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Educação a Distância - Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

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Este e-book é uma publicação da

Publicação Este e-book é uma publicação da Rua Dr. Álvaro Alvim, nº 90 Vila Mariana –
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Rua Dr. Álvaro Alvim, nº 90 Vila Mariana – SP Fone: (11) 5576-7300

É proibida a venda e a reprodução deste material sem autorização prévia do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Economia Criativa e Cidades

Administração Belas Artes

Dr. Paulo Antonio Gomes Cardim

Reitor

Prof. Dr. Francisco Carlos Tadeu Starke Rodrigues

Pró-Reitor Administrativo

Prof. Dr. Sidney Ferreira Leite

Pró-Reitor Acadêmico

Josiane Maria de Freitas Tonelotto

Superintendente Acadêmica

Departamento de Educação a Distância

Profa. Ma. Jacqueline de Oliveira Lameza

Coordenação

Claudio Villa da Costa Filho Lucas de Mattos Millan

Design Instrucional

Gustavo Nogueira Pereira João Paulo Tenório da Silva

Web Design

Nogueira Pereira João Paulo Tenório da Silva Web Design Gabriel Kwak Marina de Mello Fontanelli Revisão

Gabriel Kwak Marina de Mello Fontanelli

Revisão de Texto

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Economia Criativa e Cidades

Sumário

Unidade 8: Introdução a cidades startup

Para m de conversa

Referências

Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

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Para m de conversa Referências Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Para m de conversa Referências Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Unidade 8 Introdução a cidades startup Prof. Dr. Marcos Virgilio da Silva Prof. Steven Pedigo
Unidade 8
Introdução a cidades
startup
Prof. Dr. Marcos Virgilio da Silva
Prof. Steven Pedigo

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

ObjetivosUnidade 8 – Introdução a cidades startup Ao término dos estudos propostos nesta Unidade, você deverá

Ao término dos estudos propostos nesta Unidade, você deverá estar apto a:

conceituar startup;

estabelecer a relação entre inovação e startups;

identi car o papel das startups para o desenvolvimento econômico;

compreender o processo de concentração de startups nas cidades;

identi car maneiras de as startups contribuírem para o crescimento urbano.

Seçõesde as startups contribuírem para o crescimento urbano. 1. O conceito de startup 2. Startups, inovação

1. O conceito de startup

2. Startups, inovação e desenvolvimento econômico

3. Por que as startups estão se concentrando nas cidades?

4. Quem tem medo da “gentri cação”?

5. Como as cidades podem apoiar as startups?

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5. Como as cidades podem apoiar as startups ? Educação a Distância – Centro Universitário Belas
5. Como as cidades podem apoiar as startups ? Educação a Distância – Centro Universitário Belas
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Introdução Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à oitava Unidade
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Introdução Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à oitava Unidade

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Unidade 8 – Introdução a cidades startup Introdução Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à oitava Unidade de

Introdução

Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à oitava Unidade de nossa disciplina Economia Criativa e Cidades.

Aqui vamos conhecer o conceito de startup e como esse mode- lo de negócio emergiu de uma nova forma de organização econômi- ca. Também iremos identi car seu papel no desenvolvimento econô- mico e compreender o processo de concentração nas cidades. Vamos entender como as startups contribuem para o crescimento urbano. Finalmente, vamos conhecer um processo conhecido como “gentri - cação” e suas principais características.

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Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Seção 1

O conceito de “startup”
O conceito de “startup”

O termo startup é usado nos EUA há várias décadas, mas

somente durante a época chamada de “bolha da internet” (entre 1996

e 2001) que ele começou a ser usado no Brasil. Nos anos 1990, muitos empreendedores com ideias inovadoras e promissoras encontraram

nanciamento para os seus projetos, que se mostraram extremamen-

te lucrativos e sustentáveis, principalmente associadas à tecnologia. Grande parte da explosão de empresas startup se deve à constitui- ção de um cluster de inovação tecnológica no Vale do Silício (Silicon Valley), na Califórnia (EUA): ali se formaram empresas como Google, Apple, Facebook, Yahoo!, Microsoft, apenas para citar algumas.

Originalmente, startup foi sinônimo de iniciar uma empresa e colocá-la em funcionamento, mas uma compreensão mais abrangen- te inclui também a ideia de um grupo de pessoas trabalhando com uma ideia diferente e com um grande potencial para fazer dinheiro.

Do ponto de vista do investimento, e a partir desse entendimento geral, seria possível dizer que qualquer pequena empresa em seu período inicial pode ser considerada uma star- tup. Há quem defenda que é basicamente uma empresa com custos de manutenção muito baixos, mas que consegue crescer rapidamente

e gerar lucros cada vez maiores. Mas há também uma de nição mais

atual, que parece satisfazer a diversos especialistas e investidores, e que entende como um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza – ou seja, não há como a rmar a priori que uma ideia ou projeto de empresa realmente terá êxito.

Nessa de nição, também está embutida a ideia de que o modelo de negócios é fundamental para que a empresa de na como gerar valor – isto é, transformar seu trabalho em dinheiro. A noção de “repetível” signi ca a capacidade de entregar o mesmo produto em escala, sem muitas customizações ou adaptações para cada cliente. Por m, ser escalável signi ca poder crescer cada vez, com aumen- to signi cativo de receita em relação ao aumento de custos – o que resulta em margem cada vez maior, acúmulo de lucros e geração de riqueza.

cada vez maior, acúmulo de lucros e geração de riqueza. Educação a Distância – Centro Universitário

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acúmulo de lucros e geração de riqueza. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
acúmulo de lucros e geração de riqueza. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
Unidade 8 – Introdução a cidades startup O conceito de startups acabou associado às empresas
Unidade 8 – Introdução a cidades startup O conceito de startups acabou associado às empresas

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

O conceito de startups acabou associado às empresas de inter- net, mas não se limita a elas. A vinculação que se estabeleceu entre internet e ao conceito de “startup” se deve ao cenário atual da econo- mia, integrada e interligada em escala global, e com relevância cada vez maior dos recursos digitais/virtuais. Com acesso a todos os tipos de informações, a internet tornou-se uma infraestrutura fundamen- tal de suporte a todos os setores da economia. A necessidade de se tornarem ágeis e continuamente preparadas para mudanças rápidas na conjuntura econômica favorece empresas iniciantes que desenvol- vem produtos e serviços baseados na internet como canal de distri- buição. Nesse contexto, estreita-se também a vinculação entre as star- tups e o conceito de inovação, na medida em que pode ser associada a algum tipo de pesquisa, assim como com a imitação e adoção de novos produtos, de novos processos de produção e de novas técnicas organizacionais.

No processo de desenvolvimento dessas novas empresas, alguns novos arranjos institucionais têm-se formado. Um desses arranjos é o chamado investimento-anjo, isto é, um investimen- to efetuado por pessoas físicas, com seu capital próprio, em empresas nascentes com alto potencial de crescimento. Esses investi- mentos são realizados por pro ssionais experientes (geralmente empresários, executivos e pro ssionais liberais que já tenham trilhado uma carreira de suces- so), que conseguem arcar com a aplicação de recursos (normalmente entre 5% a 10% do seu patrimônio) como investimento em novas empresas.

Além do investimento nanceiro, entretanto, esses “anjos” colaboram com seus conhecimentos e experiência, além de eventu- almente darem acesso à sua própria rede de relacionamentos. Geral- mente, esses investidores têm uma participação minoritária no negó- cio, e não assumem posição executiva na empresa, atuando preferen- cialmente como um mentor/conselheiro. O termo “anjo” é utilizado para destacar o fato de que não se trata de um investidor exclusiva- mente nanceiro, mas, sim, um apoiador da startup, aplicando seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamento para aumen- tar suas chances de sucesso. Assim, o investimento-anjo não deve ser confundido com uma atividade lantrópica e/ou com ns puramente sociais: o investidor tem o objetivo de aplicar em negócios com alto potencial de retorno.

de aplicar em negócios com alto potencial de retorno. Educação a Distância – Centro Universitário Belas

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O desenvolvimento e a consolidação de startups geralmen-

te conta também com o apoio de incubadoras ou aceleradoras. Incubadoras são entidades que visam promover empreendimentos inovadores oferecendo suporte para o desenvolvimento de ideias

– tanto em termos de infraestrutura quanto gerencial, orientando

os empreendedores em questões ligadas à gestão dos negócios e à competitividade, além de aconselhamento, assistências administrati- va, nanceira e mercadológica, e até espaço físico. Há evidências de que empresas incubadas têm tido taxas de sucesso maiores do que as que não passam por processos de incubação (aumento do número de empregados, reduções de custos e incremento das vendas e do lucro).

As aceleradoras se diferenciam do modelo de incubação, pois

oferecem um processo de inscrição aberto e altamente competitivo

e investem recursos nanceiros, em geral em troca de participação

em cotas ou acionária. As aceleradoras, além disso, tendem a dar mais enfoque à equipe do que aos seus fundadores individuais, têm dura- ção limitada, dedicam intensas atividades de mentoria e networking, além de operar com grupos de startups, em lugar de startups individu- ais. Ambas têm em comum a busca por garantir um melhor desempe- nho das empresas por elas apoiadas, e a atuação nos estágios iniciais de seus negócios.

O sucesso das empresas star-

iniciais de seus negócios. O sucesso das empresas star- tups parece ser dependente de algu- mas

tups parece ser dependente de algu- mas condições especiais, ou, ainda, de certas habilidades especí cas. Algumas das principais habilidades envolvem a de acessar o conhecimen- to e a informação, e a habilidade para integrar e compartilhar estas informações – para essas duas, o domí- nio das ferramentas da tecnologia da informação é importante para obter vantagem competitiva. Num cenário de incertezas e instabilida- de, é também fundamental a criação dos processos de negócio que

priorizem a de nição e rede nição constante das estratégias de valor.

A inovação deve também se aplicar à própria organização do traba-

lho, ao criar arquiteturas novas que rede nam não só a própria orga-

nização do trabalho, mas também das informações e das pessoas.

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mas também das informações e das pessoas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
mas também das informações e das pessoas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Mais Internamente, as empresas devem promover também certas
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Mais Internamente, as empresas devem promover também certas

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Mais Internamente, as empresas devem promover também certas habilidades de sua equipe: principalmente, desenvolver
Mais
Internamente, as empresas devem promover também certas
habilidades de sua equipe: principalmente, desenvolver
competências para reagir à mudança. Para isso, equipes
multidisciplinares e autogerenciáveis se somam à tecnologia da
informação como fatores críticos de sucesso. Outros princípios
norteadores destas empresas são: a promoção da criatividade, a
colaboração, a capacitação contínua, as recompensas à solução
de problemas complexos e, nalmente, a articulação de todas as
ações sempre com uma visão de longo prazo.

O estabelecimento de uma cultura de inovação enfrenta desa os em certas “tradi- ções” empresariais: para a promoção da cria- tividade em ambientes empresariais, certos fatores que devem ser combatidos incluem a predominância de relacionamentos verti- cais (hierárquicos), a ausência de ações que promovam a comunicação horizontal, as limi- tações de ferramentas, recursos e veículos formais para a inovação, e, ainda, o reforço de uma “cultura da inferioridade” (a reiteração da crença de que inovações sempre ocorrem de fora para dentro).

A reinvenção permanente do uxo de valor, com vistas ao

cliente interno e externo, requer que se avalie a todo instante qual

a melhor forma de se fazer o que já se faz, estando preparado para

mudar continuamente. Este processo é contínuo, mas evolutivo, e está ligado ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. Trata- -se, em suma, de fomentar um “espírito empreendedor”, que tem

como característica a soma de sensibilidade ou perspicácia, a audácia

e a perseverança. O empreendedor de uma startup deve se ver como

um eterno aprendiz, sempre insatisfeito e em busca do novo. A missão do empreendedor não é o lucro: não no sentido de que não é impor- tante, mas de que é apenas uma faceta do sucesso mais amplo, que frequentemente envolve algo intangível e coletivo – daí o empreen- dedorismo ser tão importante para a nova classe criativa, conforme já abordado. Essa missão muitas vezes inclui ajudar outros a serem mais e cientes, a chegar mais longe, ou até a viver melhor, ou sofrer menos. O empreendedorismo, também por isso, não é um trabalho solitário: exige descobrir e agregar novos “sonhadores” que estejam dispostos a alimentar e transformar aquela ideia em algo cada vez mais real.

e transformar aquela ideia em algo cada vez mais real. Educação a Distância – Centro Universitário

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Unidade 8 – Introdução a cidades startup Agora é a sua vez! Assinale as alternativas
Unidade 8 – Introdução a cidades startup
Agora é a sua vez!
Assinale as alternativas a seguir com Verdadeiro (V) ou
Falso (F).
1.
(
) Incubadoras se diferenciam do modelo de
aceleração, pois oferecem um processo de inscrição
aberto e altamente competitivo e investem recursos
nanceiros, em geral em troca de participação em cotas
ou acionária.
2.
(
) O sucesso das empresas startups parece ser
dependente de algumas condições especiais, ou ainda
certas habilidades especí cas.
3.
(
) O conceito de startups se limita a empresas de
internet.
4.
(
) O termo startup é usado nos EUA há várias
décadas, mas somente durante a época chamada de
“bolha da internet” (entre 1996 e 2001) que “startup”
começou a ser usado no Brasil.
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Resposta correta
1 –F/2 – V/3 – F/4– V
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Seção 2 Startups, inovação e desenvolvimento econômico Até
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Seção 2 Startups, inovação e desenvolvimento econômico Até

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Seção 2

Startups, inovação e desenvolvimento econômico
Startups, inovação e desenvolvimento econômico

Até aqui, tem-se enfatizado bastante a relação entre a econo- mia criativa, modelo de negócios que emergiu no contexto dessa nova forma de organização econômica (as startups), e como essas star- tups se valem da criatividade e da inovação para assumir a vanguarda do desenvolvimento econômico na atualidade. Talvez seja necessário reforçar alguns conceitos para prosseguir: em primeiro lugar, é preci- so distinguir criatividade de inovação – e este tem sido um intenso debate relacionado ao empreendedorismo.

Em uma analogia inicial, seria possível dizer que, dado um problema qualquer, a criatividade estaria em buscar diversas manei- ras de resolvê-lo – ao passo que a inovação seria escolher apenas

uma das possíveis soluções e tentar aperfeiçoá-la sob todos os aspec- tos, buscando formas de tornar essas ideias mais comercializáveis e

e cientes. Ou seja: uma das ideias fundamentais para entender a dife-

rença entre os dois está na característica essencialmente aplicada da inovação, em contraste com o caráter mais subjetivo da criatividade.

Em outras palavras, a criatividade está relacionada com o potencial humano para gerar novas ideias, as quais podem se apre- sentar de diversas formas (o mero pensamento, sua verbalização, escrita, etc.).

A criatividade, como algo subjetivo, é difícil de ser mensura- da – diferente da inovação, que é totalmente mensurável. Inovação, pensada em termos de empreendedorismo, é a inovação que gera valor. Assim, a inovação está relacionada também ao trabalho neces- sário para tornar uma ideia viável: é o processo de transformar uma ideia criativa em um produto, serviço ou método de operação útil.

A inovação acontece de várias formas. Pode ser um novo produto ou uma nova embalagem, a simpli cação de um proces- so produtivo, uma forma de atendimento especial ou uma ação de marketing inusitada. Em muitos casos, a inovação acontece através da tecnologia.

Numa perspectiva abrangente, a criatividade pode ser de ni- da antes de tudo como um processo (mental), e, como tal, pode ser estudado, compreendido e aperfeiçoado – e, inclusive, incentivado e promovido pelas empresas em sua rotina. Essa ideia é importante para tirar da criatividade certa áurea mágica ou transcendental, comu- mente associada a ela. É possível ser criativo a partir de elementos já existentes (nem toda a criatividade consiste em inventar o novo)

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ou de fenômenos já observados anteriormente, porém não relaciona- dos a problemas especí cos que depois vieram a resolver. Contudo, enquanto a criatividade consiste essencialmente em pensar coisas

novas, a inovação requer fazer coisas novas (e valiosas): o termo implica em ação, só há inovação quando a nova ideia é julgada valiosa

e colocada em prática. Algumas importantes inovações consistem de

novos usos para objetos e tecnologias existentes. Um bom exemplo

é o uso da internet pelos bancos, permitindo aos clientes o acesso direto aos serviços bancários.

A inovação, como já foi dito, é um processo mensurável. Entre- tanto, essa mensuração não é uma tarefa simples: em primeiro lugar, porque a de nição de inovação exige que ela produza resultados concretos – e isso só pode ser medi- do após sua aplicação. O grau de e inovação, em segundo lugar, também parece guardar certo nível de subjetividade, ou ao

menos de contexto: uma pessoa que que

dife-
dife-

conhece mercados e países bem dife-

rentes poderá a rmar com mais certeza erteza

que a ideia de um empreendedor r é é ou ou

não inovadora. Perceber a inovação ão envolve envolve

também uma baixa resistência a mudanças e novas ideias. Por m, é difícil ao próprio empreendedor avaliar de forma realista o quanto sua ideia é inovadora: normalmente (e compreensi- velmente), ele é o maior entusiasta de sua própria ideia, prejudicando uma avaliação das verdadeiras fraquezas e potenciais melhorias.

Embora se reconheça que a inovação seja possível em diver- sos âmbitos, é cada vez mais comum a associação entre inova- ção e tecnologia – e a inovação tecnológica tem sido considera- da pelas empresas como um fator fundamental para fomentar a

competitividade e o desenvolvimento. Nas últimas décadas, testemu- nhou-se um impressionante desenvolvimento de novas tecnologias, que se somou à realidade de um mercado competitivo, globalizado e

e ciente. Assim, a inovação tecnológica se tornou fundamental para

qualquer organização que deseja ganhar relevância no mercado em que atua. A exibilidade das empresas startups tem conferido a elas uma capacidade maior em não apenas se adaptar a mudanças, mas exatamente em buscar novos métodos e processos, ferramentas e matérias – em resumo, inovar.

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e matérias – em resumo, inovar . Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
e matérias – em resumo, inovar . Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Se a aplicação de tecnologias e a busca
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Se a aplicação de tecnologias e a busca

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Se a aplicação de tecnologias e a busca de inovação são estra-

tégias fundamentais para o desenvolvimento das empresas (especial- mente startups), deve-se considerar então a maneira de relacionar essas estratégias particularizadas a um desenvolvimento econômico mais amplo – não apenas as empresas, mas também as regiões onde atuam. Isto porque, como já visto, um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento das empresas é o ambiente, o ecossistema, no qual as empresas se inserem. Essa relação se dá em mão dupla: as políticas de desenvolvimento regional poderiam ser orientadas para criar um “ambiente de inovação”capaz de favorecer o orescimento de empre- sas criativas e inovadoras; e essas mesmas empresas podem contribuir para consolidar esse mesmo ambiente, facilitando a constituição de cadeias ou arranjos produtivos que bene ciem a própria localidade.

A noção de tecnologia social, por exemplo, traz algumas

contribuições a essa articulação entre inovação e desenvolvimento, ao chamar a atenção para novos agentes que produzem conhecimen- to (não apenas os que pertencem ao circuito de ciência e tecnologia, mas também pela valorização dos saberes populares). A noção ajuda também a re etir o possível comprometimento das ações de inova- ção com a transformação social (especialmente em regiões com nível de vida ainda depreciado). As demandas sociais podem, portanto, ser fonte privilegiada para investigações que levem à inovação.

O que se constata é que investimentos (estruturantes e opera- cionais) alocados em pesquisa e desenvolvimento, sejam de origem pública ou privada, têm impactos signi cativos no desenvolvimen- to econômico e social. Assim, uma espécie de “sistema regional de inovação” envolveria um conjunto de estruturas que impulsionam o progresso cientí co e tecnológico de um país ou região: Universida- des, Centros de Pesquisa e Escolas Técnicas, o setor produtivo, órgãos de formulação de políticas de ciência e tecnologia (C&T), agências governamentais de apoio e outras instituições.

Atualmente, o poder de inovação entre os países se encon- tra distribuído de forma bastante desigual. É possível identi car, pelo menos, três tipos de países no que tange à inovação:

• Liderança do processo tecnológico internacional (geração de inovações): Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Fran- ça e Itália;

• Elevado dinamismo tecnológico (difusão/absorção de inovações):

países pequenos de renda alta (tais como Suíça, Finlândia, Suécia, Holanda) e países asiáticos de desenvolvimento recente (Coréia, Taiwan).

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• Sistemas fragmentados: países cujos sistemas de inovação não se completaram e cuja infraestrutura de C&T é pequena e pouco arti- culada com o setor produtivo (Brasil, Argentina, Índia, México).

Os veículos possíveis para viabilização desses ecossistemas inovadores devem incluir acor- dos entre rmas, especialmente no caso de pequenas e médias (PMEs), uma estratégia oportu- na à superação das imperfeições do mercado, da rigidez das gran- des empresas e do isolacionismo de muitas pequenas empresas, responsável em muitos casos pelo seu pequeno dinamismo e alto grau de mortalidade. Os instrumen- tos de inovação que podem ser mobilizados para o desenvolvimen- to econômico regional, tanto pelas próprias empresas quanto pelos órgãos governamentais, incluem: incubação de empresas e formação de redes, já discutidos; constituição de condomínios e Parques Tecno- lógicos (ou tecnopolos), a publicação de editais temáticos, além de outros projetos cooperativos e ações de apoio ao empreendedorismo.

A efetivação dessas ações exige de todos os atores envolvidos no processo o desenvolvimento de um sentido de cooperação e integração, com o objetivo de se criar uma estrutura repre- sentativa voltada para o fortalecimento da inovação e da competitividade, contribuin- do para a geração de riqueza. Parte dessas condições parece já ser reunida pelas próprias facilidades disponíveis nas cidades, o que aparenta estar relacionado ao fato de que a economia criativa vem se desenvolvendo e se aglomerando nas áreas urbanas – mais do que isso, em centros urbanos, mais do que nos “subúrbios”(como entendido pela literatura norte-americana) ou em “distritos empresariais” dispersos das gran- des aglomerações urbanas. Inovações dependem de certas condições que as cidades, mais do que qualquer outra forma de organização espacial, reúnem de forma destacada.

forma de organização espacial, reúnem de forma destacada. Educação a Distância – Centro Universitário Belas
forma de organização espacial, reúnem de forma destacada. Educação a Distância – Centro Universitário Belas

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espacial, reúnem de forma destacada. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
espacial, reúnem de forma destacada. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Agora é a sua vez! Complete as lacunas.
Unidade 8 – Introdução a cidades startup
Agora é a sua vez!
Complete as lacunas.
Embora se reconheça que a
seja
possível em diversos âmbitos, é cada vez mais comum
a
associação entre inovação e tecnologia – e a inovação
tecnológica tem sido considerada pelas empresas como
um fator fundamental para fomentar a
e
o
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16
Resposta correta
inovação / competitividade / desenvolvimento

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Seção 3

Por que as startups estão se concentrando nas cidades?
Por que as startups estão se
concentrando nas cidades?

Por muito tempo, os centros das cidades foram locais onde ninguém queria estar. Hoje, as pessoas dependem deles para produ- zir. Não se trata de grandes companhias de manufatura, com o traba- lho físico baseado no uso de recursos naturais da indústria, mas da geração de ideias. Esse novo uxo produtivo acaba sendo organizado pelas cidades – que estão se revitalizando, trazendo os negócios de volta, fazendo as oportunidades crescerem. Pessoas criativas querem estar próximas de pessoas criativas: as cidades são estações de traba- lho onde as pessoas conectam umas com as outras.

Desde o nascimento quase simul- tâneo, há aproximadamente cinquenta anos, da indústria de alta tecnologia e dos capitais de risco, eles se concentra- ram em áreas exteriores – em “distritos” dispersos, no processo de desconcen- tração industrial que se veri cou nas cidades brasileiras principalmente a partir da década de 1980 ou nos “subúr- bios” (como no caso dos edifícios baixos de escritórios do “Vale do Silício”, onde se instalaram Intel, Apple, Google e Facebook; no corredor tecnológico da “Route 128” próximo a Boston; em Redmond, Washington, na área exterior de Seattle, onde está localizada a sede da Microsoft, entre outros exemplos norte-ame- ricanos).

Mais recentemente, diversos autores americanos têm perce- bido um movimento de “volta à cidade” de muitos empregos e talen- tos. Nos últimos anos, a atividade de startups e capitais de risco têm mostrado como centros importantes as áreas urbanas de San Fran- cisco, New York, Londres e outras metrópoles. Bruce Katz, diretor do Programa de Política Metropolitana do Brookings Institution, acredita que a hegemonia do Vale do Silício está de fato diminuindo. Katz acre- dita que os trabalhadores jovens estão dando preferência a residir em lugares como Oakland ou San Francisco, onde possam se locomover de bicicleta, fazer compras no comércio da vizinhança, ir caminhando até seus bares e restaurantes favoritos, e viver em um ambiente urba- no com comodidades próximas.

e viver em um ambiente urba- no com comodidades próximas. Educação a Distância – Centro Universitário

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ambiente urba- no com comodidades próximas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São
ambiente urba- no com comodidades próximas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Mais Embora ainda se veri que a concentração
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Mais Embora ainda se veri que a concentração

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Mais Embora ainda se veri que a concentração de investimentos dos capitais de risco e
Mais
Embora ainda se veri que a concentração de investimentos dos
capitais de risco e de indústrias de alta tecnologia no Vale do
Silício e Bay Area, já se percebe uma maior distribuição pelos
EUA, com uma pronunciada tendência urbana. As cidades que
têm atraído investimentos são as que apresentam atributos
urbanos como densidade, trânsito e “andabilidade” (walkability).
Cidades universitárias emergem como pólos de convergência
para as novas startups, com suas universidades funcionando
como “nós” de inovação e novos talentos.

Cidades globais também estão emergindo como centros de investimentos. Entre essas cidades se incluem: New York, Los Angeles, Seattle, Chicago, mas também Londres, Toronto e Vancouver (Canadá), Berlim, Paris, Amsterdam, Dublin, Madri e Barcelona (Europa); Banga- lore, Nova Delhi, Mumbai, Singapora e Sydney (Ásia e Pací co); Buenos Aires, Rio e São Paulo (América Latina), cada uma das quais vêm se tornando aglomerados importantes para a atividade de startups. Em outras palavras, esta atividade está, em termos globais, se concen- trando e aglomerando em torno dos maiores e economicamente mais importantes centros urbanos e metropolitanos do mundo.

Esta mudança parece ser resultado de tendências como:

Acesso aos talentos

Cada vez mais os trabalhadores das áreas de alta tecnologia estão escolhendo viver em localidades urbanas mais densas, vivas, e menos dependentes dos carros, onde encontram mais comodidades. Mesmo companhias gigantes que requerem grandes áreas de campo (mais facilmente disponíveis fora dos centros urbanos) estão também estabelecendo escritórios nos centros das cidades.

Edifícios antigos

Esses edifícios em localidades urbanas são mais acessíveis nanceiramente para as pequenas startups – uma das principais razões para a explosão de startups , como o DUMBO (“Down Under the Manhattan Bridge Overpass”), em vizinhanças como, por exem- plo, o Brooklyn. Como disse Jane Jacobs, num trecho famoso de seu Morte e vida das grandes cidades: “novas ideias precisam usar prédios velhos”.

Mudança tecnológica

A própria mudança de natureza da tecnologia tem um papel nessa virada urbana. No passado, a maior parte das startups mais bem sucedidas – como a Apple, Intel e Dell, entre outras – eram focadas em

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hardware. Já na atualidade, as startups de maior êxito tendem a ser de áreas como mídia social, jogos multimídia, aplicativos de música ou fotos. As cidades dispõem de uma oferta muito maior de desig- ners, compositores, cenógrafos, músicos, publicitários e outros pro s- sionais, todos tão importantes para as indústrias criativas quanto os engenheiros.

Startups estão se voltando às áreas urbanas por causa daqui- lo que elas têm de melhor a oferecer: as vantagens econômicas da concentração e da aglomeração, as interações, as combinações e recombinações humanas. As cidades têm a diversidade de talentos

e atividades produtivas, a densidade e as interações dos espaços de

interação, e a abertura a novas ideias que permitem que a inovação

e os novos empreendimentos prosperem. As cidades urbanas disper-

sas, como o Vale do Silício e outras, têm que replicar ou imitar essas

funções que as cidades possuem intrinsecamente. Grandes cidades são lugares muito abertos, preenchidos com atividade criativa e empreendedora, e são caldeirões de livre expressão, descobertas e inovação. Os resultados têm sido inúmeros livros, pinturas, músicas e outras realizações artísticas, mas também de novas tecnologias, novos produtos, novos negócios e indústrias inteiramente novas.

produtos, novos negócios e indústrias inteiramente novas. É evidente que ainda há muito que fazer. Com

É evidente que ainda há muito que fazer. Com a ascensão das atividades de alta tecnologia e as startups, as cidades passam a se tornarem desejáveis como habitação não só para jovens ambiciosos

e talentosos, mas também para os super-ricos globais, o que as torna

menos acessíveis por gerar um aumento dos valores dos aluguéis. Assim, os novos valores de locação ameaçam “canibalizar” os mesmos atributos que inicialmente teriam tornado as localidades centros de inovação, encarecendo os empreendimentos inovadores. Quanto mais homogêneas as cidades cam, menos criativas – e, no m das contas, menos produtivas – elas se tornam.

Uma proposta de política pública desenvolvida no distrito de Manhattan (Nova Iorque) sugere ações para auxiliar as vizinhanças urbanas a manter sua feição inovadora e tecnológica, e ao mesmo tempo estender seus benefícios aos grupos menos favorecidos. As propostas incluem uma simpli cação administrativa, a criação de

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cação administrativa, a criação de Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
cação administrativa, a criação de Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

1–F /2– V /3– F /4– V

Resposta correta

1–F /2– V /3– F /4– V Resposta correta

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

espaços de co-working acessíveis, o aprimoramento da educação cientí ca e tecnológica nas escolas (especialmente para preparar os jovens desfavorecidos para os empregos tecnológicos), a melhoria de infraestrutura e de transporte para conectar essas pessoas e comuni- dades carentes aos eixos de alta tecnologia, e estímulos aos desenvol- vimentos tecnológicos em torno de nós viários em áreas desfavoreci- das, fora dos aglomerados já existentes.

Essa virada urbana das startups e investimentos de risco envolvendo alta tecnologia tem implicações que vão muito além dos empregos e do desenvolvimento econômico. Por sua simples presença, eles vão reforçar a já considerável capacidade das cidades em resolver problemas, auxiliando-as a funcionar como laboratórios para encontrar soluções para os mais prementes problemas sociais e ambientais da atualidade – desde energia e poluição até moradia acessível, melhor educação e redução da criminalidade. As cidades não são apenas o local de empreendimentos inovadores, mas também são verdadeiras máquinas de inovação por si mesmas, equipadas de forma incomparável para gerar as próprias soluções para os proble- mas que criam.

gerar as próprias soluções para os proble- mas que criam. Agora é a sua vez! Assinale
gerar as próprias soluções para os proble- mas que criam. Agora é a sua vez! Assinale

Agora é a sua vez!

Assinale as alternativas a seguir com Verdadeiro (V) ou Falso (F).

1. ) Edifícios em localidades urbanas são menos acessíveis nanceiramente para as pequenas startups.

2. ) Startups estão se voltando às áreas urbanas por causa daquilo que elas têm de melhor a oferecer:

(

(

as vantagens econômicas da concentração

e aglomeração, as interações, combinações e recombinações humanas.

3. ) A própria mudança de natureza da tecnologia tem um papel nessa virada urbana. No passado, a maior parte das startups mais bem sucedidas – como

(

a Apple, Intel e Dell, entre outras – eram focadas em software.

4. ) O aumento de valores dos alugueis ameaçam “canibalizar” os mesmos atributos que inicialmente teriam tornado as localidades centros de inovação, encarecendo os empreendimentos inovadores.

(

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encarecendo os empreendimentos inovadores. ( Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Seção 4

Quem tem medo da "gentri cação"?
Quem tem medo da "gentri cação"?

Para a de nição de“gentri cação”, o urbanista e artista plástico Emmanuel Costa dá o seguinte exemplo:

] [

bem localizado, é reduto de populações de baixa renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não oferecem nada muito atrativo para fazer… En m, lugares que você não recomendaria o passeio a um amigo.

imagine um bairro histórico em decadência, ou que apesar de estar

Imagine, porém, que de um tempo para cá, a estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a segurança pública e agora há parques, iluminação, ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos benefícios para os moradores da região, exceto que eles não podem mais morar ali.

É que, depois de todos esses melhoramentos, o valor do aluguel dobrou,

a conta de luz triplicou e as idas semanais ao mercadinho da esquina

caram cada vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o custo de vida subiu tanto que não cabe mais no orçamento dos atuais moradores.

E o mais cruel de tudo é perceber que, enquanto o antigo morador

procura um novo bairro, pessoas de maior poder aquisitivo estão indo

morar no seu lugar. (Costa, 2016)

Em uma conceituação mais precisa, gentri cação é um neolo- gismo traduzido do inglês gentri cation – ou seja, a conversão de uma área ao per l gentry, termo inglês que designa pessoas “bem-nasci- das”, isto é, ligadas à nobreza. Numa tradução literal, a palavra pode ser entendida como enobrecimento ou elitização de uma área. Mas o termo aportuguesado ganhou uso tão corrente que se torna necessá- rio entendê-lo melhor: o que é e, principalmente, o que não é. Poderia toda forma de valorização de áreas urbanas ser denominada gentri - cação?

O termo surgiu em Londres nos anos 1960, cunhado pela socióloga Ruth Glass, e serviu para descrever as mudanças no per l de bairros da zona norte da cidade, quando vários gentriers estabe- leceram residência em uma região até então ocupada por morado- res da classe trabalhadora. Como resultado, su a o, o preço imobiliário do lugar teve um aumento acentuado, que resul- tou numa verdadeira “expulsão” dos antigos moradores e estabele- cimentos comerciais, substituídos por ocupantes e estabelecimentos de renda e preços mais altos. Com a chegada de moradores de alta renda

preços mais altos. Com a chegada de moradores de alta renda Educação a Distância – Centro

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Com a chegada de moradores de alta renda Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes
Com a chegada de moradores de alta renda Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes
Unidade 8 – Introdução a cidades startup e a atração de investimentos ao bairro que
Unidade 8 – Introdução a cidades startup e a atração de investimentos ao bairro que

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

e a atração de investimentos ao bairro que elevam os valores dos

aluguéis, os preços se tornam inviáveis para a população de menor poder aquisitivo, que se vê obrigada a se mudar para locais mais afas- tados.

Desde então, o neologismo é usado de forma pejorativa, relacionando o processo imobiliário com uma “faxina social” mais abrangente. De fato, um processo de gentri cação se assemelha a um projeto de “revitalização” urbana. Entretanto, se esta pode ocorrer em qualquer lugar da cidade e normalmente está ligada a uma demanda social bastante especí ca e em benefício dos próprios moradores do entorno, a gentri cação tende a ocorrer em bairros centrais, históricos, ou com potencial turístico, e são motivadas mais pelo interesse privado e à especulação imobiliária do que pelo interesse público.

O processo se baseia na rápida valorização de uma área.

Do ponto de vista imobiliário, ele tem início com a aquisição de áreas a baixos custos, as quais se bene ciam de melhorias urbanas (geralmente por investimentos públicos) ou outras iniciativas priva- das, e rapidamente se valorizam de forma intensa. Na diferença entre

o valor potencial e real que investidores encontram a possibilidade

de lucrar muito investindo pouco. A gentri cação pode ser uma saída (do ponto de vista do investimento imobiliário) para uma forma de

especulação imobiliária que se baseia na retenção de imóveis vagos na expectativa de elevação do valor de venda destes – o que é um caso particularmente comum em São Paulo.

Para evitar esse processo, em 2015, o governo regional de Paris adotou medidas para inibir a especulação imobiliária, listando ende- reços que teriam sua venda proibida e que seriam transformados em moradias subsidiadas. Entretanto, muitos governantes enxergam a gentri cação como uma oportunidade: justi car uma obra e promo- ver propaganda política de boa gestão, apoiados em interesses priva- dos da especulação imobiliária.

Há um grande debate em torno da noção de gentri ca- ção, com autores que questionam a efetividade dos efeitos nocivos normalmente associados ao processo. Em um artigo publicado em 2015, o escritor John Buntin chamou o termo de “mito”, argumentan- do que a gentri cação é um processo “extremamente raro” e não tão ruim para os pobres quanto parece. Buntin cita pesquisas acadêmicas sobre cidades norte-americanas para defender a ideia de que o fenô- meno é muitas vezes interpretado erroneamente: segundo Buntin, o deslocamento de moradores pobres não necessariamente acontece por causa de especulação imobiliária.

Em bairros norte-americanos, argumenta, uma minoria tende a deixar um bairro quando outras minorias chegam ao local, sem que isso se traduza em mudança no padrão de renda geral (como no caso

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Unidade 8 – Introdução a cidades startup

dos bairros habitados por negros que passaram a ser ocupados por latinos e outros grupos de imigrantes). Portanto, em longo prazo o per l socioeconômico tende a se manter mais estável do que se supõe. Buntin chega a dizer que “essa mudança entre grupos de imigrantes é provavelmente mais bené ca do que prejudicial”. O autor a rma que há poucos estudos que comprovem um deslocamento maior em bair- ros considerados gentri cados do que em bair- ros não-gentri cados.

Buntin entende que bairros gentri - cados passam por um processo de melhorias que são também bené cas aos moradores de menor poder aquisitivo. Estudos citados por ele apontam que moradores antigos de bairros gentri cados conseguiram ampliar suas rendas. Entretanto, muitos desses estudos se mostram inconclusivos, pois tratam mais de proprietários (que possuem renda sobre o imóvel) e menos de inquilinos (que pagam a renda para o proprietário do imóvel).

Antes ainda de Buntin, em 2014, Justin David publicou um arti- go na New York Magazine em que pergunta: “gentri cação é mesmo de todo ruim?” (David, 2014). As comunidades geralmente lutam para obter melhorias em seus ambientes que repercutem na qualidade de vida dos seus habitantes, e ao obter tais melhorias, tornam suas cida- des ou bairros mais atraentes para novos residentes (ou investidores). Acontece que o caminho inverso também pode ocorrer: pessoas mais ricas ou melhor quali cadas podem trazer melhorias para os espaços e equipamentos públicos daquela localidade. O que é descrito de forma genérica como “gentri cação” na verdade pode corresponder, em certos casos, ao atendimento a certas aspirações partilhadas por qualquer morador em relação ao seu lugar. Uma comunidade bem provida de bens, serviços, comércio e outras facilidades deveria ser um direito urbano, não um luxo distintivo de certas áreas privilegia- das da cidade.

luxo distintivo de certas áreas privilegia- das da cidade. Mais Outro argumento comumente usado em “defesa”
Mais Outro argumento comumente usado em “defesa” da gentri cação – na verdade, para questionar
Mais
Outro argumento comumente usado em “defesa” da
gentri cação – na verdade, para questionar a abrangência
do uso deste conceito – é que não se deve confundir uma
transformação elitizante e excludente com qualquer forma
de transformação: acusar um processo gentri cador em uma
determinada área alegando que ela está se transformando
equivaleria a negar a própria dinâmica urbana. Os lugares estão
sempre, e constantemente, se transformando.

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sempre, e constantemente, se transformando. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
sempre, e constantemente, se transformando. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Unidade 8 – Introdução a cidades startup As ponderações de Buntin e David são importantes,
Unidade 8 – Introdução a cidades startup As ponderações de Buntin e David são importantes,

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

As ponderações de Buntin e David são importantes, pois trazem outra perspectiva às análises sobre o processo de gentri cação, que devem ser levadas em consideração ao se fazer políticas públicas de habitação. No entanto, é necessário ressaltar que suas pesquisas se restringem ao contexto norte-americano. A realidade brasileira, em primeiro lugar, não conta com pesquisas que comprovem processos similares, em que populações pobres sejam de qualquer forma bene- ciadas por gentri cação em seus bairros. Além disso, no Brasil há um movimento de expulsão de moradores das áreas que interessam aos investidores imobiliários, como se veri cou nas obras para a constru- ção das instalações dos Jogos Olímpicos, ou em áreas como o “Cais Estelita”, em Recife (PE).

Apesar dos argumentos relativistas, a gentri cação (em sua de nição mais precisa e circunscrita) ainda parece um processo mais nocivo do que saudável. Por constituir um processo típico de espe- culação imobiliária, a gentri cação precisa de muito investimento e respaldo do poder público para atender a uma demanda de interes- se privado. O grande problema da gentri cação é que ela não pode ser analisada considerando apenas a localidade que se “gentri cou”, mas requer mapear também o que aconteceu com as pessoas que de fato foram forçadas a migrarem para outros lugares: para qual bairro elas foram? Este bairro recebe os mesmos investimentos públicos e desperta a mesma atenção que o bairro gentri cado? Geralmente a resposta a essas perguntas é negativa. Além disso, se para um bair- ro a gentri cação representa um ganho de qualidade de vida que se desejaria para qualquer outro bairro, não se pode perder de vista o fato de que, de fato, isto não ocorre. Então, não há ainda uma cidade verdadeiramente inclusiva e democrática, diversa e tolerante, como uma verdadeira cidade criativa requer.

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Unidade 8 – Introdução a cidades startup Agora é a sua vez! Complete as lacunas.
Unidade 8 – Introdução a cidades startup
Agora é a sua vez!
Complete as lacunas.
O
grande problema da gentri cação é que ela não pode
ser analisada considerando apenas a
se“gentri cou”, mas requer
que
também o que
aconteceu com as pessoas que de fato foram forçadas
a
para outros lugares: para qual bairro
elas foram? Este bairro recebe os mesmos investimentos
públicos e desperta a mesma atenção que o bairro
gentri cado?
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Resposta correta
localidade / mapear / migrar
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Seção 5 Como as cidades podem apoiar as
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Seção 5 Como as cidades podem apoiar as

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Seção 5

Como as cidades podem apoiar as startups ?
Como as cidades podem apoiar as startups ?

Sendo conhecidas as condições e os fatores que tornam as cidades atrativas para os talentos e empreendimentos criativos, não é difícil concluir quais são as iniciativas que as cidades devem tomar para atraí-los. Ações que promovam a xação da classe criativa, como discutido no Unidade 7, e que facilitem a aglomeração e a formação de arranjos produtivos locais ou clusters criativos, como visto no Unidade 6, são requisitos fundamentais para alcançar a condição de uma cidade criativa e uma cidade que promova o surgimento e a consolidação das startups criativas.

Como já foi visto, o Brasil (assim como a América Latina em geral) tem uma classe criati- va ainda reduzida em comparação com os Esta- dos Unidos ou a Europa. Isso se deve, em parte, ao fato de que nesses locais são raras as insti- tuições educacionais reconhecidamente impor- tantes e que contribuem para esse processo. A educação é condição para a criatividade, e a partir dela é possível gerar valor e atingir a prosperidade. Pela primeira vez na história, tanto cidades quanto negócios dependem da aplicação da tecnologia em seus espaços, e os pro ssionais respondem a isso. Desde o início deste século, o que se vê é a importância crescente da tecnologia em todos os setores e atividades pro ssionais. É quase uma nova ciência. Por isso, as universidades desempenham papel fundamental ao difundir o conceito e a relevância da inovação e da tecnologia.

Onde se encontra certa intensidade de atividade econômica criativa é provável que exista, por exemplo, uma universidade que tenha fomentado e que continue a apoiar empresas criativas locais. Essa economia depende da capacidade da força de trabalho para pensar de forma criativa e exível. O desa o para as instituições de nível superior é a construção de redes e a criação de vínculos mais próximos com a indústria – sem comprometer a sua independência intelectual e acadêmica. Além disso, o sucesso da economia criativa local depende da boa escolaridade no ensino fundamental e médio, além do estímulo fornecido por museus, galerias de arte, espaços de concertos e outras instituições culturais. Nos países em desenvol- vimento, o acesso a instituições de ensino de qualidade é limitado. Mas o crescimento dessa classe tem sido muito rápido nesta região. Ainda assim, as cidades latino-americanas, e brasileiras, em particular, podem assegurar outras condições para favorecer a criatividade e a inovação, enquanto procura equacionar suas carências educacionais.

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equacionar suas carências educacionais. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

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A criação de infraestrutura é um dos principais condutores da nova economia. Locais com pouca infraestrutura podem tirar parti- do da própria carência e oferecer oportunidades nessas áreas como forma de encontrarem um cami- nho para o desenvolvimento. O processo de regeneração de bair- ros deteriorados e áreas economi- camente deprimidas, baseado em estratégias culturais onde se articu- lam investimentos públicos e privados, vem sendo amplamente apli- cado nas últimas décadas. Muitas destas estratégias têm-se baseado no planejamento urbano a partir do fomento de empresas criativas e clusters empresariais de escala mais local do que no âmbito da política nacional. Essas ações, entretanto, são objeto de grande polêmica, na medida em que algumas áreas acabam sofrendo o processo conheci- do como “gentri cação”, conforme examinado na seção anterior.

cação”, conforme examinado na seção anterior. Mais Além dessas diretrizes gerais, algumas outras
Mais Além dessas diretrizes gerais, algumas outras iniciativas podem ser tomadas para fomentar o empreendedorismo
Mais
Além dessas diretrizes gerais, algumas outras iniciativas
podem ser tomadas para fomentar o empreendedorismo
de per l criativo. A experiência britânica tem sido lembrada
frequentemente, e, de acordo com o Conselho Britânico (British
Council), é necessário criar um bom ambiente tanto de políticas
públicas quanto de negócios, o que requer o estabelecimento
de certas condições fundamentais.

Do ponto de vista do ambiente de políticas públicas, o Conse- lho ressalta a necessidade de um sistema efetivo de controle da propriedade intelectual para defesa dos direitos dos donos e criado- res; assegurar liberdade de informação e acesso aos meios e cazes de expressão, como garantia do direito de aproveitar a cultura e a informação, podendo compartilhá-las com os outros; a provisão de infraestrutura digital, com capacidade de banda larga de alta veloci- dade e abrangência universal, provavelmente o motor mais e caz das indústrias criativas modernas; políticas de nanciamento e fomento, especialmente no início, quando as startups precisam ainda criar as condições para se estabelecer e adquirir autonomia e sustentabilida- de nanceira. Os governos também podem lançar mão de seu poder de compra, para estabelecer critérios e exigências nas contratações (licitações e concorrências em geral) que induzam os potenciais forne- cedores a buscar a inovação.

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forne- cedores a buscar a inovação. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São
forne- cedores a buscar a inovação. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Embora se costume rela- cionar criatividade à tecnologia,
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Embora se costume rela- cionar criatividade à tecnologia,

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Embora se costume rela- cionar criatividade à tecnologia, a qualidade do espaço urbano também é um fator importante:

se as ruas não forem seguras e se não há infraestrutura, a tecnolo- gia ca comprometida. A impor- tância de quali car os espaços urbanos, criando, assim, um ambiente propício e atrativo para os empreendimentos criativos, deve ser uma linha de ação estratégica e prioritária, pois, como já se viu, “o lugar importa”, e a qualidade do espaço urbano é uma das razões que levam os membros da classe criativa a optarem por uma cidade ou outra.

As evidências colhidas em cida- des por todo o mundo mostram que um ambiente cultural rico e variado é importante para gerar um ambiente fértil para empresas criativas. Isso diz respeito não apenas à presença das artes formais, mas também da exis- tência de espaços físicos para a socia- lização e os intercâmbios: lugares como cafés, bares, clubes, espaços livres, estabelecimentos de ensino e outros. Como visto anteriormen- te, quanto mais diversa for a cultura de uma comunidade, mais atra- ente esta será para as pessoas criativas. A diversidade é geralmente reconhecida como um elemento chave de sucesso nestas situações; não apenas a diversidade da comunidade, da cultura e do estilo de vida, mas também a coexistência de diferentes tipos de conhecimen- tos e criatividade num só espaço.

A atividade artística subsidiada pelo Estado (seja na educação, no teatro, nas orquestras, emissoras de serviço público ou outros), fornece recursos para inovação, além de habilidades, espa- ços de pesquisa e outros espaços físicos que não seriam viáveis no mercado comercial. Este tipo de atividade não só ajuda a estimular e aumentar a demanda qualitativa e quantitativa dos bens e serviços criativos, como também gera óbvios benefícios culturais e sociais. Pessoas criativas e talentosas podem trabalhar tanto em atividades subsidiadas quanto em atividades comerciais das artes. Da mesma forma, o cidadão comum pode aproveitar os resultados, indepen- dentemente de o evento ou local ser ou não resultado de subsídio governamental. Esse entrelaçamento entre os dois setores é caracte- rístico da atividade artística. A “instrumentalização da cultura”, como descreve Elsa Vivant (2012), tem tornado cada vez mais imbricadas as políticas culturais nas estratégias urbanas.

imbricadas as políticas culturais nas estratégias urbanas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas
imbricadas as políticas culturais nas estratégias urbanas. Educação a Distância – Centro Universitário Belas

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Unidade 8 – Introdução a cidades startup A estratégia geralmente passa pela instalação de artistas
Unidade 8 – Introdução a cidades startup
A estratégia geralmente passa pela
instalação de artistas não estabeleci-
dos, seguida pela xação das classes
médias criativas, porém precárias,
e
concluída pela instalação dos
grandes “executivos” das empresas
do setor criativo, completando o
processo de “gentri cação” (Vivant,
2012, p. 70). Nos casos mais emble-
máticos, como em Londres ou Bilbao,
as
políticas públicas adotaram essa estra-
tégia de “instrumentalização da cultura”,
inicialmente, com o foco nos próprios cidadãos, com o oferecimento
de
opções de relaxamento, distração, re exão e prazer estético. Poste-
riormente, essas condições se tornaram um indicador da qualidade
de
vida de uma localidade – e têm sido comuns em avaliações como
as
das “melhores cidades para se viver” que frequentam muitas revis-
tas
voltadas ao mundo dos negócios.
Assim, “melhorar o ambiente em que se vive (e divulgá-lo)
torna-se uma condição necessária para atrair empresas, em particular
aquelas de alto valor agregado, cujos executivos necessitam de servi-
ços culturais” (Vivant, 2012, p. 71). Neste contexto, a criação de novos
equipamentos culturais, articulados em um projeto urbano conjunto,
tem como objetivo dotar a cidade de uma infraestrutura cultural de
prestígio, o que leva as municipalidades a recorrer a uma arquitetura
espetacular, geralmente concebida por um arquiteto de renome (no
Brasil, o caso mais recente e exemplar é a reconversão da área portuá-
ria
do Rio de Janeiro). Os museus têm se prestado a esse papel, por sua
excepcionalidade, por assumirem um papel icônico que representaria
o caráter moderno e criativo de uma cidade, tanto para os visitantes
quanto para os investidores – além de serem, eles mesmos, atrações
turísticas com potencial gerador de renda.
Agora é a sua vez!
Complete as lacunas.
A
geralmente passa pela instalação de
artistas não estabelecidos, seguida pela xação das
criativas, porém precárias, e concluída
pela instalação dos grandes “executivos” das empresas
do setor criativo, completando o processo de “
(Vivant, 2012, p. 70).
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29
Resposta correta
estratégia / classes médias / gentri cação
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Recapitulando Nesta Unidade, conhecemos o conceito de startup
Unidade 8 – Introdução a cidades startup Recapitulando Nesta Unidade, conhecemos o conceito de startup

Unidade 8 – Introdução a cidades startup

Recapitulando
Recapitulando

Nesta Unidade, conhecemos o conceito de startup e como se con guram os novos arranjos institucionais que as caracterizam. Vimos, também, como esse modelo de negócio tem enfatizado a rela- ção entre economia criativa e desenvolvimento econômico. Entende- mos, ainda, o processo de desconcentração industrial pelo que passa- ram diferentes cidades brasileiras, principalmente a partir da década de 1980. E, por m, entendemos o processo conhecido como “gentri- cação” e os problemas causados por ele.

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Economia Criativa e Cidades

Para fim de conversa
Para fim de conversa

Nesta disciplina, foi possível entender a relação entre o desen-

volvimento social, territorial e econômico: a economia não oresce se as cidades são ruins, e cidades com alta qualidade de vida tendem

a reduzir con itos, violência e infelicidade, o que acaba resultando também em aumento da criatividade – condição para a inovação.

A partir de hoje, esperamos que você seja capaz de identi -

car os principais fundamentos da economia criativa, discutir o que é

a criatividade e como transformá-la em negócio, utilizando os fato-

res que auxiliam para o êxito da economia criativa, isto é, marketing,

nanças e vendas, sempre se atendo à importância da propriedade intelectual no universo do empreendedorismo e da criatividade.

Busque utilizar os conhecimentos adquiridos em seu dia a dia.

Muito obrigado!

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adquiridos em seu dia a dia. Muito obrigado! Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes
adquiridos em seu dia a dia. Muito obrigado! Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes
Economia Criativa e Cidades Referências Unidade 8 ALTENBURG, T.; MEYER-STAMER, J. How to promote cluster:
Economia Criativa e Cidades Referências Unidade 8 ALTENBURG, T.; MEYER-STAMER, J. How to promote cluster:

Economia Criativa e Cidades

Referências
Referências

Unidade 8

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Settlements Programme (UN-Habitat), 2016. Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo v2-2018-1
Educação a Distância – Centro Universitário Belas Artes de São Paulo
v2-2018-1