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ELIANE GOUVEIA MACEDO

ARTE, CULTURA E EDUCAÇÃO

A CONTRIBUIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL


DOI: 10.13140/RG.2.2.19508.30082

Este trabalho apresentado como requisito


parcial do Curso de Especialização em Arte
Cultura e Educação.

SÃO PAULO
2017
RESUMO

Refletindo que as formas de artes em suas diversas formas, são partes da

cultura da humanidade e estão muito presentes na vida da sociedade, e que a

instituição escola precisa considerar a arte como um caminho para aprendizagem e

como matéria de aquisição de informação, este artigo apresenta a contribuição da arte

para o ensino na Educação Infantil. A apropriação cultural e de patrimônios artísticos

se dá por meio do convívio familiar e principalmente através da educação. Sendo

assim, o ambiente escolar é responsável pela construção de conhecimentos de

diferenciadas culturas, sejam elas, erudita, regional ou massificada. O trabalho em

questão justifica-se uma vez que as artes constituem elementos que despertam e

expressam sentimentos, sentidos, imaginação e criação, porém, a sociedade, assim

com a escola, está acostumada a encará-las somente como lazer e entretenimento.

Este estudo tem por objetivo, averiguar se a arte pode contribuir para um aprendizado

menos pautado na transmissão de informações e que considere a expressão e a

autonomia do aluno, nesses níveis de ensino. Em síntese, conclui-se que a arte é

conhecimento e elemento de suma importância para o processo de educação de

crianças, pois possibilita a construção de conhecimentos embasados na sensibilidade,

na criatividade e na expressividade, e indica um caminho de superação do

aprendizado baseado na codificação e cópia de informações. Estamos vivendo uma

época de uma sociedade consumida em diferentes pontos de vista, anseios,

posicionamentos e, sobretudo, jogos de força. Em meio a isso tudo, a democracia é

um desejo e um ideal pelo qual devemos lutar, pois não está pronta como demonstra

a inacessibilidade da cultura.

Palavras chave: Arte. Cultura. Educação. Escola. Criança


ABSTRACT

Reflecting that the forms of arts in his several forms, are parts of the culture of

the humanity and are very present in the life of the society, and that the institution it

will find precise school the art like a way for apprenticeship and like matter of

acquisition of information, this article presents the contribution of the art for the

teaching in the Childlike Education. The cultural appropriation and of artistic

inheritances it happens through the familiarity and mainly through the education. Being

so, the school environment is responsible for the construction of knowledges of

differentiated cultures, be they, learned, regional or when it was influenced. The work

open to question is justified as soon as the arts constitute elements that wake and

express feelings, senses, imagination and creation, however, the society, so with the

school, is when they used to be faced only like leisure and entertainment. This study

has for objective, to check it is possible to contribute the art for an apprenticeship less

ruled in the transmission of informations and what considers the expression and the

autonomy of the pupil, in these teaching levels. In synthesis, end that the art is a

knowledge and element of abridgement importance for the process of education of

children, since it makes possible the construction of knowledges based in the

sensibility, in the creativity and in the expressiveness, and it indicates a way of

overcoming of the apprenticeship based on the codification and copy of informations.

We are surviving a time of a society consumed in different points of view, longings,

placements and, especially, force plays. Amid that everything, the democracy is a wish

and an ideal for which we must have fought, since it is not ready as it demonstrates

the inaccessibility of the culture.

Key words: Art. Culture. Education. School. Children


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 5

2. REFERÊNCIAL TEÓRICO ................................................................................... 6

3. LEGISLAÇÃO ....................................................................................................... 6

4. CULTURA ............................................................................................................. 7

5. EDUCAÇÃO ....................................................................................................... 10

6. AS LINGUAGENS DA ARTE (PCN) ...................................................................... 13


6.1. Artes Visuais.......................................................................................................... 15
6.2. Dança .................................................................................................................... 16
6.3. Música ................................................................................................................... 17
6.4. Teatro .................................................................................................................... 17

7. ENSINO DE ARTES NO BRASIL ....................................................................... 18

8. A METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR EM ARTE...................................... 19

9. A IMPORTÂNCIA DA ARTE NO ENSINO .............................................................. 20

10. ARTE NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL................................... 22

11. ARTE E CULTURA EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS .......................................... 22

12. EDUCAÇÃO NA ARTE ....................................................................................... 23

13. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 24

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 27
1. INTRODUÇÃO

Sabe-se que é difícil conceituar Arte, mas é imprescindível destacar três

aspectos que a caracteriza: a arte é o produto de um ato criativo; a cada momento,

ela corresponde às concepções ideológicas da sociedade em que aparece. Isso se

torna perceptível já que a Arte surge de acordo com os anseios históricos pelos quais

passam cada sociedade. Além disso, as transformações observadas, sejam no âmbito

social, sejam no econômico ou no cultural, acham-se ligadas ao domínio artístico. A

Arte é universal e intrínseca ao ser humano. Por mais isolada e primitiva que seja uma

sociedade, ela apresenta gostos estéticos ligados à beleza e, apesar dos gostos

diferirem de povo para povo, isso não nega a veracidade da universalização da Arte.

As atividades artísticas também favorecem para o processo de simbolização

(EISNER, 1979 apud ALMEIDA, 2001). E ao simbolizarem, as crianças entram em

contato com a fantasia. Nesse mundo imaginário podem sentir como e pelos outros,

sendo este um fator importante para o desenvolvimento social. Entre todas as

contribuições da Arte, a capacidade de dizer melhor e mais sobre si, também é uma

delas, já que:

[...] o processo de expressar conhecimentos, valores e afetos por meio de


imagens visuais, sons, gestos, movimentos e palavras ajuda os alunos a
compreender melhor os conhecimentos, valores e sentimentos que tentam
expressar, conferindo sentidos plenos à atividade que realizam (ALMEIDA,
2001, p.25-26).

A Arte também proporciona a multiplicidade de linguagens; sentimentos como

raiva e alegria podem ser simbolizados por sons, imagens, dentre outras maneiras

(ALMEIDA, 2001).

Assim, uma condição fundamental para se aprender é a consciência de que a

arte ensina que criar e conhecer são totalmente indissociáveis. O ser humano que não

conhece arte tem uma experiência de aprendizagem limitada, escapando-lhe a

dimensão do sonho, da força comunicativa dos objetos a sua volta, da sonoridade


instigante da poesia, das criações musicais, das cores e formas dos gestos e luzes

que buscam o sentido da vista.

Dessa maneira, a arte educação deverá catalisar a formação de novos valores

e a promoção da ampliação da percepção do homem em várias direções, incluindo a

questão do custo necessário para a recuperação da educação, juntamente com os

seus respectivos valores estéticos.

2. REFERÊNCIAL TEÓRICO

Em época de clicadas, twittadas, likes e outras modernidades, a metodologia

adotada, neste artigo, é de natureza bibliográfica qualitativa, com base em livros,

legislações diversos autores que tratam sobre o assunto. A pesquisa bibliográfica

é o levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas,

publicações avulsas e impressa escrita.

O relato dessa experiência de formação acadêmica que percorri será

caracterizado considerando os locais onde efetivamente ensinei e aprendi, ao mesmo

tempo; como experiência total em minha vida e, conforme Paulo Freire

Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar- aprender


participamos de uma experiência total, direta, política, ideológica,
gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se
de mãos dadas com a decência e com a seriedade. (FREIRE, 1996, p. 24).

3. LEGISLAÇÃO

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) regulamenta o ensino no Brasil

baseado nos princípios constitucionais. Foi criada em 1961, seguida por outra versão

de 1971 e finalmente, sua mais recente promulgação em 1996, vigorando até os dias

atuais.

O ensino de Arte foi incluído no currículo escolar pela LDB de 1971, com o

nome de Educação Artística, ainda como “atividade educativa” e não como disciplina.
Em 1988, ano da nossa atual Constituição Federal, em meio a discussões

sobre educação, sofreu ainda riscos de ser excluída do currículo escolar, fato que

levou educadores da área a organizarem manifestações a fim de garantir a

permanência do estudo das artes nas escolas.

4. CULTURA

A cultura possui tanto aspectos tangíveis, objetos ou símbolos que fazem parte

do seu contexto, quanto intangíveis, ideias, normas que regulam o comportamento,

formas de religiosidade. Esses aspectos constroem a realidade social dividida por

aqueles que a integram, dando forma a relações e estabelecendo valores e normas.

Esses valores são características que são consideradas desejáveis ou

indesejáveis no comportamento dos indivíduos que fazem parte de uma cultura, como

por exemplo o princípio da honestidade que é visto como característica extremamente

desejável em nossa sociedade.

A cultura brasileira são fragmentos miscigenados decorrente da

multiculturalidade, encontramos nelas frações ou partes de múltiplas culturas

incorporadas pela miscigenação. Fato que evidencia, o Brasil com uma das culturas

mais ricas do mundo! Os costumes constituem uma imagem multicolorida do nosso

país, com gastronomia e sabores, músicas e ritmos e poesias e cantigas típicas que

ilustram de forma requintada e fidedigna a brasilidade. Ofertar este conteúdo para o

interior da escola é produzir espaço para a uma reflexão de nossas raízes brasileiras

e de nossa identidade.

Desde o descobrimento até os dias atuais, foram caracterizados pela coação e

pelo constrangimento aos povos indígenas e suas tradições, demonstrados nas mais

variadas maneiras. Os povos indígenas já narravam histórias, cantavam, dançavam e


possuíam numerosos conhecimentos sobre agricultura, sobre sobrevivência na

floresta e sobre medicina baseada nas plantas. Havia, além disso, uma ilimitada

habilidade para fantasias e muita curiosidade sobre do homem branco que

desembarcara recentemente e que mudaria para sempre seu modo de vida. Mas por

outro lado, o não-indígena encontrou-se com a sabedoria de outras culturas, que lhe

proporcionaram uma forma diferente de se relacionar com o outro, com a terra e com

o meio ambiente, ainda que a colonização tenha erguido sua história sobre a

destruição de milhares de aldeias e indígenas que tentaram se defender.

Durante a colonização do Brasil, os portugueses exibiram para este recém

descoberto país, uma riqueza cultural formada por histórias, cantos de trabalho,

romances, cantigas de roda e de ninar, brinquedos, quadrinhas, parlendas e brincos.

Cantos religiosos, folguedos e danças dramáticas, algumas simbolizando a luta dos

mouros contra os cristãos, começaram a ser recriados em solo brasileiro. É importante

ressaltar que a cultura de Portugal recebeu, por sua vez, a influência de outras partes

da Europa, Oriente e África. É Gilberto Freyre que, em Casa Grande e Senzala (1858),

explica que, quando os portugueses chegaram ao Brasil, já tinham cem anos de

experiência na África e mais de um quarto de século de conhecimento da Índia.

No começo da alfabetização a literatura tradicional é grande aliada. Os contos

de fadas, as parlendas, as cantigas de brincar, quadrinhas e brincos são instrumentos

de análise e reflexão sobre a língua ao mesmo tempo em que os aspectos sonoros

da linguagem, como ritmo e rimas, encantam e divertem. Com eles, as crianças

aprendem a escrever.

A cultura de um povo é formada por vários elementos, como crenças, ideias,

mitos, valores, danças, festas populares, alimentação, modo de se vestir, entre outros

fatores. É uma característica muito importante de uma comunidade, pois a cultura é


transmitida de geração em geração e demonstra aspectos locais de uma população.

A cultura de um povo é composta por vários elementos, como crenças, ideias,

mitos, danças, valores, festas populares, alimentação, modo de se vestir, entre outros

fatores. É uma particularidade muito importante de uma comunidade, sendo que a

cultura é transmitida de geração em geração e demonstra aspectos locais de uma

população. Por existir uma grande dimensão territorial no Brasil e uma população

muito grande e diferentes povos, com amplo número de descendentes de europeus,

africanos, asiáticos e índios, apresenta ampla diversidade cultural no seu povo. Este

é um tema de grande importância e deve ser abordado em sala de aula, por isso que

os alunos devem ter conhecimento da diversidade cultural do país e saberem a origem

de festas folclóricas, crenças, culinária, e os diferentes tipos de manifestações

culturais, encorajando ainda mais o processo de valorização dos costumes locais,

através da ação dos sujeitos na história de acordo com Paulo Freire,

O homem cria a cultura na medida que, integrando-se nas condições de seu


contexto de vida reflete sobre ela e dá respostas aos desafios que encontra.
Cultura aqui é todo resultado da atividade humana, do esforço criador e
recriador do homem, de seu trabalho por transformar e estabelecer relações
dialogais com outros homens. (1999, p. 41)

Para Brandão,

A cultura existe nas diversas maneiras por meio das quais criamos e
recriamos as teias e as (tessituras) e os tecidos sociais de símbolos e de
significados que atribuímos a nós próprios as nossas vidas e aos nossos
mundos. Criamos os mundos sociais em que vivemos e só sabemos
viver nos mundos sociais que criamos. Ou onde reaprendemos a viver,
para sabermos criarmos com os outros o seus outros mundos sociais. E
isto é a cultura que criamos para viver e conviver. (2002, p. 31).

Segundo o antropólogo britânico Edward B. Taylor (1871), cultura é,

aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral,


a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo
homem como membro da sociedade.

Se observarmos alguns povos que sempre preservaram, valorizaram e se


preocuparam em transmitir para as gerações seguintes a sua cultura, vamos perceber

que, embora as individualidades existam, seus membros conseguiram permanecer

unidos, transmitindo uma mensagem muito clara de suas convicções e modo de agir.

Não entrarei aqui no mérito de eventuais radicalismos, muito menos em avaliar

se determinadas culturas poderiam ou deveriam ter evoluído, diga-se de passagem,

algo desejável em todas as estruturas humanas. Trata-se de saber em que medida a

preservação de uma cultura influencia o comportamento das pessoas que fazem parte

do respectivo grupo.

A principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a

capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida

do que uma possível evolução biológica.

Podemos identificar vários tipos de cultura, mas vou me ater aos principais que

aqui nos interessa, conforme Oliveira,

CULTURA DE MASSA: não está ligada a nenhum grupo específico, pois é


transmitida de maneira industrializada para um público generalizado, de
diferentes camadas socioeconômicas, pelos meios de comunicação em massa.
Surge daí a indústria cultural.
CULTURA ERUDITA: é a cultura que se adquire de maneira organizada,
como nas escolas e nos livros, ou pela aceitação de instituições como o Estado,
a Igreja, ou ainda por meio de jornais, revistas, televisão, rádio, cinema.
CULTURA POPULAR: trata-se da cultura mais simples, que se adquire com
a experiência do contato entre pessoas; é a chamada cultura espontânea, mais
próxima do senso comum; transmitida em geral oralmente, registra as
tradições e os costumes de um determinado grupo social. Da mesma maneira
que a cultura erudita, a cultura popular formas artísticas expressivas e
significantes.

5. EDUCAÇÃO

A educação é fundamental na formação de nossas crianças, sendo que,

somente através da educação é que poderemos vislumbrar a esperança de um futuro

melhor, mais justo, e menos desigual, com menos violência, mais trabalho, e

estabilidade na vida de todos os brasileiros.


Atualmente, considera-se a educação um dos setores mais importantes para o

desenvolvimento de uma nação. É através da produção de conhecimentos que um

país cresce, aumentando sua renda e a qualidade de vida das pessoas. Embora o

Brasil tenha avançado neste campo nas últimas décadas, ainda há muito para ser

feito. A escola, ensino Fundamental e Médio, ou a universidade tornaram-se locais de

grande importância para a ascensão social e muitas famílias tem investido muito neste

setor.

O Sistema Educacional hoje no Brasil é muito defasado, não atende mais as

necessidades dos alunos. Para começar a Escola iguala todos os alunos, ela não

procura saber a realidade e o nível de aprendizagem de cada um. O ambiente escolar

não proporciona uma aprendizagem significativa e esquece que cada aluno é um

mundo a ser descoberto e explorado.

O educador tem como função ensinar. Ou seja, ele é a base de tudo, levando

o conhecimento desde as crianças, até os adultos, já na universidade ou faculdade.

Ocorre que, a cada dia, esses profissionais chegam mais despreparados a sala de

aula, e acabam desmotivando o aluno, e passando uma imagem de incapacitado,

levando a uma bola de neve, que gera mais desrespeito e desvalorização.

No processo de formação de caráter, a família possui o papel mais importante,

pois antes de ir para a escola, a criança já vivencia e aprende inúmeras coisas, quando

a criança chega na escola, desmotivada, enfrentando o professor, ou brigando com

os colegas, este pode ser um espelho daquilo que ela vivencia no ambiente familiar.

Independente da ação da uma vontade consciente, os pais estão sempre

participando da educação de seus filhos; desde o começo da vida, quando o

comportamento dos pais pode influenciar a forma como os filhos irão se relacionar

com o mundo e com as pessoas. Pais, professores, autoridades civis devem ter
consciência de seus cargos, e precisam ser potentes no exercício de suas funções

educativas, pois educar é incompatível com a sensação de não ter o que fazer, de não

saber que atitude tomar.

A sociedade, de modo geral, espera receber jovens, que saibam ler e escrever

e entendam de matemática o suficiente para desempenhar bem as funções exigidas

pelo emprego ou estágio sendo que algumas famílias aspiram para seus filhos o

ingresso em universidades públicas. Isso pode ser constatado em afirmações como

“quero que meu filho estude, pois só assim poderá conseguir um bom emprego” ou

“meu sonho é ver meu filho na universidade federal”.

São diversos os tipos de educação, e assim destaco algumas Educação

Ambiental, Educação Familiar, Educação Escolar, Educação Social, Educação no

Campo, Educação Sexual, Educação Corporativa, Educação Virtual, Educação

Inclusiva, além das sempre citada Educação Formal, Educação Não-Formal e

Educação Informal.

A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que

se propõe atingir todos os cidadãos através de um processo pedagógico participativo

permanente que deve incutir no educando uma consciência reflexiva sobre a

problemática ambiental.

Muitos pais pensam que a porcentagem maior da educação está com as

escolas. Ledo engano. A escola representa um complemento, um direcionamento, um

viés, na complementação da educação familiar. Por mais que os educadores

desempenhem papel primordial na orientação da criança, não exime os pais da

responsabilidade maior na educação de seus filhos. Uma idade ideal para os pais

brindarem seus filhos com excelente educação vai dos zeros aos sete anos de idade.

Dos sete aos 14 a situação complica um pouco.


A educação social também visa à formação da autoestima, da personalidade e

do caráter. A Educação Social como uma educação não formal. Nesta definição, o

ponto principal liga-nos diretamente aos agentes, que se encontram nos contextos

sociais. Podemos comparar esta educação não formal com a educação escolar. Neste

caso, a base é fundamentalmente pedagógica, isto é, uma vez que segue alguns

critérios da educação formal, da educação não formal, e da educação informal.

A educação sexual aborda temas como o sexo, a gravidez, o aborto, métodos

contraceptivos, a importância da camisinha e doenças sexualmente transmissíveis.

Alguns defendem que tal termo já caiu em desuso cedendo lugar para o termo

orientação sexual, mas esse ainda confunde algumas pessoas, pois também é

empregado para designar a opção sexual de cada indivíduo, ou seja, sua preferência

por indivíduos de gênero igual, diferente ou por ambos.

Educação Corporativa, que alguns chamam de educação empresarial, é a

aquisição da competência em empreender um forte processo de aprendizagem e

gestão do conhecimento, de acordo com a visão e missão da instituição. Na Educação

Corporativa temos os seguintes objetivos: desenvolver competências essenciais para

o sucesso da empreitada, desenvolver a prática das atividades, alicerçar crenças e

valores da instituição, enfatizar a cultura empresarial, desenvolver a cidadania para o

sucesso da instituição.

A Arte e a Educação se entrelaçam de diversas formas, desde a educação

formal até a informal, passando pelas infinitas possibilidades da educação não-formal.

6. AS LINGUAGENS DA ARTE (PCN)

Os Parâmetros Curriculares Nacionais destacam a educação e a aquisição de

conteúdos que contribuem para a concepção da cidadania, trazendo a igualdade de


participação e compreensão sobre a produção nacional e internacional de arte. A

seleção e ordenação de conteúdos gerais de Arte têm como pressupostos a

classificação de alguns critérios, que também encaminham a elaboração dos

conteúdos de Artes Visuais, Música, Teatro e Dança e, no conjunto, procuraram

promover a formação artística. Reconhecendo a importância da Arte na formação e

desenvolvimento das crianças e na construção de pessoas sensíveis, confiantes,

transformadoras, que se percebam como únicas e valorizem sua forma de ser e

perceber. Como podemos observar no PCN,

A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico e da


percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar
sentido à experiência humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade,
percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de
apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza
e nas diferentes culturas. (PCN, vol. 1, p. 19)

Desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em

praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhou um bisão numa

caverna pré-histórica teve que aprender, de algum modo, seu ofício. E, da mesma

maneira, ensinou para alguém o que aprendeu. Assim, o ensino e a aprendizagem da

arte fazem parte, de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente

cultural, do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. No

entanto, a área que trata da educação escolar em artes tem um percurso relativamente

recente e coincide com as transformações educacionais que caracterizaram o século

XX em várias partes do mundo.

O PCN tem por objetivo dar apoio à execução do trabalho do professor, constitui

um referencial da qualidade, tendo por função orientar e garantir investimentos no

sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações, com

participação de técnicos e professores. Trata-se de um instrumento democrático,

forçando a educação de qualidade para todos e a possibilidade de participação social.


Embora a Proposta Curricular continue norteando o trabalho da maioria dos

professores, a mescla entre as tendências continua acontecendo nas práticas

pedagógicas. Os conteúdos são específicos por área e estão organizados de maneira

que possam ser trabalhados ao longo do ensino fundamental e seguem os critérios

para seleção e ordenação proposto no PCN. Os conteúdos gerais têm por objetivo

direcionar os conteúdos específicos por área em cada serie. Aqui estão selecionados

alguns dos conteúdos específicos por área, para que possa ser entendido a

abrangência dos mesmos.

Como recomendam os Parâmetros Curriculares Nacionais, as aulas de Arte

devem contemplar as linguagens da Dança, Teatro, Música e Artes Visuais, dentro

dos três eixos articuladores citados anteriormente. Dessa forma, em linhas gerais,

alguns conteúdos a serem contemplados seriam assim constituídos, Artes visuais,

Dança, Música e Teatro. A aprendizagem artística envolve, dessa forma, um conjunto

de diferentes tipos de conhecimentos, que visam à criação de significações,

exercitando fundamentalmente a constante possibilidade de transformação do ser

humano.

6.1. Artes Visuais

As artes visuais, além das formas tradicionais (pintura, escultura, desenho,

gravura, arquitetura, artefato, desenho industrial), incluem outras modalidades que

resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas a partir da

modernidade (fotografia, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação,

performance). Cada uma dessas visualidades é utilizada de modo particular e em

várias possibilidades de combinações entre imagens, por intermédio das quais os

alunos podem expressar-se e comunicar-se entre si de diferentes maneiras.


Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais, (2000):

A educação em artes visuais requer trabalho continuamente


informado sobre os conteúdos e experiências relacionados aos
materiais, as técnicas e as formas visuais de diversos momentos da
história, inclusive contemporâneos. Para tanto, a escola deve
colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de
experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação,
sensibilidade, conhecimento e produção artística, pessoal e grupal.
(p.61)

6.2. Dança

As finalidades genéricas da Dança para o ensino fundamental esta integrada

mais especificamente aos experimentos dos movimentos corporais das crianças e a

convivência social A dança na educação, é um referencial para as questões que

permeiam a educação de nossos tempos, apresenta novos olhares para o ser

humano, mostra o quanto ele pode criar, expressar, aprender, socializar e cooperar

se educado também pela dança, procurando formar, armazenar e documentar

conhecimentos sobre dança em contato com artistas, fontes documentais incluindo-

os a suas próprias experiências pessoais como criadores, intérpretes e apreciadores

de dança.

A atividade da dança na escola pode desenvolver na criança a compreensão

de sua capacidade de movimento, mediante um maior entendimento de como seu

corpo funciona. Assim, poderá usá-lo expressivamente com maior inteligência,

autonomia, responsabilidade e sensibilidade.

A ação física é parte da aprendizagem da criança. Essa atividade, necessária


para o seu desenvolvimento, é permeada pela curiosidade e pelo desejo de
conhecimento. Por isso é importante que a dança seja desenvolvida na escola
com espírito de investigação, para que a criança tome consciência da função
dinâmica do corpo, do gesto e do movimento como uma manifestação pessoal
e cultural. (PCN, 1997, vol. 6, p. 49)
6.3. Música

A Música sempre esteve associada às tradições e as culturas de cada época.

Atualmente, o desenvolvimento tecnológico aplicado às comunicações vem modificando

consideravelmente as referências musicais das sociedades por meio de rádio, televisão,

computador, jogos, eletrônicos, cinema, publicidade, etc.

A música é uma arte, mas também uma linguagem, que há muitos anos os homens

utilizam para se comunicar. No transcorrer da história mostram-se compreensíveis as

modificações nos estilos e gostos musicais. No âmbito escolar como apresentar as

crianças uma educação musical seduzindo-os na conjuntura atual, aproveitando-se

das experiências trazidas do cotidiano individual? Segundo os PCN’s, essa relação

pode ser realizada.

Estabelecendo relações com grupos musicais da localidade e da região,


procurando participar em eventos musicais da cultura popular, shows,
concertos, festivais, apresentações musicais diversas, a escola pode oferecer
possibilidades de desenvolvimento estético e musical por meio de apreciações
artísticas. (PCN, 1997, vol. 6, p. 79).

O conhecimento musical do professor é essencial no processo ensino e

aprendizagem. A importância da música, não se restringe apenas ao exercício de

obras caracterizadas como belas, importantes, ou outro que seja. A música é uma

ferramenta ampla de conhecimento e de transformação do homem e, portanto, na

educação é tida como elemento dinamizador para um processo educativo e formativo

voltado para o desenvolvimento integral do indivíduo, enquanto ser e cidadão.

6.4. Teatro

O teatro pretende, por meio das apresentações, dramatizações e estruturas de

cenas, dar impulso de novas oportunidades para as crianças, vivenciando eventos,

possam analisar e confrontar distintas culturas em diferentes períodos históricos,

atuando com um modo coletivo de produção de arte. “Ao buscar soluções criativas e
imaginativas na construção de cenas, os alunos afinam a percepção sobre eles

mesmos e sobre situações do cotidiano”. (BRASIL, 1997, p 88).

O teatro no ensino fundamental proporciona experiências que contribuem para

o crescimento integrado da criança sob vários aspectos. No plano individual, o

desenvolvimento de suas capacidades expressivas e artísticas. No plano do coletivo,

o teatro oferece, por ser uma atividade grupal, o exercício das relações de

cooperação, diálogo, respeito mútuo, reflexão sobre como agir com os colegas,

flexibilidade de aceitação das diferenças e aquisição de sua autonomia como

resultado do poder agir e pensar sem coerção.

A linguagem teatral também tem uma atuação importante na formação integral

do aluno, pois ajuda a minimizar a timidez, estimula a criatividade e a memorização,

aprimora o trabalho em equipe e a habilidade do improviso, além de despertar o

interesse da criança e do jovem por textos e autores variados.

Historicamente, o teatro deixou um importante legado para os educadores.

Entretanto não vamos elaborar uma retrospectiva histórica dessa questão. Nosso

objetivo maior é encaminhar uma reflexão sobre a competência e a responsabilidade

pela implantação e organização do ensino regular das diferentes práticas artísticas no

âmbito escolar, o que, consequentemente, leva-nos a considerar qual o lugar do teatro

numa escola, a quem compete ensiná-lo, a definição do que deve ser ensinado e como

os órgãos oficiais estabelecem sua prática.

7. ENSINO DE ARTES NO BRASIL

Embora a Proposta Curricular continue norteando o trabalho da maioria dos

professores, a mescla entre as tendências continua acontecendo nas práticas

pedagógicas.
Não é difícil encontrar professores de arte, tanto da rede oficial como na rede

particular, totalmente alienados de seu contexto histórico e social.

Consequentemente, são mais resistentes a inovações no ensino e na aprendizagem

da arte, principalmente no que se refere a metodologias contemporâneas. Outros

professores até conhecem, mas não se preocupam em relacionar esses

conhecimentos com sua prática pedagógica, revertendo para a sala de aula um

ensino-aprendizagem de qualidade discutível.

Não é difícil encontrar professores de arte, tanto da rede oficial como do

particular, totalmente alienados de seu contexto histórico e social.

A questão central do ensino de Arte no Brasil diz respeito a um enorme

descompasso entre a produção teórica, que tem um trajeto de constantes perguntas

e formulações, e o acesso dos professores a essa produção, que é dificultado pela

fragilidade de sua formação, pela pequena quantidade de livros editados sobre o

assunto, sem falar nas inúmeras visões preconcebidas que reduzem a atividade

artística na escola a um verniz de superfície, que visa as comemorações de datas

cívicas e enfeitar o cotidiano escolar.

Ao refletir sobre essa área ao longo da história, é possível repensar e

reconstruir sua prática, rompendo com paradigmas tradicionais e concepções que não

proporcionam uma aprendizagem significativa.

8. A METODOLOGIA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR EM ARTE

A arte é uma forma de propiciar o desenvolvimento da realização efetiva do

processo de ensino-aprendizagem.

As atividades práticas nem sempre são elaboradas no contexto do conteúdo,

são atividades eventuais e usadas como entretenimento, para a criança aliviar a


tensão do tempo destinados com afinco nas matérias avaliadas como obrigatórias.

Ana Mae (208, p. 80) afirma que

[...] a arte tem conteúdos específicos a oferecer (...) o aprendizado artístico


compreendia mais do que a habilidade de utilizar materiais de arte”, segundo
a teórica o papel do professor deve ser ativo e exigente e não simplesmente
um fornecedor de materiais e um apoio emocional. No ensino de Arte é
interessante aliar a teoria a pratica com o intuito de construir no discente um
pensamento histórico critico, seguindo-se a essa prática a análise das obras e
dos conteúdos. [...]

Um dos desafios a ser superado, e não é novo, é a questão da falta qualificação

dos professores para ensinar Arte. Para atuarem nos anos finais do ensino

fundamental e no nível médio é requerida a formação específica na área de Arte, o

que embora previsto em lei está longe de se concretizar. Segundo Boal (2011), inspira-

se na linguagem humana.

A linguagem teatral é a linguagem humana por excelência, e a mais


essencial. Sobre o palco, atores fazem exatamente aquilo que
fazemos na vida cotidiana, a toda hora e em todo lugar. Os atores
falam, andam, exprimem ideias e revelam paixões, exatamente como
todos nós em nossas vidas no corriqueiro dia-a-dia. A única diferença
entre nós e eles consiste em que os atores são conscientes de estar
usando essa linguagem, tornando-se, com isso, mais aptos a utilizá-
las (p. 9).

9. A IMPORTÂNCIA DA ARTE NO ENSINO

Houve um tempo em que na escola se estudava desenho geométrico, artes

plásticas e música. Em uma ou outra escola também se aprendia teatro. E, em quase

todas, trabalhos manuais. Fazer arte e pensar sobre o trabalho artístico que realiza,

assim como sobre a arte que é e foi concretizada na história, podem garantir ao aluno

uma situação de aprendizagem conectada com os valores e os modos de produção

artística nos meios socioculturais. Ensinar arte em consonância com os modos de

aprendizagem do aluno, significa, então, não isolar a escola da informação sobre a

produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade


de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções

próprias. E tudo isso integrado aos aspectos lúdicos e prazerosos que se apresentam

durante a atividade artística.

Em tese as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais para os conteúdos

do ensino de arte, podemos qualificar como suficentes, na prática quase sempre se

termina por aceitar o que é proposto nas instituições de ensino. O assunto aponta para

uma discussão que precisa ser encarada com seriedade e discernimento por

professores de arte, gestores, estudantes, no sentido de encontrar alternativas

eficazes que permitam o resgate dos conteúdos e objetivos específicos ao ensino de

arte.

Ana Mae Barbosa (1978, p. 13) defende que os novos métodos de ensino de

Arte não são resultantes simplesmente da junção da Arte e a Educação, muito menos

da oposição entre elas, mas da sua interpenetração.

O Docente comprometido com a qualidade das aulas e com a visão ampla

acerca da arte-educação, espaço e materiais podem ser improvisado buscando as

melhores maneiras de se atingir os objetivos que a disciplina apresenta atualmente.

É claro que, se tivermos em mãos equipamentos e espaços adequados, o processo

acontece com maior riqueza e mais facilmente, entretanto o saber ler, analisar e opinar

hoje conta muito do propriamente produzir.

É importante observar que apesar dos avanços em relação ao lugar que a Arte

passa a ocupar no currículo escolar brasileiro, ainda nos deparamos com perspectivas

remontando aos anos 1930-1947, em que há o predomínio de uma visão utilitarista do

ensino e, portanto, as atividades de Artes estão basicamente vinculadas à decoração

da escola e/ou das salas e à comemorações de datas festivas.


10. ARTE NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Cabe ao professor escolher os modos e recursos didáticos adequados para

apresentar as informações, observando sempre a necessidade de introduzir formas

artísticas, porque ensinar arte com arte é o caminho mais eficaz. Em outras palavras,

o texto literário, a canção e a imagem trarão mais conhecimentos ao aluno e serão

mais eficazes como portadores de informação e sentido. O aluno, em situações de

aprendizagem, precisa ser convidado a se exercitar nas práticas de aprender a ver,

observar, ouvir, atuar, tocar e refletir sobre elas.

Hoje, esse ensino obrigatório nas escolas da educação básica, deve ser

ancorado em referenciais nacionais, como o PCN, que objetiva uma orientação mais

global para as escolas brasileiras, como aponta este documento: A área de Arte que

se está delineando neste documento visa a destacar os aspectos essenciais da

criação e percepção estética dos alunos e o modo de tratar a apropriação de

conteúdos imprescindíveis para a cultura do cidadão contemporâneo (BRASIL,

MEC/SEF, 1998, p. 15).

Ao pesquisar a aprendizagem do fazer artístico, apoiados no pensamento de

Vygotsky onde o mesmo enfatizava o processo histórico-social e o papel da linguagem

no desenvolvimento do indivíduo. Sua questão central é a aquisição de

conhecimentos pela interação do sujeito com o meio social. Para o teórico, o sujeito é

interativo, pois adquire conhecimentos a partir de relações intra e interpessoais e de

troca com o meio, a partir de um processo denominado mediação. Em uma nova

perspectiva de olhar o desenvolvimento das crianças.

11. ARTE E CULTURA EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS

Posto que espaço formal de Educação é um espaço escolar, é possível inferir


que espaço não-formal é qualquer espaço diferente da escola onde pode ocorrer uma

ação educativa. É importante ressaltar que, embora seja de censo comum que a

Educação não-formal é diferente da Educação formal, por utilizar ferramentas

didáticas diversificadas e atrativas, isto nem sempre é verdade. Há muitos exemplos

de professores que adotam estratégias pedagógicas variadas para abordar um

determinado conteúdo, fugindo do tradicional método da aula expositiva não-

dialogada. E também há exemplos de aulas estritamente tradicionais e autoritárias

sendo realizadas em espaços não-escolares.

Duas categorias podem ser sugeridas: locais que são Instituições e locais que

não são Instituições. Na categoria Instituições, podem ser incluídos os espaços que

são regulamentados e que possuem equipe técnica responsável pelas atividades

executadas, sendo o caso dos Museus, Centros de Ciências, Parques Ecológicos,

Parques Zoo-botânicos, Jardins Botânicos, Planetários, Institutos de Pesquisa,

Aquários, Zoológicos, dentre outros. Já os ambientes naturais ou urbanos que não

dispõem de estruturação institucional, mas onde é possível adotar práticas educativas,

englobam a categoria Não-Instituições. Nessa categoria podem ser incluídos teatro,

parque, casa, rua, praça, terreno, cinema, praia, caverna, rio, lagoa, campo de futebol,

dentre outros inúmeros espaços.

12. EDUCAÇÃO NA ARTE

Outra interface possível entre Arte e Educação, já distante das questões

escolares, é a prática artística que incorpora dispositivos pedagógicos em seu

processo criativo. Essa relação íntima entre a arte e a educação se dá por diversas

dinâmicas e vem sido bastante explorada por artistas contemporâneos, por meio de

projetos multidisciplinares, coletivos, intervenções e pesquisa. O fortalecimento da


ação educativa em instituições culturais é também uma manifestação concreta das

potencialidades de intersecção entre Arte e Educação fora do espaço escolar. As

ações educativas de projetos artísticos são concebidas de acordo com as

especificidades de cada obra ou com a curadoria de cada exposição. O objetivo é criar

condições para que o espectador potencialize sua experiência de fruição, e para isso

são formados profissionais, os mediadores, ou monitores, especialmente treinados

para conduzir o espectador em sua experiência, e não mais sufocá-lo com referências

que direcionam, ou mesmo diminuem, sua relação com a obra.

A arte e a educação são áreas revolucionárias por natureza. Por meio delas,

mudamos nossa visão de mundo e criamos outras maneiras de olhar e agir. Ser artista

e professor exige um exercício constante de criação e descoberta de novos caminhos.

O papel da Educação em uma instituição cultural é propor questionamentos sobre a

vida e a arte contemporânea através do contato com a arte. As perguntas, os

problemas e as proposições explicitados pelos artistas nos trazem atravessamentos,

nos suscitam ações que alimentam nossa maneira de inventar a educação através da

arte. Por exemplo, todas as ações do Programa Educativo da Bienal de São Paulo

são voltadas à relação dos públicos com a arte. As visitas orientadas às exposições,

os encontros com professores das redes públicas e privadas, com educadores de

ONGs, os ateliês, os cursos presenciais e a distância, as palestras e seminários, assim

como as ações poéticas e intervenções nas cidades são disparadores de processos

que se conectam com as práticas cotidianas de cada um.

13. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após análise do ante exposto, percebe-se que é preciso uma reflexão sobre as

atitudes, de todos os envolvidos e interessados no processo ensino-aprendizagem.


Entende-se que um problema só pode ser passível de solução quando o tomamos

como nosso e no que se refere a Arte ou Ensino de Arte, não há como fugirmos deste

contexto. Faz-se necessário rever as atitudes e postura ética diante da situação não

esquecendo a responsabilidade acadêmica, indispensável para o comprometimento

com a qualidade do ensino, sempre enfatizando valores e princípios do profissional

da educação, mais precisamente do profissional da educação em arte.

O problema do acesso à cultura é ele mesmo um problema cultural. E não deixa

de ser até mesmo um problema estético, ou seja, de gosto, de relação sensível com

as obras de arte e os produtos culturais. Mas aqui ele se mostra também em seu

caráter de problema ético. No Brasil poderia haver certa inconsciência sobre o que

estamos fazendo de nós mesmos se não estivéssemos mergulhados em um profundo

jogo de poder em que está sempre vencendo o mercado. O problema do mercado não

é outro do que a unificação dos seres humanos, impedidos de outras experiências

estéticas capazes de promover a formação para além da estupidificação, da

imbecilização que o modo de ver o mundo de um só ponto de vista produz.

Mediante a reflexão sobre as tendências pedagógicas que influenciaram e

continuam influenciando o ensino/aprendizagem da arte, espera-se que o estudo

abordado neste artigo possa ajudar os professores de arte a entenderem-se como

sujeitos do processo histórico, pois, ao mesmo tempo que fazem a história, são

determinados por ela. Devem perceber que para interferir e transformar o presente é

necessário conhecer e entender o passado. A compreensão da história lhes

possibilitará uma ação transformadora no processo ensino-aprendizagem da arte, e

lhes dará subsídio para repensar as relações sociais existentes nas instituições, tanto

de Educação Infantil e Fundamental como de Ensino Médio e Superior.

Contudo, não se pode negar que ainda é grande o número de professores que
desconhecem essa caminhada histórica e, consequentemente, são alienados de sua

função social enquanto educadores, terminando sem saber que tipo de sociedade e

de cidadão querem preparar para o futuro. Sendo assim, fica difícil mudar as

concepções de ensino e aprendizagem da arte, que continuam presentes de forma

mesclada na sociedade, provocando um emaranhado de posturas e uma grande

confusão tanto na cabeça dos alunos como na dos próprios professores.

O estudo das tendências pedagógicas poderá proporcionar aos professores de

arte o entendimento da dimensão política que existe nas pedagogias que se adotam

nas escolas e universidades, pois sua atuação em sala de aula é o resultado dessas

opções. Não existe postura pedagógica neutra, todas estão comprometidas com uma

ou outra ideologia, a dominante ou a do dominado. Ter conhecimento sobre as

características do Brasil suas culturas e identidade, valorizando sem discriminação

social, racial, sexual e contribuir com a melhoria ambiental da nação brasileira.

Desenvolver conhecimento pessoal sobre capacidades física, afetiva, ética.

Valorizar e cuidar da saúde e qualidade de vida no individual e coletivo. Utilizar

intelectualmente as diferentes linguagens verbais, corporal, matemática, plástica e

gráfica, recursos tecnológicos para valorizar a construção do conhecimento.

Questionar formulando problemas e resolução para os mesmos com pensamento

lógico e criativo.

Finalizando, a necessidade do rompimento da educação monologa, para um

ambiente propício de interação e de trocas de conhecimentos culturais e artísticos,

fomentando a criticidade para o desenvolvimento de um sujeito autárquico, sócio-

histórico, suficiente, livre e clarividente sobre a arte.


REFERÊNCIAS

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FERREIRA, Sueli (Org.) O Ensino das Artes: construindo caminhos. 1 ed. Campinas,
SP. Ed. Papirus, 2001.

BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação no Brasil. São Paulo. Perspectiva, 1978.

BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: leitura no subsolo. São Paulo. Cortez, 2008.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues, A Educação como Cultura. Campinas. Mercado das


Letras, 2002.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares


Nacionais: Arte. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília. MEC/SEF, 1997.

BOAL, Augusto. Jogos para atores e não atores. 14. ed. Rio de Janeiro. Civilização
Brasileira, 2011.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1983.

FREIRE, Paulo, Pedagogia da autonomia: Saberes necessário a Prática


Educativa: Rio de Janeiro. Paz e Terra 1999.

OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução à Sociologia. São Paulo. Ática, 2003.

TYLOR, Edward Burnett. Primitive Culture: Researches into the Development of


Mythology, Philosophy, Religion, Art, and Custom. London. John Murray, 1871.
Reedit.1923.