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Desenvolvendo a Pesquisa de

Campo
Pesquisa de Campo

1. Introdução
Com essa unidade, iniciamos mais uma etapa da pesquisa: a execução da pesquisa.

Na unidade anterior você viu com que instrumentos se podem coletar os dados de uma
pesquisa e como elaborá-los. Já com os instrumentos definidos e elaborados, o próximo
passo é desenvolver o trabalho de campo, isto é, aplicar na população e amostra
definidas tais instrumentos e em seguida, analisar os dados obtidos.

A análise corresponde à interpretação das informações coletadas de modo a dar um


sentido aos dados fazendo a ligação entre eles e o conhecimento existente.

O conteúdo dessa unidade é exatamente este:

• A coleta dos dados


• A tabulação e análise dos dados

Portanto, após o desenvolvimento dos conteúdos da presente unidade, espera-se que


você seja capaz de

• desenvolver corretamente uma pesquisa de campo;


• fazer a tabulação e análise dos dados de uma pesquisa.

2 . A coleta de dados

A coleta dos dados inicia-se com a aplicação dos instrumentos elaborados e das
técnicas estabelecidas na etapa anterior. Portanto, nesta etapa da pesquisa, já se tem os
instrumentos de coleta de dados elaborados, a população e amostras definidas.

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Na investigação, de maneira geral, os dados são coletados pela observação ou pelas
respostas e declarações de pessoas capazes de fornecer informações que sejam úteis
aos propósitos da pesquisa. As técnicas utilizadas para a coleta de dados garantem o
registro das informações, o controle e a análise dos dados coletados.

A coleta de dados constitui uma etapa muito importante da pesquisa de campo, mas
não deve ser confundida com a pesquisa propriamente dita. Assim, todas as etapas
devem ser esquematizadas, a fim de facilitar o desenvolvimento da pesquisa, bem como
assegurar uma ordem lógica na execução das atividades. Os dados coletados serão
posteriormente elaborados, analisados, interpretados e representados graficamente.

Posteriormente, será feita a discussão dos resultados da pesquisa, com base na análise e
interpretação dos dados.

Já dissemos anteriormente que uma pesquisa pode ser caracterizada pelo tipo de dados
coletados e pela análise que se fará de tais dados. Assim temos a pesquisa:

• quantitativa: que prevê a mensuração de varáveis preestabelecidas, procurando veri-


ficar e explicar sua influência sobre outras variáveis, mediante a análise da freqüên-
cia de incidência e de correlações estatísticas. Nesse tipo de pesquisa, o pesquisador
descreve, explica e prediz;

• qualitativa: fundamenta-se em dados coletados nas interações interpessoais, na co-


participação das situações dos informantes, analisadas a partir da significação que
estes informantes dão aos seus atos. Nesse tipo de pesquisa, o pesquisador participa,
compreende e interpreta.

Após a coleta, antes da análise e interpretação, os dados são elaborados e classificados


de forma sistemática.

Considerando que os dados brutos não fornecem espontaneamente muitas informações,


é necessário colocá-los em ordem, transformar sua apresentação, reunindo as
informações de maneira organizada a fim de permitir sua análise e interpretação.

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Essa primeira parte do tratamento constitui a elaboração dos dados que se compõe das
seguintes fases:

Seleção:
De posse do material coletado, o pesquisador deve submetê-lo a uma verificação crítica,
a fim de detectar falhas ou erros, evitando informações confusas, distorcidas, incomple-
tas, que podem prejudicar o resultado da pesquisa. É o exame detalhado dos dados
coletados, também chamado crítica dos dados.

A seleção cuidadosa pode apontar tanto o excesso como a falta de informações e con-
tribui para evitar posteriores problemas de codificação.

Codificação:
É a técnica utilizada para categorizar os dados que se relacionam, isto é, os dados são
agrupados em categorias e depois codificados.

Codificar pode significar também transformar o que é qualitativo em quantitativo, para


facilitar não só a tabulação dos dados, mas também sua comunicação.

Tabulação:
Consiste na disposição dos dados em tabelas, possibilitando maior facilidade na verifi-
cação das inter-relações entre eles o que facilita a sua compreensão e a interpretação.

Os dados são classificados pela divisão em subgrupos e reunidos de modo que as hipó-
teses possam ser comprovadas ou refutadas.
A tabulação pode ser feita manualmente ou com o auxílio do computador.

3 . Tabulação e análise de dados

Tabulação é a padronização e codificação das respostas obtidas através dos instrumen-


tos de coleta de dados. É a maneira ordenada de dispor os resultados numéricos para
que a leitura e análise sejam facilitadas.

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A análise dos dados é a descrição do quadro de tabulação referente aos valores rel-
evantes. Na análise deve-se dar ênfase nos pontos relacionados ao problema, às hipó-
teses e aos objetivos da pesquisa.

Tabulação de questões fechadas com respostas simples:

O pesquisado só pode dar uma resposta, assim, o número de respostas é igual ao


número de pesquisados.

Exemplo:

Fonte: Pesquisa Os jovens e o consumo sustentável – Construindo o próprio futuro?,


realizada pelo Instituto Akatu e pela Indicator Opinião Pública.

A manipulação não é um sentimento decorrente do esforço de venda das empresas.

Somente 27% declaram sentir-se manipulado ou muito manipulado.

A maioria (66%) diz sentir-se livre ou muito livre para escolher os produtos que compra e
61% consideram-se consumidores informados.

Do total, 39% sentem-se maravilhados com a propaganda das empresas.

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Os jovens pesquisados parecem não se incomodar com a publicidade que as empresas
fazem de seus produtos, considerando-a importante para obter informação e garantir-
lhe a liberdade para escolher os produtos que mais lhe convierem, segundo critérios que
priorizam qualidade e preço.
Tabulação questões fechadas com respostas múltiplas:

O pesquisado pode indicar mais de uma alternativa como resposta, neste caso, o núme-
ro de resposta é diferente do número de pesquisados.

Exemplo:

O que você considera importante na escolha do supermercado para fazer compras


mensais?
 preços baixos
 variedade de produtos
 localização
 atendimento
 outros ____________

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O item considerado de maior importância na escolha de um supermercado para a real-
ização de compras mensais pelos pesquisados é preços baixos (45%), seguido da varie-
dade de produtos (25%). O atendimento correspondeu a apenas 9% das respostas.

Os pesquisados apontaram como outros motivos (8%): existência de estacionamento e


de manobristas, aceitar cheque pré-datado, aceitar cartão de crédito e qualidade dos
produtos horti-fruti-grangeiros.

Tabulação de perguntas abertas:

Padronizam-se as respostas por categoria e procede-se à tabulação como a tabulação


simples ou múltipla.

Exemplo 1:
Por que você compra roupas da marca “Y”?

Número de pesquisados: 100

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A análise dos dados demonstra que a maioria dos pesquisados (45%) compra roupa
da marca “Y” em função de sua qualidade. Dos respondentes, apenas 20%, compram
roupas marca “Y”, em função da grife.

As perguntas abertas também podem ser analisadas de maneira descritiva (qualitativa)


sem que haja a preocupação com a quantificação.

Exemplo 2:

Em um questionário aplicado aos alunos do Curso de Design com o objetivo de traçar o


seu perfil, foi formulada a seguinte pergunta aberta:

Quais as razões que o levaram a escolher a Universidade Anhembi Morumbi e o Curso


de Design?

Após a análise de todas as repostas dadas pelos alunos a esta pergunta foi elaborado o
seguinte texto:

Os alunos do Curso de Design têm bastante clareza das razões que os levaram a es-
colher o curso e a Universidade Anhembi Morumbi: a proposta do curso e o gosto e/
ou interesse pela área de criação artística e informática, ou ainda, por já ter feito algum
curso na área.

Os alunos apontam também como fator de decisão pela escolha do curso a valoriza-
ção do profissional no mercado de trabalho ou por já estarem atuando no mercado de
trabalho.

A imagem da Anhembi Morumbi no mercado, sua localização e infra-estrutura oferecida


também foram fatores preponderantes na escolha, entretanto existiram alguns poucos
alunos que afirmaram ser a Anhembi a única Universidade na qual foi aprovado no
processo seletivo.

Poucos são aqueles que escolheram o curso sem ter clareza do perfil profissional de seu
egresso, afirmando simplesmente: para obter seu diploma de curso superior.

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Se o pesquisador tivesse a intenção de quantificar as respostas, ele deveria primeiro
estabelecer as categorias para as respostas dadas. Assim, poderia ter chegado aos
seguintes resultados:

Tabulação de perguntas com escala de Likert:

A tabulação é feita ponderando as respostas.

Exemplo:

Indique o nível de concordância para cada item assinalando o número que melhor
exprime a sua opinião a respeito das condições oferecidas pela Universidade.

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Tabulação do item Biblioteca:

Utilizei com freqüência a biblioteca.

Média: 4,18 (é obtida dividindo-se a


soma de f.p 820, pelo total da amostra 196)

Os serviços prestados pela Biblioteca


satisfizeram minhas necessidades.

Média: 3,95

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O acervo da Biblioteca atendeu às
minhas necessidades.

Média: 2,89

Análise dos resultados:

O item Biblioteca foi bem avaliado pelos alunos, se destacando na utilização (4,18),
seguido dos serviços prestados (3,95); a pior avaliação foi dada ao acervo (2,89).

Análise a partir da observação:

Como já foi dito anteriormente, a pesquisa sempre é um processo intencional. Desta


forma, a coleta de dados, independentemente do instrumento a ser utilizado, deve ser
sempre planejada. Portanto, ao realizar uma observação, o pesquisador deve ter clareza
do que será observado, em outras palavras, deve ter elaborado o roteiro da observação.

Exemplo:

Em uma pesquisa que envolvia a observação de uma aula de Matemática na 5ª. série, o
pesquisador fez o seguinte registro:

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Após o sinal os alunos se dirigem para a sala e aguardam o professor, que, ao entrar,
cumprimenta-os, dirigindo-se à mesa. Os alunos estão sempre conversando, e na turma
de 5ª. série, eles nunca estão em suas carteiras, a desordem é maior.

O professor senta-se e aguarda o silêncio, que na maioria das vezes demora, até que os
próprios alunos pedem aos colegas que parem de conversar.

Somente depois que todos os alunos estão em suas carteiras e em silêncio é que se inicia
a chamada.

A sistemática de trabalho destes professores em sala de aula é normalmente a mesma:


explicam a matéria (definições, conceitos, propriedades, regras etc.), basicamente tran-
screvendo para o quadro-negro o que consta no livro-texto, dão alguns exemplos re-
forçando o que fora explicado, em seguida resolvem uma série de exercícios para os
alunos.

Quando resolver os exercícios, o professor sempre dirige perguntas para a classe e não
para um determinado aluno, o que impede as respostas individuais e dá margem às
brincadeiras e conseqüentemente provoca distrações.

4 . Síntese

A coleta de dados é a etapa da pesquisa que exige tempo e trabalho para se reunir
informações que venham atender aos objetivos da pesquisa e comprovar as hipóteses
formuladas inicialmente.

Na pesquisa quantitativa, a análise dos dados implica na quantificação dos fenômenos


para submetê-los à classificação, mensuração e análise. O que se busca é uma explica-
ção do conjunto de dados reunidos a partir de uma conceitualização da realidade per-
cebida ou observada.

Já na pesquisa qualitativa, todos os fenômenos e sujeitos são igualmente importantes,

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assim, procura-se compreender as relações existentes entre eles.

Você deve ter percebido pelo conteúdo dessa unidade que é através da análise dos da-
dos que fazemos o confronto entre a teoria (desenvolvida na Fundamentação Teórica) e
a realidade (definida na Metodologia).

5 . Bibliografia

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1987.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica. Petrópolis: Vozes, 1997.

LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos e metodologia


científica. São Paulo: Atlas, 1996.

LAVILLE, Christian e DIONNE, Jean. A construção do saber. Porto Alegre: Artes Médicas,
Belo Horizonte: UFMG, 1999.

RICHARDSON, Roberto Jarry e Colaboradores. Pesquisa social: métodos e técnicas. São


Paulo: Atlas, 1999.

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