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- A criação dos novos estados ³bárbaros´ assinalou o fim do Império Romano do
Ocidente e deu origem às formações políticas da Europa moderna.
- O código dos francos (Lei Sálica) considerava como bárbaro quem não fosse
romano ou franco; Teodorico, em 473, excluía os romanos e godos; Isócrates
(Penegírico) considerava bárbaro quem não adotasse costumes gregos ; o conceito
de ³bárbaro´ já denota para os autores do período uma ignorância quanto a
³diversidade´ dos inimigos do Império; somente no séc. VII o termo ganhou
significado depreciativo de pagão: ³germano não cristianizado´.
- A expressão ³invasão dos bárbaros´ não fornecem corretamente a idéia do que
realmente aconteceu, que foi um movimento gradual, lento e desorganizado e
penetreção sucessiva e conquista de terras dominadas por Roma. A maioria eram
germanos (godos, vândalos, francos, lombardos, suevos, e tc.), este processo
durou do séc. II ao XIII.
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- O período principal está entre o séc. IV e VII; dividido em três momentos:
1) séculos IV e V, ocupação do Mediterrâneo ocidental pelos hunos, alanos,
godos, vândalos, suevos e búlgaros;
2) séculos V a VI, estabelecimento dos francos, alamanos e bávaros entre os
Pireneus e o Reno;
3) séculos VI a VII, em que a Itália e as estepes euro -asiáticas sofreram com a
chegada dos lombardos, ávaros, búlgaros e eslavos; no noroeste europeu, ocorria
a chegada de invasores marítimos, como os saxões, escotos, pictos e bretões,
entre os séculos V a VI.
- Tácito, historiador romano, descreve os germanos que foram os primeiros a
migrarem para o Império como um povo ainda na ³proto-história´ (não conheciam a
escrita); eram politeístas (naturalistas), hábeis com as armas, altos, cabelos louros
e olhos azuis; eram caçadores, agricultores e pastores seminômades, viviam em
pequenas aldeias do norte da Europa; indústria rudimentar e comércio limitado;
formavam tribos pelo ajuntamento de aldeias (máximo 50 mil pessoas), chefiados
pelo rei (koenig) que dirigia a tribo nas guerras, em tempos de paz o poder era
dividido entre os chefes de família.
- No século IV, as principais tribos germânicas eram:
a) Francos, nas margens setentrionais do Reno;
b) Saxões, nas margens do mar do Norte;
c) Vândalos, nas margens do mar Báltico;
d) Suevos, nas margens do rio Elba;
e) Lombardos, na região atravessada pelo rio Oder
f) outros grupos foram os Godos: visigodos no b aixo Danúbio (atual Romênia) e
ostrogodos ao norte do mar Negro.
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- Roma combatia os cimbros e teutões desde o século I a.C. e Júlio César
enfentrou os germanos na Gália, transformando o Reno numa fronteira; Augusto
não conseguiu consquistar a Germânia e desde então foi adotada uma política
defensiva, consolidando o Reno e o Danúbio como fronteiras (famosos ³limes´,
fronteira em latim); contudo os germanos entraram pacificamente, na qualidade de
escravos, colonos e soldados.
- Existe a possibilidade de que secas prolongadas na Ásia Central tenham
impulsionado os bárbaros, que predominaram devido à assimilação étnica e à
interação com os antigos povos do Império; os grupos que mantiveram uma
identidade por certo tempo (godos, vândalos, silingos, suevos e outros) foram
posteriormente absorvidos pelos que aceitaram a convivência com Roma.
- O contrato político que existiu entre os chefes bárbaros e o gover no imperial foi o
³foedus´ (aliança); estes acordos começaram em larga escala a partir de 418, com
os visigodos; desde então: 433 e 438 com os suevos na Espanha, 435 com os
vândalos no norte da Numídia e Mauritânia, em 443 com os burgúndios em
Genebra e em 455 com os ostrogodos na Hungria.
- O ³foedus´ não foi a primeira tentativa de aliança de Roma com os bárbaros;
após os visigodos matarem o imperador Valente em 378, Teodósio faz com eles
um acordo para se instalarem como federados na Dácia; contudo, em 4 10, os
visigodos liderados por Alarico, invadiram a Itália, saquearam Roma e
abondonaram a península devastada; posteriormente arrasaram Narbona, Tolosa
e Bordéus, ocupando finalmente a Aquitânia e o norte da Espanha em 414.
- Neste período, cem mil suevos, alanos e vândalos devastaram a Gália, ocupando
a Espanha (³Vandaluzia´); em 455, chegaram à África (Cartago e mar Tirreno) sob
o comando de Genserico, saqueando Roma; em 450 Justiniano firmou um ³foedus´
com os lombardos da Panônia, para lutar contra os francos e godos que ali
penetravam; o rei visigodo Walia exterminou os vândalos silingos de Andaluzia em
418, sob ordens romanas; enquanto grupos alanos pequenos, aderiam em massa
ao exército romano; as divisões mais importantes foram a dos godos (ostrogod os e
visigodos em 230) e a dos vândalos (cindidos, silingos e asdingos no séc I); estas
divisões facilitaram a escravização ou assimiliação de algumas formações
bárbaras (hunos, desde 453, e suevos, em 585).
- *   os germanos iriam se estabelecer e m regiões desguarnecidas: os
anglos e saxões na Inglaterra, os burgúndios as margens do Saône (perto de
Lyon) e os alamanos na Alsácia; neste período em que o império perdia a África,
os hunos dominaram os ostrogodos e foram para o Danúbio, indo para Belgr ado e
depois Nish(?); em 450 foram para o Ocidente. Átila destruiu Metz, Reims e
Troyes, enfentrou os visigodos e chegou em Orléans, entrada da Gália; outros
bárbaros (alanos, burgúndios, francos e visigodos) defenderam o Ocidente, sob
direção de Aécio e Teodorico; em 451, esse exército bárbaro retomou Órleans e
forçou Átila a se retirar rumo ao noroeste (Troyes).
- O poder de Roma decaiu e os bárbaros aproveitaram a situação; Gainas e
Estilicão já exerciam o poder de fato desde fins do século IV; em 476, Odoacro,
chefe dos mercenários que trabalhavam para o imperador, o depôs (Rômulo
Augústulo), pedindo autorização a Constantinopla; porém quem dominou
realmente a Itália foi Teodorico, fundando um novo reino em 493.
- No   o Império Romano do Ocidente tornou -se um mosaico de pequenos
povos bárbaros:
a) visigodos, na Espanha;
b) ostrogodos, na Itália;
c) vândalos, no noroeste da África;
d) francos, na Gália;
e) anglos e reinos saxões no sul, sudeste e leste da Inglaterra;
f) burgúndios, na média e alta bacia do rio Ródano.
- As últimas migrações dos germanos ocorreram na segunda metado do século VI,
com os lombardos (pressionados pelos ávaros) se refugiaram na Itália; sob o rei
Alboim, os lombardos dominaram o norte da Itália ; em 576, a planície do Pó e
Toscana; em 602, mais ao sul, tomaram Spoleto Benavento; em 640, Gênova e
em 675, Tarento.
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- A invasão dos povos bárbaros trouxe profundas consequências, servindo
inclusive de marco cronológico entre antiguidade e Idade Média; em primeiro lugar,
houve a substituição da unidade do Império Romano do Ocidente por uma
diversidade reinos bárbaros , de onde emergiram os estados medievais mais
relevantes (exemplo: Inglaterra, fusão de jutos, saxões, anglos e frisões); a falta de
segurança retraiu o comércio e declínio das cidades; o uso da moeda ficou restrito;
houve, portanto, uma decadência da civilização greco -romano (plano político,
econômico e cultural); forma de vida romana imitada, porém adaptada pelas
culturas bárbaras (exemplo: jóias merovíngias); houve uma dissolução dos grupos
étnicos invasores, porém deixaram traços na toponímia tradicional: Borgonha
(burgúndios), Escócia (escotos), Silésia (silingos); entre os estados bárbaros que
não sobreviveram à pressão de seus vizinhos, os suevos foram importantes para a
consolidação dos visigodos na península ibérica (entre 409 e 585).
- A coexistência entre as tribas bárbaras e Roma, criou uma nova cultura,
perdurando o sistema municipal, organização urbana e regime da grande
propriedade; os novos sistemas jurídicos consideravam o direito romano clássico e
o direito provincial vulgar, destacando -se os códigos ³Lex romana visigothorum´ de
506 (visigodos), ³Lex romana burgundionun´ (séc. VI, e dos ostrogodos ³Edictum
Theodorici´, século VI e por fim a ³Lex salica´, entre 507 -511, dos francos.
- Com o fim do poder político do Império Romano do Ocidente, surge um novo
poder: o papado; sucessor e beneficiário do império, com grande influência na
formação dos nascentes estados bárbaros; para um vínculo com Roma e
justificação do próprio expansionismo, os novos reinos prestigiavam a igreja; os
godos logo se converteram ao cristi anismo, sendo que Úlfila, traduziu o Novo
Testamento em 340.
- Houve portanto a fusão entre elementos herdados de Roma e dos germanos; a
Itália, Espanha e o ocidente da Gália tinham fortes raízes romanas; a Inglaterra e o
oriente da Gália, eram culturalmen te mais germanos; A igreja herdou a civilização
latina e contribuiu para aproximar e fundir as populações no Ocidente (unidade
cristã e da língua latina); o poder dos estados barbaros atinge o ápice a partir de
Pepino o Breve, em 751, fixando a base do que seria conhecido como a Idade
Média européia.

  
  
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