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ELIANE GOUVEIA MACEDO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

A RESPONSABILIDADE DA ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO


DOI: 10.13140/RG.2.2.14475.13605

SÃO PAULO - SP
2017

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RESUMO
Atualmente há um consenso conceitual de que Alfabetização é, saber ler e
escrever, contudo somente isso, tem se mostrado situação deficitária para
corresponder de forma adequada às necessidades da sociedade moderna. Há certo
tempo atrás, o indivíduo somente necessitava saber assinar seu próprio nome, pois
deste, bastava ser alfabetizado, pois era condição necessária para as eleições.
Atualmente, não basta ler e escrever de maneira automatizada, não assegura a um
indivíduo interagir de forma integral com os diversos gêneros de textos que transitam
na comunicação nos dias de hoje. É necessário ter competência de não somente
decifrar diálogos e textos, deve também compreender as definições e utilidade das
expressões em diversas situações.
Com o passar dos anos assiste-se cada vez mais a preeminência do discurso
dominante responsabilizando o professor alfabetizador pelas mazelas do
analfabetismo, entretanto, pouca repercussão encontra pesquisas que apontam as
falhas do Estado em oferecer aos seus cidadãos não apenas acesso à alfabetização,
mas, acima disso, uma alfabetização de qualidade que, preocupada com a tomada da
consciência, auxilie as crianças a se apropriarem do conhecimento construído
historicamente a fim de refletirem sobre a (des)ordem social imposta de maneira a
contestá-la e transformá-la.
Para teóricos, existem dois processos distintos, porém, interrelacionados, o
letramento e a alfabetização, os mesmos pregam um ensino capaz de alfabetizar
letrando. Especificam a alfabetização enquanto ensino-aprendizagem da técnica do
ler e escrever, ou seja, codificação e decodificação. Ao letramento caberiam, os usos
e funções que indivíduos pertencentes a sociedades grafocêntricas fazem com as
habilidades de leitura e escrita.

Palavras chave: Alfabetização; Letramento; Alfabetização Funcional; Educação.

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SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................... 4

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 6

ALFABETIZAÇÃO. ...................................................................................................... 9

LETRAMENTO .......................................................................................................... 11

ALFABETIZAÇÃO FUNCIONAL ............................................................................... 12

A RELAÇÃO ENTRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO ...................................... 14

POSSIVEIS SAÍDAS PARA A EDUCAÇÃO .............................................................. 16

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 17

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 19

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INTRODUÇÃO
Hoje em dia, em nosso país nos deparamos com um tema de enorme
relevância ao se abordar a fragilidade da alfabetização, uma vez que se percebe
muitas pessoas mesmo frequentando escolas e ainda assim são classificadas como
analfabetas funcionais, isto é a inépcia que uma pessoa manifesta ao não
compreender textos simples. Consequentemente, por meio da realidade presente nas
escolas se dá a relevância deste artigo, entender o que é alfabetização e o que é
letramento, almejando uma alfabetização importante.
Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), 20% dos brasileiros, apesar de saber reconhecer letras e números, são
incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas
mais elaboradas. Esta pesquisa demonstra a distinção entre alfabetização e
letramento.
Alfabetização, de forma generalista é ter conhecimento das letras que
pertencem ao alfabeto e saber usa-las, ou seja, através da construção de palavras e
ideias por meio das letras do alfabeto e assim será capaz de estabelecer uma
comunicação com os demais. Podemos ainda dizer que, com a alfabetização pode-se
ser apto a produzir e entender a gramática e as mudanças pelas quais ela passa, uma
pessoa alfabetizada é aquela que se apodera do alfabeto, que sabe converter uma
oralidade em palavra escrita e vice-versa. Para isso ela deve conhecer as letras,
conhecer o valor sonoro das letras os fonemas e saber ler e escrever com relativa
fluência.
Compreende-se por letramento o procedimento em que a pessoa é vista em
atividade ampliando sua capacidade de escrever e ler com desenvoltura ou ao menos
com certa destreza, uma pessoa considerada letrada deve ser apta a analisar variados
temas diferenciados em que estamos inseridos e outros inúmeros assuntos que estão
em contato diário.
Alfabetização e letramento são termos indissociáveis na teoria e na prática
pedagógicas. A linguagem oral da criança deve servir de suporte para o aprendizado
da linguagem escrita, tarefa possível mediante a interação professor-aluno.
Consequentemente, alfabetização e letramento são procedimentos que se distinguem
por causa das exigencias e imposições existentes em cada um métodos, ser
alfabetizado não quer dizer que a pessoa é letrada e vice-versa, pois uma pessoa
alfabetizada e letrada é aquela que além de conhecer, compreender as letras e as

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práticas da leitura e escrita tem capacidade de conceber novas maneiras de
compreensão e desenvolvimentos das práticas para que atenda as condições e
requisitos que lhes são solicitados na sociedade em a qual convive.
Muitos indivíduos terminam a educação fundamental, contudo não conseguem
entender um texto ou redigir uma simples carta. E isto levou a uma preocupação com
o analfabetismo funcional.
A alfabetização funcional trata do procedimento de transmitir conhecimento
para que uma pessoa saiba ler e escrever para fins específicos, a exemplo, para
realizar de trabalhos no dia a dia, seja no campo profissional e do convívio social. A
qualificação funcional atribui à alfabetização um caráter instrumental, assim, o ensino
da leitura e da escrita vincula-se ao desenvolvimento de certas capacidades
relacionadas à vida adulta, para além do domínio de capacidades elementares acerca
da língua escrita, tais como decifrar e decodificar.

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ALFABETIZAÇÃO.
Os principais objetivos da pesquisa foram conhecer como acontece a
alfabetização e o letramento, ao conhecer a importância do letramento, deixamos de
exercitar o aprendizado automático e repetitivo, baseado na descontextualização. Na
escola a criança deve interagir firmemente com o caráter social da escrita, ler e
escrever textos significativos. A alfabetização se ocupa da aquisição da escrita pelo
indivíduo ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio históricos
da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.
A alfabetização é um procedimento primordial onde os indivíduos são
colocados em contato com passos iniciais e conhecendo o alfabeto. Elas aprendem a
utilizar o alfabeto e compreender seu significado e interpretação. Devemos nos
lembrar que alfabetização também poderá ser de indivíduos adultos.
A palavra Alfabetização, de acordo com Soares (2007), quer dizer, conduzir à
conquista do alfabeto, isto é, ensinar a ler e a escrever. Portanto, a singularidade do
ato alfabetizar é a conquista do sistema alfabético e da ortografia, por meio do
crescimento das capacidades de leitura e de escrita.
Carvalho e Mendonça definem alfabetização “como o processo específico e
indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios
alfabéticos e ortográficos que possibilitam ao aluno ler e escrever com autonomia”.
No decorrer da história muito se aperfeiçoou no âmbito da alfabetização,
desenvolveram preceitos, princípios, métodos, etc. Contudo, embora tenha havido
desenvolvimento, em nosso país e outras nações do terceiro mundo, ainda se
confrontam com um problema de muita importância: a condição da educação
fundamental, fundamentalmente, nos anos iniciais da educação básica, visto que, são
evidentes a baixa qualidade, os índices de reprovação e o elevado número de evasão
escolar, que continuam elevadas nestas nações.
Em concordância com Magda Soares, em sua obra Letramento e Alfabetização:
as muitas facetas (2003), sintetiza a tendência em fundir os processos de
alfabetização e letramento presente nas discussões sobre os problemas de ensinar as
crianças das escolas brasileiras a ler e escrever;
[...] no Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada no conceito de
alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempre proposta na produção
acadêmica, a uma inadequada e inconveniente fusão dos dois processos, com
prevalência do conceito de letramento, [...] o que tem conduzido a um certo.
(SOARES, 2004, p. 8)

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De maneira simplista, compreende-se por alfabetização o conhecimento das
letras que compõem o alfabeto e as diferentes formas de empregá-las, ou seja,
através das letras que compõem o alfabeto será capaz de estabelecer uma
comunicação satisfatória com o meio social em que se vive, constituindo o principal e
procedimento primordial para se fazer entender e que a sociedade o compreenda.
Alega-se também que é através da alfabetização que a sociedade em geral, foi e
continua tendo capacidade de produzir e entender a gramática e as mudanças pelas
quais ela passa, uma pessoa alfabetizada tem capacidade de executar diferentes
atividades, por esse motivo, ele será capaz de entender, argumentar, explanar entre
inúmeras atividades que a alfabetização lhes possibilita alcançar.

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LETRAMENTO
Compreende-se por letramento o procedimento em que a pessoa é vista em
atividade ampliando sua capacidade de escrever e ler com desenvoltura ou ao menos
com certa destreza, uma pessoa considerada letrada deve ser apta a analisar variados
temas diferenciados em que estamos inseridos e outros inúmeros assuntos que estão
em contato diário.
Em conformidade com Soares, 2003, o termo letramento passou a ser usado
recentemente e exprime o procedimento de correlação dos indivíduos com a cultura
escrita. De tal modo que, não é apropriado dizer que um indivíduo é iletrado, uma vez
que todos os indivíduos têm estreita relação com todo tipo de literatura emana e surge
por todos os lados. Contudo, se percebe que existem diversos níveis de letramento,
que sofrem variações de acordo com a situação cultural. Esta terminologia adquire
importância a partir da verificação de um conjunto de problemas na educação, uma
vez que por meio de investigações, avaliações e diagnósticos efetuados, chegou-se à
conclusão de que nem sempre o ato de ler e escrever garante que o indivíduo
compreenda o que lê e o que escreve. Entretanto, se reconhece que muito mais que
isso, é realizar uma leitura crítica da realidade, respondendo satisfatoriamente as
demandas sociais.
Ainda segundo Soares, 2003, “letramento é o estado ou a condição que adquire
um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita”,
ou seja, o indivíduo que após algum tempo de alfabetizado obteve maior facilidade
para desenvolver as práticas de uso das letras.
O termo “letramento” é tradução do termo do idioma ingles literacy que pode
ser entendida como a condição ou estado que assume aquele que aprende a ler e
escrever. Segundo Soares (2000. p17), está implícita no conceito de literacy a ideia
de que a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, econômicas,
cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o
indivíduo que aprenda a usá-la. Um indivíduo letrado é capaz de envolver-se nas
práticas sociais de leitura e de escrita.

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ALFABETIZAÇÃO FUNCIONAL
A terminologia alfabetização funcional foi criado por norte-americanos nos anos
trinta e empregado pelo exército norte-americano durante a Segunda Guerra,
sugerindo a capacidade de entender instruções escritas necessárias para a realização
de tarefas militares (Castells, Luke & MacLennan, 1986 apud Ribeiro, 1997). A partir
de então, o termo passou a ser utilizado para designar a capacidade de utilizar a leitura
e escrita para fins pragmáticos, em contextos cotidianos, domésticos ou de trabalho,
muitas vezes colocado em contraposição a uma concepção mais tradicional e
acadêmica, fortemente referida a práticas de leitura com fins estéticos e à erudição.
Em alguns casos, o termo analfabetismo funcional foi utilizado também para designar
um meio termo entre o analfabetismo absoluto e o domínio pleno e versátil da leitura
e da escrita, ou um nível de habilidades restrito às tarefas mais rudimentares
referentes à "sobrevivência" nas sociedades industriais.
Por fim, o que é necessário a um indivíduo que consegue ler e escrever? Por
qual motivo numerosos indivíduos terminam o ensino fundamental e não sabem
interpretar um singelo texto ou escrever uma simples carta? Assenta Gadotti apud
Vargas (2000. p14):
O ato de ler é incompleto sem o ato de escrever. Um não pode existir sem o outro. Ler
e escrever não apenas palavras, mas ler e escrever a vida, a história. Numa sociedade
de privilegiados, a leitura e a escrita são um privilégio. Ensinar o trabalhador apenas
a escrever o nome ou assiná-lo na carteira profissional, ensiná-lo a ler alguns letreiros
na fábrica como perigo, atenção, cuidado, para que ele não provoque algum acidente
e ponha em risco o capital do patrão não é suficiente...

Não é suficiente ler a realidade. É essencial escrevê-la. Ainda que tenha um


desenvolvimento favorável nos anos recentes, a realidade atual é inquietante, ainda
persistem diversos níveis de analfabetismo funcional: aqueles que apenas conseguem
ler e compreender títulos de textos e frases curtas; e apesar de saber contar, têm
dificuldades com a compreensão de números grandes e em fazer as operações
aritméticas básicas. Outros, que conseguem ler textos curtos, mas não conseguem
extrair informações esparsas no texto e não conseguem tirar uma conclusão a respeito
do mesmo. E por fim, aqueles que detêm pleno domínio da leitura, escrita, dos
números e das operações matemáticas (das mais básicas às mais complexas), que
são minorias.
Na sociedade brasileira, consensualmente, o acesso à escola não é suficiente
para uma formação integral, pois não garante de forma plena a aprendizagem nem a
formação dos cidadãos. Hoje, a maioria dos alunos frequenta as escolas de rede

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pública e está aprendendo pouquíssimo, o que se relaciona à falta de interesse dos
próprios alunos e ao descaso dos professores. A atenção dos alunos também é parte
demasiadamente importante, pois, com tantas tecnologias e recursos que temos na
atualidade, o interesse pela escola está cada vez menor. Nesse contexto, cabe aos
professores selecionar metodologias e conteúdos, sistematizando o ensino, para
ensinar sem medo de errar, e despertar nos alunos o interesse e a responsabilidade
de estarem na escola. Diante disso;
[...] quando associamos erro e fracasso, como se fossem causa e consequência, por
vezes nem se quer percebemos que, enquanto um termo – o erro – é um dado, algo
objetivamente detectável, por vezes, até indiscutível, o outro - o fracasso – é fruto de
uma interpretação desse dado, uma forma de o encararmos e não a consequência
necessária do erro [...] a primeira coisa que devemos examinar é a própria noção de
que erro é inequivocadamente um indício de fracasso. A segunda questão intrigante é
que, curiosamente, o fracasso é sempre o fracasso do aluno (CARVALHO, 1997, p.
12).

O analfabetismo e o fracasso escolar estão ligados, porque o analfabetismo


vem do fracasso de ambas as partes: a família tem papel importante na vida de seus
filhos, pois é dever dela favorecer, desde cedo, o gosto de descobrir e aprender.

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A RELAÇÃO ENTRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Depois de expor os conceitos individualizados, neste momento a finalidade é
de apontar que se pode atingir à qualidade, harmonizando os dois conceitos, os
processos e gerando uma experiência positiva de união entre os dois conceitos.
Refletindo as considerações de Brandão (2004), a respeito do método de Freire de
alfabetização, poderemos entender o conceito da interdependência e coexistência
destes dois conceitos. Sua metodologia de alfabetizar, Freire indica que se utilize o
conhecimento adquirido pelo indivíduo, tornando a aprendizagem significativa.
Freire ainda indica em seu livro, Pedagogia da Autonomia (1996), que o
indivíduo quanto mais desenvolve seu conhecimento, mais se afasta da exploração e
do despotismo, entenda-se, o indivíduo letrado que já adquiriu seus conhecimentos
previamente, formando uma opinião, a partir da alfabetização, é capaz de alterar sua
forma de pensar, desenvolvendo-os de maneira que passa a pensar com criticidade
sobre a prática social. Ele considerava ser importante que os indivíduos entendam
sua posição na sociedade.
Pautando-nos em Soares (1998), reconhecemos que os termos alfabetização
e letramento não são sinônimos. Trata-se de dois processos distintos que, contudo,
ocorrem de forma indissociável e interdependente:
[...] a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de
leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só
pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-
grafema, isto é, em dependência da alfabetização. (SOARES, 2007).

A alfabetização, como já mencionamos, se ocupa da aquisição da escrita por


um indivíduo, ou grupo. Enquanto o letramento “focaliza os aspectos sócio históricos
da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI, 1995), e ainda, é o
estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as
práticas sociais que usam a escrita. Um exemplo do que acabamos de mencionar
(SOARES, 2003). A alfabetização deve-se desenvolver em um contexto de letramento
como início da aprendizagem da escrita, como: desenvolvimento de habilidades de
uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita e de
atitudes de caráter prático em relação a esse aprendizado; entendendo que a
alfabetização e letramento de deve ter tratamento metodológico diferente e com isso
alcançar o sucesso no ensino-aprendizagem na língua escrita, falada e
contextualizada nas nossas escolas. O letramento não está restrito no sistema

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escolar, mas cabe a mesma levar os seus educandos a um processo mais profundo
nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita.
Esses equívocos e falsas inferências fizeram com que o processo de
alfabetização fosse, de certa forma, ofuscado pelo de letramento, ou seja, ao se
conceituá-lo de forma ampla, incorporando os usos sociais da linguagem escrita,
priorizou-se o processo de letramento em detrimento do de alfabetização, que acabou
obscurecido, perdendo sua especificidade.

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POSSIVEIS SAÍDAS PARA A EDUCAÇÃO
Os números estatísticos revelam que nosso país progrediu nos últimos anos no
campo da educação. Atualmente, conforme divulgação em veículos de comunicação,
praticamente a maioria das crianças têm acesso à educação fundamental. Contudo,
o país permanece convivendo com enormes dificuldades nesse âmbito. É imenso o
percentual de alunos que repetem de ano e que acabam tendo que abandonar os
estudos porque precisam trabalhar para sobreviver. Felizmente a questão da
educação no Brasil vem mostrando uma significativa melhora no que diz respeito ao
analfabetismo.
Mas, por outro lado, se faz urgente e necessário um investimento por parte do
governo no que se refere à formação, capacitação e remuneração dos professores,
bem como às melhorias das condições de trabalho dos mesmos. A evasão e a
repetência escolar são frutos de um governo omisso que não tem como prioridade a
educação de todo o cidadão. Nosso país somente será uma nação quando os nossos
governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado
a uma educação digna e de qualidade.
Todos os envolvidos em Educação deveriam assumir o compromisso de
compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do
quadro de analfabetismo no Brasil para evitar o fracasso escolar e,
consequentemente, o fracasso na vida daqueles com os quais trabalham diariamente.
As práticas pedagógicas devem transformar as iniciativas meramente instrucionais em
intervenções educativas.
São inúmeras as demonstrações e manifestações indicam para a qualidade
dos docentes como condição decisiva. Portanto um professor competente é fator
preponderante. De tal modo que, é se faz necessário trazer os melhores profissionais
para esta fase da educação, os mais competentes e os melhores para fomentar as
crianças que estudam no ensino fundamental. As instituições universitárias de
pedagogia, letras e demais áreas correlatas necessitam ser reestruturadas,
estreitando o foco no ensino dos futuros alunos de seus alunos.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
É preciso compreender a dinâmica de aprender a aprender e também a
aprender a ensinar, principiando da compreensão de que o ato de alfabetizar se dá
diante de toda sua existência, é possível observar que esse método não possui origem
único e exclusivamente na escola, no entanto é diante dos conhecimentos adquiridos
previamente onde a criança carrega consigo, e que através do trabalho do educador
no âmbito escolar, é possível ser convertido em aprendizagens sistemáticas.
Neste caso, na proporção em que o professor tomar consciência de sua
importância social, evidenciando saberes significativos a um uso também significativo,
desassociando-se do papel clássico de simples transmissor de conhecimento e, por
consequência, de simples repassador de matérias das obras didáticas, aí sim, fará
uma transformação na educação. Um professor como mediador, partindo da
observação da realidade para, em seguida, propor respostas diante dela estará
contribuindo para a formação de pessoas críticas e participativas na sociedade.
Visando melhorar essa realidade, necessitamos promover, conjuntos de
programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou
municipais) com a participação, direta ou indireta, de entes públicos ou privados que
visam assegurar onde as instituições escolares devem atender a diversidade. Ou seja,
identificar o que cada um tem de potencial, em que pode colaborar com as
experiências. Trabalhar o incentivo para um determinado comportamento dos alunos,
dando oportunidade aos mesmos. Evidentemente, considerando o contexto social de
cada pessoa.
Deste modo, sendo parte interessada, devemos decretar impreterivelmente
que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas até os 8 anos de idade. Sem
divagar ou fazer elucubrações em debates ideológicos improdutivos, sem
consentimentos de forma alguma. Pois se trata de uma prerrogativa das crianças, que
deve ser garantida.
Para mudar esse cenário é fundamental avançarmos rapidamente na agenda
que deveria ter sido cumprida no século passado e romper com o descaso histórico
com a qualidade da educação, direcionando muito mais esforços para assegurar que
todos os alunos atinjam a competência em leitura, escrita e Matemática. E para isso
é necessário começar pela base, desde a Educação Infantil.
É fundamental, ainda, que exista debates em torno do assunto alfabetização e
letramento nas salas de aula que formam profissionais desta área, bem como,

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palestras, reuniões, conferências e nos cursos de formação continuada, de tal forma
motivem considerações acerca do assunto e a prática docente, procurando
elucidações para problemáticas exclusivas da alfabetização e buscando aperfeiçoar
os profissionais e as organizações de educação de tal forma que a educação
apresente progressivamente qualidade.
No processo de alfabetização e letramento através de leitura e escrita
significativa para o aluno, o educador exerce papel de fundamental importância, pois
cabe a ele a adoção de métodos que proporcionem a melhor assimilação da escrita e
da leitura.

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REFERÊNCIAS

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Escrita. Brasília: Bárbara Bela Editora Gráfica e Papelaria, 2011.

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SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte:


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VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. 4ª ed. Rio de Janeiro:


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