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DIREITO TRIBUTÁRIO

CURSO BÁSICO
ÁREA FISCAL

Professor: João Marcelo Rocha


Matéria legal:

Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966):


arts. 1 a 18
76 a 82
96 a 208

Constituição Federal:
arts. 145 a 156
177, §4º
195
SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

Livros
Luciano Amaro – “Direito Tributário Brasileiro”, Editora Saraiva.
Luiz Emygdio da Rosa Jr. – “Manual de Direito Financeiro e
Direito Tributário”, Editora Revonar.
Paulo de Barros Carvalho – “Curso de Direito Tributário”, Editora
Saraiva.
Aliomar Baleeiro (atualizadora Misabel Abreu Machado Derzi) –
“Direito Tributário Brasileiro”, Editora Forense.
Ricardo Lobo Torres – “Curso de Direito Financeiro e Tributário”,
Editora Renovar.
Hugo de Brito Machado – “Curso de Direito Tributário”, Editora
Malheiros.
Materiais para concursos

João Marcelo Rocha – “Direito Tributário”, Editora Ferreira.


Ricardo Alexandre – “Direito Tributário Esquematizado”, Editora
Método.
Unidades de Estudo:

I- Normas Constitucionais e a definição de tributo e suas


espécies
II- Legislação tributária
III- Obrigação Tributária
IV- Crédito Tributário
V- Administração Tributária
UNIDADE I: NORMAS CONSTITUCIONAIS E A
DEFINIÇÃO DE TRIBUTO E SUAS ESPÉCIES
1- Direito Tributário

- O Direito e suas ramificações:


- Direito Civil
- Direito Empresarial
- Direito Constitucional
- Direito Administrativo
- Direito Financeiro
- Direito Tributário
- Direito processual
- Direito Penal
- (...)
Direito Financeiro: é o ramo do direito que estuda a atividade
financeira do Estado e a disciplina da consecução das receitas,
da gestão dos recursos e das despesas.

Direito Tributário: é o ramo didaticamente autônomo do direito


que estuda as relações jurídicas entre o Estado e o
contribuinte, relativas à instituição, fiscalização e
arrecadação de tributos. A divisão do direito em vários ramos
tem escopo apenas didático, pois esses vários ramos, a todo o
momento, se entrelaçam numa constante interdependência.
2- Estado
“O Estado é a sociedade politicamente organizada”. O Estado
surge pela vontade de toda a sociedade (ou pelo menos da
maior parte dela), e existe para realizar em favor desta
sociedade atividades que cada um, individualmente, não
poderia se proporcionar. Para isso, a coletividade investe o
Estado de determinadas prerrogativas não comuns aos
particulares. É o que se costuma chamar de soberania do
Estado. É o poder de realizar atividades que são privativas do
ente estatal, tais como o poder de punir, o poder de tributar e
o poder de controlar.
3- Receitas do Estado: originárias e derivadas

Receita originária é aquela que o Estado consegue


angariar por meio de atividades comuns aos particulares.
Neste momento, o Estado despe-se de sua soberania e age
como se particular fosse. São receitas que derivam de
obrigações surgidas por vontade das partes, ou seja, do
contrato entre o Estado e outra pessoa qualquer. Alguns
exemplos: aluguéis recebidos, lucro na alienação de bens,
dividendos oriundos de participações societárias, doações
recebidas.
• Receita derivada é aquela que o Estado consegue angariar
por meio de atividades que lhe são típicas. Neste momento,
o Estado se utiliza da soberania que lhe foi outorgada pela
coletividade. São receitas que derivam de obrigações surgidas
por imposição coativa do Estado, por força da lei. São
exemplos: tributos, multas administrativas e penais,
reparações de guerra.
Receita Originária
Contrato

Receita Derivada

Imposição
legal
4- Tributo (art. 3, CTN).

• É prestação pecuniária, em moeda ou cujo valor nela se possa


exprimir.
• É prestação compulsória.
• Instituído em lei.
• Não é sanção de ato ilícito.
• É cobrado mediante atividade administrativa plenamente
vinculada à lei.
5- Espécies de tributo (art. 5º, CTN; art. 145, CF)

- Imposto

- Taxas

- Contribuição de melhoria

O critério distintivo – o fato gerador (FG)


A proximidade entre taxas e contribuição de melhoria
• Taxas (art. 77, CTN): o FG pode ser:

– a utilização, efetiva ou potencial, de um serviço público


específico e divisível (taxa de serviço). Exame de alguns
serviços: iluminação pública, segurança pública, limpeza
pública, coleta domiciliar de lixo, combate a incêndio; ou

– o exercício regular do poder de polícia (taxa de polícia).


As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos
(CF, art. 145, §2º).
T = BC x Al

O capital das empresas também não pode ser utilizado como


base de cálculo das taxas (CTN, art. 77, parágrafo único).
• Contribuição de melhoria (art. 81, CTN): o FG é a valorização
imobiliária decorrente de obra pública (art. 1º do DL
195/1967).

Imóvel de + Obra = Imóvel de


$50.000,00 Pública $52.000,00

O princípio do não-enriquecimento sem justa causa. O


potencial aspecto regulador.
A contribuição de melhoria deve respeitar, ao mesmo tempo,
dois limites:

- Limite total é o valor máximo que o ente público pode


arrecadar com determinada contribuição instituída em função
de certa obra: o valor do custo da obra.
- Limite individual é o valor máximo que cada contribuinte
poderá ser cobrado em relação ao seu imóvel: a valorização
sofrida pelo respectivo imóvel
Antes da publicação da lei que vier a instituir a contribuição
de melhoria, deverá haver a publicação de um edital com dados
informativos à população sobre a cobrança deste tributo. Tais
dados, uma vez publicados, poderão ser objeto de impugnação
por qualquer interessado durante um prazo a ser fixado, que
não poderá ser inferior a trinta dias (o Decreto-lei 195/1967, em
seu art. 6, fixa exatamente em trinta dias o prazo dentro do qual
poderão ser formuladas as impugnações). As informações a
constarem no edital são:

(i) o memorial descritivo do projeto;


(ii) o orçamento da obra;
(iii) a parcela do custo que será financiada ou amortizada
pela contribuição;
(iv) a delimitação da área beneficiada; e
(v) a fixação dos coeficientes de valorização.
•Impostos (art. 16, CTN): o FG é uma situação que independe de
qualquer contraprestação estatal específica relativa ao
contribuinte.

O problema da capacidade contributiva. FG do imposto como


sinal manifestador de capacidade contributiva.

A tríade: renda, patrimônio e consumo.


6- O artigo 4 do CTN.

A natureza jurídica específica de um tributo é


determinada pelo seu fato gerador. Vale dizer, a classificação
do tributo em espécies (se imposto, taxa ou contribuição de
melhoria) é feita por meio do conhecimento do fato gerador
da respectiva obrigação de pagar. São irrelevantes:

- o nome que a lei atribuir ao tributo ou outras


características formais; e

- o destino da receita arrecadada.


7- Empréstimos Compulsórios (art. 148, CF; art. 15, CTN) e
Contribuições Especiais ou Parafiscais (arts. 149 e 149-A, CF).

- A natureza tributária: a adequação ao conceito de tributo e


o regime constitucional.

- A caracterização pelo destino do dinheiro arrecadado.

- A discussão a respeito da natureza jurídica específica. As


correntes da literatura tributária: (i) 3 espécies; (ii) 4 espécies.
A compreensão do STF na matéria.
7.1- Empréstimos Compulsórios

→ só a União pode instituí-los, diante das seguintes


circunstâncias políticas:
- em caso de guerra ou sua iminência;
- em caso de calamidade pública (em ambas, não se
deve respeito a qualquer princípio de anterioridade); ou
- em caso de investimento público de caráter urgente e
de relevante interesse nacional (há que se respeitar o
princípio da anterioridade, anual e nonagesimal).
A revogação do inciso III do art. 15 do CTN pela Constituição
de 1988.

→ por meio de lei complementar


→ o produto arrecadado só pode ser utilizado na despesa
que fundamentou a instituição

O problema do fato gerador. O caráter provisório.


Aspecto material Aspecto formal
Lei Temas Aprovação pela maioria
complementar pontualmente absoluta (maioria dos
indicados na CF membros da Casa)
Lei ordinária Os outros temas Aprovação pela maioria
simples (maioria dos
presentes na votação)
Exemplo.
Senado – total de membros = 81
presentes na votação = 71
maioria absoluta = 41
maioria simples = 36
7.2- Contribuições Especiais. Elas dividem-se em:
(i) sociais;
(ii) de intervenção no domínio econômico (interventivas);
(iii) de interesse das categorias profissionais ou econômicas
(corporativas); e
(iv) de iluminação pública.

Elas são instituídas:


→ em regra, pela União*;
→ por meio de lei ordinária**;
→ e devem, em regra, observar o princípio da anterioridade
anual e nonagesimal***.
*Os Estados, DF e Municípios também podem instituir
contribuição para a seguridade, para que sejam cobradas de
seus respectivos servidores públicos, para financiamento dos
respectivos sistemas próprios de previdência. *A
competência para a instituição da contribuição de iluminação
pública é dos Municípios e do DF.

** Existe apenas uma hipótese de contribuição da seguridade


(contribuição residual – art. 195, §4º) que exige lei
complementar para sua instituição.
***As contribuições da seguridade (inclusive as estaduais e
municipais) não respeitam o princípio da anterioridade anual;
podem ser cobradas 90 dias após a publicação da lei
instituidora ou majoradora (CF, art. 195, §6º). ***A CIDE-
combustíveis, quando tem as alíquotas majoradas pelo
Executivo, também não se sujeita à anterioridade anual (CF,
art. 177, §4º, I, “b”).
7.2.1- Sociais (CF, art. 149): são contribuições instituídas para a
realização de direitos sociais previstos na Constituição.
Atualmente, é comum dividi-las em duas categorias:
(i) contribuições destinadas ao financiamento da atividade
pública de seguridade social, ou seja, das atividades de
saúde, previdência e assistência social mantidas pelo Poder
Público (CF, art. 195), e
(ii) as contribuições sociais gerais, destinadas à realização de
outros direitos sociais.
• As contribuições sociais gerais são reguladas em dispositivos
constitucionais esparsos:
→ salário educação, art. 212, §5º;
→ contribuições em favor dos serviços sociais
autônomos, art. 240 (“entidades privadas de serviço social e
de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”),
como SENAI, SENAC e SENAR;
→ contribuição ao FGTS, art. 7º, III; quanto a esta
última, a jurisprudência superior pacificou-se no sentido de
que ele não é tributo – vide Súmula 353 do STJ).
• As contribuições sociais da seguridade social são tratadas de
modo específico no art. 195, CF. Este estabelece que toda a
sociedade financiará a seguridade (princípio da
solidariedade). A União pode instituir contribuições da
seguridade a serem cobradas:

→ dos trabalhadores e demais segurados da


Previdência (Lei 8.212/1991, arts. 20/21)

→ dos empregadores, empresas e equiparadas


incidentes sobre:
(i) folha de salários e demais rendimentos do
trabalho (Lei 8.212/1991, arts. 22/25-A)
(ii) receita ou faturamento (COFINS e PIS; Leis
9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003)
(iii) lucro (CSLL; Lei 7.689/1988)
→ sobre a receita de concursos de prognósticos (Lei
8.212/1991, art. 26)

→ sobre a importação (COFINS-importação e PIS-


importação; Lei 10.865/2004)

→ a contribuição residual da seguridade social (§4º)


7.2.2- Interventivas (CF, art. 149): são contribuições instituídas
para financiar a atividade de intervenção da União em
determinado setor da economia. São conhecidas pela sigla
CIDE (contribuição de intervenção no domínio econômico).
Ex.: AFRMM (Adicional de Frete para Renovação da
Marinha Mercante), regulado pela Lei 10.893/2004; a CIDE-
combustíveis, regulada pela CF, art. 177, §4º, e Lei
10.336/2001; a CIDE-tecnologia, regulada pela Lei
10.168/2000; a contribuição ao FUST (Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicação), regulada
pela Lei 9.998/2000, art. 6º, IV.
7.2.3- Corporativas (CF, art. 149): são contribuições instituídas
em favor de entidades representativas de categoria
econômica ou profissional. Ex.: contribuições em favor de
Sindicatos (contribuição sindical obrigatória prevista na CLT,
arts. 578 a 591) e em favor dos conselhos reguladores de
profissões (OAB, CFM, CFC, CONFEA, etc.).
7.2.4- Iluminação pública (CF, art. 149-A): contribuição
destinada a custear o serviço local de iluminação pública.
A competência é dos Municípios e do DF.
Contribuições especiais
Contribuições especiais

Iluminação
Sociais Interventivas Corporativas
pública

Sociais Gerais Seguridade Social

Empregadores – Folha de pagamentos; Receita; e Lucro

Trabalhadores

Receita de concurso de prognósticos

Importação

Residual
8- Noção sobre as principais funções dos atos normativos no
contexto do Direito Tributário Positivo.

- Constituição Federal e suas Emendas

- Lei Complementar

- Lei Ordinária

- Atos Infralegais
• Constituição Federal e suas Emendas: estabelecem as
competências e os princípios tributários. O texto
constitucional não institui tributo algum, apenas determina
quem tem a competência para fazê-lo. O fato de um tributo
ser mencionado na Constituição não significa que ele tenha
sido instituído; significa que alguma entidade política (U, E, DF
ou M) pode instituí-lo. Além disso, a Constituição fixa
princípios e regras que limitam a competência, o que garante
aos contribuintes proteções em face do poder estatal.

Competência Proteções ao
tributária contribuinte
• Lei Complementar: estabelece as normas gerais em matéria
tributária. O conceito de normas gerais em matéria tributária
é bastante discutido na literatura tributária. À luz do texto
constitucional atual (art. 146, III), podemos dizer que elas são
normas estabelecedoras de conceitos, não definidos pela
própria Constituição, mas necessários para a regulamentação
das competências e dos princípios tributários fixados no texto
constitucional. Normas gerais seriam, pois, normas
conceituais que complementam o texto constitucional, dando
significado objetivo a expressões empregadas pela
Constituição ao tratar do nosso Sistema Tributário.
• São assuntos de normas gerais: a definição de tributo e suas
espécies (imposto, taxa e contribuição de melhoria); definição
sobre obrigação tributária; crédito tributário; lançamento
tributário; prazos de decadência e prescrição tributárias;
fixação dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes
dos impostos discriminados na Constituição.
- A natureza do Código Tributário Nacional – Lei 5.172/1966.

A introdução do instituto da lei complementar apenas pela CF de


1967. A CF de 1946 não regulava o instituto.

A teoria da recepção – a importância da compatibilidade material


e a irrelevância da compatibilidade formal.

A recepção e o novo fundamento de validade da lei antiga.

Norma gerais em matéria tributária e a exigência de lei


complementar nas CF de 1967, 1969 e 1988.

O CTN – lei ordinária em sentido formal; lei complementar em


sentido material.
• Lei Ordinária: institui tributos. Embora haja alguns tributos
que, por força da Constituição, precisem ser instituídos por lei
complementar (CF, arts. 148, 153, VII, 154, I, e 195, §4º), a
função de instituir tributos é exercida, de maneira precípua,
pela lei ordinária.
• Atos Infralegais: são atos normativos que emanam do
Executivo e regulamentam as leis. Esses atos normativos
infralegais são atos expedidos pelo Poder Executivo, dentro do
seu papel de fiel cumpridor e executor da lei. Tais atos não
inovam no ordenamento jurídico, eis que realizam mera
regulamentação das leis, não lhes alterando o sentido nem o
alcance. São atos que estipulam normas que regulam detalhes
que, devido ao reduzido teor de relevância, não são tratados
pelos textos das leis. Constituem disposições que visam,
simplesmente, a dar operacionalidade ao conteúdo da lei. Os
exemplos são: os decretos (expedidos pelo Chefe do Executivo),
as portarias (do Ministro da Fazenda e Secretários de Fazenda
estaduais e municipais) e as instruções normativas (do
Secretário da Receita Federal do Brasil e seus congêneres em
âmbito estadual e municipal).
9- Conceitos relevantes.
9.1- Fiscalidade e Extrafiscalidade - o problema da finalidade do
tributo. Finalidade arrecadadora (fiscalidade) e reguladora
(extrafiscalidade). A função socioeconômica do tributo.

9.2- Tributo direto e tributo indireto – a complexidade do


problema. Repercussão. As análises jurídica e econômica do
problema.

9.3- Contribuinte de direito e contribuinte de fato.


.

Nota fiscal
IPI – ICMS
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10- Princípios Constitucionais Tributários

10.1- Princípios gerais: Legalidade; Irretroatividade;


Anterioridade; Isonomia; Capacidade contributiva e
pessoalidade dos impostos; Não-confisco; e Não-limitação ao
tráfego.
10.2- Vedações dirigidas à União: Uniformidade geográfica;
Não-discriminação na tributação da renda oriunda das
obrigações das dívidas públicas estaduais, distritais e
municipais e da renda auferida pelos agentes públicos
estaduais, distritais e municipais; e Vedação de instituir
isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios.
10.3- Princípios específicos do ICMS e IPI: Não-cumulatividade;
e Seletividade
10.1- Princípios gerais
• Legalidade (art. 150, I): estabelece que a instituição e
majoração de tributo só podem se dar mediante lei. Apesar
de não expressamente dito na CF, aplica-se em relação à
redução de tributo, em razão da independência e harmonia
entre os Poderes.

Lei FG – BC – Al – SP
O princípio tributário da legalidade é corolário do princípio
constitucional geral de que ninguém é obrigado a fazer ou a
deixar de fazer algo senão em virtude de lei (CF, art. 5º, II).
Exceções fixadas no texto originário da Constituição de 1988: II,
IE, IOF e IPI, eis que o Poder Executivo pode alterar as
alíquotas desses impostos, como instrumento do controle da
economia (CF, art. 153, §1º). Limites e condições dessa
alteração por parte do Poder Executivo são fixados em lei.
Exceções fixadas em Emenda Constitucional (EC 33/2001). Além
dos quatro casos de exceção acima, temos ainda:
(i) a contribuição interventiva sobre o setor de
combustíveis (CF, art. 177, §4º, I, “b”, com a redação dada
pela EC 33/01), cujas alíquotas podem ser reduzidas e
restabelecidas pelo Executivo; e
(ii) o ICMS unifásico sobre combustíveis e lubrificantes
(CF, art. 155, §4º, IV, com a redação dada pela EC 33/01),
cujas alíquotas são fixadas por convênios entre os Estados e
DF.
• Irretroatividade (art. 150, III, a): estabelece a proibição da
cobrança de tributo em relação a fato gerador ocorrido antes
da vigência da lei que o institui ou o majora. Apesar de não
expressamente dito na Constituição, aplica-se também a
casos de lei que venha a reduzir o tributo (CTN, art. 105). O
tributo devido pelo contribuinte é sempre aquele segundo a
lei vigente à época do FG. O princípio tributário da
irretroatividade é uma versão mais protetora do princípio
constitucional geral de que lei nova não pode vir a prejudicar
direitos adquiridos e atos jurídicos perfeitos (CF, art. 5º,
XXXVI).
Fiscalização /
lançamento
Fato Gerador
Aplica 10%

Lei 1 – Al =
10% Lei 2 – Al = 8%
• Anterioridade (art. 150, III, “b” e “c”).

Anterioridade anual (art. 150, III, “b”): estabelece a


proibição de cobrança do tributo no mesmo ano da
publicação da lei que veio a instituí-lo ou majorá-lo. A lei que
estabelece uma maior carga tributária aos cidadãos deve ser
do conhecimento da sociedade desde o ano anterior ao da
cobrança.
Pub. lei
maj. / início dos efeitos
inst.

2010 2011
Exceções fixadas no texto originário da CF/1988:
- II, IE, IOF, IPI (CF, art. 150, §1º, primeira parte),
- empréstimos compulsórios em caso de guerra e
calamidade (CF, art. 148, I),
- contribuições da seguridade social (CF, art. 195, §6º) e
- imposto extraordinário de guerra (CF, art. 150, §1º,
primeira parte).
Exceções à anterioridade anual trazidas pela EC 33/01:
(i) a contribuição interventiva sobre o setor de
combustíveis, no que se refere às alterações de alíquotas
realizadas pelo Executivo (CF, art. 177, §4º, I, “b”) e
(ii) as alíquotas nacionais do ICMS, fixadas mediante
convênio, incidentes sobre combustíveis e lubrificantes que,
segundo a lei complementar, sujeitar-se-ão à incidência única
(CF, art. 155, §4º, IV, “c”).
Anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “c”). A EC 42/2003 veio
a fortalecer a proteção da anterioridade ao determinar que,
em relação aos tributos em geral, a lei ou ato que os institui
ou os majora deve ser publicado 90 dias antes do início dos
seus efeitos.
Pub. lei
maj. / início dos efeitos
inst.

2010 90 dias pelo 2011


menos

Pub. lei
maj. / início dos efeitos
inst.

2010 2011
90 dias pelo
menos
A mesma EC 42/2003 excepcionou as seguintes hipóteses (CF,
art. 150, §1º, segunda parte): II, IE, IOF, empréstimos
compulsórios em caso de guerra e calamidade, imposto
extraordinário de guerra, IR e a fixação da base de cálculo do
IPVA e IPTU.
Exceções à anterioridade
Anual Nonagesimal
II, IE, IPI, IOF II, IE, IOF
Imp. Ext. Guerra Imp. Ext. Guerra
Emp. Comp. - Guerra / Emp. Comp. - Guerra /
Calamidade Calamidade
Contribuições da Seguridade IR
ICMS unifásico – Base de cálculo – IPVA
combustíveis
CIDE - combustíveis Base de cálculo – IPTU
• Isonomia (art. 150, II): estabelece que não se pode dar
tratamento diferenciado a contribuintes que se encontram
em situação semelhante, proibida qualquer distinção em
razão de ocupação profissional ou função por eles exercida,
independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos. Decorre do princípio
constitucional geral da igualdade (CF, art. 5º, caput).

A concretização do princípio, pelos subprincípios da


capacidade contributiva (impostos) e do custo/benefício
(taxas e contribuição de melhoria).
• Capacidade contributiva e pessoalidade dos impostos (art.
145, §1): apesar de a redação constitucional ser um tanto
confusa, significa que os impostos sempre devem ser
dimensionados de acordo com a capacidade econômica
(princípio da capacidade contributiva) e que, sempre que
possível, devem ter caráter pessoal (princípio da
pessoalidade).

CF/1988: “Sempre que possível, os impostos terão caráter


pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica
do contribuinte...”
CF/1946 (art. 202): “Os tributos terão caráter pessoal, sempre
que isso for possível, e serão graduados conforme a
capacidade econômica do contribuinte.”
Art. 15, §1º: “§ 1º - são isentos do imposto de
consumo os artigos que a lei classificar como o mínimo
indispensável à habitação, vestuário, alimentação e
tratamento médico das pessoas de restrita capacidade
econômica”.
Constituição do Império (1824, art. 179, XV): “Ninguem será
exempto de contribuir pera as despezas do Estado em
proporção dos seus haveres”.

A capacidade contributiva e o entrechoque com os fins


extrafiscais dos impostos.
• Não-confisco (art. 150, IV): determina que o tributo deve ser
estabelecido em proporções suportáveis ao contribuinte. O
tributo não pode ser abusivo, do ponto de vista quantitativo.
O poder estatal de tributar deve conviver, lado a lado, com o
direito de propriedade dos cidadãos. Este princípio tributário
é corolário da garantia constitucional do direito de
propriedade (CF, art. 5º, XXII e XXIII).

- Poder de tributar X direito de propriedade.

- A dificuldade do controle.

- O caráter não-absoluto do princípio. A função social da


propriedade.

- O problema da penhorabilidade dos bens do devedor.


• Não-limitação ao tráfego de pessoas ou bens mediante
tributo interestadual ou intermunicipal (art. 150, V): é um
princípio dirigido a todos os entes tributantes e significa mais
uma garantia constitucional à liberdade de locomoção (CF,
art. 5º, XV). Não impede este princípio a existência de tributo
intermunicipal ou interestadual; apenas proíbe que ele seja
tão oneroso a ponto de estabelecer obstáculos à circulação
de bens e pessoas. A Constituição ressalva a cobrança de
pedágio.

- Poder de tributar X liberdade de locomoção.


10.2- Vedações dirigidas à União (art. 151)

• Uniformidade geográfica (art. 151, I): proíbe a União que


institua tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional ou que implique distinção ou preferência em relação
a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento
de outro. No entanto, admite-se a concessão de incentivos
fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões
do País (vide CF, art. 43, §2º, III).

- A relação com o princípio federativo e com a isonomia.


• Não-discriminação na tributação da renda oriunda das
obrigações das dívidas públicas estaduais, distritais e
municipais e da renda auferida pelos agentes públicos
estaduais, distritais e municipais (CF, art. 151, II).

Título da dívida
$ 1.000
pública:
2 anos
- Valor de face /
12% a. a. resgate
- Juros remuneratórios
- Prazo de resgate
CF, art. 151, II: “É vedado à União:... II - tributar a renda das
obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos
respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que
fixar para suas obrigações e para seus agentes;...”
• Vedação de instituir isenções de tributos da competência dos
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (art. 151, III).

- As isenções heterônomas no sistema constitucional anterior


(CF/69, art. 19, §2º: “§ 2º - a União, mediante lei complementar
e atendendo a relevante interesse social ou econômico nacional,
poderá conceder isenções de impostos estaduais e municipais”).

- A hipótese ainda preservada (CF, art. 156, §3º, II - ISS). A


hipótese superada (CF, art. 155, §2º, XII, “e” - ICMS).
- O problema dos tratados internacionais. Seu ciclo de
formação: assinatura (chefe de Estado) → aprovação
legislativa (Congresso Nacional)→ ratificação (via
diplomática)→ promulgação (Decreto presidencial). A
cláusula da não-discriminação nos tratados e o ICMS.

- A posição histórica (Súmula 575) e atual do STF sobre o


tema dos tratados e a desoneração do ICMS / ISS.
10.3- Princípios específicos do ICMS e IPI.
- A semelhança entre os dois impostos – a incidência
plurifásica.

- As diferenças – a maior abrangência material do ICMS e


sua finalidade predominantemente fiscal.
• Não-cumulatividade: refere-se a esses dois impostos, que
podem incidir várias vezes sobre a mesma mercadoria, nas
várias etapas de um processo de circulação econômica.

Estabelece que o contribuinte pode abater, em cada


operação tributada, o montante do imposto já pago (ou
cobrado) nas operações anteriores, pelos seus antecessores
no ciclo econômico. Sobre o IPI, ver art. 153, §3º, II; sobre o
ICMS, ver art. 155, §2º, I, todos da Constituição.
Alíquota do ICMS = 10%

VA = $1.000 VA = $200 VA = $300

$1.000 $1.200 $1.500

ICMS = ICMS = ICMS =


$100 $120 $150
- $100 - $120
= $20 = $30
• Seletividade (em função da essencialidade do produto):
estabelece que quanto mais essencial for o produto ou
mercadoria, menor deve ser a carga tributária sobre ele. A
recíproca é verdadeira: quanto mais supérfluo for o produto
ou mercadoria, maior deve ser a carga tributária. Este
princípio é obrigatório para o IPI e facultativo para o ICMS.
Sobre o IPI, ver art. 153, §3º, I; sobre o ICMS, ver art. 155,
§2º, III.

- A relação com o princípio da capacidade contributiva.

- O entrechoque com a extraficalidade do IPI.


11- Competência tributária

• Competência tributária é o poder indelegável que é


conferido pela Constituição Federal aos entes políticos para
instituir os tributos nesta previstos. É uma incumbência
legislativa. A competência tributária pode ser assim
caracterizada:

- é estabelecida na CF e suas Emendas


- é o poder de instituir os tributos autorizados, por meio de
lei
- União, Estados, DF e Municípios a detêm
- é indelegável
• Capacidade tributária ativa é o poder delegável de cobrar o tributo
que já foi instituído. É a atribuição de figurar como credor da
obrigação junto ao devedor do tributo. Tal delegação para cobrar,
fiscalizar e exigir, pode ser efetuada pelo ente político que instituiu
o tributo a qualquer outra pessoa jurídica de direito público (art. 7,
CTN). É uma incumbência executiva. Possui as seguintes
características.

- é o poder de exigir o tributo por meio de atividades executivas


- U, E, DF, M, autarquias e fundações públicas podem detê-la
- é delegável

• Parafiscalidade: delegação da capacidade + disponibilidade dos


recursos arrecadados.
11.1- Classificação da competência tributária

• Competência comum (art. 145, II e III, CF): é o poder que têm


União, Estados, DF e Municípios para instituir taxas e
contribuições de melhoria. É dita comum, eis que o texto
constitucional não estabelece uma listagem de tributos em
favor de qualquer esfera política, apenas fixa o princípio de
que caberá a instituição do tributo a quem oferecer de forma
legítima a contraprestação estatal.
• Competência privativa: é basicamente o poder que têm os
entes federativos para instituir os impostos que são
enumerados na Constituição. É dita privativa no sentido de
que a Constituição enumera, por ente político, os impostos
que podem ser instituídos.
Incluem-se também na competência privativa da União o
empréstimo compulsório (CF, art. 148) e as contribuições
especiais (CF, art. 149), ressalvadas: (i) as contribuições da
seguridade social da competência dos Estados, DF e
Municípios (CF, art. 149, §1º); e (ii) a contribuição de custeio
do serviço de iluminação pública, da competência privativa
dos Municípios e DF (CF, art. 149-A).
União Estados e DF Municípios
II IPVA IPTU
IE ICMS ISS
IPI ITDC ITBI
IOF Contribuição da Contribuição da
IR seguridade sobre seguridade sobre
seus servidores seus servidores
ITR
IGF Contribuição de
Empréstimos iluminação pública
compulsórios
Contribuições
especiais
.

ITR x IPTU
Imóvel rural Imóvel urbano
Incide sobre o valor do terreno Incide sobre o valor total do
imóvel (terreno + edificações)
CTN, art. 32:
“§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona
urbana a definida em lei municipal; observado o requisito
mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo
menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos
pelo Poder Público (CRITÉRIO DE LOCALIZAÇÃO):
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas
pluviais;
II - abastecimento de água;
III - sistema de esgotos sanitários;
IV - rede de iluminação pública, com ou sem
posteamento para distribuição domiciliar;
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância
máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado.
“§ 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas
urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de
loteamentos aprovados pelos órgãos competentes,
destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo
que localizados fora das zonas definidas nos termos do
parágrafo anterior (CRITÉRIO DE UTILIZAÇÃO ECONÔMICA).”

Decreto-lei 57/1966:

“Art 15. O disposto no art. 32 da Lei nº 5.172, de 25 de


outubro de 1966, não abrange o imóvel de que,
comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa
vegetal, agrícola, pecuária ou agro-industrial, incidindo assim,
sobre o mesmo, o ITR e demais tributos com o mesmo
cobrados (CRITÉRIO DE UTILIZAÇÃO ECONÔMICA).”
ITDC x ITBI
Atinge transmissões Atinge transmissões
graciosas: doação e herança onerosas: venda e permuta
Incide sobre quaisquer bens Incide apenas sobre bens
(móveis ou imóveis) imóveis
• Competência cumulativa (art. 147, CF): é o poder de a União
instituir, nos Territórios Federais, os impostos estaduais e,
ainda, na hipótese de Território não dividido em Municípios,
os impostos municipais. Bem assim, o Distrito Federal tem o
poder de instituir os impostos municipais, já que não pode ser
divido em Municípios (art. 32, caput, CF).

- União nos Territórios impostos estaduais

impostos municipais, caso o


Território não seja dividido em
Municípios
- Distrito Federal impostos municipais
• Competência residual (art. 154, I, e art. 195, §4º, CF).
- Imposto residual: tem a União o poder de, a qualquer
momento, instituir novos impostos, diferentes de todos
aqueles discriminados na Constituição. Tal imposto deve ser
verdadeiramente novo, com novo fato gerador e nova base
de cálculo; deve ser instituído por lei complementar; e
respeitar o princípio da não-cumulatividade.
- Contribuição residual da seguridade. Esta competência
abrange também a possibilidade de a União vir a instituir
novas contribuições da seguridade, não discriminadas na
Constituição, desde também se respeitem os três requisitos
acima destacados.
art. 154, I, CF - impostos art. 195, §4o, CF –
contribuições da seguridade
- União - União
- pode instituir novo imposto - pode instituir nova
contribuição social
- sem requisito de ordem - sem requisito de ordem
circunstancial circunstancial
- o imposto pode ser - a contribuição pode ser
permanente permanente
- respeitada a anterioridade - respeitada a anterioridade
anual e nonagesimal nonagesimal
- por lei complementar - por lei complementar
- inovação de FG e BC - inovação de FG e BC
- não-cumulativo - não-cumulativa
- O IPMF – Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira
(1993/1994) – foi instituído com base na competência residual?
A EC 3/1993 conferiu competência privativa à União.

- A CPMF – Contribuição (para a seguridade social) Provisória


sobre Movimentação Financeira (1996/2007) – foi instituída com
base na competência residual?
A EC 12/1996 conferiu competência privativa à União.

- O único caso de uso da competência residual: LC 84/1996,


que instituiu a contribuição sobre a folha de pagamentos a
autônomos e dirigentes. A competência privativa da época. O
problema da base de cálculo. A posição do STF. A superveniência da
EC 20/1998. A mudança do fundamento constitucional e o
posterior status de lei ordinária.
• Competência extraordinária (CF, art. 154, II, e CTN, art. 76): é
o poder que tem a União de instituir, em caso de guerra ou
iminência, outros impostos. Neste caso, o imposto não
precisa ser novo, eis que podem ser escolhidos fato gerador e
base de cálculo que já integrem a estrutura de outros
impostos já discriminados na CF, mesmo a de impostos
compreendidos na competência dos Estados, DF ou
Municípios.
Competência extraordinária – aspectos principais:
- União
- pode instituir um outro imposto
- em caso de guerra ou sua iminência
- o imposto é provisório
- não deve respeito à anterioridade em nenhuma de suas
formas
- pode ser instituído por lei ordinária
- há ampla liberdade de escolha do fato gerador
- pode ser cumulativo

As diferenças em relação ao empréstimo compulsório:


devolução, lei instituidora e destino do dinheiro.
12- Imunidades
•Imunidades são situações protegidas pelo texto constitucional,
de modo que o legislador não pode atingi-las com a
instituição de determinado tributo. São situações em relação
às quais a Constituição não outorgou ao legislador poderes
para tributar. São limitações à competência tributária
(incompetência). As situações imunes têm que ser deixadas
de fora do campo de incidência do tributo que se pretende
instituir, sob pena de inconstitucionalidade da lei instituidora.

- O problema terminológico no texto da Constituição.


- A imunidade e seus congêneres legais: não-incidência e
isenção.
Conjunto de todos os fatos potencialmente incluídos
no âmbito material dos impostos mencionados
na Constituição.
Constituição

Competência
Imunidades
Competência
.

Incidência
Imunidades
Não-
FG
incidência
Ñ- FG

Lei instituidora
•Não-incidência: são situações que o legislador poderia atingir
com a instituição de determinado tributo, mas que, por
voluntariedade, ele não o faz. Tais situações são deixadas de
fora do campo de incidência do tributo que ora se institui, por
deliberação do próprio legislador, eis que a Constituição,
quanto a elas, não estipula qualquer proteção. Tais situações
não são definidas pela lei instituidora como fatos geradores
do tributo.
Competência

Incidência
Isenção Imunidades
FG Não-
incidência
Lei isentiva
Ñ- FG
•Isenção: de acordo com a doutrina tradicional, defendida pelos
idealizadores do CTN e que até hoje é acolhida pelo STF, são
situações que estão dentro da área de incidência do tributo,
mas cujo pagamento fica dispensado, mediante disposição
expressa de lei. É a dispensa legal do pagamento do tributo
que é devido, relativo a fatos que irão acontecer em
momentos posteriores à vigência da lei isentiva.
Imunidade Não-incidência Isenção
- prevista na CF e EC -prevista na lei - prevista na lei
instituidora isentiva
- hipótese de - não há FG - há FG
incompetência tributária

- não há FG - pode ser suprimida - pode ser suprimida


mediante lei nova mediante lei nova
- só pode ser suprimida - na criação de nova - na supressão da
mediante Emenda hipótese de isenção, o tributo
Constitucional (quando incidência, há que se pode voltar, em regra
a supressão não fere respeitar a geral, a ser cobrado
nenhuma cláusula anterioridade, se for o imediatamente
pétrea) caso (exceto o caso do art.
104, III, CTN, que
veremos adiante).
12.1- As imunidades são classificadas em:

- subjetivas: são aquelas fixadas em torno das características de uma


determinada pessoa. A proteção constitucional se dirige a uma
determinada pessoa. Na maioria das vezes, o texto constitucional
estabelece proteção ao respectivo patrimônio, renda ou serviços de
tais pessoas.

- objetivas: são aquelas fixadas em torno das características de um


determinado objeto, bem, mercadoria ou serviço, sem preocupação
com as características da pessoa que com ela lide, direta ou
indiretamente. Existe quando a proteção constitucional dirige-se a
certo objeto (mercadoria, produto, imóvel, etc.), bem ou serviço.
Nessa circunstância, a imunidade abrange apenas os impostos que
potencialmente atingiriam a coisa, bem ou serviço.
12.2- Classificação dos impostos em grupos econômicos: o CTN
(arts. 19/73) estipula uma classificação dos impostos, que é
relevante para a compreensão do assunto imunidade. Em geral,
o entendimento administrativo na matéria parte dessa
classificação, para interpretar a expressão constitucional
“impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”.

Imp. s/ o Impostos s/ o Impostos sobre a


Comércio Patrimônio e a Renda Produção e a
Exterior Circulação
Imposto de IR IPVA IPTU IPI ICMS ISS
Importação
Imposto de ITR ITDC ITBI IOF
Exportação
IGF
12.3- Principais hipóteses de imunidade.

•Imunidade recíproca (art. 150, VI, a): impede que os entes


políticos (União, Estados, DF e Municípios) instituam
impostos sobre patrimônio, renda e serviços, uns sobre os
outros.
- A imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às
fundações públicas desde que o respectivo patrimônio, renda
ou serviços sejam afetos às suas atividades essenciais (art.
150, §2).
- Situação excludente da imunidade recíproca. Se o patrimônio,
a renda ou os serviços estiverem relacionados à exploração
de atividade econômica própria da iniciativa privada ou,
ainda, quando o serviço prestado pelo ente público seja
remunerado por preço ou tarifa pago pelo usuário, não
prevalecerá a imunidade nem para a Administração Direta (U,
E, DF, M), nem para a Administração Indireta (autarquias e
fundações públicas) – CF, art. 150, §3º.
- A imunidade recíproca e as empresas públicas e sociedades
de economia mista. CF, art. 173, §2º: “as empresas públicas
e as sociedades de economia mista não poderão gozar de
privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”.
- A jurisprudência atual do STF reconhece a imunidade em
relação a empresas públicas prestadoras de serviço público
em regime de monopólio.
- Os critérios que vem norteando a jurisprudência do STF: (i) a
finalidade não-lucrativa, (ii) a preponderante participação
societária do Estado e (iii) a inexistência de concorrência com
a iniciativa privada.
- O problema dos impostos abrangidos.

A compreensão A jurisprudência do STF


administrativa
Aplica a classificação dos Não aplica a classificação do
impostos em grupos CTN e fixa a abrangência de
econômicos, nos termos do qualquer imposto
CTN. Impostos abrangidos: IR,
ITR, IGF, IPVA, ITDC, IPTU,
ITBI e ISS.
Impostos não abrangidos: II,
IE, IPI, IOF e ICMS.
- O problema da “relação” ou “vinculação” do patrimônio,
renda e serviços às “finalidades essenciais” das entidades
imunes. Temática pertinente à autarquias, fundações públicas
e demais pessoas imunes mencionadas adiante.

A compreensão A jurisprudência do STF


administrativa
Exige que a “relação” ou Admite que a “relação” ou
“vinculação” seja direta. “vinculação” seja direta ou
indireta.
• Imunidade dos Templos de Qualquer Culto (art. 150, VI, b):
são imunes a impostos sobre patrimônio, renda e serviços,
desde que relacionados às suas atividades essenciais.

- O fundamento da imunidade – liberdade religiosa.


- A natureza subjetiva da imunidade.
- As “ organizações religiosas ” como pessoas jurídicas
tipificadas no Código Civil (art. 44, IV).
• Imunidade das entidades da alínea “c” do inciso VI do art. 150:

→ Partidos políticos (Lei 9.096/95, art. 1º), inclusive suas


fundações (Lei 9.096/95, art. 53)
→ Entidades sindicais de trabalhadores
→ Instituições de educação e de assistência social

- Essas entidades são imunes a impostos sobre patrimônio, renda


e serviços, desde que relacionados às suas atividades essenciais.
- A Súmula 724 do STF: “ainda quando alugado a terceiros,
permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das
entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da Constituição, desde que
o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais
entidades”.
- A imunidade é aplicável desde que as entidades não tenham
fins lucrativos e cumpram os requisitos fixados em lei (a lei
referida é o CTN, art. 14).

Os requisitos são:
(i) não pode haver distribuição de lucros ou rendas;
(ii) devem aplicar os recursos, no País, nos fins
institucionais; e
(iii) devem manter escrituração regular de suas receitas e
despesas.
• Imunidade dos livros, jornais, periódicos e o respectivo papel
para impressão (art. 150, VI, d): é objetiva e protege somente
as mercadorias dos impostos que, potencialmente, as
gravariam. Impostos abrangidos: IPI, ICMS, II e IE.

- Origem histórica.
- Jurisprudência do STF.
- Súmula 657 do STF: “a imunidade prevista no art. 150, VI, d,
da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à
publicação de jornais e periódicos”.

• Outras hipóteses de imunidade: ler o Roteiro de aula.


13- SIMPLES nacional (CF, art. 146, III, “d”, e parágrafo único; LC
123/2006)

(i) LSN e matérias não reservadas à lei complementar;

(ii) opção do contribuinte (LSN, art. 16); pessoas excluídas


da LSN (art. 3º, §4º); pessoas excluídas do Simples (art. 17);
(iii) enquadramento diferenciado por Estado (LSN, art. 19).
Limite atual de R$ 3.600.000,00 anuais para EPP; de R$
360.000,00 para ME;

Estados e DF com PIB: Pode optar por reduzir limite:


até 1% até 35% (R$ 1.260.000,00), ou
até 50% (R$ 1.800.000,00), ou
até 70% (R$ 2.520.000,00)
maior que 1% e menor até 50% (R$ 1.800.000,00), ou
que 5% até 70% (R$ 2.520.000,00)
igual ou maior de 5% -
(iv) recolhimento unificado e centralizado (LSN, art. 21, I e
§1º);

(v) a arrecadação, a fiscalização e a cobrança compartilhadas


(LSN, arts. 33 e 41, §§2º, 3º e 4º);

(vi) tributos abrangidos: Cofins, PIS, CSLL, contribuição


patronal sobre a folha*, IRPJ, IPI, ICMS e ISS (LSN, art. 13);

(vii) tabelas progressivas de incidência (LSN, art. 18, caput,


§§5º, 5º-A, 5º-B, 5º-C* e 5º-D);
Tabela I Tabela II Tabela III Tabela IV* Tabela V

Comércio Indústria Serviços Serviços – Serviços –


construção, mais
limpeza e especializa
vigilância ção
art. 18, art. 18, art. 18, art. 18, §5-C art. 18,
caput §5 §5-A e B §5-D
(viii) receita bruta acumulada para a definição da
alíquota mensal (LNS, art. 18, §1º). A alíquota do mês de
junho do ano X é fixada com base na receita acumulada entre
os meses de junho de X-1 e maio de X;

(ix) prazo de pagamento (LSN, art. 21, III) – até o último


dia útil da primeira quinzena do mês subsequente;

(x) acréscimos legais do IR (LSN, art. 21, §3º, e art. 35).


UNIDADE II: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
1- Legislação tributária (art. 96, CTN).

A importância da distinção entre ato normativo x ato


concreto.

- Leis (CF, EC, lei complementar, lei ordinária, resolução do


Senado, decreto legislativo, decreto-lei*, medida provisória)
- Tratados internacionais (devem ser aprovados por Decreto
Legislativo do Congresso Nacional)
- Decretos (atos normativos expedidos pelo Chefe do
Executivo)
- Normas Complementares (art. 100)
•Normas Complementares (art. 100):

- Atos normativos expedidos pelas autoridades


administrativas (Portarias ministeriais, Instruções Normativas
do Secretário da Receita Federal, etc...);

- Decisões de jurisdição administrativa a que lei atribuir


eficácia normativa;

- Convênios entre U, E, DF e Municípios;

- Práticas reiteradamente observadas pela Administração


Processo Administrativo no âmbito do Ministério da Fazenda

Câmara Superior de Recursos Fiscais Decisão

Recurso
Decisão
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais

Recurso

Delegacias de Julgamento da Receita Federal Decisão

Lançamento Impugnação
fazendário do SP
Organização Judiciária – simples esboço
. STF

STJ TST TSE STM

TRF TJ (27) TRT TRE


(5) (27+) (27)

Juízes Juízes Juízes do Juízes Auditorias


Federais Estaduais Trabalho Eleitorais MIlitares
•A proteção decorrente da observância das normas complementares
(CTN, art. 100, parágrafo único: “a observância das normas
referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a
cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da
base de cálculo do tributo”).

- Conceitos importantes nesse momento e para assuntos futuros:


Multa – penalidade pecuniária. Sanção pela ocorrência de
uma infração.
Juros – remuneração do capital. Significa a reposição, pelo
devedor impontual, do produto do capital que o credor deixou de
ganhar em razão do atraso.
Correção monetária – atualização do valor devido, em razão
do processo inflacionário. Mera recomposição do valor real
devido.
2- Precedência do tratado internacional em face da legislação
doméstica (art. 98).

A prevalência, ainda, da tese da inexistência de hierarquia


entre o tratado internacional (salvo sobre direitos humanos) e
as leis internas.

As normas do tratado internacional em matéria tributária,


por revelarem um sentido de especialidade, possuem primazia
sobre a legislação interna. Deve valer o princípio interpretativo
de que a regra especial tem primazia sobre regra mais genérica.
Os critérios tradicionalmente aceitos para a solução da
contrariedade aparente entre normas:

- hierárquico – invalidade da norma inferior


- da especialidade – âmbito de aplicação das normas
- cronológico – revogação da norma anterior
3- Vigência e Aplicação (arts. 101/104).

• Vigência no tempo é o período durante o qual a lei,


segundo a vontade do legislador, é de observância obrigatória. É
o prazo de vida da lei. O art. 1º da LICC ou LINDB (DL 4.657/1942)
e a vacatio legis de 45 dias, para a lei omissa. Se não for a lei de
vigência temporária, a lei permanecerá em vigor até que outra lei
a revogue. A revogação pode ser expressa (quando a lei nova faz
menção, no seu texto, à lei antiga) ou tácita (a lei nova não
menciona a lei antiga, mas dispõe de forma contrária). Pode
ainda ser a revogação total (a revogação atinge a totalidade do
texto da lei antiga) ou parcial (a revogação atinge apenas alguns
dispositivos da lei antiga).
.

Vacatio
legis Revogação

Publicação
Publicação
Lei 1 Vigência Lei 2
Vigência
Aplicação é a determinação da norma jurídica que deve ser
utilizada para reger determinado caso. É o esforço de
detectar que norma deve ser usada para reger o caso
concreto que se apresenta.

FG Fiscalização /
Lançamento

Lei 1 Lei 2 Lei 3 Lei 4


Al= Al= Al= Al=
10% 12% 8% 9%
3.1 - Vigência no CTN.
• O art. 104 estabelece que entram em vigor no
01/01/exercício subsequente ao da publicação os
dispositivos de lei relativos a Impostos sobre Patrimônio e
Renda que:
→ instituem ou majoram tais impostos
→ criam novas hipóteses de incidência
→ reduzem ou extinguem isenção (salvo, nesta terceira
hipótese, se a lei, quanto ao prazo, dispuser de forma mais
favorável ao contribuinte)
Regra especial – CTN, art. 104
Problema
sobre vigência Regra geral – LICC ou LINDB,
de Lei art. 1º – 45 dias, para a hipótese
de lei omissa
• Vigência e anterioridade.
- Distinção. A anterioridade opera no plano da eficácia.
- A atual complexidade do problema da anterioridade.
- Noção sobre eficácia – aptidão para produzir efeitos
jurídicos concretos.
- Método para solucionar problemas: vigência + eficácia.
- Hipóteses.
Lei majora ICMS – Eficácia
publicação
01/04/2011

Vigência
2011 15/05/2011 2012
Lei majora ITBI –
publicação
01/04/2011

2011 Vigência 2012


e eficácia

Lei majora ITBI –


publicação Eficácia
16/12/2011 16/03/2012

2011 2012
Vigência
Lei majora IR –
.
publicação
16/12/2011

Vigência
2011 e eficácia 2012

Eficácia
Lei majora IPI –
16/03/2012
publicação
16/12/2011

2011 2012
Vigência
30/01/2012
Lei extingue isenção
. ICMS – publicação
01/04/2011

Vigência e
2011 eficácia 2012
15/05/2011

Lei extingue isenção IR –


publicação 01/04/2011

Vigência e
2011 2012
eficácia
Lei concede isenção
ITBI – publicação
01/04/2011

Vigência e
2011 eficácia 2012
15/05/2011
3.2- Aplicação no CTN.
• O art. 105: a regra geral é a aplicação irretroativa ou
proativa da lei, que irá alcançar as situações que lhe são
posteriores. Alcançará os fatos geradores futuros e os
pendentes (aqueles que já começaram a acontecer mais não
se aperfeiçoaram; equiparam-se a futuros).

Lei Fatos
nova

Passado Futuro
•O art. 106: as leis retroativas. Leis que surgem num
determinado momento e vão também atingir os fatos
passados.
Lei
Fatos nova Fatos

Passado Futuro

O mencionado art. 106 do CTN aponta duas hipóteses de leis


retroativas: (i) a lei interpretativa; e (ii) a lei mais benigna ao
infrator. Vejamos.
→ a lei expressamente interpretativa retroage em qualquer caso,
vedada a aplicação de penalidade quanto aos dispositivos
interpretados. O problema da legitimidade da lei interpretativa. O
problema da coisa julgada.
Lei 1 - interpretada Lei 2 - interpretativa

Contribuinte pagou 3%

Lei que causa dúvida na aplicação Lei interpretativa esclarece


de algum dispositivo. Al do ISS que a Al do referido serviço é
sobre certo serviço: 5% ou 3%? 5%.
→ (retroatividade benigna) a lei mais benéfica ao infrator
retroage para atingir atos não-definitivamente julgados
quando:
- deixa de tratar o ato como infração;
- estabelece penalidade menos severa.
Fiscalização /
FG Infração lançamento

Lei 1 – Al= 10% Lei 2 – Al= 8%


Multa= 75% Multa= 50%

O funcionamento do mecanismo da retroatividade


benigna em matéria penal (CF, art. 5, XL; CP, art. 2º,
parágrafo único). Não-limitação pela coisa julgada.
.

Fiscalização /
Infração lançamento

Lei 1 Lei 2 Lei 3 Lei 4


Multa= Multa= Multa= Multa=
80% 100% 70% 90%
4- Interpretação e Integração (arts. 107/112)

• Interpretação: é o esforço de se compreender o conteúdo, o


sentido e o alcance da disposição normativa. Na
interpretação, existe texto normativo do qual se busca extrair
sua inteligência. Tem efeito declaratório da norma, eis que
esta já existe; resta ao aplicador proclamar o seu teor.
Interpretar significa entender o que o legislador disse ao
estabelecer a disposição normativa.
Interpretação

Caso
concreto
- Podem-se citar algumas modalidades de interpretação quanto ao
método: a literal ou gramatical (na qual se leva em consideração
apenas o conteúdo gramatical do texto); a teleológica (leva-se em
consideração a vontade da lei, sua razão de ser, a finalidade da lei); a
sistemática ou sistêmica (leva em consideração a disposição
normativa como parte de um conjunto de tantas outras que é o
sistema jurídico norteado pela Constituição); a histórica (leva em
consideração as circunstâncias políticas, sociais, econômicas e
tecnológicas da época em que a disposição foi editada e a alteração
dessas circunstâncias ao longo do tempo). Elas devem ser usadas
conjuntamente, eis que se complementam.
- As modalidades podem ser também classificadas quanto órgão ou
pessoa que realiza a interpretação: jurisprudencial (interpretação
feita pelo Poder Judiciário); doutrinária (feita pelos doutos e
estudiosos do direito); autêntica (feita pelo próprio órgão ou pessoa
que editou a norma; no caso das lei, a interpretação é feita pelo
Poder Legislativo); administrativa ou executiva (feita pelas
autoridades do Poder Executivo na sua função regulamentadora e
executora das leis).
• Integração: é o esforço de se suprir as lacunas deixadas pelo
legislador. Na integração, existe um caso concreto e inexiste
disposição expressa para regrá-lo. Integrar é deduzir o que o
legislador regularia se tivesse se preocupado com a situação
para a qual não existe disposição.

Caso X ’
Caso X
Caso X
Integração

Caso X ’ Integração
por
analogia
4.1 - Integração no CTN (art. 108).

O Código estabeleceu uma lista taxativa das modalidades de


integração a serem utilizadas para suprir as lacunas da
legislação tributária. São quatro modalidades, que devem ser
utilizadas na ordem estabelecida no CTN: analogia, princípios
gerais de direito tributário, princípios gerais de direito público
e equidade.

• Analogia: é a busca de um caso semelhante para o qual haja


disposição normativa reguladora. Esta, então, é aplicada ao
caso para o qual o legislador não estabeleceu disposição
expressa. Em outras palavras, decidir por analogia é aplicar ao
caso, para o qual a legislação foi lacunosa, a norma jurídica
que decorre da legislação que trata de caso semelhante.
• Princípios Gerais do Direito Tributário: são os princípios básicos
do direito tributário, explícitos ou implícitos, fixados pela
Constituição e pelo CTN.

• Princípios Gerais do Direito Público: são princípios presentes em


vários dos ramos que compõem o direito público (legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, devido processo legal,
irretroatividade, forma federativa de Estado, universalidade da
jurisdição, ampla defesa e contraditório, dentre outros).

• Equidade: na concepção Aristotélica, é a justiça no caso


concreto. Realiza-se mediante o sopesamento dos valores
jurídicos protegidos pelo sistema, a fim de dar ao caso concreto
a solução mais adequada a tais valores, com o sacrifício mínimo
de direitos.
.
A lógica da ordem das modalidades integrativas: a
especialidade

Analogia

Princípios
Gerais de Direito
Tributário

Princípios
Gerais de Direito
Público

Equidade
- Limites ao uso da analogia: desta não pode resultar a
exigência de tributo não previsto em lei. A norma que define
as hipóteses de incidência deve ser suficientemente clara em
relação às situações alcançadas. Não se pode pensar que
determinado caso sofreria a incidência tributária, sem
menção expressa da lei, pelo simples fato de ser semelhante
a outro caso expressamente tributado. Nesse ponto, o Código
firma o que alguns denominam princípio da tipicidade
tributária.

- Limites ao uso da equidade: seu uso não pode resultar na


dispensa de tributo devido. As isenções decorrem de
disposição expressa de lei, de modo que não pode o aplicador
presumir sua existência.
4.2- Interpretação no CTN (arts. 109/112).
O Código não fixou uma lista das modalidades de
interpretação que devam ser utilizadas na compreensão das
normas tributárias. Apenas elegeu determinadas modalidades
a serem utilizadas, de modo específico, na compreensão de
normas tributárias que cuidam de determinados assuntos.
• A interpretação literal (art. 111) deve ser utilizada nos casos
de legislação que trate sobre:

→ suspensão ou exclusão do crédito tributário


→ outorga de isenção
→ dispensa de obrigação acessória

Este artigo nada mais é do que a explicitação de um


princípio geral de hermenêutica jurídica, que estabelece que
as exceções devem estar expressas na lei. O que é regra se
presume, mas a exceção não. Portanto, a interpretação de
hipóteses de exceção não deve ter resultado ampliativo. A
exceção deve abranger apenas aquilo que a disposição
normativa expressamente determinou.
• A interpretação mais benigna ao acusado (art. 112) é utilizada
na interpretação das leis que definem infrações e respectivas
penalidades, no caso de o aplicador da lei se deparar com
dúvidas quanto:
→ à capitulação legal do fato
→ às circunstâncias materiais do fato e os seus efeitos
→ à autoria, imputabilidade, ou punibilidade
→ à natureza da pena ou sua graduação

Este artigo revela o princípio do in dubio pro reu, típico


do direito penal, aplicável no direito tributário em relação a
infrações e penalidades. Segundo a disciplina do CTN, a
dúvida enseja uma interpretação mais benéfica das normas
tributárias punitivas.
A lógica do CTN no tema da interpretação

Legislação
tributária
Interpretação
literal - art. 111

Interpretação
mais benigna ao
potencial infrator -
Interpretação comum –
art. 112
uso conjunto dos
critérios literal,
sistemático, teleológico
e histórico
4.3- O uso dos princípios gerais do direito privado em matéria
tributária (arts. 109 e 110).
“Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para
pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos,
conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos
tributários.
Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e
o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados,
expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas
Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou
dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.”
“Art. 116 (...). Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá
desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de
dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos
elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os
procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.”
UNIDADE III: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA
1- Obrigação Tributária (art. 113, 114 e 115)

Obrigação Caráter Estabelecida surge a partir do


Principal pecuniário em lei acontecimento
pagamento de do seu
tributo ou respectivo FG
multa

Obrigação Condutas Estabelecida surge a partir


Acessória positivas ou na legislação do
negativas acontecimento
do seu
respectivo FG
Sujeito ativo Sujeito passivo

Obrigação
principal

Prestação

Sujeito ativo Sujeito passivo

Obrigação
acessória

Prestação
• Crítica doutrinária ao termo “obrigação acessória” → deveres
instrumentais ou deveres formais.

• A inobservância da obrigação acessória faz gerar uma obrigação


principal relativamente à multa.

• A expressão “fato gerador” da obrigação de pagar tributo é usada


no CTN em dois sentidos, que merecem ser distinguidos. É,
portanto, uma situação prevista hipoteticamente no texto da lei
instituidora (hipótese de incidência tributária) e que, uma vez
concretizada no mundo social (fato jurídico tributário ou fato
imponível), tem como consequência o surgimento da relação
obrigacional entre Fisco e o sujeito passivo tributário.
2- Critérios do CTN para a fixação temporal da ocorrência
concreta do fato gerador (arts. 116, II e II, e 117).

• Fato gerador constituído por situação de fato: “desde o


momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais
necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são
próprios”.

• Fato gerador constituído por situação jurídica: desde o


momento em que esta esteja definitivamente constituída, nos
termos de direito aplicável.
Situação de
Evento fato
Hipótese de econômico OU
incidência manifestador
Situação
de riqueza
jurídica
• Fato gerador constituído por situação jurídica subordinada
a condição suspensiva: desde o momento de seu implemento.
• Fato gerador constituído por situação jurídica subordinada
a condição resolutiva: desde o momento da prática do ato ou da
celebração do negócio.
Condição (CC, art. 121): cláusula que subordina o efeito do
negócio jurídico a evento futuro e incerto.
Negócio jurídico
celebrado sem
condição
Fato gerador
Condição suspensiva –
constituído por
Negócio jurídico implemento da condição
situação
jurídica celebrado com
condição Condição resolutiva –
celebração do negócio
3- Desconsideração de atos de dissimulação (art. 116,
parágrafo único).
“A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos
ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de
dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a
natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária,
observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei
ordinária.”
Elisão x Evasão
Economia lícita Economia ilícita

Direcionamento da atividade Ocultação ou camuflagem do FG


econômica
Antes do FG Depois do FG
4- Interpretação da hipótese de incidência (art. 118) - Princípio
do non olet.

A hipótese de incidência deve ser interpretada de modo


a não se levar em consideração:
• a validade ou invalidade dos atos praticados, nem os
seus efeitos
• a licitude ou ilicitude da atividade que cerca o fato
gerador

O problema da validade dos atos civis. Os requisitos (CC,


art. 104): (i) agente capaz; (ii) objeto lícito, possível,
determinado ou determinável; e (iii) forma prescrita ou não
defesa em lei.
5- Sujeito ativo da obrigação principal (art. 119)

É quem tem o poder de exigir o pagamento do tributo ou


multa. É a pessoa detentora da capacidade tributária ativa.
Segundo o Código, só pode ser sujeito ativo pessoa jurídica de
direito público (ver art. 7, CTN).

Sujeito ativo Sujeito passivo

Prestação
6- Sujeito passivo da obrigação principal (art. 121)

É quem tem o dever de efetuar o pagamento do tributo


ou multa.
Contribuinte: aquele que tem relação
pessoal e direta com o FG. É quem dá
causa ao FG; pessoa executora da ação
Sujeito definida como hipótese de incidência.
passivo
(definido em
Responsável: aquele que não é
lei)
contribuinte, mas, mesmo assim, tem o
dever de pagar por força de disposição
expressa de lei.
7- A não-vinculação do Fisco em decorrência das convenções
particulares (art. 123).
Salvo disposição de lei em contrário, os contratos e
convenções entre particulares não podem ser opostos à
Fazenda para mudar a definição do sujeito passivo.
Lei → FG – BC – Al – SP

Sujeito Sujeito
CONTRATO
ativo passivo
Sujeito passivo
e
Prestação
Outra pessoa
8- Solidariedade tributária passiva (arts. 124 e 125)

Solidariedade:

Sujeito ativo Sujeito passivo


1 1

Sujeito ativo Sujeito passivo


2 2

Sujeito ativo Sujeito passivo


3 3

Prestação
• Solidariedade passiva tributária - conceito. É a existência de
mais de um devedor numa mesma relação obrigacional,
circunstância que admite que qualquer deles seja chamado
pelo credor para pagar o total da dívida.

Sujeito ativo Sujeito passivo


1

Sujeito passivo
2

Sujeito passivo
3

Prestação
• Hipóteses de solidariedade (art. 124):
as pessoas que têm interesse comum na
situação que consista no FG. É a
solidariedade entre contribuintes, que o são
ao mesmo tempo e em relação ao mesmo FG
São (solidariedade no fato gerador).
solidariamente
obrigadas...
as pessoas que a lei designar expressamente.
São hipóteses disciplinadas nas leis ordinárias
(solidariedade legal).
• Salvo disposição diversa da lei, na solidariedade (art. 125):

(i) o pagamento efetuado por um dos obrigados


aproveita aos demais;

(ii) a isenção ou remissão de crédito exonera todos os


obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles,
subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais
pelo saldo (tema que remete à dicotomia dos benefícios
fiscais geral x pessoal ou objetivo x subjetivo);

(iii) a interrupção da prescrição, em favor ou contra um


dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.
Ação de
.

Fato gerador Lançamento


execução

Prazo decadencial – 5 anos Prazo prescricional – 5 anos

- Interrupção do prazo prescricional = reinício da contagem:

Lançamento Interrupção

Prazo prescricional: já
Prazo prescricional: + 5 anos
correu por 4 anos
O prazo prescricional se interrompe com (art. 174,
parágrafo único):

- despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal


- o protesto judicial
- qualquer ato judicial que constitua o devedor em mora
(protesto, notificação e interpelação judiciais)
- a confissão da dívida (única hipótese em que a interrupção
pode decorrer de ato extrajudicial)
9- Capacidade tributária passiva (art. 126).

É a aptidão para ser sujeito passivo da obrigação


tributária. A capacidade tributária passiva independe:

• da capacidade civil das pessoas naturais;


• da existência de restrição ao desempenho de
atividades civis ou comerciais por parte da pessoa natural;
• da regular constituição da pessoa jurídica.
Pessoas naturais absolutamente incapazes (CC, art. 3º):
(I) os menores de dezesseis anos;
(II) os que, por enfermidade ou deficiência mental, não
tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos;
(III) os que, mesmo por causa transitória, não puderem
exprimir sua vontade

Pessoas naturais relativamente incapazes (CC, art. 4º):


(I) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
(II) os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por
deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;
(III) os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
(IV) os pródigos
Exemplos de restrições ao desempenho de atividades
civis ou comerciais:
(i) art. 117, X, da Lei 8.112/1990 – servidor público federal
ativo e o comércio;
(ii) art. 29 da Lei 6.880/1980 – militar federal ativo e o
comércio;
(iii) art. 28 da Lei 8.906/1994 – advocacia e membros do
Judiciário, Ministério Público, agentes fiscais, policiais,
militares da ativa, dirigentes de instituições financeiras dentre
outros;
(iv) art. 68 do Código de Ética Médica (Resolução CFM
1.931/2009) – médicos e a comercialização de medicamentos.
Constituição da pessoa jurídica.

Vontade dos Elaboração Registro cartorial –


fundadores do contrato Junta Comercial ou
ou estatuto Registro Civil das
social Pessoas Jurídicas

----------
----------
----------
----------
----
10 – Domicílio tributário (art. 127)
Domicílio tributário é a localidade onde o sujeito passivo
deverá ser chamado para cumprir seus deveres da ordem
tributária, bem assim onde exercerá os seus direitos.

(i) Em princípio, cabe a possibilidade de escolha por parte do


sujeito passivo.
(ii) Na falta de escolha, aplicar-se-ão as disposições do CTN
que determinam para o domicílio:

• quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual,


ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de
sua atividade;

• quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às


firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos
atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada
estabelecimento; e

• quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer


de suas repartições no território da entidade tributante.
(iii) Quando não couber a aplicação das regras de
determinação acima, considerar-se-á como domicílio
tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação
dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram
origem à obrigação (regra residual).

(iv) Quando houver a recusa administrativa do domicílio


eleito (na hipótese de a escolha do sujeito passivo
impossibilitar ou dificultar a arrecadação ou a fiscalização do
tributo), aplica-se diretamente a regra residual do item (iii)
logo acima.
.

Possibilidade de Não houve eleição Aplicação das regras


eleição do específicas do CTN para
domicílio a determinação do
domicílio

A eleição feita foi


Não foi possível
recusada pela
a fixação do
Administração
domicílio com
por dificultar a
base nas regras
fiscalização /
específicas do
arrecadação
CTN

Fixação do domicílio no lugar da situação dos


bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que
deram origem à obrigação
11- Responsabilidade tributária (arts. 128 a 138)
O problema da sistematização do CTN nesse tema.
11.1- Responsabilidade segundo o momento da sua ocorrência:
• Responsabilidade por transferência: o dever do
responsável surge em momento posterior à ocorrência do FG.
Na ocorrência deste, o pólo passivo é ocupado pelo
contribuinte, mas um evento futuro faz, nos termos da lei, com
que o responsável passe a ocupar o pólo passivo da obrigação
(com ou sem exclusão do contribuinte).
Obrigação FG Fato que enseja a
tributária responsabilidade

SA SP - C SA SP - R

$ $
• Responsabilidade por substituição: o dever do responsável
surge desde o momento da ocorrência do FG. Desde a
ocorrência deste, o pólo passivo da obrigação é ocupado pelo
responsável (com ou sem exclusão do contribuinte).

Obrigação
tributária FG

SA SP - R

$
• Responsabilidade por antecipação (ou substituição tributária para
frente): o dever do responsável surge em momento anterior à
ocorrência do FG. Cuida-se de impor a obrigação antes da ocorrência
do fato gerador futuro, mas que presumidamente ocorrerá (CF, art.
150, §7: “a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação
tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou
contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente,
assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso
não se realize o fato gerador presumido”).
Fato que enseja a
Obrigação responsabilidade FG

SA SP - R

$
.

Alíquota do ICMS = 10%


VA = $1.000 VA = $200 VA = $300

$1.000 $1.200 $1.500

ICMS = ICMS = ICMS =


$100 $20 $30
Na “substituição para frente”, a Lei impõe ao industrial, por exemplo,
que recolha, quando da sua operação, o imposto devido nas operações
seguintes:
C → $ 100 (alíquota sobre o seu preço)
R → $ 50 (alíquota sobre o valor agregado presumido das operações
seguintes)
11.2- Responsabilidade segundo a intensidade ou gravidade:

• subsidiária ou supletiva (primeiro, o contribuinte; depois, o


responsável)
• solidária (contribuinte e responsável sem benefício de
ordem); e
• pessoal, integral ou exclusiva (apenas o responsável).
11.3- Responsabilidade na disciplina do CTN: é dividida em
responsabilidade dos sucessores, de terceiros e por
infrações.

11.3.1- Responsabilidade dos sucessores (arts. 130/133):

• (art. 130) o adquirente de bem imóvel é pessoalmente


responsável pelos tributos devidos até a data da aquisição.

José: C (2010) Maria: C (2011)


IPTU FG Aquisição FG
R (2010)

2010 2011
Excludentes da responsabilidade na aquisição de bem imóvel:

→ não há responsabilidade se constar da escritura a


certidão de quitação
→ na arrematação em hasta pública, os tributos devidos
incluem-se no preço pago pelo arrematante; fica este livre da
responsabilidade.
• (art. 131, I) o adquirente de bens móveis é
pessoalmente responsável pelos tributos devidos em relação
aos bens adquiridos.

• (art. 131, II, III) o espólio é pessoalmente responsável


pelos tributos devidos pelo de cujus em relação às dívidas
surgidas até a data da abertura da sucessão (óbito); os
herdeiros são pessoalmente responsáveis pelos tributos
devidos em relação às dívidas surgidas até a data da partilha.
abertura da sucessão partilha
(óbito)

de cujus espólio herdeiros


• (art. 132) sucessão empresarial - operações com
pessoas jurídicas. A pessoa jurídica resultante fica
pessoalmente responsável pelos tributos devidos pela
sucedida:
- Fusão: A + B → C
- Transformação: A → B
- Incorporação: A + B → A
- Cisão: A → B + C (total)
A → A + B (parcial)
Lei 6.404/1976:
“Art. 233. Na cisão com extinção da companhia cindida, as
sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio
responderão solidariamente pelas obrigações da companhia
extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem
parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas
obrigações da primeira anteriores à cisão.
Parágrafo único. O ato de cisão parcial poderá estipular que
as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da
companhia cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações
que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si ou com a
companhia cindida, mas, nesse caso, qualquer credor anterior
poderá se opor à estipulação, em relação ao seu crédito, desde
que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar
da data da publicação dos atos da cisão.”
• (art. 133) o adquirente de fundo de comércio ou
estabelecimento fica responsável pelos tributos devidos em
relação à atividade, se prosseguir na exploração da mesma.

integral (será cobrada a dívida apenas do


O adquirente só adquirente-responsável): se o alienante cessar a
é responsável se exploração e não voltar a se estabelecer (em
prosseguir na qualquer atividade) em 6 meses contados da
mesma alienação.
atividade. Sua
responsabilidade subsidiária (a dívida será cobrada primeiro do
pode ser... alienante-contribuinte, depois do adquirente-
responsável): se o alienante não cessar suas
atividades ou voltar a se estabelecer em 6 meses
(mesmo em atividade diferente da anterior).
O CTN, atualmente, excepciona da responsabilidade a
alienação judicial no curso da falência ou da recuperação
judicial. O benefício não se aplica quando o adquirente é
pessoa ligada à sociedade falida ou em recuperação judicial.
O texto do art. 133:

“Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado


que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio
ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e
continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra
razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos
tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido,
devidos até à data do ato:
(...)
I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do
comércio, indústria ou atividade;
II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na
exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da
alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de
comércio, indústria ou profissão.

§1º. O disposto no caput deste artigo não se aplica na


hipótese de alienação judicial:
I – em processo de falência;
II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de
recuperação judicial.
(...)
§2º. Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo
quando o adquirente for:
I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial,
ou sociedade controlada pelo devedor falido ou em
recuperação judicial;
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto)
grau, consangüíneo ou afim, do devedor falido ou em
recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou
III – identificado como agente do falido ou do devedor em
recuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão
tributária.
(...)”
11.3.2- Responsabilidade de terceiros.

11.3.2.1- Responsabilidade supletiva de terceiros (art. 134):


São responsáveis pelos tributos, caso seja impossível a
cobrança sobre os contribuintes. Tais pessoas só são
responsáveis pelos atos em que intervierem ou pelas omissões
a que derem causa. Em primeiro lugar, cobra-se do
contribuinte; depois, cobra-se do responsável, caso este tenha
concorrido, por falta de diligência, para o não-pagamento.
Trata-se de uma responsabilidade subsidiária ou supletiva,
eis que existe benefício de ordem em favor do responsável,
muito embora o texto do CTN, impropriamente, fale de
responsabilidade solidária.
.

Responsáveis Contribuintes
Pais Filhos menores
Tutores e curadores Tutelados e curatelados
Administradores de bens de Terceiros proprietários de bens
terceiros
Inventariante Espólio
Administrador judicial Massa falida e empresa em
recuperação judicial
Tabeliães Pessoas que celebram negócios
perante cartórios
Sócios Sociedade de pessoas em
liquidação
11.3.2.2- Responsabilidade pessoal de terceiros (art. 135):

“Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos


correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato
social ou estatutos:
I - as pessoas referidas no artigo anterior;
II - os mandatários, prepostos e empregados;
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas
jurídicas de direito privado.”

- A compreensão que decorre do texto do dispositivo:


responsabilidade pessoal e por substituição.
- Compreensão do STJ na matéria: os ilícitos ocorridos
após o fato gerador, o problema da inadimplência e a
responsabilidade solidária. Súmulas 430 e 435.

Súmula 430: “o inadimplemento da obrigação tributária


pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária
do sócio-gerente”.

Súmula: 435: “presume-se dissolvida irregularmente a


empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem
comunicação aos órgãos competentes, legitimando o
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”.
11.3.3- Responsabilidade por infrações (arts. 136/138).
• (art. 136) A responsabilidade, salvo disposição de lei em
contrário, independe de comprovação de dolo, bem como dos
efeitos do ato praticado.
• (art. 138) Denúncia espontânea: é forma excludente da
responsabilidade pela penalidade (multa) relativa à infração
praticada, desde que acompanhada do pagamento do tributo +
acréscimos moratórios (o CTN fala em juros de mora). Para ser
espontânea, deve ser feita antes de qualquer ato administrativo
tendente à verificação da falta.
Denúncia
FG Infração espontânea da Potencial
infração + fiscalização
pagamento do
tributo e seus
acréscimos
Conservação da espontaneidade:
Fato gerador e Lançamento Inscrição Ação de
cometimento Início da (auto de em dívida execução
de infração fiscalização infração) ativa fiscal

Manutenção da espontaneidade

A compreensão do STJ: o afastamento da multa de mora na


denúncia espontânea, na forma literal do art. 138 do CTN.

Multa de mora: aplicável pelo sujeito passivo, no recolhimento


em atraso.
Multa de ofício: aplicável pela autoridade, na fiscalização,
quando constatado o ilícito.
UNIDADE IV: CRÉDITO TRIBUTÁRIO
1- Crédito Tributário
Inscrição Ação de
em dívida execução
Fato gerador Lançamento ativa fiscal

Obrigação tributária Crédito tributário

SA SP
Exigibilidade
$
Lançamento
Fato tal – Lei qual
SP – Fulano
Valor - $ XX.XXXX
Crédito tributário é o direito que a Fazenda Pública tem de
exigir determinado valor de um sujeito passivo também
determinado. Tal constatação e formalização são realizadas por
meio do ato administrativo do lançamento.

2- Lançamento
É o ato administrativo que formaliza a dívida tributária já
existente desde a época do fato gerador. É o momento em que
a Fazenda, formalmente, se declara credora do sujeito passivo,
em relação a determinado valor para que este possa ser
exigido, notificando-o para pagar.
3- Funções e características do lançamento segundo o CTN (art.
142)
• constituir (formalizar) o crédito tributário
• ser ato privativo de autoridade administrativa
• verificar a ocorrência do FG
• determinar a matéria tributável (BC)
• calcular o montante devido
• identificar o sujeito passivo
• aplicar penalidade, se for o caso
• deve ser notificado ao sujeito passivo (requisito de eficácia)
4- Legislação aplicável ao lançamento (art. 144)

Direito material: (i) aplica-se a legislação vigente à época


do FG, no que se refere ao tributo (critério da
irretroatividade); (ii) aplica-se, quanto à responsabilidade
tributária, a legislação vigente ao tempo em que ocorreu o
fato causador dessa responsabilidade (critério da
irretroatividade); e (iii) aplica-se a legislação mais benigna,
desde a ocorrência da infração, no que se refere à penalidade
(critério da retroatividade benigna).

Direito procedimental (poderes de investigação, meios


de prova, competência da autoridade lançadora): aplica-se a
legislação vigente à época da realização do lançamento.
5- Alteração do lançamento (arts. 145/146)
“Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao
sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:
I - impugnação do sujeito passivo;
II - recurso de ofício;
III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos
casos previstos no artigo 149.

Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em


conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos
critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no
exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em
relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador
ocorrido posteriormente à sua introdução.”
.
ÓRGÃO
ADMINISTRATIVO Decisão
JULGADOR DE
CT = $ 1.500.000
SEGUNDA
INSTÂNCIA

Recurso Recurso de
voluntário do ofício
SP
ÓRGÃO
Decisão
ADMINISTRATIVO
JULGADOR DE CT = $ 500.000
PRIMEIRA
INSTÂNCIA
Lançamento Impugnação do SP
CT = $ 2.000.000 CT = $ zero
.

Revisão de ofício do
lançamento pela
Lançamento própria autoridade
originário fiscal ou por autoridade
superior
CT = $ CT = $
1.000 1.500
ou
CT = $ 500
Erro quanto aos fatos ocorridos – possibilidade de revisão de
ofício.
Revisão de ofício do
lançamento pela
própria autoridade ou
Lançamento por autoridade
originário. superior.
Fato Causa: verificou-se que
considerado: a importação abrangeu
importação de 2.000 notebooks
1.000 infantis
notebooks
infantis
“Erro quanto à aplicação do direito” ou superveniência de
nova interpretação – impossibilidade de revisão de ofício.

Lançamento
Mudança de Impossibilidade de
originário.
interpretação do revisão de ofício do
fisco. lançamento
Fato: importação de Passa a dar aos
1.000 notebooks notebooks
infantis infantis o
tratamento de
Interpretação: a
“brinquedo” (Al =
mercadoria deve ser
15%)
tratada como “bem
de informática” (Al =
10%)
- A limitação temporal da revisão de ofício do lançamento. O
parágrafo único do art. 149 do CTN: “a revisão do lançamento
só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da
Fazenda Pública”.

Lançamento Revisão do Impossibilidade


FG originário lançamento de revisão do
lançamento

CT = $ 1.000 CT = $ 1.500

Prazo decadencial de 5 anos


6- Modalidades de lançamento (arts. 147/150)

• De ofício, ex-officio, ou direto (art. 149): é aquele que


não conta com nenhuma ou quase nenhuma participação do
sujeito passivo nas atividades que antecedem o lançamento.

FG Lançamento Pagamento

OT CT

Ausência de participação do SP
• Por declaração (art. 147): aquele que é feito com base em
informações prestadas pelo sujeito passivo. É chamado
também de lançamento misto.

FG Lançamento Pagamento

OT Entrega de CT
declaração
pelo SP
• Por homologação (art. 150): é aquele que consiste em
verdadeira confirmação, por parte da Fazenda, dos procedimentos
efetuados pelo SP. Este efetua a apuração e o recolhimento do
tributo de forma antecipada, sem que a autoridade tome
conhecimento previamente. Feito isso, o SP permanece a aguardar
a homologação do seu proceder. Em não se manifestando a
Fazenda em 5 anos, contados do FG, a conduta do SP é tacitamente
homologada (hipótese de decadência). É chamado também
(impropriamente) de autolançamento.
FG Lançamento por
homologação

OT Apuração e
pagamento por
parte do SP
.

expressa, quando a autoridade


fazendária, dentro do prazo, se
manifesta no sentido de aprovar os
pagamentos do SP.

A homologação
OU
pode ser:
tácita, quando o prazo de 5 anos
contados do FG se esgota sem a
manifestação da autoridade (hipótese
de decadência do direito da Fazenda)
6.1- A mitigação do dogma da obrigatoriedade do lançamento.

- O art. 5 do DL 2.124/1984:
“ § 1º. O documento que formalizar o cumprimento de
obrigação acessória, comunicando a existência de crédito
tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e
suficiente para a exigência do referido crédito.
§ 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o
crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte
por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente
inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva,
observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decreto-lei nº
2.065, de 26 de outubro de 1983.”
- A Súmula 436 do STJ: “a entrega de declaração pelo
contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte
do fisco”.
Entrega da
declaração que Ação de
reconhece a Inscrição execução
dívida em DA fiscal
FG

OT CT

Prazo decadencial de 5 Prazo prescricional de 5


anos anos
7- Suspensão da exigibilidade do crédito (art. 151/155-A)

Cessação Inscrição
Situação da situação em DA Execução
FG Lançamento suspensiva suspensiva fiscal

OT CT

Exigibilidade Exigibilidade
Suspensão
da
exigibilidade
• Suspensão da exigibilidade é a situação em que a dívida
tributária existe, mas a Fazenda se vê, momentaneamente,
impedida de tomar as providências tendentes à exigência da
dívida (inscrição em dívida ativa, ajuizamento da ação de
execução fiscal). Terá a Fazenda que aguardar o fim da causa
suspensiva, para só então cobrar o crédito judicialmente.
• Pelo simples fato de o sujeito passivo estar
temporariamente protegido da cobrança de sua dívida, não
significa estar dispensado de suas obrigações acessórias.

•As modalidades de suspensão são:


(i) moratória;
Não
litigiosas (ii) parcelamento;
(iii) reclamações e recursos administrativos;
(iv) depósito do montante integral;
Litigiosas (v) concessão de medida liminar em mandado de
segurança; e
(vi) concessão de medida liminar ou de tutela
antecipada em qualquer tipo de ação.
7.1- Moratória (art. 151, I, e art. 152/155): é a dilação,
estabelecida por lei, do prazo para pagamento do crédito
tributário. É a criação de um novo prazo para pagamento. Possui
as seguintes características:

• é estabelecida por lei


• a União pode estabelecê-la para tributos estaduais e/ou
municipais: desde que a conceda para seus próprios tributos e
também para as obrigações de natureza privada
• pode ter caráter geral ou individual
• é sempre a prazo determinado e pode ser dividida em
prestações
• pode ser regionalizada e dirigida a uma determinada
classe de contribuintes
7.2- Parcelamento (art. 151, VI, e art. 155-A): é instituto que
significa verdadeira espécie de moratória. Deve ser
estabelecido por lei e exige que o sujeito passivo beneficiário
efetue o pagamento do crédito suspenso de forma periódica,
geralmente mediante mensalidades. O Código determina que,
salvo disposição da lei em contrário, a dívida parcelada
continua a ser acrescida dos juros de mora e multa. Segue, no
mais, as normas relativas à moratória.
7.3- Reclamações (impugnações) e recursos no processo
administrativo tributário (art. 151, III): pelo simples fato de o
sujeito passivo ter se socorrido da esfera administrativa para a
solução da sua inconformidade em relação ao crédito tributário
lançado, a Fazenda Pública fica impedida de efetuar procedimento
de cobrança até que o processo administrativo seja definitivamente
decidido. Decisão
Impugnação administrativa Inscrição Execução
Lançamento do SP final em DA fiscal

CT

Exigibilidade
Suspensão da
exigibilidade
• Abordagem necessária para a compreensão dos temas
seguintes – as tutelas jurisdicionais:

→ de conhecimento
→ de execução (títulos executivos: judiciais e
extrajudiciais)
→ cautelar (os pressupostos: plausibilidade da
pretensão e perigo da demora)
7.4- Depósito do montante integral (art. 151, II): é uma providência
que pode o sujeito passivo tomar no curso do processo judicial,
em que discute o crédito tributário, a fim de evitar a cobrança por
parte da Fazenda. É chamado também de depósito em garantia. O
depósito não é pressuposto da discussão judicial sobre o crédito,
mas garantia de que o devedor não será cobrado.
Ajuizamento Conversão do
da ação Decisão
judicial depósito em renda
Lançamento Depósito da Fazenda
final
CT

Exigibilidade Exigibilidade
Suspensão da
exigibilidade
O depósito tem também efeito também de fazer
estancar a fluência de acréscimos moratórios ao crédito
tributário.
O depósito pode ser feito também no processo
administrativo. No entanto, não chega a suspender a
exigibilidade, eis que ela já fica suspensa desde a
reclamação/impugnação. Quando realizado na esfera
administrativa, o depósito tem por efeito apenas impedir,
desde a sua realização, a contagem dos acréscimos
moratórios.
7.5- Concessão de medida liminar em mandado de segurança (art.
151, IV): é o provimento emergencial dado pelo juiz, a fim de
evitar a irreparabilidade do dano pelo retardamento da
sentença, quando verifique em exame superficial a relevância
dos fundamentos do impetrante. O tema é regulado no art. 7º da
Lei 12.016/2009 (“art. 7º - ao despachar a inicial, o juiz
ordenará:... III - que se suspenda o ato que deu motivo ao
pedido, quando houver fundamento relevante e do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja
finalmente deferida...”).
Relevância dos
Perigo da
fundamentos + demora
(plausibilidade da
postulação)
Medida liminar em mandado de segurança

Ajuizamento do
mandado Concessão Revogação Inscrição Execução
Lançamento da liminar da liminar em DA fiscal

CT

Exigibilidade Exigibilidade
Suspensão da
exigibilidade
7.6- Concessão de medida liminar e concessão de tutela antecipada (art.
151, V).
• A medida liminar referida significa a concessão, pelo Juiz, da tutela
cautelar. A tutela cautelar pode ser buscada e obtida em processo
autônomo (processo cautelar - CPC, arts. 796 e ss.) ou, incidentalmente,
no próprio processo principal (de conhecimento), na forma do §7º do
art. 273 do CPC (“§ 7o - se o autor, a título de antecipação de tutela,
requerer providência de natureza cautelar, poderá o juiz, quando
presentes os respectivos pressupostos, deferir a medida cautelar em
caráter incidental do processo ajuizado”). A tutela cautelar visa apenas a
conferir garantia de preservação da utilidade do processo principal.
Relevância dos
Perigo da
Requisitos: fundamentos + demora
(plausibilidade da
postulação)
• A tutela antecipada é concedida, nos autos da ação de
conhecimento, antes da sentença, no sentido de adiantar a prestação
jurisdicional ao autor. Ou seja, a antecipação é da própria tutela de
conhecimento. O tema é tratado no art. 273 do CPC. A antecipação
de tutela visa a possibilitar o imediato gozo do direito postulado.
Requisitos: Perigo da demora

Verossimilhança da postulação + OU

abuso de direito de defesa / propósito


protelatório do réu
• Em matéria tributária e em se tratando de lide em que se discute a
existência ou liquidez do crédito tributário, a concessão da tutela
cautelar ou a antecipação da tutela de conhecimento terão efeitos
idênticos, eis que se prestam apenas a suspender a exigibilidade do
crédito tributário.
8- Extinção do crédito tributário (arts. 156/174)
(i) pagamento
(ii) compensação
(iii) transação
(iv) remissão
(v) decadência
(vi) prescrição
(vii) ação de consignação em pagamento
(viii) pagamento antecipado com posterior homologação
(ix) conversão de depósito em renda
(x) decisão administrativa final
(xi) decisão judicial final
(xii) dação em pagamento em bens imóveis
8.1- Pagamento (art. 157/163):
• em moeda, cheque ou vale postal
• nos casos previstos em lei: estampilha, papel selado ou processo
mecânico
• a quitação de uma das parcelas do crédito não faz presumir o
pagamento das demais; bem assim o pagamento de um crédito
não induz presunção de pagamento de outros créditos do mesmo
ou de outro tributo (critério diverso da lei civil – CC, art. 322)
• Prazo (se a legislação não estabelecer) = 30 dias a contar do
lançamento; o estado de mora é automático, com o vencimento
do prazo; juros (se a lei não estabelecer) = 1% ao mês de atraso
Pagamento
Lançamento
juros = 1%

60 dias
• Pagamento indevido - repetição de Indébito (arts. 165/169)
Ação judicial
Pagamento Denegação anulatória do ato
indevido ou a Requerimento administrativa que denegou a
maior de restituição da restituição restituição

Relação Prazo decadencial de 5 anos Prazo prescricional de 2 anos


obrigacional

Pagante Fazenda
(credor) Pública
(devedora)

$
Nesse prazo prescricional de 2 anos, ao ser interrompido, a
nova contagem inicia-se por metade (1 ano), como em geral
ocorre quando a Fazenda Pública é a devedora (art. 9º do
Decreto 20.910/1932).

Denegação administrativa Interrupção do prazo


da restituição prescricional

Contagem por 1 ano e 6


meses Reinício da contagem por
mais 1 ano
Quando a interrupção ocorre antes da primeira metade do
prazo, aplica-se a inteligência da Súmula 383 do STF (“a
prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por
dois anos e meio, a partir do ato interruptivo, mas não fica
reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a
interrompa durante a primeira metade do prazo”).

Denegação
administrativa da Interrupção do
restituição prazo prescricional

Contagem por 6 meses


Reinício da contagem por mais 1
ano e 6 meses
8.2- Compensação (art. 170): ocorre, em havendo lei
autorizativa, quando Fazenda Pública e sujeito passivo são
credores e devedores, reciprocamente. Existe o crédito
tributário (cujo devedor é o sujeito passivo) e um outro crédito
de outra natureza (cuja devedora é a Fazenda). O crédito
tributário é líquido, certo e vencido; enquanto o outro crédito
é líquido, certo, vencido ou vincendo.
Nos créditos contra a Fazenda ainda vincendos, cabe
desconto, a ser estabelecido pela lei autorizativa, de, no
máximo, 1% ao mês.
.

dívida pelo fornecimento de materiais

UNIÃO FEDERAL Papelaria ABC Ltda.

IR devido pela empresa


- Hipóteses recorrentes nas legislações tributárias:

(i) Pagamento indevido;


(ii) Títulos da dívida pública.

- A Súmula 212 do STJ: “a compensação de créditos


tributários não pode ser deferida por medida liminar”.

- O art. 170-A do CTN: “é vedada a compensação mediante


o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial
pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da
respectiva decisão judicial”.
8.3- Transação (art. 171): ocorre, em havendo lei autorizativa,
quando Fazenda Pública e sujeito passivo terminam litígio,
mediante concessões mútuas. Na transação, as partes
celebram acordo, que põe fim a um litígio. Aqui só existe o
crédito tributário e as partes cedem dos dois lados. Ex.: a
Fazenda aceita receber um pouco menos do que lhe é devido
e o sujeito passivo abre mão do seu direito de recorrer a
instâncias superiores, desistindo de prosseguir no litígio. As
características do acordo são definidas na lei autorizativa.
Litígio: SP x
Lançamento Fazenda Transação

CT
8.4- Remissão (art. 172): é o perdão da dívida relativa a tributo
cujo FG já aconteceu. Refere-se a dívidas já existentes. Só
pode ser concedida por lei específica (art. 150, §6º, CF).
8.5- Decadência (art. 173): é o evento que retira da Fazenda
Pública o direito de constituir o crédito tributário, por não tê-
lo exercido dentro do prazo previsto na lei. É a perda do direito
de lançar. O prazo decadencial é sempre de cinco anos; varia,
de caso a caso, o momento do início da contagem.

Lançamento art. 150,


por §4º
homologação
Anulação do
art. art. 173, lançamento
173, II anterior por
I
vício formal
Notificação art. 173, Regra
preparatória do parágrafo geral
lançamento único
• art. 173, I - é a regra geral: conta-se o prazo a partir do 01/01/do
exercício subsequente ao que o lançamento já poderia ter sido
efetuado.
15/03/2011
FG

Prazo
decadencial
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Período em que o
lançamento já poderia
ter sido feito
• art. 150, §4º – refere-se a tributos lançados por homologação
(homologação tácita): conta-se a partir da data do FG. Há duas
exceções que, portanto, não se submetem à norma em questão:
(i) na “ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (CTN, art. 150,
§4º); e (ii) na hipótese de absoluta ausência de pagamento
(extinto TFR, Súmula 219).

15/03/2011 Pagamento
FG antecipado

Prazo
decadencial
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
- Hipótese de não haver pagamento antecipado (tributo
submetido à homologação):

15/03/2011
FG

Prazo decadencial
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
- Hipótese de dolo do SP (tributo submetido à homologação):

15/03/2011 Pagamento antecipado +


FG dolo do SP

Prazo decadencial
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
• art. 173, parágrafo único - para os casos em que houver
notificação preparatória do lançamento: conta-se da data da
notificação preparatória. Esta hipótese só tem o efeito de
antecipar o início da contagem do prazo, caso este não tenha
ainda se iniciado.
Notificação
preparatória
15/03/2011
15/09/2011
FG

Prazo decadencial

2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017


• art. 173, II - para casos em que haja a anulação, por
vício formal, do lançamento anteriormente efetuado: conta-
se da data em que se tornar definitiva a decisão que anular,
por vício formal, o lançamento anterior.
Vícios do lançamento: materiais x formais.
Decisão final
FG Lançamento que
reconhece a
Discussão
nulidade do
sobre o lançamento
por vício
lançamento
formal

Prazo decadencial de 5 anos


para o novo lançamento
8.6- Prescrição (art. 174). Pela teoria e legislação civilista, é o
evento que retira do credor o direito de ação de cobrança do
crédito devido, por não ter o credor exercido tal direito dentro
do prazo que a lei assina. Há quem sustente que, em matéria
tributária, a prescrição extingue a própria obrigação, e não
apenas a pretensão de cobrança judicial (esta é a posição atual
do STJ).
Código Civil Código Tributário
Parte geral, Livro III, “Dos fatos Art. 156: extinção do crédito.
jurídicos”, e não na Parte Especial,
Livro I, “Do direito das obrigações”.
Não capitula como modalidade Art. 174: “a ação para a cobrança
extintiva da obrigação, mas do crédito tributário prescreve em
extinção apenas da pretensão. cinco anos...”
O prazo prescricional é de cinco anos, contados da notificação
do lançamento ao sujeito passivo ou da ciência a este do auto
de infração, se for o caso. Regula o CTN: “a ação para a
cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos,
contados da data da sua constituição definitiva”.
Notificação de
lançamento

Prazo prescricional

Notificação de Vencimento do crédito / exaurimento do


lançamento prazo para impugnação administrativa

Prazo prescricional
- O prazo prescricional se interrompe com (CTN, art. 174, parágrafo
único):
• o despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal
• o protesto judicial
• qualquer ato judicial que constitua o devedor em mora
(protesto, notificação e interpelação judiciais)
• a confissão da dívida (única hipótese em que a interrupção
pode decorrer de ato extrajudicial)

Lançamento Interrupção

Prazo prescricional: já
Prazo prescricional: + 5 anos
correu por 4 anos
Código Civil de 2002, art. 202:

“Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente


poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
(...)”
- Suspensão do prazo:

Início da Final da
Lançamento
suspensão suspensão

Prazo prescricional: já Prazo prescricional:


correu por 4 anos Suspensão + 1 ano
- O prazo prescricional se suspende:
• pelo processo administrativo, depósito do montante
integral, medida liminar e antecipação de tutela (CTN, art.
151, II, III, IV e V);
• pela moratória e parcelamento gozados de má fé (CTN,
art. 155, parágrafo único; art. 155-A, §2º); e
• por 180 dias, pela inscrição em dívida ativa (Lei
6.830/1980, art. 2, §2º). O problema da Súmula
vinculante 8 (“são inconstitucionais o parágrafo único do
artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46
da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e
decadência de crédito tributário”).
- CTN, art. 155:
“Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual
não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que
se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer
as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos
para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de
juros de mora:
I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou
simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele;
II - sem imposição de penalidade, nos demais casos.
Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo
decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não
se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do
crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode
ocorrer antes de prescrito o referido direito.”
8.7- Ação de consignação em pagamento (art. 164): é a ação
judicial que tem o devedor, a fim de compelir o credor a
receber o que lhe é devido. Na ação de consignação em
pagamento (ou “pagamento em juízo”), o devedor quer pagar
o que deve, mas não consegue fazê-lo pelas vias normais, em
virtude de exigências ilegais e descabidas do credor. Em
matéria tributária, a ação de consignação não serve para
discutir o quantum do crédito ou a sua legitimidade. É cabível
apenas nas hipóteses de:
• recusa do recebimento;
• subordinação, sem base legal, do recebimento ao
pagamento de outro tributo, multa, cumprimento de
obrigação acessória ou exigência administrativa;
• exigência por mais de uma Fazenda Pública de um
mesmo tributo (ou tributo diverso, entendemos nós) relativo
ao mesmo FG.
8.8- Pagamento antecipado com posterior homologação (art.
156, VII): refere-se aos tributos lançados por homologação,
em que o SP apura e recolhe o tributo e fica no aguardo da
homologação. O art. 150, §1º, do CTN, afirma que o
pagamento antecipado extingue a obrigação sob condição
resolutória (pagamento opera efeitos extintivos desde a sua
realização). O dispositivo ora em estudo apenas exige que a
homologação (expressa ou tácita) ocorra.

Pagamento
FG antecipado Homologação
8.9- Conversão de depósito em renda (art. 156, VI): dá-se
quando o sujeito passivo já se encontra vencido em processo
em que tenha havido depósito do montante integral
(administrativo ou judicial), eis que o valor depositado se
converte em renda da Fazenda Pública vencedora. A
conversão de depósito em renda nada mais é do que o
pagamento realizado em circunstâncias especiais.
Decisão final
Depósito favorável à Conversão do
Fazenda depósito em
Lançamento renda da
Discussão (administrativa Fazenda

CT ou judicial) sobre o crédito


tributário
8.10- Decisão administrativa irreformável (art. 156, IX): é
aquela decisão administrativa favorável ao sujeito passivo,
que reconhece a improcedência do crédito lançado. Com isso,
o crédito é fulminado sem ser pago.

Decisão final
favorável ao
Lançamento SP
Discussão

CT (administrativa) sobre o
crédito tributário
8.11- Decisão judicial passada em julgado (art. 156, X): mesmo
raciocínio do item anterior, mas na esfera judicial.

Decisão final
favorável ao
Lançamento SP
Discussão (judicial)

CT sobre o crédito
tributário
8.12- Dação em pagamento em imóveis (art. 156, XI): é forma
de extinção de dívidas pela qual o credor aceita receber outra
coisa em lugar da quantia devida. Veio a ser incorporada ao
Código por força da LC 104/01. À luz da redação atual do CTN,
só é possível a dação em imóveis, e desde que haja lei
autorizativa da Fazenda titular da competência
correspondente.
9- Exclusão do crédito tributário (arts. 175/182)
• São situações em que a Fazenda Pública está impedida
de constituir (formalizar) o crédito tributário, mediante o
lançamento. A Fazenda fica impedida de efetuar o lançamento,
muito embora tenha ocorrido o FG ou a infração geradora de
obrigação tributária principal. A impossibilidade de exigência
da dívida impede que a Fazenda realize o lançamento.
• A exemplo do que acontece nas hipóteses de suspensão
da exigibilidade, a exclusão do crédito tributário não significa
dispensa das obrigações acessórias.
• O CTN arrola duas hipóteses: a isenção e a anistia.
• Extinção x exclusão do crédito tributário – proposta do CTN
e visão crítica.
Execução
FG Lançamento fiscal

OT Crédito
tributário

Exclusão Extinção

O problema, em especial, da decadência, do pagamento


antecipado com a posterior homologação, da remissão e da
anistia.
9.1- Isenção (arts. 176/179): de acordo com a teoria tradicional,
é a dispensa estabelecida pela lei específica (art. 150, §6º,
CF) do pagamento do tributo devido, relativo a FG posterior à
vigência da lei isentiva.
• pode ser restrita a determinada região do território da
entidade tributante
• salvo disposição de lei, não é extensiva a taxas ou
contribuições de melhoria
• salvo disposição de lei, não é extensiva a tributos
instituídos posteriormente à sua concessão
• podem ser, em regra geral, suprimidas a qualquer
tempo mediante lei posterior
• a isenção irrevogável é apenas aquela concedida a
prazo determinado e sob condições (onerosas)
• pode ser concedida em caráter geral ou individual
- Isenção “irrevogável” – gera direito adquirido para o
contribuinte.
Cumprimento
das condições

Lei concessiva da Aquisição Lei


isenção. do direito revogadora
aos 10 da isenção.
Ex.: isenção de
IPI por 10 anos anos de
para montadoras isenção
de automóveis
que se
instalarem no
Semi-árido do
NE
9.2- Anistia (arts. 180/182): é o perdão do ato ilícito cometido e,
consequentemente, o perdão da sanção respectiva. É a
dispensa do pagamento da multa, estabelecida por lei
específica (art. 150, §6o, CF).

• não se aplica a infrações tributárias que, ao mesmo


tempo, sejam tipificadas como crimes ou contravenções, e
nem a infrações tributárias que tenham sido cometidas
mediante dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito
passivo.
• salvo disposição em contrário, não se aplica às
infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas
naturais ou jurídicas.
• pode ser concedida em caráter geral ou individual.
10- Garantias e Privilégios do Crédito (art. 183/193)

10.1- Garantias do Crédito (arts. 183/185):

• Universalidade da cobrança do crédito (art. 184): a


totalidade de bens e rendas do sujeito passivo responde pelos
créditos tributários, salvo os bens ou rendas declarados por lei
absolutamente impenhoráveis.
- CPC, art. 649: “São absolutamente impenhoráveis: I - os bens
inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II -
os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência
do executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as
necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; III - os
vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se
de elevado valor; IV - os vencimentos, subsídios, soldos, salários,
remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios;
as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento
do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os
honorários de profissional liberal, observado o disposto no § 3º deste
artigo; V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os
instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício de
qualquer profissão; VI - o seguro de vida; VII - os materiais necessários para
obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas; VIII - a pequena
propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família; IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para
aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X - até o
limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em
caderneta de poupança; XI - os recursos públicos do fundo partidário
recebidos, nos termos da lei, por partido político”.
- Lei 8.009/1990:
“Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é
impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal,
previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos
que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.
(...)
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil,
fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
I - em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas
contribuições previdenciárias;
II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou
à aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do
respectivo contrato;
III - pelo credor de pensão alimentícia;
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições
devidas em função do imóvel familiar;
V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo
casal ou pela entidade familiar;
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença
penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.
VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.”
• Presunção de fraude contra a execução (art. 185): enseja
presunção de fraude contra a execução o fato de o sujeito passivo
alienar ou começar a alienação de seus bens, sem reservar valores
suficientes para a quitação do crédito tributário já inscrito em
dívida ativa.
Inscrição Ajuizamento da Penhora na
FG Lançamento em DA execução execução

CT = $ 10.000
Momento a partir do qual pode
Ex.: patrimônio do incidir a presunção
devedor:
-Terreno = $ 30.0000 O problema da Súmula 375 do STJ: “o
reconhecimento da fraude à execução depende
- Automóvel = $ 15.000
do registro da penhora do bem alienado ou da
- Motocicleta = $ 5.000 prova de má-fé do terceiro adquirente”.
• Na execução fiscal, o devedor citado que não oferecer
garantia da dívida e cujos bens não forem encontrados, terá
decretada a indisponibilidade de seus bens e direitos, até o
limite do crédito executado e comunicada a decisão aos
órgãos e entidades de registro de propriedade e transferência
de bens (art. 185-A).
10.2- Privilégios do Crédito (arts. 186/193):

• O crédito tributário prefere a qualquer outro crédito,


exceto os de natureza trabalhista ou os decorrentes de
acidente de trabalho (art. 186, caput).
• Na falência, a ordem de preferência é a seguinte (CTN, art. 186,
parágrafo único; Lei 11.101/2005, arts. 83 e 84):
(i) as importâncias passíveis de restituição na massa;
(ii) os créditos extraconcursais;
(iii) os créditos trabalhistas, até 150 salários mínimos por
credor, e créditos decorrentes de acidentes de trabalho;
(iv) os créditos com garantia real, até o limite do bem gravado;
(v) os créditos tributários no que se refere aos tributos e aos
juros correspondentes;
(vi) os créditos com privilégio especial;
(vii) os créditos com privilégio geral;
(viii) os créditos quirografários;
(ix) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração
das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; e
(x) os créditos subordinados.
• O crédito tributário não se sujeita a concurso de
credores, nem à habilitação em inventário, falência ou
recuperação judicial (art. 187).

• Existe ordem de preferência dos créditos entre as


pessoas jurídicas de direito público (art. 187, CTN combinado
com o parágrafo único do art. 29 da Lei 6.830/80):
→ União e suas autarquias
→ Estados, DF e Territórios e suas autarquias,
conjuntamente e pro rata
→ Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro
rata
UNIDADE V: ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
1- Fiscalização (arts. 194/200)

• (art. 194) Os poderes das autoridades fazendárias serão


regulados pela legislação tributária em caráter geral (de modo a
se referir a vários tributos) ou específico (de modo a se referir a
um tributo determinado).

• Tais poderes serão exercidos, também, sobre pessoas


imunes ou isentas (art. 194).

• A escrituração comercial e fiscal obrigatória (livros e outros


documentos) deve ser mantida em boa guarda até que ocorra a
prescrição total dos créditos tributários oriundos das operações
nela registradas (art. 195).
• O início de procedimento de fiscalização deverá ser
formalizado pela autoridade, preferencialmente, em livro do
fiscalizado e, subsidiariamente, em termo separado. Esta
formalização consiste na lavratura de um termo de início da
fiscalização, que afasta a espontaneidade do fiscalizado (art.
196).

• (art. 197) Mediante intimação escrita da autoridade fiscal,


os tabeliães, instituições financeiras, administradoras de bens,
inventariantes, administradores judiciais (síndicos e comissários,
na terminologia anterior) e quaisquer outras entidades ou
pessoas são obrigadas a prestar ao fisco informações sobre bens
e negócios de terceiros que estejam sob fiscalização. No entanto,
o CTN protege aqueles que, em razão da lei, são obrigados a
guardar segredo quanto à sua atividade (sigilo profissional).
• (art. 198) Sigilo da informação fiscal (sigilo fiscal). As
informações obtidas pela autoridade fiscal no uso das suas
atribuições não podem ser divulgadas. Cabe à autoridade a guarda
do sigilo quanto a essas informações, que só podem ser utilizadas
para a realização da atividade de fiscalização. A norma do sigilo só
é atenuada ou excepcionada nas seguintes hipóteses:

→ requisição da autoridade judicial (art. 198, §1º, I)


→ requisição da autoridade administrativa, para instruir
processo (administrativo) onde se apure infração administrativa
(art. 198, §1º, II)
→ divulgação de informações relativas a:
(i) representação para fins penais,
(ii) inscrições na Dívida Ativa,
(iii) parcelamento ou moratória (art. 198, §3º)

→ cooperação recíproca entre U, E, DF e M, na forma da


lei ou convênio (art. 199, caput)
→ cooperação entre o País e Estados estrangeiros, na
forma dos tratados internacionais (art. 199, parágrafo único)
• (art. 200) Podem as autoridades fazendárias federais,
estaduais ou municipais, requisitar o auxilio da força pública
federal, estadual ou municipal, mutuamente, quando
sofrerem qualquer embaraço ou desacato no cumprimento
de suas funções ou quando necessário à efetivação de
medida prevista na legislação tributária, ainda que não se
configure fato definido em lei como crime ou contravenção.
O problema da inviolabilidade da “casa”.
2- Dívida Ativa Tributária (arts. 201/204)
É a que provém de crédito tributário não pago na época
própria pelo sujeito passivo. Diz-se ativa, pois é passível de
cobrança mediante ação de execução fiscal. A inscrição do crédito
tributário em dívida ativa (com a posterior extração da
correspondente certidão) tem como principal finalidade
instrumentalizar a execução (art. 201). A certidão extraída dos
cadastros da dívida ativa é o título executivo extrajudicial que
legitima o ajuizamento da execução fiscal.
Inscrição na DA Certidão da DA

xxxxxx
Ação de
xxxxxx
execução
xxxxxx
fiscal
xxxxxx
• O crédito inscrito em dívida ativa goza de presunção
relativa de certeza e liquidez e tem efeito de prova pré-
constituída (art. 204).
Inscrição em
DA e Ajuizamento
Garantia da
extração da da execução
Lançamento execução
Certidão fiscal

CT Processo de execução – FZ x SP

Ajuizamento
dos embargos à
execução

Processo de conhecimento
– SP X FZ
• Requisitos do termo de inscrição (art. 202):
→ o nome do devedor e seu domicílio
→ o valor devido e a forma de cálculo dos juros
→ a origem do crédito e o dispositivo legal que
embasa a exigência
→ a data da inscrição
→ o número do processo administrativo, se for o
caso
• O vício da inscrição acarreta anulação do respectivo
processo de execução, ressalvado o saneamento até a decisão
de primeira instância, mediante substituição da certidão nula,
devolvido ao sujeito passivo o prazo para defesa, que somente
poderá versar sobre a parte modificada (art. 203).
3- Certidão Negativa (arts. 205/208)
É prova de quitação de tributos.
• Nos termos do CTN, é necessária sua apresentação
para: concessão de recuperação judicial (art. 191-A),
obtenção da declaração de extinção de obrigações do falido
(art. 191), prolação da sentença de partilha (art. 192) e
participação em contrato ou licitação administrativa (art.
193). A lei ordinária pode exigi-las para a prática de outros
atos (art. 205).
• Iniciativa do sujeito passivo (art. 205, parágrafo único)
• Prazo de 10 dias para a expedição, a partir do
requerimento do interessado (art. 205, parágrafo único)
• Tem os mesmos efeitos de negativa a certidão positiva
onde conste (art. 206):
→ créditos vincendos
→ créditos com a exigibilidade suspensa
→ créditos já em execução, mas garantidos com penhora

• Caso haja a expedição de certidão com erro contra a


Fazenda, o funcionário responde pelo crédito acrescido dos
juros de mora, em agindo com dolo ou fraude. Cumula-se a
responsabilidade na esfera disciplinar e penal, se for o caso
(art. 208).

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