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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ - UNESA

ALISON FERNANDES DE AZEVEDO

O SER POLICIAL VS O SER MILITAR NA POLÍCIA MILITAR: UMA


DUALIDADE AINDA PRESENTE

São Paulo do Potengi-RN


2016
ALISON FERNANDES DE AZEVEDO

O SER POLICIAL E O SER MILITAR NA POLÍCIA MILITAR: UMA


DUALIDADE AINDA PRESENTE

Projeto de Pesquisa Apresentado a


Disciplina Prática de Pesquisa em
Segurança Pública - Estácio de Sá
Professor Orientador: Marcus Vinicius
Vieira
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...............................................................................04
JUSTIFICATIVA.............................................................................06
OBJETIVOS...................................................................................07
METODOLOGIA.............................................................................07
BIBLIOGRAFIA..............................................................................08
INTRODUÇÃO

Com a problemática da violência crescente em todo Brasil, muito se fala hoje


em Polícia Comunitária, Polícia de Proximidade, Polícia Frente ao Estado
Democrático de Direito (existem muitas outras denominações) como possíveis
medidas para melhoria da segurança pública. Observa-se aqui uma tentativa de
alinhamento a um novo paradigma para Polícia Militar, ou seja, uma polícia mais ligada
a comunidade e defensora dos direitos humanos.

Contudo, é verificado uma certa resistência tanto da parte dos policiais


envolvidos como da própria comunidade que não acredita e nem confia no trabalho
policial. Segundo Silva (2009), esse aspecto pode estar ligado a violência praticada
por parte dos agentes de segurança, sendo um processo complexo e que tem raízes
sócios-culturais marcantes.

O presente trabalho assim tentará buscar hipóteses para explicar essa má


relação entre polícia e sociedade. Para entendermos melhor essa questão faremos
uma regressão ainda no Brasil colonial até os dias de hoje para entendermos o
surgimento do aparelho militar que começa a estruturar as organizações recém
criadas.

Segundo Fellite, o militarismo chega ao Brasil com a vinda do Governador


Geral Tomé de Souza, que veio acompanhado do Alcaide-Mor de função militar e o
Alcaide-Menor de função policial. Ainda segundo o mesmo autor, em 1549 é criado o
posto de Capitão-Mor que estava no comando das Companhias de Ordenanças,
responsáveis pela garantia da segurança dos povoados. Aqui já observa-se certa
divisão entre as funções militar e policial.

Desde da sua origem, a atuação da organização policial dividiu-se: a prática


civil estava na prevenção e repressão ao crime, enquanto o militar se identificava com
a defesa da pátria e repressão aos movimentos de oposição política e insurreições.
(Fellite apud Regina Célia Pedroso).

Com a chegada da Família Real em 1808 é instalada a Intendência Geral


de Polícia e logo em seguida a Guarda Real da Província do Rio de Janeiro o que viria
a ser o embrião da Polícia Militar (Gulian.pág.28). Ainda segundo Giulian, estavam
sendo criadas em boa parte das províncias, suas respectivas polícias, que tinham
como finalidade ser uma força de defesa estadual, atuando em guerras, revoltas e
revoluções. Aqui podemos observar a semelhança com o papel atribuído hoje as
forças armadas.

Chegada a República, as oligarquias veem a polícia como instrumento para


conter as mais variadas forças contrárias as suas pretensões. São Paulo como grande
capital do café na época, era referência para o resto do Brasil, neste sentido patrocina
uma Missão Francesa chefiada pelo Comandante Paul Belagny, que tinha a
incumbência de treinar e reorganizar a tropa (Fellite, pág.12). Aqui ressalta-se o
modelo Francês de polícia que segundo Torres tem um aparelho fortemente
centralizado e militar, que estaria mais próximo dos interesses estatais.

Seguindo ainda a cronologia, Fellite coloca que com o desgaste da força


policial sendo utilizada para funções políticas e militares, foi criada a Guarda Civil que
tinha como objetivo se aproximar do policiamento cotidiano da capital paulista para
cuidar dos interesses do povo. O autor ainda frisa que essa ideia estaria muito próxima
hoje do debate sobre a desmilitarização da polícia.

Chegada o período de intervenção militar (Ditadura Militar), contudo, essas


duas forças se consolidam transformando-se num só corpo militar. Com o decreto
667/69 é extinguida tanto a Guarda Civil como a Força Pública como era chamada,
criando automaticamente a Polícia Militar, que teria controle e subordinação ao
exército brasileiro (Fellite, pág.14).

Vistos assim alguns períodos da nossa história, observamos claramente que


as funções e atribuições das forças policiais nem sempre estiveram condizentes com
o atual Estado Democrático de Direito que nossa constituição defende. Aliado a isso
observamos que nosso sistema de segurança pública não mudou bastante, com
ligeiras ressalvas, nosso aparato policial ainda persiste fortemente de um caráter
formativo e institucional militarizado. A própria constituição em seu artigo 144ª coloca
a Polícia Militar como força auxiliar e reserva do Exército.

Não estaria a Polícia Militar passando por uma crise de identidade? A


Constituição Federal foi aprovada e junto com ela uma gama de direitos foi
incorporado para melhor atender aos cidadãos brasileiros. Será que esses direitos
também foram estendidos para os policiais militares? Segundo a entrevista feita pela
revista Exame a alguns policiais e relatada também na pesquisa feita pelo Centro de
Pesquisa Jurídicas Aplicadas, assédios e abusos ainda é regra na formação das
polícias militares. Como a polícia vai prestar um bom serviço à população se a
formação dos seus policiais é baseada em maus tratos? Essa dicotomia ser polícia e
ser militar existe e necessita ser resolvida.

Muniz coloca que somente com a Carta Magna de 88 a Polícia Militar foi
devolvida ao seu efetivo papel de polícia ostensiva, encontrando-se ainda nos moldes
militares, contudo, prestando agora serviços civis à população. Não estaria esse
dualismo entre ser miliar e ser policial dificultando o estabelecimento de uma polícia
verdadeiramente cidadã?

Justificativa

O tema abordado é de suma importância para a sociedade em geral. Com


o aumento da complexidade dos problemas enfrentados pela segurança pública, as
instituições envolvidas necessitam de uma adequação rápida para uma melhor
prestação de serviço.

O presente trabalho busca trazer à tona a dicotomia entre o ser militar e o


ser policial, uma dupla identidade que pode estar prejudicando o bom
desenvolvimento da Polícia Militar.

Hoje as discussões sobre mudanças na formação e estrutura da polícia é


tema de acalorados debates no Congresso Nacional, em universidades, movimentos
sociais. Dentre elas podemos citar a Desmilitarização da Polícia Militar, unificação das
polícias estaduais, ciclo completo de polícia. Em comum nota-se claramente um
desejo de uma polícia mais humanizada e um sistema mais inteligente e eficiente do
fazer policial.

Sendo assim é inegável a relevância desse tema para construção de uma


polícia consciente do seu papel para sociedade. Ele vem buscar a ser um pequeno
trabalho que servirá de subsídio para pesquisadores, estudantes, profissionais da
área, cumprindo assim o seu papel, que é fomentar a discussão.

Objetivos

Geral

Verificar e analisar o quanto o modelo militar interfere no fazer policial


propriamente dito.

Específico

- Analisar os aspectos históricos que influenciaram a formação da polícia


militar

- Verificar como é realizada formação das policias militares

- Encontrar discrepâncias em ser militar e ser policial frente ao novo Estado


Democrático de Direito

Metodologia

Quanto a metodologia empregada será utilizado o modelo qualitativo, que


por meios de levantamentos de dados, entrevistas, pesquisas de campo possam
sinalizar para o problema estudado e será acompanhado de uma abordagem
exploratória com levantamento bibliográfico (revistas especializadas, livros, artigos,
monografias, teses) no intuito de trazer variadas fontes para embasar o tema.

REFERENCIAL TEÓRICO
A temática abordada se confunde com outros campos de pesquisa. Temas
como desmilitarização, formação e estruturação da polícia militar perpassam o
presente trabalho. Hoje são inúmeros livros, trabalhos acadêmicos, debates,
seminários e discussões realizados sobre essas questões. O presente projeto assim
tem como intenção complementar o campo já estudado, trazendo material atualizado
e contextualizado, contudo, especificando e abordando lacunas que a problemática
aqui defendida ainda não trouxe.

Serão trazidos autores de referência em segurança pública: Luiz Eduardo


Soares, ex-secretário de segurança pública do RJ, autor de livros como Elite da Tropa;
Segurança tem Saída e é também um dos incentivadores da PEC 51 que trata da
Desmilitarização da Polícia e do Ciclo Completo: Ricardo Brisolla Balestreri, ex-
secretário nacional de segurança pública, defensor de um modelo policial relacionado
aos direitos humanos; Jacqueline de Oliveira Muniz, grande pesquisadora da área,
autora da tese Ser Policial é, Sobretudo, Uma Razão de Ser; temos também o
pesquisador Celso Castro, que como antropólogo vivenciou de perto a vida militar na
academia das agulhas negras, publicando suas impressões no livro Espírito Militar.
Destaquei aqui somente alguns autores, os demais podem ser vistos na bibliografia.

CRONOGRAMA

ETAPAS MAR MAIO JUL SET NOV DEZ


ABRIL JUN AGOS OUT
LEVANTAMENTO
BIBLIOGRÁFICO
REALIZAÇÃO E
ENVIO PROJETO
DE PESQUISA
REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA
ELABORAÇÃO
DO TCC
REVISÃO DO
TCC
ENTREGA FINAL
DO TCC

Bibliografia

GIULIAN, Jorge da Silva. A unificação das Polícias Estaduais no Brasil: uma visão dos
limites e possibilidades. 2001.115f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Universidade
de Santa Catarina. Florianópolis.
FELITTE, Almir Valente. Desmilitarização da Polícia: Uma Reforma da Segurança
Pública para a Adequação do Exercício da Função Policial na Sociedade. 2014. 80f.
Tese (Doutorado em Direito) – Departamento de Filosofia do Direito. Faculdade de
Direito de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo.
MUNIZ, Jaqueline. A Crise de Identidades das Polícias Militares Brasileiras.
Universidade Candido Mendes. Rio de Janeiro. 2001.
SILVA, João Batista. A Violência Policial Militar no Contexto da Formação Profissional:
um estudo sobre a relação entre violência e educação no espaço da Polícia Militar do
Rio Grande do Norte. 2009. 128f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) –
Universidade do Rio Grande do Norte. Natal.
LIMA, Sergio Renato; BUENO, Samira; SANTOS, Thandara. Opinião dos Policiais
Brasileiros sobre a Modernização da Segurança Pública. Centro de Pesquisas
Jurídicas Aplicadas – Escola De Direito FVG. Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
SENASP.
REVISTAEXAME.COM.Disponível:http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/formacao-
da-pm-e-baseada-em-abusos-dizem-policiais