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Questão:

No dia 01/09/2009, Carolina, Proprietária de um prédio urbano, sito em Portimão, arrendou-o


a Maria, por 5 anos e para efeitos de habitação própria permanente. Porquanto, a segunda
era estudante universitária.
Em novembro de 2009, Maria obteve uma bolsa de estudos e foi estudar para Oxford.
Assim, resolveu arrendar o imóvel a Ana, sua grande amiga, sem no entanto ter comunicado
ou solicitado autorização a Carolina para o efeito.

Imagine que era contactado por Carolina o que aconselharia fazer.

Quid Iuris?

Resolução da hipótese

No caso em apreço, considera-se que estamos perante um contrato de arrendamento


habitacional, conforme previsto no nº 1 do art. 1067 do C.C., com prazo certo de acordo com
o disposto no nº 2 do art. 1095º do C.C. tratando-se de habitação própria permanente de
Maria, e assim terá sido celebrado sob a forma exigida no disposto do art. 1069º do C.C.

As obrigações de Maria, sendo arrendatária encontram-se positivadas no art. 1038º do C.C.,


tendo igualmente a obrigação não pecuniária, quanto ao dever de usar efectivamente o
imóvel para o fim contratado conforme nº 1 do art. 1072º do C.C.

Porém, Maria não cumpriu com o plasmado na alínea f) do art. 1038º do C.C., no que se
refere à sublocação, tendo em conta que a autorização pelo senhorio, prevista no nº 1 do
art. 1088º do C.C., não se verifica, tal como nos refere a hipótese.

A arrendatária ignorou o facto da finalidade do contrato ser para habitação própria


permanente, tendo subarrendado o imóvel a Ana, então perante o preceituado no nº 2 do
art. 1028º do C.C., quanto à excepção, podendo-se considerar que é causa de resolução.

É fundamento de resolução por parte do senhorio, estando a arrendatária em


incumprimento, uma vez que se verifica o disposto na alínea e) do nº 2 do art. 1083º do
C.C., pelo que segundo o nº 2 do art. 1084º do C.C., o senhorio está munido de fundamento
para resolução do contrato, nos termos da lei do processo.

O senhorio pode agir contra a arrendatária de duas formas:

A primeira é segundo uma acção de despejo, que para o efeito teria de intentar acção
declarativa de condenação para exigir a cessação do contrato, e como finalidade reaver o seu
imóvel.
Tratar-se-ia de acção declarativa de condenação, ordinária prevista no art. 486º do CPC ou
sumária prevista no art. 783º do CPC, conforme o valor da causa, de acordo com o disposto
no nº 1 do art. 14º do NRAU e tendo em conta que se encontra previsto no preceituado nº 2
do art. 1084º do C.C.

A segunda, o senhorio poderia por acordo com a arrendatária revogar o contrato, mediante
acordo redigido, sendo que teria de ser o mesmo celebrado sob a forma escrita,
considerando que não teria efeito imediato, estipulando data para desocupação do imóvel
prevista no prazo de 30 dias, excluindo-se neste caso o disposto no art. 1087º do C.C., sendo
uma cláusula acessória no acordo redigido pelas partes.
Caso Maria não cumprisse o acordo, então a Carolina pode recorrer à acção executiva tendo
como

Assim sendo, o subarrendamento celebrado entre Ana e Maria, caduca com a extinção do
contrato de arrendamento, conforme positivado no art. 1089 do C.C.