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CIÊNCIAS HUMANAS Filosofia

Sociologia
E SUAS TECNOLOGIAS
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itos autorais.

I22 IESDE Brasil S.A. / Ciências humanas e suas tecnologias.


/ IESDE Brasil S.A. — Curitiba : IESDE Brasil S.A.,
2009. v.2 [Filosofia e Sociologia]
204 p.

ISBN: 978-85-387-0310-5

1.Ensino Médio 2.Educação 3.Educação – Estudo e ensino

CDD 370.71

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Filosofia
Filosofia
Sumário
O que é Filosofia .......................................................... 7

Introdução aos conceitos de moral e ética ...................... 21

O conhecimento .......................................................... 37

Filosofia política ......................................................... 53

Filosofia e religião ...................................................... 71

Filosofia e estética ...................................................... 87


O que é Filosofia

“ Assim, uma primeira resposta à pergunta


‘O que é Filosofia?’ poderia ser: A decisão
de não aceitar como óbvias e evidentes as
coisas, as idéias, os fatos, as situações, os va-
lores, os comportamentos de nossa existência
cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-
los investigado e compreendido. Perguntaram,
certa vez, a um filósofo: ‘Para que Filosofia?’. E
ele respondeu: ‘Para não darmos nossa aceita-
ção imediata às coisas, sem maiores conside-
rações’.”
(CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo:
Editora Ática, 1995, p. 12.)
Dialogando sobre Filosofia
Quem de nós já não se perguntou e ainda se pergunta: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?
O que é a vida? O que é o amor? Por que sofremos? O que é falso? O que é verdadeiro? O que é o vício?
Essas e outras questões fazem parte da nossa existência desde pequenos, mas quando vamos passando
de uma fase da vida para outra elas se tornam mais frequentes e muitas vezes ficam sem respostas;
outras conseguimos de alguma forma encontrá-las e entendê-las e assim partimos para outras interro-
gações que vão até o fim da existência... Afinal, existe fim? O que é o fim?
Alguma vez você já brincou de “O que é o que é?”
Quando faz essa brincadeira você está colocando uma questão comum, banal em uma atitude de
inquietação. Ao questionar você está assumindo um tipo de discurso filosófico. E o que era simples,
comum, torna-se um motivo de preocupação e inquietação frente à situação posta.
A Filosofia pode ser caracterizada por essa situação de

Domínio público.
incômodo, de inconformismo. Ela surgiu porque algumas pes-
soas estavam insatisfeitas com as explicações sobre a realidade
existente na época. Essas pessoas foram os primeiros filósofos.
A Filosofia surgiu como uma interrogação constante sobre
a realidade, e um descontentamento com as respostas ofereci-
das. Como a Filosofia está sempre em busca do saber, ela nunca
envelhece, certo? A cada resposta encontrada surgirá um novo
questionamento e a sensação de incômodo continuará. Portan-
to, na Filosofia não existem receitas prontas para sanar seu
inconformismo, pelo contrário, é ele que move o mundo per-
mitindo que cada um construa sua vida buscando seus próprios Dafne, a Siblia délfica.
caminhos. Mas afinal, o que é Filosofia?

O que é filosofia?
Não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar.
Kant.

Mesmo os filósofos discordam sobre a natureza e os propósitos da Filosofia, então, vamos colocar um
conceito que se ajuste às diferentes interpretações, capturando a essência desse conceito.
Para entender o que é Filosofia, é importante entendermos como ela surgiu.
A filosofia surgiu na Grécia Antiga com o propósito de libertar o pensamento de suas bases
míticas, para dar à vida explicações diferentes daquelas que dependiam de deuses e superstições. Era
uma atividade dos homens sábios (philos=amigo ou amante; sophia=sabedoria) que se punham a pensar
sobre conceitos estabelecidos, buscando novos entendimentos.
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Filosofia

Ou seja, a Filosofia tem início quando não mais consideramos as coisas como certas, passando a
formular questões sobre elas e a procurar respostas.
Faz-se Filosofia colocando perguntas, propondo idéias, argumentando e pensando em possíveis
argumentos contrários, procurando saber como funcionam realmente os conceitos, para chegar mais
próximo da verdade. Seu objetivo é avançar no conhecimento da vida e de nós mesmos.
A atividade filosófica (e conseqüentemente, a atitude filosófica) se caracteriza pela busca de
sentido mais profundo da realidade, transformando uma simples experiência ou idéia num “saber” sobre
a experiência e a idéia.
O que o filósofo mais faz é refletir (refletere = voltar sobre), repassando suas experiências e idéias
para entendê-las melhor e para confirmá-las.
1. CUNHA, José Auri. O conceito de pessoa na
A Filosofia nasceu para que, usando a razão “natural”, comunidade dialógica de investigação. Trans-
nós pudéssemos discutir, desenvolver e aplicar critérios crição da palestra proferida na Mesa-Redonda
de julgamento, a fim de avaliar o valor de verdade do “Racionalidade, Ética e Educação”, II Encontro
conteúdo das nossas crenças e a validade, ou a legitimi- Nacional de Educação para o Pensar. Leia o tex-
dade das normas, hábitos e costumes que regulam as nos- to integral em www.cbfc.br. (Clique em “Biblio-
sas ações e comportamentos. Temos crenças e em função teca CBFC” e em “Volume 3”.) Disponível em:
delas agimos. Filosofamos para avaliar o quanto nossas <www.edicoesgil.com.br/educador/filosofia/
crenças são sólidas e o quanto nossos comportamentos oqueefilosofia>. Acesso em: 26 jul. 2007.
são justificáveis1.

Essa atividade é favorecida pelo diálogo filosófico, no qual pessoas com pensamentos diferentes
se encontram e buscam, com método, investigar a verdade sobre um tema ou assunto.
(Texto de: Rita Foelker. Disponível em: <www.edicoesgil.com.br/educador/filosofia/oqueefilosofia.html>)

Principais filósofos
Sócrates

Museu do Louvre.
Figura de maior destaque da Filosofia grega clássica. Ele nada
escreveu, mas andava pelas ruas de Atenas conversando com as pessoas.
Gostava de interrogá-las sobre suas crenças, levando-as a perceber o
quão transitórias elas eram. Buscava um conhecimento mais elaborado,
mas quanto mais conhecia, mais tinha consciência de que sabia pouco.
Por assumir humildemente uma posição de ignorância, foi declarado
pelo Oráculo de Delfos o homem mais sábio do mundo. Ele acreditava
que uma única pergunta pode ser mais importante que várias respostas.
O conhecimento certo leva ao agir correto, e essa capacidade de
distinguir entre o certo e o errado é a razão. Só agindo com a razão as
pessoas seriam de fato felizes. Seus questionamentos despertaram o
ódio de muitos atenienses, perturbados em suas “certezas”. Com mais
de 70 anos de idade, foi preso, julgado e condenado à morte, acusado
de não acreditar nos deuses da cidade e de corromper os jovens. Sócrates Lysippos.
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Platão

Domínio público.
Platão foi discípulo de Sócrates e também ateniense. Era uma
pessoa de família rica, culta, inteligente e produziu discursos e
várias obras filosóficas. Destacou-se após a publicação do discurso
em defesa de Sócrates, que havia bebido cálice de cicuta, a pena
de morte vigente em Atenas. Fundou uma escola em Atenas, com o
nome de Academia, onde ensinava Filosofia, Matemática e ginástica.
Utilizava o método dialógico ensinado por Sócrates.
A preocupação central de Platão consistia em perceber a
Platão. relação entre aquilo que é eterno e imutável e aquilo que flui, ou
seja, movimenta-se. Concluiu que aquilo que é eterno e imutável
está no plano ideal, racional, espiritual, naquilo que chamou o mundo das idéias. Já aquilo que flui
pertence aos mundos dos sentidos (visão, audição, paladar, olfato), dos acontecimentos, é transitório.
Chegou à conclusão que o verdadeiro conhecimento é o das idéias, e não dos sentidos, que são as
aparências. Mas o verdadeiro conhecimento não pode desprezar o mundo dos sentidos; só com base
nele podemos chegar nas idéias. Essa divisão entre os dois mundos é a marca da filosofia de Platão,
aparecendo também o homem separando o corpo da alma.
Para ele, o espírito (alma) é intelectivo, racional e superior. O corpo é irracional (sensível) e
inferior. O corpo, com suas inclinações e paixões, contamina a pureza da alma racional, impedindo-a
de contemplar as idéias perfeitas e eternas. Como nossos sentidos estão ligados ao corpo, não são
totalmente confiáveis. Confiável é a alma, imortal, onde existe a morada da razão. E por que a alma não
é material, ela pode ter acesso ao mundo das idéias. Ele dava grande importância aos exercícios físicos,
pois a ginástica e a música permitem a superioridade do espírito sobre o corpo.

Aristóteles
Aristóteles pertenceu à Academia de Platão. Não era ateniense, mas

Domínio público.
da cidade de Estagira, e filho de um médico e cientista. Sua formação e
interesse pela natureza fizeram com que ele se divergisse do mestre Platão
(que não se preocupou muito com o mundo dos sentidos), procurando ser
também um estudioso da natureza viva e de seus processos de mudan-
ças e evolução. Ele organizou, ordenou e sistematizou as várias ciências,
acreditava que as idéias não nascem conosco, elas se formam em nós com
bases nas experiências que temos na vida. No seu pensamento, existe um
esforço de ordenação; para chegar a certas conclusões sobre o mundo ou
a natureza era preciso estabelecer certos princípios, por exemplo: todas
as criaturas vivas são mortais; o homem é um ser vivo; portanto, todo
homem é mortal. Essa é a forma que ele chamou de silogismo, é a lógica
formal sistematizada que rege até hoje nosso pensamento. Aristóteles.

No pensamento de Aristóteles, existe também uma preocupação com a organização da sociedade


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(política) e também com a forma que cada indivíduo dá para sua vida particular. Talvez ele tenha sido
o primeiro filósofo da Antigüidade a falar em ética com uma preocupação central em relação à vida

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Filosofia

humana. Ele acreditava em três formas de felicidade: uma vida de prazeres e satisfações; uma vida de
cidadãos livres e responsáveis; uma vida como pesquisador e filósofo. E essas três formas só se sustentam
se integradas entre si. Ou seja, é preciso buscar um equilíbrio corporal, espiritual e social para que a
vida humana se realize como expressão da felicidade. Como não podemos viver somente segundo nossas
intenções, é preciso organizar a sociedade de forma que ela nos auxilie a viver melhor. E a forma mais
elevada desse convívio, segundo Aristóteles, só pode ser o Estado.
Para Aristóteles, existem três formas puras de governar o Estado: a monarquia (o governo de
um só), a aristocracia (ou governo dos melhores) e a democracia (governo realizado por um grande
número de cidadãos). Essas três formas só são válidas e justas se encontrarem um verdadeiro sentido de
organização dos cidadãos, em que necessidades básicas como comida, trabalho, educação e família sejam
colocadas no plano do convívio humano e de satisfação das nossas necessidades vitais de existência,
visando à promoção do bem de todos.
Leia a letra, escute a música e depois dê a sua opinião sobre o tema abordado, respondendo: a
filosofia ou o ato de filosofar é importante? Por quê?

Pensamento
Cidade Negra

Você precisa saber


O que passa aqui dentro
Eu vou falar pra você
Você vai entender
A força de um pensamento
Pra nunca mais esquecer
Pensamento é um momento
Que nos leva à emoção
Pensamento positivo
Que faz bem ao coração
O mal não
O mal não
O mal não
Sempre que para você chegar
Terá que atravessar
A fronteira do pensar
A fronteira do pensar
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E o pensamento é o fundamento

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Eu ganho o mundo sem sair do lugar
Eu fui para o Japão
Com a força do pensar
Passei pelas ruínas
E parei no Canadá
Subi o Himalaia
Pra no alto cantar
Com a imaginação que faz
Você viajar, todo mundo
Estou sem lenço e o documento
Meu passaporte é visto em todo lugar
Acorda meu Brasil com o lado bom de pensar
Detone o pesadelo pois o bom
Ainda virá
Você precisa saber
O que passa aqui dentro
Eu vou falar pra você
Você vai entender
A força de um pensamento
Pra nunca mais esquecer
Custe o tempo que custar
Que esse dia virá
Nunca pense em desistir, não
Te aconselho a prosseguir
O tempo voa rapaz
Pegue seu sonho rapaz
A melhor hora e o momento
É você quem faz
Recitem poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei
Recitem poesias e palavras de um rei
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Faça por onde que eu te ajudarei

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Filosofia

Recitem poesias e palavras de um rei


Faça por onde que eu te ajudarei
Recitem poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei

Escreva sobre o assunto, dê o seu parecer, afinal, é isso que nos interessa...

Desafio

Tendo em vista o que refletimos, conceitue Filosofia:


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Pensamento filosófico moderno
Com o Renascimento Cultural e Científico, o surgimento da burguesia e o fim da Idade Média, as
formas de pensar sobre o mundo e o Universo ganham novos rumos. A definição de conhecimento deixa de
ser religiosa para entrar num âmbito racional e científico. O teocentrismo é deixado de lado e entra em cena
o antropocentrismo (homem no centro do Universo). Nesse contexto, René Descartes cria o cartesianismo,
privilegiando a razão e considerando-a a base de todo o conhecimento. A burguesia, camada social em
crescimento econômico e político, tem seus ideais representados no empirismo e no idealismo.
No século XVII, o pesquisador e sábio inglês Francis Bacon cria um método experimental, conhecido
como empirismo. Nesse mesmo sentido, desenvolvem seus pensamentos Thomas Hobbes e John Locke.
O Iluminismo surge em pleno Século das Luzes, o século XVIII. A experiência, a razão e o método
científico passam a ser as únicas formas de obtenção de conhecimento. Este, a única forma de tirar o
homem das trevas da ignorância. Podemos citar, nessa época, os pensadores Immanuel Kant, Friedrich
Hegel, Montesquieu, Diderot, D’Alembert e Rosseau.
O século XIX é marcado pelo positivismo de Auguste Comte. O ideal de uma sociedade baseada
na ordem e progresso influencia nas formas de refletir sobre as coisas. O fato histórico deve falar
por si próprio e o método científico, controlado e medido, deve ser a única forma de se chegar ao
conhecimento. Nesse mesmo século, Karl Marx utiliza o método dialético para desenvolver sua teoria
marxista. Através do materialismo histórico, Marx propõe entender o funcionamento da sociedade para
poder modificá-la. Através de uma revolução proletária, a burguesia seria retirada do controle dos bens
de produção que seriam controlados pelos trabalhadores.
Ainda nesse contexto, Friedrich Nietzsche faz duras críticas aos valores tradicionais da sociedade,
representados pelo cristianismo e pela cultura ocidental. O pensamento, para libertar, deve ser livre de
qualquer forma de controle moral ou cultural.

Época Contemporânea
Durante o século XX, várias correntes de pensamento agiram ao mesmo tempo. As releituras
do marxismo e novas propostas surgem a partir de Antonio Gramsci, Henri Lefebvre, Michel Foucault,
Louis Althusser e Gyorgy Lukács. A Antropologia ganha importância e influencia o pensamento do
período, graças aos estudos de Claude Lévi-Strauss. A Fenomenologia, descrição das coisas percebidas
pela consciência humana, tem seu maior representante em Edmund Husserl. A existência humana ganha
importância nas reflexões de Jean-Paul Sartre, o criador do Existencialismo.
(Disponível em: <www.suapesquisa.com.br/filosofia>. Acesso em: 28 jul. 2007.)

Mito e senso comum


Quem de vocês não conhece ou ao menos ouviu relatos de histórias assustadoras? Aquelas
repassadas de geração a geração como boitatá, a mula-sem-cabeça, a noiva que anda pelo cemitério....
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Filosofia

histórias que rondam nossas vidas desde a infância


e que algumas delas nos trazem muitas reflexões e
aguçam nossa imaginação?
Essas e outras histórias surgiram desde a
Antigüidade, lá na Grécia, e são chamadas de
mitos.
Os mitos são histórias sobre os deuses e
deusas. A palavra “mito” vem do grego muthos que
significa fábula ou palavra. Os mitos gregos são
apenas uma parte da mitologia do mundo e todas
as mitologias refletem a cultura à qual pertencem.
Os mitos gregos eram histórias sobre as
divindades gregas, assim como de seus heróis (seres
humanos muito especiais na maioria das vezes, seus
protegidos), contadas há muitos anos, através de uma tradição oral que passava de geração a geração.
Os mitos gregos são uma das principais fontes da arte e da literatura ocidentais, proporcionando
um tesouro de histórias e imagens que artistas e escritores até hoje utilizam como referência.
Um mito pode ser descrito de várias maneiras: uma lenda, um conto de fadas ou folclore. Eles são
contos tradicionais, freqüentemente de natureza simbólica, sobre certa pessoa ou lugar.
Eles podem ser confortantes ou conter uma mensagem moral e às vezes podem ser assustadores,
podem ter evoluído de eventos, lugares ou pessoas reais, ou podem ser meras invenções.
Um mito urbano é uma história supostamente verdadeira espalhada pelo chamado “boca a boca”.
Normalmente ela é divertida, às vezes um pouco estranha e até inacreditável, mas ninguém sabe quando
e onde uma história surge.
Um dos mitos mais famosos na Filosofia tradicional é conhecido como, o mito da caverna. Leia
com atenção e tente perceber o que Platão queria dizer com essas palavras.

O mito da caverna
Extraído de “A República”, de Platão

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, se-
res humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo
que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não
podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que
alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi obscuridade, enxergar o que
se passa no interior.
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A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ele e os prisio-
neiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente, ao longo do qual foi erguida
uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa
mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos,
animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na
parede, no fundo da caverna, as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver
as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa,
os prisioneiros imaginavam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem
saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que
há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam
porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a
que reina na caverna.
O que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? O que faria um
prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres hu-
manos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade,
começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando-se com o caminho
ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento ficaria completamente cego, pois a fogueira na ver­
dade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostuman-
do-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosse-
guindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a
sua vida, nada vira senão sombra de imagens (as sombras das estatuetas projeta-
das no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado
pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
O que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acre-
ditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam
fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse
a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe alguns poderiam ouvi-lo e,
contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.
O que é a caverna?
O que são as sombras das estatuetas?
Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna?
O que é a luz exterior do sol?
O que é o mundo exterior?
Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros pri-
sioneiros?
O que é a visão do mundo real iluminado?
Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo
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à condenação de Sócrates à morte pela assembléia ateniense)?

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Filosofia

Elabore um texto fazendo uma análise dos elementos que compõe “O mito da caverna”.

exao
Exercicios para refl

1. Faça um esquema com as principais características dos Filósofos estudados.


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2. Como você vê a relação de sua ciência disciplina com a Filosofia.

3. Faça uma pesquisa sobre um filósofo citado. Pesquise os aspectos mais relevantes de cada
um, como: Antonio Gramsci, Henri Lefebvre, Michel Foucault, Louis Althusser e Gyorgy Lukács,
Claude Lévi-Strauss, Edmund Husserl, Jean-Paul Sartre.

nhecimentos
Ampliando Co

Sugestão de filme:
Giordano Bruno.
Direção: Giuliano Montaudo. 1973.
Co-produção. Itália/França.
Duração: 114 minutos.
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Filosofia

Referencias

FARIA, Maria do Carmo Bittencourt. Aristóteles: a plenitude como horizonte do ser. São Paulo:
Moderna (Coleção Logos).
GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
RIBEIRO, Jorge Cláudio. Platão: ousar a utopia. São Paulo, FTD, 1998.
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Introdução aos conceitos
de moral e ética

E m nossa viagem pela Filosofia, chegou o


momento de refletir sobre os conceitos
de ética e moral.
Você já deve ter ouvido falar em ética
ou em moral no seu dia-a-dia, e por mais
que não ocorram referências diretas a estes
dois termos, as noções que eles carregam
surgem por meio de comentários que julgam
coisas como “boas” ou “ruins”, “certas” ou
“erradas”... E não faltam ocasiões para isso,
não é mesmo? Atualmente, quando o assun-
to envolve questões políticas, científicas
e tecnológicas temos um prato cheio para
discussões!
Portanto, podemos concluir que para
falar sobre ética e moral, precisamos discu-
tir outros conceitos como “bem” e “mal”,
por exemplo.
Um bom começo para tentarmos com-
preender esta questão de forma mais pro-
funda, é recorrer aos filósofos, afinal, muitos
deles tentaram responder este questiona-
mento. O filósofo grego Platão se debruçou
sobre o tema a partir da sua ótica idealista
(ele acreditava que as coisas nascem das
idéias, ao contrário dos filósofos materialis-
tas, por exemplo, que crêem que as idéias
nascem das coisas), criando a teoria das
Formas e do Mundo das Formas.
O filósofo inglês Mark Rowlands, em seu
livro SCIFI = SCIFILO: a filosofia explicada
pelos filmes de ficção científica explicou de
forma muito clara a reflexão de Platão, uti-
lizando o exemplo dos círculos: se imaginar-
mos que temos vários círculos desenhados
em uma folha de papel e que alguns deles
são mais perfeitos que os outros (imagi-
ne uns ovais, outros mais tortos...), ficará
claro qual é o círculo perfeito e que pode
nos servir de exemplo de círculo. Mas como
conseguimos fazer esta distinção, entre qual
círculo é um bom modelo e qual não é?
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De acordo com Platão, a possibilidade
de julgar um círculo como bom, o outro como
pior e o outro como muito bom, por exemplo,
ocorre baseada em critérios de comparação que
possuímos. Até aí, tudo bem, mas esse cami-
nho nos causa um problemão que é responder
de onde surgiram as noções de “bom” e “mau”,
do que é “certo” e do que é “errado”.
E é o próprio Platão que responde a esta
questão, nos dizendo que estas idéias surgem
de um lugar chamado por ele de Mundo das
Formas, que consistiria em um local não-físico,
que contém as Formas, nos modelos perfeitos
das coisas. Logo, as idéias e os julgamentos
que elaboramos com base em conceitos e no-
ções teriam origem num mundo que não é ma-
terial, consistindo, portanto em algo abstrato,
subjetivo, incapaz de ser mensurado.
Logo, essas reflexões demonstram como é
difícil e tênue a definição do que é bom ou
mau, certo e errado, ético e não-ético, moral e
imoral, pois estamos nos movendo em um ter-
reno de códigos explícitos e implícitos.
Para iniciar nossa reflexão propomos algu-
mas questões iniciais: O que é ética? O que é
moral? Quais as diferenças entre ética e moral?
O que nos permite julgar atitudes como imo-
rais ou morais? Como as noções de “certo” e
“errado” são construídas? Elas podem variar de
sociedade para sociedade e dentro de uma mes-
ma sociedade de época para época? Quais as
relações entre ética, moral e liberdade e como
elas surgem na era da informação?
(ROWLANDS, Mark. SCIFI = SCIFILO: a fi-
losofia explicada pelos filmes de ficção científi-
ca. Rio de Janeiro: Relume, 2005)
Filosofia

Dialogando sobre
moral e ética
A palavra ética vem do grego ethos, e quer dizer “modo de ser” ou “caráter”, enquanto maneira de
vida que o homem adquire ou conquista. Mais objetivamente, pode-se definir ética como um conjunto
sistemático de conhecimentos racionais e objetivos a respeito do comportamento humano, moral, tal
como colocado por Adolfo Sánches Vázquez (1982).
A ética vem dos conhecimentos racionais e objetivos, contudo, a própria coisa racional e objetiva
deve ter um ponto de partida, isto é, o racional e objetivo vai servir a quem? Quem está dizendo o que
é certo ou errado? E é aí que entra a questão da ética dos tempos atuais, que não tem nada de racional
e objetivo.
A ética se confunde muitas vezes com a moral: todavia, deve-se deixar claro que são duas coisas
diferentes, considerando-se que ética significa a teoria ou ciência do comportamento dos homens em
sociedade, enquanto que moral quer dizer costume, ou conjunto de normas ou regras adquiridas com o
passar do tempo. Isso faz com que o termo ética necessite ter, em verdade, uma maneira correta para
ser empregado, quer dizer, ser imparcial, a tal ponto a ser um conjunto de princípios que norteia uma
maneira de viver bem, consigo próprio, e com os outros.
(VÁSQUES, Adolfo Sánches. Ética. Rio de Janeiro, Civilização, 1982, p. 14)

Leitura do texto:

Moral e ética: dois conceitos de uma mesma realidade


A confusão que acontece entre as palavras moral e ética existe há muitos séculos. A
própria etimologia desses termos gera confusão, sendo que ética vem do grego ethos, que
significa modo de ser; e moral tem sua origem no latim, que vem de mores, significando
costumes.
Essa confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas: moral é um con-
junto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são
adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava moral como a
“ciência dos costumes”, sendo algo anterior à própria sociedade. A moral tem caráter obri-
gatório.
Já a ética, Motta (1984) define como um “conjunto de valores que orientam o compor-
tamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo,
outrossim, o bem-estar social”, ou seja, ética é a forma que o homem deve se comportar no
seu meio social.
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23
A moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência moral que o leva a dis-
tinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a
fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A
ética teria surgido com Sócrates, pois se verifica maior grau de cultura. Ela investiga e explica
as normas morais, porque leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas
principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a ética é teórica e re-
flexiva, enquanto a moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-
relacionamento entre ambas, pois na ação humana o conhecer e o agir são indissociáveis.
Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações
como essas, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento
por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas. Tais normas
são aceitas como obrigatórias, e dessa forma, as pessoas compreendem que têm o dever de
agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabe-
lecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julga-
mento. E a diferença prática entre moral e ética é que esta é o juiz das morais, assim, ética é
uma espécie de legislação do comportamento moral das pessoas. Mas a função fundamental
é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.
A moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres
sociais, assim, percebe-se que a moral também é um empreendimento social. E esses atos
morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitos voluntariamente.
Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar moral como um “sistema de normas, prin-
cípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos
ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que essas normas, dotadas de um caráter
histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não
de uma maneira mecânica, externa ou impessoal.”
Enfim, ética e moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam “respeitar
e venerar a vida”. O homem, com seu livre-arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o
destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar,
e assim ele mesmo se torna o bem ou o mal deste Planeta. Desse modo, ética e a moral se
formam numa mesma realidade.
(Disponível em: <www.coladaweb.com/filosofia/moral.html>.)

A partir da leitura do texto acima, conceitue com suas palavras o que é moral e o que é ética.
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24
Filosofia

Refletindo sobre valores


O que você entende por valor?
Observe os objetos que estão na sala de aula, na escola e pense: qual é o valor dos mesmos? De
que forma nós atribuímos valor às coisas?
Primeiramente, façamos um exercício: escolha um objeto, uma pessoa, uma situação e explique
qual é o valor do mesmo.
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Agora vamos para a segunda parte do nosso exercício.

Comstock Complete.

Comstock Complete.
Istock Photo.
Getty Images.

Comstock Complete.

Digital Juice.

Observe as gravuras. Elas representam diversas situações da vida de cada um de nós e de tantas
outras pessoas.
Escolha duas imagens e estabeleça um comentário sobre as mesmas, argumente em seu comentá-
rio que tipo de valor a imagem representa.
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26
Filosofia

Segundo Aranha e Martins (1998):


Valorar é uma experiência fundamentalmente humana que se encontra no centro de toda escolha de vida. Fazer
um plano de ação nada mais é do que dar prioridade a certos valores, ou seja, escolher o que é melhor (seja do
ponto de vista moral, utilitário etc) e evitar o que é prejudicial para atingir os fins propostos. A conseqüência
de qualquer valoração é, sem dúvida, dar regras para a ação prática. Se o ar é um valor para o ser vivo, é pre-
ciso evitar a poluição que compromete a qualidade desse bem indispensável. Se a credibilidade é um valor, não
podemos mentir o tempo todo, caso contrário as relações humanas ficam prejudicadas. Portanto, diante daquilo
que é, a valoração orienta para o que deve ser. (1998, p. 117)

Dessa forma, percebemos que para valorarmos algo fazemos uso de critérios que são bastante pes-
soais e, ao mesmo tempo, são valores influenciados pelo mundo que nos cerca e, sem dúvida, um desses
critérios pode ser o valor moral.
Agora retome a atividade em que você definiu o que é moral e ética e pense de que forma a ques-
tão da moral e ética se relaciona com os valores.
Entre os vários filósofos do nosso tempo que pensaram a questão da liberdade, destacamos o
francês Jean-Paul Sartre.
Segundo Gallo (1997):
Para Sartre, a liberdade é o próprio fundamento do ser do homem. Ela está na raiz de seu comportamento, porque
sempre temos de escolher. Nesse sentido, o homem é essencialmente livre, não pode abdicar da liberdade. Como
diz Sartre, o homem está “condenado a ser livre”. (p. 77)

Perceba como a questão da liberdade é uma temática de importância fundamental, pois é per-
passada por várias dimensões da vida e cada qual vive e reflete esta dimensão do “ser livre” de forma
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bastante particular.

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Autonomia e liberdade
Assista ao filme Um Sonho de Liberdade.
Título original: The Shawshank Redemption
Gênero: Drama
Tempo de duração: 142 minutos.
Ano: (EUA) 1994
Direção: Frank Darabont

Após assistir ao filme, organize anotações sobre ele, destacando quais os pontos mais relevantes
do filme. Para estabelecer alguns pontos de referência, observe as gravuras abaixo, analise e responda
às questões:
Columbia Pictures Corporation (divulgação).

Columbia Pictures Corporation (divulgação).

Columbia Pictures Corporation (divulgação).


Para o personagem do filme, o que era a Liberdade?
Qual foi a forma encontrada pelo personagem de conseguir o que almejava?
Ao conseguir o que almejava, o personagem realmente conseguiu a sua liberdade? Justifique a sua
resposta.
Anote suas reflexões.
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28
Filosofia

Elementos da ação ética


Perceba o percurso que fizemos até aqui: inicialmente, refletimos sobre a questão da ética e da
moral e sobre as suas possibilidades de reflexão articuladas com valores e a liberdade. Sabemos que não
esgotamos as reflexões, mas é um primeiro passo no sentido de refletirmos sobre esses aspectos. Vamos
buscar elementos na sociedade em que vivemos acerca do que se pensa sobre a ética.
Ouvimos notícias e discussões sobre o chamado “código de ética” nos diversos setores e/ou profissões.
Faça uma pesquisa ou converse com pessoas de diferentes profissões sobre o código de ­ética em
sua área de atuação, por exemplo, advogado, médico, enfermeiro, jornalista, professor, engenheiro,
vereador, e outros.
Depois da pesquisa realizada faça uma redação sobre as informações que obteve, destacando o que
cada setor apresentou como ética.
A partir das discussões, leituras e reflexões sobre o tema ética, organizem um “Manual de ética”
que contemple as necessidades da sociedade atual. Quem sabe possamos pensar idéias acerca da ética
que possam permear a vivência em sociedade.
A partir da pesquisa realizada e do “Manual” elaborado foi possível refletir sobre a “ética profissional”,
assim, o termo ética está relacionado a uma certa normatização que caracteriza uma determinada profissão.
Ultimamente estamos ouvindo discussões em torno da bioética, que discute questões relacionadas
às experiências da ciência biomédica e da engenharia genética. Exemplos dessas questões são: trans-
plante de órgãos, prolongamento da vida, manipulação de embriões, células-tronco e outros.
Só para lembrar: em 1997 o mundo fica sabendo de uma experiência que havia se tornado real,
quando é anunciada a clonagem – a ovelha Dolly.
Essas e outras questões vêm provocando inúmeros debates em torno da ética, como:
– qual é o limite da intervenção humana nos destinos biológicos?
No livro Para Filosofar encontramos:
Embora a pesquisa genética tenha contribuído para o tratamento de doenças até agora consideradas incuráveis,
a questão sobre seus limites encontra-se ainda em aberto, exigindo um aprofundamento da reflexão ética e uma
normatização por parte das autoridades competentes, tendo como fundamento a idéia de que a ciência deve
promover o bem do homem. (2000, p. 64)

O relativismo moral
Como um sistema social de regulamentação, a função da moral é garantir o funcionamento, a
estabilidade da vida em sociedade e a possibilidade de melhorá-la. Como as necessidades sociais variam
no tempo e no espaço, as normas morais também sofrem mudanças. Os antigos gregos, por exemplo, sa-
crificavam as crianças deficientes. Para eles, tal procedimento não era imoral, uma vez que os deficientes
não correspondiam ao ideal de homem grego.
As normas morais variam também entre as sociedades de uma mesma época e até de um mesmo
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país. É o caso de alguns estados norte-americanos os quais, ao contrário dos outros, ­admitem a pena
de morte.
29
Explica-se o relativismo das normas morais em função das diferentes e específicas situações em
que são praticadas. Em outras palavras, a moral se encaixa no contexto histórico-social de cada povo,
tomando uma forma específica.
O relativismo moral pode acarretar um descrédito da própria moral. Exemplifiquemos com a justi-
ça. Como as normas de justiça variam de um lugar para outro, alguns concluem que não existe justiça.
A justiça em si, como um valor moral, é uma constante entre os povos. Além da justiça, outros valores
morais são universalmente aceitos e praticados: a solidariedade, a fidelidade, a honestidade.
Embora a concepção daquilo que é bom ou mau, permitido ou proibido varie de uma época (ou
sociedade) para outra, a existência de regras morais é uma constante da história humana.
Portanto, a moral constitui uma característica essencial do homem em sociedade, um valor impres-
cindível que perpassa toda a história da humanidade.
(Para ver texto completo, ler livro: Para Filosofar – Vários autores – 2000, p. 68)
Crie um slogan sobre a ética – pode ser a ética relacionada às diferentes instâncias sociais (escola,
trabalho, igreja etc).
O slogan é....

Percebemos que pensar acerca da ética é uma tarefa que exige diversos olhares e que, numa so-
ciedade em que assistimos a tantas situações que são rotuladas de “éticas” ou com “falta de ética”,
leva-nos a buscar sempre mais elementos sobre essa questão posta e tão amplamente discutida.
Segue uma entrevista dada por um psicólogo: Yves de La Taille. Acreditamos que ele aponta as-
pectos a que, enquanto jovens, precisamos estar atentos.

A imposição moral e ética


Yves de La Taille, psicólogo especializado em desenvolvimento moral, fala sobre como, apesar da
crise por que passam, sobretudo na família e na escola, a moral e a ética continuam a ser pontos fun-
damentais na educação e no desenvolvimento das crianças.
A definição de moral e ética é muito discutida atualmente. Como você define cada uma delas?
Entre as alternativas de definição e diferenciação entre os dois conceitos, eu tenho empregado
estas: moral é o conjunto de deveres derivados da necessidade de respeitar as pessoas, nos seus direitos
e na sua dignidade. Logo, a moral pertence à dimensão da obrigatoriedade, da restrição de liberdade, e a
pergunta que a resume é: “Como devo agir?”. Ética é a reflexão sobre a felicidade e sua busca, a procura
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30
Filosofia

de viver uma vida significativa, uma “boa vida”. Assim definida, a pergunta que a resume é: “Que vida
quero viver?”. É importante atentar para o fato de que essa pergunta implica em outra: “Quem eu quero
ser?”. Do ponto de vista psicológico, moral e ética, assim definidas, são complementares.
Alguns estudiosos definem como uma característica da pós-modernidade a crise nos valores
morais e éticos por que passam as civilizações, principalmente as ocidentais. Outros falam até em
ausência total da moral nas relações entre as pessoas nos dias de hoje. A que você credita essa
crise? É possível vivermos sem moral e ética?
A situação parece-me de certa forma paradoxal. De um lado, pelo menos no mundo ocidental,
verificamos um avanço da democracia e do respeito aos direitos humanos. Logo, desse ponto de vista,
saudosista é perigoso. Mas, de outro lado, tem-se a impressão de que as relações interpessoais estão mais
violentas, instrumentais, pautadas num individualismo primário, num hedonismo também primário, numa
busca desesperada de emoções fortes, mesmo que provenham da desgraça alheia. Assim, penso que, nesse
clima pós-moderno, há avanços e crise. É como se as dimensões política e jurídica estivessem cada vez
melhores, e a dimensão interpessoal cada vez pior. Agora, como não podemos viver sem respostas morais
e éticas, urge nos debruçarmos sobre esses temas. De modo geral, penso que as pessoas estão em crise
ética (que vida vale a pena viver?), e essa crise tem reflexos nos comportamentos morais. A imoralidade
não deixa de ser tradução de falta de projetos, de desespero existencial ou de mediocridade dos sentidos
dados à vida.
Então, essa crise das questões morais e éticas tem relação direta com a violência, o desres-
peito, o individualismo etc. vividos atualmente?
Veja: se o projeto de vida de alguém for, como é frequente hoje em dia, ter muito dinheiro e gló-
ria, esse alguém tende a ver as outras pessoas como adversários (o dinheiro não dá para todos) ou como
súditos de seu sucesso. Nos dois casos, são instrumentos de seu projeto. Manipula-os quando necessário,
elimina-os quando não pode manipulá-los. Eis a violência instalada. Muitos valores presentes na sociedade
contemporânea levam a relações fratricidas, e a violência no interior da própria comunidade passa a ser
vista como modo inevitável de convívio e qualidade dos “fortes”.
É interessante observar como muitos anúncios de propaganda na televisão e no rádio apresentam
relações sociais competitivas, rudes e violentas; e isso para vender serviços telefônicos, carros, vídeos
etc., ou seja, objetos ou serviços nada bélicos.
De que maneira essa crise afeta as relações na escola e na família?
Ela afeta todas as relações e, por conseguinte, aquelas que unem a família e a escola. Nesse caso,
o que se verifica é a constante delegação de responsabilidade a outrem – da família para a escola e
vive-versa – e também a constante acusação mútua de incompetência ou desleixo. Muitos professores
acusam os pais de não darem, por exemplo, limites a seus filhos, e muitos pais acusam a escola de não
ter autoridade e de não impor a disciplina.
E a quem cabe a parte mais importante da formação moral e ética das crianças, à escola ou
à família?
Não penso ser possível estabelecer hierarquia. Ambas as instituições são fundamentais para a
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educação moral e formação ética. Logo, devem trabalhar em cooperação, completando-se mutuamente.

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Em seu livro Limites: Três Dimensões Educacionais, você sugere a retomada da discussão do
“contrato social” entre os indivíduos nos projetos educacionais como forma de melhorar as rela-
ções da comunidade. Qual é a melhor maneira de fazê-lo na realidade da escola brasileira?
Sabe-se que a melhor, para não dizer a única, forma de ter sucesso na educação moral, na forma-
ção ética e na pacificação das relações é, no seio da escola, trabalhar a qualidade do convívio social en-
tre seus membros (professores, alunos, funcionários e pais). Logo, em vez de limitar-se a impor inúmeras
regras, é melhor a escola deixar claro, para todos, os princípios que inspiram a convivência social. A
elaboração de regras – que pode ser feita pela comunidade como um todo – será derivada da apreciação
desses princípios. Eis o que se pode chamar de discussão do “contrato social”.
No mesmo livro, você afirma que existe uma contradição, na qual se verifica, ao mesmo tempo,
a falta de limites em muitas pessoas (e não apenas nos jovens, como reza o senso comum) e que o
excesso desses limites também sufoca a maioria delas. Qual é a medida certa para transpor alguns
limites e amadurecer e como impor limites que permitam a vida em sociedade?
A questão pode ser retomada por meio dos conceitos de moral e ética. A moral trata de limites
no sentido restritivo (deveres). A ética, por remeter a projetos de vida, trata dos limites no sentido
da superação, do crescimento, da busca de excelência. Ora, se há excesso de limites, em breve, se a
sociedade, em vez de estimular o crescimento, valorizar a busca de uma vida que não vá além do mero
consumo e que se contente com o aqui e agora, com a mediocridade, ela vai prejudicar a perspectiva
ética e, consequentemente, a perspectiva moral. Uma pessoa somente agirá moralmente se vir, nes-
se tipo de ação, a tradução de uma vida que vale a pena ser vivida. Como a moral impõe restrições
à liberdade, uma pessoa somente vai aceitar tais restrições se fizerem sentido num projeto de vida
coletivo e elevado.
Numa palestra, você afirmou que em sua maioria os pais de hoje foram os filhos, nas décadas
de 1960 e 1970, que lutaram com todas as forças contra a repressão, por isso às vezes não impõem
os limites corretos aos filhos por terem medo de parecer “autoritários”. Como fazer para dosar a
disciplina em casa e transmitir os valores éticos corretamente sem parecer antiquado?
O medo de ser autoritário é um sentimento importante. Mas o que é autoritarismo? É impor
regras injustas, arbitrárias. É impor regras – mesmo que boas – negando à pessoa que deve obede-
cê-las a possibilidade de compreender sua origem e sentido. Exercer autoridade é outra coisa. Para
tanto, as regras colocadas devem ser justas e devem também ser explicadas. Um bom exemplo de
relação com autoridade é a relação que temos com um médico: seguimos suas prescrições porque
o consideramos representante de um conhecimento legítimo, inteligível (por mais difícil que seja)
e que pode nos fazer algum bem. A relação de autoridade, seja na família, seja na sala de aula,
deve seguir essa mesma lógica: os pais ou os professores devem ser reconhecidos como pessoas que
detêm conhecimentos legítimos e necessários ao pleno desenvolvimento das novas gerações. Assim
sendo, é claro que a moral (o respeito pelo outro) e projetos éticos de crescimento pessoal e social
correspondem a valores preciosos para a vida. A criança começará a pensar neles referenciada em
figuras de autoridade e, quando conquistar a autonomia, vai se libertar da referência à autoridade
certamente com gratidão.
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32
Filosofia

Você acredita que a violência a que estão expostos os jovens – através da TV, videogames
etc. – pode por si só influenciar e tornar as crianças violentas ou isso pode variar de acordo com
os valores morais implícitos?
É uma questão difícil de ser respondida e sobre a qual não temos dados confiáveis. A meu ver, não
é tanto a exposição a cenas de violência que pode causar comportamentos violentos, mas o sentido dado
a elas. Se filmes mostram a violência como recurso último, cujo uso segue certas balizas morais e cujo
objetivo é, ele mesmo, moral (lutar pela justiça), é uma coisa. Agora, se glorificam a violência em si, se
a colocam a serviço do próprio prazer, se a colocam como primeira opção de resolver conflitos, é outra
coisa. No primeiro caso, a violência é apresentada com crítica, no segundo, não. Isso pode exercer uma
influência sobre o sistema de valores de jovens. Mas é preciso lembrar que há tantas variáveis e influên-
cias em jogo que não se pode eleger os meios de comunicação e entretenimento como grandes vilões.
(Disponível em: <http://www.aprendebrasil.com.br/entrevistas/entrevista0091.asp>.)

exao
Exercicios para refl

1. Questão do vestibular (UEL/2005) – “A busca da ética é a busca de um ‘fim’, a saber, o do


homem. E o empreendimento humano como um todo envolve a busca de um ‘fim’: ‘Toda arte
e todo método, assim como toda ação e escolha, parece tender para um certo bem; por isso
tem-se dito, com acerto, que o bem é aquilo para que todas as coisas tendem’. Nesse passo
inicial de ética a Nicômacos está delineado o pensamento fundamental da ética. Toda ativida-
de possui seu fim, ou em si mesma, ou em outra ­coisa, e o valor de cada atividade deriva da
sua proximidade ou distância em relação ao seu próprio fim”.
(PAIXÃO, Márcio Petrocelli. O Problema da Felicidade em Aristóteles: a passagem da ética à
dianoética aristotélica no problema da felicidade. Rio de Janeiro: Pós-Moderno, 2002. p. 33-34)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a ética em Aristóteles, considere as afirmativas
a seguir:
I. O “fim” último da ação humana consiste na felicidade alcançada mediante a aquisição
de honrarias oriundas da vida política.
II. A ética é o estudo relativo à excelência ou à virtude própria do homem, isto é, do “fim”
da vida humana.
III. Todas as coisas têm uma tendência para realizar algo, e nessa tendência encontramos
seu valor, sua virtude, que é o “fim” de cada coisa.
IV. Uma ação virtuosa é aquela que está em acordo com o dever, independentemente dos
seus “fins”.
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Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

Observe a charge abaixo e escreva nas linhas seguintes quais valores estão expressos na ati-
tude retratada. Você concorda com as mesmas?

Cadu Simões.
Depois de fazer o comentário, elabore uma outra charge que expresse a sua forma de compre-
ender a relação do sujeito e os valores da sociedade em que vivemos.
(Disponível em: <http://homemgrilo.com/2007/09/14/quem-precisa-de-viloes>.)

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Filosofia

Referencias

ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à Filosofia. 2.
ed. São Paulo: Moderna, 1993.
_____. Temas de Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1998.
DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do Futuro: cidadania hoje e amanhã. 9. ed. São Paulo: Ática, 2000.
GALLO, Silvio (Coord.) Ética e Cidadania: caminhos da filosofia. 5. ed. Campinas. São Paulo: Papirus,
1997.
CORDI, Cassiano; SANTOS, Antonio Raimundo dos. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.
VÁSQUES, Adolfo Sánches. Ética. Rio de Janeiro: Civilização, 1982.
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36
EM_FIL.002
O conhecimento

“Sócrates – Logo, é pela sabe-


doria, segundo penso, que os
sábios ficam sábios.
Teeteto – Sem dúvida.
Sócrates – E isso difere em al-
guma coisa do conhecimento?
Teeteto – Isso, quê?
Sócrates – Sabedoria. Não se é
sábio naquilo que se conhece?
Teeteto – Como não?
Sócrates – Então, é a mesma
coisa conhecimento e sabedo-
ria?
Teeteto – Sim.
Sócrates – Eis o que me suscita
dúvidas, sem nunca eu chegar
a uma conclusão satisfatória: o
que seja, propriamente, conhe-
cimento. Será que poderíamos
defini-lo? Como vos parece?”
(Fonte: Versão eletrônica do
diálogo platônico “Teeteto”
Tradução: Carlos Alberto Nunes
Créditos da digitalização: Mem-
bros do grupo de discussão Acró-
polis (Filosofia)
Homepage do grupo: http://
br.egroups.com/group/acropolis/)

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Dialogando sobre
o conhecimento
Conhecimento é a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja conhecer e o
objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer.
O conhecimento humano tem dois elementos básicos: um sujeito e um objeto. O sujeito é o ho-
mem, o ser racional que quer conhecer. O objeto é a realidade, as coisas, os fatos, os fenômenos, com
que nos relacionamos.
Diferente de outros animais, o homem ultrapassa as sensações dos sentidos e a capacidade de ra-
ciocinar sobre suas ações, sentimentos e refletir sobre tudo a sua volta, comunicando-se, interagindo com
o meio em que vive. É capaz de transformar o meio em que está inserido para a sua sobrevivência e para
o seu conforto. Essa ação só o homem é capaz de fazer e muitas vezes traz para si e para todos ao seu
redor muito sofrimento, pois ultrapassa o limite de tirar da natureza só o que é para a sua sobrevivência:
a ganância humana é capaz de destruir todo o Planeta e com ele todo o conhecimento humano.
O conhecimento foi conceituado como a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou
deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. Ou seja, o homem só se torna
sujeito do conhecimento quando está diante do objeto a ser conhecido.
Vamos agora fazer um exercício:
Você recebe a tarefa de explicar para um grupo de pessoas o que é conhecimento. É claro que
você quer realizar bem essa tarefa. Assim sendo, construa uma forma de explicação, de argumentação
que represente a idéia de conhecimento. Pode ser em forma de texto, de ilustração com desenho e
gravuras... Enfim, procure retratar a idéia de conhecimento e essa “explicação” será a abertura deste
módulo representando a sua forma de entender o que é conhecimento.

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Filosofia

Formas de conhecimento
O sujeito (o homem) possui três maneiras básicas de conhecer o objeto. Elas se diferenciam pela
forma como o sujeito tem acesso às propriedades do objeto: se pelos sentidos (conhecimento sensorial
ou empírico), pelo raciocínio (conhecimento lógico ou intelectual) ou pela crença (conhecimento de fé).
Afinal, o conhecimento é a porção de realidade que o sujeito consegue perceber, utilizando-se das ferra-
mentas de que dispõe no momento. (CORDI; SANTOS, 2000, p. 32)
Dessa forma, o homem possui três maneiras básicas de conhecer o objeto:

Conhecimento
Sensorial Lógico ou intelectual Fé
Pelos sentidos Pelo raciocínio Pela crença

Agora que você sabe um pouco mais de como o homem pode conhecer as coisas, faça um exercício
rápido e cite três exemplos de conhecimento para cada forma de conhecer que o homem usa:

Sensorial

Intelectual


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O conhecimento permite ao homem expressar suas idéias por meio de diferentes linguagens.
Observe a imagem a seguir:

Alessandra Haro.
Jardim Botânico, em Curitiba - PR.

De acordo com as três maneiras básicas de conhecer o objeto, qual conhecimento você acredita
ter usado para a análise da imagem acima? Justifique.

O conhecimento e a história:
principais teorias do conhecimento
A Teoria do Conhecimento é uma área que investiga a relação entre sujeito e objeto do conheci-
mento, bem como as condições primordiais do saber verdadeiro.
No decorrer da História, a forma do homem se relacionar com a idéia acerca do conhecimento vai
se modificando e expressando também a forma de entender o mundo em cada época.
Na seqüência, vamos procurar fazer algumas reflexões sobre as teorias do conhecimento em cada
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período histórico. Não é intenção nesse momento fazer um profundo estudo acerca das teorias do co-
nhecimento, mas destacarmos alguns aspectos.
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Filosofia

Para complementar esse estudo, procure relembrar seus conhecimentos históricos; dessa forma, a
sua compreensão sobre o conhecimento será mais interessante.

Teoria do conhecimento na Antigüidade

Domínio público.
A escola de Atenas – Rafael Sanzio, afresco 1511, pintura renascentista.
Uma homenagem ao saber grego e a filosofia, representando o encontro
entre Platão e Aristóteles.

Destacam-se na Antigüidade as teorias do conhecimento de Platão e Aristóteles, filósofos que já


estudamos, ambos descrevem o homem como um conjunto de corpo e alma.

“Somos filhos do cosmos, trazemos em nós o mundo físico, trazemos em nós o mundo biológico, mas
com e em nossa singularidade própria. Em outras palavras: para enfrentarmos o desafio da complexidade,
precisamos de princípios organizadores do conhecimento”.
(Edgar Morin – sociólogo e pensador francês).

E você o que pensa sobre isso? Faça um comentário sobre o texto acima.

Platão defendia a idéia de que para conhecer algo é preciso ir além das sensações imediatas, é
necessário atingir a essência do objeto a ser conhecido. Releia “O mito da caverna” e registre
qual é a idéia do mito em relação ao conhecimento.
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Para Aristóteles, o conhecimento inicia-se no objeto, com suas características sensíveis, apreen-
didas pela sensitividade.
Embora ambos descrevessem o homem como um conjunto de corpo e alma, suas teorias tinham
as suas diferenças, pois Aristóteles considera que as essências estão no próprio objeto e não em um
mundo à parte.

Será que obtemos o conhecimento pelos sentidos, pelo raciocínio ou pela crença?

Qual dessas formas de conhecimento julgamos mais correta, ou seja, o conhecimento adqui-
rido pela razão, pelos sentidos ou pela fé?

Qual deles é o mais objetivo?

Teoria do Conhecimento na Idade Média


Como podemos descrever a Idade Média? Observe a gravura.
Releia seu material de História para situar-se em relação a esse
período, sua forma de organização, sua economia, características
da educação, entre outros.
Além dos aspectos econômicos, sociais e políticos que mar-
caram a Idade Média, havia nesse período uma forma particular de
compreender o mundo e uma forma de expressar o conhecimento
da época.
Patrística: século II – Filosofia dos padres durante a de-
cadência do Império Romano, unindo a fé e a razão, que
vai se estender por toda Idade Média. Santo Agostinho
– “Deus ilumina a razão.”
Escolástica: século XIII – Retomada de Aristóteles por
São Tomás de Aquino, dizendo que as idéias só existem
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formalmente no espírito, porém têm fundamento nas


coisas reais. Estabelece o fim da concepção mística do
mundo medieval. Idade Média.
42
Filosofia

Ceticismo: contrapõe-se às certezas da escolástica decadente e à intolerância de um período


cheio de guerras religiosas. Montaigne analisa em seus ensaios a influência de fatores pes-
soais, sociais e culturais na formação de opiniões. Os cépticos moderados – relativismo –
reconhecem limites para a apreensão da verdade. Mesmo que seja impossível a certeza, deve-se
continuar a busca.
(Disponível em: <www.asmayr.pro.br/teoriadoconhecimento.htm>.
Acesso em: 8 out. 2007.)

Teoria do Conhecimento na Idade Moderna e Contemporânea


A transição da Idade Média para a Idade Moderna trouxe, entre outros aspectos, várias mudanças
para a forma de pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança da visão teocentrista (Deus
como centro do conhecimento), para visão antropocentrista (o homem como centro do conhecimento).
Também destacamos nesse período o movimento renascentista que trouxe entre seus representan-
tes René Descartes e Francis Bacon.
René Descartes pôs em dúvida as certezas de todos os conhecimentos na obra Discurso do Método.
Francis Bacon – ao contrário do racionalismo de Descartes – enfatiza o papel da experiência para
o desenvolvimento do conhecimento – o saber serve como instrumento de dominação da natureza.
Realize uma pesquisa para saber mais sobre as idéias de Descartes e Bacon. Faça suas anotações
sobre o assunto.

Como já fez a pesquisa, leia o texto abaixo e responda os questionamentos:


“[...] porque os nossos sentidos nos enganam às vezes, quis supor que não havia coisa alguma que
fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, porque há homens que se equivocam ao raciocinar, mesmo no
tocante às mais simples matérias de Geometria, e cometem aí paralogismos, rejeitei como falsas, julgando
que estava sujeito a falhar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações.
E, enfim, considerando que todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos podem também
ocorrer quando dormimos, sem que haja nenhum, nesse caso, que seja verdadeiro, resolvi fazer de conta que
todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de
meus sonhos. Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso, cumpria
necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo
era tão firme e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de a
abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da filosofia que procurava”.
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(Fragmento da obra Discurso do Método de René Descartes.)


(CORDI, Cassiano In: Varios Autores. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 2000, p. 39)

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Após a leitura do texto, procure refletir sobre as seguintes questões:
1. O que Descartes está procurando?

2. Por que Descartes rejeita os sentidos?

3. O que Descartes rejeita a seguir e por quê?

4. Por que os pensamentos até então tidos como verdadeiros são também rejeitados por ele?

5. A qual certeza Descartes chega nesse exercício de análise e rejeição?


A chamada Teoria do Conhecimento contemporânea traz também novas idéias acerca de como
pensar o conhecimento.
Vários representantes poderiam ser mencionados; destacamos os seguintes:
Emmanuel Kant – Criticismo: século XVIII-XIX: mostra o conhecimento como síntese da união
entre racionalismo e empirismo, ou seja, de juízos universais e experiência sensível. Matéria,
objetos e formas, sujeito do conhecimento. São as formas que o sujeito possui de assimilar a
realidade que vão organizar a experiência. “O conhecimento não é reflexo do objeto exterior:
é o próprio espírito que constrói o objeto de seu saber”. Não é possível conhecer o real em
verdade, apenas sua aparência, os ditos “fenômenos” – algo que aparece para a consciência.
Augusto Comte – Positivismo: em sua exaltação do saber científico torna este a fonte única de
conhecimento válido obtido por métodos das ciências da natureza.
Friedrich Hegel – Idealismo: para Hegel, o conhecimento só se torna concreto ao analisar o
modo como a realidade foi produzida, sendo criada e recriada pelo processo dialético. Carac-
teriza-se pelo idealismo: o mundo é derivado do pensamento humano, ou seja, o espírito é
responsável pelas mudanças do real. O conhecimento não atinge a matéria “per si”.
Karl Marx – Materialismo: a teoria marxista é caracterizada pelo materialismo, ou seja, é o
espírito que deriva do mundo material. A consciência é reflexo da matéria, em constante movi-
mento e processo de criação. O mundo é cognoscível. A teoria materialista se divide em meca-
nicista – determinismo, reduzindo o homem à animal – e dialético – a consciência determina
e é determinada pelo real; a ação do homem sobre o mundo o liberta.
(Disponível em: <www.asmayr.pro.br/teoriadoconhecimento.htm>.
Acesso em: 08 out. 2007.)

Após conhecer um pouco sobre essas teorias, reflita sobre a frase:

“Conhecer é poder.”
(Hobbes)

Qual a sua interpretação para essa frase?


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44
Filosofia

Explique a seguinte idéia através de um desenho:

“O conhecimento é limitado pelo ponto de vista do sujeito, pela maneira como


os fatos são vistos do lugar onde o sujeito encontra-se.”

Estamos fazendo um percurso que, de certa forma, apresenta a idéia de vários pensadores que
viveram desde a Antigüidade até os tempos contemporâneos.

O conhecimento científico
O percurso que fizemos nos remeteu a várias reflexões, como a forma com que cada período é
marcado pela relação com o conhecimento.
Não devemos ter uma idéia restrita ao princípio de progresso, o qual a cada período se sobrepõe
ao outro num sentido pautado à questão de evolução: no entanto, vale ressaltar que a partir das idéias
de todos os pensadores podemos perceber como o conhecimento e a relação do mesmo com o homem
foi adquirindo uma forma particular.
E hoje, como nós, pessoas no século XXI, nos relacionamos com o conhecimento?
No início do módulo, realizamos uma atividade na qual você expressou o que entende por conhe-
cimento.
Agora pensemos: o que é conhecimento científico?

Popularização do conhecimento científico


Suzana P. M. Mueller

O conhecimento científico é cada vez mais necessário ao cidadão comum, um recurso ao qual
todos recorremos para obter orientação em nossas decisões diárias. O conhecimento científico aqui
referido é, naturalmente,  produto da popularização da Ciência. São notícias que chegam a nós, não
cientistas, de várias maneiras, por vários canais. Como leigos, não estamos preparados para ler os
textos originais, escritos por pesquisadores e dirigidos a outros pesquisadores, incompreensíveis para
quem não tem o treinamento necessário. Dependemos de intermediários, pessoas e entidades que
fazem usos de vários canais de comunicação e linguagens para transmitir as novidades científicas aos
diversos segmentos da sociedade.
Esse processo de transposição das idéias contidas em textos científicos para os meios de comu-
nicação populares é chamado de popularização da Ciência. Cientistas, educadores, governantes e a so-
ciedade em geral percebem a necessidade de desenvolver em cada cidadão a capacidade de entender a
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diferença entre conhecimento científico e outros tipos de conhecimento, o que os americanos chamam de
science literacy. A sua falta é chamada de analfabetismo científico, que na explicação de Sabbatini (1999)
45
é “a ignorância sobre os conhecimentos mais básicos de Ciência e Tecnologia que qualquer pessoa precisa
ter para ‘sobreviver’ razoavelmente em uma sociedade moderna.” A preocupação dos cientistas, educa-
dores e outros é que a ignorância de fatos básicos da ciência produza cidadãos ingênuos, propensos a
acreditar facilmente em fatos pseudo-científicos, potencialmente prejudiciais a si próprio e à sociedade.
Por outro lado, acredita-se que um cidadão bem-informado seria capaz não só de orientar melhor a sua
vida mas também influir, como membro da sociedade, nos rumos da própria Ciência. Em países com
alto grau de educação, a comunidade exerce esse poder de influência, por meio do voto e de hábitos
de consumo, como fazem americanos e europeus, por exemplo, ao boicotarem determinados produtos,
protestarem contra a localização de indústrias poluentes e elegerem representantes que defendem ou
são contra certas pesquisas.

As dificuldades inerentes ao processo de popularização


O processo da popularização do conhecimento científico não é tarefa fácil. Além de tecnicamente
complexo, há frequentemente muitos interesses em jogo. Há até quem duvide que a popularização da
Ciência seja possível sem que no processo ocorram problemas de distorção e manipulações. Como nota
Nelkin (1995), os indivíduos de uma sociedade não estão equipados para julgar o que lêem – geralmente
a notícia científica, citando autoridades e fontes aparentemente confiáveis, é tida como merecedora de
crédito: prevalece a noção de que as descobertas científicas são verdades incontestáveis, produtos de
pesquisas sérias realizadas por cientistas cuja única motivação é o saber, que ao longo do tempo vêm
revelando a real natureza das coisas e contribuindo para nossa segurança, conforto e progresso. A visão
dominante na sociedade “leiga” é de que os cientistas fazem descobertas importantes e verdadeiras
sobre nosso corpo, nossa sociedade, nosso universo e nosso mundo, que são depois passadas para to-
dos nós pelos meios de comunicação, talvez em versões simplificadas, mas ainda assim versões fiéis e
confiáveis, livres de outros interesses que não o de divulgar conhecimento e fornecer informações úteis,
capazes de orientar nossas decisões.
As pessoas comuns, em geral, não têm experiência própria em pesquisa nem educação adequada
em ciência, e dependem inteiramente de intermediários tanto para tomar conhecimento de novos fatos
científicos quanto para avaliar possíveis implicações desses fatos em sua vida. No entanto, há freqüen-
temente mais do que uma versão de um fato científico, e às vezes nem os cientistas parecem estar de
acordo.
A verdade é que o processo de popularização do conhecimento científico nada tem de simples. Sob
o ponto de vista estritamente técnico, a dificuldade mais visível está em reduzir conceitos complexos,
que demandam domínio de conhecimento e linguagem especializada, a uma linguagem compreensível
para pessoas sem treinamento específico. Na transposição, que com freqüência é feita com o uso de
metáforas e analogias, a possibilidade de ocorrência de algum tipo de distorção involuntária é grande.
Como toda tradução, nunca será inteiramente fiel ao original. Alguns cientistas consideram impossível
a popularização sem algum tipo de distorção.
(DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação – v.3  n.2   abr/02- ARTIGO 03.
Adaptado. Disponível em: <www.dgz.org.br/abr02/Art_03.htm>.
Acesso em: 8 out. 2007.)
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46
Filosofia

exao
Exercicios para refl

(UFPR-2007) O texto a seguir é referência para as questões 01 e 02.

No livro VII de A República, Platão apresenta a passagem conhecida por “Alegoria da Caverna”.
Platão usa essa alegoria para representar o processo correto de educação do ser humano. Leia
o seguinte trecho da República no qual o personagem Sócrates fala àqueles que foram educa-
dos corretamente:

Mas a vós, nós formamos-vos, para vosso bem e do resto da cidade, para serdes como os
chefes e os reis nos enxames de abelhas, depois de vos termos dado uma educação melhor
e mais completa do que a deles, e de vos tornarmos mais capazes de tomar parte em ambas
as atividades. Deve, portanto, cada um por sua vez descer à habitação comum dos outros e
habituar-se a observar as trevas. Com efeito, uma vez habituados, sereis mil vezes melhores
do que os que lá estão e reconhecereis cada imagem, o que ela é e o que representa, devido a
terdes contemplado a verdade relativa ao belo, ao justo e ao bom. E assim teremos uma cidade
para nós e para vós, que é uma realidade, e não um sonho, como atualmente sucede na maioria
delas, onde combatem por sombras uns com os outros e disputam o poder, como se ele fosse
um grande bem. Mas a verdade é esta: na cidade em que os que têm de governar são os menos
empenhados em ter o comando, essa mesma é forçoso que seja a melhor e mais pacificamente
administrada, e naquela em que os que detêm o poder fazem o inverso, sucederá o contrário.
(PLATÃO, A República, Livro VII, 520 b - d.)

1. Por que, de acordo com o personagem Sócrates, aqueles que receberam a educação proposta
na República devem governar?
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2. De acordo com o personagem Sócrates, como se davam efetivamente as disputas políticas nas
cidades?

3. (UEL-2007) Platão destaca, na República (livro III), a importância da educação musical dos
futuros guardiões da cidade, ao dizer: [...] a educação pela música é capital, porque o ritmo e
a harmonia penetram mais fundo na alma e afetam-na mais fortemente [...].
(PLATÃO. A República. Tradução e notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. p. 133.)

De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a relevância da educação musical dos guar-
diões em Platão, considere as afirmativas a seguir:
I. A música deve desenvolver agressividade e destempero para evitar o temor dos inimigos
perante a guerra.
II. A música deve desenvolver sentimentos éticos nobres para bem servir a cidade e os cida-
dãos.
III. A música deve divertir, entreter e evocar sentimentos afrodisíacos, para alívio do temor
perante a guerra.
IV. A música deve moldar qualidades como temperança, generosidade, grandeza de alma e
outras similares.

Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.


a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.
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48
Filosofia

4. (UEL-2007) Leia o texto a seguir.

A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular
destino de se ver atormentada por questões que não pode evitar, pois lhe são impostas pela
sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamen-
te as suas possibilidades.
(KANT, I. Crítica da Razão Pura (Prefácio da primeira edição, 1781). Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre
Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 03.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Kant, o domínio destas intermináveis disputas
chama-se
a) experiência.
b) natureza.
c) entendimento.
d) metafísica.
e) sensibilidade.

5. (UEL) Tendo por base o método cartesiano da dúvida, é correto afirmar que:
a) Este método visa a remover os preconceitos e opiniões preconcebidas e encontrar uma
verdade indubitável.
b) Ao engendrar a dúvida hiperbólica, o objetivo de Descartes era provar que suas antigas
opiniões, submetidas ao escrutínio da dúvida, eram verdadeiras.
c) A dúvida hiperbólica é engendrada por Descartes para mostrar que não podemos rejeitar
como falso o que é apenas dubitável.
d) Só podemos dar assentimento às opiniões respaldadas pela tradição.
e) A dúvida metódica surge, no espírito humano, involuntariamente.

nhecimento s
Ampliando Co

Sugestão de filmes:
Os filmes a seguir podem enriquecer as discussões desenvolvidas neste e em módulos anteriores; eles pro-
porcionam relações filosóficas interessantes. Vale a pena assistir aos filmes com um “olhar filosófico”. Bom
filme!
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Uma Mente Brilhante
Título original: A Beautiful Mind
Gênero: Drama
Tempo de duração: 135 minutos.
Ano (EUA): 2001
Direção: Ron Howard
Comentário: Pode-se fazer a relação entre a busca da certeza matemática, o mundo
racional desnudado de emoções.
O Nome da Rosa
Título original: The Name of the Rose
Gênero: Drama
Tempo de duração: 130 minutos.
Ano: (ALE/FRA/ITA) 1986
Direção: Jean Jacques Annaud
Comentário: A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feu-
dalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem assim, nesse período,
transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), social (pro-
jeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais
representadas pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do
ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero, na Alemanha, em 1517.
Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no
século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O Re-
nascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da Antigüidade greco-roma-
na os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram
em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.
No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma
postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes co-
metidos no mosteiro.
Matrix
Título original: The Matrix
Gênero: Ação/Ficção Científica
Duração: 136 minutos
Ano: (EUA) 1999
Direção: Larry Wachowski, Andy Wachowski
Comentário: Abordagem sobre realidade, o desconhecido, a verdade, as engana-
ções captadas pelos sentidos, os enganos são provocados possibilitam a abordagem
sobre Descartes.
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Sugestão de leitura:
Horn, G.B. Textos Filosóficos em Discussão. Curitiba: Editora Elenco, 2006.
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Filosofia

Referencias

ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2 ed. São Paulo:
Moderna, 1998.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 1996.
CORDI, Cassiano; SANTOS, Antonio Raimundo dos. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 2000.
DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do Futuro: cidadania hoje e amanhã. 9. ed. São Paulo: Á
­ tica, 2000.
GALLO, Silvio (Coord.) Ética e Cidadania: caminhos da filosofia. 5. ed. Campinas.
HORN, Geraldo Balduino. Textos Filosóficos em Discussão. Curitiba: Editora Elenco, 2006.
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Filosofia política

A Filosofia política é o campo da in-


vestigação filosófica que se ocupa das
relações humanas consideradas em seu
sentido coletivo. Ela é antiga, é o bem comum,
representado pelo homem político, compreen-
dido como o cidadão, habitante da polis, que
tem direitos e deveres. Esse homem político
discute e delibera acerca das leis e das estru-
turas da sociedade e tem o seu espaço de atu-
ação privilegiado na esfera pública, no átrio,
no Senado. A Filosofia política e os pensadores
vão problematizar as questões da legitimação e
justificação do Estado e de governo; os limites
e a organização do Estado e do indivíduo; a
questão da distribuição da riqueza e a questão
do poder.
Dialogando sobre
Filosofia e política
A essência da política
Analise o seguinte poema:

O analfabeto político
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do
sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
política.
Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor aban-
donado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra,
corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
(BRECHT, Bertold. O analfabeto político. In: SOUZA, Sonia M.Ribeiro de.
Um Outro Olhar: Filosofia. São Paulo, FTD, 1995, p. 154.)

Qual é a relação entre a charge e o poema “O analfabeto político”?


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Filosofia

Como está a visão da atual política brasileira entre a população?

As pessoas da charge estão se referindo a política ou a politicagem? Por quê?

Registre o seu pensamento:

Para você, o que é política?

Qual é a sua participação na política?

Você se considera um ser político? De que maneira?


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Construindo a trajetória da política no Brasil
Para esta reflexão, vamos tomar como recorte o período da História do Brasil marcado pelo Golpe
Militar de 1964.
Faça uma pesquisa sobre quais foram os marcos mais significativos desse período, pode ser em
relação à política, educação, economia, questões sociais, cultura e outros.
Com as informações obtidas, organize um texto apresentando esse período da História.

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Filosofia

Leia o texto a seguir:

É preciso recordar, [...], que a liberdade e a democracia não são os únicos bens do mundo;
que há muitas outras causas dignas de serem defendidas em política, além da liberdade.
[...]. Um regime de descentralização sistemática [...], em vez de ser um agente de força e
progresso, pode muito bem ser um fator de fraqueza e aniquilamento e, em vez de assegurar
a liberdade e a democracia, pode realmente resultar na morte da liberdade e da democracia.
(VIANA, 1999, p. 15)
(Disponível em: <http://acesso.alol.com.br/gustavo/acervo/complementos/biblioteca/livros/instituições_politicas.pdf>)

Faça um quadro comparativo exemplificando o que existe no Brasil na esfera política, o que é
morte da democracia e o que é incentivo à democracia.

Morte da democracia Incentivo à democracia

Na vida política do país, há um direito público que valoriza a igualdade e que está concretizado
na Constituição. Pesquise o artigo da Constituição que contempla esse princípio. Você concorda com
essa afirmação?
Para expressar a sua compreensão, elabore um texto e uma ilustração.
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A política e o cotidiano
A política consiste no conjunto das relações de poder vividas na sociedade. Todas as situações que
vivemos envolvem relações de poder que mantêm a ordem social. As relações de poder estabelecidas em
nosso cotidiano fazem parte do contexto maior de organização social e política moderna, em que a acu-
mulação e a concentração de riquezas geram relações sociais e políticas desiguais e excludentes. Como
a política faz parte de nossa vida, em todas as relações, por que a participação política é tão restrita?
A forma de governo dos Estados modernos é a democracia representativa, pelo exercício do voto
secreto e universal e pela ação dos partidos políticos, estes representantes dos interesses de grupos
sociais. Veja um exemplo de decisão política que afeta a população de modo geral, direta ou indire-
tamente: as relações de trabalho são regulamentadas por uma legislação elaborada e sancionada por
nossos representantes políticos; nela se estabelecem os direitos e deveres do empregador e do empre-
gado. Nosso acesso aos benefícios sociais, como saúde e educação, também é prescrito por leis e ações
advindas do Congresso Nacional.
Pesquise e registre no espaço abaixo ações do Congresso Nacional que, de acordo com seu enten-
dimento, são voltadas para o beneficio da sociedade. Pesquise ações que não estão voltadas para o bem
comum.
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Filosofia

Como posso participar da vida política?


Como jovem, é possível participar da vida política de várias formas, e uma delas é por meio do
voto. Nesse sentido, vale a pena uma reflexão:

Desafio

Você sabe qual é a finalidade do Título de Eleitor? Será que a nossa participação somente pelo
voto é a mais correta para garantir uma participação justa nas decisões das sociedades políticas?
Justifique a sua resposta.
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Evandro Teixeira.
Como jovem, você pode ser um agente de divulgação e orientação quanto às idéias sobre a par-
ticipação política.
Sugestão:
Visite o Fórum mais próximo, colete informações que possam esclarecer aspectos sobre o tema
voto.
Visite o site: <www.tse.gov.br/internet/index.html> e veja a Campanha de Conscientização do Voto
Jovem, destinada aos eleitores de 16 e 17 anos.
Leia o texto a seguir e faça um comentário sobre a importância do voto sob o seu ponto de vista.

Voto não é detergente


Uma das lorotas mais nocivas e sem base na verdade e na lógica da política brasileira
é a tentativa de atribuir ao voto popular uma inexistente natureza de detergente. Todo
político acusado de algum delito que consegue retomar seu mandato nas urnas apela para
esse argumento furado do julgamento popular. “Fui julgado pelo povo e absolvido. Logo,
não sou bandido.” Nada disso: eleição não é julgamento, urna não é tribunal, eleitor não
é juiz, voto não é sentença. No Estado democrático de Direito, o cidadão é convocado para
escolher entre as pessoas selecionadas pelos partidos seus representantes no Congresso e os
principais mandantes do Poder Executivo. Esse é seu poder. Essa é sua prerrogativa. O fato
de ele escolher A ou B para aprovar leis ou gerir a máquina pública, contudo, não configura
a inocência de um candidato no exercício de um mandato popular nem o de preterir outrem,
sua culpa. No sistema tripartite de poderes, o Legislativo faz as leis, o Executivo as executa
e o Judiciário julga se isso foi feito de forma correta. Legisladores e executivos são escolhi-
dos pela cidadania e esse é o limite final de seu poder. Ela elege, não julga. Sua opção não
pode ser interpretada como pena nem como unção. A função de determinar se houve crime
e quem o cometeu é da autoridade policial, que, escolhida pelos gestores públicos, exerce o
monopólio do exercício da força legítima para impor a lei aos recalcitrantes. E a de julgar e
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Filosofia

condenar ou inocentar esses eventuais infratores cabe à Justiça. Eleição não tem nada a ver
com isso, e dar ao eleitor poderes de policial, juiz ou carrasco equivale a aceitar decisões
arbitrárias de um juiz que não ouça as razões da acusação nem da defesa do réu nem sequer
compulse os autos do processo. Absurda aqui é a hipótese lembrada, não a comparação.
(Disponível em: <www.neumanne.com/da_jp19.htm>. Acesso em 04 dez. 2007)

Política na atualidade Wilian Medeiros.

Ao pesquisarmos os meios de comunicação, é possível encontrar a entrevista realizada pelo jornal


Folha de São Paulo em 18 de setembro de 2006, com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que eu acho é que a política brasileira tem uma tradição secular de dependência eco-
nômica dos candidatos, de financiamento, e de cobrança depois. Sempre foi assim e, se não
mudar o sistema, vai continuar sendo assim. Qualquer brasileiro sabe. É só pegar a história da
política brasileira desde a Proclamação da República, gente! Ninguém está inventando nada.
A política brasileira é isso. Na história política do Brasil recente, muitos corruptos eram tra-
tados como espertos. Fulano de tal é velhaco, malandro. A imprensa tratava o bandido como
o esperto da política, profissional competente.”
(Disponível em: <www.sc.gov.br/clipping_governo/noticia_int.asp?str_data=18/09/2006&cd_noticia=141799&str_
retorno=clipping.asp>. Acesso em: 04 dez. 2007.)

A partir de suas reflexões, faça o que se pede:

Cite fatos que demonstram a relação entre as decisões políticas e a vida dos indivíduos na
sociedade.
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O que pode gerar a inconsciência política e a conseqüente indiferença dos indivíduos pelas
questões políticas?

Explique por que a omissão política é uma forma de participação.

Qual é a importância da participação política?

Concepção de política
Texto I

Poder e a força

[...] o homem é um animal que, quando vive entre outros de sua espécie, tem necessi-
dade de um senhor, pois ele certamente abusa de sua liberdade relativamente a seus seme-
lhantes; e, se ele, como criatura racional, deseja uma lei que limite a liberdade de todos, sua
inclinação animal egoísta o conduz a executar-se onde passa. Ele tem necessidade de um
senhor que quebre a sua vontade particular e o obrigue a obedecer à vontade universalmen-
te válida, de modo que todos possam ser livres. Mas de onde tirar esse senhor? De nenhum
outro lugar senão da espécie humana. Mas ele é também um animal que tem necessidade de
um senhor. Seja qual for o começo, não se vê como o homem pode se dar, para estabelecer
a justiça pública, um chefe que também seja justo – ele pode procurá-lo numa única pessoa
ou num grupo de pessoas escolhidas para isso, pois todos eles abusarão sempre de sua liber-
dade se não tiverem acima de si alguém que exerça o poder segundo as leis. O supremo chefe
deve ser justo por si mesmo e todavia ser um homem. Essa tarefa é, por isso, a mais difícil
de todas; sua solução perfeita é impossível: de uma madeira tão retorcida, da qual o homem
é feito, não se pode fazer nada reto. Apenas a aproximação a essa idéia nos é ordenada pela
natureza.
(KANT, I. Idéia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 15.)
(Para Filosofar. CORDI et al. . São Paulo: Scipione, 2000, p. 188.)
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Filosofia

Texto II

Visto que a autoridade sempre exige obediência, ela é comumente confundida com algu-
ma forma de poder ou violência. Contudo, a autoridade exclui a utilização de meios externos
de coerção, onde a força é usada, a autoridade em si mesma fracassou. A autoridade, por
outro lado, é incompatível com a persuasão, a qual pressupõe igualdade e opera mediante um
processo de argumentação. Onde se utilizam argumentos, a autoridade é colocada em sus-
penso. Contra a ordem igualitária da persuasão, ergue-se a ordem autoritária, que é sempre
hierárquica. Se a autoridade deve ser definida de alguma forma, deve sê-lo, então, tanto em
contraposição à coerção pela força como à persuasão através de argumentos. [...] A autori-
dade implica uma obediência na qual os homens retêm sua liberdade...
(ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro. São Paulo. Perspectiva, 1972, p. 129.)

Após a leitura dos textos, escreva nas linhas abaixo que idéia está expressa nos mesmos.

Agora, para colaborar nas reflexões, leia esta frase e procure registrar qual é a forma de entender
política e a sua relação com democracia:

A política não é ciência, é ação que se inventa. Os transformadores sabem que navegam sem mapa,
campeando justiça e a emancipação dos homens.
(CHAUÍ, Marilena. Filosofando: introdução a Filosofia. São Paulo: Moderna 1993. p. 180.)
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exao
Exercicios para refl

Resolva as questões propostas:

Domínio público.

1. (UEM) – Com base na figura e nos conhecimentos sobre o Brasil contemporâneo, a manifestação
visava a reivindicar
a) eleições diretas, de modo a instituir o regime parlamentarista.
b) a derrubada do poder então vigente, conforme exigência dos operários.
c) o impeachment do presidente da república, denunciado por corrupção.
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d) a convocação de eleições diretas após vinte anos de regime ditatorial.


e) a participação dos estudantes no governo, na forma de democracia direta.

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Filosofia

2. (UEM) – O trecho a seguir, de autoria de Victor Nunes Leal, encontra-se no clássico Coronelis-
mo, Enxada e Voto, publicado em 1949.

E assim nos parece este aspecto importantíssimo do ‘‘coronelismo’’, que é o sistema de re-
ciprocidade: de um lado, os chefes municipais e os ‘‘coronéis’’, que conduzem magotes de elei-
tores como quem toca tropa de burros; de outro, a situação política dominante no Estado,
que dispõe do erário, dos empregos, dos favores e da força policial, que possui, em suma, o
cofre das graças e o poder da desgraça. É claro, portanto, que os dois aspectos – o prestígio
próprio dos ‘‘coronéis’’ e o prestígio de empréstimo que o poder público lhes outorga – são
mutuamente dependentes e funcionam ao mesmo tempo como determinantes e determina-
dos. Sem a licença do ‘‘coronel’’ – firmada na estrutura agrária do país –, o governo não se
sentiria obrigado a um tratamento de reciprocidade, e sem essa reciprocidade, a liderança do
‘‘coronel’’ ficaria sensivelmente diminuída.
(LEAL, V. N. Coronelismo, Enxada e Voto. 5. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1986. p. 43.)

3. Com base no texto e nos conhecimentos sobre a situação social e política do país, no período
em questão, assinale a alternativa correta a respeito das eleições e do sistema representativo
no Brasil:
a) A troca de favores entre chefes locais e poder público é algo completamente superado pela
democracia que se instaurou no Brasil nos últimos 20 anos.
b) Independentemente da estrutura social e política, a prática da troca de favores entre
chefes locais e poder público continua sendo o mecanismo primordial de relacionamento
político no Brasil.
c) A troca de favores entre chefes políticos locais e poder público ocorria graças aos “votos
de cabresto”.
d) A troca de favores entre chefes políticos locais e poder público só acontecia porque os
cidadãos lutavam por seus direitos.
e) A troca de favores entre os chefes políticos e o poder público foi a maneira encontrada por
ambos para defender os interesses públicos e republicanos.

O homem político poderia ser ele mesmo. Autenticamente. Ele prefere parecer. Ainda
que seja preciso simular ou dissimular. Compondo um personagem que atraia a atenção e
impressione a imaginação. Interpretando um papel que é por vezes um papel composto. De
modo que, recorrendo a um vocabulário colhido no teatro, fala-se em “vedetes” outrora em
“tenores”, sempre em “representação política”.
(SCHWARTZENBERG, R. O. Estado Espetáculo. Tradução de Heloysa de Lima Dantas.
Rio de Janeiro-São Paulo: Difel, 1978. p. 7.)

4. Com base nos textos e nos conhecimentos sobre os temas indústria cultural e política, é cor-
reto afirmar:
EM_FIL.004

a) Na atualidade, a arte de dissimular dos políticos está cada vez menos evidente, e com base
nela os eleitores escolhem seus candidatos.

65
b) Por meio da imagem construída pelo candidato pode-se distinguir claramente a sua ideologia.
c) Na era das comunicações, o indivíduo torna-se cada vez mais informado, portanto, mais
imune à propaganda, inclusive a propaganda política.
d) No Brasil, a indústria cultural torna manifestações como teatro, literatura, música po-
pular e as artes plásticas, livres de qualquer traço de mediocridade por ter conotação
ideológica.
e) A indústria cultural repousa sobre a produção de desejos, imagens, valores e expectativas,
por isso somos mais suscetíveis à propaganda política.

5. A música do grupo Titãs provoca uma reflexão sobre a chamada “ordem” estabelecida. Qual
seria essa “ordem” expressa na letra da música?

Desordem
Titãs

Os presos fogem do presídio,


Imagens na televisão.
Mais uma briga de torcidas,
Acaba tudo em confusão.
A multidão enfurecida
Queimou os carros da polícia.
Os preços fogem do controle,
Mas que loucura esta nação!
Não é tentar o suicídio
Querer andar na contramão?

Quem quer manter a ordem?


Quem quer criar desordem?

Não sei se existe uma justiça,


Nem quando é pelas próprias mãos.
População enlouquecida,
Começa então o linchamento.
Não sei se tudo vai arder
Igual a um líquido inflamável,
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O que mais pode acontecer


Num país rico e no entanto miserável!

66
Filosofia

E ainda pode se encontrar


Quem acredite no futuro...

Quem quer manter a ordem?


Quem quer criar desordem?

É seu dever manter a ordem,


É seu dever de cidadão,
Mas o que é criar desordem,
Quem é que diz o que é ou não?
São sempre os mesmos governantes,
Os mesmos que lucraram antes.
Os sindicatos fazem greve
Porque ninguém é consultado,
Pois tudo tem que virar óleo
Pra por na máquina do Estado.

Quem quer manter a ordem?


Quem quer criar desordem?

6. Num segundo momento, escreva:

Para cada “desordem” expressa na letra da música, crie uma frase que expresse a “ordem”.
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67
nh ecimentos
Ampliando Co

Sugestão de filmes

Uma Cidade sem Passado. Direção de Michael Verhoeven. Alemanha. Sentana Film-
produktion, 1989. 92min.
Sinopse: Durante a reunificação das Alemanhas surge um filme perversamente cômi-
co que acusa os alemães ocidentais de serem hipócritas incorrigíveis – ontem eram
nazistas, hoje são democratas liberais, amanhã serão o quê? O roteiro inspira-se na
história real de um adolescente da Bavária que escreveu uma tese sobre o impacto
do nazismo em seu país, tornando-se objeto do desprezo dos seus compatriotas.

Missing – Desaparecido. Direção de Costa Gavras. EUA. 1982. 16min.


Sinopse: Num restaurante em Santiago, Chile, um jovem jornalista norte-america-
no, residente nesse país, acaba escutando uma conversa na mesa ao lado, entre um
agente da CIA e militares chilenos, que deixa clara a participação do governo norte-
americano no golpe militar que depôs o governo socialista de Salvador Allende e
inaugurou a ditadura do general Augusto Pinochet.
A obra de Costa Gavras focaliza, inicialmente, o cotidiano do jornalista no Chile
até seu desaparecimento, dias após o golpe de Estado do general Pinochet. O filme
prossegue até o final com a busca desesperada do pai e da mulher do jornalista, na
tentativa de encontrá-lo.
O Chile pós-golpe de Estado, os primeiros dias da repressão e todo horror da dita-
dura chilena, considerada uma das mais violentas da América Latina, são fielmente
retratados pelo filme, que venceu a Palma de Ouro e o prêmio de melhor ator no
festival de Cannes, além do Oscar de melhor roteiro adaptado.

Referencias

CHAUÍ, Marilena Chauí. Filosofando: introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 1993.
Vários autores. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 2000. p. 186.
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VIANNA, Oliveira. Instituições Políticas Brasileiras. Brasília: Conselho Editorial do Senado Federal, 1999.

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Filosofia

<www.unb.br/fac/comunicacaoepolitica/Vera2001.pdf>.
<www.kas.de/db_files/dokumente/7_dokument_dok_pdf_6550_1.pdf>.
Para seu aprofundamento e diversão:
<www.filonet.pro.br/>.
<http://www.consciencia.org/>.
<http://prosapolitica.blogspot.com/>.
REALE, G.; ANTISERI, D. História da Filosofia: patrística e escolástica. São Paulo: Paulus, 2003.
SHARP, A. M. A Sala de Aula como Comunidade de Investigação Dialógica. Disponível em: <www.
philosletera.org.br>. Acesso em: 10 ago. 2007.
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69
70
EM_FIL.004
Filosofia e religião

S urgia na Grécia, por volta de 600


anos a. C., o que entendemos hoje
por Filosofia. Anterior a isso, todas as per-
guntas surgidas pelos homens eram res-
pondidas pelas diferentes religiões, que
eram repassadas de geração para geração,
através dos mitos.
O medo do desconhecido e a necessidade
de dar sentido ao mundo que o cerca leva-
ram o homem a fundar diversos sistemas
de crenças, cerimônias e cultos, que o aju-
dam a compreender o significado último de
sua própria natureza. Mitos, superstições
ou ritos mágicos que as sociedades primi-
tivas teceram em torno de uma existência
sobrenatural, inatingível pela razão, equi-
valeram à crença num ser superior e ao
desejo de comunhão com ele, nas primei-
ras formas de religião. Os filósofos gregos
tentaram provar que tais explicações não
eram confiáveis, e encontraram explica-
ções naturais para processos da natureza.
Neste módulo, tentaremos repassar algu-
mas delas.
Dialogando sobre
Filosofia e religião
Pensando no sentido do que é sagrado
Para você refletir.
Leia cada frase e tente perceber sob que aspectos uma difere da outra.

Nada pode surgir do nada[...] E nada que existe pode se transformar em nada. Só acredito
vendo[...]
Parmênides

Tudo flui, tudo está em movimento e nada dura para sempre[...] O ser não é mais que o
vir a ser.
Heráclito

A natureza atua com duas forças: o amor e a disputa. O amor une, a disputa separa.
Empédocles

O homem é um microcosmo. Tudo que existe no universo nasce do acaso ou da necessi-


dade, isto é, nada nasce do nada, nada retorna ao nada[...]
Demócrito

O homem é a medida de todas as coisas[...] O mundo é o que o homem constrói e destrói.


Protágoras

Só sei que nada sei.


Sócrates

Então, percebeu o que os filósofos queriam fazer? Na verdade cada um, do seu jeito, queria explicar
os fenômenos existenciais. Você concorda com essas afirmações? Com qual delas você se identifica mais?
EM_FIL.005

72
Filosofia

Se você se interessou por alguma dessas frases, aproveite e faça uma pesquisa sobre o autor.
Dessa maneira, você o conhecerá um pouco mais e poderá verificar se realmente vocês possuem algo
em comum.
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73
O sagrado

Comstock Complete.
Grã Bretanha - Londres.

Para você, o que é sagrado? Um templo? A natureza? Um ritual? A família? Os amigos? Na verdade,
cada um de nós tem algo que é sagrado, não é mesmo?
Um sentimento, um local, uma relíquia e porque não o nosso quarto. Espaços e/ou coisas intocá-
veis, inquestionáveis.
Registre no espaço abaixo o que é sagrado para você:

EM_FIL.005

74
Filosofia

Certamente, a forma de entender o que é sagrado diferencia-se de pessoa para pessoa.


Como pesquisa, investigue, converse com outras pessoas sobre como elas entendem essa dimen-
são: o sagrado.
Depois, anote na seqüência:

Nome Sagrado é

O que alguns pensadores consideram sagrado


Na análise de Otto (1992), o sagrado é uma categoria de interpretação e avaliação, a priori, e,
como tal, somente podemos remetê-la ao contexto religioso.
A teoria do sagrado ottoniana nos permite resguardar um atributo essencial para o fenômeno
religioso ao mesmo tempo em que o torna operacional. Nessa abordagem, o sagrado reserva aspectos
ditos racionais, ou seja, passíveis de uma apreensão conceitual através de seus predicados, e aspectos
não-racionais, que escapam à primeira apreensão, sendo exclusivamente captados enquanto sentimento
religioso. O não-racional é o que foge ao pensamento conceitual por ser de característica explicitamente
sintética, e só é assimilado enquanto atributo. Nesse patamar reflexivo está o âmago da oposição entre
o racionalismo e a religião.
Segundo Chauí (2000), o sagrado é uma experiência da presença de uma potência ou de uma força
sobrenatural que habita algum ser – planta, animal, humano, coisas, ventos, água, fogo. Essa potência é
tanto um poder que pertence própria e definitivamente a um determinado ser, quanto algo que ele pode
possuir e perder, não ter e adquirir. O sagrado é a experiência simbólica da diferença entre os seres, da
superioridade de alguns sobre outros, do poderio de alguns sobre outros, superioridade e poder sentidos
como espantosos, misteriosos, desejados e temidos.
A sacralidade introduz uma ruptura entre natural e sobrenatural. Mesmo que os seres sagrados
EM_FIL.005

sejam naturais (como a água, o fogo, o vulcão), é sobrenatural a força ou potência para realizar aquilo
que os humanos julgam impossível efetuar, contando apenas com as forças e capacidades humanas.
75
A invenção cultural do sagrado se realiza como processo de simbolização e encantamento do
mundo, seja na forma de imanência do sobrenatural no natural, seja na transcendência do sobrenatural.
O sagrado dá significação ao espaço, ao tempo e aos seres que neles nascem, vivem e morrem.
A passagem do sagrado à religião determina as principais finalidades da experiência religiosa e da
instituição social religiosa.

Agora é com você


Tendo realizado a leitura do texto anterior, somado a sua forma de entender o que é sagrado e
também à forma de conceber o que é sagrado por outras pessoas, expresse uma forma de entender o que
é sagrado. Pode ser com desenhos, gravuras, textos... O importante é que você expresse uma compre-
ensão de sagrado.

EM_FIL.005

76
Filosofia

A religião
Afinal, Deus existe? A vida tem sentido? O que é a morte? Essas, entre outras perguntas, são feitas
constantemente, e para respondê-las precisamos sair do conhecimento do senso comum e nos inserir nos
estudos que nos levam a responder as diferentes perguntas que nos cercam em nossa trajetória.
Talvez não consigamos encontrar todas as respostas, mas ao menos saberemos justificar o motivo
ou não de crer em algo.
A palavra religião vem do latim: religio, formada pelo prefixo-re
(outra vez, de novo) e o verbo ligare (ligar, unir, vincular). A religião é
um vínculo.

Dentre as finalidades da experiência religiosa, destacamos:


Proteger os seres humanos contra o medo da natureza, nela
encontrando forças benéficas, contrapostas às maléficas e des-
truidoras;
Dar aos humanos um aceso à verdade do mundo, encontrando
explicações para a origem, a forma, a vida e a morte de todos
os seres e dos próprios humanos;
Oferecer aos humanos a esperança de vida após a morte, seja
sob forma de reencantamento perene, seja sob a forma de reen-
carnação purificadora, seja sob a forma da imortalidade individual, que permite o retorno do
homem ao convívio direto com a divindade, seja sob a forma de fusão do espírito do morto no
seio da divindade. As religiões da salvação, tanto as de tipo judaico-cristão quanto as de tipo
oriental, prometem aos seres humanos libertá-los de pena e da dor da existência terrena;
Oferecer consolo aos aflitos, dando-lhes uma explicação para a
dor, seja ela física ou psíquica;
Garantir o respeito às normas, às regras e aos valores da morali-
dade estabelecidas pela sociedade. Em geral, os valores morais
são estabelecidos pela própria religião, sob a forma de manda-
mentos divinos, isto é, a religião reelabora as relações sociais
existentes como regras e normas, expressão da vontade dos
deuses ou de Deus, garantindo a obrigatoriedade da obediência
a elas, sob pena de sanções sobrenaturais.

Você é praticante ou seguidor de alguma religião? A prática religiosa interfere no seu modo de ser,
pensar e agir? De que maneira? Escreva sobre isso.
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77
O mapa da fé
O censo do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000 revela
o Brasil como uma nação predominantemente cristã, de maioria católica e com forte cresci-
mento dos evangélicos pentecostais. Em uma população de 174 milhões de habitantes, 128
milhões (73,8%) disseram ser católicos; 26 milhões (15,4%) evangélicos; e 6 milhões (3,5%)
afirmam pertencer a outras religiões, tais como budismo, judaísmo, islamismo, espiritismo
kardecista, umbanda, candomblé, entre outras opções. Mais de 12 milhões de pessoas (7,3%)
disseram não pertencer a nenhuma forma de religião organizada.
O Rio de Janeiro apresentou a menor proporção de católicos (57,2%) e o maior contin-
gente de pessoas sem religião (15,5%). As pesquisas indicam que, ao longo dos censos, o Rio
de Janeiro vem apresentando uma maior diversidade de declarações de religião.
As maiores concentrações de evangélicos estão na região Norte do país, mais especifica-
mente no Amazonas (19,2%), Roraima (23,6%), Acre (20,4%) e Rondônia (27,7%). No Rio
de Janeiro (21,1%), Espírito Santo (27,5%) e Goiás (20,8%), as proporções também foram
expressivas.
O catolicismo teve maior penetração nos estados pertencentes à região Nordeste, princi-
palmente no Piauí (93,1%), Ceará (84,9%), Paraíba (84,2%) e Maranhão (83%). Além do Rio
de Janeiro, Espírito Santo (60,9%) e Rondônia (57,5%) apresentaram as menores proporções de
católicos apostólicos romanos.
A religião no mundo
Segundo o censo World Christian Encyclopedia, publicação de universidade inglesa Oxford,
o cristianismo é a religião com maior numero de adeptos; predomina em cinco dos seis conti-
nentes (Ásia, África, Europa, América, Oceania). O islamismo é a principal religião da Ásia e
tem expressiva adesão na África. O número de muçulmanos aumentou 157% nos anos 1990.
Assim sendo, o cristianismo (1 999 569 adeptos) e o islamismo (1 188 242 adeptos) são as
únicas religiões com mais de 1 bilhão de fiéis cada uma.
A World Christian Encyclopedia classifica o mundo religioso nos seguintes grupos: cris-
tianismo, islamismo, hinduísmo, crenças populares chinesas, budismo, crenças tradicionais
(animistas, politeístas, xamanistas), novas religiões (ramos hindus e budistas, bem como
novas formas sincretistas, que combinam o cristianismo com religiões orientais, a maior
parte na Ásia), sikhs, judaísmo, espiritismo, bahaísmo, confucionismo, jainismo, xintoísmo,
taoísmo, zoroastrismo e mandeísmo. Também apresenta estatísticas daqueles que se decla-
raram sem religião.
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(Diálogo - Revista do Ensino Religioso. Ano VII, n. 29, fevereiro de 2003.)

78
Filosofia

Críticas à religião
Ao provocar a ruptura entre logos e mythos, a cultura ocidental gerou um acontecimento desco-
nhecido em outras culturas: o conflito entre a fé e a razão, pois para a alma religiosa há um Deus; já
para a razão, é preciso provar a existência da divindade. Para o religioso, Deus é um ser perfeito, bom e
misericordioso, no entanto justo, punindo os maus e recompensando os bons. Para a razão, Deus é uma
substância infinita, mas é preciso provar que sua essência é constituída por um intelecto onisciente e
uma vontade onipotente.
A espiritualidade divina para o crente não é incompatível com a presença de poder ver Deus atuar
materialmente sobre o mundo, realizando milagres. Já para a razão, é preciso provar racionalmente que
é possível uma ação do espírito sobre a matéria e porque, sendo Deus onisciente, realizando milagres
suspenderia a ordenação necessária do mundo que Ele próprio estabeleceu.
A peculiaridade racional da cultura ocidental afetou a própria religião. Para competir com a razão
e suplantá-la, a religião precisou oferecer-se na forma de provas racionais, teses, conceitos, teorias.
Tornou-se Teologia, ciência sobre Deus. Transformou os textos da história sagrada em doutrina, coisa
que nenhuma outra religião fez. Apesar de todas as transformações que a religião passou, há coisas que
jamais serão comprovadas racionalmente, o que irá gerar questionamento sempre. A Filosofia e a ciência
acusam a religião de dogmatismo, atraso, superstição e intolerância, enquanto a religião acusa a razão
e a ciência de ateísmo e heresia (PERCÍLIA, 2007).
No século XIX, o filósofo Feuerbach criticou a religião como alienação. Os seres humanos vivem,
desde sempre, numa relação com a natureza e, desde muito cedo, sentem necessidade de explicá-la, e
o fazem analisando a origem das coisas, a regularidade dos acontecimentos naturais, a origem da vida,
a causa da dor e da morte, a conservação do tempo passado na memória e a esperança de um tempo
futuro. Para isso, criam os deuses. Dão-lhe forças e poderes que exprimem desejos humanos. Fazem-nos
criadores da realidade. Pouco a pouco, passam a concebê-los como governantes da realidade, dotados de
forças e poderes maiores dos que os humanos.
Nesse movimento, gradualmente, de geração a geração, os seres humanos se esquecem de que
foram os criadores da divindade, invertem as posições e julgam-se criaturas dos deuses. Estes, cada vez
mais, tornam-se seres onipotentes e distantes dos humanos, exigindo deste culto, rito e obediência.
Tornam-se transcendentes e passam a dominar a imaginação e a vida dos seres humanos. A alienação re-
ligiosa é esse longo processo pelo qual os homens não se reconhecem no produto de sua própria criação,
transformando-o num outro (alienus), estranho, distante, poderoso e dominador. O domínio da criatura
(deuses) sobre seus criadores (homens) é a alienação.
A análise de Feurbach foi retomada por Marx, de quem conhecemos a célebre expressão: “A religião é
o ópio do povo.” Com essa afirmação, Marx pretende mostrar que a religião – referindo-se ao judaísmo,
ao cristianismo e ao islamismo, isto é, às religiões da salvação, – amortece a combatividade dos opri-
midos e explorados, porque lhes promete uma vida futura feliz. Na esperança de felicidade e justiça no
outro mundo, os despossuídos, explorados e humilhados deixam de combater as causas de suas misérias
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nesse mundo.

79
Todavia, Marx fez uma outra afirmação que, em geral, não é lembrada. Disse ele que “a religião é
lógica e enciclopédia popular, espírito de um mundo sem espírito”. O que significam essas palavras?
Com elas, Marx procurou mostrar que a religião é uma forma de conhecimento e de explicação da
realidade, usada pelas classes populares – lógica e enciclopédia – para dar sentido às coisas, às relações
sociais e políticas, encontrando significações – o espírito no mundo sem espírito –, que lhes permitem,
periodicamente, lutar contra os poderes tirânicos. Marx tinha na lembrança as revoltas camponesas e
populares durante a Reforma Protestante, bem como na Revolução Inglesa de 1644, na Revolução Fran-
cesa de 1789, e nos movimentos milenaristas que exprimiam, na Idade Média, e no início dos movimen-
tos socialistas, a luta popular contra a injustiça social e política.
Se por um lado há a face opiácea do conformismo, há, por outro lado, a face combativa dos que
usam o saber religioso contra as instituições legitimadas pelo poder teológico-político. (Chauí, 2000).

Pesquisa

Povos de diferentes culturas têm formas distintas de expressar a sua religiosidade, a sua relação
com o sagrado.
Pesquise a dimensão religiosa de alguns povos, combine com o professor... E na data determinada
poderá ser organizado um seminário onde todos poderão expor as informações obtidas.

Conciliação entre Filosofia e religião


Segundo Kant, “[...] a religião não é Teologia, não é teoria so-
bre Deus, alma e mundo, mas é resposta a uma pergunta da razão que
esta não pode responder teoricamente: O que podemos esperar?”.
Qual é o papel da religião? “Oferecer conceitos e princípios para
a ação moral e fortalecer a esperança num destino superior da alma
humana. Sem Deus e a alma livre não haveria humanidade, apenas a
animalidade natural; sem a imortalidade, o dever tornar-se-ia banal”.
A consciência constitui as significações (fenomenologia), assu-
mindo atitudes diferentes, cada qual com seu campo específico, sua
estrutura e finalidade próprias. Assim como há a atitude natural (a
crença realista ingênua na existência das coisas) e a atitude filosófica
(a reflexão), há também a atitude religiosa, como uma das possibili-
dades da vida da consciência. Quando esta se relaciona com o mundo
através das categorias e das práticas ligadas ao sagrado, constitui a
atitude religiosa.
Assim, a consciência pode relacionar-se com o mundo de maneiras variadas – senso comum, ciên-
cia, filosofia, artes, religião –, de sorte que não há oposição nem exclusão entre elas, mas diferença. Isso
significa que a oposição só surgirá quando a consciência, estando numa atitude, pretender relacionar-se
com o mundo utilizando significações e práticas de uma outra atitude. Foi isto que engendrou a oposição
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e o conflito entre Filosofia, ciência e religião, pois, sendo atitudes diferentes da consciência, cada uma
delas não pode usurpar os modos de conhecer e agir, nem as significações da outra (Chauí, 2000).

80
Filosofia

Metafísica
É o ramo da Filosofia que busca a origem e as causas funda-

Creative Suite.
mentais de tudo. Dessa forma, utiliza conhecimentos racionais por
meio dos quais se busca determinar as regras básicas do pensa-
mento, e que abre a porta do conhecimento do real, tal como ele
verdadeiramente é.
A expressão metafísica teve origem por volta de 50 a.C.,
quando Andronico de Rodes, ao organizar a coleção da obra de Aris-
tóteles, deu o nome de tà meta tà physiká (que significa além da
Física) ao conjunto de textos que se seguiam aos da Física aristoté-
lica. Segundo a história, o termo passou a significar tudo o que está
além da Física. Isso porque, nesses estudos, Aristóteles acredita na
idéia de Deus como substância fundamental.
Os alicerces do pensamento de Aristóteles podem ser encon-
trados no platonismo. E para Platão a Filosofia é a única ciência
capaz de atingir o verdadeiro conhecimento. Por meio da argumentação, o filósofo aproxima-se das
idéias puras, como a verdade, a beleza, o bem e a justiça.
Durante a Idade Média, a metafísica confundiu-se com a Teologia. O italiano Santo Tomás de Aqui-
no dizia que a metafísica estudava a causa primeira e, como a causa primeira é Deus, ele era o objeto
da metafísica. Na Idade Moderna, a experiência passou a ser extremamente valorizada e a metafísica
deixou de ser considerada a base do conhecimento filosófico. Já na Idade Contemporânea, durante o
século XVIII, o alemão Immanuel Kant disse que a metafísica se reduzia ao estudo das condições e dos
limites do conhecimento.
No século seguinte foi a vez do francês Auguste Comte. Esse afirmou que a história da humani-
dade passava por três períodos: o teológico, o metafísico e o científico; E este último era superior aos
anteriores. No entanto, no século XX, veio uma nova definição, o alemão Martin Heidegger disse que a
metafísica confundia o estudo do ser, o verdadeiro objeto da Filosofa, com outros temas como a idéia,
a natureza e a razão.
O que se percebe na metafísica é que sua definição é o resultado de várias outras (Percília, 2007).

Fundamentalismo religioso
O fundamentalismo religioso está presente em todas as religiões, durante todas as épocas da
história da humanidade. Os fundamentalistas são os mais conservadores e literais seguidores de uma
religião, chegando, por vezes, a se desenvolver militarmente.
Existem várias correntes fundamentalistas religiosas entre os adeptos do islamismo, judaísmo e
cristianismo, além de outras. O fenômeno é conhecido há tempos, desde a época das Cruzadas, em que
fundamentalistas cristãos desenvolveram grupos militares para recuperar a Terra Santa.
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O fundamentalista acredita em seus dogmas como verdade absoluta, indiscutível, sem abrir-se,
portanto, à premissa do diálogo religioso. Por esse motivo, o fundamentalismo religioso se revela como

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fonte de intolerância, na qual o outro é analisado sob a ótica de ameaça, símbolo do mal, que pode
fragilizar as “muralhas de verdade” construídas pelo fundamentalista em seu discurso.
Em muitos casos, o fundamentalismo religioso é um fenômeno moderno, caracterizado pelo senso
de esvaziamento do meio cultural, até mesmo onde a cultura pode nominalmente ser influenciada pela
religião dos partidários. O termo pode também se referir especificamente à crença ou convicção de que
algum texto ou preceito religioso seja infalível e historicamente preciso ainda que contrários ao enten-
dimento de estudiosos modernos.
Alguns dos tópicos freqüentemente defendidos pelo fundamentalismo cristão são:
A infalibilidade e a inerrância das Escrituras Sagradas, a Bíblia;
A divindade de Jesus Cristo;
O nascimento virginal de Cristo;
A morte e a ressurreição de Jesus Cristo, a fim de salvar a humanidade;
A segunda vinda de Cristo;
A Criação em seis dias segundo o relato bíblico;
A Salvação eterna dos cristãos e a Condenação eterna dos não-cristãos.
Basicamente, é esta a definição do fundamentalismo cristão, uma simples resposta às múltiplas
tentativas de desacreditar a Bíblia e de contaminar a doutrina cristã com idéias e conceitos anti-bíblicos
(Evolucionismo, Relativismo, Humanismo Secular etc.).

Conclusão:
“Cabe-nos ressaltar que a atitude filosófica e a atitude religiosa são tipos de consciências dife-
rentes, cada uma delas não pode usurpar os modos de conhecer e agir nem as significações da outra.”
(Chauí, 2000, p. 42)

exao
Exercicios para refl

1. Ao término da unidade você já é capaz de elaborar um conceito de religião? Se sua resposta


for positiva descreva-o; se negativa aconselho que faça uma revisão da unidade.
EM_FIL.005

82
Filosofia

2. Comente a frase “O conhecimento religioso pode ampliar a compreensão de mundo e fa-


vorecer o respeito para com todas as etnias, religiões e filosofias de vida”.

3. No espaço abaixo, descreva um aspecto que você mais gosta em sua religião ou em alguma
religião que você conhece:
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4. No diagrama estão escondidas algumas palavras que foram trabalhadas nessa unidade.
Encontre-as e escreva seu significado nas linhas abaixo:

A M B C D E F G H F

W E R B Y T W Y I U

Q T T I U R A X J N

E A Y B I E B Z H D

R F I L O S O F I A

T I H I O A Ç X N M

Y S J A P G K V D E

Z I K E L R H U U N

X C L W Ç A G T I T

C A U Q N D R S S A

Y D I Z B O F Q M L

U F C R I S T A O I

I H O X B A P O L S

O J P C V S D N M M

A R E L I G I O S O
EM_FIL.005

84
Filosofia

5. Faça uma pesquisa levantando as principais religiões da sua comunidade, depois elabore um
folder explicativo sobre cada uma dessas religiões e distribua entre as mesmas pessoas pesqui-
sadas. Dessa forma você estará contribuindo no sentido de esclarecer as diferentes religiões
existentes e que todos podem conviver em paz.

nhecimento s
Ampliando Co

Sugestão de filmes

Fanny e Alexander. Direção de Ingmar Bergman. Suécia. Embassy Pictures Corpo-


ration, 1982. 178min.
Sinopse: No início do século XX, na Suécia, duas crianças acostumadas com a vida
farta, Fanny e Alexander, passam a morar com um bispo rigoroso após seu pai mor-
rer e sua mãe casar-se novamente, agora com o tal bispo. Elas deverão enfrentar
uma vida de miséria e dificuldades, com uma atmosfera bizarra e até mesmo assus-
tadora, típica dos filmes do diretor Ingmar Bergman.

Sugestão de leitura
ROSA, P.G. Marxismo, Comunismo e Cristianismo: diálogo ou desafio? São Paulo: Editora Cidade Nova,
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1985.
BOFF, L. Saber Cuidar. Petrópolis: Editora Vozes, 2001.

85
Referencias

ALVES, Rubem. O que é Religião. São Paulo: Loyola, 2003.


ROUXINOL, Manuel (dir.) As Grandes Religiões do Mundo. Revista Sem Fronteiras, São Paulo, 1974.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.
PERCILIA, Eliene. Filosofia e Religião. Disponível em: <www.brasilescola.com/filosofia>. Acesso em:
20 set. 2007.

OTTO, R. O Sagrado. Lisboa: Edições 70, 1992.


O fundamentalismo religioso. Disponível em <pt.wikipedia.org/wiki/fundamentalismo>. Acesso em: 18
set. 2007

EM_FIL.005

86
Filosofia e estética

V ocê já percebeu que algumas imagens nos


agradam e outras não?
Mas você sabe o porquê?
A estética começou por ser, sobretudo, uma
teoria do belo, depois passou a ser entendida
como teoria do gosto, e nos dias atuais conside-
ramos a percepção do que é considerado belo, a
produção das emoções pelos fenômenos estéticos,
bem como as diferentes formas de arte e do trabalho
artístico; a idéia de obra de arte e de criação; a
relação entre matérias e formas nas artes.
Dialogando sobre
Filosofia e Estética
A estética filosófica
A palavra estética vem do grego aisthétê ou aisthésis: percepção, sensação; e significa “faculdade
de sentir”, “compreensão pelos sentidos”, “percepção totalizante”. A estética é um ramo da Filosofia
que se ocupa das questões tradicionalmente ligadas à Arte, como o belo, o feio, o gosto, os estilos e as
teorias da criação e da percepção artísticas. Do ponto de vista estritamente filosófico, a estética estuda
racionalmente o belo e o sentimento que este desperta nos homens. Dessa forma, surge o uso corrente,
comum, de estética como sinônimo de beleza.
Analise a tirinha:

Hagar.
Analisando essa tirinha e o que foi dito, elabore uma definição do que é beleza:

EM_FIL.006

88
Filosofia

O belo
Será que podemos definir o que é a beleza? Ou esse conceito é determinado por várias situações
como a época em que se vive, nacionalidade e individualidade? Enquanto teoria do belo, a estética
defronta-se com problemas como “O que é o belo?” e “Como chegamos a saber o que é o belo?”
Platão foi o primeiro a formular explicitamente a pergunta: O que é o belo? O belo é identificado
com o bem, com a verdade e a perfeição. A beleza existe em si, separada do mundo sensível. Uma coisa
é mais ou menos bela conforme a sua participação na idéia suprema de beleza. Nesse sentido, criticou a
Arte, que se limitava a “copiar” a natureza, o mundo sensível, afastando assim o homem da beleza que
reside no mundo das idéias.
Defendendo o outro lado, temos os filósofos empiristas, como David Hume (século XVIII), que
relativizam a beleza, reduzindo-a ao gosto de cada um. Aquilo que depende do gosto e da opinião pes-
soal não pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: “Gosto não se discute.” O belo, dentro dessa
perspectiva, não está mais no objeto, mas nas condições de recepção do sujeito.
Kant, ainda no século XVIII, tentando resolver esse impasse entre objetividade e subjetividade,
afirma que o belo é “aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectu-
almente”. Para ele, o objeto belo é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no sujeito. O princípio do
juízo estético, portanto, é o sentimento do sujeito, e não o conceito do objeto. Apesar de esse juízo
ser subjetivo, ele não se reduz à individualidade de um único sujeito, uma vez que todos os homens têm
as mesmas condições subjetivas da faculdade de julgar. É algo que pertence à condição humana, isto é,
porque sou humano, tenho as mesmas condições subjetivas de fazer um juízo estético que meu vizinho
ou o crítico de Arte. O que o crítico de Arte tem a mais é o seu conhecimento de História e a sensibili-
dade educada. Assim, o belo é uma qualidade que atribuímos aos objetos para exprimir um certo estado
da nossa subjetividade, não havendo, portanto, uma idéia de belo nem regras para produzi-lo. Existem
objetos belos que se tornam modelos exemplares e inimitáveis.
Hegel, no século seguinte, introduz o conceito de História. A beleza muda de face e de aspecto
através dos tempos. E essa mudança (chamada devir), que se reflete na Arte, depende mais da cultura e
da visão de mundo presentes em determinada época do que de uma exigência interna do belo.
Hoje em dia, consideramos que o belo é uma qualidade de certos objetos singulares que nos são
dados à percepção. Beleza é, também, a imanência total de um sentido ao sensível, ou seja, a existência
de um sentido absolutamente inseparável do sensível. O objeto é belo porque realiza o seu destino, é
autêntico, é verdadeiramente segundo o seu modo de ser, isto é, é um objeto singular, sensível, que
carrega um significado que só pode ser percebido na experiência estética. Não existe mais a idéia de
um único valor estético a partir do qual julgamos todas as obras. Cada objeto singular estabelece seu
próprio tipo de beleza.
http:\\blog.spoladore.com
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89
O feio também é belo?
O problema do feio está contido nas colocações que são feitas sobre o belo. Por princípio, o feio
não pode ser objeto da Arte. No entanto, podemos distinguir, de imediato, dois modos de representação
do feio: a representação do assunto “feio” e a forma de representação feia. No primeiro caso, embora o
assunto “feio” tenha sido expulso do território artístico durante séculos (pelo menos desde a Antigüida-
de grega até a época medieval), no século XIX ele é reabilitado. No momento em que a Arte rompe com
a idéia de ser “cópia do real” e passa a ser considerada criação autônoma que tem por função revelar as
possibilidades do real, ela passa a ser avaliada de acordo com a autenticidade da sua proposta e com sua
capacidade de falar ao sentimento.
O problema do belo e do feio é deslocado do assunto para o modo de representação. E só haverá
obras feias se forem malfeitas, isto é, se não corresponderem plenamente à sua proposta. Em outras
palavras, quando houver uma obra feia, nesse último sentido, não haverá uma obra de arte.
Leia o texto abaixo e discuta o conceito que a reportagem mostra:

Conheça o cão mais feio do mundo


Há cerca de duas semanas, o mundo animal ganhou
mais um rei. É isso mesmo! O cão Elwood, uma mistura
das raças Cristado Chinês e Chihuahua, é o vencedor
de um campeonato que escolheu o cão mais feio do
mundo.
O concurso foi realizado na Califórnia, Estados Uni-
dos, na sexta-feira, dia 22.
Prêmio
A dona de Elwood, Karen Quigley, ganhou mil dólares de prêmio – o que equivale a cerca
de R$2 mil. Além de dar assistência veterinária ao cãozinho, Karen disse que pretende escre-
ver um livro contando a trajetória do rei da feiúra canina.
Ela vai dizer, por exemplo, que o primeiro dono de Elwood, ao ver que ele era feio pra
cachorro, resolveu mandar matá-lo. Foi quando Karen resolveu adotar o cãozinho.
Belo exemplo o de Karen, não é mesmo? Não dá pra sacrificar um cãozinho só por ele
ser feio...
(Disponível em: <www.plenarinho.gov.br/noticias/agencia_plenarinho/cao-mais-feio-ganha premio/
ver_noticia.html?b_start:int=30&ui=-9031832219459558916&id=cao-mais-feio-ganha-premio>. Acesso em: 04 dez. 2007)

O gosto
A questão do gosto não pode ser encarada como uma preferência arbitrária e imperiosa da nossa
subjetividade. Quando o gosto é assim entendido, nosso julgamento estético decide o que preferimos
em função do que somos. E não há margem para melhoria, aprendizado, educação da sensibilidade, para
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crescimento, enfim. Isso porque esse tipo de subjetividade refere-se mais a si mesma que ao mundo
dentro do qual ela se forma.
90
Filosofia

Se quisermos educar o nosso gosto frente a um objeto estético, a subjetividade precisa estar mais
interessada em conhecer do que em preferir. Para isso, ela deve entregar-se às particularidades de cada
objeto.
Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento sem preconceitos. É deixar que cada uma
das obras vá formando o nosso gosto, modificando-o. Se nós nos limitarmos àquelas obras, sejam elas,
música, cinema, programas de televisão, quadros, esculturas, edifícios, que já conhecemos e sabemos
que gostamos, jamais nosso gosto será ampliado. É a própria presença da obra de arte que forma o gos-
to: tomando-os disponíveis, faz-nos deixar de lado as particularidades da subjetividade para chegarmos
ao universal.
Assim, a educação do gosto se dá dentro da experiência estética, que é a experiência da presença
tanto do objeto estético como do sujeito que o percebe. Ela se dá no momento em que, em vez de impor
os meus padrões à obra, deixo que essa mesma obra se mostre a partir de suas regras internas, de sua
configuração única. Em outras palavras, no momento em que entro no mundo da obra, jogo o seu jogo
de acordo com suas regras e vou deixando aparecer alguns de seus muitos sentidos.
Isso não quer dizer que vá ser sempre fácil. Precisamos começar com obras que nos estejam mais
próximas, no sentido de serem mais fáceis de aceitar. E dar um passo de cada vez. O importante é não
parar no meio do caminho, pois o universo da Arte é muito rico e muito enriquecedor. Através dele,
descobrimos o que o mundo pode ser e, também, o que nós podemos ser e conhecer. Vale a pena.
Concluindo tudo isso que acabamos de discutir: os conceitos de beleza e feiúra, os problemas do
gosto e a recepção estética constituem o território desse ramo da filosofia denominado estética.
Considerando a letra da música a seguir, responda às questões:

Rap do feio
Gabriel, O Pensador

Dois irmãos gêmeos, um bonito e um feio


desde cedo o bonito sacaneava o feioso
dizendo que ele mais tarde ia trabalhar num
rodeio fazer careta pro touro e deixar o bicho nervoso
“Cala a boca, pentelho!”, repondia o feinho
“Vai casar com o espelho? Então fica sozinho”
e o feio saía sempre fazendo amizade, sem a menor vaidade
popular na cidade
na adolescência, malandro, mandava bem nas festinhas
e o bonito bolava se aparecia uma espinha
“Que espinha nem cravo, meu irmão, não esquenta! Eles apagam a luz antes da música
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lenta!”

91
“Uh, uh, uh, que beleza!”

E muito tempo depois, vendo o seu irmão tão lindo e tão mal humorado
o feio, sorrindo, criou um belo ditado:
“A beleza é passageira, mas feiúra é um bem que a gente tem pra vida inteira”
A mulherada gostava, a natureza foi sábia
ele perdia em boniteza mas ganhava na lábia:
“aí, gatinha, chega aí, chega mais perto, Não tema
eu sou 100% feio, eu sei, qual o problema?
eu sou feio mas te faço feliz, com palavras gentis
um papaya com licor de cassis
o feio sabe o que faz, o feio sabe o que diz
os detalhes sutis, você vai pedir bis
mais vale um feio maduro que dez galãs infantis
então pensa num ator, que eu penso numa atriz
apaga a luz e vem que o amor é cego, meu bem
abre a porta e vai entrando que eu entro também”

“Uh, uh, uh, que beleza!”

É dos feios que elas gostam mais


o feio não vacila, o feio corre atrás
e corre na frente, é valente, chega junto
um feio inteligente nunca fica sem assunto
já o bonito é diferente
confia na beleza e fica meio… diz, displicente
e nesse meio tempo em que o bonito só pensou no visual
o feio se arrumou e ganhou na moral
na real, o bonito se dá mal geral
quando é festa, churrasco, pagode ou carnaval
porque sempre que a mulher acompanhada perde a linha
só olha pro bonito
“Nossa, que gracinha!”
mas aí o maridão, que já tá cheio de cana
junta logo os outros cornos pra juntar o bacana
e se tiver tiro, o bonito é que morre
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o corno corre, a mina chora e adivinha quem socorre?

92
Filosofia

acertou em cheio quem achou que é o feio


que executa a mulher do alheio sem tiroteio
e se a própria mulher depois resolve contar
e o marido traido se recusa a acreditar:
“Quem?! Aquele cara ali? Ah, fala sério! Se é com ele pode ir.”

Eu sou feio mas eu faço bonito


E as mulhé dão grito, e as mulhé dão grito!
Eu sou feio mas a sorte me escolhe
E as mulhé dão mole, e as mulhé dão mole!

1. Qual é o tema da música?

2. O que você pensa sobre o ditado: “A beleza é passageira, mas a feiúra é um bem que a gente
tem pra vida inteira.”

3. Realize uma ilustração para fazer a sua interpretação da letra da música.


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exao
Exercicios para refl

Nem tudo o que vemos, ou observamos nos causa prazer ou alegria, é necessário que eduquemos
o nosso gosto.
É comum encontrarmos pessoas que não gostam de jiló, mesmo sem nunca tê-lo comido. Muitas
situações de não gostar de algo é porque ouvimos outras pessoas falarem, mas dificilmente é porque
experimentamos isso de fato, e com as nossas próprias teorias dizemos se gostamos ou não.
Por exemplo, o olhar para com as obras de arte. É necessário educar o que gostamos ou não. Jiló
até pode ser amargo, mas se o experimentarmos de outras formas podemos passar a apreciá-lo.

Gosto em obras de arte


Tente observar essa imagem, pensando somente no sentimento que ela causa em você.

The Sea at Les Saintes-Maries-de-la-Mer, 1888. Van Gogh.

Registre aqui qual é o seu sentimento em relação à obra:


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94
Filosofia

Agora analise a figura que está na seqüência e faça a mesma coisa:

Candido Portinari. Retirantes, 1944.


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A Arte em nosso cotidiano
Freqüentemente, ouvimos dizer que arte é uma coisa inútil, ou vemos pessoas zombando de certas
obras de arte de características pouco comuns em nosso dia-a-dia. Isso se dá porque elas não conse-
guem entender o que a obra significa, ou qual “mensagem” o artista quis passar. É preciso deixar claro
que o ser humano, pelas suas características biopsicossociais (seu corpo, sua razão e sua convivência
com outras pessoas), tem a tendência de se manifestar no mundo de maneira estética, procurando esta-
belecer em sua vida uma relação de beleza com tudo que o cerca. Essa manifestação, em alguns casos,
tende a ser muito pessoal, pois o artista irá colocar sua impressão a respeito de um fato social ou da
natureza retratando-a na obra.
O artista pode determinar funções para sua obra. Algumas delas são:

A obra toma uma posição crítica a respeito de um fato ou problema social,


Políticas denunciando uma injustiça, propondo uma ideologia política ou simples-
mente retratando a realidade de uma sociedade.

Servem às necessidade místicas das pessoas, para afirmar determinada


Religiosas proposta religiosa. Fazem parte de próprio culto em alguns casos, tal como
as imagens sagradas da religião católica.

Têm uma função social de colaborar na educação das pessoas, levando-as


Pedagógicas
a compreender o mundo por meio dos objetos artísticos.

A obra tem a finalidade exclusiva de retratar a realidade; por exemplo: a


Naturalistas
fotografia 3X4 que você tem no R.G.

Formalistas Se preocupam exclusivamente com a técnica usada naquele tipo de Arte.


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96
Filosofia

Por meio da técnica, o artista faz uso de conceitos práticos para “construir” sua obra de arte – o
pintor mistura tintas para conseguir uma tonalidade mais clara ou mais escura e que dará mais força ao
seu trabalho.
Por meio do conhecimento, o artista faz uso da experiência adquirida por si mesmo e pelos outros – o
mesmo pintor sabe que misturando as cores amarela e azul irá conseguir separar a cor verde.
Por meio da expressão, o artista faz uso de sua sensibilidade, de sua intuição e de sua imaginação
para dar a sua obra um caráter único, fazendo do objeto algo cheio de sentidos, sentidos que irão tocar
a todos que o virem – assim, o pintor ira retratar em sua obra o produto de sua criatividade pessoal,
que comunique aos outros seus sentimentos e impressões a respeito de um fato qualquer, seja um fato
social, seja um fato da natureza, seja mesmo um fato da sua imaginação.
(GALLO, Silvio. Ética e Cidadania: elementos para o ensino de Filosofia. Campinas: Papirus, 1997. p. 84-85.)

Tendo a leitura do texto e as demais atividades realizadas, faça um painel que demonstre o que é
belo e o que é feio na sociedade. Mostre por meio de imagens os conceitos acima mencionados.
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97
nh ecimentos
Ampliando Co

Sugestão de filmes:

a bela e a Fera. Direção de Gary Travsdale. EUA. Wall Disney Pictures, 1991.
84min.
Sinopse: História de amor entre uma mulher considerada bonita e um homem visto
como feio. Mostra que, muitas vezes, o belo e o feio são construções feitas por nós
como conceitos subjetivos e por causa disso podemos discriminar aquilo que não
nos é agradável, sem ao menos, realmente, conhecer àquela pessoa. O que atual-
mente vemos é o culto à beleza estética e, por vezes, deixamos de ver e conhecer
outras maneiras e formas de beleza.

Gênio Indomável. Direção de Gus Van Sant. EUA. Buena Vista Internacional, 1997.
126min.
Sinopse: Quantos gênios existem no mundo? O que seria um gênio? O filme apre-
senta uma pessoa considerada um gênio, mas que não gosta do rótulo e que, como
qualquer pessoa, tem suas dificuldades pessoais.
O rapaz sente o “peso” de ser muitíssimo habilidoso numa atividade e as demais
pessoas exigem esta mesma perfeição em tudo. Quantas vezes não rotulamos as
pessoas, por exemplo, chatas, antipáticas, burras etc., ficamos com essa imagem e
não damos chance para que ela nos mostre o que é além das aparências.
Sugestão de leitura
Aristóteles. Poética. São Paulo: Ars Poética, 1993.
Hegel, G. W. Cursos de Estética. São Paulo: Edusp, 2001/06. 4.
SUASSUNA, Ariano. Iniciação à Estética. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.

Referencias

GALLO, Silvio. Ética e Cidadania: elementos para o ensino de filosofia. 5 ed. Campinas, SP, Papirus, 1997.
http://br.geocities.com/maeutikos/filosofia/filosofia_estetica.htm
http://tiras-hagar.blogspot.com
EM_FIL.006

98
Filosofia

Para finalizar
Caro aluno, depois de tantas reflexões, segue a música Epitáfio. É mais uma oportunidade de
refletir, colocando um pouco da sua vida, das coisas que você considera “belas”, dos ideais pelos quais
valem a pena lutar, ...enfim, um pouco de você!

Epitáfio
Titãs

Devia ter amado mais


Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado


As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger


Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos


Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado


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99
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger


Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)

Devia ter complicado menos


Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

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100
Sociologia
Sociologia
Sumário
Introdução ao estudo da sociedade .................................. 5

Cultura e diversidade cultural ........................................ 19

A questão das desigualdades e das diferenças sociais......... 31

Ideologia e trabalho .................................................... 47

Movimentos sociais / Direitos / Cidadania ......................... 71

Adolescência .............................................................. 91
Introdução ao
Valter Campanato / ABr

estudo da sociedade

Valter Campanato/ABr.
Bonecos de papel foram colocados em frente ao Congresso Nacional, em
protesto da União dos Professores Públicos no Estado do Rio de Janeiro,
por melhores salários e contra a falta de profissionais no setor.

V amos iniciar nossos estudos sobre a sociedade e para auxi-


liar nas primeiras reflexões sobre o tema, convidamos você
a analisar a imagem que selecionamos acima.
A fotografia nos mostra um protesto muito criativo em fren-
te ao Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo de nosso
País e, portanto, órgão responsável pela legislação e pela fisca-
lização dos demais poderes.
As dezenas de bonecos de papel, simbolizando indivíduos
de mãos dadas e voltados na direção do local onde os repre-
sentantes do povo brasileiro tomam as decisões políticas do
país, podem significar a união da população no sentido de
cobrar ações dos políticos, de dizer que estamos atentos às
decisões que nos afetam e que, dessa forma, também atuamos
politicamente.
Agora, imagine o que ocorreria se arrancássemos um des-
ses bonecos. Provavelmente, os que estivessem ao lado dele,
sem sustentação, cairiam, não é mesmo? Podemos usar esta
imagem para analisar o comportamento dos seres humanos
que, ao longo dos séculos, desenvolveram formas complexas
de organização social, política e econômica, demonstrando
que possuem a necessidade de viver coletivamente, comparti-
lhando sentimentos, saberes e habilidades. Também podemos
fazer uma análise que nos conduza a observar a importância do
papel individual de cada um de nós na sociedade.
Mas o que significa viver em sociedade? Que conseqüências
para nosso cotidiano a vida em sociedade traz? Como ocorre a
relação entre indivíduo e sociedade? Você é capaz de preservar
sua individualidade e comprometer-se com a sociedade em que
vive?
Nas próximas páginas, tentaremos responder a estas e a
outras questões e descobriremos como são ricas e complexas
EM_SOC.001 as várias formas de organização humana.
Bom estudo!
Introdução ao estudo da sociedade
Dialogando sobre Sociologia
Para que possamos discutir a Sociologia e inter-

Comstock Complete.
Comstock Complete.

pretar sua importância como forma de conhecimento,


é necessário que compreendamos as diferentes maneiras
de se conceber o mundo.
Desde o surgimento da humanidade, o mundo já
se organizava em grupos para que esses pudessem so-
breviver melhor. Os grupos foram sistematizando regras
Comstock Complete.

e comportamentos para que todos que neles vivessem,


usufruíssem de segurança e bem-estar. Assim, de forma

Comstock Complete.
geral, é a vida em grupo e os seus desdobramentos que
constituem o objeto de estudo da Sociologia.
Neste material, a partir deste módulo, estaremos
pensando alguns desses aspectos, procurando entender a
sociedade como algo dinâmico e não estático. Vamos lá!

e m a t iz a n d o s e u conhecimento
Sist

Introdução à Sociologia
Para começarmos a nossa conversa sobre Sociologia, analise as imagens acima e registre nos espa-
ços a seguir o que você pensa ou o que você entende por sociedade. Faça suas anotações nos balões:

Sociedade
EM_SOC.001

6
Sociologia

A partir de suas anotações e reflexões, leia o texto a seguir:

O que é Sociologia?
A Sociologia é uma ciência que estuda as sociedades humanas e os processos que in-
terligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Das relações na família até a
organização das grandes empresas; do papel da política na sociedade até o comportamento
religioso.
O termo Sociologie foi usado por Auguste Comte, que esperava unificar todos os estudos
relativos ao homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia. Auguste Comte, foi
mentor do Positivismo, uma corrente filosófica que teve grande força no século XIX, e que
era considerada uma reação ao Idealismo. Propõe a idéia de uma ciência sem teologia ou
metafísica, baseada apenas no mundo físico/material.
O surgimento da Sociologia ocorreu num momento de grande expansão do capitalismo,
desencadeado pela dupla revolução – a Industrial (iniciada na segunda metade do século
XVIII, na Inglaterra) e a Francesa (entre 1789 e 1799). O triunfo da indústria capitalista na
Revolução Industrial desencadeou uma crescente industrialização e urbanização, o que pro-
vocou radicais modificações nas condições de existência e nas formas habituais de vida de
milhões de seres humanos. Essas situações sociais radicalmente novas, impostas pela socie-
dade capitalista, fizeram com que a sociedade passasse a se constituir em “problema”. Diante
disso, alguns pensadores ingleses do século XIX procuraram extrair dessas novas situações
temas para análise e reflexão, no objetivo de agir, tanto para manter como para reformar ou
modificar radicalmente a sociedade de seu tempo. Isso foi fundamental para a formação e a
constituição de um saber sobre a sociedade. Outra circunstância que também influenciou e
contribui para a formação da Sociologia se deve às transformações ocorridas nas formas de
pensamento, originadas pelo Iluminismo.
A Sociologia foi o resultado da união de inúmeros pensadores, nas diversas partes do
mundo. Alguns se conheciam, muitos outros nunca se viram. Uns complementando outros,
até formar o que conhecemos como ciência sociológica, ciência da sociedade ou Sociologia.
Quatro pensadores foram responsáveis por estruturar os fundamentos da Sociologia: Auguste
Comte, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx.
A Sociologia, assim, se focaliza sobre todos os aspectos da vida social. Desde o funciona-
mento de estruturas macrossociológicas, como o Estado, a classe social ou longos processos
históricos de transformação social ao comportamento dos indivíduos num nível microsso-
ciológico, sem jamais esquecer-se que o homem só pode existir na sociedade em que esta,
inevitavelmente, o transcenderá e lhe determinará a identidade.

Agora que fizemos um percurso, onde pensamos o que é Sociologia, com o que ela se preocupa,e alguns
pensadores que deixaram registros acerca dessa Ciência, continuemos o nosso percurso.

A relação indivíduo–sociedade
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Assista o filme FormiguinhaZ (Gênero: animação, direção de Eric Darnell e Tim Johnson, duração
82 minutos, 1998).

7
Mesmo que você já conheça esse filme, assista-o, agora com um olhar diferente, procurando desvelar
alguns aspectos que serão discutidos posteriormente.
Após assistir o filme, registre a sua compreensão sobre o mesmo, tendo como referência a seguinte
questão:
Como o filme expressa a relação entre o indi­víduo e sua sociedade?

Continuando nossas reflexões...


Percebemos, por meio do filme, alguma dimensão da relação entre indivíduo e sociedade, e agora
vamos realizar a seguinte atividade:
Organize-se para fazer uma pesquisa, tendo como idéia principal: os diferentes grupos sociais
na sociedade.
Para viabilizar essa atividade, você deverá fazer o levantamento de grupos sociais que julga sig-
nificativo (exemplo: ONGs, grupos econômicos, políticos, religiosos, culturais, esportivos, educacionais
e outros).
Depois, deverá escolher um dos grupos sociais para ser pesquisado, levando em conta os seguintes
aspectos: quais os objetivos do grupo, como é organizado, que regras possui para o seu funcionamento,
entre outros elementos.
Para complementar suas anotações, pesquisas e reflexões provocadas pelo filme, realize a leitura
do texto: “A relação indivíduo–sociedade”, de Nelson Dacio Tomazi.
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8
Sociologia

A relação indivíduo–sociedade
Praticamente todas as teorias sociológicas, [...] estarão preocupadas em explicar como
ações individuais podem ser pensadas no seu relacionamento com outras ações (exemplo
da eleição), ou como regras de ação coletivas são incorporadas pelos indivíduos (exemplo
da escola), ou ainda como práticas coletivas definem diferentes grupos sociais (exemplo da
greve). Em todas as situações citadas estará em jogo o relacionamento entre indivíduos e
sociedade.
É evidente que a Sociologia não trará o indivíduo como um dado da natureza, isto é,
como um ser autônomo, livre e absoluto desde o nascimento, mas o trará como um produto
social em alguma medida. A própria idéia de individualidade é historicamente constituída.
Isso quer dizer que cada sociedade, em certo momento histórico, apresenta uma visão espe-
cífica a respeito do problema da individualidade. Nas civilizações orientais ou nas sociedades
indígenas, os indivíduos são vistos como elementos indissociáveis da comunidade. Será na
Europa, no fim da sociedade feudal e com a constituição da sociedade capitalista, que se
desenvolverá a idéia de que os indivíduos são plenamente autônomos, não dependentes
da coletividade a que pertencem. Na verdade, esse individualismo encontra suas raízes em
momentos anteriores da história européia, mas é com o capitalismo, sem dúvida, que esse
processo ganha destaque. Na sociedade capitalista, a existência de um mercado, no qual
proprietários individuais vendem suas mercadorias, criará as condições para que se pense a
sociedade apenas como o conjunto de interesses individuais dos agentes privados. A partir
daí que a teoria econômica consolidará seus modelos baseando-se principalmente nas ações
individuais.
A Sociologia nasce no século XIX como uma reação a esse individualismo, então predomi-
nante. Ela contrapõe à ação individual, na qual se baseava grande parte da teoria econômica
da época, a ação coletiva e social. O homem passará a ser visto, do ponto de vista socioló-
gico, a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que o constituem.
Dizer, portanto, que o pensamento que estuda a relação indivíduo–sociedade é histórico,
significa dizer que nem sempre os homens perceberam a história da mesma maneira. Será
uma sociedade determinada, a sociedade moderna ou capitalista, que levará ao surgimento
do individualismo e de seu contraponto na teoria sociológica.
Assim, o objeto da Sociologia como ciência, ou seja, aquilo que a Sociologia estuda,
constitui-se historicamente como o conjunto de relacionamentos que os homens estabele-
cem entre si na vida em sociedade – relações de cooperação, conflito, interdependência etc.
Interessa para a Sociologia, portanto, não o indivíduo isolado, mas inter-relacionado com os
diferentes grupos sociais dos quais faz parte, como a escola, a família, as classes sociais etc.
Não é o “homem” enquanto ser isolado da história que interessa para o estudo da sociedade,
mas “os homens” enquanto seres que vivem e fazem a história.
Tudo isso, porém, não elimina o problema da relação entre indivíduo e sociedade. Ao
contrário, coloca essa relação como central. Como os homens agem em sociedade? Como as
pessoas obedecem a regras que são definidas pela sociedade e são exteriores a elas? Como
práticas sociais definem individualidades e, ao mesmo tempo, grupos homogêneos?
EM_SOC.001

A essas perguntas, os sociólogos tentam responder. O que varia de autor para autor é a
ênfase dada, ora à ação individual ora à ação coletiva.

9
Alguns irão privilegiar o papel ativo do indivíduo na escolha das ações sociais, como no
exemplo do eleitor, no qual o que interessa é a maneira como o indivíduo escolhe seu candi-
dato, baseando-se nas escolhas dos outros eleitores.
Outros privilegiarão a sociedade e suas instituições, as quais obrigam os indivíduos a
incorporar regras que são exteriormente definidas e que as pessoas devem seguir, como no
exemplo da escola.
Finalmente, existirão aqueles que irão dar maior importância ao conjunto das práticas
que definem as próprias relações entre indivíduo e sociedade. Como no exemplo da fábrica,
será a relação capital–trabalho que definirá, de um lado, trabalhadores e, do outro, capita-
listas.
Mas todos estarão pensando o problema da individualidade e da ação coletiva e social.
Os pensadores que no século passado lançaram as bases da Sociologia como ciência esta-
vam interessados nesse problema. Eles servem de bom exemplo, não só porque é a partir de
suas teorias que ainda hoje se pensa a sociedade atual, mas também porque se ocupavam de
estudar a realidade do indivíduo e da sociedade moderna no momento em que essa realidade
estava se consolidando historicamente, colocando tanto problemas teóricos como práticos.
Para isso criaram conceitos cujo objetivo era explicá-las.

(TOMAZI, Nelson Dacio. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 1993. p. 16-19)

Agora leia os quadrinhos a seguir que também tratam da relação indivíduo–sociedade. Observe a
história:

Disponível em: <www.mushi-san.com/archives/005098.php>. Acesso em: 15 maio 2007.

EM_SOC.001

10
Sociologia

Muito embora alguns vestibulares tratem a representação anterior como charge, aqui trata-se de
um quadrinho como uma “provocação”. Agora reflita:
Como os jovens são vistos na sociedade atual?
Que pensamento você, como jovem, tem sobre a sociedade e o futuro?
Anote suas reflexões, elas são importantes.

Agora é a hora de criar! Crie uma outra versão da história lida. Nesta “nova versão”, você será o
personagem principal. Mas, lembre-se da idéia principal que é o seu sentimento enquanto jovem em
relação à sociedade e em relação ao futuro!

Sociedade e identidade: a questão da identidade nas várias sociedades


EM_SOC.001

Para que possamos nos aprofundar um pouco mais sobre esse tema tomamos como ponto de refle-
xão a denominação: grupo social.

11
Entende-se como grupo social uma comunidade humana coletiva, cuja existência manifesta-se por
um determinado número de fatores que o caracterizam. Toda a sociedade tem uma série de forças que
mantém os grupos sociais. As principais são a liderança, as normas e sanções sociais, os valores sociais
e os símbolos sociais.

Principais grupos sociais:


grupo familiar – família;
grupo vicinal – vizinhança;
grupo educativo – escola;
grupo religioso – igreja;
grupo de lazer – clube;
grupo profissional – empresa;
grupo político – Estado, partidos políticos.

Características de um grupo social:

interação social – os indivíduos comunicam-se uns com os outros;


organização – todo o grupo, para funcionar bem, precisa de uma ordem inter-
na;
objetividade e exterioridade – quando uma pessoa entra no grupo, ela já existe,
quando sai, ela permanece existindo;
objetivo comum – união do grupo para atingir os objetivos dos mesmos;
consciência grupal ou sentimento de “nós” – compartilham modos de agir, pen-
samentos, idéias etc. Exemplo: Nós ganhamos.
continuidade – é necessário ter uma certa duração. Não pode aparecer e
desaparecer com facilidade.

Após refletir sobre alguns aspectos da Socio­logia, pense em uma “sociedade ideal”, relacionando
os grupos pesquisados anteriormente.
Essa atividade deve ter algumas regras, um roteiro estabelecido. Você deverá produzir um texto
escrito procurando expressar a sua forma de pensar uma sociedade que julga como ideal.
Este texto deve conter tudo o que você julga pertinente para justificar o modelo de sociedade ideal
escolhido.
EM_SOC.001

12
Sociologia

exao
Exercicios para refl

Um resumo:

Sociologia
A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XIX, na forma de uma resposta acadê­mica para um
desafio da modernidade. Sociólogos não só esperavam entender o que unia os grupos sociais, mas também
desenvolver um “antídoto” para a desintegração social. Hoje, os sociólogos pesquisam macroestruturas ine-
rentes à organização da sociedade, como raça ou etnicidade, classe e genêro, além de instituições como a
família, processos sociais que representam divergência, ou desarranjos, nessas estruturas, inclusive crime e
divórcio. Pesquisam, também, os microprocessos como relações interpessoais.
Principais téoricos da Sociologia

Teórico Princípios teóricos


Auguste Comte Positivismo
Émile Durkheim  Fato social, Consciência coletiva, Anomia
Max Weber Ação social

Modo de produção, mais-valia, acumulação primitiva, alienação, materialismo histórico,


Karl Marx 
ideologia, luta de classes, materialismo dialético.

1. (UEM) A Sociologia é uma ciência moderna que surge e se desenvolve juntamente com o avan-
ço do capitalismo.

Nesse sentido, reflete suas principais transformações e procura desvendar os dilemas sociais
por ele produzidos. Sobre a emergência da Sociologia, considere as afirmativas a seguir.
I. A Sociologia tem como principal referência a explicação teológica sobre os problemas
sociais decorrentes da industrialização, tais como a pobreza, a desigualdade social e a
concentração populacional nos centros urbanos.
II. A Sociologia é produto da Revolução Industrial, sendo chamada de “ciência da crise”,
por refletir sobre a transformação de formas tradicionais de existência social e as
mudanças decorrentes da urbanização e da industrialização.
III. A emergência da Sociologia só pode ser compreendida se for observada sua correspon-
dência com o cientificismo europeu e com a crença no poder da razão e da observação,
enquanto recursos de produção do conhecimento.
EM_SOC.001

13
IV. A Sociologia surge como uma tentativa de romper com as técnicas e métodos das ciên-
cias naturais, na análise dos problemas sociais decorrentes das reminiscências do modo
de produção feudal.

Estão corretas apenas as afirmativas:


a) I e III c) II e IV e) I, III e IV
b) II e III d) I, II e IV

2. Leia o trecho a seguir:

“A sociedade não está fora da sociedade real, é parte dela [...] porque uma sociedade não está
simplesmente constituída pela massa de indivíduos que a compõem, pelo solo que ocupam,
pelas coisas que utilizam, pelos movimentos que efetuam, mas, antes de tudo, pela idéia que
faz de si mesma.”

Comente esse texto criticamente.

3. Ao nascer, a criança ingressa num mundo de cuja construção não participou. Este mundo so-
cial é anterior ao indivíduo e continuará a existir depois dele. Daí que podemos afirmar que a
história de qualquer indivíduo é a história de seu pertencimento e participação em inúmeros
grupos sociais. É por meio dos grupos que as determinações sociais (como normas, costumes,
valores etc.) agem sobre o indivíduo. Por exemplo, é devido à nossa participação em um gru-
po familiar que aprendemos a língua de nossa nacionalidade. A esse fenômeno denominamos
coerção social, fenômeno que está presente em quase todas as esferas da vida social.

Escreva três exemplos de meios de coerção social e explique-os.


EM_SOC.001

14
Sociologia

Trocando idéias...
Seria interessante assistir ao filme: Ilha das Flores. Gênero documentário; diretor Jorge Furtado
1989; duração 13 minutos. Em seguida responder:

Onde podemos identificar a desigualdade no documentário Ilha das Flores? Isto é, em que
cenas isso fica mais explícito?

Qual a origem da desigualdade? O que estaria em sua causa? Quais fatores intervêm nesse
fenômeno?

Identifique exemplos de desigualdade no Brasil.

Será que poderíamos conceituar desigualdade a partir das questões debatidas até o mo-
mento?

O que seria mais adequado: mudarmos a política ou a economia para diminuirmos a desi-
gualdade? Como “resolver” o problema da desigualdade?
EM_SOC.001

15
nhe cimentos
Ampliando Co

LUNGARZO, Carlos. O que é Ciência. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 1991.
MARTINS, Carlos, B. O que é Sociologia. 14. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.
Revista: Sociologia Ciência & Vida. Editora Escala.

Referencias

BRUYNE, Paul de et al. Dinâmica da Pesquisa em Ciências Sociais: os pólos da prática metodológica.
5. ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1991.
CARVALHO, Maria Cecília M. de. Construindo o Saber – metodologia científica: fundamentos e
técnicas. 6. ed. Campinas: Papirus, 1997.
CASTRO, Cláudio de Moura. A Prática da Pesquisa. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1977.
CORDEIRO, Darcy. Ciência, Pesquisa e Trabalho Científico: uma abordagem metodológica. 2 ed.
Goiânia: UCG, 1999.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa quali-
tativa em educação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1992.
ARANHA, M. Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à Filosofia.
São Paulo: Moderna, 1993.
DUARTE, Gleuso Damasceno. Novo Brasil, Agora! Belo Horizonte: Lê, 1992.
GONÇALVES, Marco Antonio. Formação da Cidadania. Proposta educacional. São Paulo: Paulus,
1994.
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2002.
SARANDY, Flávio M. Silva 2001. Sociologia do Cotidiano: a construção social da realidade. Texto
didático elaborado pelo professor a partir da leitura de diversos textos, especialmente do livro
Perspectivas Sociológicas, de Peter Berger. O “texto-base” do 1.º período de 2001. Disponível em:
<www.geocities.com/slprometheus/html/oc25.htm>. Acesso em: 18 mar. 2007.
TOMAZI, Nelson Dácio. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 1993.
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Sociologia
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17
18
EM_SOC.001
Cultura e
diversidade cultural

Marcello Casal - Abr.


Indígenas no Acampamento Terra Livre, realizado em abril de 2006,
marcham pela Esplanada dos Ministérios. O ato chamou a atenção
para o assassinato de dezenas de indígenas e marcou os 10 anos
do assassinato de Galdino dos Santos, da etnia Pataxó HãHãHãe,
queimado por jovens de Brasília/DF.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) afirma que, atual-


mente, no Brasil, há cerca de 460 mil índios vivendo em
aldeias e estima entre 100 e 190 mil o número de indígenas que
vivem fora de aldeias, inclusive em áreas urbanas. Nesses números,
estão incluídas 225 sociedades, cada qual com suas características
culturais e lingüísticas, que as tornam diversas umas das outras.
Ao longo dos cinco séculos de contato com outros povos,
os indígenas perderam grande parte de seus territórios, sofre-
ram as conseqüências de imposições econômicas e de práticas de
assimilação à nova cultura e tiveram muitas de suas sociedades
totalmente extintas.
Apesar da organização de movimentos em defesa das questões
indígenas e de conquistas relacionadas aos direitos constitucionais e
à participação na política, as sociedades indígenas ainda lutam por
autonomia, procurando garantir o direito de decisão sobre seu destino
e de manter sua cultura. Nesse sentido, o protesto do Acampamento
Terra Livre lembrou a morte recente de muitos índios, vítimas do pre-
conceito, da discriminação e de conflitos envolvendo a questão de
terras. Problemas estes que, de uma forma ou de outra, relacionam-se
diretamente a uma questão maior: o respeito à diversidade cultural.
Mas, afinal, que reflexões os conflitos envolvendo indígenas
e não-indígenas podem levantar sobre a questão da diversidade
cultural em nosso país? O que é cultura? O que é diversidade
cultural? Como podemos observar a capacidade que diferentes
grupos humanos possuem de atribuir significados diversos às
mesmas coisas? Como compreender a diferença entre as cultu-
ras? De que modo as várias culturas presentes em nosso país se
relacionam? E você, já tentou compreender os modos de ser e de
pensar diferentes do seu? É importante observarmos que, muitas
vezes, pensar a questão da diversidade cultural, é também pen-
sar em questões econômicas e sociais.
Com essas perguntas iniciais convidamos você a um passeio
EM_SOC.002 pela diversidade cultural de nosso país. Desejamos um ótimo
aprendizado!
Cultura e diversidade cultural
Dialogando sobre cultura e diversidade cultural
No módulo anterior, ao estudarmos Sociologia, uma ampla possibilidade de estudos e
análises se desvela e, certamente, a cada conteúdo explicitado, damos mais um passo no
sentido de compreendermos essa Ciência.
Em nosso material, fizemos algumas opções de estudo e esperamos que você goste. As
reflexões que se seguem serão muito mais interessantes, na medida que você contribuir com
suas opiniões, suas pesquisas e sua forma de ser jovem hoje.
Bom trabalho e vamos lá!

Propomos a você um desafio: desvendar os aspectos visíveis e os não tão visíveis que estão postos
em nossa sociedade. Estes últimos possuem estreita relação com as diferentes manifestações presen-
tes em nossa sociedade.
Esses aspectos nos remetem à necessidade de agir de modo a preservar o direito à diversidade,
ao mesmo tempo que provocam um encantamento frente a essa pluralidade.
Na medida em que nos damos conta que neste mundo tão regulado e controlado por tantas e tão po-
derosas formas de exercício de poder e de dominação, sabemos que há também, outros mundos possíveis,
visíveis em andamento.
Acreditamos que você é peça-chave nessa socie­dade e, por isso, esperamos que aceite o desafio
que representa este estudo!

o
t e m a t iz a n d o s eu conheciment
Sis

A cultura
Afinal, pensemos:
O que é cultura?
Arrisque e faça algumas anotações.
EM_SOC.002

20
Sociologia

Todas as pessoas têm e vivem em determinada cultura. Essa cultura se manifesta de diferentes
formas, dependendo das características de cada povo.
Todas as pessoas, ao longo da vida, adquirem conhe­cimentos, crenças, hábitos, normas de com-
portamento (cultura não-material) e utilizam diferentes instrumentos, máquinas, utensílios, ferramentas
para realizar suas ações (cultura material) dependendo da sua cultura. Cada sociedade elabora sua cultura
e recebe influência de outras culturas.
Então, pensemos:
Qual a relação entre cultura e sociedade?
Anote suas idéias.

Entende-se por cultura a herança que um grupo social transmite aos seus membros por meio da
aprendizagem e da convivência social. Ressaltamos que cada geração e cada indivíduo também contri-
buem para ampliar e modificar a cultura que recebem. A cultura traduz em si uma dinamicidade.
A cultura é um estilo de vida próprio, um modo de vida particular, que todas as sociedades possuem
e que caracteriza cada uma delas. Os indivíduos que compartilham a mesma cultura apresentam o que
se chama de identidade cultural.
Você já parou pra pensar nisso: identidade cultural?
A cultura sofre mudanças. Traços se perdem, outros se adicionam, em grandes e variadas velocida-
des nas diferentes sociedades.
Dois mecanismos básicos permitem a mudança cultural:
a invenção ou introdução de novos conceitos;
a difusão de conceitos a partir de outras culturas.
Conversemos mais um pouco sobre essa temática:
EM_SOC.002

21
Fala-se em aculturação quando é algo imposto, e transculturação quando é algo feito de comum
acordo. Há também a descoberta, que é um tipo de mudança cultural originado pela revelação de algo
desconhecido pela própria sociedade e que ela decide adotar.
A mudança acarreta normalmente resistência. Visto que os aspectos da vida cultural estão
ligados entre si, a alteração mínima de somente um deles pode ocasionar efeitos em todos os outros.
Modificações na maneira de produzir podem, por exemplo, interferir na escolha  de membros para o
governo ou na aplicação de leis. A resistência à mudança representa uma vantagem, no sentido de
que somente modificações realmente proveitosas e que sejam, por isso, inevitáveis, serão adotadas,
evitando-se assim o esforço da sociedade em adotar e depois rejeitar determinado conceito novo. Por
outro lado, precisamos permitir que ocorram mudanças para possibilitar o desenvolvimento social, neste
caso não podemos ser extremistas, e sim, tomar decisões, as quais acreditamos serem corretas, pautadas
no bom senso.
Você acredita que o ambiente é capaz de influenciar na cultura?
Nós produzimos ou reproduzimos a sociedade em que vivemos?
Como você analisaria essas questões?

O ambiente exerce um papel significativo sobre as mudanças culturais, embora não seja a única
influência que recebemos, isto é, as pessoas mudam sua maneira de encarar o mundo, tanto por contin-
gências do ambiente em que vivem, das pessoas com as quais convive, quanto por transformações da
consciência social.

Aspectos da cultura em outras sociedades

Como percebemos, por meio das invenções e descobertas humanas, cada sociedade foi criando,
com o passar dos tempos, características que marcam a sua cultura.
Isso não significa que essas características sejam imutáveis, elas podem sofrer alterações, por
exemplo, dependendo do maior ou menor número de contatos sociais com outras nações. Os diversos
EM_SOC.002

contatos facilitam as mudanças sociais, que podem acontecer ou não, dependendo de a nação aceitar.

22
Sociologia

Observe as imagens e busque aspectos que revelam características das diferentes culturas re-
tratadas.

Getty Images.

Istock Photo.
Photo Objects.
Photo Objects.

A unidade humana e a diversidade cultural


Comstock Complete.

O que significa uma impressão digital?


Você já parou para pensar que ela representa a dimensão
do quanto somos únicos?
Pense: cada pessoa é um ser único no mundo!

O homem é um ser único, possui sua própria identidade, seus próprios saberes e fazeres. No entan-
to, embora reconheçamos isso, existe a diversidade cultural que surge das diferenças e semelhanças de
fazeres e saberes do grupo social em que o homem está inserido, o que se destaca na sua relação com
o outro. Ressaltamos que o homem é um ser individual, mas também, social e político. Por isso, possui
também identidade coletiva.
Nessa relação, existem atitudes individuais e sociais que podem favorecer ou não a mudança social.
Podemos resumi-las em quatro tipos principais:
EM_SOC.002

Atitude conservadora: que se mostra temerosa ou contrária às mudanças.

23
Atitude reacionária: equivale ao conservadorismo exagerado, deseja que tudo permaneça como
está.
Atitude reformista ou progressista: vê com agrado a mudança moderada, gradativa.
Atitude revolucionária: que defende transformações profundas e imediatas, podendo usar de
métodos violentos para obtê-la.
Essas atitudes se manifestam podendo causar pequenas ou grandes alterações no ambiente.
Conversemos um pouco:
Você já se viu numa situação conflituosa? Qual foi sua atitude? Conte. Faça anotações.

Dependendo da atitude tomada podemos gerar situações desagradáveis, discordantes das demais
pessoas e, muitas vezes, o que poderia ser resolvido pacificamente acaba em uma guerra de poder.
Lembrando que, seja sua atitude correta ou não, a responsabilidade pela ação tomada é e será
sempre sua. Preste atenção, pois nem sempre o que você julga correto é correto, depende do meio social,
da sua cultura.
Os conflitos surgem pelo fato de não ocorrer à aceitação ou unanimidade no assunto.

O etnocentrismo

Você já ouviu falar em etnocentrismo? Pesquise algo sobre o significado dessa expressão e registre.
EM_SOC.002

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Sociologia

Você consegue perceber alguma relação entre a defi-

Denise Roman.
nição de etnocentrismo e as gravuras apresentadas ao lado?
Reflita sobre essa temática.

A questão da diversidade e o direito à diferença


Observe as imagens a seguir:

IESDE Brasil S. A.
IESDE Brasil S. A.

Carnaval (Rio de Janeiro). Chimarrão (Rio Grande do Sul).


IESDE Brasil S. A.

IESDE Brasil S. A.

Capoeira (Bahia). Frevo (Pernambuco).


IESDE Brasil S.A.

IESDE Brasil S.A.


EM_SOC.002

Barreado (Paraná). Carne-de-sol (Ceará).

25
O conjunto das imagens reflete os contrastes culturais existentes no Brasil. Essas diferenças
contribuem para o enriquecimento da cultura nacional. No entanto, nem todas as pessoas sabem conviver
com as diferenças, comportamento chamado de preconceito social.
O preconceito é entendido como um sentimento que determinadas pessoas possuem em relação a
alguns grupos sociais que se diferenciam dos demais (ou de si mesmas), devido à diferença da cor da pele,
religião, condição física (idosos e portadores de deficiências físicas), sexo, padrões socioeconômicos,
opções políticas, entre outras. Toda discriminação, seja ela de raça, cor ou credo é proibida.
Isso está declarado na Constituição Federal brasileira de 1988, em seu artigo 5.º:

Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Lembramos que o preconceito também é uma questão cultural, difundido justamente pelas relações
que marcam cada grupo. Devemos trabalhar e aprender, via reflexão e mudança de concepção, para nos
despojarmos desse lado negativo do preconceito que atinge as pessoas. Isso significa que só se pode
considerar democraticamente racial a nação capaz de compreender e respeitar as diferenças não apenas entre
as raças, mas também entre culturas dos seus habitantes.

“Nem melhores, nem piores, apenas diferentes.”

Como percebemos, a cultura adquire formas diversas por meio do tempo e do espaço, que, por sua
vez, se manifestam na originalidade e na pluralidade das identidades que caracterizam os grupos e a
sociedade que compõem a humanidade.
A diversidade cultural é tão necessária quanto a diversidade biológica para os organismos vivos.
Nesse sentido,ambas constituem o patrimônio comum da humanidade e devem ser reconhecidas e con-
solidadas no benefício das gerações futuras.

A Declaração dos Direitos do Homem

O intercâmbio cultural, o “conhecer para compreender” e as várias formas de leitura do mundo


permitem novos olhares no espaço que ocupamos. O crescimento das comunidades não se limita ao eco-
nômico, mas também ao acesso a uma vida intelectual, afetiva, moral e espiritual que ocupam as mesmas
regiões ou áreas vizinhas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948, art. 27) garante que:

Art. 27. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da co-
munidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.

Dessa forma, a diversidade cultural é patrimônio comum da humanidade.


Diversidade cultural? Desigualdade?
Acompanhe a leitura do texto, compare e apre­sente seu parecer sobre o fato relatado acerca de
duas crianças brasileiras tipicamente talentosas.
EM_SOC.002

Leia e pense como as desigualdades se concretizam na vida em sociedade.

26
Sociologia

Vamos acompanhar e comparar o que acontece tipicamente com duas crianças brasileiras
igualmente talentosas.
Uma delas é uma menina negra, nascida no interior do Nordeste, de uma família pobre,
cujos pais são analfabetos.
A outra é um menino branco, nascido em uma próspera cidade da região Sul, de uma
família rica, cujos pais foram à universidade.
Embora essas duas crianças tenham o mesmo potencial, apenas uma delas terá oportunida-
des e condições para desenvolvê-lo plenamente. Qual delas você acha que será a escolhida?
Aos 15 anos, as diferenças entre essas duas crianças já são marcantes.
A menina negra, nordestina, de família pobre, ainda freqüenta a 4.ª série de uma precária
escola pública rural, pois ela entrou tarde na escola e repetiu de série pelo menos uma vez.
Enquanto isso, o menino branco, sulista e de família rica já completou a 8.ª série em uma boa
escola e agora freqüenta a 1.ª série do Ensino Médio em uma excelente escola particular.
Aos 18 anos, a menina já é mãe e tem de trabalhar em casa e fora para sustentar a
família.
Enquanto isso, o menino acaba de entrar em uma boa universidade pública. Sua família
lhe garante plenas condições para que possa se dedicar aos estudos em tempo integral e com
todo o material (livros, cadernos, computador) que necessita para aproveitar ao máximo o
aprendizado.
Aos 25 anos, o menino já terminou a universidade e começa a trabalhar em um excelente
emprego, que recebe um salário inicial superior a R$2.000 por mês.
Enquanto isso, a menina permanece em um trabalho precário e recebe R$50,00 por mês.
Aos 40 anos, a menina já tem três filhos. Ela pode ter parado de trabalhar para cuidar
dos filhos. Seu marido é um trabalhador do campo, que teve de sair da escola na 4.ª série e
recebe só R$150,00 por mês.
Nesse momento, o menino estará casado, terá um filho, e sua esposa terá também ido à
universidade. Ele deverá receber cerca de R$3.000,00 e sua esposa R$1.500,00 por mês.
Assim, aos 40 anos, a menina e o menino que tinham o mesmo talento e potencial quan-
do nasceram, agora vivem em mundos totalmente diferentes.
O menino cresceu e agora é chefe de uma família que vive com R$4.500,00 por mês e tem
apenas três pessoas (ele, a esposa e filho). Enquanto isso, a menina vive em uma família que
só pode contar com R$250,00 por mês para atender a todas as necessidades de seus cinco
membros (ela, seu marido e três filhos).
A desigualdade brasileira foi gerada. O que o menino gasta com sua família em um fim de
semana dá para cobrir todas as despesas que a família da menina tem em um mês.
Essa elevada desigualdade não foi gerada por diferenças de talento entre as crianças.
Ela foi gerada por diferenças na atenção e no tratamento que elas receberam. Foi gerada por
gigantescas diferenças nas oportunidades oferecidas e também nas condições dadas a essas
crianças para que elas pudessem aproveitar as oportunidades disponíveis.
EM_SOC.002

(BARROS, Ricardo Paes de. Desigualdade no Brasil. Disponível em:<www.omelhorlugardomundo/avidaqueagentequer_p4p87.


pdf>. Acesso em: 30 ago. 2007.)

27
exao
Exercicios para refl

Levando em conta o que refletimos neste módulo, vamos sistematizar nossas idéias!

1. Faça uma pesquisa sobre os aspectos da cultura em outras sociedades que diferem da cultura
do nosso país. Lembre-se de pesquisar aspectos relacionados à organização social, hábitos
alimentares, música, religiosidade e tantos outros que você encontrar. Seja criativo!

2. Segue uma cruzadinha, só para distrair:

1. Não saber conviver com o diferente, 8. Revelar o desconhecido.


discriminar.
9. Cultura do seu grupo é vista como su-
2. Algo imposto. perior.
3. Atitude de quem defende mudanças.
10. Estilo de vida próprio.
4. Espaço onde se caracteriza a mudança
cultural. 11. Exerce papel fundamental para as
5. Herança que o grupo social transmite mudanças culturais.
a seus membros.
12. A riqueza está na...
6. Contrário à mudança.
7. Cultura não–material. 13. Algo feito de comum acordo.

1 C
2 U
3 L
4 T
5 U
6 R
7 A

8 S
9 O
10 C
11 I
12 A
EM_SOC.002

13 L

28
Sociologia

3. Converse com seus pais, avós, amigos sobre as atitudes: conservadora, reacionária, reformista e
revolucionária. Pesquise se eles já vivenciaram ou conhecem algum fato dessas manifestações,
onde e como ocorreram?

4. Aproveite a oportunidade e pense sobre suas atitudes perante as diversas situações vividas,
seja na família, na escola ou com os amigos. Será que você já se deparou com algum momento
de constrangimento? Como você resolveu?

5. Elabore um texto argumentando se a Justiça e o Estado tratam todos os cidadãos brasileiros


da mesma forma, respeitando o artigo 5.º da Constituição Federal, ou se concedem algum tipo
de privilégio a determinado grupo social.

Referencias

FREIRE–MAIA, Newton. Brasil: laboratório racial. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.


LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
1986.
ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira & Identidade Nacional. São Paulo: Brasiliense, 1984.
SGARBI, Paulo; OLIVEIRA, I. B. de (Orgs.). Redes Culturais, Diversidade e Educação. São Paulo:
DP&A, 2002.
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29
30
EM_SOC.002
A questão
Bonfim Maximiliam Doorbecker / ABr

das desigualdades e
das diferenças sociais

A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)

A minha alma tá armada


E apontada para a cara do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz é medo

Às vezes eu falo com a vida


Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Para tentar ser feliz

As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia de domingo

Procurando novas drogas de aluguel


Nesse vídeo coagido
Pela paz que eu não quero seguir admitindo

Às vezes eu falo com a vida


Às vezes é ela quem diz

(Letra: Marcelo Yuka - Música: O Rappa*)


Álbum: “Lado B Lado A” – Gravadora: Warner Music; Ano: 1999

EM_SOC.003
A procura pelo entendimento da violência urbana e das suas causas,
assim como a busca por amenizá-la, preveni-la ou excluí-la, promoveu
e promove incessantes debates políticos e sociológicos, atualmente,
quase na mesma intensidade em que os noticiários nos apresentam
crimes considerados bárbaros, cruéis e hediondos. A mídia também
nos mostra ações de grupos contra a violência, que afirmam “Basta de
guerra, queremos paz!”.
Reforçamos a reflexão proposta pelo O Rappa, nos questionando:
qual a paz que queremos? Será que todos nós desejamos a mesma paz?
Enquanto indivíduos integrantes da sociedade, que atitudes precisa-
mos adotar para conquistá-la? Será que as diferentes classes sociais de
nosso país atribuem os mesmos significados à palavra “paz”?
O debate em torno da questão da violência é apenas o início de
uma das reflexões possíveis sobre a questão das desigualdades e dife-
renças sociais, que iremos trabalhar neste módulo, por isso, procure
conversar sobre estas questões iniciais com seus colegas e professores,
observando que existem alguns fundamentos conceituais imprescindí-
veis, tais como democracia, justiça, igualdade e direitos humanos, e
que devem servir como base para esta discussão.

* O Rappa é uma banda nacional de reggae/rock, que incorpora elementos do


hip-hop, funk, mpb e samba em suas músicas. Suas letras são marcadas pela crí-
tica social e pela linguagem próxima da comunidade, o que é possível de ser ve-
rificado desde o nome escolhido para a banda – “O Rappa” –, numa menção à for-
ma popular de chamar os policiais que interceptam camelôs nas ruas - “Os rapa”.

Fato importante de se ressaltar neste breve histórico da banda, é que em 2001,


Marcelo Yuka baterista e autor da letra que selecionamos, foi baleado tentando
impedir um assalto, ficando tetraplégico e impossibilitado de tocar bateria.

Yuka fundou outra banda chamada F.Ur.T.O. (Frente Urbana de Trabalhos Orga-
nizados), que integra um projeto social homônimo.

Fontes: http://paginas.terra.com.br/arte/pemacaco/high/index.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rappa
EM_SOC.003
Sociologia

A questão das desigualdades


e diferenças sociais
Dialogando sobre a questão
da desigualdade e diferença social
No módulo anterior, procuramos refletir sobre a cultura: sua riqueza, sua diversidade, enfim, a
cultura como marco significativo em cada grupo social.
Certamente, você percebeu que vivemos em meio a uma gigantesca diversidade cultural. Nem todos
os segmentos sociais compreendem as diferenças como características historicamente construídas de cada
grupo social e vêem essas diferenças como algo negativo.
Continuando um pouco nossas reflexões, vamos pensar especificamente o que representam essas
desigualdades e diferenças sociais.

e m a t iz a n d o s e u conhecimento
Sist

A relação entre a estrutura social e a estratificação:


as castas, os estamentos e as classes
Para iniciarmos nosso trabalho, pesquise: o que foi o apartheid?
Em seguida, anote no espaço abaixo as informações que você obteve.

Você deve ter percebido o que foi o apartheid para os povos da África do Sul e como esse regime
institucionalizou uma forma de discriminação racial e social no País. Assim, vale a pena pensar: esta
foi uma forma clara e assumidamente institucionalizada de discriminação. Atualmente, você julga que
EM_SOC.003

existem outras formas de discriminação? Envolvendo quem? Em que situações?

33
As desigualdades sociais, na verdade, têm raízes históricas, e estreita relação com os modos de
dominação que se desenvolveram pelo mundo nos últimos anos. Ainda hoje, presenciamos formas de do-
minação que, de certa forma, são herança de um passado dominador, que subjugava todos os povos que
estavam sob uma relação de domínio.
O autor Reinaldo Dias (2005, p. 162) afirma que:
No final do século XX, uma das maiores preocupações da humanidade foi a acentuada desigualdade existente em
várias regiões do planeta. A desigualdade social parece estar aumentando com o aceleramento da globalização
e da revolução científico-tecnológica. Os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgados periodicamente
pela Organização das Nações Unidas (ONU) têm demonstrado que os países mais ricos estão se distanciando dos
mais pobres [...]

Agora observe as imagens:


Comstock Complete.

IESDE Brasil S.A.


Comstock Complete.

IESDE Brasil S.A.


Jupiter Images_DPI Images

Istock Photo.

As imagens retratam um contraste na sociedade. Algumas delas retratam situações de uma realidade
social presente nos dias de hoje: a ausência de qualquer forma digna de sobrevivência.
EM_SOC.003

34
Sociologia

Releia textos que você já estudou sobre colonialismo e imperialismo. Certamente, você irá
recordar que essa etapa da História da humanidade deixou significativas marcas nos povos que
foram subjugados por países europeus.

O domínio que diversos povos viveram no decorrer de sua história gerou as chamadas formas de de-
pendência. Podemos apontar algumas formas de dependência:

Dependência comercial
Dependência tecnológica
Dependência financeira
Dependência política

Agora é a sua vez: complete o quadro com informações ou fatos que você julga caracterizar as formas
de dependência apontadas. Pesquise em jornais, revistas, telejornais, anúncios, reportagens etc.
Você já ouviu falar em estratificação social?
A expressão estratificação social está relacionada à divisão da sociedade em camadas, sendo que,
na maioria das vezes, os membros das classes não possuem as mesmas oportunidades ou as mesmas
condições.
Neste módulo, utilizaremos a idéia de estratificação social referindo-nos às camadas sociais que
formam uma certa hierarquia social.
Sabemos que diversos fatores são utilizados como critérios para a divisão social: a competição,
a divisão do trabalho, a situação econômica. Mas também encontramos sociedades que utilizaram ou
utilizam outros critérios, como a idade e o sexo.
Uma sociedade estratificada é uma sociedade dividida em classes sociais. Lembre-se do assunto
Revolução Francesa... algumas idéias para você recordar:

No século XVIII, período da revolução, a França estava dividida em estamentos:


No primeiro Estado – o clero
No segundo Estado – a nobreza
No terceiro Estado – estava inserido aquele que não era nobre e nem sacerdote, ou seja,
os camponeses, a burguesia, os comerciantes, os artesãos.
Certamente, você se recorda desse movimento revolucionário que envolveu as três classes
na França do século XVIII.

Os estamentos existiram durante séculos, mantinham certa hierarquia, onde cada pessoa tinha
suas atribuições já determinadas.
Quando falamos em castas, entendemos uma também forma de organização social onde as pessoas
não podem passar de uma casta para outra. Assim, o nascimento de uma pessoa determina a que casta
ela irá pertencer por toda a sua vida.
EM_SOC.003

35
A noção de “progresso” e “atraso” das sociedades

Pense! Você já percebeu como nós assumimos alguns discursos, algumas formas de pensar, sem
muitas vezes nos darmos conta de como essas idéias foram historicamente construídas?
Então vamos fazer um exercício:
Anote nos balões qual é a idéia que você tem sobre as palavras propostas.

Civilização

Selvagem

Agora, pensemos:
Como aliar essas expressões à sociedade? Como estas formas de pensamento estiveram presentes
na compreensão sobre as mais diversas sociedades?
Você já leu ou ouviu alguém falar: este povo é civilizado? Ou este grupo de pessoas é atrasado?
EM_SOC.003

Selvagem?
A que você atribui esta forma de pensamento?
36
Sociologia

Registre nas linhas a seguir.

Formas de desigualdades na sociedade capitalista: violência e exclusão social


O texto e a charge que seguem possuem aspectos que devem ser pensados, ou seja, devem provocar
algumas reflexões que nos auxiliem a pensar a idéia de igualdade.
Assim sendo, observe a charge e leia o texto que está na seqüência com muita atenção, procurando
refletir como a nossa sociedade pensa esses aspectos e, mais ainda, como os jovens vivem esta realidade:
são indiferentes, preocupam-se, vivenciam tais situações?

NEMI, A. L.; MARTINS, J. C. Didática de História:


o tempo vivido. São Paulo: FTD, 1996. p. 76.

Sociedade competitiva
Como é a sociedade hoje? Quais são as características da sociedade brasileira hoje? Se
tivéssemos que defini-la em poucas palavras, poderíamos dizer que a sociedade brasileira é
uma sociedade dividida, caracterizada pela desigualdade, pela competição e pela dominação.
Nem todos os brasileiros são iguais, apesar da lei afirmar isso. Na verdade, so-
mos divididos em classes sociais, em grupos. Existe a classe daqueles que possuem
os bens de produção, aqueles que possuem as fábricas, as fazendas, os bancos, as ca-
sas comerciais. De outro lado, existem muitos brasileiros que não têm nenhum bem
de produção, mas apenas a força de trabalho que é alugada no mercado, como se fos-
se mercadoria. A desigualdade brutal permite que uma maioria, desempregada,
EM_SOC.003

não tenha o mínimo para satisfazer suas necessidades. Muitos não têm sequer o que comer
em quantidade suficiente. Tudo isso é a velha sociedade, aquela em que vivemos.

37
Em nossa sociedade, todo mundo está competindo: por um lugar na escola ou na uni-
versidade, por uma vaga no emprego etc. Os capitalistas, os donos de bens de produção,
também competem entre si. Os meios de comunicação, por sua vez, estimulam cada vez mais
a competição: o indivíduo bom é aquele que dá cotovelada para forçar a conquista de um
lugar para ele.
Além disso, a nossa sociedade é marcada pela dominação, pois um pequeno grupo domi-
na a grande maioria.
O que é uma sociedade nova? É aquela onde se procura corrigir estes defeitos: onde a divi-
são é substituída pela união. A união não quer dizer a uniformidade, mas admite a diversidade,
sem a diferença de classes e de categorias. No lugar da competição fica a solidariedade. Nin-
guém precisa competir para ter um lugar, pois esse é garantido à medida que o lugar de todos
é garantido. Se todos nós pudéssemos ter os mesmos bens, a mesma quantidade de bens, não
competiríamos tanto. Quando meu filho estudava para entrar na universidade, um dia ele che-
gou a mim e disse que para ele entrar era preciso que quatro pessoas não conseguissem passar.
Sendo assim, é claro que, para conseguir vencer, a tendência é que ninguém se ajude
mutuamente. Não é uma sociedade absurda? A sociedade nova que queremos construir e que
estamos construindo, não vai ser da dominação, mas a da cooperação. Nela, cada um dá um
pouco do que é seu, na medida do que sabe fazer. Uma sociedade de igualdade, onde não há
diferenças de classe, onde o importante é o ser humano.
[...]
(Texto adaptado de uma palestra do economista Plínio de Arruda Sampaio. In: GREEN-HALG, L. E. et al.
Fé e Participação Popular. São Paulo: Paulinas, 1984, p. 56-58)

Para pensar:
Qual a relação da charge com o texto “Sociedade competitiva?”. Faça anotações:

Já refletimos que as diferenças que existem em nossa sociedade geram mudanças, sejam elas per-
cebidas de forma positiva ou negativa. E nós, muitas vezes, não nos damos conta o quanto as mudanças
acontecem.
Através do texto que segue, vamos refletir particularmente sobre as mudanças provocadas pela
tecnologia.
EM_SOC.003

38
Sociologia
Leia o texto de Luciana Coelho publicado na Folha de S. Paulo:

Boom tecnológico amplia


abismo social na Índia
O setor de Tecnologia da Informação (TI) é o segmento que mais cresce na economia
indiana, tanto em números de produção quanto de exportação.
Mas o boom que, nos últimos dez anos, cravou o país definitivamente no mapa da
tecnologia eletrônica mundial criou um paradoxo: enquanto cidades como Bangalore, no
Sul, experimentam um desenvolvimento acelerado e a criação de milhares de empregos, a
maior parte do país segue imersa na pobreza. Para alguns estudiosos, o surto tecnológico
só ampliou as diferenças sociais.
O governo diz estar tomando todas as providências para tornar a Índia uma “superpotên-
cia tecnológica global” e fez dessa bandeira uma de suas prioridades.
“Enquanto a Educação e os negócios por meio da TI se expandiram enormemente, a
Educação Primária para as massas pobres ainda é precária em termos de qualidade e oferta”,
diz o professor de Ciência da Política, Manoranjan Mohanty, da Universidade de Déli. “Isso
também vale para a saúde nas zonas rurais e tribais e nas favelas em grandes cidades.”
Saúde e educação, segundo os especialistas, são os dois tópicos mais relegados no
País.
“O boom de TI e o baixo desempenho em desenvolvimento humano são, em alguns casos,
dois lados da mesma moeda”, afirma Nagaraj, lembrando que, enquanto o PIB per capita no
país dobrou nos últimos 20 anos, o investimento em educação e saúde teve um aumento
discreto. “Para cada dólar gasto em educação primária, três são gastos em educação de ter-
ceiro grau.”
Mohanty concorda com a relação: “Os obstáculos vêm da estratégia de desenvolvimento,
que, nos últimos anos, retirou incentivos de áreas básicas e não adequou a infra-estrutura de
desenvolvimento nas regiões pobres.”
(COELHO, Luciana. Boom tecnológico amplia abismo social na Índia.
Jornal Folha de S.Paulo, 21 set. 2003, p. A-27)

A partir da leitura dos textos, das reflexões feitas sobre a sociedade em que vivemos, e os desafios
que são inerentes à vida em sociedade, percebemos que toda essa diversidade é o que torna a nossa vida
ímpar. Ou seja, somos seres únicos, com a nossa maneira de ser, de ver o mundo, de pensar. Ao mesmo
tempo fazemos parte de uma pluralidade de formas de pensar. Pode parecer estranho, não é mesmo? Mas
somos seres únicos imersos numa imensa diversidade.
Levando em conta essa caminhada feita, realize as atividades propostas, procurando refletir e
retomar algumas das idéias discutidas.
EM_SOC.003

39
exao
Exercicios para refl

1. Discutimos neste módulo a questão de organização da sociedade em classes sociais. Karl Marx
foi um filósofo que usou intensamente o conceito de classes sociais. Faça uma pesquisa sobre
Karl Marx: suas idéias, suas teorias, qual era a compreensão dele sobre a sociedade da época.
Pesquise os argumentos dele e a relação que estabeleceu para pensar a sociedade.

2. A organização social pautada em castas é característica da sociedade hindu. Assim, para você
entender melhor a relação casta e sociedade, faça uma pesquisa sobre: a sociedade hindu.

Mas fique atento! Não queira entender essa sociedade a partir dos “olhos” de um ocidental.
Lembre-se das reflexões que já fizemos sobre diversidade cultural.

Observe a gravura abaixo: O Taj Mahal – uma das grandes belezas da Índia. Ao realizar a sua
pesquisa sobre a sociedade hindu, procure também informações sobre este monumento e pen-
se: como um povo revela contrastes?

Digital Juice.

EM_SOC.003

40
Sociologia

atividades

Questões sobre o texto “Sociedade competitiva”

3. Como o autor descreve a sociedade brasileira?

4. Identifique no texto exemplos que caracterizam situação de competição e conflito.

5. Como é a sociedade nova proposta no texto? Você acredita que ela possa ser construída?
Justifique.
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41
Questões sobre o texto: “Boom tecnológico amplia abismo social na índia”

Para pensar e anotar:

7. Até que ponto os avanços tecnológicos provocaram ou continuam provocando mudanças na


vida do povo hindu?

8. Caso você aponte alguma mudança, qual é a natureza da mesma?

Trocando idéias...
Leia a letra da música a seguir e reflita sobre qual é a relação da mesma com as reflexões que
fizemos durante este módulo.
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42
Sociologia

Uns iguais aos outros


Titãs

Os homens são todos iguais


Os homens são todos iguais
Ingleses, indianos
Africanos contra africanos
Aos humildes o reino dos céus
Ao povo alemão e ao de Israel
Putas, ladrões e aidéticos
Católicos e evangélicos
Todos os homens são iguais
Brancos, pretos e orientais
Todos são filhos de Deus
Os pretos são os judeus
Cristãos e protestantes
Kaiowas contra xavantes
Árabes, turcos e iraquianos
São iguais os seres humanos
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

Americanos contra latinos


Já nascem mortos os nordestinos
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Dessa vida nada se leva
Nesse mundo se ajoelha e se reza
Não importa que língua se fala
Aquilo que une é o que separa
Não julgue pra não ser julgado
Os pobres são pobres-coitados
São todos iguais no fundo, no fundo
As mulheres são os pretos do mundo
Tanto faz a cor que se herda
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43
Seja feita a tua vontade no céu como na terra
Gays, lésbicas-homossexuais
Todos os homens são iguais
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

Os homens são todos iguais


Os homens são todos iguais
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Aos humildes o reino dos céus
Ao povo alemão e ao de Israel
Não importa que língua se fala

Aquilo que une é o que separa


Todos os homens são iguais
Brancos, pretos e orientais
São todos iguais no fundo, no fundo
As mulheres são os pretos do mundo
Cristão e protestantes
Kaiowas contra xavantes
Gays, lésbicas-homossexuais
Todos os homens são iguais

São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros.

Para pensar:
EM_SOC.003

44
Sociologia
O que retrata a letra dessa música?

Destaque, na letra da música, palavras que demonstram as diferenças.

Você acredita que a letra da música retrata a realidade? Por quê?

Em seu dia-a-dia, como você lida com as diferenças que existem?

Referencias

DIAS, Reinaldo. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.
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DUARTE, Gleuso Damasceno. Novo Brasil, Agora! Belo Horizonte: Lê, 1992.
NEMI, A. L.; MARTINS, J. C. Didática de História: o tempo vivido. São Paulo: FTD, 1996.
45
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2002.
PARANÁ, Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares de Filosofia para a Educação
Básica. Curitiba: 2006.
TOMAZI, Nelson Dacio. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 2000.

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46
Ideologia e trabalho
Valter Campanato / ABr

Ricardo Costa Vieira; 30/01/2007; Fonte: Olhares.


com link: http://olhares.aeiou.pt/arbeit_ma-
cht_frei/foto1039526.html
Foto do portão principal, à entrada do campo de concentração
nazista de Dachau, na Baviera. A inscrição em alemão, nas grades
(“Arbeit macht frei”) afirma: “o trabalho liberta”. Milhares de pes-
soas que passaram por este portão foram escravizadas e extermi-
nadas entre 1933 e 1945.

O
termo ideologia surgiu há poucos séculos, mas o ter-
mo trabalho, desde a Antigüidade, tem sido utilizado,
ora com exaltação, ora com desprezo. A imagem acima,
por exemplo, denota uma concepção de trabalho (“O trabalho
liberta”), que dentro do contexto dos campos de concentração,
demonstra-se contraditória, pois fala em libertação ao escravizar
milhares de pessoas; mas ao ser submetida a uma análise que
considere a ideologia do período, ela revela muitos aspectos do
regime nazista.
Da frase bíblica “Comerás o pão com o suor do seu rosto”,
até o famoso ditado “tempo é dinheiro”, muitas concepções fo-
ram atribuídas ao termo em questão e muitas ideologias foram
responsáveis por isso. Mas, afinal, o que é trabalho? O que é
ideologia?
Neste módulo você estudará que valores, ao longo da histó-
ria, foram associados ao trabalho e o que há de ideológico nas
avaliações positivas e negativas a seu respeito.
Bons estudos!

EM_SOC.004
Dialogando sobre Ideologia
e trabalho
O ser humano, desde os primórdios da civilização, tem vivido em comunidade. E nesse convívio,
para a sua subsistência, aprendeu a obter bens, trocando os excedentes de sua produção por outros bens
que necessitasse. Com o desenvolvimento das sociedades, mais precisamente na Antigüidade Clássica,
o trabalho, considerado como ocupação desprezível, passou a ser relegado a plano inferior e, por isso,
confiado a indivíduos cujo status na sociedade era excludente como os servos e escravos.
Mais adiante no tempo, dentro do chamado sistema feudal, surgem os primeiros agrupamentos
de indivíduos que, fugindo das terras dos nobres, fixavam-se em pequenos agrupamentos, estabelecidos
pela identidade de ofícios exercidos entre eles. Essa aproximação fez surgir as denominadas corporações
de ofícios, nas quais se firmavam contratos de locação de serviços em subordinação ao “mestre” da cor-
poração.
Mas é no século XVII que significativas mudanças ocorrem nas relações de trabalho. A partir da
Revolução Industrial, desponta o trabalho tal como hoje o concebemos. O surgimento dos teares me-
cânicos, dos inventos movidos a vapor e das máquinas em geral estabeleceu uma separação entre os
detentores dos meios de produção e aqueles que simplesmente se ocupavam e sobreviviam do emprego
de sua força de trabalho.
Nesse mesmo século ocorreu a Revolução Francesa (1789-1799) e seus ideais libertários proclama-
vam a liberdade individual plena e a igualdade absoluta entre os homens, conceitos que, tempos após,
foram sendo rediscutidos conforme cada época.
Nos primórdios da relação de emprego moderno, o trabalho retribuído por salário, sem regula-
mentação alguma, era motivo de submissão de trabalhadores a condições semelhantes às dos escravos,
não existindo, até então, nada que se pudesse comparar à proteção do indivíduo, seja em caráter de
relação empregado-empregador, seja em riscos da atividade laborativa, no tocante à eventual perda ou
redução da capacidade de trabalho. Vale dizer, os direitos dos trabalhadores eram aqueles assegurados
pelos seus contratos, sem que houvesse qualquer intervenção estatal no sentido de estabelecer garantias
mínimas.
Começaram, então, a eclodir manifestações dos trabalhadores por melhores condições de trabalho
e de subsistência, com greves e revoltas violentamente reprimidas pelo próprio poder constituído.
Junto com as manifestações, o termo ideologia fica popular. Eis um conceito do que é ideologia:

Ideologia é o conjunto de idéias, conceitos e comportamentos que prevalecem sobre


uma sociedade. Seu objetivo é encobrir as divisões existentes na sociedade e na política,
mostrando uma forma maquiada de indivisão.
A ideologia funciona invertendo os efeitos e as causas, resultando em imagens e sinto-
mas, produzindo uma utopia social, usando o silêncio para encobrir a incoerência.
(CABRAL, Gabriela. Ideologia. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/filosofia/ideologia.htm>.
Acesso em 26 ago. 2007.)
EM_SOC.004

48
Sociologia
Veja também mais uma idéia sobre ideologia:

A ideologia é, então, um conjunto lógico, sistemático e coerente de idéias (conhecimen-


tos), valores, normas e regras (práticas, condutas, comportamentos) que indicam e prescre-
vem aos membros de uma sociedade o que devem pensar, o que devem fazer e como devem
fazer, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem desejar e como devem desejar.
Ela é um conjunto explicativo e prático de caráter normativo, prescrito, regulador e
controlador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma ex-
plicação racional e convincente para as desigualdades sociais, políticas e culturais, jamais
atribuindo a origem dessas desigualdades à divisão de classes, à exploração e à dominação.
(CHAUÍ, Marilena et al. Política Cultural. Ed. Mercado Aberto: Porto Alegre, 1984. p.25.)

Procure formas de manifestações da ideologia registrando em seu caderno.

iz a n d o s e u c o n hecimento
Sistemat

Trabalho e sociedade
Pesquise sobre a obra de Tarsila do Amaral, intitulada Operários. Aproveite para registrar a sua
idéia acerca dos aspectos seguintes:
Você conhece a obra?
Do que se trata?
Em que contexto foi pintada?
Qual é a expressão das pessoas na obra?
Qual a idade mínima aproximada das pessoas retratadas?
Para curiosidade: pesquise qual a situação social do Brasil em 1933, época em que a autora
pintou o quadro abaixo.
Continue a frase, tecendo um comentário mais longo sobre a obra. A parte inicial da frase é:
“Essa obra de Tarsila representa operários de uma fábrica que ...”
Faça uma nova imagem que represente o trabalho na atualidade.

Divisão do trabalho, tecnologia e alienação:


a relação entre os diferentes tipos de trabalho
Pesquise junto às mídias, revistas e livros uma definição para alienação e tecnologia. Registre no
quadro e depois descreva sobre o que entendeu por alienação e tecnologia, o que as duas definições têm
EM_SOC.004

em comum com a vida humana.

49
Para pensar

Em que momento o homem deixou-se dominar pela tecnologia, alienando-se?

Cio da terra
Composição: Milton Nascimento e Chico Buarque, 1976.
Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar do mel

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação.
E fecundar o chão

Após ler ou até cantar a música “Cio da terra”, registre suas respostas para os seguintes ques-
tionamentos:
O que você entendeu sobre a letra da música?
Do que e de quem ela trata?
Onde se passa a cena relatada na música?
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50
Sociologia
O que é debulhar o trigo?
O que é possível entender no verso “afagar a terra”?
Qual a relação entre o trigo e o pão?

Leia a história a seguir e depois reflita que tipos de trabalhos ou de ocupação podem ser identifi-
cados na história. Registre as conclusões.

Após, crie uma nova história em quadrinhos que trata da divisão do trabalho e das diferentes ati-
vidades econômicas.

CHICO BENTO. São Paulo: Globo, n. 20, p. 13-16, out. 1987.


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CHICO BENTO. São Paulo: Globo, n. 20, p. 13-16, out. 1987.

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Sociologia

CHICO BENTO. São Paulo: Globo, n. 20, p. 13-16, out. 1987.

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54
CHICO BENTO. São Paulo: Globo, n. 20, p. 13-16, out. 1987.

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Sociologia

CHICO BENTO. São Paulo: Globo, n. 20, p. 13-16, out. 1987.


Faça uma pesquisa destacando que tipos de trabalho foram substituídos pela tecnologia. Essa pes-
quisa deve ter no mínimo duas laudas manuscritas.

O mundo do trabalho hoje


Leitura e discussão sobre a temática:

Jornal O Estado do Paraná, 20 de out. 2005.


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55
O trabalho e a forma de trabalhar têm mudado constantemente. É necessário que todo trabalhador
saiba quais são os seus direitos e seus deveres.
A reportagem apresentada anteriormente, mostra experiências feitas com crianças sobre a impor-
tância de se conhecer os direitos do trabalhador.
Com base na leitura responda aos questionamentos que se seguem.
Se necessário, realize uma pesquisa para aprofundar-se mais sobre esse tema e responder com
maior facilidade às perguntas.

1. Você sabe o que é Previdência Social?

2. Qual a relação da Previdência Social com o trabalho?

3. Qual a importância da Previdência Social na vida do trabalhador?

4. Você sabe como está organizada a Previdência Social brasileira?


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56
Sociologia

5. Na sua opinião, qual o motivo de haver muitos trabalhadores atuantes na sociedade sem ter
um registro oficial?

A questão do trabalho é lembrada no Brasil em uma data especifica: 1.º de Maio. Além de ser um
feriado nacional, é importante que compreendamos o significado histórico dessa data para nosso país.
Leia o texto abaixo e registre as respostas dos questionamentos em seu material.

Para comemorar não trabalhamos

1.º de maio: chegada da primavera na Europa. Roma-


nos agradeciam às deusas Flora e Maia palas flores e cereais
em abundância. Na Idade Média, escravos e camponeses
eram liberados do trabalho. No Brasil, comemorou-se pela
primeira vez o Dia do Trabalho em 1895, em São Paulo. A
manifestação, organizada pelo Centro Socialista, mostra-
va a força dos militantes. Silvério Fontes, filho do poeta
José Martins Fontes, foi um dos fundadores da entidade,
em 1889. No Rio, a primeira comemoração, em 1903 reuniu
12 mil em passeata. Reivindicavam melhores condições de
trabalho.
Grandes greves celebraram a data.
Operários defendiam a jornada de oito horas nas gran-
des capitais do País. Direito só conquistado por decreto em
1932.
Em 1925, o presidente Arthur Bernardes (1922-1926) institui feriado nacional em 1.º de
maio. Oficializado, Getúlio Vargas aproveita a data para divulgar o salário mínimo e reformas
trabalhistas. o tradicional combate ao governo vira dia de festa.
Operários tentam resgatar a luta após 1945. A ditadura militar (1964-85) reprime ainda
mais. Trabalhadores oferecem resistência como o 1.º de maio de 1968. A praça da Sé, em
São Paulo, vira campo de batalha. Atualmente, é mistura de protesto e diversão. Mas uma
coisa permaneceu: no Dia do Trabalho, ninguém trabalha.

1. O que você pensa sobre a data de 1.º de Maio?


EM_SOC.004

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2. Quais as conseqüências sociais que essa data proporcionou para os trabalhadores?

3. Quais seriam as reivindicações atuais dos trabalhadores?

exao
Exercicios para refl

O trabalho na sociedade capitalista

No sistema capitalista, o operário confinado à fábrica perde os instrumentos de trabalho,


a posse do produto e, em conseqüência, perde a autonomia. Deixa de ser o centro de si mes-
mo: não escolhe salário, horário, nem ritmo de trabalho. Com isso se dá uma grande inver-
são, em que o produto passa a valer mais que o próprio operário, uma vez que determina as
condições de trabalho, as contratações e demissões. Trata-se de uma inversão porque aquilo
que é inerente [...] passa a ter vida e o que é vivo [...] se transforma em coisa.
(ARANHA, M.L. Temas de Filosofia. São Paulo: Moderna, 1998, p.41.)

De acordo com o que você já descobriu sobre alienação e o que sabe da história do trabalho, e com
a contribuição do texto acima, quais são as características do
trabalho na sociedade capitalista?
Para discutir sobre a relação trabalho e alienação, orga-
nize um tempo e assista ao filme “Tempos Modernos”. A partir
do filme é possível realizar uma análise sobre a forma como o
trabalho foi visto na época retratada, como o trabalhador era
visto e como as relações de trabalho se configuravam.
Dessa forma, a partir do filme e com as reflexões feitas até
EM_SOC.004

o momento, você pode realizar as atividades que se seguem.

58
Sociologia
Assinale a resposta correta:

Mensagem de Carlitos

1. Que mensagem Carlitos passa através de sua expressão corporal e facial?


a) pessimismo. b) alegria. c) esperança e determinação.

Na fábrica

2. Que mensagem o presidente e o encarregado estão passando aos trabalhadores?


a) respeito aos direitos. b) controle total. c) diálogo permanente.

3. Que mensagem os colegas de trabalho estão passando a Carlitos?


a) individualismo (cada um por si). b) solidariedade. c) cooperativismo.

Nas ruas

4. Que mensagem os empresários estão passando a Carlitos?


a) solidariedade. b) exploração do empregado. c) diálogo permanente.

Enfrentando o desemprego

5. De que forma os personagens enfrentaram a fome e o desemprego?


Carlitos: _______________________________________________________
Moça: _________________________________________________________
Ex-colegas da fábrica: ____________________________________________
Trabalhadores na rua: _____________________________________________

6. A que personagens acima pertencem estes valores:


a) Consciência política: ___________________________________________
b) Esperteza e talento: ____________________________________________
c) Inteligência e criatividade: ______________________________________
d) Desespero: ___________________________________________________

7. Escolha uma cena do filme e reescreva-a como ela aconteceria se acontecesse hoje em dia:
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59
O mundo do trabalho hoje
Leia o texto abaixo:

Aprendizagem e primeiro emprego


A imprensa deu pouca ênfase ao componente da aprendizagem no Programa “Primeiro
Emprego”, lançado pelo governo no dia 30 de junho de 2003.
Segundo a lei 10.097/2000, todas as empresas passaram a ser obrigadas a admitir jo-
vens de 14 a 18 anos, colocando-os em programas de aprendizagem para a aquisição de uma
profissão. Essa obrigatoriedade envolve a admissão de 5% a 15% do quadro de pessoal que
requer qualificação.
Para a indústria, a exigência de 5% existia desde 1942, quando foi criado o Senai. A nova
lei ampliou os percentuais e estendeu a obrigatoriedade para todos os setores – agricultura,
comércio, serviços, indústria e atividades financeiras.
O aprendiz terá de trabalhar, no máximo, seis horas por dia, dividindo o tempo entre tra-
balho e aprendizagem em cursos regulares. Tais cursos e a contratação dos aprendizes são no
máximo de 24 meses.
A lei não obriga as empresas a reterem os diplomados. Mas, terminada a aprendizagem
ou dispensados os aprendizes, as empresas têm de contratar outros em seus lugares. É um
sistema de cota permanente, que se soma às cotas dos portadores de deficiência, cujos per-
centuais variam de 2% a 5%, de acordo com o tamanho das empresas.
Tomando-se a cota de 5% para base de cálculo dos aprendizes, as empresas brasileiras te-
rão de contratar cerca de 700 mil adolescentes. Trata-se de um número apreciável, tratando-
se de uma contratação contínua.
De certa maneira, o Brasil tenta imitar o “sistema dual” da Alemanha no qual o adoles-
cente passa metade do tempo na escola e metade no trabalho. Com isso, aquele país conse-
guiu construir uma força de trabalho talentosa e altamente qualificada.
A idéia é ótima, mas, no Brasil, a sua aplicação terá de ser gradual e cuidadosa. Nem as
empresas, nem as boas entidades de qualificação profissional estão aparelhadas para enfren-
tar esse desafio.
Ademais, isso tem um custo que pode bater nos preços e, com isso, comprometer a
competitividade das empresas e os empregos dos jovens. Como se sabe, as despesas de
contratação no Brasil são muito altas – cerca de 103% do salário. No caso do aprendiz, são
um pouco mais baixas porque há uma redução da alíquota do FGTS de 8,5% para 2%. Mesmo
assim, chegam perto dos 97%.
Portanto, esse componente do Programa “Primeiro Emprego”, muito valioso para ala-
vancar a qualidade da força do trabalho no Brasil, requer mecanismos realistas na fase de
EM_SOC.004

sua implantação.

60
Sociologia

O gradualismo, a cooperação e a integridade são essenciais. É importante assegurar que


os menores sejam matriculados em cursos de boa qualidade. Isso não é fácil de conseguir,
pois a aprendizagem é uma tarefa complexa que exige equipamentos atualizados, professores
bem preparados e materiais didáticos adequados.
Forçar o cumprimento imediato das cotas levará as empresas a procurarem entidades
inescrupulosas, criando, assim, a “indústria da aprendizagem”.
O Brasil está repleto de cursinhos de “faz-de-conta”, de faculdades de fins de semana e de
escolas que aparentam ensinar e alunos que aparentam aprender – uma enganação cooptada.
A incorporação do componente aprendizagem no aludido programa foi feliz. Mas o con-
trole de qualidade terá de ser rigoroso.
Nesta primeira fase, convirá às autoridades concentrar sua atenção muito mais na esti-
mulação do que na punição das empresas.
Ao estimular, elas poderão aferir a qualidade da aprendizagem e elevar o nível da nossa
força de trabalho. Ao punir, elas conseguirão, no máximo, o cumprimento da lei e a prolife-
ração de entidades aventureiras.
O Brasil precisa de um programa realista que melhore a qualificação dos trabalhadores,
dentro da capacidade das empresas e das boas agências de formação profissional. A com-
binação desses três ingredientes é tão importante quanto à inclusão da aprendizagem no
Programa “Primeiro Emprego”.
(PASTORE, José. Aprendizagem e Primeiro Emprego. Jornal da Tarde, 09 jul. 2003. Disponível em:
<http://www.josepastore.com.br/artigos/emprego/137.htm>.)

O texto apresenta algumas idéias sobre a relação entre trabalho e o primeiro emprego. Pesquise
informações sobre as oportunidades de trabalho que existem hoje para as pessoas que estão ingressando
no mercado de trabalho. Faça anotações, identifique quais as profissões e/ou instituições que se desta-
cam na questão da oferta do trabalho.
EM_SOC.004

61
atividades

1. Crie uma ilustração para a música abaixo.

Fábrica
Legião Urbana

Nosso dia vai chegar


Teremos nossa vez
Não é pedir demais:
Quero justiça
Quero trabalhar em paz
Não é muito o que lhe peço
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão

Deve haver algum lugar


Onde o mais forte não
Consegue escravizar

Quem não tem chance


De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

O céu já foi azul, mas agora é cinza


O que era verde aqui já não existe mais
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada
De tanto brincar com fogo

Que venha o fogo então

Esse ar deixou minha vista cansada


Nada demais.
EM_SOC.004

62
Sociologia
2. O modo de produção é a maneira como a humanidade se organizou para produzir seus bens e
serviços. Cada época, cada sociedade têm uma forma de se organizar. Ao longo da história, as
sociedades se organizaram de diferentes formas para produzir aquilo que necessitam. Esse pro-
cesso gerou o aparecimento dos modos de produção. São eles: primitivo, escravista, asiático,
feudal, capitalista e socialista. Vale lembrar que cada modo de produção pode ter existido em
diferentes épocas e diferentes lugares.

Para conhecer melhor cada modo de produção pesquise características dos mesmos, ampliando
as informações abaixo:

Modo de Produção Características

Grupos humanos que viviam em tribos e dependiam


dos recursos da natureza.

Modo de produção primitiva

Existia na Antigüidade bem como no Brasil


durante o período colonial e imperial.

Modo de produção escravista

Marcou a história do Egito antigo e da China.


Na América, entre os astecas e incas.

Modo de produção asiático

Predominou na Europa Ocidental durante


toda a Idade Média.

Modo de produção feudal

Forma de organização que se originou do comércio


e da manufatura e foi responsável pelo
desenvolvimento industrial.
Modo de produção capitalista
EM_SOC.004

63
Forma de organização onde os meios de produção
são públicos ou coletivos.

Modo de produção socialista

3. (MTB – adap.) A reflexão abaixo permite vários desdobramentos sobre o problema do precon-
ceito e da discriminação no trabalho. Uma das apresentadas é falsa; assinale-a.
Pela sua sutileza, caráter difuso e capilaridade de intromissão nas relações sociais, a eficácia e a ubiqüidade
do preconceito são máximas, tanto em relação às práticas de controle, como de dominação e subordinação
em todas as categorias sociais. Manifesta-se como produtor e reprodutor de situações de controle, menos-
prezo, humilhação, desqualificação, intimidação, discriminação, fracasso e exclusão nas relações entre os
gêneros, na esfera do trabalho, nas posições de poder, nos espaços morais e éticos e nos lugares de enun-
ciação da linguagem. (Soria Batista & Bandeira, 2002).

a) No Brasil, a discriminação no trabalho recebe apenas condenação moral. Em razão disso,


aquelas categorias que são alvo de preconceitos na sociedade poderão sofrer discriminações
no mundo do trabalho, pois carecem da ajuda jurídica.
b) Os múltiplos preconceitos de gênero, de raça/cor, de classe, relativos à deficiência física ou
mental, entre outros, têm lugar tipicamente nos espaços individuais e coletivos, nas esferas
públicas e privadas.
c) As demandas nos espaços de trabalho, sobretudo em relação às mulheres, exigem juventude,
boa aparência (magreza, altura, cabelos lisos e claros etc.), além da cor branca. As mulheres
não-brancas são aceitas na proporção em que tais atributos estejam presentes, associados
à sensualidade, evidenciando a manipulação dos componentes do preconceito.
d) No trabalho, é comum observar discriminações relativas à ocupação dos cargos, promoções
e responsabilidades dentro das empresas, baseadas em preconceitos de raça/cor, sexo, ori-
gem, aparência etc.

Trocando idéias...
A idéia sobre o que é uma ONG, como funciona e como pode envolver as pessoas, será alvo de
estudos no próximo módulo. Sugerimos a leitura sobre esta ONG, pela característica do trabalho por ela
desenvolvido ser justamente sobre questões ligadas ao tema trabalho.
EM_SOC.004

64
Sociologia
EM_SOC.004

65
66
EM_SOC.004
Sociologia
EM_SOC.004

67
Essa ONG é chamada de Instituto Pro Educare, que realiza um Programa de Educação Previdenciá-
ria nas escolas. As atividades da ONG visam a contribuir na formação dos estudantes para que os mesmos
compreendam a necessidade de contribuir com a Previdência Social.
A ONG realiza palestras, produz materiais de apoio e realiza peças de teatro. Conheça:
INSTITUTO PRO EDUCARE
Rua Nunes Machado, 2.402
Parolin – Curitiba – PR
CEP: 80.220-070
Endereço eletrônico: <proeducare@yahoo.com.br>.

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68
Sociologia
EM_SOC.004

69
70
EM_SOC.004
Movimentos sociais/
Valter Campanato / ABr

Direitos/Cidadania

A s imagens a seguir foram produzidas durante protesto


que ficou conhecido como “Batalha de Seattle” e que
ocorreu em dezembro de 1999. Milhares de manifestan-
tes de diversas ONGs e movimentos sociais tomaram as ruas da ci-
dade dos EUA, bloqueando os acessos ao local onde se realizaria a
rodada do milênio da Organização Mundial do Comércio. A reunião,
que fracassou, iria discutir novas normas para regular o comércio
internacional.

Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portu-


guese/esp_seattle_img.htm
As manifestações também se colocaram contra a redução de tarifas de
papel e móveis, o que poderia estimular a devastação de florestas e da
vida animal. A OMC tem poderes que a podem fazer passar por cima de
leis que protejam o meio ambiente, os direitos humanos e a saúde.

Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portu-


guese/esp_seattle_img.htm

Ativista oferece flores a um policial. Durante os vários dias de protesto,


participaram do movimento, sindicalistas, movimentos da sociedade ci-
vil, organizações ambientais e de direitos humanos.

EM_SOC.005
“O século XXI começou com Seattle”

Edgar Morin (Jornal Le Monde, Dezembro/1999)

De acordo com a frase do sociólogo Edgar Morin, a Batalha de


Seattle inaugurou um novo período histórico mundial. Realmente, após
Seattle, o mundo foi abalado por dezenas de manifestações, organiza-
das por movimentos de grandes proporções em cidades como Gênova,
Madrid e Chiapas. Em 2001, o mundo também acompanhou a organiza-
ção do I Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.
Contrapondo-se ao Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça)
o primeiro FSM adotou – e manteve nas edições seguintes – a frase
´Um mundo melhor é possível´, para representar os ideais do projeto.
O trecho da fala de Boaventura de Souza Santos também nos dá al-
gumas indicações de que objetivos norteiam esta grande reunião de
movimentos sociais.
Todos estes movimentos têm reunido milhares de pessoas pelo
mundo e atribuído ao nosso século características novas. Mas o que
estes movimentos têm em comum? O que esta afluência de pessoas tão
diferentes nos sinaliza? Quais seus objetivos e quais as origens de sua
organização? Que direitos reivindicam? De que forma os movimentos
sociais e as ONG´s do Brasil se relacionam com o contexto mundial? De
que modo nossa comunidade e nosso cotidiano são afetados por estas
lutas de proporções globais?
Para chegarmos a algumas das respostas a estas questões temos
muita coisa a aprender! Então, vamos ao trabalho?

EM_SOC.003
Sociologia

Movimentos sociais/
Direitos/Cidadania
Dialogando sobre movimentos sociais, direitos e cidadania
Com as alterações vivenciadas no mundo decor-

Stock.Xchng.
rentes de diversos fatores, como a economia, a po-
lítica, a religião, a cultura, enfim, tantas mudanças
desencadeadas pelo progresso invadindo as ruas das
cidades, as pessoas passaram a encontrar formas dife-
rentes de se organizarem.
É possível que uma das primeiras formas de or-
ganização que reivindicou seus direitos tenha sido a
dos trabalhadores que, para sustentarem as suas fa-
mílias, tinham que trabalhar quase que dezoito horas
por dia, sem descanso, sem férias ou outras coisas que
beneficiassem a eles e aos seus.
No decorrer da História, muitos grupos perceberam que, juntos formavam uma força e que essa
força poderia mudar as condições de vida. Durante a ditadura militar no Brasil, por exemplo, vários mo-
vimentos e organizações foram duramente combatidos, como as organizações estudantis, os sindicatos,
os partidos políticos, entre outros.
Com a retomada da democracia, alguns desses movimentos e organizações saíram da ilegalidade e
retomaram suas atividades publicamente. Partidários desses movimentos afirmam que, mesmo durante o
regime militar, esses grupos operaram na clandestinidade e lutaram pelos seus ideais.

iz a n d o s e u c o n hecimento
Sistemat

Movimentos sociais: os direitos civis, políticos


e a democracia, participação política na contemporaneidade
O estudo da História nos permite aprender que os movimentos sociais marcaram diversas épocas.
Em nossas reflexões, vamos procurar compreender um pouco esses movimentos na atualidade, prin-
cipalmente no Brasil. Mas antes de estabelecermos uma reflexão sobre esses movimentos, responda:
Você sabe o que vem a ser um movimento social?
EM_SOC.005

Nelson Dacio Tomazi em suas reflexões pontua que:

73
[...] trata-se da ação conjunta de homens, a partir de uma determinada visão de mundo, objetivando a mudança
ou a conservação das relações sociais numa dada sociedade. Ao procederem assim, os homens estão produzindo
um movimento social, estão produzindo novas formas de se relacionarem para a satisfação de suas necessidades.
E essa questão é fundamental porque, ao mesmo tempo que significa a possibilidade de se libertarem de relações
de opressão, significa, também, a produção da sociedade de forma modificada, de forma nova (1993, p. 216).

União Nacional dos Estudantes.


Manifestação de estudantes no Rio de janeiro em 1968. Mesmo com o regime mi-
litar que colocou a UBES na ilegalidade, a entidade continuou se organizando nos
grêmios estudantis. Na foto, estudantes secundaristas fazem protesto rquerendo
mais vagas nas universidade públicas.

A importância dos movimentos sociais nos anos 1970-1980


Os movimentos sociais não substituem os partidos políticos nem podem cancelar as for-
mas de representação política. Mas estes já não cobrem todo o espaço da política e perdem
sua substância na medida em que não dão conta desta nova realidade.
Os movimentos sociais foram um dos elementos da transição política ocorrida entre 1978
e 1985. Eles expressaram tendências profundas na sociedade que assinalavam a perda de
sustentação do sistema político instituído. Expressavam a enorme distância entre os meca-
nismos políticos instituídos e as formas de vida social. Mas foram mais do que isso: foram
fatores que aceleraram essa crise e que apontaram um sentido para a transformação social.
Havia neles a promessa de uma radical renovação da vida política.
Apontaram no sentido de uma política constituída a partir das questões da vida cotidiana.
Apontaram para uma nova concepção política, a partir da intervenção direta dos interessa-
dos. Colocaram a reivindicação da democracia referida às esferas da vida social, em que a
população trabalhadora está diretamente implicada: nas fábricas, nos sindicatos, nos serviços
públicos e nas administrações nos bairros.
Eles mostravam que havia recantos da realidade não recobertos pelos discursos instituí-
dos e não iluminados nos cenários estabelecidos da vida pública. Constituíram um espaço
público além do sistema de representação política.
(SADER, Eder. Quando novos personagens entram em cena. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. p. 313-314.)
EM_SOC.005

74
Sociologia

1. Levando em conta que o texto apresenta idéias sobre uma determinada fase da História do
Brasil (década de 1970 e 1980), qual foi o papel dos movimentos sociais nessa época?

2. Você conhece algum movimento social atuando nos dias de hoje? Pesquise e conte qual é o
objetivo do mesmo.

Realizando uma pesquisa


Além das formas de organização anteriormente mencionadas, existem hoje outras formas de or-
ganização que são os partidos políticos. Os partidos políticos são uma forma de agregar pessoas para
defender os direitos públicos.
Faça uma pesquisa sobre a origem, os objetivos e propostas ou trajetória dos principais partidos
políticos brasileiros: PT, PSDB, PMDB, PPS, PV, PFL, PC do B, PSTU, PL.

Os novos movimentos sociais


Vamos retomar um pouco de assuntos que já estudamos, as ONGs. No módulo anterior, foi proposta
EM_SOC.005

uma atividade sobre uma ONG chamada Pro Educare. Agora vamos pensar juntos:

75
O que é ONG?
ONGs são Organizações Não-Governamentais sem fins lucrativos; são associações da so-
ciedade civil que se declaram com finalidades públicas, que desenvolvem ações em diferentes
áreas e que, geralmente, mobilizam a opinião pública e o apoio da população para melhorar
determinados aspectos da sociedade.
(WIKIPEDIA. Organização não governamental. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/
Organiza%C3%A7%C3%B5es_n%C3%A3o_governamentais>.)

O quadro abaixo mostra as ONGs que possuem um trabalho voltado à Educação.

Quer saber
Conheça outras ONGs que trabalham com Educação
mais?
Área de Temas a que Contatos
ONGs Onde atua Contatos Ação Educativa, tel.
atuação se dedica (11) 3151-2333.
www.acaoeducativa.
Associação Vaga- Leitura, escrita Região www.expedicaovagalume.org.br org.br
Lume e cultura Amazônica tel. (11) 3032-6032 Apoitchá
tel. (83) 3293-1376,
Arte, cidadania, www.apoitcha.org.br
Avante – Educa- Educação de Centro de Estudos e
www.avante.org.br Pesquisas em Educa-
ção e Mobiliza- Jovens e Bahia
tel. (71) 3332-3344 ção, Cultura
ção Social Adultos e e Ação
leitura e escrita Comunitária
(Cenpec),
Centro de Edu- tel. (11) 2132-9000,
www.cenpec.org.br
cação e Docu- Arte, leitura e EE XV de
www.cedac.org.br
mentação para escrita e meio Brasil Novembro, R. 15
tel. (11) 3097-0523 de Novembro, 178,
Ação Comunitá- ambiente 77900-000, Tocanti-
ria (Cedac) nópolis, TO, tel. (63)
3471-2013
Cidadania, EMEF Presidente
Centro de Defesa Castelo Branco, Av.
direitos huma- www.cdvhs.org.br
da Vida Herbert Ceará Dr. Renato Del Mese,
nos, cultura de tel. (85) 3497-2162 1675, 95043-000,
de Souza Caxias do Sul, RS. tel.
paz e gênero (54) 3224-2991
Brasil, com EMEIF Américo
Centro Popular Artes, Falcão, R. Américo
foco em www.cpcd.org.br Falcão, s/ nº, 58315-
de Cultura e cidadania, e
Minas tel. (31) 3463-6357 000, Lucena, PB, tel.
Desenvolvimento comunidade (83) 3293-1982
Gerais EMEIF Pastor Ismael
Artes, partici- Pereira Lago, R. Luiz
Vaz de Camões, 330.
pação juvenil, 13483-170. Limeira,
Brasil, com SP, tel. (19) 3442-
Cidade Escola comunidade, www.aprendiz.org.br
foco em 3185
Aprendiz comunicação tel. (11) 3819-9225 Instituto Ayrton
São Paulo
e expressão Senna, tel. (11)
6974-3000, http://
corporal senna.globo.com/ins-
titutoayrtonsenna
Comunicação, Bibliografia
ONGs - Identidade
inclusão digital,
www.cipo.org.br e Desafios Atuais,
Cipó direitos huma- Bahia Cadernos ABONG, 106
tel. (71) 3240-4477 págs., Ed. Autores
nos e participa-
EM_SOC.005

Associados, tel. (19)


ção juvenil 3289-5390, 16 reais

76
Sociologia

Cultura,
Ecos – Comuni-
comunicação, www.ecos.org.br
cação e Sexuali- São Paulo
diversidade e tel. (11) 3255-1238
dade
sexualidade
Comunicação,
participação
Formação –
juvenil, leitura e www.formacao.org.br
Centro de Apoio Maranhão
escrita, cidada- te. (98) 3227-7203
à Educação
nia, artes, es-
portes e cultura
Artes, direitos
humanos, cul-
Fundação Rio de www.bentorubiao.org.br
tura de paz,
Bento Rubião Janeiro (21) 2262-3406
esporte e parti-
cipação juvenil
Exclusivo on-line
Grupo de Estudos Conheça trabalhos
de fundações que
sobre Educação, Correção de também atuam na
www.geempa.org.br área de Educação.
Metodologia de fluxo e leitura Brasil
tel. (51) 3226-5218 Ouça podcasts com
pesquisa e Ação e escrita Andrea Carrer, coor-
(Geempa) denadora da Apoi-
tchá, contando como
projeto de Lucena
iniciou, e com a dire-
Educação In- Brasil, com tora Valéria Valentim,
Instituto fantil, inclusão foco no www.avisala.org.br falando sobre a expe-
riência de sua escola
Avisa Lá digital e leitura estado de tel. (11) 3032-5411 em www.novaescola.
e escrita São Paulo org.br

Cidadania, Edu-
cação de Jo-
Instituto www.paulofreire.org
vens e Adultos, Brasil
Paulo Freire tel. (11) 3021-5536
gestão e meio
ambiente
Educação Brasil, com
Instituto indígena, meio foco na www.socioambiental.org
Socioambiental ambiente e região tel. (3515-8900
saúde amazônica
Rio de www.instituotear.org.br
Instituto Tear Artes
Janeiro tel. (21) 2234-5590
Artes, comuni- www.saudealegria.org.br
Saúde e Alegria Pará
cação e saúde tel. (93) 3522-2161
Formação Gestão Mobilização social Educação integral

* O site da Abong (www.abong.org.br) traz um sistema de busca que permite encontrar outras ONGs.
** Não estão mencionadas aqui fundações e institutos ligados a empresas. Conheça essas instituições no site do Gife (www.gife.org.br)
EM_SOC.005

Visite o seguinte site: www.guiademidia.com.br/ongs.htm e descubra todas as ongs existentes na


nossa sociedade e em que setores estão ligadas.
77
Agora que você sabe o que é uma ONG, pesquise quantas ONGS há em sua cidade, onde atuam, em
quais setores há mais atividades realizadas por ONGs. Escolha uma delas e registre como ela foi criada –
quais os objetivos, incentivos e tudo o que for pertinente para saber mais sobre essa ONG.
Sabendo todas as informações sobre o assunto, chegou a hora ideal para que você construa uma
ONG. Nesse site você irá encontrar todas as informações necessárias para essa criação: www.filantropia.
org/comocriar_ong.htm.

exao
Exercicios para refl

Direitos humanos e questões sociais


Através dos meios de comunicação, quase que diariamente ouvimos notícias sobre os Direitos humanos
e a sua violação. Pensando na importância desse assunto, propomos a você uma reflexão sobre a temática.
Segue um quadro com algumas informações históricas acerca dos Direitos Humanos:

1789 Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão

1948 Declaração Universal dos Direitos Humanos

1948 Convenção contra o genocídio


Convenção para a repressão do tráfico de pessoas e da exploração
1949
da prostituição por outros
Convenção européia de defesa dos direitos do homem e das
1950
liberdades fundamentais
1951 Convenção relativa ao estatuto dos refugiados

1956 Convenção complementar sobre abolição da escravidão


Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discrimina-
1965
ção racial
Pacto internacional relativo aos direitos econômicos, sociais
1966
e culturais
1976 Pacto internacional relativo aos direitos civis e políticos
Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discrimina-
1979
ção contra a mulher
Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis,
1984
desumanas ou degradantes
EM_SOC.005

1988 Constituição Federal do Brasil

78
Sociologia

1989 Convenção sobre os Direitos da Criança

1990 Estatuto da Criança e do Adolescente


Convenção interamericana para prevenir, punir e erradicar a vio-
1994
lência contra a mulher
1998 Programa Nacional de Direitos Humanos I

Declaração de Durban – combate ao racismo, discriminação ra-


2001
cial, xenofobia e intolerância correlata.

2002 Programa Nacional de Direitos Humanos II

2003 Plano Nacional de educação em Direitos Humanos

Lei de violência doméstica e familiar contra a Mulher - Maria da


2006
Penha

(Revista Sociologia Ciência & Vida, ano I, n. 5.)

Faça uma pesquisa sobre alguns dos direitos humanos apresentados no quadro. certamente, cada
um deles possui relação com a época em que foi criado.

Violência
Qual a sua opinião sobre o tema que a música trata?

Violência
Titãs
O movimento começou, o lixo fede nas calçadas.
Todo mundo circulando, as avenidas congestionadas.
O dia terminou, a violência continua.
Todo mundo provocando todo mundo nas ruas.
A violência está em todo lugar.
Não é por causa do álcool,
Nem é por causa das drogas.
A violência é nossa vizinha,
Não é só por culpa sua,
Nem é só por culpa minha.
Violência gera violência.
Violência doméstica, violência cotidiana,
São gemidos de dor, todo mundo se engana...
Você não tem o que fazer, saia pra rua,
Pra quebrar minha cabeça ou pra que quebrem a sua.
Violência gera violência.
EM_SOC.005

79
Com os amigos que tenho não preciso inimigos.
Aí fora ninguém fala comigo.
Será que tudo está podre, será que todos estão vazios?
Não existe razão, nem existem motivos.
Não adianta suplicar porque ninguém responde,
Não adianta implorar, todo mundo se esconde.
É difícil acreditar que somos nós os culpados,
É mais fácil culpar Deus ou então o diabo.
O crime é venerado e posto em uso por toda terra,
De um pólo a outro se imolam vidas humanas.
No reino de Zópito os pais degolam os próprios filhos,
Seja qual for o sexo, desde que sua cara não lhes agrade.
Os coreanos incham o corpo da vítima a custa de vinagre
E depois de estar assim inchado, matam-no a pauladas.
Os irmãos Morávios mandavam matar com cócegas

Leia um trecho da música:

A violência está em todo lugar.


Não é por causa do álcool,
Nem é por causa das drogas.

a) Em sua opinião, qual é ou quais são os motivos da violência que existem em nossa sociedade?

b) Com suas palavras, escreva o que é a violência.

c) Procure em jornais e revistas algum fato relacionado a um tipo de violência, coloque em


uma folha sulfite e registre a sua opinião sobre o acontecido.
No mundo de hoje, assistimos a diversas situações que, de certa forma, têm uma estreita relação
com as questões sociais. Pensamos juntos sobre o problema da violência, mas vivenciamos outras situa-
ções como a fome, o desemprego, a saúde, a habitação.

Saúde
Sem dúvida não é possível esgotar essa temática sobre os problemas sociais que envolvem o dia-
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a-dia de muitos brasileiros.

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Sociologia

Em relação à situação da saúde, diariamente ouvimos notícias sobre as precárias situações em que
se encontram os serviços da saúde pública e tal situação gera outros descompassos na vida de quem
precisa destes serviços.
Historicamente, a humanidade já vivenciou situações em que a saúde foi seriamente ameaçada.
Certamente, você já ouviu falar na gripe espanhola – essa doença alastrou-se pelo Brasil no início do
século XX e dizimou milhares de pessoas. A situação de desespero das pessoas frente à doença era o
espelho da realidade em que viviam.
Além da gripe espanhola, em suas aulas de História você já estudou sobre a Revolta da vacina?
Anote nas linhas abaixo no que consistiu esse movimento:

Segundo Gilberto Dimenstein e Álvaro César Giansanti:


A revolta da vacina inaugurou a luta dos movimentos sociais populares que, desde então, vem reivindicando me-
lhores condições de saúde. O avanço da cidadania nessa área tem se dado com a conquista de assistência médica
preventiva e gratuita, construção de infra-estrutura de saneamento básico e de postos de saúde e hospitais, além
da contratação de médicos e enfermeiras para o serviço público. (2003, p. 136)

Segundo o autor, a revolta da vacina foi, na sua época, uma forma de reivindicar melhores condi-
ções em relação à saúde. E sob muitos aspectos a luta por melhores condições de atendimento à saúde
continua em nosso país, precisamos estar atentos às diversas possibilidades para essa situação.

Meio ambiente
A vida em sociedade muitas vezes nos remete a observarmos muito mais nossos deveres do que
EM_SOC.005

nossos direitos. Por isso é importante que, como cidadãos, tenhamos claro que todos, indistintamente
possuem direitos e deveres.
81
Assim como a questão da saúde, da violência, da educação, o meio ambiente tem sido pauta de
muitos estudos e discussões. A nossa preocupação em torno dessa temática não deve ser algo superficial,
mas que busque realmente compreender a nossa importância, enquanto cidadãos, nesse contexto.
A letra da música que segue nos lembra que, enquanto cidadãos, possuímos direitos. Leia a letra
da música, se possível cante-a e depois reflita: de qual direito essa música nos lembra?

O sal da terra
Compositor: Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Anda, quero te dizer nenhum segredo


Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
(O sal da terra)

Você conhece outras músicas, poemas, texto, frases, imagens que retratem a questão do respeito
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(ou não) aos Direitos Humanos?

82
Sociologia
Leia o artigo da Constituição brasileira abaixo e reflita sobre a questão da relação do meio ambien-
te enquanto direito de todos.

Constituição da República Federativa do Brasil


Capítulo VI
Do meio ambiente
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever
de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1.º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espé-
cies e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a
serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora
de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se
dará publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para
a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2.º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado,
de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
§ 3.º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação
de reparar os danos causados.
§ 4.º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a
Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições
que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5.º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminató-
rias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
EM_SOC.005

§ 6.º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal,
sem o que não poderão ser instaladas.
83
Resolva as seguintes questões:

a) Quais são as agressões que acontecem contra o meio ambiente no Brasil que você tem conhe-
cimento?

b) Você conhece alguma fonte de poluição em sua cidade ou bairro?

c) Tendo feito a leitura do artigo da Constituição que trata da questão do meio ambiente, quais
são as obrigações do Poder Público em relação ao meio ambiente?

d) Você conhece as punições previstas para quem prejudica o meio ambiente? Pesquise alguma
reportagem sobre um fato como este.

e) Em sua opinião, o que poderia ser feito para despertar a consciência ecológica nas pessoas?

Neste módulo pensamos um pouco sobre alguns aspectos em relação aos problemas sociais, como
a questão da violência, a questão da saúde, do meio ambiente.
No espaço a seguir, você vai colar notícias de jornais e/ou revistas que apresentem os problemas
sociais que são enfrentados no Brasil e no mundo. As notícias podem ser de denúncias, relatos e ações
EM_SOC.005

que vêm procurando “solucionar” as dificuldades de que tantas pessoas são vítimas.

84
Sociologia

atividades

1. Encontre no quadro abaixo as seguintes palavras: mundo, violência, álcool, drogas, inimigos,
crime, humano, sociedade.

i g j i z x s d ç f p o u v g q i e
o h h m u d o n v e u h u m a n o a
p j v i o l e n c i a h s u h i r u
o f x p x z s b c v f d o s j n h g
i g h c m r y e h ç p r c g h i s a
c d o r g a k l d f d e i a p m w q
m w r o s s a v r i a s e l e i l ç
e t g r m u n d o e h r d c i g u n
o h j t g o o l g t u o a o f o s c
i c s c r i m e a y x w d o p s i x
EM_SOC.005

v u v i u i l w s z i u e l e j k l

85
Agora produza um texto que contemple essas palavras, sendo o seu texto sobre a temática que
refletimos neste módulo.

2. A temática sobre Direitos Humanos é bastante rica e necessária em nossas reflexões e estudos.
Para aprofundar um pouco mais nosso trabalho e procurando buscar na atualidade informações
sobre os direitos que temos e em que situações esses direitos são violados, recorte notícias de
jornais e revistas, pesquise em sites sobre os seguintes direitos: emprego, organização sindi-
cal, moradia, educação, saúde, cultura meio ambiente e outros.

3. Pesquise a Declaração dos Direitos Humanos. Leia os artigos atentamente e escolha entre to-
dos qual ou quais estão mais distantes de serem respeitados.

Trocando idéias...
Levando em conta as reflexões feitas neste módulo sobre movimentos sociais, direitos, formas de
organização, ONG, e sobre as formas como essas organizações reivindicam algo que consideram justo
para a sociedade em que vivem, vamos aprofundar o nosso estudo.
Pensando nesses ideais ou bandeiras de luta de cada movimento, colabore com os mesmos, entran-
do em contato com alguns dos partidos políticos abaixo relacionados e relate aos mesmos quais ações
que você acredita que poderiam ser feitas no sentido de minimizar as necessidades sociais de muitos
brasileiros.
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Solicite uma resposta de ações efetivas que os partidos políticos possam fazer para amenizar
esses problemas.

86
Sociologia

Essa atitude é uma maneira de você contribuir para um país melhor, pois não basta escolher os go-
vernantes, temos que acompanhar e cobrar as ações para que em nosso país haja menos exclusão social.

Segue alguns dados sobre os Partidos Políticos do Brasil, seu endereço e formas de entrar em contato.

1. PSDB
Nome: Partido da Social Democracia Brasileira
Presidente: Sérgio Guerra
Endereço: SCN quadra 4, bloco B, torre C, sala 303 B, Centro Empresarial Varig - Brasília - DF
CEP: 70714-900
Telefone: (0xx61) 3328-0045
Fax: (0xx11) 3328-0045
Internet: www.psdb.org.br

2. PT
Nome: Partido dos Trabalhadores
Presidente: Ricardo Berzoini
Endereço: Rua Silveira Martins, 132, Centro - São Paulo - SP
CEP: 01019-000
Telefone: (0xx11) 3423-1313
Fax: (0xx11) 3243-1348; (0xx61) 3318-5100
Internet: www.pt.org.br

3. PP
Nome: Partido Progressista Brasileiro
Presidente: Jerônimo Goergen
Endereço: Anexo 1 do Senado Federal, 17º andar - Brasília- DF
CEP: 70165-900
Telefone: (0xx61) 3311-3041; 3323-7821
Fax: (0xx61) 3323-7821; 3311-3984
Internet: www.pp.org.br

4. PPS
Nome: Partido Popular Socialista
Presidente: Roberto Freire
Endereço:Congresso Nacional, Ala Senador Teotônio Vilela Gab,5 Anexo II
CEP: 70000
Telefone: (0xx61) 3311-2161; 3311-2164
Fax: (0xx61) 3311-1848
EM_SOC.005

Internet: www.pps.org.br

87
5. PSB
Nome: Partido Socialista Brasileiro
Presidente: Eduardo Campos
Endereço: Câmara dos Deputados, anexo 2, bloco das lideranças, sl 118 - Brasília - DF
Telefone: (0xx61) 3318-5198
Fax: (0xx61) 3224-8493
Internet: www.psbnacional.org.br

Referencias

BARBOSA, Maria Nazaré Lins; OLIVEIRA, Carolina Felippe. Manual de ONGs: guia prático de orientação
jurídica. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2001.
DIMENSTEIN, Gilberto. O Cidadão de Papel – A infância, a adolescência e os Direitos Humanos no Brasil.
20 ed. São Paulo: Atica, 2002.
DIMENSTEIN, Gilberto e GIANSANTI, Álvaro César. Quebra-Cabeça Brasil - temas de cidadania na Historia
do Brasil. São Paulo: Atica, 2003.
GARCIA, Regina Leite (Org.). Aprendendo com os Movimentos Sociais. Rio de Janeiro: DP&A, SEPE, 2000.
GOHN, Maria da Gloria. O Protagonismo da Sociedade Civil.Ed.Cortez, 2005.
MOISES, José Álvaro. Contradições Urbanas e Movimentos Sociais. 3 ed. Ed.Paz &Terra; 1978.

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Sociologia
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EM_SOC.005
Adolescência
Valter Campanato / ABr

“(...) A juventude virou valor máximo, obses-


sivamente preservado por quem naturalmente a
tem e arduamente perseguido por quem está bio-
logicamente distanciando-se dela.
(...) A identidade do mundo adulto está mu-
dando, está perdendo contornos diante dos olhos
de jovens que vêem pais e mães, estressados pelo
trabalho, serem mais felizes quando se compor-
tam como jovens. É difícil desejar crescer quando
o crescimento significa apenas enfrentar barreiras,
porque prevalece a sensação de que a parte boa do
mundo adulto, os jovens já conquistaram: liberda-
de, vida sexual, os de maior poder aquisitivo estão
protegidos pela família etc. (...)
Do indivíduo valorizado, da individualidade
respeitada, evoluiu-se para o individualismo (...)
alimentado em casa, preservado nas relações pes-
soais, manifesto na moda cada vez mais customi-
zada, cada vez mais superposta por uma infinidade
de leituras.
O mundo da rua não é, decididamente, foco
de interesse do jovem. O índice de entrevistados
que participam ou participaram de algum tipo de
movimento social caiu expressivamente em rela-
ção a 1999.
A sucessão de fatos novos e mudanças está cau-
sando um fenômeno incontestável: a sensação de
que o futuro se torna presente, na mesma velocidade
- absurda - com que o presente se torna passado.
(...) No campo da sexualidade, enquanto al-
guns já lamentam os excessos, outros ponderam
que o processo de experimentação é natural e vi-
tal para a felicidade em escolhas mais definitivas,
outros simplesmente comemoram a possibilidade
real e consolidada de viver intensamente a liber-
dade de experiências sem compromisso. (...)
A vaidade, que já vinha correndo em parale-
lo crescente com a tendência de valorização da
juventude, atinge hoje uma expressividade muito
maior. (...)
Temos o retrato de uma geração que está em
obras, vivendo em um momento no qual o mundo
está em obras”.
(Fonte: Dossiê Universo Jovem III, Realização: MTV Brasil
Disponível em: Link: http://portal.ibta.com.br/cursos/ibta-
news/ibtanews_5/downloads/dossie_mtv.pdf)

O texto acima foi extraído do “Dossiê Universo Jovem 3”, documento


resultante de uma pesquisa encomendada pela MTV Brasil em 2005, com
o objetivo de identificar valores e comportamentos dos jovens brasileiros
de 15 a 30 anos. Sob a coordenação de Ione Maria Menes, foram entrevis-
EM_SOC.006 tados 2.359 pessoas das classes A, B e C de várias capitais brasileiras. O
perfil comum traçado corresponde ao de um jovem que cultiva a vaidade
exacerbada, a irresponsabilidade, o hedonismo e o individualismo.
Adolescência
Dialogando sobre adolescência
É com grande satisfação que chegamos no últi-

Ferdinando Scianna/Magnum Photos.


mo módulo. Ufa! Você conseguiu... é um vitorioso! Já
estudou vários temas e com certeza ainda tem muito
a descobrir. Para encerrar o caderno propomos a você
um tema especial, que você conhece muito bem, afinal
você está vivenciando a adolescência.
O trecho que extraímos da pesquisa realizada
pela MTV termina com a afirmativa de que a juventude
atual é uma geração que está em obras e que vive num
mundo em obras. Este cenário e estes sujeitos inaca-
bados podem ser caracterizados pelo que o historiador Jovens andando pelas ruas de São Paulo, 2003. A necessidade de
individualização pode ser verificada no comportamento dos jo-
Eric Hobsbawm chama de “presente contínuo”, pois de vens, que se apresentam com irreverência nas maneiras de agir
e de se vestir.
acordo com ele, eles existem “sem qualquer relação
com o passado público da época em que vivem”.
Neste sentido, Tom Zé propõe um diálogo com a geração de

Tom Zé. Danç-Éh-Sá. Ano: 2006.


Gênero: MPB. Editora: Irará/Trama Capa
do CD Danç-éh-sá, de Tom Zé, lançado
em 2006.
“jovens em obras”, estabelecendo um retorno ao passado por meio
da originalidade, que também é fruto de elementos deste mundo ina-
cabado. Ele procura alertar a juventude sobre nossa história, sobre a
importância de construirmos nossa identidade e sobre a importância
da atuação consciente na sociedade. Tom Zé repudia a utilização da
pesquisa apenas como um índice de mercado, e a entende como um
grito de socorro dos jovens.
Tom Zé é considerado um dos mais originais
compositores da música brasileira e é também
A sociologia, ao estudar a juventude, procura analisar também um de nossos artistas mais respeitados inter-
seu estilo de vida, pois entende que ele representa o modo como o nacionalmente. O projeto deste disco foi con-
cebido após o autor tomar conhecimento dos
jovem se relaciona com as mudanças sociais, culturais e estruturais, resultados da pesquisa do Dossiê MTV: “O que
me comoveu foi a responsabilidade de ver essa
uma vez que a experiência da vida social é fundada na intersecção do juventude toda tomando um caminho que, até
cultural com o estrutural. outro dia, tempos atrás, era a época, a fase do
amor à humanidade, o amor pela justiça, o tem-
po da disponibilidade para lutar por um mundo
Mas diante de tudo isso, o que é ser jovem? Como é ser jovem no menos terrível...”. Tom Zé dedicou a obra a lem-
início do século XXI? De que forma os jovens constroem sua identidade brar aos jovens sobre suas origens, buscando as
raízes de nossa identidade cultural: “Para che-
inseridos no contexto caracterizado pelo que Hobsbawm chamou de gar a esses jovens, mudei tudo que já produzi
(...). Aposto que a resposta dos jovens na pes-
“presente contínuo”? Qual o seu estilo de vida? Você se reconhece nos quisa é provisória e berra um grito de socorro
resultados da pesquisa da MTV? Acha que falta consciência aos jovens na cara dos formadores de opinião.” Neste CD,
cujas músicas não possuem letras, Tom Zé con-
de nosso país? Acredita, como Tom Zé, que a consciência histórica de ta a história do Brasil, falando aos jovens sobre
as revoltas populares e procurando chamar a
nossa identidade pode auxiliar numa atuação mais consciente em nossa atenção sobre nossa identidade cultural.
sociedade? Qual o papel da juventude no século XXI?
EM_SOC.006

92
Sociologia

a t iz a n d o s e u conhecimento
Sistem

Adolescência e juventude como fenômeno histórico


Definir adolescência e juventude torna-se uma tarefa muito complexa, aparentando existir diferen-
tes adolescentes. Segundo o IBGE adolescentes estão na faixa entre 15 e 24 anos. A Organização Inter-
nacional do Trabalho a divide em dois períodos: dos 15 aos 19 anos, adolescência, e dos 19 aos 24 anos
a juventude propriamente dita. O Estatuto da Criança e do Adolescente coloca que a adolescência é dos
13 aos 18 anos. A Organização Mundial de Saúde, entende que a adolescência é um processo biológico,
que vai dos 10 aos 19 anos de idade.
Já a juventude é considerada uma categoria sociológica que implica na preparação do indivíduo para a
vida adulta, abrangendo a faixa dos 15 aos 24 anos de idade. Embora a juventude possa ser considerada uma
categoria social que agrupa os que compartilham a mesma fase de vida, é preciso ficar atento à multiplicida-
de de experiências que se reúnem sob essa denominação. Será que podemos falar numa mesma experiência
juvenil vivida por um jovem morador do Sertão Nordestino, e por um jovem que reside num grande centro
urbano? Certamente não. A classe social, a condição étnica e de gênero, a presença ou não no mercado de
trabalho e na escola, a moradia – urbana ou rural, a situação familiar e a orientação religiosa são fatores que
vão diferenciando internamente esse grupo que chamamos juventude. (Corti e Souza, 2005).
Percebeu a diferença? Afinal, você é adolescente ou jovem? Ou os dois? E aí? Escreva sua opinião.

Como percebemos, os estudiosos são imprecisos em definir o momento de início e término da


adolescência, sabem por quê?
Há uma outra forma de ver os jovens, dentro de uma discussão que busca evitar qualquer definição
a priori sobre juventude ou adolescência. Segundo Bock & Liebesny (2003),
para a psicologia sócio-histórica, a adolescência não é vista como uma fase natural do desenvolvimento. A adoles-
cência não existiu sempre, pois se constituiu na história a partir de necessidades sociais com o mundo adulto e com
as condições históricas em que se deu seu desenvolvimento. Assim, a adolescência é uma fase de desenvolvimento
na sociedade moderna ocidental. Não é universal e não é natural dos seres humanos. É histórica. (p. 210)

Na verdade, para tratar da questão da juventude é preciso levar em conta tanto os conhecimentos
produzidos em relação à adolescência, que têm a tendência a serem mais universalistas em suas caracte-
rizações, quanto aqueles voltados para as determinações específicas que contribuem para a definição do
jovem, como sua classe social e seu contexto histórico-geográfico.
EM_SOC.006

93
Os estudos sobre adolescência que tentam caracterizá-la de modo mais universal têm um grande
exemplo na psicanálise, buscando uma caracterização da adolescência como crise e busca por identidade,
conforme apresenta Erik Erikson (1976). Segundo esse autor, há algumas características próprias do período
da adolescência: preocupação com o que se parece aos olhos dos outros; preocupação com papéis sociais;
mudança do meio familiar e escolar, para o meio mais amplo da sociedade; busca por ideais; mudança de
referência dos adultos para os pares; busca por se firmar de modo grandioso em relação à profissão; superi-
dentificação com heróis – perda temporária da individualidade; aderência a grupo e etnocentrismo.
E tem mais....
Aberastury & Knobel (1989) propuseram denominar de “síndrome normal da adolescência” as vi-
vências pelas quais todos os adolescentes costumam passar. Essa síndrome é composta por 10 itens:  
busca de si mesmo e da identidade; 
tendência grupal;
necessidade de intelectualizar e fantasiar;
crises religiosas; 
deslocalização temporal;
evolução sexual desde o auto-erotismo até a heterossexualidade;
atitude social reivindicatória;
contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta;
separação progressiva dos pais;
constantes flutuações do humor e do estado de ânimo.
Encaixou–se em alguns desses itens? Dê seu parecer. Aproveite; afinal, estamos falando de uma
fase da vida na qual você é o protagonista!

exao
Exercicios para refl

Mesmo com toda a padronização promovida pelos meios de comunicação de massa, há diferenças
significativas entre os jovens, dependendo do seu status social, de sua escolaridade, de sua região geo-
gráfica, de sua religião etc. Nesse sentido, os jovens universitários, por exemplo, possuem particularida-
des que estão relacionadas à condição de estarem vinculados a uma universidade e a um plano de vida
que é a busca por uma carreira profissional.
EM_SOC.006

Sabe-se que o número de pessoas que alcançam o Ensino Superior é tão pequeno em relação à
população brasileira, que é chamado de topo da pirâmide. Segundo Araújo & Ristoff (2003), “dados da
94
Sociologia

Pnad/IBGE e do Inep revelam que temos hoje 9% da população na faixa etária de 18 a 24 anos na educa-
ção superior” (p. 34). O fato de estar em um grupo pequeno de pessoas que alcançam o Ensino Superior
já é bastante significativo do quanto a formação profissional representa um valor para esses jovens, que
viram nesse caminho a possibilidade para sua realização pessoal, seja ela mais firmada em expectativas
financeiras ou em satisfação pessoal com o trabalho.
Qual a sua expectativa quanto a sua formação profissional?

A situação da adolescência no Brasil


Nesse tópico passamos a vocês alguns dados estatísticos referentes aos adolescentes brasileiros,
que servirão de base para muitas reflexões.
Número de adolescentes no país

IBGE. Censo, 2000.


Comparação entre a população com idade
entre 12 e 18 anos e o total da população no Brasil

Total da população de adolescentes


85% (entre 12 e 18 anos)

Restante da população

15%
População nacional: 169.872.856 habitantes

Renda per capita até ½ salário mínimo 1999: 20,1%


Saúde: segundo o relatório da Situação da Infância Brasileira de 2001, do Unicef, embora avan-
ços tenham sido constatados na década passada em relação à queda de mortes infantis (36,1
por mil crianças nascidas em 1998 contra 47,8 em 1990), ainda são altos os números verifica-
dos. De uma maneira geral, o índice de mortalidade no Brasil ainda é grande: países mais pobres
têm taxas mais baixas, como a Venezuela (21 por mil), Sri Lanka (17 por mil) e Panamá (18 por
mil), contra 28,7 por mil nascidos no caso brasileiro.
Educação
Dados de 1999:
EM_SOC.006

Taxa de analfabetismo 15/17 anos – 3,7%

95
Taxa de escolarização Ensino Fundamental – 95,7%
Taxa de escolarização Ensino Médio – 78,5%
Taxa evasão Ensino Médio – 6,8%
Taxa evasão Ensino Fundamental – 3,9%
Ato infracional

Ilanud, junho/2000 a abril/2001.


Ato infracional atribuído ao adolescente
Homicídio
Lesão corporal
14,7% 1,4% 6,9% Furto
10,0% 14,7% Roubo
Direção sem habilitação

5,2% Porte de entorpecente


Tráfico de entorpecente
5,2%
Porte de arma
34,0%
Outros
7,9%

Secretaria da Promoção dos Direitos da Criança


e do Adolescente, jan. 2004.
Comparação entre a população de adolescentes em conflito com a lei
e o total da população com idade entre 12 e 18 anos no Brasil
99,84%
Adolescentes em conflito com a lei
Restante dos jovens da população

Populaçãode adolescentes segundo Censo 2000: 25.001.051

0,16%

Gostou das informações? Quer saber mais? Entre no site <www.risolidária.org.br>. Tenha contato com
essas e outras informações e registre no espaço abaixo as mais significativas.
EM_SOC.006

96
Sociologia

Violações dos direitos humanos do Brasil entre a população de adolescentes


Dizemos que o direito é violado quando estiver constituído em lei e não for respeitado como: a fal-
ta de acesso aos serviços públicos de qualidade na saúde, na educação; moradia precária; pobreza extre-
ma sem atendimento social; vítimas de violência física, negligência, psicológica e sexual, entre outras.
Você sabia?
Quando você cidadão sabe de algum tipo de violação e se omite você é culpado por omissão? Fique
atento, quando souber de algo que esteja fora do normal como crianças e adolescentes sendo explorados
por adultos ou vítimas de maus tratos ligue para o Conselho Tutelar de seu município; faça a sua parte!
Entre tantas violações dos direitos destacamos a reportagem a seguir de Athayde (2007, p.54):
Novos levantamentos sobre vitimização de jovens brasileiros indicam que uma geração inteira está sendo aniqui-
lada. A sociedade paga e pagará por isso. Alguns levantamentos foram anunciados com pouco alarde, outros sem
nenhum, enquanto um olhar atento a essas estatísticas leva a pelo menos três conclusões alarmantes. A primeira:
conquistas com a redução da taxa de mortalidade infantil nas duas últimas décadas podem se anular pelo cresci-
mento de 306% nas taxas de homicídios de jovens até 19 anos. A segunda: a perda de jovens no Brasil deixou de
ser um problema de segurança pública para tornar-se questão de saúde pública. A terceira: nossa taxa de mortes
por arma de fogo é de 43,1 por 100 mil jovens entre 15 e 24 anos. Em um ranking mundial desse tipo de morte,
o Brasil ocuparia o primeiro lugar. Por trás dos números alarmantes, evidentemente está a brutal desigualdade
social e a vergonhosa distribuição de renda que mantêm o país dividido. Uma minoria escapa dessas estatísticas
enquanto milhares de jovens, parte da massa dos menos privilegiados, são aniquilados. Esses, essencialmente
pobres, moradores das periferias, quase sempre negros.

Você teria uma sugestão para acabar com esse e outros tipos de violações de direitos que cercam
adolescentes no Brasil? Compartilhe a sua idéia.

A criança, o adolescente e as políticas públicas


É na infância que, se bem orientada, inicia-se a formação da cidadania e constrói-se sujeitos cons-
cientes de seus direitos e deveres.
Com o advento da Constituição de 1988, a Convenção das Nações Unidas em 1989 e o Estatuto da
Criança e do Adolescente de 1990, foi introduzido, no Brasil, o Estado de Direito no mundo das relações
entre cidadão e cidadão, cidadão e autoridade (SEDA, 2000).
Foi a partir da Lei 8.069, de 13 de julho de 1990, que a criança e o adolescente passaram a ser
EM_SOC.006

considerados como cidadãos. Deixam de ser vistos como “objetos” de guarda e passam a ser considerados
como sujeitos de direitos e deveres, sendo um grande avanço para essa faixa etária que, até então, foi
marginalizada pela sociedade.
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Em 13 de julho de 1990, é criado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que destrói a
lógica do Segundo Código dos Menores. A criança e o adolescente passam a ser vistos como seres em
desenvolvimento e cabe à família, à sociedade e ao Estado a responsabilidade da garantia e efetivação
dos seus direitos.
Após o ECA, a criança e o adolescente são os cidadãos do presente. por isso, as ações devem
ser realizadas de forma preventiva, atendendo “todas” as crianças e adolescentes, juntamente com o
trabalho de apoio e orientação familiar, evitando que os mesmos cheguem ao Conselho Tutelar. Como
coloca Seda (2000, p. 5), “é quando criança que se entra no portal da cidadania, da liberdade e da
dignidade social”.
Constatamos que não houve, no decorrer da história, uma grande evolução na legislação no que
diz respeito à criança e ao adolescente. Somente no ano de 1990, com o advento do Estatuto da Criança
e do Adolescente, é que essa faixa etária passou a ser tratada como prioridade absoluta: são vistos como
seres em fase peculiar de desenvolvimento e considerados cidadãos desde o seu nascimento até a morte,
não podendo haver discriminação.
Diante desse cenário, podemos inferir que o Estatuto da Criança e do Adolescente, embora tardio
(1990), é uma legislação de grande valor, contemplando políticas públicas de atenção integral à criança e/
ou adolescente. Por ser uma legislação de caráter inovador e ter apenas 17 anos de implementação, passa
por grandes problemas para sua efetivação pelos “ranços” ainda provenientes do Código de Menores.
Também, pelo fato de a mídia não ter colaborado na sua divulgação, interpretando-o conforme
seus interesses, reforçando somente o que lhes interessava, de uma maneira grotesca, sem conhecimento
de causa.
Dentre essas interpretações errôneas, destacava-se que criança e adolescente, a partir de então,
só teriam direitos e poderiam fazer o que bem quisessem, já que não sofreriam punições. No entanto, é
preciso desmistificar essas posturas e incentivar, orientar, esclarecer e sensibilizar a população a incluir
a criança e o adolescente no mundo dos direitos e deveres, do respeito aos valores sociais e humanos.
Portanto, somente com a mudança profunda da percepção humana, conseguiremos o equilíbrio
desejado no mundo do Direito, da Justiça, entre a autoridade e a liberdade. o equilíbrio entre as leis e
a conduta humana, se não for constante, produz desvios por omissão – deixar de fazer – ou por abuso –
fazer em excesso com dano (SEDA, 2000).
Quadro I - Políticas Públicas de atenção integral à criança e ao adolescente
(PAULA, 2001, p. 20)

Linhas de ação Destinatários Serviços e programas

Educação infantil, Ensino Fundamen-


tal e médio, Educação profissional,
Políticas sociais básicas Educação especial, Ações básicas de
(saúde, educação, Todas as crianças saúde, centro de saúde, programas
trabalho, esporte, e adolescentes de puericultura, programas de gera-
habitação, cultura/lazer) ção de emprego e renda, programas
culturais, parque infantil, educação
esportiva, programa de habitação
EM_SOC.006

98
Sociologia

(PAULA, 2001, p. 20)


Linhas de ação Destinatários Serviços e programas
Programas de enfrentamento da po-
breza, de apoio familiar, plantões
sociais, programas de geração de
As crianças e adolescentes em es-
Política de assistência social renda, programas oficiais de auxílio
tado de necessidade.
às famílias com crianças e adoles-
centes em situação de risco pessoal
e social.

Programas de proteção (art.


As crianças e adolescentes, espe-
90 – ECA): programas de orienta-
cialmente difíceis, em presença de
ção e apoio à criança e à família,
fatores de vulnerabilidade que os
programas de apoio sócio – edu-
coloca em situação de risco pesso-
cativo em meio aberto, programas
al e social: vítimas de abusos, ne-
de colocação familiar, de adoção,
gligência e maus tratos familiar e
abrigo, casa lar, albergue, casa de
institucional, abandonadas, tráfico
passagem, serviço de identificação
e venda, exploração sexual e labo-
de desaparecidos crianças e pais,
ral, da vida, de rua, do uso e tráfi-
serviço de proteção jurídico-social,
Política de proteção especial co de drogas, do envolvimento em
pronto atendimento, programas a
atos infracionais, de discriminação
vitimizados e abusados, programas
racial e social etc.
de erradicação do trabalho infantil.
Os destinatários da Política de Pro-
teção Especial são divididos em
Programas socioeducativos:
dois grupos: os vitimizados (medi-
programas de prestação de serviço à
das de proteção – art. 101 ECA) e
comunidade, programas de liberda-
aqueles a quem se atribua a autoria
de assistida, centro de atendimento
de ato infracional (medidas sócio-
em regime de semi-liberdade, inter-
educativas – art. 112 ECA).
nação.

Centro de Defesa de Direitos, Minis-


As crianças e adolescentes envolvi-
tério Público, Defensoria Pública,
Políticas de garantias dos em conflitos de natureza jurí-
Magistratura, Segurança Pública,
dica.
Conselho Tutelar.
No quadro acima, estão elencados todos os serviços públicos que devem existir nos municípios
para atendimento às crianças e aos adolescentes. Vá até o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e
do Adolescente de seu município e faça um levantamento dos programas que existem em sua cidade ou
comunidade. Bom trabalho!
EM_SOC.006

99
Nossa mensagem para você!
Depois da jornada de estudos sobre Sociologia, reflexões sobre o mundo onde vivemos, desafios,
esperanças...
Certamente o tema não se esgota em um determinado tempo de estudo mas abre perspectivas para
novas reflexões.
E para você...

Dias Melhores
Rogério Flausino
Vivemos esperando dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos para trás

Vivemos esperando
O dia em que seremos melhores
Melhores no amor, melhores na dor

Melhores em Tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos para sempre

Vivemos esperando
Dias melhores pra sempre

Vivemos esperando dias melhores


Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos para trás

Vivemos esperando
O dia em que seremos melhores
Melhores no amor, melhores na dor

Melhores em Tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos para sempre
Vivemos esperando
EM_SOC.006

Dias melhores pra sempre

100
Sociologia

nhecimentos
Ampliando Co

Sugestão de filmes:

O Clube dos Cinco


Direção: John Hugles
Gênero: Drama
Origem Estados Unidos
Duração: 97 minutos
Sinopse: Cinco adolescentes são colocados de castigo na escola por causa de pe-
quenas infrações. O castigo consiste em escrever uma redação contendo mil palavras
sobre o que eles acham de si mesmos. Agora juntos, eles começam a se conhecer,
fazer confissões e aceitar seus limites e diferenças.
EM_SOC.006

101
Aos Treze
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Catherine Hardwicke, Nikki Reed
Gênero: Drama
Origem: Estados Unidos/Inglaterra
Duração: 100 minutos
Sinopse: Tracey é uma adolescente normal como qualquer outra – veste-se como as
meninas de sua cidade, possui bichinhos de pelúcia e ainda tem aquele ar angelical.
Mas ao se sentir inferiorizada na escola por garotas moderninhas e mais descoladas,
acaba se aproximando da mais popular delas, Evie, uma garota que acaba levando a
inocente Tracey para um mundo envolvendo drogas, sexo e pequenos crimes.

Ruas de Fogo
Direção: Water Hill
Gênero: Ação
Tempo de duração: 93 minutos
Sinopse: Em algum lugar no tempo, numa cidade que pode ser a nossa, a violência
urbana chega a níveis insustentáveis. Cada vez mais as guangues de rua se apoderam
dos espações públicos, fazendo de cada quarteirão o seu verdadeiro domínio de vio-
lência. Os representantes da lei já não controlam mais a situação. É nessa situação
caótica que uma cantora de rock é seqüestrada por uma guangue de motoqueiros. Seu
namorado retorna então à cidade e, ao descobrir que ela é mantida refém, parte para
o resgate. Mas para isso ele deverá passar por um inferno de guangues rivais, verda-
deiros selvagens sem lei que não medem esforços para proteger seus domínios.

Marock
Direção: Laila Marrakchi
Gênero: Drama/Romance
Origem: França/Marrocos
Duração: 100 minutos
Sinopse: Retrato da juventude marroquina em todos os seus excessos: carros ve-
lozes, música, amizades, álcool e a angústia da chegada da idade adulta. Marock
quer mostrar um Marrocos desconhecido, à imagem de sua protagonista, Rita, de 17
anos, que se rebela contra as tradições de sua cultura. Vivendo sua primeira história
de amor, ela se confronta com a família, em especial com o irmão mais velho, ho-
mem conservador, para quem o futuro significa um retorno aos velhos ancestrais.
EM_SOC.006

102
Sociologia

Bratz - o filme
Direção: Sean McNamara
Gênero: Comédia
Origem Estados Unidos
Duração: 110 minutos
Sinopse: Baseado nas populares bonecas de mesmo nome, conta a história de
quatro adolescentes: Yasmin, Sasha, Cloe e Jade. Elas vêm cada uma de um mundo
diferentes, social e economicamente. O que elas têm em comum, no entanto, é o
seu desejo de serem elas mesmas e realizarem seus sonhos e aspirações. Estudan-
do juntas na Lewis & Clark Hight School, estas meninas descobrem o real valor da
amizade em uma história superdescolada que mistura música, dança e, é claro, o
mundo da moda

Vamos Nessa
Direção: Doug Liman
Roteiro: John August
Gênero: Ação
Origem: Estados Unidos
Duração:103minutos
Sinopse: Na noite de véspera de Natal, um grupo de jovem se mete numa situação
que envolve compra e venda de drogas – e muita festa. A história é contada por
três diferentes pontos de vista.

Sugestão de leitura:
Histórias de adolescentes: crônicas de um educador.

Referencias

ATHAYDE, P. Um Tiro no Futuro. Carta na Escola, São Paulo, n.º 13, fev. 2007. p.54-60.
CORTI, P. A .; SOUZA, R. Diálogos com o Mundo Juvenil. Ação Educativa, 2005.
PAULA, R. M. de (org). Política de Atendimento dos Diretores da Criança e do Adolescente no
Estado do Paraná. CEDA, Curitiba, 2001.
RIBEIRO, M. M.; MARTINS, R. B. Violência Doméstica contra a Criança e o Adolescente: a realidade
velada e desvelada no ambiente escolar. Curitiba: Juruá, 2004.
EM_SOC.006

RIBEIRO, Marisa Marques. A Representação do Adolescente Trabalhador: um Estudo em Escola No-


turna. 80 f. (Monografia de especialização) Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, PR.
103
ROSADO, D. M. A. Q.; COELHO, E. A. S.; SOUZA, L. M.; PEREIRA M.A.D. – Assistência psicossocial à
juventude universitária: a experiência do programa saudavelmente – Revista da UEPG, Vol. 6, nº1,
jun. 2004 online (www.proec.ufg.br).
SEDA, E. Ensaio sobre a Organização de Programas Municipais para a Criança e o Adolescente.
Rio de Janeiro. Ades, 2000.

EM_SOC.006

104