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Por que a Igreja não se

empenha em divulgar os
milagres eucarísticos?
5 anos ago
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by Católico Porque...
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Gostaria de saber a opinião dos responsáveis por este belo site a respeito dos
grandiosos milagres ocorridos dentro da Igreja Católica. Estou me referindo, em
especial, aos Milagres Eucarísticos e à preservação inexplicável dos corpos de
diversos santos, entre outros. A minha principal dúvida é a seguinte: Por que a
Igreja não se empenha em divulgar estes tão grandiosos Milagres ao grande
público, a fim de que muitos venham a saber que tremendas maravilhas
ocorrem dentro da verdadeira Igreja de Cristo?
Basta assistir a qualquer programa “evangélico” na TV para vermos a enorme
importância que os “pastores” atribuem a qualquer alegação de “dor no braço”
que teria “sumido” durante as orações feitas no culto. E sabemos bem que esta
tremenda valorização dos alegados “milagres” que ocorrem nos templos
evangélicos atrai muitíssimas pessoas, solapando inclusive muitos
frequentadores da Igreja Católica. Digo “frequentadores” porque bem sei que
não se tratam de verdadeiros fiéis; – porque estes, os verdadeiros fiéis, como o
próprio nome diz, não abandonariam o Corpo místico de Cristo por nada.
Mesmo assim, persisto no meu ponto de vista de que seria muito importante a
divulgação maciça de Milagres tão tremendos quanto os que ocorreram e
ocorrem em ambiente católico para o grande público. Por diversas vezes, em
debates amigáveis com protestantes, percebi que eles ficavam sem palavras
quando eu os confrontava com o Milagre Eucarístico de Lanciano, por exemplo.
Notei também que muitos deles, a partir daí, até se viam obrigados a
reconhecer a ação de Deus dentro da História da Igreja Católica, coisa que,
antes de tomar conhecimento destas Maravilhas, seria para eles impensável.
Finalizando, gostaria de deixar aqui o meu próprio testemunho: minha própria
conversão ao catolicismo se deu, em grande parte, por ter conhecido, através
de Pe Quevedo, os maravilhosos Milagres ocorridos dentro da Igreja Católica,
Maravilhas estas confirmadas inclusive pela própria ciência humana e que
acabam agindo como uma espécie de confimação para aqueles que se
encontram em dúvida sobre qual caminho espiritual seguir.
Fica aqui a minha questão e a minha dúvida. Muito obrigado e a Paz seja com
todos. (Henrique)
Prezado Henrique,

A Paz !
Primeiramente, agradeço, em nome de nosso apostolado, a confiança e o
carinho. Você pergunta a nossa opinião sobre milagres. Passemos, inicialmente,
à definição de milagre:

O Milagre em sentido estrito é “ um fenômeno estranho ao curso natural das


coisas, fenômeno que Deus produz como sinal de sua presença e ação neste
mundo. O milagre é um sinal, um testemunho em favor de uma verdade ou de
uma pessoa: a Divindade de Cristo, a autenticidade de sua Igreja, a santidade
de uma alma, a eficácia da oração, etc.” (PERGUNTE E RESPONDEREMOS,
ANO I – Nº 06, JUNHO DE 1958)

Conforme diz o padre Oscar Quevedo, SJ, em uma entrevista na revista O


Mensageiro de Sto. Antônio, Ano XLI, no. 9, Novembro de 1998, páginas 19 a
21: “… a ciência comprovou que os únicos fenômenos supra-normais
verdadeiros, os ditos milagres, só ocorreram em ambientes do antigo judaísmo
e no ramo cristão católico”. O milagre é a assinatura de Deus para demonstrar
onde está a verdadeira revelação.

Veja também "milagres" e curas em comunidades protestantes

O Pe. Oscar González-Quevedo por meio de seu apostolado que se baseia na


Parapsicologia, tem procurado diferenciar os falsos milagres dos verdadeiros
milagres, e escreveu dois ótimos livros a respeito, a saber:

– “Os Milagres – A Ciência Confirma a Fé”, Edições Loyola, São Paulo, 1996.

– “Os Milagres e a Ciência”, Edições Loyola, São Paulo, 1998.

Tendo em mente que o milagre é um sinal da presença e ação de Deus,


analisemos as seguintes citações, que falam por si:

“ Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele
fazia, curando os doentes.” (Jo 6,2)
“ As pessoas viram o sinal que Jesus tinha realizado e disseram: ‘ Este é
mesmo o Profeta que devia vir ao mundo’.” (Jo 6,14)
“ De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos
também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos
os corações.” (Atos 2,42)

“ Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número
de seus milagres, por terem recusado arrepender-se: Ai de ti, Corozaim! Ai de ti,
Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que
foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o
cilício e a cinza. Por isso vos digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Tiro
e para Sidônia que para vós! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não!
Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que
foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. Por isso te digo: no
dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti! Por aquele tempo,
Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos
pequenos.” (Mt 11, 20-25)
“A estima exagerada dos milagres, cujo poder lhe foi dado, desvia-o muito do
hábito substancial da fé que por si mesma é hábito obscuro; e assim, ondem
abundam os prodígios e os fatos sobrenaturais, há menos merecimento em crer”
(São João da Cruz. A subida do Monte Carmelo, Livro III, Capítulo XXXI,
parágrafo 8)

Dessa forma, ao mesmo tempo em que o milagre confirma a fé, sendo um sinal
da presença e ação de Deus entre nós, a nossa fé não pode depender e ser
impulsionada apenas por milagres, nem se deve supervalorizá-los.

“ O Cristão não crê necessariamente por causa de milagres, mas por uma
atração íntima de Deus sobre o coração da criatura; essa atração, no entanto,
não tira a liberdade do homem. A fim de que creia inteligentemente, e não de
forma cega, o cristão é apoiado por credenciais das verdades da fé; entre essas
credenciais está certamente o milagre.” (PERGUNTE E RESPONDEREMOS,
ANO XXXV – Nº 383, ABRIL de 1994)

Veja também “ Explicando” os milagres de Lourdes

“ Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de
ressuscitá-lo no último dia.” (Jo 6,44)
“ Não obstante, para que a homenagem de nossa fé estivesse em
conformidade com a razão [cf. Rm 12,1Rm 12,1: Eu vos exorto, pois, irmãos,
pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo,
santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual.], quis Deus ajuntar ao
auxílio interno do Espírito Santo os argumentos externos da sua revelação, isto
é, os fatos divinos, e sobretudo os milagres e as profecias, que, por
demonstrarem abundantemente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são
sinais certíssimos da revelação divina, acomodados que são à inteligência de
todos [cân. 3 e 4]. Foi por isso que Moisés, os profetas e principalmente o
próprio Jesus Cristo fizeram muitos e manifestíssimos sinais e profecias; (…).
Embora, porém, a adesão da fé não seja de modo algum um movimento cego
do espírito, ninguém, contudo, pode “crer na pregação evangélica”, como se
exige para conseguir a salvação, “sem a iluminação e a inspiração do Espírito
Santo, que a todos faz encontrar doçura em consentir e crer na verdade”
[Concílio II Arausicano]. Pelo que, [já] a própria fé em si, embora não opere
pela caridade [cf. Gl 5,6Gl 5,6: Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale
em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera pela caridade.], é um dom de Deus, e
o seu exercício é um ato salutar, pelo qual o homem presta livre obediência ao
próprio Deus, prestando consentimento e cooperação à sua graça, à qual
poderia resistir [cân. 5]” .(CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI FILIUS, CONCÍLIO
VATICANO I, §§ 1790 e 1791)
Por fim, respondendo a sua pergunta: “ Por que a Igreja não se empenha em
divulgar estes tão grandiosos Milagres ao grande público, a fim de que muitos
venham a saber que tremendas maravilhas ocorrem dentro da verdadeira
Igreja de Cristo?”

Embora a simples informação sobre os milagres por meio de anúncios em


revistas, jornais, livros e afins possa ajudar as pessoas a valorizar mais a
religião católica, se não houver fé e boa vontade interior tais informações serão
desconsideradas. Jesus, que é perfeito homem e perfeito Deus, realizava
milagres não para se exibir, mas para mostrar que a sua palavra provinha
realmente de Deus. Muitos, porém, mesmo presenciando os milagres de Jesus,
não os aceitaram como provenientes de Deus porque não tinham boa
disposição interior.

Para aquele que tem reta intenção bastam os milagres descritos nos
Evangelhos para alimentar a sua fé. A Igreja Católica não nega a existência dos
milagres, mas é muito rigorosa para concluir se um fato foi ou não milagre – e
tem que ser assim, porque milagre é coisa séria.

A Igreja Católica tem divulgado os milagres ocorridos em sua história após a


ascensão de Jesus ao Céu, mas o faz de modo sereno, sem chamar muita
atenção, porque assim é o modo de Jesus agir. Quem tem interesse em
conhecer realmente a religião católica, descobrirá os inúmeros milagres que
Jesus tem realizado em Sua Igreja (una, santa, católica, apostólica) nestes
últimos 2000 anos e se maravilhará com eles (há além dos livros do Pe.
Quevedo muitos outros livros sérios publicados a respeito, e também
informações na Internet), quem não tem interesse não se informará a respeito
e se não tiver fé e boa vontade interior não acreditará mesmo se for
testemunha do milagre. O milagre realizado por Deus é um auxílio para nos
fortalecer em nossa fé débil, não um fim em si mesmo.

Veja também Testemunhos de milagres em Lourdes

Em resumo, queremos católicos com uma fé madura, não pessoas


deslumbradas com fatos extraordinários. Nosso Papa Bento XVI já deixou claro,
em diversas ocasiões, a opção da Igreja pela qualidade e não pela quantidade
de fiéis. Uma exposição exagerada dos milagres poderia levar à sua banalização,
ou a uma enxurrada de “ conversões” , que, motivadas unicamente pela
emoção, durariam pouco. Nisso também, como em tudo na vida, o equilíbrio é
o melhor caminho a seguir; logo, os milagres podem e devem acompanhar,
mas não serem únicos “ protagonistas” do processo de conversão. Há uma
busca, um questionamento interior anterior ao conhecimento dos milagres, e
como bem disse, estes “ acabam agindo como uma espécie de confirmação
para aqueles que se encontram em dúvida sobre qual caminho espiritual
seguir” .

“ Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e
Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles
e disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo,
e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas
homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!Disse-lhe Jesus:
Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto! Fez Jesus, na
presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão
escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.” (Jo
20, 26-31)
Posto isso, não se preocupe: Jesus não vai perder nenhum dos que o Pai lhe
confiou… para Jesus não existem portas trancadas – como quando apareceu,
ressuscitado, para os discípulos, Nosso Senhor se faz presente no nosso meio,
sempre ! Ele oferece todos os dias, Seu Corpo e Seu Sangue, e mais que
milagre, isso é mistério, o mistério da nossa fé, que encanta e atrai pessoas há
cerca de dois mil anos…

Um abraço e fique com Deus,

Ad Majorem Gloriam Dei,

Maite
“ Filia Reginae”