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Tony Lucas Vieira dos Santos

Profa: Elsa Kraychete

As 3 Hegemonias do Capitalismo Global

O objetivo do autor é apresentar os três períodos históricos onde se predominou


hegemonias globais, traçando um paralelo com o avanço do sistema capitalista. Inicialmente,
são dadas definições iniciais do fenômeno da Hegemonia no contexto mundial. O termo é usado
para significar a “capacidade de um Estado exercer funções de liderança e governo sobre um
sistema de nações soberanas.” (p. 27).
Com base em Gramsci, diz-se que o conceito de hegemonia vai além de uma simples
dominação, estando ligado ao exercício desta juntamente com um tipo de “liderança intelectual
e moral” que subordina os demais. Assim, o autor afirma que a característica definidora do
poder hegemônico não é simples busca pelo poder por parte de um Estado dominante, mas a
possibilidade desse Estado demonstrar com credibilidade que é o representante do interesse
coletivo. Em outras palavras, com base em Maquiavel, o autor afirma que a hegemonia é a
junção de “coerção e consentimento.”
O autor afirma que historicamente a hegemonia surge quando há uma escalada de
conflito, desordem ou caos que ultrapassa o limite aceitável. Desse modo, os Estados capazes
de atenderem tal demanda, acabaram reestruturando o sistema mundial e tornando-se potências
hegemônicas globais.
Por conseguinte, o autor traça uma relação entre o avanço do capitalismo global e o
surgimento da hegemonia. Segundo ele, a falta de um governo central, bem como, as intensas
competições interestatais podem acabar sendo mais prejudiciais a acumulação de capital do que
o controle de uma hegemonia global que diminua divisões de interesses e, por conseguinte, a
instabilidade entre os estados.
Assim, é dito que a concorrência interestatal e a concorrência empresarial assume
diversas formas historicamente e podem ser antagônicas. Após isso, coloca-se em contraposição
os conceitos de territorialidade e Capital. O interesse dos Territorialistas é a expansão do
território como forma de estabelecer o poder; enquanto pros capitalistas só vale expandir o
território, caso isso seja uma necessidade do próprio capital.
Conforme o autor, a relação entre capitalismo e estado ao redor do mundo sofre
mudanças conformes tal regra. Enquanto na Europa, o capitalismo determina a exploração de
novos territórios como um elemento subordinado à acumulação; no Oriente, especificamente
tratando-se do Grande Império Chinês, não houve interesse em expandir as navegações à
Europa, pois a China não se baseava simplesmente na acumulação econômica.
O Estado Moderno se consolida, primeiramente, na Itália setentrional. O autor cita
Veneza como um exemplo emblemático, onde o Estado é formado por uma oligarquia mercantil
que foi capaz de estabelecer o princípio do equilíbrio de poder entre as províncias independentes
e criou redes de diplomacia para preservar tal equilíbrio.
Mais tarde, o aumento dos gastos militares, a ampliação da riqueza advinda da América,
disputas religiosas internas e a afirmação de diversos Estados Nacionais, geraram uma série de
conflitos entre os países europeus. Nessas circunstâncias, surge a hegemonia das chamadas
Províncias Unidas holandesas. Tais nações lutavam pelo fim do sistema medieval de governo
e o estabelecimento do sistema de governo interestatal moderno. E assim, após a guerra dos 30
anos, criou-se o Tratado de Vestfália em 1648, que reestruturou o sistema de governo europeu
baseando-o no direito internacional e no equilíbrio de poder. Como decorrência de tal tratado,
estabeleceu-se regras para o livre comércio entre as nações, abolindo o protecionismo adotado
durante a guerra dos 30 anos. Para o autor, a oligarquia Holandesa era uma réplica da veneziana,
pois era fundada na lógica capitalista e, sendo assim, presava pelo equilíbrio de poder e pela
diplomacia.
O autor fala, no entanto, que a hegemonia holandesa não teve bases para se estabelecer
verdadeiramente. Logo, França e Inglaterra cresceram em importância econômica e militar,
tentando inclusive anexar Holanda e deter suas redes de comércio. A partir do século XVIII,
França e Inglaterra passam a dominar o comércio mundial, deixando para trás antigas potências
como Portugal, Espanha e Holanda. Assim, no mercantilismo Francês e Inglês, há o predomínio
do nacionalismo econômico, da colonização e do escravismo para fins capitalistas.
Em 1815 ocorre o Congresso de Viena, que visou estabelecer paz na Europa após a
derrota da França de Napoleão Bonaparte por potências europeias contrárias ao projeto francês.
Após tal fato, o Imperialismo Britânico se consolida como a segunda hegemonia global,
pautando-se nos princípios do livre comércio e a combinação de um imperialismo colonial com
controle de diversas nações. No entanto, a Inglaterra apoiou que as nações da América se
emancipassem, claramente com interesses comerciais. Tal período da supremacia inglesa ficou
conhecido como Pax Britânica, por evitar novas guerras devido seu controle
financeiro/comercial.
Em 1870, no entanto, duas outras potências aparecem no cenário global, são elas a
Alemanha e os EUA, que tiveram um grande salto de industrial. Em 1870, também se institui
o padrão ouro clássico que lastreava o onça de ouro em libras esterlinas. Era o apogeu da
supremacia inglesa, grande centro comercial e industrial global.
Todavia, isso veio a mudar com a crise sistêmica ocasionada pelos conflitos de
interesses entre as potências europeias, tais como a partilha do continente africano. Assim,
ocorre as duas grandes guerras mundiais, respectivamente em 1914 e 1948, que deixaram todo
o continente europeu arrasado e estabeleceram os Estados Unidos como grande credor
internacional, responsável por fornecer empréstimos a Europa. Tal evento, coloca os EUA
como a nova hegemonia global em contraposição com o projeto soviético que também se
pretendia hegemônico, mas não teve forças de se estabelecer.
Com a supremacia norte-americana no domínio do capitalismo global, houve pressões
pra abertura de mercados no mundo todo e o controle do capital saiu das mãos governamentais
para grupos privados. Trata-se da era das grandes multinacionais e da financeirização.
Em conclusão, com base em Hopkins, o autor afirma que as 3 hegemonias globais
representam o nascimento, consolidação e o desenvolvimento do sistema capitalista. Sendo
assim, conforme o autor, as crises sistêmicas parecem inerentes ao sistema capitalista, uma
espécie de ciclo-sistêmico, onde retira-se o foco na produção/comércio e passa-se para a
financeirização, isto é, a geração fictícia de capital, abrindo caminhos para as grandes crises
econômicas. Tais crises, por sua vez, têm o potencial de substituir uma ordem existente e criar
uma nova hegemonia global.