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PRINCIPIOS DO DEREITO FISCAL

NEUTRALIDADE

A neutralidade impõe a eliminação de impostos que penalizem mais uma pessoa em


relação a outra, no sentido de procurar igualdade de oportunidade em detrimento da
igualdade de resultado. Esse princípio exige-se a redução das taxas marginais do
imposto e adopção de bases tributárias gerais com um reduzido apelo a isenções e
benefícios fiscais. Logo, a neutralidade fiscal é à não intervenção do Estado nos
processos econômicos, uma vez que se baseia no objetivo liberal da tributação.

A neutralidade fiscal apresenta dois sentidos. Um que defende que tributos não devem
prejudicar ou favorecer grupos específicos dentro da economia. O segundo sentido que
defende ideia contrária de que a tributação deve intervir para suprimir ou atenuar
imperfeições e reduzir desigualdades regionais, promover emprego, captar
investimentos e promover atividade econômica e empresarial, reestruturar empresas de
determinados setores da economia, ou fomentar exportações.

EQUIDADE OU IGUALIDADE

Esse princípio, embora não seja unívoco, remonta a Adam Smith , que define o sistema
fiscal equitativo como aquele em que o contribuinte efetuaria suas contribuições em
função dos benefícios que retirasse dos serviços públicos usufruídos.

A capacidade contributiva pode ser considerada um subprincípio do princípio-


matriz que assegura a igualdade de todos, pressupondo que, nas exigências tributárias,
haja o mesmo tratamento aos contribuintes que se encontrarem sob situações análogas,
ainda, permitindo que haja distinções, de forma razoável, de modo a tratar cada
contribuinte em conforme sua capacidade de arcar com o ônus tributário.

Há doutrina que, denominada o Principio da Igualdade sob o critério da capacidade


contribuiria do contribuinte, entende que e possível prover- se uma igualdade material,
não apenas formal (relacionada à ideia de que o Estado poderia tratar arbitrariamente
todos de forma igual e uniforme). O Principio da Igualdade não impede problemas
como a in admissibilidade da tributação de capital ou patrimônio ou da dupla tributação.

PROGRESSIVIDADE

A progressividade pode ser definida como a equidade ou igualdade vertical na


tributação do rendimento, em que os contribuintes com níveis mais elevados de
rendimentos ficam sujeitos a taxas mais elevadas de impostos, graduadas em função do
montante do rendimento obtido o que se apresenta como sistema oposto aos sistemas
regressivo ( redução da das taxas a medida do aumento do rendimento) e proporcional (
taxa fixa independente do montante do montante) de tributação

Assim, a progressividade se define como uma técnica em que há incidência de maiores


alíquotas quanto maior for à base de cálculo, assim, permitindo que se tribute com
alíquotas mais elevadas as rendas mais altas.

Enquanto as empresas sujeitam-se ao sistema da proporcionalidade, o Princípio da


Progressividade é bastante aplicado na tributação de rendimentos individuais, sem
prejuízos da aplicação do princípio do rendimento disponível, a exigir que à som dos
rendimentos líquidos sejam abatidas as despesas privadas, sejam as imprescindíveis à
própria existência do contribuinte (mínimo de existência individual), sejam as
necessárias à subsistência do casal e sua família (mínimo de existência conjugal e
familiar), havendo maior justiça fiscal.

EQUIDADE OU IGUALIDADE

O princípio da Não-Discriminação traz a igualdade material, definida na ideia de que


não discriminar implicar tratar igualmente o que é igual ou diferentemente o que é
diferente. Tal princípio ganha aplicação relacionada aos possíveis casos de
diferenciação de tratamento em razão da jurisdição fiscal, sob elementos como:
território (por exemplo: tributação de imóveis), residência (por exemplo: para efeitos
fiscais, prazo de 6 meses para fixação de residência no país) ou da nacionalidade do
contribuinte (por exemplo: contribuinte nacional de um país, sujeita-se à legislação
fiscal deste, mesmo que seja residente ou possua imóvel em outro país); ainda, sendo
possível verificar distinções nas atribuições de isenções ou benefícios fiscais.

TERRITORIALIDADE

O Princípio da Territorialidade é que define a eficácia espacial das leis tributárias, que
se aplicam aos fatos ocorridos no território da ordem jurídica à qual essas leis
pertencem, independentemente, de características como nacionalidade, domicílio ou
residência do sujeito passivo.

Com a internacionalização da economia e desmaterialização dos pressupostos fáticos


dos impostos, com tendência de personalização da tributação, o Direito Fiscal
Internacional induziu a que legislações internas e convenções internacionais passassem
a apontar como elementos relacionados ao território não mais aspectos objetivos ou
reais (local da situação dos bens, local do exercício da atividade ou local da fonte de
produção ou do pagamento de um rendimento, ou local do estabelecimento estável),
mas elementos subjetivos diversos da nacionalidade, como sede, domicílio ou
residência do contribuinte.

Em sede de impostos sobre rendimentos, são considerados legítimos os elementos de


conexão: residência do beneficiário do rendimento (tributação do rendimento global do
contribuinte, sem considerar as origens e fronteiras, convocando o Princípio da
Universalidade ou rendimento mundial) e o local de produção do rendimento (como, em
regra, ocorre na tributação dos não residentes).

NACIONALIDADE

Esse princípio se define norma de jurisdição sobre o contribuinte, sendo a tributação


aplicável aos rendimentos do contribuinte obtidos em outro Estado (seja da residência
ou da fonte) ou, simplesmente, pelo Estado da nacionalidade do contribuinte. Contudo,
utilizado apenas nos Estados Unidos e nas Filipinas, em matérias de impostos sobre
rendimento, e nos Estados Unidos e na Turquia, em matéria de impostos sobre
sucessões e doações, esse princípio perde relevância no que se refere ao poder tributário
dos Estados.

Caso aplicado, esse Princípio apresenta-se quase que de forma absoluta, colidindo
diretamente com os Princípios da Residência e da Territorialidade.

TRANSPARENCIA

A transparência fiscal, considerado como um princípio amplo impõe que a atividade


fiscal deve desenvolver-se consoantes ditames da clareza, abertura e simplicidade,
sendo sua abrangência aplicável ao Estado, à sociedade, aos organismos financeiros
supranacionais, entidades não governamentais, ainda, balizando a elaboração e gestão
responsável do orçamento, criação de normas antielisivas, abertura de sigilo bancário e
combate à corrupção.

Assim, um sistema fiscal transparente também deve ser simples, reduzir situações de
exceções e abolir o número de isenções e benefícios fiscais a certos contribuintes ou a
certas transações em particular.
Relações do Direito Fiscal com os outros ramos do Direito

O Direito Fiscal é um Direito autónomo, mas por si só não funciona, precisa absorver a
informação dos outros direitos para exercer convenientemente as suas normas.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Constitucional

O Direito Fiscal deve obediência ao Direito Constitucional. O legislador quando cria uma lei
tem de conhecer bem as leis constitucionais.

Estão na constituição os princípios básicos da tributação, mas é sobre tudo aí que vamos
encontrar a disciplina do poder de império do Estado, a fixação de sua soberania no tempo e
no espaço, encontramos todos os órgãos de soberania do Estado. Os princípios constitucionais
que incidem diretamente no campo tributário são mesmo princípios constitucionais
tributários, comandos da tributação.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Administrativo

Direito Administrativo – Regula toda a actividade pública do Estado.

As acções dos agentes da administração fiscal são regulamentadas em função do Direito


Administrativo. Direito Administrativo, que concerne especialmente à disciplina do
funcionamento dos órgãos da atividade pública, mantém relações com o Direito Fiscal,
bastando lembrar que os próprios funcionários fiscais, como as repartições e órgãos
tributários, têm o exercício de suas atividades impositivas, arrecadadoras e fiscalizadoras
disciplinadas pelo Direito Administrativo.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Comercial

O Direito Comercial é imprescindível para o Direito Fiscal. O Direito Fiscal usa vários conceitos
do Direito Comercial para a sua aplicação do direito.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Processual

Direito Processual – Direito que trata da regulamentação de como vamos até tribunal.
Conjunto de normas que regulamentam os nossos direitos em sede de tribunal. Exemplo:
como devemos reclamar, onde devemos reclamar a quem devemos efectuar a reclamação, o
que devemos entregar, etc. Código do Processo e do Procedimento tributário

Direito Processual Tributário, muitas vezes remete para o Direito Processual Civil.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Internacional


O Direito Internacional é composto por Acordos, Tratados, Convenções, celebradas entre dois
Estados. Temos que conhecer estes regulamentos para aplicar convenientemente a lei Fiscal.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Penal

No Direito Penal configura delitos de ordem tributária. Aí, entretanto, a figura é de Direito
Penal, mas entram em relação porque o próprio Direito Fiscal irá fornecer conceitos como o de
imposto, taxa ou emolumento a que o Direito Penal se reporta e que são figuras de Direito
Tributário. E' preciso, entretanto, lembrar que o próprio Direito Tributário contém sanções ou
penalidades próprias que formam o chamado Direito Tributário Penal, enquanto o Direito
Penal Tributário dispõe sobre os delitos fiscais e sanções e estão contidos no Código Penal. As
sanções principais do Direito Tributário são constituídas por multas pecuniárias.

Relações do Direito Fiscal e o Direito Privado (Civil e Comercial )

Direito Privado (Civil e Comercial) mantém o Direito Fiscal inúmeras ligações. Como já vimos,
ao tratar das fontes reais do Direito Tributário, o tributo incide sempre sobre fenômenos e
relações da economia privada (patrimônio), renda transferência. Muitos desses fenômenos e
relações da economia privada já estão configurados juridicamente pelo Direito Privado. Assim -
sendo, o Direito Tributário ao desejar atingir as relações ou fenômenos da economia privada,
muitas vezes os arrola pelo nomen juris, isto é, pelo nome já dado àquela relação ou
fenômeno pelo Direito Privado.. Em tais hipóteses, a relação entre um e outro ramo é estreita,
pois o aplicador da lei tributária vai se socorrer do Direito Privado para estudar e compreender
o instituto invocado pelo Direito Tributário. Outras vezes, o Direito Tributário indica categorias
do Direito Privado.