemento positivo na formação
da identidade nacional.

As artistas Pagu, Elsie Lessa,


Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e
Eugênia Álvaro Moreyra foram
mulheres frente de seu tempo.

85
Um marco importante da produção cultural e filosófica, durante
a primeira metade do século XX, foi a Semana de Arte Moderna de
1922. Marcados pela influência do futurismo de Marinetti, pregavam
a total ruptura com a tradição cultural em favor da construção de
uma nova cultura, uma nova forma de ser, genuinamente nacional.

Mostra das capas da Revista Klaxon

Seria possível detectar a primeira tentativa de buscar não mais


uma filosofia no Brasil, mas uma filosofia do Brasil. Em busca dessa
nova tentativa de reconstruir a identidade nacional, os modernistas
passam a novamente, reconstruir a imagem do índio através da
forma do primitivismo como o elemento central para a ruptura.
Sendo as bases iniciais ditadas na Revista Klaxon Manifesto da
Poesia Pau-Brasil, Movimento Verde-Amarelo e o Manifesto
Antropófago. Essa onda artística tem influências longínquas do
hegelianismo.
E, como houve uma bifurcação política, é notável uma
bifurcação dos autores em duas correntes. Os da direita hegeliana
unindo os princípios indianistas do modernismo à metafísica de

86
Farias Brito realizado por Plínio Salgado que gerou o movimento
nacionalista: Integralismo, inspirado no integralismo lusitano e no
corporativismo. Oswald de Andrade incorpora os elementos do
hegelianismo de esquerda e filia-se ao Partido Comunista Brasileiro.
Apesar de no futuro largar a militância política, Oswald vai
estudar sobre os princípios do homem cordial como elemento
formador da nação, tema este que seu amigo Mário de Andrade
também irá muito refletir. Osvaldo Aranha também é outro
importante ícone dessa época.
Outro importante expoente do nacionalismo foi Arlindo Veiga
dos Santos criador da Frente Negra Brasileira e posteriormente a
Ação Imperial Patrianovista Brasileira. Árduo defensor da
monarquia, também foi influenciado pelo integralismo lusitano, mas
jamais se filiando às fileiras do Integralismo, mas tinha uma relação
cordial com Plínio Salgado.
Do Integralismo surgiram diversos intelectuais e artistas, muitos
com o foco voltado para o estudo da identidade nacional e a História
do Brasil. Foram entre eles: Gustavo Barroso e Luís da Câmara
Cascudo. Miguel Reale sofreu uma profunda influência das
reflexões de Plínio Salgado, e vai recorrer ao neokantismo para
elaborar sua teoria do direito tridimensional.
Outro grupo que se destaca em dar uma nova interpretação para
a História do Brasil foi a corrente marxista, dentre seus pensadores
houve intelectuais como Leôncio Basbaum, Caio Prado Júnior.
Dentro da corrente modernista, houve também os responsáveis pela
reforma da pedagogia conhecida como Escola Nova tendo como um
dos principais expoentes Anísio Teixeira, que tinha influência das
reformas educacionais de John Dewey.

87
Toda essa onda de nacionalismo culmina com a revolução de 30
e o regime de Getúlio Vargas.

ESCOLA NOVA

O positivismo demonstra sua forte influência na vida cultural do


país, sendo um dos seus principais representantes Francisco Campos
que criou a Legião de Outubro para dar suporte à Revolução de 30.
Com as reformas educacionais de Gustavo Capanema, os
princípios da Escola Nova passam a ser adotados. Getúlio Vargas
em 1939 criou a Faculdade Nacional de Filosofia que passou a
integrar a UFRJ.
Teodoro Augusto Ramos passa a ser responsável pelo governo
do Estado de São Paulo de Armando de Salles Oliveira para
convocar eruditos e compor o corpo docente da recém criada
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São
Paulo e que seria a USP. Nesse momento a filosofia no Brasil passa
por uma profunda mudança, entrando na sua terceira fase, a
academia universitária.
A filosofia passa por um processo de profissionalização, sendo
construído um departamento dentro da universidade. A partir desse

88
momento, a filosofia na sua forma ensaística, realizada desde o
século XIX perde mais seu valor para o jargão acadêmico. Com isso
organiza-se a missão francesa da USP, que se desenvolveu em três
fases distintas.

Missão francesa (1934). Professores franceses reunidos para


comemorar o sucesso da missão.

Em 1934, são contratados professores experientes em


universidades e liceus franceses, com o objetivo de abrir os cursos.
Dos seis nomes que compõem essa primeira leva - Émile Coornaert
(história), Pierre Deffontaines (geografia), Robert Garric (literatura
francesa), Paul-Arbousse Bastide (sociologia), Étienne Borne
(filosofia e psicologia) e Michel Berveiller (literatura greco-latina) -
somente Berveiller e Arbousse-Bastide renovam os seus contratos
com a universidade no ano seguinte.
Em 1935, o perfil do grupo se altera assim como a duração dos
contratos, agora de três anos: trata-se de jovens agrégés, sem
experiência no ensino superior, com exceção de Fernand Braudel.
Além do professor de história, chegam ao país neste momento:
Pierre Hourcade (literatura francesa), Pierre Monbeig (geografia),
Claude Lévi-Strauss (segunda cadeira de sociologia) e Jean Maugüé
(filosofia). Monbeig e Maugüé permanecem no país até 1944 e
1947, respectivamente, em função da eclosão da guerra.

89
A partir de 1938, Dumas decide convidar docentes mais velhos,
como fizera na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro,
em 1935. Deste novo grupo de professores fazem parte: Roger
Bastide (substituto de Lévi-Strauss), Jean Gagé (no lugar de
Braudel), Alfred Bonzon (literatura francesa) e Paul Hugon
(economia), que se estabelecerá definitivamente no país.
Outros nome importantes foram Martial Gueroult e Victor
Goldschmidt. Assim, se tem o ingresso da filosofia continental,
sendo muito deles de orientação hegeliano com influências também
no marxismo. Muitos desses intelectuais irão ser os maiores
expoentes da Escola dos Annales. E nesse momento inaugura-se o
marco da profissionalização da filosofia. Onde passa a se tornar uma
profissão, e por isso, contém regras para separar os acadêmicos dos
ensaístas como amadores.
Assim, a partir da metade do século XX a filosofia passa a ter
sua primeira onda de intelectuais acadêmicos: João Cruz Costa,
Washington Vita, Antonio Paim, Oswaldo Porchat Pereira, Ernildo
Stein, Gerd Bornheim, Bento Prado Júnior, José Arthur Giannotti,
Paulo Arantes, Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Marilena
Chauí e João Quartim de Moraes; e na sociologia: Florestan
Fernandes, Antônio Candido de Mello e Souza, Fernando Henrique
Cardoso e Darcy Ribeiro.
Enquanto na formação acadêmica foi profundamente marxista,
no campo da teologia essa hegemonia não era plena. Havia
profundos debates entre as teorias das teorias imanetistas da teologia
liberal como o padre Henrique Cláudio de Lima Vaz, Paulo Freire,
Leonardo Boff, frei Carlos Josaphat Evaldo Pauli e Rubem Alves. A
característica desses pensadores é partir das causas sociais geradoras
da miséria e propor a pobreza e a libertação como temas discussão
filosófica e teológica.

90
Inúmeros outros pensadores demonstram sua influência, em
geral, de matriz e orientação política contra esquerda, inspirados no
conservadorismo e no ultramontanismo como a Plínio Corrêa de
Oliveira criador da TFP (Tradição, Família e Propriedade), Urbano
Zilles e Gustavo Corção. Também é importante a metafísica
escolástica moderna de Mario Ferreira dos Santos. Destacam-se
também os espiritualistas como Leonardo Van Acker, cujos
pensamentos caracterizam-se como um humanismo cristão.
O espiritualismo universalista teve ampla divulgação com
pensamento e traduções de Humberto Rohden que vai influenciar a
Nova Era no Brasil. Entre os estudiosos da filosofia do direito, com
a teoria tridimensional do direito de Miguel Reale criou o Instituto
Brasileiro de Filosofia que influenciou os juristas Tércio Sampaio
Ferraz Jr., Miguel Reale Júnior e a teoria da comunicação de Vilém
Flusser. Outra importante contribuição para historiografia do Brasil
veio por Gilberto Freyre.
Nos anos 60 também surge na Unicamp o desenvolvimento da
lógica para consistente com Newton da Costa, Walter Carnielli,
Marcelo E. Coniglio e João Marcos de Almeida, sendo um dos mais
importantes expoentes da filosofia analítica.
Com o Regime Militar muitos intelectuais de esquerda se
exilaram em outros países. Entraram em contato com outras
correntes como o marxismo cultural e a psicanálise voltada para
análise social. Durante o Regime Militar a esquerda continuou
agindo intensamente nas universidades.
Nesse momento o curso de filosofia volta-se mais para
formação dos seminários para o clero. Por isso, nesse momento se
tem o forte crescimento da teologia da libertação. Com a forte
instrumentalização do conhecimento, raízes do positivismo dentre a
tradição militar no Brasil, muitos críticos demonstraram a falta de

91
eficiência das universidades terem uma filosofia, ou um filosofo
verdadeiro.
O autor dessa crítica nos anos 70 foi de Roberto Gomes, no seu
livro Crítica da Razão Tupiniquim. Durante o regime militar criou
disciplinas educativas para o ensino secundário para evitar a
ampliação da esquerda e criou-se a Educação Moral e Cívica, que
substituía a filosofia (ver: Pequena Enciclopédia de Moral e
Civismo) e Estudos dos Problemas Brasileiros que substituía a
sociologia.
Com o fim do regime todos intelectuais de esquerda retornam,
gerando uma nova onda de intelectuais como: Vladimir Safatle,
Roberto Mangabeira Unger, Emir Simão Sader, Silvio Gallo, Mario
Sergio Cortella, Dermeval Saviani, Paulo Ghiraldelli Jr., Oswaldo
Giacóia Júnior, Márcia Tiburi, Viviane Mosé, Nildo Viana, Sérgio
Paulo Rouanet, José Américo Motta Pessanha e Alaor Caffé.
Nos anos 90 muitos filósofos foram na contramão desta corrente
posicionam-se muitos liberais como Roberto Campos, Denis Lerrer
Rosenfield, José Guilherme Merquior, Paulo Francis e Luiz Felipe
Pondé; e os conservadores Paulo Mercadante, José Osvaldo de
Meira Penna, Olavo de Carvalho. Aliada à corrente conservadora, o
Brasil viu um novo nascer da teologia aliada ao estudo da filosofia
clássica.
O filósofo, diplomata e teólogo Marcos Azambuja se destaca no
meio como um dos maiores teólogos e estudiosos do judaísmo e do
cristianismo vivos atualmente, sendo considerado pelo ex-secretário
de estado americano Henry Kissinger, o maior estudioso da filosofia
de São Tomás de Aquino e Maimônides vivo atualmente e pelo seu
aluno Luis Felipe Pondé o maior nome da espiritualidade e da
tradição judaico-cristã da história do pensamento brasileiro.

92
Vários incentivos estatais vem sendo realizados para
aperfeiçoamento dos profissionais filosóficos, como em 1983, a
Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia, pela CAPES;
que passa a financiar inúmeros eventos de filosofia ao redor do país.
Muitos filósofos estão utilizando recursos virtuais como You
Tube para promover palestras e cursos ou ONGs como a Academia
Brasileira de Filosofia. A partir dos anos 90 a maior preocupação se
passa para educação da filosofia no ensino médio, que passa a ser
obrigatório durante o governo Lula.

Ensino de Filosofia no Brasil

O Ensino da Filosofia fazia parte obrigatória do ensino médio,


até que em 1961 a Lei 4.024/61 extirpou essa obrigatoriedade. A
retomada do ensino da filosofia no ensino médio, a partir da década
de 90, com a criação dos parâmetros curriculares, em resposta à Lei
9394/96, a LDB, oferece uma visão do que seria imprescindível de
ser ensinado.

93
Neste sentido, vale recordar que durante o governo Fernando
Henrique Cardoso não havia a obrigatoriedade do ensino da
Filosofia. Foi durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva que
seu ensino tornou-se obrigatório. Isso abriu um campo de trabalho
que estava represado para os licenciados em Filosofia (que antes
deviam se restringir a serem professores de História, Sociologia ou
Geografia).
O Ensino de Filosofia no Brasil tem que ser avaliado a partir de
alguns parâmetros fundamentais. Primeiramente, deve ser
identificado o processo de formação de docentes para o ensino de
filosofia, em segundo lugar o material didático utilizado, em terceiro
lugar os efeitos desse ensino para a sociedade - e sobre este aspecto
as avaliações nunca estão a ser elaboradas.
O processo de formação de docentes se dá por meio dos cursos
de graduação em Filosofia. Por meio desses cursos, a licenciatura
atende a uma formação que permite aos discentes se apropriarem
dos campos teórico, prática e metafilosófico da disciplina, além de
receberem os insumos pedagógicos básicos para o desempenho da
função docente.
Teríamos que nos perguntar: qual papel cumprem esses novos
professores? Em função dessa questão, os encontros da Associação
Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof) tem procurado
criar espaços para avaliar como essa função docente tem ocorrido.
Isso também tem sido objeto de discussão em grupos da Associação
Nacional de Pós-Graduação em Pedagogia (Anped).
Em relação aos livros didáticos de Filosofia para o Ensino
Médio, temos que observar que há uma ampla variedade. Todos
produzidos por professores doutores em Filosofia. Vários outros
livros têm se apresentado e, atualmente, vários professores do ensino

94
médio utilizam blogs e outros meios de difusão de informações
filosóficas.
Todas essas questões, entretanto, não permitem notar quão
profusa e profundamente o ensino de filosofia tem interferência na
construção das visões de mundo das cidadãs e cidadãos no Brasil.

95
Dados Biográficos

 Autor: Dr. Alcino Lopes de Toledo


 Formação:
- Bacharel em Ciências Juridìcas e Teologia
- Licenciatura em Pedagogia e Filosofia
- Pós-Graduação: Docência no Ensino Superior e Direito Educacional
- Especialista em Educação
- Doutorado em Teologia

 Atividades:
- Diretor Presidente da FAETEL- Faculdade de Educação Teológica
Logos

96
97
98
PSICOLOGIA GERAL

Introdução

A Psicologia estuda cientificamente o


conhecimento humano, animal e de todos
os seres vivos. Na história do estudo
científico, a psicologia é considerada uma
disciplina relativamente nova; enquanto
muitas outras, tais como Biologia, Física e
Química, tenham outras tradições de estudo que remontam a
antiguidade.
A data realmente escolhida para o início da psicologia é 1879.
Assim foi porque nesse ano Wilhelm Wundt (1852-1920) deu início
ao primeiro laboratório na Universidade de Leipzig, Alemanha.
Outros pesquisadores precederam Wundt em investigações
psicológicas, mas foi este o primeiro a declarar-se psicólogo e a
descrever suas instalações como laboratório psicológico. Wundt
também lançou a primeira revista de psicologia e escreveu um dos
livros-textos na área da Psicologia Fisiológica.

Propósitos e Definições

Psicologia no Grego significa “Psique”, que quer dizer: Alma


ou Espírito. É o estudo científico do comportamento. Como tal,
descreve o comportamento e busca explicar as suas causas ou
“o quê” e “o porquê”.
Exemplo: Por que você está fazendo este curso? O que espera
realizar? Se atingir suas metas, pretende aperfeiçoá-lo?

99
Os psicólogos procuram responder perguntas como estas a fim
de determinar “o que” as pessoas fazem e “porque” o fazem. A
descrição do comportamento que resulta do estudo psicológico, não
é casual e sem objetivo. O estudo tem como seus propósitos a
previsão e controle do comportamento.
Dá-se a previsão quando o psicológico antecipa corretamente
eventos naturais, ao passo que controle significa que, de algum
modo, ele manipulou a situação e subsequentemente observou um
resultado esperado.
O profissional de nível superior tem como campo de trabalho o
estudo da personalidade humana e animal, através de análise e
compreensão do comportamento dos seres vivos. Estuda a época do
aparecimento dos processos psicológicos e as características dos
principais estágios da evolução psíquica.
Dentro destes campos de atuação, o Psicológico pode
desempenhar, entre outras, as seguintes atividades:

1 Diagnósticos sobre o rendimento mental e ajustamento


da personalidade;
2 Orientação vocacional, isto é, orientação para escolha de
carreira, cursos e profissões;
3 Orientação e aconselhamento psicológico para a
integração da personalidade;
4 Construção e emprego de testes de inteligência, aptidões
e personalidade;
5 Estudos sobre a formação da opinião pública, religiosa e
suas avaliações
6 Seleção profissional, orientação e análise do trabalho para
treinamento de pessoal.

100
A Psicologia e outras Ciências

A Psicologia não surgiu subitamente no cenário cientifico. O


interesse pelas questões “psicológicas” remonta a antiguidade. Com
efeito, comportamento do ser humano animal e de outros seres vivos
sempre foi de interesse dos comerciantes, cientistas, filósofos e de
todos os pensadores. Algumas das áreas que contribuíram para o
desenvolvimento da Psicologia como disciplina autônoma inclui a
filosofia, as ciências naturais, a medicina e até mesmo algumas delas
não científicas como as pseudo-científicas.

Filosofia
Durante milhares de anos os filósofos desejaram entender o
comportamento. De fato, muitos dos problemas básicos da
Psicologia como aprendizagem, motivação, personalidade,
percepção ou influências fisiológicas sobre o comportamento, foram
principalmente discutidos por filósofos. Muitos departamentos de
Psicologia nas faculdades e universidades tiveram origem em
departamentos de Filosofia e somente mais tarde é que alcançaram
status independentes.
Exemplo: Os psicólogos se interessam pelas questões
relacionadas ao modo como a mente humana se desenvolve, do
nascimento à idade adulta.
Os filósofos também se defrontam com as mesmas questões.
Platão, filósofo grego do Século IV a.C., acreditava que o ser
humano nascia com certas capacidades mentais e conhecimentos
inatos ou já presentes.

101
Por outro lado, John Locke, filósofo inglês do Século XVII,
acreditava que, no nascimento, a mente humana era uma tábua rasa,
ou uma “lousa em branco”, em que ficavam marcadas as impressões.

John Locke Platão

Nem os filósofos e nem os psicólogos concluíram


definitivamente qual destas opiniões é a verdadeira, se alguma o é.
O que separou a Psicologia da Filosofia foi uma diferença de
abordagem. Quando a filosofia dos séculos XVIII e XIX começou a
se modificar para dar maior ênfase aos valores empíricos, tornou-se
possível o surgimento de uma psicologia independente: a atitude de
indagação cientifica tornou-se o principal esteio da Psicologia.

As Ciências
Grande parte da metodologia que acompanhou a introdução da
indagação científica nas áreas compartimentais foi tomada de
empréstimo ou adaptada de outras ciências, tais como: Física,
Química Biologia.

FÍSICA QUÍMICA BIOLOGIA

As metodologias que se desenvolveram são examinadas e vale a


pena mencionar brevemente algumas das contribuições que vieram
dessas ciências. A Física, a Química e a Biologia proporcionaram

102
não apenas metodologia, mas também interesses concernentes às
sensações e percepções. Estas rapidamente se tornaram parte da
fisiologia da época.
A Teoria Biológica da Evolução deu forte apoio ao
desenvolvimento da Psicologia Comparada, na qual o
comportamento de uma espécie é comparado com o de outra.
A Biologia também forneceu grande parte da informação sobre
genética e hereditariedade, a qual, por fim, foi usada pelos
psicólogos que consideravam os efeitos destas influências sobre o
comportamento.
Assim, a metodologia, as áreas de investigações e a justificação
para este estudo foram todas extraídas das disciplinas científicas
mais antigas.

Medicina
Deu grande contribuição para o
surgimento da Psicologia, de um modo
indireto. Até o começo do século XIX, a
maioria das pessoas que apresentavam
padrões anormais de personalidade era tida
como possuída pelo demônio.
No começo do século XIX, o interesse médico proporcionou
tratamento para moléstias físicas que eram consideradas causadoras
de padrões anormais de comportamento.
No final do século, esta atitude havia mudado. Estes padrões
anormais foram classificados como doenças mentais e o tratamento
se modificou de maneira correspondente.

103
Isso conduziu ao desenvolvimento do que hoje se conhece como
Psiquiatria e exerceu efeito importante sobre os primórdios da
Psicologia Clínica. Os interesses da Psicologia Clínica e da
Psiquiatria começaram a partir de uma tradição médica.
Uma pessoa que queira tornar-se psiquiatra, depois de terminar
o curso colegial segue o de medicina e faz treinamento especializado
subsequente.
Em consequência, uma forte orientação para os psiquiatras
passou a chamar-se Modelo Médico, isto é, este profissional pode
tratar um cliente como uma pessoa “doente”.
Entretanto, muitos outros psiquiatras e psicólogos não aceitam
este conceito de “doença”. Preferem termos como “padrões
anormais de comportamento” para descrever as respostas das
pessoas que observam e tratam

Behaviorismo
John Watson (1878-1958) estabeleceu um
sistema para o estudo do comportamento, onde
somente eram relevantes as respostas observáveis
do sujeito. O sistema passou a ser conhecido como
behaviorismo e caracterizou-se nos movimentos
John Watson musculares e respostas glandulares do indivíduo.
Os behavioristas negavam o conceito da mente, porque esta não
podia ser observada. Interessavam-se apenas pelos fenômenos
observáveis.
Um behaviorista rigoroso não descreveria uma pessoa como
“feliz”, porque a felicidade é um estado da mente e esta não é
observável. Ao invés, poderia descrever o sorriso ou riso da pessoa,
ou alguma outra resposta observável a um estímulo.

104
Embora o sistema, em pouco tempo, tenha enfrentado muitas
críticas, salientou a possível futilidade de tentar descrever atividades
não observáveis do sujeito e ajudou a Psicologia a confrontar as
ideias do controle de estímulo e determinismo do comportamento.
O interesse direto pelos estímulos e pelas respostas
consequentes tornou-se uma parte importante de diversas posições
psicológicas.

Escola Gestalt
A Psicologia Gestalt foi desenvolvida na Alemanha,
interessando-se particularmente por problemas perceptuais e sobre
como podiam ser interpretados.
Em geral, os psicólogos da Escola Gestalt ressaltaram que as
tentativas anteriores foram para explicar a percepção e outras
espécies de comportamento. Eram simples porque fragmentavam o
comportamento total e deixavam de levar em conta o ambiente
inteiro.
Os gestaltistas acreditavam que outros sistemas psicológicos
estavam errados ao tentar dividir o comportamento humano -
inclusive o mental, em funções discretas ou separadas.

105
Acreditavam que o comportamento humano, especialmente o
mental, era um processo criativo de síntese, que representava mais
do que a soma de quem assistisse a um filme, ao invés de ver uma
série de figuras paradas (as fotos que compõem o filme), estaria
vendo uma imagem contínua “móvel”.
Psicanálise
Sigmund Freud (1856-1939), médico
vienense, foi a primeira pessoa a praticar a
psicanálise. De início, não tencionava que ela
se tornasse um sistema, porém as teorias que
desenvolveu em apoio às suas técnicas
terapêuticas, passaram a ser consideradas
como tal.
Sua extensa investigação do desenvolvimento e manutenção da
personalidade, com ênfase em coisas tais como: as primeiras
experiências infantis e as fontes inconscientes da motivação foi
finalmente tratada como uma posição sistemática.
Por meio desta investigação, gerou muita indagação, que visava
avaliar os princípios da psicanálise e afetou as áreas como a
Psicologia Clínica, Psicologia do Aconselhamento e Psicologia do
Desenvolvimento.
A grande contribuição de Freud à Psicologia foi sua sugestão de
que grande parte do comportamento humano tinha origem em
motivos inconscientes, isto é, motivos dos quais uma pessoa não
estava ciente. No tratamento de alguns de seus pacientes, conseguiu
descobrir “Fobias” - temores, que para eles eram ocultos, mas que,
no entanto, influenciavam seriamente em seus comportamentos.

106
Campos da Psicologia

A tentativa de explicar todo o comportamento como base em


apenas uma das posições sistemáticas, não funciona por si só.
Nenhum sistema podia responder por todos os tipos de
comportamentos, e dessa forma, a teorização sistemática caiu em
descrédito.
A tendência atual vai na direção da limitação de áreas de estudo
e de aspectos particulares do comportamento.
As teorias da aprendizagem, da personalidade e do
desenvolvimento se acham agora muito mais especializadas do que
as teorias gerais e enunciados dos sistemas psicológicos.
Atualmente, há várias centenas de enfoques psicológicos
especiais para se escolher. Pode-se, porém, conceber a Psicologia
como uma disciplina de diversas abordagens gerais ao estudo do
comportamento.

Psicologia Clínica
É o maior campo da Psicologia. Cerca de 30% de todos os
psicólogos estão na área clínica. Seu interesse está no uso de
técnicas psicológicas para reconhecer, tratar distúrbios do
comportamento ou efetuar pesquisa sobre a causa destes males (os
distúrbios do comportamento são considerados anormais, isto é,
criam um problema para o indivíduo ou para a sociedade).
A psicologia clínica possui uma área de atuação muito vasta,
são elas:
 Transtorno mental - Oferece uma definição do conceito
uma visão geral a respeito dos transtornos mentais: classificação,
epidemiologia, etiologia e análise de fatores determinantes;

107
 Psicodiagnóstico - Uma introdução às técnicas para
aquisição de informações psicológicas relevantes;
 Intervenção psicológica - Oferece uma visão geral das
diferentes formas de intervenção disponíveis, entre as quais a
psicoterapia desempenha um papel preponderante;
 Ética em psicologia clínica - Que oferece uma visão geral
das questões éticas envolvendo o trabalho clínico em geral e clínico-
psicológico em particular;
 Psicologia da reabilitação - Área específica da psicologia
clínica que se dedica ao acompanhamento e reinserção da pessoa no
seu cotidiano após um tratamento prolongado quer de doença física,
quer de transtorno mental.

Psicologia Consultiva ou do Aconselhamento


Aproximadamente 10% de
todos os psicólogos acham-se
envolvidos em Psicologia do
Aconselhamento. Usam técnicas
psicológicas para dar assistência
ao indivíduo no equacionamento
de problemas pessoais comuns.
Os indivíduos que procuram tal auxílio não são classificados
como anormais ou mentalmente enfermos; procuram auxílio para
problemas, tais como os vocacionais, religiosos ou de
relacionamento interpessoal.
O Psicólogo Conselheiro pode usar de técnicas terapêuticas,
mas o tratamento de problemas severamente anormais, usualmente é
remetido a um Psicólogo Clínico ou a um Psiquiatra.

108
Um calouro de curso superior pode encontrar dificuldades em
seu primeiro semestre de estudos, por não se ajustar à vida do
dormitório, às técnicas de ensino que lhe são novas, ou até aos seus
companheiros de internato.
Pode ser chamado um Psicólogo Conselheiro para ajudá-lo a
fazer os ajustamentos necessários. Porém, se ele reagir
repetidamente de um modo que parece ser significativamente alheio
à realidade, é provável que seja chamado um Psicólogo Clínico ou
um Psiquiatra.

Psicologia Experimental
O Psicólogo Experimental está interessado em conhecer o
comportamento, ainda que a informação obtida de seus estudos não
tenha aplicação direta.
Em outras palavras, a Psicologia Experimental é voltada para a
exploração das questões fundamentais do comportamento.
Com maior frequência, os estudos experimentais são
conduzidos com o uso de abordagens especiais do método
experimental em sujeitos humanos animais ou outros seres vivos, os
quais são usados na ampla variedade de problemas investigados.

Psicologia Fisiológica e Comparada


Psicologia Fisiológica:
É o estudo dos fundamentos fisiológicos ou orgânicos do
comportamento. Neste estudo é colhida muita informação apenas
para propiciar o entendimento do comportamento, mas algumas
aplicações das constatações fisiológicas são importantes em áreas
como Psicologia Industrial, Clínica ou Educacional.
109
Psicologia Comparada:
Muitas vezes estuda os processos orgânicos, mas o interesse
principal está em estabelecer comparações do comportamento de
uma espécie com o de outras. Um psicólogo comparativo pode
empregar o método experimental ou alguma outra técnica a fim de
comparar comportamentos das espécies.
O Psicólogo fisiologista e o da Psicologia comparada muitas
vezes empregam técnicas experimentais para estudar os problemas
de suas áreas de especializações. E, quando o fazem, podem ser
considerados como pertencentes ao campo geral, da Psicologia
Experimental.
Entretanto, ambos são considerados à parte pela ênfase especial
sobre aspectos particulares do comportamento e, por essa razão, são
classificados separadamente.

Psicologia Educacional e Escolar


A Psicologia Educacional está
interessada no uso de princípios
psicológicos para aumentar a
efetividade da experiência de
aprendizagem. Isto frequentemente
inclui o estudo dos materiais de
aprendizagem, currículos, técnicas de
ensino, ou problemas particulares do estudante. Um psicólogo que
procura especificamente testar, aconselhar ou orientar os estudantes,
é chamado de Psicólogo Escolar, ao passo que o âmbito maior da
psicologia educacional abrange a escolar e muitos outros temas.
Os Psicólogos Escolares trabalham com estudantes e os
Psicólogos Educacionais trabalham com Especialistas, Mestres e
Doutores em uma tentativa de torná-los mais efetivos nas salas de
110
aula. Podem sugerir novas técnicas de ensino ou ajudá-los a
desenvolverem materiais educacionais, livros, revistas e artigos
científicos ou dispositivos audiovisuais.

Psicologia Social
A Psicologia Social investiga a influência grupal sobre o
comportamento dos indivíduos em meio ao grupo, família, religião,
sócio, político e cultural, trazendo para tanto a sua afirmação em seu
meio.
A Sociologia é a ciência social que define os status de cada
indivíduo dentro da sociedade, colocando o mesmo no peneiramento
social de status.
O indivíduo passa a entender dentro de seu sentimento
psicológico a sua estrutura de comportamento social e de status,
passando a entender o seu grau de respeito e consideração com os
demais de seu grupo.

Psicologia do Desenvolvimento
O desenvolvimento psicológico do indivíduo em seu meio tem
como implicação vários fatores como: social, religioso, família,
problema sócio-econômico e o meio onde vive. Esses fatores são
primordialmente os mais influentes em seu desenvolvimento.
Além disso, o educando terá pela frente as teorias psicológicas
que estarão presentes em todas suas faixas etárias e lógico que
teremos algumas variantes como segue:

0 a 3 anos – o desenvolvimento dos reflexos evolutivos


e o estabelecimento de sua coordenação motora “falar,
engatinhar e andar”.

111
3 a 7 anos - o desenvolvimento do complexo de Édipo, que
naturalmente ocorre nessa faixa etária, com atraso ou
adiantamento de acordo com sua vida em família ou o meio.

7 a 11 anos – essa faixa etária estabelece o período de


latência, chamado na Psicologia como “Período de
Dormência Sexual”.

11 a 17 anos – chamado culturalmente como


“Adolescência”, período em que o indivíduo desenvolve
todos os seus potenciais fisiológicos, sexuais e de
inteligência. Terá neste período a mudança corporal de
ambos os sexos.
17 a 25 anos – considerado período da formação de família
“casamento, construção da casa, sua primeira faculdade ou
seu primeiro emprego”.

25 a 50 anos – considerado “Anos dos Pais” na formação da


família.

50 a 100 anos – considerado os anos do declínio físico e


psicológico chamado de “Anos dos Avôs”.

Outras Psicologias Aplicadas


Nem todas as Psicologias são teóricas. Suas construções de
pensamento são consideradas de acordo com o seu meio e sua
aplicabilidade, para cada momento ou aplicação depende de seu
tratamento.

112
Segue quatro tipos de Psicologia para o nosso estudo: Psicologia
Industrial, do Consumidor, da Comunidade e da Engenharia.

Psicologia Industrial
É a Psicologia Aplicada ao Trabalho
visando a utilização, conservação e
aprimoramento dos recursos humanos na
indústria. Com este objetivo, ela examina
a pessoa no trabalho, desenvolve e aplica
princípios e métodos psicológicos
relativos ao aumento da produção,
incremento da satisfação, ajustamento pessoal ao meio e ao
melhoramento das relações humanas dentro da comunidade de
trabalho.

Psicologia do Consumidor
Na Psicologia do Consumidor os Psicólogos trabalham com
frequência nas áreas de pesquisa do mercado de consumo.
O entendimento da motivação dos consumidores e a aplicação
deste conhecimento para influenciar seus hábitos de compra
constituem o principal interesse dos psicólogos do consumidor.

Psicologia da Comunidade
Algo recente em psicologia é o estudo do efeito de uma
estrutura social da comunidade e busca melhorar a “qualidade de
vida” das pessoas que compõem a comunidade.
O que entendemos por “Comunidade”? Poderemos descrever
uma Comunidade Cristã, onde os membros se organizam com
destaques de status e distribui os trabalhos para cada um
considerando que tudo o que fizer pertence a mesma.

113
Comunidade de uma Empresa: é a união de diretores e
funcionários que trabalham para o desenvolvimento e crescimento
da mesma.
Comunidade Militar: cujo trabalho é garantir a segurança de
todas as outras comunidades que porventura exista ou venha existir,
seja ela de caráter legal ou de outros tipos consideradas comunidade
de desordem.

Engenharia Psicológica

O Psicólogo de Engenharia estuda o relacionamento entre as


pessoas e as máquinas, com a intenção de melhorar os referidos
relacionamentos. Isto pode envolver o redesenho do equipamento,
melhoria no ambiente de trabalho, mudança na maneira pelas quais
as pessoas usam as máquinas ou a mudança de local em que o
trabalho ocorre.

Psicologia Geral e Experimental

O comportamento humano envolve aspectos biológicos,


sociológicos e psicológicos que compõem a natureza do homem e
são estudados respectivamente pela Biologia, Filosofia, Sociologia e
Psicologia, abrangendo todas as reações do indivíduo, desde as que
se exteriorizam em gestos, palavras, atos ou reações orgânicas até
aquelas que ocorrem apenas no interior do ser humano sob a forma
de tendências, desejos, interesses, emoções, sentimentos, paixões ou
ideais.
Consciente e o Inconsciente
O estudo dos fenômenos psicológicos nas áreas do
comportamento humano é tido como especial por se tratar de uma

114
teoria não palpável no conhecimento científico. Passaremos a
explicar os dois tipos de sentimentos que falam sobre a alma do ser
humano em suas características introspectivas:

Consciente:
Neste plano, ocorreram os fenômenos e as reações das quais
temos pleno conhecimento: as sensações à vontade, atenção,
memória, de relacionamento visível, real, palpável e sentimental nos
sentidos visuais e sensoriais, etc.

Inconsciente:
Além das ações que praticarmos conscientemente como
escolher entre fazer uma visita ou ficar em casa, muitas outras não
comportam uma explicação lógica, em virtude de suas causas
estarem em nosso inconsciente.
Assim, uma pessoa que sente pavor em permanecer em um
ambiente fechado (claustrofobia) dificilmente saberia explicar os
motivos de semelhante reação, justamente porque suas causas não
são conscientes e sim inconscientes.
Nessa parte mais desconhecida e mais profunda de nosso ser
agitam-se ainda os impulsos básicos da natureza humana, tais como:
a libido (impulso sexual), o instinto da vida (héteroagressividade), o
instinto da morte (autoagressividade) e outros.
Tais impulsos não se manifestam livremente; sofrem fortes
pressões da sociedade fazendo que o indivíduo os recalque por um
processo de auto-policiamento, exercido através de outro fator que
compõe igualmente o psiquismo humano, chamado de superego.

Os Desejos Fundamentais do Homem


Da mesma forma que explicamos o comportamento humano por
reações que ocorrem nos planos do consciente e do inconsciente,
115
motivando as mais diferentes atitudes, devemos levar em conta os
desejos e os interesses que constituem os motivos fundamentais dos
atos de um indivíduo.
O psicólogo X. I. Thomas lembra quatro deles que são de
primordial interesse, e podem indicar o caminho a ser seguido no
relacionamento com nossos companheiros:

Desejo de Segurança

• Todo funcionário deseja sentir-se seguro do seu próprio valor,


de sua capacidade de trabalho, assim como toda mulher deseja
saber se é bela, e toda criança se é amada pelos pais. Para que
isso aconteça é preciso que alguém diga ou mostre. Uma
opinião sincera ou um elogio oportuno não faz mal a ninguém e
deixa qualquer um satisfeito.

Desejo de Correspondência

• De tudo o que fazemos, esperamos uma retribuição sem que isto


venha a ser necessariamente egoísmo. O funcionário que se
esforça além de sua obrigação espera um dia ver sua boa
vontade correspondida através de uma promoção, de um ato de
tolerância, ou de uma atenção especial.

Desejo de Novas Experiências

• Toda pessoa necessita profundamente de realização e atividade.


Quer dedicar-se a afazeres fora da rotina, o que a leva a
promover reformas e tomar iniciativas. O anseio em descobrir
novos e excitantes estímulos ou ainda novas aventuras é um
grande incentivo para o trabalho e para a satisfação pessoal.

116
Desejo de Consideração

• Todos nós queremos parecer melhores do que na realidade


somos, para ganharmos a consideração dos outros. Todo
elemento que demonstra a consideração que tem por seus
companheiros, ganha amigos e aliados com os quais pode falar e
trabalhar mais livre e alegremente.

Áreas de Estudo Comportamental

Seres Humanos e Animais


A Psicologia em suas áreas de estudos tem um diferencial
especial quando trata de humanos, animais e seres vivos.
Como ser humano, fala de seu comportamento social,
psicológico, ético, religioso e sócio-cultural. Quando estuda animais
e seres vivos, o estudo é feito de acordo com suas espécies, tendo em
vista os comportamentos não serem compatíveis um ao outro. Os
animais são ensinados e tratados de acordo com o seu trabalho e
necessidades que o ser humano deseja dos mesmos. O mesmo ocorre
com os seres vivos.

Hereditariedade e Meio Ambiente


A Psicologia sempre esteve dividida em dois grandes campos
para explicar a personalidade do homem: a hereditariedade e o meio
ambiente.
Temos os olhos verdes da nossa mãe, e as sardas do nosso pai,
mas onde fomos buscar o talento para cantar? Aprendemos através
dos nossos progenitores ou foi pré-determinado pelos nossos genes?
Embora seja claro que as características físicas são hereditárias, as

117
águas genéticas tornam-se um pouco mais turvas quando se trata de
um comportamento individual, inteligência e personalidade.
Em última instância, o velho argumento da natureza versus
genética nunca foi realmente ganho. Nós ainda não sabemos quanto
do que somos é determinado pelo nosso DNA e quanto pela nossa
experiência de vida, mas sabemos que ambos desempenham um
papel.

Hereditariedade
Podemos definir
Hereditariedade, portanto,
como o somatório de todas as
características contidas no
núcleo das células gaméticas,
transmitidas a um indivíduo
durante a fecundação.
Podendo os descendentes ocultar ou manifestar as
características herdadas, inscritas no material genético, mais
precisamente pela expressão gênica dos cromossomos (molécula
portadora dos caracteres biológicos de um ser vivo ou até mesmo um
vírus).
Quando não expressa a característica, não significa dizer que foi
apagado do genoma (conjunto de cromossomos de uma espécie),
típico da população, ou seja, um indivíduo portador de um genótipo
qualquer, mesmo tendo seu gene inativo, transmite aos seus
descendentes um fenótipo que ficou escondido na geração parental.

118
O Estudo da Hereditariedade Humana
 O estudo das árvores genealógicas foi utilizado durante muito
tempo. Alguns investigadores têm analisado árvores cujos
membros têm conhecidas capacidades musicais. Ex: o
compositor J. Sebastian Bach: A análise do DNA é uma técnica
utilizada pela biologia molecular.
 Os estudos de gêmeos são estudos comparativos que assumem
duas formas ou modalidades – comparação entre as
características psicológicas e os comportamentos de gêmeos
idênticos e de gêmeos dizigóticos; comparação dessas
características e comportamentos em gêmeos idênticos
educados separadamente.
 O estudo de adoções é importante para se fazer comparações
entre as características psicológicas das crianças adotadas e as
suas famílias biológicas e as famílias adotivas.

A hereditariedade e a inteligência
 Determinadas famílias, reuniam pessoas cujo trabalho refletia
um alto nível de inteligência.
 Parentes mais próximos de indivíduos ilustres tinham tendência
a ser mais bem sucedidos que os mais distantes. A inteligência é
determinada pela hereditariedade.
 Relação entre QI e o nível socioeconômico, profissão dos pais,
qualidade do meio familiar.
 Componente genética é um fator muito importante no
desenvolvimento e capacidade intelectual.
Os cientistas descobriram há anos que traços como a cor dos
olhos e a cor do cabelo são determinados por genes específicos
codificados em cada célula humana.

119
Hoje, a Teoria da Natureza leva as coisas um passo adiante
afirmando que os traços mais abstratos como a inteligência,
personalidade, agressão e orientação sexual também são codificados
no DNA de um indivíduo.

Influência do Meio

O meio social – família, grupos e cultura a que se pertence –


desempenha um papel determinante na construção da personalidade.
A personalidade forma-se num processo interativo com os sistemas
de vida que a envolvem: a família, a escola, o grupo de pares, o
trabalho, a comunidade.
Uma personalidade é marcada por todo o processo de
socialização em que a família, sobretudo nos primeiros anos assume
um papel muito importante, pelas características e qualidade das
relações existentes e pelos estilos educativos.
Na atualidade, embora não se ignore a existência da influência
genética, os defensores da teoria da educação acreditam que, em
última análise, a mesma isolada não tem grande relevância – que os
nossos aspectos comportamentais têm apenas origem a fatores
ambientais de nossa educação. Estudos sobre o comportamento
infantil realçam a importância da influência do meio ambiente.
As primeiras experiências do psicólogo de Harvard BF Skinner,
basearam-se no trabalho com pombos que desenvolveram a
habilidade de dançar, fazer oitos, e jogar tênis. Hoje conhecido como
o pai da ciência comportamental, finalmente conseguiu provar que o
comportamento humano pode ser condicionado da mesma forma
como acontece com os animais.

120
Um estudo na revista New Scientist sugere que sentido de
humor é uma característica aprendida, influenciada pelo ambiente
familiar e cultural, e não determinada geneticamente.
Se o ambiente não desempenhasse um papel importante na
determinação de traços de um indivíduo e comportamentos, em
seguida, os gêmeos idênticos seriam, teoricamente, exatamente
iguais em todos os aspectos, ainda que criados separados. Mas uma
série de estudos demonstram que eles nunca são exatamente iguais,
embora sejam muito semelhantes em muitos aspectos.

Interação Hereditariedade e Meio

Há quem defenda que o nosso desenvolvimento é influenciado,


sobretudo pelo meio, ou principalmente pela hereditariedade. Porém,
a hereditariedade não pode exprimir-se sem um meio apropriado,
assim como o meio não tem qualquer efeito sem o potencial
genético.
A forma como nos comportamos nasceu conosco, ou terá sido
desenvolvida ao longo do tempo em resposta às nossas experiências?
Pesquisadores envolvidos em ambas as teorias (hereditariedade
X meio) concordam que a ligação entre um gene e o comportamento
não é o mesmo que “causa e efeito”. Enquanto um gene pode
aumentar a probabilidade de nos comportarmos de uma maneira
particular, não faz as pessoas atuarem, o que significa que
continuamos a ter de escolher quem vamos ser quando crescermos.
Por tudo isto, podemos afirmar que a hereditariedade e o meio
interagem, determinando o desenvolvimento orgânico, psicomotor, a
linguagem, a inteligência, a afetividade, etc.

121
O meio ambiente habitualmente chamado apenas de
ambiente, envolve todas as coisas vivas e não-vivas
que existe na Terra, ou em alguma região dela, que
afetam os ecossistemas e a vida dos seres humanos.
É o conjunto de condições, leis, influências e
infraestrutura de ordem física, química e biológica,
que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas.

Normal e Anormal Contraverso


Critério Usual é julgar o comportamento anormal, se ele cria um
problema para o indivíduo ou para a sociedade. Obviamente a
decisão tanto depende do indivíduo como das características
particulares da sociedade em que vive. Problema Controverso em
Psicologia é o de saber se a inteligência é influenciada
principalmente pela hereditariedade ou, num grau maior, pelo meio.
Alguns dizem que o quociente de inteligência é influenciado 80
por cento pela hereditariedade e 20 por cento pelo meio. Outros
insistem que a influência do meio desempenha o papel principal,
assinalando que a própria hereditariedade é influenciada pelo meio.
Tem-se feito investigações em torno deste problema discutível. Por
exemplo, colocaram-se ratos jovens num labirinto tendo que
encontrar a saída.
Durante estas experiências verificou-se que não só os ratos,
praticando, aprendem a encontrar o caminho correto mais
rapidamente, como até os seus descendentes eram mais aptos para
resolver este problema. Os defensores da influência do meio
apontam isto como prova da sua tese, dizendo que até as aptidões

122
adquiridas pela prática num certo meio podem ser transmitidas. Mas
os defensores da influência da hereditariedade, contrariando isto,
assinalam os exemplos dos testes feitos em gêmeos univitelinos que
depois do nascimento foram separados e cresceram em meios
diferentes.
Os testes de inteligência efetuados com
semelhantes crianças mostram quase o
mesmo quociente de inteligência, a despeito
do fato de crescerem em meios diferentes.
Outro interessante exemplo de estudos da
inteligência é dado, mostrando a grande
influência do meio na inteligência. Sabia-se
que as condições em certo orfanato eram terrivelmente primitivas.
Cerca de metade das crianças foram transferidas para um meio
mais distante, mas mais apropriado. As outras crianças não foram
levadas para ali por falta de acomodações. Quase todas as crianças
transferidas apresentavam, passado algum tempo, um Q.I. acima da
média. Enquanto quase todas as crianças que permaneceram naquele
meio degradado continuaram a ter um Q. I. quase subnormal.
Faixa Etária
A Psicologia estuda o comportamento de todo o ciclo vital. De
fato, porque o comportamento depende das características
hereditárias, assim como a aprendizagem, os psicólogos se
interessam pelo indivíduo.

Psicologia Teórica ou Prática


Finalmente, a abrangência do estudo psicológico é tal que inclui
tanto os estudos teóricos como a aplicação dos princípios
psicológicos a problemas específicos. Provavelmente, poder-se-ia
categorizar como aplicada a maior parte das especializações
psicológicas.

123
Personalidade e Caráter

Personalidade
A palavra personalidade tem vários significados etimológicos,
cada um tem o seu sentido cultural e em seu meio social. Não
importa para outras culturas os seus significados. Ex: persona,
phesu, perisoma, per se una ou persum, etc.
Em face a esta origem controvertida o termo personalidade é
empregado com significado bem diverso. Ora ele designa a
originalidade e força de uma pessoa: ele é um homem de
personalidade.
Ora é usado no sentido jurídico de capacidade a ser detento de
direitos; outras vezes o usam no sentido psicológico apenas. No
campo da Psicologia, o termo não é totalmente livre de controvérsia
quanto ao seu significado. Eis algumas definições de Personalidade:


“É a soma total de todas as disposições biológicas inatas, ou seja,
impulsos, tendências, apetites e instintos do indivíduo; as
disposições e tendências adquiridas através da experiência”.
(MortonPrice).

“É a organização total do ser humano em qualquer fase do seu
desenvolvimento”. (Leonard Carmichal e Warren).


“É a síntese de todos os elementos que concorrem para a
conformação mental de um indivíduo para lhe dar uma fisionomia
própria”. (Manual Alfabético de Psiquiatria de A. Porot).

124

“É a trama total das capacidades, das disposições e dos hábitos
organizados pela própria pessoa, no prosseguimento ativo de seu
ideal próprio, manifestando-se a si mesmo e ao mundo exterior”.
(Arnold e Gasson).

“É a organização dinâmica no indivíduo dos sistemas psicológicos
que determinam seus ajustamentos típicos a seu ambiente”. (G.
Allport).

“É a configuração típica que toma no curso da história do
indivíduo o conjunto dos sistemas responsáveis por sua
conduta”. (J. C. Filloux).

Caráter
A palavra caráter, etimologicamente quer dizer “coisa gravada”,
do grego “Character” de “Charassein” - gravar. O termo pode ter
dois sentidos diversos. Eis algumas definições de Caráter:


Como conjunto de disposições psicológicas e comportamentos
habituais de uma pessoa, isto é, a personalidade concreta.

Relacionado à vontade e nesse caso conota a ideia de energia,
honestidade e coerência; nessa acepção que falamos, em homem
de caráter.

125
O Caráter apresenta os seguintes elementos:

Caráter é um termo usado em psicologia como sinônimo de


personalidade. Em linguagem comum o termo descreve os traços
morais da personalidade.
Sobretudo as escolas da caracteriologia alemã e franco-
holandesa esforçaram-se por dar aos dois termos personalidade e
caráter um significado diferente, sem que, no entanto, se chegasse a
um consenso. René Le Senne, por exemplo, propõe a seguinte
distinção:
Caráter refere-se ao conjunto de disposições congênitas, ou
seja, que o indivíduo possui desde seu nascimento e compõe, assim,
o esqueleto mental do indivíduo;
Já personalidade, é definida como o conjunto de disposições
mais "externas", como que a "musculatura mental" - todos os
elementos constitutivos do ser humano que foram adquiridos no
correr da vida, incluindo todos os tipos de processo mental.

Caráter na Psicologia

É o termo que designa o aspeto da personalidade responsável


pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo;
esta qualidade é inerente somente a uma pessoa, pois é o conjunto
dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza
e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um
indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio,
humor, temperamento; este sendo resultado de progressiva
adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais,
familiares, pedagógicas e sociais.

126
O caráter de uma pessoa pode ser dramático, religioso,
especulativo, desafiador, covarde, inconstante. Tais variações podem
ser inúmeras. Mas não é o caráter que sofre as influências pelo meio
em que é submetido, pois o ser humano demonstra sua pessoal
característica desde os primeiros dias. O caráter é inerente do
próprio espírito, e os moldes de educação, adaptação às diferentes
condições e fases da vida humana apenas levam o ser às escolhas
que deve fazer, obedecendo elas a esse princípio.
As culturas antigas costumavam declarar quando de uma pessoa
de índole confiável: "Pessoa de caráter forte". Quando o caráter -
presença inerente no ser - é forte, significa que por mais
maravilhosos ou recompensadores os caminhos possam parecer, há
sempre um sentimento de alerta dentro, que indica aquele como um
caminho errado, mesmo que no momento possa parecer o correto o
caráter faz ver além, nas consequências dos atos de hoje, e não pode
ser adquirido ou estudado ou mesmo aprendido.
A educação e a cultura se diferem nesses valores, assim como o
caráter se interfere a uma coisa e pessoa se difere das boas maneiras
ou do estilo de vida que se leva. Ambos, a cultura e o estilo de vida,
são transformados, adquiridos e estudados e podem ser esquecidos
ou aprimorados. Mas o caráter faz desses todos seus caminhos.
Escolher qual deles seguir e quais consequências irão advir só o
caráter pode identificar, no momento que as decisões - de trabalho,
amor, relações sociais, escolares, de amizade são tomadas.
Os elementos do Caráter são passíveis de variação, evoluindo.
Os hábitos podem mudar por desuso ou devido a dificuldades;
mudança de meio ou de profissão pode ter influência notável sobre o
caráter. O elemento natural tem grande plasticidade: modifica-se
com as transformações orgânicas trazidas pela idade, por doenças
clínicas ou acidentais, por mudança de clima e regime alimentar.

127
O caráter pode ser alterado mediante o poder que o indivíduo
tem sobre seus hábitos: o meio e a profissão podem se modificados e
o próprio regime da imaginação pode sofrer mudanças, através de
novas experiências.
O homem de vontade é, precisamente, aquele que sabe criar
para si um Caráter e que por intermédio dele orienta sua própria
conduta.

A Psicologia estudando o Corpo e a Mente

O Corpo Humano:
É um objeto físico constituído por substâncias
materiais. Podemos vê-lo, tocá-lo, medi-lo e pesá-lo.
Nossos mais íntimos segredos físicos revelam-se aos
olhos de um cirurgião durante uma operação cirúrgica.
O Raio-X pode reproduzir a figura dos nossos ossos,
vasos sanguíneos e de outras partes interiores do corpo.
Por meio do fluoroscópio é possível observar o
funcionamento do coração, sua contração e expansão.
Porém, nenhum cirurgião, Raios-X, nem fluoroscópio pode
alcançar a mente.
Podemos descrever a outros nossas experiências mentais;
porém, eles não podem observá-las diretamente; no entanto, eles
podem deduzir nossas atitudes mentais pelas nossas expressões
físicas: dor, alegria, etc.; apenas deduzir.

128
Mente Humana:
Não é o cérebro, posto que este
é algo material, visível, que se
revela nos mais íntimos detalhes
sob o microscópio.
A mente é algo imaterial. Não
pode ser vista, tocada, medida, nem
pesada. É algo espiritual, e não
significa que seja irreal, inexistente.
O espírito é algo importante e vital,
ou seja, a essência. O espírito de
uma escola, de uma organização, de
uma família é o real e o essencial;
entretanto não pode ser visto.
O que recordamos de uma pessoa amada já falecida? Seu corpo?
Não. Lembramos com mais clareza seu espírito, suas tendências,
seus entusiasmos, suas simpatias e antipatias, as coisas pelas quais
se esforçava e contra as quais lutava.
Quando pensamos no espírito de uma pessoa, lembramos seus
pensamentos, sentimentos, impulsos, ideais e desejos. Não
contemplamos suas mãos ou seus pés, seu nariz, seu coração, seus
pulmões, mas, sua personalidade que é imaterial e consiste na soma
total de sua conduta com referência aos fatores mentais.
Os nervos, o cérebro, etc., que formam parte do corpo são
necessários. Sem eles, a mente não pode funcionar. O cérebro é
essencial para uma conduta consciente.
É grande a influência do corpo sobre a mente. Se qualquer
enfermidade infecciosa passa além de certo grau, produz-se delírio.
Algumas moléstias afetam fundamentalmente o cérebro e, portanto,

129
a mente. Mesmo pequenas perturbações físicas podem transformar
por algum tempo a mente. Se comemos algo que perturba a digestão,
passamos mal o restante do dia, irritados, brutos, pesados, injustos.
Então, toda a nossa atitude se modifica, qualquer trabalho, os
amigos, a família, só fazem aumentar o nosso mau humor. Uma
pessoa estranha pensaria tudo de nós, menos que somos educados.
Podem converter uma personalidade sociável, digna e
agradável, no inimaginável. É evidente que o corpo pode influir e
influi sobre a mente de maneira prejudicial. O inverso também é
certo.
Um corpo sadio é a base de uma disposição mental alegre. Por
sua vez, a mente exerce poderosa influência sobre o corpo, e pode
ser prejudicial ou benéfica.
A paz de espírito, a satisfação, a alegria, refletem-se no
funcionamento tranquilo do corpo. Após uma luta mental ou moral,
sentimos alívio e descanso em nossos músculos. Com o sentimento
de satisfação que se segue a uma tarefa bem cumprida, a pressão
volta ao nível normal.

O Meio Ambiente

Agradável influi nos processos fisiológicos. A beleza suaviza,


acalma. O meio no qual predominam a verdade e a bondade
alimenta a felicidade e a paz de espírito.
Alimentação servida com bom gosto em lugares tranquilos e
agradável contribui para uma boa digestão. Sentimos certa sensação
de bem-estar e alegria, depois que resolvemos um problema difícil.
Nosso corpo funciona melhor quando a nossa mente está ociosa; ele
funciona mais harmoniosamente quando o amor e não o ódio

130
domina a mente; quando a ternura, a alegria, a felicidade, a simpatia
prevalece em nossa mente, os mecanismos físicos trabalham com
mais perfeição e facilidade. Esses sentimentos e emoções refletem-
se no organismo.
Todos já experimentamos a expressão física de influências
desagradáveis e prejudiciais. O medo proporciona um exemplo: o
coração bate aceleradamente, e parece querer saltar pela garganta;
respiramos mal e sentimos frio, depois nos sentimos esgotados.
Quando um animal se encontra em situações que lhe produzem
temor, uma substância que paralisa a digestão penetra em sua
corrente sanguínea. O mesmo pode acontecer conosco.
A ansiedade e a inquietação
trazem náuseas e desordens
estomacais; o remédio é a paz mental
e a libertação da ansiedade. Muitas
pessoas se queixam de cansaço
constante e tomam remédio para isso.
Não compreendem que esta fadiga é
apenas o reflexo no corpo de uma luta
mental, não resolvida satisfatoriamente.
O excessivo trabalho mental é mais pernicioso que o excessivo
trabalho físico; pois sentimos inquietos e os fatos mais comuns nos
irritam.
É evidente que a relação entre a mente e o corpo é muito
estreita. Encontram-se tão estreitamente relacionados que nem
sequer um só pensamento ou disposição de ânimo pode surgir sem
refletir-se no organismo físico.

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Todos estamos interessados em como as pessoas agem. Não
apenas queremos saber o que está acontecendo como também, com
grande frequência, queremos saber o porquê.

Questionário dos diversos tipos de Psicologia

1 – Ao mudar-se para o apartamento, seu novo colega lhe pergunta:


“Qual será seu curso?” Quando você responde: “Psicologia”,
sua resposta é: “Nossa! agora preciso tomar cuidado com o que
disser durante o ano todo. Vocês psicólogos estão sempre
analisando os problemas de personalidade das pessoas”. Com
base na definição de Psicologia, explique por que seu colega de
quarto está errado.
Resposta: A definição indica que a Psicologia estuda todo o
comportamento: normal e anormal, animal e humano. Está
incluída a personalidade, mas outros típicos também são
investigados. A visão que seu colega tem da Psicologia é muito
limitada.
2 – Tendo recebido a resposta precedente, seu colega de quarto diz:
“Todo comportamento? Para quê?” Explique os propósitos da
Psicologia.
Resposta: A Psicologia, embora longe de constituir um assunto
completo, está procurando preencher lacunas no conhecimento
sobre o comportamento, a fim de ser capaz de prevê-lo e, talvez,
controlá-lo.
3 – Um psicólogo apresenta o estímulo PSCLGIA a um sujeito e a
resposta dada é “Psicologia”. Temos aqui previsão ou controle
de comportamento?

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Resposta: Provavelmente o psicólogo poderia prever a resposta.
Mas o fato de que ele manipula a situação, apresentando um
estímulo, torna este experimento um exemplo de controle
comportamental (O mesmo psicólogo poderia teorizar que uma
pessoa tenderia a “completar” a palavra ou a sentença de um
gago e nesse caso ele estaria simplesmente prevendo o
comportamento).
4 – Descreva um estudo psicológico em que os seres humanos não
seriam adequados e explique por que em seu lugar seriam
usados animais.
Resposta: Algumas investigações envolvem técnicas como
cirurgia cerebral, isolamento dos sujeitos ou criação de
situações de stress prenunciado. Estas condições seriam
impróprias para os seres humanos. Outros estudos manipulam a
procriação e podem exigir confinamento por períodos longos,
mediante diversos cuidados e muitas observações.
Por exemplo: um estudo separou ratos inteligentes dos obtusos,
testando-os em um labirinto. Depois, os experimentadores
cruzaram ratos brilhantes com outros brilhantes e obtusos,
durante sete gerações. Estas manipulações levariam muito
tempo se fossem usados seres humanos.
5 – É importante a influência da hereditariedade sobre o
comportamento?
Resposta: Certamente a hereditariedade influencia o
comportamento. Características como a cor da pele, as
tendências de altura e peso, cor do cabelo ou dos olhos, que são
transmitidas pelos pais, podem afetar o comportamento. Por
exemplo: Um rapaz com dois metros e treze centímetros,
poderia muito bem tornar-se um jogador de bola ao cesto; mas

133
não é provável que pudesse tornar-se um jockey. E o que é mais
importante: as influências hereditárias podem produzir dano
cerebral, retardamento mental, daltonismo ou outras
características que, com muita probabilidade, terão efeitos
significativos nos tipos de comportamento em que uma criança
poderá empenhar-se.
6 – Qual é o relacionamento entre influências hereditárias e
ambientais no comportamento de uma pessoa?
Resposta: As influências da hereditariedade e do ambiente
interagem. Isto significa que o comportamento observado é o
resultado do efeito combinado dos antecedentes hereditários e
das experiências ambientais passadas e presentes. Em geral
acredita-se que as quantidades relativas de cada influência não
podem ser separadas, por exemplo, em percentagem. Cada
influência pode afetar a outra a fim de produzir resultado que
difere de uma simples soma das duas influências.
7 – Como disciplina, a Psicologia parece ter considerável
envergadura. Que considerações são comuns na descrição dos
tópicos gerais que ela abrange?
Resposta: A Psicologia é verdadeiramente o estudo de todo
comportamento e abrange todo o ciclo vital. Os psicólogos
estudam o comportamento humano e animal, o normal e o
anormal e as influências conscientes e inconscientes, bem como
o comportamento desde a concepção até a morte.
8 – A Psicologia teve início subitamente, quando os investigadores
decidiram estudar o comportamento?
Resposta: O ano habitualmente dado para o início da Psicologia
como disciplina independente é 1879. Antes dessa data, porém,
havia um rico e variado suporte para a Psicologia.

134
Muitos dos problemas estudados e das técnicas usadas foram
extraídos de disciplinas como a Filosofia, Medicina, Física e
Biologia. Em certos casos, até mesmo estudos não científicos ou
pseudo-científicos contribuiriam para o desenvolvimento da
Psicologia.
9 – De que modo a Filosofia contribuiu para o começo da
Psicologia?
Resposta: Os filósofos sempre estiveram interessados em
compreender o comportamento, particularmente o que envolve a
aprendizagem, a percepção e a fala. Eles fizeram muitas
perguntas que os psicólogos tentaram responder de modo
objetivo e cientifico.
10 – De que modo as ciências naturais e a medicina contribuíram
para o desenvolvimento da psicologia?
Resposta: Talvez a contribuição mais importante das ciências
naturais à Psicologia, tenha sido o método experimental. Além
disso, vários problemas e teorias das ciências naturais
proporcionaram aos psicólogos os assuntos para investigação.
Da Biologia veio o interesse pela hereditariedade e seus efeitos
sobre um indivíduo; da Zoologia vieram sugestões que levaram
ao desenvolvimento da psicologia comparada; da Medicina veio
a ideia de tratamento e terapia para os que mostravam
configurações anormais de comportamento.
11 – De que modo as contribuições não cientificas auxiliaram o
desenvolvimento da Psicologia?
Resposta: Em inúmeros casos, as teorias não científicas ou
“Charlatãs” instigaram os psicólogos a questionar e a investigar
certos tipos de comportamento e suas causas. Por exemplo: a
pseudociência da fenologia dedicava-se a procurar (MAPEAR)

135
o cérebro e explicar suas funções pelo estudo de saliências e
reentrâncias no crânio. Embora os fonologistas tivessem
recebido a demonstração de que estavam errados, suas
investigações sugeriram aos psicólogos que várias partes do
cérebro tinham funções especificas e discretas.
12 – Em geral, o ano de 1879 é o escolhido como a data do início da
Psicologia. Por quê?
Resposta: Houve muitas investigações psicológicas antes de
1879, mas os que efetuavam a pesquisa não se consideravam
psicólogos. Em 1879, WILHELM WUNDT estabeleceu o
primeiro laboratório de psicologia em Leipzig, na Alemanha e
denominou-se psicólogo. Subsequentemente iniciou uma revista
sobre o assunto e escreveu um livro-texto de psicologia.
Tradicionalmente, Wundt e 1879 são escolhidos como os pontos
de partida para a Psicologia, em consequência de sua
declaração.
13 – Por que o trabalho de Wundt foi importante?
Resposta: Três fatores principais tornaram importante o
trabalho de Wundt. Primeiro, tornou a Psicologia uma disciplina
independente. Segundo, sua ênfase em metodologia
experimental deu a Psicologia uma forte fundamentação
cientifica. Terceiro, o sistema do estruturalismo que esposava,
testou o método da introspecção e assim proporcionou um
“alvo” para diversos outros sistemas que se seguiram.
14 – Que tendência se desenvolveu na Psicologia quando a
importância dos sistemas diminuiu?
Resposta: A tendência geral foi (e continua a ser) em direção a
áreas especializadas da investigação. Segmentos menores de
comportamento são estudados com pouca ou nenhuma tentativa

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para explicar todo comportamento o qual tenha como referência
apenas um sistema.
15 – Esta tendência à maior especialização trouxe mudanças para a
Psicologia?
Resposta: A maior especialização significou que a Psicologia
havia desenvolvido muitas áreas de interesse, meramente
chamadas campos da psicologia e incluem psicologia clínica,
fisiológica, educacional e escolar, social, do desenvolvimento e
muitas variedades da psicologia aplicada.
16 – A psicologia do aconselhamento e a psicologia clínica soam
como se fossem muito parecidas. Em que diferem?
Resposta: Sob muitos aspectos a psicologia clínica e a do
aconselhamento são parecidas. Ambas constituem tentativas
para aplicar os princípios psicológicos a fim de ajudar as
pessoas a superar problemas; entretanto, existe realmente uma
diferença: os clínicos tender a tratar os problemas mais severos
ou talvez anormais ao passo que os conselheiros mais
frequentemente trabalham com problemas relativamente
normais.
Por exemplo: um clinico talvez ajudasse um esquizofrênico a
reconquistar comportamento socialmente aceitável, ao passo
que um conselheiro poderia ajudar um indivíduo com
dificuldades ocupacionais.
17 – De que modo o treinamento de um psicólogo clinico é diferente
do de um psiquiatra?
Resposta: Embora os antecedentes da psicologia clínica
advenham principalmente da medicina e da psiquiatria, existe
uma diferença entre elas. Muitas vezes, ambas usam os mesmos
métodos de diagnose e tratamento, mas geralmente um

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psicólogo clinico tem treinamento universitário e recebe um
grau de doutorado em Filosofia, ao passo que o psiquiatra é
treinado em uma escola de Medicina e recebe o grau de médico
antes de buscar treinamento adicional, talvez como psiquiatra
residente.
18 – Quantos psicólogos norte-americanos estão empregados em
psicologia clínica e de aconselhamento?
Resposta: A pesquisa indica que cerca de 30% dos psicólogos
norte-americanos são clínicos e 10% são conselheiros ou
orientadores. Os outros 60% estão divididos em segmentos de
10% ou menos para cada um dos outros campos da Psicologia.
19 – O que torna a psicologia teórica diferente da aplicada?
Resposta: A psicologia teórica não é necessariamente dirigida a
descobertas que tenham aplicações práticas diretas. O psicólogo
teórico pode simplesmente desejar tentar hipóteses e teorias a
fim de julgar se elas são ou não sustentáveis. Por outro lado, os
que trabalham nos muitos campos da psicologia aplicada estão
interessados em aplicações práticas diretas de suas descobertas.
20 – De que modo um psicólogo fisiologista difere de um psicólogo
experimental?
Resposta: a psicologia fisiológica é basicamente o estudo dos
fundamentos físicos ou orgânicos do comportamento. Portanto,
grande parte do trabalho dos psicólogos fisiologistas é pesquisa
de laboratório que pode prover informação de natureza teórica
ou aplicada. Assim um psicólogo fisiologista pode, ou não, ser
um psicólogo experimental.
21 – O Psicólogo da Comunidade é um Psicólogo Social?
Resposta: A Psicologia da Comunidade é um tipo particular da
psicologia social aplicada. A Psicologia Social é o estudo da
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influência grupal sobre o comportamento do indivíduo. O grupo
estudado por um psicólogo social pode ser a comunidade ou
muitos outros tipos de grupo, inclusive os de trabalho, os
recreativos, as plateias ou até mesmo grupos criados
experimentalmente.
22 – Quais os principais interesses do psicólogo do
desenvolvimento?
Resposta: O psicólogo do desenvolvimento estuda as mudanças
comportamentais durante o ciclo vital. Pode ser um determinado
período, como a meninice, a adolescência ou a idade adulta de
um indivíduo. O psicólogo do desenvolvimento também pode
ter um interesse especializado em aprendizagem, crescimento
físico, mudanças sociais ou qualquer outro aspecto do
comportamento.

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Dados Biográficos

 Autor: Pr. Mauricio Ferreira Brito


 Formação:
- Psicólogo
- Pedagogo
- Bacharel em Teologia
- Pós-Graduação: Psicopedagia

 Atividades:
- Professor da FAETEL- Faculdade de Educação Teológica Logos
- Palestrante

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