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PARÁBOLAS SOBRE

LIÇÃO EVANGELISMO E MISSÕES


06 Objetivo da Lição: Incentivar o crente a se envolver no relacionamento com o incrédulo para a sua salvação.

Há uma convivência com pecadores que os confirma em seus pecados – e deve ser evitada. Há também a
convivência com pecadores que os tira dos seus pecados – esse deve ser apreciado. Na medida que
buscarmos um íntimo caminhar com Deus, isso resultará em andar com os pecadores a fim de ganha-los para
Deus.

As cinco parábolas a seguir nos ensinará sobre como nos relacionar com os incrédulos, enquanto levamos a
mensagem do Evangelho:

1. Os cães e os porcos (Mt 7.6)


Nesse contexto (Mt 7.1-5), Jesus fala sobre a necessidade de sabermos classificar as coisas. Se não deve
haver trave que nos impeça de remover o cisco, por outro lado não pode existir cegueira que nos proíba
de enxergar a corrupção para a qual já não há esperança; e para a qual já não adianta ajuda alguma.

O versículo 6 confirma que Jesus não pretendia proibir todo tipo de julgamento. Ele alertou os discípulos
a não dar coisas santas aos cães ou lançar aos porcos as pérolas:

“cães”: O uso que Cristo faz desse símile dos cães 1 selvagens nos faz lembrar que há testemunhos que
instintivamente nos recusamos a dar, quando estamos diante de pessoas que desprezam
completamente tais comportamentos – somos proibidos de expressar coisas sagradas 2 àqueles que,
além de rejeitar, desmoralizam, desonram e ridicularizam as coisas sagradas a Deus.

“porcos”: Na lei mosaica, os porcos são considerados imundos e impróprios para consumo humano.
Como as "pérolas" eram consideradas as mais preciosas de todas as joias (Mt 13:45; 1Tm 2:9), passaram
a simbolizar a preciosidade da Verdade. É fácil imaginarmos o desapontamento e consequente ira dos
porcos ao descobrir que o que pensavam ser comida eram apenas pérolas. Assim também não temos o
direito de entregar o tesouro das nossas pérolas aos que não as darão o devido valor, diminuindo o valor
da Verdade da mensagem de Deus.

São esses que, após ouvirem a Palavra da Verdade, se tornam piores do que eram antes. Pedro, que
ouviu essa parábola quando foi transmitida, terminou uma de suas cartas falando de algumas pessoas
que, como cães, voltam ao seu próprio vômito, e como porcas revolvem-se na lama (2Pe 2.22).

Essa pequena ilustração parabólica nos fala que as Verdades da mensagem de Deus não deve ser
imposta aos rebeldes que a desprezam, rejeitam ou não valorizam o seu grande valor.

1
“cães” – Aqui nosso Senhor se refere a cães selvagens e rosnadores, que se voltam e mordem a mão daqueles que os
alimentam. Os cães do Oriente são mais selvagens e vivem mais em matilhas do que os nossos cães domesticados,
alimentam-se de carniça e lixo e são mais sanguinários do que os do Ocidente. Era a esses que Jesus tinha em mente
quando os usou em referência aos que, de forma selvagem, odeiam a verdade.
2
Quanto às “coisas santas”, Ellicott faz uma observação da primeira parte do versículo: "A carne que foi oferecida
como sacrifício, 'as coisas sagradas' de Levítico 22:6, 7,10,16, das quais nenhuma pessoa impura ou estranha, e
nenhum animal impuro, podia comer. Dar aquela carne santa a cachorros seria para o israelita devoto a maior de
todas as profanações. Nosso Senhor nos ensina que há um pequeno risco de profanação, ao lidarmos com o tesouro,
ainda mais santo, da verdade divina".
Aqui cabe uma palavra de advertência em relação a rotularmos a todos como cães e porcos e nos
omitirmos do esforço de ajudá-los espiritualmente. Se exige percepção espiritual para discernir esse tipo
de gente. Não nos devemos esquecer do ensino anterior sobre o julgar com severidade excessiva.3

2. As duas portas e os dois caminhos (Mt 7.13,14)


Nosso Senhor faz agora uma aplicação de seu ensino ético, na conclusão do Sermão do Monte, e ilustra
os dois caminhos opostos da peregrinação dessa vida, ao usar as figuras de portas e estradas. A reação
ao seu ensino pode ser vista nas duas categorias opostas, a que Cristo se refere da seguinte forma: os
muitos que recusam o seu ensino ético e, consequentemente, se inclinam a seguir a trilha da
comodidade e de favorecerem a si próprios; e os poucos que aceitam a verdade em busca da segurança
eterna, acima de tudo, sem se importar com o preço.

A verdade solene que nos é apresentada é a de que há somente dois caminhos para a humanidade
escolher: o dos justos e o dos ímpios. O mundo pode pensar que há três tipos de pessoas: boas, más e
neutras; mas a Bíblia reconhece apenas dois: pecadores e salvos. Ou estamos "em Cristo" ou "sem
Cristo", e somos viajantes que vamos, ou para o céu, ou para o inferno.

A porta larga alude ao modo de viver, descuidado e pecaminoso, do ímpio. A outra porta é chamada
estreita, i.e., larga o suficiente para que passe apenas uma pessoa de cada vez – essa descrição da
entrada e da porta mostra a dificuldade do primeiro passo correto em direção a Deus. A pessoa tem de
vencer todas as suas inclinações naturais.4

A natureza dos caminhos corresponde à das portas. Entrar pela porta é uma questão de consciência,
liberdade e escolha; e, daí em diante, a vida passa a ser moldada por tal escolha 5. A porta larga leva a
um caminho largo. Nesse caminhar há bastante espaço para o pecador e seus pecados (Jo 3.19,20). Mas
esse caminho conduz à perdição (Pv 16.25). A porta estreita leva ao caminho estreito. Muitas coisas
devem ser deixadas do lado de fora da porta estreita, para se poder trilhar esse caminho, como fé,
disciplina e perseverança.6

Quanto aos números em cada caminho, "muitos" passam pela porta larga e ingressam no largo caminho,
pois não se exige entrega ou sacrifício, e cada um pode andar de acordo com sua própria vontade. No
caminho estreito, pelo contrário, há "poucos" peregrinos "... os que os encontram", i.e., a porta e o
caminho, pois se exige uma vida abnegada das suas paixões e pecados em favor das exigências de Cristo.

Nosso Senhor deixa claro que, ao mesmo tempo que somos todos viajantes rumo à eternidade, há
apenas dois finais de estrada, dois momentos em que todos deverão terminar a viagem: A “Destruição”
para o pecador que escolhe a porta larga e o caminho largo e que morre nos seus pecados – isto é, a
perda total da paz e de toda a perspectiva de esperança, sendo o seu estado irreparável; e, a “Vida”
para aqueles que aceitam o caminho estreito e desprezado, ao entrar pela porta estreita – vida na
presença de Deus e de Cristo por toda a eternidade.

3
Ellicott diz: "Pensamos nos cães e porcos, não como representantes dos homens e das mulheres em si mesmos, mas
nas paixões desse tipo, ou seja, o que os torne assim tão animalescos. Precisamos lidar cautelosa e sabiamente com
eles, à medida que se identifiquem com essas paixões [...] podemos acrescentar que precisamos nos precaver contra
essa índole animalesca em nós mesmos, não menos daquilo que fazemos com respeito às outras pessoas. Pode
acontecer de profanarmos as mais santas verdades, por lidarmos com elas em espírito de irreverência ou paixão, ou
até zombarmos delas, mesmo que tenhamos sinceridade de coração".
4
Os pecadores arrependidos devem “esforçar-se” para entrar por essa porta estreita (Lc 13:24).
5
Como é sério o pensamento de que não é o destino que determina para onde iremos na eternidade e sim uma
escolha pessoal!
6
Outro aspecto dessa parte da ilustração parabólica é que Cristo, Ele próprio, é o caminho sobre o qual devemos
viajar (Jo 14:6), como a porta pela qual entramos (Jo 10:7,9).
3. “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes” (Mt 9.10-13; Mc 2.15-17; Lc
5.29-32)
Quanto mais os fariseus multiplicavam as regras de costumes entre os judeus, mais crescia o número
dos que as negligenciavam, e, consequentemente, aumentava a separação entre os fariseus e os seus
irmãos compatriotas. Uma dessas regras rigorosas não era apenas a de deixar de comer com pecadores,
mas nem mesmo comprar daqueles que desprezavam as tradições.

Jesus quebrou todas essas normas comendo7 com os desprezados coletores de impostos e pecadores.
Chocados, os fariseus perguntaram aos discípulos: “Por que come o vosso Mestre com cobradores de
impostos e pecadores?” (v.12). Lucas, por ser médico, dá um toque mais profissional à resposta do
Mestre: “Os que estão com saúde [uJgiaivnonteV = “sadios, ter boa saúde”] não precisam de médico8, e
sim os doentes” (Lc 5.31), enquanto Mateus diz: “Os sãos [ijscuvonteV9 = “que estão fortes”] não
precisam de médico, e sim os doentes”. Aqui Jesus, sarcasticamente, repreende os polêmicos fariseus,
pois Ele não viera chamar os "justos" (como se achavam) 10, mas os pecadores ao arrependimento,
lembrando-lhes que as exigências por "misericórdia" eram mais elevadas que as das leis cerimoniais.

A parábola do médico e dos seus pacientes revela que Jesus só pode curar uma pessoa da doença do
pecado se o mesmo reconhece a sua triste situação – o Seu chamado é eficaz apenas para os que se
reconhecem pecadores. Ele não pode curar os orgulhosos, os que se consideram justos e não se
arrependem – assim como os fariseus.

4. As ovelhas sem pastor e os trabalhadores da seara (Mt 9.36-38; Mc 6.34; Lc 10.2)


Que contraditórias figuras de linguagem estão juntas aqui: um rebanho de ovelhas dispersas, sem
pastor, abatidas e agonizantes; e, uma colheita abundante! Combinadas, contudo, essas ilustrações
parabólicas ilustram a missão do Mestre e a tarefa dos que o seguem.

Como pregador itinerante, Jesus falou em vilas e cidades. Quando os olhos compassivos de Jesus
olhavam a multidão, Ele a via como ovelhas, cansadas, fatigadas, errantes, abandonadas e desprezadas
(Is 53:6). O meigo Pastor compadeceu-se dela, pelo seu cansaço físico e, mais ainda, pela sua agitação e
seu desprezo espiritual, considerando-a uma grande seara que espera ser recolhida ao celeiro de Deus.
No entanto, não era o suficiente para Jesus ser movido de compaixão, Ele almejava a simpatia e a oração
de seus discípulos ("Então disse ele aos seus discípulos"). Cristo desejava que sentissem e orassem como
Ele, por serem os seus colaboradores diretos. E lhes disse: "A seara [qerismo;V “colheita”] é realmente
grande", para mostrar que não era apenas uma multidão a alcançar, mas que no meio dela havia muitas
almas maduras (Jo 4.35), prontas para a salvação, que precisavam apenas de um pequeno trabalho do
verdadeiro ceifeiro para colhê-las. Porém, Jesus suspirou, "mas os ceifeiros são poucos" – os que são
divinamente chamados e qualificados a colher os perdidos não se dispõem em número suficiente para
a grande colheita que se possa fazer.11 Somente pela oração ("Orai"), não pela organização, ou pela
educação, que Deus pode tornar os trabalhadores do evangelho prontos e desejosos para demonstrar
compaixão pelas almas perdidas.

7
A refeição descrita aqui foi organizada por Levi (Mateus), em sua casa, em honra a Jesus (Lc 5.29). Foi seu modo de
confessar Cristo publicamente e apresentar seus companheiros ao Salvador. Portanto, os convidados,
necessariamente, eram publicanos e outros conhecidos em geral como pecadores.
8
Essa não foi a primeira vez que Jesus se referiu à sua obra redentora como o grande médico (Lc 4:23). Como médico,
seu lugar era junto aos necessitados, os “pecadores”.
9
De iscuvV que significa “ser forte, ter boa saúde”.
10
Os fariseus julgavam-se sãos; por isso, a missão de Cristo não era para eles.
11
Nos dias de Cristo, os escribas e fariseus, supostos pastores de almas, eram numerados às centenas; mas eram
poucos os ganhadores de almas.
5. O pão dos filhos aos cachorrinhos (Mt 15.21-28; Mc 7.24-30)
Ao contrastar com as instruções que Jesus tinha dado aos seus discípulos, de não irem "pelo caminho
dos gentios" (Mt 10.5), Ele agora os conduz em direção aos pagãos de Tiro. Até esse momento, eles
ainda não haviam sido comissionados a irem por todo o mundo e pregarem o evangelho, com exceção
dessa jornada de Jesus para além da terra Santa, como um ato de misericórdia. Talvez a Sua intenção,
ao entrar numa casa, tenha sido a de conseguir certa privacidade e um pouco de descanso; mas isso não
foi possível pois "não pôde ocultar-se" (Mc 7.24).

Ali na região de Tiro, uma mulher gentia, que implorava pela ajuda de Cristo em benefício de sua filha
possuída de demônio, é apresentada como "cananéia" 12, "siro-fenícia" e "grega". Como tal, tinha sido
idolatra, pois os fenícios adoravam Achetorete, a rainha do céu. Além disso, ela não desfrutava dos
privilégios do povo escolhido de Deus na terra. Conversando com Jesus, ela dirigiu-se a Ele como
“Senhor, Filho de Davi”, título que os judeus usavam ao falar do Messias. Mas, como os seus pedidos
ao seu deus pagão não foram atendidos, se volta para o Cristo celestial, para obter a libertação da filha.

Jesus diz aos seus discípulos que informassem à mulher que Ele havia sido enviado às “ovelhas perdidas
de Israel” e não aos gentios conhecidos como "cachorros"13; e também que o pão destinado aos filhos
(Israel) não deveria ser lançado aos cachorros (gentios). Mas essa resposta do Mestre não a desanimou,
nem destruiu a esperança dentro dela. Ela compreendia que seu povo era como cachorros e não faziam
parte da nação de Israel; portanto, não podia reivindicar nada. Contudo, os cachorros ficam com as
migalhas; e o que ela pedia não empobreceria os filhos; mas, por outro lado, a enriqueceria. Ela queria
misericórdia para a sua filha aflita; porém a misericórdia que provinha dos filhos, e não de outros. Tudo
o que aquela mulher desesperada queria, era um fragmento de misericórdia para a sua "cachorrinha",
sua querida filhinha. Sua fé e persistência finalmente prevaleceram. Ela recebeu a migalha e, mais ainda,
o testemunho do Senhor sobre a grandeza de sua fé.

CONCLUSÃO
A nossa convivência com os pecadores deve ser movida por compaixão, com a intenção de ganha-los para
Deus, assim como o próprio Deus o deseja, sabendo que a Verdade da Palavra de Deus, em especial do
Evangelho, não terá aceitação por grande parte dos pecadores. Mesmo assim, temos que ter ciência de que
há muitos que, ou ouvirem a Palavra e serem convencidos pelo Espírito Santo, ão de escolher entrar pela
porta da Salvação, Jesus, e trilhar o caminho da Vida Eterna. Por isso, devemos nos colocar à disposição de
Deus como ceifeiros diante desse mundo perdido.

IMPLICAÇÃO
▪ Estamos entre os que se afastam dos perdidos por medo do fracasso, ou pela oposição, ou mesmo
pela comodidade?

PONTOS PARA DISCUTIR


▪ Um crente em Cristo pode ter as mesmas atitudes e ser qualificado como “cães e porcos”?

12
Ela era descendente dos cananeus, uma raça imoral que Deus tinha marcado para extermínio. Através da
desobediência de Israel, alguns sobreviveram à invasão de Canaã por Josué, e essa mulher era descendente dos
sobreviventes.
13
“cachorros” esse vocábulo era incomum e foi empregado somente nessa passagem. Ele está em sua forma
diminutiva e significa “cachorrinhos, filhotes” (de estimação). No campo ficavam os cachorros em sua forma mais
selvagem; mas dentro de casa estavam os pequenos cachorros domésticos, queridos das crianças, que esperavam em
volta da mesa pelas migalhas.