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CÁLCULO NUMÉRICO

Aula 12
Interpolação – Parte 1
INTERPOLAÇÃO

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Cálculo Numérico 3/57
MOTIVAÇÃO
 A seguinte tabela relaciona densidade da água e temperatura:

Temperatura (oC) 20 25 30 35 40
Densidade
3 998,0 997,0 996,0 994,0 992,1
(kg/m )

 Suponha que se queira calcular:


 A densidade da água à 32,5oC;
 A temperatura para a qual a densidade é 993,3 kg/m3.

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Cálculo Numérico 4/57
MOTIVAÇÃO
 A seguinte tabela fornece os resultados do censo no Brasil,
em milhões de pessoas, entre 1960 e 2010.

Ano 1960 1970 1980 1991 2000 2010


População
70 93,1 119 146,8 169,8 190,755
(em milhões)

 Poderíamos nos perguntar:


 Esses dados podem ser utilizados para fornecer uma estimativa
razoável da população, digamos em 1983?

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Cálculo Numérico 5/57
Quando aplicar
 A interpolação nos ajuda a resolver estes tipos de problemas.

 Quando são somente conhecidos os valores numéricos da função


para um conjunto de pontos, e é necessário calcular o valor de um
ponto não tabelado.

 Quando a expressão da função é complicada demais para ser


integrada ou diferenciada.

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Cálculo Numérico 6/57
INTERPOLAÇÃO
POLINOMIAL

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Cálculo Numérico 7/57
 Uma das classes mais conhecidas e úteis de funções que
levam o conjunto de números reais em si mesmo é a classe
dos :

n
 ai  R,i
  ai x ,  i

i 0 n   
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Cálculo Numérico 8/57
PORQUE POLINÔMIOS???

 Dada qualquer função definida e contínua em um intervalo


fechado, existe um polinômio que está tão próximo da
função dada quanto quisermos.

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Cálculo Numérico 9/57
PORQUE POLINÔMIOS???

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Cálculo Numérico 10/57
PORQUE POLINÔMIOS???

 Suponha f definida e contínua em [a, b]. Para cada e > 0,


existe um polinômio P (x), tal que:

f  x   P x   e ,x  a,b
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Cálculo Numérico 11/57
PORQUE POLINÔMIOS????

 Outra razão para considerar a classe de polinômios na

aproximação de funções é que derivadas e integrais de

polinômios são também polinômios, têm tratamento

analítico “simples”.

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Cálculo Numérico 12/57
POLINÔMIOS
INTERPOLADORES
DE LAGRANGE

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Cálculo Numérico 13/57
Forma de Lagrange
 Iremos encontrar polinômios aproximadores que são
determinados, simplesmente, especificando-se certos pontos
no plano pelos quais eles devem passar.

 Caso mais simples Interpolação


Linear

P1  x   a0  a1 x
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Cálculo Numérico 14/57
Interpolação Linear

 Vamos supor, que temos valores para f (x) em apenas dois


pontos, x0 e x1.

 Agora, queremos obter uma função que represente f (x) em


todos os pontos x no intervalo [x0 , x1].

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Cálculo Numérico 15/57
Interpolação Linear
 P1 (x) é a única função linear que passa por (x0 , f (x0)) e
(x1 , f (x1))

y
y = f (x)

y = P1(x)

y1 = f (x1)

y0 = f (x0)

x0 x1 x
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Cálculo Numérico 16/57
Interpolação Linear
 Os coeficientes a0 e a1 de P1 (x) devem ser tais que:

P1  x0   f  x0  e P1  x1   f  x1 

ou seja, o P1(x) coincide com a


função f nos x0 e x1 (também chamados
malhas de interpolação).

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Cálculo Numérico 17/57
Interpolação Linear
 Definiremos, então:

P1  x   L0  x  f  x0   L1  x  f  x1 
onde:

x  x1 x  x0
L0  x   , L1  x  
x0  x1 x1  x0
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Cálculo Numérico 18/57
Interpolação Polinomial de ordem n

 Para generalizar o conceito de interpolação linear, vamos


considerar a construção de um polinômio de grau n (maior
potência de x é, possivelmente, n) que interpola f nos pontos
x0 , x1 , ..., xn .
 Os coeficientes ak de Pn (x) devem ser tais que:

Pn  xk   f  xk ,k (1)

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Cálculo Numérico 19/57
 Definiremos as funções Li (x) com a seguinte propriedade:

1, se i  k
Li  xk    ik   , i  0,1,, n.
0, se i  k

Delta de
Kronecker
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Cálculo Numérico 20/57
 Caso tais funções existam, a expressão:

n
Pn x    Ln,k x  f xk 
k 0

satisfaz, por construção, a eq. (1).

 Determinando as funções Li (x), Pn (x) é facilmente obtido.

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Cálculo Numérico 21/57
 Para satisfazer Ln,k (xi) = 0, para cada i ≠ k, é necessário que
o numerador de Ln,k (xi) contenha o termo:

 Para satisfazer Ln,k (xk) = 1, para cada i = k, o denominador


de Ln,k (xi) deve ser igual ao numerador calculado em x = xk .

Ln ,k x    x  x  x  x  x  x  x  x 
0 k 1 k 1 n

x  x x  x x  x x  x 


k 0 k k 1 k k 1 k n

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Cálculo Numérico 22/57
N-ésimo polinômio interpolador

 Se x0 , x1 , ..., xn são n+1 números distintos e f é uma função


cujos valores são dados nesses números, então existe um
único polinômio Pn(x) de grau no máximo n com:

f  xk   Pn  xk , para cada k  0,1,, n.

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Cálculo Numérico 23/57
N-ésimo polinômio interpolador

 Esse polinômio é dado por:

onde, para cada k = 0, 1, ..., n:

Ln ,k x     xx 
n
i

x  x 
i 0
ik k i

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Cálculo Numérico 24/57
Exemplo 3
 Use os nós x0 = 2, x1 = 2,5, x2 = 4 para determinar o segundo
polinômio interpolador para f (x) = 1/x.

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Cálculo Numérico 25/57
EXERCÍCIO
 Determine o polinômio interpolador para os pontos:

i xi f (xi)
0 -1 6
1 0 1
2 1 0

 A resposta será:

P2  x   2 x  3x  1 2

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Cálculo Numérico 26/57
Qual o erro envolvido???

 Agora, vamos apresentar um para o erro envolvido


na aproximação de uma função por um polinômio
interpolador.

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Cálculo Numérico 27/57
 Suponha x0 < x1 < ... < xn, (n + 1) pontos distintos em [x0, xn]
e que f  C n 1 x0 , xn  . Então, para cada x em [x0, xn], existe
um número x (x) (geralmente desconhecido) em ] x0, xn[,
tal que:

onde Pn (x) é o polinômio interpolador de f nos pontos


x0, x1, ..., xn.
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Cálculo Numérico 28/57
A fórmula para o erro tem uso limitado na prática,
dado que serão raras as situações em que
conheceremos f (n+1) (x), e o ponto xx

nunca é conhecido.

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Cálculo Numérico 29/57
 Sob as hipóteses do Teorema 2, podemos escrever a seguinte
relação:

onde:

M n1  xmáx
 x , x 
f
0 n
 n 1 
x 
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Cálculo Numérico 30/57
Exemplo 4

 Determine o limitante para o erro cometido na aproximação


de f (x) = 1/x por P2 (x) do exemplo 3.

f  21 x  x 
Erro para o Polinômio
x  x0 x  x1 x  x2 
de Lagrange de ordem 2
2  1!

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Cálculo Numérico 31/57
 Na prática, geralmente, teremos apenas um conjunto de
pontos que representa um problema, portanto não
conhecemos f (x).

 Qual será o erro cometido devido à uma certa interpolação


polinomial?

 Neste caso, não podemos fazer uma estimativa para o erro,


quando usamos a interpolação de Lagrange.
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Cálculo Numérico 32/57
Nem sempre a aproximação baseada

em é a que se aproxima

mais do valor verdadeiro.

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Cálculo Numérico 33/57
Exemplo 6

 A tabela abaixo fornece os valores de uma função em vários


pontos. Compare as aproximações para f (1,5) obtidas pelos
diversos polinômios de Lagrange.
x f (x)
1,0 0,7651977
1,3 0,6200860
1,6 0,4554022
1,9 0,2818186
2,2 0,1103623
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Cálculo Numérico 34/57
Exemplo 6
 A função que está sendo aproximada é a função de Bessel de
primeira espécie e ordem zero, cujo valor em 1,5 é
conhecido como sendo 0,5118277.

Ln ,k x     xx 
n
i

x  x 
i 0
ik k i
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Cálculo Numérico 35/57
Exemplo 6
 A função que está sendo aproximada é a função de Bessel de
primeira espécie e ordem zero, cujo valor em 1,5 é
conhecido como sendo 0,5118277.

Pn (1,5) Valor
P1 0,5102968
P2 0,5112857
P̂2 0,5124715
P3 0,5118302
P̂3 0,5118127 precisão
de 2×10-5
P4 0,5118200

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Cálculo Numérico 36/57
Exemplo 6
 Como P3 (1, 5), P̂3 (1, 5), P4 (1, 5) coincidem até uma precisão de
2×10-5, espera-se essa ordem de precisão para essas
aproximações.

 Espera-se, também, que P4 (1,5) seja a aproximação mais


precisa, pois utiliza mais dados fornecidos.

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Cálculo Numérico 37/57
Exemplo 6
 Comparação das aproximações com o valor exato
f (1,5) = 0,5118277.
P1 1,5  f 1,5  1,53  10 3

P2 1,5  f 1,5  5,42  10 4 Embora P3 (1,5) seja a

Pˆ2 1,5  f 1,5  6,44  10 4


aproximação mais
precisa, se não
conhecermos o valor
P3 1,5  f 1,5  2,50  10 6 real de f (1,5)
aceitaríamos P4 (1,5)
Pˆ3 1,5  f 1,5  1,50  10 5 como a melhor
aproximação
P4 1,5  f 1,5  7,70  10 6
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Referências
 BURDEN, Richard L.; FAIRES, J. Douglas. Análise numérica.
São Paulo, SP: Cengage Learning, 2008. xiii, 721 p. ISBN
8522106010.

 RUGGIERO, Marcia A. Gomes; LOPES, Vera Lucia da Rocha.


Cálculo numérico: aspectos teóricos e computacionais. 2. ed. São
Paulo, SP: Makron, c1997. xvi, 406 p. ISBN 8534602042.

 CHAPRA, Steven C.; CANALE, Raymond P. Métodos numéricos


para engenharia. 5. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2008. 809 p.
ISBN 978-85-86804-87-8.

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