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O CICLO CELULAR

Uma célula se reproduz ao executar uma sequência organizada de eventos em que ela duplica
seu conteúdo e então se divide em duas. Esse ciclo de duplicação e divisão, conhecido como
ciclo celular, é o mecanismo essencial pelo qual todos os seres vivos se reproduzem. Em
espécies unicelulares, como bactérias e leveduras, cada divisão celular produz um novo
organismo completo. Em espécies multicelulares, sequências longas e complexas de divisões
celulares são necessárias à produção de um organismo funcional.
Para produzir duas células-filhas geneticamente idênticas, o DNA de cada cromossomo deve
ser, primeiro, fielmente replicado a fim de produir duas cópias completas, e os cromossomos
replicados devem então ser precisamente distribuídos (segregados) às células-filhas, de forma
que cada uma receba uma cópia de todo o genoma (Figura 17-1).

O CICLO CELULAR EUCARIÓTICO É DIVIDIDO EM QUATRO FASES

A função básica do ciclo celular é duplicar, de forma exata, a imensa quantidade de DNA nos
cromossomos, e então segregar com precisão as cópias em duas células-filhas geneticamente
idênticas. Esses processos definem as duas principais fases do ciclo celular. A duplicação dos
cromossomos ocorre durante a fase S (S de síntese de DNA), que requer de 10 a 12 horas e
ocupa cerca da metade do tempo do ciclo celular de uma célula típica de mamífero. Após a
fase S, a segmentação dos cromossomos e a divisão celular ocorrem na fase M (M de mitose),
que requer muito menos tempo (menos de uma hora em uma célula de mamífero). A fase M
compreende dois eventos principais: a divisão nuclear, ou mitose, durante a qual os
cromossomos copiados são distribuídos em um par de núcleos-filhos; e a divisão
citoplasmática, ou citocinese, quando a própria célula se divide em duas (17-2).

Ao fim da Fase S, as moléculas de DNA em cada par de cromossomos duplicados se entrelaçam


e são mantidas fortemente unidas por ligações proteicas especializadas.

A maioria das células necessita de muito mais tempo para crescer e duplicar sua massa de
proteínas e organelas do que o necessário para duplicar seus cromossomos e dividir. A fim de
reservar, em parte, mais tempo para o crescimento, a maioria dos ciclos celulares possui fases
de intervalo extras – a fase G1 e a fase G2. Assim, o ciclo celular eucariótico é tradicionalmente
dividido em 4 fases: G1, S, G2 e M. As fases G1, S e G2 juntas são chamadas de interfase (Figs
17-3 e 17-4).
As duas fases de intervalo também dão tempo para que a célula monitore o ambiente interno e
externo a fim de se assegurar de que as condições são adequadas e os preparativos estejam
completos, antes que as células se comprometam com as principais transformações das fase S
e mitose. Se as condições são desfavoráveis, as células retardam a progressão a G1 e podem
entrar em um estado de repouso especializado conhecido como G0, no qual podem
permanecer por dias, meses ou anos até que a proliferação seja retomada. Se as condições
extracelulares são favoráveis e os sinais para o crescer e se dividir estão presentes, as células
no ínicio de G1 ou G0 avançam até um ponto de comprometimento próximo ao fim de G1,
conhecido como Início (em leveduras) ou Ponto de Restrição (em mamíferos).

O SISTEMA DE CONTROLE DO CICLO CELULAR


O sistema de controle do ciclo celular desencadeia os principais evento do ciclo celular
O sistema de controle é como um cronômetro rigidamente programado que propicia uma
quantidade fixa de tempo para a conclusão de cada evento do ciclo celular. O sistema de
controle do ciclo celular tem como base uma série conectada de interruptores bioquímicos,
cada um dos quais inicia um evento específico do ciclo celular. Os interruptores geralmente são
binários (liga/desliga) e desencadeiam eventos de maneira completa e irreversível. O sistema
de controle do ciclo celular é notavelmente robusto e confiável, em parte devido a mecanismos
de reservas e outras carcterísticas que permitem que o sistema opere eficientemente sob
várias condições, mesmo que alguns componentes falhem. Por fim, o sistema de controle é
altamente adaptável e pode ser modificado para se adequar a tipos celulares específicos e para
responder a sinais intracelulares ou extracelulares específicos.
Na maioria das células eucarióticas , o sistema de controle do ciclo celular ativa a progressão
do ciclo celular em três principais pontos de transição reguladora, ou pontos de verificação (Fig
17-14). O primeiro ponto de verificação é o início (ou ponto de restrição) no final de G1, onde a
célula se compromete à entrada no ciclo celular e à duplicação dos cromossmos. O segundo é
o ponto de verificação G2/M, onde o sistema de controle desencadeia os eventos mitóticos
iniciais que levam ao alinhamentos dos cromossomos no fuso metafásico. O terceiro é a
transição entre metáfase e anáfase, onde o sistema de controle estimula a separação das
cromatides-irmãs, levando à conclusão da mitose e da citocinese. O sistema de controle
bloqueia a progressão a cada um desses pontos de verificação se detecta problemas dentro ou
fora da célula.
O sistema de controle do ciclo celular depende de proteínas-cinases dependentes de ciclinas
(Cdks) ciclicamente ativadas

Os componentes centrais do sistema de controle do ciclo celular são membros de uma família
de cinases conhecidas como cinases dependentes de ciclinas (Cdks, cyclin-dependent kinases).
As atividades dessas cinases sobem e descem à medida que a célula avança no ciclo, levando a
mudanças cíclicas na fosforilação de proteínas intracelulares que inicam ou regulam os
principais eventos do ciclo celular. O aumento das atividades de Cdks no ponto de verificação
G2/M, por exemplo, aumenta a fosforilação de proteínas que controlam a condensação dos
cromossomos, a desintegração do envelope nuclear, a montgem do fuso e outros eventos que
ocorrem no início da mitose.
As mudanças cíclicas nas atividades de Cdks são controladas por um complexo arranjo de
enzimas e outras proteínas que regulam essas cinases. O mais importante desses reguladores
das Cdks são proteínas conhecidas como ciclinas. A menos que estejam fortemente ligadas a
-uma ciclina, as Cdks não têm atividades de cinase (Fig. 17-15). As ciclinas foram assim
denominadas porque sofrem um ciclo de síntese e degradação a cada ciclo celular. Existem
quatro classes de ciclinas, cada uma definida pelo estágio do ciclo celular no qual se ligam às
Cdks e em que funcionam. Todas as células eucarióticas necessitam de três dessas classes (Fig.
17-16):

1) As G1/S-ciclinas – ativam Cdks no final de G1, ajudam a desencadear a progressão ao


Início, resultando no comprometimento à entrada no ciclo celular. Seus níveis caem na fase S.
2) As S-ciclinas – ajudam a estimular a duplicação dos cromossomos. Seus níveis
permanecem elevados até a mitose; contribuem ao controle de alguns eventos mitóticos
iniciais.
3) M-ciclinas – ativam Cdks que estimulam a entrada na mitose no ponto de verificação
G2/M.
4) G1-ciclinas – ajudam a regular as atividades da G1/S ciclinas, as quais controlam, no
final de G1, a progressão ao ciclo.
Estudos das estruturas tridimensionais das proteínas Cdk e de ciclinas têm revelado que, na
ausência de ciclinas, o sítio ativo da proteína Cdk é parcialmente ocultado por uma placa de
proteína (Fig 17-A). A ligação da ciclina faz com que a placa se afaste do sítio ativo, resultando
na ativação parcial da enzima Cdk (Fig 17-B). A ativação total do complexo ciclina-Cdk ocorre,
então, quando uma outra cinase, a cinase ativadora de Cdk (CAK, Cdk-activating kinase),
fosforila um aminoácido próximo à entrada do sítio ativo da Cdk. Isso causa uma pequena
mudança conformacional que aumenta ainda mais a atividade de Cdk, permitindo que a cinase
fosforile eficientemente suas proteínas-alvo e, desse modo, induza eventos específicos do ciclo
celular (Fig 17-C).

A fosforilação inibidora e as proteínas inibidoras de Cdk (CKIs) podem suprimir a atividade de


Cdks

A fosforilação de uma par de aminoácidos no topo do sítio ativo da cinase inibe a atividade de
um complexo de ciclina-Cdk. A fosforilação desses sítios por uma cinase conhecida como Wee1
inibe a atividade das Cdks, enquanto a desfosforilação desses sítios por uma fosfatase
conhecida como Cdc25 aumenta a atividade das Cdks (Fig 17-18). Esse mecanismo regulador é
importante no controle da atividade das M-Cdks no início da mitose.
A ligação de proteínas inibidoras de Cdk (CKIs, Cdk inhibitor proteins) também regula os
complexos de ciclina-Cdk. A estrutura tridimensional de um complexo de ciclina-Cdk-CKI revela
que a ligação de CKI estimula um grande rearranjo na estrutura do sítio ativo da CKI, tornando-
o inativo (Fig 17-19). As células usam as CKIs primordialmente para auxiliá-las na regulação das
atividades de G1/S-Cdks e S-Cdks no início do ciclo celular.

O sistema de controle do ciclo celular depende de proteólise cíclica


Enquanto a ativação de complexos específicos de ciclina-Cdk impulsiona a progressão aos
pontos de verificação do Início e de G2/M (Fig 17-16), a progressão à transição entre metáfase
e anáfase é desencadeada não pela fosforilação de proteínas, mas pela destruição de
proteínas, levando aos estágios finais da divisão celular.
O principal regulador na transição entre metáfase e anáfase é o complexo promotor da
anáfase, ou ciclossomo (APC/C), um membro da família enzimática das ligases de ubiquitina.
Muitas dessas enzimas são usadas em numerosos processos celulares para estimular a
destruição proteolítica de proteínas reguladoras específicas. Elas transferem múltiplas cópias
da pequena proteina ubiquitina para proteínas-alvo específicas, resultando em sua destruição
proteolítica pelos proteossomos.
O APC/C catalisa a ubiquitinação e a destruição de duas proteínas principais. A primeira é a
securina, que normalmente protege as ligações proteicas que mantêm os pares de cromátides-
irmãs unidos no início da mitose. A destruição da securina na transição entre metáfase e
anáfase ativa uma protease que separa as irmãs e desencadeia a anáfase. As S-Ciclinas e as M-
Ciclinas são os segundos principais alvos do APC/C. A destruição dessas ciclinas inativa a
maioria das Cdks das células (Fig 17-16). O resultado é que muitas proteínas fosforiladas por
Cdk da fase Sao início da Mitose são desfosforiladas por várias fosfatases presentes na células
em anáfase. Essa desfosforilação de alvos das Cdks é necessária para conclusão da fase M,
incluindo as etapas finais da mitose e do processo de citocinese. Em seguida a sua ativação no
meio da mitose, o APC/C permanece ativo em G1, propiciando assim um período estável de
inatividade das Cdks. Quando as G1/S-Cdks são ativadas no final de G1, o APC/C é desligado,
permitindio com isso o acúmulo de ciclinas para o início do próximo ciclo celular.

MITOSE
Em seguida a conclusão da Fase S e à transição para a fase G2, a célula passa por uma
dramática agitação na fase M. Isso começa com a mitose, durante a qual as cromátides-irmãs
são separadas e distrbuídas (segregadas) a um par de núcleos-filhos idênticos, cada um com
sua própria cópia do genoma. A mitose é tradicionalmente dividida em cinco estágios: prófase,
prometáfase, metáfase, anáfase e telófase – primariamente definidos com base no
comportamento dos cromossomos visto no microscópio. Uma vez concluída a mitose, o
segundo principal evento da fase M – citocinese – divide a célula em duas metades, cada uma
com um núcleo idêntico.
Prófase – Cromossomos replicados e condensados. Fora do núcleo, o fuso mitótico se forma
entre os dois centrossomos.
Prometáfase – Desintegração do envelope nuclear. Os cromossomos podem agora se ligar aos
microtubulos do fuso via seus cinetocoros e são submetidos a movimentos ativos.

Metáfase – Cromossomos alinhados na placa metafásica.

Anáfase – As cromátides-irmãs se separam e formam dois cromossomos-filhos, que serão


puxados a polos opostos do fuso. Os microtubulos do cinetocoro ficam mais curtos e os polos
do fuso também se distanciam.

Telófase – Cromossomos-filhos chegam aos polos opostos do fuso e se descondensam. Um


novo envelope nuclear é remontado em volta de cada conjunto, completando a formação de
dois novos nucleos e marcando o fim da mitose. Começa, aqui, a contração para a divisão
citoplasmática.

Citocinese – Citoplasma dividido em dois por ação do anel contrátil (actina e miosina), que
comprime a célula em duas e dá origem a duas células-filhas, cada uma com um núcleo.

(ver imagens nas pgs 1072-1071).

De um ponto de vista de regulação, a mitose pode ser dividida em duas partes principais, cada
uma influenciada por sistemas distintos do controle do ciclo celular. Primeiro, um aumento
abrupto da atividade da M-Cdk no ponto de verificação G2/M desencadeia os eventos da
mitose inicial ou precoce (prófase, prometáfase e metáfase). Durante esse período, a M-Cdk e
várias outras cinases mitóticas fosforilam uma série de proteínas, levando à montagem do fuso
mitótico e à ligação destes aos pares de cromátides-irmãs. A segunda parte principal da mitose
começa na transição entre metáfase e anáfase, quando o APC/C provoca a destruição da
securina, liberando uma protease que clica a coesina e, com isso, inicia a separação das
cromátides-irmãs. O APC/C também desencadeia a destruição de ciclinas, levando a inativação
das Cdks e à desfosforilação de alvos das Cdks, o que é necessário a todos os eventos do final
da fase M, inclusive a conclusão da anáfase, a desmonstagem do fuso mitótico e a divisão da
célula por citocinese.

A M-Cdk leva à entrada na mitose


Uma das características mais notáveis do controle do ciclo celular é que uma única proteína-
cinase, a M-Cdk, ocasiona todos os diversos e complexos rearranjos celulares que ocorrem nos
estágios iniciais da mitose. A M-Cdk deve, no mínimo, induzir a montagem do fuso mitótico e
assegurar que cada cromátide-irmã de um par esteja ligada ao polo oposto do fuso. Ela
também desencadeia a condensação dos cromossomos – a reorganização em grande escala das
cromátides-irmãs entrelaçadas em estruturas compactas, similares a um bastão. Em células
animais, a M-Cdk também promove a desintegração do envelope nuclear e rearranjos do
citoesqueleto de actina do aparelho de Golgi. Acredita-se que cada um desses processos seja
desencadeado quando a M-Cdk fosforila proteínas específicas envolvidas no processo. (ver
pagina 1074, primeiro parágrafo).

O fuso mitótico é uma máquina com base em microtúbulos


Em todos os eucariotos, o evento central da mitose – a seregação dos cromossomos – depende
de uma máquina complexa e bela chamada fuso mitótico. O fuso é um arranjo bipolar de
microtúbulos, que separa as cromátides-irmãs na anáfase, segregando, com isso, os dois
conjuntos de cromossomos a extremidades opostas da célula, onde eles são empacotados em
dois núcleos-filhos. A M-Cdk aciona a montagem do fuso no início da mitose, em paralelo à
reestruturação dos cromossomos
O núcleo do fuso mitótico é um arranjo bipolar de microtubulos, no qual as extremidades
menos (-) estão orientadas aos dois polos do fuso, e as extremidades (+) se irradiam para fora
dos polos (Fig 17-28). As extremidades mais de alguns microtúbulos – chamadas de
microtúbulos interpolares – interagem com as extermidades mais de microtúbulos de outro
polo, resultando em um arranjo antiparalelo na zona intermediária do fuso. As extremidades
mais de outros microtúbulos – os microtúbulos do cinetocoro – são ligadas aos pares de
cromátides-irmãs em grandes estruturas proteicas chamadas de cinetocoros, que estão
localizados no centrômero de cada cromátide-irmã. Os microtúbulos astrais se irradiam para
fora dos polos e contatam o córtex da célula, ajudando no posicionamento do fuso da célula.
Cada polo do fuso é orientado em uma organela proteica denominada centrossomo.
Cada centrossomo contém matriz pericentriolar que cerca um par de centríolos. A matriz
nucleia um arranjo radial de microtúbulos, com suas extremidades mais (+) de crescimento
rápido projetando-se para fora e suas extremidades menos associadas aos centrossomos. A
matriz contém uma série de proteínas, incluindo proteínas motoras dependentes de
microtúbulos, proteínas com estrutura em super-hélice que ligam os motores aos
centrossomos, proteínas estruturais e componentes do controle do ciclo celular. O mais
importante é que ela contém o complexo em anel de gama-tubulina, um componente
responsável, principalmente, pela nucleação de microtubulos.

As proteínas motoras dependentes de microtúbulos controlam a montagem e a função do


fuso
Essas proteínas pertencem a duas famílias: proteínas relacionadas à cinesina, que
normalmente se movem em direção à extremidade mais; e as dineínas que se movem em
direção à extremidade menos. Quatro tipos principais de proteínas motoras são importantes à
montagem e ao funcionamento do fuso (Fig 17-30):
1) Cinesina-5: contêm dois domínios motores que interagem com as extremidades mais
de microtúbulos antiparalelos na zona média do fuso. Fazem com que os dois microtúbulos
antiparalelos, ao passarem um sobre o outro, deslizem em direção aos fusos mitóticos
forçando o afastamento dos polos.
2) Cinesina-14: motores orientados para a extremidade menos, com um domínio motor e
outros domínios que podem interagir com microtúbulos diferentes. Podem fazer ligações
cruzadas com microtúbulos interpolares antiparalelos na zona média do fuso e tendem a
tracionar os polos conjuntamente.
3) Cinesina-4 e Cinesina-10: orientados para as extremidades mais que se associam aos
braços cromossômicos e afastam o cromossomo ligado do polo.
4) Dineínas: motores orientados para a extreminade menos, que juntamente com
proteínas associadas, organizam os microtubulos em vários locais celulares. Ligam as
extremidades mais de microtubulos astrais a componentes do citoesqueleto de actina no
córtex celular; movendo-se em direção à extremidade menos, os motores de dineína puxam o
fuso mitótico em direção ao córtex celular e se afastam um do outro.

A M-Cdk inicia a montagem do fuso na prófase


No começo da mitose, o aumento repentino da atividade de M-Cdk inicia a montagem do fuso.
Em células animais, os dois centrossomos se movem em separado ao longo do envelope
nuclear, e as extremidades mais (+) dos microtubulos entre eles se interdigitam e formam os
microtubulos interpolares do fuso em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a quantidade de
complexos em anel de gama-tubulina em cada centrossomo aumenta imensamente,
aumentando a capacidade dos centrossomos de nuclear novos microtúbulos, um processo
denominado maturação do centrossomo.
Múltiplas proteínas motoras conduzem a separação dos centrossomos no início da mitose. Na
prófase, as proteínas motoras de dineína orientadas para as extremidades menos nas
extremidades mais dos microtúbulos astrais propiciam a principal força. Esses motores são
ancorados no córtex celular ou no envelope nuclear, e seu movimento em diração à
extremidade menos do microtúbulo separa os centrossomos (Fig 17-30). Em seguida à
desisntegração do envelope nuclear no final da prófase, interações entre os microtúbulos
centrossômicos e o córtex celular permitem que feixes de actina-miosina no córtex separem
ainda mais os centrossomos. Por fim, os motores de cinesina-5 fazem ligações cruzadas nas
extremidades sobrepostas e antiparalelas de microtúbulos interpolares e afastam os polos
entre si (17-30).
O equilíbrio de forças opostas geradas por diferentes tipos de proteínas motoras determina o
comprimento final do fuso.

A conclusão da montagem do fuso em células animais requer a desintegração do envelope


nuclear
Os centrossomos e os microtúbulos das células animais estão localizados no citoplasma,
separados dos cromossomos por uma dupla barreira de membrana do envelope nuclear. A
ligação das cromátides-irmãs ao fuso requer a elimação dessa barreira.
A desintegração do envelope nuclear é um processo complexo e ocorre em múltiplas etapas
que, acredita-se, começa quando a M-Cdk fosforila vários subunidades dos gigantes-complexos
de poros nucleares do envelope nuclear, dando origem à desmonstagem dos complexos de
poros nucleares e sua dissociação do envelope. A M-Cdk também fosforila componentes da
lâmina nuclear, o esqueleto estrutural que se situa sob o envelope. A fosforilação desses
componentes da lâmina e de várias proteínas internas do envelope nuclear leva à
desmontagem da lâmina nuclear e à desintegração das membranas do envelope em pequenas
vesículas.
Os cinetocoros ligam as cromátides-irmãs ao fuso
Em seguida à montagem de um arranjo bipolar de microtúbulos, a segunda etapa importante
na formação do fuso é a ligação do arranjo aos cromossomos. Os microtúbulos do fuso são
ligados a cada cromátide-irmã no cinetocoro, uma gigantesca estrutura proteica com múltiplas
camadas, construída sobre a heterocromatina que se forma na região centromérica do
cromossomo (Fig 17-36).
As extremidades (+) dos microtúbulos do cinetocoro estão diretamente encaixadas em sítios
especializados de ligação a microtúbulos dentro do cinetocoro. Os cinetocoros das células
animais contêm de 10 a 40 desses sítios de ligação, enquanto em leveduras apenas um. Cada
sítio de ligação contém um colar proteico que envolve o microtúbulo próximo à sua
extremidade, de tal modo a assegurar firmemente o microtúbulo ao cinetoco, embora ainda
seja permitido o acréscimo ou remoção de subunidades de tubulina nesta extremidade (Fig 17-
37).

O APC/C provoca a separação da cromátide-irmã e a conclusão da mitose


Após a M-Cdk ter desencadeado os complexos rearranjos que ocorrem no início da mitose, o
ciclo celular atinge seu clímax com a separação das cromátides-irmãs na transição entre
metáfase e anáfase (Fig 17-43). Ainda que a atividade da M-Cdk monte o palco para esse
evento, o complexo promotor da anáfase (APC/C) vira o interruptor que inicia a separação das
cromátides-irmãs, ao ubiquitinar várias proteínas reguladoras mitóticas e, com isso,
desencadear sua destruição (Fig 17-20A).
Durante a metáfase, coesinas que mantêm as cromátides-irmãs unidas resistem às forças em
direção aos polos que separam as cromátides-irmãs. A anáfase começa com uma súbita
disrupção da coesão de cromátides-irmãs, que permite às irmãs se separarem e se moverem a
polos opostos do fuso. O APC/C inicia o processo ao direcionar a proteína inibidora securina à
destruição. Antes da anáfase, a securina se liga e inibe a atividade de uma protease chamada
de separase. A destruição da securina, no final da metáfase, libera a separase, que então fica
livre para clivar uma das subunidades da coesina. As coesinas perdem força, e as cromátides-
irmãs se separam abrupta e sincronicamente (Fig 17-44).
Além da securina, o APC/C também direciona as S-ciclinas e as M-cicilinas à destruição, levando
à perda da maioria da atividade das Cdks na anáfase. A inativação das Cdks permite que
fosfatases desfosforilem muitos dos substratos-alvo de Cdks na célula, como requerido à
conclusçao da mitose e da citocinese.

Os cromossomos se segregam em anáfase A e B

A perda repentina de coesão de cromátides-irmãs no início da anáfase leva à separação das


cromátides-irmãs, o que possibilita que as forças dos fuso mitótico puxem as irmãs a polos
opostos da célula – chamada de segregação cromossômica. Os cromossomos se movem por
meio de dois processos indepentes e que se sobrepõem. O primeiro, reportado como anáfase
A, é o movimento inicial dos cromossomos em direção aos polos, que é acompanhado pelo
encurtamento dos microtúbulos do cinetocoro. O segundo, reportado como anáfase B, é a
separação dos próprios polos do fuso, que começa após as cromátides-irmãs terem se
separado e os cromossomos-irmãos terem se distanciado uma certa extensão (Fig 17-46).
Temos duas forças atuando na anáfase A. A primeira é a força gerada pela despolimerização
dos microtúbulos no cinetocoro, que resulta na perda de subunidades de tubulina na
extremidade mais (+) à medida que o cinetocoro se move em direção ao polo. A segunda é
propiciada pelo fluxo de microtúbulos, que é o movimento de microtúbulos em direção ao polo
do fuso, onde ocorre a despolimerização da extremidade menos (-).

Os cromossomos segregados são empacotados em núcleos-filhos na telófase


No final da anáfase, os cromossomos-filhos se segregam em dois grupos iguais em
extremidades opostos da célula. Na telófase, o estágio final da mitose, os dois conjuntos de
cromossomos são empacotados em um par de núcleos-filhos. O primeiro evento principal da
telófase é a desmontagem do fuso mitótico, seguida pela reformação do envelope nuclear.
Inicialmente, fragmentos da membrana nuclear se associam à superfície de cromossomos
individuais. Esses fragmentos da membrana se fundem para envolver parcialmente os grupos
de cromossomos, e depois coalescem para formar novamente o envelope nuclear completo.
Complexos de poros nucleares são incorporados ao envelope, a lâmina nuclear se forma
novamente, e o envelope mais uma vez se torna contínuo com o RE. Uma vez formado o
envelope nuclear, os complexos de poros bombeiam proteínas nucleares para o interior, o
núcleo se expande, e os cromossomos mitóticos condensados são reorganizados em seu
estado interfásico, possibilitando a retomada da transcrição gênica. Um novo núcleo foi criado,
e a mitose está completa. Tudo o que resta à célula é concluir sua divisão em duas.

CITOCINESE
É o passo final do ciclo celular – a divisão do citoplasma. Sucede a cada mitose. Na maioria das
células animais, a citocinese começa na anáfase e termina pouco depois da conclusão da
mitose na telófase.
A primeira mudança visível na citocinese em uma célula animal é o aparecimento repentino de
uma prega, ou sulco de clivagem, na superfície celular. O sulco rapidamente se torna mais
profundo e se espalha ao redor da célula, até dividir completamente a célula em duas. Em
células animais e em muitos eucariotos unicelulares, a estrutura subjacente a esse processo é o
anel contrátil – um agrupamento dinâmico composto de filamentos de actina, filamentos de
miosina II e muitas proteínas estruturais e reguladoras. Durante a anáfase, o anel se monta
logo abaixo da membrana plasmática (Fig 17-49). O anel gradativamente se contrai, e, ao
mesmo tempo, a fusão de vesículas intracelulares com a membrana plasmática insere novo
material de membrana adjacente ao anel. Essa adição de membrana compensa o aumento da
área de superfície que acompanha a divisão citoplasmática. Quando a contração do anel é
concluída, a inserção e a fusão da membrana selam a brecha entre as células-filhas. Portanto,
pode-se considerar que a citocinese ocorre em quatro estágios: iniciação, contração, inserção
da membrana e conclusão.

CONTROLE DA DIVISÃO E DO CRESCIMENTO CELULAR


O tamanho de um órgão ou organismo depende principalmente de sua massa celular total, que
depende tanto do número total de células como do tamanho das células. Por sua vez, o
numero de células depende da quantidade de divisões celulares e mortes celulares. Portanto, o
tamanho do órgão e do corpo é determinado por três processos celulares fundamentais:
crescimento, divisão e morte.

Tipos de móleculas-sinal extracelulares:


1) Mitógenos: estimulam a divisão celular, fundamentalmente desencadeando uma onda
de atividade de G1/S-Cdk que atenua controles intracelulares negativos que, de outra
maneira, bloqueariam a progressão do ciclo celular.
2) Fatores de crescimento: estimulam o crescimento celular (aumento da massa celular)
ao promover a síntese de proteínas e outras macromoléculas e ao inibir sua
degradação.
3) Fatores de sobrevivência: promovem a sobrevivência celular ao suprimir a forma da
morte celular programada conhecida como apoptose.